Jornal da Universidade Federal de Ouro Preto
Edição 189 - setembro e outubro de 2012
IV Encontro de Saberes
Incentivo ao conhecimento em diversas áreas PÁGINA 03
Considerado o evento mais importante da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Encontro de Saberes reuniu estudantes de diversas áreas para troca de conhecimento e de experiências no campo da pesquisa científica e de projetos e programas de extensão, estes direciondados
à sociedade. A partir da realização do XIII Seminário de Extensão (Sext), o XX Seminário de Iniciação Científica (Seic) e a V Mostra Pró-Ativa foram reunidos no Encontro 1.151 pôsteres, 143 apresentações de trabalhos orais e 23 minicursos.
Programa de capacitação a partir da reciclagem do lixo
Avaliação positiva de 20 cursos reflete investimentos
PÁGINAS 04 e 05
PÁGINA 07
Entrevista:
UFOP, Escola de Minas e ICEB comemoram aniversários
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Pró-reitor adjunto fala sobre políticas de cotas PÁGINA 08
A todos que contribuíram para o crescimento da Universidade Federal de Ouro Preto e acreditaram na força da educação para promover igualdade, desenvolvimento e justiça social, registramos nossos agradecimentos. Que a paz, a realização e a renovação nos guiem, em 2013, neste percurso de constante evolução. João Luiz Martins, Reitor da UFOP
Teodolito
Grupo de teatro recebe três premiações das cinco que disputou em festival nacional
Coluna do Museu Possivelmente a topografia é uma das ciências mais antigas da história da humanidade e vem sendo utilizada desde os primórdios para delimitar as áreas urbanas, rurais, acidentes geográficos, entre outros. No Setor de Topografia é possível acompanhar a evolução tecnológica ocorrida desde o início do século XX nos instrumentos de topografia, particularmente na exposição de teodolitos. O teodolito é um equipamento usado para medir distâncias e ângulos tanto verticais (perpendiculares a um terreno nivelado, horizontal) como ângulos horizontais (paralelos a um terreno nivelado). Possui uma luneta como instrumento de pontaria e medida de distâncias verticais (alturas). Montado sobre um tripé, o aparelho trabalha junto com a balisa (haste vertical) e a mira (régua graduada), que servem de alvo para a luneta.
tronomia e Desenho aos sábados, das 20h às 22h. Os Setores de Mineralogia I e II, História Natural, Mineração, Metalurgia, Física, Ciência Interativa, Química e Biblioteca de Obras Raras estão abertos à visitação pública de terça a domingo das, 12h às 17h. O Setor de Transporte Ferroviário está aberto à visitação pública de terça a domingo, das 09h às 17h, na Estação Ferroviária de Ouro Preto do Projeto Trem da Vale. O Setor de Siderurgia atende ao público de quarta a sexta, das 13 às 17h, no Centro de Artes e Convenções da UFOP.
Formado por alunos do curso de Artes Cênicas da UFOP, a peça “Ó o Sol”, do grupo de teatro “Meninos do Bacuri”, ganhou três prêmios dos cinco que disputou na 6ª edição do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, no mês de setembro: o de melhor espetáculo na categoria adulto; melhor atriz, com Adriana Maciel, e o de melhor iluminação, com Everton Lampe.
Para Henrique Manoel Oliveira, diretor da peça, a premiação é o reconhecimento do trabalho realizado pelo grupo. Ele destacou a satisfação de se fazer teatro e a importância do festival para a carreira dos estudantes: “Nós fizemos pelo prazer, mas é claro que essas conquistas contribuem para os nossos currículos e se tornam um reconhecimento registrado”.
Escolas e grupos podem agendar visitas em horários e dias a combinar pelo contato: 31-3559-3118 / museu@ufop.br / www.museu.em.ufop.br. Teodolito da marca Gurley – Nova Iorque/EUA
Por meio dessas informações sobre distâncias verticais e ângulos, realizamse cálculos e determinam-se pontos que poderão ser representados graficamente em uma planta topográfica que exibe as feições do relevo de uma localidade, por exemplo. O setor de Topografia do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas/ UFOP funciona anexo aos setores de As-
Foto: Naty Torres Fotografia: Leonardo Homssi
Reitor: Prof.Dr.João Luiz Martins Vice-Reitor: Prof. Dr. Antenor Rodrigues Barbosa Júnior Chefe de Gabinete: Profª Drª Margarete Aparecida Santos Assessor de Comunicação: Prof. José Armando Ansaloni Coordenador de comunicação institucional: Rondon Marques Coordenação de Jornalismo: Ady Carnevalli Edição: Ady Carnevalli e Edwaldo Cordeiro Projeto Gráfico e Diagramação: Mateus Marques
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Redação: Bruna Fontes, Bruna Alves, João Gabriel Alves e Kamilla Abreu Fotografias: Nathália Viegas Revisão: Milena Gallerani Tiragem: 1.000 exemplares Impressão: MJR Editora e Gráfica
Assessoria de Comunicação Institucional (ACI): Centro de Convergência / Campus Morro do Cruzeiro, Ouro Preto/MG, CEP 35400-000. Telefax: (31) 3559-1222 • Site: www.ufop.br • Email: aci@ufop.br
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Encontro dedicado à troca de conhecimento Encontro de Saberes reuniu 1.151 pôsteres, 143 apresentações de trabalhos orais e ofereceu 23 minicursos Fotos: Nathália Viegas
além do aumento de 134% no número de ofertas de vagas devido à expansão das instituições federais de ensino superior. O prof. Tanus Jorge Nagem, pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, disse que “o conhecimento não ocupa lugar; ele, ao contrário, amplia os horizontes”. Por fim, o secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, prof. Álvaro Toubes Prata, proferiu palestra a convite da UFOP. Ele falou sobre a evolução histórica da ciência e do respeito que se deve ter ao homem, à história, à tecnologia e à herança cultural proveniente disso.
Trabalhos Por Edwaldo Cordeiro
O Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebeu, no início do mês de novembro, o IV Encontro de Saberes. O evento reuniu 1.151 pôsteres de várias áreas do conhecimento, 143 trabalhos orais e ofereceu 23 minicursos, e integra o XIII Seminário de Extensão (Sext), o XX Seminário de Iniciação Científica (Seic) e a V Mostra Pró-Ativa, das pró-reitorias de Extensão, de Graduação e de Pós-Graduação e Pesquisa, respectivamente.
lembrou a trajetória do Encontro, da Mostra Pró-Ativa, atividade em que os alunos são a atração. “Em três dias, tudo pôde ser mostrado em termos de trabalho. Cada aluno pôde ver os projetos de outras áreas”, disse. Wood destacou o desenvolvimento de 150 projetos de extensão e 11 programas, sendo um deles o “UFOP com a Escola”, que atua em cinco municípios da região de Ouro Preto.
Segundo o reitor da UFOP, prof. João Luiz Martins, o Encontro de Saberes é relevante para a formação estudantil: “Esse tipo de evento vai levar a inovações”, observou. Martins ressaltou a criação do 33º curso de pós-graduação da Universidade e o doutorado em História, o primeiro na área de Ciências Humanas da Instituição.
Um dos convidados da mesa de abertura do evento, o prof. Gustavo Balduíno, secretário-executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), elogiou o Encontro pela integração das diversas áreas do conhecimento. Ele ressaltou a expansão das universidades federais nos últimos anos: “Entraram 300 mil novos alunos, 30 mil novos professores, isso refletirá no ensino, na pesquisa e na extensão”.
A coordenadora da área de Iniciação Científica, profª Christiane de Lyra Nogueira, agradeceu a todos que participaram da organização. “Este evento foi feito por vocês e para vocês”. O pró-reitor de Extensão, prof. Armando Maia Wood,
Para o pró-reitor de Graduação, prof. Jorge Adílio Pena, o Encontro é a verdadeira festa do conhecimento, já que um dos objetivos é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Pena elogiou os avanços da Universidade nas três áreas,
Estudantes de vários cursos apresentaram diversos trabalhos. Um deles, na área de Engenharia de Produção, visa auxiliar e ampliar a metodologia de ensino da disciplina de Engenharia de Processos Mecânicos, por meio da criação de material didático para o curso. Na 3ª Edição do Edital Pró-Ativa, o projeto “Integração Aluno-Professor para Melhoria da Qualidade do Ensino Através da Produção de Material Didático de Qualidade” é coordenado pelo prof. Maurício Rodrigues Silva, e conta com a participação da estudante de graduação Camila Fulscaldi de Castro. Isabela Cristina Filardi Vasques, estudante de graduação do curso de Engenharia Ambiental, apresentou a pesquisa “Questão Envolvendo a Geração de Energia Elétrica em PCH: a Sustentabilidade em Xeque. Segundo ela, o objetivo é avaliar o nível de sustentabilidade das Pequenas Centrais Hidrelétricas na Bacia do Rio Santo Antônio, em Minas Gerais, verificando qual tipo de impacto elas causam à natureza.
Apresentações orais abordaram diversos temas Por Nathália Viegas
A diversidade das atividades do Encontro de Saberes chamou a atenção de quem participou do evento. Entre elas estavam as apresentações orais das pesquisas. Rodolfo Ribeiro Gregório, estudante da área de Educação, apresentou seu trabalho “A montagem de Pedro: O Universo das Travestis de Almodóvar”. Ele disse que o Seic é uma forma de finalizar o processo de pesquisa e mostrar os resultados. O trabalho de Gregório é orientado pela profª. Margareth Diniz. “A Ocupação Pré-Colonial da Região Metropolitana de Belo Horizonte: Uma Proposta de Síntese Analítica” foi a pesquisa apresentada pela estudante do curso de Museologia, Denise Yonamine. Segundo ela, o trabalho parte do levantamento de informações colhidas em museus de Ouro Preto, com o objetivo de estudar os processos de ocupação dos índios no entorno da cidade. O trabalho é orientado pela profª. Ana Paula Loures de Oliveira.
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Do lixo à capacitaç na cidade de Ouro Agregação de valor a materiais recicláveis permite à comunidade ouropretana capacitação profissional e conscientização socioambiental, e resultado dessa ação pode refletir positivamente na economia nos próximos anos Apesar da crise mundial, a economia brasileira tem apresentado bons resultados. A taxa de desemprego, por exemplo, mostra-se praticamente estável. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os números apurados em seis regiões metropolitanas, entre elas Belo Horizonte, avançaram para 5,4% em setembro. O resultado mostra leve alta em relação aos 5,3% verificados em agosto, ficando abaixo do desemprego de 6% da População Economicamente Ativa (PEA) registrada em setembro de 2011. Ao analisar dados estatísticos como os apresentados acima, a coordenadoria do “Programa Cátedra UNESCO: Água, mulheres e desenvolvimento” — implantando na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), juntamente com a Rede UNITWIN, estabelecido em 2006 — entende que esses números poderiam ser mais baixos, pois a falta de qualificação da mão de obra é ainda um grande entrave para o setor econômico. Em Ouro Preto, o cenário da economia não é diferente do restante do Brasil. Com a falta de qualificação profissional, a dificuldade para a população de se inserir no mercado de trabalho cria uma lacuna e separa o cidadão de uma participação efetiva no crescimento da cidade com a ampliação da renda familiar. Para a equipe do Programa Cátedra, uma das possíveis alternativas para estimular mudanças é oferecer condições reais de profissionalização e inclusão. E isso pode ser bastante simples.
Programa II O “Programa de Capacitação Continuada da Cátedra UNESCO: Água, mulheres e desenvolvimento II” — coordenado pelas professoras do Departamento de Química Priscila Schroeder Curti, Ângela Leão Andrade e Ana Paula Romani — surgiu com o intuito de qualificar a mão de obra de Ouro Preto, por meio de formação de atores sociais a partir da realização de cursos que se integram em vários tipos de categoria, como “Capacitação para Cuidador de Pessoas”, “Manipulação de produtos de Higiene e Limpeza”, “Produção de sabão artesanal” e “Valorização do lixo que não é lixo.”
Valorização
teórico e prático a pessoas em vulnerabilidade social. Ela destaca: “O curso foi pensado justamente para mostrar às pessoas de todas as idades que, de uma forma geral, nem tudo o que a gente joga fora, que na nossa concepção é lixo, de fato é. Ter consciência ambiental de que determinadas coisas descartadas podem ser reutilizadas e atribuir a isso um valor agregado, como, por exemplo, aquela garrafa que às vezes a pessoa descarta indiscriminadamente na rua, ou joga num lixo comum em casa, pode ser trabalhada e transformada em um novo produto”.
A partir do trabalho desenvolvido pelas professoras e equipe, o programa “Valorização do lixo que não é lixo: conscientização e agregação de valor a materiais recicláveis” oferece à comunidade de Ouro Preto e vizinhança capacitação de modo contínuo, tendo por objetivo desenvolver uma consciência sustentável por meio de cursos que visam à formação metodológica, humanística e socioambiental, oriundos das informações, aprendizagens e técnicas de reciclagem de materiais.
Ramificado em várias outras áreas que vão além do simples ato de reciclar, o curso é dividido em módulos para que, de forma didática, facilite e direcione o aprendizado de maneira específica, gerando melhor entendimento e capacitação dos participantes. Em três módulos, 20% são destinados à formação humanística, visando elevar a autoestima e a capacidade de liderança; outros 20% são para formação de uma consciência ambiental; e os 60% restantes são para a formação técnica.
A profª. Priscila Schroeder Curti explica que a ideia partiu da necessidade de orientar e aplicar conhecimento
Na primeira etapa, a profª. Vera Guarda ensina aos alunos métodos que implicam na qualidade das relações
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interpessoais. É ensinado compromisso, ética, qualidade de vida, modos de elaborar um currículo e como se portar em entrevistas. No segundo módulo, ministrado pela profª. Ângela Leão, é desenvolvido o conceito de Educação Ambiental. A água é o foco principal do estudo, tendo em vista as suas peculiaridades, como tratamento, economia, higienização, possíveis transmissões de doenças e abrangência residuária. Referente ao lixo, trabalhamse a coleta seletiva, a compostagem e o aproveitamento de alimentos. No último módulo, provido pela profª. Priscila Schroeder, o artesanato é o ponto central dos estudos. A cada aula novas técnicas e metodologias são inseridas e trabalhadas a partir de um determinado material reciclável. O resultado se dá na produção de porta-retratos, bijuterias, cestarias e flores criadas a partir de garrafas de plástico. Além da teoria e da prática, outra atividade importante que o curso proporciona é a destinação dos materiais confeccionados. Por ser uma cidade turística, Ouro Preto recebe uma demanda forte de visitantes em curtos espaços de tempo, havendo, assim, circulação significativa de Edição 189
ção profissional Preto Por Bruna Fontes Foto: Nathália Viegas
duto artesanal sem precisar adquirir muitos materiais para executar aquela técnica, podendo até se tornar vendável.”, completa a profª. Priscila Curti. A estudante de Farmácia Waléria de Paula, 21, ingressou como bolsista no programa pelo fato de lidar diretamente com pessoas. Ela diz: “O curso não é fechado em um laboratório e aborda uma proposta ambiental”. Thaís Faco, 20, também bolsista do Programa, diz que o processo de lidar com as pessoas vai além da sala de aula: “Criamos um vínculo de amizade muito forte”, considera. Conscientizando e atribuindo valor, o curso se tornou importante em todos os âmbitos, “seja científico ou informal”, como lembra a profª. Priscila Curti. Além do lazer, é uma oportunidade de empreender a partir de materiais que a princípio nem precisariam ser adquiridos. Rosilene de Matos Vieira, 30, escolheu frequentar as aulas após perceber a importância em reciclar tudo aquilo que, na concepção geral, não passava de detritos. Para a recepcionista, frequentar o curso é valoroso, pois tudo se traduz no aprimoramento dos conhecimentos obtidos. “Sabemos que podemos utilizar tudo aquilo que se tornou ‘lixo’, transformando-os em um novo material. Antes não sabíamos como, mas, com o curso, estou descobrindo o que podemos produzir com o que achamos de lixo.” Rosilene pretende presentear amigos e parentes com os produtos confeccionados a partir da reciclagem. “A minha expectativa é ensinar aos familiares a arte de reciclar e mostrar que o que é lixo pode sempre se transformar em um produto valioso”, acrescenta.
com a Escola”, parceiro do Programa de Capacitação. Ela diz que, de agora em diante, vai usar o que iria jogar fora para ajudar a natureza, além de obter renda com a reciclagem. Com as técnicas aprendidas, Rodrigues decora a casa e explica que escolheu o curso com o intuito de ter uma profissão, pois acredita que aprenderá mais a partir disso, além de repassar seus conhecimentos. Também aluna do curso, Lunária Siqueira Santos, 17, considera que o incentivo dado é crucial e que o curso acrescenta diversas coisas em sua vida, como, por exemplo, a aprendizagem e a valorização das coisas simples do dia a dia. A adolescente quer ajudar a construir um mundo melhor: “Escolhi frequentar o curso porque não sabia nada em que eu poderia fazer para modificar o mundo, até a primeira aula que tive. A minha expectativa para o futuro é um mundo melhor”, assinala. Para sua plena execução, o “Programa de Capacitação Continuada da UNESCO: Água, mulheres e desenvolvimento” conta com apoio do Programa Hidrológico Internacional da UNESCO (PHI), da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), do Centro de Referência de Assistência Social de Ouro Preto (Cras), da Empresa de Transportes Rodoviários Transcotta e da Vale. Outro subsídio importante é o da Associação Ouro Branco pela Vida, que, além de apoiar, incentiva a iniciativa de todos: “A maior expectativa é implantar o curso em Ouro Branco”, espera a profª. Priscila Curti.
Lúcia Gonçalves Rodrigues, 40, estudante da E. E. Coronel Benjamim Guimarães, faz parte do projeto “UFOP
pessoas que sempre procuram levar alguma lembrança. “A cidade tem esse apelo e existe esse nicho que poderia ser explorado”, observa a profª. Priscila. Devido à sua abrangência, o curso conta com oito participantes no turno da noite, que em geral são senhoras, mães e donas de casa da comunidade. Juntamente com o programa “UFOP com a Escola” – “Projeto Novos Talentos”, escolas públicas do Ensino Médio da região de Ouro Preto servem de base para o curso. Atualmente, cerca de 20 alunas das Escolas Estaduais Desembargador Horácio Andrade e Coronel Benjamim Guimarães frequentam as aulas, isso no período da tarde. A profª. Vera Guarda considera que a intenção é capacitar, levando sempre em conta a consciência ambiental e como a pessoa pode se comportar no mercado de trabalho. “Procuramos transmitir isso para dar consciência às pessoas, para que possam observar as aulas práticas e aprender. Não tem a necessidade de ninguém ter habilidades, mas apenas de saber visualizar o material reciclável e a partir disso, com uma técnica simples, chegar ao pro-
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Aproveitamento do lixo rende R$ 7 bilhões por ano Atingindo a marca de 7 bilhões de pessoas existentes no mundo, o planeta nunca lidou com tamanha dificuldade quando o assunto é dar fim ao lixo. O descarte de forma correta é um dos principais problemas na atualidade, já que apenas 327 dos 5.560 municípios brasileiros têm programas de coleta seletiva, segundo levantamento realizado pela ONG Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). De acordo com o IBGE, diariamente no Brasil são produzidas cerca de 230 mil toneladas de lixo. Esse número compreende o orgânico (52%), papel e papelão (26%), plástico (3%), metais (2%), vidro (2%) e materiais diversos configurados como outros (15%). Entretanto, apenas 55% das garrafas PET, categorizadas como plástico, são recicladas, enquanto 97% das latinhas de alumínio, classificadas como metais, são reaproveitadas. O aproveitamento do lixo inorgânico (papéis, plástico, metais e vidros), além de solução para a produção
desenfreada de materiais de difícil decomposição natural, colabora para o fortalecimento de captação de recursos financeiros, uma vez que essa é a atividade de aproximadamente 500 mil brasileiros catadores de lixo. Distribuídos em quase 500 cooperativas criadas em parceria com o poder público, empresas privadas e ONGs, os trabalhadores que trabalham com o reaproveitamento do lixo lucram, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, R$ 7 bilhões por ano. Devido ao grande impacto da produção de detritos, a reciclagem deixou de ser mera solução emergencial para a preservação do meio ambiente. Para quem exerce essa função, os trabalhos manuais são muito mais do que a contribuição para diminuir significativamente a poluição do solo, da água e do ar. Além do retorno rentável, as técnicas se tornaram parte do cotidiano, transformandose, na maioria dos casos, em lazer.
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Empresa júnior
Avaliação reflete bom desempenho de cursos
Entre as melhores A Inova Consultoria Jr. esteve entre as melhores do país em 2010; capacidade de produção do setor rende mais de R$ 8 milhões indiretamente para a economia brasileira Por Kleiton Borges
O Brasil é hoje o país com o maior número de empresas juniores do mundo. De acordo com a entidade que representa o setor, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), são 1,2 mil associadas. Em 2009, o faturamento conjunto delas superou a marca dos R$ 8 milhões, apresentando crescimento de 100% em dois anos. Naquele ano foram realizados 2.500 projetos pelas empresas juniores confederadas. Uma das representantes desse setor na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é a Inova Consultoria Jr., empresa gerenciada por estudantes do curso de Engenharia de Produção do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (ICEA), de João Monlevade. Sem fins lucrativos, os resultados das atividades realizadas por ela contribuem indiretamente para a economia do Brasil. O estudante e diretor de projetos da Inova, Aloisio Soares, afirma que a empresa busca oferecer serviços de qualidade nas áreas de gerência de produção, engenharia de qualidade, engenharia econômica, engenharia de trabalho, engenharia de processos de produção e engenharia de produto. De acordo com ele, a empresa júnior do curso possibilita aos seus membros atuar profissionalmente antes de ingressar no mercado de trabalho: “É oportunidade de alinhar conhecimento e experiência a uma consultoria de qualidade e com baixo custo”, ressalta. Criada em 2009, no ano seguinte já figurou entre as 40 melhores empresas juniores do Brasil. Segundo Soares, a maior barreira do negócio é o descon-
forto dos empresários na hora de contratar os serviços, pois “a desconfiança por parte dos clientes com relação ao trabalho feito por estudantes é uma das dificuldades enfrentadas; porém, ressaltamos que todos os nossos serviços são acompanhados por professores com experiência na área”. Ainda, segundo o diretor de projetos, o público da empresa é geralmente pequenas e médias empresas. A Inova atende a esse recorte de organizações empresariais principalmente em João Monlevade e região do médio Piracicaba. A Inova Consultoria Jr. é ligada à Federação das Empresas Juniores de Minas Gerais (Fejemg), o que a torna uma EJ diferenciada. Os projetos da empresa são regulamentados pela Federação e Confederação (Brasil Júnior), garantindo a qualidade dos serviços prestados. Ela diferencia-se ainda, segundo a diretoria, por não só se preocupar em atender às necessidades dos seus clientes, mas também com o “Movimento Empresa Júnior” no país.
Início A primeira Empresa Júnior surgiu na França em 1967, na L´Ecole Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales de Paris (ESSEC). Desde então este movimento vem se difundindo e pode ser considerado como um fenômeno econômico e empresarial. No Brasil, as primeiras empresas juniores foram criadas na década de 1980; hoje, elas abrangem diversas atividades econômicas.
Mais de 70 mil em aportes financeiros Dois projetos da UFOP na área da saúde foram aprovados para serem financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O total de recursos liberados foi de R$ 72.547,55. O “Programa Mais Saúde: Conhecer, Ouvir, Aprender e Ensinar sobre Plantas Medicinais e Medicamentos Utilizados em Hipertensão, Diabetes e Doenças Respiratórias”
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receberá o aporte de R$ 44.362,50, e o Projeto de Prevenção e Tratamento de Tendinopatias na População de Ouro Preto (Preventt) contará com o investimento de R$ 28.185,05. A entidade financiadora aprovou mais 63 propostas de diversas universidades de Minas Gerais, totalizando R$ 2 milhões em financiamentos. Coordenado por Rosana Gonçalves Rodrigues das Dores, o “Programa Mais
A revista Guia do Estudante, da Editora Abril, avaliou 20 cursos da UFOP em 2012. Segundo a publicação, quatro deles receberam nota máxima (05). Foram eles: Nutrição, em Ouro Preto, Sistemas de Informação (Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas – ICEA), em João Monlevade, Letras e História (Instituto de Ciências Humanas e Sociais – ICHS), em Mariana. Outros 12 foram avaliados e alcançaram a nota 04, e quatro conquistaram nota 03. O ICHS recebeu duas notas máximas. O coordenador do curso de Letras, prof. Emílio Maciel, reconheceu que a avaliação refletiu a seriedade e o empenho dos professores e estudantes. Para o coordenador do curso de História, prof. Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, a avaliação foi importante para se obter um parâmetro da qualidade. Ele destacou os esforços conjuntos do corpo docente, discente e de técnicos: “O curso busca sempre se atualizar e acabou de implantar a reforma curricular, para aproximar ainda mais ensino e pesquisa”. A coordenadora do curso de Nutrição, profª Renata Nascimento de Freitas,
recebeu a notícia sobre a nota 05 com satisfação. Segundo ela, a publicação repercute isso nacionalmente. “Isso contribuiu para a divulgação do trabalho sério e comprometido com a formação dos alunos. Trabalhamos pela melhoria da qualidade das nossas atividades de extensão, pesquisa e ensino, de graduação e pós-graduação. Não posso deixar de comentar que, longe de nos acomodar, o resultado nos desafia a continuar melhorando nosso desempenho”, observou. Para o prof. Leonardo Vieira dos Santos Reis, coordenador do curso de Sistemas de Informação, a avaliação irá ampliar a visibilidade do curso. “Podemos atrair o interesse dos vestibulandos para João Monlevade’’. Reis ressaltou que a nota 05 é uma forma de atestar o trabalho que está sendo bem reconhecido. Os 12 cursos avaliados com nota 04 foram Engenharia de Produção, tanto o de João Monlevade como o de Ouro Preto, Ciências Biológicas, Direito, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia de Minas, Engenharia Metalúrgica, Farmácia, Geologia, Química e Turismo.
1º lugar em prêmio do CNPq Por Kamilla Abreu
O estudante do 6º período de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Diógenes Coelho conquistou o 1º lugar nacional na área de Ciências da Vida, referente ao Prêmio Destaque do Ano em Iniciação Científica e Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A premiação ocorreu em Brasília no dia 16 de outubro, data em que era realizada a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na cidade. Coelho recebeu R$7 mil, uma bolsa de mestrado, mais passagem aérea e hospedagem para participar da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, em 2013. O projeto em questão trata-se do “Estudo da variabilidade genética do Trypanosoma cruzi no desenvolvimento das lesões ateroscleróticas coronarianas dependentes de apoliproteína-E”. O estudo está integrado ao Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas (NUPEB). A doutoranda Vivian Paulino Figueiredo é co-orientadora de Diógenes e a orientação é do prof. André Talvani. Saúde” é um trabalho institucional do Centro de Saúde da UFOP, que presta serviços à população moradora do entorno do campus universitário no Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto. Ela resume o objetivo do Programa: “A comunidade usa muito as plantas medicinais. O nosso trabalho foca a orientação das informações que ela já possui sobre essas plantas”. Já o Preventt objetiva a prevenção e o tratamento de doenças nos tendões, as Tendinopatias, quadro que
Segundo a professora, a relevância do estudo consiste no fato de ele ampliar o entendimento de como a infecção pelo T. cruzi pode interferir no perfil patológico da aterosclerose. Ainda, segundo ela, isso permitirá compreender também a interferência da variabilidade genética do parasita junto a seu hospedeiro, e essas constatações são elementos essenciais para estudos futuros. Coelho recebe recursos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Tecnológica (PIBIT), do CNPq. Para o prof. André Talvani, é fundamental para o Brasil que existam bolsas de Iniciação Científica. O professor elogia como a Universidade cresceu neste aspecto ultimamente. “A bolsa deve ser incentivada e, nos últimos anos, a UFOP expandiu muito esse critério”. O estudante afirma que “a importância de uma premiação dessas vai além de um simples prêmio. A repercussão que ela possui atinge todo um grupo de pesquisa, mostrando a qualidade do trabalho de toda Universidade”, declara.
acomete principalmente atletas e trabalhadores que exercem tarefas repetitivas. As Tendinopatias podem causar dor, inchaço, vermelhidão e provocar dificuldade em executar atividades da rotina. O coordenador Gustavo Pereira Benevides afirma que “a população de Ouro Preto será beneficiada tanto com o tratamento como com as palestras de prevenção oferecida aos trabalhadores”. Os dois projetos contam também com apoio do Ministério da Educação (MEC).
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1969
Ano de fundação da Universidade Federal de Ouro Preto Instituição descende das Escolas de Farmácia e de Minas
Número de estudantes atualmente ultrapassa 10 mil, distribuídos em 45 cursos presenciais; 60% do corpo docente possui doutorado e 30% mestrado; e o número de técnicos-adminstrativos é de 767 Por Edwaldo Cordeiro e João Gabriel Nani Foto: João Gabriel Nani
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) celebrou 43 anos no dia 21 de agosto. Para celebração do aniversário, que aconteceu no dia 26 de outubro no Centro de Artes e Convenções, foram preparadas várias homenagens. Para acompanhá-las estavam autoridades, professores, servidores técnico-administrativos e estudantes. Durante a comemoração foram ressaltadas a história da Instituição, as
dificuldades e os progressos alcançados desde a sua criação. Fundada em 1969 a partir da fusão entre a Escola de Farmácia e a de Minas, a UFOP, segundo a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), tem, atualmente, mais de 7 mil estudantes presenciais em Ouro Preto, mais de 2 mil em Mariana e mil e 100 em João Monlevade, distribuídos em 45 cursos de graduação. Os que estudam
Escola de Minas comemora 136 anos Marcado por lançamentos de livros, missa, homenagens a professores centenários e jantar de confraternização, evento festivo da Escola de Minas este ano foi para comemorar os 136 anos de sua fundação, ocorrida no dia 12 de outubro de 1876. As celebrações começaram no dia 11 com a missa de Ação de Graças realizada na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto. Em seguida aconteceu assembleia no Salão Nobre da EM no centro da cidade, para inauguração da placa comemorativa ao centenário dos ex-professores Joel Campos Maynard e Reinaldo Otávio Alves de Brito. A homenagem foi organizada pela Associação dos Antigos Alunos, A3EM. A Associação também foi homenageada pelos seus 70 anos, com apresentação da visita virtual do Museu de Ciência e Técnica. No dia 12 houve Sessão Solene com entrega da “Medalha Escola de
Minas”, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. Depois, no mesmo local, foi realizado o lançamento dos livros ’’Todos cantam sua terra‘‘, de David Dequech; “Fechamento de Mina: Aspectos Técnicos, Jurídicos e Socioambientais”; e “A História da Escola de Minas”. Mais tarde, o Estádio Genival Alves Ramalho recebeu o jogo entre os ex e os atuais atletas da Associação Desportiva da Escola de Minas; por fim, aconteceu jantar de confraternização dos ex-alunos, no Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. A direção da EM ressaltou que as solenidades vão além da importância da confraternização entre estudantes, pois são oportunidades para encontros de negócios. Além disso, a direção destacou o crescimento da área de pós-graduação na UFOP nos últimos anos.
Edição 189 - setembro e outubro de 2012
a distância passam de 4 mil. De acordo com a Pró-Reitoria de Administração (Proad), o número de professores efetivos está em 744 — 60% deles possuem doutorado e 30% mestrado. O quadro de técnicos está em 767. Os dados acima referentes a professores e técnicos podem ser alterados devido a concursos em andamento, bem como o de estudantes por causa dos processos seletivos. Segundo o reitor prof. João Luiz Martins, “a UFOP se tornou algo completamente diferente nos dias de hoje, com novos técnicos, novos professores e novos cursos. Fico feliz em ver que, apesar das dificuldades, ela alcançou um grande progresso nos últimos anos”. Na cerimônia de comemoração foram homenageados com a outorga da “Medalha Universidade Federal de Ouro Preto” os professores Renato Godinho Navarro e Jaime Mendes Pereira Pinto; a técnica-administrativa Cynthia Maria Alves de Brito Andrade e Barros e o maestro Márcio Pontes, pelas con-
tribuições à Instituição. Além da entrega das medalhas, o curso de Direito recebeu o “Selo de Qualidade do Programa OAB Recomenda”, que a Ordem dos Advogados do Brasil-MG confere à UFOP pelo padrão de qualidade e excelência na formação de profissionais na área. A UFOP é resultado da união da Escola de Farmácia, fundada em 4 de abril de 1839, e da Escola de Minas, fundada em 12 de outubro de 1876. Embora seja uma Instituição jovem de ensino superior, a Universidade possui raízes no século XIX, somando 173 anos de história. A missão da UFOP não se resume à formação de profissionais na graduação e pós-graduação, mas, também, de cidadãos comprometidos com a sociedade. Sem perder de vista a responsabilidade junto à comunidade, ela mantém diversos projetos científicos, socioeducativos e culturais como forma de valorização e diálogo com a sociedade, principalmente aquela do seu entorno.
Maior unidade acadêmica, ICEB completa 30 anos O Instituto de Ciências Exatas e Biológicas (ICEB) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) completou 30 anos em 2012. Para comemorar o aniversário foram reunidos, no auditório da unidade acadêmica, professores, servidores na ativa, alguns com mais de 25 anos de trabalho, e aposentados. Na cerimônia realizada em outubro, o reitor prof. João Luiz Martins falou do bom momento do Instituto: “Fico feliz em saber que o ICEB está firmado. Algumas questões importantes devem ser discutidas, principalmente o diálogo entre as ciências, que precisa ser mais próximo. O Instituto não pode se dividir, ele deve consolidar os departamentos para que eles possam sempre interagir na construção do conhecimento”. Antônio Claret Soares Sabioni, diretor do ICEB, relembrou a trajetória do Instituto nessas três décadas: “É com orgulho que vejo o ICEB chegar ao seu jubileu de pérola sendo a maior unidade da UFOP. Reconheço e agradeço os esforços de técnicos, professores e alunos”. Além disso, o diretor advertiu sobre novos
Por Kleiton Borges
desafios a partir de agora. “Após a reestruturação e expansão, surgem agora novos desafios”, destacou o diretor. Na comemoração foram entregues os tradicionais prêmios “Destaque do Ano” a docentes, servidores e discentes. Na categoria técnico-administrativo, recebeu a homenagem Roberto Pacheco de Carvalho; na categoria professor, foram Maria Lúcia Pedrosa e Djalma Nardy Domingues; e o aluno destaque foi Leonardo César de Morais Teixeira, que disse: “Me sinto orgulhoso e honrado. Entre tantos bons alunos que o Instituto possui ser escolhido destaque é um sentimento imensurável. Agradeço aos professores e aos colegas do ICEB pela oportunidade”. Após a cerimônia, foram inauguradas as novas instalações do Departamento de Computação, Estatística e de Matemática. Claret ressaltou o papel do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais na ampliação do Instituto: “Graças ao Reuni e à captação de recursos através de nossos pesquisadores, foram criados novos cursos e a construção do bloco três em 2009”.
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ENTREVISTA
“Uma universidade, quando adota tais Políticas, passa a refletir melhor a sociedade” Adilson Pereira dos Santos Por João Gabriel Nani
Mesmo depois de dez anos de sua implantação, várias são as discussões e opiniões acerca da chamada “Política de Ação Afirmativa”. Alguns especia-listas em educação as veem com bons olhos, outros não. Na Universidade Federal de Ouro Preto, ela passou a ser adotada em 2008 e estabeleceu 30% das vagas de cada curso de graduação a estudantes oriundos de escolas públicas. Mais quais são ainda as principais dúvidas sobre esse modelo educacional? Quais os resultados? Para explicar o assunto, Adilson Pereira dos Santos, pró-reitor adjunto de Graduação, conta sua experiência profissional com a adoção das cotas na UFOP e diz que a “Política de Ação Afirmativa” “não trata da violação dos direitos dos não cotistas, pois o próprio Superior Tribunal Fe-deral já discutiu tal ponto”. Embasado em constatações científicas, Santos defendeu sua dissertação de mestrado com o título “Políticas de Ação Afirmativa: novo ingrediente na luta pela democratização do ensino superior — a experiência da Universidade Federal de Ouro Preto”, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O próreitor adjunto procurou definir na pesquisa o perfil dos alunos que ingressaram na UFOP no ano letivo de 2009, investigando se a Política poderia ser definida como mecanismo concreto de democratização. Entre os resul-tados verificados, acerca do coeficiente dos estudantes dos quatros cursos analisados por ele, a média dos estudantes cotistas foi igual ou superior a dos demais não cotistas. No curso de Medicina, por exemplo, a média dos não cotistas foi de 7,50, enquanto a dos cotistas ficou em 8,0. Como é a Política de Ação Afirmativa adotada pela UFOP? No segundo semestre de 2008, a UFOP aprovou, pela Resolução CEPE 3.270, a Política de Ação Afirmativa, por meio da qual em cada curso de graduação deveria ser matriculado pelo menos 30% de candidatos egressos de escolas públicas (ensino médio cursado integralmente). Até o momento, somente alunos vindos de escolas públicas são beneficiários da política de cotas? Haverá alguma mudança quanto a isso, como novas propostas e critérios para ingresso na UFOP? Até o momento, a política de cotas destina-se somente a alunos de escolas
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públicas; porém, a partir do primeiro semestre de 2013, com o advento da Lei de Cotas 12.711 de 29 de agosto de 2012, a UFOP incluirá, na sua atual política, os critérios de renda e etnia. Dos 30% de vagas destinadas aos egressos de escolas públicas, 50% deverá ser para candidatos com renda per capita menor ou igual a 1,5 salários mínimos, das quais 53,66% reservadas para pretos, pardos e indígenas. Conforme determinam o Decreto 7.824 e a Portaria 18 de 11 de outubro de 2012, até 2016 o percentual de vagas reservadas para alunos de escolas públicas deverá ser ampliado para
“A UFOP incluirá, na sua atual política, os critérios de renda e etnia. Dos 30% de vagas destinadas aos egressos de escolas públicas, 50% deverá ser para candidatos com renda per capita menor ou igual a 1,5 salários mínimos, das quais 53,66% reservadas para pretos, pardos e indígenas”. 50%, respeitando-se os critérios de renda e etnia. Como se dá o ingresso dos cotistas? Deve haver uma inscrição diferenciada no processo seletivo? Se dá através do Sistema de Seleção Unificado (SiSU), do Ministério da Educação (MEC), em que a inscrição é feita
pela internet. Lá, os candidatos deverão indicar a qual grupo de vagas pretende se candidatar, desde que respeitem os critérios estabelecidos. Com a atual configuração de Políticas Afirmativas, há um percentual estimado de quantos alunos são oriundos de escolas públicas em toda a UFOP? Na configuração original da política da UFOP, ingressavam em média 45% de alunos de escolas públicas, nenhum curso com menos de 30%. Já foi realizado algum estudo ou alguma pesquisa sobre o rendimento destes alunos? Em 2010 o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) analisou estudo realizado pela Pró-Reitoria de Graduação, que recomendou a continuidade da política. O referido estudo é parte anexa da Resolução CEPE 4.182. Além disso, em 2011 defendi dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação da UERJ, acerca do tema. Em sua dissertação, fica claro que os alunos cotistas possuem rendimento em média igual ou superior aos alunos que ingressaram na universidade sem fazer uso da política de cotas? Sim. Não há indicativos de que estes alunos apresentem um rendimento mais baixou ou inferior aos não cotistas. Como esse sistema contribui para as universidades federais? Particularmente por ampliar a composição social, racial e étnica das Instituições de Educação Superior (IES). Uma universidade, quando adota tais políticas, passa a refletir melhor a sociedade. Essas políticas são essenciais para a expansão da IES federais? Não. Sozinha a política não pode ter este efeito. Pelo contrário, o estudo que desenvolvi em nível de mestrado revela inclusive as “Ações Afirmativas” expressadas na forma de cotas como mais um ingrediente na luta pela democratização. Para além das “Ações Afirmativas”, defendo a ampliação do número de vagas oferecidas. É preciso deixar claro que o papel das “Ações Afirmativas” (cotas) no ensino superior é o de corrigir distorções históricas, decorrentes da descriminalização que faz com que certos grupos (egressos de escolas públicas, pretos, pardos, indígenas, pessoas com deficiências, pobres etc.) não estejam representados nas universidades públicas na mesma proporção de que estão na sociedade. É valido afirmar que as cotas apresentam, ainda que como medidas paliativas, um progresso para a educação no país, além
de sua democratização e universalidade? Esta constatação está correta em identificar este tipo de medida: as “Ações Afirmativas” como política compensatória e paliativa. Melhor seria se houvesse vagas para todos. O que não é o caso. O acesso ao ensino superior brasileiro é marcadamente elitista. Historicamente esteve a serviço de alguns em detrimento de outros. A inexistência de vagas para todos e a utilização do mérito como critério único para o acesso fez e faz com que alguns grupos ou segmentos sociais tenham mais dificuldades de acesso. Seja em função da baixa qualidade da escola pública na qual se formou, devido aos efeitos perversos do racismo que fez e ainda faz com que os descendentes de escravos, especialmente os pretos, em face da discriminação, tenham também dificuldades que o mérito em si desconhece. O mesmo poderia ser dito em relação a mulheres, indígenas, pessoas com deficiências entre outros. Por isto as AA’s se destinam a tais grupos. Diante do seu caráter paliativo, como disse, não podemos desconsiderar também a necessidade de que investimentos e que outras políticas sejam empreendidas no sentido de reduzir as desigualdades destes grupos alvos das AA’s. Chamo a atenção para a mais importante de todas: melhorar a qualidade da escola pública de ensinos fundamental e médio. É notável em tal perspectiva a importância das cotas. Porém, como fica a questão do mérito? O aluno se prepara para o vestibular, no caso o SiSU, e mesmo com um bom coeficiente de acertos pode não se classificar devido às vagas resguardadas pelas cotas. Não seria então uma violação dos direitos do não cotista? Pelos argumentos já apresentados, os quais encontram respaldo inclusive em Decisão do Superior Tribunal Federal, não se trata de violação de direitos dos não cotistas, haja vista que o próprio STF já discutiu esse ponto e declarou como inválida tal argumentação, de acordo com a resolução de abril de 2012.
“O papel das ações afirmativas no ensino superior é o de corrigir distorções históricas”...
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