Boletim ADUFS 12

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A Ano 3 Número 12 Julho 2014

SINDICATO

Boletim

ANDES NACIONAL

Central Sindical e Popular - CONLUTAS

Gestão Autonomia na Luta 2012-2014

º 59

CONAD 21 a 24 de agosto 2014 | Aracaju/SE

Negociação

Audiência com reitor define datas de negociação P.3

Condições de trabalho

Docentes do campus de Lagarto mantêm paralisação P.4

CONAD

Aracaju receberá o 59º CONAD em agosto P.6

Conad


Boletim ADUFS Notas rápidas

Greve dos professores termina na UFS

Informe jurídico

Após amplo debate em assembleia que aconteceu na tarde do dia 30 de junho, no auditório da reitoria, os docentes da UFS votaram pelo fim da greve, com data de retorno das atividades na UFS para 09/07. Foram 134 votos contrários à manutenção da greve, 113 a favor da manutenção da greve e 1 abstenção. Ao todo, 283 professores assinaram a lista de presença nessa assembleia. Outro aspecto votado foi a transformação do Comando Local de Greve em Comando Local de Mobilização Permanente, para cobrar ações efetivas por parte da reitoria na mesa de negociação sobre a pauta de reivindicações locais.

Assembleia de decisão sobre a greve

Comunicamos que os Precatórios relacionados ao Processo número 0001000-41.1998.4.05.8500 (98.0001000-9), referente ao pagamento dos 3,17%, foram encaminhados para inclusão na dívida da União no orçamento público de 2015, tendo a Jus ça Federal solicitado que fossem expedidos os requisitórios referentes à modalidade Requisição de Pequeno Valor (RPV).

Assembleia sobre temas tambem importantes para o sindicato

tem alguem sentado aqui?

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DIRETORIA 2012-2014 - GESTÃO AUTONOMIA NA LUTA Presidente: Brancilene Santos de Araújo (DFS); Vice-presidente: Carlos Franco Liberato (DHI); Secretário: Jailton de Jesus Costa (CODAP); Diretor Administrativo e Financeiro: Elyson Nunes Carvalho (DEL);Diretora Acadêmico e Cultural: Noêmia Lima Silva (DSS); CONSELHO DE REPRESENTANTES: CCET - Titular: David Soares Pinto Júnior; CCBS - Titular: Benedito Carlos L. C. Araújo / Suplente: Ailton Fernandes S. de Oliveira; CODAP - Titular: Josevânia Nunes Rabelo / Suplente: Silaine Maria Gomes Borges; CECH - Titular: Elza Francisca Corrêa Cunha / Suplente: Fernando Sá / Suplente: Marizete Lucini; CCSA - Titular: Airton Paula Souza / Suplente: Sérgio Luiz Elias de Araújo; Representante do campus de Itabaiana - Titular: Vanessa Dias de Oliveira / Suplente: Alan Almeida Santos.

Boletim produzido pela ADUFS - Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior. Endereço: Av. Marechal Rondon, s/n, bairro Rosa Elze, São Cristóvão-SE Jornalismo e Fotografia: Raquel Brabec (DRT-1517) / Design Gráfico e Ilustrações: Fernando de Jesus Caldas O conteúdo dos artigos assinados é responsabilidade dos autores e não corresponde necessariamente à opinião da diretoria da ADUFS. Contato ADUFS: Tel.: (79) 3259-2021 / E-mail: adufs@adufs.org.br / Site: http://www.adufs.org.br N° de Tiragem: 1300 exemplares


Nº 12

Negociação

Audiência com reitor define datas de negociação

Reunião de negociação com o reitor

Os docente da U FS se reuniram na tarde do dia 03/07 com o reitor da U FS, professor Ângelo Antoniolli, para dar continuidade à mesa de negociação sobre a pauta de reivindicações locais. A categoria dos professores cobra medidas efetivas e definição de prazos para os problemas de infraestrutura e condições de trabalho percebidos nos campi da UFS. Durante a audiência, foi exposta a necessidade de compromisso político por parte da reitoria para a resolução das questões apontadas na pauta local. Entre os principais assuntos, os presentes abordaram o processo de instalação da Estatuinte na Universidade, com participação e colaboração dos três segmentos da comunidade acadêmica, e a abertura de uma mesa de diálogo permanente com a reitoria. Ao final da reunião, o reitor se comprometeu a realizar reuniões periódicas para discutir os pontos da pauta local em blocos. A primeira reunião aconteceu no dia 17/07, às 16h, com a Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan), ocasião em

que foi discutida a resolução dos problemas no campus de Lagarto. Um ponto que recebeu destaque durante a audiência foi a necessidade de mudanças na E s ta t u i n t e d a u n i v e rs i d a d e . O Comando Local de Mobilização Permanente (CLMP) reivindica que o reitor convoque a comunidade para discutir e desencadear o processo de instalação da Estatuinte. Apesar de não ter dado um posicionamento concreto sobre o assunto, o professor Ângelo informou que consultará sua equipe administrativa e dará uma resposta. Na avaliação da professora Christiane Soares, do Departamento de Economia e uma das integrantes do CLMP, a reunião foi positiva por tratar de questões prioritárias da categoria. “Uma prioridade absoluta do ponto de vista político da nossa mobilização é o processo de instalação de uma Estatuinte na Universidade, porque isso é o que de fato vai democratizar a gestão da universidade. O reitor se comprometeu em pelo menos estudar o assunto, e isso é um avanço

importante”. Segundo Christiane, a Universidade ainda é regida por regras que remontam ao período da ditadura brasileira. “Os nossos estatutos são da época da fundação da Universidade, que é o ano de pior período da ditadura militar. As nossas regras internas carregam esse autoritarismo na sua forma de definição, e a gente precisa democratizar isso para que todo mundo na Universidade conheça claramente como as decisões são tomadas e se sinta participante desse processo”, afirmou. Pauta Local A pauta local de reivindicações se refere às condições necessárias para o desenvolvimento das atividades na Universidade, englobando todos os campi, e inclui itens como falta de equipamentos, materiais, infraestrutura básica, entre outros. Desde 2012 que os docentes da U F S estão tentando manter negociação com a reitoria. A Pauta Local de Greve da UFS, aprovada durante a greve de 2012, foi entregue no dia 11/07/2012 ao então reitor prof. Josué Modesto dos Passos Sobrinho. Após o fim da greve, a diretoria da ADUFS se reuniu com o reitor, no dia 20 de setembro, quando voltou a entregar a Pauta Local. O então reitor não respondeu ao documento. Posteriormente, a pauta também foi entregue pessoalmente ao novo reitor, prof. Ângelo Roberto Antoniolli, em reunião com a diretoria da ADUFS ocorrida em 17 de janeiro de 2013, sem que houvesse resposta, apesar dos reiterados ofícios subsequentes ao longo de 2013, que solicitavam sua manifestação. No ano de 2014, a pauta local foi atualizada em duas assembleias gerais realizadas em 27 de fevereiro e 21 de maio, tendo sido encaminhada, por duas vezes, ao atual reitor, novamente sem resposta. No Dia Nacional de Paralisação (21 de maio), o vice-reitor, prof. André Maurício Conceição de Souza, recebeu a pauta dos professores e se comprometeu em responder.

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Boletim ADUFS Em assembleia ocorrida no dia 09 de julho, os docentes do campus de Lagarto decidiram manter a paralisação das atividades de ensino, por considerarem que a Universidade ainda não oferece condições suficientes para o retorno das aulas. As atividades de ensino na UFS, em Lagarto, estão paralisadas desde o dia 25 de abril deste ano, quando os estudantes entraram em greve por falta de estrutura mínima para a continuidade do período letivo. No dia 12 de maio, os docentes do campus decidiram paralisar também, reforçando a mobilização. Após assembleia realizada pelos estudantes no dia 15 de julho, alguns cursos resolveram retornar as aulas a partir do dia 28 do mesmo mês. "O posicionamento dos docentes é continuar em greve, entretanto, os professores de Medicina retornarão as atividades juntamente com os alunos", informou a professora do campus de Lagarto, Marcela Deda. No dia 17 desse mês, houve uma reunião com a equipe do reitor, às 16h, para dar continuidade à mesa de negociação com foco nos pontos de reivindicação do campus de Lagarto. No dia 21/07, ocorreu uma nova assembleia para avaliar a manutenção da paralisação. Nessa assembleia, os professores votaram por unanimidade manter a paralisação das atividades de ensino. Em entrevista, a professora Alessandra Alcides, do Departamento de Educação e Saúde do campus de Lagarto, explica a situação do campus e os motivos da paralisação. ADUFS - Qual a situação do campus de Lagarto e por que a paralisação continua? Prof. Alessandra - Em Lagarto, nós paralisamos as atividades de ensino antes mesmo de os demais campi da UFS entrarem em greve, por causa das nossas condições de trabalho precárias, principalmente para os cursos que estão se formando agora. No dia 09 desse mês, fizemos uma assembleia em Lagarto, convocada pela ADUFS, para discutir a situação e ver os avanços desde a nossa paralisação. Antes dessa assembleia, tivemos uma reunião com o diretor acadêmico do

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Condições de trabalho

Docentes do campus de Lagarto mantêm paralisação campus, o professor Fabiano Alvim, e a situação é que não houve praticamente avanço nenhum. As clínicas de Fonoaudiologia, de Nutrição, continuam paradas, e a perspectiva de chegada do maquinário é de no mínimo seis meses, através de licitação. Por conta disso, os professores decidiram manter as atividades de ensino paralisadas. Nós continuamos trabalhando no departamento, mas não voltamos para a sala de aula porque não tem condição para receber esses alunos ainda. A D U F S – C i te a l g u n s p o nto s d e reivindicação que foram atendidos e os que não foram: Prof. Alessandra - Tínhamos salas sem quadro branco ou negro, sem climatização adequada. Nesse quesito, as reivindicações foram atendidas: agora toda sala tem ou quadro branco ou quadro negro, todos os ventiladores estão funcionando, essas foram algumas conquistas da nossa paralisação e das negociações. Sobre o quantitativo de datashow, apesar de ainda não ser o ideal, houve uma melhora, uma melhor distribuição entre os departamentos. Já com relação às reivindicações que precisam de mais recurso, continua tudo parado. Por exemplo, foi aprovada a compra de alguns materiais para o

Profª. Alessandra Alcides

departamento de Educação e Saúde, mas não há perspectiva de quando esses materiais vão chegar. Na sala de Fonoaudiologia, não tem água potável, deram o bebedouro de garrafão, mas a Universidade não dá o garrafão, então, não resolveu o problema, porque os alunos e docentes vão ter que comprar a água de qualquer forma. Mas o ponto principal é a falta de equipamento e material para a realização adequada das aulas. Por exemplo, no curso de Farmácia, no terceiro e quarto ano, os estudantes entram com análise clínica. Eles precisam de material mínimo, senão você não tem como fazer nada nesse módulo, e até então não há perspectiva de quando chega esse material.

Campus de Lagarto continua paralisado.


Nº 12

Artigo Darwin e a prática da 'Salami Science'

Em 1985, ouvi pela primeira vez no Laboratório de Biologia Molecular a expressão "Salami Science". Um de nós estava com uma pilha de trabalhos científicos quando Max Perutz se aproximou. Um jovem disse que estava lendo trabalhos de um famoso cientista d o s E U A . Peru t z o lh o u a p ilh a e murmurou: "Salami Science, espero que não chegue aqui". Mas a praga se espalhou pelo mundo e agora assola a comunidade científica brasileira. "Salami Science" é a prática de fatiar uma única descoberta, como um salame, para publicá-la no maior número possível de artigos científicos. O cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de que é muito produtivo. O leitor é forçado a juntar as fatias para entender o todo. As revistas ficam abarrotadas. E avaliar um cientista fica mais difícil. Apesar disso, a "Salami Science" se espalhou, induzido pela busca obsessiva de um método quantitativo capaz de avaliar a produção acadêmica. No Laboratório de Biologia Molecular, nossos ídolos eram os cinco prêmios Nobel do prédio. Publicar muitos artigos indicava falta de rigor intelectual. Eles valorizavam a capacidade de criar uma maneira engenhosa para destrinchar um problema importante. Aprendíamos que o objetivo era desvendar os mistérios da natureza. Publicar um artigo era consequência de um trabalho financiado com dinheiro público, servia para comunicar a nova descoberta. O trabalho

deveria ser simples, claro e didático. O exemplo a ser seguido eram as duas p á g i n a s e m q u e Wa t s o n e C r i c k descreveram a estrutura do DNA. Você se tornaria um cientista de respeito se o esforço de uma vida pudesse ser resumido em uma frase: Ele descobriu... Os três pontinhos teriam de ser uma ou duas palavras: a estrutura do DNA (Watson e Crick), a estrutura das proteínas (Max Perutz), a teoria da Relatividade (Einstein). Sabíamos que poucos chegariam lá, mas o importante era ter certeza de que havíamos gasto a vida atrás de algo importante. Hoje, nas melhores universidade d o B ra s i l , a co nve rs a e nt re p ó s graduandos e cientistas é outra. A maioria está preocupada com quantos trabalhos publicou no último ano - e onde. Querem saber como serão classificados. "Fulano agora é pesquisador 1B no CNPq. Com 8 trabalhos em revistas de alto impacto no ano passado, não poderia ser diferente." "O departamento de beltrano foi rebaixado para 4 pela Capes. Também, com poucas teses no ano passado e só duas publicações em revistas de baixo impacto..." Não que os olhos dessas pessoas não brilhem quando discutem suas pesquisas, mas o relato de como alguém emplacou um trabalho na Nature causa mais alvoroço que o de uma nova maneira de abordar um problema dito insolúvel. Essa mudança de cultura ocorreu porque agora os cientistas e suas instituições são avaliados a partir de fórmulas matemáticas que levam em conta três ingredientes, combinados ao gosto do freguês: número de trabalhos publicados, quantas vezes esses trabalhos foram citados na literatura e qualidade das revistas (medida pela quantidade de citações a trabalhos publicados na revista). Você estranhou a ausência de palavras como qualidade, criatividade e originalidade? Se conversar com um burocrata da ciência, ele tentará te explicar como esses índices englobam de maneira objetiva conceitos tão subjetivos. E não adianta argumentar que Einstein, Crick e Perutz teriam sido

excluídos por esses critérios. No fundo, essas pessoas acreditam que cientistas desse calibre não podem surgir no Brasil. O resultado é que em algumas pósgraduações da USP o credenciamento de orientadores depende unicamente do total de trabalhos publicados, em outras o pré-requisito para uma tese ser defendida é que um ou mais trabalhos tenham sido aceitos para publicação. Não há dúvida de que métodos quantitativos são úteis para avaliar um cientista, mas usá-los de modo exclusivo, abdicando da capacidade subjetiva de identificar pessoas talentosas, criativas ou simplesmente geniais, é caminho seguro para excluir da carreira científica as poucas pessoas que realmente podem fazer descobertas importantes. Essa atitude isenta os responsáveis de tomar e d e fe n d e r d e c i s õ e s . É a c o va rd i a intelectual escondida por trás de algoritmos matemáticos. Mas o que Darwin tem a ver com isso? Foi ele que mostrou que uma das características que facilitam a sobrevivência é a capacidade de se adaptar aos ambientes. E os cientistas são animais como qualquer outro ser humano. Se a regra exige aumentar o número de trabalhos publicados, vou praticar "Salami Science". É necessário ser muito citado? Sem problema, minhas fatias de salame vão citar umas às outras e vou pedir a amigos que me citem. Em troca, garanto que vou citá-los. As revistas precisam de muitas citações? Basta pedir aos autores que citem artigos da própria revista. E, aos poucos, o objetivo da ciência deixa de ser entender a natureza e passa a ser publicar e ser citado. Se o trabalho é medíocre ou genial, pouco importa. Mas a ciência brasileira vai bem, o número de mestres aumenta, o de trabalhos cresce, assim como as citações. E a cada dia ficamos mais longe de ter cientistas que possam ser descritos em uma única frase: Ele descobriu... FERNANDO REINACH - O Estado de S.Paulo

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CONAD

Aracaju receberá 59º CONAD em agosto Entre os dias 21 a 24 de agosto, Aracaju receberá o 59º Conselho Nacional das Associações Docentes (CONAD) do ANDES-SN. O encontro tem como principal objetivo atualizar o plano de lutas do Sindicato Nacional, que envolve várias questões importantes para os docentes e para as Instituições de Ensino Superior, a partir do balanço dos acontecimentos ocorridos no primeiro semestre, tendo com referência o conjunto de resoluções aprovadas no 33º Congresso do ANDES-SN, realizado em São Luís (MA) de 10 a 15 de fevereiro deste ano. O CONAD também exerce a função de Conselho Fiscal do Sindicato N a c i o n a l . D u ra n te o e n c o n t ro, relatórios financeiros, prestações de contas e previsões orçamentárias serão examinadas e aprovadas. Confira a entrevista realizada com o secretário da ADUFS, professor Jailton Costa, sobre as expectativas com a realização do evento. ADUFS - Qual a estimativa de público para esta edição do CONAD? Prof. Jailton - O Conselho do ANDESSindicato Nacional – CONAD – estima um público de 250 pessoas, entre delegados, observadores e Diretoria Nacional. É no CONAD que se dá a primeira reunião e a posse da nova diretoria nacional já eleita. ADUFS – Esta é a terceira vez que Sergipe sedia o evento. Para a atual diretoria da ADUFS, o que significa receber o 59ª CONAD? Quais as expectativas com a realização do evento? Prof. Jailton - Após o término de um movimento paredista na U F S , a Diretoria da ADUFS considera de grande importância receber e organizar um evento desse porte, principalmente pela temática que será discutida “Luta em defesa da educação: autonomia da universidade, 10% do PIB exclusivamente para a educação p ú b l i c a ”, p o i s a c o m u n i d a d e

universitária da UFS sofre com a perda da autonomia universitária perante o Governo e suas agências de fomento, e ainda pela precarização das condições de trabalho, ampliadas com o REUNI e reforçadas no Governo Dilma. ADUFS – Fale um pouco sobre o tema “Luta em defesa da educação: autonomia da universidade, 10% do PIB exclusivamente para a educação pública”, que norteará o evento. Prof. Jailton - Impressiona verificar que, anos após anos, o projeto neoliberal continua presente. Ao contrário do que propala o governo, as ações do capital permanecem vivas e atuantes, minando todas e quaisquer tentativas de construção democrática e autônoma que beneficie o público, a coletividade, a produção e a distribuição da riqueza de forma igualitária, sem concessões como se fossem privilégios e sem visar a cooptação e a manipulação do povo para a manutenção de uma estrutura de poder que não liberta, ao contrário, escraviza. Sobre os 10% para a educação só em 2020, isso é temerário. As ações reformistas continuam vorazes. Todas no sentido de dar curso às propostas internacionais de reforma da educação para o adestramento e a submissão aos cânones da produtividade, da competição e do individualismo, que tornem cada ser humano um microcosmo do capitalismo. Além disso, os governantes são surdos à indignação das ruas, que é entendida como arruaça, não como clamor por mudanças. Respondem com a força das armas, com a exclusão dos que incomodam e colocam tapumes para que o feio não apareça. Enquanto isso, o governo e as forças que a ele se aliam aumentam a pressão sobre os sindicatos que batalham pelos direitos dos trabalhadores. Ao contrário, a pelegada e os ditos sindicatos “amarelos” ganham o apoio do governo, pois não têm pejo de se prestar a esse triste

Prof. Jailton Costa

papel de aliados para impedir a mudança e a transformação. Dessa forma, o PNE do governo potencializa a direção das políticas que fragilizam a autonomia das instituições educacionais, ao mesmo tempo em que intensifica o trabalho docente e precariza a formação de gerações de trabalhadoras e de trabalhadores brasileiros. Portanto, a ADUFS convida seus sindicalizados a se posicionar contra a arbitrariedade do governo que vem, sistematicamente, desrespeitando a Lei de Autonomia Universitária, suprimindo os recursos para a universidade, o que tem co mp ro met id o a q u a lid a d e d a s atividades realizadas, seja no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. ADUFS – Docentes de todo o país estarão em Aracaju no próximo mês para debater a categoria e o sindicato. Quais outras discussões poderão ser fomentadas através desse evento? Prof. Jailton - A estrutura do CONAD irá comportar 4 temas, sendo eles: Tema I: Movimento Docente e Conjuntura: avaliação da atuação do ANDES-SN frente às ações estabelecidas no 33° CONGRESSO; Tema II: Avaliação e at u a l i za ç ã o d o p l a n o d e l u ta s : educação, direitos e organização dos trabalhadores; Tema III: Avaliação e atualização do plano de lutas: Setores e Tema IV: Questões organizativas e financeiras. Temos certeza de que os delegados, observadores e diretores nacionais presentes irão discutir tais temas com a relevância e cuidado que eles merecem.


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