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//maria eduarda lima
arq+urb
FORMAÇÃO
GRADUAÇÃO (CURSANDO 9°FASE)
ARQUITETURA E URBANISMO//UFSC 2015-2016 - CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS
LANDSCAPE DESIGN//CORVINUS UNIVERSITY BUDAPEST
INTERESSES “Tenho 25 anos, nasci no interior de São Paulo e moro em Florianópolis desde 2011. Sou apaixonada pela cultura brasileira, por música, pessoas e cidades”
MARIA EDUARDA LIMA
ARQUITETURA E URBANISMO duda.lima1501@gmail.com (48)9-9971-5031
urban SKETCHING//música popular brasileira//direito à cidade//espaço público// patrimônio histórico//placemaking//ciências sociais
HABILIDADES
PROGRAMAS CRIATIVIDADE
AUTOCAD
RESPONSABILIDADE
SKETCH UP
COMUNICAÇÃO
PHOTOSHOP
COMPROMETIMENTO
ILLUSTRATOR
DETERMINAÇÃO
INDESIGN PACOTE OFFICE
LÍNGUAS INGLÊS ESPANHOL
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL TATIT FEYH ARQUITETURA DE INTERIORES - Mar/15 - Jul/15 - Maquete 3D. Programas: AutoCAD e Sketch Up Pro. WORKSHOP EM LANDSCAPE DESIGN - CORVINUS UNIVERSITY BUDAPEST- Jul/16 - Ago/16 - Atividades práticas diversos temas incluindo paisagem histórica, avaliação de espaços públicos e land art.
PESQUISA BOLSISTA PIBIC NO PROJETO PAISAGENS HISTÓRICAS: ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO. Ago/13-Julho/14. Título da Pesquisa: Para além da praça: a evolução das paisagens a leste da Praça XV de novembro no século XX. Orientação: Margareth Afeche Pimenta.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA GRUPO DE ACESSIBILIDADE DO SEPLAN-UFSC. Dez/11 Jul/13 - Levantamento dos problemas de acessibilidade no campus da UFSC, desenvolvimento de ideias e soluções-padrão para reformas no campus.
COMISSÃO ORGANIZADORA DO SEMINÁRIO NACIONAL DE ESCRITÓRIOS MODELO DE ARQUITETURA E URBANISMO – SENEMAU 2014- Dez/13 - Jul/14 - Desenvolvimento da temática, criação de linguagem visual, produção de material para divulgação (banners, imagens), redes sociais. PROJETO “LIVRO: GUIAS DE DESENHO URBANO PARA A SUSTENTABILIDADE DAS CIDADES”. Organização, diagramação. Programas: InDesign CS6, Illustrator CS6.
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tenho sempre a mão um caderninho onde posso desenhar cenas do cotidiano ou detalhes que me chamem a atenção. O mundo é cheio de inspirações e experiências. Observá-las aumentam meu campo de referências e colocálas no papel cria relações de memória afetiva com esses momentos e espaços.
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“pra ser grande, sê inteiro.” fernando pessoa.
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ÍNDICE trabalhos da graduação
Mãos Soltas, p. 10, 2016
Biblioteca do Cais, p. 12, 2017
Oficina 67, p.20. 2015.
Tahi Utcai Park, p 24. 2016.
Undercover Relations, p, 30, 2016.
Pra além da Praça, p. 34, 2014.
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mãos soltas OFICINA ministrada em parceria com Gabriel Villas Camargo Semana Acadêmica de Arquitetura UFSC 2016
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A oficina, ministrada durante duas tardes da Semana Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo UFSC, tinha o objetivo de dar novas ferramentas de registro e interpretação através de tecnicas rápidas de expressão baseadas nas percepções subjetivas e na livre expressão. A primeira parte da oficina tratou da percepção de objeto e espaço através de exercícios de representação rápidos. com foco em formas, texturas, proporções. A segunda parte trabalhou as das cores através da técnica de pintura com aquarela.
“a cor esta viva, carregada de emocao e te transporta para um lugar totalmente novo”Felix Schinberger
As dicas foram retiradas do livro “Aquarela para Urban Sketchers” de Felix Schinberger. Grande parte delas eram sobre a interpretação e importância das cores e da expressão própria, livre de pré-julgamentos além da valorização do processo em detrimento do resultado final.
Trabalhos dos participantes Julia Miola, Samantha Guesser, Alice Veiga e Bruno Jordão.
> explore possibilidades e combinações > teste pintar somente com uma cor > colecione paletas de cores > saia da sua zona de conforto cromática
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biblioteca do cais PROJETO ARQUITETÔNICO orientação_ Gilberto Yunes disciplina_ ProjetoVII ano_2016 localização_ Rua Pedro Ivo Flpolis/SC
projeto arquitetÔnicao, ed. público, biblioteca, patrimônio histórico
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biblioteca do cais: um lugar para sonhar um futuro mais brilhante, sem esquecer de carregar consigo os acúmulos do passado.
Aproveitando o potencial geográfico e histórico da quadra formada pela Rua Pedro Ivo, Rua Frederico Rola e Rua Francisco Tolentino (centralidade, nós de transporte público, riqueza patrimonial) propõe-se a criação de uma biblioteca pública de funcionamento 24hs que tem como principal objetivo a democratização do acesso à informação e o fomento do hábito da leitura no morador na capital do Estado.
localização
uma quadra e sua história A quadra formada pela Rua Pedro Ivo, Francisco Tolentino e Rua Frederico Rola é conformadora de uma das fachadas da praça da Rua Francisco Tolentino, atualmente utilizada como estacionamento, juntamente com um dos conjuntos de casario mais conservados do centro (1) e o Mercado Público (2).
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A quadra já possui edifícios de caráter histórico sem proteção patrimonial dividindo espaço com lojas e estacionamentos que nem sempre valorizam sua riqueza formal. Fonte: banco de imagens da Casa da Memória de Florianópolis
A partir de pesquisa historiográfica, foi possível coletar informações que traçar a evolução da área. Tendo tido, em grande parte de sua história, contato direto com o mar, este local, como muitos outros espaços que compunham a orla, serviam de cais para embarcações pesqueiras e galpões onde se vendiam as mercado-
rias. Esta vocação só será transformada na década de 1970, devido ao grande aterro da baía sul, fazendo com que a linha do mar passasse a aproximadamente 400 metros do ponto original. Há cerca de apenas cinco décadas desde o aterro, quase nada faz referência à presença decisiva do mar e seus desdobramentos sociais e econômicos nesta região.
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N
biblioteca do cais
A BIBLIOTECA DO CAIS é formada por um conjunto de cinco edifícios, sendo 3 deles pré-existentes.
A
RU O
IC
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ED
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IV O DR PE A
o nome é referência ao histórico da quadra, pois nesta área se encontrava o Cais Frederico Rola, que deu origem ao nome do arrumento após o aterro.
RU
projeto arquitetÔnicao, ed. público, biblioteca, patrimônio histórico
O
LA
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PROJETO ARQUITETÔNICO orientação_ Gilberto Yunes disciplina_ ProjetoVII ano_2016 localização_ Rua Pedro Ivo Flpolis/SC
A intervenção tem como um dos objetivos revelar belezas até então escondidas no miolo da quadra e gerar reflexões sobre a questão patrimonial na cidade.
PERMANENCIA
materiais vidro térmico concreto
partido
reboco + tinta
aço corten
ADICOES arquivo
administracao bloco-praca
cafe mundo magico
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Acesso administração a= 78m²
Sanitários a= 68m² os sanitários foram posicionados de modo a estarem acessíveis de todos os blocos, tendo saídas para os dois lados.
ARQUIVO a= 161m²
Lockers a= 28m²
Jardim Contemplativo a= 110m² Espaço aberto com acesso pelo edifício do arquivo.
Mundo Mágico dos Livros a=95m² área destinada à literatura infantil e infanto-juvenil.
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Arquivo multímidia a= 191m² espaço com o acervo e exibição de conteúdo multímidia, com telão, cadeiras e pufes. Recepção/Cadastro a= 39m² acesso à informações sobre a biblioteca e cadastro de novos usuários. Promenade a= 137m² rua coberta que convida o usuário a acessar a bilbioteca
CIRCULAÇÃO a= 214m² a circulação interna percorre todos os edifícios com exceção do o do café e funciona como um tubo de observação das atividades, permitindo observar as atividades sem que elas sejam interrompidas ou perturbadas. Material: aço corten.
Computadores/ Revistaria a= 264m² área de permanência e de estudo livre, disponíveis e revistaria.
Café a= 182m² edifício restaurado e com pequenas modificações abrigará um café.
Criada a partir da cobertura que unifica a proposta formal da quadra, esta área livre e coberta, é de uso público e destinada a diferentes fins, de acordo com a espontaineidade de manifestações. Tendo seu uso relacionado com o uso do cultural do prédio, a praça coberta pode abrigar eventos literários, saraus, feiras, intervenções e instalações artísticas efêmeras, pequenas apresentações teatrais, batalhas de rap, etc.
A cobertura, além disso, enquadra as janelas do edifício histórico restaurado, juntamente com o jardim criado pelo teto-verde dos sanitários. Os acessos à praça coberta se dão através de escada na fachada da Rua Frederico Rola e internamente, através de elevador acessível.
“A
praça, Povo! Como o céu é É antro onde Cria a águia
a praça é do do Condor! a liberdade ao seu calor!” - Castro Alves
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biblioteca do cais PROJETO ARQUITETÔNICO orientação_ Gilberto Yunes disciplina_ ProjetoVII ano_2016 localização_ Rua Pedro Ivo Flpolis/SC
projeto arquitetÔnicao, ed. público, biblioteca, patrimônio histórico
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pedro ivo // francisco tolentino
currĂculo
francisco tolentino//bento goncalves
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oficina67 orientação_ Milton Luz disciplina_ ProjetoVI ano_2015 localização_ Rua Antônio CArlos Ferreira, trindade Flpolis/SC
projeto arquitetÔnicao, ed. corporativo, detalhamento, interiores
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arquitetura comprometida a cidade
elementos arquitetônicos inusitados Com o avanço da tecnologia e a modernização das formas de trabalho, abremse novos horizontes para uma visão mais inspiradora e humanizada dos espaços de escritório, repensando inclusive a vivência/lazer da rotina diária do trabalhador contemporâneo.
térreo permeável
novos espaços de Trabalho
estrutura/envoltória projetadas
exclusivamente, afim devalorizar e ressaltar o partido arquitetônico do edifício. Os pilares em V se destacam na fachada e internamente, criam uma nova experiência espacial.
espaço público
parte do térreo foi destinado a criar uma passagem coberta com nichos de estar conectando a Rua Antônio Carlos Ferreira com sua paralela, nos fundos do terreno.
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oficina67 DETALHES
estrutura em concretocombinando
lajes mistas e nervuradas Pilares de concreto de 30x50 e Tubos estruturais em V no térreo.
captação e uso da água da chuva
separada da caixa d’água principal e devidamente integrado com o sistema da rede pública para garantir o funcionamento dos equipamentos hidráulicos mesmo em épocas de seca.
ambientes
com linguagem visual e configuração instigante e criativa, a paleta de materiais é formada por cores vivas e texturas geometricas.
layout interno
proporcionar espaços de trabalho confortáveis, flexíveis e descontraídos _ planta possui poucas divisões e prevê postos de trabalho mais despojados _ preocupação em criar espaços para atividades em grupo e reuniões mais formais.
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ANÁLISE>>sintese conceitual>>proposta
tahi park co-autoria_ Marcelo Arnellas orientação_ disciplina_ open space in daily practise ano_ 2016 ST ISTVAN UNIVERSITY BUDAPEST paisagismo//vazio urbano//espaço público/ /corredor-verde//desenho à mão
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O projeto para o TAHI UTCAI PARK foi desenvolvido em dupla durante apenas duas semanas de processo. O principal objetivo desta disciplina foi desenvolver uma metodologia de
análise espacial e diagnóstico que permitisse a proposição de soluções rápidas e coerentes à espaços abertos e publicos de médio a pequeno porte. A área em questão é parte de um corredor-verde criado pela existência de um dos afluêntes do rio Danúbio, nos suburbios de Budapeste. ASsim, parte do trabalho foi reconhecer as primeiras impressões do lugar, fazer análises do potenciais do entorno e mapear usos e fluxos. Para melhor identificar problemas e potenciais utilizamos a matriz SWOT, que forneceu coerência à nossa síntese conceitual e proposta.
TA HI UTCA I PA R K / / LOCAT ION
6KM FROM THE DOWNTOWN
ANALYSIS SUMMARY
TAHI UTCAI PARK BIKE LANE
CONCEPTUAL SYNTHESIS
DESIGN PROPOSAL
TAHI UTCAI PARK//CON N ECTION S
BIKE LANE NETWORK
ANALYSIS SUMMARY
CONCEPTUAL SYNTHESIS
DESIGN PROPOSAL
LINKING GREEN AREAS
THE CREEK AS THE WILDLIFE’S THRIVING FACTOR
ANALYSIS SUMMARY
CONCEPTUAL SYNTHESIS
DESIGN PROPOSAL
LANDMARKS
/ / S E T T I NG ANALYSIS SUMMARY
M A PPI NG POTE N TI A L S
CONCEPTUAL SYNTHESIS
DESIGN PROPOSAL
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tahi park SÍNTESE CONCEITUAL E PROPOSTA
paisagismo//vazio urbano//espaço público/ /corredor-verddesenho à mão
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Após as visitas e análises ficou claro que a atual área verde tinha muitas qualidades mas precisava de um pouco mais de organização e direcionamento de usos. Optamos por manter os usos que funcionavam bem, propondo apenas equipamentos de apoio à essas atividades. Mantivemos a configuração da maior parte da vegetação, sendo
GOA L S
as maiores mudanças relacionadas à reconfiguração das entradas e arbustos, tornando os espaços mais convidativos e seguros. A presença do curso d’água que antes aparecia de forma secundária na paisagem passa a ter mais destaque a partir de um ponto de acesso e permanência próximo à agua.
TO P R OT E C T
T H E PE OPL E , T H E C H A R AC T E R , T H E E N V I R ON M E N T
TO STA B I L I S H
P R OV I DE I N F R A ST RUC T U R E , P R OMOT E ST E WA R D S H I P
TO L I N K
B I K E L A N E S , GR E E N A R E A S , PAT H S , M E N - WAT E R - V E GE TAT ION
TO G AT H E R
DI F F E R E N T AGE S , U S E S A N D MO OD S , W E LCOM I NG E N T R A NC E S
/ / GOA L S
1
1 2 //MAIN ENTRANCES
EAST AND WEST
2
tahi park PERSPECTIVAS
// WATERFRONT SUNBATHING, STROLLING AND FREE AREA
//WILD WOODS AND SHADY TABLES //ADVENTURE PLAYGROUND PLAYGROUND, HILL AND LOOKOUT TOWER
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CHATTING, PLAYING, EATING UNDER THE CANOPIES
//MIDDLE AXIS AND TERRACES SECTION //MIDDLE AXIS AND TERRACES WELCOMING AREA, WATERY SOUNDS AND ARTIFICIAL WETLANDS
// RELAXING AREA AND COMMUNITY STAGE INTROSPECTIVE MOOD, LOW CANOPY CEILING AND FREE ACTIVITY STAGE
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undercover relations
O UNDERCOVER RELATIONS é uma intervenção de arte pública site-specific. O tema escolhido vem discutir o passado da área leste do centro histórico de Florianópolis, local por onde passava o córrego mais caudaloso da região e facilitador do primeiro núcleo da cidade.
NORTH BAY
CENTRO DE FLORIANOPOLIS/ /AVENIDA HERCILIO LUZ S OU TH BAY HERCILIO LU Z - 2K M
INTERVENÇÃO URBANA orientação_ disciplina_ landart ST ISTVAN UNIVERSITY BUDAPEST ano_2016 localização_flpolis/sc HERCI LIO LUZ AVENUE WAS BUI LT I N T HE 20' S A FT ER T HE REMOT ION OF T HE SLUMBS ALONG T HE BU L H A 'S RI VER, T HE MAI N CREEK I N T HE CI T Y CENT ER, W H ICH WAS T URNED I NTO A CHANNEL AFT ERWARDS
intervenção//arte pública//memória urbana//florianopolis
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x X I X C E N TURY
191 0
19 2 0
19 30 TODAY
A área em questão passou por muitas transformações ao longo dos séculos, sendo a mais significativa delas a retificação do rio e criação da Avenida do Saneamento, atual Avenida Hercílio Luz, na década de 1920. Antes da reforma de grandes proporções, a beira do rio era ocupada por cortiços e barracos de classes menos
favorecidas que sofriam enchentes durante as cheias e com doenças causadas pelo despejo de dejetos no leito do rio. Os bairros do entorno eram de classes trabalhadoras, algumas delas diretamente ligadas à presença do rio, como era o caso da “rua da troqueira”, atual General Bittencurt, conhecida por Bairro das Lavadeiras. Para a realização das obras de urbanização essas camadas populações foram removidas e suas relações sociais e culturais com o rio se perderam na hisória. Ao mesmo tempo, o desenho insprado no urbanismo sanitarista de Saturnino De Brito, idealizador dos canais de Santos, trouxe novos ares para a cidade tornou-se simbolo da modernização na capital do Estado.
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undercover relations INTERVENÇÃO URBANA orientação_ disciplina_ landart ST ISTVAN UNIVERSITY BUDAPEST ano_2016 localização_flpolis/sc
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Atualmente o rio também desapareceu da paisagem. Canalizado após as recorrentes reclamações de mau-cheiro devido à ligações clandestinas de esgoto, a administração da cidade aptou pela canalização do rio, retirando de vista um forte ponto de apoio da memória local. A proposta desta intervenção temporária, feita
de fios entrelaçados demonstrando a infinidade de relações socais, ecológicas e econômicas que existiam ali devido à presença do Rio, é informar de mandeira inusitada sobre o passado da região e a historia de seus moradores, questionando a forma com que as questões ambientais e patrimoniais vem sendo tratadas na cidade.
I NFORM ATION IMAGES, MAPS AND HISTORY OF THE AREA WITH ITS PEOPLE AND TRADITIONS
CONST RUC TION THE INSTALLATION CONSISTS IN A WEB CREATED BY BLUE STRINGS FIXED ON THE TREES, WHICH CREATES A HORIZONTAL PLAN 60 CM FROM THE GROUND
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pra além da praça PESQUISA orientação_Margareth Afeche Pimenta Projeto Paisagens Históricas Grupo CIDADHIS Bolsista PIBIC 2013/2014
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“A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens.” (LE GOFF, 1990)
O projeto Paisagens históricas: análise, interpretação e documentação, do qual este estudo foi parte, visa a analisar e tornar público os registros históricos da evolução das paisagens catarinenses contextualizados, a fim de promover a criação de uma consciência patrimonial. Neste caso, o recorte de estudo foi a paisagem do centro histórico de Florianópolis ao longo do século XX, com maior enfoque nas áreas a leste da praça principal. Reafirma-se com esta pesquisa a grande importância do Rio da Bulha e seu papel de protagonismo da vida urbana e social e a necessidade de que este volte a estar presente na paisagem do centro.
Paisagem a leste da atual Praça XV de Novembro, início do século XX.
A área a leste da Praça XV de Novembro foi de suma importância para o crescimento inicial da cidade do Desterro devido principalmente à sua hidrografia. Ao mesmo que a presença do antigo Rio da Bulha direcionou as primeiras ocupações, rios e mar eram utilizados como locais de despejo de lixo, tornando estes locais focos de doenças, mau cheiro e de morada das camadas mais populares (CABRAL, 1979). A partir do impulso de prosperidade por qual passava Florianópolis na década de 1920, a criação da Avenida do Saneamento (atual Avenida Hercílio Luz), transforma a conformação espacial e social da área. Através das de remoções de casebres e cortiços (Fig. 1) , abre-se espaço para a criação da avenida aos moldes do urbanismo sanitarista (MULLER, 2002)
Avenida Hercílio Luz foi a obra mais relevante do urbanismo sanitarista do século XX em Florianópolis. A Fig. 1 foi criada durante a pesquisa para espacializar mudanças e permanências deste período. Após compreender as transformações da cidade através da historiografia, dos registros fotográficos e da evolução viária, sistematiza-se estas informações através mapa-síntese.
Fig. 1. Mapa-síntese. As áreas de remoção das construções por ocasião da retificação do Canal do Rio da Bulha. Elaborado por Maria Eduarda S. Lima, a partir de base topográfica «Planta Topográfica da Cidade do Desterro» de Eng°Pereira do Lago e Schalappal, 1876. Acervo da Mapoteca do IPUF, presente em VEIGA, Eliane Veras da. Florianópolis: memória urbana.
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pra além da praça PESQUISA orientação_Margareth Afeche Pimenta Projeto Paisagens Históricas Grupo CIDADHIS
Após a análise e organização dos registros fotográficos da época e consulta a fontes historiográficas, pude identificar dois períodos de intensa modificação na paisagem do recorte de estudo. O primeiro, na década de 20, em consequência da canalização do Rio da Bulha. Junto com a criação da avenida, que passa a ser frequentada pela burguesia da cidade, ocorre o surgimento edifícios institucionais de grande representatividade (MULLER, 2002). A Fig. 2 demonstra a localização dos principais elementos da área até a década de 1930.
Bolsista PIBIC 2014/2015
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A elitização gerada pelas obras faz com que a área seja ocupada por programas urbanos de camadas mais abastadas nas décadas seguintes. Com o aumento populacional nos anos 60, a demanda por habitações aumenta (PELUSO, 1991). Com ela, os interesses de especulação imobiliária. A possibilidade de verticalização passa a ser encarada
Fig. 2 Esquema representando as transformações no sistema viário após a construção da Avenida Hercílio Luz e os elementos arquitetônicos relevantes no recorte de estudo entre 1920-1930. Maria Eduarda S. Lima, 2014.
como um recurso para o aumento dos lucros das incorporadoras, ao mesmo tempo que tentava-se modernizar a cidade. O que se verifica é o surgimento de edifícios aos poucos avançam sobre prédios históricos, desarticulando paisagens consolidadas e causando a perda de referenciais, como se verifica na comparação
das figuras 3 e 4. Assim, o segundo momento de transformações intensas ocorre entre as décadas de 60-70 quando a paisagem da Avenida Hercílio Luz se altera de forma drástica devido principalmente à verticalização, bem como a vista da baía sul como mostra a linha do tempo (Fig. 5,6 e 7).
Fig. 3. Década de 1940, mancha em vermelho sinaliza a quadra que receberá o conjunto de edifícios conhecido como “Paredão da Hercílio Luz” durante a década de 70. Acervo da Casa da Memória de Florianópolis. Fig. 4. “Paredão da Hercílio Luz”, 2013. ND Online.
Fig. 5. Vista do Hospital de Caridade para o centro. Acervo da Casa da Memória de Florianópolis. Obtida no Banco de Imagens do Núcleo CIDADHIS. Fig. 6. Vista para Baía Sul, 193-.Acervo da Casa da Memória de Florianópolis. Fig.7. Rua Bulcão Vianna, antigo largo Treze de Maio, 197-. Acervo da Casa de Memória de Florianópolis.
MULLER, Gláucia Regina Ramos – A INFLUÊNCIA DO URBANISMO SANITARISTA NA TRANSFORMAÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM FLORIANÓPOLIS. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Geografia. Florianópolis, SC, 2002. CABRAL, Oswaldo R. NOSSA SENHORA DO DESTERRO. Florianópolis: Lunardelli, 1979. PELUSO, Victor A. Junior. O CRESCIMENTO POPULACIONAL DE FLORIANÓPOLIS E SUAS REPERCUSSÕES NO PLANO E NA ESTRUTURA DA CIDADE, in Estudos da Geografia Urbana de Santa Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 1991.
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OBRIGADA! (48) 99971-5031 duda.lima1501@gmail.com