Boletim ADUFS 5

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A Ano 2 Número 5 Julho 2013

SINDICATO

ANDES NACIONAL

Boletim

Central Sindical e Popular - CONLUTAS

Gestão Autonomia na Luta 2012-2014

Aracaju acordou Manifestações tomam a cidade em protesto contra a polí ca governamental brasileira

Leia Mais

Paralisação ANDES-SN mobiliza sua base para o dia 11 de julho P. 3

Manifestação

Debate

Professores vão às ruas no Ato Acorda Aracaju P.4

ADUFS promove debate sobre Protestos Populares P. 5


Boletim ADUFS

ditorial As tradicionais festas juninas no nordeste foram animadas por uma juventude que, ao invés de dançar quadrilhas, protestou nas ruas contra os exorbitantes gastos com a copa das confederações e copa do mundo de futebol, os quais impediram o investimento nas áreas prioritárias de transporte público de qualidade, saúde e educação. Articulados através das redes sociais, jovens de todo o Brasil ocuparam as ruas e deram provas de que nunca desistiram de mudar o mundo. Com vaias à Presidente Dilma, enfrentamento com a polícia e desconstrução da manipulação da mídia, o movimento cresceu e deu provas de sua força, com resultados imediatos nos três poderes. O forte apoio da população mostrou que a grande insatisfação e decepção com o atual cenário político brasileiro não se restringe às categorias que já vinham ocupando as ruas, a exemplo da categoria docente federal, que

protagonizou em 2012 uma greve que ultrapassou os 120 dias. Em meio a estas manifestações, a ADUFS-SSIND mais uma vez não cruzou os braços e criou uma comissão local de mobilização, além de articular o debate sobre os Protestos Populares no Brasil Atual. Este debate contou com a presença das centrais sindicais e movimentos estudantil e da juventude, permitindo avaliar a conjuntura dos protestos e seus desdobramentos nas ruas. O recado dado pelas ruas foi reafirmado pelas centrais sindicais – CSP-Conlutas, CUT, CTB, UGT, NCST e CSB –, que definiram o dia 11 de julho de 2013 como um dia nacional de greve, paralisações e manifestações de rua, para cobrar do governo o atendimento da seguinte pauta de reivindicações: reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos; mais investimentos na saúde e educação pública; fim do fator previdenciário e aumento das

aposentadorias; redução da jornada de trabalho; fim dos leilões das reservas de petróleo; contra o PL 4330, da terceirização; reforma agrária. Em assembleia realizada no dia 27 de junho, os professores deliberaram pela paralisação das atividades docentes na UFS no dia 11 de julho, bem como a participação articulada do nosso sindicato na construção dos atos de rua. O momento é de mobilização. A luta por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada não acabou. Os salários e o plano de carreira, impostos aos professores com a Lei 12.772/2012, têm sido alvos de críticas e insatisfação por parte dos docentes federais. Ocupar as ruas sempre foi a maneira mais eficaz para as nossas conquistas e, assim como os movimentos populares atuais, será nas ruas que mostraremos nossa indignação. Professor, Aracaju já acordou, e você?

reuniao com os manifestantes...

Luiz Fernand o Cazo

EXPEDIENTE DIRETORIA 2012-2014 - GESTÃO AUTONOMIA NA LUTA Presidente: Brancilene Santos de Araújo; Secretário: Jailton de Jesus Costa; Diretor Administrativo e Financeiro: Elyson Nunes Carvalho; Diretor Acadêmico e Cultural: Sérgio Queiroz de Medeiros. Suplentes: Noêmia Lima (DSS/CCSA); Carlos Franco Liberato (DHI/CECH) Boletim produzido pela ADUFS - Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior Endereço: Av. Marechal Rondon, s/n, bairro Rosa Elze, São Cristóvão-SE Jornalismo e Fotografia: Raquel Brabec (DRT-1517) / Design Gráfico e Ilustrações: Fernando Caldas O conteúdo dos artigos assinados é responsabilidade dos autores e não corresponde necessariamente à opinião da diretoria da ADUFS Contato ADUFS: Tel.: (79) 3259-2021 / E-mail: adufs@adufs.org.br / Site: http://www.adufs.org.br N° de Tiragem: 1300 exemplares

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P aralisação ANDES-SN mobiliza sua base para o dia 11 de julho

O dia 11 de julho será marcado pelo Dia

dos setores dominantes e do capital”, diz o

representantes das oito centrais sindicais, no dia

Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações,

documento Pauta do Dia Nacional de Lutas com

26 de junho.

com atividades conjuntas previstas em todo o

Greves e Mobilizações

país, organizadas pelas oito centrais sindicais

As centrais brasileiras CSP-Conlutas, CUT, UGT,

Na perspectiva de articular-se e fortalecer o dia 11 de julho, as entidades que compõem o

brasileiras CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força

Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST indicaram

Fórum Nacional das Entidades dos Servidores

Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, além de

os eixos que compõem o pleito unificado das

Públicos Federais reuniram-se na última semana

participação do MST, o Dieese e outros setores

mais diversas categorias da classe trabalhadora

de junho e estabeleceram como itens de pauta a

articulados no âmbito do Espaço de Unidade de

como pauta para o Dia Nacional de Lutas, em 11

serem agregados nas manifestações do dia 11 os

Ação.

de julho.

O ANDES-SN enviou na primeira semana de

A redução das tarifas e melhoria da qualidade

julho uma circular às suas seções sindicais

dos transportes públicos; o aumento nos

seguintes pontos: - Reajuste salarial digno e valorização do servidor público;

reforçando a importância da participação nas

investimentos da saúde pública; posição

- Paridade entre ativos e aposentados;

atividades marcadas para o dia 11 de julho.

contrária ao Projeto de Lei 4330/2004, que trata

- Anulação da reforma da previdência de 2003;

“Nesse momento em que essa manifestação

sobre terceirização de mão de obra; pelo fim dos

- Contra a privatização dos hospitais

contundente da população ganha uma inflexão

leilões de petróleo; pelo fim do fator

universitários e da previdência do servidor;

marcante para toda a sociedade, é necessário

previdenciário e valorização das

- Não aos leilões do petróleo e ao projeto que

que os setores organizados na luta cotidiana e

aposentadorias; pela redução da jornada de

cria fundações privadas no setor público (PLP-

contínua dos trabalhadores reforcem sua

trabalho; e a Reforma Agrária integram a pauta

092/07).

atuação, chamem a atenção para as nossas

de reivindicações, que já foram apresentadas à

pautas, pelas quais temos lutado há anos, e

Presidente Dilma Rousseff em reunião com os

Fonte: ANDES-SN

demonstrem que a luta de nossos sindicatos é também do povo brasileiro”, aponta o documento. “Como parte deste processo de valorização da luta coletiva como instrumento de conquista e transformação social, o ANDES-SN, através das suas Seções Sindicais e em unidade com os demais setores, orienta a participação nas manifestações que estão ocorrendo, bem como a realização de paralisações no dia 11 de julho que foi definido como Dia Nacional de Lutas. Essa estratégia é importante para fortalecer a presença da classe trabalhadora organizada nas ruas”, afirma a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira. Antes mesmo da definição de 11 de julho como Dia Nacional de Lutas, o ANDES-SN já havia enviado uma recomendação às Seções Sindicais para intensificar a luta por direitos sociais, que marca toda a trajetória do Sindicato Nacional, e convocar assembleias para avaliar a possibilidade de paralisação conjunta de todos os setores da educação e dos servidores públicos nos dias convocados para os atos, além da integração às manifestações e a articulações com as entidades locais. “A conjuntura do Brasil atual traz à tona uma sequência de manifestações populares por todo o país. Essa explosão social vinha sendo gestada há tempos, culminando recentemente nos movimentos organizados pelo 'Passe Livre', denotando profunda repulsa às ações políticas corruptas, ao cinismo da classe política, ao desrespeito dos governos em relação aos serviços públicos e à arrogância da exploração

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Boletim ADUFS

Manifestação Brasileiros vão às ruas em manifestações contra aumento da tarifa de ônibus O que começou como uma mobilização contra

oportunidade de a gente trazer a luta da

o aumento da passagem do transporte público,

educação em conjunto com toda população

Os atos acontecem também em outros países,

vem tomando proporções gigantescas em todo

para garantir os 10% do PIB Já e também trazer a

como, por exemplo, Estados Unidos, Japão,

o país. A pauta agora não é apenas o transporte:

discussão da necessidade da Educação Pública,

Espanha, Canadá, Alemanha, Austrália,

manifestantes vão às ruas para expressar a

Gratuita e de Qualidade. A ADUFS tem um papel

Portugal, que dão apoio internacional à situação

indignação com os problemas de infraestrutura

muito importante nesse sentido”.

vivida nas últimas semanas no Brasil.

do Brasil, corrupção e ações políticas em desacordo com a vontade da população. Os professores da UFS marcaram presença

Os atos explicitam também a revolta com os Contexto A mobilização dos movimentos sociais se

gastos para a realização da Copa do Mundo e a solidariedade às pessoas que participaram das

organizada na terceira edição do Ato Acorda

intensificou após a forte repressão policial nos

últimas manifestações e foram vítimas de

Aracaju. Após deliberação ocorrida em

protesto contra o aumento do bilhete de

agressão policial e detidas durante os atos, numa clara demonstração da intenção, por

assembleia em 27 de junho, a ADUFS convocou

transporte público realizado em São Paulo, que

todos os professores a carregar novamente suas

fez com que a população se organizasse em

parte dos governos, de criminalizar os

faixas e bandeiras em nome da Educação

reação.

movimentos sociais.

Pública, Gratuita e de Qualidade. O Ato Acorda Aracaju faz parte do que vem

A convocação emanada dos comitês

Nas redes sociais, os organizadores denunciam

organizativos e sua rápida disseminação pelas

a falta de qualidade no transporte, saúde,

sendo chamado de “Revolução do Vinagre”, uma

redes sociais mostra a indignação da população

educação e mostram indignação com a

mobilização contra o aumento da passagem do

brasileira, que conta com apoio internacional,

construção de estádios luxuosos com o dinheiro

transporte público que ocorre em todo o país.

em relação aos atos de violência protagonizados

público e que custam mais que o previsto.

Para o diretor financeiro da ADUFS, professor

pela polícia durante os protestos da última

Elyson Carvalho, a decisão da ADUFS em participar do ato veio como uma forma de unificar os professores e pautar o tema educação. “Na avaliação da ADUFS, unir os professores é importante para que a gente possa levar a pauta de educação com mais evidência. Individualmente a gente já estava apoiando, agora é coletivamente”, afirmou. A professora Vera Núbia, do Departamento de Serviço Social da UFS, enfatizou a necessidade de estimular a participação dos professores. “A gente precisa estar um pouco mais antenado nos acontecimentos e estimular os professores a sair e vir para as ruas. É desgastante, a gente sabe, mas não se pode perder de vista essa mobilização”. “Esse é um movimento histórico, independente de todas as críticas que possam ser feitas. A juventude está na rua mais uma vez fazendo história. É um momento que a gente não pode perder o trilho”, confirma a professora Rosângela Marques, do mesmo departamento. “Essa representação aqui na praça demonstra indignação por parte de todos nós, não só dos professores, mas da comunidade em geral. É importante o professorado estar na praça, estar na rua, brigando por seus direitos, por melhores salários e contra a precarização da educação”, afirmou o professor do CODAP, Marcos Pedroso. Segundo o professor Fernando Sá, do Departamento de História da UFS, o momento é oportuno para discutir a educação. “É uma

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semana em várias cidades do país.


Nº 5

D ebate

Protestos Populares é tema de debate na ADUFS

Na manhã da quarta-feira, 03, a ADUFS coordenou debate intitulado “Protestos Populares no Brasil atual”. Organizado pela Comissão Local de Mobilização, composta pelos professores da UFS, o debate abordou as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus que estão ocorrendo pelo Brasil. Representantes de centrais sindicais e movimentos estudantis e da juventude participaram da mesa. Foram eles: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), Levante Popular da Juventude, Movimento Não Pago e União da Juventude Comunista (UJC). Na abertura da mesa, o professor Fernando Sá, do Departamento de História e um dos membros da Comissão Local de Mobilização, explicou que o debate é uma forma de integrar os movimentos para fortalecer a luta. “Quando houve a 1ª manifestação em Aracaju, os docentes atuaram de forma individual, como cidadãos. A partir do dia 27 de junho, a assembleia articulou uma intervenção organizada e nos integramos. A proposta desse debate é preparar, junto com a ADUFS, a organização do ato que ocorrerá no dia 11 de julho, um ato fundamental para avançar na luta”, explicou Fernando em sua fala.

planilha de custos da SMTT e observamos várias fraudes que existiam no cálculo da passagem, como inclusão de custos que não existem, superfaturamento de preço e de salário. Elaboramos um documento assinado por economistas que foi apresentado na Câmara dos Vereadores, na Prefeitura, entramos com uma ação na Justiça, procuramos o Ministério Público, e mesmo assim o Poder Público deu continuidade e sancionou o aumento. Então a gente viu que a única forma de lutar pela redução da tarifa era nas ruas”, afirmou Demétrio. Os atos que vêm ocorrendo em Aracaju são uma prova do nível de indignação da população com as medidas da política local e federal. Milhares de pessoas estão indo às ruas para reivindicar menos investimentos para a Copa do Mundo e mais verba para a Educação, Saúde, entre outras pautas diversas. A representante da CSP-Conlutas, Nericilda Rocha, definiu as características do público das manifestações. “É um movimento bem heterogêneo, onde

não existe uma liderança única. Mas o programa que essas manifestações levantam é muito progressista e demonstra a insatisfação e a indignação da juventude. É algo positivo, tem que ser apoiado e incentivado. O povo acordou e está dizendo ao governo federal e aos governos estaduais que não está de acordo com a política do país”, disse. Para o representante da CUT Sergipe, Cristiano Cabral, a iniciativa da ADUFS em organizar um encontro entre as centrais sindicais e os movimentos foi fundamental. “Nós nos reunimos aqui para debater e refletir sobre o que fazer diante dessa conjuntura. O dia 11 de julho será uma ação unitária da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e juvenis para somar esforços por uma luta comum”. No dia 11 de julho, haverá paralisação das atividades docentes na U FS, conforme decidido na última assembleia dos professores, ocorrida em 27 de junho. A paralisação ocorre no Dia Nacional de Luta, em apoio à convocação das centrais sindicais brasileiras.

Manifestações em Aracaju As manifestações em Aracaju ganharam corpo no 1º Ato Acorda Aracaju, ocorrido em 20 de junho, mas desde antes já havia mobilização contra o aumento da passagem de ônibus, conforme explica Demétrio Varjão, representante do Movimento Não Pago. “Desde janeiro desse ano a gente iniciou o protesto aqui em Aracaju. Tivemos acesso à

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Boletim ADUFS

Cultural

Comemoração de São João da ADUFS

No dia 20 de junho, a ADUFS promoveu a tradicional festa de São João para os docentes da UFS. O evento contou com mesas de comidas típicas, apresentação de quadrilha e banda de forró para animar a festa. Na ocasião, a diretoria também homenageou cinco professores considerados verdadeiros símbolos para a cultura sergipana. Confira o registro fotográfico da festa:


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