Rodrigo Barsi
FRENTE
A
GEOGRAFIA Por falar nisso Fazia quase dois anos que ocorrera o crash na Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929, mas os estragos provocados pela crise ainda eram sentidos em todo o planeta – e também no Brasil. Em junho de 1931, uma nuvem de fumaça gigantesca, que vinha de uma enorme fogueira, pairava sobre a cidade de Santos, no Litoral de São Paulo, por onde escoava boa parte das exportações do café brasileiro. Acesa durante as festas juninas, a fogueira duraria até o fim do ano – mas tinha pouco a ver com a comemoração de São João. Ela fora iniciada para queimar o estoque de café, então responsável por 70% das exportações brasileiras, que se acumularam com a retração do mercado externo. Enquanto o fogo durou, consumiram-se milhões de sacas. O aroma do café torrado era tão forte que ultrapassava as fronteiras municipais. Era contido apenas pelas encostas da Serra do Mar, que se estende pela costa paulista. O café, portanto, seria o último ciclo antes do Brasil industrial. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
A17 A18 A19 A20
A industrialização brasileira II........................................................380 Distribuição espacial das indústrias...............................................386 Etapas da globalização I.................................................................392 Etapas da globalização II................................................................398
FRENTE
A
GEOGRAFIA
MÓDULO A17
ASSUNTOS ABORDADOS
A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA II
nn A industrialização brasileira II
Crescimento econômico, crise social
nn Crescimento econômico, crise social nn A Globalização e a economia nacional nn Os efeitos da globalização na economia
Entre os anos de 1968 e 1974, a economia brasileira alcançou uma notável expansão, refletida no crescimento acelerado do Produto Interno Bruto (PIB). Esse período ficou conhecido como milagre brasileiro em alusão aos milagres alemão e japonês das décadas de 1950 e 1960. Foi marcado por taxas de crescimento excepcionalmente elevadas, que foram mantidas, enquanto a inflação, controlada e institucionalizada, declinava, estabilizando-se em torno de 20 a 25% ao ano. No ano de 1970, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro acabou batendo o recorde de volume de transações em toda a sua história. Nesse mesmo ano, o Brasil obteve o maior empréstimo concedido até então pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a um país da América Latina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) relatou que o Brasil havia sido o primeiro país latino-americano a ultrapassar a cifra de um bilhão de dólares em suas reservas de moedas fortes naquele organismo. Dessa forma, em apenas um mês, acabou conseguindo superar 105 milhões de dólares as reservas da Venezuela, até aquele momento, o país latino-americano mais forte dentro do FMI.
Fonte: shutterstock.com/Por Kzenon
Figura 01 - A crise econômica afeta diversos segmentos da indústria de produção.
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No entanto, mesmo com todo esse avanço econômico, ocorria um aumento progressivo da desigualdade por meio da falta de distribuição de renda, que se tornou o ponto central da crítica à política nacional de desenvolvimento seguida pelo governo Médici e amplamente justificada pelos adeptos do modelo. O próprio presidente da República declarara em relação ao sucesso obtido pela política econômica de seu governo que a economia ia bem, mas o povo ia mal. O então ministro da Fazenda, Delfim Neto, admitiu que a distribuição de renda no Brasil não era boa, acrescentando todavia que isso já vinha ocorrendo há muitos anos. Justificou o fato pela crescente complexidade da economia brasileira, afirmando que a estrutura produtiva se encontrava alterada pelo desenvolvimento, o que resultava em melhoria para todos, embora alguns melhorassem mais que outros.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
https://oglobo.globo.com/economia/rio-segunda-maior-economia-masindustria-apenas-sexta-do-brasil-18233605. Acesso em 20 Ago. 2017.
A Globalização e a economia nacional Na década de 1980 ocorreu o esgotamento do modelo de industrialização baseado na substituição das importações. Os fluxos de financiamentos que eram voltados para os investimentos estatais sofreram recuo a partir do momento em que ocorreu uma disparada nas taxas de juros do mercado internacional. Paralela a essa situação, a dívida externa, que havia sido contraída junto às instituições internacionais, ampliava-se rapidamente. A crise econômica que se iniciou no ano de 1988 aliada ao avanço do processo globalizatório acarretaram mudanças significativas no modelo econômico brasileiro. Passou a ocorrer, com esse processo globalizatório, uma ampliação dos fluxos internacionais de capitais. As economias representadas pelos Estados passaram a aderir mais ainda ao comércio global. Foi a partir do ano de 1990, ou seja, com o governo de Fernando Collor de Melo, que se iniciou o processo de abertura da economia brasileira. As empresas estatais passam, paulatinamente, a integrar um Programa Nacional de Desestatização, e países como Estados Unidos da América, Portugal e Espanha passaram a investir na compra dessas empresas. A17 A industrialização brasileira II
No entanto, foi durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (19951998) que se consolidou um novo modelo econômico, assentado sobre a liberalização comercial e a atração de investimentos estrangeiros diretos, cuja implantação representou a desmontagem das estruturas produtivas estatais por meio de um vasto programa de privatizações. Entre 1991 e 1993, o Estado brasileiro vendeu empresas químicas, petroquímicas e as siderúrgicas estatais, como a Usiminas e a pioneira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em seguida, passaram para o capital privado as ferrovias, alguns portos, a Embraer (setor aeroespacial) e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) – atualmente, uma das maiores mineradoras do mundo, com mais de 100 mil funcionários.
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Geografia
Os efeitos da globalização na economia Compreender o atual processo de globalização das economias e seus efeitos, em especial nos países em desenvolvimento, é na verdade procurar desvendar a concepção do papel do Estado nesta nova fase do capitalismo pós-Segunda Grande Guerra, representada pelos seguintes agentes econômicos: as famílias, as empresas e o governo. Em virtude da automação, da racionalização dos processos produtivos, do aumento da competitividade das empresas, apresenta-se uma crescente inelasticidade da oferta de empregos em relação ao nível de produção, evidenciando-se a necessidade cada vez menor da utilização de grande número de trabalhadores para gerar maior quantidade de bens, ou seja, a produção está dissociada do nível de emprego. Assim sendo, a produção aumenta extraordinariamente com os ganhos de competitividade, mas os postos de trabalho não aumentam na mesma proporção. Portanto, ao tratarmos da questão econômica, não podemos deixar de vinculá-la à reorganização dos nossos sistemas econômico e educacional, e à participação da sociedade no esforço permanente em busca do desenvolvimento do País. A globalização e o desemprego no Brasil O processo de desenvolvimento econômico brasileiro, no início do século XX, já se mostrava desigual, estruturado no modelo de produção capitalista, resultado da colonização e do escravismo. A economia brasileira teve seu desenvolvimento industrial subordinado a poderosos grupos capitalistas internacionais, tornando-se uma “economia dependente”. Importante lembrar que esses grupos tiveram suas ações favorecidas no Brasil em função do desequilíbrio gerado pela Primeira Guerra Mundial. Hoje o Brasil apresenta uma economia industrializada bastante desenvolvida, apesar de passar por profundas transformações, entretanto sua riqueza encontra-se mal distribuída. O processo de globalização em curso e as políticas econômicas “sugeridas” pelo FMI na última década do século XX no Brasil apresentaram indicadores sociais péssimos, comprovados por meio de uma enorme desigualdade, tanto na repartição da renda como na distribuição espacial da população, e um longo processo de concentração das atividades econômicas. As profundas transformações tecnológicas reduziram enormes quantidades de postos de trabalho, passando a predominar o produtivismo, que é a busca contínua por aumentos de produtividade a qualquer custo, sem critérios para a valorização humana, a ética, entre outros.
A17 A industrialização brasileira II
O que se nota é a intensificação na precarização do mercado de trabalho, aumentando a participação dos postos de trabalho informais no total das ocupações no país, associada à instabilidade nos contratos trabalhistas, com a presença de maior rotatividade nos empregos, os quais são ameaçados também pela terceirização e pela subcontratação. O desafio maior que se apresenta hoje nas sociedades capitalistas é buscar um caminho com a finalidade de conciliar os interesses sociais e os interesses das empresas contemporâneas, as quais vêm, ano a ano, introduzindo cada vez mais novas tecnologias e novos métodos de gestão empresarial nos seus processos produtivos, com a finalidade de sobreviver e crescer em um ambiente, como o atual, de grandes mudanças e de elevada competitividade - situação atribuída ao fenômeno da globalização.
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Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação
Revista África 21. Rio de Janeiro, 2013
A matéria refere-se à (ao): a) China b) Estados Unidos c) Alemanha d) Argentina e) África do Sul 02. (FGV RJ) Permanecendo em grande parte à margem do modelo de industrialização fordista que envolveu, sobretudo, o Sudeste do país, a Amazônia tem condições vantajosas de passar da situação pré-fordista em que se encontra diretamente ao pós-fordismo. As cidades sempre foram a base logística para o controle estratégico do território e para a exploração econômica da Amazônia. Hoje cabe às cidades antecipar o novo padrão de desenvolvimento regional baseado na combinação do uso não predatório do patrimônio natural com serviços tecnologicamente avançados nelas sediados para conexão intrarregional e internacional. http://www.cgee.org.br/atividades/redirect/5829
Nesse texto, a geógrafa Berta Becker defende um padrão de desenvolvimento para a Amazônia. Assinale, entre as alternativas abaixo, aquela que apresenta uma afirmação coerente com esse padrão. a) O modelo implantado na Zona Franca de Manaus, que utiliza tecnologias de ponta para a produção, em série, de itens, tais como motocicletas e equipamentos eletrônicos, deve ser estendido para toda a região. b) O acelerado processo de urbanização da região, principal responsável pelo desmatamento e pela degradação do patrimônio natural, deve ser revertido por meio de políticas públicas. c) A defesa do imenso patrimônio natural representado pelos ecossistemas amazônicos deve decorrer de sua utilização inovadora e não de seu isolamento produtivo. d) As cidades da região devem se conectar entre si e com o mundo, de forma a poder usufruir dos serviços especializados produzidos somente nos centros mais avançados, inclusive no que diz respeito ao uso do patrimônio natural. e) No modelo pós-fordista proposto, o complexo urbano-industrial deve ter independência em relação ao complexo verde, representado pelo patrimônio natural, que não deve ser objeto de atividade econômica.
03. (FGV RJ) É consenso entre os economistas que o Programa Nacional de Inovação é o principal motor do aumento de investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Esse programa prevê a instalação de empresas de alta tecnologia nos arredores das principais universidades. Como exemplo, pode-se citar o setor aeronáutico, localizado nas proximidades de centros universitários nas cidades de a) Ribeirão Preto e Taubaté. b) Pouso Alegre e Belo Horizonte. c) Campinas e Santos. d) São José dos Campos e São Carlos. e) Recife e Campina Grande. 04. (Ufu MG) A Crise de 1929 atingiu em cheio a economia do Brasil, muito dependente das exportações de um único produto, o café. Mas, mais do que gerar dificuldades econômicas, o crash que completa 86 anos em 2015 provocou na época uma mudança no foco de poder no país acabando com um pacto político interno que já durava mais de trinta anos. Disponível em: <http://www.revistacafeicultura.com.br/ index.php?tipo=ler&mat=27265> Acesso em: 20 de fev. 2015.
Perante a situação descrita, o Brasil implanta a partir de 1930 uma política de incentivo à a) produção de bens intermediário. b) importação de produtos manufaturados. c) diversificação da produção agrícola. d) atração de capital estrangeiro. 05. (Unifor CE) O período de 1946 a1961 foi marcado, no Brasil, por acelerado crescimento industrial. O governo brasileiro criou programas especiais de incentivo e construiu diretamente empresas para promover o desenvolvimento. Acreditava-se, na época, que a industrialização seria suficiente paratransformar o país em uma nação avançada. Sobre este período, pode-se afirmar que a) o Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento construiu as usinas hidroelétricas de Itaipu e Tucuruí. b) o crescimento industrial foi marcado, no período, pelo liberalismo econômico em relação ao mercado externo. c) o Plano de Metas, realizado no governo Juscelino Kubitschek, implantou as indústrias automobilística e naval, dentre outras. d) apesar da intervenção estatal e dos grandes investimentos, o crescimento da produção industrial foi baixo. e) o Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento controlou a inflação e o déficit público.
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A17 A industrialização brasileira II
01. (ESPM SP) Principal mercado para os produtos industrializados brasileiros enfrenta uma profunda crise que parece não ter fim. Resultado: pioram as perspectivas de exportação de manufaturados de alto valor agregado ...
Geografia
Exercícios Complementares 01. (Unifor CE) Na segunda metade dos anos 1970, o governo militar elaborou e executou o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND). Esse Plano foi o centro do Modelo de Crescimento com Endividamento. O intuito era promover exportações e substituir importações. Pode-se afirmar sobre o II PND que a) promoveu a instalação da primeira Usina Siderúrgica em Volta Redonda. Base para o futuro crescimento industrial. b) foi responsável pela criação do Instituto de Tecnologia Aeronáutica, Conselho Nacional de Pesquisa Científica e o Banco do Nordeste do Brasil. c) foi executado sem intervenção estatal, respeitando as regras de mercado. d) procurou diversificar regionalmente os investimentos, criando, por exemplo, o Polo Petroquímico de Camaçari. e) criou a Vale do rio Doce, a Fábrica Nacional de Motores e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. 02. (IF SC) Assinale a alternativa CORRETA. A integração econômica do Brasil ocorreu: a) Pelos processos de industrialização, diversificação produtiva e conexões de mercados, ocorridos principalmente no século XX. b) Pelo acentuado investimento em infraestrutura e incentivos do governo ao desenvolvimento regional no século XIX. c) Pela divisão regional do país em cinco regiões pelo IBGE. d) Por processos de privatização de empresas durante a desestatização da economia, a partir da década de 1990. e) Pela integração de ferrovias, portos marítimos e fluviais em todo o país. 03. (IF SC) O estado de São Paulo é o estado mais industrializado do Brasil. Sua capital, São Paulo, é considerada o centro financeiro do país por concentrar grandes corporações financeiras, ter um dos maiores parques industriais e por ser um dos maiores e mais intensos centros de serviços e comércio do país.
A17 A industrialização brasileira II
Leia e analise as afirmações abaixo. I. O processo histórico de desenvolvimento industrial e financeiro do estado de São Paulo está relacionado à crise do café ocorrida entre as décadas de 1920 e 1930. O acúmulo de capital oriundo da produção cafeeira e a necessidade de alternativas para fugir da crise deu o impulso inicial para essa industrialização. II. Embora seja o centro financeiro do Brasil, entre as unidades federativas do Brasil, o estado de São Paulo, devido ao problema da violência urbana e da chegada em massa de migrantes, tem um dos piores índices de desenvolvimento humano (IDH), abaixo de 0,6.
384
III.
Nas últimas décadas, o Brasil tem passado por um processo de desconcentração industrial. Grandes indústrias têm procurado fugir das grandes metrópoles como São Paulo em busca de lugares com menos congestionamentos, menos violência e onde os custos com impostos, transporte e produção podem ser reduzidos. IV. A Região Metropolitana de Florianópolis é a denominação dada ao conjunto de cidades formada por Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, entre outras cidades próximas, que se unem numa só rede urbana. Portanto, a Região Metropolitana de São Paulo é o conjunto de cidades vizinhas que se unem a São Paulo formando uma única rede urbana. Esse processo é conhecido como conurbação. Assinale a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. b) Apenas a afirmação IV é verdadeira. c) Apenas as afirmações II,III e IV são verdadeiras. d) Apenas as afirmações I, III e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmações são verdadeiras. 04. (Unitau SP) Desindustrialização significa a redução da participação na geração de riquezas da indústria em relação a outros setores da economia. “A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) foi de 13,3% em 2012, retrocedendo ao nível que o setor tinha na economia em 1955, antes da implantação do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. Mantida as atuais condições de crescimento, essa participação deverá cair para 9,3%, em 2029”. (O Estado de São Paulo de 28/08/2013)
Sobre isso, NÃO podemos afirmar: a) A desindustrialização é preocupante, pois os efeitos de encadeamento para frente e para trás são mais fortes na indústria do que nos setores agrícolas e de comércio. b) A desindustrialização é preocupante, pois grande parte do processo de inovação tecnológica que ocorre na economia é difundida a partir do setor manufatureiro. c) A desindustrialização pode provocar maior desequilíbrio na balança comercial brasileira, com o aumento das importações. d) A desindustrialização é um fenômeno que tem impacto negativo sobre o potencial de crescimento de longo prazo, pois reduz a geração de retornos crescentes, diminui o ritmo de progresso técnico e aumenta a restrição externa ao crescimento. e) A desindustrialização é um fenômeno exclusivo dos países em desenvolvimento, como o Brasil.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
06. (UFPR) Observe a tabela a baixo. Taxa média anual de variação da produtividade por trabalhador ocupado na indústria de transformação (em porcentagem) Brasil 1970/2011
1970/1980
2,4
1980/1990
-0,1
1990/2000
6,5
2000/2011
0,3
Fonte: FONSECA, R. Produtividade e crescimento da indústria brasileira. Revista Brasileira de Comércio Exterior, n. 112, jul.-set. 2012.
Com base na tabela e nos conhecimentos de Geografia Industrial, assinale a alternativa correta. a) Na década de 70, a política de substituição de importações de petróleo levou à modernização tecnológica do setor petrolífero e ao consequente salto de produtividade expresso nos dados da tabela. b) Na década de 80, o retrocesso da indústria foi resultado da opção do governo de privilegiar as exportações de produtos agrícolas com o fim de obter divisas para o pagamento da dívida externa. c) Na década de 90, a produtividade cresceu mais rapidamente em função dos estímulos criados pelo controle da inflação, pela abertura da economia e também pela atração de investimento direto estrangeiro. d) A desconcentração espacial da indústria tem como contrapartida a redução do ritmo de inovação tecnológica, razão pela qual a produtividade só cresceu com força nas décadas de 70 e 90, quando aumentou o nível de concentração industrial em São Paulo. e) Na primeira década do séc. XXI, o fraco crescimento da produtividade resultou da privatização de empresas do setor produtivo estatal, medida que implicou a desativação dos centros de pesquisa científica dessas empresas.
07. (Unimontes MG) Brasil: Atividade Econômica
Equador
OCEANO ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio
Fonte: SENE, E. de e MOREIRA, J. C. Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione: 2010.
São características das áreas em destaque no mapa, EXCETO a) Nas regiões Sul e Sudeste, fatores históricos e econômicos contribuíram para a interiorização das atividades econômicas com destaque para as indústrias. b) Na região Nordeste, trata-se de áreas com incipiente setor secundário, refletindo em baixas densidades demográficas devido ao deslocamento populacional. c) No Amazonas, trata-se da Zona Franca de Manaus, principal motor da economia amazonense e que teve, em 2014, os incentivos fiscais garantidos por mais 50 anos. d) No Pará, trata-se da região industrial de Belém que juntamente com Manaus constituem as principais regiões industriais de maiores influências na região Norte. 08. (FM Petrópolis RJ) Esse ideal desenvolvimentista foi consolidado num conjunto de 30 objetivos a serem alcançados em diversos setores da economia, [...]. Na última hora, o plano incluiu [...] a construção de Brasília e a transferência da capital federal, o grande desafio de governo. [...] Para os analistas da época, o Brasil vinha passando, desde a década de 1930, por um processo de substituição de importações não planejado, e a falta de planejamento seria a causa dos constantes desequilíbrios no balanço de pagamentos. O Plano [...] pretendia suprir essa falta. A introdução de uma meta de consolidação da indústria automobilística no país tinha como objetivo, entre outras coisas, a redução planejada e gradativa da importação de veículos. Disponível em:<http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies...>. Acesso em 03 ago. 2014.
Considerando o processo de industrialização brasileiro, no texto acima é possível apreender a caracterização de um momento histórico que associa a atuação de a) Gaspar Dutra ao Plano Salte. b) Governos militares ao milagre econômico. c) Juscelino Kubitschek ao Plano de Metas. d) João Goulart às tentativas de reformas econômicas. e) Getúlio Vargas em seu retorno ao governo à política nacionalista. 385
A17 A industrialização brasileira II
05. (UECE) Atente às afirmações abaixo, sobre o processo de industrialização no Brasil. I. A abolição da escravidão teve como consequência a expansão do trabalho assalariado que juntamente com a imigração europeia foram fatores indispensáveis para a industrialização brasileira. II. O surgimento da indústria no Brasil ocorreu concomitante à industrialização europeia, complementando assim a relação colônia-metrópole. III. O caráter substitutivo das importações marcou um período da industrialização brasileira, momento em que ocorreu uma produção interna de bens que antes eram importados. IV. A concentração industrial brasileira ocorreu em várias partes do país, sobretudo em São Paulo e na região da zona da mata mineira, com seus polos tecnológicos. É correto o que se afirma apenas em: a) II e IV b) I e III c) I e IV d) II e III
FRENTE
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GEOGRAFIA
MÓDULO A18
ASSUNTOS ABORDADOS nn Distribuição espacial das indústrias
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS INDÚSTRIAS Embora desde o início deste século o eixo São Paulo − Rio de Janeiro já fosse responsável por mais da metade do valor da produção industrial brasileira, até a década de 1930 a organização espacial das atividades econômicas era dispersa e as atividades econômicas regionais progrediam de forma quase totalmente autônoma. A região Sudeste, onde se desenvolvia o ciclo do café, quase não interferia ou sofria interferência das atividades econômicas que se desenvolviam no Nordeste (cana, tabaco, cacau, algodão) ou no Sul (carne, têxteis e pequenas agroindústrias de origem familiar). As indústrias de bens de consumo, em sua esmagadora maioria ligadas aos setores alimentício e têxtil, escoavam a maior parte da sua produção apenas em escala regional. Somente um pequeno volume era destinado a outras regiões. Não havia significativa competição entre as indústrias instaladas nas diferentes regiões do país, chamadas até então de “arquipélagos econômicos regionais”. A partir da crise do café e do início da industrialização, sob o comando do Sudeste, esse quadro se alterou. A oligarquia agrária do setor cafeeiro deslocou investimentos para o setor industrial, instalando, principalmente em São Paulo, uma indústria moderna para os padrões da época. Junto a isso, o Governo Federal, presidido por Getúlio Vargas, promoveu a instalação de um sistema de transportes integrando os “arquipélagos regionais”. Nessa dinâmica, houve uma verdadeira invasão de produtos industriais do Sudeste nas demais regiões do país. Isso levou muitas indústrias, principalmente nordestinas, à falência. Nenhum industrial tinha capacidade financeira para competir economicamente com os antigos barões do café. Assim, com a crise do café, iniciou-se o processo de integração dos mercados regionais, comandado pelo centro econômico mais dinâmico do país, o eixo São Paulo − Rio de Janeiro.
#DicaCine Geogafi Um sonho intenso (Sinopse: Relato das transformações do processo socioeconômico brasileiro pontuado por interpretações de um grupo de economistas e historiadores que tem em comum o reconhecimento de que os avanços desde 1930 até os dias atuais não foram suficientes para eliminar algumas características fundamentais do subdesenvolvimento brasileiro.) 386
C
V
Mapa 01 - No Sudeste, o café começou a ser plantado no Rio de Janeiro, depois no Vale do Paraíba, São Paulo e Minas Gerais.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
O desenvolvimento econômico da região Sudeste do Brasil não está atrelado somente ao desenvolvimento da infraestrutura, dos investimentos realizados em forma de capital, e da mão de obra proveniente da cafeicultura. Outro fator de extrema importância é a riqueza mineral da região. Destacam-se o ferro e o manganês, reservas importantíssimas para as indústrias de base. O quadrilátero ferrífero em Minas Gerais é um grande fornecedor dessas reservas. Por isso, várias indústrias siderúrgicas surgiram em cidades próximas ao Quadrilátero Ferrífero. Além de terem nascido com mais força no Sudeste, as atividades industriais tenderam à concentração espacial nessa região devido a dois fatores básicos: a complementaridade industrial - as indústrias de autopeças tendem a se localizar próximo às automobilísticas; as petroquímicas, próximo às refinarias −, e a concentração de investimentos públicos no setor de infraestrutura industrial devido à pressão feita pelos detentores do poder econômico, os quais costumam ter suas reivindicações atendidas pelos governantes. Ainda é mais barato para o governo concentrar investimentos em determinada região do que espalhá-los pelo território nacional. Até o final da década de 1970 a concentração industrial brasileira tinha como base a região Sudeste. A partir do momento em que grandes usinas hidrelétricas foram sendo construídas e inauguradas na região Nordeste (exemplos: UHE de Sobradinho e UHE Parnaíba), passou a ocorrer um processo de desconcentração industrial no país. O Governo Federal passa então a ampliar investimentos para que outras regiões pudessem crescer no aspecto industrial.
A18 Distribuição espacial das indústrias
No estado de São Paulo, o mais equipado do país quanto à infraestrutura de energia e de transportes, houve maior concentração de indústrias na região metropolitana da Grande São Paulo (figura 1).
Mapa 02 - Distribuição industrial brasileira.
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Geografia
SAIBA MAIS RECIFE É O VALE DO SILÍCIO BRASILEIRO
Fonte: Wikimedia Commons
Pernambuco sempre esteve à frente de seu tempo. Desde a ocupação dos holandeses, lá por 1630, o estado tinha um intenso comércio, sobretudo em Recife, onde os comerciantes eram chamados de “mascates”. Berço de importantes centros de inovação e do maior parque tecnológico do País, Recife é atualmente o maior polo tecnológico do Brasil. Cada vez em maior número, multinacionais, como IBM, Accenture, Microsoft, HP e Samsung, escolhem a região para instalar fábricas e centros de pesquisa. Em março de 2014, foi a vez da Fiat Chrysler. Ela anunciou que instalará um centro de pesquisa e desenvolvimento em Recife, que será localizado dentro do parque tecnológico Porto Digital, fundado em 2000 para fomentar a área de tecnologia de informação no Nordeste. Figura 01 - Vista do Porto Digital, no bairro do Recife Antigo, em Recife (PE), o maior parque Desde os anos 70, quando foi criado o curso de tecnológico do Brasil (WikimediaCommons/Américo Nunes). Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a cidade formava um grande número de profissionais qualificados na área de TI, o que gerou de um crescimento de empresas para servir a indústria local. Já o parque tecnológico Porto Digital abriga mais de 250 startups, pequenas, médias e grandes empresas e multinacionais que somam mais de 7 100 trabalhadores em uma área de 149 hectares. O tempero pernambucano Não só a história ajudou Recife a carregar o título de polo tecnológico. A cidade tem alguns pontos fortes que atraem as empresas. De acordo com um estudo da consultoria Urban Systems, Recife é a cidade brasileira com a melhor infraestrutura para negócios — além, é claro, de ter um ótimo capital humano. A cidade também se destaca em áreas fundamentais para o desenvolvimento e expansão das empresas, como uma localização estratégica para o Nordeste, e o transporte, com o Porto do Recife e com o melhor aeroporto do Brasil, de acordo com a Secretaria de Aviação Civil (SAC). Do gargalo à solução Segundo o diretor de inovação Guilherme Calheiros, do Porto Digital, com o crescimento, Recife adotou alguns problemas bem conhecidos por outros centros urbanos, como a falta de segurança, falta de iluminação pública, e o principal gargalo da cidade: a mobilidade pública.
A18 Distribuição espacial das indústrias
Data da reportagem: 25 jul. 2015. Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/recife-o-vale-do-silicio-brasileiro/
Atualmente, seguindo uma tendência de descentralização já verificada nos países desenvolvidos, assiste-se a um processo de deslocamento das indústrias em direção às cidades médias do interior, que apresentam índices de crescimento econômico superiores aos da Grande São Paulo. Isso é possível graças ao grande desenvolvimento e à modernização da infraestrutura de produção de energia, de transportes, de comunicações e de informatização, criando condições de especialização produtiva por meio da integração regional. As regiões tendem, atualmente, a se especializar em alguns poucos setores da atividade econômica e a buscar, em outros mercados (do Brasil ou do exterior), as mercadorias que satisfaçam as necessidades diárias de consumo da população.
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Mapa 03 - Concentração Industrial brasileira em 2009.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Por volta de 1970, começou a ocorrer uma relativa desconcentração industrial no Brasil, com decréscimo relativo em São Paulo e crescimento maior em outras unidades federativas. Nesse caso, o que houve não foi tanto uma regressão da atividade industrial em São Paulo, porém um maior ritmo de crescimento em outros estados. Dentre os vários fatores da desconcentração industrial brasileira, podemos apontar três como os principais: nn Deseconomia
de escala: ocorre quando uma aglomeração se torna desfavorável às novas localizações empresariais em função dos custos elevados com impostos, terrenos caros, congestionamento frequente, enorme poluição, maior custo de vida;
nn Maior
organização sindical: sindicados tradicionais que são mais atuantes na defesa dos direitos de suas categorias profissionais, obtendo médias salariais bem maior do que no restante do país;
nn Incentivos
fiscais (Guerra fiscal): incentivos variados, feitos por estados e municípios, para atrair empresas (terrenos baratos ou doados pela prefeitura, isenção de impostos).
Com o processo de desconcentração industrial nas últimas décadas, foi possível identificar o desenvolvimento fabril em todas as regiões do Brasil, mas havendo, ainda, um maior percentual para região sudeste (mapa 3).
Gráfico 01 - Percentual de indústria por região 2006.
A região Sudeste é a mais industrializada do país. Em 2006, contava com mais da metade das unidades industriais (50,5%). A concentração industrial, marca do espaço brasileiro, também ocorre nesse espaço regional. É bastante evidente o elevado número de empresas industriais nas aglomerações de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A região Sul é a segunda mais industrializada do país. A principal concentração industrial situa-se no Rio Grande do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que polariza um corredor industrial em direção a Caixas do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi. Outro aglomerado é o de Curitiba, que se difere pela elevada participação de empresas que inovam e diferenciam produtos. As regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre ganharam novo impulso a partir da década de 1990, com a criação do Mercosul. A localização geográfica próxima aos outros países do bloco econômico tem alavancado o comércio bilateral.
Região
1996
2011
Sudeste
61%
47,5%
Sul
23%
19%
Nordeste
9%
13,5%
Centro-oeste
4,5%
7%
Norte
2,5%
3%
A18 Distribuição espacial das indústrias
A partir da análise do mapa 2 é possível notar que nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste predominam os enclaves industriais, núcleos fabris dispersos e isolados.
Tabela 01 - Representatividade das regiões no total de indústrias no Brasil.
389
Geografia
Exercícios de Fixação 01. (UEFS BA) Sobre o processo de industrialização brasileira, é correto afirmar que: a) A maior concentração de capital industrial se deu em São Paulo, no final do século XIX, que só perdeu essa posição, para o Rio de Janeiro, na segunda década do século XX. b) A fase inicial da industrialização teve como característica sua subordinação ao capital estrangeiro. c) A principal característica do governo Juscelino Kubitschek foi a adoção de uma política de abertura do país ao capital estrangeiro, com grande crescimento industrial. d) A década de 90 do século passado foi marcada pelas privatizações das empresas estatais, como as siderúrgicas CSN, COSIPA e USIMINAS, dentre outras, adquiridas por capitais nacionais. e) Uma das maiores jazidas de minério de ferro do país está localizada às margens do rio Tapajós, cuja produção é exportada para usinas siderúrgicas nas proximidades de Belém.
A18 Distribuição espacial das indústrias
02. (IF SC) Assinale a alternativa CORRETA. A integração econômica do Brasil ocorreu: a) Pelos processos de industrialização, diversificação produtiva e conexões de mercados, ocorridos principalmente no século XX. b) Pelo acentuado investimento em infraestrutura e incentivos do governo ao desenvolvimento regional no século XIX. c) Pela divisão regional do país em cinco regiões pelo IBGE. d) Por processos de privatização de empresas durante a desestatização da economia, a partir da década de 1990. e) Pela integração de ferrovias, portos marítimos e fluviais em todo o país. 03. (Uem PR) Sobre a industrialização brasileira, assinale o que for correto. 27 01. A implantação da usina de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, na década de 1940, durante a ditadura de Getúlio Vargas, representa um marco importante na industrialização brasileira. 02. O chamado “processo de substituição de importação de produtos manufaturados” foi desencadeado após a crise mundial de 1929. Por meio dele, os industriais e o Estado brasileiro pretenderam substituir os manufaturados importados pelos manufaturados produzidos no Brasil. 04. O primeiro surto de industrialização começou com a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil. Sob os conselhos de José Bonifácio e do Visconde de Cairu, em 1808,D. João VI decretou o “Ato do Monopólio” proibindo a entrada de produtos industrializados estrangeiros, favorecendo a indústria brasileira.
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08. Por meio do “Plano de Metas”, a presidência de Juscelino Kubitsckek(1956-1961) atraiu capitais estrangeiros e desencadeou um processo de industrialização nos setores automobilístico, farmacêutico e de alimento. 16. Por meio da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho – 1943), Getúlio Vargas procurou regular os direitos dos trabalhadores e solucionar os conflitos trabalhistas, inclusive no setor industrial, por meios legais. 04. (Fatec SP) Analise o gráfico a seguir.
(Fonte dos dados do gráfico: ANFAVEA – Indústria Automobilística Brasileira – Anuário 2013)
Com base nos dados apresentados nesse gráfico, podemos afirmar corretamente que a) houve crescimento aproximado de 30% no faturamento líquido da indústria de automóveis de 2005 a 2010, enquanto a participação no PIB industrial passou de, aproximadamente, 14% para 19% nesse mesmo período. b) houve queda aproximada de 5 bilhões de dólares no faturamento líquido da indústria de máquinas agrícolas de 1985 a 1995, acompanhada por uma queda constante da participação no PIB industrial nesse mesmo período. c) a participação no PIB industrial passou de, aproximadamente, 21% para 11% de 1975 a 1990, devido à queda constante no faturamento líquido da indústria de automóveis e de máquinas agrícolas nesse mesmo período. d) houve crescimento aproximado de 57 bilhões de dólares no faturamento líquido da indústria de automóveis de 1990 a 2010, enquanto a participação no PIB industrial passou de, aproximadamente, 11% para 19% nesse mesmo período. e) houve crescimento aproximado de 6 bilhões de dólares no faturamento líquido da indústria de máquinas agrícolas de 2000 a 2010, enquanto a participação no PIB industrial passou de, aproximadamente, 48% para 69% nesse mesmo período.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
Fonte: SANTOS, Milton & SILVEIRA, M.L. O Brasil. Rio de Janeiro, Record, 2001.
Sobre a recente “descentralização industrial” no território brasileiro mencionada pelos autores podemos afirmar corretamente que a) a região Sudeste apresentou uma fuga da indústria automobilística e, nos últimos anos, não conheceu instalação de novas unidades. b) o estado de Minas Gerais conheceu, no século XXI, a instalação das primeiras indústrias automobilísticas. (C) a concentração de indústrias no centro-sul do país exclui a região Nordeste desse processo. d) o estado de Pernambuco prepara a instalação de importante fábrica automobilística no contexto do aquecimento econômico pelo qual passa a região Nordeste. e) o estado de São Paulo monopoliza a instalação das novas unidades automotivas, reafirmando sua hegemonia automobilística. 02. (ESPM SP) A expansão e descentralização da indústria automotiva nacional nos últimos anos foi marcada pela: a) Fuga das indústrias automobilísticas do estado de São Paulo que acabou se tornando carente desse tipo de produção. b) Instalação das primeiras unidades automotivas no estado de Minas Gerais que assistiu à chegada da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora. c) Instalação de novas unidades em Resende, Rio de Janeiro, como a presença da Peugeot e Nissan. d) Concentração industrial no Centro-Sul brasileiro, visto que a região Nordeste ainda não conta com nenhuma unidade automotiva. e) Migração industrial para a região Sul que tomou do sudeste o posto de principal produtor brasileiro de automóveis e ônibus. 03. (ESPM SP) Com investimentos de US$ 50 bi, Nordeste vira rota de grandes empresas Com investimentos de US$ 50 bi, Nordeste vira rota de grandes empresas Já se foi o tempo em que as belas praias impulsionavam quase solitariamente a economia do Nordeste. Nos últimos anos, a região deixou de apenas atrair turistas e passou a ser receptora também de investimentos de peso, ajudando os Estados a se industrializarem. Fonte: http://economia.uol.com.br/noticias/ redacao/ 2013/02/19/com-investimentos-de-mais-de-r-100- bi-nordeste-vira-rota-de-grandes-empresas.htm. Acesso: 01/08/2013.
Comprovam a informação fornecida na matéria: a) A ampliação da rede hoteleira em Alagoas com a conclusão do complexo de Sauípe. b) A consolidação da agroindústria e setor sucro-alcooleiro no sul da Bahia. c) A instalação de uma indústria automobilística em Sergipe e Rio Grande do Norte. d) a instalação de complexos industrial-portuários em Pecém (CE) e Suape (PE). e) A migração da indústria siderúrgica do Sudeste para o Nordeste. 04. (FM Petrópolis RJ) O governo [...] promoveu uma ampla atividade do Estado tanto no setor de infraestrutura como no incentivo direto à industrialização. Mas assumiu também a necessidade de atrair capitais estrangeiros, concedendo- lhes inclusive grandes facilidades. Desse modo, a ideologia nacionalista perdia terreno para o desenvolvimentismo. [...] A legislação facilitou os investimentos estrangeiros em áreas consideradas prioritárias pelo governo: indústria automobilística, transportes aéreos e estradas de ferro, eletricidade e aço.” FAUSTO, B. História Concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2001. p. 235-236.
Os elementos apresentados no texto acima, sobre um recorte temporal do processo de industrialização brasileiro, marcam a) os anos do milagre econômico. b) as metas do governo JK. c) os efeitos da crise de 1929. d) o primeiro governo de Vargas. e) a era Mauá. 05. (Escs DF) Se há um setor da economia brasileira que tem sido pouco afetado pelos impactos da turbulência financeira global, ou se mantido ileso, esse setor é o da indústria farmacêutica. Enquanto os números do PIB nacional no ano de 2012 apresentara um pífio crescimento, os índices das vendas de medicamentos continuam em dois dígitos e tem-se verificado um aumento expressivo de empresas farmacêuticas. Esse crescimento se justifica em razão a) de o Brasil adotar uma política de produção de fármacos para exportação em grande escala. b) da política de quebra de patentes e produção de medicamentos genéricos. c) da existência de muitas indústrias farmacêuticas em todos os estados da federação. d) da baixa carga tributária incidente sobre a produção de remédios.
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A18 Distribuição espacial das indústrias
01. (Fatec SP) A política territorial das corporações automobilísticas a qual até recentemente buscava as benesses das localizações metropolitanas, a estas acrescenta hoje ações de descentralização industrial e coloniza novas porções do território.
FRENTE
A
GEOGRAFIA
MÓDULO A19
ASSUNTOS ABORDADOS nn Etapas da globalização I nn Segundo o geógrafo Milton Santos
O fenômeno da globalização deve ser entendido como um processo histórico de internacionalização do capitalismo. Essa internacionalização tem produzido um mundo fortemente influenciado pelas técnicas, ou seja, pelas informações geradas pelos meios de comunicação, que estão cada vez mais rápidos e sofisticados; por um sistema de trocas de mercadorias cada vez mais rápido e integrado; por sistemas financeiros nacionais cada vez mais dependentes; e por um intercâmbio cultural cada vez mais forte.
Fonte: Wikimedia Commons
nn Globalização e espaço mundial
ETAPAS DA GLOBALIZAÇÃO I
Segundo o geógrafo Milton Santos
Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926 em Brotas de Macaúbas, Bahia. Embora formado em Direito, sempre lecionou geografia nas escolas de ensino médio da Bahia. Em 1958, concluiu um doutorado em geografia, na Universidade de Strasbourg, França. Foi colaborador dos jornais A Tarde, de Salvador e da Folha de S. Paulo.
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Fonte: Wikimedia Commons
O termo globalização gera muitas discussões relacionadas à sua origem. O processo globalizatório para alguns estudiosos teria surgido através da expansão do Império Romano, ou seja, a partir do momento em que passou a ocorrer uma unificação do poder no continente europeu. Para outros autores a globalização é o estágio supremo da internacionalização, ou seja, o processo de intercâmbio entre os países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo interior torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira e cultural.
Figura 01 - Milton Santos.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Globalização e espaço mundial
SAIBA MAIS
Primeira Globalização (1450 - 1850) “Por mares nunca dantes navegados/.....Em perigos e guerra esforçados, mais do que prometia a força humana/ E entre gente remota edificaram/ Novo reino, que tanto sublimaram”. Luís de Camões. Os Lusíadas, Canto I, 1572.
Grandes controvérsias são geradas nos estudos históricos, principalmente quando tenta-se estabelecer uma periodização para esses cinco séculos de integração econômica e cultural, que chamamos de globalização, iniciados pela descoberta de uma rota marítima para as Índias e pelas terras do Novo Mundo. Frédéric Mauro, por exemplo, prefere separá-lo em dois momentos: um que vai de 1492 até 1792 (data quando, segundo ele, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial fazem com que a Europa, que liderou o processo inicial da globalização, se voltasse para si mesma a fim de resolver suas disputas e rivalidades), e outro depois de 1870, quando amadureceram as novas técnicas de transporte e navegação, como a estrada de ferro e o navio a vapor. Assim sendo, o processo de globalização é definido pelas seguintes etapas: primeira fase da globalização, ou primeira globalização, dominada pela expansão mercantilista entre os anos de 1450 e 1850. A segunda fase, ou segunda globalização, vai de 1850 até o ano de 1950 e é caracterizada pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista e, por último, a globalização propriamente dita, ou globalização recente, acelerada a partir do colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e da queda do muro de Berlim no ano de 1989. Períodos da Globalização Data
Período
Caracterização
1450-1850
Primeira fase
Expansionismo recente
1850-1950
Segunda fase
Imperial – imperialista – colonialista
Pós 1989
Globalização recente
Cibernética-tecnológica-associativa
A primeira globalização é caracterizada pela busca ou procura de uma rota marítima que chegasse às Índias. Esse período acabou assegurando o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais europeias na Índia, China e Japão, e, principalmente, abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos de Lisboa e de Sevilha, de Roterdã e Londres, milhares de imigrantes iberos, ingleses e holandeses, e, um bem menor número de franceses, atravessaram o Oceano Atlântico com o intuito de ocupar o continente americano. Aqui formaram colônias de exploração, no Sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil,
MILTON SANTOS FOI UM DOS INTELECTUAIS MAIS IMPORTANTES DO PAÍS Um dos intelectuais mais importantes do Brasil, o geógrafo Milton Santos acumulou numerosos títulos honoris causa pelo mundo. Foi o único intelectual fora do mundo anglo-saxão a receber, em 1994, o prêmio Vautrin Lud, o “Nobel” da Geografia. Milton Santos escreveu mais de 40 livros, publicados no Brasil, França, Reino Unido, Portugal, Japão e Espanha. Conciliava seu trabalho acadêmico com a participação na Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, da qual fazia parte desde 1991, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano. Escrevia regularmente na seção “Brasil 501 d.C.” do caderno Mais!, da Folha. Milton Santos também atuou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros em uma viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido em seu Estado. Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu Estado. Mas se decepcionou com a renúncia do então presidente, em agosto de 1961. Em 1964, presidiu a Comissão Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante sua permanência na comissão, Milton Santos foi autor de propostas polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas. Durante o regime militar, Milton Santos combinava as atividades de redator do jornal A Tarde, de Salvador, e a de professor universitário. Na época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias condições de vida dos trabalhadores do campo. Foi professor da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP (FFLCH), consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ folha/brasil/ult96u21561.shtml
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A19 Etapas da globalização I
Para o entendimento do atual mundo globalizado é preciso recordar os acontecimentos que colocaram fim à Ordem Bipolar. A queda do Muro de Berlim em 1989, o fim dos regimes socialistas de economia planificada nos países do Leste Europeu, a reunificação da Alemanha, a desintegração da URSS em 1991 e a completa integração da China aos fluxos internacionais de mercadorias e investimentos colocaram fim nas fronteiras que separavam as economias estatizadas da economia mundial de mercado. Esses acontecimentos também reintroduziram uma antiga abordagem geográfica, geopolítica e histórica, que pode ajudar a entender o capitalismo moderno: a globalização. Esse fenômeno é tão antigo quanto a origem do Estado, e seu desenvolvimento está associado às políticas definidas por ele. Podemos dividir a globalização, portanto, em três fases históricas.
Geografia
baseadas geralmente em um só produto (açúcar, tabaco, café, minério etc.) utilizando-se de mão de obra escrava vinda da África ou mesmo indígena; ou colônias de povoamento, estabelecidas majoritariamente na América do Norte, baseadas na média propriedade de exploração familiar. No primeiro caso, as colônias de exploração tinham como característica o brutal e rotineiro tráfico negreiro, fazendo com que 11 milhões de africanos (40% deles destinados ao Brasil) fossem transportados pelo Atlântico para labutar nas lavouras e nas minas. Uma grave consequência se revelou na promoção de uma espantosa expropriação das terras indígenas e no sufocamento ou destruição da sua cultura. Catástrofes demográficas passaram a ocorrer no continente americano devido aos maus-tratos que a população nativa sofreu e das doenças e epidemias que acabaram devastando-as. O contato com os colonizadores europeus foi responsável por esses trágicos episódios. Essa primeira fase é estruturata a partir de um sólido comércio triangular envolvendo a Europa (fornecedora de manufaturas) a África (fornecedora de mão de obra escravizada) e América (exportadora de produtos coloniais). A imensa expansão desse mercado acabou favorecendo os artesãos e os industriais emergentes da Europa , que, por sua vez, passaram a contar com consumidores em um raio bem mais vasto do que aquele concentrado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações intereuropeias. Um exemplo dessa situação ocorre com o açúcar, cuja produção é confiada aos senhores de engenho brasileiros, mas que é transportado pelos portugueses para os portos holandeses, onde lá são refinados e distribuídos.
Mapa 01 - O comércio triangular.
A19 Etapas da globalização I
No campo político, a primeira fase da globalização esteve relacionada à égide das monarquias absolutistas. Essas monarquias, por meio de seus monarcas absolutistas, controlavam os recursos econômicos, militares e a burocracia que culminava com o processo de expansão colonial. Os principais desafios enfrentados por essas monarquias estavam relacionados às disputas dinásticas-territoriais e às possessões de novas colônias além mar. Um problema marcante nesse período da história era a pirataria. Piratas e corsários atacavam navios com o intuito de roubar grandes cargas de ouro, prata e produtos explorados nas colônias. O principal objetivo desse período estava baseado no acúmulo de riquezas. Um reino tinha o seu poder aferido pela quantidade acumulada de ouro e metais preciosos. Os cofres reais abarrotados de riquezas refletiam o poder de um monarca. O oligopólio 394
Ciências Humanas e suas Tecnologias
bilateral era exercido sobre as importações e exportações das colônias. Dessa forma, poderia-se assegurar, além da ampliação de um reino, a comparação de poder econômico e político com monarquias vizinhas. Segunda Globalização (1850 - 1950) “Por meio de sua exploração do mercado mundial, a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. As velhas indústrias nacionais foram destruídas ou estão destruindo-se dia a dia. Em lugar das antigas necessidades satisfeitas pela produção nacional, encontramos novas necessidades que querem para a sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento local desenvolvem-se, em todas as direções, um intercâmbio e uma interdependência universais.” Karl Marx. Manifesto Comunista, 1848.
A transição entre a primeira e a segunda fase da globalização pode ser destacada principalmente por processos relacionados ao campo da política e da técnica. O pioneirismo inglês na Revolução Industrial é um exemplo desse período. Logo após a idealização da Primeira Fase da Revolução Industrial pela Inglaterra, países como França, Alemanha, Itália e Bélgica também seguiram os mesmos caminhos. A máquina a vapor patenteada por James Watt, utilizada em princípio nas minas de carvão, passa a ser acoplada nas locomotivas e nos barcos. As indústrias e os aspectos financeiros seriam então os controladores dos interesses nesse período. Com esse processo, as dinastias mercantis perdem espaço. A classe burguesa industrial e bancária passa a dominar o processo no outrora lugar ocupado pelos administradores das corporações mercantis e também pelos funcionários reais.
Figura 02 - A criação do barco a vapor dificilmente pode ser creditada a um inventor particular, pois a adaptação do motor a vapor para propulsão de embarcações foi tentada por vários projetistas, tanto na Europa quanto na América. Essa invenção propiciou o sonho de mover grandes embarcações sem depender dos ventos.
A19 Etapas da globalização I
Fonte: Wikimedia Commons
A revolução industrial, além de se caracterizar como um fenômeno técnico, acabou representando uma significativa modificação na ciência, nas ideias e nos valores da sociedade. Foi marcante também na distribuição da riqueza, que outrora estava concentrada ou monopolizada nas mãos da nobreza.
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Geografia
Exercícios de Fixação 01. (Enem MEC) A ética precisa ser compreendida como um empreendimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque é produto da relação interpessoal e social. A ética supõe ainda que cada grupo social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para o exercício de um pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é também uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valores sociais para organizar também uma nova prática política. CORDI et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado).
O século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob esse enfoque e a partir do texto, a ética pode ser compreendida como a) instrumento de garantia da cidadania, porque através dela os cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores coletivos. b) mecanismo de criação de direitos humanos, porque é da natureza do homem ser ético e virtuoso. c) meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização, pois a partir do entendimento do que é efetivamente a ética, a política internacional se realiza. d) parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interesses e ação privada dos cidadãos. e) aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca dimensionar sua vinculação à outras sociedades. 02. (Puc Campinas SP) Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado (escritor a quem Mário de Andrade dedicou Macunaíma), é hoje um livro quase esquecido. Quando saiu, porém, alcançou êxito excepcional: quatro edições entre 1928 e 1931. O momento era propício para tentar explicações do Brasil, país que se via a si mesmo como um ponto de interrogação. Terra tropical e mestiça condenada ao atraso ou promessa de um eldorado sul-americano? (BOSI, Alfredo. Céu, Inferno. São Paulo: Ática, 1988, p. 137)
A19 Etapas da globalização I
Como uma tentativa de combater o atraso nos países considerados subdesenvolvidos do continente americano, pouco depois do fim da SegundaGuerra Mundial, houve a criação a) do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, para gerenciar campanhas de doações e executar projetos nas áreas de alimentação, saúde e educação, na América Latina e no Caribe, a fim de diminuir os índices de pobreza na região. b) da Política da Boa Vizinhança, estratégia de política externa empreendida pelos Estados Unidos para firmar sua influência econômica no continente e dirimir a propagação do comunismo, mediante a cooperação econômica e o intercâmbio cultural.
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c) da CEPAL, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, entidade criada pela ONU com a finalidade de prestar assessoria econômica aos governos da região, em nome de soluções para o subdesenvolvimento. d) da OSPAAAL, Organização pela Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina, cujo objetivo era promover ajuda mútua no combate à fome e a outros grandes problemas sociais entre os governos que a integravam. e) da Aliança para o Progresso, programa de investimentos do FMI, do Banco Mundial e de outros organismos internacionais na América Latina com o objetivo de promover a industrialização e reduzir a dependência externa. 03. (Uncisal AL) O esforço (economia) de guerra Em 1940 havia 8 milhões de norte-americanos desempregados. Em 1943, praticamente não se falava em desemprego e até faltava mão de obra em alguns setores. A semana de trabalho média na indústria de bens duráveis passou de 38 horas, em 1939, para 47 horas em 1943. [...] O produto nacional bruto cresceu em ritmo sem precedentes, de 91 bilhões de dólares em 1939 para 214 bilhões em 1945, isto é, 235%. Do outro lado do Oceano Pacífico, a economia de guerra japonesa era essencialmente uma “economia de escassez”. No início de 1942, cada cidadão recebia uma cota de arroz de apenas 330 gramas por dia. A escassez de alimentos trouxe consequências desastrosas, sobretudo para as crianças e os idosos. Houve surtos de tuberculose e outras doenças que vitimaram a população. WILLMOTT, H. P. et al. Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008 (adaptado).
O contraste entre os países retratados no texto pode ser explicado a) pelo maior domínio tecnológico dos EUA, superando, em muito, a tecnologia de guerra japonesa. b) pelas distâncias desses países em relação aos centros produtores de alimentos e matérias primas industriais mais favoráveis aos EUA. c) pelo fato de a guerra não ter chegado efetivamente ao território norte-americano e pelos constantes bombardeios ao arquipélago japonês. d) pela diferença cultural entre os dois países, marcada pela disciplina nipônica, que ajuda a superar os desafios, e pelo consumismo norte-americano, que dinamiza a economia. e) pelo padrão alimentar de cada nação, já que os norte-americanos possuem uma alimentação baseada em produtos industriais e os japoneses em produtos mais naturais como o arroz.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
02. (IF GO)
QUINO, J. L. Toda Mafalda. São Paulo: Martins fontes, 2003. p. 32. [Adaptado]
Assinale a situação geopolítica mundial a que a charge se refere. a) Primeira Guerra Mundial b) Guerra Fria c) Queda do Muro de Berlim d) Segunda Guerra Mundial e) Fim da União Soviética
03. (Puc RJ)
A divisão do planisfério acima busca a distinção, na escala mundial, entre padrões: a) culturais. b) étnico-religiosos. c) ambientais. d) socioeconômicos. e) ideológicos. 04. (UFJF MG) Em 2014, a queda do Muro de Berlim completou25 anos. Foi um fato marcante e simbólico para a geopolítica mundial, largamente debatido nos meios acadêmicos e representado também pelas artes. Um dos filmes produzidos sobre o tema, em 2003 na Alemanha, é “Adeus Lênin”, dirigido por Wolfgang Becker. Ele conta a estória da mãe de Alex Kerner, uma alemã que entrou em estado de coma em 1989 e não acompanhou as transformações que seu país sofreu. No verão de 1990, ela recobra a consciência, mas não pode sofrer emoções fortes. Alex tenta esconder da mãe a extinção do Partido Socialista Único, fazendo parecer que a Berlim Oriental ainda existe. A ilusão funciona por um bom tempo, mas chega o momento em que a verdade não poderá mais ser ocultada. Essa verdade está relacionada: a) à ditadura comunista que pôs fim ao Partido Socialista e cria o pluripartidarismo. b) à dominação de Berlim por tropas soviéticas que a controlam inteiramente. c) à unificação alemã que simboliza o fim da Guerra Fria e abertura dos mercados. d) ao esfacelamento da Alemanha em pequenas repúblicas independentes. e) ao crescente poder da União Soviética que passa a liderar a economia mundial.
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A19 Etapas da globalização I
01. (Acafe SC) Com relação à atualidade, todas as alternativas estão corretas, exceto a: a) Duas fronteiras geopolíticas muito vigiadas destacam-se como pontos de tensão por causa da entrada de imigrantes: a fronteira México-Estados Unidos e a relativa aos africanos que procuram a ilha de Lampedusa, no sul da Itália, conhecida como a “porta da Europa”. b) O Oriente Médio, berço de três religiões monoteístas mais praticadas no mundo, é uma região muito importante do ponto de vista econômico, por abrigar imensos recursos naturais, e do ponto de vista geopolítico, por se localizar entre a Europa, África e Ásia, além de ser palco de conflitos étnico-religiosos. c) O desejo de soberania, de ter seu próprio território e administrar seu próprio destino, leva comunidades nacionais a lutar pela separação, algumas com conflito e outras de forma pacífica, como é o caso de Israel/Palestina e o da Escócia, respectivamente. d) O Brasil sediou em julho de 2014, na cidade de Fortaleza (Ceará), a cúpula dos BRICS, sigla que representa o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, na qual ficaram estabelecidos os acordos reforçadores com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, bem como medidas facilitadoras para a Organização Mundial do Comércio.
FRENTE
A
GEOGRAFIA
MÓDULO A20
ASSUNTOS ABORDADOS
ETAPAS DA GLOBALIZAÇÃO II
nn Etapas da globalização II
Fluxo de mercadorias
nn Fluxo de mercadorias nn Fluxos de investimentos nn Globalização Financeira e as Crises Econômicas
O comércio internacional ganhou grande força, principalmente após o fim da Segunda Guerra Mundial. A criação do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) incentivou o comércio dentro do bloco capitalista; as vantagens produtivas facilitaram a expansão das transnacionais; e novos mercados consumidores foram abertos. Nesse contexto, o crescimento vertiginoso do comércio de mercadorias nos últimos anos do século XX foi um grande passo na integração dos mercados. Em consequência, as economias nacionais tornaram-se mais dependentes da economia global, com atividades produtivas voltadas para o mercado externo.
#DicaCine Geogafi
Fonte: Wikimedia Commons
Nossos Amigos do Banco (França 1997).
Operárias do Mundo (Bélgica, França 2000).
Figura 01 - Principais fluxos comerciais.
Fonte: Wikimedia Commons
“Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá”
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O GATT teve caráter provisório, ainda assim, acabou por ser o responsável pela regulação do comércio até a criação da OMC (Organização Mundial de Comércio) em 1994. A OMC busca a liberalização comercial, baseada em dois princípios básicos: da não discriminação e do tratamento nacional. Tais princípios devem se ajustar às necessidades de todos os membros, sejam eles países desenvolvidos ou países em desenvolvimento. As principais funções da Organização Mundial do Comércio são: nn administrar os acordos comerciais; nn atuar como um fórum para negociações comerciais; nn resolver disputas comerciais; nn avaliar políticas nacionais de comércio;
Ciências Humanas e suas Tecnologias
nn assistir
países em desenvolvimento em assuntos de políticas comerciais, por meio de assistência técnica e programas de treinamento e qualificação;
nn cooperar com outras organizações internacionais em direção de seus objetivos.
Fluxos de investimentos Podem ser classificados em dois grupos: investimentos financeiros e produtivos. Os investimentos financeiros compreendem o empréstimo de capital concedido por instituições intergovernamentais ou bancos para governos e empresas privadas, bem como os capitais financeiros aplicados em mercados de ações, moedas ou títulos públicos. Esse tipo de investimento representa o capital financeiro ou investimento indireto, também chamado de capital especulativo. Seu objetivo principal é obter o maior lucro possível a riscos baixos. Trilhões de dólares circulam no mercado financeiro mundial nessa modalidade de investimento. A globalização financeira é caracterizada a partir de três processos distintos: o aumento dos fluxos de recursos financeiros entre os países do mundo; o aprofundamento da disputa nos mercados de capitais no mundo, e uma maior relação entre os sistemas financeiros dos países. Mercado Financeiro Entende-se por mercado financeiro aquele mercado para onde os recursos são direcionados para o financiamento de empresas e de investimentos públicos. No mercado financeiro tradicional, o dinheiro depositado em bancos por poupadores é utilizado pelas instituições financeiras para financiar alguns setores da economia que precisam de recursos. Por essa intermediação, os bancos cobram do tomador do empréstimo (no caso as empresas) uma taxa- spread -, a título de remuneração, para cobrir seus custos operacionais e o risco da operação. Quanto maior for o risco de o banco não receber de volta o dinheiro, maior será a “spread”. Já o poupador recebe a remuneração (juros) de sua aplicação. Outra modalidade de mercado financeiro é o mercado de capitais. Nele, aplicam-se recursos financeiros no desenvolvimento direto das empresas. É nesse tipo de mercado que as empresas conseguem dinheiro para financiar seus projetos de expansão, por meio da emissão de títulos (ações) vendidos diretamente aos investidores. Quem investe no mercado de capitais, poupadores/investidores, o faz de duas formas distintas: comprando títulos das empresas, que lhes dão o direito de receber de volta a quantia emprestada acrescida de juros pré-determinados ou por meio de ações. Assim, os investidores compram títulos de empresas que não garantem remuneração fixa, mas lhes dão o direito a dividendos (parte do lucro das empresas), logo os investidores tronam-se sócios ao comprar as ações. Essas negociações são usualmente realizadas nas Bolsas de Valores.
SAIBA MAIS Transnacionais são empresas que possuem matriz em seus países de origem. Essas empresas atuam em outros países a partir da instalação de suas filiais. O termo multinacional que pode ser interpretado como uma empresa que possa pertencer a várias nações foi substituido por um termo mais apropriado, ou seja, por empresa transnacional, nesse caso, uma empresa que atua no mercado exterior a partir do momento em que ultrapassa os limites territoriais de sua nação. O marco para o surgimento das empresas transnacionais remonta o final do século XIX, entretanto, foi somente após o término da Segunda Guerra Mundial no ano de 1945, que essas empresas atingiram o ápice de atuação global. Uma grande parte das empresas transnacionais é proveniente de países ricos ou industrializados. Nos países em desenvolvimento, essas empresas foram paulatinamente conquistando mercado interno e, consequentemente montando suas filiais.
A20 Etapas da globalização II
Há também o movimentado mercado de Títulos da Dívida Pública, ou seja, uma forma de os governos se financiarem por meio do mercado de capitais. Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele precisa se endividar e os títulos são uma forma de captar recursos de investidores dispostos a emprestar. Os títulos têm prazo e remuneração (juros) definidos. A remuneração costuma corresponder à confiança dos investidores na capacidade de o governo pagar a dívida no futuro. Quanto mais alta é a remuneração do título da dívida pública de um país, maior é o retorno financeiro para o investidor, mas essa relação geralmente é inversa à estabilidade da economia do país. Portanto, países que pagam remuneração elevada são de estabilidade duvidosa. Como forma de orientar os investidores (empresas, fundos de pensão, países etc.), existem as agências de classificação de risco. Essa classificação de risco é realizada por um conjunto de agências que avaliam a capacidade de um “emissor de dívida” em honrar o pagamento do papel que está emitindo. Sendo assim, o “rating”, como é conhecido, se mostra um instrumento muito relevante para os investidores, pois fornece uma “opinião” a respeito do risco de crédito da dívida do país analisado. A análise dessas agências considera a solvência dos mercados e os riscos de haver calote sobre determinado empréstimo. Figura 02 - Bolsa de valores. 399
Geografia
As agências de classificação de risco usualmente atribuem notas por meio de escalas. Essas escalas podem ser representadas por letras, números e sinais matemáticos (+ ou -) e normalmente vão de ‘D’ (nota mais baixa) a ‘AAA’ (nota mais alta). Tais notas são classificadas, pelos participantes do mercado, em dois grupos: Grau Especulativo (D até BB+) e Grau de Investimento (BBB- até AAA).
Como a comunista China se tornou a maior defensora da globalização após a ascensão de Trump
Categoria de investimento
Aaa
AAA
AAA
Aa1
AA+
AA+
Aa2
AA
AA
Aa3
AA–
AA–
A1
A+
A+
A2
A
A
A3
A–
A–
Baa1 BBB+ BBB+
Categoria de investimento de risco
Baa2 BBB
BBB
Baa3 BBB Ba1 BB+
BBB– BB+
Ba2
BB
BB
Ba3
BB–
BB–
B1
B+
B+
B2
B
B
B3
B–
B–
Caa1 CCC+ CCC Caa2 CCC
CC
Caa3 CCC– C Ca
CC
DDD
C
SD
DD
D
D
Fonte: Wikimedia Commons
Escala de Classificação das Agências de Rating
Figura 03 - Apesar de sucesso de escultura e produtos inspirados em Trump, o presidente eleito dos EUA pode trazer problemas para o país.
Um imenso galo com a cabeleira dourada e a expressão do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, diante de um shopping center na cidade de Taiyuan, na província chinesa de Shanxi, tem atraído clientes e curiosos. O fascínio pela imagem do americano também aumentou na internet as vendas de réplicas da escultura e de outros brinquedos que lembrem o republicano. Os chineses identificam uma “preocupante” onda protecionista nos Estados Unidos - o que teria sido confirmado pela eleição presidencial - e na Europa - com o fato de os britânicos terem optado por deixar a União Europeia. Na última cúpula do G20, realizada em Hangzhou em setembro do ano passado, os chineses foram os primeiros a sair em defesa da globalização. Ciente das críticas aos efeitos dela, Jinping afirmou na ocasião que o processo deve ser inclusivo.
Fonte: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/classificacao-de-risco-faq
400
Rentabilidade dos tulos de dez anos (em porcentagem)
Suiça
Aaaa
Japão
Aa3
Suécia
Aaa
1,7
Alemanha
Aaa
1,9
Baixo risco: nota máxima
0,9 1,0
França
Aaa
3,5
China
Aa3
3,7
Espanha
A1
6,6
Itália
A2
6,8
Rússia
Baa1
Brasil
Baa2
Portugal
Ba2
Grécia
Ca
Fonte: Wikimedia Commons
A20 Etapas da globalização II
Nota de risco de crédito
Figura 04 - Na última cúpula do G20, a China saiu em defesa da globalização e criticou o protecionismo.
8,6 11,2 Alto risco: 23ª nota em uma escala que vai até 25
11,3 28,9
Contudo, os movimentos antiglobalização mundo afora defendem que o processo aprofundou as desigualdades entre ricos e pobres.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Fonte: Wikimedia Commons
Se Trump resolver restringir o comércio e elevar tarifas para produtos “made in China” em até 45%, como anunciou durante a campanha, as medidas podem afetar o comércio chinês em um primeiro momento, mas também podem ser um tiro no pé dos americanos.
Figura 05 - Na China, Trump é criticado por seu discurso protecionista. Fonte: Wikimedia Commons
Comércio EUA-China A disputa sobre a globalização deve ganhar ainda mais destaque com uma esperada queda de braço entre Estados Unidos e China durante a administração Trump. Para o economista-chefe do Centro Chinês para Intercâmbio Econômico, Zhang Yansheng, um think tank próximo do governo, a expectativa de aumento na inflação americana neste ano deve enfraquecer as exportações dos Estados Unidos e obrigar o país a importar mais, segundo reportagem do jornal estatal China Daily. Comércio entre EUA e China, em US$ bilhões 2006
2015
2016 (jan a nov)
Exportações dos EUA
11,99
53,67
116,07
104,14
Exportações da China
51,51
287,77
483,24
423,43
Saldo negativo do EUA
39,52
234.10
367,17
319,30
Agenda futura A agenda entre Estados Unidos e China daqui para frente é longa − há muitas arestas a aparar. E o magnata Donald Trump já deu a entender que as negociações podem ir muito além da esfera comercial. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38577707
Globalização financeira e as crises econômicas
A verdade é que o comércio entre os dois países cresce como nunca. Em 20 anos, as exportações americanas para a China passaram de US$ 11,99 bilhões em 1996 para US$ 104,14 bilhões de janeiro a novembro de 2016. Ou seja, um aumento de 768,6%.
Atualmente há uma forte discrepância entre a rápida valorização dos papéis (ações, títulos etc.) no mercado financeiro, sem lastro, e a economia real. Essa discrepância leva o capitalismo e sua fase atual a grande instabilidade. Quando ocorre uma expectativa negativa na economia, esta precede a uma grave crise econômica, em alguns momentos de curta duração, mas de grande impacto nos negócios. A globalização financeira é caracterizada por uma elevada quantidade dos ativos financeiros no mercado e pela especulação em bolsas de valores, o que são fatores de fragilidade da forma de acumulação do capital.
Fonte: Wikimedia Commons
Nas duas últimas décadas, uma série de crises abalou os mercados financeiros globais. Movimentos especulativos semelhantes se caracterizaram por intensa fuga de capitais, principalmente dos mercados emergentes, provocando desvalorizações monetárias, brutal aumento nas taxas de juros, redução da atividade econômica, desemprego etc.
Figura 06 - Comércio entre EUA e China é intenso; em 20 anos, exportações americanas para China cresceram 768%.
As crises mais recentes do capitalismo demonstram um efeito negativo propagado pelos mercados financeiros entre as economias do mundo. Em 1997 − 1998, a economia mundial foi abalada pela crise asiática. No mesmo ano de 1998 aflorou a crise da Rússia. Em 2001, a crise econômica na Argentina, Turquia e Brasil. Em 2000 e 2001, a quebra da bolsa de valores Nasdaq nos EUA. A isto, acrescentam-se a crise de 2008 e 401
A20 Etapas da globalização II
1996
Figura 07 - Trump deu a entender que pode usar Taiwan para pressionar os chineses.
Geografia
os fatos recentes. A crise de 2008 surgiu no mercado imobiliário norte-americano com a liberação do crédito de alto risco subprime. O grau de endividamento das famílias nos EUA era muito elevado. De outro lado, os bancos apresentavam grau de alavancagem de até 40 vezes o patrimônio, ou seja, o endividamento estava extremamente elevado. Em 2009, a crise da Grécia, proveniente de déficit fiscal elevado, ameaçava a recuperação econômica da União Europeia, e havia problemas semelhantes em Portugal, Espanha e Irlanda. Segundo o economista Gerhard Aschinge, uma crise macroeconômica especulativa pode ser decomposta em seis estágios: 1) Deslocamento - Um choque exógeno afeta o sistema macroeconômico. 2) “Boom na Economia” - Se novas oportunidades sobrepujam as antigas que foram perdidas, os investimentos e a produção se elevam e culminam em um surto de desenvolvimento. 3) Início de Especulação - O surto de desenvolvimento é alimentado por uma expansão do crédito bancário e/ou a criação de novos instrumentos financeiros. Isso aumenta a demanda por bens ou ativos financeiros. Com as capacidades de oferta limitadas, os preços sobem (inflação). 4) Especulação Desestabilizadora - Os aumentos de preços atraem mais investidores e intensificam a especulação. Como consequência, os mercados reagem exageradamente, criando uma “bolha especulativa”. 5) Euforia - O comportamento do mercado é dominado pela dinâmica social. 6) Pânico - Durante o longo período de “boom” aumenta, gradativamente, a instabilidade de mercado e os preços mostram uma tendência de aumento exponencial. As expectativas dos investidores se tornam mais frágeis. Algum fragmento de informação é suficiente para gerar o abandono do mercado. O pânico das vendas faz os preços despencarem. A bolha especulativa estoura. A crise faz os preços retomarem ao patamar compatível com as condições fundamentais prevalecentes na economia. Crise Japonesa: nn Período: junho de 1990 nn Bolha Imobiliária e Financeira e crise de subconsumo Crise Mexicana: nn Período: 1994 - 1995 nn Crise cambial e evasão de divisas (brusca desvalorização do peso) Crise Asiática: nn Período: outubro de 1997 a 1998 nn Inicia-se com a queda da bolsa de Hong Kong. Um dos principais fatores era a fragilidade de alguns fundamentos econômicos, empreendimentos atrelados ao dólar e déficit de conta corrente Crise Russa: nn Período: agosto de 1998 nn Atrofia econômica (quase oito décadas de regime comunista), despreparo do mercado econômico, corrupção e sucateamento da indústria A20 Etapas da globalização II
Crise Brasileira / Mercosul: nn Período: 1999 nn Âncora cambial e sobrevalorização do real frente ao dólar Crise Argentina: nn Período: 2001 nn Crise política, déficit público e peso argentino supervalorizado (equiparado ao dólar)
402
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação
BRIGAGÃO, C. E.; RODRIGUES, G. A globalização a olho nu: o mundo conectado. São Paulo: Moderna, 1998 (adaptado).
Com base no texto e considerando os impactos culturais da difusão das tecnologias de informação no marco da globalização, depreende-se que a) a ampla difusão das tecnologias de informação nos centros urbanos e no meio rural suscita o contato entre diferentes culturas e, ao mesmo tempo, traz a necessidade de reformular as concepções tradicionais de educação. b) a apropriação, por parte de um grupo social, de valores e ideias de outras culturas para benefício próprio é fonte de conflitos e ressentimentos. c) as mudanças sociais e culturais que acompanham o processo de globalização, ao mesmo tempo em que refletem a preponderância da cultura urbana, tornam obsoletas as formas de educação tradicionais próprias do meio rural. d) as populações nos grandes centros urbanos e no meio rural recorrem aos instrumentos e tecnologias de informação basicamente como meio de comunicação mútua, e não os veem como fontes de educação e cultura. e) a intensificação do fluxo de comunicação por meios eletrônicos, característica do processo de globalização, está dissociada do desenvolvimento social e cultural que ocorre no meio rural. 02. (Unesp SP) O episódio de espionagem internacional protagonizado pelo governo estadunidense e denunciado pelo ex-agente do serviço secreto americano, Edward Snowden, permite que se constatem duas situações intrínsecas à atual ordem mundial, quais sejam: a) o policiamento sobre a circulação de informações exercido pelos EUA e a privacidade das instituições na rede mundial de computadores. b) o monitoramento da circulação de informações exercido pelos EUA e a ausência de privacidade de indivíduos e instituições na rede mundial de computadores.
c) o controle da produção de informações exercida pelos governos europeus e o monitoramento de indivíduos e empresas na rede mundial de computadores. d) a liberdade de circulação de informações permitida pelos países ocidentais e a privacidade das instituições na rede mundial de computadores. e) a ausência de instituições capazes de regular a circulação de informações e a liberdade dos indivíduos na rede mundial de computadores. 03. (Unificado RJ) Em 1989, a queda do Muro de Berlim anunciava uma “nova ordem mundial”, cuja característica central aparentava ser o “fim da história”: [...] Escassos 25 anos se passaram, e a “nova ordem” tornou-se uma caricaturabizarra de si própria. [...] Estamos todos conscientes de que a desigualdade cresce na maioria dos países. [...] A “perplexidade” percorre todos os cantos do planeta. [...] Christine Lagarde tem razão: a conjuntura mundial ameaça os 85 países mais ricos, se não pela revolução, por uma lógica incontrolável de destruição psicológica das forças produtivas, um processo em que o bom e velho Karl denominaria “barbárie”. Ergue-se o túmulo sobre cuja lápide será gravada a mais lúcida de todas as sentenças: o limite capital é o próprio capital. ARBEX Jr., J. O limite do capital. Revista Caros Amigos, ano XVII, n. 208, jul. 2014, p.9.
Do ponto do vista do autor do texto acima, uma razão para o aumento das desigualdades e para a instabilidade geopolítica está na opção dominante no mundo pautada pelo caminho a) marxista. d) pós-neoliberal. b) neoliberal. e) desenvolvimentista. c) keynesiano. 04. (Enem MEC) Até o fim de 2007, quase 2 milhões de pessoas perderam suas casas e outros 4 milhões corriam o risco de ser despejadas. Os valores das casas despencaram em quase todos os EUA e muitas famílias acabaram devendo mais por suas casas do que o próprio valor do imóvel. Isso desencadeou uma espiral de execuções hipotecárias que diminuiu ainda mais os valores das casas. Em Cleveland, foi como se “Katrina financeiro” atingisse a cidade. Casas abandonadas, com tábuas em janelas e portas, dominaram a paisagem nos bairros pobres, principalmente negros. Na Califórnia, também se enfileiraram casas abandonadas. HARVEY, D. O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011.
Inicialmente restrita, a crise descrita no texto atingiu proporções globais, devido ao(à) a) superprodução de bens de consumo. b) colapso industrial de países asiáticos. c) interdependência do sistema econômico. d) isolamento político dos países desenvolvidos. e) austeridade fiscal dos países em desenvolvimento.
403
A20 Etapas da globalização II
01. (Enem MEC) Populações inteiras, nas cidades e na zona rural, dispõem da parafernália digital global como fonte de educação e de formação cultural. Essa simultaneidade de cultura e informação eletrônica com as formas tradicionais e orais é um desafio que necessita ser discutido. A exposição, via mídia eletrônica, com estilos e valores culturais de outras sociedades, pode inspirar apreço, mas também distorções e ressentimentos. Tanto quanto há necessidade de uma cultura tradicional de posse da educação letrada, também é necessário criar estratégias de alfabetização eletrônica, que passam a ser o grande canal de informação das culturas segmentadas no interior dos grandes centros urbanos e das zonas rurais. Um novo modelo de educação.
Geografia
Exercícios Complementares 01. (Puc SP) Observe a manchete e o subtítulo de um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo: GAME OF DRONES (As ferramentas de guerra estão se transformando e, com elas, as perguntas feitas pelos estrategistas da ordem geopolítica mundial) (O Estado de S. Paulo. Suplemento Aliás, 27/10/2013. p. E10)
Tendo em vista as chamadas do artigo publicado, é correto afirmar que a) armamentos sem tripulação tornam as ações militares mais precisas e oferecem mais segurança às populações civis, vítimas frequentes das guerras. b) a associação entre geopolítica e estratégia militar (guerra) mantém-se vinculada na mente dos analistas, quando o assunto é a ordem mundial. c) armamentos teleguiados são mais seguros para os civis, pois são muito caros, logo, acessíveis apenas às forças militares legais e nacionais. d) com os novos armamentos, pergunta-se se esse poder concentrado nas mãos de alguns países não criará uma nova ordem mais pacífica. e) com esses novos armamentos, a ideia de ordem geopolítica mundial vai se desatualizar, pois o poder militar será mais igualitário entre as nações. 02. (UEG GO) A globalização não é apenas uma tendência, não é apenas um fenômeno, não é apenas um modismo econômico. É o sistema internacional que substitui a guerra fria. [...] O símbolo do sistema da guerra fria era o muro, que dividia a todos. O símbolo do sistema da globalização é a internet, que une a todos. FRIEDMAN, Thomas. Manifesto para um mundo veloz (1999). In. RODRIGUE, Joelze Ester. História em documento: imagem e texto. 8. São Paulo: FTD, 2000. p. 334.
A20 Etapas da globalização II
O fragmento citado aborda as diferenças entre o contexto da Guerra Fria e o contexto da globalização. Nesse sentido, a especificidade da globalização está no fato de a) o mundo do trabalho ter sido caracterizado pela tendência do pleno emprego, regulamentado pelas leis trabalhistas rígidas e fiscalizadas por sindicatos fortes. b) as relações internacionais terem continuado bipolares, uma vez que os Estados Unidos e a China ainda controlam eficazmente as suas respectivas áreas de influência. c) o Estado Nacional ter solidificado o seu papel, conseguindo proteger a economia nacional das intempéries advindas dos interesses econômicos transnacionais. d) as alianças militares, como a OTAN e o Pacto de Varsóvia, terem enfraquecido diante do peso cada vez maior dos blocos econômicos, como a União Europeia e a NAFTA.
404
03. (Uniube MG) A Importância da Geografia está relacionada à necessidade de conhecer o espaço geográfico. Esse pode ser compreendido como o espaço construído pelo homem e que está em constante modificação ao longo do tempo. Assim, o espaço geográfico possui um caráter histórico e, por isso, é capaz de relatar a história e as características da ação humana sobre o meio em que vive. Além do mais, também é campo de estudo da Geografia toda a dinâmica superficial da Terra, os chamados eventos naturais e suas relações com a sociedade. Nesse contexto, analise o mapa abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
a) Desde o surto na Guiné (Região 1) do mortal Ebola Zaire, em fevereiro, cerca de 90 pessoas morreram, na medida em que o vírus se propagou para países vizinhos, como Serra Leoa, Libéria e Mali. O surto lançou ondas de choque pelas comunidades que sabem pouco sobre a doença ou sobre como ela é transmitida. b) Em novembro de 2013, o governo da Ucrânia (Região 2) se recusou a assinar um acordo com a UE e fez pacto com a Rússia por um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões de Moscou e pela redução do preço do gás russo. Milhares de pessoas foram às ruas para protestar e derrubaram o presidente. Moradores da fronteira alinhados com a Rússia então se rebelaram com o que chamam de golpe de Estado. c) A Caxemira (Região 3) representa um dos mais importantes conflitos da atualidade que envolve diferenças étnicas e disputas pela divisão de fronteiras nacionais. Nessa região, a população hindu é dominantemente hinduísta ou brâmane, enquanto no vizinho Paquistão predomina a fé islâmica. d) 2014 pode ficar marcado como o ano do separatismo na Europa. Além do caso ucraniano da Crimeia, outro importante fato geopolítico envolve a tentativa de separação da Escócia ( Região 4) do Reino Unido. e) A Espanha – assim como inúmeros outros países – possui um Estado multinacional, ou seja, contempla em seu território inúmeras nações ou troncos étnicos que possuem um relativo grau autônomo de organização e coesão sociais, como é o caso do País Basco (região 5) e Catalunha (Região 6).
Ciências Humanas e suas Tecnologias
SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Cia. das Letras, 2001 (adaptado).
O texto expõe uma tendência representativa do pensamento social contemporâneo, na qual o desenvolvimento de mecanismos de acautelamento ou administração de riscos tem como objetivo a) priorizar os interesses econômicos em relação aos seres humanos e à natureza. b) negar a perspectiva científica e suas conquistas por causa de riscos ecológicos. c) instituir o diálogo público sobre mudanças tecnológicas e suas consequências. d) combater a introdução de tecnologias para travar o curso das mudanças sociais. e) romper o equilíbrio entre benefícios e riscos do avanço tecnológico e científico. 05. (Fameca SP) A nova ordem mundial, conjunto de características econômicas, políticas e sociais, consolidou-se com o fim da Guerra Fria. Sobre essa nova configuração, é correto afirmar que a) a organização de fóruns de debates internacionais passou a se constituir elemento chave para o novo cenário, resgatando o respeito pelos líderes mundiais. b) as superpotências passaram a ser definidas pela elevada produtividade baseada no domínio técnico, científico e militar, conferindo maior competitividade. c) as lideranças se construíram de modo natural e as novas potências assumiram seu papel de orientação, criando um cenário positivo para debates democráticos. d) a capacidade militar se manteve preponderante nas definições das áreas de influência dos países, elegendo novos líderes mundiais. e) os grandes países de influência global foram escolhidos a partir de instâncias políticas capitaneadas por órgãos internacionais, avaliando suas potencialidades. 06. (Uepa PA) O período geopolítico considerado bipolar se configurou como rearranjo do espaço mundial delineado pelas duas nações vitoriosas do conflito, os Estados Unidos e a ex-União Soviética regionalizaram a terra não em critérios geográficos e sim ideológicos, criando uma disputa inédita, entre dois modos distintos de produção. Em relação a essas disputas ideológicas no período mencionado, é correto afirmar que o(s) a(s):
a) socialismo tinha por objetivo ampliar sua influência pelos continentes por meiodo convencimento de uma sociedade justa e igualitária, contra os valores mercantis do capitalismo. b) Estados Unidos combateu o socialismo soviético, através da articulação com alguns países asiáticos como o Japão, que desejava enviar armas nucleares para a ex-União Soviética, após a catástrofe que sofrera na segunda guerra mundial. c) bipolaridade teve como uma das principais lógicas a expansão do socialismo, fortemente combatida pelo capitalismo, que tinha como uma de suas premissas atenuar os desníveis socioeconômicos entre os países, o que foi fortemente combatido pelo capitalismo. d) modo de produção capitalista e socialista divergiram pelas conquistas de áreas de influência, ocasionando problemas políticos sem interferência nos acordos de não proliferação de armas nucleares. e) o espaço mundial sofreu uma divisão equilibrada, na medida em que a Europa, Ásia e América optaram por aderir ao modo de produção capitalista e a África, Oceania e Antártida ao socialista. 07. (Centro Universitário São Camilo SP) Os últimos quinze anos constituíram um dos períodos em que a história, condensada numa multiplicidade de acontecimentos, muitos deles totalmente imprevisíveis – a começar pela queda do muro de Berlim e “terminando” com o ataque às torres gêmeas de Nova Iorque –, reuniu novos e velhos tempos, configurando uma nova e muito mais complexa geografia do mundo. Enquanto muros e símbolos de uma época se dissolvem, muitos outros materializam-se no novo espaço planetário. (Rogério Haesbaert da Costa e Carlos Walter Porto-Gonçalves. A nova des-ordem mundial, 2006. Adaptado.)
Constituem-se em “muros” e “símbolos” característicos do “novo espaço planetário”: a) a divisão do mundo entre países capitalistas e comunistas; e a queda das barreiras para a migração internacional. b) a divisão do mundo entre metrópoles e colônias; e a integração comercial e financeira dos países em escala mundial. c) o isolamento cultural e econômico dos países orientais; e a emergência de novos centros do capitalismo mundial, como a China, a Índia e o Brasil. d) a restrição do ingresso de imigrantes nos Estados Unidos e nos países europeus; e a ampla circulação de mercadorias e informações em escala mundial. e) a ampliação das desigualdades sociais e econômicas entre os países; e a limitação dos fluxos financeiros aos países desenvolvidos.
405
A20 Etapas da globalização II
04. (Enem MEC) Diante de ameaças surgidas com a engenharia genética de alimentos, vários grupos da sociedade civil conceberam o chamado “princípio de precaução”. O fundamento desse princípio é: quando uma tecnologia ou produto comporta alguma ameaça à saúde ou ao ambiente, ainda que não se possa avaliar a natureza precisa ou a magnitude do dano que venha a ser causado por eles, deve-se evitá-los ou deixá-los de quarentena para maiores estudos e avaliações antes de sua liberação.
FRENTE
A
GEOGRAFIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (UCB DF) A forte industrialização pela qual o Brasil passou nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) estava ligada aos processos políticos e ideológicos que envolviam o mundo bipolar, período histórico conhecido como Guerra Fria. Acerca do processo de industrialização brasileiro após a Segunda Guerra Mundial, julgue os itens a seguir. F-V-F-V-F 00. O Brasil, nesse período pós-guerra, desfrutou de total liberdade para alavancar o próprio crescimento econômico e industrial. O País não dependia de investimentos estrangeiros e, por isso mesmo, pôde determinar sua política desenvolvimentista sem a interferência externa. 01. O “milagre” brasileiro, período de grande crescimento econômico no País, está relacionado ao ingresso maciço de capitais estrangeiros, atraídos pela estabilidade política e econômica, a partir de 1964. 02. As empresas privadas brasileiras concentraram-se na criação de indústrias com base no grande investimento de capital e tecnologias, com a utilização de pouca mão de obra. 03. As empresas estatais voltaram-se para os setores de segurança nacional, por esses serem considerados estratégicos, tais como a aviação, as comunicações, a produção de energia e a indústria bélica. 04. Nesse período, os salários dos trabalhadores mais humildes tiveram um expressivo ganho real e o poder de consumo da população cresceu, o que reduziu a distância entre ricos e pobres. 02. (Ufal AL) “Fábio de Souza, teve mais sorte que seu pai. Na década de 2000, Antônio de Souza se cansou da vida dura de pequeno agricultor em Sobral, no Ceará e migrou para São Paulo. Analfabeto, Antônio não prosperou e teve de voltar para o Ceará. Seu filho não vai precisar se esforçar tanto para buscar emprego numa fábrica. A indústria está chegando ao sertão”. As histórias de Antônio e Fábio de Souza mostram duas fases da organização da atividade industrial no território brasileiro. São elas, respectivamente: a) a dispersão da atividade industrial, durante o milagre brasileiro e a centralização de unidades produtivas no período Collor. b) a concentração da indústria de base no sudeste e a dispersão da indústria da construção civil. c) a concentração industrial em São Paulo e a transferência da indústria de alta tecnologia para o Nordeste. d) a descentralização do parque industrial sulista e o aumento da industrialização nordestina. e) a centralização industrial na região Sudeste e a dispersão da atividade industrial para as regiões de custos mais baixos. 406
03. (Ufu MG) Faixa da população
Total de municípios
Percentual de municípios
População
Percentual da população
0 a 5 000
1 302
23,39
4 379 816
2,30
5 001 a 10 000
1 213
21,79
8 559 667
4,49
10 001 a 20 000
1 400
25,15
19 744 382
10,35
20 001 a 50 000
1 043
18,74
31 379 266
16,45
50 001 a 100 000
324
5,82
22 263 598
11,67
100 001 a 500 000
245
4,40
48 567 489
25,46
500 001+
38
0,62
55 838 476
29,28
Fonte: IBGE. Censo 2010.
De acordo com a classificação das cidades estabelecida pelo IBGE e as informações contidas na tabela, é correto afirmar que a) as cidades médias concentram cerca de 4% dos municípios brasileiros e 25% da população, índice estatístico que está relacionado à interiorização do crescimento econômico do país, promovido, principalmente, pela desconcentração industrial e pelas políticas fiscais. b) os números da tabela revelam uma importante característica do processo de urbanização brasileira, constituído por grandes aglomerados urbanos em detrimento das pequenas cidades, as quais concentram cerca de 23% dos municípios brasileiros e apenas 2% da população. c) os dados da tabela revelam uma importante característica do processo de urbanização brasileira, que é a formação de grandes aglomerados urbanos nas metrópoles, em detrimento das cidades pequenas e de porte médio, as quais concentram pouco mais de 25% dos municípios brasileiros e cerca de 30% da população do país. d) as pequenas cidades, que somam mais de 95% por cento dos municípios brasileiros, foram as que apresentaram maior crescimento demográfico no país, nas últimas décadas, devido à migração rural urbana e às recentes políticas habitacionais.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
04. (UECE) A economia da região Nordeste teve um crescimento
c) a xenofobia e os conflitos étnicos, raciais e religiosos foram
expressivo nos últimos anos. Algumas das principais áreas in-
extintos na Europa neste início de século XXI e tiveram forte
dustriais responsáveis por esse crescimento são o
redução na Ásia e na África.
a) Porto Digital de Recife e o Distrito Industrial de Alvorada-Viamão.
d) as culturas e as tradições dos países em desenvolvimento foram homogeneizadas no último século e substituídas pelos
b) Distrito Industrial de Cachoeirinha e o Complexo Portuário de Cabedelo.
eventos globais dos países desenvolvidos. e) as novas tecnologias se difundiram, durante o século XX,
c) Complexo Industrial de Suape e o Distrito Industrial de Ilhéus.
com equidade no espaço geográfico e o acesso, atualmente,
d) Complexo industrial do Pecém e o Portuário de Tubarão.
às tecnologias de comunicação é universal.
05. (Unioeste PR) De acordo com o texto abaixo, assinale a alter-
08. (Uepa PA) Os governos de alguns países subdesenvolvidos
nativa CORRETA.
adotaram efetivamente o modelo neoliberal a partir dos anos
A passagem da década de 1980 para a de 1990 ficou marcada
1990, para se alinhar ao modelo político e econômico mundial,
como um momento geo-histórico, no qual se esgotou o arranjo
expresso pelas ações governamentais de atração de capitais es-
geopolítico bipolar e teve início uma nova ordem geopolítica in-
trangeiros, viabilizando sua fluidez e contribuindo para o con-
ternacional, cuja configuração parece ainda estar em movimento.
sequente sucesso dos investimentos externos.
Essa nova geopolítica possui a seguinte característica marcante:
De acordo com o texto e seus conhecimentos sobre o neolibe-
a) diminuição dos fluxos internacionais de capital.
ralismo, assinale a alternativa correta.
b) aumento do número de polos de poder mundial.
a) O maior interesse do neoliberalismo é a privatização das es-
c) redução das desigualdades sociais entre o Norte e o Sul.
tatais, a exemplo da Companhia Vale do Rio Doce no Brasil,
d) crescimento da probabilidade de conflitos entre países cen-
o que propiciou o uso de tecnologias modernas e a consoli-
trais e periféricos.
dação da democracia no país.
06. (Uerj RJ) Big Science (Grande Ciência) é um tipo de pesquisa científica realizado por grupos numerosos de cientistas e técnicos, com instrumentos e insumos em larga escala, financiados por fundos governamentais e por agências internacionais. No momento de seu surgimento, durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos da Guerra Fria, a Big Science integrou esforços econômicos e políticos do governo dos EUA visando à segurança nacional. Adaptado de global.britannica.com.
b) Com tal modelo houve gradativa internacionalização dos países pobres e a homogeneização por parte de empresas estrangeiras, comumente oriundas de países ricos, justificando, desta forma, a redução da hierarquia econômica internacional. c) Nesse modelo, o governo visa à estabilidade monetária e inflacionária do país, a partir do aumento salarial, para ampliar o consumo da classe pobre aos produtos nacionais, propiciando o alinhamento desses países ao modelo político e econômico mundial.
O apoio a projetos de Big Science pelo governo dos EUA, no
d) Tal modelo político e econômico aponta para menor parti-
contexto da Guerra Fria, esteve diretamente relacionado ao
cipação do Estado na vida econômica e social sem, contudo
desenvolvimento do seguinte aspecto:
reduzir seu poder de intervenção diante das negociações e
a) globalização dos mercados financeiros e de trabalho.
relações diplomáticas internacionais.
b) cooperação tecnológica entre países periféricos e centrais. c) integração entre conhecimentos científicos e mudanças demográficas. d) modernização dos sistemas de informação e comunicação aeroespacial.
e) Atualmente a interdependência econômica mundial vem sendo realizada entre Estados, por meio de acordos capitalistas silenciosos, que geralmente são desconhecidos por uma parcela significativa dos habitantes, os quais passaram a conhecê-los por meio do neoliberalismo.
07. (UFT TO) Sobre a globalização econômica é CORRETO afirmar que a) as instituições financeiras globais transferiram suas sedes e as suas gestões, administrativa e política, para os países subdesenvolvidos. b) as inovações tecnológicas têm alcançado de maneira desigual a cidade e o campo, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
407
FRENTE A Exercícios de Aprofundamento
e) aumento da pobreza na região Norte do Globo terrestre.
FRENTE
B
GEOGRAFIA Por falar nisso O termo subdesenvolvimento foi implementado no ano de 1945, ou seja, logo após o término da Segunda Grande Guerra Mundial. Esse termo foi utilizado na definição da situação socioeconômica dos países pobres. Esses países são caracterizados pelo limitado nível de desenvolvimento econômico, pela baixa qualidade de vida, pelo pouco consumo, pela baixa produtividade, pelos elevados níveis de miséria e também pela alta concentração de renda, gerando assim uma grande desigualdade social. Os países pobres, outrora regionalizados como países de Terceiro Mundo, são subdesenvolvidos por razões históricas e não por razões naturais. O colonialismo e o neocolonialismo são marcantes nesse processo que os caracteriza como países ou regiões que ficaram à margem do processo econômico mundial. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
B17 B18 B19 B20
África: problemas e conflitos II......................................................410 África: problemas e conflitos III.....................................................417 América Latina I.............................................................................425 América Latina II............................................................................432
FRENTE
B
GEOGRAFIA
MÓDULO B17
ASSUNTOS ABORDADOS nn África: problemas e conflitos II nn Sudão nn Ruanda: Tutsis x Hutus
ÁFRICA: PROBLEMAS E CONFLITOS II Sudão Darfur é uma região localizada na porção oeste do território do Sudão. O Sudão, por sua vez, é um país africano localizado no Sahel, uma região onde se concentram graves problemas relacionados à fome e à instabilidade política. O conflito de Darfur, também conhecido como genocídio de Darfur, é um conflito armado que opõe as tribos nômades baggara e povos não árabes da região. Essas tribos nômades recrutaram os milicianos janjawid na luta contra os povos que não possuem origem árabe.
Hotel Ruanda (2004): O filme dirigido por Terry George e estrelado por Don Cheadle, Nick Nolte e Joaquin Phoenix retrata a história real do gerente hoteleiro Paul Rusesabagina, que salvou mais de 1 200 pessoas durante o genocídio ao escondê-las no hotel que comandava, o Mille Collines. Ele conseguiu convencer tanto as forças de paz quanto as milícias com sua lábia e negociações. O longa concorreu ao Globo de Ouro e Cheadle ao Oscar, mas o grande destaque foi sua vitória no Festival de Berlim em 2005. Tiros em Ruanda (2005): Um padre inglês (John Hurt) comanda uma escola em Kigali. Ele e seu ajudante e substituto (Hugh Dancy) são pegos em meio ao conflito em Ruanda. Quando os tutsis começam a se refugiar no local, o apoio da ONU parece ser insuficiente e eles têm que se decidir se devem proteger as próprias vidas e fugir com a ONU ou ficar no local, resguardando os refugiados das ofensivas das milícias hutus. História de um Massacre (2007): Neste filme canadense, um oficial do país, Roméo Dallaire (hoje senador por Québec), é enviado pela ONU, em 1993, para participar da Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda (Unamir). Quando o conflito estoura, em abril de 1994, seus pedidos por ajuda e reforços para a ONU são postergados e negados. Apesar do pouco apoio que tinha, ele tenta, pessoalmente, intervir para evitar uma matança ainda maior. O filme é baseado no livro de memórias de Dallaire.
410
O conflito envolvendo esses povos teve início no mês de fevereiro do ano de 2003, quando ocorreram ataques de grupos rebeldes do Darfur a postos do governo do Sudão na região. Essas tensões tiveram origem a partir do momento em que o governo de Cartum (capital do Sudão), predominantemente árabe, passou a tratar com descaso outros povos locais.
Figura 01 - Pessoas no de refugiados de guerra no Sudão aguardando chegada de água. Fonte: shutterstock.com/Por Adriana Mahdalova
#DicaCine Geogafi
Embora negue, o governo do Sudão forneceu armas e assistência aos milicianos janjawid. O governo também é responsável pelos ataques realizados em conjunto com os milicianos contrários a permanência de povos não árabes no Sudão.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Entenda a crise de Darfur Mais de dois milhões de pessoas vivem em campos de refugiados, depois de terem sido desalojados em mais de três anos de conflito na região de Darfur, no Sudão. Acredita-se que pelo menos 200 mil pessoas já morreram. Confira abaixo um resumo sobre o conflito. A região Darfur é uma província semiárida na região oeste do Sudão, que é o maior país do continente africano. Sozinha, a região é maior do que o território francês. O país é dominado por uma população de origem árabe, enquanto em Darfur a maioria é de origem centro-africana, sobretudo nômades de diversas etnias. Existe tensão em Darfur há muitos anos em função das disputas territoriais e por direitos de pastagem entre os árabes, majoritariamente nômades, e os fazendeiros dos grupos étnicos de Fur, Massaleet e Zagawa. Desse modo, dois grupos rebeldes que se opõem ao governo se uniram, formando o Fronte de Redenção Nacional, liderado pelo ex-governador de Darfur Ahmed Diraige, mesmo havendo diferenças étnicas e políticas entre eles. O conflito As hostilidades tiveram início na região semiárida e pobre em meados de 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum. A retaliação do governo veio na forma de uma campanha de repressão da região, e mais de dois milhões de pessoas deixaram suas casas. Como a maioria das áreas é inacessível para funcionários de organizações humanitárias, é impossível informar, precisamente, o número de vítimas. Contudo, uma estimativa publicada na revista American Science, feita com base em áreas às quais se têm acesso, sustenta que “pelo menos 200 mil” já morreram assassinados ou em consequência de fome ou doença nos campos de refugiados. Tratado de paz Tentativas da União Africana – um bloco de países africanos – para encerrar o conflito resultaram em um tratado de paz, assinado em 2006. O governo do Sudão apoiou o tratado, mas apenas uma facção – a do rebelde Minni Minawi – assinou o acordo. No tratado, o governo concorda em desarmar os Janjaweed, mas até agora pouco foi feito.
B17 África: problemas e conflitos II
Nesse tempo, a facção de Minni Minawi lutou junto com o governo contra outros grupos rebeldes. Na prática, a violência sectária aumentou desde a assinatura do tratado de paz. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/04/070424_darfur_qa_dg.shtml
Ruanda: Tutsis x Hutus Ruanda é um país localizado na região dos Grandes Lagos da África, mais precisamente na porção centro-oriental do continente. As tensões entre hutus e tutsis sempre existiram. Todavia, os conflitos entre a maioria hutu e a minoria tutsi ampliaram-se de forma consideravél após o período conhecido como colonialismo.
411
Geografia
Uma diferença física entretanto é marcante entre essas duas etnias. Considera-se que pela maior estatura, por serem mais altos e magros, os tutsis teriam sua origem na Etiópia, país africano localizado ao nordeste de Ruanda. Quando ocorreu o genocídio dos tutsis, alguns hutus que jogaram os corpos da etnia rival em rios, mencionaram que seus corpos estariam sendo enviados para o seu país de origem, ou seja, a Etiópia. Outro fato marcante relacionado à rivalidade entre essas duas etnias remonta ao período colonial, quando os colonizadores belgas (1916), produziram carteiras de identidade classificando os colonizados de acordo com sua etnia. Na visão dos belgas, os tutsis eram considerados superiores aos hutus. Essa caracterização acabou gerando melhores oportunidades de trabalho e de educação aos tutsis. Ressentidos, os hutus iniciaram uma série de revoltas contra os tutsis a partir do ano de 1959. Nesse ano contabilizou-se a morte de 20 mil tutsis, além da fuga de milhares deles para países vizinhos como Uganda, Burundi e Tanzânia. Outro fato marcante ocorreu no ano de 1962 quando a Bélgica deixou Ruanda. Nesse mesmo ano os hutus assumem o poder no país. Era questão de tempo, e um tempo bem pequeno, para que os tutsis se tornassem bodes expiatórios em todas as crises relacionadas ao país. No ano de 1990 começa a guerra civil entre hutus e tutsis. Esse conflito se originou com a invasão de tutsis que estavam exilados em países vizinhos.
B17 África: problemas e conflitos II
Figura 02 - Cenas do ano 1990, ainda atuais: êxodo de refugiados de Ruanda para a República Democrática do Congo (antigo Zaire), efeito do genocídio recíproco entre as etnias tutsi e hutus
412
SAIBA MAIS ENTENDA O GENOCÍDIO DE RUANDA DE 1994: 800 MIL MORTES EM CEM DIAS Em apenas cem dias em 1994, cerca de 800 mil pessoas foram massacradas em Ruanda por extremistas étnicos hutus. Eles vitimaram membros da comunidade minoritária tutsi, assim como seus adversários políticos, independentemente da sua origem étnica. Por que as milícias hutus quiseram matar os tutsis? Cerca de 85% dos ruandeses são hutus, mas a minoria tutsi dominou por muito tempo o país. Em 1959, os hutus derrubaram a monarquia tutsi e dezenas de milhares de tutsis fugiram para países vizinhos, incluindo a Uganda. Um grupo de exilados tutsis formou um grupo rebelde, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), que invadiu Ruanda em 1990 e lutou continuamente até que um acordo de paz foi estabelecido em 1993. O que aconteceu na República Democrática do Congo? O genocídio em Ruanda teve implicações diretas em duas décadas de conflito na República Democrática do Congo, custaram a vida de cerca de cinco milhões de pessoas. O governo de Ruanda, agora gerido pela RPF, por duas vezes invadiu a República Democrática do Congo, acusando o seu maior vizinho de deixar as milícias hutus operarem no seu território. Ruanda também armou forças tutsis no país vizinho. Em resposta, alguns moradores formaram grupos de autodefesa e os civis do leste da República Democrática do Congo pagaram o preço. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2014/04/140407_ruanda_genocidio_ms Fonte: Wikimedia Commons
Os hutus e os tutsis possuem muitas características em comum, dentre elas podem ser citadas a mesma língua, as mesmas tradições e a mesma cultura.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação 01. (IF RS) “O conflito de Darfur é um conflito armado em andamento na região de Darfur, no oeste do Sudão, que opõe principalmente os Janjaweed (milicianos recrutados entre os baggara) e os povos não árabes da região. O governo sudanês, liderado pelo general Omar Hassan AL-Bashir, embora negue publicamente que apoia os Janjaweed, tem fornecido armas e assistência”. “ A Criação do Estado Independente do Sudão do Sul é realizada após 12 anos de guerra civil e deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro de 2011, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região”. Disponível em http://www.oficinadoestudante.com.br/site_novo/ tira-duvidas.php?codigo=2708. Acesso em: 30 ago. 2014
II. III.
IV.
o conflito na região de Darfur é de natureza étnico-cultural. o Sudão do Sul nasceu em 2011 como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, com a maioria das crianças fora da escola e com um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres. a maior parte dos campos petrolíferos concentra-se no Sudão do Sul próximo à fronteira. Já as refinarias localizam-se no Sudão do Norte, e os oleodutos atravessam o Norte para o petróleo ser exportado através do Mar Vermelho. Esses fatores têm levado a instabilidades na região, e analistas temem a retomada da guerra civil.
Estão corretas apenas a) II e IV. b) I, II e III. c) I, II e IV.
d) I, III e IV. e) II, III e IV.
02. (Ufu MG) Genocídio que deixou 800 mil mortos em Ruanda completa 20 anos Ruanda inicia nesta segunda-feira (7 de abril) as cerimônias em memória do 20º aniversário do genocídio de 1994, que, em apenas cem dias, deixou 800 mil mortos. Disponível em: <http://noticias.r7.com/internacional/genocidio-que-deixou-800-mil-mortosem- ruanda-completa-20-anos-07042014> Acesso em: abril de 2014.
O texto acima expõe o que foi considerado o maior genocídio do planeta desde a SegundaGuerra Mundial. Esse genocídio esteve relacionado a um conflito a) territorial, gerado pela necessidade de ampliação das fronteiras e acesso à água. b) religioso, provocado pela expansão conflituosa do Islamismo no continente africano.
Disponível em http://unpolicebrasil.blogspot.com.br/2012/07/ sudao-do-sul-1-aniversario-de.html Acesso em : 30 ago. 2014
Os conflitos na região descrita no mapa acima já provocaram muitas mortes. Sobre estes conflitos, é correto afirmar que I. o conflito que resultou na divisão do Sudão em 2011 ocorreu entre o Norte (cristão e animista) e o Sul (árabe e muçulmano).
03. (FGV) O Sudão do Sul tornou um estado independente em julho de 2011. Desde então, as relações entre o Sudão e Sudão do Sul seguem marcadas por enfrentamentos armados e acusações mútuas. Sobre os fatores responsáveis pela tensão entre os dois países, leia as seguintes afirmações: I. Após a independência, o governo do Sudão do Sul optou por utilizar exclusivamente portos marítimos situados em seu próprio território para o escoamento de sua produção petrolífera.
413
B17 África: problemas e conflitos II
c) étnico racial, motivado por questões econômicas e políticas. d) ideológico, desencadeado por milícias armadas que tentavam derrubar um governo eleito por meio de eleições fraudulentas.
Geografia
II.
O governo do Sudão não reconheceu oficialmente a independência do Sudão do Sul, alegando fraude no plebiscito que a legitimou. III. Ambos os países reivindicam a posse de territórios ricos em petróleo situados na zona fronteiriça. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II e III, apenas. c) II, apenas. d) III, apenas. e) I,II e III. 04. (UFRN) O Sudão, maior país da África, enfrentou uma guerra civil que começou na década de 1950, devido à rivalidade entre os árabes muçulmanos – grupo majoritário no norte do país – e a população negra do sul do país, onde os cristãos e os animistas são maioria. No dia 8 de julho de 2011, a divisão do país foi efetivada. A população do Sudão do Sul celebrou a sua independência, resultado de um referendo realizado no início do mesmo ano. A situação do Sudão ilustra a dinâmica que diz respeito à delimitação territorial de países africanos e à persistência de conflitos existentes em suas fronteiras. Em relação ao Continente africano, explique por que alguns países continuam a enfrentar problemas de instabilidade em suas fronteiras.
05. (ESPM RS) Observe as afirmações sobre o cenário geopolítico dos países africanos: Evento Geopolítico
País
Convive com uma guerra de clãs que desestabiliza o país, hoje, literalmente desgovernado e convivendo com a mais grave seca dos últimos sessenta anos.
A
Depois de mais de 25 anos de guerra civil que envolveu muçulmanos do Norte e cristãos e animistas ao Sul, esse país assistiu a uma considerável perda territorial em sua porção Sul.
B
Grande produtor de petróleo e membro da OPEP, a tensão entre o norte muçulmano e o sul cristão é uma constante no país.
C
A guerra civil que opôs o MPLA e UNITA após a independência, em 1975, destruiu o país que se ergue espetacularmente nos últimos anos e vê na prospecção do petróleo melhores perspectivas futuras.
D
A alternativa que encerra corretamente a ordem de A a D é: a) Somália, Nigéria, Eritréia e África do Sul. b) Quênia, Sudão, Egito e Angola. c) Etiópia, Nigéria, Sudão e Argélia. d) Somália, Sudão, Nigéria e Angola. e) Etiópia, Quênia, Somália e Congo.
B17 África: problemas e conflitos II
Exercícios Complementares 01. (UFPA) Sobre os conflitos atuais na África Negra, é correto afirmar que: a) Na África Central, sobretudo em Ruanda, há uma tensão crescente entre grupos rivais, Tutsis e Hutus, pois estes apoiaram os colonizadores belgas e continuam no poder, apesar de serem minoria. b) No Sudão, o conflito entre o governo islâmico e a minoria cristã está relacionado à disputa territorial pela região do Darfur, no sul do País, pois essa região possui grandes reservas de petróleo e grande produção agrícola. c) Os conflitos na África estão relacionados à colonização europeia do final do século XIX, pois os colonizadores impuseram fronteiras artificiais, baseadas nos meridianos e paralelos, que separaram povos da mesma etnia e agruparam tribos rivais no mesmo território. d) Na África do Sul, o fim do Apartheid reduziu as desigualdades sociais entre brancos e negros, o que dinamizou a economia do País, pois os recursos naturais, sobretudo as jazidas de petróleo, vêm sendo explorados em benefício da maioria negra. e) Atualmente em vários países da África, como Serra Leoa, a disputa por recursos naturais, como o petróleo e diamantes, tem agravado os conflitos territoriais, pois os grupos rivais pretendem utilizar tais recursos para o desenvolvimento dessas nações.
414
02. (UFMG) Leia estas manchetes e notas de jornal sobre a África, uma amostra obtida em apenas dois dias consecutivos: “Governo de Obasanjo (Nigéria) enfrenta dilema ao permitir uso da sharia.” Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 24.
“O governo enviou reforços à região Oeste, onde, em fevereiro, surgiu um novo grupo rebelde, o Movimento pela Libertação do Sudão.” Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 22.
“As tensões entre negros e árabes [Mauritânia] aumentaram após a prisão de opositores muçulmanos. O país, muçulmano, tem relações com Israel.” Folha de S. Paulo, São Paulo,15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 22.
“Garoto de 13 anos de milícia pró-governo carrega arma para combate em Monróvia (Capital); o presidente Charles Taylor e rebeldes ainda não chegaram a acordo de cessar-fogo.” Folha de S. Paulo, São Paulo, 16 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 14.
A partir da leitura dessas manchetes e notas jornalísticas, é INCORRETO admitir que a) a instabilidade política e os frequentes golpes de estado continuam sendo uma constante em muitos países africanos.
Gabarito questão 04 (Fixação). A instabilidade das fronteiras dos países africanos está relacionada com os processos de colonização e independência política. No período da colonização, vários grupos étnicos ficaram sob o domínio de uma metrópole europeia (ou país europeu), contrariando a organização social até então existente. A partir das independências que ocorreram pós-Segunda Guerra Mundial, os países mantiveram as fronteiras herdadas do colonialismo, que, ao serem traçadas, não respeitaram as diferenças e as particularidades dos povos africanos e, assim, uniram, pela força, povos diferentes, por vezes até rivais, separando outros que viviam juntos. Dessa forma, com a independência política, foram acirradas as rivalidades étnicas e culturais que estão na base dos conflitos existentes, envolvendo disputas pelo poder e por territórios no interior desses países.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
b) o componente religioso se manifesta em alguns dos conflitos e tensões – como é o caso da Nigéria, palco de confrontos entre cristãos e muçulmanos. c) as guerras civis estão afetando irreversivelmente crianças e adolescentes africanos, que participam diretamente das lutas armadas. d) as lutas étnicas ou tribais deixaram de preocupar organismos internacionais por terem sido apaziguadas temporariamente. 03. (IF RS) Leia a informação abaixo. “Em fevereiro de 2011, a população no Sudão – país localizado na região norte da África – foi às urnas para definir, em referendo, a separação e emancipação da região na porção meridional do país. Com a aprovação de esmagadores 98,8% dos votantes, surgiu o até então mais novo país: o Sudão do Sul, tendo como capital a cidade de Juba”.
Nas afirmações a seguir, assinale (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. ( ) As fronteiras da África, traçadas na época da colonização europeia, ainda motivam inúmeros conflitos, que acabam originando o surgimento de novos países. ( ) Os conflitos atuais no continente africano possuem, além da motivação étnica e religiosa, também razões econômicas, como as disputas pelo controle dos recursos naturais, tais como o petróleo e o diamante. ( ) Por suas diferentes características étnicas e religiosas, o continente africano costuma ser dividido genericamente em África do Norte, composta pela população em sua maioria negra, de religião cristã ou praticante de crenças tradicionais e em África Subsaariana, composta de população em sua maioria branca e islâmica. ( ) Os conflitos atuais do continente africano fazem com que o número de refugiados, que deixam a sua região ou país, ultrapassem 2 milhões de pessoas. ( ) A diminuição das taxas de natalidade e de mortalidade no continente africano são reflexo da diminuição da fome e das doenças, o que caracteriza o processo de transição demográfica. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) V – V – V – F – F b) F – F – V – V – V c) V – V – F – V – F d) V – F – F – F – V e) V – F – F – V – F 04. (Unifra RS) Observe o mapa e assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas alternativas que descrevem a região evidenciada.
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil. Espaço Geográfico e Globalização. Volume 2. São Paulo: Sipione. 2012. P. 95
( ) É uma região de conflito na África Subsaariana, que envolve países como o Sudão e o Sudão do Sul, por questões étnicas, mas, principalmente, pela riqueza gerada pelo petróleo. ( ) O conflito dessa região envolve muçulmanos e árabes no Oriente Médio, onde a maior parte da população vive na pobreza e a riqueza do petróleo não gera desenvolvimento local. ( ) A principal causa dos conflitos entre Sudão, Sudão do Sul e Etiópia é a extrema pobreza em que vive a população, gerada pela aridez do clima e pela completa ausência de recursos naturais e minerais. ( ) O Sudão do Sul desmembrou-se recentemente do Sudão e constitui-se no mais novo país com um grave problema estratégico: não tem saída para o mar. ( ) O Sudão do Sul detém a maior parte das reservas de petróleo e o Sudão mantém os principais oleodutos que conectam o Mar Vermelho. A sequência correta é a) F – V – V – F – F. b) F – F – F – F – V. c) V – F – F – V – V. d) V – F – F – V – F. e) V – V – V – V – V. 05. (UPE) Populações inteiras são, às vezes, expulsas de seus territórios. Esses povos sem-território ficam acuados e privados de seus direitos de cidadania e passam a viver em condições extremamente precárias. Exemplifica esse fato a guerra entre as etnias hutu e tutsi, que provocou aproximadamente meio milhão de refugiados. Essa desterritorialização aconteceu na(no, em) a) Croácia. b) Eritreia. c) Azerbaijão. d) Afeganistão. e) Ruanda. 415
B17 África: problemas e conflitos II
Disponível em: http://www.brasilescola.com/geografia/independencia-sudao-sul.htm. Acesso em: 15 abril 2015.
Geografia
06. (Uerj RJ) Quinze anos depois do genocídio que vitimou mais de 800 mil pessoas, visitar Ruanda ainda é uma espécie de jogo de adivinhação – a cada rosto que passa tenta-se descobrir quem foi vítima e quem foi algoz na tragédia de 1994. O governo do país recorre à união do povo. O censo e as carteiras de identidade étnicas não existem mais, todos agora são apenas considerados ruandeses. O esforço do presidente Paul Kagame em evitar um novo conflito é tão grande que chamar alguém de “tutsi” ou “hutu” de maneira ofensiva é crime, com pena que pode chegar a 14 anos. Marta Reis
A presença do trauma do genocídio é o principal problema social de Ruanda, maior inclusive que a pobreza. Tratar esse trauma coletivo devia ser prioridade número um, e não transformá-lo num tabu. A política do governo é a do esquecimento por lei, por obrigação. Errada é a vitimização do genocídio, pois existe uma
tais como as ocorridas entre os Hutus e os ....(III).... em Ruanda. Por outro lado, tais culturas entram em choque com a crescente expansão da religião ....(IV)...., que conquista novos fiéis no Centro e até no Sul do continente, gerando um caldeirão com novas diferenças culturais e talvez futuros novos conflitos. As lacunas são corretamente preenchidas com: I
II
III
IV
a)
Animistas
Imperialismo
Tutsis
Islâmica
b)
Monoteístas
Colonialismo
Haussas
Católica
c)
Primitivas
Colonialismo
Ibos
Islâmica
d)
Politeísta
Imperialismo
Angolanos
Xiita
e)
Hinduístas
Neocolonialismo
Iorubas
Protestante
história de conflitos anterior e posterior ao massacre. Marcio Gagliato
08. (UEG GO) A África, o mais pobre dos continentes, explorado na
Adaptado de O Globo, 12/04/2009
colonização europeia, sofre atualmente com a fome, as doen-
A polêmica sobre os efeitos do genocídio de Ruanda, ocorrido em 1994, aponta para contradições dos processos de constituição de Estados nacionais na África contemporânea. Com base
ças e o alto índice de mortalidade, entre outros problemas. A respeito desse continente, considere as seguintes proposições: I.
como os tutsis e os hutus em Ruanda, em Burundi e na
na análise dos textos, a resolução dessas contradições estaria
República Democrática do Congo, coloca esses países
relacionada à adoção das seguintes medidas:
entre os poucos com desenvolvimento econômico no
a) conciliação político-religiosa – afirmação das identidades locais b) punição das diferenças culturais – unificação da memória nacional
continente. II.
que gerou estabilidade política e amenizou os conflitos
balizado da descolonização
armados. III.
entre outros fatores, os principais obstáculos ao desenvolvimento do continente. IV.
. A situação atual da África é marcada pela crise econômica, B17 África: problemas e conflitos II
a miséria, a doença e os conflitos armados generalizados, que estão fortemente ligados à longa história de dominação ocidental, principalmente na fase do ....(II)...., que fixou fronteiras
eleva o índice de mortalidade da população. V.
A exploração das reservas de petróleo, carvão, cobre e diamante, além de outros minérios, em vez de gerar riqueza para a maioria da população africana, alimenta a guerra civil em alguns países, financiando a compra de armamentos.
arbitrárias no continente, colocando povos inimigos num mes-
Assinale a alternativa CORRETA:
mo território nacional ou um mesmo povo dividido em dois ou
a) Apenas as proposições I, IV e V são verdadeiras.
mais países. Após as independências nacionais, geralmente as
b) Apenas as proposições II, III e V são verdadeiras.
elites africanas que assumiram o poder adotaram como língua
c) Apenas as proposições III, IV e V são verdadeiras.
oficial o idioma da antiga metrópole e os velhos métodos auto-
d) Todas as proposições são verdadeiras.
ritários de governo e exploração econômica. Isso tudo acirra as
e) Todas as proposições são falsas.
ditaduras, os ódios interétnicos e as guerrilhas de extermínio, 416
A maioria da população africana sobrevive graças à ajuda internacional. Essa ajuda diminui a cada ano, fato que
Em geral, as culturas negro-africanas tiveram como base histórica as comunidades tribais e a religiões tradicionais ....(I)....
A fragilidade das políticas agrícolas e industriais aliada à alta dívida externa, às lutas armadas e as epidemias são,
07. (Fatec SP) Leia o texto a seguir e complete as lacunas com as palavras da alternativa correta. Os conflitos étnicos e sociais na África
Em alguns países, após a independência, subiram ao poder representantes da maioria da população africana, o
c) denúncia da dominação colonial – integração ao mundo glod) reforço do pertencimento nacional – revisão das heranças
A convivência pacifica entre grupos de etnias diferentes,
FRENTE
B
GEOGRAFIA
MÓDULO B18
ÁFRICA: PROBLEMAS E CONFLITOS III
ASSUNTOS ABORDADOS nn África: problemas e conflitos III
Nigéria: uma potência ameaçada
nn Nigéria: uma potência ameaçada
Com aproximadamente 178 000 000 de habitantes (2016), a Nigéria está localizada entre Benin e Camarões, no Golfo de Guiné. Em termos naturais, esse país é caracterizado por significativas mudanças de suas paisagens. As áreas mais elevadas se localizam no Norte, onde se destaca o planalto de Bauchi; já Centro e ao Sul predominam áreas com altitudes menores, como as planícies que se formam ao longo das bacias dos rios Níger e Benue. O clima de Norte a Sul vai de semiárido a equatorial.
nn Somália: instabilidade infinita?
Semelhante ao que ocorria no antigo Sudão, a Nigéria mostra-se dividida socioculturalmente entre as porções Norte e Sul do país. Ao Norte, há o predomínio de populações islâmicas, ao Sul, presença marcante de grupos cristãos e animistas.
Fonte: shutterstock.com/Por shutterstock.com/Por Por Por Jordi Jordi C C Fonte:
Fonte: shutterstock.com/Por Nataly Reinch
No que se refere às etnias, o país é um grande mosaico. Formado por mais de 200 grupos, dentre os quais merecem destaque os haussas-fulanis, predominantemente islâmicos, eles se encontram concentrados ao Norte e representam cerca de 1/3 da população do país; os iorubas, presentes no Sudoeste, também islâmicos e representantes de aproximadamente 21% da população; e 18% da população nigeriana é composta pelos ibos, que ficam concentrados no sudeste do país e são essencialmente cristãos.
Figura 01 - A Nigéria dos contrastes: à esquerda, mercado de frutas locais na rua, onde as pessoas vendem frutas frescas em uma aldeia no estado de Ondo, na Nigéria, em 30 de setembro de 2012. À direita, moderno condomínio residencial que poucos podem ter.
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Geografia
#DicaCine Geogafi Filme: Meio sol amarelo Sinopse: As gêmeas Olanna (Thandie Newton) e Kainene (Anika Noni Rose) são uma exceção na Nigéria, seu país natal, pois cresceram em uma família rica e foram estudar na Inglaterra. Quando retornam, escolhem caminhos muito diferentes. Olanna decide ir morar com o amante, Odenigbo (Chiwetel Ejiofor), e acaba tendo problemas com a família, enquanto Kainene conquista o sucesso profissional como empresária e se apaixona pelo escritor inglês Richard (Joseph Mawle). Os eventos da guerra civil nigeriana colocam em questão o futuro da irmãs.
NIGÉRIA
Sokoto
Katsina Maiduguri kano Zaria
Kaduna
BENIN
Jos Yola Abuja Ilorin Ogbomoso
Oshogbo Ibadan Benin City Lagos Wami
Enugu Enugu
CAMARÕES Calabar
Península Bakasi
Port Hartcourt Guiné Equatorial
Tamanha diversidade étnica e religiosa tumultua a gestão do território e abre espaço para instabilidades. Só estados federados são 36, o que pode ser considerado um reflexo dessa “colcha de retalhos étnica” e das rivalidades políticas que essas diversidades inspiram. Apesar da independência na década de 1960, é só no final de década de 1990 que um processo de democratização começou a se estabelecer no país. Esse quadro de instabilidade interna acaba perturbando o potencial de crescimento do país, que é uma das economias do continente africano que mais cresce nos últimos anos (em média mais de 5% entre 2005 e 2013), e que se destaca pela grande reserva de petróleo, classificada em 2013 como a décima maior do planeta.
B18 África: problemas e conflitos III
Esse último fato desperta o interesse de grandes empresas ocidentais - europeias e norte-americanas -, com destaque para a atuação da Shell, Exxon Mobil, Chevron e Agip. Ao mesmo tempo, tais reservas acirram as tensões internas de grupos que lutam para controlar a renda gerada por essa exploração. Na verdade, a indústria do petróleo, além de contar com grandes empresas multinacionais e estatais, é marcada pela clandestinidade de algumas pequenas refinarias e pelas más condições de trabalho das pessoas envolvidas no segmento.
S
Figura 02 - Exportações de petróleo e de gás da Nigéria em 2010.
418
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Fonte: Wikimedia Commons
Figura 03 - Boko Haram.
Nos últimos anos, o quadro da instabilidade interna se agravou com a formação do grupo fundamentalista Boko Haram. Tal grupo, cujo nome significa “educação ocidental é pecaminosa” na língua haussa, entende que os valores ocidentais estão na base dos problemas enfrentados pelo país e pela sociedade islâmica mundial, e por isso tem perpetrado vários atentados e sequestros contra grupos étnicos e religiosos, tribos e autoridades locais e internacionais. Esse grupo radical islamita, que tem sua origem ligada a uma seita extremista, surgiu em 2002 e busca a formação de um Estado Fundamentalista, ou seja, que se apoia na aplicação dos princípios islâmicos, como a sharia. O Boko Haram também está presente em países vizinhos, como Níger, Chade e Camarões. Buscando a tomada de territórios e a instabilização do governo, esse grupo tem firmado lealdade a outro grupo fundamentalista, o ISIS (Estado Islâmico), o qual, no entanto, é mais atuante no Oriente Médio, entre o Iraque e a Síria.
Somália: instabilidade infinita? O filme “Capitão Phillips”, lançado em 2013, estrelado por Tom Hanks, retrata a história real de um experiente capitão, que ao comandar a viagem de uma embarcação cargueira estadunidense pela costa oriental da África, próxima à região do Chifre Africano, foi surpreendido pela ousadia de alguns homens de origem somali, integrantes de um grupo de piratas, que tentam sequestrar o navio. E ao contrário do que possa se imaginar, o filme retrata um fato ocorrido em 2009. Isso mesmo, pirataria em pleno século XXI. Situações como a retratada no filme são comuns no trecho do Oceano Índico que fica próximo ao Golfo do Áden e à costa da Somália. Na verdade, parece existir uma intrincada rede criminosa voltada ao sequestro de embarcações, organizada por patrocinadores (fornecedores de armas, combustível, equipamentos etc.) e executores da ação (os piratas). Dados da ONU apontam que entre 2005 e 2012, a ação de piratas na costa do Chifre africano movimentou entre 300 e 400 milhões de dólares.
SAIBA MAIS ATAQUE DO BOKO HARAM NA TERÇA-FEIRA DEIXOU 69 MORTOS NA NIGÉRIA Atentado à equipe de prospecção de petróleo foi o mais violento na Nigéria este ano, diz a AFP. O balanço do ataque do grupo extremista de Boko Haram contra uma equipe de prospecção de petróleo no nordeste da Nigéria, na terça-feira (25) passada, foi de 69 mortos, de acordo com as equipes humanitárias presentes na região. O ataque foi o mais violento registrado na Nigéria este ano. Segundo uma fonte das equipes humanitárias, que pediu anonimato, entre as vítimas fatais estão 19 soldados, 33 membros de milícias civis e 17 civis. “O último corpo foi encontrado na sexta-feira em um matagal no distrito de Geidam, no estado vizinho de Yobe, a vários quilômetros do local da emboscada”, disse à AFP. Uma fonte próxima à operação de resgate afirmou que não está claro se todas as vítimas foram encontradas. A emboscada realizada pelo grupo jihadista foi dirigida a uma equipe da Nigerian National Petroleum Company (NNPC), acompanhada por geólogos da Universidade de Maiduguri, que retornavam de uma missão de exploração no estado de Borno. O exército não divulgou nenhum balanço desde quarta-feira, quando citou 10 mortos, nove militares e um civil, no ataque, que aconteceu a 50 km de Maiduguri, capital do estado de Borno. Na sexta-feira, fontes médicas e humanitárias citaram 50 mortos. Força do grupo O balanço, particularmente alto, contradiz as afirmações do governo nigeriano de que o Boko Haram está muito debilitado. Os jihadistas divulgaram no fim de semana um vídeo de quatro minutos no qual três homens da Universidade de Maiduguri pedem ao governo que aceite as exigências do grupo para sua libertação. “São nossos funcionários”, confirmou o porta-voz da instituição de ensino, Danjuma Gambo. O Boko Haram executa uma violenta insurreição desde 2009 que provocou pelo menos 20 000 mortes e deixou mais de 2,6 milhões de refugiados e deslocados. Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/ataque-do-boko-haram-na-terca-feira-deixou-69-mortos-na-nigeria.ghtml
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B18 África: problemas e conflitos III
Apesar da grande exploração de recursos naturais, a maior parte da riqueza fica restrita a uma pequena parcela da população. Com IDH de 0,5, uma expectativa de vida próxima de 50 anos e quase metade da população analfabeta, o cenário socioeconômico mostra-se desolador.
Geografia
#Curiosidades MESMO FRAGILIZADOS, PIRATAS AINDA AMEAÇAM COSTA DA ÁFRICA Autoridades intensificaram o cerco aos corsários para evitar sequestros como o retratado no filme ‘Capitão Phillips’. Mas as políticas de longo prazo ainda são escassas na região do Norte da África O berço da pirataria no continente foi a destroçada Somália. Na década de 1990, os somalis atacavam pesqueiros ilegais que se aglomeravam na costa do país. Alguns chegavam até a sequestrar navios em troca de recompensas. Em 2005, os primeiros casos envolvendo pirataria - ou seja, crimes efetuados em regiões do oceano localizada a pelo menos doze milhas náuticas da costa (cerca de 22 quilômetros) - foram registrados pelas autoridades. Com a guerra civil que Figura 04 - Pirata somali em frente a um barco assolava o país, os criminosos saíam taiwanês que encalhou em uma praia da Somália impunes e tinham tempo para planejar (Farah Abdi Warsameh/AP/VEJA). ataques mais elaborados e recrutar jovens em busca de lucros imediatos. “A ausência de um governo na Somália fez com que os piratas mantivessem navios saqueados na costa sem qualquer punição. A pirataria ganhou projeção internacional após a rápida escalada de ataques a embarcações estrangeiras e os resgates milionários pedidos por elas”, explicou Kaija Hurlburt, diretora associada do projeto Oceanos Além da Pirataria, ao site de VEJA. Além disso, a miséria no país e a falta de oportunidades de emprego levavam os somalis a sonhar com a fortuna repentina que o saque a um cargueiro estrangeiro poderia trazer. “O desemprego chegava a 60% da população e a média salarial era de 100 dólares por mês. Um pirata de baixo nível podia lucrar de 15 000 a 150 000 dólares em uma única operação”, aponta James Kraska, administrador do Centro de Políticas e Leis no Oceano da Universidade de Direito da Virgínia. O aprimoramento das técnicas de abordagem permitiu que os piratas se distanciassem da costa somali e sequestrassem cada vez mais tripulantes em troca do pagamento de resgates. “O ápice da pirataria somali foi em 2010, quando 4 185 marinheiros foram atacados, sendo que 1 090 deles foram mantidos reféns em 53 embarcações diferentes. O período em cativeiro poderia variar de meses a anos. Hoje, pouco mais de cinquenta reféns permanecem em cativeiro”, disse Kaija. Fonte: http://veja.abril.com.br/mundo/mesmo-fragilizados-piratas-ainda-ameacam-costa-da-africa/
B18 África: problemas e conflitos III
A Somália é um país marcado pelas terríveis condições de vida, com uma expectativa de vida de 55 anos. Está localizado em uma rota estratégica, pois, o Golfo do Áden (porção de mar entre o sul da Península Arábica e o norte do Chifre da África) liga o Oceano Índico ao Mar Vermelho, o qual, por sua vez, dá acesso ao Canal de Suez, permitindo a passagem de embarcações para o Mar Mediterrâneo, ligando, assim, a Ásia (Oriente Médio e sul do continente) ao sul da Europa. Essa rota se mostra estratégica, pelo menos desde o século XIX, quando várias potências europeias (britânicos, franceses, italianos etc.) disputavam o controle do Chifre da África e do canal de Suez. Em 2014, a população somali somava cerca de 10 800 000 habitantes, a maior parte vivendo na zona rural (aproximadamente 60%), sendo a esmagadora maioria da população (98%) pertence à etnia somali (tradicionalmente pastores nômades) e seguidora do islamismo. Entretanto, essa aparente homogeneidade não garante a estabilidade interna do país. Divididos em clãs, subclãs, subgrupos e famílias, nesse país são muito comuns os conflitos entre grupos nômades e sedentários, urbanos e rurais, tribos do Norte contra as tribos do Sul. 420
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Assim, a instabilidade e insegurança não são características apenas do oceano que banha o litoral do país. Desde sua independência, no começo da década de 1960, a Somália vive um quadro de conflitos e risco de desintegração territorial. Entre as décadas de 1970 e 1980, o país orbitou as esferas de influência da URSS e dos EUA, sob o regime centralizador de Moahamed Siad Barre, que havia chegado ao poder em 1969 por meio de um golpe. Porém, desde o final da década de 1980, quando eclode uma revolta de vários clãs contra o governo de Barre, o qual negligenciava os demais grupos a favor do seu clã, o país passou a viver uma espiral de violência. Em 1988, na cidade de Hargeisa (localizada na Somalilândia, porção norte do país), uma revolta foi duramente sufocada pelo exército, o que transformou os enfrentamentos em uma sangrenta guerra civil. O Movimento Nacional Somali (MNS), principal opositor do governo, propunha reformas liberais e conseguiu tomar alguns territórios ao Norte do país. Ao mesmo tempo, outros movimentos contrários ao governo foram surgindo no restante do território, o que levou a Somália a um quadro de conflitos generalizados.
SAUDI ARABIA Red Sea SUDAN
ERITREA Agordat Asmara
Massawa
YEMEN
Mekele Assab
Gonder Lake Tana
Gulf of Aden
DJIBOUTI Djibou
Bahir Dar
Boosaaso Berbera
Dire Dawa
Blue Nile Addis Ababa
Hargeysa Harer Garoowe
ETHIOPIA Jima
Galcaio SOUTH SUDAN Beledweyne SOMALIA Lake Turkana UGANDA
Baidoa
INDIA OCEAN
Giohar (Jowhar) Mogadishu
KENYA
Lake Victoria
Kismaayo
Barre foi destituído em 1991, e desde então os conTANZ. flitos e os riscos de desintegração territorial (balcanização) ganharam força, esse último aspecto devido às proclamações unilaterais de independência de territórios. Na década de 1990 uma ação militar, liderada pelos EUA, e uma intervenção da ONU fracassaram na estabilização do país. Na primeira década deste século, acordos para a criação de um governo central foram firmados entre os senhores da guerra somalis e a comunidade internacional, e uma nova missão de paz da ONU foi enviada ao país, no entanto, também houve pleno sucesso. Em meio a essas turbulências, em 2012 o processo de transição política – iniciado em 2004 por meio dos acordos firmados – culminou na eleição de um novo presidente, o ativista Hassan Sheikh Mohamoud, que agora enfrenta a dura missão de tentar impor-se frente aos grupos de poder paralelo presentes no país. Paralelamente a essas tentativas de estabilização, vem crescendo a atuação de grupos fundamentalistas islâmicos, em especial o Al Shabaab, que se opõe à formação dos governos apoiados pelos países ocidentais. Tal grupo, inspirado no wahabismo saudita, tem ligações com a Al-Qaeda, defende a criação de um país fundamentalista (com a aplicação da sharia) e também pratica ações terroristas em países vizinhos, como no atentado a um shopping no Quênia em 2013, uma resposta ao apoio dado por esse país às ações internacionais de ataque ao grupo, liderados pela União Africana. B18 África: problemas e conflitos III
TEXTO COMPLEMENTAR A milionária cadeia da pirataria na Somália por Gabriel Bonis (de Londres) — publicado 05/11/2013
Estudo mostra que sequestro de navios no Chifre da África rendeu até US$ 400 milhões entre 2005 e 2012, e passou a ter investidores. A pirataria teve sua era de ouro nos mares internacionais entre os séculos XVI e XVII. Era uma atividade extremamente lucrativa, e em grande parte ilegal, já que apenas os corsários tinham autorização de seus governos para atacar e saquear navios de nações inimigas. Quatro séculos depois, os piratas ainda parecem capazes de ganhar grandes quantias em dinheiro. Entre abril de 2005 e dezembro de 2012, eles lucraram entre 339 421
Geografia
e 413 milhões de dólares em resgates na costa da Somália e no Chifre da África. Os dados estão em um relatório lançado na sexta-feira 1 pela UNODC, escritório da ONU para drogas e crime, o Banco Mundial e a Interpol. O estudo foi feito a partir de dados e evidências de entrevistas com ex-piratas, autoridades governamentais, banqueiros e outros envolvidos no combate à pirataria. Ao menos 179 barcos foram sequestrados no período, com cerca de 85% deles liberados após pagamento de resgates, que alimentaram uma vasta cadeia de atividades criminais em escala global. O relatório analisou a situação do Djibouti, Etiópia, Quênia, Seychelles e Somália. Segundo o levantamento, o dinheiro dos resgates foi investido em outras atividades como tráfico, financiamento de milícias, tráfico de pessoas, novas atividades de pirataria e aumento das capacidades militares da Somália. Além do comércio da erva estimulante khat, que é uma droga legal na Somália, para lavar parte dos recursos e dar “aparência legal” a essas quantias. Descobriu-se com o estudo que essa cadeia econômica é uma opção atrativa para “investidores”. As atividades analisadas foram apoiadas financeiramente por uma amostra de 59 “financiadores”. E os dados mostram que os mais ricos financiam as atividades criminosas em troca de lucros entre 30% e 75% dos valores dos resgates, enquanto os piratas que abordam os navios ficam com menos de 0,1% do total. Eles costumam receber uma taxa entre 30 mil e 75 mil dólares por navio invadido. A economia da pirataria movimenta um mercado por alimentos, prostitutas, advogados e até mesmo verificadores de notas que podem identificar falsificações. Da mesma forma que as comunidades locais se “beneficiam” com o comércio de produtos e serviços aos piratas, as milícias também lucram com taxas cobradas pelo controle dos portos. Em um dos portos de Mogadíscio, capital da Somália, os piratas têm um acordo para pagar um imposto de 20% para o grupo terrorista al-Shabab, ligado à al-Qaeda, que assumiu a autoria do ataque que matou dezenas de pessoas em um shopping center no Quênia em 21 de setembro de 2013.
O grupo controla diversas partes da Somália, um país que há décadas lida com ausência de um governo central forte e enfrenta conflitos internos severos entre senhores da guerra e outros grupos armados. Entre 1991 e 2012, o país ficou sem um Parlamento e um governo central articulado, o que contribuiu para que regiões inteiras fossem ao caos da insegurança e falta de estrutura. No cenário internacional, a Somália é classificada por diversos teóricos como um “rogue state” (algo como um Estado desonesto, em tradução livre), pois sua instabilidade interna ameaçaria a paz mundial. Outros analistas também enquadram o país como “estado falido”, cuja definição não é clara, mas envolve a total ou parcial incapacidade de um estado em manter princípios básicos de sua soberania, como garantir a segurança da população, manter suas fronteiras protegidas, oferecer serviços básicos e garantir a aplicação interna das leis e da ordem. Sem esses requisitos, a Somália se transformou em um dos paraísos da pirataria. E esse fato tem grande impacto global, pois representa um risco para a segurança internacional e, principalmente, porque ameaça as atividades comerciais em uma rota marítima valiosa. Segundo o relatório, a pirataria custa à economia global cerca de 18 bilhões de dólares por ano em aumento dos custos em comércio. O surto de pirataria também reduziu a atividade marítima no Chifre da África, prejudicando o turismo e a pesca nos países do leste africano desde 2006. Devido à complexidade do problema, e os interesses comerciais europeus e dos EUA em uma das rotas marítimas comerciais mais importantes do mundo - a de entrada e saída para o Canal de Suez -, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) mantém, desde 2008, a Operação Escudo do Oceano (em tradução livre) para combater a pirataria no Chifre da África, no Golfo de Áden e no Oceano Índico. A organização faz a segurança de navios cargueiros e conduz patrulhas de dissuasão para evitar que barcos sejam sequestrados e suas tripulações feitas reféns. Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/a-milionaria-cadeia-da-pirataria-na-somalia-6285.html. Acesso: 10/05/2015.
Exercícios de Fixação 01. (Mackenzie SP)
II.
B18 África: problemas e conflitos III
Nigéria: sequestro completa 1 ano com meninas desaparecidas Em 14 de abril de 2014, as atenções do mundo se voltaram para o remoto povoado de Chibok, no noroeste da Nigéria. Lá, 276 adolescentes tinham sido sequestradas por militantes do grupo extremista muçulmano BokoHaram, enquanto dormiam em uma escola. BBC BRASIL.com, 14 ABR2015
A respeito da manchete em destaque, analise as seguintes afirmações: I. O país citado é considerado o mais populoso do continente africano. 422
III.
IV.
A bacia do rio Níger abrange a maior parte do território nigeriano, favorecendo a atividade agrícola, porém a base da economia é a extração de petróleo. O grupo extremista Boko Haram originou-se no Sul do país, nos Estados de Ondo e Delta, onde os grupos islâmicos prevalecem. Dentre os objetivos do Boko Haram estão: o estabelecimento da Sharia, combater a corrupção, a educação ocidental e o cristianismo em todo o país.
Estão corretas: a) I e II, apenas. b) I, II e III, apenas. c) I, II e IV, apenas.
d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
“Uma epidemia fora de controle preocupa até quem está a quilômetros de distância, do outro lado do oceano. O atual surto de ebola que ocorre na África se espalha rapidamente sem respeitar fronteiras nacionais e já é o maior da história. Na Guiné, na Libéria, em Serra Leoa e na Nigéria, já fez mais de 1.700 vítimas e provocou 932 mortes em menos de um mês. Mas será que a doença pode chegar ao Brasil?” Sofia Moutinho. “Ebola: motivo de preocupação no Brasil?”, in Ciência Hoje, 14.08.2014. http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/
02. (Fac. Direito de Franca SP) A partir do mapa, do texto e de seus conhecimentos, pode-se afirmar que a) o crescimento do número de pessoas infectadas pelo vírus ebola, na África, é resultado da forte expansão econômico-financeira da região. b) a expansão da atual epidemia de ebola na África deve-se à ausência de laboratórios e de centros de tratamento e pesquisa sobre a doença no continente africano. c) o aumento dos casos registrados de ebola pode ser considerado preocupante, mas ainda não se justifica o desenvolvimento de ações internacionais de combate à doença. d) a maioria dos recentes casos de ebola ocorreu em países da costa Atlântica da África, mas existe risco de expansão da doença para outras áreas, dentro e fora do continente africano. e) a febre hemorrágica ebola pode ser tratada e curada cirurgicamente, mas os países que enfrentam os maiores surtos não têm recursos financeiros, nem apoio internacional para atender a população infectada.
03. (Fac. Direito de Franca SP) Assinale a alternativa correta. a) As primeiras epidemias de ebola ocorreram no continente africano, durante o processo de descolonização, nas décadas de 1940 e 1950, e foram provocadas pelas guerras e pela miséria. b) A febre hemorrágica ebola assumiu a condição de pandemia nos anos 1980, tendo atingido todos os continentes e provocado mortes na Austrália, na Espanha, nos Estados Unidos e no Brasil. c) A primeira epidemia de ebola foi registrada em 1976 e, atualmente, teme-se que a doença se espalhe para qualquer parte do planeta, temor justificado por recentes casos nos Estados Unidos. d) As primeiras epidemias de ebola na África foram provocadas pela introdução do vírus no continente,levado por colonizadores europeus, no decorrer do século XIX. e) A doença provocada pelo vírus ebola manifestou-se, pela primeira vez, em 1995, no Congo, e todos os casos registrados, desde então, ocorreram em países da costa oriental do continente africano. 04. (Unificado RJ) Vitimada pelas guerras civis, disputas políticas, conflitos étnicos, pobreza e epidemias, a África é um continente que detém os piores indicadores de vida do planeta. A respeito desse fato,analise os comentários a seguir. I. As sucessivas crises econômicas decorrentes de prejuízos herdados ao longo das guerras fazem da Somália um palco de conflitos e tensões socioeconômicas constantes, levando grande parte da população somali ao estado de miserabilidade absoluta, vitimada pela fome e por doenças. II. O aumento das fronteiras artificiais na África é um indicador do reconhecimento da diversidade étnico-cultural da região por parte das potências ocidentais, apesar das diferenças ideológicas entre estas e o continente, fortalecendo, assim, a formação dos Estados Nacionais na região. III. A África vem recebendo solidariedade dos países ocidentais por meio do estabelecimento de uma política assistencialista que orienta os governos locais no gerenciamento dos diversos conflitos internos, apesar dos efeitos gerados pelas políticas impostas durante a colonização. Está(ão) correto(s) o(s) comentário(s) a) I, apenas. d) II e III, apenas. b) III, apenas. e) I, II e III. c) I e II, apenas. 05. (Unicastelo SP) É um país jovem, em todos os sentidos: ficou independente na década de 1960 e cerca de 40% da população possui menos de 15 anos. Seu mercado consumidor é enorme: são 170 milhões de habitantes, com estimativa de chegar a 400 milhões em 2050. Sua população é composta por mais de 250 grupos étnicos, fato que contribui para a diversidade cultural, mas também é motivo de tensões e conflitos internos. Apesar do crescimento econômico da última década, uma boa parte da população ainda vive e trabalha em áreas rurais. As oportunidades de investimento são variadas, da infraestrutura aos bens de consumo, com destaque para a exploração mineral. Conflitos interétnicos e religiosos são desafios a serem enfrentados pelas empresas que desejam investir a) na Nigéria. d) na China. b) no Timor Leste. e) na Bolívia. c) no México. 423
B18 África: problemas e conflitos III
Texto comum às questões: 02 e 03 Observe o mapa e leia o texto.
Geografia
Exercícios Complementares 01. (Unifesp SP) No continente africano encontramos focos de guerras civis e entre países. No chamado Chifre da África, nos últimos anos, foram registrados violentos conflitos entre a) países pela definição de fronteiras, envolvendo Burundi e Ruanda. b) países pelo acesso à água, por parte do Egito e do Sudão. c) brancos e negros na África do Sul. d) lideranças locais na Somália. e) grupos étnicos em Ruanda.
04. Os cultivos mediterrâneos despontam no extremo sul do continente, sobretudo nas áreasirrigadas do vale do Nilo. 08. A Nigéria, país mais populoso e povoado do continente, possui predomínio de população brancae é grande produtora mundial de petróleo. 16. A Etiópia, país populoso, muito pobre, é marcada por secas, agricultura primitiva e elevadamortalidade causada pela fome.
02. (UERN) Analise. A Nigéria é considerada superpovoada. PORQUE Os recursos socioeconômicos do país não conseguem atender às necessidades básicas da população.
05. (Unioeste PR) “Enquanto durara a rivalidade bipolar em escala mundial, a África constituía uma das grandes forças internacionais. Graças à intervenção das superpotências no Chifre da África ou em Angola, especialmente, ou, de modo mais geral, à ação da ’polícia da África‘que era então, por um acordo geopolítico, a França, a estabilidade do continente foi assegurada. Após a guerra fria, uma boa parte da África – saheliana, mas também equatorial, incluindo até mesmo o Zaire – foi estrategicamente ’desclassificada‘ e, de fato, abandonada”.
A partir da análise das afirmativas é possível inferir que a) as duas afirmativas estão incorretas. b) a 1ª afirmativa está incorreta e a 2ª, correta. c) a 1ª afirmativa está correta e a 2ª, incorreta. d) a 1ª afirmativa está correta e a 2ª é uma explicação da 1ª.
B18 África: problemas e conflitos III
03. (Unifacs BA) Com base nos conhecimentos acerca dos conflitos étnicos do continente africano, na contemporaneidade, pode-se afirmar que a alternativa que relaciona corretamente a causa do conflito ao país onde ele ocorre é a 04 01. Nigéria – disputas pelos escassos recursos naturais, aliadas às hostilidades entre os diversos clãs. 02. Costa do Marfim – disputas pelas riquezas minerais, com o envolvimento de vários países vizinhos no confronto. 03. República Democrática do Congo – desigualdade social e diferença na distribuição da renda entre o Norte de maioria mulçumana e o Sul cristão e mais rico. 04. Sudão – disputa por água, terras e poder político entre uma maioria de agricultores de tribos negras e a minoria nômade de criadores de animais, autodenominados árabes. 05. Somália – oposição entre o Centro-Sul, mais rico e de minoria cristã e animista, e o Norte, muçulmano, menos desenvolvido e marginalizado pelo poder central. 04. (UFMS) O continente africano é marcado por contradições. Apesar de rico em recursos minerais, hidroelétricos,culturais e possuidor de vastas áreas potencialmente agricultáveis, a fome e a guerra, frequentemente, assolam-no. Sobre o continente africano, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 27 01. Entre os rios Limpopo e Vaal, encontra-se a rica região do Transbaal, a mais industrializada docontinente. 02. Na porção ocidental do continente, destacam-se as plantações de produtos tropicais em grandespropriedades monocultoras.
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SMITH, Stephen. África – a atração perdida do continente. In: CORDELLIER, Serge. (Coord.) O Mundo Hoje 1995/96: anuário econômico e geopolítico mundial. São Paulo: Ensaio, 1996.
Sobre a questão abordada na passagem anterior, assinale a alternativa INCORRETA: a) A rivalidade bipolar mencionada se refere à influência na política dos países africanos por parte dos EUA e China. b) O texto faz menção à intervenção militar das superpotências no Chifre da África, mais especificamente na Somália, nos anos noventa do século XX. c) Com o fim do período caracterizado como guerra fria, parte expressiva da África passa a ser considerada pouco atrativa para a economia mundial, ao mesmo tempo em que as grandes potências passam a focalizar investimentos na “África útil”, ou seja, naqueles países com potencialidade de expansão de mercado ou com recursos, como o petróleo. d) Entre as mudanças políticas que ocorreram nos países africanos nos anos noventa do século XX, merece destaque o fim oficial do apartheid na África do Sul, com a ocorrência das primeiras eleições multirraciais no país, que conduziram Nelson Mandela à presidência. e) Após a descolonização europeia, diversos países do continente africano estiveram envolvidos em conflitos armados entre grupos étnicos diferentes. Entre as causas dessa violência, muitos países tiveram suas fronteiras traçadas pelos colonizadores europeus sem respeitar a antiga organização tribal, formando nações multiétnicas em que predomina desavença entre os grupos.
FRENTE
B
GEOGRAFIA
MÓDULO B19
AMÉRICA LATINA I América Latina é a porção do continente americano que abrange desde o México até o extremo sul da Argentina, no Atlântico. Ou seja, excetuando-se os EUA e o Canadá, que juntos formam a América Anglo-Saxônica, os demais países formam a América Latina.
ASSUNTOS ABORDADOS nn América Latina I nn As influências dos EUA sobre a região a partir da Segunda Guerra Mundial
Essa região, em sua maioria colonizada por Portugal e Espanha, pode ser subdividida em três subáreas: América do Sul, formada por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Equador, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa (um departamento ultramarino da França na América do Sul). A América Central está subdividida em países continentais componentes do istmo - Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e Belize -, e insulares do Caribe (ou das Antilhas), destacando as grandes antilhas: Bahamas, Cuba, Haiti, Jamaica República Dominicana e Porto Rico (que é classificado como Estado Livre Associado, porém, tendo parte de sua economia e sua política externa, submetidas aos EUA). Por fim, a área do México dada sua singularidade histórico-geográfica.
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Com uma população de 600 milhões de habitantes, aproximadamente 8,5% da população mundial, essa região apresenta grande diversidade cultural e socioeconômica, com grande miscigenação de etnias, em especial africanas, europeias e indígenas. Os indicadores demográficos já apresentam um desacelerado crescimento da população. Segundo dados da ONU, a população total chegará a 750 milhões em 2050, mas depois decrescerá para, aproximadamente, 690 milhões no final do mesmo século.
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Geografia
#DicaCine Geogafi
B19 América Latina I
Filme: Cocalero Sinopse: Fruto da tensão entre a política americana antidrogas e a resistência do povo indígena boliviano, que sobrevive do cultivo da folha de coca, Evo Morales viaja pelo país, sempre de jeans e tênis, promovendo um levante popular que o transformaria no primeiro presidente indígena da história da Bolívia. O filme segue de perto os bastidores da campanha presidencial. A narrativa também investiga o funcionamento da organização sindical que apoia Evo politicamente, através da figura central de Leonilda Zurita, líder dos chamados cocaleros. Filme: El comandante Sinopse: Hugo Chávez (Andrés Parra) foi um homem de origem humilde que se tornou um dos líderes latino-americanos mais poderosos e controversos da história. Para falar de sua figura emblemática, está um homem com gestos bem característicos e com uma língua bastante afiada. Mas é impossível escrever sua história sem falar de polêmicas no campo da política, jogos de poder, ambição e romance. 426
Figura 01 - Países da América Latina.
A grande maioria das pessoas vive em cidades, aproximadamente 80%, índice pouco menor que da Europa (84,4%) e da América do Norte (82,1%), e que deve se aproximar de 90% por volta de 2050. Depois do rápido e desordenado crescimento das cidades entre as décadas de 1950 e 1980, o ritmo de crescimento das áreas urbanas tem diminuído, já que o intenso êxodo rural vivido naquele período já não é mais uma realidade dessa área. Nas cidades latino-americanas as condições precárias de moradia e o déficit habitacional são ainda grandes problemas. O déficit habitacional na região subiu de 38 milhões de residências em 1990 para uma cifra que pode atingir 50 milhões em 2011. O percentual de pessoas que viviam em moradias precárias (aglomerados subnormais e assemelhados), apesar de ter caído (33% em 1990), ainda era de 24% da população em 2010. Assim como outros indicadores socioeconômicos, esse percentual varia muito entre os países: em 2010 era de 5% no Suriname e de até 70% no Haiti – no Brasil, chegava a quase 30%; na Argentina, oscilava em torno de 20%. No entanto, o relatório da ONU-Habitat, “Estado das Cidades da América Latina e Caribe 2012”, mostrou que as condições de acesso aos serviços básicos têm “melhorado consideravelmente”: a eletricidade estava presente em pelo menos 97% das áreas urbanas em 2010, a cobertura na água encanada atingia também 97% das moradias e o saneamento atendia 86% das residências. Apesar dessas melhoras, a abrangência não significa que o serviço é prestado com qualidade.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Desde o início deste século a pobreza tem sido reduzida. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontam que em 2002 44% da população encontrava-se na linha da pobreza. Em 2014, esse número caiu para 28%, o que representava aproximadamente 167 milhões de pessoas. Desse total, 12% classificados na linha da pobreza extrema, aproximadamente 71 milhões.
B19 América Latina I
No levantamento feito pela Cepal, além dos índices com base nos rendimentos, também se considerou a pobreza de caráter multidimensional, que abarca cinco aspectos: a moradia, os serviços básicos, a educação, o emprego e a proteção social, e o padrão de vida (referindo-se aos rendimentos monetários e ao acesso a bens duráveis). Considera-se que uma pessoa seja pobre se existirem carências em mais de uma dessas dimensões. De acordo com esse indicador, entre 2005 e 2012, a incidência da pobreza multidimensional reduziu-se, como média para 17 países da região, de 39% para 28% da população, semelhante à pobreza por rendimentos. Em todos os países registraram-se quedas nesse indicador e as maiores reduções ocorreram na Argentina, Uruguai, Brasil, Chile e Venezuela.
Figura 02 - A América Latina em Números.
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Geografia
Em termos econômicos, a América Latina destaca-se no cenário internacional como uma grande fornecedora de commodities primários (agropecuários e minerais). Apesar de alguns países terem o setor industrial mais representativo em suas economias, como o Brasil, Argentina e México – que, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em 2013, tinham respectivamente 26,4%, 29,7% e 36,6% da origem dos seus PIBs representada por esse setor -, eles também possuem significativa ligação com o setor primário. Além disso, a participação da indústria no PIB da América Latina tem diminuído ao longo deste século, muito em função da concorrência com a indústria chinesa. Vale ressaltar também a importância do setor de serviços (e, dentro deste, o setor de turismo) na composição do PIB latino-americano.
SAIBA MAIS INCERTEZA PREJUDICARÁ ECONOMIA DA AMÉRICA LATINA EM 2017, DIZ FMI Política protecionista de Donald Trump vai fazer com que a América Latina e o Caribe tenham crescimento mais modesto em 2017, segundo o FMI A incerteza por possíveis mudanças na política comercial e migratória dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump fará com que a América Latina e o Caribe tenham em 2017 uma recuperação econômica mais fraca que o previsto, de 1,2%, declarou nesta segunda-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com o FMI, um eventual estímulo por maior demanda do mercado interno americano seria contrabalançado por um aumento generalizado das taxas de juros e pela “incerteza em torno de possíveis mudanças na política comercial e migratória dos Estados Unidos”. Em sua última edição do Panorama Econômico Mundial, de outubro passado, o FMI havia estimado que a região cresceria 1,6% em 2017, mas, ao revisar os números, há uma semana, reduziu em 0,4 ponto percentual esta expectativa. Em sintonia com este quadro, o FMI revisou em baixa suas perspectivas de desempenho econômico das principais economias da região. O maior corte de expectativa entre os principais atores da região foi verificado no México, onde o FMI prevê para 2017 um crescimento de apenas 1,7%, sendo que em outubro esta expectativa havia sido de 2,3%, uma redução de previsão de 0,6%. O Brasil, enquanto isso, deverá crescer neste ano 0,2%, disse o FMI, contra uma expectativa que em outubro do ano passado era de 0,5%. No caso da Argentina, o FMI trabalha agora com uma expectativa de crescimento nesse ano da ordem de 2,2%, de forma que revisou sua previsão em meio ponto, já que em outubro havia estimado que seria de 2,7%. Da lista de previsões divulgada nesta segunda-feira, apenas Chile e Peru experimentaram um aumento marginal de suas previsões de crescimento. Para o FMI, o Chile fechará 2017 com crescimento do PIB de 2,1% (+0,1 ponto), e o Peru com 4,3% (+0,2 ponto). A Venezuela, por sua vez, deve continuar em retrocesso: o FMI prevê para este ano uma queda do PIB da ordem de 6%, sendo que em outubro havia expressado uma expectativa de -4,5%. Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/incerteza-prejudicara-economia-da-america-latina-em-2017-diz-fmi/
As influências dos EUA sobre a região a partir da Segunda Guerra Mundial Os interesses estratégicos dos EUA sobre o continente americano já eram claros desde o século XIX. Após a Segunda Guerra, em meio à lógica de contenção do socialismo, os EUA continuaram tendo uma especial atenção sobre a América Latina. B19 América Latina I
Ao longo da segunda metade do século XX, ainda buscando mascarar suas reais motivações com o discurso de proteção dos países americanos (agora contra a ameaça comunista), várias ações e estratégias estadunidenses buscaram apoiar grupos locais conservadores que visavam à manutenção do alinhamento de seus países aos interesses dos EUA. Tais grupos atuavam na contenção de governos e grupos nacionalistas e/ ou revolucionários que buscavam mais autonomia frente à superpotência americana. 428
Ciências Humanas e suas Tecnologias
No entanto, a preocupação, bem como as ações de repreensão aos movimentos subversivos – como eram tratados aqueles que se opunham aos interesses estadunidenses - ganharam força a partir da década de 1960, com a ocorrência da Revolução Cubana a partir de 1/1/1959. No contexto desse episódio, o governo dos EUA adotou a política de contrainsurgência, segundo a qual apoiava (treinando e financiando) as forças armadas dos países para o combate à subversão social. As implantações de vários regimes ditatoriais e a derrubada de governos latino-americanos contaram com o apoio do governo estadunidense, como foi o caso dos golpes militares no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia. Terminado o período da Guerra Fria, os EUA, enxergando o esvaziamento da Doutrina Truman e de seu propósito maior, e se deparando com déficits cada vez maiores em sua balança comercial, passaram a buscar a ampliação de seu acesso aos mercados consumidores dos países latino-americanos. A materialização desse processo se deu com a proposição da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), uma zona de livre comércio que se estenderia por toda a América, excetuando-se Cuba. A ALCA já havia sido pensada na virada das décadas de 1980/90, ainda com o nome de “Iniciativa para as Américas”, mas foi oficialmente lançada apenas em 1994, ganhando força no primeiro mandato de George W. Bush, que ocupou a presidência dos EUA entre 2001/2008. No entanto, o temor da subjugação econômica e comercial, somado à busca por mais autonomia política e econômica, levou alguns países – destacando-se o Brasil, a Argentina e a Venezuela -, em especial neste início de século a se oporem ao projeto da ALCA, o que impediu sua implantação. Nessa nova fase, sob a bandeira de combate ao narcotráfico, os EUA também buscaram se aproximar militarmente dos governos da Bolívia, Peru e Colômbia. Em 2000 foi lançado o Plano Colômbia, no qual o governo dos EUA forneceu financiamentos, armamentos e treinamentos ao exército colombiano para o combate ao plantio da coca. Esse projeto, que começou com o combate ao cultivo da droga, foi
ampliado a partir de 2002 para o combate direto aos grupos FARC e ELN, grupos guerrilheiros criados na década de 1960 inspirados pela revolução cubana, que se associaram ao narcotráfico na década de 1990, e que no cenário de Guerra ao Terror passaram a ser classificados como grupos terroristas. Na primeira década do século XXI, em especial durante o governo George W. Bush, assistiu-se a um afastamento da América Latina em relação aos EUA. Na verdade, a postura unilateralista, belicosa e intransigente de Bush e seu engajamento na Guerra ao Terror criou certa aversão nos líderes políticos latino-americanos, que paralelamente ao estremecimento da liderança dos EUA na região, buscaram maior integração estratégica entre seus países. Em 2008, a vitória do democrata Barack Hussein Obama para a presidência dos EUA trouxe novos horizontes para as relações na América Latina. Com duras críticas à postura de seu antecessor e abordando temas de interesse comum, como a relação com Cuba, a questão migratória, o aumento das parcerias energéticas e a revisão das relações comerciais, Obama parecia apontar para um novo caminho, baseado na diplomacia multilateralista. No entanto, a prática da política do governo Obama com o restante do continente logo mostrou-se menos benevolente que os discursos. Na verdade, a dedicação dada à crise internacional, à Europa e à Ásia refletiram na pouca atenção auferida aos países latino-americanos e na diminuição do repasse de recursos financeiros vinculados à ajuda militar-policial e econômico-social. Além disso, a intransigência na VI Cúpula das Américas em 2012 - demonstrada pela negativa frente a questões que envolviam a participação de Cuba no evento e a soberania da Argentina nas Malvinas -, a militarização da ajuda humanitária ao Haiti, a manutenção da IV Frota Naval, as tensões com a Venezuela, a tentativa de instalação de bases militares na Colômbia, entre outras ações, demonstraram que entre o discurso e a prática do governo democrata de Barack Obama havia “algo republicano”. Assim, continuou a busca por mais autonomia estratégica dos países latino-americanos. Exemplos disso são o aprofundamento das relações econômicas e estratégicas com atores extrarregionais, como Rússia, China, Irã, entre outros, e a formação da Comissão dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC), em 2011, entidade que envolve todos os países americanos, menos a América Anglo-Saxônica, e, em certa medida, diminui a importância da OEA e reforça a ideia do latino-americanismo frente ao pan-americanismo. Vale lembrar que, em 2008, já havia sido formalizada a criação da UNASUL (União dos Países Sul-americanos), a qual visa a aprofundar as relações políticas, econômicas e militares entre seus integrantes, os doze países sul-americanos. 429
B19 América Latina I
Já no final da década de 1940 foram lançados tratados que visavam a aprofundar a influência dos EUA sobre os demais países americanos. Em 1947, foi inaugurado o Tratado Interamericano de Ajuda Recíproca (TIAR), que funcionava como um pacto de segurança e defesa coletivas, o qual, em certa medida, subordinava as forças armadas dos demais países às estratégias de Washington. Em 1948, na Conferência de Bogotá, foi criada a Organização dos Estados Americanos (OEA), tendo como um de seus propósitos essenciais garantir a paz e a segurança continentais.
Geografia
Exercícios de Fixação 01. (UEPG PR) Sobre problemas econômicos e sociais na América latina, assinale o que for correto. 21 01. O narcotráfico é um grave fator desestabilizador da estrutura econômica e social dos países latino-americanos, afetando a qualidade de vida das pessoas, aumentando a violência e a insegurança. 02. As dívidas externas e internas das economias latino-americanas têm um baixo custo e, o que seria gasto no pagamento das mesmas, tem sido utilizado para melhorar o bem-estar das populações. 04. Apesar da redução da pobreza absoluta, Brasil, México e Equador não conseguiram avanços na distribuição de renda entre toda a população. 08. O desemprego é um item que não preocupa os governos dos países latino-americanos, pois os índices são os mais baixos do mundo. 16. A região concentra quase toda a produção mundial de coca, a base para obtenção da cocaína, e as áreas de maior produção estão na Colômbia, Peru e Bolívia.
B19 América Latina I
02. (IF SC) Analise as afirmações sobre a situação política e econômica atual dos países latino-americanos e marque no cartão-resposta a soma da(s) proposição (ões) CORRETA(S). 22 01. Com a deposição do presidente Nicolás Maduro, após uma sucessão de revoltas estudantis, a Venezuela elegeu Federico Franco como novo presidente em dezembro de 2014. 02. A Cúpula das Américas, realizada no Panamá, contou pela primeira vez com a presença do presidente Raúl Castro e marcou simbolicamente a reaproximação e retomada das relações bilaterais entre Cuba e os Estados Unidos. 04. A queda no preço internacional do petróleo, no início de 2015, apresentou-se como cenário econômico desfavorável a países como a Venezuela, onde esse recurso natural corresponde à importante fatia das receitas de exportação. 08. Após mais de um século sob o domínio inglês, a Ilha das Malvinas foi devolvida à Argentina depois de um plebiscito que confirmou a vontade da população local de se tornar independente em relação à Inglaterra. 16. A negociação para o fim dos conflitos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi um dos assuntos tratados na Cúpula das Américas. 03. (UCB DF) Nas últimas décadas, a América Latina tem passado por uma nova onda que já alcançou vários países. Esse processo, denominado de esquerdização, obedece aos processos eleitorais e às dinâmicas políticas rigorosamente nacionais. Contudo, a região possui um traço unificador nesse processo, que é o fato de que a maioria dos países está passando por
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profundas crises econômicas, sociais e políticas. Considerando essas informações, quanto ao processo de esquerdização da América Latina, julgue os itens a seguir. V-F-F-V-V 00. Nesse conjunto de países, deve-se excluir o Chile, que tem apresentado crescimento sustentado há longos anos, baixa inflação, sólida situação econômica e estabilidade política. 01. O Brasil é visto pelos países vizinhos como imperialista. Diferentemente de seus vizinhos, ainda não passou pelo processo de esquerdização. 02. É uma tendência entre os países latino-americanos a pouca autonomia em relação às grandes potências do mundo e a intensificação das políticas neoliberais nas próprias economias. 03. A Argentina, sob o comando de Cristina Kirchner, em 2014, realizou mudanças profundas na economia: aprovação da lei que permite a fixação de limites de preços e de lucro de empresas, além do controle de cotas de produção e o aumento do poder do Estado sobre as atividades empresariais. 04. Na eleição presidencial de dezembro de 2005, Evo Morales foi eleito pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS). O grande destaque dessa vitória deve-se ao fato de ser o primeiro índio eleito presidente em um país de maioria indígena. 04. (ESPM SP) A morte do promotor federal Alberto Nisman deixou os argentinos perplexos e remoendo uma dúvida, que já perdura há seis dias: foi suicídio ou a autoridade foi assassinada justamente quando iria denunciar a presidente Cristina Kirchner? (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/ 2015/01/24 acessado às 11h00)
O promotor federal, mencionado no texto, se preparava para denunciar a presidente Cristina Kirchner por: a) prejudicar a Argentina nas negociações com os chamados Fundos Abutres, relativas ao endividamento do país. b) encobrir as investigações sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994, para proteger iranianos envolvidos naquele episódio. c) subornar congressistas para obter a reforma da constituição, visando permitir a reeleição para um terceiro mandato. d) praticar sistemática campanha de perseguição contra o jornal Clarín, destacado veículo de oposição. e) receber recursos econômicos suspeitos, procedentes da Venezuela, para viabilizar sua reeleição em 2011.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
(Marisa von Bülow. A batalha do livre comércio: a construção de redes transnacionais da sociedade civil nas Américas, 2014. Adaptado.)
O trecho do livro de Marisa von Büllow alude a um momento da história econômica de muitos países da América Latina, sobretudo entre 1950 e 1970, em que predominava a política de a) ruptura econômica e comercial com os países capitalistas. b) desestatização das indústrias de base, sobretudo as siderúrgicas. c) industrialização por substituição das importações. d) liberalização da circulação dos capitais financeiros em escala global. e) proibição de instalação de empresas multinacionais nos países subdesenvolvidos. 02. (ESPM SP) O governo brasileiro está numa situação muito delicada diante do golpe que depôs o presidente paraguaio Fernando Lugo. Fonte: Le Monde Diplomatique, julho de 2012.
A alternativa que dá continuidade ao texto da matéria citada e explica a crise política no país vizinho é: a) O núcleo do conflito é a propriedade da terra. b) O impasse sobre Itaipu e as sucessivas perdas paraguaias no repasse da energia ao Brasil levaram a oposição a agir. c) Os constantes escândalos sexuais envolvendo Lugo motivaram o pseudogolpe no país. d) Os brasiguaios, os “sem-terra” do Paraguai, apoiavam o ex-presidente e isso irritou a oposição golpista. e) Cansados do bloqueio paraguaio à entrada da Venezuela no Mercosul, os deputados oposicionistas resolveram agir. 03. (FGV) A história da América Latina é a história dos contrastes e semelhanças, das convergências e divergências. A geografia do continente também é assim e pode-se destacar que em boa parte os países latino-americanos se assemelham quanto a) à fase da transição demográfica em que vivem, pois, de modo geral, encontram-se no momento inicial que se caracteriza pela redução da mortalidade infantil.
b) à urbanização que se caracterizou como um processo rápido e desordenado, em geral, relacionado à transferência da população do campo para as cidades. c) à forte participação no comércio internacional, sobretudo aqueles países que ultrapassaram a fase de exportação de bens de baixo valor agregado. d) ao atual estágio de desenvolvimento socioeconômico que, desde o início do século XXI, tem se caracterizado pela estagnação. e) ao expressivo crescimento dos Estados como gerenciadores da economia, após um período, entre os anos de 1980 e 1990, de expansão do neoliberalismo. 04. (UFTM MG) O ano de 2011 poderá ser marcado na história da América Latina como o ano do começo de um novo bloco econômico, o MILA (Mercado Integrado Latino-Americano). Os países representantes deste grupo são: a) Uruguai, Paraguai e Argentina. b) Bolívia, Equador e Brasil. c) Nicarágua, Cuba e México. d) República Dominicana, Guatemala e Venezuela. e) Colômbia, Peru e Chile. 05. (ESPM SP) A coisa está feita. A América espanhola é livre; e se nós não desgovernarmos tristemente nossos assuntos, é inglesa. (George Canning, Secretário de Negócios Estrangeiros, da Inglaterra, em Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina)
Sobre a independência da República Oriental do Uruguai aconteceu o que eu havia predito: -Trata-se nada menos do que o estabelecimento de um governo independente e neutro na Banda Oriental, sob a garantia da Grã-Bretanha, quer dizer, trata-se apenas de criar uma colônia britânica disfarçada. (John Murray Forbes, Diplomata norte-americano em Buenos Aires; em Leon Pomer. Os conflitos da Bacia do Prata)
Os dois textos apresentados referem-se à independência dos países da América Espanhola e apontam o que ocorreu imediatamente após a concretização da independência, qual seja: a) a continuação da região como área de dominação econômica da Espanha. b) a transformação da região em área de dominação dos Estados Unidos. c) a abertura da América Latina para a entrada dos interesses recolonizadores da Santa Aliança. d) a consolidação da proeminência inglesa na região, tornando-a dependente do capitalismo inglês. e) a concretização da independência dos países da região que, libertados politicamente, consolidaram sua completa emancipação econômica.
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B19 América Latina I
01. (Fac. Cultura Inglesa SP) As justificativas técnicas do protecionismo latino-americano provinham da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que argumentava que a especialização da região em produtos primários era prejudicial a seu desenvolvimento porque os termos de intercâmbio desses bens (em relação aos manufaturados produzidos pelos países desenvolvidos) tendiam a se deteriorar com o tempo. Essa crítica levou a Cepal a propor políticas desenvolvimentistas autônomas fundamentadas em um papel forte dos Estados na promoção da industrialização na região, por meio do uso extensivo de medidas protecionistas.
FRENTE
B
GEOGRAFIA
MÓDULO B20
ASSUNTOS ABORDADOS nn América Latina II nn O canal do Panamá: uma passagem estratégica nn Canal Interoceânico na Nicarágua nn Venezuela e o Bolivarianismo nn A reaproximação EUA – CUBA
AMÉRICA LATINA II O canal do Panamá: uma passagem estratégica O canal do Panamá é uma passagem aquática, composta por um numeroso sistema de eclusas, que conecta o oceano Atlântico (Mar das Antilhas) ao Pacífico, através do lago Gatún. Cortando o país de mesmo nome na América Central, esse canal mostra-se como uma rota estratégica para embarcações de cargas e militares, pois encurta as distâncias entre o ocidente e o extremo leste da Ásia e Oceania. Depois de tentativas fracassadas por parte da França em construir o canal, as quais esbarraram em limitações tecnológicas diante dos obstáculos naturais, ele foi construído pelo governo dos EUA entre 1904 e 1914, que por meio de acordos o administrou até 31/12/1999 – quando sua administração fora finalmente entregue ao governo do Panamá - e no decorrer da Segunda Guerra o transformou em uma importante base para as suas embarcações. Mar do Caribe (OCENO ATLÂNTICO)
A Bahia Limón Eclusas de Gatún
PANAMÁ Lago Madden
Lago Gatum Eclusas de Pedro Miguel e Flores
Cidade do Panamá
PANAMÁ
B OCEANO PACÍFICO
Nível do Mar
A
B
Mapa 01 - Canal do Panamá.
A construção do canal e as intervenções político-militares nos países caribenhos evidenciavam o interesse estratégico do governo estadunidense sobre a área. Entre o final dos séculos XIX e XX, a política externa dos EUA era profundamente influenciada pela teoria do poder naval, formulada pelo almirante da marinha americana Alfred T. Mahan (1840 – 1914), o qual afirmava que no controle dos pontos estratégicos dos oceanos (estreitos, canais, golfos etc.) estava a base da superioridade de uma nação sobre as demais. Assim, desde esse período o governo dos EUA iniciou a formação de uma imponente frota naval, capaz de se impor militarmente em todos os oceanos, e vem se esforçando para manter o controle sobre áreas e rotas estratégicas das grandes superfícies marítimas. Atualmente, são sete frotas navais estrategicamente espalhadas pelos mares e oceanos, três no Pacífico, duas no Atlântico, uma no Mediterrâneo e outra no Índico. Porém, o canal do Panamá já se mostra limitado diante da demanda e do porte das atuais embarcações. Assim, há a necessidade de se alterar o canal, tornando-o mais 432
Ciências Humanas e suas Tecnologias
largo e mais profundo, para permitir a passagem de embarcações maiores. Para sanar essa necessidade, sob muitas críticas de movimentos ambientalistas, em 2014, fora anunciada uma parceria entre a empresa chinesa Hong Kong Nicarágua Canal Development (HKND Group) e o governo da Nicarágua, que construirá um canal no país da América Central, aproveitando-se da existência do Grande Lago da Nicarágua.
SAIBA MAIS REINAUGURADO, NO INÍCIO DE 2017, O CANAL DO PANAMÁ, AGORA MAIOR Ampliação equipa o canal com mais uma via de navegação com capacidade para navios com o dobro da capacidade anterior As obras de ampliação do Canal do Panamá, o “atalho” que desde 1913 liga o oceano Atlântico ao Pacífico, chegaram finalmente ao fim e a versão agora remodelada foi inaugurada este domingo. A honra coube ao porta-contentores chinês Andronikos, que foi o primeiro navio a passar as eclusas de Água Clara, do lado Atlântico, e a fazer todo o percurso numa viagem que demorou nove horas. Assinalando o fim da travessia, cerca de 20 mil pessoas aguardavam este domingo o Andronikos junto à eclusa de Cocolí, a última do canal que abre “portas” para o Pacífico. Os bilhetes para a cerimónia esgotaram rapidamente, sendo que, além do público em geral, também estiveram presentes quase sete dezenas de chefes de Estado e de Figura 01 - O porta-contentores chinês Andronikos demorou nove horas para percorrer a nova via do Canal do Panamá. Governo, entre os quais Barack Obama. Graças à construção de um terceiro conjunto de eclusas, o Canal do Panamá ficou agora munido de mais uma via de navegação por onde podem passar navios capazes de transportar até 13 mil toneladas de carga, mais do dobro da capacidade máxima anterior. Assim, quase 10 anos depois do início das obras de ampliação, o Canal do Panamá fica apto a receber a maior parte da frota mercantil mundial e triplica a sua capacidade de transporte. O projeto implicou um investimento de cerca de 7 bilhões de euros e o “novo” Canal do Panamá vai permitir escoar 600 milhões de toneladas de mercadoria por ano, o dobro do atual.
Fonte: Wikimedia Commons
REUTERS/Carlos Jasso
Fonte: http://www.dn.pt/mundo/interior/o-canal-do-panama-agora-maior-foi-inaugurado-este-domingo-5250671.html
Canal interoceânico na Nicarágua A crescente influência da China na América Latina coloca em pauta a pequena Nicarágua e o projeto do novo canal interoceânico. No mesmo dia em que recebeu o líder russo Vladimir Putin, o presidente nicaraguense Daniel Ortega, chavista convicto, também concedeu audiência ao vice-presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Tanto o russo quanto o americano estavam interessados no projeto do Grande Canal interligando o Caribe ao Pacífico.
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O Grande Canal custará US$ 40 bilhões e será construído em parceria com uma empresa de Hong Kong (ou seja, da China), cortará 278 quilômetros do istmo e teve seu roteiro finalmente revelado pelo governo nicaraguense. Esse projeto que fora iniciado em dezembro de 2014 e que está previsto para ser concluído em 5 anos, facilitará ainda mais o fluxo de mercadorias entre o ocidente e o oriente, e logo, as vendas de petróleo da Venezuela para a China. O projeto já enfrenta a oposição da vizinha Costa Rica, que reclama de impactos ambientais, bem como de grupos indígenas e ecológicos nicaraguenses. O Ministério do Exterior da Costa Rica fala de tensão diplomática. A democrática Costa Rica, país que aboliu o Exército, não convive bem com a Nicarágua chavista. 433
Geografia
HONDURAS
OCEANO ATLÂNTICO
NICARÁGUA
agalpa e de Mat
Rio Grand
Manágua
Projeto atual
Rio Mico Lago Nicarágua
OCEANO PACÍFICO
Projeto original
Canal do Panamá
COSTA RICA São José
Colón
PANAMÁ
#DicaCine Geogafi
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Filme: Una Noche – Lucy Mulloy Sinopse: O filme Uma Noite retrata a juventude cubana nos dias de hoje. Ao longo da história acompanhamos a vida de Raul e Elio, dois adolescentes que sonham fugir de Cuba para começar uma vida nova em Miami, nos Estados Unidos. No entanto, quando Raul é acusado de agredir um estrangeiro, a necessidade de fugir torna-se urgente. Elio, por sua vez, tem de decidir se parte com o amigo ou se continua no país com sua irmã gêmea, Lila. Filme: Buena vista social club Sinopse: Em 1996, o guitarrista Ry Cooder foi a Cuba gravar um cd com músicos que estavam no ostracismo. Dois anos depois, voltou à ilha na companhia do cineasta Wim Wenders e de uma pequena equipe para filmar este documentário. Em seu testemunho, Wenders se isenta de comentários políticos e privilegia a riqueza da música e a sabedoria dos veteranos. Mostra ainda momentos antológicos de apresentações do grupo, alternados com depoimentos dos próprios músicos, no lugar onde eles se sentem mais à vontade: Havana.
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Cidade do Panamá
Mapa 02 - Nicarágua: canal interoceânico.
O novo canal, peça importante da abertura para o vasto mundo do Pacífico, complica ainda mais essa difícil convivência. Nada disso, porém, indica que a China escolheu a Nicarágua como uma parceira exclusiva na América Central. O Panamá registre-se, é candidato a ingressar na Aliança do Pacífico.
Venezuela e o Bolivarianismo A Venezuela é, hoje, um país estratégico para a América. Detentor da maior reserva de petróleo comprovada do planeta e membro da OPEP, ao longo da primeira década deste século, esse país tem estimulado a integração estratégica entre os países latino-americanos. Dentre as ações que se destacam nesse sentido podem ser citadas a formação da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) frente à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), a sua inclusão efetiva no MERCOSUL e o apoio fornecido à formação de organismos como a CELAC (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos) e a UNASUL (União das Nações Sul-americanas). Em 2016, a Venezuela contava com 31,57 milhões de habitantes e possuía o quarto maior PIB da América do Sul. O país tem sua economia centrada na indústria petrolífera, a qual representa grande parte do seu PIB e de suas exportações. Dentre seus maiores compradores destacam-se países da própria região, mas também os EUA – que têm na Venezuela um de seus maiores fornecedores, mas que vêm reduzindo suas compras no mercado internacional - e a China – para quem as exportações venezuelanas têm crescido de modo significativo nos últimos anos. No entanto, essa característica econômica torna o país profundamente vulnerável às oscilações da cotação dessa commodity no mercado internacional. Durante o período de governo de Hugo Rafael Chávez Frias (1999 até 2013), o país se tornou um importante centro de irradiação de ideais de autonomia e soberania das nações latino-americanas no cenário internacional. Hugo Chávez, como é mais conhecido, um ex-tenente coronel do exército venezuelano engajou-se nas questões políticas de seu país a partir da década de 1970. No entanto, começou a ganhar destaque no cenário político nacional a partir de uma fracassada tentativa de golpe realizada em 1992, a partir do qual se destacou como líder do processo revolucionário.
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Em 1999, ao assumir a presidência do país, Chávez adotou uma postura nacionalista e iniciou uma série de reformas sociais, políticas e econômicas, muitas das quais privilegiavam setores das classes menos abastadas. Uma das primeiras mudanças foi a aprovação, por meio de uma consulta popular, de uma nova constituição, na qual além de alterar o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, ainda ampliou para seis anos o mandato presidencial. Em 2000, uma nova eleição foi realizada e Chávez foi novamente eleito presidente.
Figura 02 - Hugo Chávez.
Entre as reformas e ajustes econômicos, merecem destaque a reforma agrária, promovida pela Lei de Terra e Desenvolvimento Agrário, e a ampliação da participação do Estado no setor energético, com a aprovação da Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos, a qual, entre outras ações, aumentou a tributação sobre investimentos estrangeiros no setor, além de aumentar a participação do Estado nos consórcios de empresas que atuavam no segmento. Também deu mais autonomia à PDVSA (Petróleo de Venezuela SA – estatal venezuelana de exploração de hidrocarbonetos) frente ao processo de privatização do setor petroleiro que vinha sendo promovido na década de 1990. Além disso, o governo de Chávez também estatizou parte de alguns setores considerados estratégicos, como energia e telecomunicações, numa tentativa de mesclar o capital privado com a presença do Estado. Outro fato marcante no país é o embate entre canais de TV, que se dividem entre apoiadores e opositores do governo. Com tais reformas, Chávez iniciava a implantação de sua república bolivariana. A ideia do bolivarianismo contemporâneo, que também está presente na Bolívia, com o governo de Evo Morales, e no Equador de Rafael Correa (15/01/2007 a 24/05/2017), retoma em certa medida os princípios traçados pelo revolucionário Simon Bolívar, líder dos processos de independência de parte da América Espanhola (Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia) ao longo do século XIX.
Dentre os princípios do bolivarianismo está a busca por uma maior integração e solidariedade entre os povos latino-americanos, isso com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico e de alcançar uma plena independência frente aos “agentes imperialistas”. Na implantação do bolivarianismo por Chávez outro aspecto marcante é a ampliação da participação popular na vida política do país. Com as reformas estabelecidas permitiu-se que as organizações sociais (em especial na década de 1990) saíssem às ruas para protestar contra as condições ruins de sobrevivência em um Estado rico, mas negligente com as demandas sociais, e que elas passassem a participar, de modo mais efetivo, do cenário político nacional. Estimulou-se, assim, um modelo de democracia participativa e não somente representativa. Depois da ditadura de Perez Jimenez (1948/1958) foi instituído o Pacto do Punto Fijo, que consistia em um acordo de repartição do poder entre frações da burguesia nacional, , as quais limitavam a atuação dos sindicatos e proporcionavam a alternância de poder entre dois partidos de direita (AD e COPEI), ao mesmo tempo em que limitavam a atuação dos partidos de esquerda (PCV – Partido Comunista Venezuelano) e de grande parte da população menos abastada. No entanto, na formação da “revolução bolivariana” da Venezuela, centrar as atenções na figura de Hugo Chávez é menosprezar a importância das mobilizações populares para a sustentação das transformações socioeconômicas e políticas ocorridas no país desde o fim do século XX. Durante esse período, em diversos momentos, o apoio da sociedade e de grupos organizados foi fundamental para a continuidade do governo de Chávez e para o processo de reforma. As reformas que foram promovidas por Chávez descontentavam parte da sociedade e de grupos políticos mais conservadores. Depois de algumas mobilizações e paralisações de setores da indústria, os quais visavam à desestabilização o governo, em abril de 2002 o presidente foi destituído por meio de um golpe, mas 48 horas depois ele foi reempossado com o apoio de grande parte da sociedade e alguns setores do exército do país. Ao longo de seu governo, em vários momentos Chávez entrou em rota de colisão com as estratégias do governo estadunidense, na época presidido por George W. Bush (2001/2008). Entre tais desentendimentos, são importantes as críticas venezuelanas à “Guerra ao Terror” e sua aproximação com países em certa medida hostis à influência ianque, tais como o Irã de Mahmoud Ahmadinejad (2005/2013), a Rússia de Vladimir Putin (1999/2008 e desde 2012) e a Líbia de Muammar Gaddafi (1969/2011). Com a eleição de Obama (2008) em um primeiro momento houve uma apaziguamento das relações, mas elas logo foram estremecidas pela tentativa do governo estadunidense de instalar bases militares na Colômbia. Atualmente, Nicolás Maduro, sucessor de Chávez na presidência do país desde abril de 2013, tem tentado seguir com as reformas iniciadas e vem sendo o alvo de intensas ações da oposição interna. Assim como Chávez, Maduro tem sido acusado de limitar a atuação dos opositores. 435
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Geografia
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Na verdade, a sociedade venezuelana mostra-se dividida entre os chamados “chavistas” ou “bolivarianos”, apoiadores do governo e das reformas iniciadas por Chávez, e os opositores do governo, “antichavistas” ou “antibolivarianos”.
Figura 03 - Nicolás Maduro.
Além disso, há também o descontentamento de parte do capital internacional, como o de grandes empresas do setor energético e de governos de outros países que tomam a Venezuela como um país estratégico, em especial para seu abastecimento energético.
A reaproximação EUA – CUBA As relações diplomáticas entre os EUA e a ilha de Cuba começaram a se estremecer com a Revolução Cubana, em 1959, quando Fidel Castro e seus aliados tomaram o poder na ilha e depuseram o governo de Fulgêncio Batista, então um governo pró-EUA.
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Após a vitória na Revolução, o governo de Fidel iniciou uma série de reformas que descontentavam o governo e os empresários estadunidenses. Dentre as ações que incomodavam os EUA se destacam a nacionalização de empresas e investimentos estrangeiros e a realização de reforma agrária, que levou a expropriação de grandes proprietários.
Figura 04 - Revolução Cubana.
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Diante dessas ações o governo dos EUA deu início a uma série de ações que visavam a instabilizar o regime castrista. Dentre estas merecem destaque o boicote às relações comerciais com a ilha (oficializado no início da década de 1960 e transformado em lei na década de 1990) e , por meio da CIA, o estímulo a tentativa de invasão da ilha por exilados cubanos (ex-apoiadores de Fulgêncio), episódio conhecido como a invasão da Baía dos Porcos, a qual ocorreu em 17/04/1961 e fracassou. Diante das ações dos EUA, Cuba se aproximou da URSS e em 16/04/1961 declarou-se um país socialista, alinhado à superpotência rival. Tal cenário culminou na ruptura das relações diplomáticas dos EUA e Cuba. Pouco depois a superpotência ocidental promoveu a suspensão de Cuba da OEA (Organização dos Estados Americanos), , para a qual o país só retornou em 2009, já no governo Obama. Durante a Guerra Fria, EUA, URSS e Cuba ainda protagonizariam a Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Esse momento foi considerado o mais tenso daquele período, marcado pela corrida armamentista e pelo equilíbrio do terror. No entanto, se, durante a Guerra Fria, as hostilidades a Cuba poderiam se justificar com base na ideia da ameaça comunista, desde o fim daquela fase, as retaliações à ilha têm sido duramente criticadas pela sociedade internacional, que considera tal ação anacrônica. Até o início de 2015, o embargo estadunidense já havia sido condenado vinte e três vezes pela Assembleia Geral da ONU, classificando-o como um crime contra a população cubana. As restrições causadas pelo embargo em muito contribuem para a limitação de acesso a bens de consumo (higiene pessoal, roupas, eletrodomésticos e produtos eletrônicos, e até alimentos) pela população cubana. Além disso, após o fim da URSS (a grande mantenedora da economia cubana durante a Guerra Fria) reformas econômicas gradativas têm inserido alguns princípios da economia capitalista no cotidiano do país caribenho. Aos cubanos já foi dado o direito de possuir automóveis e pequenos negócios autônomos, e desde 2013 há mais liberdade para viajar para fora do país, não sendo mais obrigatória a permissão do governo. Outro fato que pressiona o governo estadunidense a mudar sua posição frente à ilha é o apoio recebido pelo país da maioria dos líderes latino-americanos e a aproximação de Cuba com importantes países do cenário internacional, tais como Rússia, China, Brasil e países da União Europeia. O que de maneira velada soa como uma crítica à postura dos EUA, que afirma não se relacionar com a ilha por não concordar com seu regime político, em vários episódios classificados pelo governo estadunidense como ditatorial.
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Desde o seu primeiro mandato como presidente dos EUA, Barack Obama buscou uma nova relação com a ilha – e com toda a América Latina-, quando já em 2009, difundiu a intenção de fechamento da prisão de Guantánamo, flexibilizou as viagens ao país caribenho e o envio de recursos financeiros dos cubanos que vivem nos EUA para suas famílias na ilha. Logo depois, admitindo a proposta de países da região Obama, revogou a expulsão de Cuba da OEA. A partir do final de 2014 o processo de reaproximação ganhou força. Algumas ações entraram para a história, como o encontro entre os presidentes dos dois países (Obama e Raúl Castro), a libertação de prisioneiros pelos dois países, a retirada de Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo, e a proposta de reabertura das embaixadas. Já o famigerado embargo econômico e comercial, que segundo o governo cubano ao longo das décadas já privou o país de investimentos da ordem de US$ 1 trilhão, este ainda permanece, pois sua revogação depende da aprovação do congresso e não simplesmente da ação presidencial. Porém, além dos fatores já listados, ao longo do século XXI, ao mesmo tempo em que os países latino-americanos buscavam mais autonomia frente à influência estadunidense - com a criação de organismos regionais estratégicos de integração econômica e política - esses países também abriam cada vez mais caminho para a aproximação com a China. Assim, a reaproximação com a ilha de Cuba, além de aliviar as pressões internacionais, também pode melhorar as relações dos EUA com o restante da América Latina, que cada vez mais busca se afastar da superpotência do Norte, e pior, se aproximar da China, um dos maiores concorrentes dos EUA na atualidade. Visita histórica: o que Barack Obama quer em Cuba? Após quase 90 anos e décadas de uma relação conflituosa, pela primeira vez um presidente americano faz uma visita oficial a Cuba. Barack Obama chegou à ilha na tarde deste domingo para marcar mais um avanço no seu plano de reaproximação com o país. O último presidente dos Estados Unidos que viajou oficialmente para Cuba foi Calvin Coolidge, em um navio de guerra, há 88 anos.
Figura 05 - À esquerda, Obama e Raul Castro se cumprimentam; ao centro, outdoor divulgando visita de Obama a Cuba para selar reaproximação; à direita, Barack e Michelle Obama em Havana.
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De lá para cá, uma revolução aconteceu na ilha, e o alinhamento dela com a União Soviética no bloco socialista durante a Guerra Fria fez com que as relações com os Estados Unidos fossem completamente cortadas. Desde então, de 1961 até hoje, um embargo econômico – dentre tantas outras restrições impostas pelos americanos – deixou os dois países em lados opostos.
Geografia
Exercícios de Fixação 01. (Enem MEC) No mundo contemporâneo, as reservas energéticas tornam-se estratégicas para muitos países no cenário internacional. Os gráficos apresentados mostram os dez países com as maiores reservas de petróleo e gás natural em reservas comprovadas até janeiro de 2008.
03. (Fac. Direito de Sorocaba SP) A reação nas ruas de Cuba à decisão do governo de (...) foi de alegria e surpresa. Sempre que se ventilava essa medida, nada se concretizava. (http://revistaepoca.globo.com/Mundo/ noticia/2012/10/os-cubanos-...html, 16.10.2012)
Essa mudança anunciada em outubro de 2012 é a) o plano de demissão premiada no serviço público. b) a cessão de terras ociosas a pequenos proprietários. c) a flexibilização das regras para viagens ao exterior. d) a autorização para a abertura de pequenos negócios. e) o aumento do crédito para a compra de bens de consumo. 04. (UEMG) EUA alegam combater terrorismo para justificar presença militar na América do Sul.
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Disponível em: http://indexmundi.com. Acesso em: 12 ago. 2009 (adaptado).
As reservas venezuelanas figuram em ambas as classificações porque a) a Venezuela já está integrada ao MERCOSUL. b) são reservas comprovadas, mas ainda inexploradas. c) podem ser exploradas sem causarem alterações ambientais. d) já estão comprometidas com o setor industrial interno daquele país. e) a Venezuela é uma grande potência energética mundial.
Desde seus processos de independência, duas nações alternam momentos de conflito e de cooperação bilateral. A partir da década de 1980, com o aumento do tráfico de drogas e combustíveis, os problemas voltaram a ser frequentes. Atualmente, esses países estão em conflito territorial por domínio da região na fronteira.
02. (Unifor CE) O governo da ____________ vetou a participação do brasileiro Nélson Jobim, ex-Ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal, à frente de uma missão da União de Nações Sul-Americanas – UNASUL – destinada a assegurar a lisura e transparência das eleições parlamentares que ocorrerão em dezembro próximo. Tal veto reforça as acusações de que o atual governo desse país vem agindo no sentido de manipular e fraudar as referidas eleições. Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE o texto apresentado. a) Argentina b) Chile c) Colômbia d) Equador e) Venezuela
Com base nas informações obtidas acima, é CORRETO concluir que os países citados no conflito são: a) Venezuela e Colômbia - a atual crise culminou com o fechamento da fronteira entre esses países e o acesso terrestre ficou fechado por tempo indeterminado. b) Argentina e Uruguai - o elemento chave é a rejeição de um grupo vizinho argentino a uma fábrica de celulose no Uruguai, expressada pelo bloqueio de uma das pontes internacionais que une os dois países. c) Brasil e Paraguai- os embates contra os agricultores brasileiros residentes no Paraguai, que são denunciados pelos impactos nas comunidades locais ou pelo mal uso de agrotóxicos. d) Colômbia e Peru - a controvérsia originada no ataque colombiano a um acampamento das FARCs (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) em solo peruano.
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http://br. images.search.yahoo.com/23/10/2015.
http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/09/02/ venezuela-amplia-estado-de-excecao-na-fronteira-com-colombia/
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Exercícios Complementares
A morte do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, será chorada por muitos e comemorada por poucos. Nesse momento em que grande parte da mídia internacional dedica seu tempo a falar mal do líder morto e torce para que ele permaneça a sete palmos debaixo do chão, seria bem melhor tentar entender Chávez enquanto figura política. Fonte: Carta Maior. Disponível em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21694. Acesso: 29/03/2013
Para “melhor tentar entender Chávez enquanto figura política”, como propõem o texto é preciso considerar que: a) Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela em 1999 por meio de um golpe militar. b) O ex-presidente venceu consecutivas eleições no período em que esteve no poder, atestando um forte teor de popularidade no país andino. c) Hugo Chávez foi considerado um presidente extremamente audacioso ao romper relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos. d) Chegou ao poder por meio de eleições diretas, porém, uma vez no poder, sustou os demais pleitos com a clara intenção em se perpetuar no poder. e) Chávez teve sérios problemas com Lula enquanto este esteve na presidência do Brasil e somente retomou as relações bilaterais com as eleições de Dilma Roussef. 02. (Fatec SP) Em 2012, segundo o então presidente da Venezuela Hugo Chávez, uma estratégia para diminuir a dependência do setor petrolífero e impulsionar o desenvolvimento agrícola e industrial em seu país seria a) intensificar as negociações com a União Europeia (UE). b) aderir como membro pleno ao Mercado do Cone Sul (MERCOSUL). c) tornar-se membro oficial da Organização dos Estados Americanos (OEA). d) passar a ser membro integrante da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). e) associar-se como membro oficial do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). 03. (Unifor CE) O governo da Venezuela vetou a participação do brasileiro Nélson Jobim, ex-Ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal, à frente de uma missão da União de Nações Sul-Americanas – UNASUL. Esse veto a) decorre das pressões sobre o Governo Venezuelano, feitas pela UNASUL, no sentido da renúncia do presidente venezuelano, Nicolas Maduro.
b) resulta do apoio explícito dado pelo governo da Presidente Dilma Roussef aos líderes da oposição venezuelana atualmente presos por razões políticas. c) contribui para o aperfeiçoamento da atuação de organismos multilaterais regionais, tais como a UNASUL, em favor da realização de processos eleitorais democráticos, imparciais e transparentes na América Latina. d) resulta das declarações do ex-Ministro Nélson Jobim a favor do rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela. e) reforça as acusações de que o atual governo desse país vem agindo no sentido de manipular e fraudar as referidas eleições, já que essa missão é destinada a assegurar a lisura e transparência das eleições parlamentares que ocorrerão em dezembro próximo. 04. (Puc RJ) Dos movimentos ligados às lutas sociais na América Latina, um deles se projetou na América do Sul, a partir dos anos de 1980, quando passou a cunhar discursos libertadores, nacionalistas e emancipatórios na região, originados nos ideais liberais e anti-imperialistas do início do século XIX. Tal movimento vem se espalhando, na atualidade, nos países sul-americanos, consolidando-se como uma importante força geopolítica continental chamada: a) Maoísmo. b) Castrismo. c) Laoísmo. d) Senderismo. e) Bolivarianismo. 05. (UEFS BA) Sobre a América Latina e suas características populacionais, identifique as afirmativas verdadeiras. I. A região pode ser considerada uma das mais desiguais do mundo, reunindo um elevado número de países com grande concentração de renda. II. A expressão América Latina é adequada a um critério geopolítico, pois esses países exibem, em comum, profundas desigualdades sociais e instabilidade econômica. III. Os países da América Latina tiveram uma colonização de povoamento e, atualmente, caracterizam-se por seu desenvolvimento industrial homogêneo e pela sua diversidade cultural. IV. Os países platinos têm forte influência da civilização quíchua e formam os países da América Latina, cuja maioria da população é descendente de ameríndios. A alternativa que indica todas as afirmativas verdadeiras é a a) I e II d) II e III b) I e III e) III e IV c) I e IV
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01. (ESPM SP) O texto a seguir aborda a morte de Hugo Chávez, ex-presidente venezuelano
FRENTE
B
GEOGRAFIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (UFMT) Sobre os processos de colonização e descolonização do continente africano, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) Após o processo de descolonização, vários grupos étnicos foram forçados a conviver em um mesmo Estado, intensificando os conflitos armados como o ocorrido entre as etnias Tutsi e Hutus, em Ruanda. ( ) O critério de regionalização do continente africano mais utilizado pós-descolonização, com base em elementos étnicos e culturais, classifica-o em África Branca ou Setentrional e África Negra ou Subsaariana. ( ) As potências imperialistas europeias reunidas na Conferência de Berlim dividiram o espaço da África entre si, criando fronteiras sem respeitar a antiga organização tribal e a distribuição geográfica das etnias no continente. Assinale a sequência correta. a) VFV b) VVF c) VVV
d) FFV e) FFF
02. (Fei SP) O genocídio praticado em 1994 foi talvez o evento mais trágico da segunda metade do século passado. Estimativas dão conta de mais de um milhão de mortos ao longo do mês de abril daquele ano. O ódio entre hutus e tutsis é antigo, porém a divisão e o antagonismo foram reforçados pelo domínio colonial europeu. Os massacres não foram frutos de uma explosão de loucura coletiva, mas a expressão de um ódio muito antigo. O texto acima se refere ao genocídio ocorrido a) no Burundi. b) no Chade. c) em Ruanda. d) na África do Sul. e) Na Namíbia. 03. (UFRR) A escravidão, cuja mão de obra forçada perdurou por séculos. Terra dividida e marcada pela fome, pela pobreza extrema, pela proliferação da AIDS e outras doenças ainda sem cura, pela baixa expectativa de vida e pela guerra. É também o continente com maior número de conflitos da atualidade. Cerca de 7 milhões de pessoas vagam sem rumo pelo continente, 30% do total de refugiados no mundo contemporâneo. Não há dados certos sobre o número de mortos, mas segundo a ONU, nos últimos dez anos, pelo menos 15 milhões de africanos foram assassinados em guerras civis.” (Concursos & Vestibular Geografia, 2008, p.60).
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Dentre os principais conflitos na África, a Guerra de Biafra, ocorrida na Nigéria, é um exemplo dos intensos conflitos étnicos existentes no continente. O referido conflito, que durou entre 1966-1970, envolvia quais grupos? a) Os Tutsis (que detinham o poder econômico) e Hutus (que reivindicavam sua independência). b) Sul cristão (dominado pelas etnias ioruba e ibo) e o Norte islâmico (predominantemente das etnias haussá e fulani). c) Os xhosas (situados nos bantustões) e a maioria branca e muçulmana (que estava no poder). d) Os muçulmanos (que possuem o poder político) e os guerrilheiros cristãos e animistas (que assumiram os principais pontos de extração de diamantes). e) Eritreus (que reivindicavam uma ampliação dos limites fronteiriços) e Bantos (que possuíam o poder político e econômico da região). 04. (Uem PR) Assinale o que for correto sobre a geografia econômica do continente africano. 37 01. A Argélia e a Nigéria são países produtores de petróleo. 02. Na África Equatorial, a presença de rios, como o Nilo, o Zambeze e o Níger, facilita a navegação fluvial Leste-Oeste. 04. Na África negra, a agricultura dominante é a tradicional ou de subsistência, que utiliza técnicas primitivas de produção. Entre os itens produzidos, destacam-se a mandioca, o milhete, o sorgo e o inhame. 08. A extração e a comercialização de “madeiras de lei” das savanas sudanesas têm concorrido para acelerar o desequilíbrio ambiental na região. 16. Na África Setentrional, no Norte da cadeia do Atlas, as principais culturas agrícolas, como a do trigo, da soja, do milho e do arroz, estão associadas à presença do clima mediterrânico. 32. A África do Sul é rica em recursos minerais, sendo exemplos o ouro, os diamantes e o carvão mineral, dentre outros produtos. 05. (Favip PE) Considerando aspectos geopolíticos da América Latina, analise as afirmativas a seguir. 1) A constituição dos Estados nacionais latino-americanos foi um processo ligado à independência das colônias, no início do século XIX. Nesse processo, a América Hispânica se fragmentou em diversas repúblicas. 2) Atualmente, o que melhor caracteriza e identifica os países latino-americanos são suas características econômicas e suas dificuldades de desenvolvimento, comuns desde a época da colonização.
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3) Apesar de tanta diversidade e da certa singularidade das culturas produzidas pelos vários grupos sociais, os povos americanos têm muitos pontos em comum, pois compartilham de uma história mais ampla, na qual os processos de mercantilização e de expansão marítima europeia exerceram significativa influência. 4) As colônias espanholas e portuguesas na América são exemplos de colônias de povoamento, tendo, assim, um caráter ocupacional que se revelou no tipo de uso do solo desde o início do processo de colonização. 5) As singularidades populacionais da América Latina geraram uma homogeneidade étnica e cultural que repercutiram fundamentalmente nas singularidades históricas da região.
d) Aumentaram-se os gastos públicos com os serviços sociais, principalmente os relativos à saúde e educação. e) Ampliaram-se os processos de estatização e democratização de diversas instituições através da participação dos trabalhadores. 08. (UFMT) Sobre a América Latina, julgue os itens. C-E-E-C
Estão corretas apenas: a) 1 e 5 b) 2 e 4 c) 1, 2 e 3 d) 2, 3 e 5 e) 1, 2, 3 e 4 06. (Fatec SP) “O tipo de colonização mercantilista e exploradora deixou marcas profundas nas sociedades latino-americanas. Algumas dessas marcas permanecem até hoje. Como exemplo, podemos mencionar a utilização dos melhores solos agrícolas para o cultivo de gêneros de exportação, ficando os piores para a produção dos alimentos consumidos pelos próprios habitantes. Ou ainda a concentração da população predominantemente perto do litoral e dos portos que davam acesso às metrópoles e que, hoje, dão acesso aos mercados estrangeiros.”
Outra dessas marcas sociais características da colonização de exploração nos países latino-americanos é a) a independência tecnológica dos países latino-americanos. b) a enorme concentração de terras em territórios e em reservas indígenas. c) as elevadas taxas de natalidade causadas pela seca nas regiões desérticas. d) a grande desigualdade social e econômica entre as várias regiões nacionais. e) o imperialismo norte-americano exercido sobre suas colônias latino-americanas. 07. (UFPI) Sobre as principais consequências da aplicação das políticas neoliberais na América Latina, assinale a opção correta: a) Houve uma ampliação das diferenças sociais, com uma quebra do aparato industrial e a geração de alto grau de desemprego. b) Registrou-se um melhoramento da qualidade de vida da população, como herança do modelo europeu. c) Ocorreu o fortalecimento e ampliação das conquistas trabalhistas dos sindicatos profissionais.
(ANTUNES, Celso – Geografia e Participação – Scipione-1996)
00. A América Latina localiza-se totalmente no hemisfério ocidental, sendo atravessada pelo Trópico de Câncer que corta a parte central do México; pela linha do Equador que passa pelo Brasil, Colômbia, Equador e toca o norte do Peru; e pelo Trópico de Capricórnio que atravessa o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile. 01. Uma das principais unidades do relevo latino-americano são as Altas Cordilheiras formadas durante o período terciário, no qual ocorreu intenso tectonismo, com posterior dobramento das camadas de rochas, o que provocou o aparecimento de cordilheiras. 02. Apesar de sua alongada disposição Leste-Oeste, a América Latina apresenta pouca variação climática e latitudinal. 03. Um dos mais urgentes e ambiciosos projetos do Mercosul é a hidrovia Paraguai-Paraná planejada para ligar Cáceres, em Mato Grosso, à Nueva Palmira, no Uruguai, na foz do rio da Prata.
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FRENTE B Exercícios de Aprofundamento
(VESENTINI, José W. & VLACH, Vânia. Geografia crítica, 7ª série. 3ª ed. São Paulo: Ática, 2007, p. 76. Adaptado.)
FRENTE
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GEOGRAFIA Por falar nisso Estudos e análises relacionadas a fenômenos meteorológicos e climatológicos possuem grande distinção, desde quando iniciaram, até os dias atuais. Os modernos instrumentos computadorizados instalados em estações automáticas e as leituras diárias realizadas por profissionais da área em estações manuais são de suma importância para o monitoramento da atmosfera. Os benefícios aos estudos climáticos e do tempo meteorológico advindos da tecnologia moderna são recentes quando comparados com a história da humanidade. As observações humanas persistem nos dias atuais, mas a maior precisão é resultado da inovação tecnológica presente em modernos aparelhos, como satélites e supercomputadores. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
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Climatologia I.................................................................................444 Climatologia II................................................................................452 Climatologia brasileira I.................................................................459 Climatologia brasileira II................................................................464
FRENTE
C
GEOGRAFIA
MÓDULO C17
CLIMATOLOGIA I
ASSUNTOS ABORDADOS nn Climatologia I
Composição da atmosfera
nn Composição da atmosfera
A atmosfera representa 0,0001% da massa total da Terra e constitui-se por diversos componentes, dentre os quais destacamos: nitrogênio diatômico (N2) com 78%, o oxigênio diatômico (O2) com 21% e argônio (Ar) com 1%. Essa mistura apresenta-se não reativa na baixa atmosfera mesmo em temperaturas e intensidade solar muito além daquelas encontradas na superfície da Terra. É importante saber que, independentemente de o ar estar limpo ou não, podem ocorrer muitas reações ambientalmente importantes. Normalmente, o ar possui de 1 a 3% de vapor de água em volume, partículas sólidas em suspensão, além de uma grande variedade de pequenas quantidades de gases a níveis de 0,002%, incluindo neônio, hélio, metano, criptônio, óxido nitroso, hidrogênio, xenônio, dióxido de enxofre, ozônio, dióxido de nitrogênio, amônia e monóxido de carbono. O conteúdo de vapor de água da atmosfera é variável.
nn Camadas da atmosfera nn Tempo e clima nn Elementos do clima
120
Camadas da atmosfera
Auroras
A atmosfera é uma fina camada gasosa que envolve a Terra, e é constituída principalmente por azoto e oxigênio. Ela tem a função de proporcionar os gases necessários para a manutenção da vida no Planeta, além de proteger-nos contra as radiações do sol. A atmosfera é dividida em várias camadas distintas e separadas entre si por áreas de descontinuidade.
110
100 0.001 mb TERMOSFERA
90 Mesopause
0.01 mb
80
nn Troposfera: É a camada localizada entre 8 e
Altitude (km)
70 MESOSFERA
Meteoros
16 km de altura, é a que fica mais próxima dos seres vivos. A troposfera está em contato com a superfície terrestre e dispõe o ar que respiramos, além de ser a camada mais densa e menos espessa de todas.
0.1 mb
60 50
Estratopausa
1 mb
nn Estratosfera:
É na estratosfera que se localiza a camada de ozônio, situada entre 12 e 50 km de altitude.
40
nn Mesosfera: A mesosfera é a camada mais
10 mb
30
fria da atmosfera, onde a radiação solar é fraca. Situa-se entre os 50 e 80 km.
ESTRATOSFERA
Máximo de Ozônio
nn Termosfera: Situada entre 80 e 400 km,
20
a termosfera é a camada mais extensa, mais quente e que absorve as radiações solares mais energéticas.
100 mb Tropopause
10
TROPOSFERA 1000 mb
0 –100
–80
–60
–40
Figura 01 - Camadas da atmosfera terrestre.
444
–20 0 Temperatura ºC
20
40
60
0 ºC
nn Exosfera: Na última camada, o ar é extre-
mamente rarefeito, limitando a atmosfera do espaço cósmico.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
A atmosfera tem como importante função proteger a superfície da Terra contra o impacto de matéria proveniente do espaço, como meteoros e meteoritos. Ela também exerce o importante papel de evitar que o calor recebido do Sol durante o dia retorne rapidamente ao espaço, impedindo, dessa forma, variações bruscas de temperatura. Nesse aspecto, permite-se a geração de vida em nosso planeta. Circulação geral da atmosfera A circulação geral da atmosfera, também chamada primária, é responsável pela existência das grandes zonas climáticas (polares, temperadas e tropical). O mecanismo de circulação geral da atmosfera desenvolve-se por meio de circuitos ou módulos circunscritos a cada uma das zonas climáticas. Existem seis módulos, três em cada um dos hemisférios. Dentro dos limites de cada módulo, o mecanismo de circulação atmosférica tende a se repetir a cada ano. Correntes convectivas dão voltas e se encontram em diferentes latitudes, redistribuindo calor e umidade na superfície terrestre, dando a cada zona climática suas características fundamentais e produzindo paisagens vegetais diversificadas (florestas, desertos, pradarias etc.). Por exemplo: a zona tropical é normalmente quente e úmida e as zonas polares continentais são frias e secas.
#DicaCine Geogafi DOCUMENTÁRIO: UMA VERDADE INCONVENIENTE Sinopse: É o documentário mais famoso sobre o tema. An Inconvenient Truth (título original), aborda a campanha do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para educar os cidadãos sobre aquecimento global, por meio de uma exaustiva apresentação de dados estatísticos e dispositivos que, segundo ele, já foram apresentados mais de mil vezes em diferentes partes do planeta.
Figura 02 - Circulação geral da atmosfera.
De modo geral, o ar se desloca pela desigual distribuição da energia solar e tem seu movimento profundamente influenciado pela rotação planetária. A atmosfera está em constante movimento, e junto à superfície, na troposfera, essa dinâmica, que é governada pela variação da pressão atmosférica, ocorre sempre das áreas de alta pressão atmosférica (anticiclonais) para os centros de baixa pressão (ciclonais).
Sinopse: Cowspiracy, the Sustainability Secret (título original) é um dos documentários mais recentes sobre o assunto. O filme, produzido pelo ator Leonardo Di Caprio, defende que a agropecuária é a principal responsável pelo aumento das temperaturas globais, apesar do relativo silêncio de muitas organizações ambientais sobre o tema.
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C17 Climatologia I
FILME: COWSPIRACY – O SEGREDO DA SUSTENTABILIDADE (2014)
Geografia
Em relação à superfície, o peso exercido pelo ar – o que simplificadamente é a pressão atmosférica – pode variar de acordo com a temperatura, a umidade e a altitude. Áreas mais quentes transferem mais calor para o ar junto da superfície, o que provoca o aumento da energia cinética das moléculas constituintes da massa gasosa, aumenta o número de colisões entre elas, levando à expansão e à consequente diminuição de pressão exercida pelo ar sobre uma determinada área. Com a diminuição da densidade, formam-se correntes ascendentes de ar junto à superfície, o que atrai as correntes de ar vindas das áreas que estão sob maior pressão. Já em áreas mais frias, a menor agitação das moléculas, reflexo da menor transferência de calor da superfície para o ar, deixa a massa gasosa mais densa, provocando uma maior pressão sobre as superfícies. Assim, as correntes de ar tendem a se dissiparem, saindo desses centros em busca de áreas com menor pressão. No que se refere à umidade, quanto maior o teor de umidade, menor será a densidade. Assim, massas mais úmidas tendem a exercer menor pressão sobre a superfície. Isso ocorre, pois a água apresenta menor densidade que o ar seco para volumes iguais.
terminado lugar em um dado momento. Essas condições podem mudar de um instante para outro ou dentro de poucas horas e, nesse caso, o tempo já não será o mesmo. Portanto, o tempo é algo momentâneo ou de curta duração, ou seja, é o estado momentâneo em que se encontra a atmosfera. O clima é algo duradouro, que não muda de um momento para outro. É uma sucessão habitual dos tipos de tempo meteorológico num determinado lugar da superfície terrestre. Ele equivale a um padrão geral das condições atmosféricas e às variações das estações do ano em uma região durante um período de mais ou menos 30 anos de estudos relacionados a esses fenômenos meteorológicos. Por exemplo, quando dizemos que Manaus é uma cidade quente e úmida, estamos nos referindo ao clima dessa cidade, que é equatorial. Porém, no decorrer dos dias do ano, Manaus conhecerá vários tipos de tempo.
#Curiosidades AGROMETEOROLOGIA
Fonte: Wikimedia Commons
Assim, o deslocamento do ar junto à superfície ocorre conforme esquema ilustrado abaixo.
A agrometeorologia trata da meteorologia aplicada às necessidades dos agricultores, para que estes possam contar com informações vitais às suas lavouras. Os dados obtidos por meio do estudo das condições e variações climáticas são tão imporFigura 03 - Deslocamento do ar junto à superfície.
C17 Climatologia I
Vale ressaltar que com o ganho de altitude, ocorre a rarefação da atmosfera. Assim, mesmo com a queda de temperatura em elevadas altitudes, a pressão atmosférica tende a diminuir.
Tempo e clima Quando em determinado momento do dia dizemos, por exemplo, que está quente e úmido, estamos nos referindo ao tempo, ou seja, às condições atmosféricas ou meteorológicas (temperatura, umidade, chuva, ventos etc.) de um de446
tantes para os agricultores que podem significar a diferença entre uma boa safra e o prejuízo total. A agricultura, como a maioria das atividades rurais, é um empreendimento de risco, e sempre dependeu da “boa vontade” do clima e da “sorte” dos agricultores. Nos últimos anos, devido à melhoria na precisão das previsões climáticas, principalmente pelo uso de satélites e de computadores com softwares especializados, os agricultores podem contar com um auxílio muito valioso para evitar prejuízos e maximizar suas produções. Fonte: http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=564
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Elementos do clima Radiação solar É a designação dada à energia radiada ou emitida pelo Sol. Mais precisamente é aquela energia que é transmitida sob a forma de radiação eletromagnética. Cerca de 50% desta energia é emitida como luz visível na parte de frequência mais alta do espectro eletromagnético e os outros 50% restantes correspondem aos raios infravermelhos, ou seja, como radiação ultravioleta. A radiação solar fornece anualmente para a atmosfera terrestre aproximadamente 1,5 × 1018 kWh de energia. Assim, ela é o verdadeiro sustentáculo da vida na Terra e a principal responsável pela dinâmica da atmosfera terrestre e pelas características climáticas do planeta.
C17 Climatologia I
Figura 04 - Balanço energético da radiação solar.
Figura 05 - Incidência dos raios solares sobre a Terra.
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Geografia
Temperatura atmosférica A temperatura atmosférica é um dos elementos climáticos mais importantes. Corresponde ao estado térmico do ar atmosférico, ou seja, aos estados de frio e de calor da atmosfera. Para medi-la, os meteorologistas utilizam dois tipos de termômetro: o de máximas (à base de mercúrio) e o de mínimas (à base de álcool). Variação da temperatura com a latitude e a altitude A variação da temperatura de acordo com a latitude se deve fundamentalmente à forma geoide do planeta Terra. A radiação solar é maior nas proximidades da linha do Equador, onde os raios solares incidem perpendicularmente à superfície terrestre e, consequentemente provocando um maior aquecimento. A temperatura diminuirá à medida em que nos dirigimos para os polos terrestres, ou seja, esse caso está associado com a maior inclinação (obliquidade) dos raios solares, que faz com que haja maior reflexão e menor absorção de calor. A regra geral, portanto, é a seguinte: a temperatura tende a diminuir com o aumento da latitude. A altitude exerce grande influência sobre a temperatura. Veja por que isso acontece: o calor é irradiado da superfície terrestre para “cima”, e a atmosfera se aquece por irradiação. Quanto maior a altitude, mais rarefeito se torna o ar (devido à menor densidade de moléculas), ocorrendo menor irradiação, menor retenção de calor e menores temperaturas. À medida que nos elevamos, a temperatura cai aproximadamente 1 °C a cada 200 metros. Próximo ao Equador, os raios solares percorrem uma distância menor e incidem perpendicularmente sobre a Terra (resultando em maior temperatura). Nos polos, os raios solares percorrem uma distância maior, com incidência muito inclinada (resultando em menor temperatura). O relevo na influência dos elementos climáticos As massas de ar úmidas que vêm do oceano são barradas pelo relevo, provocando chuvas do lado Ocidental e seca do lado Oriental.
C17 Climatologia I
Assim, quando as massas carregadas de umidade tocam o relevo frio, o vapor d’água condensa, o que provoca chuvas orográficas (ou de relevo). À medida que o ar ganha altitude, novos momentos de condensação e chuvas ocorrem no lado da encosta que recebe a massa (barlavento). Quando a massa chega ao lado oposto, o sotavento, ela já perdeu a umidade, inibindo as chuvas nessa área.
Figura 06 - Influência do relevo no clima.
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Ciências Humanas e suas Tecnologias
Variação da temperatura nos continentes e oceanos A distribuição das massas líquidas (oceanos) e sólidas (continentes) exerce influência muito acentuada sobre a temperatura. A razão fundamental é que o comportamento térmico das rochas é diferente do comportamento da água: de um lado, os continentes se aquecem e se esfriam mais rapidamente que os oceanos; de outro, as águas demoram mais para se aquecer, mas conservam o calor por mais tempo. Em decorrência disso, as variações de temperatura nos continentes são mais acentuadas que nos oceanos.
Figura 07 - Planisfério: Zonas climáticas.
Exercícios de Fixação
(José Bueno Conti e Sueli Angelo Furlan. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. In. Jurandyr Ross. Geografia do Brasil. 1998. Adaptado)
O texto apresentado designa, respectivamente, a diferença entre a) temperatura e frente fria. b) precipitação e frente fria. c) tempo e clima. d) clima e estação do ano. e) tempo e precipitação. 02. (UECE) Sabendo que o clima tem uma inequívoca ação dinâmica, manifesta no sistema oceano-continente-atmosfera, pode-se afirmar corretamente que alguns dos seus principais elementos formadores são: a) relevo, vegetação e temperatura. b) umidade, solos e hidrografia.
c) temperatura, umidade e pressão. d) pressão, geologia e massas de ar. 03. (UEPG PR) Sobre a atmosfera terrestre e suas camadas constituintes, assinale o que for correto. 14 01. Mesosfera é uma camada muito rarefeita e é a mais externa da atmosfera. Possui temperaturas elevadíssimas. 02. Ionosfera é uma camada carregada de íons e tem a capacidade de refletir ondas de rádio. É nessa camada que os meteoros (estrelas cadentes) se desintegram, total ou parcialmente, devido ao impacto com a mesma. É a quarta camada a partir da superfície da Terra. 04. Estratosfera é a segunda camada a partir da superfície. É a que contém a camada de ozônio que filtra a maior parte da radiação ultravioleta proveniente do sol. 08. Troposfera é a primeira camada a partir da superfície e onde está a maior concentração de gases. É constituída de 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases. Além disso, é essencial à vida na Terra. 16. Astenosfera é a camada intermediária da atmosfera e é onde surgem as auroras boreais e austrais.
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C17 Climatologia I
01. (Fundação Instituto de Educação de Barueri SP) A primeira corresponde a uma situação transitória da atmosfera, com mudanças diárias e até horárias, ao passo que a segunda se define por padrões estabelecidos após trinta anos de observações, apresentando, portanto, no mínimo, um perfil relativamente estável.
Geografia
04. (FGV) Analise o gráfico a seguir sobre a distribuição das precipitações conforme as latitudes.
Adaptado de: CONTI, J. B. In: ROSS, J. L. (org). Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 96.
Sobre a distribuição geográfica das chuvas, do ponto de vista zonal, assinale a afirmação incorreta. a) O máximo equatorial e os mínimos polares são fenômenos desarticulados que resultam da ação de fatores geográficos locais. b) Os dois mínimos de precipitação nas zonas polares são devidos à fraca radiação solar, a qual provoca pequena evaporação. c) As duas áreas de elevada precipitação na altura das latitudes médias resultam da linha de descontinuidade conhecida como frente polar.
d) Os dois mínimos de precipitação nas latitudes de 30° são explicados pela presença das células de alta pressão subtropicais, cuja origem está na circulação geral da atmosfera. e) O máximo de chuvas na zona equatorial se deve à presença da zona de convergência intertropical, cuja oscilação, para o norte ou para o sul, define as estações secas e chuvosas na sua área de influência. 05. (Fac. Cultura Inglesa SP) Na ciência da atmosfera, usualmente é feita uma distinção entre tempo e clima. Por___________nós entendemos o estado médio da atmosfera em curto prazo, geralmente diário, sendo um dos seus fenômenos____________. Por outro lado, o_____________abrange um maior número de dados por inferir observações contínuas durante um longo período, sendo um dos seus fatores_______________. (John O. Ayoade. Introdução à climatologia para os trópicos, 2003. Adaptado.)
No que tange à climatologia, as lacunas do texto são, correta e respectivamente, preenchidas por: a) tempo – a latitude – clima – a continentalidade b) tempo – a chuva – clima – a altitude c) tempo – a maritimidade – clima – os ventos d) clima – o granizo – tempo – as massas de ar e) clima – as correntes marítimas – tempo – a neve
C17 Climatologia I
Exercícios Complementares 01. (UESC BA) Existe uma inter-relação entre a atmosfera e os outros sistemas ambientais do planeta: a biosfera, a litosfera, a hidrosfera e a criosfera. 02 Considerando-se essa informação e os conhecimentos sobre a atmosfera e suas influências na biosfera, é correto afirmar que: 01. As massas de ar, apesar de ser o elemento climático mais dinâmico, devido à sua grande mobilidade, pouco interferem na biosfera, pois se originam nas camadas mais superiores da atmosfera. 02. As monções de verão são ventos carregados de umidade que partem do Oceano Índico em direção ao sul e sudeste do continente asiático, trazendo chuvas que favorecem a produção agrícola, sobretudo do arroz, o alimento básico da população dessa região. 03. A termosfera, camada mais fria da atmosfera, devido ao afastamento do calor oriundo da camada de ozônio, protege a superfície terrestre das rochas que penetram na atmosfera, em razão da enorme resistência do ar nela contido. 04. Os ciclones são perturbações atmosféricas, originados nos centros de altas pressões subtropicais continentais, que produzem ventos na superfície terrestre superiores a 500 km/h, capazes de destruição em escala global. 05. O El Niño é um fenômeno atmosférico pontual, visto que provoca o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, e, como consequência, origina a ressurgência que propicia o aumento da população de peixes, em toda faixa tropical do globo. 450
02. (Uem PR) Sobre a atmosfera e a interferência humana nos fenômenos climáticos, assinale o que for correto. 21 01. O efeito estufa é um fenômeno natural e fundamental para a vida na Terra. Ele consiste na retenção do calor irradiado pela superfície terrestre por certos gases e vapor de água na atmosfera, evitando que a maior parte desse calor se perca no espaço exterior. Sem esse fenômeno, seria impossível a vida na Terra como é conhecida hoje. 02. O ozônio é um gás inofensivo à sobrevivência humana na Terra. Sua maior concentração se encontra na troposfera, formando uma barreira que impede a passagem da radiação infravermelha produzida pelo sol. A pequena porção dessa radiação que consegue passar a camada de ozônio é a principal causa do câncer de pele, que atinge muitas pessoas em todo o mundo. 04. Os compostos de enxofre, sobretudo o dióxido de enxofre (SO2), estão entre os gases poluentes mais comuns e mais prejudiciais à saúde. A combustão do carvão e do petróleo é a principal fonte de liberação desse gás. Sua presença na atmosfera e o ácido sulfúrico que ele produz resultam no fenômeno da chuva ácida. 08. As ilhas de calor são fenômenos relacionados ao aumento de calor nas ilhas localizadas na região tropical da Terra. A principal causa da formação desse fenômeno está relacionada ao desmatamento desenfreado naquelas ilhas. Com o aumento da temperatura, a ilha
Ciências Humanas e suas Tecnologias
03. (Unisc RS) “O clima é um fator de preocupação constante da humanidade (...). Tornou-se lugar comum, ultimamente, sobretudo nos meios de comunicação, certa ênfase quanto as alterações climáticas. É preciso tomar cuidado com exageros e analisar criteriosamente tais “alterações”, levando sempre em consideração que o clima é cíclico. Para isso, devemos partir da seguinte premissa: o que não é normal na natureza é a constância do tempo; um ano nunca é igual ao outro em termos de tempo”. Fonte: ADÃO, Edilson; JR. FURQUIM, Laercio. Geografia em Rede. 1º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2013, p. 174.
Considerando as informações acima e seus conhecimentos, sobre a temática, analise as afirmativas que se referem à dinâmica do clima. I. Toda radiação solar, antes de chegar à superfície terrestre, precisa atravessar a atmosfera, que é composta por quatro camadas: troposfera, estratosfera, mesosfera e ionosfera. II. A troposfera é a camada que está na zona de transição entre a Terra e o espaço do cosmos. III. O clima nunca está associado a um único fator; ele é fruto de uma combinação de alguns fatores que interagem. Os fatores determinantes do clima são: latitude, altitude, orografia, continentalidade, maritimidade e massas de ar. IV. O criptograma é uma forma gráfica de representação do clima. Ele indica as médias térmicas e a pluviosidade de uma determinada localidade no período de um ano. V. A preocupação para com os fenômenos atmosféricos não é atual, isso ocorre desde os primórdios da civilização humana. Independente do modo de produção, variáveis naturais significativas no processo produtivo são, sem dúvida, provenientes do clima. Sabe-se que o desenvolvimento econômico e tecnológico de uma sociedade transforma o ambiente, mas também não há dúvida, de que também por ele é influenciado. O clima pode ser considerado como um regulador da produção agrícola e um importante componente da qualidade de vida das populações. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. b) Somente as afirmativas I, III, IV estão corretas. c) Somente as afirmativas I, III e V estão corretas. d) Somente as afirmativas I, II e V estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas.
04. (Puc RJ)
Disponível em: <http://professoralexeinowatzki.webnode.com.br/climatologia/fatores-do-clima/latitude-e-altitude>. Acesso em: 30 jul. 2012.
A variação de temperatura observada no cartograma acima é explicada: a) pela diferença de pressão atmosférica nas diversas altitudes. b) pela correção da maior latitude pelas variações longitudinais. c) pela variação da longitude que afeta a mudança de latitude. d) pela menor concentração de pressão nas altitudes mais baixas. e) pela mudança climática nas camadas de gelo das maiores altitudes. 05. (Mackenzie SP) Em relação à dinâmica dos ventos, circulação e forças que atuam sobre eles, assinale a afirmação INCORRETA. a) Os ventos são, de forma geral, o ar em movimento devido a ajustes atmosféricos causados pela variação da pressão. b) Os ventos sopram das áreas de alta pressão para as de baixa pressão. c) O movimento de rotação da terra altera – para longas distâncias – a direção dos ventos. d) As regiões equatoriais – receptoras de maior quantidade de energia solar do que as regiões polares – são consideradas de alta pressão e, portanto, dispersoras de ventos. e) O efeito da força de Coriolis, na zona intertropical, provoca desvios na direção dos ventos, vindos de nordeste para sudoeste, no hemisfério norte, e de sudeste para noroeste, no hemisfério sul. 06. (Cefet MG)A partir da distribuição geográfica dos principais desertos do planeta, afirma-se que eles: I. Apresentam biodiversidade fitogeográfica reduzida. II. São influenciados diretamente pelos efeitos da longitude. III. Caracterizam-se por apresentarem baixas amplitudes térmicas. IV. Estão associados à dinâmica de circulação atmosférica. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e III c) II e III b) I e IV d) II e IV 451
C17 Climatologia I
de calor passa a atuar como zona de alta pressão, atraindo ventos muito fortes, principal causa de tornados em ilhas como Cuba e Malvinas. 16. A temperatura da atmosfera varia de modo complexo em função da altitude. Os limites ou bordas formadas na passagem de uma região da atmosfera para outra são denominados pelo sufixo pausa. A existência desses limites se dá devido aos extremos de temperatura que ocorrem em cada uma das regiões. Assim, na troposfera, a temperatura normalmente diminui com o aumento da altitude e na estratosfera, camada acima da tropopausa, a temperatura aumenta com a altitude.
FRENTE
C
GEOGRAFIA
MÓDULO C18
ASSUNTOS ABORDADOS
CLIMATOLOGIA II
nn Climatologia II
Influência das correntes marítimas no clima
nn Influência das correntes marítimas no clima nn Elementos do clima: a água na atmosfera nn Os rios voadores
O termo “correntes marítimas” é utilizado para designar porções de água que se deslocam pelos oceanos, apresentando temperatura, salinidade, pressão e velocidade próprias. As correntes marítimas são resultado de diversos fatores, como ventos, movimento de rotação da Terra, diferenças de salinidade e temperatura das águas e conformação das bacias oceânicas.
Fonte: shutterstock.com/Por ParabolStudio
As correntes quentes formam-se nas áreas equatoriais e migram para as altas latitudes, antes passando pelas médias latitudes. É nas altas latitudes que as correntes quentes irão irradiar calor para o ar atmosférico. Já as correntes frias formam-se nas áreas polares, migram para as baixas latitudes, antes passando pelas médias latitudes. As correntes frias provocam a queda da temperatura nas áreas litorâneas próximas de seu trajeto.
452
Figura 01 - Correntes Marítimas.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Elementos do clima: a água na atmosfera Ciclo hidrológico Uma parcela bastante significativa da água existente no planeta Terra encontra-se em permanente circulação, constituindo assim o chamado ciclo da água ou ciclo hidrológico, cuja importância é vital para a biosfera (camada biológica). Com a atuação do ciclo hidrológico, parte da água existente na superfície terrestre (oceanos, mares, rios, lagos etc.) e nos vegetais é transferida para a atmosfera sob a forma de vapor de água. Essa transferência ocorre por meio da evaporação de superfícies líquidas e da evapotranspiração proporcionada pelos animais e pelos vegetais. Na atmosfera, após a condensação do vapor, a água retorna para a superfície sob a forma líquida (chuva) ou sólida (neve e granizo). Parte dessa água infiltra-se no solo, formando o lençol freático, camada de água subterrânea situada sobre um terreno ou rocha impermeável. Pela ordem de importância, os principais reservatórios de água que integram o ciclo hidrológico são oceanos, geleiras, águas subterrâneas, lagos, rios, atmosfera e biosfera.
Umidade atmosférica O vapor d’água representa cerca de 2% da massa atmosférica, mas é de suma importância para o clima e para o tempo. Exemplo: nn A
condensação e as precipitações dependem dele;
nn Sua
quantidade na atmosfera determina a possibilidade de ocorrerem ou não precipitações;
nn Ao
absorver as radiações do Sol e da Terra, desempenha o papel de regulador térmico;
nn Interfere
no conforto dos seres humanos. Por exemplo: o clima da Amazônia (muito úmido) e o do Deserto do Saara (muito seco) são ambos desconfortáveis. Quando a umidade do ar é muito baixa, as mucosas do corpo humano ficam ressecadas; quando é muito alta, propicia a proliferação de fungos, bactérias e mofo, que podem ser prejudiciais à saúde.
Tipos de chuva nn Convectiva
– Resulta da ascensão do ar que, ao entrar em contato com as camadas de ar frio, sofre condensação e se precipita. Geralmente é intensa (forte), rápida, acompanhada de trovões e, às vezes, granizo (chuva de verão ou equatorial).
nn Frontal
– Forma-se do encontro de uma massa de ar frio (frente fria) com uma massa de ar quente (frente quente). É menos intensa e mais duradoura.
#DicaCine Geogafi FILME: A ÚLTIMA HORA (2007) Sinopse: Criado, produzido e narrado por Leonardo de Caprio, com a participação de mais de 50 ativistas, cientistas e políticos, o documentário The 11th Hour (título original) reflete sobre as atuais questões e transformações do meio ambiente, incluindo o aquecimento global. FILME: A ERA DA ESTUPIDEZ, 2009 Sinopse: The Age of Stupid (título original) situa-se no ano 2055, em que se retrata um futuro pouco promissor para os seres humanos, que, devastados pelas mudanças climáticas e pela contaminação ambiental, ficaram quase sem recursos ambientais. O documentário reflete sobre a utilização de energia fóssil e a grande emissão de gás carbônico como causas principais que provocam o aumento da temperatura da terra. 453
C18 Climatologia II
Figura 02 - Ciclo hidrológico.
Geografia
nn Orográfica
(ou de relevo) – É resultante do deslocamento horizontal do ar, que, ao entrar em contato com as regiões elevadas (serras e montanhas), sofre condensação e consequente precipitação.
Figura 03 - Tipos de chuva.
Massas de ar e frentes Massas de ar são grandes porções de ar que costumam se originar em áreas extensas e homogêneas, como as planícies, os oceanos e os desertos. Em seu processo de formação, adquirem as características (umidade e temperatura) da área de origem. Ao se movimentarem, as massas de ar tanto influenciam as áreas sobre as quais estão se deslocando, como podem adquirir as características dessas áreas. Por exemplo: se uma massa de ar frio e úmido passa sobre uma área de temperatura mais elevada, essa área sofre queda de temperatura e o tempo fica instável, podendo chover. Isso acontece com frequência no Sul e no Sudeste do Brasil, especialmente durante o inverno. Por outro lado, se a área for mais fria que a massa de ar, esta sofrerá esfriamento por baixo e tenderá a gerar tempo estável. As frentes são áreas de transição entre duas massas de ar. O encontro de duas massas de ar, uma fria – geralmente seca – e outra quente e úmida, provoca mudanças significativas no tempo, trazendo nuvens e chuvas. O ar quente (mais leve) eleva-se por cima do ar frio (mais denso). Logo, se o ar frio predominar, teremos uma frente fria; se, ao contrário, o ar quente avançar, teremos uma frente quente. As frentes frias são originadas a partir do contato de uma massa de ar fria com uma massa quente, uma vez que a massa fria empurra a massa de ar. Quando isso ocorre, temos a elevação da massa de ar quente, que sofre um resfriamento, e a água que se encontra nas nuvens se reverte em chuvas. Durante esse processo ocorrem vendavais, temporais e chuvas de granizo. As frentes quentes acontecem a partir do encontro de uma massa de ar quente com uma fria, de maneira que a massa de ar quente empurra a massa de ar fria. Esse tipo de frente também produz chuva, porém sem ventos fortes e sem granizo.
Os rios voadores C18 Climatologia II
Rios voadores são cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam em cima das nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada do oceano Atlântico que, ao seguir terra adentro, cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da floresta esquentada pelo sol tropical, as árvores devolvem a água da chuva para a atmos454
Ciências Humanas e suas Tecnologias
fera na forma de vapor de água, que volta a cair novamente como chuva mais adiante. Propelidas em direção ao Oeste pelos ventos alísios, as massas de ar carregadas de umidade - boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta - encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Elas se precipitam parcialmente nas encostas leste da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. Barradas pelo paredão de 4 000 metros, as correntes aéreas (ou rios voadores), ainda carregadas de vapor d’água, fazem a curva e partem em direção ao Sul, para as regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e para os países vizinhos. É por isso que o regime de chuva e o clima do Brasil se devem muito a um acidente geográfico localizado fora do país.
SAIBA MAIS O que são os rios voadores? São imensas massas de vapor d’água que, levadas por correntes de ar, viajam pelo céu e respondem por grande parte da chuva que rola em várias partes do mundo. O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP).
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C18 Climatologia II
COMO UMA ONDA NO MAR
Geografia
Exercícios de Fixação 01. (Universidade Municipal de São Caetano do Sul SP) A distribuição geográfica da chuva relaciona-se com quatro fatores principais, que são a latitude, a distância do oceano, a ação do relevo e o efeito das correntes marinhas. Distribuição das precipitações conforme as latitudes
(José B. Conti e Sueli A. Furlan. Geografia do Brasil, 2005. Adaptado.)
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Com base no gráfico, são países que possuem a maior parte do seu território nas latitudes que podem responder à relação I – 500 mm, II – 1 000 mm e III – 1 500 mm, respectivamente: a) Canadá, França e Indonésia. b) Canadá, Índia e Brasil. c) EUA, França e Colômbia. d) EUA, Índia e Brasil. e) Argentina, Espanha e Indonésia. 02. (UEPG PR) Com relação aos elementos físicos do planeta, assinale o que for correto. 06 01. O ar aquecido se eleva nas regiões de baixas pressões, condensam a umidade e provocam seca. Nas regiões de altas pressões, o ar desce em direção à superfície, tem reduzida a sua umidade relativa e provoca chuvas. 02. Massas de ar frias se deslocam para regiões mais quentes enquanto massas de ar quentes se deslocam para regiões mais frias, o mesmo acontecendo com as correntes marítimas quentes e frias nos oceanos. 04. Os ventos, as massas de ar e as correntes marítimas ajudam a manter o equilíbrio térmico do planeta, pois sem esses elementos as regiões equatoriais ficariam muito mais quentes e as regiões polares muito mais frias. 08. As águas frias, por serem menos densas do que as águas quentes, tendem a se deslocar pela superfície dos oceanos com tendência global de resfriamento das águas oceânicas. 16. Correntes marítimas quentes não chegam às altas latitudes devido às grandes diferenças de densidade entre as águas quentes e frias.
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03. (Puc GO) Ocasiões há, em que o sertanejo dá para assobiar. Cantar, é raro; ainda assim, à surdina; mais uma voz íntima, um rumorejar consigo, do que notas saídas do robusto peito. Responder ao pio das perdizes ou ao chamado agoniado da esquiva jaó, é o seu divertimento em dias de bom humor. É-lhe indiferente o urro da onça. Só por demais repara nas muitas pegadas, que em todos os sentidos cortam a estrada. — Que bichão! murmura ele contemplando um rasto mais fortemente impresso no chão; com um bom onceiro não se me dava de acuar este diabo e meter-lhe uma chumbada no focinho. O legítimo sertanejo, explorador dos desertos, não tem em geral família. Enquanto moço, o seu fim único é devassar terras, pisar campos onde ninguém antes pusera pé, vadear rios desconhecidos, despontar cabeceiras e furar matas que descobridor algum até então haja varado. Cresce-lhe o orgulho na razão direta da extensão e importância das viagens empreendidas; o seu maior gosto cifra-se em enumerar as correntes caudais que transpôs, os ribeirões que batizou, as serras que trasmontou e os pantanais que afoitamente cortou, quando não levou dias e dias a rodeá-los com rara paciência. Cada ano que finda lhe traz mais um valioso conhecimento e acrescenta uma pedra ao monumento da sua inocente vaidade. — Ninguém pode comigo, exclama ele enfaticamente. Nos campos da Vacaria, no sertão do Mimoso e nos pantanos do Pequiri, sou rei. E esta presunção de realeza infunde-lhe certo modo de falar e de gesticular majestático em sua singela manifestação. A certeza, que tem de que nunca poderá perder- se na vastidão, como que o liberta da obsessão do desconhecido, o exalta e lhe dá foros de infalibilidade. Se estende o braço, aponta com segurança para o espaço e declara peremptoriamente: — Nesse rumo, daqui a vinte léguas fica o espigão-mestre de uma serra braba, depois um rio grosso: dali a cinco léguas outro mato sujo que vai findar num brejal. Se vassuncê frechar direitinho assim, umas duas horas, topa com o Pouso do Tatu,no caminho que vai a Cuiabá. O que faz numa direção, com a mesma imperturbável serenidade e firmeza o indica em qualquer outra. A única interrupção que aos outros consente, quando conta os inúmeros descobrimentos, é a da admiração. À mínima suspeita de dúvida ou pouco caso, incendem-se-lhe de cólera as faces e no gesto denuncia indignação. — Vassuncê não credita! protesta então com calor. Pois encilhe o seu bicho e caminhe como eu lhe disser. Mas assunte bem, que no terceiro dia de viagem ficará decidido quem é cavouqueiro e embromador. Uma coisa é mapiar à toa, outra, andar com tento por este mundo de Cristo. (TAUNAY, Visconde de. Inocência. 3. ed. São Paulo: FTD, 1996, p. 30-31. Adaptado.)
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O texto faz referência ao legítimo sertanejo, explorador dos desertos, referindo-se a um personagem desbravador de ambientes desconhecidos. Dessa forma, o termo “deserto”, embora comum na linguagem popular, não se aplica rigorosamente a ambientes no território brasileiro. Acerca das regiões desérticas, seus fatores condicionantes e suas características ambientais, avalie os itens a seguir: I. As regiões desérticas tendem a ocorrer em zonas de alta pressão, onde o movimento descendente do ar dificulta a formação de nuvens. II. Na América do Sul, as barreiras orogenéticas dos Andes exercem forte influência na formação do deserto de Atacama, que é considerado uma das regiões mais secas da Terra. III. Na África, entre os desertos mais conhecidos, podem- -se destacar o Saara e Kalahari-Botsuana, situados nas porções meridional e setentrional, respectivamente. IV. Das diversas formas de erosão que ocorrem na superfície da Terra, nos desertos predomina a erosão eólica. Dentre as alternativas a seguir apresentadas, marque aquela em que todos os itens estão corretos: a) I, II e III. c) I, III e IV. b) I, II e IV. d) II, III e IV. 04. (Unicamp SP) No mês de julho de 2014, uma chuva de granizo em uma praia do rio Ob, na cidade de Novosibirsk, na Sibéria, produziu duas vítimas fatais. Esse tipo de evento atmosférico é relativamente raro em latitudes médias e altas, sendo sua ocorrência mais frequente em regiões equatoriais, onde há maior incidência de formação de nuvem do tipo cumulonimbus. A ocorrência do mencionado fenômeno está associada a) ao fenômeno do “El Niño”, que produz mais evaporação da água de rios, mares e canais, afetando também as regiões temperadas e polares. b) a uma anomalia das condições atmosféricas locais, resultante da influência dos ventos quentes vindos do sul da Rússia. c) ao período de verão, estação em que ocorre mais frequentemente o aumento da temperatura média e maior evaporação da água. d) ao deslocamento de nuvens da Europa mediterrânea, de clima quente e úmido, produzindo chuvas torrenciais nas regiões polares.
05. (IF SC) Na formação da nuvem, pequeninas gotas e diminutos cristais de gelo rapidamente condensam-se e sublimam-se ao redor dos núcleos de condensação e sublimação, crescendo molécula por molécula, sem atingir o tamanho adequado para se precipitar. Contudo, algumas das gotas e cristais crescem o suficiente para começar uma queda apreciável. Em sua queda, vão agregando as moléculas que encontram no caminho, o que permite que elas rapidamente cresçam para gotas maiores, conseguindo atingir a superfície na forma de chuva. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. Adaptado.
As chuvas são classificadas conforme sua gênese. Dessa forma, podemos encontrar diferentes tipos de chuvas. Sobre esses tipos, é CORRETO afirmar que: a) As chuvas convectivas resultam de um acentuado aquecimento do ar ao longo do dia, que desencadeia movimentos ascensionais, os quais elevam o ar úmido, provocando a formação de nuvens e precipitação, geralmente no final da tarde. b) As chuvas orográficas estão associadas ao encontro de massas de ar que formam uma frente que permanecerá no local, dependendo da quantidade de umidade e da diferença de temperatura entre as massas de ar, como também da velocidade de deslocamento da frente. c) As chuvas frontais acontecem em locais onde o relevo funciona como uma barreira à circulação livre do ar, impulsionando-o a ascender próximo às encostas. A ascensão do ar úmido e quente provoca um rápido resfriamento do mesmo, produzindo chuvas. d) As chuvas de relevo resultam de um acentuado aquecimento do ar úmido que, ao se expandir, sobe a altitudes superiores, onde se resfria e retorna à superfície, formando nuvens que se precipitam na forma de aguaceiros. e) As chuvas de origem térmica são mais comuns nas regiões de altas latitudes da Terra, pois são áreas de convergência dos sistemas subpolares, aumentando a pluviosidade de forma acentuada como resultado das altas pressões que caracterizam essas regiões.
01. (Udesc SC) Os três principais tipos de chuva são: 1) chuva frontal, 2) chuva de relevo ou orográfica, e 3) chuva de convecção ou chuva de verão. Analise as proposições sobre os tipos de chuva. I. As chuvas orográficas ocorrem em alguns lugares do planeta onde barreiras de relevo obrigam as massas de ar a atingir altitudes superiores, o que causa queda de temperatura e condensação do vapor. II. Chuvas de convecção ocorrem quando o ar quente próximo à superfície fica leve e sobe para as camadas superiores da atmosfera, carregando umidade. Ao atingir altitudes superiores, a temperatura diminui e o vapor se condensa em gotículas pequenas que permanecem em
III.
IV.
V.
suspensão. Esse processo se repete até formar nuvens muito grandes, que se precipitam no final do dia. A chuva frontal acontece na zona de contato entre duas massas de ar (frente) de características diferentes (uma fria e outra quente), onde ocorrem a condensação do vapor e a precipitação da água. As chuvas de relevo costumam ser intermitentes e finas e são muito comuns nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, onde as serras e chapadas dificultam a penetração, para o interior do continente, das massas úmidas de ar provenientes do oceano Atlântico. Chuvas de convecção são aquelas que ocorrem em dias quentes. 457
C18 Climatologia II
Exercícios Complementares
Geografia Gabarito questão 02 As correntes marítimas frias causam queda de temperatura nas áreas litorâneas, o que provoca chuvas no oceano. Dessa forma, as massas de ar atingem o continente sem umidade e originam desertos. Influência: a corrente do Golfo, por ser quente, impede o congelamento do Mar do Norte e ameniza os efeitos das baixas temperaturas do inverno na faixa ocidental da Europa.
Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e V são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. d) Somente a afirmativa V é verdadeira. e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
02. (UERJ) As correntes marítimas são extensas porções de água que se deslocam superficialmente pelos oceanos. Constituem um dos fatores do clima, ou seja, exercem uma influência no comportamento da temperatura e no regime de chuvas das regiões costeiras. Observe no mapa as principais correntes marítimas do planeta.
d) apresentam as quatro estações do ano bem definidas, sem estação seca. e) são caracterizadas por uma baixa amplitude térmica anual, em virtude da pequena diferença da incidência da radiação solar entre as estações do ano.
05. (Unicamp SP) A figura a seguir exibe a imagem de um ciclone.
(http://www.metsul.com/secoes/ visualiza.php?cod_subsecao=30&cod_ texto=6.)
MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2010.
Explique a relação entre as correntes marítimas e as áreas de ocorrência de desertos litorâneos e aponte a influência da corrente do Golfo no clima da Europa Ocidental. 03. (Mackenzie SP) Em “Guerra e Paz”, de Liev Tolstói, há a seguinte passagem: “(...) No dia 10 de agosto, o regimento comandado pelo príncipe Andreiseguia pela estrada principal e cruzou com a alameda que ia dar em Montes Calvos. O calor e a seca já duravam mais de três semanas.Todo dia, nuvens encrespadas passavam pelo céu, às vezes toldavam o sol; mas ao anoitecer o céu limpava outra vez, e o sol se punha por trás de uma névoa marrom-avermelhada. Só o orvalho refrescava a terra.Os cereais que não tinham sido ceifados ressecavam e tombavam. Os Pântanos secavam. O gado bramia de fome, sem encontrar forragem nos pastos causticados pelo sol.”
É correto afirmar que o ciclone em questão a) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de alta pressão atmosférica. b) pode ocorrer em qualquer hemisfério, independentemente da pressão atmosférica. c) ocorreu no Hemisfério Norte, em zonas tropicais e de baixa pressão atmosférica. d) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de baixa pressão atmosférica. 06. (Mackenzie SP) Observe o mapa para responder à questão.
Extraído de “Guerra e Paz”, Liev Tolstói, ed. Cosacnaif, trad. de Rubens Figueiredo
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Sabendo-se que a paisagem descrita se situa entre a atual Rússia e Belarus, é mais provável que corresponda ao clima de tipo: a) Mediterrâneod) Subtropical b) Temperado Continental e) Tropical c) Temperado Frio 04. (Udesc SC) Sobre as regiões intertropicais do globo é correto afirmar que a) aparecem em todos os continentes do globo, com exceção da Europa. b) apresentam formações vegetais de reduzida biodiversidade, devido aos baixos totais pluviométricos que ocorrem nessa área. c) apresentam marcante sazonalidade da precipitação, sendo que, no Hemisfério Sul, o período de chuvas coincide com o inverno e o de seca, com o verão. 458
As áreas destacadas no mapa correspondem a a) regiões com maior incidência de chuva ácida no planeta, em razão de suas concentrações industriais, notadamente siderúrgicas. b) lugares com as maiores concentrações urbanas de seus respectivos países e ou regiões. c) espaços marcados pelo problema da lixiviação, relacionado aos índices pluviométricos muito elevados, com chuvas abundantes e bem distribuídas. d) ambientes onde a combinação de condições climáticas e de solos favoreceram a presença dos biomas com a maior biodiversidade do planeta. e) localidades com clima de tipo mediterrâneo, com destaque para a produção de bebidas em muitas delas.
FRENTE
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GEOGRAFIA
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CLIMATOLOGIA BRASILEIRA I O território brasileiro está situado basicamente na zona tropical do planeta. Aproximadamente 90% do território nacional localiza-se entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. Essa característica é determinante para que o nosso país tenha médias elevadas de temperatura ao longo do ano. O Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial. Sua dimensão continental favorece, dessa forma, uma grande diversificação climática. Outro fator que contribui para essa diversificação climática está relacionado à sua configuração geográfica, ou seja, algumas características físicas que proporcionam diversidade climática. O relevo é um exemplo nessa relação com o clima. A geomorfologia brasileira está representada por planaltos, depressões e planícies. Outro fator está relacionado à dinâmica das massas de ar que atuam no território nacional. Tal dinâmica assume grande importância, pois atua diretamente sobre as temperaturas e os índices pluviométricos nas regiões geográficas do país.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Climatologia brasileira I nn Massas de ar que atuam no território brasileiro nn Unidades Climáticas Brasileiras: a classificação climática de Arthur Strahler nn Massas de ar que atuam no território brasileiro
Massas de ar que atuam no território brasileiro As massas de ar são fatores climáticos que se caracterizam pelos grandes volumes de ar, e também por possuírem características bem homogêneas. A homogeneidade verificada nas massas de ar está associada à sua temperatura e à quantidade de vapor d’água existente. A origem das massas de ar está ligada à circulação geral, que, por sua vez, terá relação direta com o seu deslocamento. A localização, ou seja, a região de origem também confere as características de uma massa de ar. Dessa forma, as regiões que originam essas massas acabam dependendo das condições de tempo uniformes, as quais são caracterizadas pela temperatura da superfície. As massas de ar são extremamente extensas, alcançam centenas de quilômetros quadrados no sentido horizontal, e milhares de metros no sentido vertical. Elas encontram-se restritas à primeira camada da atmosfera – a troposfera -, camada na qual vivemos e onde ocorrem os fenômenos relacionados ao tempo meteorológico. Embora caracterizadas como homogêneas, as massas de ar podem adquirir características distintas de sua origem. Um exemplo clássico é a massa polar atlântica (mPa), que em sua origem é caracterizada como seca, mas que acaba se tornando úmida ao atingir o sul da América do Sul.
Unidades Climáticas Brasileiras: a classificação climática de Arthur Strahler A classificação climática de Strahler é muito utilizada para definir os diferentes tipos climáticos verificados no Brasil. Uma grande quantidade de climatologistas brasileiros utiliza com bastante frequência a metodologia desse cientista. Essa classificação é denominada de climatologia dinâmica, sendo que uma de suas principais características está ligada aos estudos que envolvem a atuação e a movimentação das massas de ar que atuam em nosso planeta. 459
Geografia
SAIBA MAIS DINÂMICA CLIMÁTICA NO BRASIL O Brasil, por suas dimensões continentais, possui uma ampla diversificação climática, influenciada por sua extensão costeira, seu relevo e pela dinâmica das massas de ar sobre o território. As massas de ar atuam sobre as temperaturas e os índices pluviométricos nas diferentes regiões do país. As que mais interferem no Brasil (IBGE) são a Equatorial Continental (mEc) e Atlântica (mEa); a Tropical, também Continental (mTc) e Atlântica (mTa); e a Polar Atlântica (mPa). Características das massas de ar: - mEc: quente e úmida - mEa: quente úmida - mTc: quente e seca - mTa: quente úmida - mPa: fria e seca (no início, é fria e úmida) No verão, quatro massas de ar quente exercem influência sobre o país: a mEc, a mEa, a mTa e a mTc, sendo seca apenas esta última. Portanto, o verão é o período das chuvas na maior parte do território brasileiro. Nessa estação do ano, a mPa pode avançar sobre a região Sul do país e provocar queda de temperatura e chuvas frontais. No inverno, a atuação da mEc é mais restrita à região Norte, a mTa continua a atuar no país e a mPa passa a atingir o território brasileiro, provocando baixas temperaturas na região Sul, Sudeste e na parte sul do Centro-Oeste, chegando até a região Norte, onde ocasiona o fenômeno da friagem. De acordo com a classificação climática de Strahler (1952), predominam no Brasil cinco grandes climas.
Mapa 01 - Domínios climáticos e climogramas do Brasil (Foto: Reprodução/Colégio Qi).
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Fonte: http://educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/dinamica-climatica-e-vegetacao-no-brasil.html
Dois outros cientistas – Wladimir Köppen e Rudolf Geiger - também produziram estudos e classificações sobre os tipos climáticos. Entre os anos de 1900 e 1936, esses dois cientistas produziram um sistema de classificação que ficou conhecido como Köppen-Geiger. Para determinar os tipos climáticos, Wladimir Köppen e Rudolf Geiger levaram em consideração elementos climáticos ligados às médias anuais de temperatura e precipitação atmosférica. Nessa classificação, um código constituído por letras maiúsculas e minúsculas faz referência a um “grande tipo climático”. A combinação de letras maiúsculas e minúsculas denota os tipos e subtipos considerados.
Mapa 02 - Classificação climática de Strahler
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Na classificação climática de Köppen-Geiger, os climas são divididos em cinco grandes grupos, representados por “A”, “B”, “C”, “D” e “E”. Cada tipo climático está representado por um conjunto variável de letras, que por sua vez são representadas por dois ou três caracteres.
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Mapa 03 - Classificação climática de Köppen-Geiger
Massas de ar que atuam no território brasileiro Massas
Características
Massa Equatorial Atlântica (mEa)
Quente e úmida, dominando a parte litorânea da Amazônia e do Nordeste em alguns momentos do ano, tem seu centro de origem no Oceano Atlântico, na convergência dos ventos alísios (ZCIT). Seu deslocamento ocorre no sentido latitudinal. Sua área de atuação abrande porções da região Norte e do Nordeste do Brasil. Quando ocorre o encontro dessa massa com a mPa, surgem as chuvas frontais, que se caracterizam pela alta intensidade
Massa Equatorial Continental (mEc)
Quente e úmida, com centro de origem na porção ocidental da Amazônia, forma-se, portanto, em uma região de baixa pressão. Domina a porção noroeste da Amazônia durante quase todo o ano. Representada pelo movimento convectivo devido à convergência dos ventos alísios. No verão essa massa estende-se para a direção sul do país, enquanto que no inverno ela acaba se retraindo. Durante vários meses do ano a mEc provoca intensas chuvas na Amazônia e em grande parte do território brasileiro. O fenômeno da friagem (queda brusca da temperatura na região Norte que se verifica entre os meses de maio e agosto) ocorre quando há o recuo da mEc.
Massa Tropical Atlântica (mTa)
Quente e úmida, originária do Oceano Atlântico, nas imediações do trópico de Capricórnio, exerce enorme influência sobre a parte litorânea do Brasil. Está associada aos anticiclones do Atlântico sul. Uma importante característica da mTa é a de possuir duas camadas, uma inferior (fria e úmida) e uma superior (quente e seca).
Massa Tropical Continental (mTc)
Quente e seca, origina-se na depressão do Chaco (porções do território argentino e paraguaio) e abrange uma área de atuação muito limitada, permanecendo em sua região de origem durante quase todo o ano. É resultado do grande aquecimento que ocorre no verão. É uma massa muito instável, com atividade convectiva intensa até cerca de 3000 metros de altitude.
Massa Polar Atlântica (mPa)
Fria e úmida, forma-se nas porções do Oceano Atlântico próximas à Patagônia. Atua mais no inverno, quando entra no Brasil como uma frente fria, provocando chuvas e queda de temperatura. A umidade da mPa é adquirida durante o seu percurso, ou seja, quando está próxima ao sul da América do Sul e também do oceano atlântico. Essa massa está associada aos anticiclones migratórios. No seu início é caracterizada pela estabilidade, mas ao se deslocar, desaparece a inversão, tornando-se instável.
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Massas de ar que atuam no território brasileiro
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O território brasileiro estende-se desde aproximadamente 5 graus de latitude norte até cerca de 32 graus de latitude sul. O Brasil é por isso um país caracterizado pela grande variação latitudinal. Dessa forma, é natural verificar uma diversidade de tipos climáticos em nosso país. Esses tipos climáticos variam desde climas quentes e secos/ úmidos a climas frios e úmidos. O relevo também representa um importante fator climático que, no caso brasileiro, sofre uma variação que vai do nível do mar até o ponto mais alto do país, o Pico da Neblina, localizado no estado do Amazonas e que possui uma altitude de 2.996 metros. Fatores climáticos como maritimidade, continentalidade também são bem atuantes no território nacional.
Mapa 04 - Brasil - Massas de ar
Exercícios de Fixação 01. (FGV) Em fins de abril de 2015, o vulcão Calbuco, localizado no Chile, 1 000 km ao sul de Santiago, produziu uma gigantesca quantidade de cinzas que atingiu Buenos Aires (provocando o fechamento dos aeroportos da cidade), Montevidéu e até mesmo Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
a) A – massa Equatorial Atlântica. b) B – massa Equatorial Continental. c) C – massa Tropical Atlântica. d) D – massa Tropical Continental. e) E – massa Polar Atlântica. 02. (UECE) Atente ao seguinte excerto: “O tratamento do clima urbano, como um dos componentes da qualidade do ambiente, não poderá ser considerado insignificante para o mundo moderno. Com isso, há um envolvimento, se não metafísico, pelo menos, ideológico no seu sentido mais puro. Ele se reveste de um anseio, uma expectativa em participar das cruzadas pró-ambiente, às quais se filiam muitos idealistas ou ecoativistas, como às vezes são designados aqueles que almejam melhor qualidade de vida para a sociedade”.
C19 Climatologia brasileira I
Monteiro, Carlos Augusto de Figueiredo. Teoria e Clima Urbano, um projeto e seus caminhos Clima Urbano. Ed Contexto. São Paulo. 2009. p.14.
Para que essa cinza chegasse até o Rio Grande do Sul, é mais provável que tenha sido impulsionada pela massa de ar indicada no mapa por: 462
Considerando o excerto, a partir da concepção do autor, pode-se concluir acertadamente que a) o estudo do clima urbano não é uma tarefa simples ou sem importância. Pelo contrário, é por demais relevante para a qualidade ambiental nos grandes centros urbanos e no planeta como um todo.
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b) o estudo do clima urbano interessa apenas aos habitantes das grandes metrópoles e a uma minoria de pesquisadores e ambientalistas. c) apenas as condições físicas e ambientais das grandes cidades, como as principais características do seu relevo e da sua geologia, influenciam no clima urbano. d) muito embora a temática do clima urbano seja importante para o melhor entendimento da relação homem x natureza nas cidades, ainda são insignificantes os estudos nessa área. 03. (Puc RJ) No território brasileiro, os climas são diversos e causados por variados fatores. Assinale a seguir um fator determinante dos climas. a) Latitude. b) Umidade.
c) Temperatura. d) Pluviosidade. e) Nebulosidade. 04. (Udesc SC) Assinale a alternativa correta em relação às características e à atuação das massas de ar sobre o território brasileiro. a) Massa tropical atlântica: quente e úmida, provoca chuvas no litoral das regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil. b) Massa equatorial atlântica: quente e seca, responsável pelas secas periódicas na região nordeste. c) Massa equatorial continental: quente e úmida, é o maior mecanismo formador de chuvas nas regiões sudeste e sul do Brasil. d) Massa tropical continental: fria e seca, provoca chuvas convectivas no Brasil central. e) Massa polar atlântica: fria e úmida, é a principal responsável pelas fortes chuvas em Santa Catarina, nos meses de verão.
Exercícios Complementares
( ) tropical ( ) subtropical ( ) equatorial ( ) tropical semiárido A numeração correta, de cima para baixo, é a) 1 – 2 – 4 – 3 d) 2 – 4 – 1 – 3 b) 1 – 3 – 4 – 2 e) 3 – 1 – 2 – 4 c) 2 – 3 – 1 – 4 02. (UECE) Um dos principais sistemas produtores de chuva que atuam no norte do Nordeste brasileiro é a Zona de Convergência Intertropical do Atlântico – ZCIT. Este sistema a) é o mais importante gerador de chuvas sobre a região equatorial dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. b) provoca chuvas convectivas intensas entre os meses de setembro e outubro no litoral do Nordeste. c) permanece quase todo o ano estacionado sobre as latitudes mais próximas ao Trópico de Capricórnio. d) não recebe a influência da umidade dos oceanos Atlântico e Pacífico, mas sim da Amazônia. 03. (Uefs BA) Estende-se por uma estreita faixa norte-sul, desde o Rio Grande do Norte até a Bahia. Em seu interior, é possível distinguir duas áreas distintas: uma porção úmida e outra bem mais seca. Parte dessa zona é planáltica, beneficiando-se de temperaturas amenas. Predominam as pequenas propriedades e a combinação de culturas de alimentos com a pequena criação de animais.
O texto se refere à zona a) da Mata Nordestina. b) do Sertão Nordestino. c) do Agreste Nordestino.
d) do Meio Norte. e) do Polígono das secas.
04. (Uefs BA) Uma das classificações climáticas mais usadas no Brasil é a que identifica seis grandes tipos de clima em seu território: o equatorial, o tropical, o tropical úmido, o tropical semiárido, o tropical de altitude e o subtropical. (ALMEIDA, 2009, p. 152). ALMEIDA, M. de Geografia em cena. 2. ed. São Paulo: Escala Educacional, 2009.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre os climas brasileiros, é correto afirmar que: a) O clima equatorial é predominante na região amazônica, graças à ação dos ventos alísios e da massa equatorial atlântica (Ea), que atuam, principalmente, a oeste, enquanto a massa equatorial continental (Ec) domina a porção leste. b) A cidade de Salvador, na Bahia, é dominada pelo clima tropical úmido e a ação da massa de ar tropical atlântica (Ta) é responsável pelas altas temperaturas e pela forte umidade, durante a maior parte do ano. c) O clima tropical de altitude é característico das áreas mais elevadas dos planaltos e serras da região Nordeste, como ocorre no planalto da Borborema e nas Chapadas de Apodi e Araripe. d) O clima tropical semiárido é predominante na Depressão Sertaneja, mesmo com a facilidade de penetração das massas de ar úmidas (tropical atlântica, equatorial continental e atlântica) na região. e) O clima subtropical ocorre no Brasil ao sul do trópico de Câncer, compreendendo, assim, os estados da região sul e todo Estado de São Paulo, onde a massa polar atlântica (Pa) age com grande intensidade. 463
C19 Climatologia brasileira I
01. (Puc RS) Analise os climogramas abaixo, que representam os principais domínios climáticos brasileiros, e preencha os parênteses com a legenda correspondente.
FRENTE
C
GEOGRAFIA
MÓDULO C20
ASSUNTOS ABORDADOS
CLIMATOLOGIA BRASILEIRA II
nn Climatologia brasileira II
Principais tipos climáticos no Brasil
nn Principais tipos climáticos no Brasil nn Clima tropical nn Clima tropical de altitude nn Clima litorâneo úmido nn Clima equatorial
A localização da maior parte do extenso território brasileiro em áreas de baixas latitudes, entre o Equador e o Trópico de Capricórnio, a inexistência de altas cadeias montanhosas e a dinâmica das massas de ar são fatores que explicam a configuração dos principais tipos climáticos no Brasil.
nn Clima semiárido nn Clima subtropical nn Efeitos do El Niño no Brasil nn El Niño nn La Niña
Mapa 01 - Brasil: Principais tipos climáticos.
Clima tropical O clima tropical predomina na maior parte do país, em grande parte das regiões Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso do Sul), Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e Nordeste (Bahia, Maranhão, Piauí e Ceará) e no estado do Tocantins. 464
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Precipitação mm
Temperatura ºC TROPICAL 40
400 Goiânia (GO)
300
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Apresentando elevadas médias térmicas e alta pluviosidade, o clima litorâneo úmido está sujeito à umidade da massa tropical atlântica (mTa). O encontro dessa massa de ar com o relevo acidentado (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Chapada da Borborema etc.) provoca chuvas de relevo. Precipitação mm
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LITORÂNEO ÚMIDO
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Temperatura ºC 40
Maceió (AL) 10
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0
Gráfico 01 - Tropical.
Caracterizado por temperaturas altas (média anual por volta de 20 °C), o clima tropical apresenta uma estação seca no inverno e outra bem chuvosa no verão. As massas de ar que provocam as chuvas no verão são a equatorial continental (mEc) e a tropical atlântica (mTa). Esta última chega a atingir parte do Sertão nordestino. No inverno, a massa polar atlântica (mPa) provoca queda de temperatura no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
Clima tropical de altitude O clima tropical de altitude abrange as terras altas do Sudeste, nas regiões serranas do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais. Observe o climograma. Esse tipo de clima se caracteriza por invernos mais rigorosos sob influência da massa polar atlântica (Pa). Com temperaturas variando entre 15 °C e 21 °C, apresenta verões brandos. TROPICAL DE ATITUDE
Precipitação mm
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Temperatura ºC
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Poços de Caldas (MG)
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S
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Gráfico 03 - Litorâneo úmido.
No outono e no inverno, o encontro da massa polar atlântica (mPa) com a massa tropical atlântica (mTa) provoca chuvas frontais. O litoral de Bertioga, em São Paulo, em Itapanhaú, detém o recorde de chuvas no país, com o índice de 4.514 mm em um ano.
Clima equatorial O clima equatorial úmido abrange a maior parte da Amazônia. Apresenta temperaturas elevadas e chuvas abundantes e bem distribuídas durante o ano. As chuvas convectivas ocasionadas pelo encontro dos alísios de norte e do sul e por ascensão e resfriamento do ar úmido são comuns na região. As médias térmicas mensais variam de 24 °C a 28 °C, ocorrendo apenas um leve resfriamento no inverno (julho) ou quando a frente fria atinge o sul e sudeste da região (fenômeno da friagem). O índice pluviométrico ultrapassa 2 500 mm anuais e a amplitude térmica anual é baixa (inferior a 3 °C).
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Gráfico 02 - Tropical de altitude.
Clima litorâneo úmido O clima litorâneo úmido se estende pela faixa litorânea do Nordeste ao Sudeste, com grande influência da massa tropical atlântica (mTa).
Gráfico 04 - Equatorial úmido.
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Geografia
Clima semiárido O clima semiárido predomina em grande parte do Nordeste brasileiro (no Sertão) e no norte de Minas Gerais. Pouca quantidade de chuvas (média anual inferior a 1 000 mm), concentradas em um período de três meses, e temperaturas altas (média térmica anual de 28 °C) são as principais características do clima tropical semiárido. Precipitação mm
Temperatura ºC
TROPICAL SEMIÁRIDO
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Gráfico 05 - Tropical semiárido.
Clima subtropical O clima subtropical úmido ocorre em toda a Região Sul e na porção meridional dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, predominando nas áreas com as latitudes mais altas do território brasileiro, ao sul do Trópico de Capricórnio. Por esse motivo suas estações são mais definidas. Embora sujeito à massa tropical atlântica (mTa), a influência da massa polar atlântica (mPa) torna os invernos mais rigorosos do que no restante do pais. A entrada de frentes frias provoca geada e, por vezes, neve nas áreas mais altas. SUBTROPICAL ÚMIDO
Precipitação mm
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Bagé (RS)
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Gráfico 06 - Subtropical úmido.
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Temperatura ºC
S
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#Curiosidades CRISE AMEAÇA O INPE E PODE PARAR SUPERMÁQUINA DA PREVISÃO DO TEMPO O supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, chamado Tupã, está quase parando. Ninguém duvida da importância do serviço de previsão do tempo. Só que o principal instituto de meteorologia do Brasil está sofrendo com a falta de investimento. O supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), chamado de Tupã, está quase parando. Essa máquina, que ocupa um bom espaço no prédio do Inpe, em Cachoeira Paulista, faz os cálculos numéricos usados na previsão do tempo de todo o país. O supercomputador Tupã foi comprado em 2011 e já foi o mais rápido da América Latina. Hoje, está ultrapassado e, ainda este ano, acaba a garantia para a troca de peças. Há dois anos o Inpe espera verba para substituí-lo, mas o custo de aproximadamente R$ 120 milhões não está previsto no orçamento do Governo Federal para este ano. A vida útil do supercomputador do CPTEC acabou. E o instituto tem duas alternativas: fazer a atualização ou a compra de um novo equipamento. Até lá, há um grande risco para o serviço de meteorologia e previsão do tempo. “Se essa máquina parar por algum motivo – e isso pode ocorrer, existe esse risco – a previsão fica extremamente prejudicada, porque a base da previsão do tempo são os modelos numéricos – que são depois interpretados pelos meteorologistas. Mas sem a máquina não há como rodar o modelo numérico e, portanto, há problemas de previsão de tempo seríssimos que a gente vai ter que enfrentar”, avisou o chefe do serviço de supercomputação do Inpe, Luiz Flávio Rodrigues. As informações do Tupã são analisadas pelos meteorologistas do CPTEC, que é o braço do Inpe que cuida da previsão do tempo. “O CPTEC faz a previsão numérica do tempo e também estudos climáticos, para mudanças climáticas e etc., e fornece dados para muitos usuários. Em qualquer país do mundo que tenha atividades, por exemplo, agrícolas intensas, como tem o Brasil, o acesso a esses dados é essencial”, explicou o diretor do Inpe, Ricardo Galvão. O Ministério da Ciência e Tecnologia informou que este ano já tem recursos para atualizar o supercomputador e prevenir uma possível interrupção no serviço. Mas que uma eventual substituição da máquina só estaria nos planos a partir de 2018. Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2017/01/crise-ameaca-o-inpe-e-pode-parar-supermaquina-da-previsao-do-tempo.html
Efeitos do El Niño no Brasil “Os efeitos do ‘El Niño’ no Brasil podem causar prejuízos e benefícios. Mas os danos causados são superiores aos benefícios, por isso o fenômeno é temido, principalmente, pelos agricultores. Em cada episódio do ‘EI Niño’ é observado na Região Sul um grande aumento no volume de chuvas, principalmente nos meses de primavera, fim do outono e começo de inverno [...]. No setor leste da Amazônia e na região Nordeste, ocorre uma diminuição nas chuvas. Em algumas áreas do Sertão (semiárido) nordestino, essa diminuição pode
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alcançar até 80% do total médio do período chuvoso (que na maior parte da região ocorre de fevereiro a maio). Ressalte-se que a seca não se limita apenas ao Sertão, ela também pode atingir o setor leste do Nordeste (Agreste, Zona da Mata e Litoral), caso aconteça conjuntamente com o dipolo negativo do Atlântico Sul [...]. No Nordeste brasileiro, os prejuízos observados em anos de ‘El Niño’ envolvem setores da economia (perdas na agricultura de sequeiro, na pecuária etc.), oferta de energia elétrica, bem como comprometimento do abastecimento de água para a sociedade e os animais.” (Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão. Disponível em www.uema.br. Acesso em 6 jul. 2009.)
Figura 01 - Efeitos do El Niño no Brasil.
El Niño
La Niña
C20 Climatologia brasileira II
O fenômeno La Niña caracteriza-se por causas e efeitos, grosso modo, contrários ao El Niño. Em determinados períodos, a intensificação dos ventos alísios acaba acelerando e alongando a célula de Walker, o que altera as condições atmosféricas em várias partes do mundo. No Brasil, os efeitos mais comuns são a ampliação da precipitação no norte e leste da Amazônia, e também no norte da região Nordeste, com a chegada de mais frentes frias ao litoral. Na porção Centro-Sul, é possível que ocorra também o retardamento do período chuvoso.
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Geografia
Exercícios de Fixação 01. (FGV) As fotos a seguir mostram cinco diferentes tipos de formações vegetais presentes nos ambientes brasileiros.
d) Foto 4 – clima subtropical, sem nítida estação seca e com grande amplitude térmica. e) Foto 5 – clima superúmido, com elevados totais de chuva o ano todo. 02. (Fatec SP) A Olimpíada de 2016 terá como sede a cidade do Rio de Janeiro, mas também ocorrerá em Manaus (AM), que receberá seis jogos do torneio de futebol olímpico. As equipes de futebol que jogarão em Manaus encontrarão a) o mesmo clima da cidade do Rio de Janeiro, com amplitude térmica elevada e chuvas concentradas no inverno. b) o mesmo clima da cidade do Rio de Janeiro, com verões quentes e secos e invernos chuvosos e curtos, porém rigorosos. c) um clima com verões quentes e secos e invernos rigorosos e chuvosos, diferente do clima da cidade do Rio de Janeiro. d) um clima com pequena amplitude térmica e chuvas constantes o ano inteiro, diferente do clima da cidade do Rio de Janeiro. e) um clima com grande amplitude térmica, verões e invernos quentes e secos, diferente do clima da cidade do Rio de Janeiro.
(Parques Nacionais do Brasil, Ed. Publifolha.)
Analise o seguinte pluviograma:
03. (UECE) Considerando as tipologias macroclimáticas do Brasil, é correto afirmar que o clima que predomina na porção norte do Brasil, compreendendo os estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Amapá, e parte do Mato Grosso e Tocantins, e que é controlado pelos sistemas atmosféricos massa equatorial continental e atlântica, e pela zona de convergência intertropical é o clima a) equatorial. b) tropical litorâneo do Nordeste oriental. c) subtropical úmido. d) tropical úmido-seco. 04. (Fac. Direito de Sorocaba SP) Analise o climograma de uma cidade brasileira, apresentado a seguir.
(Climatologia, Ed. Oficina de Textos.) C20 Climatologia brasileira II
A formação vegetal que ocorre no clima representado no pluviograma é encontrada na a) Foto 1 – clima tropical semiúmido, com chuvas de verão e secas de inverno. b) Foto 2 – clima semiárido, com baixas precipitações e temperaturas elevadas. c) Foto 3 – clima tropical úmido com chuvas o ano todo e temperaturas elevadas.
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(http://estacao.iag.usp.br/seasons/index.php)
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Sobre o climograma, é correto afirmar que mostra características do clima a) subtropical com chuvas concentradas nos dois solstícios e invernos com altas temperaturas. b) subtropical com pequena variação anual de temperaturas e baixas precipitações no inverno. c) equatorial com chuvas anuais acima de 3 000 mm e verões com elevadas temperaturas. d) tropical com amplitude térmica anual da ordem de 10 °C e verões quentes e chuvosos. e) tropical com maiores precipitações durante a primavera e baixas temperaturas nos equinócios. 05. (UEPG PR) Sobre a classificação climática de Köppen e os climas brasileiros, assinale o que for correto. 03
01. Quando o clima começa com a primeira letra maiúscula C, segundo Köppen, significa que ele é mesotérmico e temperado. Climas com essa denominação são encontrados na região Sul do Brasil. 02. No interior do nordeste brasileiro, encontra-se o clima Bsh, que é semiárido e quente. Porém, o litoral dessa região (Zona da Mata) apresenta também o clima Am, com curta estação seca, similar ao clima de boa parte da zona oriental amazônica. 04. O clima Aw é de inverno seco e é inexistente na bacia amazônica brasileira. Nessa região, há o predomínio do clima Af, típico de áreas equatoriais, sempre úmidas. 08. O clima predominante das regiões pantaneiras do centro-oeste brasileiro é o Cwa, que é na maior parte quente, com invernos secos.
Exercícios Complementares 01. (Fac. Direito de São Bernardo do Campo SP) Veja a imagem:
plo, a presença de cerrados em São Paulo. d) florestas, campos e cerrados que existiram sem modificações importantes ao longo dos últimos 15 mil anos, mesmo com certas oscilações climáticas, agora têm seus limites ameaçados pelo aquecimento global. 02. (Cefet MG) Observe a imagem a seguir:
Acesso em: 08 set. 2015.
Sobre esse panorama evolutivo do quadro natural da área que hoje é o território brasileiro, pode-se concluir que a) ao longo do tempo da natureza, as condições climáticas, elemento chave na lógica da distribuição das formações vegetais, sofreram transformações importantes, o que indica a instabilidade desse sistema. b) nos últimos 9,5 mil anos, o quadro climático (e a consequente distribuição vegetacional) não sofreu nenhuma transformação importante, algo que no presente se nota em razão da intervenção humana. c) campos e cerrados se expandiram nesse território favorecidos pelo predomínio dos climas quentes e úmidos ao longo dos últimos 15 mil anos, o que explica, por exem-
A paisagem mostrada na imagem pertence a uma região brasileira caracterizada pela presença de clima a) subtropical com predomínio de solos maduros. b) semiárido com intensa chegada de frentes frias. c) equatorial com expressiva biodiversidade faunística. d) tropical úmido com elevada amplitude térmica anual. 03. (Puc Campinas SP) José Lins do Rego foi autor de importantes obras literárias que têm como palco o Nordeste brasileiro. Um de seus mais importantes romances é Menino de Engenho do qual foi retirado o seguinte trecho: Lá um dia, para as cordas das nascentes do Paraíba, via-se, quase rente do horizonte, um abrir longínquo e espaçado
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Disponível em : <http://i1.trekearth.com/photos/17840>. Fonte: Pesquisa Fapesp, Abril de 2012, p. 50
Geografia
de relâmpago: era inverno na certa no alto sertão. As experiências confirmavam que com duas semanas de inverno o Paraíba apontaria na várzea com a sua primeira cabeça-d’água. O rio no verão ficava seco de se atravessar a pé enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu leito, formavam-se grandes poços, que venciam a estiagem. Nestes pequenos açudes se pescava, lavavam- se os cavalos, tomava-se banho. (Menino do Engenho. 77 Ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2000, p. 54)
O fato de o leito do rio ficar praticamente seco no verão é típico da hidrografia de áreas do Sertão nordestino, que apresentam como uma de suas importantes características a) a reduzida pluviosidade, provocada por múltiplos fatores, entre eles a dinâmica atmosférica que limita a ação de massas úmidas. b) o inverno semelhante ao encontrado no clima subtropical do sul do Brasil: redução das temperaturas devido à presença da massa polar. c) o verão pouco chuvoso com elevadas temperaturas que se assemelham às condições do verão da porção centro-sul do Brasil. d) a fraca pluviosidade provocada pelas condições de relevo pouco acidentado e com baixas altitudes, que impedem a formação de chuvas orográficas. e) a reduzida atuação de massas de ar, como a tropical continental e a polar atlântica, ambas portadoras de elevado grau de umidade. 04. (Ufes ES) No Brasil, o clima Tropical Atlântico compreende a faixa litorânea que vai do Rio Grande do Norte até o Paraná. A maior parte do estado do Espírito Santo está submetida a esse tipo climático. Sobre o clima Tropical Atlântico, indique a) duas de suas características; b) a diferença existente entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil em relação ao período do ano em que se verifica a maior concentração de chuvas. 05. (Uel PR) Um dos principais impactos das mudanças ambientais globais é o aumento da frequência e da intensidade de fenômenos extremos, que quando atingem áreas ou regiões habitadas pelo homem, causam danos. Responsáveis por perdas significativas de caráter social, econômico e ambiental, os desastres naturais são geralmente associados a terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, furacões, tornados, temporais, estiagens severas, ondas de calor etc. (Disponível em: <www.inpe.br>. Acesso em: 20 maio 2015.)
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Com relação aos eventos atmosféricos ocorridos em Xanxerê (SC) e Francisco Beltrão (PR), em 2015, assinale a alternativa correta. a) A eutrofização, que age na formação dos tornados, dissipa a energia acumulada nas nuvens capaz de gerar ventos em movimentos circulares a uma velocidade de 100 km/h causando destruição. b) As linhas de instabilidade concentram radiações eletromagnéticas em altas temperaturas, que agem no interior das nuvens, provocando o surgimento dos tornados, através de massas de ar frias.
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c) A associação da temperatura, precipitação, umidade e vento forma o estado meteorológico, cujo ritmo sequencial aumenta a capacidade devastadora do tornado. d) Os tornados expressam as condições climáticas diretamente influenciadas pelo relevo, associadas ao elevado teor de fósforo que é encontrado no interior das nuvens gerando descargas atmosféricas e formação de correntes de ar. e) Os tornados ocorrem devido a um contraste entre massas de ar quentes e frias com diferentes pressões, que gera uma nuvem em formato de cone e movimentos de redemoinho, atingindo o solo e provocando devastação. 06. (FGV) Observe o mapa:
MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007, p. 151.
Sobre os tipos e subtipos climáticos identificados no mapa, é correto afirmar que: a) Os subtipos do clima equatorial apresentam elevada temperatura e quase nenhuma variabilidade térmica sazonal; é a variedade da pluviosidade ao longo do ano que permite a sua distinção. b) Os subtipos do clima tropical equatorial, associados à vegetação de transição entre a floresta e a caatinga, apresentam pouca variedade pluviométrica entre eles. c) Todos os subtipos do clima tropical úmido-seco apresentam grande variação térmica sazonal e uma estação seca pronunciada, embora de duração variável. d) O clima subtropical úmido, fortemente influenciado pela massa de ar polar atlântica, apresenta baixas temperaturas e longo período de baixa pluviosidade. e) Os subtipos do clima tropical litorâneo caracterizam-se pela grande irregularidade das temperaturas no tempo e no espaço e pela grande concentração de pluviosidade na primavera e no verão.
Gabarito questão 04 a) Poderão ser indicadas duas das seguintes características do clima Tropical Atlântico: grande umidade proveniente do Oceano Atlântico; influência da massa tropical atlântica, quente e úmida; chuvas intensas; temperaturas elevadas no verão e amenas no inverno; índice pluviométrico médio alto. b) No Nordeste, a maior concentração de chuvas ocorre no inverno, ao passo que, no Sudeste, a maior concentração de chuvas ocorre no verão.
FRENTE
C
GEOGRAFIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (Upe PE) “Há na superfície oceânica uma corrente que transporta águas quentes e salinas para o nordeste do Atlântico. O calor que ela libera para a atmosfera aquece a Europa ocidental, constituindo-se, assim, num elemento de fundamental importância para o andamento do tempo naquele continente. Perdendo calor, a água se esfria, mistura-se com as águas mais frias de origem ártica e se torna tão densa que acaba afundando...” Esse texto está se referindo à a) Contracorrente Sul-Equatorial. b) Corrente Kuro Sivo. c) Corrente “El Niño Atlântico”. d) Corrente do Golfo. e) Corrente Quente do Brasil.
O excerto extraído de uma reportagem trata da potência adquirida pelo furacão Patrícia, que atingiu a costa oeste do México em outubro de 2015. Alguns especialistas associaram a ocorrência desse fenômeno ao El Niño, uma vez que há a) um aumento além do normal da temperatura das águas do Pacífico. b) um aumento na intensidade dos ventos alísios da região equatorial. c) uma redução além do normal da temperatura das águas do Pacífico. d) um aumento na evaporação e precipitação sobre o Atlântico. e) uma redução na evaporação e precipitação sobre o Atlântico. 04. (Famerp SP) Analise o mapa.
02. (UFPel RS) A atmosfera é a camada gasosa que envolve e acompanha a Terra em todos os seus movimentos, graças à força da gravidade. A atmosfera é composta por vários gases que formam o ar atmosférico, composto também por vapor de água, partículas de pó, micro-organismos e outros elementos. A dinâmica atmosférica define o tempo e o clima. Sobre a dinâmica atmosférica, é correto afirmar que a) a temperatura do ar atmosférico sofre variações devido à forma da Terra, por isso a temperatura aumenta com o aumento da latitude. b) a presença do vapor de água na atmosfera, que determina a umidade atmosférica, é pouco relevante para o clima e o tempo, pois constitui apenas cerca de 2% da massa atmosférica. c) o tempo são as condições atmosféricas de um determinado lugar em um dado momento.
(Graça M. L. Ferreira. Atlas geográfico, 2013. Adaptado.)
d) a pressão atmosférica é um importante elemento do clima, cuja variação é influenciada pela temperatura; à medida que a temperatura se eleva o ar se torna mais rarefeito elevando também a pressão. e) o vento é o ar atmosférico em movimento, e seu deslocamento geral sempre se dá das áreas de baixa pressão (ciclonais) para as áreas de alta pressão (anticiclonais).
Considerando as áreas de incidência dos fenômenos em questão, é correto afirmar que os riscos 1 e 2 são, respectivamente, a) econômico e climático. b) natural e antrópico. c) geológico e climático. d) geológico e social. e) social e econômico.
03. (Fundação Instituto de Educação de Barueri SP) De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, o furacão que se dirige à costa do Pacífico no México com ventos de até 325 km/h é o mais forte já registrado no Pacífico e no Atlântico. O Centro afirmou que a intensidade do furacão pode ser equiparável à de uma bomba atômica.
05. (Unievangélica GO) As cidades de Porangatu, no norte de Goiás, e Cusco, no Peru, estão praticamente na mesma latitude: 13°26’ S e 13°31’ S, respectivamente. Contudo, as temperaturas médias anuais são completamente diferentes. Enquanto Porangatu apresenta uma temperatura média anual de aproximadamente 26 °C, Cusco apresenta uma temperatura média anual de aproximadamente 13 °C.
(g1.globo.com. Adaptado)
Riscos mundiais
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Geografia
O principal fator de discrepância em relação à temperatura média anual entre Porangatu, no Brasil, e Cusco, no Peru, refere-se à a) altitude b) latitude c) maritimidade d) continentalidade 06. (Udesc SC) A temperatura média anual em Florianópolis é de 20,4 °C, enquanto em Lages esse valor é de 15,6 °C. Essa diferença é devida à: a) maior maritimidade de Florianópolis em relação a Lages. b) menor cobertura vegetal de Lages em relação a Florianópolis. c) maior latitude de Florianópolis em relação a Lages. d) maior urbanização de Florianópolis em relação a Lages. e) maior altitude de Lages em relação a Florianópolis. 07. (UEPG PR) Com relação às chuvas que ocorrem no Brasil, assinale o que for correto. 21 01. As chuvas, em território brasileiro, predominam nos meses de verão, embora tem-se chuvas o ano inteiro em muitas das suas regiões, de acordo com o tipo climático. 02. Na região do Brasil Central, onde ocorre a presença do cerrado, as chuvas são mais abundantes no inverno. 04. No Paraná, as regiões menos chuvosas ficam na sua porção do interior, enquanto o litoral é a região mais chuvosa do estado. 08. Chuvas em excesso, devido ao clima quente e evaporação intensa, ocorrem apenas no Nordeste brasileiro, provocando inundações e deslizamentos de terra. 16. As chuvas que ocorrem no Brasil podem ser convectivas, orográficas e frontais.
FRENTE C Exercícios de Aprofundamento
08. (Uncisal AL) Observe o Climograma.
(segundoanosorandre.blogspot.com)
A partir da observação e de conhecimentos sobre o clima nordestino, pode-se afirmar que a) as temperaturas são elevadas o ano todo e as médias de precipitação anuais são baixas. 472
b) as temperaturas e as taxas anuais pluviométricas são elevadas. c) as temperaturas são baixas e a pluviosidade é mal distribuída ao longo dos meses. d) as precipitações são maiores nos meses de verão e as temperaturas anuais, variadas. e) a distribuição das chuvas é regular, e as temperaturas variam conforme a época do ano. 09. (FGV SP) Aguardado como a solução a curto prazo para amenizar a crise hídrica na Grande São Paulo e em parte do interior do estado, o volume de água que chegará aos mananciais paulistas ainda é uma incógnita para pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Tradicionalmente, a estação chuvosa no Sudeste tem início em outubro e vai até abril. No Sistema Cantareira, o problema que culminou na atual crise hídrica não foi o atraso das chuvas em 2013, mas a baixa pluviometria registrada entre dezembro e fevereiro, meses que concentram 40% da chuva de todo o ano. Foi a combinação de temperaturas recordes no último verão com a pluviometria mais baixa da história, entre outros fatores, que levou à atual crise da água. (O Estado de S.Paulo, 26.08.2014)
A partir da leitura da notícia, pode-se identificar que o climograma da região do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, é