Coleção 10 V - Livro 3 - História - Aluno

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Camila J. Silva


Serhii Bobyk / Shutterstock.com

FRENTE

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HISTÓRIA Por falar nisso A conhecida película norte-americana 300 de Esparta foi inspirada na batalha das Termópilas, nome que faz referência ao desfiladeiro onde ocorreu o conflito entre gregos e persas, diante das investidas dos últimos sobre os domínios helênicos. Esse embate, travado durante a Segunda Guerra Médica, foi protagonizado pelo rei espartano Leônidas e pelo imperador persa Xerxes. Mesmo que essa seja uma obra embasada em acontecimentos históricos, pode-se dizer que ela possui muitas distorções em relação ao ocorrido, a começar pelo personagem Xerxes, que é uma verdadeira caricatura, interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro, na versão cinematográfica. O papel desagradou sobremaneira o governo do Irã, país herdeiro direto da Pérsia antiga, por seu figurino e comportamento extravagante. O rei persa não é o único personagem a ser caricaturado em 300 de Esparta. Parte da responsabilidade seria dos belos e exagerados quadrinhos de Frank Miller. A fim de destacar o heroísmo dos espartanos, que recusaram a submeter-se ao Império persa, o roteirista os transformou em um esquadrão kamikaze, decidido a se sacrificar para incentivar as demais cidades gregas a entrarem na guerra contra o invasor. No entanto, é preciso ter ciência de que, por mais que a narrativa cinematográfica possa ser um recurso efetivo de ilustração de fatos históricos, ela deve ser compreendida como uma representação, que não reproduziu os acontecimentos como ocorreram, de fato, cabendo ao telespectador fazer a crítica. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas

A09 A10 A11 A12

Grécia: período arcaico.................................................................. 484 Grécia: período clássico................................................................. 490 Grécia: período helenístico............................................................ 495 Cultura grega.................................................................................. 500


FRENTE

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HISTÓRIA

MÓDULO A09

ASSUNTOS ABORDADOS nn Grécia: Período Arcaico nn Esparta nn Atenas

GRÉCIA: PERÍODO ARCAICO A palavra “Arcaico” reflete um julgamento estético, pois o conceito é comumente usado para designar obras artísticas produzidas entre 700 e 480 a.C. Os pesquisadores que estudaram a arte grega do período acharam-na mais “antiquada” que o estilo naturalista do período posterior, este que era tido como padrão de beleza. Posteriormente os historiadores apropriaram-se do termo para referir-se à história grega dos séculos anteriores às guerras greco-pérsicas. O período Arcaico (século VIII ao VI a.C.) da história grega foi o momento da organização das pólis, que, como já citado na parte anterior, constituía-se em um núcleo urbano cercado por uma área rural que o abastecia. O crescimento do comércio, ocorrido principalmente em função da retomada dos contatos com a Ásia Ocidental, e as numerosas guerras locais contribuíram para a formação de novos segmentos sociais. Esse momento histórico foi marcado pelo fortalecimento da aristocracia, pela reorganização da sociedade, pela fundação de colônias e pela organização de novas formas de poder político, das quais a democracia assume papel de grande relevância, sendo um modelo de sistema político até os dias atuais. Diante da prosperidade da atividade agrícola e comercial, o que possibilitou o aumento substancial da população, o mundo grego viu um florescimento cultural intenso, acompanhado do desenvolvimento da pólis, verificado nas seguintes manifestações: o aumento de jogos pan-helênicos; a criação de estátuas de divindades e templos para comportá-las; uma diversidade de pinturas em cerâmica; a poesia lírica; a filosofia pré-socrática; entre outros exemplos.

Fonte: Wikimedia Commons

Dentre as principais cidades – estado (pólis), podemos destacar Atenas e Esparta, que moldaram todas as bases de organização desse importante período da História Grega.

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Figura 01 - Ruínas do Teatro de Mileto, em Atenas.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Esparta

Pirâmide social espartana

A cidade-estado Esparta foi fundada pelos dórios na região do Peloponeso. Sua estrutura montanhosa levou os espartanos a definirem, sob a gestão de um poder oligárquico, suas bases agrícolas e atividade comercial bastante limitadas. Esparta montou uma estrutura afastada das demais cidades gregas, valorizando o militarismo, restringindo a entrada de estrangeiros e a saída de seus cidadãos da cidade. Era uma verdadeira “cidade da guerra” e a vocação para o caráter militar estava presente em todas as etapas da vida dos indivíduos.

Descedentes dos primeiros dórios fundadores

espartanos

Homem livres, porém sem direitos polí cos

Escravos e agricultores

periecos

hilotas

Politicamente, Esparta era caracterizada pelo poder oligárquico que era constituído por uma diarquia: dois reis hereditários que governavam juntos e tinham funções religiosas, jurídicas e militares; pela Gerúsia, um conselho de 28 anciãos (maiores de 60 anos) cuja função era a criação de leis; pela Ápela, uma assembleia formada por cidadãos com mais de 30 anos que escolhia os Gerontes e ratificava as leis criadas pela Gerúsia; e pelos Éforos, que em número de cinco, eram responsáveis pela fiscalização de toda a estrutura política de Esparta, tendo inclusive o poder de veto.

Figura 02 - Vestígios da cidade de Esparta, na Grécia.

Atenas

No tocante à educação, destaca-se o papel da mulher que, desde cedo, ensinava o filho a ser um bom guerreiro e a filha a ser uma mãe compenetrada nas suas futuras funções. Dentro desse quadro, pode-se entender que o espartano privilegiava o físico e os aspectos militares em detrimento do valor espiritual e intelectual, o que justifica a presença do laconismo (arte de pouco falar) na organização da vida do espartano. Entende-se que o espartano valorizava o entender bem e nada contestar, pois assim garantiria a efetivação de sua força militar. O jovem espartano era educado sob uma rígida disciplina até atingir 18 anos, quando era submetido a uma iniciação que recebe o nome de Kriptia e que deve ser entendida como um momento importante para o jovem tornar-se um hoplita (soldado). Aos 30 anos, o jovem era destinado à reserva, podendo casar-se e participar da vida política e aos 60 anos era retirado das atribuições militares, podendo destinar-se à participação na Gerúsia.

Atenas foi uma cidade-estado fundada na Ática pelos jônios, os quais eram o resultado da fusão de várias tribos que se organizavam na região. Como o solo da região era bastante pobre, houve uma limitação das estruturas agrárias, fazendo com que o comércio marítimo, favorecido pela proximidade com o porto de Pireu, se tornasse uma atividade de grande magnitude.

Socialmente, Esparta estava constituída por três segmentos sociais: nn os espartanos ou esparcíatas, que eram descendentes

dos dórios. Possuíam as melhores terras e gozavam de todos os privilégios políticos e militares de Esparta; nn os periecos – homens livres que habitavam a periferia. Cultivavam terras próprias, mas viviam do artesanato e do comércio; nn os hilotas – escravos públicos que não podiam ser vendidos.

Socialmente, Atenas organizou-se da seguinte forma: os eupátridas, que durante o processo de desintegração dos genos ficaram com as melhores terras, formaram a aristocracia e passaram a usufruir os privilégios políticos; os georgóis, pequenos proprietários que cultivavam terras pouco férteis e foram, aos poucos, arruinados e passaram à condição de arrendatários; os demiurgos, que desenvolveram o comércio e o artesanato além de outras atividades urbanas; os metecos, estrangeiros que se dedicavam ao comércio e ao artesanato e não tinham qualquer tipo de direito político; os thetas, que não receberam terras, portanto formavam a grande massa marginalizada de homens livres; e os escravos, que eram devedores insolventes ou prisioneiros de guerra. Vale lembrar que, em Atenas, eram considerados cidadãos, exclusivamente, aqueles que eram filhos de pais e mães atenienses. Politicamente, os atenienses conheceram formas distintas de governo, das quais se destacam: a monarquia, a oligarquia, a tirania e a democracia. A monarquia existiu em Atenas até o século VIII a.C. O rei (basileus) assumia diferentes papéis como chefe religioso, político, militar e jurídico. No entanto, com o passar do tempo, 485

A09  Grécia: período arcaico

Fonte: Wikimedia Commons

Figura 03 - Organização social de Esparta.


História

SAIBA MAIS Os hilotas são frequentemente definidos como escravos. Na verdade, um conjunto de fatores permite que eles sejam caracterizados mais como servos do que como escravos propriamente ditos. (...) eram todos da mesma origem e, uma vez subjugados, permaneciam juntos nos locais e jamais se afastavam. (...) estavam presos a terra; não podiam se transferir, eram propriedade do Estado, e executavam as tarefas agrícolas nas terras repartidas entre os cidadãos quando da conquista. (Maria Beatriz B. Florenzano, “O mundo antigo: economia e sociedade”)

esse regime de poderes, altamente concentrado, foi sendo substituído por um regime oligárquico do qual se destacam o Arcontado e o Areópago, que era um conselho soberano em Atenas, formado exclusivamente por eupátridas. Os arcontes assumiam o caráter de intérpretes das leis, uma vez que o direito era oral, pois não havia leis escritas. Com o passar do tempo, a acumulação de terras e riquezas por uma minoria foi tornando as desigualdades internas em Atenas insustentáveis, até o ponto em que no século VII a.C., inicia-se uma série de lutas sociais entre os eupátridas, que compunham a aristocracia e defendiam a manutenção dos seus privilégios, e o demos (povo) que, composto pelas demais camadas da população, exigia mudanças tais como o fim da escravidão por dívidas, a existência de leis escritas e a melhor distribuição de terras. Esse grupo era representado pelos ricos comerciantes, armadores e artesãos. Para minimizar os efeitos desses terríveis impasses, surgiram, em meio aos eupátridas, os legisladores, destacando-se Drácon e Sólon. Em 621 a.C., Drácon criou um conjunto de leis escritas para Atenas, o que mascarava a realidade e não resolvia o problema dos menos favorecidos, uma vez que todas as leis continuavam privilegiando os interesses das elites. A grande relevância das medidas de Drácon está no fato de tornar pública a legislação ateniense. Em 594 a.C., Sólon aboliu a escravidão por dívidas; dividiu a cidade em quatro tribos; implantou o voto censitário; e ampliou o poder dessas camadas em luta ao criar a Bulé (Conselho dos 400), que preparava a lei para ser votada e ampliava a ação da Eclésia, assembleia popular que discutia e votava as leis, e dos tribunais jurídicos também conhecidos como Heliae. No entanto, Sólon conseguiu desagradar “gregos e troianos” uma vez que a população almejava por melhorias e a elite não queria perder os privilégios que já detinha. Nesse clima de grande instabilidade, instaurou-se o regime da tirania (governo ilegal com o apoio popular). Nesse período, se destacam Psístrato, Hípias e Hiparco, que mesmo ampliando a atuação do comércio em Atenas, não conseguiram resolver o problema da população. Diante desse quadro, assume o poder aquele que seria considerado um dos homens mais importantes da história grega: Clístenes, que para muitos foi o criador da democracia. Clístenes ao implantar tal sistema político em Atenas, dividiu a cidade em dez tribos, ampliando o número de participantes da Bulé de 400 para 500, sendo que cada tribo passaria a contar com 50 representantes. A Bulé juntamente com a Eclésia passaram a ser os agrupamentos básicos da organização ateniense. Credita-se também a ele a criação do ostracismo – mecanismo de defesa da democracia segundo o qual se exilavam os maus cidadãos por um período de dez anos, sem perda de seus bens. Outro grande expoente desse novo modelo político foi Péricles. Ele permitiu que a democracia atingisse sua plenitude, entre outros fatores, pela consolidação de princípios tais como: a isonomia, que pregava a igualdade de todos os cidadãos perante a lei; a isegoria, que permitia a todos os cidadãos o direito à palavra na assembleia; e a isocracia, que determinava a igualdade de todos os cidadãos no poder ateniense.

A09  Grécia: período arcaico

A democracia ateniense não era extensiva a todos, o que lhe conferia um caráter elitista, patriarcal, xenófobo e escravista. A democracia em Atenas era participativa, permitindo a todos os cidadãos participar ativamente das decisões políticas de Atenas que seriam processadas na ágora. Entretanto, depreende-se que a condição de cidadania era reservada apenas às pessoas do sexo masculino, nascidos em Atenas, filhos de pai e mãe atenienses e maiores de 18 anos, excluindo mulheres, escravos e estrangeiros (metecos), que representavam a grande maioria da população. Já a democracia atual determina que todas as pessoas, homens e mulheres, a partir de uma determinada idade, podem exercer seus direitos políticos. É importante lembrar que a democracia atual é representativa, ou seja, os cidadãos escolhem elementos que venham a representá-los junto ao poder político. 486


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios de Fixação

M. I. Finley. Democracia antiga e moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 37.

A partir do texto, pode-se afirmar que a democracia, na Atenas antiga, a) limitava a atuação do conjunto da sociedade nas decisões e nos assuntos políticos, que ficavam restritos à elite intelectual e econômica. b) reconhecia a necessidade da tripartição do poder, com a separação e a isonomia entre o executivo, o legislativo e o judiciário. c) dependia do bom funcionamento do aparato administrativo, composto por funcionários estáveis e por ampla hierarquia burocrática. d) permitia a ampla manifestação dos cidadãos e tinha mecanismos que impediam a perpetuação das mesmas pessoas em cargos administrativos. 02. (IF MG) Leia o texto abaixo: “falando de democracia eles (os atenienses) pensavam em uma praça ou então em uma assembleia na qual os cidadãos eram chamados a tomar eles mesmos as decisões que lhe diziam respeito. Democracia significava o que a palavra designa literalmente: poder do demos e não, como hoje, poder dos representantes do demos”. (BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Rio de Janeiro: Campus, 2000).

O texto acima faz referência à democracia existente na cidade grega de Atenas, entre os séculos VI e IV a.C. Assinale a opção que relaciona CORRETAMENTE a democracia ateniense e a democracia existente no Brasil atual: a) As dimensões continentais do Brasil podem ser consideradas como um dos empecilhos para o uso do modelo ateniense. b) Em Atenas, o poder era exercido pelos representantes do povo; no Brasil, o poder é exercido diretamente pelo povo.

c) No Brasil, grande parte da população se abstém de votar nas eleições, o mesmo não ocorria em Atenas, onde as assembleias reuniam a totalidade da população. d) Em ambos os exemplos, todas as pessoas adultas são consideradas aptas a participar das decisões políticas. 03. (Fac. Direito de Sorocaba SP) Temos um regime que nada tem a invejar das leis estrangeiras. Somos, antes, exemplos que imitadores. Nominalmente, como as coisas não dependem de uma minoria, mas, ao contrário, da maioria, o regime se denomina democrático. No entanto, se, em matéria de divergências particulares, a igualdade de todos diante da lei é assegurada, cada um, em virtude das honras devidas à posição ocupada, é julgado naquilo que pode ocasionar sua distinção: no que se refere à vida pública, as origens sociais contam menos que o mérito, sem que a pobreza dificulte a alguém servir à cidade por causa da humildade de sua posição. (“Péricles”, Tucídides. Apud Jaime Pinsky (org.), Cem textos de História Antiga)

O excerto destaca, na democracia ateniense, a) o critério censitário para servir à cidade. b) a participação indireta dos cidadãos. c) a elegibilidade dos cargos públicos. d) o princípio da isonomia dos cidadãos. e) o caráter exemplar das eleições periódicas. 04. (Famerp SP) A cidade grega é o modelo por excelência, origem e paradigma da democracia. É dela que retiramos as exigências constituídas de toda a política moderna. Mas a cidade grega não é uma democracia modelo. Ela funciona à custa de exclusões. (Barbara Cassin et al. Gregos, bárbaros, estrangeiros, 1993. Adaptado.)

A afirmação do excerto é, aparentemente, contraditória, ao reafirmar a democracia grega como modelo e sustentar que o seu funcionamento era excludente. A aparente contradição ocorre, porque a) o governo era dirigido pela classe senatorial, embora os senadores fossem eleitos pelo conjunto dos cidadãos. b) o poder político era exercido diretamente no interior das propriedades rurais, embora dele permanecessem afastados os que aravam a terra. c) a pólis era internamente dividida em corporações de ofício, embora o governo geral fosse composto por um representante de cada uma delas. d) a assembleia de cidadãos era formada por camponeses e artesãos, embora eles estivessem afastados dos assuntos militares. e) a participação dos cidadãos nas decisões públicas era plena e direta, embora mulheres, estrangeiros e escravos permanecessem fora da política.

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A09  Grécia: período arcaico

01. (Puc SP) “Em termos constitucionais mais convencionais, [na Atenas antiga] o povo não só era elegível para cargos públicos e possuía o direito de eleger administradores, mas também era seu o direito de decidir quanto a todos os assuntos políticos e o direito de julgar, constituindo-se como tribunal, todos os casos importantes civis e criminais, públicos e privados. A concentração da autoridade na Assembleia, a fragmentação e o rodízio dos cargos administrativos, a escolha por sorteio, a ausência de uma burocracia remunerada, as cortes com júri popular, tudo isso servia para evitar a criação da máquina partidária e, portanto, de uma elite política institucionalizada.”


História

05. (Fatec SP) Em 2015, o noticiário internacional deu grande destaque à Grécia, país europeu que vivia uma grave crise econômica e convocou a população para decidir, via referendo, as medidas que deveriam ser adotadas pelo governo para gerir a crise. Parte da imprensa destacou o caráter democrático de tal medida e, em muitos textos, lembrou que os gregos foram os criadores da democracia. Assinale a alternativa que indica corretamente quais são as principais diferenças entre as concepções de democracia na Antiguidade grega e no mundo contemporâneo. a) Na Antiguidade grega, a democracia surgiu da necessidade de administrar países cada vez maiores; nas democracias contemporâneas, a política ajuda a administrar unidades menores, como as cidades.

b) Na Antiguidade grega, o espaço reservado à atividade política eram os templos religiosos ou as residências das pessoas mais importantes; nas democracias contemporâneas, a atividade política se realiza no espaço público. c) Na Antiguidade grega, política e religião eram esferas sociais separadas; nas democracias contemporâneas, a noção de cidadania vincula-se estreitamente às concepções religiosas. d) Nas democracias contemporâneas, a participação política é vinculada à renda, com o voto censitário; na Grécia Antiga, apenas os proprietários de terras, homens e mulheres, tinham direito à participação política. e) Nas democracias contemporâneas, o direito à participação política se estende a todos os grupos sociais; na Grécia antiga, apenas os homens livres nascidos na pólis eram considerados cidadãos.

Exercícios Complementares 01. (UFPR) Considere o excerto de poema espartano do século VII a.C.: [...] Pois não há homem valente no combate, se não suportar a vista da carnificina sangrenta e não atacar, colocando-se de perto. [...] É um bem comum para a cidade e todo o povo, que um homem aguarde, de pés fincados, na primeira fila, encarniçado e todo esquecido da fuga vergonhosa, expondo a sua vida e ânimo sofredor, e, aproximando-se, inspire confiança com suas palavras ao que lhe fica ao lado.

02. (UFRR)

(Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. In: Hélade: Antologia da Cultura Grega, Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra / Instituto de Estudos Clássicos, 4. ed., 1982.)

A09  Grécia: período arcaico

Com base nesse excerto, considere as afirmativas abaixo sobre os valores ressaltados no poema e sobre características da cidade-Estado de Esparta entre os séculos VII e V a.C.: 1. Esparta e Atenas compartilhavam do mesmo ideal militar expresso no poema, motivo pelo qual juntaram esforços na Liga de Delos. 2. O poema expressa os valores esperados dos soldados espartanos: a coragem, o espírito de combate e a cooperação com o coletivo. 3. Para sustentar o exército, o Estado espartano formou a Liga do Peloponeso e distribuiu as terras conquistadas entre as cidades-estado aliadas. 4. Esparta manteve uma elite militar, formada pela educação rígida de suas crianças, que eram controladas pelo Estado e separadas de suas famílias. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

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Em 05 de julho de 2015, enfrentando grave crise econômica, os gregos foram convocados para decidir sobre as condições do socorro financeiro, impostas pela União Europeia. Usando uma cédula de votação como a reproduzida acima, mais de 60% dos gregos votaram “OXI”, recusando a proposta. (Adaptado de http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,gregos-festejam-resultado-doplebiscito, 1719785. Créditos da imagem: http:// www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150704_pergunta_referendo_grecia_rb;

A consulta direta aos cidadãos, posteriormente denominada de plebiscito, tem suas origens no sistema democrático desenvolvido no antigo mundo grego. Sobre a história da democracia, suas características e origens no mundo grego, assinale o que for correto:


Ciências Humanas e suas Tecnologias

03. (Unifor CE) Afirma-se que a Grécia é o “berço” da democracia, pois lá esse regime foi exercido pela primeira vez. O termo “democracia” advém do grego “demokratia”, que significa “governo do povo”. Embora a terminologia seja semelhante, é possível afirmar que a democracia ateniense vivenciada no período da antiguidade clássica apresenta algumas diferenças em relação à democracia vivenciada atualmente no Brasil. Sobre essas diferenças, é correto afirmar que a democracia ateniense era exercida a) de forma direta pelos cidadãos, não se incluindo nesse conceito os escravos e as mulheres. b) de forma indireta, por meio de representantes eleitos pelo povo. c) de forma direta pelos cidadãos, incluindo-se nesse conceito os escravos e as mulheres. d) de forma direta pelos cidadãos, incluindo-se nesse conceito mulheres, mas não escravos. e) de forma indireta pelos cidadãos, não se incluindo nesse conceito os escravos e as mulheres. 04. (Fac. Direito de Franca SP) “[Na Grécia Antiga,] Não havia contradição entre a democracia antiga e a escravidão.” Marcelo Rede. A Grécia antiga. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 32. A frase justifica-se, pois

a) os povos da Antiguidade equivocavam-se, ao não reconhecer que a democracia só é possível se houver plena igualdade social. b) não há qualquer relação entre as questões políticas e as questões econômicas, sociais ou étnicas. c) a existência de escravos proporcionava aos cidadãos atenienses tempo livre para se dedicarem à política. d) não é possível conciliar, na Antiguidade ou nos dias de hoje, democracia e trabalho obrigatório. e) o militarismo espartano era superior à democracia ateniense, pois dispensava a escravidão e todas as hierarquias sociais.

05. (IF SP) “A instituição da escravidão”, segundo Platão, “é necessária porquanto os trabalhos materiais, servis, são incompatíveis com a condição de um homem livre em geral”. A escravidão na Grécia Antiga, assim como em Roma, deve ser caracterizada por a) inconstância, pois a característica desses povos era a utilização de escravos apenas esporadicamente, sendo que o próprio povo trabalhava na feitura das obras públicas, no campo etc. b) estrutura socioeconômica, pois esse tipo de trabalho movia as sociedades grega e romana, sendo utilizado desde para os trabalhos nas minas e galés até no trabalho intelectual. c) espírito guerreiro, pois esses povos tornaram a guerra a sua principal fonte de renda, e a escravidão passou a ser uma consequência inevitável. d) exceção, pois das sociedades antigas, essas se caracterizam pela quase ausência de mão de obra escravista. e) exclusão, pois aos elementos indesejáveis dessas sociedades era dada a pena da escravidão, tanto aos assassinos como aos traidores e devedores. 06. (UCS RS) Sobre o sistema escravista antigo, é correto afirmar que: a) As diferenças étnicas não eram relevantes, uma vez que qualquer pessoa pobre ou miserável poderia se tornar escravo. b) Os escravos possuíam a mesma cultura e religião, porque, de forma geral, provinham da mesma região, ou seja, dos povos árabes. c) Amanumissão – concessão de liberdade ao escravo – foi uma prática generalizada tanto na Grécia quanto na Roma escravista. d) Alguns pais negavam seus próprios filhos, especialmente quando duvidavam da fidelidade da mulher, transformando-os em escravos. e) as tarefas manuais, que ficavam a cargo dos escravos, levou os homens livres a uma atitude de desprezo por esse tipo de atividade. 07. (Mackenzie SP) A partir do século VII a.C., a cidade de Atenas passou por consideráveis transformações, culminando com o desenvolvimento do regime democrático. Nesse sentido, governantes atenienses foram de fundamental importância para o desenvolvimento político daquela cidade. A esse respeito, julgue os itens a seguir: I. Drácon iniciou as reformas, estabelecendo uma legislação escrita para a cidade. Apesar de extremamente severas, essas leis retiraram o poder político das mãos dos eupátridas, concedendo maior participação às camadas populares. II. Sólon propôs reformas em três sentidos. Na economia, estimulou o comércio e a indústria. Em termos sociais, aboliu a escravidão por dívidas. Na política, estabeleceu o regime censitário, eliminando, portanto, critério de nascimento para a participação política. III. Clístenes deu início a um processo de reformas que implantavam a democracia. Dentre suas medidas políticas, estabeleceu o princípio da isonomia – igualdade – dos cidadãos e a participação direta deles por meio da Assembleia (Eclesia). Assinale a) se apenas o item III está correto. b) se apenas os itens II e III estão corretos. c) se apenas os itens I e III estão corretos. d) se os itens I, II e III estão corretos. e) se apenas os itens I e II estão corretos. 489

A09  Grécia: período arcaico

a) A democracia surgiu em Esparta, como consequência do crescimento da importância militar daquela cidade após a guerra do Peloponeso. b) A democracia surgiu como sistema político em Atenas, mas na época não garantia participação de todos, pois a cidadania era limitada e apenas os cidadãos participavam das decisões. c) As instituições democráticas modernas, como a República e o Senado, não possuem nenhuma relação com as inovações políticas do mundo antigo. d) Após vencerem as guerras médicas, os tebanos unificaram o mundo grego e instituíram a democracia como modelo político. e) A democracia é um sistema que garante participação igualitária dos moradores das cidades e se desenvolveu ao mesmo tempo em diversas cidades-estadogregas, como Corinto, Bulé e Ecclesia.


FRENTE

A

HISTÓRIA

MÓDULO A10

ASSUNTOS ABORDADOS nn Grécia: período clássico nn As guerras médicas e guerra do peloponeso

GRÉCIA: PERÍODO CLÁSSICO A pólis, ou cidade-Estado, era a estrutura política básica da Grécia antiga. Não havia um Estado centralizado que congregasse a sociedade grega. Dessa forma, cada cidade constituía um Estado independente, que, eventualmente, guerreava, inclusive, contra outras pólis. Devido à escassa documentação, não se sabe exatamente o período de surgimento das primeiras pólis. Os historiadores acreditam que isso se deu entre os séculos VIII a.C. VII a.C., ou seja, no chamado Período Arcaico (séculos VIII-VI a.C.). Isso começou a ocorrer na Ásia Menor, onde se refugiaram os agrupamentos populacionais que fugiam dos dórios. Já vimos que, em determinadas pólis, como Atenas, o poder político era exercido diretamente pelos cidadãos por meio de assembleias realizadas na ágora, a praça central da cidade, onde se discutiam temas de interesse público, tomavam-se decisões e elaboravam-se leis. Nesse contexto, alguns cidadãos começaram a ter maior prestígio no interior da pólis, dando origem à figura política.

Fonte: Wikimedia Commons

Poucos habitantes da pólis de fato eram considerados cidadãos, pois nessa categoria entravam apenas os homens livres: proprietários de terras, artesãos, comerciantes, e pequenos proprietários. Estavam à margem da vida política os escravos, os estrangeiros livres (metecos) e as mulheres em geral. Embora essas últimas fossem desprovidas de direitos políticos, havia instâncias da vida social das pólis em que as mulheres, até mesmo escravas, desempenhavam papéis relativamente importantes, como em algumas festas ou no pequeno comércio. A autonomia política das pólis gregas não impediu que essas se unissem em momentos de invasão externa, como ocorreu em relação à ameaça persa. Porém, essa característica também foi responsável, em certa medida, pelos conflitos internos, entre as próprias pólis gregas, o que levaria à progressiva derrocada da Grécia antiga. O período clássico é marcado por um grande paradoxo, pois, ao mesmo tempo em que a Grécia atinge a plenitude tanto do seu processo cultural quanto de seu processo democrático, envolve-se em guerras que marcariam o início de sua decadência e garantiriam, consequentemente, a invasão feita pelos macedônios de Filipe II e Alexandre, o Grande.

As guerras médicas e guerra do peloponeso Os persas tentaram invadir duas vezes a Grécia, desencadeando os conflitos que ficaram conhecidos como Guerras Médicas (referência aos medos, um dos povos que deram origem aos persas). A primeira das guerras entre os gregos e os persas ocorreu entre 490 a.C. e 479 a.C. Sob a liderança de Dário I, os persas desembarcaram na Grécia, porém, apesar de sua superioridade numérica, foram bloqueados e derrotados pelo exército ateniense na Planície de Maratona. O prestígio ateniense aumentou bastante depois dessa vitória, fazendo com que a cidade ganhasse destaque entre as pólis gregas.

Figura 01 - Representação de guerreiro espartano em vaso grego.

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Precavendo-se contra um possível novo ataque após a primeira investida, os atenienses fortaleceram sua esquadra de guerra, prevendo que as batalhas ocorreriam no mar Egeu.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

A segunda invasão foi encabeçada pelo rei Xerxes da Pérsia, liderando aproximadamente 100 mil homens. As pólis gregas uniram-se contra os invasores, porém, apesar do esforço espartano em retardar o avanço do inimigo, os gregos foram massacrados no desfiladeiro de Termópilas. Os persas conseguiram, então, invadir e saquear Atenas.

com características agrícolas e aristocráticas, criaram a Liga do Peloponeso, com o objetivo de salvaguardar os seus interesses frente ao “imperialismo” lançado pelos atenienses.

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Veja o filme 300, 2007.

Atenas

Apesar dessa vitória, a investida persa acabou se enfraquecendo, devido à dificuldade de reposição de suprimentos e reforços. Os persas foram definitivamente derrotados na batalha naval de Salamina, pela esquadra ateniense, retirando-se sem ter conseguido tomar a Grécia. Durante a guerra, as pólis gregas formaram uma aliança conhecida como a Confederação ou a Liga de Delos, cujo objetivo era reunir um conjunto de cidades, por meio de contribuições, navios e homens para libertar as colônias gregas da Ásia Menor e derrotar, definitivamente, os persas. Em 449 a.C., foi assinada a Paz de Kálias, que não só restringe a presença persa na região, como também cria condições para moldar um futuro expansionismo ateniense. A vitória dos gregos e a ascensão de Atenas abriram caminho para aquela que seria, indubitavelmente, a mais penosa de todas as guerras entre os gregos, a Guerra do Peloponeso. Atenas atingiu seu esplendor durante o governo de Péricles, que reconstruiu e reorganizou a cidade, em grande parte com recursos da Liga de Delos. Atenas, com seu prestígio e superioridade econômica, rapidamente passou a administrar esses recursos, tornando-se líder da liga. Mesmo com o final da guerra contra os persas, os atenienses insistiram na manutenção da Liga de Delos e, lógico, na cobrança de impostos. Nesse período, Atenas passou a dominar a Grécia antiga, subordinando a maior parte das cidades-estado. Em oposição ao domínio e à expansão pretendida pelos atenienses, os espartanos e outras cidades

Atenas e seus aliados Terriórios neutros

Esparta e seus aliados

Mapa 01 - Mapa ilustrativo da Guerra do Peloponeso.

A guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) eclodiu, entre outros fatores, em virtude da tentativa de dominação exercida pelos atenienses pós-Guerras Médicas. Esse confronto de caráter fratricida foi um verdadeiro “suicídio da Grécia” em virtude dos reflexos nocivos que gerou para toda a civilização, não importando quem saísse derrotado ou vitorioso dela. A primeira fase da guerra foi de certo equilíbrio entre as cidades-estado, porém em virtude de um cerco feito pelos espartanos à Atenas e em razão dos horrores gerados por uma terrível peste que assolou a cidade, matando inclusive o grande estadista Péricles, Atenas acabou sucumbindo, e sendo obrigada a assinar da Paz de Nícias, em 421 a.C., em que se estabelecia uma trégua entre as cidades. No entanto, o não cumprimento da trégua e o anseio ateniense de dominar outras regiões implicaram mais embates, tendo seu fim derradeiro em 404 a.C., quando os atenienses foram brutalmente derrotados na batalha de Egos Potamos. Com a vitória na Guerra do Peloponeso, Esparta buscou exercer sua hegemonia sobre as demais cidades gregas. Naquele contexto, tinha fim a democracia ateniense e retornava o poder oligárquico à Grécia, iniciando-se o período de domínio espartano. Isso acabou gerando uma reação encabeçada por Tebas, que buscava o domínio da península Balcânica, liderada pelo seu general Epaminondas, que venceu os espartanos em Leuctras, em 371 a.C. A partir de então, os tebanos passam a exercer o controle da Grécia, mas ao tentar moldar uma marinha de guerra, provocaram uma reação negativa em Atenas que, com apoio de Esparta, derrota os tebanos e abre o caminho para a desarticulação quase que completa do mundo grego, o que seria de grande valor para a entrada dos macedônios em seu território. 491

A10  Grécia: período clássico

Fonte: Wikimedia Commons

CRETA

Opirus/Arte

Esparta


História

Exercícios de Fixação 01. (Unesp SP) A cidade tira de seu império uma parte da honra, da qual todos vós vos gloriais, e que deveis legitimamente apoiar; não vos esquiveis às provas, se não renunciais também a buscar as honras; e não penseis que se trata apenas, nessa questão, de ser escravos em vez de livres: trata-se da perda de um império, e do risco ligado ao ódio que aí contraístes. (Péricles apud Pierre Cabanes. Introdução à história da Antiguidade, 2009.)

O discurso de Péricles, no século V a.C., convoca os atenienses para lutar na Guerra do Peloponeso e enfatiza a) a rejeição à escravidão em Atenas e a defesa do trabalho livre como base de toda sociedade democrática. b) a defesa da democracia, por Atenas, diante das ameaças aristocráticas de Roma. c) a rejeição à tirania como forma de governo e a celebração da república ateniense. d) a defesa do território ateniense, frente à investida militar das tropas cartaginesas. e) a defesa do poder de Atenas e a sua disposição de manter-se à frente de uma confederação de cidades. 02. (Unirg TO) Leia o fragmento a seguir. A Guerra do Peloponeso pode ser considerada, a justo título, um conflito de importância histórica ímpar. Primeira guerra em larga escala travada em um contexto democrático, de discussão pública das decisões, tem servido, de geração em geração, ao debate sobre a relação entre regime político e guerra. FUNARI, P. P. A guerra do Peloponeso. In: MAGNOLI, D. História das guerras. São Paulo: Contexto, 2011, p. 19.

A10  Grécia: período clássico

Do ponto de vista adotado no fragmento, a principal consequência da Guerra do Peloponeso foi ter dado início a um período de a) consolidação da Liga de Delos, com a expansão da monarquia nas cidades- sob a influência de Atenas. b) supremacia ateniense, com a desagregação da comunidade gentílica e formação da sociedade de classes. c) hegemonia espartana, com a ascensão dos governos oligárquicos e supressão da democracia ateniense. d) fracionamento da Grécia em diversas cidades-, governadas pelos eupátridas. 03. (Puc RS) No que se refere à Guerra do Peloponeso (431- 404 a. C), inserida no contexto de conflitos entre as cidades- e retratada de forma épica por Tucídides como a guerra “mais importante que todas as anteriores”, é correto afirmar que sua causa principal foi/foram a) os ataques dos espartanos a Atenas, em descumprimento à Paz de Nícias. b) a revolta das cidades-, tais como Tebas e Corinto, contra a hegemonia militar espartana no Peloponeso.

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c) a derrota da Liga de Delos para os persas, resultando numa imediata resposta espartana através da Liga do Peloponeso. d) o expansionismo belicista espartano, que buscava interromper as rotas comerciais da Liga de Delos, capitaneada por Atenas. e) a expansão ateniense pelo mar Jônio, acirrando as disputas econômicas e contrapondo os modelos políticos de Atenas e Esparta. 04. (Uem PR) Sobre a história da Grécia na Antiguidade Clássica, assinale o que for correto. 01-02-16 01. A sociedade ateniense era formada por três grupos sociais, a saber: os cidadãos atenienses, os metecos (estrangeiros) e os escravos. 02. Na sociedade ateniense, possuir terras era condição essencial para ser um cidadão. As famílias ricas viviam na cidade e dedicavam-se à política, à filosofia e à ginástica, enquanto as suas terras eram cultivadas pelos escravos. 04. Em Esparta, os homens, desde crianças, eram submetidos a uma educação que privilegiava mais a política e a cultura, e menos a formação de guerreiros. 08. Os espartanos, ao conquistarem as comunidades próximas, atribuíam a denominação de espartaciatas aos habitantes dessas regiões, os quais cultivavam as terras que pertenciam aos hilotas. 16. A Guerra do Peloponeso, iniciada em 431 a.C., foi um conflito entre Atenas e Esparta. 05. (Famerp SP) Na Antiguidade ocidental clássica, os escravizados eram, na maioria dos casos, a) estrangeiros, camponeses e hereges. b) indígenas, nobres decadentes e cristãos. c) cristãos, hereges e endividados. d) prisioneiros de guerra, endividados e estrangeiros. e) nobres decadentes, indígenas e prisioneiros de guerra. 06. (Unicamp SP) O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) definiu a cidadania em Atenas da seguinte forma: A cidadania não resulta do fato de alguém ter o domicílio em certo lugar, pois os estrangeiros residentes e os escravos também são domiciliados nesse lugar e não são cidadãos. Nem são cidadãos todos aqueles que participam de um mesmo sistema judiciário. Um cidadão integral pode ser definido pelo direito de administrar justiça e exercer funções públicas. (Adaptado de Aristóteles, Política. Brasília: Editora UnB, 1985, p. 77-78.)

a) Indique duas condições para que um ateniense fosse considerado cidadão na Grécia clássica no apogeu da democracia. b) Os estrangeiros, também chamados de metecos, não tinham direitos integrais, mas tinham alguns deveres e direitos. Identifique um dever e um direito dos metecos.

a) A cidadania era exercida por homens livres, descendentes de cidadãos, e que tivessem alcançado a maioridade. b) Cabia aos metecos o dever de cumprir as leis e de pagar os tributos. Entre seus direitos, destacava-se exercer atividades ligadas ao comércio e ao artesanato.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

Tendo como referência o texto acima, assinale a alternativa correta. a) A diferença existente entre a ficção – retratada no cinema e/ou em uma obra literária – e a realidade encontra-se no uso de fontes e na metodologia utilizada pelo historiador. b) Se o pontapé de Leônidas submeteu o mensageiro de 80 kg a uma aceleração de 300 cm/s2, então, a força aplicada pelo pontapé foi de 24 000 N. c) Se o exército total de Xerxes I possuísse 600 000 soldados, então, cada um dos 300 espartanos precisaria abater 20 rivais por dia para que, ao final de 8 semanas, todos os inimigos estivessem mortos. ( nos numerais, usar espaço fino) d) Os vírus são micro-organismos altamente infecciosos e que necessitam de células mortas para se reproduzirem. Por esse motivo, após as batalhas, os mortos precisavam ser queimados para evitar a proliferação de doenças entre os soldados sobreviventes. e) A derrota final de Xerxes I, historicamente, possibilitou que o capitalismo se instalasse no mundo atual, uma vez que suas origens remontam a pensadores gregos, como Platão, Sócrates e Alexandre, o Grande. 02. (Uem PR) Sobre a arte na Antiguidade Clássica é correto afirmar que: 02-04 01. Por falta de registros documentais, não conhecemos o nome de nenhum produtor de imagens na Grécia Antiga. 02. Parte da chamada arte grega apresenta algumas semelhanças com os objetos produzidos em certas regiões dos continentes asiático e africano. 04. De uma maneira geral, nos templos gregos em pedra não se empregava argamassa, uma vez que os blocos eram justapostos com precisão. 08. Os templos romanos eram réplicas dos templos gregos.

16. Assim como os gregos, os romanos desconheciam a arte do retrato, contentando-se com uma representação ideal. 03. (UCS RS) Os povos da Antiguidade Clássica foram responsáveis por um legado que permanece vivo nas sociedades contemporâneas, em especial nas ocidentais. Sobre esse legado é correto afirmar que: a) A religião monoteísta, praticada por gregos e romanos, foi a base para o surgimento do Cristianismo, que, ainda hoje, congrega a maior comunidade de fiéis do Planeta. b) A filosofia e a ciência praticada pelos gregos constituem-se a base do pensamento científico e filosófico das sociedades ocidentais. c) A medicina praticada, tanto pelos gregos quanto pelos romanos, realizou progressos extraordinários; graças a eles foi possível conhecer a circulação do sangue e as infecções dos olhos e dentes. d) Os idiomas dos países ocidentais, na sua totalidade, derivam do latim ou da fusão dele com os dialetos bárbaros. e) O sistema de numeração empregado atualmente é uma contribuição direta dos gregos e romanos, especialmente o conhecimento do zero. 04. (UFRGS) Com relação à vida social e política na Grécia clássica, assinale a alternativa correta. a) A democracia grega foi instituída no século VI a.C. por Clístenes, colocando fim a um período de governo tirânico e criando os princípios da República. b) A decadência da pólis grega no período arcaico, entre os séculos VIII a.C. e VI a.C., e o surgimento do Império ateniense permitiram o florescimento cultural nas cidades antigas. c) O desenvolvimento de uma filosofia fundada na razão ocorreu com o fim do período micênico na Grécia, o que implicou a passagem do politeísmo para o monoteísmo. d) Os habitantes tinham direitos políticos e eram considerados cidadãos nas cidades-estado, com exceção das mulheres e dos escravos. e) A união política entre atenienses e espartanos contra os avanços do exército persa ocorreu no contexto da Guerra do Peloponeso. 05. (Unisc RS) Nem o sujeito mais pedante vai assistir a um blockbuster esperando uma aula de história, mas no filme 300, o épico estrelado por Rodrigo Santoro, que relata o confronto entre gregos e persas no ano 480 a.C., abusa do direito à licença poética. O ator brasileiro interpreta Xerxes, o Grande Rei dos persas, e a maneira como o personagem é retratado andou enfurecendo o governo do Irã, país que é herdeiro direto da antiga Pérsia. A fúria tem certa razão de ser: do figurino às motivações políticas, o Xerxes do brasileiro não tem quase nada a ver com a sua contraparte histórica. Disponível em: http://ceticismo.net/comportamento/300-de-esparta-%E2%80%93-a-guerra-filme-x-historia/. Acessado em 03/05/2015.

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01. (UCS RS) O filme 300 é uma adaptação feita pelo quadrinista Frank Miller e pelo diretor Zack Snyder ao relato do historiador grego Heródoto sobre a bravura de um grupo de 300 espartanos, liderados pelo Rei Leônidas, enfrentou o gigantesco exército invasor do então rei da Pérsia, Xerxes I, no seu intento de conquistar as cidades-estado que compunham o território de Hélade: o evento ficou conhecido como a Batalha das Termópilas. O sucesso do filme fez com que algumas cenas se tornassem referência da cultura moderna, como a que o Rei Leônidas grita This is Sparta! (Esta é Esparta!) e acerta um pontapé no mensageiro de Xerxes I e o manda para o fundo de um poço. Mas, apesar das liberdades criativas que o filme toma com relação à história original de Heródoto, a essência foi mantida: imortalizar o caráter de sacrifício de um grupo de honrados soldados que, mesmo sabendo que iriam morrer, se sacrificaram para proteger e inspirar outros a lutarem por um objetivo maior. Remember us, remember why we died (Lembrem-se de nós, lembrem-se de por que nós morremos) é outra frase marcante do filme.


História

A respeito dessa guerra retratada no filme considere as afirmativas. I. O conflito entre persas e as cidades-estado da Península do Peloponeso envolviam a política expansionista dos espartanos liderados por Temístocles. II. Leônidas liderou os soldados espartanos na sua resistência aos persas no desfiladeiro das Termópilas. III. O exército grego foi liderado pelo imperador Marco Antônio na sua luta contra o rei Xerxes. IV. Apesar da autonomia de cada uma das cidades-estado gregas, elas se uniram na luta contra os persas em várias guerras no século V a.C. V. A vitória dos 300 de Esparta se deveu às condições estratégicas do Estreito de Termópolis que deram a Leônidas uma vantagem de 1 para 20. Assinale a alternativa correta. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Somente as afirmativas I, III e V estão corretas. c) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III estão incorretas. e) Somente as afirmativas IV e V estão incorretas. 06. (Uepa PA) Apesar das semelhanças quanto à língua e a religião entre os gregos das diversas pólis, a Grécia do Período Clássico em diante era um mosaico de cidades autônomas em termos políticos e econômicos. A criação das cidades-estado seguiu por caminhos diferentes em função da relação entre populações autóctones e povos estrangeiros. Particularmente, a história da fundação de Atenas e de Esparta teve clara relação com sua organização sociopolítica, pois

A10  Grécia: período clássico

a) ocorreu em Atenas a partilha de poder administrativo entre jônios e demais estrangeiros, enquanto em Esparta se deu a dominação política dos dórios. b) o domínio jônico submeteu os povos autóctones na formação de Atenas, enquanto os dórios partilharam o governo de Esparta com os nativos lacedemônios. c) Atenas tornou-se centro cosmopolita do mundo antigo dada a proeminência social dos estrangeiros, enquanto a elite dórica se manteve predominante no governo de Esparta. d) A formação de Atenas esteve vinculada ao trabalho agrícola das populações camponesas, enquanto os guerreiros dóricos de Esparta constituíram uma sociedade militarizada. e) Atenas formou-se com a reunião de jônios e populações locais pré-helênicas, enquanto Esparta resultou da invasão dórica, marcada pela submissão dos habitantes autóctones. 07. (Puc RS) No contexto das chamadas Guerras Médicas, no século V a. C., configurou-se um período de hegemonia de Atenas sobre o mundo grego, em substituição a Esparta. Um dos fatores condicionantes dessa hegemonia foi a) o protagonismo ateniense nas principais vitórias contra os persas, obtidas, em terra, na Lacônia e na Ásia Menor. b) a formação da Liga do Peloponeso, liderada por Atenas e composta pelas principais cidades agrícolas fornecedoras de escravos. 494

c) a diminuição drástica do número de metecos e escravos em Atenas devido à guerra, o que obrigou parte da elite a aplicar recursos no comércio e na manufatura. d) a permanência, após a guerra, do exército espartano na própria cidade, para defender a aristocracia das sublevações dos hilotas e periecos. e) a queda da ditadura de Péricles em virtude do final da guerra, o que consolidou a democracia e ampliou a influência política de Atenas. 08. (UPE PE) Sobre as Guerras Médicas, travadas entre gregos e persas no início do século V a. C., assinale a alternativa CORRETA. a) A vitória grega deveu-se à forte liderança espartana, uma vez que Atenas se submeteu aos persas desde o início dos conflitos. b) As batalhas de Maratona, Salamina e Termópilas foram travadas em campo aberto. c) Os gregos se destacaram na guerra por causa do uso da poderosa cavalaria ateniense. d) Os principais instrumentos de um soldado grego eram: a lança, o escudo e a espada. e) Temístocles, principal general do exército persa, conseguiu grandes vitórias graças à ação de mercenários financiados pelo rei Dario. 09. (IF GO) Nos dois lados só se faziam grandes planos e todos estavam cheios de entusiasmo pela guerra; isso não é de admirar, pois é sempre no começo que se mostra mais ânimo. Deve-se acrescentar que havia na época, tanto no Peloponeso quanto em Atenas, uma juventude numerosa que, por inexperiência, só desejava a guerra. O resto da Hélade estava na expectativa, em vésperas desse choque das cidades mais poderosas. Nas cidades rivais e nas outras, só havia presságios e adivinhos cantando seus oráculos. TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso, trad. Mário da Gama Kury, Editora UnB, 1987. Disponível em: <http://www.funag.gov.br/biblioteca/ dmdocuments/0041.pdf>

Assinale a alternativa correta: a) A Guerra do Peloponeso, conflito descrito acima, expõe um evento que marca a união das Cidades-estado gregas contra a invasão do Império Persa, recentemente retratada no filme “300”. b) A mobilização em torno da Guerra do Peloponeso coloca em evidência o sentimento de unidade do povo grego, que recentemente foi retomado com a grave crise econômica que ainda afeta o país. c) A Guerra do Peloponeso tem a sua veracidade contestada nos recentes estudos historiográficos, pois os vestígios do passado só permitem afirmar que a rivalidade entre os gregos se dava por meio dos Jogos Olímpicos. d) Ao fim da Guerra do Peloponeso, o povo grego vivenciou um período de estabilidade liderado pelos espartanos. Sob comando do Rei Leônidas, os espartanos conseguiram firmar um longo período de hegemonia política, econômica e cultural na Hélade. e) A empolgação pelo conflito entre os jovens atenienses, exposta no documento nos sugere o questionamento do tradicional esquematismo que dissocia a guerra do cotidiano dos atenienses.


FRENTE

A

HISTÓRIA

MÓDULO A11

GRÉCIA: PERÍODO HELENÍSTICO O período iniciado com a conquista da Grécia pela Macedônia, no século IV a.C., ficou conhecido como Período Helenístico e estendeu-se até o século II a.C. Os macedônios, povo de origem desconhecida, viviam em uma região ao norte da Grécia. Seus governantes faziam parte de um sistema monárquico em que seus sucessores diziam-se descendentes de Héracles (Hércules no romano), lendário filho de Zeus e herói dos gregos.

ASSUNTOS ABORDADOS nn Grécia: Período Helenístico nn A conquista da Pérsia e seus domínios nn A cultura helenística

Em 359 a.C. subiu ao poder o rei Filipe II, que organizou um poderoso exército, com o qual teve início a expansão territorial da Macedônia. Sabendo dos conflitos entre as cidades-estado gregas, Filipe usou de investida diplomática e militar para conquistar poder e influência sobre a Grécia, de forma que, em 338 a.C. conseguiu conquistar todo o território grego. Filipe foi assassinado dois anos mais tarde, quando foi sucedido por seu filho Alexandre, que mudaria o rumo da história de várias regiões do Mediterrâneo oriental e da Ásia. Alexandre, que foi educado por Aristóteles, assimilou diversos elementos da cultura grega. Após contornar as revoltas internas, partiu para a expansão territorial, tomando a Ásia menor, a Pérsia, chegando até as margens do rio Indo, na Índia. Após a sua morte, aos 33 anos, o império não se manteve. As divisões políticas e as constantes lutas internas levaram o Império Macedônio ao enfraquecimento e à sua posterior ocupação pelos romanos. No entanto, a grande obra de Alexandre, que foi no âmbito cultural, sobrevivera à derrocada do império. A expansão promovida por Alexandre foi responsável pela divulgação da cultura grega pelo Oriente. Ele fundou uma série de cidades (várias chamadas pelo nome Alexandria) que tornaram-se verdadeiros centros de representação dessa cultura. Dessa forma, as culturas locais acabaram assimilando elementos gregos, dando origem à chamada cultura helenística ou helenismo. Fonte: Wikimedia Commons

A conquista da Pérsia e seus domínios Após pacificar o território grego, Alexandre decidiu atacar o império Persa, governado por Dario III. Contando com um numeroso exército e uma poderosa arma de guerra, a sarissa, lança de madeira com seis metros de comprimento, partiu em direção ao oriente, na primavera de 334 a.C. No desembarque, na Ásia Menor, as tropas de Alexandre derrotaram o exército persa nas margens do rio Granico (atual Turquia). Após essa batalha, partiram para a conquista da Síria, Fenícia e Palestina, territórios que também estavam sob o controle de Dario III.

Figura 01 - Uso da sarissa em combate.

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História

A último domínio persa no Mediterrâneo era o Egito, que também foi tomado pelas tropas de Alexandre. Recebido como libertador, Alexandre foi adorado pelos egípcios como encarnação do deus Amon e declarado sucessor dos faraós. Nas proximidades do Nilo, o imperador fundou, em 332 a.C., a cidade de Alexandria, que seria uma das mais importantes do Mediterrâneo, antes da ascensão de Roma. Em seguida, as tropas de Alexandre seguiram em direção à Mesopotâmia, e lá venceram o exército de Dario III em 331 a.C. Devido a essa vitória, Alexandre foi conclamado Rei dos Reis, rumando em direção ao Oriente, alcançando o rio Indo, na Índia, em 326 a.C. Quando retornou à Mesopotâmia, Alexandre morreu de uma febre desconhecida, em junho de 323 a.C., aos 32 anos

de idade. Devido às suas inúmeras conquistas militares, Alexandre ficou conhecido na história como Alexandre: o Grande, ou Magno. O imperador não deixou herdeiros ao trono, o que desestabilizou o império, levando os generais a uma conflituosa disputa pelo poder. . O império estava, até então, dividido em três grandes reinos, que sobreviveram por mais de um século devido às afinidades linguísticas, comerciais e culturais, mas que entraram em declínio em virtude das lutas internas e da pobreza resultantes da desorganização administrativa. Ao mesmo tempo, surgia uma nova potência no Mediterrâneo. Era Roma, que, em 148 a.C., dominou a Macedônia e, nos próximos dois anos, conquistou a Grécia, anexando-a aos seus domínios. Era um novo império que surgia.

SAIBA MAIS ALEXANDRIA, DO EGITO O reino egípcio dos Ptolomeus teve sua origem na fundação de Alexandria, um centro urbano que era antes uma aldeia de pescadores. A cidade foi fundada (332 a. C.) pelo conquistador macedônico Alexandre Magno (356-323 a. C.) para ser a principal cidade portuária da Antiguidade. Ao chegar ao Egito, Alexandre logo tratou de fundar esse novo porto, cujo enorme potencial previu. Batizada como Alexandria, como muitas das outras cidades fundadas pelo conquistador macedônico, essa cidade em breve se tornou uma das maiores de todo o mundo grego. Ao Norte possuía dois bons ancoradouros que davam para o Mar Mediterrâneo. O porto foi construído com um imponente quebra-mar que chegava até a ilha de Faros, onde foi erguido um famoso farol para orientar o tráfego marítimo, o Farol de Alexandria, e ficou conhecido como uma das sete maravilhas do mundo antigo. Esse porto tinha capacidade para abrigar as grandes embarcações que se tornaram típicas da época helenística, o que permitiu a Alexandria exportar sua produção excedente para o resto do país e estender o comércio a outras regiões, tornando-se assim a principal base marítima de todo o Mediterrâneo. Foi para lá que Ptolomeu I Sóter (304-283 a. C.) transferiu sua capital, antes localizada em Menphis, antiga e tradicional cidade do Baixo Egito. Cortada por uma avenida principal excepcionalmente ampla, sua área urbana ocupava um território retangular com 6,4 km de comprimento por 1,2 de largura, e sua população por volta de 200 a. C., chegava a meio milhão de habitantes. Esses eram em sua maioria colonos gregos e macedônios, que tinham organização autônoma de privilégios excepcionais. A numerosa comunidade judaica também tinha sua própria administração. Mas a cidade abrigava igualmente dezenas de milhares de egípcios e indivíduos de várias outras raças. Tratava-se de um centro urbano cosmopolita, em escala ainda maior do que Siracusa.

A11  Grécia: Período Helenístico

Na nova capital, os Ptolomeus construíram muitos palácios e instituições públicas, e a cidade atingiu o nível de centro científico e literário por, pelo menos, durante o meio milênio seguinte, fato que se prolongou durante os primeiros anos da dominação romana. Muitos dos belos edifícios de Alexandria tornaram-se célebres, como o Museu e a Biblioteca, que juntamente com outras instituições atenienses mais antigas figuravam entre os mais importantes centros culturais da época. Havia também os palácios dos Ptolomeus e o templo de Serápis, a divindade que fora introduzida para atender os reclamos nacionais e cujo culto propagara-se rapidamente, assim como o de Ísis, pelo mundo helenístico. No entanto não parecia uma cidade que fizesse parte do território egípcio. Apesar dos canais que a ligavam ao lago Marcótis e ao Sul, parecia um superestrutura acrescentada ao país, e era comum as pessoas falarem em viajar de Alexandria para o Egito. A antiga e grande cidade de Alexandria, hoje terceiro núcleo urbano do país em população, com cerca de 3,5 milhões habitantes e principal porto do norte do Egito, fica localizada no delta do rio Nilo, fundada numa colina que separa o lago Mariotis do mar Mediterrâneo. Nessa cidade sempre existiram dois portos, dos quais o ocidental é o principal centro comercial, com instalações como a alfândega e inúmeros armazéns. A fundação da cidade de Constantinopla contribuiu para a decadência da metrópole egípcia. Com os muçulmanos, essa decadência de Alexandria foi acelerada, sobretudo à medida do crescimento da cidade do Cairo, hoje com aproximadamente 7,0 milhões de habitantes. Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/Alexandria.html

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Fonte: Wikimedia Commons

Ciências Humanas e suas Tecnologias

Figura 02 - Desenho representando o Farol de Alexandria, por Hermann Thiersch (1874-1939).

A cultura helenística O maior feito das conquistas de Alexandre foi possibilitar o surgimento de uma cultura, herdeira da grega, mas diferente pela grande quantidade de elementos orientais. Alexandria, no Egito, Pérgamo, na Ásia Menor, e a Ilha de Rodes, no mar Egeu, constituíam alguns dos principais centros de difusão desses valores. Uma característica da cultura helenística era uma arte mais realista, que exprimia violência e dor, componentes constantes naqueles tempos de guerras. Pode-se perceber claramente essa propriedade na escultura, devido à impressão de turbulência e agitação em seus traços. Na área da arquitetura, predominavam o requinte e a suntuosidade, de forma a refletir a imponência do Império Macedônio. Nas ciências, é importante destacar o avanço da Matemática, com Euclides, criador da Geometria; da Física, com Arquimedes de Siracusa; da Geografia, com Eratóstenes; e da Astronomia, com Aristarco, Hiparco e Ptolomeu. Este último era defensor do geocentrismo, teoria aceita até o início da modernidade (século XV-XVI). No helenismo também surgiram novas correntes filosóficas, como: nn estoicismo:

fundada por Zenão, essa filosofia defendia que a felicidade era o equilíbrio interior, o que possibilitava ao ser humano aceitar a dor e o prazer, a sorte e a adversidade;

nn epicurismo:

A11  Grécia: Período Helenístico

foi fundada em Atenas por Epicuro e pregava a busca pelo prazer, base da felicidade humana, e afirmava a necessidade do afastamento de aspectos negativos da vida;

nn ceticismo: essa filosofia, fundada por Pirro, que vem da palavra grega sképtomai,

“olhar”, “investigar”, caracteriza-se pela impossibilidade de conhecer com certeza qualquer realidade. O conhecimento seria uma relação entre o sujeito e o objeto estudado, portanto, relativo. A felicidade consistiria no não julgamento.

Por sua vez, o helenismo ainda acrescentou à cultura uma instituição da cultura oriental: o despotismo, que atribuía uma autoridade inquestionável ao governante. 497


História

Exercícios de Fixação 01. (Cefet PR) Para além das conquistas militares, um dos mais importantes feitos de Alexandre, o Grande, foi favorecer o surgimento de uma nova cultura, com forte influência grega. As cidades de Alexandria, no Egito, Pérgamo, na Antióquia, e a Ilha de Rodes, no Mar Egeu, constituíram-se em centros difusores de novos valores e de novos saberes, que se estenderam pelas artes, pelas ciências e por novas vertentes filosóficas. O nome dado a essa expressão cultural foi: a) modernista. b) renascentista. c) contemporânea. d) realista. e) helenística. 02. (UEG GO) Como resultado das campanhas militares de Alexandre (Magno), surgiu a cultura helenística. Houve influência da cultura oriental sobre a grega, porém não se deve superestimar a importância dessa influência. Na realidade, os caracteres da cultura grega sempre foram dominantes. ORDOÑEZ, Marlene; QUEVEDO, Júlio. Horizontes da História. São Paulo: IBEP, 2005. p. 41.

Essa hegemonia da cultura helênica verificou-se, sobretudo no Ocidente, sendo justificada pelo fato de que a) os persas logo revelariam pretensões imperialistas, sendo liderados por Xerxes numa grande campanha militar contra os gregos. b) os habitantes de Alexandria, a capital do Império de Alexandre, se recusavam a admitir a presença de estrangeiros em suas fronteiras. c) os gregos mantinham forte resistência à liderança de Alexandre Magno, por ele não ser grego de origem, já que nascera na Macedônia. d) os orientais, mesmo tendo se integrado ao império de Alexandre, continuaram sendo considerados bárbaros pelos gregos. 03. (Unitau SP) “Quando o flanco esquerdo persa foi destroçado sob a liderança de Alexandre, Dario, em seu carro de A11  Grécia: Período Helenístico

guerra, percebeu o que acontecera e fugiu em desabalada carreira. Mantendo-se no carro enquanto o solo o permitia, viu-se constrangido a abandoná-lo quando o relevo passou a impedir seu progresso. Deixou, então, seu escudo e suas vestes de guerra [...]”. ARRIANO, A. Batalha de Íssus, 2, 10-11 (333 a.C.) In: FURNARI P. P. A. Antiguidade Clássica: a história e a cultura a partir dos documentos. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003, p. 37.

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Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA. a) Arriano escreve a respeito da vitória de Alexandre, o Grande, sobre Dario na batalha de Íssus, marco do avanço das tropas macedônicas para o oriente. b) Dario, segundo o texto, saiu vencedor da batalha, por isso a corrida de volta ao seu reino. c) Alexandre sobrepujou o exército persa e, com isso, tornou-se o primeiro ministro persa. d) Segundo Arriano, a batalha de Íssus foi uma grande derrota para Alexandre. e) A batalha narrada por Alexandre mostra a derrota do exército Macedônico sob a liderança de Dario, que acontece por uma falha no flanco esquerdo. 04. (Uem PR) Assinale o que for correto sobre a Grécia clássica. 01. O helenismo foi o resultado do contato da civilização grega com diferentes culturas orientais. 02. Os atenienses legaram para a civilização ocidental a democracia, sistema político que assegurava plenos direitos de participação de todos os segmentos da sociedade. 04. Tanto o poder do Estado, laico, como o poder Religioso, sobrenatural, sob a autoridade do Faraó. 08. Em Esparta, o rigor da educação, iniciada desde a infância, tinha como finalidade formar cidadãos para atuar na Eclésia, o Conselho dos Magistrados. 16. A organização política da Grécia fundamentava-se na cidade-Estado, a Polis. 05. (Uem PR) Sobre a arte da Grécia Antiga, assinale o que for correto. 01. A pintura arcaica de vasos é, excetuando-se alguns exemplares, desprovida de um interesse artístico geral. 02. O capitel coríntio, mais ornamentado que o jônico, foi utilizado exclusivamente na decoração de interiores. 04. Na escultura grega arcaica, à figura masculina foi dado o nome de Kouroi e à feminina foi dado o nome de Korai. 08. A escultura helenística, devido ao fato de toda a Grécia e de parte do Oriente estarem submetidos a um único senhor, era relativamente padronizada e simplificada. 16. Os templos gregos da ordem dórica possuíam certos reajustamentos das proporções, o que lhes proporcionava maior equilíbrio e harmonia.

01-16


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

Alexandre não tentou reorganizar a cidade, como pretendiam Platão e Aristóteles, mas inaugurou um novo modo de governar. Nesse sentido, a sua ação contrariou profundamente as orientações que recebera de Aristóteles. MARTINS, O. S.; MELO, J. J. P. A paideia helenística. Apud ROSSI, A. L. D. O. C. (Org.). Migrações e imigrações entre saberes, culturas e religiões no mundo antigo e medieval. Assis: Unesp, 2009. p. 35.

O fragmento se refere ao governo do imperador Alexandre Magno no século IV a.C. A partir da análise do texto e considerando o contexto a que se refere, destaca-se, como uma das características do governo de Alexandre Magno, a a) ênfase na política de paz com os impérios orientais, por meio de alianças com os persas e os egípcios, colocando fim à expansão grega. b) afirmação da cultura grega como a forma de expressão aceita, estabelecendo o sofismo como base para o governo da pólis. c) adoção da religião politeísta e antropomórfica, composta de vários deuses que se assemelhavam aos homens, substituindo a adoração ao imperador. d) valorização da filosofia como fundamento da vida cívica, utilizando o estoicismo e o epicurismo para justificar a existência da pólis. e) retomada do despotismo em que a autoridade do governo era inquestionável, sepultando as conquistas de direitos que fundamentaram a democracia. 02. (UFRN) Felipe II, rei da Macedônia, conquistou a Grécia. Seu filho, Alexandre, o Grande, consolidou as conquistas do pai e expandiu o império em direção à Ásia, chegando até a Índia. Na perspectiva histórica, a obra de Alexandre e de seus sucessores imediatos foi importante porque: a) substituiu a visão mística do mundo, presente nos povos orientais, pelo reconhecimento intelectual proveniente da razão e do raciocínio lógico. b) favoreceu a difusão do modelo político das cidades-estados da Grécia pelas regiões conquistadas no Oriente, estimulando um governo fundamentado na liberdade e na democracia. c) suplantou o poder despótico predominante nos grandes impérios orientais, os quais atribuíam aos governantes uma origem divina. d) possibilitou o intercâmbio de culturas, difundindo as tradições gregas nas terras do Oriente, enquanto as mesopotâmicas, egípcias, hebraicas e persas expandiram-se para o Ocidente.

03. “Lá fica a casa de Afrodite. Pois tudo que existe pode ser encontrado no Egito: riquezas, esportes, poder, clima agradável, glória, espetáculos, filósofos, joias de ouro, belos jovens, templo dos deuses irmão e irmã, excelente rei, museu, vinho, todos os prazeres que desejais, mulheres em tão grande número que [...] o céu não pode se vangloriar de um igual número de estrelas: e são as mulheres tão bonitas quanto as deusas que, no passado, pediram a Páris para julgar quem era a mais bela.” Herondas, Mimo I, A alcoviteira, v. 26-35. In: SALLES, Catherine. Nos submundos da Antiguidade. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 42.

O texto acima é um dos mimos de Herondas, comédias que retratavam com detalhes a vida urbana, e refere-se à cidade de Alexandria no Egito. Há uma clara referência à mescla cultural entre o Ocidente e o Oriente, ao mostrar a presença da cultura grega em uma cidade localizada no Egito. O texto apresenta os elementos que caracterizaram na Grécia Antiga o período conhecido como: a) Homérico. b) Clássico. c) Minoico. d) Helenístico. 04. A conquista das cidades-Estados gregas pelo Império Macedônico, iniciando o período helenístico, ocorreu após uma guerra interna entre os gregos ter fragilizado sua defesa. Essa guerra ficou conhecida como: a) Guerras Púnicas. b) Guerras Médicas. c) Guerra do Peloponeso. d) Guerra do Golfo. e) Guerra de Troia. 05. (UFPB) O filme Alexandre representou a vida do famoso imperador da Macedônia que constituiu um grande império, incluindo a Grécia, o Egito, a Síria, a Pérsia, indo até as fronteiras com a Índia. Alexandre foi educado pelo filósofo Aristóteles e o seu registro memorável na História deve-se, além de seus feitos militares, à difusão da cultura grega nas regiões do Oriente por ele conquistadas. Esse processo histórico-cultural, conhecido como helenismo, caracterizou-se pelo(a): a) formação de uma nova cultura, sem elementos culturais gregos nem orientais b) desaparecimento das culturas orientais diante da cultura grega ou helênica c) conflito cultural irreconciliável entre a cultura grega e as culturas orientais d) desaparecimento da cultura grega diante das culturas orientais (persa e egípcia) e) constituição de uma cultura diferenciada, com elementos gregos e orientais

499

A11  Grécia: Período Helenístico

01. (UFG GO) Leia o texto a seguir.


FRENTE

A

HISTÓRIA

MÓDULO A12

ASSUNTOS ABORDADOS nn Cultura grega nn A religião grega nn Arte, arquitetura e filosofia na Grécia antiga

CULTURA GREGA A Grécia passou por um período de notável desenvolvimento artístico-cultural. Esse período constituiu o momento áureo da cultura grega, quando viveram os principais teatrólogos, filósofos, arquitetos e artistas. O século V a.C. é considerado pelos pesquisadores como o apogeu do mundo grego. Este também ficou conhecido como o Século de Péricles, líder político que governou Atenas entre 446 e 431 a.C. No governo de Péricles, contrataram-se os melhores arquitetos e escultores, os quais ergueram tribunais, mercados, templos, teatros e ginásios. Uma das obras mais expressivas desse momento é o Partenon, estrutura arquitetônica que serviu de templo destinado à deusa Palas Atena, protetora da cidade. Além disso, Péricles estimulou as artes e o teatro. Entre os dramaturgos da época destacaram-se Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes. Também no século V a.C. surgiram os primeiros relatos históricos, como as obras de Heródoto e Tucídides, que trataram das Guerras Greco-Pérsicas e da Guerra do Peloponeso. Por sua vez, a filosofia ganhou destaque com Sócrates, Platão e Aristóteles e a medicina se desenvolveu com Hipócrates. Nestas aula, trataremos da cultura grega, que refere-se não apenas às artes, às ciências e à arquitetura, mas também à religião e como influenciava o cotidiano da sociedade grega.

A religião grega Por mais que o pensamento grego tivesse por base a razão, valorizando o ser humano (antropocentrismo), a religião era algo de extrema importância para os gregos, pois eles acreditavam que as divindades influenciavam diretamente na vida dos indivíduos. A religião grega caracterizava-se pelo politeísmo antropomórfico, ou seja, cultuavam vários deuses, com formas e comportamentos semelhantes aos humano, com seus defeitos, paixões e virtudes. A única característica que distinguia os deuses dos humanos era a imortalidade, adquirida por meio de um alimento do qual se nutriam: a ambrosia.

Fonte: Wikimedia Commons

No século VIII a.C., o poeta Hesíodo reuniu essas histórias em seu poema Teogonia. Em virtude disso, hoje conhecemos um pouco mais sobre a religião da Grécia antiga. Esse compilado de mitos sobre os deuses compõe a chamada mitologia grega. Segundo a mitologia, a maioria dos deuses habitava o monte Olimpo, a maior montanha da Grécia, e cada um deles tinha um atributo especial. Havia doze divindades principais: Zeus, deus do trovão, o mais importante de todos, casado com Hera; Posêidon, irmão de Zeus e senhor dos mares; Apolo, deus da música; Hefesto, do fogo; Ares, da guerra; Hermes, deus mensageiro; Deméter, deusa da fertilidade; Atena, da sabedoria; Afrodite, do amor; Ártemis, da caça; e Héstia, deusa dos lares.

Figura 01 - Estátua de Zeus, por Fídias, escultor ateniense do século V a.C.

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Além desses, havia Eros, o deus do amor, e outras entidades, como faunos, ninfas e musas. Também tinham destaque heróis humanos, como Odisseu (ou Ulisses, herói das obras Ilíada e Odisseia), e semideuses, resultado da relação entre deuses e seres humanos. Um dos mais conhecidos semideuses era Héracles (ou Hércules), filho de Zeus com a tebana Alcmena.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Arte, arquitetura e filosofia na Grécia antiga A origem e consolidação do teatro grego podem ser relacionadas à mitologia, pois deram-se como expressão de homenagem a Dioniso (Baco, para os romanos), o deus do vinho. As tragédias gregas que tiveram mais destaque foram escritas por Ésquilo (525 a.C.-456 a.C.), Sófocles (496 a.C.-406 a.C.) e Eurípedes (484 a.C.-406 a.C.). Já na comédia antiga grega, o maior representante foi Aristófanes (445 a.C.-386 a.C.). Na arquitetura persistia uma expressão humanista, fundada em princípios como o racionalismo e a simplicidade, em busca de equilíbrio, harmonia e ordem. Um exemplo desse tipo de estrutura é o Pnix, onde se reunia a eclésia (assembleia dos cidadãos), construída a partir do aproveitamento de uma ladeira ou colina. O mesmo recurso arquitetônico foi utilizado na construção dos teatros, pois aproveitou-se a inclinação de morros e montanhas para dar suporte às arquibancadas.

No século V a.C., no apogeu ateniense, destacou-se o filósofo Sócrates. Ele não apenas criticou os sofistas, mas afirmou a existência de um conhecimento real e a capacidade de se atingi-lo por meio da prática filosófica, amparada no debate. No entanto, Sócrates foi julgado e condenado à morte por ter sido acusado de “corromper a juventude”. As ideias de Sócrates foram assimiladas por seu discípulo Platão, tido como o fundador da filosofia ocidental. Platão considerava a busca pelo conhecimento verdadeiro uma prática transcendente, indo além das informações apreendidas pelos sentidos. Para ele, esse conhecimento eterno e imutável seria obtido por meio do pensamento. Por fim, Aristóteles, que viveu no período do domínio macedônico, deu outro sentido à filosofia, dizendo que o conhecimento verdadeiro seria primordialmente captado por meio dos sentidos. As correntes fundadas por Platão e Aristóteles dominaram o debate filosófico no ocidente até por volta do final do século XVIII.

A12  Cultura grega

Fonte: Wikimedia Commons

A Grécia foi também o berço da Filosofia (palavra grega que quer dizer “amor à sabedoria”), estudo que busca explicações racionais e universais para a vida e para a humanidade. A princípio, desenvolveu-se na filosofia grega a corrente ou escola de pensamento que ficou conhecida como pré-socrática (“anterior a Sócrates”), ou dos filósofos da natureza, que procuraram explicação para os fenômenos naturais para além do mítico e do religioso.

Posteriormente, especialmente em Atenas, no contexto da democracia, surgiu a escola sofista, que se distanciou das interpretações que iam em busca da origem das coisas e passou a enfatizar a retórica. Dessa forma, os sofistas privilegiaram a expressão de opiniões a fim de atingir objetivos concretos (por exemplo na aprovação de leis). Um representante dessa escola foi Protágoras, autor da frase “O homem é a medida de todas as coisas”, colocando o ser humano no centro de qualquer análise.

Figura 02 - Teatro na Grécia antiga.

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História

Exercícios de Fixação 01. (Espm SP) Olímpia situa-se a oeste do Peloponeso, às margens do rio Alfeu. A cidade ficava localizada num vale calmo. Não era uma cidade semelhante à maioria das pólis gregas. Foi sempre uma região onde eram promovidos cultos religiosos e uma concorrida e abrangente competição esportiva. Os jogos olímpicos realizavam-se uma vez a cada quatro anos, sendo disputados durante o verão. (Claude Moussé. Dicionário da Civilização Grega)

Quanto aos Jogos Olímpicos, disputados na Grécia antiga, é correto assinalar: a) as competições eram disputadas apenas pelos eupátridas, isto é, os membros da aristocracia. b) as competições envolviam equipes de diferentes cidades, reinos e impérios, mesmo não gregos. c) a participação de atletas femininas não era vetada nos Jogos Olímpicos. d) as competições representavam o maior encontro pacífico de todos os gregos, pois iniciavam-se com a suspensão de qualquer tipo de hostilidades. e) disputas eminentemente esportivas, as festas que ocorriam durante os Jogos Olímpicos não envolviam cultos religiosos e debates políticos.

A12  Cultura grega

02. (UECE) Os Jogos Olímpicos são um evento esportivo quadrienal que prevê a competição entre os melhores atletas do mundo em diferentes modalidades esportivas. Esses jogos são inspirados nos antigos jogos que aconteciam na Grécia antiga, na cidade de Olímpia, nos quais competiam os melhores atletas gregos. No final do século XIX, o Barão Pierre de Courbetin, teve a ideia de organizar jogos símiles àqueles da Grécia; assim, os primeiros jogos ocorreram em Atenas no ano de 1896. No decorrer do século XX, os Jogos Olímpicos não ocorreram em três ocasiões, quais sejam: a) em 1916, 1940 e 1944, por causa de guerras mundiais. b) em 1972, 1996 e 2002, por causa de atentados terroristas. c) em 1960, 1976 e 1984, por causa da crise petrolífera. d) em 1929, 1952 e 1964, por causa da quebra da bolsa de valor. 03. (Puc Campinas SP) Sobre a mitologia referida no texto de Péricles Alcântara, é correto afirmar que, na pólis, a) o completo afastamento da cultura grega em relação às tradições orientais favoreceu o surgimento de mitos e lendas sobre deuses com aspectos humanos, responsáveis pelos fenômenos naturais. b) a manutenção da autonomia das cidades-Estados, sob o comando de Atenas, incentivou o desenvolvimento de crenças como as de que os deuses eram seres divinos que moravam no Monte Olimpo. c) o desenvolvimento de correntes filosóficas que faziam do problema ético o centro de suas preocupações estimulou a criação de um conjunto de crenças de que os deuses interferiam na vida dos homens.

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d) a conquista de dórios e aqueus na época da ocupação do território grego influenciou a cultura dos habitantes da região e contribuiu para a formação de instituições religiosas que deram origem à mitologia. e) as lutas civis conquistaram direitos que estabeleceram o espaço público para a discussão, para o convencimento e para a decisão racional, negando o preestabelecido e a revelação sobrenatural. 04. (Puc Campinas SP) Na Grécia Antiga, o deus que correspondia às características apontadas no texto era Dioniso, em homenagem a quem eram a) sacrificadas as bacantes, virgens que simbolizavam a fertilidade e tinham a função de servir a Dioniso na eternidade para que esse garantisse fartura, prosperidade e alegria aos homens. b) realizadas celebrações chamadas de política do pão e vinho, onde diversão e farta comida eram propiciadas aos camponeses a fim de inibir possíveis revoltas. c) dedicadas anualmente as Olimpíadas, uma vez que se considerava que não havia prazer maior do que a superação, pelo homem, de seus limites terrenos. d) atribuídas vitórias obtidas nas guerras médicas por Atenas ou Esparta, cidades-estado que competiam pelo comércio de vinho e azeite com o Oriente. e) promovidas festividades regadas a vinho, comida e apresentações artísticas, que se difundiram primeiro no meio rural e depois no meio urbano, com grande prestigio popular. 05. (FMABC SP) “A Ilíada e a Odisseia são, certamente, fruto de uma longa tradição oral em que os poetas (chamados aedos) declamavam os episódios da guerra de Troia e as aventuras de Odisseu. Esses relatos eram cantados acompanhados por música, e passados de geração em geração, tendo sofrido muitas alterações e adaptações. Só mais tarde, cerca de 550 a.C., os poemas foram escritos pela primeira vez.” Marcelo Rede. A Grécia antiga. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 16.

A partir do texto e de seus conhecimentos, pode-se afirmar que a Ilíada e a Odisseia são a) relatos que, à época, alimentavam a profunda rivalidade e os ininterruptos conflitos, hoje bastante estudados, entre gregos e troianos. b) fonte importante para os historiadores, pois acumulam informações sobre diferentes épocas e sobre o funcionamento da sociedade grega. c) registros sobre uma guerra decisiva, cuja precisão e veracidade podem ser confirmadas pela farta documentação hoje conhecida sobre Troia. d) poemas interessantes, mas inúteis para os historiadores, pois suas informações não são verdadeiras e suas bases não são científicas.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

Norberto Luiz Guarinello. A cidade na Antiguidade Clássica. São Paulo: Atual, 2006, p. 6.

É correto afirmar, a partir do texto e de seus conhecimentos, que o teatro na Grécia antiga, a) permitiu transpor as disputas políticos para o espaço ficcional, uma vez que as peças tratavam apenas de questões do presente. b) surgiu como forma de homenagear deuses e incorporou temas e preocupações presentes na mitologia. c) contribuía para integrar nobres e escravos, homens e mulheres, uma vez que todos participavam das encenações. d) demonstrava a valorização das atividades artísticas, uma vez que a dramatização era a principal disciplina na formação das crianças. 02. (Espm SP) Olímpia situa-se a oeste do Peloponeso, às margens do rio Alfeu. A cidade ficava localizada num vale calmo. Não era uma cidade semelhante à maioria das pólis gregas. Foi sempre uma região onde eram promovidos cultos religiosos e uma concorrida e abrangente competição esportiva. Os jogos olímpicos realizavam-se uma vez a cada quatro anos, sendo disputados durante o verão. (Claude Moussé. Dicionário da Civilização Grega)

Quanto aos Jogos Olímpicos, disputados na Grécia antiga, é correto assinalar: a) as competições eram disputadas apenas pelos eupátridas, isto é, os membros da aristocracia. b) as competições envolviam equipes de diferentes cidades, reinos e impérios, mesmo não gregos. c) a participação de atletas femininas não era vetada nos Jogos Olímpicos. d) as competições representavam o maior encontro pacífico de todos os gregos, pois iniciavam-se com a suspensão de qualquer tipo de hostilidades. e) disputas eminentemente esportivas, as festas que ocorriam durante os Jogos Olímpicos não envolviam cultos religiosos e debates políticos. 03. (Uepa PA) Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente. (Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17)

Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: a) oligarquia d) monarquia b) república e) plutocracia c) democracia 04. (Unicamp SP) Apenas a procriação de filhos legítimos, embora essencial, não justifica a escolha da esposa. As ambições políticas e as necessidades econômicas que as subentendem exercem um papel igualmente poderoso. Como demonstraram inúmeros estudos, os dirigentes atenienses casam-se entre si, e geralmente com o parente mais próximo possível, isto é, primos coirmãos. É sintomático que os autores antigos que nos informam sobre o casamento de homens políticos atenienses omitam os nomes das mulheres desposadas, mas nunca o nome do seu pai ou do seu marido precedente. (Adaptado de Alain Corbin e outros, História da virilidade, vol. 1. Petrópolis: Vozes, 2014, p. 62.)

Considerando o texto e a situação da mulher na Atenas clássica, podemos afirmar que se trata de uma sociedade a) na qual o casamento também tem implicações políticas e sociais. b) que, por ser democrática, dá uma atenção especial aos direitos da mulher. c) em que o amor é o critério principal para a formação de casais da elite. d) em que o direito da mulher se sobrepõe ao interesse político e social. 05. (Uniube MG) As imortais obras literárias atribuídas ao poeta Homero, “Ilíada” e “Odisseia”, são, até os dias atuais, reverenciadas como uma das mais importantes da Civilização ocidental. O que justifica toda essa consideração que a nossa cultura dedica a essas duas obras? Assinale a alternativa que explica corretamente esse fenômeno. a) As duas obras relatam o período de ouro do imperialismo ateniense na Península Balcânica anterior à Guerra do Peloponeso. b) As obras trazem elucidações importantes sobre o modo de vida e a educação espartana desenvolvida na região da Lacônia. c) Sem os relatos dessas obras, nunca conheceríamos o sofisticado estilo de vida da corte do rei Minos da ilha de Creta. d) Embora descrevam fatos ocorridos no período pré-homérico, as obras revelam informações importantes sobre a mentalidade helênica em todos os períodos dessa civilização. e) Por não apresentarem elementos que especifiquem o período em que se deram as narrativas, as obras são valorizadas como expressão literária, apresentando, porém, pouca importância histórica.

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A12  Cultura grega

01. (Fac. Direito de Franca SP) Uma das manifestações culturais mais interessantes e influentes das cidades antigas foi o teatro. Surgiu na cidade de Atenas, no século V a.C.


FRENTE

A

HISTÓRIA

Exercícios de Aprofundamento 01. (FGV SP) Na Assembleia, (...) que se reunia mais ou menos 40 vezes por ano, os atenienses discutiam e votavam os principais problemas do Estado – declaravam guerra, firmavam tratados e decidiam onde aplicar os recursos públicos. Do mais pobre sapateiro ao mais rico comerciante, todos tinham oportunidade de expressar a sua opinião, votar e exercer um cargo no governo. (Flavio de Campos e Renan Garcia Miranda, A escrita da história)

As mulheres atenienses a) tomavam parte dessa instância política, mas suas ações se limitavam aos temas relacionados com a família e a formação moral e militar dos filhos. b) não detinham prerrogativas nas atividades públicas, mas possuíam direito de voto nessa Assembleia quando a decisão envolvia guerras externas. c) participavam de todas as atividades públicas de Atenas, mas só tinham voz nessa Assembleia se estivessem acompanhadas pelo marido ou filho. d) não podiam participar dessa Assembleia, da mesma forma como não tinham direito de exercer cargos administrativos, além da restrição a herança e posse de bens. e) ganharam o direito de voz e voto nessa Assembleia a partir das reformas de Sólon, e com Clístenes seus direitos foram ampliados. 02. (ESPM SP) O Partenon é um símbolo duradouro da Grécia e da democracia.

c) Foi construído na acrópole, em Atenas, tendo como destaque o Pórtico das Cariatides. d) Foi construído na acrópole de Atenas e seu nome deriva da monumental estátua de Atena Partenos, abrigada no salão leste da construção. e) Foi construído como templo em homenagem a Zeus Olímpico, protetor da liberdade. 03. (UFMS) Leia com atenção os textos abaixo. “Tu, Sólon, encontraste uma lei para todos os homens. Ao que se diz foste o primeiro a tomar essa medida salutar e democrática, por Zeus! Vendo muitos jovens que sofriam os impulsos da natureza e se perdiam pelos maus caminhos, ele comprou mulheres e as instalou em diferentes bairros, prontas e dispostas a atender a todo mundo.” (Filemon, Os Adelfos, citado por Ateneu, XIII, 565, apud SALLES, Catherine – Nos Submundos da Antiguidade. SP: Brasiliense, 1982, p. 18).

“Os jovens de nossa cidade [Atenas] podem encontrar no lupanar belas mulheres, que podem ser vistas aquecendo-se ao sol, com o busto nu, dispostas em fileiras. Cada um pode escolher a jovem que convenha a seus gostos, esbelta ou gorda, roliça, alta, magra, jovem, velha, ainda fresca ou já bastante madura [...] Elas vos convidam a entrar e vos tratam de “avô”, se sois velhos, ou de “paizinho”, se sois jovens. E pode-se frequentar cada uma delas sem temor, sem gastar muito dinheiro, de dia ou de noite, como se preferir. [...] Temos as prostitutas para o prazer; as companheiras [“hetairas”] para os cuidados diários; e as esposas para ganharmos uma descendência legítima [...].” (Xernarco, O Pentatlon, citado por Ateneu, 568; apud SALLES, Catherine – Nos Submundos da Antiguidade. SP: Brasiliense, 1982, p. 20).

Quanto ao Partenon, é correto afirmar que: a) Foi construído em Olímpia e fazia parte de um importante santuário onde eram venerados muitos deuses. b) Situado em Delfos, fazia parte de um santuário considerado importante centro religioso e cultural, sendo conhecido por ser onde o oráculo fazia previsões. 504

Com base nos textos e nos seus conhecimentos sobre a Antiguidade Clássica, assinale a(s) afirmativa(s) correta(s). 02-04 01. Os textos indicam uma evolução dos costumes em Atenas do período clássico em relação à época homérica, época em que a mulher ocupava uma posição social totalmente submissa, da qual as tragédias de Esquilo, Sófocles e Eurípedes ainda conservavam uma lembrança. 02. Atribui-se a Sólon, considerado o pai da democracia ateniense, a compra de escravas e sua distribuição por diversas casas de prostituição, bem como a implantação de uma legislação sobre esse tipo de atividade em Atenas. 04. Ao que tudo indica, a legislação de Sólon sobre a prostituição apresentava-se como uma medida de saúde pública, destinada a conter os ardores dos jovens, para proteger a castidade das mulheres livres e para preservar a pureza da descendência dos cidadãos atenienses.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

04. (Cefet PR) A segunda guerra greco-pérsica teve seu fim na Batalha de Plateia, em 479 a.C., quando os persas foram derrotados por uma confederação de cidades gregas. Em 477 a.C., Atenas firmara com as cidades jônicas uma aliança, a Liga de Delos, para protegê-las dos persas. No início, as cidades que faziam parte da liga mantiveram sua autonomia, mas Atenas desde o primeiro momento assumiu a direção militar e a administração dos recursos que os aliados haviam depositado no templo de Apolo, em Delos. Com base nesse entendimento, analise as afirmações abaixo: I. Ao afastar-se o perigo persa, a hegemonia ateniense começou a ser discutida por algumas cidades que faziam parte da Liga do Peloponeso, à frente das quais estava Esparta. II. Os choques entre Atenas e outras cidades se tornaram cada vez mais frequentes, o que provocou a reunião da Liga do Peloponeso, cujos membros decidiram declarar guerra a Atenas. III. Os atenienses pouco fizeram para evitá-la, confiantes nas vultosas reservas de ouro, suficientes para financiar um longo conflito, e na frota de navios, imensamente superior aos rivais. IV. O exército espartano era menor e estava menos preparado que o ateniense, fazendo com que a guerra durasse pouco e não causasse grandes estragos no mundo grego. Estão corretas somente as afirmações: a) I, III e IV. d) I e IV. b) II, III e IV. e) I e II. c) I, II e III. 05. (Uenp PR) Julgue as afirmações sobre a filosofia helenista. I. É o último período da filosofia antiga, quando a pólis grega desaparece em razão de invasões sucessivas, por persas e romanos, sendo substituída pela cosmopólis, categoria de referência que altera a percepção de mundo do grego, principalmente no tocante à dimensão política. II. É um período constituído por grandes sistemas e doutrinas que apresentam explicações totalizantes da natureza, do homem, concentrando suas especulações no campo da filosofia prática, principalmente da ética. III. Surgem nesse período a filosofia estoica, o epicurismo, o ceticismo e o neoplatonismo.

Estão corretas as afirmativas: a) Todas elas. b) Apenas I e II. c) Apenas III.

d) Apenas II e III. e) Apenas I.

06. (Uenp PR) Sobre as escolas éticas do período helenístico, da antiguidade clássica da Filosofia Grega, associe a primeira com a segunda coluna e assinale e alternativa correta. I. epicurismo II. estoicismo III. ceticismo IV. ecletismo A.

B. C. D.

É uma moral hedonista. O fim supremo da vida é o prazer sensível; o critério único da moralidade é o sentimento. Os prazeres estéticos e intelectuais são como os mais altos prazeres. Visa sempre um fim último ético-ascético, sem qualquer metafísica, mesmo negativa. Se nada é verdadeiro, tudo vale unicamente. A paixão é sempre substancialmente má, pois é movimento irracional, morbo e vício da alma.

a) I – A, II – B, III – C, IV – D b) I – A, II – B, III – D, IV – C c) I – A, II – D, III – C, IV – B d) I – A, II – D, III – B, IV – C e) I – D, II – A, III – B, IV – C 07. (Uem PR) Sobre a arte na Antiguidade Clássica é correto afirmar que: 02-04 01. Por falta de registros documentais, não conhecemos o nome de nenhum produtor de imagens na Grécia Antiga. 02. Parte da chamada arte grega apresenta algumas semelhanças com os objetos produzidos em certas regiões dos continentes asiático e africano. 04. De uma maneira geral, nos templos gregos em pedra não se empregava argamassa, uma vez que os blocos eram justapostos com precisão. 08. Os templos romanos eram réplicas dos templos gregos. 16. Assim como os gregos, os romanos desconheciam a arte do retrato, contentando-se com uma representação ideal. 08. (Unesp SP) A relação estabelecida no texto entre a arquitetura grega e a arquitetura egípcia e oriental pode ser justificada pela a) circulação e comunicação entre povos da região mediterrânica e do Oriente Próximo, que facilitaram a expansão das construções em pedra. b) dominação política e militar que as cidades-estados gregas, lideradas por Esparta, impuseram ao Oriente Próximo. c) presença hegemônica de povos de origem árabe na região mediterrânica, que contribuiu para a expansão do Islamismo. d) difusão do helenismo na região mediterrânica, que assegurou a incorporação de elementos culturais dos povos dominados. e) força unificadora do cristianismo, que assegurou a integração e as recíprocas influências culturais entre a Europa e o norte da África. 505

FRENTE A  Exercícios de Aprofundamento

08. Os textos indicam as concepções particulares que os gregos da época clássica tinham do amor, bastante dissecadas por Platão e Plutarco, a partir das quais o desejo que um homem poderia sentir por uma mulher elevava-se às mais altas tendências do amor celeste sendo, portanto, altamente valorizado pelos homens cultos. 16. Entre as inúmeras modificações introduzidas por Sólon nas estruturas sociais de Atenas, há a que classificava os cidadãos do sexo masculino conforme as atribuições sexuais. Porém, esse critério não se aplicava às mulheres, que eram classificadas hierarquicamente, com base na fortuna, em classes censitárias.


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FRENTE

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HISTÓRIA Por falar nisso A sociedade medieval que se formou na Europa, do século V ao XV, possuía uma marcação clara de hierarquia entre as ordens e isso também ocorria com relação aos gêneros: masculino/ feminino. A maior parte dos trabalhos literários produzidos durante a Idade Média demonstrava supostas deficiências femininas em relação às masculinas. Representantes do clero por, teoricamente, abster-se do contato sexual com as mulheres expressavam uma visão ainda mais negativa diante de aspectos relacionados ao feminino. Segundo os textos clericais, as mulheres eram naturalmente inclinadas à luxúria e incapazes de orientar-se pela voz da razão, o que as tornava suscetíveis às tentações. Os religiosos aconselhavam os homens a manter suas esposas sob vigilância constante, assegurando sua obediência. Uma mulher não submissa colocaria em risco não apenas a sua família, mas toda a ordem da sociedade. Nem a glorificação da Virgem Maria, a partir do século XII, que era elevada acima de todas as mulheres, nem as damas do amor cortesão, a inacessível amada dos trovadores medievais, conseguiram reverter a diminuição da mulher. Apesar do que a história tradicional conta, houve muitos exemplos de mulheres que tomaram a frente, administrando residências, negócios e até mesmo feudos, principalmente durante a menor idade dos herdeiros. Em situações de guerras, na ausência dos homens, que poderiam estar viajando ou cuidando de negócios, elas podiam chegar, inclusive, a entrar em combate para defender o feudo. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas

B09 B10 B11 B12

Feudalismo: relações sociais......................................................... 508 Feudalismo: importância da religião católica................................ 513 Cultura medieval: teocentrismo cultural....................................... 517 Cultura medieval: dinamização cultural na Baixa Idade Média.... 522


FRENTE

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HISTÓRIA

MÓDULO B09

ASSUNTOS ABORDADOS nn Feudalismo: relações sociais nn Relações de produção nn Relações de suserania e vassalagem

FEUDALISMO: RELAÇÕES SOCIAIS Na Europa ocidental, durante a Idade Média, o sistema feudal era caracterizado pela sujeição da maioria da população a um pequeno grupo, dos senhores feudais; pela produção agrícola de suficiência voltada para o consumo; e pela importância da Igreja católica em todas as áreas do cotidiano. A religiosidade medieval definia as ocasiões de trabalho e de ócio, de festas, de jejuns, de atividades profanas e de dedicação ao sagrado, por aí em diante. Os ritmos de todas as instâncias do cotidiano social eram regidos por essa forma de ordenar o tempo e refletiam as características da organização feudal. Essa estrutura econômica, social, política e cultural que predominou na Europa ocidental durante a Idade Média em substituição ao escravismo greco-romano, como já dissemos, foi chamada de feudalismo. Esse sistema não era estagnado; pelo contrário. Formado na Alta Idade Média (século V ao X), a partir da Baixa Idade Média (século XI ao XV) demonstrou-se dinâmica, com o desenvolvimento das cidades e das atividades culturais e comerciais. Em muitos aspectos, assim como na cultura, outras regiões do planeta estavam em processos históricos e ritmos de desenvolvimento diferentes. As características do feudalismo também variavam de região para região, e de época para época.

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Ao mesmo tempo, povos muito próximos da Europa, como muçulmanos e bizantinos, desenvolveram outras formas de organização social e econômica, fugindo ao feudalismo. Sua unidade imperial, a organização em califados, permitiu-lhes progredir no comércio, o que lhes possibilitou grande desenvolvimento econômico e cultural, tendo Bizâncio vivido o seu auge.

Figura 01 - Pintura representando um clérigo, um cavaleiro e um servo, da esquerda para a direita.

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Ciências Humanas e suas Tecnologias

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Relações de produção O feudo, unidade de produção agrária, pertencia aos senhores feudais, que poderiam ser membros do alto clero ou da nobreza guerreira. O trabalho era desenvolvido em sistema de servidão, relação que mantinha os trabalhadores (servos, vilãos ou aldeãos) presos a terra e obrigados a uma série de deveres em impostos e serviços. Os servos muito raramente saíam do campo onde nasceram, uma vez que estavam atrelados às obrigações que tinham com o senhor do feudo. Havia dois grupos sociais principais: senhores e servos. Essa relação pode ser caracterizada como estamental, pois suas categorias eram claramente definidas e não havia mobilidade. Os servos compunham a maioria da população. É importante ressaltar que essas relações também podiam variar de acordo com a época e a região, havendo aqueles camponeses mais subordinados à servidão e submissos aos tributos e outros com mais liberdades, inclusive isentos de determinadas obrigações. A exploração do trabalho dos servos era legitimada pela Igreja. Segundo ela, cada membro da sociedade tinha uma função específica durante sua passagem pela Terra, o que favo- Figura 02 - Servos trabalhando no feudo. recia a condição subordinada dos servos. De acordo com essa afirmação, era função do camponês trabalhar, do clérigo rezar e do nobre proteger a comunidade por meio da força.

SAIBA MAIS COMO ERA A VIDA EM UM CASTELO MEDIEVAL?

B09  Feudalismo: relação sociais

Apesar de toda a imponência dessas construções, o cotidiano não era muito agradável. “Além de não contar com conveniências como água corrente ou aquecimento central, o dia a dia dos moradores era barulhento e desconfortável”, diz a historiadora britânica Lise Hull, autora do livro Scotland and the Castles of Glamorgan (“A Escócia e os Castelos de Glamorgan”). Os primeiros castelos surgiram na Europa Ocidental ainda no século IX, construídos com terra, madeira e camadas de pedras para reforçar a estrutura contra ataques. O modelo mais conhecido, o das fortificações protegidas por muralhas e cercadas por fossos alagados, apareceu na França, no século X. A arquitetura dos castelos era única: não havia dois iguais, mas a maioria deles partilhava características comuns, como a existência de um salão, de aposentos exclusivos para o senhor do castelo, de uma capela e de uma torre para os guardas. Para a maioria dos moradores, um dia típico começava ao nascer do Sol. Algumas camareiras dormiam no chão do quarto do senhor e de sua dama, cuja privacidade era garantida apenas por uma armação de tecidos em volta da cama. Depois de se vestirem, o senhor e sua família iam ao salão para tomar um café da manhã regado a pão e queijo, e logo seguiam para a missa diária na capela. O almoço, servido entre as dez da manhã e o meio-dia, incluía três ou quatro pratos principais e podia ser acompanhado por apresentações de malabaristas. Durante o dia, enquanto o senhor cuidava da administração, da justiça e da coleta de impostos do feudo, sua esposa tratava da educação dos filhos e supervisionava camareiras e cozinheiras. À noite, apenas uma leve refeição, em geral, uma sopa. Alimentados, os senhores voltavam ao quarto, enquanto os servos se espalhavam pelo chão do salão ou em câmaras no interior da torre. [...] Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/ como-era-a-vida-em-um-castelo-medieval/

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História

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Relações de suserania e vassalagem Entre os senhores feudais, havia determinados laços de benefícios e obrigações, chamados suserania e vassalagem. Esse laço se formava quando um nobre doava terras a outro, em troca de auxílio em guerras ou outras obrigações, até mesmo tributos. O senhor que doava o feudo tornava-se suserano, comprometendo-se a proteger militarmente o nobre que recebera a terra. Este último, por sua vez, tornava-se vassalo do primeiro, obrigado a lhe prestar principalmente ajuda militar. Suseranos e vassalos poderiam ter vários vassalos, de forma que os senhores feudais, nobres guerreiros de uma região, assumiam mútuos compromissos de auxílio e defesa. Um nobre poderia tornar-se suserano por outros tipos de concessão que não a doação de terras, como o direito de cobrar pedágios em pontes ou estradas, ou o recolhimento de taxas em uma determinada aldeia ou região. Essa relação de dependência era firmada em uma cerimônia, a homenagem, durante a qual o nobre recebia o benefício e fazia um juramento de fidelidade diante de uma relíquia considerada sagrada ou perante os evangelhos.

Figura 03 - Pintura representando uma cerimônia de homenagem entre vassalo e suserano.

Como havia uma fragmentação de poderes nas mãos de vários senhores, enfraquecendo-os, essas relações de suserania e vassalagem garantiam um mínimo de coesão entre o grupo social dominante, o que era necessário no enfrentamento de ameaças de subversão da ordem estabelecida, especialmente por parte dos servos.

Não era característica dos reis feudais as funções política e administrativa, e, sim, as militares. No caso de ataque externo, como era muito comum durante a Alta Idade Média, o rei atuava como chefe militar de um exército formado por nobres, cavaleiros e tropas.

Exercícios de Fixação 01. (Unesp SP) Observemos apenas que o sistema dos feudos, a feudalidade, não é, como se tem dito frequentemente, um fermento de destruição do poder. A feudalidade surge, ao contrário, para responder aos poderes vacantes. Forma a unidade de base de uma profunda reorganização dos sistemas de autoridade […]. (Jacques Le Goff. Em busca da Idade Média, 2008.)

B09  Feudalismo: relação sociais

Segundo o texto, o sistema de feudos a) representa a unificação nacional e assegura a imediata centralização do poder político. b) deriva da falência dos grandes impérios da Antiguidade e oferece uma alternativa viável para a destruição dos poderes políticos. c) impede a manifestação do poder real e elimina os resquícios autoritários herdados das monarquias antigas. d) constitui um novo quadro de alianças e jogos políticos e assegura a formação de Estados unificados.

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e) ocupa o espaço aberto pela ausência de poderes centralizados e permite a construção de uma nova ordem política. 02. (UFT TO) Durante o Feudalismo, o feudo era a base da organização econômica e social. É CORRETO afirmar que o feudo era: a) terra de uso comum a todos os servos, com distribuição igualitária. b) conjunto de pequenas propriedades para mercado externo. c) unidade produtora autossuficiente de produção e consumo. d) grande propriedade de terra reservada para a monocultura. e) extensão de terra de propriedade do Vassalo para consumo próprio e externo.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

03. (UEPG PR) O mundo medieval, predominantemente arraigado ao universo rural e à produção agrícola, conheceu um peculiar sistema de posse da terra e de relações sociais estabelecidas a partir de tal sistema. A respeito dessa questão, assinale o que for correto. 08-16 01. O clero católico não fazia parte desse sistema. Por determinação da Igreja, os padres, bispos e cardeais católicos não deveriam se envolver com questões materiais, preocupando-se apenas com as questões espirituais. 02. A posição social de um indivíduo no universo feudal não era adquirida ao nascer. Um camponês, por exemplo, poderia ascender socialmente e tornar-se um nobre caso obtivesse uma alta produção nas terras confiadas a ele por um senhor feudal. 04. Cada feudo possuía um único senhor. Nessa unidade, era permitida a formação de uma única aldeia e as terras eram cultivadas coletivamente, com o resultado da produção sendo dividido de forma parcimoniosa entre os camponeses e o senhor feudal. 08. Na prática, funcionava um sistema de escalas em que o rei concedia terra para senhores feudais, os quais a distribuíam para outros senhores (menos poderosos) e para camponeses despossuídos. Por sua vez, quem recebia a terra, ou o direito de nela trabalhar, jurava fidelidade a seu senhor. 16. Os camponeses (ou servos), apesar de não receberem a posse da terra, estavam presos a ela e submetidos ao poder do senhor feudal. Isso configura o princípio de uma sociedade estamental, típica do mundo medieval.

05. (Fac. Cultura Inglesa SP) Em torno de 1030, os clérigos do norte da França proclamaram que, de acordo com os desígnios divinos, os homens estão divididos em três categorias, os que rezam, os que combatem e os que trabalham, e que a concórdia entre eles baseia-se numa troca mútua de serviços.

04. (Unitau SP) A Europa conheceu então uma organização econômica, social e política comum: o feudalismo. Nos territórios chamados senhorias, os nobres – os senhores –, que moravam muitas vezes nos castelos-fortes, dominavam uma população de chefes de família nobres menos poderosos, os vassalos, e uma massa de camponeses. O mais importante eram as relações de homem a homem, a fidelidade ao senhor em troca de sua proteção.

In: LE GOFF, Jacques. As Raízes Medievais da Europa. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 2007, p. 13/14.

Sobre a organização feudal descrita acima, pode-se afirmar: a) Formou-se apenas nas relações estabelecidas entre os homens, de maneira que, para o trabalho, as mulheres não eram consideradas nessa sociedade. b) Os relacionamentos interpessoais, entre homens de uma mesma ordem ou de ordens diferentes, eram a base da organização social. c) No feudalismo, nobres, vassalos e camponeses dividiam o poder sobre o feudo. d) Nesse sistema, os nobres eram os senhores dos feudos, seguidos hierarquicamente pelos camponeses, que se caracterizavam como vassalos. e) Caracterizava-se como uma sociedade na qual os camponeses eram, na estrutura social, os mais importantes, pois deles vinha o sustento do feudo.

No trecho transcrito, o historiador Georges Duby descreve a a) oposição da Igreja medieval à exploração dos servos pela nobreza. b) razão econômica da baixa produtividade da agricultura medieval. c) submissão dos sacerdotes cristãos ao poderio militar dos nobres medievais. d) divisão igualitária da riqueza produzida pelos camponeses medievais. e) maneira como eram justificadas as divisões sociais na Idade Média. 06. (Unioeste PR) “A Idade Média pôs em evidência, por muitas vezes constituir as características reais ou problemáticas da Europa: a imbricação de uma unidade potencial com uma diversidade fundamental, a mestiçagem das populações, as divisões e oposições Oeste-Leste e Norte-Sul, a indecisão da fronteira oriental, a primazia unificadora da cultura (...). A formação dessas mentalidades, desse imaginário, particularmente vivo na Idade Média, é um caráter essencial da gênese da Europa como realidade e como ideia”.

Tomando por base a citação acima, assinale a alternativa INCORRETA. a) Um dos principais fenômenos iniciais desse período é o processo de ruralização em contraposição ao urbanismo do Império Romano. Apesar da conservação de alguns poucos centros urbanos, em vez da cidade, a urbs, a villa passa a ser o centro da vida econômica e social. b) A Europa Medieval é herdeira do Império Romano e a primeira herança desta Antiguidade é a língua. Antes do aparecimento das chamadas “línguas vulgares” no século X, o conhecimento científico e filosófico é divulgado em latim. c) Em meados do século X, as conquistas e anexações do rei da Germânia, Oto I, retomam o sonho da chamada unidade imperial desejada por Carlos Magno. As proezas de Oto servem de alicerce para o que mais tarde será o Sacro Império Romano Germânico. d) A chamada ‘Alta Idade Média’ representa o período da transição do feudalismo para o capitalismo. e) Entre os séculos XI e XII, assistimos ao advento de uma política de perseguições, direcionada principalmente para dois grupos: os hereges, reprimidos pelas atuações do papa Inocêncio III; e os judeus.

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B09  Feudalismo: relação sociais

LE GOFF, Jacques. Uma breve história da Europa. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008. p.75.

(Georges Duby. Arte e sociedade na Idade Média, 1997. Adaptado.)


História Questão 01. a) No contexto das relações familiares, o texto aponta para os papéis de filha, esposa e mãe. Nesse espaço, devem estar submetidas aos valores cristãos, preconizados pela Igreja, de submissão ao universo masculino. Ainda no contexto religioso, associado ao papel da Virgem Maria na afirmação do modelo cristão medieval, assumiam papel central, seja nas relações domésticas ou no papel de beatas, na construção da identidade medieval. b) O modelo hierarquizado medieval, marcado pelo predomínio político e econômico dos homens, seja como sacerdotes ou como guerreiros, marginalizava a mulher das estruturas de poder. Nesse modelo patriarcal, ocorria uma assimetria que submetia as questões de gênero a um modelo cristão. Isso restringia a mulher às esferas domésticas e subalternas nas estruturas do clero.

Exercícios Complementares 01. (Fuvest SP) No século XII, padres e guerreiros esperavam da dama que, depois de ter sido filha dócil, esposa clemente, mãe fecunda, ela fornecesse em sua velhice, pelo fervor de sua piedade e pelo rigor de suas renúncias, algum bafio de santidade a casa que a acolhera. Ela, por certo, era dominada. Entretanto, era dotada de um singular poder por esses homens que a temiam, que se tranquilizavam clamando bem alto sua superioridade nativa, que a julgavam, contudo, capaz de curar os corpos, de salvar as almas, e que se entregavam nas mãos das mulheres para que seus despojos carnais depois de seu último suspiro fossem convenientemente preparados e sua memória fielmente conservada pelos séculos dos séculos. Georges Duby, Damas do século XII. Adaptado.

A partir do texto, a) identifique dois papéis sociais exercidos pelas mulheres na Idade Média; b) associe as relações entre homens e mulheres à estrutura social na Idade Média. 02. (Fac. Direito de Franca SP) “A Idade Média (...) repousa sobre a terra. A Idade Média é rural. É sobre essa ruralidade que se articula o conjunto de outras redes.” Jacques Le Goff. Em busca da Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 156.

A frase pode ser considerada correta, entre outros motivos, porque a) a organização social, na Idade Média, baseava-se na relação dos diversos grupos sociais com a posse ou uso da terra. b) a economia medieval é baseada na produção agrícola em larga escala, destinada à exportação. c) as cidades desapareceram na Idade Média e todas as pessoas se transferiram para o campo. d) as atividades rurais, na Idade Média, ofereciam os capitais necessários para o desenvolvimento da grande indústria. e) a sociedade medieval retomava valores greco-romanos e idealizava a vida nos campos.

B09  Feudalismo: relação sociais

03. (Unisc RS) Observe o gráfico sobre o aumento populacional na Europa.

512

O gráfico acima demonstra o aumento populacional na Europa medieval feudal. Entre os motivos desse aumento é incorreto afirmar que a) a população na Europa aumentou entre os anos de 800 a 1 300 por causa da diminuição das pestes, as quais foram reduzidas em função do relativo isolamento vivido até esse momento. b) durante o período do feudalismo diminuíram as invasões estrangeiras e as guerras tornaram-se menos mortíferas. c) ocorreu por causa da abundância de recursos naturais fortalecida pela baixa densidade demográfica que permitiu que grandes áreas ficassem abandonadas, recuperando sua fertilidade. d) houve uma melhoria na dieta, com maior oferta de alimentos, em função das novas tecnologias criadas nessa época, contribuindo para uma queda na mortalidade. e) o aumento populacional ocorreu exclusivamente por causa do fim das invasões bárbaras, até mesmo porque, a Rotação de Culturas e as inovações tecnológicas só ocorreram depois do século XV. 04. (IF GO) Na Europa, durante a preponderância do modo de produção feudal no Período Medieval, é correto afirmar que houve a) predomínio de economia monetária, do trabalho assalariado e das atividades econômicas mercantis. b) poder político centralizado na figura do monarca, status social definido pela origem de nascimento e predomínio de economia monetária. c) liberdade religiosa e de pensamento, organização social fundamentada nas atividades urbanas e mercantis. d) predomínio de população rural, de atividades econômicas agrárias e de trabalho servil. e) sociedade estamental e predomínio de economia monetária e da urbanização da economia. 05. (UCS RS) A Idade Média, na Europa, foi caracterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado feudalismo. Assinale a alternativa que apresenta de forma correta características do sistema feudal. a) As terras dividiam-se em reservas senhoris e mansos servis. A sociedade era estamental, sem mobilidade social. b) A política feudal não proporcionava autonomia aos feudos, sendo, portanto, centralizada. c) A cultura feudal foi antropocêntrica, ou seja, baseada na visão do homem como centro do Universo. d) A principal forma de trabalho foi a escravidão, pois os trabalhadores rurais eram tratados como mercadorias. e) O feudalismo apresentou características semelhantes em todo território europeu, sendo a Inglaterra o modelo mais exemplar.


FRENTE

B

HISTÓRIA

MÓDULO B10

FEUDALISMO: IMPORTÂNCIA DA RELIGIÃO CATÓLICA O triunfo do cristianismo contribuiu para a intensa religiosidade que marcou a Idade Média. Durante o período de desagregação do Império Romano do Ocidente, a Igreja começou a se organizar com o objetivo de zelar pela unidade dos princípios da religião cristã e promover a conversão dos povos pagãos.

ASSUNTOS ABORDADOS nn Feudalismo: importância da re-

ligião católica

nn As posses da Igreja e influências mundanas nn As primeiras crises da Igreja

Os membros da Igreja medieval estavam presentes em todos os níveis sociais e pregavam valores como a passividade e subordinação dos servos perante o senhor, tanto o senhor espiritual (clérigo), que tinha a função de proteger as almas, quanto o senhor do feudo (nobre), responsável por proteger a integridade física. A Igreja organizava-se em províncias e dioceses, regidas, respectivamente, por um arcebispo ou por um patriarca, de acordo com a região, e por um bispo. Abaixo deles estavam os diáconos, que lhes davam assistência e acudiam os doentes; e as comunidades rurais de cada diocese eram assistidas pelos padres.

O poder da Igreja não se restringia apenas ao plano espiritual, por mais que este fosse extremamente importante nas sociedades medievais. Ela também possuía poder temporal, tendo pouco a pouco se transformado na maior proprietária de terras da Idade Média, fortalecendo seus vínculos com a estrutura feudal. Além do poder terreno, ou temporal, a Igreja tinha o domínio quase completo sobre a vida espiritual da população. A fim de garantir esse domínio, seus representantes afirmavam que só ela podia absolver os pecados, assegurando a salvação na vida eterna.

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Esses eclesiásticos, junto com o patriarca de Roma (que foi chamado de papa a partir do século V), que estava no topo da hierarquia, formavam o clero. De acordo com a doutrina da Igreja, o patriarca de Roma, alojado no palácio de Latrão, atualmente o Vaticano, era sucessor direto de São Pedro, apóstolo a quem Jesus Cristo teria confiado a missão de edificar sua Igreja na Terra.

Figura 01 - Pintura representando membros do clero.

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História

As posses da Igreja e influências mundanas

Fonte: Wikimedia Commons

Embora a Igreja tivesse a função de cuidar da vida espiritual e da difusão da fé cristã, ela fazia parte do sistema feudal, reproduzindo-se em seu interior as características desse sistema. Por exemplo, o alto clero possuía o mesmo prestígio social que a nobreza, devido ao seu acesso à terra e a outros bens materiais. Por isso, também estava aberta a influências mundanas e vulnerável à corrupção. Além dos territórios controlados pelo papa (considerados Patrimônio de São Pedro), o alto clero e muitas ordens religiosas possuíam feudos. O celibato, instituído nos primeiros séculos da religião cristã e rigorosamente aplicado a partir do século XI, resultava na manutenção do patrimônio do clero, durante a Idade Média, ao impossibilitar a divisão entre possíveis herdeiros dos membros do clero. No entanto, as regras canônicas eram constantemente ignoradas, pois muitos padres eram casados ou tinham amantes. Muitas vezes, cargos religiosos como os de bispo e arcebispo eram vendidos aos nobres mais interessados nos bens da instituição do que em seguir e promover a doutrina cristã.

Figura 02 - Monges medievais (clero regular) durante refeição.

Fonte: Wikimedia Commons

As primeiras crises da Igreja

O crescente apego de parte do clero a terra e aos bens materiais gerou reações dentro da própria Igreja. Dessa forma, as ordens religiosas procuravam afastar seus membros das tentações do mundo, isolando-os em mosteiros e abadias e impondo votos de castidade, pobreza e silêncio. A partir de então, distinguiu-se o clero secular (que vivia no saeculum, no “mundo”, em contato com a terra, a administração e a exploração das riquezas) do clero regular (que vivia de acordo com a regula, as “regras”, como eram chamados os votos que os religiosos faziam).

B10  Feudalismo: importância da religião católica

Em 1059, no Concílio de Latrão, o papa Nicolau II confirmou o celibato dos padres, proibiu que bispos fossem indicados por reis sem autorização do papa e estabeleceu que os mais altos representantes da Igreja (papas) só seriam eleitos por um colégio de doze cardeais escolhidos entre os mais altos dignitários eclesiásticos. Apesar de todo o seu poder de influência na sociedade, a Igreja medieval teve dificuldades para manter unificada a doutrina cristã. Não era incomum a existência de seitas e facções que, por mais que fossem fundadas nos princípios cristãos, contrariavam a doutrina oficial da Igreja católica. Era o surgimento das chamadas heresias. Os atritos com a Igreja bizantina também constituíram fator de ameaça ao poderio da Igreja com sede em Roma, o que culminou, em 1054, no Cisma do Oriente, separando a Igreja Católica em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Figura 03 - O papa Honório III ouve o sermão do frade São Francisco.

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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios de Fixação

DUBY, G. Ano 1000, Ano 2000. Na pista de nossos medos. Trad. Eugênio Michel da Silva e Maria Regina L. Borges-Osório. São Paulo: Editora UNESP, 1998.

Segundo o texto de G. Duby, o batismo de Rollon é nitidamente a) um ato político. b) uma necessidade para o casamento. c) uma reivindicação de nacionalidade. d) um aprendizado da língua latina. 02. (UECE) No ano de 2006, os líderes religiosos, o Papa Católico Bento XVI e o Patriarca Ecumênico Ortodoxo Bartolomeu I, encontraram-se em Istambul, na Turquia. O encontro marcou a reaproximação entre Católicos e Ortodoxos, e renovou os compromissos em continuar o caminho da unidade dos cristãos e o diálogo entre ambas as religiões. A ruptura entre Católicos e Ortodoxos a) ocorreu em 330 com a transferência da capital do Império Romano para Constantinopla. b) foi conduzida pelo Imperador bizantino Justiniano, que governou entre 527 e 565. c) deu-se devido às desavenças entre católicos e o poder imperial, pela cobrança de indulgências. d) aconteceu em 1054 e ficou conhecida como Cisma do Oriente. 03. (Enem MEC) A casa de Deus, que acreditam una, está, portanto, dividida em três: uns oram, outros combatem, outros, enfim, trabalham. Essas três partes que coexistem não suportam ser separadas; os serviços prestados por uma são a condição das obras das outras duas; cada uma por sua vez encarrega-se de aliviar o conjunto. Assim a lei pode triunfar e o mundo gozar da paz. ALDALBERON DE LAON. In: SPINOSA, F. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981.

A ideologia apresentada por Aldalberon de Laon foi produzida durante a Idade Média. Um objetivo de tal ideologia e um processo que a ela se opôs estão indicados, respectivamente, em:

a) Justificar a dominação estamental / revoltas camponesas. b) Subverter a hierarquia social / centralização monárquica. c) Impedir a igualdade jurídica / revoluções burguesas. d) Controlar a exploração econômica / unificação monetária. e) Questionar a ordem divina / Reforma Católica. 04. (Uesb BA) A casa de Deus, que se crê una, está assim dividida em três: uns oram, outros combatem, e os outros, enfim, trabalham. Essas três partes que coexistem não sofrem com sua disjunção; os serviços prestados por uma são a condição da obra das outras; e cada uma, por sua vez, encarrega-se de aliviar o todo. (BRAICK; MOTA, 2010, p. 144). BRAICK, P.; MOTA, M. B.História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Moderna, v. 1, 2010.

O fragmento de texto do bispo Adalberón de Laon, escrito em 1030, 01 01. expressa a ideologia religiosa da Idade Média, que justificava a divisão da sociedade em ordens superpostas de difícil mobilidade. 02. entra em contradição com a atuação das Cruzadas, que submetiam nobres e camponeses a trabalhos iguais durante suas campanhas. 03. fortaleceu a mensagem das ordens religiosas que pregavam a pobreza, o trabalho manual e o sustento próprio de cada monge. 04. fundamentou o fortalecimento das monarquias absolutistas e seu desligamento definitivo do poder da Igreja, na Baixa Idade Média. 05. explica a submissão da classe camponesa europeia, nas Idades Média e Moderna, fazendo-a aceitar passivamente sua expulsão das terras feudais. 05. (Uea AM) A Igreja, em torno de 1030, proclamou que, segundo o plano divino, os homens dividiam-se em três categorias: os que rezam, os que combatem, os que trabalham, e que a concórdia reside na troca de auxílios entre eles. Os trabalhadores mantêm, com sua atividade, os guerreiros, que os defendem, e os homens da Igreja, que os conduzem à salvação. Assim a Igreja defendia, de maneira lúcida, o sistema político baseado na senhoria. (Georges Duby. Arte e sociedade na Idade Média, 1997. Adaptado.)

Segundo essa definição do universo social, feita pela Igreja cristã da Idade Média, a sociedade medieval era considerada a) injusta e imperfeita, na medida em que as atividades dos servos os protegiam dos riscos a que estavam submetidos os demais grupos sociais. b) perfeita, porque era sustentada pelas atividades econômicas da agricultura, do comércio e da indústria. c) sagrada, contendo três grupos sociais que deveriam contribuir para o congraçamento dos homens. d) dinâmica e mutável, na medida em que estava dividida entre três estamentos sociais distintos e rivais. e) guerreira, cabendo à Igreja e aos trabalhadores rurais a participação direta nas lutas e empreitadas militares dos cavaleiros.

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B10  Feudalismo: importância da religião católica

01. (UECE) “A primeira maneira de integrar-se é tornar-se cristão. Assim, no início do século X, o chefe normando Rollon aceita ser batizado. Ele muda de nome, adotando o de seu padrinho, Robert. Com ele, todos os guerreiros que o cercam mergulham nas águas do batismo. Por volta do ano 1 000, o duque da Normandia chama um homem que sabia escrever bem o latim, formado nas melhores escolas – o portador da cultura carolíngia mais pura. Encomenda-lhe uma história dos normandos. Nela vemos como se deu a integração, ao menos, entre os aristocratas. Eles firmaram com as famílias dos países francos, casamentos que foram, com o cristianismo, o fator essencial do enfraquecimento das disparidades étnicas e culturais. Tornavam-se realmente participantes da comunidade do povo de Deus assim que começassem a compreender alguns rudimentos de latim e se pusessem a construir igrejas na tradição carolíngia.”


História

Exercícios Complementares 01. (Uea AM) A Igreja não domina pelas armas, ela domina pelas palavras. Ela ensina dogmas, regras, princípios que cada um deve aplicar sem hesitar ou reclamar. Para melhor persuadir, ela recorre à imagem, à imaginária pedagógica que decora as portadas da igreja. (Georges Duby. A Europa na Idade Média, 1984. Adaptado.)

O texto destaca a importância do uso das imagens na difusão do cristianismo durante a Idade Média. Tal uso a) ocorreu apenas no período medieval devido ao grande número de analfabetos na população europeia. b) resultou da influência da religião muçulmana sobre os cristãos, ocorrida após a chegada dos árabes à Europa. c) desenvolveu uma cultura dos sentidos específica e característica das cerimônias e dos cultos católicos. d) impossibilitou a expansão da fé cristã nas regiões europeias ocupadas e dominadas pelos povos bárbaros. e) produziu uma ruptura acentuada com a tradição artística da Antiguidade clássica, que jamais recorreu ao uso de imagens.

B10  Feudalismo: importância da religião católica

02. (UFRGS) Sobre o sistema feudal na Idade Média, é correto afirmar que a) a economia é agrícola e pastoril, descentralizada e voltada para o mercado externo. b) a sociedade estrutura-se como uma pirâmide, cuja base é formada pelos servos; o meio, pela nobreza; e a parte superior, pelo clero. c) a burguesia é a classe social econômica e politicamente mais poderosa. d) a Igreja Católica consolida seu poder após o declínio do feudalismo. e) a suserania e a vassalagem constituem-se em relações políticas entre os servos e os membros do clero. 03. (UEPG PR) O universo mental, cultural e espiritual da Idade Média foi fortemente influenciado pela Igreja Católica, instituição que, por conta disso, exerceu grande poder nesse período histórico. A respeito da Igreja Católica medieval, assinale o que for correto. 01-04-08-16 01. Os sacerdotes católicos dividiam-se entre o clero regular (religiosos que viviam nos Mosteiros e obedeciam às regras de suas ordens) e o clero secular (religiosos que viviam fora dos mosteiros). 02. As pinturas e as esculturas medievais foram, em grande parte, produzidas nos mosteiros e valorizavam, especialmente, a visão antropocentrista de mundo. 04. Expedições militares que tinham como objetivo libertar Jerusalém do domínio muçulmano, as Cruzadas foram organizadas a partir do desejo da Igreja Católica em levar adiante a “guerra santa” contra os hereges. 08. Os monges copistas exerceram um importante papel: copiar e guardar obras clássicas das civilizações antigas.

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16. O Tribunal da Inquisição foi montado pela Igreja Católica com o objetivo de descobrir e julgar os chamados hereges (pessoas que, de alguma maneira, não se adequavam aos dogmas da Igreja). 04. (Unesp SP) Os homens da Idade Média estavam persuadidos de que a terra era o centro do Universo e que Deus tinha criado apenas um homem e uma mulher, Adão e Eva, e seus descendentes. Não imaginavam que existissem outros espaços habitados. O que viam no céu, o movimento regular da maioria dos astros, era a imagem do que havia de mais próximo no plano divino de organização. (Georges Duby. Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, 1998. Adaptado.)

O texto revela, em relação à Idade Média ocidental, a) o prevalecimento de uma mentalidade fortemente religiosa, indicativa da força e da influência do cristianismo. b) a consciência da própria gênese e origem, resultante das pesquisas históricas e científicas realizadas na Grécia Antiga. c) o esforço de compreensão racionalista dos fenômenos naturais, base do pensamento humanista. d) a construção de um pensamento mítico, provavelmente originário dos contatos com povos nativos da Ásia e do Norte da África. e) a presença de esforços constantes de predição do futuro, provavelmente oriundos das crenças dos primeiros habitantes do continente. 05. (Unirg TO) Para o famoso historiador Jacques Le Goff, destacavam- se na sociedade medieval quatro personagens: os santos, os reis, os papas e os teólogos. Ele afirma que “Os santos são uma novidade, uma criação do cristianismo; os reis são uma nova figura de chefe político; os Papas lideram a Igreja cristã; os teólogos substituem os filósofos da Antiguidade. Portanto, Deus como criador da Humanidade e do mundo é o principal mote do pensamento da época.” (Jornal O Globo, 05/04/2014. Disponível em: http://oglobo.globo.com/ blogs/prosa/posts/2014/04/05/, consultado em 29/04/2015).

Dessa caracterização, pode-se deduzir corretamente que: a) O feudalismo foi um sistema que contribuiu para unificar os guerreiros, os sacerdotes e os trabalhadores em torno de um ideal comum. b) A igreja católica tinha uma função pública fundamental na sociedade medieval, controlando a cultura e política em geral. c) Os papas, enquanto representantes de Deus, não detinham poder político, que era pertinente aos reis na administração dos feudos. d) O feudalismo foi um regime igualitário no qual Deus garantia a distribuição justa das terras e das funções sociais de cada corporação.


FRENTE

B

HISTÓRIA

MÓDULO B11

CULTURA MEDIEVAL: TEOCENTRISMO CULTURAL As sociedades da Idade Média davam significados diferentes aos acontecimentos, o que não significa que estavam estagnadas ou atrasadas culturalmente. A Igreja detinha um monopólio cultural, devido ao intenso clima de religiosidade, o que, por sua vez, refletiu na mentalidade e imaginário da época, inevitavelmente, influenciando nas artes, o que foi chamado teocentrismo cultural.

ASSUNTOS ABORDADOS nn Cultura medieval: teocentrismo

cultural

nn Educação, filosofia e literatura nn Arquitetura, matemática e conhecimentos afins

Na Europa cristã, durante a Baixa Idade Média, entre os séculos V e X, apenas uma pequena parcela da população dominava a leitura. A língua escrita era o latim, e as pessoas se comunicavam por meio de dialetos derivados do latim ou de idiomas de origem germânica. Por isso, a pintura e a escultura europeias possuíam importante papel educativo e contemplativo, da visão da Igreja católica. Dessa forma, nos mosteiros e igrejas geralmente eram encontrados esculturas e murais e os monges copistas adornavam os livros com ilustrações, as chamadas iluminuras. Os monges se enquadravam na fração letrada da sociedade medieval e dedicavam-se à cópia manual e redação de livros. Esse trabalho era realizado com perfeição e podia demorar anos. Após a finalização dos manuscritos, esses eram trancafiados a fim de mantê-los em segurança.

Fonte: Wikimedia Commons

Essa camada do clero também se dedicava ao ensino, ministrando aulas nas escolas, localizadas junto aos mosteiros. As aulas eram frequentadas por futuros religiosos, porém, progressivamente percebeu-se a inserção de alguns nobres e comerciantes ricos. Nessa sessão, vamos perceber que, na verdade, não houve um obscurecimento ou apagamento da cultura e ciência. Mesmo que todas as manifestações artísticas contivessem elementos da religiosidade, não deixavam de demonstrar diversos aspectos de racionalidade e autonomia de pensamento, principalmente no mundo árabe. Figura 01 - Gravura representando monge copista trabalhando.

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História

Educação, filosofia e literatura Na Alta Idade Média, a educação ficou restrita principalmente ao meio clerical. Durante o período merovíngio do Império Franco, a Igreja manteve escolas episcopais para formação do sacerdócio, enquanto nos mosteiros realizavam a cópia de documentos e de alguns livros das civilizações grega e romana e, mais tarde, também da árabe. Dessa forma, um dos principais filósofos medievais foi um religioso do Baixo Império Romano, preocupado com temas ligados à doutrina cristã – Santo Agostinho (354430). Santo Agostinho nasceu no norte da África e estudou em Cartago e Roma. Foi um dos intelectuais responsáveis pela síntese entre filosofia clássica e cristianismo.

B11  Cultura medieval: teocentrismo cultural

Fonte: Wikimedia Commons

Influenciado pela obra do filósofo grego Platão, Agostinho preocupou-se com a forma de alcançar a salvação da alma. Afirmava que a humanidade era corrompida e, portanto, imperfeita, e afirmava não haver modo de garantir a salvação se não pela intervenção divina e pelo perdão de Deus. Ao homem restava apenas a fé em Deus e, consequentemente, a obediência ao clero, já que este era predestinado ou à salvação ou à condenação.

Figura 02 - Santo Agostinho ensinando em Roma (1464-1465), de Bonozzo Gozzoli.

Pensadores islâmicos também se destacaram no campo da filosofia, nesse período. Um deles foi Ibn Rochd (Averróis), que promoveu uma apresentação clara e organizada do pensamento de Aristóteles. Para ele, o pensamento permitia harmonizar fé e razão e reivindicar o desenvolvimento autônomo da Filosofia. É importante perceber a particularidade desse tipo de concepção, em uma época em que o aspecto religioso era essencial em todas as instâncias da vida cotidiana, seja na Europa, no Império Islâmico ou no Império Bizantino. 518


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Fonte: Wikimedia Commons

Além de Averróis, destacou-se Abu Hatim Alrazi, conhecido como Razi pelos povos latinos. Ele viveu entre os séculos IX e X. Razi afirmava que os profetas eram impostores, os textos sagrados mitos que prejudicavam a inteligência e as religiões eram pretexto para guerras e obscurecimento mental. Suas obras só foram divulgadas na Europa no Século XVIII, durante o Iluminismo – movimento humanista de valorização da razão em detrimento da religião. Apenas fragmentos da obra de Razi chegaram até os dias atuais. O Império Islâmico viveu o amplo desenvolvimento das manifestações artísticas e culturais. Isso também pode ser observado em obras literárias como As mil e uma noites, uma compilação de contos populares de várias origens, reunidos a partir do século IX.

Arquitetura, matemática e conhecimentos afins A arquitetura medieval também refletiu a religiosidade da Alta Idade Média. Os principais monumentos do período eram as igrejas, de estilo predominantemente românico, tendo seu máximo desenvolvimento entre os séculos XI e XII, na construção de castelos, mosteiros e igrejas. Uma característica desse estilo era a simplicidade dos detalhes do exterior e do interior das estruturas, cujas curvas eram baseadas no arco romano, semicircular.

Figura 03 - Gravura representando Abu Hatim Alrazi.

Em algumas partes da Europa, pode-se perceber, também, estilos arquitetônicos advindos de outras culturas. Os palácios e mesquitas construídos na Espanha muçulmana, como a Mesquita de Córdoba ou o Palácio de Alhambra, em Granada, são exemplos culturais da civilização muçulmana naquele momento. Os bizantinos e, principalmente, os árabes se destacaram ainda em Astronomia, Medicina, Matemática e Física. Toda a nossa matemática está sustentada nos algarismos que chamamos de arábicos, que apesar de terem sido criados na Índia, foram divulgados pelos árabes.

Exercícios de Fixação

VILLON, F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC, 1999.

Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de a) redefinir o gosto dos cristãos. b) incorporar ideais heréticos. c) educar os fiéis por meio do olhar. d) divulgar a genialidade dos artistas católicos. e) valorizar esteticamente os templos religiosos.

02. (Uepa PA) Doc. 01 Na maior parte das obras produzidas ao longo da Idade Média, existe um único plano. A ausência de profundidade nas pinturas medievais não é fruto de um desconhecimento técnico, mas de intensa religiosidade. [...] Para o homem medieval, o espaço era uma dimensão divina, não material, e que não poderia, portanto ser representado. Deus era concebido simultaneamente, entidade onisciente capaz de ver tudo e a todos ao mesmo tempo [...] muitas imagens representavam uma série de ações em um mesmo plano. O protagonismo dos personagens era dado pelo tamanho: quanto maior a imagem, maior a sua importância”. (BRAICK, Patrícia Ramos & MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. Das origens da Humanidade às reformas Religiosas. São Paulo: Moderna, 2010. p. 184.)

519

B11  Cultura medieval: teocentrismo cultural

01. (Enem MEC) Sou uma pobre e velha mulher, Muito ignorante, que nem sabe ler. Mostraram-me na igreja da minha terra Um Paraíso com harpas pintado E o Inferno onde fervem almas danadas, Um enche-me de júbilo, o outro me aterra.


História

Doc. 02

B11  Cultura medieval: teocentrismo cultural

Os documentos 01 e 02 são referências às pinturas medievais. A concepção de mundo que se apreende desses documentos identifica-se com o: a) Estoicismo, que enfatizava o desprezo aos prazeres do corpo e a valorização das virtudes e da alma. b) Antropocentrismo, que formulava os conceitos de arte a partir da centralidade do homem e da ciência. c) Helenismo, que influenciou na formulação de conceitos humanistas adequados tanto para a pintura quanto para a arquitetura. d) Teocentrismo, pelo qual o conceito de Deus encontra-se na centralidade da compreensão de tempo e de espaço na Idade Média. e) Hedonismo, que desprezava os princípios da concepção teológica da divindade cristã onisciente e apegava-se à ideia pagã dos deuses romanos. 03. (UEPG PR) O universo mental, cultural e espiritual da Idade Média foi fortemente influenciado pela Igreja Católica, instituição que, por conta disso, exerceu grande poder nesse período histórico. A respeito da Igreja Católica medieval, assinale o que for correto. 01. Os sacerdotes católicos dividiam-se entre o clero regular (religiosos que viviam nos Mosteiros e obedeciam às regras de suas ordens) e o clero secular (religiosos que viviam fora dos mosteiros). 02. As pinturas e as esculturas medievais foram, em grande parte, produzidas nos mosteiros e valorizavam, especialmente, a visão antropocentrista de mundo. 04. Expedições militares que tinham como objetivo libertar Jerusalém do domínio muçulmano, as Cruzadas foram organizadas a partir do desejo da Igreja Católica em levar adiante a “guerra santa” contra os hereges. 08. Os monges copistas exerceram um importante papel: copiar e guardar obras clássicas das civilizações antigas. 16. O Tribunal da Inquisição foi montado pela Igreja Católica com o objetivo de descobrir e julgar os chamados hereges (pessoas que, de alguma maneira, não se adequavam aos 01-04-08-16 dogmas da Igreja). 520

04. (UFPR) Um dos exemplos de cultura produzida durante o período do império islâmico foi o “Cânone de Medicina”, escrito pelo médico e filósofo muçulmano Avicena entre 1012 e 1015. Esta obra sintetizou elementos da literatura médica siríaca, helenística e bizantina, e foi muito empregada por sábios ocidentais até o século XVII. Sobre o império islâmico no período do século VII a XV, considerando o exemplo da obra de Avicena, é correto afirmar que: a) O império islâmico permitiu uma grande circulação de culturas da Europa até a China, devido a sua relativa tolerância religiosa e a seu incentivo à assimilação e transmissão de conhecimentos dos diferentes povos conquistados, como atesta a obra de Avicena. b) O império islâmico permitiu grande circulação cultural por se expandir lentamente durante sua existência, ao ritmo da conversão e assimilação dos povos e das culturas da Europa à Ásia, devido à estratégia de não violência e de tolerância religiosa pregada pelo Corão, e presente na obra de Avicena. c) O império islâmico permitiu uma grande circulação de culturas da Europa à China devido à sua rápida expansão em menos de um século com o apoio de exércitos cristãos, o que explica a presença de obras como a de Avicena em território europeu cristão. d) Durante seu apogeu, o império islâmico restringiu a circulação de obras europeias cristãs em territórios muçulmanos e impôs a adoção de obras científicas islâmicas, como a de Avicena, ao povos não islâmicos. e) O império islâmico, durante seu apogeu, incentivou a busca pelo conhecimento científico nos territórios conquistados, como atesta a obra de Avicena, mas não logrou sucesso na Europa ocidental, devido ao bloqueio religioso estabelecido pela Igreja Católica. 05. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações acerca das relações entre o Oriente e o Ocidente no mundo medieval. I.

Uma das causas da queda do Império Romano do Ocidente foi a expansão do islamismo pelo território da Europa ocidental. II. A cultura árabe legou para as sociedades europeias estudos sobre autores como Platão e Aristóteles, estabelecendo um elo entre o mundo antigo pagão e o mundo moderno cristão. III. A península ibérica foi profundamente marcada pela presença muçulmana, que se estendeu entre os séculos VIII e XV, produzindo reflexos na cultura lusitana e hispânica. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

LE GOFF, Jacques. Mercadores e banqueiros na Idade Média. Lisboa: Gradiva, s.d, p. 77. (Adaptado).

A historiografia costuma associar as transformações econômicas ocorridas na crise do feudalismo na Europa Ocidental ao surgimento do mundo moderno. A citação do historiador medievalista Jacques Le Goff reforça essa ligação, uma vez que a revolução comercial a) arrefeceu a atividade evangelizadora da Igreja nas terras do Novo Mundo, uma vez que os comerciantes que financiavam os jesuítas preferiram concentrar seus negócios nas fronteiras da Europa e no norte da África. b) transformou a Igreja em uma das principais apoiadoras da expansão comercial em curso, reforçando os laços com a burguesia ascendente na luta contra os privilégios feudais da nobreza. c) acelerou o processo de reforma interna da Igreja Católica, que passou a admitir que a busca pelos lucros e pela acumulação de capital não eram atividades que contrariavam a fé religiosa, conforme acreditava a nobreza. d) traduziu-se na aceleração do processo de secularização do mundo, em que os poderes religiosos passaram a ser confrontados, sem desaparecerem por completo, com novas interpretações sobre o mundo e a realidade dos homens. 02. (Puc GO) A religião mulçumana, referida no texto, teve seus primórdios na Arábia do século VI d.C. Logo após o falecimento do profeta Maomé, ela se espalhou pelo norte do continente africano, chegando a ocupar territórios europeus, e permaneceu por vários séculos na Península Ibérica. Acerca dessa religião, seus valores éticos e sua cultura, assinale a alternativa correta: a) Os cristãos europeus combateram e perseguiram os maometanos, apesar de ambas as religiões serem monoteístas, patriarcais e estarem baseadas em um livro revelado. b) Os maometanos foram simpáticos com a população cristã na Europa, permitindo que ela vivesse livremente, pois acreditavam em um Deus único, criador do céu e da terra, e difundiam a mensagem amorosa ensinada por Cristo.

c) Com a chegada dos árabes ao continente europeu, a Igreja católica criou o Tribunal da Inquisição para perseguir aqueles “hereges”, e milhares que não se submeteram a Jesus Cristo acabaram condenados à fogueira. d) Os cristãos e os mulçumanos fizeram amplos acordos de convivência, o que incluía as trocas comerciais e de conhecimento. Isso acabou sendo rompido por grupos terroristas que fizeram atentados contra as famílias cristãs. 03. (UEG GO) “A casa de Deus, que cremos ser uma, está, pois, dividida em três: uns oram, outros combatem, e outros, enfim, trabalham.” BISPO ADALBERON DE LAON, século XI, apud LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Editorial Estampa, 1984. p. 45-46.

A sociedade do período medievo possuía como uma de suas características a estrutura social extremamente rígida e segmentada. A sociedade dos homens era um reflexo da sociedade divina. Essa estrutura é uma herança da filosofia a) patrística, de Santo Agostinho. b) escolástica, de Abelardo. c) racionalista, de Platão. d) dialética, de Hegel. 04. (UEG GO) Os primeiros séculos da era cristã são os da constituição dos dogmas cristãos. A tarefa da filosofia desenvolvida pelos padres da Igreja nesta época é a de encontrar justificativas racionais para as verdades reveladas, ou seja, conciliar fé e razão. Santo Agostinho é o principal representante deste período que ficou conhecido como a) racionalismo. c) fideismo. b) escolástica. d) patrística. 05. (UEPB) “Neste momento, Roma foi destruída sob os golpes da invasão dos godos que o rei Alarico conduzia (410): foi um grande desastre. Os adoradores de uma multidão de deuses falsos, que chamamos ordinariamente de pagãos, esforçaram-se para atribuir esse desastre à religião cristã e puseram-se a blasfemar contra o Deus verdadeiro, com mais aspereza e amargor que de hábito. É por isso que, tomado pelo zelo da casa de Deus, decidi escrever contra as blasfêmias e seus erros os livros da Cidade de Deus.” (François Hartog. A História de Homero a Santo Agostinho. BH. Editora UFMG. 2001. p. 259)

Os livros da Cidade de Deus, de influência neoplatônica, é de autoria de a) Tomás de Aquino. b) Agostinho. c) Homero. d) Flávio Josefo. e) Platão.

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B11  Cultura medieval: teocentrismo cultural

01. (Ufu MG) Tem-se muitas vezes a impressão de que o clero detém o monopólio da cultura na Idade Média. O ensino, o pensamento, as ciências, as artes seriam feitas por ele, para ele ou pelo menos sob sua inspiração e controle. Trata-se de uma imagem falsa e que exige profunda correção. A partir da revolução comercial e do desenvolvimento urbano, grupos sociais antigos ou novos descobrem outras preocupações, têm sede de outros conhecimentos práticos ou teóricos diferentes dos religiosos, criam instrumentos de saber e meios de expressão próprios.


FRENTE

B

HISTÓRIA

MÓDULO B12

ASSUNTOS ABORDADOS nn Cultura medieval: dinamização

cultural na Baixa Idade Média

nn Universidades, filosofia e literatura

CULTURA MEDIEVAL: DINAMIZAÇÃO CULTURAL NA BAIXA IDADE MÉDIA A Baixa Idade Média foi o período da História Medieval que se deu entre os séculos XIII e XV. Nessa fase, as principais características medievais, principalmente o feudalismo, encontravam-se em transição, ocorrendo muitas mudanças econômicas, religiosas, políticas e culturais. Como já vimos, grande parte das manifestações culturais medievais foram marcadas pelo predomínio do pensamento religioso. No entanto, na Baixa Idade Média, as mudanças provocadas pelo avanço comercial afetaram o controle que a Igreja exercia na cultura. Durante as Cruzadas, como veremos posteriormente, houve o impulso por uma retomada do comércio, surgindo as rotas comerciais e feiras. O crescimento do comércio, a urbanização e o contato constante com outros povos, principalmente orientais, contribuíram gradativamente para a mudança de ideias dos europeus, os quais foram deixando de subordinar a vida cotidiana pela vontade divina. Essas transformações atingiram até mesmo a Igreja, de forma que no imaginário sobre a vida após a morte surgiu, no século XII, um terceiro lugar, além de céu e o inferno: o purgatório.

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Fonte: Wikimedia Commons

Figura 01 - Gravura retratando a venda de indulgências.

O purgatório, região intermediária entre as duas instâncias principais, era tido como um local de transição para as almas que deveriam pagar alguns poucos pecados (veniais) antes de poder ir para o céu. Em contrapartida, os sacerdotes poderiam obter o perdão divino, ou indulgência, mediante pagamento, o que se tornou um verdadeiro comércio a partir do século XIII.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Universidades, filosofia e literatura

Fonte: Wikimedia Commons

Devido à expansão comercial, as cidades transformaram-se, gradativamente, em centros culturais e esta cultura, por sua vez, passou a ser cada vez menos dependente dos valores da Igreja. No processo de renascimento urbano, comercial e intelectual, deu-se o surgimento das universidades, a partir do século XII, tornando-se importantes centros de ensino, embora a maior parte ainda mantivesse sua estrutura original concebida no reinado de Carlos Magno. As antigas escolas monásticas e catedrais, dedicadas ao estudo de textos religiosos, transformaram-se em instituições de estudos mais amplos. Constituído fundamentalmente por membros da Igreja, o grupo de alunos e professores progressivamente passou a receber também representantes da nobreza e dos grupos sociais emergentes do meio urbano, ou seja, da burguesia. O pensamento filosófico da Baixa Idade Média ainda era dominado pela religião, porém, naquele momento, a teologia agostiniana estava sendo substituída pela concepção da filosofia escolástica. Esse conjunto de ideias, também conhecido como tomismo, teve origem no pensamento de Santo Tomás de Aquino (1225-1274). Tomás de Aquino, professor na universidade de Paris e autor da Suma teológica, inspirou-se em Aristóteles, desenvolvendo a tese de que a elevação humana não dependia apenas da vontade divina, mas também do esforço do indivíduo. Assim, o homem surgiria como um ser privilegiado, uma vez Figura 02 - Santo Tomás de Aquino, de Juan de Peñalosa. que dotado de razão, e do livre-arbítrio (livre escolha), ele estava preparado para assumir seu destino. Santo Tomás de Aquino, dessa forma, refutava a ideia agostiniana de predestinação.

No âmbito da literatura, a partir do século XI começaram a surgir as primeiras obras escritas em línguas vulgares, ou seja, sem ser latim. O trovadorismo inaugurou uma nova etapa da poesia medieval no século XII. Surgida no sul da França, na região de Provença, a poesia trovadoresca, ou cortês, espalhou-se por praticamente toda a Europa. Como na literatura medieval predominante até então, os trovadores ainda exaltavam a cavalaria, porém o tema principal era o amor.

Leitura indicada Leia o livro A divina comédia: Purgatório, de Dante Alighieri.

Ao final da Idade Média, a literatura mostrava um afastamento ainda maior em relação aos valores religiosos e das doutrinas da Igreja. Surgiam novas preocupações e expressões, anunciando uma renovação cultural de aspectos mais humanistas. Nesse sentido, algumas obras merecem destaque, como A divina comédia, do poeta italiano Dante Alighieri. Nessa obra, o autor relata sua viagem imaginária ao Inferno, Purgatório e Paraíso, encontrando mortos ilustres do passado ou de sua época, discutindo fé e razão, religião e ciência, amor e paixões.

Fonte: Wikimedia Commons

O trovadorismo e a poesia épica deram a base para os primeiros romances medievais, por exemplo, a sequência da Távola Redonda, que conta a história do mítico rei Artur, da Inglaterra, e seus cavaleiros.

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B12  Cultura medieval: dinamização cultural na Baixa Idade Média

A filosofia escolástica reprovava a ambição pelo lucro. Essa atitude, no entanto, era incompatível com a expansão do comércio e muitos membros da Igreja foram se mostrando tolerantes às novas práticas econômicas. No entanto, a própria Igreja tinha lucro fazendo empréstimos a juros, indo contra o seu próprio discurso.


História

Exercícios de Fixação 01. (Unioeste PR) Sobre o período denominado de “Idade Média Ocidental”, é INCORRETO afirmar que a) a literatura produzida entre os séculos XII e XIII, chamada de ciclo arturiano, é formada por um conjunto de textos que tratam do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. b) uma grande transformação social ocorreu a partir das invasões germânicas, fenômeno que chamamos de Feudalismo. As suas principais características são: o poder descentralizado dos senhores feudais, uma economia baseada na agricultura e a utilização do trabalho dos servos. c) entre os séculos XI e XIII, expedições foram formadas sob o comando da Igreja. A tarefa dos cavaleiros foi o combate aos chamados “Infiéis” e a reunificação do mundo cristão. d) os trabalhadores do campo, que ocupavam e cultivavam a terra, eram proprietários das mesmas e não pagavam impostos. e) o florescimento da literatura de cavalaria se desenvolve concomitante ao aparecimento de um novo estilo na arquitetura e nas artes em geral: o gótico que surge como resposta à austeridade do estilo românico. 02. (Ufpel RS) Leia o trecho abaixo: − Esta longa Idade Média […] criou a cidade, a nação, o Estado, a universidade, o moinho, a máquina, a hora e o relógio, o livro, o garfo, o vestuário, a pessoa, a consciência e finalmente a revolução [...]

B12  Cultura medieval: dinamização cultural na Baixa Idade Média

(LE GOFF, Jacques. Para um novo conceito de Idade Média. Lisboa: Estampa, 1980 apud MOTA, Myriam, BRAICK, Patrícia. História: das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, [s. d.], p. 66)

Uma das ideias presentes no texto é a) a Idade Média não apresentou nenhuma inovação no campo produtivo. b) a Idade Média foi um período de inovações urbanas, tecnológicas, educativas e de costumes. c) antes da Idade Média, não existia nenhuma forma de contagem do tempo. d) as universidades, embora criadas no período medieval, adquiriram importância somente na Idade Moderna. e) as organizações político-sociais antes da Idade Média se davam apenas em pequenas e grandes tribos. 03. (UFRR) Sobre as feiras na Idade Média é possível afirmar que a) o crescimento das feiras, apesar de ser um negócio lucrativo, não evoluiu, ficando os mercadores sem oportunidades na nova configuração econômica que estava surgindo. b) essas atividades somente foram possíveis graças à unificação da moeda europeia, que facilitou a atividade dos banqueiros e a compra de mercadorias pelos servos. c) eram consideradas eventos econômicos e culturais. Alguns exemplos de feiras são as de Provins e de Troyes, na

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região de Champagne e as feiras de Bruges e de Antuérpia, na região de Flandres. d) eram referenciadas como comércio local das cidades para o abastecimento diário dos seus habitantes. e) foram impulsionadas pelo fenômeno de regionalização, que desestabilizou a obtenção de mercadorias vindas de lugares mais distantes. 04. (Unievangélica GO) Leia o trecho a seguir. Nas faculdades de medicina, tínhamos outro exemplo importante das transformações culturais da época. Vista nos séculos como uma arte mecânica, quer dizer manual, ela tinha sido socialmente desvalorizada. Vista como conjunto de práticas mágicas, ela tinha sido muitas vezes rejeitada pela Igreja: até fins do século XVIII não se praticava a dissecação de cadáveres, pois sendo o homem feito à imagem e semelhança de Deus, abrir seu corpo seria de alguma forma uma violência para com a Divindade. No entanto, a visão naturalista do mundo que se desenvolvia desde o século XII alterava aquela postura. FRANCO JÚNIOR, Hilário. A idade Média e o Nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense,1986. p.143-144.

O texto é uma referência às transformações características do período da a) Baixa Idade Média, com o renascimento comercial e o aparecimento das universidades. b) Baixa Idade Média, com a multiplicação das escolas junto às catedrais europeias. c) Alta Idade Média, com o crescimento urbano acelerado e a expansão demográfica. d) Alta Idade Média, com o desenvolvimento das feiras e a generalização do uso de moedas. 05. (Uem PR) Sobre a sociedade medieval, assinale o que for correto. 01. Giovani Boccacio, um dos principais escritores da Idade Média, fundamentava seus temas na religiosidade e nos ideais ascéticos da vida monástica. 02. Na sociedade medieval, arte e religião eram coisas incompatíveis. 04. A Escolástica, ao propor a separação entre a fé e a razão, tornou-se a mais importante corrente filosófica do Período Medieval. 08. Além de provocar grande mortalidade na população europeia, a Peste Negra também influenciou a literatura, a escultura e a pintura, na Baixa Idade Média. 16. Maquiavel foi a maior expressão do pensamento político medieval, ao se opor ao governo centralizado e defender a autonomia política dos barões feudais.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

02. (Uem PR) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre a cultura europeia ocidental durante a Idade Média. 01-02-04 01. Embora fosse uma cultura moldada pelo cristianismo, ela também foi influenciada pelo islamismo e pelo judaísmo. 02. Com o renascimento urbano, a partir do século XII, a cultura afasta-se, gradativamente, dos valores subordinados essencialmente à Igreja. 04. O trovadorismo e a poesia épica foram os alicerces dos romances medievais. 08. A ausência de Universidades demonstra o pouco apego do homem medieval ao conhecimento científico. 16. Os valores humanos foram expressões fundamentais da cultura medieval.

c) cantava a bondade dos cristãos primitivos que viviam na Europa. d) combatia as heresias e fazia dos cavaleiros seus heróis. e) ressaltava a bravura dos nobres e a inteligência das mulheres. 05. (Uem PR) Sobre a Igreja e a cultura na Europa Ocidental, durante a Idade Média, período que se estendeu do século V ao século XV, assinale o que for correto.

01-02-16

01. O poder da Igreja se estendia ao plano espiritual, relacionado à fé e à espiritualidade, e também ao plano temporal, pois a Igreja, pouco a pouco, transformou-se na maior proprietária de terras na Idade Média e construiu fortes vínculos com a estrutura feudal. 02. O celibato clerical, criado nos primeiros séculos do Cristianismo e rigorosamente aplicado a partir do século XI, contribuía para a manutenção do patrimônio eclesiástico feudal, ao evitar a divisão entre possíveis herdeiros dos membros do clero. 04. Na Baixa Idade Média, o estilo da arquitetura medieval europeia era predominantemente românico. 08. Durante o período da Alta Idade Média, privilegiou-se o emprego das línguas vulgares em documentos escritos, além de serem utilizadas pelos representantes da Igreja Católica e pelas pessoas letradas. 16. No processo de renascimento urbano, comercial e intelectual, destacaram-se as universidades, que, a partir do século XII, se tornaram importantes centros de ensino.

03. (UFRGS) Leia o segmento abaixo. O homem medieval pensa no cotidiano usando os mesmos moldes de sua teologia.

A comunidade de alunos e de professores era consti-

HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosacnaify, 2010. p. 375.

06. (Uem PR) Sobre a produção de imagens na Idade Média é

A base da teologia, no mundo medieval, sustenta-se a) na escolástica. b) no epicurismo. c) no protestantismo. d) no cristianismo primitivo. e) no paganismo. 04. (Uespi PI) Nem tudo na Idade Média estava conectado com a exaltação dos feitos religiosos e o poder do clero. Na literatura, temos exemplos do exercício de outras manifestações culturais. Por exemplo, o trovadorismo, surgido na França: a) destacava o amor romântico e o culto à mulher como tema central. b) enaltecia as batalhas violentas dos seu senhores feudais.

tuída por membros da Igreja, da nobreza e de grupos sociais emergentes das cidades.

correto afirmar que:

01-16

01. No período Paleocristão, muitas pinturas tinham como inspiração as pinturas romanas, ainda que simplificadas. 02. Para se diferenciarem do paganismo, as igrejas das comunidades cristãs não recebiam nenhuma ornamentação. 04. Durante o período otoniano a nação mais importante da Europa Ocidental, sob o ponto de vista artístico, foi a Itália. 08. O chamado Renascimento Carolíngio consistiu em uma tentativa ambiciosa de se retornar aos valores culturais e artísticos dos francos. 16. De uma maneira geral, as fachadas das igrejas góticas eram mais ornamentadas que as das igrejas românicas.

525

B12  Cultura medieval: dinamização cultural na Baixa Idade Média

01. (Uespi PI) A cultura muçulmana teve destaques que expressam não apenas sua dedicação à guerra e à formação de impérios. Podemos também destacar, como expressões da produção cultural muçulmana: a) os poemas de Avicena, bastante conhecidos no mundo ocidental. b) As Mil e uma Noites, obra literária muito divulgada no mundo ocidental. c) a obra marcante do historiador Omar Khayyam. d) sua arquitetura, que conseguiu se livrar das influências religiosas. e) as reflexões do filósofo Averróis, seguidor da teorias de Platão.


FRENTE

B

HISTÓRIA

Exercícios de Aprofundamento 01. (IF GO) A história da Europa Ocidental foi marcada por uma lenta transição entre os séculos IV e X. O poder político, antes centralizado sob o Império Romano, passou a ser fragmentado e a economia tornou-se predominantemente rural, com reduzida atividade urbana e comercial. Neste processo, o modo de produção feudal substituiu o escravismo antigo e, a partir daí, estabeleceu novas relações de produção, baseadas na exploração da força de trabalho servil. Nessa condição, os servos eram: a) trabalhadores livres nas propriedades rurais, com exceção daqueles que não possuíam terras e prestavam serviços a alguns tipos de senhores feudais, especialmente àqueles que também detinham o poder religioso. b) aprisionados nas guerras feudais, tratados como mercadorias e somente podiam ser vendidos nas feiras realizadas nos burgos com autorização dos reis. c) trabalhadores marcados por laços de dependência, pois deviam obediência e obrigações aos senhores e estavam vinculados a terra em que viviam, não podendo ser vendidos. d) transformados em trabalhadores assalariados, caso não cumprissem com suas obrigações e não pagassem os tributos devidos aos seus senhores, segundo estabelecia o contrato vassálico. e) considerados propriedades dos senhores feudais e poderiam ser trocados ou vendidos nos mercados locais ou regionais, especialmente na época das Cruzadas. 02. (ESPM SP) A partir da leitura do texto é possível assinalar que a respeito da ordem social feudal, o clero: a) propugnava por uma sociedade dinâmica e de camponeses questionadores. b) afirmava que os direitos e deveres das pessoas não dependiam de sua posição na ordem social. c) rebatia a avaliação de que a vontade de Deus tivesse qualquer relação com a ordem social. d) considerava que a sociedade funcionava bem quando todos aceitavam sua condição e desempenhavam o papel que lhes era atribuído. e) era o maior interessado em questionar a ordem social injusta do feudalismo. 03. (Unesp SP) A caracterização do mosteiro medieval como uma “casa”, um “posto avançado do progresso cultural” e um “projeto de perfeição” pode ser explicada pela disposição monástica de a) valorizar a vida privada, participar ativamente da vida política e combater o mal. b) recuperar a experiência histórica e pessoal do Salvador durante sua estada no mundo dos vivos. 526

c) recolher-se a uma comunidade fechada para orar, estudar e combater a desordem do mundo. d) identificar-se com as condições de privação por que passavam as famílias pobres, celebrar a tradição escolástica e agir de forma ética. e) reconhecer a humanidade como solidária e unida num esforço de salvação da alma dos fiéis e dos infiéis. 04. (Unicamp SP) São mais ou menos constantes as queixas dos bispos e dos clérigos sobre a manutenção das práticas pagãs no mínimo até o século X. Um conjunto de práticas pagãs se mantém quase intacto, sem levar em conta festas públicas pagãs como a de 1º de janeiro, que sobreviveu durante muito tempo. (Adaptado de Michel Rouche, “Alta Idade Média Ocidental”, em Paul Veyne (org.), História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.504.)

Assinale a alternativa correta. a) A crítica à institucionalização da Igreja, com a consolidação da hierarquia em torno do papa e dos bispos, teve sua principal manifestação na manutenção de práticas pagãs. b) As práticas pagãs eram costumes de origem popular respeitados pelas ordens religiosas, como os beneditinos, mas criticados pelos bispos e pelo clero tradicional. c) A diversidade de práticas religiosas era frequente na Alta Idade Média, apesar dos esforços institucionais do alto clero católico em combater as crenças populares e defender a unidade religiosa na Europa. d) A presença do cristianismo não significou o desaparecimento de todas as práticas religiosas consideradas pagãs, pois algumas delas foram toleradas pela Igreja, como o sabá e as festas populares. 05. (UPE PE) A religião teve importância para a Idade Média em amplos aspectos da sua vida social. Além do seu destaque político, merece ressaltar figuras, como Tomás de Aquino, pensador influente, que, no período Medieval, a) foi um crítico dos costumes da época, sendo partidário de heresias que incomodavam o clero secular. b) firmou-se como um dos pensadores importantes da Igreja Católica, embora tivesse ligações filosóficas com Aristóteles. c) negou a necessidade de acreditar em Deus de forma institucional, defendendo o pensamento de santo Agostinho. d) influenciou as ideias da Igreja no período da Alta Idade Média, com sua exaltação da fé individual. e) tornou-se o centro do pensamento cristão no Ocidente, construindo uma reflexão a partir de Platão e dos pré-socráticos.


Ciências Humanas e suas Tecnologias Gabarito 06. a) A partir do século IX, a presença muçulmana no sul da Espanha favoreceu o aumento da circulação da ciência. Nesse contexto, o Ocidente teve contato com o conhecimento da Antiguidade clássica que posteriormente se constituiu na base do Renascimento. b) O Renascimento foi expressão de uma nova mentalidade que se contrapunha à medieval. Opondo-se ao teocentrismo, os renascentistas defendiam o antropocentrismo, o racionalismo tanto nas artes como nas ciências. As novas concepções formalizaram-se nas releituras de Aristóteles e Platão — entre outros pensadores — e na retomada dos padrões estéticos clássicos.

tado e divulgado. (Adaptado de David Levering Lewis, God’s Crucible: Islam and the Making of Europe, 570-1215. New York: W. W. Norton, 2008, p. 368-69, 376-77.)

a) Identifique no texto dois aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na Europa medieval. b) Relacione as características do Renascimento cultural europeu à redescoberta dos valores da Antiguidade clássica. 07. (UFPR) Considere o fragmento abaixo: Durante a Idade Média, a figura feminina revestiu-se dos piores atributos imagináveis. Para os teólogos, além de infantil e inconstante, a mulher era mãe de todo pecado: Thomas Murner chamava-a de “Diabo doméstico”, enquanto Tomás de Aquino reservava-lhe a pecha de “macho deficiente”. Essas características levaram-na a ser o elo fraco das sociedades cristãs, a janela pela qual Satã adentrava territórios sacramentados. Sendo fraca de vontade e caráter, a mulher ficava à mercê das tentações demoníacas, tornando-se facilmente discípula e amante do Diabo. (SOUZA, Aníbal. Missionários e Feiticeiros. História: Questões e Debates, Curitiba, v. 13. jul./dez., 1996. p. 118.)

Em relação ao imaginário na Idade Média, é correto afirmar que vigorava uma forte influência: a) cristã protestante e alto poder do clero, com grande perseguição contra os considerados heréticos. b) cristã protestante e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande perseguição contra os considerados vassalos. c) católica e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande perseguição contra os considerados heréticos. d) católica e alto poder dos nobres, além de grande mobilidade social e perseguição contra protestantes, considerados heréticos. e) católica e alto poder do clero, além de grande mobilidade social e perseguição contra os considerados vassalos. 08. (UFSC) Durante muitos séculos a Idade Média foi considerada um período de trevas, “Noite de mil anos”, no qual o mundo teria vivenciado uma longa fase de decadência científica, social e cultural. Porém, um número significativo de estudos histó-

ricos e publicações do século XX revelam que a Idade Média, como outros períodos da história da humanidade, representa uma etapa na qual houve crise, mas também desenvolvimento científico, social e cultural. Em relação à cultura medieval europeia, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). 01-02-04 01. A partir do século XII, predominou no ensino da Europa Ocidental o trivium, em que se ensinava gramática, retórica e lógica, e o quadrivium, voltado para preparar o aluno em aritmética, geometria, astronomia e música. 02. Santo Agostinho, autor de Confissões e Cidade de Deus, dedicou-se à elaboração de uma síntese da filosofia platônica e da doutrina cristã. A natureza humana seria, por essência, corrompida. Na fé em Deus, Agostinho localizava a possibilidade de remissão e salvação eterna. 04. Entre as obras literárias mais conhecidas da Idade Média destacaram-se a Canção de Rolando, Poema de Cid e a Divina Comédia, um poema no qual Dante Alighieri relata sua viagem ao Inferno, Purgatório e ao Paraíso. 08. As fortificações militares constituem as mais eloquentes e originais manifestações da arquitetura medieval. Nelas predomina os estilos barroco, românico e gótico. Os cuidados estéticos revelam a preocupação dos senhores feudais e do clero em tornar as defesas militares espaços simbólicos, representando “as fortalezas de Deus”. 16. Durante a Idade Média, as ciências e a tecnologia conheceram um desenvolvimento que pode ser considerado insignificante, pois o clero reagia com violência a qualquer manifestação científica, tida como ameaçadora das verdades reveladas na Bíblia. 09. (UECE) Durante o período medieval, a Igreja Católica, herdeira das tradições romanas, sobressaiu-se como a mais poderosa instituição e grande baluarte da cultura europeia. À medida que avançava e convertia novos povos ao cristianismo, ampliava mais ainda seu poderio espiritual e material, e fundia a cultura romana com a dos povos convertidos. No que se refere ao papel da Igreja Católica na cultura europeia medieval, é correto afirmar que a) a literatura medieval era dominada pelo tema religioso imposto pela Igreja Católica; nesse período não se escreveu sobre nada que não estivesse no Livro Sagrado. b) a educação formal espalhou-se pela Europa através da Igreja Católica, à qual estavam ligadas as escolas e as universidades medievais. c) a filosofia escolástica nascida nas universidades católicas opunha-se à fusão da fé cristã com o pensamento racional humanista. d) apesar de controlar a literatura, as artes plásticas ficaram livres de qualquer tipo de cerceamento religioso por parte da Igreja Católica. 527

FRENTE B  Exercícios de Aprofundamento

06. (Unicamp SP) A partir do século IX, aumentou a circulação da ciência e da filosofia vindas de Bagdá, o centro da cultura islâmica, em direção ao reino muçulmano instalado no Sul da Espanha. No século XII, apesar das divisões políticas e das guerras entre cristãos e mouros que marcavam a península ibérica, essa corrente de conhecimento virou um rio caudaloso, criando uma base que, mais tarde, constituiria as fundações do Renascimento no mundo cristão. Foi dessa maneira que o Ocidente adquiriu o conhecimento dos antigos. No quadro pintado pelo italiano Rafael, A escola de Atenas (1509), o pintor daria a Averróis, sábio muçulmano da Andaluzia, um lugar de honra, logo atrás do grego Aristóteles, cuja obra Averróis havia comen-


Fonte: wikimedia commons

FRENTE

C


HISTÓRIA Por falar nisso O acontecimento histórico conhecido como Invasão holandesa deixou fortes marcas na sociedade brasileira. A permanência desse povo no território brasileiro durou 24 anos, período em que foram conquistados também outros estados do Nordeste, como Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Maranhão. Alguns pesquisadores acreditam que, na verdade, a região já era visada pelos holandeses devido à próspera produção de açúcar. Esse período foi o suficiente para que os holandeses deixassem marcas na arquitetura, cultura e no imaginário dos brasileiros, especialmente por meio da figura de seu principal governante no país, o conde João Maurício de Nassau-Siegen, que governou os territórios conquistados de 1637 a 1644. As principais contribuições dos holandeses giram em torno da criação de um projeto urbanístico para o Recife e o legado científico-cultural. Até aquele momento, Pernambuco podia ser a capitania mais próspera do Brasil em termos econômicos, mas não culturais, devido à sua distância da Europa. Com a vinda de Nassau, porém, esse quadro foi revertido, havendo inserções da arte europeia, além da implantação dos primeiros jardins zoológicos e botânicos das Américas, como veremos mais adiante. A partir de agora você vai perceber que povos de diferentes culturas, advindos de diferentes espaços geográficos, interferem de forma diversa na paisagem urbana, assim como deixam marcas de suas ideias e costumes. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas

C09 C10 C11 C12

Presença francesa no Brasil........................................................... 530 Presença holandesa no Brasil........................................................ 536 Presença holandesa no Brasil........................................................ 541 Entradas, bandeiras e tratados limites.......................................... 546


FRENTE

C

HISTÓRIA

MÓDULO C09

ASSUNTOS ABORDADOS nn Presença francesa no Brasil nn A França Antártica nn França Equinocial

PRESENÇA FRANCESA NO BRASIL No século XVI, portugueses e espanhóis afirmaram seu poder por meio do estabelecimento de novas rotas marítimas e entrepostos comerciais com destino às Índias, culminando na colonização de parte do continente americano. Com o passar do tempo, esse domínio foi reclamado por outras nações europeias, que também desejavam se inserir no lucrativo sistema de colonização. Dessa forma, a França − que naquele momento vivia um relativo equilíbrio político, depois de uma fase marcada por lutas internas no plano religioso e social, como a Reforma Protestante e conflitos religiosos − deu início à campanha de expansão marítima. O rei francês, Francisco I, não aceitando o Tratado de Tordesilhas, no início daquele século, deu ordens para a formação das primeiras expedições. Estas se dirigiram para a costa da América, onde contrabandeavam o pau-brasil, nas possessões portuguesas, e atacavam os galeões espanhóis que, carregados de metais preciosos, iam do Novo Mundo para a Europa. Nos primeiros anos após a chegada dos portugueses no litoral brasileiro, os franceses já exploravam a região, da foz do rio Amazonas ao Rio de Janeiro. Em 1504, o navio Espoir (Esperança), sob o comando do capitão Palmier de Gonneville, já alcançava o litoral brasileiro à altura de Santa Catarina.

Figura 01 - Fundação de vila no Rio de Janeiro, em 1565, com o intuito de afugentar os franceses.

530

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Essas expedições, que eram empreendidas tanto por amadores quanto por corsários experientes, tornaram-se frequentes, de forma que em 1526 Portugal enviara uma frota com o objetivo específico de patrulhar a costa, a fim de expulsar os invasores que navegavam naquela região.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

A França Antártica Em 1555, o então rei da França, Henrique II, decidiu fundar uma colônia na América. Essa tarefa foi confiada a Nicolas Durand de Villegaignon, almirante da expedição.

Fonte: Wikimedia Commons

De início, os 130 colonos franceses estabeleceram-se em uma pequena ilha chamada pelos índios de Serijipe (atual ilha de Villegaignon, no Rio de Janeiro). Nela, viviam os Tamoio, povo nativo que, já há alguns anos, faziam trocas com os franceses e eram contrários à presença portuguesa na região. A nova colônia recebeu o nome de França Antártica, assim chamada porque Villegaignon e seus homens acreditavam que ele estava localizada nas proximidades do polo antártico.

Mapa 01 - Mapa francês indicando a localização da França Antártica, em terras brasileiras.

Nessa ilha, localizada na enseada, hoje conhecida como praia do Flamengo, Villegaignon deu início à construção do povoado de Henriville. A campanha parecia ir bem, porém, rapidamente os colonos católicos e protestantes, que vieram na esquadra de Villegaignon, entraram em atrito. Ao mesmo tempo, Villegaignon censurava a relação entre seus comandados e os indígenas, exigindo que trabalhassem arduamente, em troca de remuneração irrisória. Essa situação de insatisfação levou a que alguns colonos tramassem o assassinato do almirante, porém o plano foi descoberto e seus líderes condenados. Confederação dos Tamoios

C09  Presença francesa no Brasil

Em maio de 1559, tendo Villegaignon embarcado para a França, o novo governadorgeral da colônia portuguesa na América, Mem de Sá, reuniu uma armada de 26 navios com 2 mil militares e organizou uma tropa entre colonos e indígenas. Pouco menos de um ano depois as forças portuguesas conseguiram destruir Henriville. Por sua vez, os povos indígenas aliados dos franceses se revoltaram, ameaçando a presença dos portugueses no litoral de São Vicente. A revolta, que ficara conhecida como Confederação dos Tamoios, era composta por integrantes de várias etnias indígenas, como os Tupinambás, os Goitacás e os Carijós. Após certo tempo, os jesuítas conseguiram a trégua dos nativos revoltosos, possibilitando o governador-geral a encarregar a Estácio de Sá de nova investida contra a França Antártica. 531


História

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Os novos conflitos, reiniciados em 1567, provocaram a morte de mais de mil nativos e a escravização dos Tamoio por parte dos colonos portugueses, enquanto o número de baixas europeias não chegou a 30. Apesar da destruição da França Antártica, os franceses continuaram a invadir outras regiões brasileiras, muitas no Nordeste, obrigando os portugueses a construir fortes e fundar povoamentos, tendo alguns deles dado origem às cidades de João Pessoa e Natal.

França Equinocial No início do século XVII, o fidalgo francês Daniel de la Touche ancorou no litoral do Maranhão trazendo consigo Figura 02 - Pintura O Último Tamoio (1883), de Rodolfo Amoedo. quinhentos homens para fundar uma colônia na região. O forte e povoado ali construídos foram ambos denominados São Luís, em homenagem ao novo rei da França, Luís XIII (1610-1643), porém a nova colônia passou a ser chamada de França Equinocial. A fim de combater os franceses, da capitania de Pernambuco foi enviado Jerônimo de Albuquerque no comando de uma tropa de brancos, negros, mestiços e indígenas. Em novembro de 1615, os colonos franceses foram definitivamente expulsos do Maranhão.

C09  Presença francesa no Brasil

Exercícios de Fixação 01. (Unitau SP) “[...] Assim aconteceu com os franceses. Da primeira vez que viestes aqui, vós os fizestes somente para traficar. Como os peró (portugueses), não recusáveis tomar nossas filhas e nós nos julgávamos felizes quando elas tinham filhos. Nesta época, não faláveis em aqui nos fixar. [...] Agora já nos falais de vos estabelecerdes aqui, de construirdes fortalezas para defender-vos contra os vossos inimigos. Para isso, trouxestes um Morubixaba e vários paí. Em verdade, estamos satisfeitos, mas os peró fizeram o mesmo. Depois da chegada dos paí, plantastes cruzes como os peró. Começais agora a instruir e batizar tal qual eles fizeram; dizeis que não podeis tomar nossas filhas senão por esposas e após terem sido batizadas. O mesmo diziam os peró. Como estes, vós não queríeis escravos, a princípio; agora os pedis e quereis como eles no fim. Não creio, entretanto, que tenhais o mesmo fito que os peró; aliás, isso não me atemoriza, pois velho como estou nada mais temo. Digo apenas simplesmente o que vi com meus olhos” (Chefe Momboré-uaçu – Aldeia de Essauap, Maranhão – 1612 – Tupinambá).

O texto refere-se:

532

a) ao movimento que os franceses fizeram para fortalecer suas posições na costa brasileira, procurando estabelecer relações de amizade com os indígenas para que, no caso de uma batalha com os portugueses, tivessem a sua ajuda. Essa aliança foi possível porque a escravidão do índio promovida pelos portugueses causava revolta nos indígenas. b) à aliança que os franceses e portugueses estabeleceram contra os tamoios (tupinambás), que foram apoiados pelos padres jesuítas que tomaram partido dos nativos visando à desvinculação da coroa portuguesa e ao estabelecimento de uma nação da Companhia de Jesus no Brasil. c) ao conflito latente entre tamoios (tupinambás) e portugueses pelas terras dos Sete Povos das Missões, que se agravou com a chegada dos franceses na costa Brasileira. d) ao conflito em que os padres jesuítas fizeram-se embaixadores dos franceses, o que enfraqueceu as relações entre a Companhia de Jesus e Portugal, sendo, mais tarde, um dos fatores de expulsão dos jesuítas do Brasil. e) ao conflito liderado pelo governador-geral Mem de Sá contra os tupinambás, que se tornaram aliados dos portugueses e inimigos dos franceses, visando à expulsão dos franceses de suas terras.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

02. (UnB DF) Dois estilos de colonização se inauguraram no norte e no sul do Novo Mundo. Lá, o gótico altivo de frias gentes nórdicas. Para eles, o índio era um detalhe, sujava a paisagem, que, para se europeizar, deveria livrar-se deles. Cá, o barroco das gentes ibéricas, mestiçadas, que se mesclavam com os índios. Um, a tolerância soberba e orgulhosa dos que se sabem diferentes. Outro, a tolerância opressiva de quem quer conviver reinando sobre os corpos e as almas dos cativos, porque toda a diferença lhe é intolerável.

08. O sistema de Capitanias Hereditárias, já conhecido e utili-

Darcy Ribeiro. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995 (com adaptações).

04. (Uem PR) Sobre a colonização da América na Época Moderna,

zado pelos portugueses em outras regiões, foi adotado em território brasileiro logo no início da colonização. A produção agrícola garantiu o sucesso das Capitanias e sua manutenção durante quase todo o período colonial. 16. Por sua posição geográfica estratégica, o Rio de Janeiro foi escolhido como primeira capital da colônia, abrigando a estrutura da administração portuguesa no Brasil até a independência do país, em 1822.

assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01-04-08

01. As perseguições religiosas e as perseguições políticas do século XVII, quando a Inglaterra viveu conflitos entre o Parlamento e os reis Stuarts, estimularam a emigração em direção às colônias inglesas da América do Norte. 02. No século XVIII, a colonização inglesa foi mais intensa ao

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sul da América do Norte, na região da Califórnia e da Flórida, e nas Ilhas Falklands, também chamadas Malvinas. 04. A colonização inglesa da América do Norte iniciou-se com a fundação da colônia da Virgínia e ficou a cargo de particulares e de Companhias de Comércio. 08. Em meados do século XVI, calvinistas franceses que sofriam perseguições na Europa fundaram, no atual Rio de Janeiro, a França Antártica, de onde foram expulsos pelos portugueses.

Considerando o texto e a obra reproduzida acima — O Último Tamoio —, de Rodolfo Amoedo, julgue o item a seguir. ( C ) Colonização, ou colonialismo, é um processo de dominação econômica, política e/ou cultural de um grupo por outro.

16. Ao longo dos três séculos que manteve sob seu domínio

03. (UEPG PR) A chegada dos portugueses ao Brasil, oficialmente datada de 1500, marcou o início do processo de colonização lusitana em nosso território. Sobre a colonização no século XVI, assinale o que for correto. 01-02 01. Os textos produzidos pelos cronistas no início da colonização apresentam os nativos aqui encontrados pelos portugueses como seres bárbaros que necessitavam ser salvos por meio da cristianização. 02. A França Antártica, como foi chamada a ocupação francesa na baía de Guanabara, se caracterizou pela formação de uma sociedade protestante que recebeu inúmeros europeus fugitivos da perseguição católica durante a Contrarreforma.

05. (Unimontes MG) O território colonial português, na América,

04. Por mais que a escravidão negra tenha sido predominante ao final dos três séculos coloniais (XVI,XVII e XVIII), no primeiro deles ela foi praticamente nula. Ao longo do século XVI, a utilização indígena como mão de obra escrava foi hegemônica em todo território colonial.

colas, praticaram pirataria no litoral brasileiro, invadindo as

territórios do continente americano, a Espanha não desenvolveu atividades produtivas e limitou-se ao saque e à pilhagem do ouro e da prata que eram produzidos pelos nativos para homenagear seus deuses.

foi alvo de invasões e de empreendimentos por parte de diversas nações europeias durante os séculos XVI e XVII. A esse respeito, é INCORRETO afirmar que a) os franceses, por duas vezes, tentaram estabelecer-se na colônia, sendo, em uma das vezes, a França Antártica, no Rio de Janeiro, em 1555, e, na outra, a França Equatorial, no Maranhão, em 1612. b) os ingleses, por diversas vezes, atacaram a costa brasileira, mas acabaram rechaçados para territórios ao norte, ainda não colonizados, onde fundaram a Guiana Inglesa. c) os espanhóis, nas décadas iniciais do século XVII, insatisfeitos com os parcos resultados de suas áreas coloniais agrícidades de Salvador e de Santos. d) os holandeses ocuparam parte da região nordestina da colônia, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, visando preservar os seus interesses no setor açucareiro.

533

C09  Presença francesa no Brasil

Rodolfo Amoedo. O último tamoio, 1883, óleo sobre tela, 180,3 cm × 261,3 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.


História

Exercícios Complementares 01. (UFTM MG) Leia os comentários de europeus do século XVI

Estado, houve um grande vazio populacional, o que

sobre os habitantes da América.

motivou as políticas de incentivo à imigração euro-

A grande glória e honra de nossos reis e dos espanhóis foi

peia na região.

de ter feito os índios aceitarem um só Deus, uma só fé e um

IV.

raneidade, possui vínculos com as lutas pela demarca-

só batismo e de lhes ter tirado a idolatria, os sacrifícios hu-

ção de terras indígenas.

manos, o canibalismo, a sodomia e outros pecados grandes e maus que nosso bom Deus detesta e pune. (López de Gomara, História Geral das Índias)

Esta parte da América é habitada por pessoas maravilhosamente estranhas e selvagens: sem fé, sem lei, sem civilidade alguma, vivendo como animais irracionais, como a natureza os produziu (...) até o momento em que, talvez, forem visitados pelos cristãos (...). (André Thévet, Singularidades da França Antártica)

A língua desse gentio todo pela costa é uma: carece de três letras – não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem justiça e desordenadamente. (Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil)

Esses europeus, contemporâneos do início da colonização da América, expressaram: a) uma opinião favorável sobre os indígenas, embora criticassem o politeísmo. b) sua admiração por povos tão diversos, concordando em manter seus costumes. c) um valor típico do Iluminismo, a exaltação do homem, apesar das diferenças culturais. d) seu desprezo pelas culturas nativas do novo continente, julgando-se superiores. e) uma postura de respeito diante da diversidade cultural encontrada no Novo Mundo. 02. (Udesc SC) Analise as proposições sobre as populações indígenas na História do Brasil.

C09  Presença francesa no Brasil

I.

II.

534

V.

No período da chegada dos europeus, no Brasil, as populações indígenas organizaram diversas expedições de luta e de resistência à invasão europeia, chegando a organizar uma grande confederação de povos indígenas do litoral do Rio de Janeiro e do Vale do Paraíba para expulsar os portugueses. Essa revolta ficou conhecida como Confederação dos Tamoios e contou com a aliança de lideranças indígenas com invasores franceses estabelecidos no Rio de Janeiro.

Assinale as alternativa corretas. a) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 03. (UFMA) Há de ser, grande rei, um mui feliz presságio. Ver em França estrangeiros de lugares distantes Virem à vossa corte prestar homenagem. Com grande gentileza acolheis os visitantes. Zeloso por salvá-los, mandais instruí-los Em tudo o que é preciso crer na religião. Uma vez instruídos, cuidais que recebam As graças do sacramento do Batismo. (Trechos de uma gravura vendida em Paris por ocasião do batismo de três índios Tupinambá na presença do Rei Luis XIII, em 24 de junho de 1613. In: DAHER, Andrea. O Brasil francês: as singularidades da Franca Equinocial, 1612-1615. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 311-2).

A escravidão indígena não vigorou porque as popula-

O episódio relatado em versos está relacionado com a:

ções indígenas não possuíam vocação para a agricul-

a) estratégia dos missionários franceses de obter o apoio

tura de grande escala, tal como a implementada pela

da monarquia a obra de colonização e cristianização das

metrópole portuguesa.

terras do Maranhão.

A contribuição indígena foi marcante em elementos do

b) denúncia feita pelos religiosos contra os colonos france-

folclore, da culinária e da língua, e também no que diz

ses, que promoviam a escravização e o extermínio dos

respeito à organização social e econômica do Brasil. III.

O assassinato de lideranças indígenas, na contempo-

tupinambá na costa maranhense.

Em Santa Catarina, a concentração de populações

c) tentativa da Companhia de Jesus de estabelecer um pac-

indígenas foi maior no litoral, em especial com a po-

to entre os reinos da Franca e de Portugal, evitando a

pulação Guarani, Xokleng e Kaingang. No interior do

guerra pelo domínio do Maranhão.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

04. (UECE) De 1554 a 1567 os indígenas do tronco Tupi, de várias regiões do litoral sudeste da Colônia (Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Ubatuba) e os não Tupi como os Goitacás e os Aimorés, habitantes do interior, junto da Serra do Mar, aliaram-se para combater a escravidão imposta pelos portugueses. Venceram várias batalhas e chegaram a tomar a capitania do Espírito Santo e ameaçar a de São Paulo. O texto acima trata da: a) Confederação dos Tamoios. b) Guerra dos Bárbaros. c) Guerra Justa. d) Guerra dos Mukuxi. 05. (Uem PR) Durante o período colonial no Brasil, os conflitos internos se manifestaram de forma generalizada, atingindo todos os setores da sociedade colonial. Além disso, as mudanças administrativas introduzidas pela coroa portuguesa, visando centralizar e controlar mais de perto a colônia americana, provocaram disputas entre colonos e funcionários do governo, entre bandeirantes e jesuítas, entre senhores de engenho e comerciantes. Sobre esses conflitos, é correto afirmar que: 01-02-08-16 01. A “Revolta de Beckman”, ocorrida entre 1684-85, no Maranhão, foi consequência direta dos entraves criados pela exploração colonial, que feriam os interesses dos proprietários das lavouras canavieiras, e teve como objetivo a abolição do monopólio de comércio exercido por Portugal. 02. Os quilombos caracterizavam claramente a luta dos escravos pela sua libertação, o que gerou uma violenta reação dos opressores, que viram nos quilombos uma ameaça a toda estrutura colonial. 04. As rebeliões coloniais, ocorridas a partir do século XVIII, adotaram uma nova bandeira: a luta pela emancipação. Em Minas Gerais, eclodiram dois movimentos representativos dessa nova reivindicação - Revolta de Felipe dos Santos (1720) e Inconfidência Mineira (1789). Ambos tiveram como características fundamentais, além do caráter emancipatório, a intensa participação das camadas populares. 08. A “Guerra Guaranítica”, ocorrida no sul do Brasil, foi fruto da disputa pela redefinição dos limites territoriais entre portugueses e espanhóis, através do Tratado de Madri (1750). Nesse conflito, envolveram-se jesuítas e índios guaranis da Colônia do Sacramento e da região dos Sete Povos das Missões.

16. A “Confederação dos Tamoios” (1554-55) representou um importante grito de resistência contra o colonizador português, chegando a colocar em perigo o próprio domínio metropolitano, no Rio de Janeiro e na capitania de São Vicente. 06. (UEPG PR) Sobre a expansão ibérica do Século XV, assinale o que for correto. 01-02-08-16 01. A expansão marítima - colonizadora portuguesa do século XV foi influenciada pela cultura medieval, que afirmava a existência de lugares paradisíacos na Terra. 02. A empresa colonial envolvia: o caráter mercantil da burguesia, o espírito belicista da nobreza, o interesse do Estado moderno absolutista e o velho ideal cruzadista. 04. A circulação das riquezas oriundas das colônias ibéricas despertou o interesse dos reinos da França, Holanda e Inglaterra que passaram a contestar a validade do Tratado de Tordesilhas e a investir contra os territórios ibéricos. 08. A emergência de outras potências marítimo-comerciais forçou Portugal a redefinir sua política colonial. Diminuiu-se a ênfase no comércio com as Índias e valorizou-se a colônia brasileira, ameaçada pelas frequentes expedições francesas. 16. O insucesso do sistema de capitanias hereditárias levou a uma reorganização do sistema administrativo colonial com a criação do governo-geral, com sede na Bahia. 07. (UERN) “Importante reforçar que a presença francesa nas costas da capitania do Rio Grande não seria possível não fosse a aliança estabelecida com os índios potiguares que viviam por todo o litoral norte-rio-grandense, ficando a taba principal na Aldeia Velha, área que se estende entre o atual bairro de Igapó e a praia da Redinha. De todos os franceses que estiveram por essas bandas, Charles de Vaux e Jacques Riffault foram os mais constantes, sendo que este último, no dizer de Medeiros (1973, p. 25), ‘traficante, aventureiro comerciante de Diepe, fundeava suas naus um pouco mais ao sul da curva do rio Potengi, resguardando-as de possíveis eventualidades’. Um topônimo gravou o local e fixou o fato inconteste: diz-se Nau dos Refoles, ou simplesmente Refoles, até hoje, a parte do bairro do Alecrim (Natal) onde se ergue a Base Naval.” (Trindade, 2010.)

Segundo o texto, os potiguares do Rio Grande do Norte chegaram a estabelecer relações com os franceses. Na tentativa de estabelecer uma colonização no território americano, a França chegou a tentar fundar duas colônias no país. Assinale-as. a) Oriental e Ocidental b) Antártica e Equinocial c) Equatorial e Litorânea d) Atlântica e Continental 535

C09  Presença francesa no Brasil

d) rivalidade entre católicos e protestantes na colônia francesa, o que levou os padres capuchinhos a buscarem o auxílio da Coroa para combater os reformistas. e) política francesa de repressão as heresias dos índios, conduzida pela Inquisição, que promovia o afastamento das lideranças tribais, obrigando-as a conversão.


FRENTE

C

HISTÓRIA

MÓDULO C10

ASSUNTOS ABORDADOS nn Presença holandesa no Brasil:

União Ibérica e invasão holandesa nn União Ibérica nn Invasão holandesa

PRESENÇA HOLANDESA NO BRASIL: UNIÃO IBÉRICA E INVASÃO HOLANDESA Após as primeiras décadas da chegada dos portugueses na América, devido à falta de metais preciosos, a solução para obter alguma forma de riqueza na nova colônia foi promover a produção de um gênero agrícola bastante apreciado e de valor elevado no mercado europeu. O açúcar se enquadrava nessas exigências. Desde o século XIII, os europeus já conheciam o açúcar, porém seu preço era elevado, por ser produzido no Extremo Oriente e chegava à Europa em pequenas quantidades. Entre os séculos XV e XVI espanhóis e portugueses, então, promoveram plantio de cana-de-açúcar em suas colônias, a fim de adquirir este produto. Em 1532, as terras foram distribuídas entre colonos interessados e foi criado o primeiro engenho no Brasil. Em menos de vinte anos as plantações de cana se espalharam pelo litoral, de forma que por volta de 1550 o Brasil já era o maior produtor de açúcar. No Nordeste, principalmente em Pernambuco, encontraram-se excelentes condições de clima e solo, ali se instalando rapidamente dezenas de engenhos e vilas. A princípio, a empresa açucareira enfrentou alguns obstáculos, principalmente no processo de manufatura para a obtenção do produto final, que era o açúcar tipo mascavo. Além das embarcações para transporte dos colonos e dos equipamentos, o custo para construção de um engenho era muito oneroso, pois os equipamentos eram de altíssimo custo, como, por exemplo, as fornalhas, moendas e vasilhas de cobre. Nesse sentido, os holandeses surgem como peça vital para viabilizar a empresa açucareira na colônia. Os holandeses já comercializavam o açúcar produzido pelos portugueses nas ilhas atlânticas. Já no Brasil, emprestavam o capital necessário, exigindo em troca os direitos de refinaria e distribuição no mercado europeu.

Fonte: Wikimedia Commons

A contribuição dos holandeses para a expansão do mercado açucareiro foi um dos principais fatores para o êxito da colonização do Brasil. Destacando-se tanto no comércio, como nas finanças no Velho Mundo, os holandeses eram nessa época os únicos com organização comercial suficiente para criar um mercado de grandes proporções para um produto como o açúcar, no entanto, um evento colocaria fim às relações harmônicas entre Portugal e Holanda.

536

Figura 01 - Gravura demonstrando a manufatura do açúcar.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

União Ibérica Em 1578, morrera em batalha contra os mouros, em Alcácer-Quibir (atual Marrocos), o jovem rei de Portugal, dom Sebastião. Este, por sua vez, não deixara herdeiros, gerando uma grave crise sucessória para monarquia portuguesa. Dessa forma, o trono fora ocupado por seu tio-avô dom Henrique, cardeal de Lisboa, de 66 anos, que viria a falecer dois anos depois, também não deixando herdeiros. A ambição pela coroa desencadeou uma acirrada disputa pela ocupação do trono. Rapidamente, Felipe II, então rei da Espanha e neto do falecido rei português D. Manuel I, se candidatou a assumir o trono do país vizinho. A fim de garantir sua ascensão ao trono, além do argumento de parentesco, o rei hispânico usou de ameaça militar contra os portugueses.

C10  Presença holandesa no Brasil: União Ibérica e invasão holandesa

Fonte: Wikimedia Commons

Dessa forma, o trono português foi ocupado pelo rei espanhol, centralizando o poder de ambos os países em um único governo, dando início à chamada União Ibérica.

Figura 02 - Pintura representando o rei espanhol Filipe II subindo ao trono português.

A ascensão do rei espanhol ao trono português possibilitou a recuperação econômica da Espanha, a qual vinha sofrendo com diversos gastos em embates militares. Para isso, os espanhóis adentraram no comércio de escravos juntamente com portugueses, que já coordenavam tal atividade na costa africana. Ao mesmo tempo, o controle sobre boa parte do território colonial americano permitia a ampliação dos recursos obtidos por meio da arrecadação de impostos. Apesar de todas as vantagens do governo espanhol, o rei Felipe II foi diplomático em manter significativa parcela de privilégios e cargos ocupados por comerciantes e burocratas portugueses. Um exemplo disso foi o Tratado de Tomar, de 1581, no qual o rei espanhol assegurava que os navios portugueses mantinham o controle do comércio com a colônia, a permanência as autoridades lusitanas no espaço colonial brasileiro e o respeito a suas leis e costumes. 537


História

Invasão holandesa Com a União Ibérica, os países adversários da Espanha tornaram-se também inimigos de Portugal, até mesmo os holandeses, que mantinham relações comerciais amistosas com os lusitanos, principalmente na empresa açucareira. A relação entre espanhóis e holandeses era marcada por atritos, de forma que, em 1621, o governo da União Ibérica fechara seus portos e os de suas colônias aos navios holandeses, incluindo os do Brasil. A decisão desagradou os comerciantes flamengos, como também eram conhecidos os holandeses, que, por isso, inclinaram-se para a ocupação do nordeste da colônia portuguesa, principal centro açucareiro da América. O instrumento para isso foi a Companhia das Índias Ocidentais, fundada naquele mesmo ano. Três anos depois, chegava bombardeando Salvador uma esquadra holandesa com 26 navios. Em pouco tempo, os holandeses foram vitoriosos, tomando conta da cidade. Seguiu-se, então, um período de quase um ano de lutas, no qual grupos luso-brasileiros tentaram, por meio de ataques de guerrilha, impedir a chegada dos invasores no interior da capitania. Estes só foram vencidos após o envio de reforços pelo governo da União Ibérica, tendo, então, abandonado Salvador. Em 1630, porém, a Companhia das Índias Ocidentais decidira invadir Pernambuco, que, com 137 engenhos, era o maior fornecedor de açúcar da colônia, produzindo algo em torno de 700 mil arrobas anuais. Dessa vez os holandeses, com mais navios e soldados, conseguiram ocupar Recife e Olinda, e posteriormente toda a capitania. A fim de conquistar a simpatia da elite local, os holandeses tomaram algumas medidas, como garantir a segurança dos não revoltosos e o confisco e venda de mais de 60 engenhos abandonados. Dessa forma, os novos administradores criavam vínculos, inibindo possíveis focos de resistência naquele domínio.

C10  Presença holandesa no Brasil: União Ibérica e invasão holandesa

Figura 03 - Gravura demonstrando uma esquadra da Companhia das Índias Ocidentais.

538

Fonte: Wikimedia Commons

Em 1637, os flamengos já haviam expandido sua área de influência no Nordeste, controlando as zonas litorâneas das capitanias de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande, atual estado do Rio Grande do Norte.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios de Fixação

No contexto da União Ibérica, todas as alternativas estão corretas, exceto a: a) Em 1640 terminou o domínio espanhol, por meio do movimento liderado pelo Duque de Bragança. O duque foi coroado monarca de Portugal, dando início à dinastia de Bragança. b) Neste período, o Tratado de Tordesilhas não teve nenhum efeito entre os limites territoriais portugueses e espanhóis na América. Isso favoreceu o avanço português para o interior da colônia. c) O principal motivo da União Ibérica foi a tentativa da França de anexar a Espanha ao seu território. A União do exército espanhol com o exército português conseguiu afastar esta ameaça. d) Os holandeses invadiram o nordeste neste período e dominaram Pernambuco, pois os espanhóis não estavam permitindo o contato comercial dos batavos com os produtores de açúcar. 02. (Uem PR) Sobre a colonização europeia da América ao longo da época moderna, assinale o que for correto. 04-08 01. Somente no século XVIII, sob o reinado de Luís XIII, é que a ocupação da América pelos franceses assumiu um caráter mais decisivo, com a ocupação do Canadá, de algumas ilhas da América Central, e com a fundação da França Antártida no litoral da Argentina. 02. Os ingleses fundaram treze colônias no litoral Atlântico da América do Norte. As colônias mais ao norte – a Nova Inglaterra – foram colonizadas tendo por base a grande produção agrícola e o trabalho escravo. A presença do negro na colonização daquela região dos Estados Unidos contribuiu para a compreensão da influência dos negros na cultura norte–americana, sobretudo na música country. 04. A ação dos holandeses foi caracterizada pela atuação das companhias de comércio, formadas por capitais privados. A Companhia das Índias Ocidentais, fundada em 1621, organizou a conquista e a colonização das possessões holandesas na América. 08. A mineração foi uma das atividades econômicas mais importantes desenvolvidas na América espanhola. Na mineração, a mão de obra predominante foi a indígena, a partir da mita – o trabalho compulsório. 16. A existência, em nossos dias, de países latino–americanos em que a população é predominantemente de origem indígena mostra que, ao contrário de Portugal, a Espanha sempre tratou com muito respeito às populações nativas das suas colônias americanas.

03. (Puc SP) A invasão e a ocupação holandesas no nordeste do Brasil, ocorridas durante o período da União Ibérica (15801640), a) derivaram dos conflitos territoriais entre Portugal e Espanha, que fragilizaram o controle português sobre a colônia. b) foram resultado das disputas entre Holanda e Inglaterra pelo controle da navegação comercial atlântica. c) derivaram dos interesses holandeses na produção e comercialização do açúcar de cana. d) foram resultado do expansionismo naval espanhol, que desrespeitou os limites definidos no Tratado de Tordesilhas. e) derivaram da corrida colonial, entre as principais potências europeias, na busca de fontes de matérias-primas e carvão. 04. (Puc Campinas SP) O Reino mencionado no texto conheceu um período de subordinação política à Espanha que se estendeu por décadas. Essa fase, a) iniciada pela Reformas Bourbônicas, culminou na remodelação do Pacto Colonial e em nova organização administrativa e fiscal, mais rigorosa, das colônias portuguesas. b) marcada pelo predomínio do Império Espanhol, foi desencadeada pela medida de expulsão dos jesuítas pela Corte Portuguesa, cuja consequência imediata foi a invasão de Portugal por Carlos III, rei católico. c) chamada de União Ibérica, ocorreu após a invasão de Portugal pelas forças de Filipe II, monarca que reivindicou o trono português com o fim da dinastia de Avis e a inexistência de herdeiros diretos. d) interrompida pela Revolução Gloriosa, permitiu aos holandeses que se instalassem na região nordeste da colônia, até serem expulsos por tropas inglesas que vieram em auxílio às milícias portuguesas. e) vinculada à vigência do Reino Unido de Portugal e Algarves, ocorreu devido ao casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, evento que consolidou a aliança entre as duas coroas, com predomínio da espanhola. 05. (Unimontes MG) Os holandeses invadiram áreas do Nordeste, pertencentes à América portuguesa, após a interrupção de sua participação no comércio do açúcar. Tal interrupção derivou-se, entre outros fatores, da a) presença comercial dos franceses no Maranhão inviabilizando o livre comércio antes mantido em todo o norte e principalmente em Pernambuco. b) política de monopólio comercial portuguesa, que foi prejudicial à produção em larga escala do açúcar de cana. c) Guerra de independência dos Países Baixos contra a Espanha e dos reflexos da administração colonial promovidos sob o governo filipino na União Ibérica. d) consolidação dos interesses ingleses no domínio do mercado açucareiro europeu, para o qual contaram com o apoio dos senhores de engenho de Olinda.

539

C10  Presença holandesa no Brasil: União Ibérica e invasão holandesa

01. (Acafe SC) A União Ibérica (1580-1640) caracterizou-se quando Filipe II invadiu Portugal com suas tropas e assumiu a coroa portuguesa, unindo Portugal e Espanha.


História

Exercícios Complementares 01. (Fameca SP) Na escolha do Brasil como alvo do ataque empresado pela WIC pesou uma variedade de motivos. A América portuguesa constituiria o elo frágil do sistema imperial castelhano, em vista da sua condição de possessão lusitana, o que conferia à sua defesa uma posição subalterna na escala de prioridades militares do governo de Madri. Contava-se também com a obtenção de lucros fabulosos a serem proporcionados [...]. (Evaldo Cabral de Mello. O Brasil holandês, 2010.)

C10  Presença holandesa no Brasil: União Ibérica e invasão holandesa

Esse ataque da companhia holandesa WIC pode ser interpretado como a) uma demonstração da importância da América portuguesa, graças ao pau-brasil e ao café, mercadorias valiosas ao comércio holandês. b) uma expressão da disputa, entre as potências europeias, pelas minas de ouro, prata e diamantes da América portuguesa. c) um resultado da fragilidade da defesa na América portuguesa, devido ao maior interesse no comércio de produtos orientais. d) uma consequência direta do domínio britânico sobre Portugal e suas possessões coloniais, que os tornou inimigos da Holanda. e) um esforço holandês para manter e ampliar os lucros no comércio internacional de açúcar, no período de união das coroas ibéricas. 02. (FM Petrópolis RJ) Ao longo do período colonial da História do Brasil, o Império Português foi vítima de assédio e de tentativas de invasão de seus territórios ultramarinos por parte de diversas potências rivais. Alguns exemplos de invasões estrangeiras na América Portuguesa estão listados a seguir: 1612 – Estabelecimento da França Equinocial 1624 – Tentativa derrotada da invasão holandesa a Salvador 1630 – Tomada de Recife e Olinda por invasores holandeses A interpretação dos dados acima permite identificar que uma causa direta de todas essas invasões estrangeiras foi a a) fuga da Corte portuguesa para a América. b) vitória francesa na Guerra dos Sete Anos. c) conclusão da Reconquista da Península Ibérica. d) guerra de Restauração Portuguesa contra a Espanha. e) criação da União das Coroas Ibéricas. 03. (IF SC) Os holandeses estão entre os diversos povos que invadiram ou tentaram invadir o território que hoje corresponde ao Brasil, durante o período colonial, no século XVII.

540

Sobre a presença holandesa no Brasil, assinale a alternativa CORRETA. a) Os holandeses estabeleceram suas colônias no Sudeste brasileiro. b) Os holandeses eram parceiros comerciais dos portugueses na atividade açucareira. c) O principal interesse dos holandeses era a crescente economia cafeeira. d) Os portugueses estabeleceram uma política de cordialidade com os holandeses quando estes invadiram sua colônia. e) Os holandeses saíram do Brasil por meio de um processo chamado “União Ibérica”. 04. (IF RS) A produção do açúcar no Brasil colonial foi financiada durante décadas pelos bancos holandeses, pois o empreendimento do engenho demandava um grande investimento que, no século XVI, os cofres portugueses ainda não dispunham. Contudo, no século XVII essa relação comercial entre Portugal e Holanda foi encerrada, fato que resultou em consequências bastante significativas para o Brasil, pois, em 1630, a famosa empresa comercial holandesa “Companhia das Índias Ocidentais” organizou a invasão à Capitania de Pernambuco no nordeste brasileiro. Essa crise política entre Portugal e Holanda resultou de um evento muito importante ocorrido na Europa entre os séculos XVI e XVII. Falamos aqui a) da União Ibérica. b) das Guerras Napoleônicas. c) dos Atos de Navegação instituídos por Oliver Cromwell. d) da Guerra entre Espanha e Inglaterra. e) da Guerra dos Cem Anos. 05. (Ufpel RS) A colonização oficial do Brasil coincide com o estabelecimento do sistema de capitanias hereditárias e a criação dos primeiros engenhos de açúcar. Outros fatores coetâneos a essas iniciativas são a) união Ibérica, guerra contra a Holanda, substituição do trabalho compulsório indígena pelo africano. b) fundação de Salvador (primeira capital da América Portuguesa), criação da França Antártica, predomínio do trabalho escravo africano nas áreas mais ricas da América Portuguesa. c) confederação dos Tamoios, chegada dos Jesuítas ao Brasil, trabalho compulsório indígena. d) crise do Império Português do Oriente, participação de capitais holandeses no financiamento e comercialização do açúcar, superexploração do trabalho indígena. e) busca de centralização do poder mediante o estabelecimento de um Governo-geral, início do tráfico negreiro, guerra contra a Holanda.


FRENTE

C

HISTÓRIA

MÓDULO C11

PRESENÇA HOLANDESA NO BRASIL: GOVERNO DE MAURÍCIO DE NASSAU E INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA

ASSUNTOS ABORDADOS nn Presença holandesa no Brasil: Go-

Durante a dominação comercial e militar dos holandeses, entre 1630 e 1644, houve naquela parte da colônia várias mudanças. Uma delas foi a inesperada tolerância religiosa, em especial para os judeus. A capital pernambucana abrigava indivíduos de diferentes culturas e religiões e, por certo tempo, foi a única cidade do mundo a enquadrar três religiões em um único ambiente – o judaísmo, o catolicismo e o calvinismo.

verno de Maurício de Nassau e Insurreição Pernambucana nn O Governo de Maurício de Nassau nn Insurreição Pernambucana

Segundo alguns pesquisadores, os judeus, até aquele momento, jamais alcançaram tamanha liberdade religiosa como no Brasil holandês, principalmente durante o governo de Maurício de Nassau. No entanto, no caso dos judeus havia razões inclusive econômicas para essa tolerância. A Companhia das Índias Ocidentais não possuía fundos suficientes para financiar suas operações, sendo obrigada a encorajar a migração de judeus portugueses, que se tornaram intermediários, fornecendo dinheiro, crédito e as provisões necessárias para colocar a produção de açúcar novamente em funcionamento. A tolerância religiosa era mal vista por muitos governos na época, pois supostamente abriria espaço para dissidências internas e, consequentemente, para o enfraquecimento do poder. Nassau enfrentou dificuldades para aplicar tal política, tendo de bater de frente contra a maior parte dos calvinistas da localidade e dos próprios diretores da Companhia das Índias, que defendiam uma política menos tolerante.

Fonte: Wikimedia Commons

Essa foi apenas uma das medidas progressistas que foram implantadas no Brasil holandês, durante a gestão de Maurício de Nassau. Nesta aula, veremos algumas delas.

Figura 01 - Placa da antiga Rua dos Judeus, no Recife antigo.

541


História

Fonte: Wikimedia Commons

O Governo de Maurício de Nassau No ano de 1637, chegou ao Brasil, sob o mando da Companhia das Índias Ocidentais, o conde João Maurício de Nassau com a incumbência de governar o Nordeste conquistado pela Holanda, este que passou a ser chamado Nova Holanda. No início de sua administração, Nassau já implementou uma série de medidas: nomeou funcionários responsáveis pelo poder jurídico; implantou um sistema administrativo baseado no modelo holandês; assegurou liberdade de crença aos moradores da capitania; garantiu aos judeus proteção em suas sinagogas; estimulou a diversificação da produção de gêneros agrícolas e procurou retomar a economia açucareira. Para isso, por meio da Companhia, concedeu empréstimos aos senhores de engenho que tiveram seu maquinário arruinado durante o período de guerra. Ao mesmo tempo, entre 1630 e 1651, os holandeses trouxeram para os engenhos nordestinos cerca de 26 mil africanos para serem escravizados. Reformas de Nassau

C11  Presença holandesa no Brasil: Governo de Maurício de Nassau e Insurreição Pernambucana

Maurício de Nassau construiu, na ilha de Antônio Vaz, que hoje é um bairro de Recife, uma cidade à qual deu o nome de Maurícia e mandou construir dois palácios para si, onde montou Figura 02 - Pintura retratando João Maurício de Nassau. um jardim botânico, um zoológico com espécies da região e um museu da cultura indígena. Além disso, ele trouxe da Holanda uma comitiva formada por pintores, astrônomos, botânicos e artífices, com o encargo de catalogar, pintar, estudar e preservar as plantas e os animais da região. Esses estudiosos deixaram um rico acervo iconográfico e documental, considerado a mais importante obra científica a respeito do Brasil realizada antes do século XIX. O açúcar em crise Em 1640, a nobreza portuguesa conseguira restaurar a monarquia e a independência do país. Com o fim da União Ibérica, Portugal estabeleceu com a Holanda um acordo de paz pelo qual reconhecia o domínio holandês sobre terras até então conquistas na África e no Brasil, assegurando aos flamengos o direito de propriedade dos engenhos localizados nesses territórios. No entanto, os holandeses ainda pretendiam expandir seus domínios no país, tendo violado o acordo. No ano seguinte, os holandeses invadiram regiões no Maranhão e em Sergipe. Nesse período, a produção açucareira de Pernambuco passava por uma crise provocada por incêndios nos canaviais, epidemias entre os escravos e longos períodos de seca. Os preços do produto no mercado internacional sofriam baixas, de forma que os senhores de engenho não conseguiam quitar as dívidas adquiridas junto à Companhia das Índias Ocidentais. Esta, por sua vez, recusando a ordem de Nassau, exigiu o pagamento imediato das dívidas, além de aumentar os impostos sobre o açúcar. Diante dessa situação, em 1644, Nassau retornara para a Holanda. 542


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Insurreição Pernambucana Insatisfeitos, os senhores de engenho articularam uma rebelião visando expulsar os holandeses do Nordeste. Os conflitos, que iniciaram em 1645 e se estenderam por nove anos, foram chamados de Insurreição Pernambucana ou Guerra Brasílica. Em 1648 e 1649, os holandeses foram derrotados em duas batalhas decisivas que ocorreram nos montes Guararapes, ao sul do Recife. A dupla queda os obrigou a se retirar de Olinda e concentrar suas forças na cidade de Maurícia. Ali ficaram até janeiro de 1654, quando uma esquadra portuguesa invadiu a cidade. Fragilizadas, as tropas holandesas se renderam. Pernambuco voltara então a fazer parte do domínio português. Os holandeses então concordaram com a Paz de Haia, assinada em 1661. Sob intermédio inglês, devolviam os domínios coloniais a Portugal em troca de uma indenização. A partir daquele momento, estreitavam-se os vínculos entre Portugal e Inglaterra.

Figura 03 - Batalha de Guararapes (1879), de Victor Meirelles.

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C11  Presença holandesa no Brasil: Governo de Maurício de Nassau e Insurreição Pernambucana

Fonte: Wikimedia Commons

Durante os 24 anos em que estiveram no nordeste brasileiro, os holandeses aperfeiçoaram as técnicas de manufatura do açúcar e passaram a aplicá-las em sua colônia, na região do Caribe. Em pouco tempo, o açúcar produzido nessa região tornou-se forte concorrente do produto nordestino no mercado externo, levando a economia açucareira da colônia a entrar em crise.


História Gabaritos 02. A chamada Insurreição Pernambucana - confronto militar entre brasileiros sob orientação de portugueses metropolitanos contra holandeses sob orientação da Companhia das Índias Ocidentais - encerrou as invasões holandesas no Brasil. Depois de 1640, quando terminava o domínio espanhol sobre Portugal, acumulavam-se razões para a insurreição. A retirada do conde Nassau do Brasil, a mudança de postura administrativa, fiscal e religiosa da Companhia das Índias, a consequente insatisfação dos senhores de engenho e o embrionário aparecimento do nativismo na região somaram-se à disputa mercantil açucareira, contribuindo para a eclosão daquele confronto.

Exercícios de Fixação 01. (Univ. Potiguar RN) São dadas as afirmações históricas: I. A fundação da cidade do Natal, em 25 de dezembro de 1599, se insere no contexto de colonização promovida por Portugal, sob a dominação espanhola. II. Os levantes indígenas contra a penetração portuguesa para o interior, no século XVII, pós-domínio holandês, levaram ao extermínio das populações e culturas indígenas na Capitania do Rio Grande (do Norte). III. O Rio Grande do Norte participou da Revolução de 1817, por meio de sua elite econômica e cultural, merecendo destaque Jerônimo de Albuquerque, Pe. Miguelinho e Mascarenhas Homem. Responda: a) Somente estão corretas as afirmações I e II. b) Somente estão corretas as afirmações II e III. c) Somente estão corretas as afirmações I e III. d) Todas estão corretas. 02. (Fuvest SP) Indique as principais razões da Insurreição Pernambucana contra os holandeses, ocorrida entre 1645 e 1654. 03. (UEMG) Leia o trecho abaixo:

C11  Presença holandesa no Brasil: Governo de Maurício de Nassau e Insurreição Pernambucana

Aprendeu-se a liberdade Combatendo em Guararapes Entre flechas e tacapes Facas, fuzis e canhões Brasileiros irmanados Sem senhores, sem senzala E a Senhora dos Prazeres Transformando pedra em bala Bom Nassau já foi embora Fez-se a revolução E a festa da Pitomba é a reconstituição. Jangadas ao mar Pra buscar lagosta Pra levar pra festa Em Jaboatão Vamos preparar Lindos mamulengos Esse é um trecho do samba-enredo “Onde o Brasil aprendeu a liberdade”, da escola de samba Unidos de Vila Isabel, de 1972, que foi escrito por Martinho da Vila, Rodolpho, Graúna. O samba-enredo faz referência à luta contra a presença holandesa, no período colonial brasileiro. Considerando o contexto da dominação holandesa na América portuguesa, pode-se afirmar CORRETAMENTE que a) os holandeses invadiram a colônia portuguesa, porque Portugal proibiu que a Companhia das Índias Ocidentais holandesas continuasse a comprar o açúcar produzido no Brasil para ser revendido na Espanha.

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b) o início da ocupação holandesa na América portuguesa se deu pela Bahia, sede do governo colonial e principal produtora de açúcar no século XVII, e se estendeu até a Capitania do Maranhão. c) durante o governo de Maurício de Nassau, a insatisfação dos nordestinos atingiu seu cume, pois, nessa época, os holandeses começaram a cobrar os empréstimos anteriormente feitos aos senhores de engenho e puniam com severidade aqueles que não os pagassem. d) os holandeses estabeleceram a tolerância religiosa nas regiões conquistadas no Brasil, possibilitando a convivência pacífica entre pessoas que professavam religiões diferentes e tornando-se um porto seguro contra as perseguições religiosas que aconteciam na Europa. 04. (Puc RS) Considere as realizações atribuídas ao Governo de Maurício de Nassau, instaurado entre os anos de 1637 a 1644, devido às invasões holandesas no Brasil. 1. Vinda de artistas e intelectuais da Europa. 2. Estabelecimento do monopólio do mercado exportador. 3. Garantia de liberdade religiosa. 4. Urbanização de Recife. 5. Conquista de Alagoas e Bahia. Todas as afirmativas corretas estão reunidas em a) 1 e 3. d) 2, 4 e 5. b) 2 e 4. e) 2, 3, 4 e 5. c) 1, 3 e 5. 05. (UFRN) Ao se referir ao domínio holandês sobre a capitania do Rio Grande, no século XVII, Câmara Cascudo afirmou: “A conservação do Rio Grande foi uma questão vital, indiscutida, e todas as fontes holandesas são unânimes [...]. ‘Em 1635 os Conselheiros Políticos exaltaram a conquista final desta Capitania, como um benefício inestimável da fortuna’.” CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal: RN Econômico, 1999. p. 66.

Um dos motivos pelos quais os flamengos exaltaram a conquista da capitania do Rio Grande foi o seguinte: a) sem o amplo controle do rebanho bovino dessa capitania, a alimentação da crescente população holandesa em Pernambuco seria algo muito difícil. b) para os holandeses, o essencial era o domínio da região açucareira do Engenho Cunhaú, cuja produção rivalizava com as dos maiores centros produtores do Nordeste. c) à época, o expressivo processo de urbanização de Natal tornava o domínio dessa capitania imprescindível para a instalação da estrutura administrativa dos holandeses. d) com a derrota holandesa na Batalha dos Guararapes, Maurício de Nassau foi forçado a deslocar suas tropas de Recife para a chamada Nova Amsterdam.


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Exercícios Complementares

binos portugueses do Recife enviaram carta (de 14/09/1642)

03. (UFRN)

Brasil, da natureza e inclinações dos moradores, das neces-

No início do século XIX, era grave a situação da Capitania de Pernambuco. Com o governo português já estabelecido no Brasil, sob Dom João VI, nela ocorreu a maior rebelião colonial, que se destacou das demais, também, por se ter estendido às capitanias vizinhas: Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. No Rio Grande do Norte, a figura de maior destaque na Revolução Pernambucana de 1817 foi:

sidades e circunstâncias do governo que aqui se requer, e da

a) Pedro Velho.

disposição(...) entendimento e afabilidade e mais partes do

b) Filipe Camarão.

dito Senhor no governar, que se ele se ausenta deste Estado,

c) José Inácio Borges.

muito em breve se há de tornar a aniquilar tudo o que com

d) André de Albuquerque.

sua presença floresceu e se alcançou.”

e) Jerônimo de Albuquerque.

aos Estados Gerais da Holanda, em que afirmavam: “(...) não sabemos encarecer a Vossas Serenidades com palavras o muito que sentiremos com sua partida e deixada à parte a nossa conveniência, afirmamos a Vossas Serenidades pela experiência e notícia que temos desta terra do

A carta revela a) a hostilidade surda dos portugueses aos holandeses.

04. (Puc Campinas SP)

b) o apoio sutil dos portugueses aos holandeses.

A contribuição dos flamengos − particularmente dos holan-

c) a fragilidade do domínio holandês no Nordeste.

deses − para a grande expansão do mercado do açúcar, na

d) a antipatia da população em geral ao governo holandês.

segunda metade do século XVI, constitui um fator funda-

e) a popularidade da administração de Maurício de Nassau.

mental do êxito da colonização do Brasil. Especializados no

02. (Ibmec RJ) “As hostilidades dos colonos luso-brasileiros contra os holandeses começaram ainda antes da partida de Nassau - com a retomada do Maranhão, em fevereiro de 1644 -, demitido de seu cargo pelos diretores da companhia. O respaldo ideológico do catolicismo foi fundamental para unir os colonos luso-brasileiros contra o inimigo calvinista. Não por acaso a insurreição foi denominada pelos próprios senhores de Guerra da Liberdade Divina.” (Aquino, Fernando, Gilberto e Hiran. Sociedade brasileira. Uma história através dos movimentos sociais. RJ: Record, 1999, p. 148).

Considerando o texto, a Insurreição Pernambucana contra os holandeses resultou do(a): a) Confronto entre proprietários de escravos portugueses e os religiosos holandeses abolicionistas. b) Interesse inglês em romper com o predomínio mercantil holandês no Atlântico Sul. c) Pressão da companhia holandesa para que os proprietários rurais pagassem suas dívidas. d) Caráter religioso antagônico entre holandeses, protestantes, e os portugueses, católicos, no Brasil. e) Pressão diplomática portuguesa com apoio da monarquia inglesa para resgatar seus domínios ocupados pelos

comércio intraeuropeu, grande parte do qual financiavam, os holandeses eram nessa época o único povo que dispunha de suficiente organização comercial para criar um mercado de grandes dimensões para um produto praticamente novo, como era o açúcar. (Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1977. p. 10 e 11)

O texto permite afirmar que para o autor, a) as condições favoráveis à produção açucareira na colônia portuguesa foram responsáveis pela criação de amplo mercado para o comércio dos holandeses na Europa. b) os recursos do engenho voltados à produção de cana-de-açúcar dependiam do preço do açúcar conseguido pelos portugueses e holandeses no mercado internacional. c) o domínio holandês no Brasil constituiu um episódio central para o sucesso da produção de cana-de-açúcar e a comercialização da produção do açúcar na Europa. d) os holandeses transformaram a economia açucareira numa atividade agrícola medianamente lucrativa, nas colônias americanas dominadas pela Coroa portuguesa. e) a associação entre a Coroa portuguesa e os comerciantes holandeses foi fundamental para o desenvolvimento e a consolidação da indústria açucareira no Brasil.

holandeses.

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C11  Presença holandesa no Brasil: Governo de Maurício de Nassau e Insurreição Pernambucana

01. (FGV SP) Durante a ocupação holandesa no Nordeste, os esca-


FRENTE

C

HISTÓRIA

MÓDULO C12

ASSUNTOS ABORDADOS nn Entradas, bandeiras e tratados

limites

nn Entradas e bandeiras nn Expansão territorial: tratados limites

ENTRADAS, BANDEIRAS E TRATADOS LIMITES A colonização do Brasil baseou-se na agricultura de exportação, o que possibilitou a ocupação efetiva do litoral. Durante muito tempo, segundo a expressão de frei Vicente do Salvador, os colonos limitaram-se a “andar arranhando as terras ao longo do mar como caranguejos.” Até o início do século XVII, os colonizadores viviam em vilas fundadas na região litorânea brasileira, especialmente no Nordeste. A principal atividade produtiva visava à manufatura do açúcar, estando a maior parte dos engenhos instalada nas capitanias da Bahia e Pernambuco. Na segunda metade desse mesmo século, com o aumento da criação de gado extensiva, a ocupação avançou para o interior, partindo, inicialmente, do território nordestino. Nesse sentido, começaram a surgir os currais, que eram grandes fazendas voltadas para a pecuária. Nesse contexto foi que se deu a ocupação do vale do rio São Francisco e parte do sertão nordestino. Devido à invasão de estrangeiros na Região Amazônica, a coroa portuguesa enviou para lá várias expedições militares a fim de expulsar os invasores. Com isso, foram fundadas por integrantes dessas expedições, vilas, que mais tarde dariam origem a várias cidades.

Fonte: Gustavo Frazao / Shutterstock.com

A expansão pela região amazônica foi igualmente favorecida pela exploração de plantas muito apreciadas no mercado nacional e internacional, ou seja, das drogas do sertão (ervas medicinais e aromáticas, guaraná, pimenta, cravo e castanhas). Muitos desbravadores adentravam pela floresta amazônica para coletar essas drogas e as vender para comerciantes da região nordestina e também na Europa.

Figura 01 - Floresta Amazônica no Brasil.

546


Ciências Humanas e suas Tecnologias

As entradas eram campanhas organizadas pela coroa portuguesa, tendo por finalidade promover a captura de índios, a destruição de comunidades quilombolas e a procura por metais e pedras preciosas. As bandeiras possuíam basicamente os mesmos objetivos, no entanto, o bandeirantismo era promovido por particulares, geralmente interessados na escravização de indígenas. A capitania de São Vicente havia mergulhado em uma profunda pobreza, o que os impulsionava na busca por novas riquezas. Foi então que se formou a Bandeira de Prospecção, a qual consistiu na penetração no interior do Brasil a fim de encontrar metais preciosos. Com o controle holandês sobre as regiões africanas que eram fornecedoras de escravos, houve uma diminuição da oferta dessa mão de obra nas lavouras brasileiras, o que favoreceu a formação das Bandeiras de Preação, que visavam à captura dos índios para oferecê-los como escravos.

(TEIXEIRA, Francisco. Brasil história e sociedade; página 101.)

Os principais tratados foram: nn Tratado de Utrecht (1713) – estabelecia que o rio Oiapoque

seria a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. – estabelecia que a Colônia de Sacramento pertencesse ao Brasil. nn Tratado de Madri (1750) – anulou o tratado de Tordesilhas e determinou que Sacramento ficasse com a Espanha e Sete Povos das Missões com Portugal. O tratado não pôde ser cumprido devido à resistência dos jesuítas que moravam nos Sete Povos das Missões. nn Tratado de Utrecht ( 1715)

SAIBA MAIS Em 1750, o governador do Rio de Janeiro, conde de Bobadela, enviou uma carta ao Rei de Portugal, D. João V, na qual comentava a assinatura do Tratado de Madri: No tratado, a nossa demarcação passa por parte das Missões jesuítas, e surpreende-me como os jesuítas, tão poderosos na Corte de Madri, não embaraçam a conclusão desse tratado. Porém, pode ser que armem tantas dificuldades à execução do tratado, que tenhamos barreira para muitos anos. Como me persuado, Sua Majestade determinará que não seja evacuada a Colônia do Sacramento, enquanto não houver sido evacuadas as áreas das Missões. Adaptado: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/ cgilua.exe/sys/start.htm)

SAIBA MAIS

nn Tratado de Santo Ildefonso (1777) – estabelecia que

Sacramento e Sete Povos das Missões ficassem com a Espanha. nn Tratado dos Badajós (1801) – estabelecia que a região dos Sete Povos das Missões ficasse com Portugal e a colônia de Sacramento pertenceria à Espanha.

Tordesilhas

O aprisionamento de indígenas pelos bandeirantes foi uma forma de obter mão de obra para a lavoura e para o transporte. No litoral, o preço dos indígenas era bem menor que o dos escravos negros – o que interessava aos colonos menos abonados. O sistema de apresamento consistia em manter boas relações com uma tribo indígena, aproveitando seu estado de guerra quase permanente com seus adversários, para convencê-la a lhes ceder os vencidos, os quais costumeiramente eram devorados em rituais antropofágicos.

Destacamos, ainda, as Bandeiras de Sertanismo, organizadas para destruição de quilombos e captura de negros fugitivos.

Belém São Luís

T ratado de

Fortaleza Natal Paraíba Olinda Recife

Linha do

Com a mineração, a interiorização se consolidou, pois, com a descoberta do ouro, houve um deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Sudeste e a necessidade de se organizar um comércio interno, o que articulava as capitanias.

São Cristóvão Salvador

Vila Bela

Expansão territorial: tratados limites

Vila Boa Cuiabá Vila Rica

OCEANO

V itória PACÍFICO

Ao longo da segunda metade do século XVIII, Portugal e Espanha celebraram vários tratados, fixando limites de seus domínios na América. De modo geral, prevaleceu o princípio jurídico tradicional do direito romano do uti possidetis (direito de posse pelo uso efetivo), isto é, o reconhecimento do direito sobre o território por parte de quem já o ocupava. Na verdade, os limites estabelecidos nos acordos de 1750 fixavam de forma quase definitiva o perfil geográfico do Bra-

OCEANO ATLÂNTICO

Rio de Janeiro São Paulo Sete Povos

Curitiba

das Missões

Desterro

Colônia do

Sacramento Tratado de Tordesilhas - 1494

Rio Grande

Tratado de Madri - 1750

Tratado de Santo Ildefonso - 1777

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C12  Entradas, bandeiras e tratados limites

A interiorização deu-se por diversos fatores e empreendimentos, tais como as entradas e bandeiras, que eram expedições de exploração territorial que ocorreram no Brasil colônia entre os séculos XVII e XVIII.

sil, mais que dobrando o território originalmente delimitado pelo Tratado de Tordesilhas.

Opirus/Arte

Entradas e bandeiras


História

Exercícios de Fixação 01. (UEPG PR) Entre os fatores que foram determinantes na ocupação efetiva do interior do Brasil e na definição das linhas gerais de sua configuração geográfica, figura(m): 04-16 01. O Tratado de Tordesilhas (1494), que fixou os domínios portugueses e espanhóis na América. 02. As expedições para defesa e combate aos franceses, que fundaram as colônias da França Antártica e França Equinocial. 04. As entradas e bandeiras, expedições que buscavam riquezas minerais e índios para escravizar. 08. As culturas de cana-de-açúcar e fumo, que eram destinadas ao mercado interno. 16. O Tratado de Madri (1750), baseado no direito de ocupação, que integrou os Sete Povos das Missões ao domínio português. 02. (Unesp SP) (...) em diversas ocasiões, governadores, senhores de engenhos municipais convocaram sertanistas de São Paulo para empreender campanhas de “desinfestação” contra as populações revoltadas. (...) (John M. Monteiro, Negros da Terra.)

C12  Entradas, bandeiras e tratados limites

Além da atividade descrita no texto, os chamados bandeirantes paulistas, nos séculos XVI e XVII, empenharam-se essencialmente: a) na produção cafeeira. b) na defesa militar da costa. c) na exploração do pau-brasil. d) no apresamento de indígenas. e) no tráfico de escravos africanos. 03. (Uea AM) As Bandeiras de apresamento de índios e as de prospecção mineral alargaram o território da colônia brasileira, ultrapassando o Meridiano de Tordesilhas. Vários tratados foram assinados por Portugal e Espanha, visando estabelecer limites entre suas respectivas possessões territoriais na América do Sul, entre os quais o Tratado de Madri, de 1750, que a) consagrou o princípio do direito romano, segundo o qual quem possui de fato deve possuir de direito. b) encerrou definitivamente as negociações entre as metrópoles ibéricas sobre a demarcação de suas terras americanas. c) possibilitou a exclusão do território brasileiro de áreas de mata tropical cobertas por seringueiras no norte do subcontinente. d) legitimou, com a União Ibérica, a existência de uma só metrópole e uma única colônia nas regiões americanas. e) sustentou a independência e autonomia dos territórios indígenas controlados pelos jesuítas no sul do continente.

548

04. (UniRV GO) A partir do século XVII foi ampliada a ocupação do território brasileiro, bem como houve a expansão com a ocupação de áreas além do meridiano de Tordesilhas, especialmente no século XVIII. Os principais fatores que motivaram a ocupação e a expansão do território no Período Colonial foram: os fatores econômicos como o desenvolvimento da pecuária, do extrativismo vegetal e da mineração; a necessidade de defesa do litoral ao norte de Pernambuco; a formação de missões jesuíticas; e o movimento bandeirantes. Com base nessas informações citadas e na tabela abaixo sobre as diferenças de Bandeirantes e Entradas, marque V para alternativa(s) verdadeira(s) e F para alternativa(s) falsa(s): Entradas

Bandeirantes

Organizadas pelo governo

Organizadas geralmente por particulares

Respeitavam o Tratado de Tordesilhas

Não respeitavam o Tratado de Tordesilhas

Partiam de vários pontos no litoral

Partiam geralmente de São Domingos Jorge Velho.

a) O Movimento Bandeirante surgiu na capitania de São Vicente, sendo assim, a tabela acima apresenta um erro ao demonstrar que os Bandeirantes partiam de São Domingos Jorge Velho. b) O Sertanismo de Apresamento ou Ciclo da Caça ao Índio desenvolveu-se no final do século XVII e início do século XVIII. Nessa modalidade, os bandeirantes eram contratados geralmente pelo próprio Governo-Geral, autoridades em geral ou senhores de engenho. Merece destaque a expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, contratado por autoridades pernambucanas com apoio do Governo-Geral. c) O Sertanismo de Prospecção ou Ciclo de Caça ao Ouro, compreende a fase da destruição do Quilombo de Palmares, pelo bandeirante Antônio Rodrigues Arzão, o qual posteriormente no final do século XVII foi o responsável por encontrar as primeiras jazidas auríferas no atual território de Minas Gerais, que deram origem ao ciclo da mineração no Brasil. d) O Movimento Bandeirantes surgiu na capitania de São Domingos Jorge Velho, o que demonstra como correta a relação estabelecida na tabela acima. As bandeiras surgiram na região de São Domingos Jorge Velho em virtude da pobreza da região, resultante do declínio da produção açucareira no século XVI.


Ciências Humanas e suas Tecnologias

Exercícios Complementares

II.

III.

IV.

Os jesuítas fundaram missões (reduções) no interior do Brasil e isso despertou a cobiça dos bandeirantes, pois lá existiam milhares de nativos acostumados ao trabalho agrícola. Os paulistas praticaram o bandeirantismo como uma atividade econômica secundária à agromanufatura local, açucareira e exportadora, assentada no trabalho escravo negro e no latifúndio. As bandeiras de prospecção aconteceram ao final do século XVII com a descoberta de ouro nas serras gerais. A interiorização do povoamento deu origem às capitanias de Minas, Mato Grosso e Goiás.

Estão corretas somente: a) I, II e IV. b) I, III e IV. c) II, III e IV. d) I e IV. e) I e II. 02. (UFMS) Leia com atenção o texto abaixo. Do ponto de vista de sua organização, a expedição bandeirante era comandada por um chefe, também chamado cabo-de-tropa, que encerrava em suas mãos poderes absolutos sobre os subordinados. Além do chefe, as bandeiras mais numerosas possuíam os cargos de alferes-mor, de ronda-mor, de repartidor (responsável pela partilha dos índios apresados), de escrivão do arraial e de capelão. O preenchimento desses cargos era definido pela participação do sertanista na expedição, pela quantidade de homens sob seu comando, ou pelo volume de seu aviamento. De todo modo, o principal elemento definidor de poder no Planalto de Piratininga era o número de índios flecheiros que um homem conseguia colocar sob seu serviço. A pos-

se desses índios poderia significar tanto o sucesso das expedições pelo sertão, quanto o fato de seu proprietário ser um bandeirante experiente, homem de prestígio e poder. Vale ressaltar que a bandeira de caça ao índio imprimiu características próprias à sociedade do Planalto de Piratininga, entre as quais pode ser salientada uma divisão do trabalho peculiar, a partir da qual o relacionamento entre senhor e escravo ocorria de forma direta, sem a necessidade de feitores, com senhores trabalhando com seus agregados e escravos, uma vez que o trabalho era a bandeira. Paralelamente, nessa sociedade a mulher branca desempenhava função importante no processo produtivo, haja vista que eram as responsáveis pela administração da casa enquanto os homens estavam em marcha. (Adaptado de VOLPATO, Luiza Rios Ricci - Entradas e Bandeiras. São Paulo: Global, 1986, p. 43, 62 e 63).

Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a(s) proposição(ões) correta(s).

01-08-16

01. Um dos aspectos importantes do movimento bandeirista reside no fato de que, em busca de índios, os paulistas expulsaram as missões jesuíticas das regiões correspondentes aos territórios dos atuais Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contribuindo para o despovoamento de áreas que, posteriormente, Portugal reclamaria como suas. 02. “Entradas” e “bandeiras” eram sinônimos para exatamente o mesmo fenômeno social, que se constituiu numa saída para que as camadas mais pobres da vila de São Vicente se enriquecessem por meio da prospecção de metais preciosos e do trabalho indígena. 04. As “bandeiras” eram expedições militares oficialmente promovidas e financiadas pela Coroa portuguesa, visando o cumprimento dos objetivos políticos metropolitanos de expandir o território, de povoar as áreas interioranas da colônia e de apresentar o cristianismo como base da igualdade racial entre índios e brancos. 08. As “bandeiras” eram movimentos expedicionários de penetração pelo sertão, que podiam ser de “preação” (caça ao índio), “prospecção” (busca de ouro e pedras preciosas) e de “contrato” (destruição de quilombos e tribos indígenas hostis). 16. No tocante à sua forma de organização, as “bandeiras” evidenciavam aspectos importantes da sociedade patriarcal colonial, bem como sua mestiçagem e a variedade de posturas sociais nessa fase da colonização do Brasil.

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C12  Entradas, bandeiras e tratados limites

01. (Cefet PR) O sistema colonial português no Brasil não foi assentado apenas em atividades econômicas primárias, mas também pela necessidade de explorar o território e consolidar seu domínio político. Dessa forma, os portugueses entraram no continente em busca de pedras e metais preciosos e mão de obra indígena, em expedições que ficaram conhecidas por “Entradas e Bandeiras”. Com base nesse entendimento, analise as afirmações: I. Ao final do século XVI, o Governo Geral deu um caráter oficial às bandeiras, que passaram a ter formação similar à de uma “companhia de ordenança”, com seus componentes divididos em esquadras, subordinadas ao capitão-mor.


História

03. (Unesp SP) Juntos, tais vetores levaram a linha de fronteira do Tratado de Tordesilhas a deslocar-se para além dos limites formais, empurrando-os crescentemente para os confins da hinterlândia, obrigando a se estabelecer um novo acerto de fronteira com o Tratado de Madri, que em 1750 consagrou como marco de domínio das colônias de Portugal e da Espanha o traçado de fronteira que praticamente risca como definitivo o desenho do território brasileiro de hoje. (Ruy Moreira. A formação espacial brasileira, 2014. Adaptado.)

Considerando o processo de ocupação do espaço brasileiro, os vetores que propiciaram uma nova fronteira e o estabelecimento de pequenos aglomerados no interior do território foram a) a borracha e as rotas de procura por matéria-prima. b) a plantation e a construção de entrepostos para o transporte. c) a mineração e o comércio informal de ouro. d) as expedições bandeirantes e as trilhas do gado. e) as missões jesuíticas e a instalação de núcleos comerciais.

C12  Entradas, bandeiras e tratados limites

04. (Acafe SC) A mineração durante o período colonial brasileiro foi uma das frentes que contribuíram para a interiorização da economia e para o surgimento de vilas e cidades no interior. Acerca desse contexto e sobre o ciclo do ouro é correto afirmar, exceto: a) Intensificação das bandeiras de apresamento e escravização dos indígenas que eram a principal mão de obra na exploração do ouro de aluvião e das lavras. b) A ação dos tropeiros contribuiu para o surgimento de um mercado interno. A região mineradora era abastecida por essa atividade com charque e outros derivados da pecuária. c) A Guerra dos Emboabas foi um conflito que resultou das tentativas de controle das minas de ouro descobertas pelos colonos e bandeirantes que desejavam o monopólio da exploração e eram contrários a presença de portugueses e exploradores de outras regiões. d) As casas de fundição exerciam a função de controlar a cobrança do quinto, um imposto sobre o ouro extraído pelos mineradores. O ouro “quintado” era transformado em barras com o selo real português. 05. (Unitau SP) “[...] Lá se vão pelo tempo adentro esses homens desgrenhados: duro vestido de couro enfrenta espinhos e galhos; em sua cara curtida não pousa vespa ou moscardo, comem larvas, passarinhos, palmitos e papagaios; sua fome verdadeira é de rios muito largos, com franjas de prata e ouro, de esmeraldas e topázios. [...]” MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. 1983.

550

Sobre as expedições conhecidas como entradas e bandeiras, descritas no poema de Cecília Meireles e estimuladas pela Coroa portuguesa na segunda metade do século XVII, é CORRETO afirmar que a) sempre que uma entrada ou uma bandeira se encaminhava para o sertão, ainda que seu objetivo imediato fosse a busca por metais e pedras preciosas, também havia apresamento de índios. b) entradas e bandeiras eram expedições pelo interior do Brasil organizadas exclusivamente pela Coroa portuguesa com objetivos comuns para explorar o território à procura de minas. c) enquanto as bandeiras, financiadas pela Coroa portuguesa, buscavam metais e pedras preciosas, as entradas, organizadas por particulares, dedicavam-se ao apresamento de índios. d) entre as entradas e bandeiras e as missões jesuítas havia acordos de não agressão e trabalho em conjunto, para o apresamento de índios, que determinaram a consolidação da paz. e) as entradas e bandeiras surgiram para sanar as precárias condições da capitania de São Vicente, com o desenvolvimento do comércio e, posteriormente, com a busca de metais. 06. (IF RS) O domínio holandês sobre uma valiosa parte do Nordeste brasileiro, bem como sobre feitorias portuguesas na África, acarretou transformações na sociedade colonial brasileira e metropolitana. Entre tais transformações, pode-se citar a a) ação dos bandeirantes na busca e aprisionamento de indígenas, que serviriam como mão de obra alternativa ao africano, cujo preço aumentara, algo que veio a provocar uma maior exploração das terras no interior do Brasil. b) plantação do café na região Sudeste, garantindo a exploração lucrativa da área colonial que permaneceu livre da intervenção estrangeira, fato que permitiu o aumento das rendas que, posteriormente, financiariam a luta para a expulsão dos holandeses. c) negociação entre Maurício de Nassau e a Coroa espanhola, que reinava sobre ambos os países ibéricos, com o intuito de garantir a devolução do Nordeste em troca da ajuda de tropas portuguesas para a fixação dos holandeses na colônia francesa ao norte da Amazônia brasileira. d) decadência do reino de Portugal que, severamente enfraquecido pela crise econômica iniciada pelos holandeses, acabou derrotado pelos espanhóis, que foram responsáveis pela morte do monarca português D. Sebastião, dando assim início à União Ibérica. e) aliança entre os holandeses e os nativos das tribos tupinambás, fato que levou a um maior fortalecimento dos invasores na região, o que culminou no estímulo à criação da Confederação dos Tamoios, liga de diversas tribos inimigas dos portugueses.


FRENTE

C

HISTÓRIA

Exercícios de Aprofundamento 01. (UFF RJ) As lutas religiosas na Europa do século XVI acabaram

b) da fundação da Companhia das Índias Ocidentais, empresa

tendo um dos seus episódios na Baía de Guanabara.

militar constituída por burgueses de várias nações que esta-

Assinale a opção que apresenta corretamente esse episódio.

vam em desvantagem na corrida colonial e decidiram somar

a) A presença de franceses com a intenção de criar a cidade de

forças para ocupar regiões interessantes comercialmente.

Henryville e de estabelecer a França Antártica nas Américas.

c) do ideário separatista bastante forte nessa região, uma vez

b) A presença francesa com o intuito de estabelecer uma rota

que os senhores de engenho se sentiam abandonados pela

comercial, tendo como principal produto o pau-brasil e a

administração portuguesa sediada no Rio de Janeiro, mos-

constituição de uma colônia de luteranos nas Américas.

trando-se simpáticos ao domínio holandês.

c) A presença de comerciantes e de piratas franceses com a res-

d) da União Ibérica, uma vez que o domínio de Portugal, pela

ponsabilidade de apoderar-se do pau-brasil, capturar indíge-

Espanha, implicou no impedimento da participação da Ho-

nas e estabelecer no Maranhão uma colônia de anabatistas.

landa no comércio do açúcar brasileiro, levando essa nova

d) A presença de franceses com o ideal de expansão dos precei-

inimiga a buscar outros meios para recuperar seus lucrati-

tos anglicanos e o desejo de construir a cidade de Henryville. e) A presença de franceses com a intenção de combater os católicos e empreender o domínio da área sul das Américas.

vos negócios. e) da localização estratégica dessa porção litorânea no Atlântico, favorecendo as transações denominadas “Comércio triangular” que se resumiam no envio de cana brasileira

02. (Fuvest SP) “Depois de permanecermos ali pelo espaço de dois meses, durante os quais procedemos ao exame de todas as ilhas e sítios da terra firme, batizou-se toda a região circunvizinha, que fora

para a Holanda, que vendia açúcar para a Europa e os Estados Unidos, em troca de escravos. 04. (FGV SP) A presença da Companhia das Índias Ocidentais no

por nós descoberta, de França Antártica. (...)

nordeste da América portuguesa, especialmente durante a

Em seguida, o senhor de Villegagnon, para se garantir contra

administração de Maurício de Nassau (1637-1644), caracte-

possíveis ataques de selvagens, que se ofendiam com extrema

rizou-se pelo

facilidade e também contra os portugueses, se estes alguma

a) oferecimento de privilégios aos pernambucanos que se con-

vez quisessem aparecer por ali, fortificou o lugar da melhor ma-

vertessem ao judaísmo, como a isenção tributária e a possi-

neira que pôde.”

bilidade de obter empréstimos bancários. André Thevet, As singularidades da França Antártica, 1556.

Tendo por base o texto, indique: a) A qual região brasileira o autor se refere e por que afirma ter sido “por nós descoberta”? b) Quais foram os resultados do estabelecimento da França Antártica? 03. (Puc Campinas SP) Felipe Camarão exerceu reconhecida atuação militar durante as invasões holandesas no Nordeste brasileiro, combatendo ao lado dos portugueses. Os interesses dos holandeses nessa região, no século XVII, se explicam, dentre outros motivos, em função

b) incentivo à utilização do trabalho livre, considerado pelos holandeses mais produtivo, em detrimento do trabalho compulsório dos africanos. c) favorecimento à participação dos proprietários luso-brasileiros nas instâncias de poder no Brasil holandês, como na Câmara dos Escabinos. d) confisco das propriedades dos cristãos-novos pernambucanos que lutaram contra a presença holandesa, assim como de todos os bens da Igreja Católica. e) processo de reorganização das atividades econômicas em Pernambuco, sobretudo com a troca da produção de algodão pela de manufatura.

a) das pretensões imperialistas de Mauricio de Nassau, grande

05. (Puc Campinas SP) Diferentemente da “relutância do portu-

produtor de cana que esperava assegurar pequenas colônias

guês em deixar o litoral seguro”, bandeirantes adentraram o

no Brasil e nas Antilhas, a fim de obter diretamente a maté-

chamado “sertão” e dentre suas principais motivações, po-

ria-prima para o refino do açúcar, na Holanda.

de-se citar

Gabarito 02. a) O autor se refere à colônia francesa fundada por Nicolau Durand de Villegaignon, em 1555, no litoral do Rio de Janeiro. Como os colonizadores não encontraram outros europeus na Baía de Guanabara, afirmavam que essa terra “fora por nós descoberta”. b) As autoridades portuguesas determinaram a destruição da França Antártica. Durante a luta contra os invasores, Estácio de Sá, em 1565, fundou o povoado de São Sebastião do Rio de Janeiro, com o propósito de garantir a posse da terra.

551


História

a) o apresamento de índios, visto que a comercialização dos

a) iniciada pela Reformas Bourbônicas, culminou na remodela-

mesmos era uma atividade econômica fundamental para a

ção do Pacto Colonial e em nova organização administrativa

subsistência dos povoados nascentes no Sudeste, bem como

e fiscal, mais rigorosa, das colônias portuguesas.

a busca por metais preciosos.

b) marcada pelo predomínio do Império Espanhol, foi desen-

b) a expansão das fronteiras brasileiras, uma vez que a existên-

cadeada pela medida de expulsão dos jesuítas pela Corte

cia ilegal de núcleos de povoamentos espanhóis, franceses

Portuguesa, cuja consequência imediata foi a invasão de

e holandeses no interior do território ameaçavam o domínio

Portugal por Carlos III, rei católico.

colonial português.

c) chamada de União Ibérica, ocorreu após a invasão de Portu-

c) a missão civilizatória atribuída aos bandeirantes pela Com-

gal pelas forças de Filipe II, monarca que reivindicou o trono

panhia de Jesus e pela própria Coroa Portuguesa, uma vez

português com o fim da dinastia de Avis e a inexistência de

que pouca gente se dispunha a catequizar os índios que vi-

herdeiros diretos.

viam distantes do litoral.

d) interrompida pela Revolução Gloriosa, permitiu aos holan-

d) a necessidade do combate militarizado aos quilombos que

deses que se instalassem na região nordeste da colônia, até

proliferavam no Sudeste e no Sul, prática financiada pelos

serem expulsos por tropas inglesas que vieram em auxílio às

comerciantes de escravos que foi denominada “sertanismo

milícias portuguesas. e) vinculada à vigência do Reino Unido de Portugal e Algarves,

de contrato”. e) a urgência da Coroa portuguesa em povoar as terras do

ocorreu devido ao casamento de Fernando de Aragão e

“sertão” e instituir práticas culturais, como o uso da língua

Isabel de Castela, evento que consolidou a aliança entre as

portuguesa, que contribuíssem para garantir o poder da me-

duas coroas, com predomínio da espanhola.

trópole sobre a população nativa.

08. (Unifor CE)

06. (Fac. Direito de Sorocaba SP) A segunda metade do século XVII em Portugal parecia promissora. Afinal, em 1640 tinha-se dado a Restauração (o fim da União Ibérica, com a autonomia de Portugal perante a Coroa espanhola). Oito anos depois, Angola seria recuperada aos holandeses e, em 1654, o mesmo aconteceria com o Nordeste brasileiro. O Atlântico sul português, e com ele Lisboa, podia agora respirar mais livremente. Logo, entretanto, viriam os pesadelos. (João Fragoso, Manolo Florentino e Sheila Faria, A economia colonial brasileira)

Um desses “pesadelos” foi a) a invasão francesa ao Rio de Janeiro, centro político- -administrativo da colônia, a fim de formar um império no Novo Mundo. b) a queda do preço do açúcar, resultado da concorrência das Antilhas, após a expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro. FRENTE C  Exercícios de Aprofundamento

c) o esgotamento das minas de ouro, devido à exploração desenfreada pelos ingleses, que detinham as técnicas de extração do metal. d) o monopólio espanhol sobre o tráfico negreiro, após a conquista das áreas fornecedoras até então sob domínio dos holandeses. e) o aumento da dívida externa, a fim de custear a guerra de Restauração e a instalação do sistema de capitanias na colônia. 07. (Unimontes MG) O Reino mencionado no texto conheceu um

552

Quadro do Pintor J. B. Debret Disponível em http://imagenshistoricas. blogspot. com/2009/08/bandeirantescacador-de-escravos.html

Os quilombos eram grupamentos de negros fugidos que se localizavam em várias partes do sertão e uma das várias formas de rebelião nos negros escravizados. Palmares foi o mais importante, dentre eles. A destruição do Quilombo dos Palmares foi um dos feitos dos bandeirantes (sertanismo de contrato), que prestavam serviços aos governos e senhores de terras na luta contra negros quilombados. As lideranças do movimento negro brasileiro referenciam a atuação histórica dos palmarinos e prestigiam Zumbi como símbolo de resistência. Por isso, na mesma data que Zumbi foi morto, 20 de novembro, comemora-se: a) o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. b) o Dia Mundial dos Direitos Humanos. c) o Dia Mundial da Paz.

período de subordinação política à Espanha que se estendeu

d) o Dia Nacional da Consciência Negra.

por décadas. Essa fase,

e) o Dia da Declaração Universal contra o Racismo.


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