Boletim Adunifesp # 7 [12.nov.2010]
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Associação dos Docentes da Universidade Federal de São Paulo Seção Sindical do Andes-SN
Paralisação reivindica expansão com qualidade As paralisações de docentes e estudantes em Santos e de estudantes em Guarulhos demonstram que já é hora de o processo de expansão da Unifesp tomar outro rumo. Entre as reivindicações, condições de trabalho e educação, infraestrutura adequada e políticas consistentes de permanência estudantil. As aulas estão 100% paradas na Baixada desde 6 de outubro e em Guarulhos desde 21 do mesmo mês. Além disso, os professores e técnicos de Santos estão bastante mobilizados. Em São Paulo, Diadema e São José dos Campos, alunos vêm participando do movimento, solidários com os estudantes em greve, mas sem paralisação. Uma plenária com 60 professores da Baixada, realizada em 4 de novembro, decidiu pelo estado de assembleia permanente e organizou diversas comissões de trabalho. Já em reunião no dia 10, foi aprovada a paralisação dos docentes – com a exceção de algumas atividades – a partir do dia 16. “Essa deliberação deve-se à insatisfação generalizada com as condições de trabalho, de funcionamento e de gestão da Universidade
Federal de São Paulo, que vêm se perpetuando desde a implantação desse campus, em 2006”, afirma uma carta dos docentes à Comunidade. O curso de Educação Física é o que vive a situação mais crítica na Baixada Santista. Apesar de a primeira turma ter se graduado em 2009, parte importante dos equipamentos, como quadras e piscina, não existe, o que tem causado evasão de alunos e professores. Segundo um docente, quatro colegas já saíram e vários outros podem seguir o mesmo caminho. Eles reivindicam a assinatura de um convênio com uma instituição de São Vicente, o Sest/Senat, para a realização das aulas práticas em um espaço físico naquela cidade. As negociações entre docentes e a administração universitária já começaram e discutem condições de trabalho, infraestrutura e permanência estudantil. Um documento com pautas emergenciais foi apresentado à Reitoria e reivindica, entre outras coisas: a entrega dos Blocos I e II do campus definitivo e uma auditoria nessa obra; a resolução dos impasses
Assembleia Geral dos Estudantes (28.out)
para a construção do Bloco III; transporte gratuito entre os atuais prédios alugados; um programa de alimentação subsidiada e a construção de um restaurante universitário; moradia estudantil; serviço de creche; e ampliação de auxílios financeiros aos estudantes. O documento completo pode ser lido no site da Adunifesp. No dia 4, em reunião com o reitor Walter Albertoni, a Adunifesp apresentou e apoiou as demandas dos docentes de Santos. Em conjunto com o Conselho de Entidades, a Associação também participou de outra reunião com a Reitoria, no dia 10, apresentando uma pauta unificada das categorias. O reitor se comprometeu a responder até o dia 17 e a estabelecer mesas de negociação, além de um canal de comunicação permanente com as entidades. Nesta reunião, ele informou que algumas das reivindicações já estavam sendo encaminhadas, como a questão dos transportes em Santos e Guarulhos, a abertura de licitação do restaurante universitário em Santos e a entrega do cam-
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Docentes reunidos em Santos (3.nov)
editorial
Hosp. São Paulo e o contrato de gestão O debate realizado pelo Conselho de Entidades e pela Reitoria da Unifesp, em 8 de setembro, marcou um momento importante e democrático de nossa Instituição. Quase 150 pessoas lotaram o Auditório Lemos Torres interessados no futuro do Hospital São Paulo e na minuta de contrato de gestão entre a SPDM – sua mantenedora – e a universidade. Tal proposta tenta solucionar o histórico problema de relação público-privado entre o Hospital-Escola e a Unifesp, e responder às demandas de órgãos de controle da gestão pública, como a CGU e o TCU. A Adunifesp, em conjunto com o Conselho de Entidades, continua defendendo a bandeira histórica de federalização do HSP, porém não pode se omitir nesse momento de mudanças significativas. Durante o debate e em audiência com o reitor, em 1 de outubro, propusemos que a comissão que elabora o plano de trabalho do contrato seja ampliada, com a inclusão de dois representantes de cada categoria, para democratizar o processo. A proposta foi aceita pela Reitoria e pela Direção do HSP, mas não foi formalizada até o momento. É fundamental que este processo seja contemplado com uma ampla participação e que a universidade escolha democraticamente o melhor caminho para o seu Hospital-Escola. Desta forma, já manifestamos nossa preocupação no sentido da elaboração de propostas que melhorem a qualidade do atendimento, o desenvolvimento de ensino e pesquisa, a transparência no uso dos recursos públicos e, principalmente, que não prejudiquem, de maneira alguma, os trabalhadores técnico-administrativos.
Farmacologia 40 anos A Farmacologia comemorou seus 40 anos relembrando sua história e debatendo os principais dilemas da pós-graduação no Brasil. O departamento é um dos mais importantes do país, desenvolvendo algumas das mais relevantes pesquisas na área e formando profissionais para todas as regiões. A professora Soraya Smaili, coordenadora do Programa de Pós em Farmacologia, elogiou a qualidade do seminário e propôs a produção de um histórico detalhado do programa e a reedição dos livros do professor Ribeiro do Valle, fundador da EPM, dos Departamentos de Bioquímica e Farmacologia e do Programa de Pós-Graduação. Foi proposta também a realização de trabalho histórico sobre a vida e a obra dele na Unifesp e sua enorme contribuição para a ciência brasileira. Um dos painéis debateu especificamente os atuais dilemas da pós. Vários participantes questionaram o atual excesso de produtivismo acadêmico. “Até que ponto é possível formar com qualidade cientistas, se os critérios de avaliação são baseados em números?”, afirmou um. “Um ótimo projeto de extensão sempre vai ser menos valorizado do que a quantidade de ‘papers’ produzidos”, contestou outro. A falta de incentivos aos pós-graduandos também foi criticada, e o valor da bolsa de mestrado – 1100 reais líquidos – virou motivo de risadas quando um participante questionou “um estudante de pós não pode casar e ter filhos?”.
André Cardoso, da APG, e os professores Soraya Smaili e Ruy Campos
Expediente Adunifesp SSind. - Associação dos Docentes da Universidade Federal de São Paulo Gestão 2009-2011: Maria José da Silva Fernandes (presidente), Soraya Smaili (vice-presidente), João Fernando Marcolan (secretário-geral), Francisco Lacaz (1º secretário), Zelita Caldeira Guedes (tesoureira geral), Raquel de Aguiar Furuie (1ª tesoureira), Eliana Rodrigues (imprensa e comunicação), Alice Teixeira Ferreira (relações sindicais, jurídicas e defesa profissional), Ieda Verreschi (política universitária) e Maria das Graças Barreto da Silva (política sociocultural). Virginia Junqueira (campus baixada santista), Vera Silveira (campus diadema), Carlos Alberto Bello e Silva (campus guarulhos) Rua Napoleão de Barros, 841. São Paulo - SP. CEP 04024-002. Telefone/fax: (11) 5549-2501 e (11) 5572-1776 E-mail: secretaria@adunifesp.org.br Página na internet: www.adunifesp.org.br Boletim Adunifesp Jornalista responsável: Rodrigo Valente (MTB 39616) Projeto gráfico e diagramação: D. Nikolaídis
Greve estudantil em GRU e BS continuação da p. 1 pus definitivo da Baixada em junho de 2011. Por último, foi marcada uma mesa de negociações em Santos, com a presença do próprio Albertoni, para 18 de novembro. Assim como a Baixada Santista, Guarulhos também vive enormes dificuldades. Durante a última assembleia geral dos estudantes, um discente do campus afirmou que “no curso de Ciências Sociais, dos cem alunos que ingressaram há quatro anos, hoje são 60 e apenas 16 vão se formar agora”. Reuniões entre os discentes e representantes da Direção do Campus e da Reitoria já estão acontecendo, tendo em pauta temas como a construção do prédio próprio a partir de janeiro, a reforma do bandejão, moradia estudantil e a viabilização de um transporte adequado da capital até o campus. Reunindo estudantes de todos os campi, foram realizadas duas Assembleias Gerais em São Paulo. A presença de cerca de 400 alunos em cada uma delas demonstra o forte descontentamento com o processo de expansão. Na última, em 9 de novembro, uma pauta estudantil unificada foi aprovada e entregue em mãos ao reitor Walter
Albertoni. O documento reivindica entre outros pontos: conclusão das obras da expansão; restaurantes e moradias universitárias nos cinco campi; contratação de professores e servidores; assistência social e à saúde; e políticas de permanência estudantil adequadas. Os discentes esperam uma contraproposta da Reitoria para o dia 17 e realizam outra assembleia geral no dia seguinte. As mobilizações também foram marcadas por episódios de repressão inaceitáveis. Por duas vezes, alunos da Unifesp foram agredidos por policiais durante manifestações. No dia 10, quando os estudantes tentavam entregar sua pauta unificada ao reitor, foram impedidos por policiais militares de entrar na Instituição. Após certo empurraempurra, os policiais jogaram gás de pimenta nos discentes, ferindo vários deles. Já no dia 21 de outubro, após a assembleia que decretou a greve em Guarulhos, estudantes foram agredidos pela Guarda Civil Metropolitana ao tentar entrar e comunicar a deliberação a colegas, em uma escola onde ocorrem parte das aulas do campus. Em nota aprovada por sua Diretoria, a Adunifesp manifestou apoio às mobilizações estudantis, além de repudiar os episódios de violência contra os discentes.
Sintunifesp realiza congresso “Universidade Cidadã com Dignidade e Respeito” foi o título do VII Congresso do Sintunifesp, realizado entre 24 e 26 de agosto, no Campus da Vila Clementino. O evento elaborou um plano de lutas para os próximos dois anos, fez uma avaliação política da atual gestão e aprovou sua prestação de contas. Além disso, organizou mesas de debates sobre saúde do trabalhador, direitos dos aposentados, assédio moral e conjuntura nacional e internacional. O sindicato realiza eleições e renova a sua diretoria agora em novembro.
Enfermagem completa 70 anos O lançamento do livro “Memórias do Cuidar” marcou a comemoração dos 70 anos da Escola Paulista de Enfermagem, no dia 05 de outubro. Mais de cem pessoas lotaram o anfiteatro do departamento – inaugurado na ocasião – para prestigiar a Escola e homenagear docentes do departamento. A publicação foi lançada pela Editora Unifesp e organizada pelos professores da Instituição, Márcia Barbieri e Jaime Rodrigues. Juntamente com a EPM, a Enfermagem tornou-se uma das duas unidades universitárias que compõem o Campus de São Paulo, após a reforma do Estatuto.
democracia
Protesto marca posse do Conselho Universitário Mais de 200 estudantes, principalmente dos campi de Santos e Guarulhos, protestaram contra a atual situação da expansão da Unifesp, durante o ato de
posse do novo Conselho Universitário, dia 22 de outubro. A cerimônia contou com a presença da secretária de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari, que recebeu a medalha da Instituição. Este é o primeiro Consu que assume após a reforma do Estatuto. Infelizmente, a participação da comunidade foi baixa na eleição dos Conselhos Centrais, com uma abstenção de 91%. A posse também foi marcada pelo discurso do Conselho de Entidades, único que fez críticas ao processo de expansão e a outros problemas da Instituição. O documento foi lido pelo estudante Klaus Ficher, do DCE, que lamentou o tempo limitado e criticou o resultado da reforma do Estatuto. “Infelizmente, não alcançamos a maior parte dos nossos objetivos. A questão da de-
mocracia na gestão desta universidade ainda é bastante restrita”, afirmou. As falas dos diretores de campi e dos pró-reitores apenas exaltaram os méritos da Unifesp. Durante o discurso, um dos diretores chegou a ser vaiado pelos manifestantes. Os estudantes pediram a palavra, querendo discutir a atual situação de crise, mas o reitor negou. “O protesto mostra uma universidade viva, mas não concordo com o método”, afirmou. O novo pró-reitor de Assuntos Estudantis, professor Luiz Leduíno, que assume o cargo em plena crise, reconheceu as dificuldades. Ele apelou para que os manifestantes ficassem no auditório para ouvir sua fala, mas como o reitor negou a palavra aos estudantes, todos se retiraram em protesto. Em seu pronunciamento, Leduíno se comprometeu a implementar moradias em todos os campi e a solucionar outros
problemas. Após a cerimônia, um coquetel inaugurou o novo prédio da Reitoria, na Avenida Sena Madureira, 1500, também marcado pelo protesto dos discentes, que foram barrados na entrada.
Notas Prof. Carlini é homenageado
Retrocessos na permanência
Regimento da Unifesp
O Conselho Universitário da UFPB concedeu título de Doutor Honoris Causa ao professor Elisaldo Carlini, por sua trajetória acadêmico-científica e sua importante contribuição para o Laboratório de Tecnologia Farmacêutica daquela instituição. A cerimônia de entrega aconteceu em 14 de setembro, em João Pessoa, durante a solenidade de abertura do XXI Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil. O professor Carlini pertence ao Departamento de Biofísica do curso de Medicina da Unifesp e já foi diretor e vice-presidente da Adunifesp.
Dois retrocessos na permanência estudantil foram anunciados nas últimas semanas. Com anuência da Reitoria, o bandejão da Vila Clementino cortou o subsídio dos pós-graduandos, que agora pagam o dobro dos graduandos. Já os residentes podem perder 30 vagas de moradia universitária, pois a Instituição pretende construir no local do alojamento masculino o Edifício de Pesquisas III. A APG e a Amerepam – entidades representativas das duas categorias – se mobilizaram contra tais medidas e conseguiram abrir uma negociação para não perderem esses direitos.
Apesar de as discussões sobre o Regimento estarem lentas e com pouca participação, o presidente da comissão sobre o tema, Ricardo Smith, afirmou que a Reitoria quer votar parte do documento – que trata da composição dos Conselhos de Campi e Congregações – ainda este ano. Assim, a Reitoria pretende realizar no começo de 2011 eleições para estes órgãos e para diretores de Campi e de Unidades. A Adunifesp considera fundamental que o Regimento seja debatido em um fórum reunindo os campi. O assunto está na pauta da Assembleia Geral dos Docentes, em 25 de novembro.