Concepções de arte pública e de museu na experiência da Unidade Experimental do Museu de Arte Modern

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“arte pública” como caráter efêmero, encontrada na forma de programas e similares, considerada pela literatura pesquisada como public art surgida nos Estados Unidos, nos anos 1960. Para Sanches (2018, p.22), pode-se dizer que esse termo – public art – ressurgiu a fim de retratar uma mudança de paradigma que ocorreu no decurso da segunda metade do século XX, que visava contestar o caráter sacralizado dos museus e criar oposição ao sistema da arte. Conforme a pesquisadora Pilar Sanches (2018, p.22), atualmente, “arte pública” um conceito que abrange uma multiplicidade de trabalhos artísticos que, no geral, se voltam para o público, e é devido a essa interação peculiar que nos dias de hoje a denominamos como arte pública contemporânea. Na análise de Herzog (2012, p.30) da arquitetura moderna, a arte pública contemporânea herdou o desejo de ação política e a capacidade de reinvenção do espaço urbano. Segundo a pesquisadora, toda manifestação artística no espaço público produz uma discussão política, ainda que esta não tenha sido a intenção do artista. Assim, entre a manifestação artística espontânea e a colocação de monumentos, a arte pública deve ser entendida como uma forma alternativa de apropriação da cidade. Nesse contexto, o termo arte pública contemporânea ressurge também para denominar obras de artistas interessados por espaços não convencionais – fora das galerias e museus – que permitissem acesso ao público e, por essa razão, tamb m são chamadas de “arte pública”.

1.3 Arte Extramuros A hipótese levantada, inicialmente, nesta presente pesquisa busca compreender a expansão da atuação artística em grandes centros urbanos no Brasil, a partir de meados da década de 1960 e início dos anos 1970, quando emerge a arte extramuros conforme aponta a pesquisadora Sylvia Furegatti (2013, p.81), que visa criar e produzir uma arte pública, permanente ou efêmera, que procura integrar a educação, a arte e resistência aos distintos espaços públicos do Rio de Janeiro e São Paulo. Para a Sylvia Furegatti (2013, p.81) esta é, sem dúvida, a maior preocupação das formas de Arte Pública efetivadas na atualidade, sendo uma expressão poética que transborda da instituição para o entorno visando alcançar renovação de seus próprios códigos, dando maior visibilidade, democracia, participação e interação pública a qual, se acreditava, deveria ser para além dos visitantes usuais do museu tradicional.


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REFERÊNCIAS

21min
pages 193-204

3.5 Curtir o MAM (1973

7min
pages 181-184

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

14min
pages 185-192

3.7 Atividade/Criatividade (1971

6min
pages 171-173

3.7 Circumambulatio (1972

6min
pages 174-180

3.6 O Curso Popular de Arte (1969 - 1972

1min
page 170

3.5 Domingos da Criação (1971

6min
pages 167-169

3.4 Plano-piloto da futura cidade lúdica

6min
pages 164-166

2.8 JAC - Jovem Arte Contemporânea (1973

9min
pages 144-150

2.7 Playgrounds (1969

7min
pages 134-143

3.3 Um laboratório de vanguarda

3min
pages 162-163

3. A UNIDADE EXPERIMENTAL

3min
pages 151-153

3.1 Histórico

14min
pages 154-160

2.6 Arte no Aterro: um mês de arte pública (1968

21min
pages 122-133

3.2 Objetivos

1min
page 161

2.4 Ações participativas: a virada neoconcreta

16min
pages 110-119

2.5 Intervenções Didáticas

4min
pages 120-121

2.3 O experimental em questão

4min
pages 108-109

2.1.1 O Governo Militar e o panorama cultural no Brasil

6min
pages 87-89

2.2 O Experimentalismo Neoconcreto

6min
pages 105-107

2.1.2 As Artes Plásticas e a Ditadura Civil-militar no Brasil

13min
pages 90-104

2.1 História pública e furor de arquivo

14min
pages 80-86

BRASILEIRO

1min
page 79

1.4 Sobre a definição de museu e a nova museologia

1hr
pages 43-72

1. CONCEPÇÕES DE ARTE PÚBLICA E DE MUSEU

2min
page 30

1.1 Arte pública

16min
pages 31-38

a arte popular

10min
pages 73-78

1.2 Arte pública contemporânea

2min
page 39

INTRODUÇÃO

22min
pages 18-29

1.3 Arte extramuros

5min
pages 40-42

5 “O museu levado ao povo”: A política cultural brasileira entre a arte de elite e

1min
page 11
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