Boletim ADUFS 10

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Ano 3 Número 10 Abril 2014

Boletim

Gestão Autonomia na Luta 2012-2014

Comunidade do Codap reivindica melhores condições de ensino p.4

Homenagem ao grande mestre e companheiro de lutas, Prof. Luiz Alberto p.5 Entrevista: Ponto eletrônico não é obrigatório para professores p.6

PROFESSORES VOTAM PELO INDICATIVO DE


Boletim ADUFS

Editorial Os professores, juntamente com outros segmentos dos trabalhadores, estão retomando as lutas em defesa de direitos para uma sobrevivência digna, no exercício de suas profissões, tanto a nível nacional como internamente, sinalizando com veemência as denúncias e reclamos por melhores condições de trabalho nos seus espaços específicos. O exemplo mais recente e visível são as denúncias da precariedade vivenciada por alunos, professores e técnicos do Colégio de AplicaçãoCODAP/UFS, que têm feito manifestações e ato público permanentemente, culminando com paralisação das atividades. Seguindo as orientações do Sindicato Nacional dos Docentes –ANDES, definidas no 33º Congresso Nacional ocorrido em Fev./2014, conforme foi apresentado no boletim anterior, estamos vivendo momentos de mobilizações nas universidades. Tivemos, no último 15/04, assembleia dos professores, convocada pela ADUFS, onde a maioria dos docentes aprovaram o Indicativo de Greve, como também uma Agenda de Mobilização, apresentada pela comissão que já está formada e aberta a novas adesões. É m u i to i m p o r ta nte q u e o s p ro fe s s o re s compareçam e participem ativa e efetivamente das nossas assembleias e, presencialmente, num reforço à democracia, manifestem suas opiniões. O movimento docente, nacional e local, tem prezado por esse princípio, fortalecendo a cultura da participação democrática. Esse é grande mérito e fortalecimento do conquistado processo democrático brasileiro. Em meio a essa mobilização, fomos todos pegos de surpresa pelo desaparecimento de um grande membro colaborador e entusiasta da luta democrática no movimento docente e incentivador da cultura em nosso estado – Luiz Alberto. Com essa compreensão, neste boletim, a diretoria da ADUFS presta uma singela e merecida homenagem a um dos grandes idealizadores e protagonista do movimento

docente na UFS que, graça a sua dedicação e conhecimentos sóciopolíticos, tão bem representou a ADUFS no Sindicato Nacional (ANDES). Particularmente e com muito carinho, manifesto a minha saudade pelo convívio e aprendizado que devoto ao colega e amigo Luiz Alberto dos Santos. Profa. Noêmia Lima Silva-DSS/UFS

DIRETORIA 2012-2014 - GESTÃO AUTONOMIA NA LUTA Presidente: Brancilene Santos de Araújo (DFS); Vice-presidente: Carlos Franco Liberato (DHI); Secretário: Jailton de Jesus Costa (CODAP); Diretor Administrativo e Financeiro: Elyson Nunes Carvalho (DEL);Diretora Acadêmico e Cultural: Noêmia Lima Silva (DSS); CONSELHO DE REPRESENTANTES: CCET - Titular: David Soares Pinto Júnior; CCBS - Titular: Benedito Carlos L. C. Araújo / Suplente: Ailton Fernandes S. de Oliveira; CODAP - Titular: Josevânia Nunes Rabelo / Suplente: Silaine Maria Gomes Borges; CECH - Titular: Elza Francisca Corrêa Cunha / Suplente: Fernando Sá / Suplente: Marizete Lucini; CCSA - Titular: Airton Paula Souza / Suplente: Sérgio Luiz Elias de Araújo; Representante do campus de Itabaiana - Titular: Vanessa Dias de Oliveira / Suplente: Alan Almeida Santos.

greve 2012 f

ef

Nota rápida: Nova secretária da ADUFS A equipe da ADUFS ganhou uma nova integrante. A secretária Jéssica Oliveira foi selecionada para trabalhar no atendimento da seção sindical e já começou no dia 23/04. O teste dos candidatos à vaga aconteceu no dia 09/04, no auditório da ADUFS, feito por uma comissão designada pela diretoria.

Boletim produzido pela ADUFS - Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior. Endereço: Av. Marechal Rondon, s/n, bairro Rosa Elze, São Cristóvão-SE Jornalismo e Fotografia: Raquel Brabec (DRT-1517) / Design Gráfico e Ilustrações: Fernando de Jesus Caldas O conteúdo dos artigos assinados é responsabilidade dos autores e não corresponde necessariamente à opinião da diretoria da ADUFS. Contato ADUFS: Tel.: (79) 3259-2021 / E-mail: adufs@adufs.org.br / Site: http://www.adufs.org.br N° de Tiragem: 1300 exemplares


Nº 10

G reve Professores votam pelo indicativo de greve na UFS

Os docentes reunidos em assembleia geral que aconteceu na manhã do dia 15 de abril votaram pelo indicativo de greve na UFS, sem definição da data de início. Os professores reconhecem que a greve é o último recurso dos docentes, diante das tentativas frustradas de negociação com o governo, que ao longo dos anos vem ignorando os apelos dos professores. Em 2012, uma greve dos professores histórica tomou o país, com duração de mais de 100 dias e adesão de quase todas as universidades federais. Na época, o governo encerrou as negociações apresentando um Projeto de Lei p ro b l e m át i co, q u e i nte n s i f i co u a s distorções na carreira. A greve foi suspensa por tempo indeterminado, mas poderá voltar mais forte em 2014. “O indicativo de greve é uma forma de mostrar ao governo que estamos mobilizados, estamos discutindo a universidade e que podemos começar uma greve”, afirmou um dos diretores da ADUFS, professor Elyson Carvalho. Os professores reivindicam reestruturação da carreira e melhores condições de trabalho. O cenário nacional aponta para intensificação das mobilizações nos próximos meses, como ressaltou o representante da CSP-Conlutas, Deyvis Barros. “Na educação, já tem uma greve em curso da Fasubra, o Sinasefe indicou o início d e g r e v e p a ra o d i a 2 1 , a l g u m a s universidades já votaram a realização da greve, então pelo que parece nós estamos caminhando para uma greve da educação

de nível federal. Eu penso que é uma necessidade de todo funcionalismo público federal e que existe uma conjuntura propícia para alcançar conquistas nesse ano”. Para o estudante de Direito Victor Fernando, o apoio dos estudantes na luta dos professores é essencial. “A gente deve olhar positivamente para a mobilização dos professores porque as pautas deles também são nossas. Nós também somos atingidos pelas péssimas condições de trabalho e podemos possivelmente vir a ser professores no futuro, e quando isso

acontecer vamos querer encontrar condições de trabalho aceitáveis”, acrescentou. Nos dias 26 e 27 acontecerá uma reunião do setor das Instituições Federais de Ensino Superior em Brasília, ocasião em que as seções sindicais do país levarão o resultado de suas assembleias para debater a deliberação da greve nacional dos docentes, com indicação de período e da relação com a greve das demais categorias. No dia 30, haverá Assembléia Geral dos docentes da UFS para discutir os encaminhamentos do sindicato nacional.

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Boletim ADUFS

M obilização

Comunidade do Codap reivindica melhor condições de ensino

Água do bebedouro imprópria para consumo, quadros manchados, arcondicionado sem funcionar, salas de aula sem

professora Marlucy Gama, que estava coordenando a assembleia na terça-feira. Outras assembleias ocorreram ao

afirmou o professor Marcos Pedroso. “É nossa responsabilidade manter a qualidade e segurança do Codap, que, além de escola, é um

ventilação. Essas são algumas das dificuldades

longo do mês com os segmentos da comunidade

vivenciadas todos os dias por alunos e

– alunos, professores e pais –, para que fosse

professores no Colégio de Aplicação (Codap),

avaliada a resposta ao documento entregue ao

Antônio Américo, do Departamento de Ciências

escola de ensino fundamental e médio

reitor e para verificar o andamento das

Florestais, é um dos responsáveis pelo setor de

vinculada à UFS. Sem condições de levar adiante

mudanças no prédio da escola. No dia 24 de

marcenaria da universidade. Ele participou da

o cronograma letivo, a comunidade do Codap

abril, a comunidade se posicionou em retornar

visita técnica com o vice-reitor, e informou: “a

parou suas atividades no início de abril para

as aulas, pois as reivindicações estão sendo

conversa que nós tivemos foi de realizar o

laboratório de licenciatura”. Pai de um aluno do Codap, o professor

reivindicar melhor estrutura de ensino e estudo

providenciadas. Os bebedouros já estão

processo de licitação para que os quadros de

dentro do colégio.

funcionando com água limpa e foi criada uma

vidro sejam instalados no Codap, e agora nós

comissão para acompanhar o andamento das

vamos trabalhar em cima disso”.

Na segunda-feira pela manhã, 07, pais, professores e alunos se reuniram em uma

demais reformas necessárias.

A mobilização empreendida envolveu

marcha que partiu do colégio em direção à

“O lema da nossa mobilização é

a participação da ADUFS, que contribuiu com a

reitoria, onde foi entregue ao chefe de gabinete

Somos UFS, queremos condições iguais, pois o

confecção das faixas, panfleto e com o texto da

do reitor uma carta com a pauta de

Codap foi esquecido nesse processo de

carta aberta, além de marcar presença na

reivindicações. Na carta, são citados os

reformas que a universidade está passando”,

marcha e assembleia.

problemas de infraestrutura e falta de manutenção que impedem a continuidade das aulas. No mesmo dia, houve repercussão do ato, pois a reitoria convidou a diretoria do colégio para a primeira conversa sobre a situação do Codap. Já na terça-feira, 08, o vice-reitor, professor André Maurício, foi até o colégio com representante da Coordenação Geral de Planejamento (Cogeplan) para averiguar os pontos da pauta. Na mesma manhã, ocorreu u m a a s s e m b l e i a e n t r e p r o fe s s o r e s e estudantes, momento decisivo para a elaboração de um documento para a reitoria com as solicitações da comunidade do Codap. “Nesse documento, nós solicitamos melhorias na estrutura física do colégio. Nós também queremos que uma das didáticas seja cedida a nós, para que possamos nos deslocar para lá enquanto as medidas de infraestrutura estão sendo realizadas aqui no colégio”, disse a

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Nº 10

H omenagem Prof. Luiz Alberto dos Santos Homenagem ao grande mestre e companheiro de lutas

O professor e militante Luiz Alberto

A n t r o p o l o g i a ; 1 9 9 0 - 1 9 9 2 – C h e fe d o

partiu do convívio de seus familiares e amigos.

Departamento de Ciências Sociais; 1993-1997 –

Sua condição de Conselheiro e de

Ele faleceu no dia 12 de abril, aos 63 anos, vítima

Diretor do Centro de Educação e Ciências

Presidente do Conselho Estadual de Educação,

de um câncer no intestino contra o qual lutava

Humanas; 2000-2004 – Pró-Reitor de Extensão e

nas gestões de 98-99 e 2001-2002, rendeu

formas de enxergar a sociedade”, afirmou.

desde fevereiro de 2013. A ADUFS seção

Assuntos Comunitários; Participou com

avanços consideráveis no setor educacional

s i n d i ca l l a m e nta o fa l e c i m e nto d e s s e

regularidade em Reuniões bi-anuais da ABA

sergipano. Muitos temas, como o da educação

companheiro de luta, esse ilustre sergipano que

(Associação Brasileira de Antropologia)

construiu um legado de conquistas para a

Luiz Alberto foi presidente por duas

especial, da educação à distância, da formação de professores, receberam do professor Luiz

vezes da ADUFS, cumprindo seu mandato no

Alberto um contributo claro, lúdico,

Luiz Alberto dos Santos nasceu em

período de 84 a 87. Após sua gestão, continuou

aprofundado pelas suas reflexões.

1950, de uma família do interior do Cumbe/SE,

atuante na associação, participando das

Na esfera política, foi presidente do PT

filho do comerciante Lindolfo Percilío dos

reuniões, assembleias e atos públicos,

municipal e estadual de 86 a 90. Também atuou

Santos da dona de casa Alda Andrade Santos.

contribuindo com a luta da classe trabalhadora.

educação e a classe docente.

como Secretário Municipal de Educação da

Cursou o ginásio e o científico no Colégio

O professor esteve envolvido em um

Barra dos Coqueiros de 2007-2009, Secretário

Estadual de Sergipe, o Atheneu. Graduou-se em

momento crucial na história política da ADUFS.

de Estado da Cultura e Sub-Secretário de Estado do Patrimônio Cultural (2009).

Serviço Social na UFS em 1972, e logo depois

Em 84, a classe trabalhadora instigava o

tornou-se especialista em Planejamento da

processo das “Diretas Já” e essa discussão

Dimensão Social do Desenvolvimento pela

contribuiu com a luta do Sindicato para a

merecidas homenagens: em 2001, a Medalha

UFPE, em 1976. Fez Mestrado em Educação na

concretização das eleições diretas para Reitor

do Mérito Cultural Ignácio Joaquim Barbosa, e

Fundação Getúlio Vargas no ano de 1983.

na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ainda

em 2011, o Galardão de Oficial da “Ordem do

Na UFS, Luiz Alberto exerceu intensa

em 84, a ADUFS trouxe para a UFS o militante

Mérito Aperipê”.

atividade acadêmica. Foi admitido por concurso

Luis Carlos Prestes, que no momento lançava o

Intelectual e poeta, ainda publicou

público de provas e títulos na disciplina

seu livro. Em debate realizado em 2012, o

“Enfieira de Motivos”, livro de versos. Luiz

Antropologia como Auxiliar de Ensino, no

professor Luiz disse que a vinda de Prestes

Alberto, um homem de mil qualidades que

Ao longo de sua trajetória, recebeu

Departamento de Ciências Psicológicas,

estava além de uma atividade pontual.

agora habita a memória de todos com quem um

Sociológicas e Antropológicas do Instituto de

“Trouxemos Prestes porque queríamos travar

dia conviveu.

Filosofia e Ciências Humanas da UFS em 1975.

um debate na universidade de que as coisas

*Com informações da Casa Cultural Careca e

De 1975 a 2006, ministrou com regularidade as

podem ser mudadas, de que existem outras

Camaradas e do Portal Infonet

disciplinas: Antropologia Cultural, Antropologia Econômica, Cultura Brasileira e Folclore. Também participou de bancas examinadoras de monografias de Bacharelado em Ciências Sociais e concursos públicos para Professor Auxiliar de Ensino e Professor Substituto. Proferiu com regularidade conferências e palestras. Ocupou diversas funções na universidade: 1975-1978 – Assessor/CECAC; 1980 – Subchefe do Departamento de Psicologia e Sociologia; 1989 – Diretor do Museu de

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J urídico

Boletim ADUFS

STF aprova Súmula vinculante nº 33 sobre aposentadoria especial de servidor público

O plenário do Supremo Tribunal

afastamento de maneira a preservar a saúde.

profissionais que estão expostas a agentes

Federal aprovou na quarta-feira, 09/04, por

Em relação ao servidor público,

químicos, físicos e biológicos, favorecendo

unanimidade, a Súmula Vinculante nº 33 que

vinculado ao Regime Próprio de Previdência

médicos, dentistas, engenheiros, entre outros,

trata das regras aplicáveis à aposentadoria

Social – RPPS, a aposentadoria especial

inclusive alguns professores, como os das áreas

especial dos servidores públicos na seguinte

encontra-se garantida pelo artigo 40, §4º, II e III

de Odontologia e Química.

redação: “Aplicam-se aos servidores públicos,

da Constituição Federal, no entanto, a falta de

As ações judiciais neste sentido

no que couber, as regras do regime geral de

lei complementar dispondo especificamente

discutem o direito à aposentadoria antecipada e

previdência social sobre aposentadoria especial

sobre a matéria fez com que os servidores

vários desdobramentos. Para os servidores em

de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso 3º

públicos em geral restassem prejudicados por

atividade, a depender do caso e interesse, isto

da Constituição Federal, até a edição de lei

longos anos acerca da possibilidade de gozar tal

pode possibilitar a condição de se aposentar,

complementar específica”, o que foi festejado

garantia, o que parece ter sido resolvido a partir

além do recebimento de valores pelos meses

por todos aqueles que lutam pelo direito do

da edição da Súmula Vinculante nº 33.

em que se foi necessário trabalhar e poderia já

servidor público.

A lei 8.213/91 que trata da

estar aposentado, ou, ainda, o direito ao abono

aposentadoria especial dos trabalhadores em

de permanência, para quem prefere continuar

constitucional assegurado àqueles que se

geral prevê que “a aposentadoria especial será

em atividade. Já os aposentados, podem

sujeitam a trabalho exercido “sob condições

devida, uma vez cumprida a carência exigida

também contar com a revisão de suas

especiais que prejudiquem a saúde ou a

nesta lei, ao segurado que tiver trabalhado

aposentadorias, de maneira a garantir, a

A aposentadoria especial é um direito

i nte g r i d a d e f í s i ca ” , ga ra nt i n d o - l h e s a

durante 15, 20 ou 25 anos, conforme a atividade

depender do caso, a permanência do direito à

possibilidade de aposentação antes dos demais.

profissional, sujeito a condições especiais que

paridade com os ativos e integralidade. Os

Após longo tempo de atuação numa mesma

prejudiquem a saúde ou a integridade física”,

pedidos para a concessão do benefício devem

atividade, sob essas circunstâncias especiais,

sendo que a Súmula Vinculante aprovada

ser analisados caso a caso.

em que o trabalhador está exposto a agentes

remete à aplicação de toda a lei, sem citar

químicos, físicos e biológicos que

artigos específicos.

comprometem a saúde, há necessidade de

Por Gabrielle Lobo Santiago, da Assessoria Jurídica ADUFS.

Isso se aplica a diversas categorias

Ponto eletrônico não é obrigatório para professores Em entrevista, a Assessora Jurídica da

reconhece que a atividade do professor é

agravo de instrumento perante o Tribunal

ADUFS, a advogada Gabrielle Lobo, aborda a

complexa e envolve não apenas ensino, mas

Regional Federal da 5ª Região, em Recife.

ação movida pelo Ministério Público Federal

também pesquisa e extensão. Apesar disso, o

ADUFS – Qual será a atuação da ADUFS nesse

(MPF) sobre o controle de jornada da atividade

MPF quer que a universidade seja obrigada a

processo?

docente. O processo pode ser consultado no

atender as recomendações estruturantes da

Gabrielle – Vamos entrar no processo como 3º

site da justiça federal (www.jfse.jus.br).

Controladoria Geral da União (CGU), que

interessado, porque podemos vir a ser

ADUFS – Sobre o que se trata a ação movida

apresenta dois núcleos principais: implantar um

prejudicados com essa decisão, para provar que

pelo MPF?

procedimento de controle de cumprimento da

o controle do trabalho que o professor realiza já

Gabrielle – Houve uma denúncia no MPF de

carga horária e de reposição de aulas não dadas.

é feito pela chefia imediata e pelos próprios

que um professor não estava cumprindo

O MP propôs a ação pedindo um tratamento

alunos. Se a lei diz que os professores estão

regularmente suas funções e então se iniciou

diferente para professores e técnicos: controle

dispensados do controle de jornada, a CGU não

um inquérito civil para apurar se a UFS estava

de ponto para os técnicos e as recomendações

pode agir criando um controle de jornada

fazendo controle efetivo dos professores. Esse

da CGU para os professores. A ação não aponta

disfarçado através dessas recomendações.

inquérito foi arquivado, porque não houve

controle de ponto para os professores.

nenhuma prova contra esse professor, mas o

A UFS respondeu a essa ação dizendo

Como é que o professor vai diariamente alimentar esse sistema? Isso vai

MPF reconheceu que UFS não tinha nenhum

que já cumpria o controle de jornada dos

inviabilizar até o próprio trabalho do professor,

controle rígido de horário dos servidores. Isso

servidores através do SIGRH, mas a UFS não

porque não é só a sala de aula, o professor tem

motivou o ajuizamento de uma Ação Civil

apresentou mais documentos, então o juiz da 3ª

que preparar a aula, corrigir prova e trabalho,

Pública de número 0004391-

Vara concluiu que a universidade não possui um

fazer pesquisa em campo. Na prática do

76.2013.4.05.8500 em tramite perante a 3ª

sistema eficaz de controle de frequência e

professor, isso é uma maneira de controlar a

determinou a implantação do ponto eletrônico

jornada. Vamos tentar provar que o sistema do

para os servidores e das recomendações da

SIGRH e SIGAA já é suficiente para dar

controle de freqüência para os professores da

CGU para os professores. A UFS recorreu da

publicidade ao que o professor faz.

carreira de Magistério Superior. A legislação

decisão e ainda não houve julgamento desse

Vara Federal de Aracaju. Porém, o Decreto 1867/96 dispensa o

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Nº 10

A rtigo O CALENDÁRIO DA PÓS-GRADUAÇÃO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE E A CULTURA LOCAL Após alguns anos sem ofertar a disciplina Estudos Culturais no Programa de Pós-Graduação em Letras, resolvi rever meu diálogo com os textos clássicos e atualizar a bibliografia. Os Estudos Culturais constituem-se em uma das mais significativas disciplinas de crescimento acadêmico em fins do século X X e princípios do século XXI. Apesar de, na origem, serem uma invenção britânica, em sua forma contemporânea se tornaram um fenômeno internacional. O projeto dos Estudos Culturais se insere num contexto mais amplo de lutar por uma sociedade mais democrática e igualitária. Talvez uma de suas maiores contribuições do ponto de vista da teoria cultural seja a incorporação da cultura popular como campo de estudos e pesquisas nas universidades. A vida das pessoas comuns não fazia parte do pensamento acadêmico tradicional, ignorando a própria vida, como disse certa vez Terry Eagleton. Outras contribuições podem ser lembradas, como a questão de gênero e sexualidade ou as teorias pós-coloniais. Entretanto, vou me restringir nesse artigo àquela primeira contribuição. Em meio ao longo debate sobre o tema, compartilho da proposta de Marilena Chauí, que entende cultura popular como expressão dos dominados, buscando as formas pelas quais a cultura dominante é aceita, interiorizada, reproduzida e transformada, tanto quanto as formas pelas quais é recusada, negada e afastada, implícita ou explicitamente, pelos dominados. O leitor mais inquieto pode se perguntar o que esse assunto tem a ver com o calendário da pós-graduação na Universidade Federal de Sergipe? Tudo a ver. Ao cadastrar as atividades da disciplina Estudos Culturais no S I G A A , fui surpreendido com a inclusão dos dias de São João (24 de junho) e da Emancipação Política de Sergipe (8 de julho) como dias letivos. Pensei haver algum equívoco e consultei a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, mas a resposta confirmou não

haver equívoco algum! Talvez um pouco de história possa desfazer esse mal entendido burocrático. As festas tradicionais do mês de junho eram eminentemente agrárias, cuja temporalidade era cíclica (tempo sazonal, tempo lunar, tempo do ciclo agrário). A data da festa de São João coincide com o solstício do verão, evento de mudança no percurso da órbita solar, com alterações na duração da luminosidade do dia e do calor, repercutindo por este motivo nos trabalhos agrícolas. Os povos primitivos, principalmente os europeus, estiveram sempre atentos a estas mudanças ocorridas nesta época do ano, atribuindolhes fatores mágico-religiosos. A festa do verão no Hemisfério Norte era o momento desses povos festejarem a fertilidade da terra, incluindo da própria humanidade. Nessa festa sempre esteve presente, desde tempos imemoriais, o FOGO. Além da ligação direta entre o sol - fonte de luz e do calor - e o fogo, se estabeleceu também uma identificação entre o fogo e o sexo. Podemos encontrar metáforas, objetos e símbolos do ciclo junino, a maioria relativa aos fogos, evocadoras do sexo, como a forma fálica e a nomenclatura adotada por fogueteiros, para seus produtos. Encontramos também práticas de adivinhação realizadas nas festas de São João - "Moças e rapazes tiravam sortes" -, que nos remetem, segundo Câmara Cascudo, às modalidades dos diversos oráculos da Antiguidade - Delfos, Diana, Sibilas e cultos solares praticados na Inglaterra, França e na Península Ibérica. Essas festas encontraram solo fértil para se desenvolverem no nordeste brasileiro, criando raízes populares bastante fecundas e profundas. Obviamente, modificaram-se ao longo da história e adaptaram-se aos novos tempos. Mesmo com o processo de globalização, há a resistência cultural de se manter a chama da tradição dos festejos juninos em Sergipe. O importante aqui é realçar que a tradição pode ser pensada como um espaço vital da cultura por enfatizar que ela

tem pouco a ver com a mera persistência das velhas formas, mas está relacionada às formas de associação e articulação dos elementos que podem ser incorporados ou não a ela. Daí o caráter histórico e processual das identidades locais e regionais que persistem e se (re)inventam dentro da nova cultura global. Afinal de contas, para além da visão conformista da cultura popular, a força das festas juninas em terras sergipanas mostra como o campo da cultura é um campo de batalha permanente, onde não se obtém vitórias definitivas, mas há sempre posições estratégicas a serem conquistadas ou perdidas. Nesse sentido, a universidade tem a obrigação de dialogar com a cultura popular, não se comportando de forma n egat iva co m a p ro d u çã o c u lt u ra l subalterna. Isso não apenas por meio de pesquisas histórico-antropológicas, mas também construindo um calendário acadêmico adequado à cultura local. Pergunto aos leitores quais os estudantes comparecerão na aula do dia 24 de junho próximo? Sobre o outro feriado local, não me alongarei, pois penso que a saudosa professora Maria Thétis Nunes escreveu artigos suficientes para que os leitores conheçam um pouco da história de Sergipe. Minha esperança é que aqueles que fizeram o calendário da pós-graduação na Universidade Federal de Sergipe também o façam. Prof. Dr. Antônio Fernando de Araújo Sá Departamento de História Universidade Federal de Sergipe

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S indicato Moções de apoio e de repúdio da ADUFS

CONSU Os docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), reunidos em Assembleia Geral realizada no dia 10 de abril de 2014, manifestam seu repúdio à forma como a Reitoria desta instituição juntamente com o Conselho Superior (CONSU) aprovaram o Relatório Anual de Atividades da Auditoria Interna, em Reunião Ordinária do CONSU realizada em 24 de março de 2014, sem que os conselheiros tivessem conhecimento prévio do resultado da auditoria e do teor do texto do relatório que estava sendo aprovado. Aprovar um documento construído com base no constrangimento a professores e técnicos administrativos em seu local de trabalho, tendo sido os mesmos tratados de forma desrespeitosa pelos responsáveis pela referida auditoria e expostos a situação constrangedora frente aos alunos desta instituição, é ser conivente com a institucionalização destas práticas. É lamentável que os anos passem, as administrações se sucedam, e as mesmas velhas práticas continuem se perpetuando na UFS.

GREVE DOS TÉCNICOS Os docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), reunidos em Assembleia Geral realizada no dia 10 de abril de 2014, aprovam a presente Moção de Apoio à greve dos servidores técnico-administrativos da UFS, deflagrada no último dia 26 de março de 2014, por entender a justeza das reivindicações por melhores condições de trabalho e valorização da carreira, para que assim se possa vencer o desafio de expandir o ensino, a pesquisa e a extensão, mas também qualificar continuadamente a UFS, garantindo seu papel social. CODAP Os docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), reunidos em Assembleia Geral realizada no dia 10 de abril de 2014, aprovam a presente Moção de Apoio às manifestações dos professores, técnico-administrativos, estudantes e pais de alunos do Colégio de Aplicação (CODAP) por melhores condições de trabalho com vistas a garantir que o CODAP-UFS continue a ser referência na qualidade de ensino.

Agenda de mobilização A Comissão de Mobilização da ADUFS, rea vada na assembleia do dia 10 de abril, organizou uma agenda de a vidades para os próximos dias. Confira: 23 de abril – A vidades da Comissão de Mobilização em Itabaiana e Laranjeiras

Agenda do ANDES-SN

28 de abril - 14h: Reunião da Comissão de Mobilização

- Dias 26 e 27 de abril – Reunião do Setor das IFES, em Brasília, incluindo na pauta a deliberação da greve nacional dos docentes das IFE 2014, com indicação de período e da relação com a greve das demais categorias.

30 de abril - 09h: Assembleia Geral

- Dia 1 maio – Dia do Trabalhador com atos nos Estados.

1 de maio - Programação do Dia do Trabalhador junto a CSPConlutas

- Dia 7 de maio – Marcha a Brasília dos SPF.

7 de maio - 09h: Debate: Assédio Moral na UFS

- Dia 15 de maio – Dia Nacional de Luta contra as remoções da Copa.

26 e 27 de abril: Reunião do Setor das IFES


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