PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÃO
DA PISTA DE MTB JOGOS OLÍMPICOS RIO 2016
CIMTB Levorin - Divulgação
Árbitro da UCI participa da escolha de local para construção de Circuito Olímpico
Torcedores e competidores da CIMTB Levorin acompanharam disputa do mtb Olímpico
pág. 04
pág. 29
Diferentes culturas em um só objetivo foi desafiante, diz gerente de operações
Sistema de drenagem foi criado para pista de mountain bike
pág. 06
pág. 31
Percurso testou competidores fisicamente e tecnicamente, segundo delegado técnico da UCI
Fatos em fotos... pág. 32
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De escolha de pedras à transformação de depósito de lixo em pista de mountain bike pág. 09
Diretor de gestão do Comitê Rio 2016 afirma que prova de mountain bike alcançou expectativas pág. 16
‘Mountain bike foi só felicidade’, afirmou fiscalizador do RioUrbe pág. 18
Gerente de projetos do mtb Rio 2016 foi à CIMTB Levorin para conhecer mais sobre o esporte pág. 20
Confira o que os melhores do mundo falaram da pista Olímpica de mountain bike pág. 22
Presidente da EOM afirma que pista de mountain bike se transformou em referência mundial pág. 28
Publicação: PS Eventos info@cimtb.com.br Conteúdo: Maritza Borges press@cimtb.com.br Fotos CIMTB Levorin: Rogério Bernardes, Caíque, Nina Ferreira e Maritza Borges Diagramação: CODE Comunicação www.codecom.com.br
w w w.cimtb.com.br
Olá a todos.
Aprendemos muito, também, com os profissionais da Prefeitura Municipal que estavam todos os dias acompanhan-
É com muita satisfação que dou boas-vindas a vocês
do a obra e nos orientando quando necessário.
para esta publicação especial que conta como foi a construção da pista dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Outros órgãos municipais, estaduais e federais como o Ministério dos Esportes estiveram muito conosco acompanhando a
O objetivo principal é mostrar como foi complexo
construção e querendo saber mais detalhes do mountain bike.
este trabalho e, principalmente, ilustrar para que organizadores de evento, amantes do mtb, associações de ciclismo,
Isso, aliás, será um grande legado que deixamos: todas
federações estaduais, etc. possam ver em detalhes o que
as pessoas com quem trabalhamos saíram muito mais informa-
fizemos e como fizemos.
das sobre o mountain bike e se apaixonaram pelo que viram.
Queremos mostrar de alguma forma, através desta
A todos do Comitê Rio 2016 quero dar os parabéns. Não
publicação, detalhes para que qualquer pessoa possa fazer
só pelo mountain bike mas pelo conjunto da obra dos Jogos
obstáculos parecidos e que o mountain bike evolua horizon-
Olímpicos. Todos foram vencedores para fazer um evento
talmente pelo nosso país.
grandioso mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos.
É importante frisar que os executores das pistas têm
Este parabéns deve ser estendido a todas as entidades
grande responsabilidade em fazer algo que seja compatível
e empresas que foram ligadas, direta ou indiretamente, aos
com o nível técnico dos bikers, usuários de suas pistas. Mui-
Jogos. A palavra espetacular teve outro sentido para mim
tas vezes ouço dizer que as pistas do Brasil não são técnicas,
depois destes Jogos.
mas estamos em processo de evolução e nestes mais de 20 anos que trabalho com o mountain bike posso afirmar que a
A EOM (Empresa Olímpica Municipal) quero parabeni-
distância está cada vez menor e, em muitos casos, estamos
zar e, principalmente agradecer pois nos momentos mais difí-
com pistas melhores que em vários países que são referência
ceis o seu Presidente Joaquim Monteiro esteve ao nosso lado
no mtb mundial.
nos apoiando e costurando parcerias para o sucesso do mountain bike. Também pudera. Encontramos um mountain biker
Mas sem querer entrar em assunto que gera polêmica, o objetivo aqui é compartilhar conhecimento. Queremos
apaixonado pelo esporte e que já havia corrido em Araxá… daí em diante ficou tudo mais fácil…
que esta publicação seja útil de alguma forma e que jovens organizadores possam surgir no futuro com muito mais informações do que eu quando iniciei.
Queria agradecer a Deus pela oportunidade, pois nem no melhor dos meus sonhos imaginaria que seria convidado para construir a pista dos Jogos Olímpicos e ao Caique e minha
Quero aproveitar aqui e destacar algumas peças
família que sempre estão ao meu lado.
fundamentais neste processo. A Queiroz Galvão foi fundamental e quero aqui agradecer a colaboração e amizade de todos com que tive o prazer de conviver neste período. Aprendemos muito com todos a cada dia e pudemos ver de perto como funciona uma grande empresa e ver a capacidade de ação e reação em todos os momentos. Foi incrível. Espero que tenhamos retribuído o conhecimento a altura e agradeço a confiança depositada em nosso trabalho.
Agora é trabalhar nas etapas da CIMTB Levorin e na pista da Fazenda Sossego. Espero que gostem. Abraços, Rogério Bernardes
Inauguração do velódromo foi um dos momentos inesquecíveis dos Jogos. Vimos cada detalhe da pista e como foi complexa a construção das partes de madeira Iverson Ladewig - Arquivo Pessoal
Árbitro da UCI participa da escolha de local para construção de Circuito Olímpico Iverson Ladewig (à esquerda na foto) participou de escolha de local. Desafio foi construir pista Olímpica de acordo com o que Rio de Janeiro poderia oferecer
E
m junho de 2008, Rio de Janeiro foi oficialmente anun-
tain bike em Deodoro. A gente chegou no local e tinha
ciada como a cidade dos Jogos Olímpicos de 2016.
apenas mato. Estava chovendo, e a gente pegou a ca-
Antes mesmo da confirmação, o Comitê Olímpico Brasi-
minhonete quatro por quatro do exército, andamos na
leiro (COB) começou a estudar locais para a realização das
lama, encalhamos, teve de tudo, mas a gente deu uma
provas, dentre elas o mountain bike. Foram estudados
olhada no que seria possível, a partir daí passamos a
vários locais até chegarem a Deodoro. Quem estava no
ideia para o COB”, contou.
início do processo e se lembra do trabalho começando do zero, foi o árbitro da União Ciclística Internacional (UCI),
A ideia compreendia desde o percurso até a alti-
Iverson Ladewig. Segundo ele, a chuva daquele dia não
metria e, segundo o Iverson, o desafio era alcançar um
intimidou o objetivo, que era encontrar o local adequado
circuito Olímpico de acordo com o que Rio de Janeiro
para fazer o percurso de nível Olímpico.
poderia oferecer. “A gente não tinha um morro muito grande, e teríamos que pensar o que poderia ser feito
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“Em 2008 eu fui chamado pelo COB para ajudar a
para termos um circuito de nível Olímpico. Depois de
passar uma ideia do que poderia ser uma pista de moun-
2008, o Brasil lançou a candidatura baseada nessa pro-
mos os contatos para a construção de pista”, disse. Um dos contatos de Iverson foi com o coordenador do mountain bike da UCI, o belga Peter Van Den
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posta inicial que eu tinha feito e ganhou. Assim, começa-
Abeele. “Tivemos três encontros com a UCI, um desses encontros eu fui a Deodoro com Peter Van Den Abeele, que é o coordenador de mountain bike da UCI. Passamos três dias olhando o espaço e roçando. A gente roçou o que seria a ideia da pista naquele momento e depois daquilo, surgiu a oportunidade do Rogério entrar no grupo e a partir dali ele assumiu a ideia, com os posteriores desenhos do Nick Floros”, afirmou. Para Iverson, o trabalho desenvolvido nos Jogos Olímpicos por Rogério Bernardes e equipe, consolida o conhecimento que o organizador tem em eventos de mountain bike. “De tudo o que já fiz no mountain bike, já fui em várias provas na Europa e América do
Este dia foi um dos primeiros que estivemos reunidos para reconhecer o local da pista
Sul. Com exceção das etapas de Copa do Mundo que e existe um investimento muito grande, não vejo nenhuma prova de qualidade inferior ao que Rogério faz aqui, principalmente Araxá. Com certeza é o melhor organizador de provas de mountain bike do Brasil. Agora, muita gente que foi ao Rio de Janeiro e que talvez nunca participou da CIMTB Levorin, terá consci-
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se parecem muito com as etapas da CIMTB Levorin,
ência de que a pessoa que montou a pista dos Jogos Olímpicos é o mesmo organizador. Além disso, o dia que tivermos um outro grande evento no Brasil, eu espero e tenho certeza que o Rogério vai estar envolvido na construção desta pista”, finalizou Iverson. De acordo com Rogério Bernardes, construir a pista Olímpica foi mais uma experiência que ele vai levar para os eventos realizados por ele. “Foi um aprendizado muito grande e, além disso, compartilhamos e colocamos em prática tudo que vivemos nestes mais de 20 anos de mountain bike. A soma de várias experiências transformou a pista em uma das melhores da história dos Jogos segundo relato de atletas e pessoas que estiveram em outras edições”, disse.
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Luciano Torres e Paul Davis em um dos trechos da pista durante a construção CIMTB Levorin - Divulgação
Diferentes culturas em um só objetivo foi desafiante, diz gerente de operações Luciano Torres, gerente de operações do mtb, disse que fechar as pontas com pessoas de diferentes culturas foi o principal desafio. Modalidade recebeu o maior público de Deodoro
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A
pós a escolha do local onde seria construído o per-
E o esforço valeu a pena. De acordo com Luciano, o
curso, o foco agora era transformá-lo em um cir-
mountain bike surpreendeu e foi a modalidade que mais
cuito Olímpico de mountain bike. O dia 16 de março de
atraiu público no Complexo Deodoro. Foram quase 30 mil
2015 ficou marcado como o início das obras. A equipe
pessoas nos dois dias de competição, feminino e mascu-
de Rogério Bernardes trabalhou junto com o course de-
lino. “O balanço é positivo, a competição do mountain
signer, Nick Floros e o gerente de competição de moun-
bike foi a que recebeu maior público de todos os evento
tain bike do Rio 2016, Paul Davis. A construção terminou
de Deodoro. Recebemos quase 12 mil pessoas no femi-
em outubro de 2015 com a realização do evento tes-
nino e no masculino cerca de 15 mil. Tivemos os tickets
te, porém, de acordo com o gerente de operações do
esgotados em Deodoro. O mountain bike foi a única mo-
mountain bike, Luciano Torres, mesmo depois, houve al-
dalidade na qual os tickets esgotaram”, finalizou.
terações no circuito, nas quais Rogério Bernardes e equipe permaneceram na construção até o dia do evento. De
Para o gerente de competição de mountain bike
acordo com Luciano, um dos principais desafios da mon-
do Rio 2016, Paul Davis, o resultado foi dentro do que foi
tagem foi unir diferentes culturas em um só objetivo.
planejado. “Dois anos planejando: o percurso, o tempo da competição, a competição em si.
“O mais desafiador foi o relacionamento. Tentar fechar as pontas entre pessoas de diferentes culturas, pois a gente tinha um gerente de es-
“Tivemos os tickets esgotados em Deodoro. O mountain bike foi a única
porte britânico, o desenhista do per-
modalidade na qual os
curso sul africano, os construtores e
tickets esgotaram.”
a equipe de consultoria do Rogério.
Tudo funcionou perfeitamente. Para chegar onde chegamos o principal desafio é atender às regulamentações da UCI. Quando se constrói algo assim, deve se pensar em tudo e fizemos um ótimo trabalho”, afirmou. Segundo Rogério Bernardes, o
O nosso trabalho foi juntar essas pessoas com experiências, histórias, culturas diferentes e
momento de construção da pista foi uma troca de cultu-
ainda a barreira linguística, mesmo todos falando inglês,
ra. “Neste período tivemos contato com várias nacionali-
há uma diferença. O desafio maior que a gente teve, eu
dades. Inglaterra, África do Sul, Rússia, Irlanda, Espanha,
no caso como gerente de operações, foi colocar todo
Portugal, México, Bélgica, entre outros países. Cada vez
mundo na mesma mesa falando a mesma língua, geren-
que chegava um grupo de uma área diferente vinham
ciando os conflitos sempre que eles aconteciam e fazen-
pessoas de nacionalidades diferentes mas, nos entendí-
do todo mundo trabalhar junto para a realização desse
amos muito bem”.
sucesso que foram os Jogos 2016”, contou. Segundo Luciano, após o evento teste, alguns ajusdo da UCI foram feitas, mas o evento teste foi muito bem sucedido. A equipe do Rogério permaneceu junto com o construtor e o course designer fazendo os acertos na pista até a realização dos Jogos. Já a equipe de gerenciamento de relações iniciou, a partir de abril de 2016, a parte de
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tes na pista foram feitos. “Algumas modificações a pedi-
montagem da estrutura de operação dos Jogos, e eu passei a ter uma função mais operacional e a equipe de esporte assumiu a pista a partir de 1 de agosto”, explicou Luciano.
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Percurso testou competidores fisicamente e tecnicamente, segundo delegado técnico da UCI Simon Burney afirma que o circuito é desafiador. De acordo com ele,
P
ara a pista chegar ao nível que chegou, foi preciso um acompanhamento de perto da União Ciclística Inter-
nacional (UCI). O percurso Olímpico é diferente de outros, como em uma etapa de Copa do Mundo ou uma competição Hors Class como é a etapa da Copa Internacional Le-
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este percurso é o estilo perfeito para uma competição Olímpica.
vorin de Mountain Bike, em Araxá.. O trajeto é construído pensando na acessibilidade do público e facilidade da competição ser televisionada. Além disso, é preciso lembrar do nível de dificuldade e o do tempo de prova. Quem acompanhou de perto todo processo foi o delegado técnico da UCI, Simon Burney. De acordo com ele, o percurso testou
Com Simon momentos antes da prova masculina
os competidores fisicamente e tecnicamente. E foi uma decisão emocionante tanto no feminino “É um percurso ótimo. Não tem muita ladeira, mas
quanto no masculino. Na disputa entre as mulheres, a
manteve muitas características naturais, então o traba-
polonesa Maja Wloszczowska liderou boa parte da prova
lho ficou realmente ótimo. Eles conseguiram criar um
e foi superada pela sueca Jenny Rissyeds, que levou o
percurso que se encaixa em um Circuito Olímpico. É um
ouro. Maja conquistou a prata e a canadense Catharine
percurso muito rápido que testa as qualidades dos com-
Pendrel ficou com o bronze. Na competição masculina,
petidores tecnicamente e fisicamente”, disse.
a disputa ficou entre o suíço Nino Schurter e o tcheco Jaroslav Kulhavý. Na penúltima volta Nino atacou, abriu
Para ele, não existe apenas uma parte desafiado-
vantagem em relação à Kulhavý e ficou com o ouro. O
ra e sim todo conjunto. “No circuito não tem uma únitudo e completá-lo com 1h30 é outro desafio”, afirmou. Simon conversou com a equipe da CIMTB Levorin antes da competição e, com toda experiência, ele previu o que iria acontecer. “Este é o tipo de percurso que a 6º e a 7º volta
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ca parte que é difícil, é simplesmente a combinação de
bronze ficou para Carlos Coloma, da Espanha.
vão fazer diferença, não como a 1º e a 2º, que não faz tanta diferença porque todos podem correr rápido em um circuito como esse. A diferença está no fim da competição, no qual para Olimpíadas é o estilo perfeito de disputa, alguns corredores juntos e depois, o empolgante final. ”, comentou.
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Com Simon fazendo a medição final da pista e decidir por pequenas mudanças que faríamos na subida da Montanha da Bandeira
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De escolha de pedras à transformação de depósito de lixo em pista de mountain bike Rogério Bernardes contou os principais momentos do processo de construção. Organizador da CIMTB Levorin escolheu pedras, saibro e construiu trecho 100% brasileiro
Pista de mountain bike. Esta é a especialidade
por questões ambientais ou por questões de terreno.
do organizador da CIMTB Levorin, Rogério Bernardes,
Às vezes tinha um drop muito grande que era impos-
e sua equipe que tem mais de 20 anos de experiência
sível passar e a gente tinha que fazer algum desvio ou
no ramo. Porém, os desafios de uma pista Olímpica
propor uma subida mais forte ou uma decida mais téc-
seria diferente. O dia 16 de março de 2015 ficou mar-
nica, por exemplo. Isso foi o que começamos a fazer na
cado como o início da obra e, para estar dentro das
construção da pista junto com a equipe de topografia
diretrizes internacionais do mountain bike, os obstá-
da Queiroz Galvão. Na verdade, estou há mais de 20
culos, a técnica exigida devem estar em harmonia com
anos fazendo pista e 15 anos fazendo provas interna-
o meio ambiente. De acordo com Rogério, depois do
cionais, porém trabalhar com tudo o que você precisa
estudo do trajeto e com a planta na mão, chegou o
sem limites e com apoio total da Queiroz Galvão, foi um
momento da execução, que traria muitas surpresas.
grande diferencial”, afirmou Rogério.
“Em várias partes da pista, apesar da planta indi-
O trabalho da equipe da CIMTB Levorin que exe-
car o local para se passar, acabamos fazendo várias mu-
cutou a construção da pista Olímpica de mountain bike
danças. Às vezes tinha uma árvore e a gente tinha que
foi desde a escolha das pedras do percurso até a seleção
circular, às vezes tinha uma mata e a gente contornava,
da cor do saibro. “Foram muitos caminhões, centenas de
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toneladas de pedras. Elas eram tão grandes que vinham apenas cinco ou seis rochas em um caminhão. E para
PEDRAS E SAIBRO
isso, fomos até a pedreira fazer a escolha e marcação
Depois do traçado definido, o momento seria de
das rochas para fazer a montagem do quebra cabeça.
escolha do saibro. “Fomos até a pedreira escolher o
Além disso, como temos experiência com a legislação
saibro para montarmos um estoque e aplicarmos so-
brasileira, em alguns momentos intervimos para que a
bre a pista porque em muitas áreas se chovesse seria
pista ficasse dentro da Lei Nacional e como também co-
impossível pedalar além de ser uma exigência para
nhecemos o clima tropical do Brasil, e sabíamos que os
esse tipo de pista. A gente chegava a misturar o sai-
Jogos seriam durante o período da seca, sugerimos um
bro com terra para poder ter uma cor adequada para
aceiro (limpeza de uma faixa para evitar que o fogo se
dar o visual bacana para filmagem”, explicou Rogério.
propague) que acabou evitando com que um incêndio se alastrasse na pista, uma semana antes da prova”, contou.
Desde a preparação do terreno até a seleção das pedras. “Essas rochas muitas vezes eram tão
De acordo com Rogério, a pista Olímpica é tra-
grandes, que às vezes iam apenas cinco ou seis pe-
tada de uma forma completamente diferente. “Existem
dras em um caminhão trucado enorme, e tinhamos
pistas distintas e a pista Olímpica é tratada diferente de
que ter uma escavadeira grande porque uma retro-
todas as outras. Isso é um conceito bacana que apren-
escavadeira não conseguiria movimentar uma pedra
demos neste período. Então, às vezes as pessoas po-
dessas sozinha”, contou Rogério.
dem dizer que a pista está fácil em vários trechos mas é porque o conceito Olímpico é diferenciado com foco,
A escolha e distribuição das rochas foi uma arte.
também, na transmissão e que executamos de acordo
Em alguns trechos, Rogério e equipe dedicaram cerca de
com as orientações da União Ciclística Internacional
um mês para criar o mosaico. E a cada vez que uma ro-
(UCI) e os desenhos do Nick Floros”, explicou.
cha era colocada em um lugar, a experiência era diferen-
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Vista aérea da pista já pronta para os Jogos
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Desafio paralelo após a largada no Evento Teste. Duas casas ao lado da pista foram demolidas e o depósito de pedra distribuído nos obstáculos
te. “Escolhiamos as pedras na pedreira, já procurando
inteira virando a pedra de um lado para o outro até achar
aquelas que tinham face lisa e não eram pontiagudas, é
a posição adequada. Havia dias que encaixávamos 10 ou
como um quebra cabeça. Às vezes a gente colocava uma
15 pedras e outros que encaixávamos três ou quatro. A
pedra em 30 segundos, derrubava a pedra e ela caia na
grande experiência dos operadores da Queiroz Galvão
posição certa, outras vezes a gente ficava uma manhã
foi fundamental para fazer estes trabalhos”, lembrou.
Quando mudamos a pista para este local e iniciamos a limpeza descobrimos que era um depósito de entulho e de lixo… custou muito trabalho mas valeu a pena
MADEIRA Não diferente dos mosaicos das pedras, o trabalho com a madeira também exigiu muita técnica e conhecimento. Elas foram usadas em pontes e obstáculos, e para isso, muito maquinário e trabalho
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manual, de carpinteiros especializados. “Das madeiras, a grande complexidade é que nos desenhos originais haviam dois túneis fazendo o cruzamento de pista: um duplo para o público passar por cima da que fazer um oito, assim como construímos em Araxá. Fizemos isso com uma estrutura de concreto que são aduelas de concreto enormes, com 2,50 de altura, que era a especificação de segurança. A saída desses túneis chamamos de ala, que seriam feitas de
Encaixar as grandes peças de madeira foi um desafio a parte CIMTB Levorin - Divulgação
pista e o outro para o atleta, no qual a gente tinha
pedras pelo desenho, porém, sugerimos fazer com eucalipto e foi aceito pela Queiroz Galvão e Comitê Rio 2016.”, contou Rogério. A equipe de pintura fez um belo trabalho para não deixar as madeiras das pontes escorregadias
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eucaliptos. “Fizemos de madeira. Dá uma aparência rústica. Foi difícil encontrar essa madeira pois a exigência internacional é que tivesse certificação FSC (Forest Stewardship Council). Foram toras com 50 cm de diâmetro e fomos en-
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O organizador e a equipe dele têm experiência com
caixando, uma a uma. Tivemos que abrir valas, trazer escavadeira e pegar peça por peça. Uma equipe de carpinteiros ia encaixando tudo ao lado uma da outra, e também tínhamos que concretar o pé das madeiras, pois teria que ser um trabalho muito bem feito de contenção para garantir a segurança e a beleza do local”, disse. Além disso, os guarda-corpos de proteção seguiram a legislação brasileira e normas técnicas da ABNT com orientação de Wanderson Fernandes da Silva, da fiscalização da RIOURBE.
DESCOBERTAS E ÁREA BRASILEIRA Durante a construção da pista, que iniciou primeiro com uma limpeza do traçado, muitas áreas foram des-
uma passagem natural mais fácil para o atleta ter alternativa de rota. Esse foi um trecho muito bacana, e um dos trechos 100% naturais, que é a forma que a gente trabalha”, disse.
cobertas. Como por exemplo um morro, que passou a ser chamado de Morro das Crateras. “ Quando entramos na pista passando por baixo, descobrimos diversas crateras que a gente acredita que foram feitas pelos treinamentos do exército. Então, propusemos ao gerente de competição de mountain bike do Rio 2016, Paul Davis, para passarmos a pista naquele local. São buracos enormes. Então, o atleta passava por uma cratera, depois por uma subida íngreme, que é uma das subidas mais técnicas, depois em outras crateras”, contou Rogério. Após os buracos gigantes, novos elementos que caracterizaram a pista seriam descobertos. “Passando este trecho, o atleta caia em um local onde a pista é mais natural, bem parecido com Araxá. Tinha uma parte de terra na qual escavamos e buscamos expor raízes de árvores, assim como era na fazenda. Na hora que começamos a limpar não apareceu muitas raízes, mas muita pedra. Ficou um trecho de pedras naturais, que não colocamos, mas tivemos trabalho para limpar. Ficou bem técnico, inclusive com
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Porém, a parte que seria 100% brasileira estava por
Depois dessa área, a equipe da CIMTB Levorin che-
vir. A equipe chegou a uma área alagada e usada como
gou a uma parte importante da pista denominada Monta-
depósito de lixo. Neste trecho, Paul Davis deu a liberdade
nha da Bandeira. “Esta montanha era bem legal especial-
para que Rogério e equipe transformassem o local. “Foi
mente para dar essa visão do atleta subindo, um atacando
muito bacana, porque o Paul nos deu liberdade para que
o outro. No alto dessa montanha, onde fizeram os aros
fizessemos o que queríamos. Este foi um trecho que de-
Olímpicos, tem um visual muito bonito e a descida é bas-
moramos 40 dias para fazer porque choveu muito. Fize-
tante técnica. Gastamos muito tempo construindo toda
mos a limpeza, deixamos no nível da estrada e resolvemos
esta área porque todo o material usado não podia ser le-
fazer um trecho de ponte e pedra. Então, ali foi uma das
vado pelas máquinas e caminhões. Foi um trabalho manual
principais área do público. Nós montamos um espaço ba-
que exigiu muito de toda a equipe. No caso da sequência
cana para que o público tivesse condições de ver o atleta
de rock gardens, quando começamos montar o trajeto,
de perto, assim como fazemos em nossas etapas”, disse.
fizemos a limpeza do capim e começamos a descobrir pedras enormes. Começamos a recolher pedras naturais com
Segundo Rogério, foi como montar um quebra-
lodo e terra e fomos fazendo o encaixe delas para fazer
cabeça. “Começamos a colocar pedras enormes e fizemos
esses trechos da descida da montanha”, lembrou Rogério.
duas vias, trechos com a mesma velocidade. Colocávamos uma sequência de três ou quatro pedras, dávamos um
Outra área interessante foi antes de pegarmos a
espaço e assim montamos esse quebra-cabeça. No meio
subida da montanha. Inicialmente a pista estava previs-
das pedras fizemos pequenas pontes para que o atleta
ta nos desenhos de passar por um local. Porém, quando
pudesse passar de madeira para pedra o tempo inteiro,
limpamos, apareceu mais uma surpresa. “Encontramos
com um drop no final. Antes, apareceu uma área alagada
diversas paredes de pedras que estavam escondidas e
de chuva e acabou surgindo um lago debaixo da ponte.
a pista acabou mudando para o pé destas paredes de
Esse trecho foi ‘Made in Brazil‘ e eu fiquei muito feliz de
pedra. Aí apareceram drops naturais que deram bas-
termos criado, foi uma oportunidade bacana”, afirmou.
tante trabalho”, contou. Getty Images - Julian Finney
Área da ponte sobre o lago foi um dos mais visitados e elogiados pelo público
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Queiroz Galvão - Divulgação
FLIP FLOPS
um grande trabalho de engenharia para a construção da área de apoio, porque a área era inclinada e pas-
Flip Flops ou as Pegadas . “Foi uma coisa legal que vie-
sava pelo local duas adutoras do CEDAE. “Fizemos
ram dos desenhos do Nick Foros. Foi difícil fazer. É um
um platô e colocamos a grama no meio com as me-
trabalho artesanal. Cada trecho da pista é um trabalho
didas especificas dos desenhos. Tem área de apoio
artesanal que a gente cuidava com muito carinho. São
dos dois lados, como a gente já faz na CIMTB Levorin
quatro pegadas, inclusive a idéia era reproduzir a sola
em Araxá e São João del-Rei. Depois veio o retorno,
do pé bem certinho, como se tivesse encaixado no tre-
um túnel duplo que o atleta entrava e com uma curva
cho. Deixamos a sola do pé com um saibro colocando
inclinada na saída. A última reta de retorno, que no
cal para poder clarear um pouco mais, foi feito um tra-
evento teste estava lisa, fizemos um rock garden no
balho bem legal. Os cinco dedos são pedras escolhidas.
qual ficou muito técnico colocamos grama para em-
Existe uma linha quase reta para passar nos pés, onde a
belezar. Logo depois, construímos uma ponte dupla
linha mais difícil passa pelo dedão e cai no meio da pe-
que mudou um pouco de lugar para manter uma das
gada. O atleta que não quisesse saltar poderia passar
poucas árvores existentes em todo local. É o último
entre os dedos”, explicou.
trecho técnico antes da área de largada”, disse.
acordo com Rogério, a área gramada, onde foi colocado o telão, era um trecho onde tinha muito mato. “Fizemos uma área gramada enorme onde foi colocado um telão. Assim, ficou a ponte e pedra de um lado, uma área gramada enorme para o público, os Flip Flops do outro e área de alimentação. Depois que sai desse trecho, chega no apoio que ficou interessante e construímos do zero”, contou.
Queiroz Galvão - Divulgação
Retornando da montanha da bandeira vieram os
Logo depois, o atleta passava por uma ponte. De
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De acordo com Rogério, foi necessário fazer
CIMTB Levorin - Divulgação
APRENDIZADO
ÁREA MILITAR Trabalhar em uma área militar também foi uma
Para Rogério, o grande legado de construir
novidade para a equipe da CIMTB Levorin. Rogério
uma pista Olímpica de mountain bike para a CIMTB
contou que diversas vezes no dia, caminhões do exér-
Levorin será o aprendizado. “Nossa equipe ficou du-
cito chegavam no local para treinamento. “A área que
rante dois anos envolvido com a pista, diariamente.
tem umas casas coloridas era um local de treinamento.
Além disso, o trabalho que tivemos com a equipe da
No início, chegava muitos soldados fazendo treinamen-
Queiroz Galvão foi espetacular. Eles estavam a nossa
to. Algumas vezes estávamos trabalhando no local e ti-
disposição e não mediram esforços. Neste período
nhamos que sair para outro”, contou.
tivemos contato com COI, COB, Ministério dos Esportes, EOM, Prefeitura do Rio de Janeiro, entre ou-
Rogério conta que na área do Morro da Bandeira,
tras entidades, que faziam o minitoramento diário de
que é a mais alta da pista, era possível entrar no local
toda a construção”, finalizou.
de tiro, com munição real. Tem umas pedras no alto da montanha que tem umas bolas brancas e ali são feitos treinamentos do exército com tiros de fuzil. A gente não podia subir naquela área de nenhuma maneira enquanto ouvia tiros. Era treinamento de tiro o dia todo
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apenas duas vezes por semana. “Lá tem treinamento
e esse é um dos motivos que a pista não vai ficar como legado”, explicou. A integração do Exército, Comitê Rio 2016 e Queiroz Galvão montando uma agenda de trabalho foi fundamental para trabalharmos em vários locais da pista”, conclui.
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Gustavo Nascimento (blusa azul) disse que desafio foi conciliar objetivos CIMTB Levorin - Divulgação
Diretor de gestão do Comitê Rio 2016 afirma que prova de mountain bike alcançou expectativas Gustavo Nascimento disse que competição foi um impulso para a modalidade. Segundo ele, foi possível unir natureza, esporte, público e atletas de forma harmônica
C
onciliar metas. Este era o objetivo do diretor de
maravilhoso como esse, com o que o esporte merece,
gestão de instalações do Comitê Rio 2016, Gusta-
com uma vista de natureza espetacular”, disse.
vo Nascimento. De acordo com ele, um dos objetivos foi criar uma pista desafiadora, dentro de uma área mi-
Muitos detalhes, sem esquecer dos atletas e do
litar, e o outro era ter um cenário para casar perfeita-
que o esporte representa para o Brasil. “Eu tenho certe-
mente com a modalidade, o mountain bike. Tudo isso
za que a gente conseguiu, com muito esforço, fazer uma
lembrando de fazer uma prova inesquecível não só para
pista maravilhosa na qual os atletas puderam desempe-
os atletas, como também para o público.
nhar o melhor e os espectadores puderam curtir e sobretudo conhecer e desenvolver o esporte no Brasil”, disse.
“Primeiro o esporte, fazer com que a gente tivesse
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uma pista desafiadora, do jeito que os atletas merecem.
Foram quase 30 mil ingressos vendidos nos dois
Segundo a área, que é uma área militar e com limitações
dias de competições, para Gustavo, uma surpresa po-
de acesso. Além disso, estamos dentro de um parque, e
sitiva. “A gente sempre quis vender tudo. Um ingresso
operacionalizar a competição de mountain bike dentro
Olímpico é uma propriedade de muito valor para que a
do Parque Radical de Deodoro foi um outro desafio. E,
gente tenha uma instalação cheia para prestigiar e fazer
acima de tudo, fazer com que a gente tivesse um cenário
com que o atleta tenha torcida, tenha o reconhecimento
dos espectadores do mundo todo. Isso vai ser um impul-
neiro (Cedae) durante a construção do percurso. “Essa
so para o esporte, vai ajudar a desenvolve-lo. A gente
área tem muita adutora da Cedae e volta e meia o pes-
teve sem dúvida, uma das fotos mais bonitas dos Jogos
soal estava fazendo a construção e encontravam adu-
do Rio 2016. Estamos muito felizes”, finalizou.
tora. A gente facilitava o contato com a Cedae, assim ela fazia o levantamento e reparos necessários para não
ÁREA MILITAR
prejudicar a parte do abastecimento”, lembrou.
O percurso do mountain bike foi construído em uma
Em relação ao legado do Parque Olímpico de Deodo-
área militar. Para que isso acontecesse, o coronel de infan-
ro, o coronel afirma que alguns esportes devem ser manti-
taria do Exército, Guaraci Dias, foi o responsável por fazer
dos. “Aqui temos praticamente o Slalom e o BMX. Segundo
a relação institucional com diversos órgãos envolvidos na
a Prefeitura, vai se transformar em um parque e vai ser o
construção. De acordo com ele, vários encontros foram re-
segundo maior parque do Rio de Janeiro, perdendo exten-
alizados entre a Empresa Olímpica Municipal (EOM), o Rio
são para o Parque do Flamengo. Algumas áreas serão des-
2016, o Comitê Olímpico Brasileiro e ainda com federa-
montadas, como este percurso do mountain bike”, explicou.
“Vi o trabalho desenvolvido desde o zero. O grande problema que nós tínhamos em relação a área é o seguinte: a área do exército é compartimentada. Cada área tem um responsável e cada uma tem um co-
CIMTB Levorin - Divulgação
ções e confederações nacionais e internacionais.
mandante. A gente teve que administrar esta situação porque algumas unidades perderam área e com isso, tivemos que fazer adaptações para poder sobreviver durante o período que foi feita a construção e o período em que o Jogos 2016 foi realizado”, contou. Além disso, o coronel facilitava o contato com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Ja-
Coronel Guaraci Dias foi responsável pela relação com órgãos envolvidos na construção CIMTB Levorin - Divulgação
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‘Mountain bike foi só felicidade’, afirmou fiscalizador do RioUrbe Wanderson Fernandes da Silva contou que equipe de Rogério Bernardes facilitou o trabalho. Segundo ele, o trabalho foi finalizado e os amigos ficaram como legado
Q
uase dois anos trabalhando nas obras do Par-
gério facilita muito as coisas. A gente finalizou o trabalho
que Radical, de Deodoro, fez com que o mem-
como amigos. As pessoas que tratam bem a gente, a
bro da comissão de fiscalização da Empresa Municipal
gente deseja o bem para elas pelo resto da vida. Eu não
de Urbanização (RioUrbe), Wanderson Fernandes da
tive aborrecimentos com o mountain bike, pelo contrá-
Silva, conhecesse um pouco de cada esporte, desde
rio, foi só felicidade. Rogério é de casa, como se traba-
o Slalom, o BMX, até o mountain bike. Mas, segundo
lhasse na Prefeitura. Além disso, eu vi várias provas, de
ele, foi o mountain bike que deu os melhores mo-
hockey na grama, canoagem slalom, mas o que eu mais
mentos durante o expediente. Wanderson trabalhou
gostei foi o mountain bike, que eu não conhecia. Foi o
acompanhando e fiscalizando o serviço de campo. De
mais cheio e eu não esperava tanta gente”, comentou.
acordo com ele, o trabalho com a equipe de Rogério Bernardes facilitou muito a obra.
Mas, para o mountain bike ficar marcado, Wanderson lembra que foi preciso fazer muitas alterações
“A gente não teve dificuldades e nem problemas
no percurso. “Fazia de um jeito, mudava de outro. Na
com a equipe da construção da pista, todo mundo gos-
largada aumentamos 50 metros depois de pronto. Foi
ta do pessoal. O Rogério montou uma equipe que todo
feito um aterro enorme para montar 50 metros de pis-
mundo gostava, um grupo muito legal. Além disso, o Ro-
ta no morro”, lembrou. CIMTB Levorin - Divulgação
Wanderson afirmou que trabalho com equipe de Rogério facilitou obra
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E foi exatamente essa parte que o motorista Luciano Paes, da Queiroz Galvão, achou mais desafiante. Ele parti-
sediando as Olimpíadas, vai ficar gravado por muito e muito tempo pra gente”, finalizou.
cipou de toda obra e lembra que ia construindo sem saber no que ia se transformar, e se surpreendeu. “O mais desa-
De acordo com Rogério Bernardes executar a
fiante foi a curva da largada. A gente moveu uma quanti-
pista foi um grande desafio. “Primeiro pela dimen-
dade de material impressionante. Não tinha nada, era uma reta, e a gente foi trazendo terra, aterrando devagar e o trator vinha espalhando o material. A gente mesmo não tinha ideia do que ia acontecer, depois que vimos pronto, ficou muito legal”, disse. Para Luciano, uma experiência
“A gente moveu uma quantidade de material impressionante... A gente mesmo não tinha ideia do que ia acontecer, depois que vimos pronto, ficou muito legal .”
diferente no currículo e um grande
são dos Jogos e segundo porque a maior parte dos envolvidos nunca tinham tido contato com o mountain bike. Mesmo assim todos da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Queiroz Galvão foram muito proativos e contribuíram de maneira decisiva para o sucesso do mountain bike no Rio 2016. Além disso, o longo período de convivência e o respeito
orgulho que vai levar para toda vida. “Eu me sinto lison-
pela função de cada um no processo estimulou a ami-
jeado de ter participado da obra. Mas o Rio de Janeiro
zade que ficará sempre na memória”, disse.
CIMTB Levorin - Divulgação
Joaquim Manoel (à esq) e Luciano Paes, assistindo a prova do mtb
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Gerente de projetos do mtb Rio 2016 foi à CIMTB Levorin para conhecer mais sobre o esporte Arquiteto Beni Barzellai conheceu mtb na CIMTB Levorin em Araxá. Ele contou que sempre estava em contato com a equipe de Rogério Bernardes
Criar uma prova de mountain bike no país do fu-
nhariam a prova, como elas se locomoveriam e onde
tebol foi um desafio para muitos envolvidos nos Jogos
seria a área de alimentação. Além disso, era necessário
Olímpicos 2016. Um deles, o gerente de projetos e ar-
lembrar ainda da transmissão para o público”, explicou.
quiteto Beni Barzellai, teve a tarefa de criar a logística do parque, o que incluía a movimentação do público,
Pensando em tudo isso, Beni foi até a CIMTB
imprensa e que atendesse todas as necessidades do
Levorin, em Araxá, onde teve o primeiro contato com
Comitê Olímpico. E para isso, ele foi até a prova da
o esporte. “Eu nunca tinha trabalhado com eventos
Copa Internacional Levorin de Mountain Bike, em Ara-
esportivos antes e muito menos com o mountain bike.
xá, para conhecer mais sobre o esporte.
Quando eu tomei frente do projeto, um pouco antes do Rogério ser contratado, ele me convidou para ir em
De acordo com o Beni, o mountain bike é um es-
uma prova em Araxá e esse foi meu primeiro contato
porte diferente da grande maioria, já que o público não
com o mountain bike. Lá, vi como funciona a prova e vi
se concentra em um único lugar para assistir a com-
também que o Brasil tinha muito público para este es-
petição. “O mountain bike tem um desafio de ser um
porte. São muitos fãs e eu comecei a ver a responsabi-
percurso de 5 km que se espalha pela natureza e mon-
lidade. Uma prova que tinha um público muito grande,
tanhas. O desafio foi pensar como as pessoas acompa-
mais do que a gente pensava”, contou. CIMTB Levorin - Divulgação
Beni foi à etapa de Araxá para conhecer mais sobre o mountain bike
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Montanha da Bandeira vista de cima… parte mais alta da pista e que fez a diferença nas disputas
E foi depois de muitos desenhos que o arquiteto chegou no projeto final. “Aprendi muito com Rogério. A partir do momento que começaram a construir a pista, a equipe dele nos ajudou muito. A gente publicava uma série de cadernos e dese-
CIMTB Levorin - Divulgação
CIMTB Levorin - Divulgação
nhos e planejamento, e eu sempre estava em contato com a equipe de Rogério para fazer da melhor forma possível”, finalizou. De acordo com Rogério, Beni e equipe foram muito competentes no desenvolvimento do projeto. “Ficou muito bem montado, é mérito dele e da equipe, por terem buscado informações, terem mantido uma sinergia conosco, capitado muitas informações com a gente e com a experiência que a gente tinha”, disse.
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Confira o que os melhores do mundo falaram da pista Olímpica de mountain bike Os melhores do mundo no Rio de Janeiro para lutar no maior evento esportivo do planeta,
Ondrej Cink - República Tcheca (25 anos) 14º lugar
Raiza Goulão – Brasil (24 anos) 20º lugar
“Eu estava no evento teste no último ano. Em algumas
“Foi uma prova muito dura e as colocações foram de-
regiões, a pista está um pouco diferente, como na lar-
finidas numa longa subida no trecho final da pista.
gada, que está mais difícil, porque refizeram a curva.
Apesar de largar mal, consegui me manter na 16ª po-
Tecnicamente o percurso não está tão difícil, porém
sição durante a primeira metade da prova, mas senti
existem algumas subidas e a descida da montanha,
o peso das subidas e concluí em 20ª”
que está bem complicada”
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Getty Images - Julian Finney
Getty Images - Phil Walter
os Jogos Olímpicos. Veja aqui o que eles comentaram sobre a pista Olímpica.
CIMTB Levorin - Divulgação
Peter Sagan – Eslováquia (26 anos) 35º Lugar Durante os treinos, Peter Sagan foi um dos atletas mais requisitados pela torcida. Profissional de Ciclismo de Estrada, Sagan retornou ao mountain bike depois de sete anos. No primeiro dia de treino, uma queda deixou o cotovelo ralado. Com dois pneus furados durante a corrida, Sagan terminou em 35º lugar. “Foi a primeira vez depois de sete anos que voltei a esta competição. Foi possível ver que vocês fizeram um bom trabalho na pista. É muito técnica, com subidas e é preciso potência. O tempo para recuperar era curto”, disse. Logo depois da prova, Sagan afirmou em um post em uma rede social que problemas técnicos podem acontecer. “Isso é mountain bike, problemas técnicos podem acontecer e me parar. Eu comecei bem, mas os pneus furados arruinaram minha corrida. Eu acho que não estaria na frente com os melhores corredores, mas talvez eu poderia ter pegado uma posição melhor. Depois do primeiro furo, eu administrei e consegui che-
Daniela Campuzano - Arquivo Pessoal
gar em 11º, mas com o segundo não pude”, escreveu.
Daniella Campuzano – México (29 anos) 16º lugar A mexicana também esteve na etapa da CIMTB Levorin, em Araxá, em 2015, que foi campeã e em 2016, quando ficou com o 2º lugar. “Eu gostei muito. Tinha de tudo, partes técnicas, subidas e descidas, acredito que foi um circuito olímpico muito bom e muito divertido para os corredores e telespectadores”, disse. Esta foi a primeira vez que Daniela participou de Jogos Olímpicos. “Meu objetivo era chegar entre as primeiras dez e não tive esse resultado, cheguei em 16º. São meus primeiros Jogos, estou contente e quero melhorar”, comentou.
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CIMTB Levorin - Divulgação
Maja Wloszczowska – Polônia (32 anos) 2º lugar Maja conquistou o segundo lugar em uma disputa acirrada com a sueca Jenny Rissveds, que ficou com o ouro. Maja foi campeã na CIMTB Levorin em Araxá, em 2016. Para ela a pista Olímpica ficou divertida e técnica. “Teve parte muito divertida. Teve descidas e também os rock gardens. Teve mudanças em relação ao evento teste e eu percebi que ficou melhor. Eu acho que teve mais pedras do que no último ano. Teve muitas opções para escolher caminhos e então foi necessário raciocinar durante a prova. A parte mais alta e a descida, está muito legal. Eu gostei”, disse. A atleta não participou de Londres 2012 pois teve uma lesão no joelho semanas antes da competição. Mas afirmou que a pista brasileira, estava mais divertida. “Eu não estava em Londres 2012 porque eu cai duas semanas antes, quebrei minha perna e não pude correr, mas estava no evento teste em Londres. A pista é similar em relação ao Brasil, mas eu acho que essa é
CIMTB Levorin - Divulgação
mais divertida”, finalizou.
David Valero Serrano – Espanha (27 anos) 9º Lugar “É um circuito que não estamos acostumados a correr, porque estamos acostumados com um circuito mais natural. Mas é uma pista muito boa, gostei muito. É um circuito rápido, que se encaixa nas minhas características e de muita potência. E é um circuito que trouxe muita diversão para os atletas e para quem assistiu”
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CIMTB Levorin - Divulgação
David Rosa – Portugal (29 anos) 44º lugar O português que sempre marca presença em Araxá e que em 2016 ficou com o 2º lugar, teve um problema com a roda durante a competição e terminou em 44º lugar. “Era uma pista muito técnica. Tem subidas que exigem muito das pernas, tem muita zona técnica, os rock gardens são realmente difíceis e é preciso conhecer muito bem e ver exatamente onde vamos
CIMTB Levorin - Divulgação
passar com as rodas para correr tudo bem”, afirmou.
José Antônio Hermida – Espanha (38 anos) 15º Lugar “Eu já a conhecia a pista desde o ano passado e a pista mudou um pouco, está mais natural. O inverno brasileiro deixou o circuito mais técnico, mais natural. Em outubro de 2015 se parecia mais artificial. Mas ficou muito bonito. É um circuito de Cross Country puro e duro, a nível de Jogos Olímpicos. A organização e os brasileiros fizeram um bom trabalho. Tenho certeza que foi um êxito, sobretudo para o mountain bike brasileiro. Uma competição deste nível, com tantos atletas no país, vai ser um incentivo para as próximas gerações”, disse. Segundo Hermida, que esteve em Londres 2012, o circuito brasileiro foi mais característico para o mountain bike. “Londres era mais pequeno, compacto, reduzido, era um ciclo cross com pedras. Aqui é mais mountain bike. Tem uma subida, a primeira subida, onde sobe e desce dos dois lados, é bonito. É um momento técnico, mas logo vem uma subida de mountain bike, de ritmo, de motor, de coração, e em Londres não havia este tipo de percurso. Creio que desde Londres houve muitas ideias e creio que também está de acordo com as características do Brasil, uma parte muito natural e uma parte muito artificial. Tem um pouco de caráter brasileiro neste circuito também”, disse.
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Arquivo Pessoal-Rubens Valeriano
CIMTB Levorin - Divulgação
Andrey Fonseca – Costa Rica (23 anos) 33º lugar
Rubens Donizete Valeriano - Brasil (37 anos) 30º lugar
O atleta também participou da etapa de Araxá em
“A pista ficou ótima, eu amei, pena que não vai ficar a
2016 e ficou com o 14º lugar. Segundo ele, na pista
pista pra gente. A subida era dura. O mountain bike é so-
Olímpica, a parte mais desafiante é a descida da mon-
frimento é técnica e foi tudo isso que rolou. Eu fiquei feliz
tanha da Bandeira. “Eu gostei muito da pista, porque
que mudaram o circuito em algumas partes em relação
tem muitas regiões com rochas e o que é característico
ao evento teste, ficou melhor pra gente e para o público.
de um Cross Country moderno. Para mim, a parte mais
O circuito não deixou nada a desejar em relação à Lon-
difícil é a descida da montanha”, comentou.
dres, estão de parabéns. O estilo de Jogos Olímpicos é
Armin K. / Ego Promotion
esse: técnico, difícil e pensam no público”
Henrique Avancini - Brasil (27 anos) 23º Lugar “Sem dúvidas, a pista de Deodoro é uma das mais espetaculares já construídas. Estou competindo internacionalmente desde que o ‘MTB moderno’ passou a tomar forma, e o circuito apresentou a combinação perfeita entre dificuldades técnicas, físicas, alta velocidade e visibilidade. Uma pista difícil de ser igualada. A subida da bandeira seguida de sua descida em slalon terminando na sessão ‘Rio Rocks’ era fantástica. Um mix de limite físico, e uma descida de alta velocidade. Era um trecho exigente mas muito proveitoso, principalmente pelo trabalho de ‘relevés’ nas curvas da subida e da descida. Espero ver os conceitos aplicados no circuito olímpico nas pistas do Brasil”
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Técnicos O técnico da equipe LM/Sense estava na compe-
Além dele, o técnico da seleção brasileira, Cadu
tição de mountain bike Olímpica. Marlen Ferreira acom-
Polazzo disse que o circuito foi montada de forma téc-
panhou os dois dias de provas. “Achei o percurso ma-
nica. “O percurso foi muito bem montado, exige não
ravilhoso. Mais uma vez o Rogério mostrou o know-how
só a parte física, mas também há trechos técnicos e
que tem. Isso engrandece o nosso esporte, engrandece
perigosos. Então os atletas têm que estar bem cons-
o esporte mundial e mostra que estamos preparados
cientes do que estarão fazendo. Qualquer exagero de
para termos grandes eventos no Brasil, quem sabe in-
intensidade poderia ser perigoso”, comentou.
Álvaro Perazzoli
Marlen Ferreira / Arquivo Pessoal
clusive uma etapa de Copa do Mundo”, afirmou.
Solidariedade no esporte à Jovana qual seria o melhor caminho. Mas não foi
com competição, porém esta palavra vai muito além.
apenas uma vez, foram três vezes, subindo e descen-
Durante os treinos de mountain bike foi possível ver
do, até que Jovana conseguiu passar pelo local. Um
atletas se ajudando no reconhecimento da pista. Uma
exemplo de solidariedade no esporte.
delas foi a mexicana Daniela Campuzano e a sérvia Jovana Crnogorac. No primeiro dia dos treinos, três dias antes da prova, Joana chegou no trecho da descida de madeira, um local muito íngreme, e decidiu passar pelo caminho alternativo. Ela alcançou a mexicana que retornou no percurso para auxiliá-la.
CIMTB Levorin - Divulgação
Para muitas pessoas o esporte está relacionado
Quem estava no local conferiu a ação de Daniela ajudando a companheira. Ela, que já estava a frente, voltou, subiu e desceu os obstáculos para mostrar
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Presidente da EOM afirma que pista de mountain bike se transformou em referência mundial Joaquim Monteiro é atleta de mountain bike e pedalou no percurso. Segundo ele,
“Virou uma pista de referência mundial”, foi assim que o presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), Joaquim Monteiro, definiu o percurso do ciclismo de montanha dos Jogos 2016. Atleta de mountain bike, que já correu na CIMTB Levorin em Araxá, Joaquim comentou que além de ser técnica, e possuir todos os desafios característicos do esporte,
Joaquim Monteiro / Arquivo Pessoal
percurso reúne diversos desafios característicos do esporte
é um percurso charmoso, que dialoga com a paisagem carioca e brasileira. Uma das características da pista, segundo Joaquim que pedalou no percurso, é que é possível encontrar todos os tipos de cenários. “Tem pedras, floresta, obstáculos naturais, ponte, subida e descida íngremes, slalom. É uma trilha que combina técnica, velocidade e também saltos longos. Além disso, ela foi construída em Deodoro, uma região carioca que muita gente não conhecia, e que acabou mostrando um outro ângulo da cidade. E o mais legal é que aquela área vai virar um parque público, e as pessoas poderão usar a parte do Slalom como um piscinão”, explicou. O presidente esteve em Londres 2012, e afirmou que a grande diferença entre os dois percursos é que a pista brasileira, se comunicava mais com o cenário. “A do Rio é mais charmosa. Tem um diálogo com a cidade. Pois, a pista de Londres não dava pra ver a cidade, era afastada, era no campo. Aqui, tivemos a felicidade de combinar BMX, Slalom e colocar todos estes esportes no Parque Radical. E justamente em Deodoro, um bairro carente e que não existia nenhuma área de lazer, e agora tem o segundo maior parque público da cidade”, comentou.
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Joaquim Monteiro afirma que pista se transformou em referência do mtb
De acordo com Rogério Bernardes, Joaquim se
toda montada, como um grande lego. Agora, com o
transformou em um grande parceiro da obra. “O fato
fim dos Jogos Paralímpicos, a arena será desmontada
do Joaquim ser mountain biker fazia com que sempre
e a mesma parede, o mesmo teto serão transformados
estivesse em contato conosco para saber sobre o anda-
em quatro escolas públicas. É a primeira vez que este
mento da construção da pista e, se estávamos precisan-
conceito, que se chama arquitetura nômade, acontece
do de alguma coisa. Em vários momentos ele nos ajudou
nas história dos Jogos”, complementou.
bastante e facilitou o nosso trabalho. Tivemos um gran-
Empresa Olímpica Municipal (EOM)
de parceiro durante todo o período da obra”, finalizou. Ainda segundo Joaquim, todo trabalho feito nos
A EOM teve como objetivo transformar a Ci-
Jogos 2016 teve como objetivo, além de planejar o
dade Maravilhosa em Cidade Olímpica. “A gente fez
evento, beneficiar a cidade. “Os projetos foram enxu-
a coordenação do Projeto Olímpico. Além disso, a
tos, de acordo com a realidade brasileira. O jogos 2016
EOM trabalha em contato com as diferentes secreta-
foram compatíveis com a realidade brasileira, para não
rias da Prefeitura e faz toda coordenação entre o Co-
deixar nenhum elefante branco. Um bom exemplo é a
mitê Olímpico Internacional, Nacional e os interesses
arena de handebol que é toda temporária, ou seja, é
da cidade”, explicou Joaquim.
Torcedores e competidores da CIMTB Levorin acompanharam disputa do mtb Olímpico Quem esteve no Complexo Deodoro pode
Além dele, Marcelo Barbosa Rocha, que corre
sentir a emoção que rolou nas provas de mountain
na categoria Segurança Pública, também acompa-
bike. No público, muitos competidores e torcedores
nhou a prova. “A pista ficou perfeita, podia ficar pra
da Copa Internacional Levorin de Mountain Bike (CI-
galera usufruir. O esporte no Brasil está evoluindo
MTB Levorin) marcaram presença. Um deles, Fábio
muito com a presença desses grandes atletas e isso
Henrique de Almeida, que corre na categoria Cade-
ajuda os brasileiros a prepararem mais e a concorrer
te. Segundo ele, com os Jogos Olímpicos e com a
contra eles”, comentou.
ceu no Brasil. “Estamos perto de atletas que vimos correr em Araxá, como a polonesa Maja que foi prata nos Jogos, o português David Rosa e a gente tem que
CIMTB Levorin - Divulgação
CIMTB Levorin, é possível ver como o esporte cres-
agradecer à CIMTB Levorin, por poder nos proporcionar isso, de termos esse contato com atletas mundiais. Temos que agradecer ao Rogério por proporcionar isso pra gente, por estar sempre inovando e é isso que nos atrai”, comentou.
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Família Vidaurre do Chile, que esteve em São João del-Rei, estavam na torcida do mountain bike Olímpico. Cristoban Vidaurre / Arquivo Pessoal
Chilenos
Para a filha, Catalina Vidaurre, que ficou em 8º lugar na UCI Junior Series da CIMTB Levorin, as desci-
Além deles, a família Vidaurre do Chile que tam-
das eram desafiantes. “O circuito era muito bom, não
bém esteve em São João del-Rei, estavam na torcida
tinha muitas subidas, mas percebi que tinham desci-
do mountain bike Olímpico. O pai Cristoban Vidaurre,
das muito técnicas, com muitas rochas. Foi divertido,
atleta de mountain bike e piloto de rally mobil, afir-
a gente andou por toda pista, foi bem bacana”, disse.
mou que se impressionou com o circuito. O irmão, Martin Vidaurre, que correu na cate-
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“Vi uma pista muito divertida, que exige muito
goria Sub-17 e ficou com o 2º lugar, afirmou que as
do atleta e percebi que tem um material muito bom,
disputas foram grandes e deixaram o mountain bike
algo que permite que a chuva não atrapalhe a compe-
Olímpico ainda mais emocionante. “Por ser uma pista
tição. A dificuldade é média e é preciso que o atleta
Olímpica tem que ter um espaço grande para o públi-
coloque bastante força nas pernas. O circuito é lindo.
co. Eu gostei muito do circuito. Aproveitei muito, foi
É bom para assistir. Tinha gente no circuito todo, fize-
emocionante, nunca sabia quem ia ganhar e foi muito
ram um trabalho muito bom”, disse
divertido”, finalizou.
Sistema de drenagem foi criado para pista de mountain bike Trabalho foi desenvolvido pelo técnico da Queiroz Galvão, Antônio Maia. Obra garantiu com que prova não fosse interrompida por clima
Queiroz Galvão
A construção de pista olímpica ao ar livre abrange vários detalhes. Dentre eles, é necessário se preparar para qualquer tipo de clima, especialmente em um
A construtora Queiroz Galvão foi a responsá-
país tropical. Um dos principais desafios seria controlar
vel pelas obras do Parque Radical e edificações de
o fluxo de água em caso de chuvas. Para isso, um sis-
apoio, com intervenções de infraestrutura, preparo
tema de drenagem foi criado pelo técnico da Queiroz
de canteiros e limpeza do terreno. Dentre as cons-
Galvão, Antônio Maia.
truções que a empresa estava presente, estava o mountain bike.
“Com certeza se não tivesse o sistema bem aplicado de drenagem, não haveria a corrida. A valorização da
A Queiroz Galvão começou a trajetória com a
drenagem ainda é pequena, as pessoas conhecem pouco,
fundação de uma pequena construtora em Pernam-
mas o sistema é muito importante. Eu acho que todas as
buco, em 1953. Juntos, os irmãos Dario, Antonio,
obras civis se sustentam com um sistema de drenagem e
João e Mário estabeleceram o negócio e iniciaram
a pista de mountain bike é uma delas”, comentou Maia.
os trabalhos com pequenas obras de saneamento e pavimentação de estradas.
O controle do fluxo da água foi feito através de A entrada no cenário nacional da construção
escolhido para que a prova fluísse e não tivesse ato-
civil foi dada com a conquista de uma grande obra
leiros por exemplo. O sistema de drenagem é muito
rodoviária no estado de São Paulo. Aos poucos, a
importante, e o pista ficou muito boa. Toda equipe fez
empresa consolidou a marca no país e ao longo de
um bom trabalho”, afirmou.
mais de seis décadas, a Construtora Queiroz Galvão CIMTB Levorin - Divulgação
saídas especiais. “O próprio saibro foi o ideal. Ele foi
modificou a paisagem brasileira de norte a sul. Com a conquista do mercado nacional já consolidada, a Queiroz Galvão expandiu suas fronteiras. Hoje atua na América do Sul, Caribe, África e Oriente Médio. Para o futuro, a companhia tem como principal meta manter seus valores alinhados à tradição e à inovação, sempre priorizando contribuir com o de-
Rogério Bernardes, Fernanda França Santos, gerente comercial da Queiroz Galvão e Antônio Maia, técnico em sistema de drenagem da Queiroz Galvão
senvolvimento do Brasil e de outras nações.
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Fatos em fotos... CIMTB Levorin - Divulgação
Um pequeno álbum que conta as histórias e curiosidades na montagem da pista
ADUTORA Em vários pontos da pista de mountain bike nos deparamos com adutoras da CEDAE, que abastecem várias regiões do Rio de Janeiro. Em função do risco de desabastecimento em caso de acidentes, tivemos que tomar cuidados extremos durante a construção. Em pontos onde estavam previstos a passagem de bike, não tivemos problemas. Mas, em outros locais tivemos que acionar engenheiros e equipes especializadas. Um trabalho que exigiu grande número de pessoas, materiais e equipamentos.
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ÁREA DE APOIO A área de apoio está localizada entre os túneis duplos e o túnel simples que dá acesso ao morro das crateras. Neste local tivemos a interferência das adutoras e trabalho da topografia para posicionarmos cerca de 100 metros de pista dupla com área de equipes no centro. O terreno não era plano e por isso foi necessário um grande serviço de terraplenagem, compactação e plantio de grama.
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BICHOS NA CONSTRUÇÃO Passamos um longo período trabalhando em todos os cantos de Deodoro e em inúmeras oportunidades nos deparamos com várias de espécies de pássaros, cobras e capivaras. As capivaras estavam sempre ao nosso lado e pastando. As cobras sempre que conseguimos recolhíamos e levávamos para as áreas com mata fechada para que ficassem protegidas dos veículos e tratores que circulavam por todo lado.
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CAPINANDO A PISTA Depois dos trabalhos de roçada na pista, retirando o capim, pudemos ver o terreno e entramos com toda a força para limpar o trajeto. Muitas vezes usamos as escavadeiras para que a pista fosse construída nas encostas mas os trabalhos manuais é que davam todo o refinamento e preparavam o terreno para aplicação de saibro e outros serviços. Os trabalhos de capina e limpeza dos arredores foram executados até dias antes dos Jogos.
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CAPINANDO A PISTA
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CAPINANDO A PISTA
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CAPINANDO A PISTA
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CAPINANDO A PISTA
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CARPINTEIROS A Queiroz Galvão sempre teve com uma grande equipe de carpinteiros na obra e quando precisávamos, lá estavam eles com toda a disposição para construir pontes, guarda-corpos, alas dos túneis, moldes para concretagem, etc. Foram meses de trabalho, debaixo de chuva e sol, para conseguir entregar dentro dos prazos os serviços. Uma curiosidade é que as madeiras usadas na pista tinham a necessidade de terem a certificação FSC. E o que é FSC? Segundo o site WWF o FSC é hoje o selo verde mais reconhecido em todo o mundo, com presença em mais de 75 países e todos os continentes. Atualmente, produtos certificados geram negócios da ordem de 5 bilhões de dólares por ano em todo o globo. FSC é uma sigla em inglês para a palavra Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, em português. .
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CROSSING POINTS Existiam na pista sete cruzamentos, os Crossing Points, por onde a pista teria que atravessar estradas utilizadas pelas vias de acesso com grande fluxo de veículos pesados e tratores. A ideia era que em nenhum momento os atletas passassem por áreas que não tivessem piso com terra e, portanto o asfalto nestes pontos não seriam aceitos como pista. Neste sentido, a Queiroz Galvão propôs a construções de “piscinas” de concreto para serem colocadas saibro dentro, similar às faixas de pedestres elevadas que existem por todo mundo. Antes e depois destes crossing points o piso poderia ser asfaltado e o fluxo de veículos não deixou de ser utilizado no dia a dia. Poucos dias antes da competição nos Jogos fizemos a limpeza do local e deixamos a pista pronta para os bikers.
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DRENAGENS Podemos dizer que este trabalho foi o maior de todos sendo maior que a construção da pista. Controlar o fluxo de água para que a pista não fosse destruída por um longo período de tempo era o desafio. E conseguimos fazer isso com muita qualidade utilizando o conhecimento das equipes da Queiroz Galvão mas, principalmente, do engenheiro Maia que tem grande conhecimento nesta área. Para fazer este trabalho utilizamos diferentes tipos de máquinas como escavadeiras e retroescavadeira, em distintos tamanhos, de acordo com as possibilidades no local. Muitas vezes os drenos eram feitos manualmente. Além das escavações utilizamos pedras e madeiras para direcionar o fluxo das águas de chuva.
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PESSOAL Além de todas as pessoas que fizeram parte da nossa equipe de trabalho, tivemos alguns momentos marcantes no processo. Um deles foi o prefeito Eduardo Paes andando pela primeira vez na pista, antes mesmo dela estar totalmente pronta. Tivemos o apoio da Sense Bike que colocou as bikes e capacetes à disposição e foi divertido. As fotos com os atletas brasileiros foram tiradas no evento teste em outubro de 2015. A moto, no alto da montanha da bandeira, fez o maior sucesso e a galera até tirava foto ao lado… também pudera, uma relíquia que fazia o maior barulho por onde passava… pessoal da Shimano (Finha e Toninho) marcou presença no evento teste e nos Jogos. Caique e Rogério em um dos poucos dias de descanso caminhando pela orla. Nosso engenheiro Richer Lucas no Comitê Rio 2016 quando estávamos na fase de planejamento e levantamento de informações para a construção da pista. Na escavadeira e montanha a nossa equipe que pegou pesado durante meses.
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EXÉRCITO NA ÁREA Todo o espaço por onde pista passou é utilizado pelo Exército para treinamentos e manobras durante o ano todo. Neste período de construção, encontrávamos diariamente com militares de diferentes setores e patentes. Em alguns destes locais tínhamos acesso restrito e dias agendado para trabalharmos com total segurança sem que os treinamentos de tiro, por exemplo, pudesse trazer qualquer risco a toda a equipe. E com esse planejamento, tudo ocorreu bem nestes 2 anos de trabalho, sem nenhum acidente ou incidente. Sem o apoio do Exército em conjunto com Queiroz Galvão, Comitê Rio 2016 e Prefeitura do Rio de Janeiro não seria possível trabalhar com a segurança e qualidade necessárias.
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PCL - PISTA DE COMBATE EM LOCALIDADES A área de favelas pintadas que todo o público viu durante a competição estava parecendo um cenário construído especialmente para o evento. Mas na verdade, antes mesmo de iniciarmos os trabalhos de construção, as casas já estavam no local e são utilizadas pelo Exército para treinamentos que vimos acontecer dezenas de vezes. As munições eram de festim e não traziam perigo para ninguém, mas era assustador pois um grande número de militares participavam da manobra. Para não atrapalhar os trabalhos foi criada uma agenda de treinamento que nos ajudou na construção dos trechos que passavam bem próximos das casas na subida e descida após a largada.
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LARGADA E CHEGADA Esta área foi uma das mais trabalhosas da pista de mountain bike. A Queiroz Galvão usou todo sua experiência e equipamentos para fazer esta área. Para o evento teste foi executado a primeira versão do desenho e, depois, a pedido da UCI, foi necessário ampliar a primeira curva de forma inclinada para ser um dos diferenciais. Para esta ampliação foi necessário um grande volume de terra e um trabalho de compactação que durou bastante tempo. Além disso, foi necessário integrar a nova curva à pista já existente para que tudo fosse visto como apenas uma área. O plantio de grama no local ajudou a valorizar a drenagem, e foi fundamental para que a chuva que apareceu dias antes do evento não atrapalhasse o desempenho dos atletas.
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LARGADA E CHEGADA
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LIMPEZA MATO PISTA Este foi um dos trabalhos mais duros em todo o período de construção. O capim existente em quase toda a área estava grande e gerou um grande volume de material para ser retirado do local e foi o primeiro a ser feito para que conseguíssemos ver por onde a pista passava. Tivemos que cortar este capim por várias vezes para manter o controle e na época da chuva, os trabalhos foram ainda mais intensos. Foram 18 meses de manutenção para que a pista não sumisse dentro do capim.
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LOGO QUEIROZ GALVÃO DE PEDRA Após termos imagens aéreas da pista e seu traçado sinuoso encantar a todos envolvidos na construção a Queiroz Galvão pediu que construíssemos o logo da empresa com pedras. O local escolhido foi ao lado das pegadas (flip flop) e a equipe da topografia teve papel fundamental no trabalho demarcando o local. O resultado final só é possível visualizar estando em um helicóptero ou fotografando com drone. De perto só se vê um monte de pedras que parecem ter sido colocadas de qualquer maneira.
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MAPAS DA PISTA Em todo o processo de construção tínhamos os desenhos com trajeto, detalhes dos obstáculos, projeto com instalação de dutos para passagem de cabos da OBS (Olympic Broadcasting Services) que é responsável pela transmissão dos Jogos. Aqui são apenas alguns modelos para ilustrar. Aqui são apenas alguns modelos para ilustrar sendo acima trecho da pista com todos as estacas numeradas e abaixo a pista dividida em áreas para a área de planejamento e nossa equipe seguir o cronograma de trabalho.
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MÁQUINAS NA OBRA A Queiroz Galvão colocou à disposição da construção todos os tipos de tratores, caminhões e equipamentos que pudessem dar o máximo de qualidade e performance nos trabalhos. Para cada tipo de serviço usávamos o equipamento mais adequado. Como a Queiroz Galvão trabalhou em várias frentes de trabalho no Complexo de Deodoro, existia uma enorme quantidade e variedades de equipamentos que atendiam todos os esportes. Ao lado do mountain bike, tínhamos a canoagem slalom e BMX. Mais próximo da Avenida Brasil havia a Arena da Juventude onde aconteceram as competições de basquete feminino, rúgbi, pentatlo moderno e competições de tiro.
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MONTANHA DA BANDEIRA Desde a primeira vez que visitamos o local onde seria construída a pista, ficamos encantados com a Montanha da Bandeira (batizada assim por nós porque havia uma grande bandeira do Brasil hasteada). É o local mais alto da pista e com um visual maravilhoso. Sabíamos, mesmo antes de fazer a pista, que teríamos dois grandes desafios pois a subida seria dura e a descida com potencial de ser técnica e veloz. Iniciamos os trabalhos bem animados na área mas com o passar do tempo descobrimos que o planejamento para trabalhar ali deveria ser bem feito. Começando por usar apenas dois dias da semana em função da agenda do Exército e o local nos trouxe um desafio a cada dia pois a montanha é íngreme e poucas máquinas acessavam. A maior parte dos trabalhos foram executados manualmente. Tivemos que montar um depósito de materiais no meio da montanha e a partir daí tudo era levado manualmente. Tivemos que limpar uma estrada no fundo da montanha para levar toras de madeiras para construir obstáculos. As toras eram grandes e foi necessário utilizar cordas para colocá-las no lugar correto. Já os obstáculos de pedra, procurávamos as que existiam no local para reposicioná-las, caso contrário seria impossível trazer as similares que usamos próximo do túnel duplo, por exemplo. Este reposicionamento só foi possível com uma escavadeira de esteira grande e ficou muito bom. Conseguimos montar um quebra cabeças bem interessante para fazer uma linha desafiadora para os atletas.
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MONTANHA DA BANDEIRA
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PEDRAS NA PISTA Nunca vimos tantas pedras… para fazer todos os obstáculos de pedras fomos até a pedreira indicada pela Queiroz Galvão. Chegando lá, visitamos todos os locais da pedreira vendo os tipos de pedras que poderiam ser interessantes para cada local da pista acompanhados do gerente. Depois disso, fizemos as marcações em várias delas e a medida que os trabalhos iam sendo executados na pista, pedimos mais para que os trabalhos continuassem dentro dos prazos. Havia pedras tão grandes que os caminhões tinham que ser escolhidos com caçamba especial devido a saída no momento de bascular, e o carregamento era feito com apenas cinco ou seis unidades para ficar dentro da capacidade de carga. Chegando na obra colocar cada uma das pedras no seu devido lugar era outro desafio. Algumas vezes o serviço era rápido mas, na maioria das situações, ficávamos virando as pedras várias vezes até que se encaixassem. Na área do Morro das Crateras a situação foi diferente, já que era um dos poucos trechos que deixamos o local 100% natural como Araxá, por exemplo. Lá tínhamos o objetivo de limpar a terra até que aparecessem raízes das árvores no local. O que apareceu foram pedras que deixaram o local bem técnico e com uma aparência natural. Já as pedras da Montanha da Bandeira no trecho de descida, procuramos utilizar as existentes no local fazendo o reposicionamento e criando as linhas da pista. No trecho da subida foi interessante, pois mudamos a pista de local para a base de enormes pedras que apareceram depois do corte do capim.
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PISTA SEM MANUTENÇÃO APÓS EVENTO TESTE Depois do evento teste veio um longo período de chuvas. Neste período tivemos muita dificuldade em dar a manutenção necessária. Mas, quando o período de chuvas terminou, entramos na pista para colocá-la em ordem novamente. A partir daí, fizemos as alterações solicitadas pela UCI após o evento teste, como os obstáculos de pedra após o túnel duplo no sentido da linha de chegada, a grande curva depois da largada, ajustes em outros trechos existentes e corte de uma das curvas na subida da Montanha da Bandeira.
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PLANTIO DE GRAMA Depois de quase concluído o trabalho, a Queiroz Galvão iniciou o plantio de grama ao redor da pista de mountain bike. Com isso os locais que eram de aparência bem árida acabaram se tornando lindos espaços com a pista inserida. Isso foi muito importante no aspecto visual para o público mas, principalmente, para as filmagens. Depois de plantada a grama veio um trabalho que nunca imaginaríamos que fosse dar o trabalho que deu: irrigação. Eram vários caminhões-pipa indo de um local para outro para molhar as áreas gramadas. Veio o período da seca e a dificuldade em conseguir água para irrigação. Não foi fácil, mas deu tudo certo no final.
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PRIMEIRAS VISITAS Bem lá no início, quando nem tínhamos iniciado os trabalhos de construção da pista, fomos ao local inúmeras vezes. Ora para conhecer e montar o planejamento de trabalho, ora para ir em locais que não tínhamos ido. A data desta visita foi pouco antes de começarmos e com a presença de pessoas importantes envolvidos no processo: UCI, Comitê Rio 2016, Queiroz Galvão, Prefeitura, Exército, entre outros. No dia anterior fizemos a primeira reunião de trabalho dentro do Comitê Rio 2016 juntamente com a UCI. A data que iniciamos os trabalhos foi 16 de março de 2015.
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QUEIMADA Nestes dois anos que estivemos trabalhando na região, presenciamos duas grandes queimadas que pegou a montanha da bandeira e todo o entorno da pista. Ficou tudo preto e com aparência horrível. As causas nunca foram descobertas. Pouco antes dos jogos alertamos da necessidade de fazermos um aceiro (limpeza de proteção para contenção do fogo) para evitar que o fogo propagasse na montanha em caso de incêndio, já que estávamos com alguns meses de estiagem. E parece que estávamos adivinhando. Na semana da competição da competição, o terceiro foco de incêndio veio destruindo tudo nos fundos do terreno do mountain bike. Quando chegou à pista, o aceiro conseguiu diminuir o foco, e na parte interna da pista, na Montanha da Bandeira, o fogo não alastrou e as imagens ficaram legais.
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SAIBRO E COMPACTAÇÃO Depois do evento teste veio um longo período de chuvas. Neste período tivemos muita dificuldade em dar a manutenção necessária. Mas, quando o período de chuvas terminaram entramos na pista para colocá-la em ordem novamente. A partir daí, fizemos as alterações solicitadas pela UCI após o evento teste, como os obstáculos de pedra após o túnel duplo no sentido da linha de chegada, a grande curva depois da largada, ajustes em outros trechos existentes e corte de uma das curvas na subida da Montanha da Bandeira.
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TOPOGRAFIA Este serviço da Queiroz Galvão foi um dos diferenciais e muito importante na construção da pista em todo o período. Mesmo antes de iniciarmos os trabalhos, a necessidade de marcação do trajeto original e as atualizações foram fundamentais para o desenvolvimento e a aprovação da UCI e Comitê Rio 2016. Além disso, tínhamos muitas interferências em relação à adutora, que em vários locais cruzava a pista, estradas e construções que teriam ligação direta com a pista. Inúmeras vezes tivemos que nos reunir com os parceiros envolvidos e atualizar detalhes da pista ou das construções futuras ou existentes.
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TRABALHO TÚNEIS Os túneis previstos tinham grande importância na circulação do público e, principalmente, antes dos Jogos quando veículos leves e pesados passavam pelo mountain bike para acessar outros esportes. A pista do mountain bike é muito grande e teve grande interferência com outros esportes quando estavam sendo construídos. Estavam previstos duas áreas com túneis sendo que um deles seria duplo e outro simples, ambos posicionados nos dois extremos das áreas de apoio. Os engenheiros da Queiroz Galvão escolheram o mesmo material utilizado sob estradas federais com grande capacidade de carga e com altura de 2,5 m, que era uma das exigências da UCI, para a construção dos túneis. Pensávamos que seria algo rápido de ser construído, mas os vários processos fizeram com que fossem gastos mais de 30 dias. Compra de material, escavação, concretagem da base, colocação das “aduelas” (peças de concreto), compactação da terra nas laterais, limpeza da terra, etc. Aprendemos demais. Mas ainda faltava a construção das “alas” que ficam nas saídas dos túneis e servem para conter a terra. Apesar do desenho inicial prever o uso de pedras, sugerimos a utilização de toras de eucaliptos para fazer um trabalho rústico e já servir de base para os guarda-corpos. Muito com a cara do que já fazemos pelo Brasil afora. Neste momento, chegou a hora dos carpinteiros entrarem em ação mais uma vez. Foi um grande trabalho que exigiu técnica e perícia de todos os envolvidos. As peças de eucaliptos, apesar de bem compridas, foi preciso estender algumas para ficar na altura correta. Depois de todo o trabalho de escolha e encaixe das peças, outra equipe de concretagem surgiu e fez seu trabalho. Depois que todas as toras ficaram de pé e fixadas, outros carpinteiros chegaram dando o acabamento e fazendo o guarda-corpo dentro dos padrões de normas técnicas da ABNT.
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TUBOS TVS Um dos grandes diferenciais de todas as competições olímpicas é a transmissão e imagens geradas pela OBS. E no mountain bike não seria diferente. Para isso acontecer, recebemos um projeto com mais de 20 passagens subterrâneas pela pista onde os cabos de TV e elétricos seriam instalados para o trabalho da transmissão.
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VISUAL Aqui alguns momentos destes dois anos. Estes sol nascendo era 5h30, quando Ăamos diariamente para a obra. Para muitos que tivemos a oportunidade de conversar informalmente contamos que os trabalhos eram de segunda a segunda na maior parte dos meses. Foi muito bom enquanto durou‌
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Ă rea onde foi construĂda a ponte dupla. Fizemos de tudo para manter a ĂĄrvore torta existente no local e conseguimos. Para isso mudamos a ponte de lugar e o trecho da pista.
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Esta foto é do primeiro dia, em 16 de março de 2015, quando iniciamos os trabalhos de campo. Ao fundo a área de largada e chegada que estava completamente inexplorada
Nesta legenda só cabe uma frase para resumir tudo “Muito obrigado por tudo Sr. Chumaker. Foi um grande prazer conhece‑lo e em seu nome agradeço a todos que estiveram conosco, independente do tempo que fizeram parte da equipe”
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Equipe da CIMTB Levorin
Hermida deu um show de simpatia
Fumic (Alemanha) assinando a camisa da CIMTB Levorin CIMTB Levorin - Divulgação
Diversos atletas assinaram a camisa da CIMTB Levorin
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Alexandre Persi, Fábio Persi e Leonardo Persi
Thomas Litscher, um dos treinadores de Nino Schurter
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Gerente geral do Comitê Olímpico Brasileiro, Agberto Conceição Guimarães, e Rogério Bernardes
Muitos atletas da CIMTB Levorin compareceram na prova CIMTB Levorin - Divulgação
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