BOLETIM ESPECIAL SETEMBRO 2015
Reitor se compromete com a Estatuinte.
Podemos confiar desta vez?
Comando Unificado da Greve Estatuinte O processo de Estatuinte deve ser inclusivo
mobilização ampla
a UFS estará representada
pelos segmentos legítimos,
grevista, tomaremos todas as providências requeridas,
A Estatuinte na contramão da Reforma Universitária do governo P. 03
30 dias após o encerramento do movimento
A Estatuinte nas Universidades Brasileiras P. 05
Editorial
Estatuinte: sem luta não haverá avanços O estatuto da Universidade Federal de Sergipe, que vigora desde o regime ditatorial militar, explicita claros sinais de esgotamento, burocra zando o ensino e a ação universitária como um todo. Obviamente, o que restou da ditadura na UFS tem sido muito bem camuflado com a falsa crença de que a universidade tem ampliado sua democrazação, uma vez que realiza constantemente mudanças estatutárias, de maior ou menor porte, só que elas são desigualmente percebidas pelo conjunto da Universidade, e nada é mais falso do que essa democracia sem par cipação cole va. A Estatuinte é uma rica oportunidade de se reinventar e corrigir tantas distorções acumuladas ao longo da história da UFS. A comunidade universitária precisa, neste momento ímpar, lutar unida para fazer jus ça aos seus servidores técnicos e docentes, discentes e à história cole va da ins tuição por um novo estatuto que supere os resquícios autoritários que burlam a autonomia da universidade, assegure a presença paritária dos três segmentos nos conselhos superiores e repense a estrutura da ins tuição do ponto de vista dos departamentos, cursos e centros, além de permi r transparência total na gestão dos recursos da universidade definidos em lei. Em concreto, o que se tem visto é uma resistência de diversas gestões e reitores em dialogar diretamente com os representantes
das três categorias em greve sobre a estatuinte, fazendo-o, como dito, por vias transversas, e, de outro lado, uma tenta va quase desesperada dos trabalhadores e discentes em buscar meios para ins gar esse diálogo. Apesar das resistências, há na UFS um anseio social c o l e v o p o r r u p t u ra , p o r mudanças estruturantes na ordem vigente, que projeta a necessidade de garan r a construção de um processo estatuinte aberto e democrá co nessa ins tuição. Essa experiência, por fim, só será possível mediante o exercício da cidadania e da constante mobilização social da comunidade universitária. A gestão da UFS agora propõe a convocação de processo de Estatuinte em 2015. Mas qual estatuinte será essa? Do ponto de vista do direito de greve, como dito, o diálogo não é um favor da gestão. É uma obrigação. A abertura de diálogo sobre a estatuinte é um momento ideal para se promover a ressignificação da universidade, para que seja garan da a sua função social, o que só será possível com a par cipação efe va de toda comunidade acadêmica. É preciso ter em conta que a democracia envolve sempre uma experiência de aprendizado e inclusão. Nesse sen do, o momento estatuinte inaugura a formação de
uma cultura ins tucional como uma referência para a con nua construção e reconstrução dos direitos, o que, por sua vez, é tarefa de toda a comunidade. Estatuinte, pode chegar, mas que seja livre, plural, autônoma e democrá ca! Por Elayne Cris na Menezes Silva, do Comando Local de Greve dos Técnicos-Administra vos.
EXPEDIENTE DIRETORIA 2014-2016 - GESTÃO ADUFS DE LUTA E PELA BASE Presidente: Jailton de Jesus Costa (CODAP); Vice-presidente: Acácia Maria dos Santos Melo (DQI-CCET); Secretária geral: Brancilene Santos de Araujo (DFS-CCBS); Diretor Administrativo e financeiro: Júlio Cézar Gandarela Resende (DMA - CCET); Diretor Administrativo e Cultural: Otávio Luiz cabral Ferreira (DAVD - CECH); Suplentes: Marcos Antônio da Silva Pedroso (CODAP), Marcos Santana de Souza (DDA - Campus Laranjeiras), Dênio Santos Azevedo (NTU - CCSA).
Endereço: Av. Marechal Rondon, s/n,bairro Rosa Elze, São Cristovão - SE Jornalismo e fotografia: Raquel Brabec (DRT - 1517) / Design e ilustrações: Fernando de Jesus Caldas O conteúdo dos artigos assinados é responsabilidade dos autores e não corresponde necessariamente à opinião da diretoria da ADUFS.
Boletim produzido pela ADUFS - Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Contato ADUFS: Tel.: (79) 3259-2021 / E-mail: adufs@adufs.org.br / Site: www.adufs.org.br Sergipe do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior. Nº de tiragem: 500 exemplares.
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A Estatuinte na contramão da Reforma Universitária do governo O que é uma Estatuinte? é um processo polí co mediante o qual a comunidade acadêmica de uma universidade (estudantes, técnicoadministra vos, docentes) associa-se à comunidade externa (os mais diversos setores da sociedade tais como sindicatos, movimentos sociais), para produzir o Estatuto de uma Universidade. Em um processo Estatuinte, definem-se princípios, prioridades, obje vos, forma de organização e distribuição administrava das unidades de ensino e de trabalho, a aplicação do financiamento, a forma de governo, a orientação polí ca para as áreas acadêmicas, de ensino, pesquisa e extensão. A comunidade universitária da UFS anseia por construir uma universidade autônoma, radicalmente democrá ca, referenciada socialmente, que possa se contrapor ao processo de mercan lização da educação imposto pelos governos neoliberais, cuja origem dessa mercan lização está na Reforma Universitária de 1968, quando o Governo militar de Costa e Silva, propôs um sistema de educação superior estruturado em um modelo de empresa educacional voltado à obtenção de lucro econômico e atendimento rápido às exigências do mercado. Po r ta n t o, re c o n s t r u i r o Estatuto de uma universidade, implica em conhecer o conteúdo das sucessivas reformas que levaram também às próprias universidades a realizarem adaptações em seus estatutos, a exemplo da UFS, sem, no entanto, desenvolver um processo amplo de par cipação da comunidade universitária para de fato orientar os rumos da ins tuição a par r de valores e princípios que sustentem uma universidade pública. É importante reconhecer que a luta dos três segmentos da universidade desde o
período pós-ditadura militar foi a retomada do debate por meio da construção de uma Reforma Universitária que reorientasse a ins tuição para além dos interesses do capital, razão pela qual, foram criados fóruns, realizados atos e greves, como às que estão acontecendo neste momento histórico, para impulsionar tal reforma na defesa da universidade pública. A contra-reforma do estado e a ofensiva à universidade pública de qualidade Nos anos 1980 o governo Sarney (1985-1990), criou o Grupo Execu vo para a Reformulação da Educação Superior (GERES) encarregado de elaborar o anteprojeto de lei, porém sem sucesso, por conta das reações do Andes e das en dades ligadas à comunidade universitária. A jus fica va era a de que o modelo de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão era obsoleto, caro e anacrônico. No governo Collor de M e l o ( 1 9 9 0 - 1 9 9 2 ) , o M i n i st ro Goldenberg reforçou a ideia anterior e propôs uma universidade diversificada criando uma proposta de Universidade de Ensino em contraposição à pesquisa e à extensão. Tal modelo reforçou a ideia de centros de excelência, isto é, universidades voltadas para a pesquisa, e outras na p eriferia d o sistema, vo ltad as somente para o ensino. O governo Fernando Henrique Cardoso-FHC (1995-2003), deu sequencia às diretrizes do Banco Mundial e à polí ca de base neoliberal, aprofundando a crise da universidade com o projeto de expansão de abertura de novas vagas, principalmente em cursos noturnos, tendo como referência uma proposta de modelo gerencial (Planeja-mento Polí co – Estratégico 1995/1998; MEC, 1995 p. 26). A preocupação principal seria desenvolver uma universidade a par r da o mização dos recursos humanos e 3
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financeiros e, ao mesmo tempo, facilitar a entrada da inicia va privada no setor da educação superior. Nesse governo se construiu toda a base do aprofundamento da mercan lização da educação que se manteve intocada nos governos que o sucederam, basta que observemos a quan dade de matrícula no ensino superior privado nos úl mos vinte anos. A par r dessas mediadas, ganhou força a flexibilização da indissociabilidade entre ensino-pesquisa e extensão, tal qual explicitado na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n°9.394/96 – LDB), com a previsão de diversas modalidades de ins tuições de ensino superior e a formatação desse ensino diversificado, regulamentada por meio dos Decretos n°2.207/97 e n°2.306/97. A flexibilização visava formar elites em universidades de excelência; estruturar universidades para formar profissionais em cursos de maior duração como médicos, engenheiros e, outras ins tuições, com menos inves mentos para formar os profissionais técnicos com cursos de curta duração, a exemplo dos técnicos em eletrônica, fisioterapeutas; es mular a formação generalista para atuar em diferentes situações; assim como, es mular inicia vas como as da “Universidade Nova” a par r da idéia de formação por ciclos básicos e específicos e, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) – uma proposta empresarial para criar cursos de Educação à Distância para formação inicial, que se proliferaram em todo o país. Os Governos Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Housseff (2011-), deram con nuidade ao projeto de reforma seguindo o mesmo receituário: estruturou a reforma com base no PAC – Plano de Aceleramento conformando a parceria público-privada e a separação entre universidades de ensino e, de pesquisa; criou a Lei de
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I n o v a ç ã o Te c n o l ó g i c a L e i n º 10.973/2004); ampliou a Educação à Distância e recolocou a formação de professores no âmbito da CAPES, cujo es mulo do pagamento de bolsas só tem provocado mais precarização e desvalorização do trabalho docente e dos técnico-administra vos; Realizou a contrarreforma da Educação Superior cujo obje vo maior se concre zou com o REUNI onde se ampliou o número de vagas sem garan a das condições de trabalho necessárias à permanência dos estudantes no interior das universidades e, as necessidades do desenvolvimento de qualidade da pesquisa, do ensino e da extensão: realizou e con nua a realizar os cortes da educação pública para es mular a abertura de vagas no setor privado por meio do FIES; e, por fim, enviou um Projeto de Lei de Plano Nacional de Educação em 2014, que foi aprovado com a subs tuição do termo educação pública por educação gratuita, que, dentre outros problemas, pode-se afirmar que todas as inicia vas apontam para a priva zação da educação, mostrando claramente o alinhamento com o setor econômico e quem determina os rumos da educação no país. Sem respeitar a comunidade universitária e a luta em defesa da educação pública, os reitores vêm colocando em prá ca a polí ca do MEC. A criação da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), a crescente terceirização dos serviços no interior das universidades, são alguns dos exemplos de uma polí ca de priva zação em ascensão. No caso da EBSERH na UFS, o Reitor assinou o contrato sem apreciação do C o n s e l h o S u p e r i o r, u m a c l a ra demonstração de compromisso com a polí ca do MEC. Com o progressivo aumento dos cortes no orçamento público, os pactos entre os poderes do Ministério da Educação e dos Reitores se ampliam para se materializar tal
projeto de universidade voltada para os interesses do mercado. Os reitores vêm sendo chamados para assumirem os cortes como algo natural diante de uma crise criada pelo próprio capital e com isso, se comprometerem, com a manutenção dos serviços por meio da racionalização dos gastos. Para dar cabo de tais exigências, se torna necessário um gerenciamento que esteja altamente concentrado no poder dos reitores em cada universidade. A UFS, ao manter o seu estatuto intocável, reforça a polí ca de gestão centralizada e autoritária. As lutas e a atualidade da pauta em defesa da Estatu nte É nessa conjuntura de ataque por sucessivos governos e empresários que as manifestações tem se ampliado na defesa da universidade pública. A greve desencadeada em 2012 (nacional), 2014 (local -UFS) e a greve atual (nacional), denuncia e recoloca na pauta a concepção de universidade mercan lizada. Elaborar a Estatuinte na UFS, significa dizer que a comunidade universitária mobilizada como está, tem a tarefa histórica de realizar a discussão polí ca sobre a verdadeira função da universidade para que ela possa atender às
necessidades da população. Por isto, quando os Reitores realizaram alterações no Estatuto como acontecido na UFS desde 2002 (cinco alterações foram feitas até 2014), cujo objeto esteve centrado em incluir órgãos suplementares e alterar a par cipação da comunidade acadêmica em órgãos colegiados, sem realizar uma ampla discussão, nos leva a confirmar o quão necessário a criação de uma Assembleia Estatuinte e, o porquê os reitores não tem assumido esse compromisso. O silenciamento dos gestores da UFS sobre a Estatuinte, facilita que cada um assuma compromisso com uma estrutura econômica e de poder, cuja finalidade é a de realizar as transformações no interior da universidade que correm no mesmo leito do rio das contrarreformas do Estado. Neste sen do, reafirmamos que o momento é agora. Essa pauta é nacional e local, está na ordem do dia das três categorias da UFS (docentes, estudantes e técnico-administra vos). * Por Profª Sonia Meire Azevedo de Jesus, do Comando Local de Greve, e por Levi José Lemes Rocha Júnior, do Comando de Mobilização Estudan l.
Agenda da Estatuinte Nome
Tema
Quando
Marcelo Badaró
Estatuto na UFF
Setembro
Roberto Leher
Estatuinte e participação
Outubro
Francisco Miraglia
Estatuto na USP
Novembro
As datas serão divulgadas em breve
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Estatuinte nas Universidades Brasileiras Estatuinte numa ins tuição universitária, é um processo em que o documento maior de uma IES é criado (ou revisto) e tem uma conotação jurídicoformal, mas também uma natureza polí ca, por ter como foco a concepção de ins tuição e as formas de organizá-la d i d á c a , c i e n fi c a e a d m i n i s t ra vamente, o que afeta o co diano da ins tuição. Não se pode perder de vista, nesse sen do, que a estatuinte se traduz em conquista de toda a comunidade universitária e também da sociedade, por revelar uma concepção de universidade, os princípios que a devem reger e a sua forma de organização. Assim, apresenta-se aqui um resumo sobre o processo de implan-tação e implementação da Estatuinte em algumas universidades federais brasileiras, baseado em dados cole-tados da internet, disponíveis para o público em geral, como um passo importante na democra zação da vida universitária. No Brasil, num rápido levantamento, foi possível encontrar 12 universidades que terminaram ou d e s e nvo l ve m a i n d a u m p ro c e s s o Estatuinte, são elas: UFPE, UFRB, UFOP, UFPel, UFPB, UNIFESSPA, UFMT, UnB, UFAM, UFBA, UFRJ e UFU. Entre estas destacamos nomes de importantes universidades grandes e clássicas como UnB, UFOP, UFPB e UFPE. Em outras universidades, como por exemplo a UFAL e a UFS, observa-se que há demanda interna por um processo Estatuinte, da parte dos segmentos de servidores públicos e estudantes, que evidenciam essa demanda a cada momento nas lutas internas, sem que, no entanto, efe ve-se esse processo. Se trata de uma demanda urgente principalmente em decorrência da expansão das universidades federais, consequência do REUNI, mas também pela própria mudança no processo de administra-ção pública porque passam as fundações mantenedoras das ins tuições. Apesar de o processo de
Estatuinte já estar em debate na UFS há mais de 20 anos, tal como comprovam as demarches realizadas em 1986 pelo então Reitor Eduardo Garcia e o documento elaborado pelo Professor Airton Paula Souza (DEE/CCSA) em 1992, sucessivos reitores foram deixando esse projeto na gaveta e este ainda não foi desencadeado aqui na UFS, mesmo com o empenho da seção sindical docente que o tem pautado persistentemente. Relembramos que essa proposta voltou a ser destacada na pauta da Greve de 2012, e que como resultado da greve de 2014, o atual Reitor Angelo Roberto Antoniolli, comprometeu-se a dar início a este processo, não dando depois seguimento à sua promessa, fazendo com que na presente greve de 2015 este fosse o primeiro ponto da pauta local. Atualmente novas propostas metodológicas vêm surgindo e sendo analisadas (Meire, 2015). Apresentação dos Processos Em todos estes processos a regra b á s i c a é a p a r c i p a ç ã o d o s t rê s segmentos universitários, ainda que nem sempre seja respeitado o princípio da paridade em todas as Universidades. Em algumas ins tuições optou-se também pela par cipação de membros externos da sociedade civil. A contribuição da comunidade universitária, quando não pelo envolvimento direto, era permi da pela apresentação de propostas a serem sistema zadas, o que sinaliza a procura da par cipação inclusiva de todos os interessados em par cipar no processo Estatuinte. Dos documentos, pode-se apurar alguns dados mais básicos para compreender semelhanças e diferenças entre os processos nestas universidades e notar que não há uniformidade dos mesmos, o que embora dificultando o resumo e comparação, é um indicador da garan a da autonomia da universidade na instalação da Estatuinte. Os aspectos destacados no seguinte quadro compara vo foram: estatuto em vigor,
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início e término do processo Estatuinte e quan dade dos par cipantes. Dados gerais sobre processo esta-tuinte em IES brasileiras Quanto ao processo as Universidades adotam diferentes estratégias, verificando-se que há variação significa va no número de membros e na qualidade da par cipação (comissões indicadas pelo gestor ou por segmentos ou dele-gados eleitos pelas bases); observa-se metodologias de ação também diversas, q u e p o d e m a m p l i a r o u re d u z i r a par cipação da comunidade universitária – a análise das diversas metodologias é crucial para o debate da implantação da estatuinte. Mais detalhes sobre os processos podem ser ob dos nos documentos referenciados. As experiências dessas universidades representam uma resposta à luta da categoria docente e uma conquista da comunidade universitária. É claro que há equívocos na condução de alguns p ro c e s s o s , q u e n ã o p r i m a m p e l a transparência e democracia, mas a análise de da dessa construção, em cada universidade a que se teve acesso, demonstra que os ganhos da luta cole va podem e devem superá-los. Para que se tenha uma universidade autônoma e democrá ca, o processo estatuinte deve es mular a par cipação de servidores e estudantes desde seu início, de forma que essa construção resulte num processo amplo, transparente e revelador da universidade que se pretende SER para a sociedade a que se quer SERVIR. Ficar atento ao desenrolar desse processo nas IES permite compreender sua lógica e preparar para acompanhá-lo na ins tuição. Gostariamos de agradecer à Professora Rosangela Marques (DSS) pela elaboração do dossiê inicial sobre as estatuintes nas Universi-dades Brasileiras. Por Prof ª Vera Núbia Santos e Prof. Carlos Sá, do Comando Local de Greve
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Referências https://www.ufpe.br/ce/images/estatuinte/metodologia%20novo%20estatuto_2014%20comisso%20especial%20estatuinte%20aprovada%20pelo%20 conselho%20universitrio.pdf http://www3.ufrb.edu.br/cce/attachments/article/4/Metodologia%20da%20Estatuinte.pdf http://www.ufop.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12718&Itemid=196 http://wp.ufpel.edu.br/constituinte/files/2014/09/Forum-Estatuinte-Metodologia-Congresso-09-11_final-1.pdf http://www.ufpb.br/estatuinte/ https://www.unifesspa.edu.br/images/documentos/comunicados/minuta_regulamento_metodologia_estatuinte_unifesspa.pdf http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5103 http://www.ufrj.br/mostraNoticia.php?noticia=12740_Consuni-discutira-propostas-para-o-Forum-Estatuinte.html http://www.adm.ufba.br/pt-br/noticia/conselho-estatuinte-aprova-novo-estatuto-ufba http://professoremlutaufal.blogspot.com.br/2015/03/nota-de-esclarecimento-sobre-alteracao.html Meire S. (2015). Projeto de Construção da Estatuinte Universitária da Universidade Federal de Sergipe. Documento inédito, UFS, 5p. Souza, A.P. (1992). Sobre a Gestão Democrática. Documento inédito, UFS, 4p.
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Condições de Trabalho e Infraestrutura foram temas da assembleia Em assembleia que ocorreu na manhã do dia 19/08, os docentes debateram o tema da mesa de negociação com o reitor, que ocorreu no dia 21: Condições de Trabalho e Infraestrutura na UFS. Nos depoimentos durante a análise de conjuntura, os docentes expressaram a situação de funcionamento na universidade, especialmente diante do cenário de cortes que o governo está empenhando. O discurso da gestão local é que ainda não houve cortes na UFS, então ainda é “cedo” para falar sobre o tema. Apesar dessa informação, sabe-se que o governo cortou um total de R$ 9,4 bilhões para a Educação, conforme anunciado em junho deste ano, o que resultou numa redução de 10% sobre a
verba de custeio e 47% sobre o capital das universidades federais. “Vamos ter bem menos recurso nesse ano”, disse a professora Brancilene Araújo na assembleia. "Queremos saber onde esses cortes estão acontecendo, mas o reitor não quer informar”. Nas úl mas reuniões de negociação da reitoria com o Comando Local de Greve (CLG), a equipe gestora apenas informou como os cortes afetarão a dinâmica das obras na UFS: as obras em fase inicial serão interrompidas, as que estão na fase intermediária serão retardadas, e as obras em fase final serão concluídas. Brancilene citou o caso da Universidade Federal do Maranhão (UFM), em que o reitor se reuniu com integrantes da bancada maranhense na
Câmara e no Senado para sensibilizá-los sobre a crise sem precedentes na universidade diante dos cortes, que está comprometendo seu funcionamento. A primeira consequência dos cortes foi a demissão de 140 terceirizados. Cenário semelhante ocorre na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cujo reitor apresentou uma previsão preocupante: a universidade chegará ao mês de setembro sem condições de honrar as contas de fornecimento básico. A ameaça de suspensão de energia elétrica está presente na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Federal Fluminense (UFF).
Reitor dará resposta sobre contas da universidade diante dos cortes C o n d i ç õ e s d e Tr a b a l h o e Infraestrutura na UFS foram os temas da mesa de negociação que ocorreu na tarde do dia 21/08 entre os comandos das categorias da universidade (docentes, técnicos e estudantes) e o reitor com sua equipe administra va. No início da reunião, a professora Sônia Meire leu o documento com a solicitação do Comando Local de Greve (CLG) para que o reitor Angelo Antoniolli torne público para a comunidade acadêmica a condição financeira da universidade diante da crise orçamentária na Educação Pública. Os docentes solicitaram que o reitor abra as contas da UFS, que mostre o quan ta vo dos cortes, onde eles foram e serão aplicados e que apresente a projeção de receitas e despesas até d eze m b ro d e 2 0 1 5 . O u t ro p o nto reivindicado foi o compromisso do reitor pela não contratação de docentes via Organizações Sociais (OS). O comando do Sintufs e dos estudantes se juntaram à demanda exposta no documento. A categoria docente expressou a necessidade de se conhecer os aspectos dos cortes e como vão impactar a ro na da universidade, seja nas bolsas de pesquisa, de assistência, nos contratos
com terceirizados, e não apenas em como ficará o andamento das obras. O reitor informou que até a terça-feira, 25/08, daria a resposta sobre a solicitação do documento, porém, quando chegou a data ele encaminhou para a ADUFS um comunicado adiando para a sexta-feira (28/08) a entrega da resposta da solicitação das categorias. Ele também informou que não poderia par cipar da mesa de negociação agendada para acontecer no dia 28/08, sobre a pauta: EBSERH e Cesad. A reunião foi então adiada para o dia 04/09. “Não temos intenção de omi r. Estamos fazendo um grande esforço para minimizar os impactos”, disse Angelo. Em sua fala, ele reforçou que as obras não 7
vão parar em decorrência dos cortes, mas não trouxe mais informações em relação a onde eles ocorrerão. Uma das estratégias da reitoria é conseguir recurso de emendas individuais dos deputados para diminuir o déficit orçamentário. Com relação à contratação via OS, o reitor manifestou total rejeição. “É um absurdo, é algo que acaba com a c a r r e i ra d o p r o fe s s o r ” a fi r m o u , demonstrando apoiar a reinvindicação. Porém, as categorias lembram que o discurso foi semelhante quando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) estava em discussão na UFS, e mesmo assim o reitor assinou sua implantação no Hospital Universitário.
Se Os Tubarões Fossem Homens, por Bertold Brecht Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os pos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas vessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquá ca, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos. Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacri cio alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garan do se aprendessem a obediência.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o tulo de herói. Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens. *Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo – Alemanha. Escritor, dramaturgo, poeta, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.