Boletim ADUFS 16

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Ano 5 Número 16 Jan/Fev 2016

Curitiba recebe delegados do

35º UFS

Hospital Regional de Lagarto foi entregue à EBSERH P. 3

Congresso do ANDES-SN

Retrospectiva ADUFS

Artigo

O ano dos ataques aos 2015, um ano de Luta! servidores e serviços públicos P. 4 P. 9


N°16

2015 em fotos

EXPEDIENTE DIRETORIA 2014-2016 - GESTÃO ADUFS DE LUTA E PELA BASE Presidente: Jailton de Jesus Costa (CODAP); Vice-presidente: Acácia Maria dos Santos Melo (DQI-CCET); Secretária geral: Brancilene Santos de Araujo (DFS-CCBS); Diretor Administrativo e financeiro: Júlio Cézar Gandarela Resende (DMA - CCET); Diretor Acadêmico e Cultural: Otávio Luiz cabral Ferreira (DAVD - CECH); Suplentes: Marcos Antônio da Silva Pedroso (CODAP), Marcos Santana de Souza (DDA - Campus Laranjeiras), Dênio Santos Azevedo (NTU - CCSA).

Endereço: Av. Marechal Rondon, s/n,bairro Rosa Elze, São Cristovão - SE Jornalismo e fotografia: Raquel Brabec (DRT - 1517) / Design: Fernando de Jesus Caldas O conteúdo dos artigos assinados é responsabilidade dos autores e não corresponde necessariamente à opinião da diretoria da ADUFS.

Contato ADUFS: Tel.: (79) 3259-2021 / E-mail: adufs@adufs.org.br / Site: www.adufs.org.br Boletim produzido pela ADUFS - Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Nº de tiragem: 1300 exemplares. Sergipe do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior.

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Boletim ADUFS

UFS

Hospital Regional de Lagarto foi entregue à EBSERH

A par r de 2016, o Hospital Regional João Ba sta de Carvalho Daltro, localizado em Lagarto, será gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). O acordo foi assinado no final de 2015, porém, a decisão não passou por votação no Conselho Universitário (CONSU), assim como aconteceu com a implantação da empresa no Hospital Universitário. Inicialmente vinculado ao Estado, o hospital foi cedido à UFS e passa

por um processo de federalização desde 2014. “O reitor mais uma vez ignora o debate com a comunidade e con nua entregando o patrimônio para a inicia va privada”, afirmou a secretária da ADUFS, prof. Brancilene Araújo. A EBSERH é uma empresa de direito privado, ligada ao Ministério da Educação e criada em dezembro de 2011 para gerir os hospitais universitários. O contrato entre a UFS e a EBSERH foi assinado em outubro de 2013 e transferiu

para a empresa a oferta de serviços médicos e também o apoio ao ensino, pesquisa e extensão dos cursos da área de saúde oferecidos pela UFS. Em relação aos funcionários, o termo assinado pela UFS permite que a EBSERH, uma empresa de direito privado, contrate profissionais através do regime cele sta (regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas).

ADUFS volta a cobrar da Reitoria da UFS a instalação da estatuinte No dia 20 de janeiro de 2016, a ADUFS voltou a cobrar da reitoria o início do processo Estatuinte, através do o cio o cio n° 55/2016, conforme o compromisso estabelecido na reunião da mesa de negociação da greve de 2015, ocorrida na tarde do dia 14 de agosto de 2015. Na ocasião, o reitor afirmou que iniciaria o processo 30 dias após o fim da greve dos docentes, que terminou no dia 13 de outubro de 2015. Desde então, os trabalhos ainda não começaram. Essa foi a segunda vez que a s i n d i c a t o e nv i o u u m d o c u m e n t o solicitando a instalação da Estatuinte. A primeira ocorreu em 21 de novembro de 2015, quando a ADUFS encaminhou o o cio n° 46/2015, cobrando da Reitoria da UFS que tomasse as providências para a instalação da Estatuinte na UFS, para que a comunidade acadêmica possa de fato discu r democra camente os des nos da UFS e os serviços que ela deve prestar a sociedade. Entretanto, apesar do pedido do sindicato, reforçado pela atuação dos professores conselheiros David Soares e Elyson Carvalho, que no dia 24 de novembro entregaram um documento durante a reunião do Conselho Universitário (CONSU) enfa zando a necessidade de que o reitor conclame as

três classes da UFS e suas representações sindicais para compor a Estatuinte. “O Estatuto da UFS foi aprovado em 26 de novembro de 1999, ele é arcaico e não tem representa vidade dos novos ideais da universidade”, afirmou o prof. David, que teve a inicia va de escrever o documento. A reitoria da UFS até então ainda nha se manifestado sobre a efe va instalação do processo Estatuinte, porém, no início de dezembro de 2015, em

resposta às manifestações da ADUFS, a reitoria encaminhou o o cio n° 023/2015 para informar que o CONSU deverá discu r o processo e que uma minuta de Resolução foi encaminhada ao referido Conselho com vistas a cons tuir uma "Comissão Especial de Preparação da Estatuinte Universitária". Até o momento, não há data agendada para discussão do tema, apesar de o calendário de reuniões do CONSU ter sido divulgado.

CONSU MÊS

CONEPE MÊS

DIA

HORÁRIO

JANEIRO

RECESSO

RECESSO

FEVEREIRO

26 (Sexta)

8h30min

28 (Segunda)

14h30min

MARÇO

ABRIL

29 (Sexta)

8h30min

MAIO

30 (Segunda) 23 (Quinta)

DIA

HORÁRIO

JANEIRO

RECESSO

RECESSO

FEVEREIRO

22 (Segunda)

14h30min

31 (Quinta)

8h30min

ABRIL

25 (Segunda)

14h30min

14h30min

MAIO

24 (Terça)

8h30min

8h30min

JUNHO

20 (Segunda)

14h30min

25 (Segunda)

14h30min

JULHO

29 (Sexta)

8h30min

26 (Sexta)

8h30min

AGOSTO

22 (Segunda)

14h30min

26 (Segunda)

14h30min

SETEMBRO

30 (Sexta)

8h30min

27 (Quinta)

8h30min

OUTUBRO

24 (Segunda)

14h30min

NOVEMBRO

21 (Segunda)

14h30min

NOVEMBRO

25 (Sexta)

8h30min

DEZEMBRO

22 (Quinta)

8h30min

DEZEMBRO

19 (Segunda)

14h30min

MARÇO

JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO

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N°16

Retrospectiva ADUFS

2015, um ano de Luta! O ano de 2015 ficou marcado pelo aprofundamento da crise polí ca e econômica no país, que repercu u em cortes de recursos, re rada de direitos da classe trabalhadora, desmonte e priva zação da educação pública. Para combater as ações governamentais, as categorias foram à luta, realizando manifestações que receberam forte repressão da polícia e construindo a mais longa greve da história dos docentes. Os ataques ao longo do ano foram diversos: mais de 10 bilhões de reais cortados da área da Educação, redução nas universidades de 10% da verba de custeio e 49% de capital, cortes em inves mentos sociais e programas de bolsa, além do desenvolvimento e aprovação de propostas que re ram direitos históricos e aprofundam a precarização, como a contratação de professor via Organização Social, a quebra da gratuidade de cursos públicos de especialização, o fim do abonopermanência dos servidores públicos e suspensão de concurso público para 2016. O movimento de redução do orçamento para a educação pública veio acompanhado da crescente priva zação das universidades, através de medidas que forçam as ins tuições a captar

recursos próprios por meio da inicia va privada a fim de se manterem, re rando a responsabilidade do poder público. A fim de barrar o avanço desses ataques à classe trabalhadora, as categorias paralisaram suas a vidades. A greve dos docentes federais começou em 28 de maio de 2015, conjuntamente com os técnicos administra vos, e contou com a adesão de 50 ins tuições públicas do ensino superior. A ar culação dos Servidores Públicos Federais em torno de uma pauta comum foi essencial para fortalecer a luta, visando impedir a perda de direitos dos trabalhadores. A greve dos docentes seguiu durante 139 dias com dificuldades para conquistar ao menos uma negociação efe va tanto localmente quanto em nível federal. Em resposta à pauta nacional de reivindicação docente, o governo federal apresentou uma proposta final em 18 de novembro de 2015, que segue a mesma linha de desestruturação da carreira, que teve início em 2012, e, por isso, não recebeu assinatura por parte do sindicato nacional. A contraproposta do ANDES-SN, construída após consulta à base, foi ignorada pelo governo sob a jus fica va de que o prazo para envio de proposições ligadas a aumento de despesa com pessoal já havia passado.

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Localmente, intensas a vidades de mobilização ocorreram para pressionar o reitor a atender a pauta de reivindicações. Em 3 de julho, houve a abertura da mesa de negociação e a par r dai os docentes e a equipe gestora da universidade passaram a discu r os eixos d a p a u t a . U m a c o n q u i s t a p a ra a universidade ocorreu no dia 7 de agosto, ocasião em que o reitor assumiu o compromisso de iniciar o processo da Estatuinte em até 30 dias após o término da greve. Porém, passado esse prazo do fim da greve, a reitoria não se manifestou à re s p e i to . A A D U FS d e s d e e n tã o encaminhou dois o cio (n° 46/2015 no dia 21 de novembro de 2015 e n° 55/2016 no dia 20 de janeiro de 2016) cobrando da reitoria que tomasse as providências para a instalação da Estatuinte na UFS. Processo Jurídicos O ano de 2015 trouxe conquistas para o sindicato, através do trabalho da base e dos representantes eleitos para gerir a ADUFS. Uma delas foi o fim do processo dos 3,17%, luta histórica dos professores, que finalmente receberam o que lhes era devido. Foram 17 anos de tramitação na Jus ça para que se alcançasse essa conquista, que


Boletim ADUFS infelizmente alguns professores não poderão usufruir, pois faleceram antes que o processo finalizasse. O processo atravessou diversas diretorias da ADUFS, que atuaram com afinco nessa longa e árdua luta para o re c o n h e c i m e n t o d e d i re i t o s d o s professores. No final de 2013, o processo da ação dos 3,17% foi concluído, porém, o pagamento dos valores devidos (RPVs) e do precatório (professores que deveriam receber mais de 60 salários mínimos) ocorreu em junho de 2015. Outra causa ganha foi o PSS de Férias, cujos pagamentos saíram em setembro de 2015. A ADUFS entrou com uma ação em 2011 contra a UFS ques onando a existência da contribuição previdenciária no adicional de férias de 1/3. A informação é que a UFS calculou os valores indevidamente cobrados sobre o terço cons tucional de férias e procedeu a devolução da contribuição somente dos servidores que ingressaram na jus ça, e não de todos os servidores. A decisão do Juiz declarou a ilegalidade da cobrança previdenciária sobre os valores pagos no adicional de 1/3 de férias, condenando a União a pagar os créditos do valor descontado. Também determinou que a UFS está impedida de realizar a exigência desse po de cobrança. Reajuste da Unimed Após seis meses de negociação, a ADUFS conseguiu no mês de agosto de 2015 uma redução no reajuste anual do plano de saúde dos professores. A Unimed propôs inicialmente 37% de reajuste; ao final, após reuniões da Comissão de Saúde com os representantes do plano e assembleia com os

professores, a taxa caiu para 14%. Par cipar da carteira cole va do plano de saúde da ADUFS tem vantagens em vários pontos. A faixa etária a par r dos 59 anos é a que mais se beneficia, pois o professor paga menos de 50% do valor do plano caso fosse adquirido individualmente. Nas primeiras faixas etárias, o valor é muito próximo do valor cobrado no balcão da Unimed, mas, para o professor com filho, é mais vantajoso fazer parte do plano cole vo. Curso de formação sindical Após mais de uma década, a ADUFS promoveu um novo curso de formação sindical, in tulado “Movimentos Sociais, Universidade e Crise Sistêmica". O evento aconteceu nos dias 19 e 20 de setembro e contou com par cipação de palestrantes com reconhecido conhecimento sobre o tema: os professores Milton Pinheiro (Uneb/USP), Sofia Manzano (UESB/ICP), Giovanni Frizzo (UFPel) e Mauro Iasi (UFRJ). A ideia de realizar o curso de formação sindical é an ga. Desde 2010, já se sen a a necessidade desse po de formação, até mesmo devido à mudança do momento polí co. Com a greve de 2015, a proposta se fortaleceu e a diretoria da ADUFS realizou o curso. Par ciparam professores do Rio de Janeiro, do Ceará, do interior de São Paulo, do interior da Bahia, do Rio Grande do Sul, de Pelotas, entre outras, além dos docentes da UFS. Prêmio na Educação A ADUFS recebeu premiação no dia 16 de julho, pela XII Edição do Prêmio VIP de Educação Superior, Personalidades e Empresas mais lembradas de Sergipe,

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promovido pelo Jornal Coerente, por se destacar na área de Educação. O evento de premiação aconteceu no auditório da Clínica Santa Anna. A eleição foi resultado de uma pesquisa realizada com personalidades das mais diversas áreas no Estado de Sergipe. O prof. Jailton Costa, presidente da ADUFS, e a secretaria geral Profa. Brancilene Araújo, também receberam premiação na categoria “Personalidades”. Mudança no regimento A mudança regimental da ADUFS é um dos pontos da proposta de trabalho da atual gestão da seção sindical e já está em processo de andamento. O regimento foi criado em 1981, e por conta das novas necessidades da seção sindical e de determinações do governo, será preciso atualizá-lo. A comissão que fará a discussão das mudanças foi formada em 2015, e é composta por membros da base, da diretoria e do Conselho de Representantes. Uma assembleia será posteriormente convocada a fim de aprovar as propostas de alteração do regimento. O Estatuto não prevê a vidades que hoje fazem parte da ro na da ADUFS, como novas funções internas, a mul campia e os novos centros criados. O regimento é, inclusive, anterior ao CNPJ da ADUFS. Outro ponto importante é que a ADUFS conseguiu seu cer ficado digital, d e m o d o a o p e ra r o s i s t e m a d e consignatários do SIAPE e melhorar a gestão financeira de descontos referentes a planos de saúde e a contribuição sindical. Na ocasião, os técnicos da receita ressaltaram a necessidade de atualizar o regimento para incluir informações como endereço e CNPJ da ADUFS no mesmo.


N°16 Congresso

Curitiba recebe delegados do 35º Congresso do ANDES-SN Na segunda-feira do dia 25/01, teve início o 35º Congresso Nacional do ANDES-SN, sediado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curi ba. O evento seguiu até o dia 30 sob o tema central Em defesa da Educação Pública e Gratuita e do direito dos trabalhadores. Foram registrados 469 par cipantes de 74 seções sindicais de todo país, o que tornou o congresso um dos maiores já realizados. Instância máxima delibera va do sindicato, o Congresso Nacional é uma ocasião para os docentes discu rem a conjuntura nacional e definirem as lutas centrais da categoria. Para 2016, as perspec vas são de aprofundamento da crise e novos desafios para os trabalhadores. “O que se anuncia para este ano é que nós teremos o agravamento da situação, portanto, pode ficar pior”, disse o presidente Paulo Rizzo. Amanda Coelho, a vista da Anel, trouxe a perspec va estudan l para o ano que co m e ça . “ Va i a co nte c e r u m aprofundamento da crise polí ca, econômica, a gente já tem sen do isso de algumas maneiras, a exemplo do aumento do desemprego, da inflação”, citou, trazendo também alguns dados: existe um índice de 17% da juventude desempregada atualmente no Brasil, número maior do que o percentual mundial de desemprego. “O ano de 2016 já começa fervilhando: o movimento não feche minha escola em São Paulo, os atos contra o aumento da tarifa que se espalharam pelo Brasil. Vai ser um ano de desafios e nós não vamos ficar parados em 2016. Pra juventude, o que está colocado é muito mais do que o corte de mais de 12 bilhões na educação, é uma ameaça ao nosso futuro”, declarou. O agravamento da crise polí ca e econômica no país foi ressaltado d u ra nte a s fa l a s d e a b e r t u ra d o

congresso, a exemplo do representante da CSP-Conlutas, Paulo Barela. “No Brasil, a crise se aplica através de uma série de ajustes fiscais que re ram nossos direitos e atacam os inves mentos que deveriam ser aplicados na educação e saúde nesse país. É preciso que tenhamos uma saída pra enfrentar os ataques profundos que o governo desenvolve contra os trabalhadores”. Lançamento revista O Congresso também foi ocasião do lançamento da 57ª edição da Revista Universidade e Sociedade, periódico construído através de colaboração dos docentes federais, cujo tulo é As lutas sociais ante a agenda do capital. Esse número traz uma homenagem ao ar sta pernambucano Ariano Suassuna, além de um ensaio fotográfico sobre os momentos da greve de 2015. “Diante de todas as questões em relação aos ataques à universidade pública, temos a possibilidade de ler textos que discutam a universidade, os caminhos percorridos e os enfrentamentos. Tudo isso está colocado na revista de uma forma muito intensa”, explicou a professora Viviane Queiroz,

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que organizou o periódico. Deliberações Os delegados aprovaram uma agenda temá ca de mobilização. O mês de fevereiro será marcado pela defesa do caráter público das IFE e combate à Funpresp. Já março terá como pauta “Orçamento das IFE e a luta contra as OS”. O tema de abril será “Carreira docente, precarização e condições de trabalho” e de maio “Autonomia e Democracia”. No setor das Iees/Imes, os delegados aprovaram a realização da semana de luta do setor, entre os dias 23 e 27, em defesa de mais recursos para as ins tuições estaduais e municipais, bem como a realização, no segundo semestre de 2016, do XIV Encontro Nacional do Setor, na cidade de Salvador (BA). Na tarde do sábado (30), foi registrada uma chapa para o processo que elegerá a diretoria nacional do ANDES-SN para o biênio 2106/2018. As eleições serão realizadas nas seções sindicais do ANDES-SN em todo o país, nos dias 10 e 11 de maio deste ano. A chapa “Unidade na Luta” tem como candidata a presidente Eblin Farage (UFF), candidato a secretário-geral Alexandre Galvão (Uesb), e a tesoureiro Amauri Fragoso de Medeiros (UFCG). A posse da nova diretoria acontecerá durante o 61º Conad, que será realizado no final de junho em Boa Vista (RR). O Prof. Jailton Costa, presidente da ADUFS, ta m b é m e stá co m p o n d o a c h a p a nacional, tendo sido indicado como 2° vice-presidente da Regional Nordeste III. Durante o congresso, cinco novas seções sindicais foram homologadas pelos delegados. Segundo o professor Marcos Pedroso, do Colégio


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de Aplicação da UFS (Codap), esse movimento tem paralelo com a greve de 2015. “A criação de novas seções sindicais demonstra que a greve do ano passado movimentou os professores em prol dos seus direitos, contra a precarização do trabalho. O grito dos professores repercu u. Isso chama atenção, a universidade está viva”, afirmou. A cidade de Cuiabá, no Mato Grosso, foi aprovada por aclamação como sede do 36º Congresso do ANDES-SN, que acontecerá em 2017. A capital matogrossense foi proposta pela delegação da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (Adufmat Seção Sindical) para sediar o evento nacional. Os delegados também aprovaram a prestação de contas do 60º Conad, a manutenção das contribuições financeiras à Auditoria Cidadã da Dívida e

à Escola Florestan Fernandes e o apoio financeiro ao Casarão da Luta e ao Sistema de Formação Polí ca do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Impressões sobre o evento A ADUFS enviou os docentes para par cipar do evento e trazer experiências para a seção sindical. Entre novatos e veteranos na militância, a delegação sergipana contou com 9 par cipantes. Esta foi a primeira vez que o professor Alexandre Luna Cândido, do Departamento de Morfologia, par cipou de um congresso do sindicato nacional. O que o mo vou a inscrever seu nome para par cipar do evento foi a situação do país, com um cenário de crise nas esferas da educação, polí ca, jus ça e economia, além da falta de respeito do poder público com a carreira docente. “Estamos

chegando ao auge do desrespeito com o direito dos trabalhadores”, afirmou. Para Alexandre, o congresso proporcionou debates de alto nível, dos quais aprendeu bastante e que levará este conhecimento para seus colegas na universidade. “Vou mostrar para os meus colegas a importância de eles aderirem ao sindicato, par ciparem mais da ação poli ca, principalmente os novos, que têm seus direitos muito menos resguardados que os an gos, isso é uma p r i m e i ra l i ç ã o . O u t ro p o n t o é a necessidade de reflexões sobre respeito ao próximo, cidadania, solidariedade, preservar os direitos do homem, não só os direitos do trabalhador. Eu ainda acho que precisamos fazer analises nesse sen do”. A professora Noêmia Lima, do Departamento de Ser viço Social, par cipou de outro congresso do ANDESSN, realizado em 2013, em São Luís, e trouxe informações compara vas. “O congresso melhorou muito em termos de sua organização, metodologia, na cadeia dos assuntos deba dos. Ele é de uma grandeza muito especial, porque os assuntos que estão sendo discu dos a cada dia diz respeito a todo professor”, explicou. Diante da situação do país, Noêmia conclama os colegas a agir. “Precisamos nos arregimentar de conhecimento pra saber como enfrentar essa situação. É o que chamamos de empoderamento: se você não começa a se empoderar de conhecimento da situação como um todo, a par r de uma análise de conjuntura mais profunda, você fica só seguindo o que a maré está levando. O trabalhador da educação tem o d eve r d e s e d e d i ca r a a m p l i a r conhecimento de tudo isso que está acontecendo”. O professor Ailton Souza, que é militante há quase 20 anos, faz uma crí ca ao congresso que marcou os 35 anos do sindicato. “O fundamental no momento são as polí cas neoliberais, não só no Brasil como no mundo. É o caso da Grécia, de Portugal, da Espanha, do Brasil, só pra citar alguns. Acredito que nha que ter um enfrentamento direto a todas essas as polí cas neoliberais, principalmente as de austeridade fiscal, que é o centro da conjuntura hoje. Se você não bota isso na sua centralidade da luta, você vai lutar contra o quê?”, ques onou. Com informações do ANDES-SN.

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N°16 Entrevista

Entrevista com prof. Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN em 2015, mas de uma forma aprofundada. Por outro lado, no final do ano passado e no começo desse ano a população mostrou que não está disposta a aceitar passivamente a perda de direitos, e têm acontecido movimentos importantes, como a mobilização dos estudantes contra o fechamento das escolas de São Paulo; em Goiás, contra a entrega das escolas para Organizações Sociais; manifestações e lutas contra o aumento das tarifas de transporte e outros tantos movimentos que indicam que há uma resistência. Isso anima os par cipantes do congresso do ANDES-SN a aprovar um plano de lutas que organize os professores para manter o combate contra o ataque aos seus direitos. O impeachment da presidente Dilma, a crise no país e o co n n ge n c i a m e nto d e ve r b a n a s universidades foram alguns temas abordados durante entrevista com o presidente do ANDES-SN, prof. Paulo Rizzo, durante o 35º Congresso Nacional do ANDES-SN, sediado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curi ba. Confiram a entrevista completa: ADUFS – O senhor comentou que a situação dos trabalhadores no país poderá ficar pior neste ano. Quais são as perspec vas para 2016? Prof. Paulo Rizzo – A saída da crise do Brasil, a retomada do crescimento econômico, não há perspec va de acontecer logo. O Brasil está em recessão e a tendência para esse ano é manter uma estagnação econômica com inflação, com ampliação da perda de postos de trabalho. Estamos em uma situação em que o ajuste fiscal não cessa e que é cada vez mais intenso, como recentemente foi no ciado que pretendem fazer mais uma reforma na previdência. Os orçamentos da União, dos Estados e dos Municípios apresentam vários problemas. Vemos servidores com atraso de salário, como no caso do Rio de Janeiro. Nas universidades federais, há um con ngenciamento de verba muito grande, orçamento extremamente reduzido e ampliação de polí cas que aprofundam a dependência das universidades e as jogam ao sabor do mercado. Em 2016, estamos vivendo situações semelhantes às que vivemos

ADUFS – A atual gestão do ANDES-SN finaliza seus trabalhos em junho deste ano. Quais serão as ações desenvolvidas pela diretoria do sindicato até lá? Prof. Paulo Rizzo - Em maio nós vamos ter eleições pra próxima diretoria. As chapas se inscrevem aqui no congresso nesse momento e a próxima gestão toma posse no final de junho, então nós vamos estar na direção do sindicato durante o primeiro semestre, com a responsabilidade de implantar as ações mais imediatas do plano de lutas que for aprovado aqui no congresso. É nossa responsabilidade organizar as eleições, colocar em prá ca o que for definido aqui no congresso e fazer a transição com a próxima diretoria, que significa ajudá-la a assumir o sindicato a par r do próximo Conad. ADUFS – Um dos pontos de debate durante o congresso foi o processo de impeachment da presidente Dilma. Fale um pouco sobre qual a visão do sindicato nacional sobre esse tema: Prof. Paulo Rizzo – A compreensão do sindicato é que o movimento contra o impeachment é na verdade de defesa da presidente Dilma, e o sindicato defende a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, contra o ajuste fiscal, contra as reformas. Para garan r sua autonomia, o sindicato não pode assumir ou par cipar de movimentos que tem por obje vo a defesa do governo, o que não quer dizer que não estejamos na luta em defesa da democracia, para aprofundar os mecanismos democrá cos que não

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estão presentes no nosso país. As disputas que estão ocorrendo na ins tucionalidade em relação ao poder, na verdade são disputas que mantêm e aprofundam os ataques à classe trabalhadora, porque não há divergência entre o atual governo e a oposição, portanto, o sindicato tem que manter sua autonomia. ADUFS – A temá ca do congresso é “Em defesa da Educação Pública e Gratuita e do direito dos trabalhadores”. Estamos em um momento de ataques ferozes ao direito dos trabalhadores. Quais são as estratégias da categoria para combatêlos? Prof. Paulo Rizzo – A própria defesa da educação é um processo que tem que ser construído não apenas pelos professores, pelos setores de educação, mas tem que ser uma ação de luta e uma bandeira de toda a classe, pois os direitos que estão sendo rados são da educação pública, gratuita e de qualidade. Nós vamos realizar em junho deste ano junto com o conjunto de movimentos e en dades o II Encontro Nacional de Educação, que é o espaço onde a gente pretende aprovar uma agenda de lutas em defesa da educação pública que tenha repercussão e m a m p l o s s e t o re s p o p u l a re s . A expecta va é que a gente possa contar com as experiências novas de luta que estão ocorrendo, como a dos estudantes que relatei em relação à ocupação das escolas. Esse Encontro Nacional em junho vai ser extremamente importante. ADUFS – Como o senhor avalia o Congresso, sendo ele considerado um dos maiores já realizados, com par cipação de 469 docentes, e com o marco dos 35 anos do ANDES-SN? Prof. Paulo Rizzo – O ANDES-SN é um sindicato consolidado, forte e ao completar 35 anos realiza um congresso grande, com uma par cipação ampla da base, um conjunto de contribuições polêmicas, todas as visões se apresentaram no congresso, posições contraditórias foram deba das. Isso pra nós é extremamente importante, porque mostra que as forças vivas que atuam no movimento docente estão presentes e vieram ao congresso para defender suas teses, suas posições, porque acreditam que o sindicato possui papel importante na defesa dos interesses dos professores e na luta geral dos trabalhadores.


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Artigo

2015: O Ano dos ataques aos servidores e serviços públicos O ano de 2015 foi marcado por um severo ataque aos servidores e serviços públicos. Apesar da defasagem salarial de 27,3% acumulada desde agosto de 2010 e previsão de inflação já encostando em 10%, só este ano, o governo oferece ao servidor público aumento de 10,8% em duas parcelas, com a primeira delas apenas em agosto de 2016 e a segunda em janeiro de 2017. Vale ressaltar que inciso X do Ar go 37 da Cons tuição Federal brasileira assegura a revisão geral anual, sempre na mesma data e sem dis nção de índices, do salário dos servidores públicos, mas na prá ca, isso não ocorre. A estratégia dos sucessivos governos federais brasileiros tem sido a de não negociar estas correções anuais, esperar pelas greves e então oferecer índices muito inferiores ao de fato devido, como descrito no parágrafo acima para o ano de 2016. Além disso, avançou o projeto governamental que tem clara pretensão de acabar com os concursos públicos, u lizando a chamada terceirização e, mais recentemente, com a possibilidade de contratação via Organizações Sociais (OS). Estes servidores públicos terceirizados não tem estabilidade, são contratados pela CLT (a boa e velha carteira assinada) e podem ser mandados embora, isto é, podem ser demi dos ao sabor das crises financeiras, quando o governo precisar pagar os juros da dívida e pra isso se propor a “economizar no social”. Assim, o cenário é de que o governo almeja subs tuir grada vamente os servidores públicos por terceirizados e/ou concursados via OS, ambos com carteira assinada. Este quadro não é obra de ficção cien fica, mas uma realidade na própria UFS, que já perdeu servidores(as) terceirizados(as) da área de segurança e, para implantar os cortes criminosos propostos pelo governo em seu pacote fiscal, deverá demi r outros 100 terceirizados(as) da área administra va. Assim, sem pessoal administra vo, as a vidades antes realizadas por eles(as) serão transferidas para os(as) servidores terceirizados(as) e efe vos(as) restantes, incluindo aí, obviamente, o próprio docente. Chefes de departamento e coordenadores(as) de pós-graduação poderão realizar ainda mais trabalho administra vo por falta de um(a) simples

secretário(a), o que só aumenta a precarização do trabalho docente. A l i a d o a e s s e q u a d ro, o s sucessivos governos vem negando o direito a uma aposentadoria digna aos servidores públicos, ex nguindo, por exemplo, o direito a integralidade, quando o servidor se aposentava com o seu salário integral, e a paridade, quando o servidor aposentado man nha seus rendimentos iguais aos servidores da a va. N ã o s a sfe i to, o go ve r n o implementou o FUNPRESP, um fundo público de aposentadoria privada, onde o dinheiro do servidor é inves do na compra de ações de empresas, inves mento em outros fundos e toda sorte de negociatas econômicas. Em 30 anos, se estes inves mentos não forem “bem administrados”, o servidor pode não ter um centavo de aposentadoria para além do teto do INSS, os fundos podem ser ex ntos, entrar em falência, perder a vos, entre outros, como ocorreu com o Postalis 1 (5,6 bilhões), Petros 2 (6,2 bilhões) e o Funcef3 (5,5 bilhões), os fundos da aposentadoria privada das estatais Correios, Petrobras e Caixa Econômica Federal, respec vamente, que acumulam rombos bilionários (entre parênteses). Diga-se de passagem que, no fim das contas, a União, portanto, o contribuinte, ainda pode ser responsabilizada pela solvência destes fundos, como ocorreu recentemente com o Postalis, quando se pautou que a União cobrisse o rombo financeiro do referido fundo. No caso do Funcef, a própria administração do fundo informa que as perdas não se devem a má gestão dos recursos, mas aos impactos da crise econômica³. No caso de rombos, os aposentados do fundo repartem o prejuízo, tendo que pagar a mais em seus inves mentos ou receber salários menores. Assim como os outros fundos de estatais, o FUNPRESP sofre do agravante de ser administrado pelo governo. Isto significa que os valores aplicados no fundo e sua administração estão sujeitos às joga nas do mercado financeiro e também ao uso polí co dos mesmos, quando completos incompetentes podem ser escolhidos pelo governo para administrar este fundo como parte da estratégia de compra de favores no

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Congresso, como assis mos recentemente com a “reforma ministerial” do atual governo em favor do PMDB. Cumpre salientar que a adesão ao FUNPRESP era faculta va, e graças à atuação de vários sindicatos no país, essa adesão se mostrou baixa, o que ameaçava a existência do próprio fundo e futuramente poderia obrigar o governo a rever sua estratégia com relação à aposentadoria dos servidores públicos. Assim, fazendo valer sua maioria comprada, o governo fez aprovar na Câmara dos Deputados medida que obriga a adesão automá ca de novos concursados ao FUNPRESP, ferindo as liberdades individuais das pessoas e seu direito de escolha tanto entre os diferentes fundos existentes no mercado (infelizmente) ou até mesmo o de não contribuir. De acordo com o texto da MP 676/2015, o novo servidor terá o trabalho extra de se desfiliar desse fundo. O FUNPRESP foi criado sobre a alegação de que há um rombo na aposentadoria pública dos servidores, que ainda existe. Quem sabe o governo, usando sua base comprada, não consiga aprovar, na canetada, a mudança obrigatória de todos os servidores públicos do an go sistema previdenciário d o f u n c i o n a l i s m o p ú b l i c o p a ra a FUNPRESP? Vale salientar que o alegado rombo é uma grande falácia. O que ocorre é que os recursos da aposentadoria pública são hoje desviados para atender saúde, educação, entre outros, como se os impostos recolhidos dos contribuintes não fossem suficientes. Dado o nível de corrupção observado no Brasil, e somos o


N°16 único país do mundo onde corrupção é medida na casa dos bilhões, sabemos que isso passa longe de ser verdade. Dinheiro t e m . Te m t a m b é m e x c e s s o d e compromisso com sua aplicação na corrupção. C o m re l a çã o a o s s e r v i ço s públicos, estamos assis ndo ao desmonte da educação e saúde no país, em níveis nunca vistos antes, para permi r sua total mercan lização, como já aconteceu com a infraestrutura do país, que foi priva zada, como é o caso das estradas com pedágio espalhadas pelo país e o abandono de portos e aeroportos. Curiosamente, recentemente, graças à “generosidade” do BNDES, um porto foi construído em outro país, enquanto os portos brasileiros con nuam abandonados. Registra-se que entre 2007 e 2014, todos os portos brasileiros receberam inves mentos da ordem de 2,13 bilhões, um valor próximo do inves do pelo BNDES no Porto de Mariel 4 . Enquanto isso, o senado brasileiro pretende votar o PL 555/2015, que abre caminho para a priva zação das estatais5. A presença direta do governo federal no atendimento à saúde se dava por meio do conjunto de hospitais universitários, que, gerenciados pelas universidades federais, ofereciam atendimento humanizado e de qualidade aos pacientes em tratamento nos mesmos, enquanto serviam como polo de treinamento dos estudantes de cursos de várias áreas do saber. Se a população enxerga estes hospitais como local de um melhor atendimento, o governo enxergou-os como fonte de dinheiro e, por isso, entregou os mesmos à EBSERH, uma “empresa pública de direito privado” cuja legislação que a criou prevê que ela dê lucro. Obviamente, os grandes grupos nacionais da saúde privada já estão de olho em uma rede de hospitais pron nha. Tanto é assim que, recentemente, os hospitais universitários do país vêm recebendo a visita de um grupo de consultores do Hospital Sírio Libanês para ajudar as superintendências destes hospitais a “melhorar a gestão”. Como o modelo de gestão de um hospital privado, que não tem tradição de atendimento aos “pobres mortais”, pode ser aplicado a um hospital que atende (por enquanto) integralmente pelo SUS? O que ganha o Sírio Libanês com isso? É possível dizer que o integralmente está com os dias contados? Como diz o poeta, tem caroço nesse angu! Por outro lado, o governo tenta

aprovar a recriação da CPMF sob os mesmos argumentos de 15 anos atrás de falta de dinheiro, o que resta provado que é falso, além da ameaça de cobrar por procedimentos realizados no SUS6. É de perguntar o que há por trás dessas tenta vas de cobrar ainda mais da população. Uma explicação pode estar no colapso do setor de saúde privada, com planos sendo impedidos de comercializar produtos e/ou falindo, além de um movimento de fusões/aquisições que concentram mercado. As gigantes do setor passaram a se dar ao luxo de escolher quem querem atender, o que hoje significa oferecer os chamados planos empresariais (para os empregados de uma empresa) em detrimento dos planos individuais/familiares/adesão, que estão sumindo do mercado. A impossibilidade do cidadão comum de contratar um plano de saúde, mesmo que o cidadão possa pagar (e não deveria porque temos o SUS), fará inevitavelmente com que uma grande quan dade de pessoas retorne ao SUS, além de aumentar o uso de serviços p a r c u l a re s . C o m o a u m e nto d a demanda, o SUS ficará ainda mais sobrecarregado e, como o governo considera que inves mento em saúde é gasto desnecessário, este se antecipa, criando mais impostos e querendo cobrar pelo atendimento na saúde pública. N a o u t ra p o n t a , t e m o s a educação. No úl mo ano, a educação no país inteiro vem sofrendo ataques em duas frentes bem definidas. Uma é o corte direto de recursos da educação nos ministérios e secretárias da área. A outra frente envolve o corte de salários de docentes, como ocorreu em Lagarto (SE), ou o congelamento como nas universidades (aí acompanhados pelo resto dos servidores públicos). No início do ano, a mídia criou um grande carnaval em torno da indisponibilidade de recursos para o FIES para além dos 2,5 bilhões inicialmente empenhados7. No programa de endividamento dos estudantes que deveriam estar nas universidades públicas federais, se houvesse inves mento, mas são transferidos para universidades privadas, estes contratam emprés mos para cursar a universidade privada e ficam com a dívida para o fim do curso. Curiosamente (retórica), as universidades federais em vias de fechar as portas não veram tanto espaço na mídia. Eis que no final de julho de 2015, surgem 5 bilhões adicionais para o FIES8,

só que o programa chega com várias modificações, sendo a principal delas o aumento de juros de 3,4% ao ano para juros de Minha Casa Minha Vida (6,5%). Assim, o governo decretou que dinheiro adicional nha para os estudantes, mas este sairia bem mais caro. É o governo ampliando seu lucro, afinal o FIES é de responsabilidade da CEF, banco estatal. Considerando que dinheiro não é capim, logo veio a explicação da origem do recurso adicional para o FIES na forma de um violento corte de 10,5 bilhões no orçamento do MEC (exatamente o dobro do orçamento adicional ao FIES), com um n ove co r te a d i c i o n a l d e 1 b i l h ã o posteriormente. Parte do dinheiro que já não dava para manter as universidades federais foi transferido para o FIES, visando por trás criar vagas para estudantes universitários(as), manter o sistema privado de ensino superior, cuja expansão nos úl mos anos foi galgada não em inves mentos próprios, mas na certeza do recebimento dos impostos dos contribuinte via FIES (e PROUNI). Assim, a despeito do que diz o ar go 6° da Cons tuição Federal, que ironicamente recebeu inclusive uma emenda cons tucional este ano (n° 90) para reafirmar os direitos sociais dos cidadãos(as) brasileiros(as), resta caracterizado o principal interesse de um governo, que acha que é mais negócio gastar quase 50% do orçamento da União com pagamento de juros de uma dívida que, de acordo com a Auditoria Cidadã, já está paga, em detrimento de oferecer serviços públicos gratuitos de qualidade nas áreas de saúde, educação, segurança, moradia e cuidar da infraestrutura do país, como manda a referida Carta Magna brasileira. 1h p://economia.estadao.com.br/no cias/geral,ro mbo-do-postalis-chega-aos-empregados-imp,1655842 2 h p://oglobo.globo.com/brasil/uso-poli coagrava-rombo-na-petros-que-teve-prejuizo-de-62bilhoes-em-2014-15902103 3 h ps://www.funcef.com.br/no cias/funcefresponde-ao-correio-braziliense.htm 4 h p://www.atribuna.com.br/no cias/no ciasdetalhe/porto%26mar/portos-br asileiros-recebempouco-mais-do-que-mariel-emcuba/?cHash=358123abb9722d937a4ccc3943a9d5 12 5 h p://www.andes.org.br/andes/print-ul masno cias.andes?id=7777 6h p://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/16 67660-cobranaca-no-sus-e-desastre-e-lembra-aditadura-diz-ex-ministro-da-saude.shtml 7h p://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/no cia/ 2015-05/mec-esta-sem-dinheiro-para-novoscontratos-do-fies 8h p://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/no cia/ 2015-05/mec-esta-sem-dinheiro-para-novoscontratos-do-fies

*Por Diretoria ADUFS 10


Boletim ADUFS

Previdência

Em mais um ataque aos trabalhadores, Governo anuncia nova Reforma da Previdência A presidente Dilma Rousseff discursou do dia 02/02 no Congresso Nacional, durante a sessão de abertura dos trabalhos legisla vos, e destacou, entre outras propostas, uma nova Reforma da Previdência. Dilma defendeu o aumento da idade mínima de aposentadoria, afirmando que a crise é um “momento doloroso para ser desperdiçado”, e alegando que é nesses períodos que surgem “oportunidades para discu r soluções duradouras”. Segundo a presidente, no primeiro semestre deste ano, o governo pretende enviar várias propostas de reforma para análise dos parlamentares, dentre elas a Reforma da Previdência. Ao explicar a necessidade desse po de reforma, ela ressaltou que a Previdência precisa novamente ter sustentabilidade, "em um contexto de envelhecimento da população". De acordo com a presidente, o intuito é enviar um projeto que "aprimore a aposentadoria por idade e tempo de contribuição". "Um dado ajuda a explicitar nosso desafio: em 2050, teremos população em idade a va similar à atual. Já a população acima de 65, será três vezes maior", citou. Sara Granemann, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora de assuntos relacionados à aposentadoria, cri cou o discurso de Dilma e classificou proposta de nova Reforma da Previdência como mais uma medida de re rada de direitos dos trabalhadores. “O que me espanta é que um governo que não consegue operar no tempo presente, com soluções que combatam o desemprego e façam a e co n o m i a c re s c e r, o u s a l eva nta r argumentos que falam de 2050. É quase risível falar em 2050 para jus ficar o arrocho no tempo presente. É brutal e inconsequente falar em 2050 quando não conseguem prever o próximo mês, o próximo ano, o controle da inflação, o valor do dólar. Não passa de um discurso vazio para tentar legi mar mais uma reforma da previdência”, afirmou. “Falam em 2050 e em envelhecimento como se fosse um crime, uma tragédia. Em lugar algum do mundo se pode pensar que envelhecimento é cas go. Envelhecimento é uma das primeiras conquistas civilizatórias da humanidade. A Reforma da Previdência é imoral”, completa Sara. Para a docente da UFRJ, o argumento da necessidade de uma nova

Reforma da Previdência demonstra, mais uma vez, que, na perspec va do governo federal, são os trabalhadores que devem pagar pela crise. Granemann cita, por exemplo, o fato de que o agronegócio paga apenas 2,6% de contribuição previdenciária – e, em caso de exportação, mesmo que seja de um dólar, está isento de recolher a contribuição previdenciária – algo ignorado pelo governo quando afirma que é necessário ajustar a Previdência. Sara Granemann também cita o peso maior que recairá sobre as trabalhadoras por conta da fórmula 85/95, que já foi aprovada no pacote de ajustes ficais promovidos em 2015. A fórmula significa que o trabalhador pode se aposentar, com 100% do bene cio, quando a soma da idade e tempo de contribuição for 85, no caso das mulheres, e 95, no caso dos homens. A par r de 31 de dezembro de 2018, essa fórmula sofrerá o acréscimo de um ponto a cada dois anos. A lei limita esse escalonamento até 31 de dezembro de 2026 quando a soma para as mulheres passará a ser de 90 pontos e para os homens, de 100 pontos. “Segundo o discurso desse governo, as mulheres se aposentam mais cedo e vivem mais, e por isso seria injusta essa situação. É um retrocesso tremendo. Recairá sobre as mulheres um peso maior dessa reforma, desconsiderando as jornadas duplas ou triplas de trabalho pelas quais nós passamos”, comentou a docente da UFRJ. “Com a Reforma da Previdência, o governo está levando a possibilidade da aposentadoria para muito perto da morte dos trabalhadores. Com a reforma, os trabalhadores são empurrados para a morte, talvez antes da aposentadoria”, cri ca. A previdência é deficitária? U m d o s a rg u m e nto s m a i s repe dos por aqueles que querem 11

modificar o sistema de Previdência Social no Brasil é o fato de ela dar prejuízo, ser deficitária. A jus fica va é reba da por diversas en dades dos movimentos sindical e social, que ressaltam que, seguindo preceitos cons tucionais, a alegação do déficit é inverídica. A Cons tuição prevê um sistema de Seguridade Social, composto pela Previdência Social, Saúde e da Assistência Social, que não é colocado em prá ca, orçamentária e financeiramente. Mesmo analisando a Previdência fora do sistema de Seguridade Social, é possível perceber a fragilidade do discurso de déficit. A Desvinculação de Receitas da União (DRU), instrumento criado em 1994 para facilitar o uso do orçamento das diversas áreas na geração de superávit primário (cuja manutenção foi defendida por Dilma no mesmo discurso ao Congresso), a nge diretamente a previdência e a seguridade social. A DRU prevê a desvinculação de 20% das receitas de impostos e contribuições não sejam des nadas às despesas originalmente previstas. Com isso, parte do dinheiro arrecado para a Previdência é u lizado para o pagamento de juros e amor zação da dívida pública, e não para sua finalidade, qual seja pagar a aposentadoria e pensão dos trabalhadores contribuintes. Pela anulação da Reforma da Previdência Durante o 35º Congresso do ANDES-SN, realizado em Curi ba entre os dias 25 e 30 de janeiro, os docentes deliberaram por intensificar a luta contra o Funpresp – fundo de previdência complementar para os ser vidores públicos, pela anulação da reforma da previdência e também contra a nova proposta de mudança nos direitos de aposentadoria dos trabalhadores. *Fonte: ANDES-SN


Sindicalize-se Por que se sindicalizar? Pensar conjuntamente e interferir ar culadamente nas questões que dizem respeito à educação pública e à defesa dos direitos dos professores é um dos fundamentos do ANDES-SN. E essa é, também, uma das maiores vantagens de se sindicalizar, pois agir em grupo é sempre muito mais eficaz e producente que agir individualmente. Mas, apesar de estarmos unidos pelas mesmas ideias, as individualidades devem ser respeitadas. É o respeito às individualidades que faz um cole vo forte. Por isso, a democracia e a liberdade de pensamento e expressão são a base do ANDES-SN, que rompeu com a estrutura sindical autoritária implantada no Brasil na década de 30 e se consolidou pela organização de base nos locais de trabalho Esses são os principais direitos dos nossos sindicalizados: • Votar e ser votado para os cargos de representação. • Apresentar propostas, sugestões ou representações. • Par cipar diretamente das deliberações. • Par cipar de Grupos de Trabalho. • Recorrer das decisões da Diretoria. • Permanecer sindicalizado do ANDESSN em caso de revogação da homologação da Seção Sindical ao qual estava vinculado.

Mais de 30 anos de força conjunta Há mais de três décadas, professores de todo Brasil que vinham se o rga n i za n d o e m A s s o c i a ç õ e s d e Docentes (tanto em ins tuições públicas como par culares) fundaram a ANDES – Associação Nacional dos Docentes das Ins tuições de Ensino Superior. Em 1988, logo após a promulgação da nova Cons tuição, a ANDES tornou-se o ANDES – SINDICATO NACIONAL, por decisão do II Congresso Extraordinário do Rio de Janeiro. Com a criação do S i n d i cato N a c i o n a l , o s d o c e nte s passaram a se filiar a uma única en dade. Ficou estabelecido que a Seção Sindical é indissociável do ANDES-SN, cons tuindo-se na sua menor instância o rga n i za va e d e l i b e ra va , co m regimento próprio aprovado pela assembleia geral e com autonomia polí ca, administra va, patrimonial e financeira dentro dos limites do Estatuto. O ANDES-SN é mais forte com a participação de todos! O Sindicato mantém-se aberto ao diálogo com todos os setores do campo classista, buscando a unidade na luta pela transformação social e para alcançar um novo patamar de sociedade. Esta luta não tem limites geográficos e por isso irmana aqueles que compar lham desta mesma natureza de propósitos, e aprofunda a solidariedade com outros trabalhadores de diversos povos e culturas do mundo. Queremos melhores condições de trabalho para os docentes, sem

Filie-se! Para fazer parte da ADUFS, basta comparecer à sede da associação com seu contracheque. Nosso endereço é o: Cidade Universitária Prof. José Aloísio de Campos, Casa do Professor, bairro Rosa Elze - São Cristóvão/SE CEP: 49.100-000 Contato (79) 3259-2021 / (79) 3259-2541 E-mail: adufssergipe@gmail.com / site: www.adufs.org.br h ps://www.facebook.com/Adufs-se-Seção-Sindical-Andes969360586464713

precarização, sem abusos e cerceamento de direitos, sem prejuízos para a saúde. Queremos salários dignos na lógica do crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional, por meio de uma carreira parte de uma polí ca integradora. Criação da ADUFS A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (ADUFSSSIND) foi criada em 10 de novembro de 1979. Lutando pelos interesses dos docentes da UFS ao longo de mais de 30 anos de existência, a ADUFS consolidouse como uma en dade autên ca de harmonia entre seus associados. Mesmo após tantas mudanças, seja na carreira docente ou na própria vida acadêmica, a en dade con nua desempenhando seu papel, mas necessita da atenção e ajuda de todos os seus membros, sejam os an gos ou os novos, para a melhoria e manutenção da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade. O maior compromisso da ADUFS é lutar pela qualidade da educação pública e pela valorização do trabalho docentes. A ADUFS oferece aos professores associados vários serviços, entre eles o convênio de saúde com a Unimed e assessoria jurídica para defender os direitos dos docentes, disponibilizada todas as quartas-feiras no período da tarde. Há ainda os Grupos de Trabalho, abertos a todos os docentes, que cumprem importante papel na formulação das polí cas da ADUFS.


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