Jornal Escolar do CEJA Nova Friburgo

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Afinal Número Um

Jornal Escolar do CEJA Nova Friburgo

2° Semestre de 2021

Paulo 100 Freire anos

Afinal, Quem Foi Paulo Freire? Paulo Freire foi um pensador e “fazedor” da Educa-

Foi assim que nasceu a edição número 1 do Jornal

ção, sendo legitimamente reconhecido como o Pa-

Escolar AF INAL. Um projeto pedagógico realizado

trono da Educação Brasileira. Para ele, educar é o

a partir da seleção de textos produzidos pelos pró-

ato de transformar um indivíduo em um cidadão

prios alunos, durante o estudo da disciplina de So-

com capacidade de análise e interferência em sua

ciologia, através da Plataforma CEJA Virtual, no

própria realidade, e para além de-

segundo semestre deste ano. Com

la. Suas obras pedagógicas, práti-

base nas experiências vividas e

cas e educativas continuam sendo

adotando um olhar crítico sobre a

referência para diversos sistemas

realidade social, política e econô-

educacionais em vários países do

mica brasileira, os estudantes saí-

mundo.

ram do papel passivo de leitor pa-

Compartilhando dos ideais do edu-

ra um papel ativo de autor.

cador Paulo Freire, que destaca o

Parabenizamos aos professores e

papel fundamental da Educação como instrumento

estudantes envolvidos na criação e no desenvolvi-

de emancipação dos alunos, o CEJA Nova Friburgo,

mento do jornal AF INAL e convidamos toda a co-

uma instituição educacional pública voltada à edu-

munidade escolar à leitura!

cação de jovens e adultos que estejam em situação

Recordando um dos inestimáveis preceitos do mes-

de desfasamento da idade-série, nas suas práticas

tre Paulo Freire, “ensinar não é transferir conheci-

pedagógicas, vem orientando seus alunos a refleti-

mento, mas criar as possibilidades para a sua pró-

rem sobre a realidade social do nosso país.

pria produção ou a sua construção.”


É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.

Conhecendo Para Transformar A presença do Estado na vida do cidadão é imprescindível para o desenvolvimento da sociedade. É importante lembrar que é o papel do Estado oferecer e garantir à população serviços básicos e fundamentais para se ter uma vida digna, promovendo a ordem na sociedade. Portanto, podemos concluir que a presença do Estado deve ser realizada no sentido de concretizar as políticas públicas e adotar medidas melhores, visando assegurar o pleno exercício dos direitos humanos que cabem a cada cidadão. Conforme o artigo 5° da Constituição Federal de 1988, que determina a igualdade para todos, sem distinções de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros, que residem no país,

A Esperança de um Futuro Melhor Vivemos em um país onde a educação não é levada a sério e nem respeitada como deveria. Estudar não é só o conhecimento das matérias, mas também um conhecimento sobre a nossa vida na sociedade, pois a educação é o que nos traz esperança de um futuro melhor. A educação é ponto principal para nos tornarmos bons cidadãos. Cada vez mais vemos crianças e jovens saindo das escolas, muitos abandonam por falta de estímulo em casa, mas também dos governantes que não oferecem uma boa educação, não oferecem os materiais necessários e não dão estímulos e nem projetos para nossas crianças e também a muitos que saem das escolas para trabalhar e ajudar seus pais, que estão sem renda ou não têm um salário digno para sustentar suas famílias. Sem a Educação, o país perde mão de obra qualificada, pois há cada vez menos jovens investindo em faculdades e cursos profissionalizantes, ficando sempre à margem dos empregos, com salários baixos, gerando assim uma bola de neve, que passa de geração em geração. A Educação é um dos direitos sociais mais importantes e deveria ser tratada como tal, oferecendo uma educação de qualidade, bons salários aos professores, afinal são eles que formam todas as outras profissões. Que os alunos tenham mais cursos, atividades extras escolares, faculdades públicas e vagas para quem não tem condições de pagar, e assim ajudar mais jovens a entrar no mercado de trabalho. Kesia Borher de Melo, concluinte do Ensino Médio.

uma certa estabilidade. Porém, os problemas não são as leis criadas ou até mesmo a regulamentação e a fiscalização, mas o cumprimento das leis que privilegiam aqueles que possuem boas condições financeiras e persegue os que têm poucas. Ou seja, o modo desigual com que essas leis são aplicadas, faz com que o Estado perca seu sentido e dever, deixando de lado a sua finalidade. Podemos citar como exemplo, o momento que estamos vivenciando atualmente no mundo, no qual o Estado se mostra de grande importância em nossas vidas, através das instituições de saúde, que deveriam garantir um acesso igual a todos os cidadãos, mas infelizmente não foi isso que observamos durante esses meses. Pelo contrário, nos deparamos com a má organização dos governantes que não deram a devida importância a este vírus, o tratando como ''uma simples gripezinha'' e como consequência milhares de vidas foram perdidas. Por isso, é nosso dever enquanto cidadãos, zelarmos para que os nossos direitos sejam aplicados e garantidos de forma igualitária, por meio de eleições mais conscientes. Maicon Orlando Serafim, estudante do Ensino Médio

A libertação através da educação é um esforço coletivo.


Correntes Invisíveis Atualmente, existem em nossa sociedade pessoas condicionadas à escravidão, vivendo em condições de trabalho totalmente precárias. Essas pessoas saem do interior de suas cidades em busca de uma vida melhor nas grandes cidades achando que dessa forma conseguirão melhores oportunidades de trabalho. Na maioria das vezes, elas querem apenas proporcionar às suas famílias melhores condições de vida, e infelizmente acabam sendo enganadas e exploradas. Parece até mentira dizer que ainda existe escravidão num mundo tão globalizado como o que vivemos hoje, mostrando que a Lei Áurea assinada no dia 13 de maio de 1888 em nada adiantou. No entanto, atualmente persistem várias situações que mantém o trabalhador cada vez mais acorrentado a seus patrões. Contudo, são correntes invisíveis aos olhos, como por exemplo, através de ameaças, pressões psicológicas, contratos firmados, extensas horas de trabalho, etc. Esses tipos de escravidão, que muitas das vezes são imperceptíveis aos olhos do próprio trabalhador, que o impedem de tentar sair dessas condições miseráveis de trabalho e por medo acabam ficando ali num ciclo sem fim de trabalho, ganhando muito pouco por isso.

Mas Por Que Isso Acontece? Toda população tem o direito à moradia, mas infelizmente, essa não é a realidade atual, com a estimativa de 101 mil moradores de rua, apenas no Brasil. Mesmo com a quantidade exorbitante de moradores de rua, temos muitos imóveis abandonados, dos quais os "sem-teto" não podem usufruir, pois seriam expulsos e considerados inimigos e "sujos". Mas por que isso acontece? A resposta é que, infelizmente, pela falta de estudos da população e má gestão governamental, pessoas em situação de rua não recebem a ajuda necessária. Muitas vezes, por preconceito ou simplesmente porque para o governo, essas pessoas não importam, por não serem ativas na sociedade.

rantindo a ele uma certa experiência. Além disso, é preciso mais fiscalização, para evitar que o trabalho escravo continue crescendo e para que diminua.

O ideal seria construir abrigos para moradores de rua, com roupas e comida. Ceder espaços que estão abandonados, e também, criar políticas que evitem que as pessoas fiquem desempregadas e cheguem a essas condições. Políticas públicas voltadas para tirar essas pessoas da rua seriam extremamente importantes. E isso só vai acontecer quando o governo e a população pararem de ver os moradores de rua como um incômodo para os olhos, e sim como pessoas dignas de ajuda. O que realmente vem acontecendo é uma política de "limpeza", que torna lugares públicos hostis, para evitar que pessoas de rua sequer tenham onde dormir. É dever da população garantir que o governo faça seu trabalho corretamente e providencie moradia para todos.

Miucha Dutra Serafim, concluinte do Ensino Médio

Julia Montechiari Ferreira, concluinte do Ensino Médio

Para que esse ciclo do trabalho escravo no Brasil se rompa, é necessário que o estado e a sociedade trabalhem juntos através de campanhas que informem como proceder nessas situações, incentivando e abrindo novas oportunidades de profissões e de educação, oferecendo aos mais jovens boas oportunidades para ingressarem em seu primeiro emprego. Como é o caso do programa “Jovem Aprendiz”, que ajuda o jovem a se qualificar em uma profissão, ga-

Amar é um ato de coragem!


Todos Devem ter o Direito a Uma Vida Digna Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no nosso país há 2,4 milhões de crianças e adolescentes que são vítimas de exploração no trabalho. Devemos ficar indignados quando imaginamos essa quantidade de jovens e crianças fora da escola e sem oportunidade para um futuro melhor.

Que a Gente Possa Aprender!

Os conselhos tutelares e órgãos de fiscalização do Brasil vêm marcando consideravelmente para que a diminuição desse contingente se reduza, mas mesmo com todo esforço, o país não vai alcançar o compromisso feito com a ONU, de erradicar totalmente o trabalho infantil até o ano de 2025.

Atualmente, verificamos que, cada vez mais, as pessoas colocam sua felicidade e satisfação na compra de produtos melhores e mais modernos. Consequência disso, é o aumento desenfreado de pessoas insatisfeitas com suas vidas e conquistas, pois acreditam que só poderão ser felizes e realizadas quando conseguirem adquirir produtos mais modernos e mais caros.

A maioria dos trabalhadores infantis hoje tem entre 14 e 18 anos e vão abandonando gradativamente os estudos para se envolver em atividades informais como por exemplo, trabalhar nos campos e lavouras e a grande maioria vai ser um adulto que exercerá um trabalho precário. Com a baixa escolaridade, quando adultos, eles tendem a ocupar postos inferiores, sem direitos garantidos e uma baixa remuneração.

Estamos vivendo em um tempo em que está sendo deixado de lado o lazer, bem-estar, pois os produtos estão cada vez mais caros e, por isso, a pessoa se sente na obrigação de aumentar cada vez sua carga de trabalho para ter dinheiro suficiente para comprar algo que, muitas das vezes, é supérfluo, como, por exemplo, celular do ano, carro do ano, dentre outros.

Todas as crianças e adolescentes devem ter o direito de viver com suas famílias dignamente, frequentar a escola, para ter uma formação completa, para que seja um adulto com condições de assumir cargos importantes e bons salários, ou seja, uma vida correta e plena.

Com a pandemia que estamos vivendo, é possível notar que não precisamos de muito para viver e ser feliz. O principal é: saúde! Que a gente possa aprender com tudo isso e passe, de fato, a valorizar o que realmente é essencial.

Como exemplo, eu menciono a minha experiência de vida, que com 16 anos e cursando a sétima série, tive que abandonar os estudos para casar, em 1980. Trabalhei desde então até 1983, quando tive o meu primeiro filho e passei a me dedicar aos serviços domésticos. Em 1987, tive minha filha, hoje doutora em Química, formada na UENF de Campos. Em 1998, eu tive meu terceiro filho, hoje com 22 anos, faltando pouco para se formar em arquitetura e urbanismo. Voltei a estudar em 2019 e conclui o ensino fundamental. Em 2020, eu cursaria o ensino médio, mas não tinha acesso ao estudo online. Com a pandemia, eu comprei um computador novo para o meu filho e hoje estou usando o antigo equipamento dele para poder estudar online, em 2021.

Neide-Nar Moreira da Mota, concluinte do Ensino Médio

Luzia França Rocha, concluinte do Ensino Médio.

O ser humano está se deixando levar por bens materiais e esquecendo o principal: os momentos de lazer com a família e uma vida com saúde, vindo a adoecer diante da extrema necessidade de querer ter cada vez mais. Por essa razão, se faz necessário, cada dia mais, serem levantadas pautas sobre a conscientização da nossa saúde mental, física e bem-estar, valorizando mais a família e o hoje.

AFINAL - Número Um Expediente: Produção Gráfica: Professor Almir G. de Oliveira. Colaboradores: Professores Alexandre Frez Pinto e Luiz Gonzaga Salarini. Tiragem: 100 exemplares (1ª impressão)

CEJA Nova Friburgo Centro de Educação de Jovens e Adultos Direção Geral: Luciane de Oliveira Souza Direção Adjunta: Susana Cividanis Patueli Conselho Editorial: Luciane de Oliveira Souza, Susana Cividanis e Almir Gomes de Oliveira.


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