Camila J. Silva
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FRENTE
A
HISTÓRIA Por falar nisso Estudar a civilização romana é de extrema importância para as sociedades. Pois, sem dúvida, essa é a cultura da Antiguidade que exerceu maior influência sobre o mundo Ocidental. São exemplos desse legado a língua portuguesa, o sistema jurídico, o cristianismo, entre vários outros elementos. A língua portuguesa é uma das ramificações do latim, língua original dos romanos. Já o cristianismo teve origem na Palestina, sob o domínio romano, a partir do qual veio a consolidar-se e expandir-se, tornando-se religião oficial do Estado. O cristianismo, posteriormente, sofreria algumas cisões, tendo vigorado a Igreja que ficou conhecida como Sagrada Igreja Católica Apostólica Romana. O advento e consolidação desses elementos culturais só foram possíveis porque o domínio romano, que veio a tornar-se um império, congregava regiões longínquas como Jerusalém e a Lusitânia. Como já vimos anteriormente, um império abarca extensos territórios, sob o domínio de um imperador, reunindo povos étnica e/ou culturalmente diferentes. Inclusive o Brasil já possuiu uma fase denominada como Império. Obviamente, uma herança da Antiguidade. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
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Roma: Monarquia..........................................................................488 Roma: República............................................................................492 Roma: Expansão da República.......................................................497 Roma: Crise da República..............................................................503
FRENTE
A
HISTÓRIA
MÓDULO A13
ASSUNTOS ABORDADOS nn Roma: Monarquia nn Monarquia – da fundação ao seu encerramento (509 a.C) nn Aspectos econômicos, religiosos e sociais nn Aspectos políticos
ROMA: MONARQUIA Existe uma diversidade de interpretações no estudo da Roma Antiga. As fontes disponíveis para fundamentar a escrita e reescrita da história de Roma são, principalmente, fontes literárias e materiais, uma ampla quantidade de obras compreendidas entre estruturas arquitetônicas, esculturas, monumentos, moedas etc. A maior parte das informações que nos chegaram deve-se a Políbio (200 a.C. – 118 a.C.), escritor grego que escreveu sobre Roma retratando a sua rápida expansão pelo Mediterrâneo. Parte considerável do trabalho se perdeu, porém essa obra forneceu a base das informações para a reconstrução da história dessa civilização. A partir disso, de acordo com a disposição das fontes históricas, também são várias as formas de analisar a fundação de Roma, sempre destacando a importância dada pelos pensadores clássicos ao confronto entre o mito e a realidade. A origem lendária recorre à história de Rômulo e Remo, contada no poema “Eneida”, do grande poeta Virgílio. Embasada em lendas e tradições, a obra conta que o herói troiano Enéas, depois da queda de Troia, havia chegado à região do Lácio e se casado com Lavínia, filha do rei latino.
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Deles descendeu Reia Sílvia, que teve dois filhos gêmeos, Rômulo e Remo, do Deus da Guerra Marte. O tio de Reia Sílvia, Amúlio, ansioso em conquistar o poder, colocou os gêmeos em um cesto no rio Tibre, mas eles se salvaram e foram criados por uma loba. Anos depois os irmãos fundaram uma cidade ao pé do monte Palatino, no mesmo lugar onde haviam encontrado a loba. Rômulo ergueu um muro defensivo em torno da cidade. Remo saltou por cima do muro para zombar de seu irmão e acabou sendo morto. A área urbana era sagrada e nada deveria ser violado. Rômulo, então, tornou-se o governante da cidade e deu a ela o seu nome. Segundo a lenda, Roma foi fundada em 753 a.C.
Figura 01 - Estatueta que representa os irmãos Rômulo e Remo sendo alimentados pela loba.
Monarquia – da fundação ao seu encerramento (509 a.C) Roma surgiu a partir de um pequeno povoado nas terras férteis do Lácio, centro da península itálica, tendo recebido a imigração de diversos povos indo-europeus na região desde o século X a.C., como os latino-faliscos e os sabinos. Pesquisas arqueológicas 488
Ciências Humanas e suas Tecnologias
verificaram que por volta de 900 a.C. teve início a imigração e o domínio dos etruscos no Lácio, até que, no século VIII a.C., a cidade de Roma foi fundada.
to, estes últimos, que eram considerados como meros instrumentos de trabalho, ainda não eram tão numerosos no período monárquico.
Pesquisas apontaram que as aldeias que deram origem à cidade viveram sob um governo monárquico até o século VI a.C. Esses clãs eram comandados por um rei, que detinha funções militares, jurídicas e também sacerdotais. Os nomes dos quatro primeiros reis – Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio e Anco Márcio – advêm das narrativas lendárias da história de Roma. Já com relação ao período do governo dos três últimos reis – Tarquínio, o Velho; Sérvio Túlio; e Tarquínio, o Soberbo –, que se refere ao período de dominação etrusca, existem indícios históricos sobre sua existência.
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Figura 03 - Pirâmide da sociedade romana durante a Monarquia.
Figura 02 - Gravura representando os reis romanos.
Aspectos econômicos, religiosos e sociais Nesse período, a economia romana era fundamentalmente agrícola. No entanto, com a unificação de várias aldeias, Roma deixou de ser um povoamento de pastores e agricultores e transformou-se em uma cidade fortificada, com sólidas relações comerciais. Por influência dos etruscos, a população desenvolveu técnicas de pavimentação de estradas, drenagem de pântanos, construção de pontes e de redes de esgoto. Muitos aspectos da religião dos etruscos foram também assimilados à sociedade romana em formação, como as práticas de adivinhação. Gradativamente, houve também a adaptação dos alfabetos etrusco e grego, dando origem ao alfabeto latino, utilizado até os dias atuais.
Aspectos políticos Na perspectiva política, o rei centralizava funções executivas, judiciais e religiosas, porém seu poder era moderado pelo Senado ou o Conselho dos Anciãos, dominado pelos patrícios. Outra instância política era composta pelo conjunto dos cidadãos em idade militar e aptos ao combate, chamada Assembleia ou Cúria. No século VII a.C., Roma foi invadida e dominada pelos etruscos, que, por meio de sua força militar e política, passaram a nomear os reis. O último rei de origem etrusca, Tarquínio, o Soberbo, que governou de 534 a.C. a 509 a.C., foi destituído por uma rebelião liderada pelos patrícios. Nesse evento, a Monarquia foi abolida e o Senado passou a representar o poder supremo, formando-se um regime de características oligárquicas, chamado República.
Os plebeus, muitas vezes, eram também clientes, que, prestando serviços aos patrícios, eram seus dependentes ou agregados. Na base da sociedade, estavam os escravos, que chegavam a tal condição por endividamento ou capturados em guerras. No entan-
A13 Roma: Monarquia
A sociedade era formada pelos patrícios, proprietários de terra que formavam uma aristocracia possuidora de privilégios políticos. Imediatamente abaixo deles estavam os plebeus, homens livres destituídos de direitos políticos, ficando, então, à margem da sociedade.
Figura 04 - Estrutura socioeconômica e cultural na Roma monárquica.
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História
Exercícios de Fixação 01. (Mackenzie SP) As afirmações seguintes referem-se à história da Roma Antiga. I. Ao lado da versão lendária da fundação de Roma pelos jovens gêmeos Rômulo e Remo, a versão histórica sugere a presença de grupos humanos estabelecidos, já antes de 753 a.C., na região do futuro Lácio. II. O período republicano foi marcado pelas lutas entre patrícios e plebeus, como aquela que, em 498 a.C., acabou por instituir os Tribunos da Plebe, representantes plebeus no Senado. III. Entre as maiores heranças culturais dos romanos para a civilização ocidental, estão o Direito e a língua latina, tendo esta servido de matriz linguística a inúmeros idiomas modernos. Assinale: a) se apenas I é correta. b) se apenas II é correta. c) se apenas III é correta. d) se apenas I e II são corretas. e) se I, II e III são corretas. 02. (UECE) O episódio da violência exercida por Sexto Tarquínio contra Lucrécia, mulher de Colatino, um dos nobres romanos, narra e celebra em tom comemorativo “a expulsão dos Tarquínios” como a libertação da tirania. Este evento marca a) o fim da monarquia em Roma. b) o início da estrutura gentílica romana. c) o estabelecimento das leis das XII Tábuas. d) a guerra contra os samnitas e o domínio da Itália central. 03. (UFPE) As constantes guerras não impediram feitos culturais importantes na construção histórica de Roma. Não podemos negar seu significado para a produção literária ociden-
tal. O poema de Virgílio, Eneida: 02 00. exaltou as guerras existentes no mundo antigo, ocidental e oriental, com destaque para a bravura militar de Júlio César. 01. criticou o despotismo dos imperadores romanos, defendendo as instituições democráticas e populares. 02. consagrou os atos heroicos dos romanos, lembrando os poemas homéricos de grande importância histórica. 03. descreveu os amores do autor e sua admiração por uma sociedade livre da opressão das monarquias vitalícias. 04. enalteceu a história de Roma e da Grécia, desde os tempos primordiais, com suas fortes instituições republicanas. 04. (Puc PR) A Civilização Romana politicamente apresentou as fases da Realeza, República e Império ou Principado. Sobre o tema, assinale a alternativa correta: a) Durante a fase da Realeza ocorreu notável expansão territorial, tendo ocorrido a conquista de toda a Península Itálica. b) Roma revelou-se potência marítima durante o Império, quando conquistou o mar Mediterrâneo, após derrotar Cartago, nas Guerras Púnicas. c) Fundada no Lácio, Roma contou com a contribuição de duas civilizações presentes no solo italiano, a etrusca e a grega, respectivamente situadas ao norte e ao sul. d) O auge da expansão territorial do Império Romano ocorreu sob o governo de Augusto ou Caio Otávio, quando as legiões conquistaram a Dácia, atual Romênia. e) Durante a fase da República, já enfraquecida, Roma lutou longamente contra os bárbaros germânicos e o hunos, povos bárbaros que forçavam suas fronteiras.
A13 Roma: Monarquia
Exercícios Complementares 01. (Puc RS) Durante o período monárquico (cerca de 750 a.C. a 509 a.C.), a organização social básica do mundo romano era a _________, comunidade formada por um grupo extenso de membros que se reconheciam como descendentes de um antepassado comum e onde se concentravam propriedades e fortunas. Os líderes de tais comunidades eram homens conhecidos como _________, chefes de família com direito de vida e morte sobre os demais membros. Não faziam parte dessas comunidades os _________, indivíduos originários de povos submetidos pela população nativa de Roma. Esses indivíduos eram súditos livres, proprietários e contribuintes, mas não podiam exercer funções públicas, exceto serviços militares. a) tribo / patrícios / servos b) tribo / monarcas / clientes 490
c) gens / patrícios / plebeus d) cúria / eupátridas / clientes e) gens/ monarcas / plebeus 02. (Unifesp SP) Conflitos e lutas sociais variadas originaram as crises que fizeram o Estado romano passar do governo monárquico ao republicano e deste, ao imperial. Nos três regimes políticos, contudo, os integrantes de um único grupo, ou classe social, mantiveram sempre o mesmo peso e posição. Foram os, assim chamados, a) plebeus (isto é, populares). b) proletários (isto é, sem bens). c) patrícios (isto é, nobres). d) servos (isto é, escravos). e) clientes (isto é, dependentes).
Ciências Humanas e suas Tecnologias Gabarito questão 04 a) As três camadas eram compostas por: patrícios, grandes proprietários de terra e detentores de privilégios sociais e políticos; plebeus, homens livres, sem direitos políticos; e os escravos, pessoas endividadas ou derrotadas em guerras, consideradas como instrumentos de trabalho. b) Os clientes eram plebeus que prestavam serviços aos patrícios, sendo ainda dependentes ou agregados destes.
a) Foi fundada por Cícero e Tito Flávio, órfãos amamentados por uma cabra. b) Foi fundada pelos irmãos Tibério e Caio Graco, criados por uma loba. c) Foi fundada por Rômulo e Remo, abandonados no rio Tibre e amamentados por uma loba. d) Foi fundada por César e Otávio Augusto, após as vitórias militares na Gália. 04. Durante o período da Monarquia, o primeiro da história de Roma, a divisão social se dava entre três camadas da população. Sobre este período, responda: a) Quais eram as três camadas sociais? b) Quem eram os clientes? 05. Roma foi influenciada em sua formação por uma variedade de povos que habitavam a Península Itálica. Dentre as alternativas que seguem, quais dos povos listados abaixo não influenciaram a formação de Roma. a) Etruscos b) Gregos c) Sabinos d) Persas e) Latinos 06. (UFMS) Sobre a história de Roma, é correto afirmar: 01-02-08 01. Paralelamente à versão lendária da fundação de Roma pelos irmãos gêmeos Rômulo e Remo, descobertas arqueológicas atestam que, antes de 753 a.C, a região do Lácio já era habitada por povos de diferentes etnias, organizados em comunidades agrícolas e pastoris, entre eles os etruscos que, entre os séculos VII e VI a.C, expandiram seu território e controlaram a monarquia em Roma. 02. O período republicano foi marcado por lutas entre patrícios e plebeus, as quais resultaram na criação de magistrados especiais, conhecidos como Tribunos da Plebe, encarregados de defender os interesses jurídicos, políticos e sociais da plebe junto ao Senado. 04. A expansão dos domínios romanos, na Península Itálica e em torno do Mar Mediterrâneo, acarretou uma desaceleração do processo de concentração fundiária nas mãos da aristocracia patrícia, haja vista que o Estado romano estabeleceu uma série de medidas visando distribuir terras aos pequenos e médios proprietários e à plebe urbana empobrecida. 08. Entre as maiores heranças culturais dos romanos, para a civilização ocidental, estão o Direito, bem como a língua latina, que serviu de matriz linguística a inúmeros idiomas modernos.
16. Deterioração do exército, crise de suprimento da mãodeobra escrava, inflação, instabilidade política, instituição do colonato, como novo tipo de relação de trabalho, foram algumas das características que marcaram o período da história romana conhecido como Diarquia, instaurada entre os séculos III e V d.C. 07. Sobre o período da Monarquia em Roma, analise as afirmativas abaixo. 04. Os sabinos eram povos que viviam na Planície do Lácio, cuja contribuição à formação de Roma foi representada na lenda do “rapto das sabinas”. 08. Os Etruscos habitavam a Etrúria e influenciaram o desenvolvimento da cultura romana após terem invadido a cidade e a dominado militar e politicamente. 16. Foi durante a Monarquia que surgiram os magistrados, que passaram a administrar a cidade. 32. A influência etrusca foi sentida de várias formas, principalmente na urbanização de Roma, construindo seus canais de drenagem e transformando o Fórum no centro da cidade. Indique a alternativa que indica a somatória dos números que precedem as afirmativas corretas. a) 20 c) 44 e) 24 b) 12 d) 48 08. (UFCG PB) Eixo temático: As leituras do saber histórico sobre as relações de poder na formação do Mundo Antigo Durante a Roma Imperial, os cidadãos que moravam na cidade de Roma viviam em condições urbano-sanitárias bastante precárias. Todavia, morar na cidade era um dos primeiros requisitos para demonstrar a sua civitas (sua condição de cidadão). Era o primeiro passo para ser considerado cidadão ou encontrar uma forma de adquirir a tão sonhada liberdade. Sobre a vida cotidiana durante o período imperial romano é INCORRETO afirmar que: a) Os banhos públicos não eram uma prática de higiene, mas um prazer recusado pelos cristãos que só se banhavam uma ou duas vezes por mês. b) Os romanos são, de alguma forma, clientes uns dos outros e têm como obrigação saudar os seus patrões todos os dias pela manhã, conferindo-lhe honorabilidade, que para o romano é um símbolo de riqueza e poder. c) O serviço de abastecimento de água em Roma surgiu no século 11 a.C, acompanhado por uma vasta rede de esgotos que despejava água servida no rio Tibre, servindo indistintamente tanto a ricos quanto a pobres. d) A “cena” (ceia), principal refeição do dia, era feita a partir das 21 horas, quando os cidadãos ricos se recolhiam às suas residências, acompanhados de escravos que, carregando tochas, iluminavam as perigosas ruas romanas. e) A habitação era uma realidade para o romano médio. Não há sem-teto e todos aqueles que não possuíam uma casa podem se instalar num albergue público, financiado pelo Estado romano. 491
A13 Roma: Monarquia
03. Foi durante o período da Monarquia que a cidade de Roma foi constituída, dando origem posteriormente ao maior Império da Antiguidade. Sobre o mito de origem da cidade de Roma é correto afirmar que:
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HISTÓRIA
MÓDULO A14
ASSUNTOS ABORDADOS nn Roma: República nn O regime republicano nn Latifúndio e trabalho escravo nn O direito romano
ROMA: REPÚBLICA A revolta dos patrícios pôs fim ao sistema monárquico em Roma e iniciou o período que ficou conhecido como a República (res pvblica, em latim), que durou até 27 a.C., quando teve origem o Império Romano. A república era governada por dois cônsules, eleitos anualmente pelos cidadãos e moderados pelo senado. Nesse sistema político, um complexo código de leis foi desenvolvido, fundamentado no princípio da separação de poderes e de freios e de contrapesos. Foi durante a República romana que também nasceu uma noção de participação popular mais efetiva, em que todos os cidadãos deveriam ter representatividade nas decisões tomadas. No entanto, nem todos na sociedade eram considerados cidadãos, por exemplo, os escravos. Mesmo os plebeus encontravam obstáculos à participação política, como a supremacia dos patrícios e a necessidade de trabalhar e participar do exército. A sociedade era hierárquica e muito da evolução da constituição republicana deu-se pelo conflito entre patrícios (aristocratas proprietários de terras) e plebeus (trabalhadores destituídos de propriedades), estes sendo quantitativamente superiores àqueles. Com o passar do tempo, as leis que davam aos patrícios direitos exclusivos de acesso aos mais altos ofícios foram anuladas ou enfraquecidas, possibilitando aos plebeus uma participação mais significativa na política.
O regime republicano
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Figura 01 - Pintura representando uma reunião do Senado.
O período republicano em Roma durou de 509 a 31 a.C., e foi marcado pela luta política dos plebeus para conseguirem igualdade de direitos com relação aos patrícios e pela expansão territorial romana, primeiramente na Península Itálica e posteriormente em todo mar Mediterrâneo. As conquistas enriqueceram muitas famílias patrícias e plebeias, consolidando o latifúndio e o trabalho escravo.
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Ciências Humanas e suas Tecnologias
Com a proclamação da República, o rei foi substituído por dois cônsules eleitos anualmente pelos patrícios. Os cônsules eram assessorados por um corpo de magistrados formado por dois pretores (encarregados da justiça), dois edis (encarregados do abastecimento, do policiamento e da urbanização de Roma), oito questores (administradores do tesouro público) e dois censores (encarregados de estabelecer a lista dos cidadãos, dos senadores e da vigilância dos costumes). A aristocracia patrícia manteve o seu poder por meio do Senado, que se tornou a principal instituição política da República. O Senado era responsável pela política externa, pelo controle dos magistrados e dos generais em campanha e podia impedir qualquer mudança que fosse contra os interesses dos patrícios. Logo, o Senado e os Magistrados possuíam mais poder do que as Assembleias populares. Os plebeus não tinham acesso a qualquer cargo público, de forma que a luta pela igualdade jurídica dominou a política interna de Roma nos séculos V e VI a.C., obrigando os patrícios a fazer concessões que beneficiaram principalmente os plebeus ricos. Assim, em 493 a.C., foi criado o Tribunato da Plebe, constituído por dois tribunos que formavam uma magistratura especial, encarregada de defender os direitos dos plebeus. Mais tarde, o número de tribunos da Plebe foi aumentado para dez. Os plebeus reivindicaram também a publicação por escrito das leis, o que resultou na organização de um amplo código, datado de 450 a.C., denominado Lei das Doze Tábuas, abrangendo disposições relativas principalmente ao direito civil dos romanos. Entretanto, o acesso às magistraturas e o casamento com os patrícios continuavam proibidos aos plebeus.
Sob a pressão dos plebeus ricos, novas leis foram criadas. Pela Lei Canuleia de 445 a.C., foi permitido o casamento entre patrícios e plebeus; pela Lei Licínias-Séxtias de 367 a.C., os plebeus tiveram acesso a um dos Consulados; e pela Lei Ogúlnia de 300 a.C., os plebeus puderam desempenhar funções sacerdotais e de Pontífice Máximo. Essa lenta mudança levou os plebeus a participarem do Senado, visto que os Cônsules se tornavam, automaticamente, membros dele, ao fim do mandato. O resultado foi a formação de uma nova nobreza - a nobilista - composta por ricas famílias patrício-plebeias, consolidando o caráter oligárquico de Roma.
Latifúndio e trabalho escravo As conquistas romanas, dentro e fora da Península Itálica, provocaram o endividamento dos pequenos proprietários, os quais passavam longos períodos mobilizados no exército para guerra, o que lhes impossibilitava manter suas terras. Estas passaram a ser incorporadas pelos grandes proprietários (já enriquecidos pela posse do “ager publicos”), fato que gerou uma concentração cada vez maior das terras nas mãos do “nobilistas”. Latifúndio e trabalho escravo tornaram-se, então, a forma dominante da produção romana, principalmente do século II a.C. em diante. As propriedades rurais romanas - as “villae” - variavam entre 120 e 1 200 hectares e sua área podia ser contínua ou dispersa. Produziam azeite, vinho, cereais, gado, enriquecendo enormemente a oligarquia patrício-plebeia. Os escravos eram geralmente prisioneiros de guerra, privados de liberdade, que realizavam todo tipo de trabalho no campo e na cidade. Existiam escravos na lavoura, no pastoreio, na administração das propriedades, nas minas, no comércio, no trabalho doméstico, e como escribas, bibliotecários e professores. Alguns gozavam de privilégios por terem uma especialização, como por exemplo, os vinhateiros, os porqueiros, os arrieiros e principalmente o “vilicus”, administrador das terras de um rico senhor, encarregado da organização do “trabalho escravo” na propriedade.
Figura 02 - Escultura representando patrícios e plebeus.
Mesmo sendo a agricultura a principal atividade econômica no mundo romano, as cidades desenvolveram-se bastante: era onde os proprietários residiam e governavam, tornando-se centros manufatureiros e mercantis. As manufaturas existentes nas cidades romanas eram basicamente o trabalho em madeira, couro, metais, cerâmica, tinturaria e materiais de construção. 493
A14 Roma: República
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Rebeliões de escravos, como a comandada por Espactacus no século I a.C., foram frequentes durante a República, exprimindo a revolta dos que eram submetidos à mais alta exploração do trabalho. Por outro lado, muitos escravos ganhavam ou compravam sua liberdade, tornando-se cidadãos com plenos direitos cívicos.
História
O direito romano Durante a Realeza ou Monarquia (753 a 509 a.C.), as leis existentes embasavam-se nos costumes dos antepassados e nas decisões do rei, chefe militar, político e religioso. Na época republicana (509 a 27 a.C.), o costume dos antepassados continuou como uma das fontes do Direito. Mas, a esse direito não escrito, juntou-se um direito escrito, representado pelas leis, pelos senatus-consultus e pelos editos dos magistrados refletindo a separação operada pelo novo regime entre o poder religioso e o político. “Aquilo que os sufrágios do povo em último lugar ordenaram é a lei” diz uma passagem da Lei das Doze Tábuas, mostrando que o Direito já não era considerado uma revelação dos deuses aos antepassados e, portanto, imutável e sagrado. Ao contrário, ele se mostrava agora como algo que podia e deveria ser modificado, conforme as circunstâncias o exigissem. Da publicação das Leis das Doze Tábuas em 450 a.C. ao fim da República, o Direito Romano evoluiu enormemente, constituindo a estrutura que acompanhou a conquista do Mediterrâneo, o crescimento das trocas de mercadorias e o uso cada vez mais amplo do trabalho escravo. Desenvolveu-se principalmente o direito civil e comercial, que tratava de questões sobre compra, venda, aluguel, arrendamento, herança, seguro, e o direito de família, relacionado com questões matrimoniais e testamentárias. O direito pleno do cidadão à propriedade de bens e escravos ficou claramente regulamentado.
A14 Roma: República
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Figura 03 - Estátua da deusa Justiça romana (Lustitia).
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Os jurisconsultos, especialistas que estudavam as leis para interpretá-las convenientemente e torná-las aplicáveis aos casos concretos, tiveram suas atividades multiplicadas. Procuravam sempre resolver os conflitos a partir de normas gerais baseadas na equidade e no bom senso. Com isso, a ciência do direito, isto é, a Jurisprudência (de “iuris” = direito e “prudentia” = ciência) evoluiu e o Direito Romano sobreviveu à República e ao Império.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação 01. (UEFS BA) Na Roma antiga, todavia, o termo identificava a) homens livres, pobres ou não, que não faziam parte da classe dos patrícios.
c) afirmação de instituições democráticas. d) implantação de direitos sociais. e) tripartição dos poderes políticos.
b) camponeses submetidos ao regime de escravidão, que viviam sob a proteção dos grandes proprietários. c) soldados que compunham as legiões do exército romano, na época das conquistas de Júlio César. d) habitantes das províncias longínquas, conquistadas pelos romanos, submetidos ao pagamento de tributos. e) escravos organizados em um numeroso contingente, que praticavam frequentes rebeliões urbanas.
04. (Uem PR) Sobre as questões sociais, políticas e religiosas da Roma Antiga durante o período republicano, assinale o que for correto. 02-04 01. Ocorreu o fim da perseguição aos cristãos, e o cristianismo foi oficializado como religião do Estado. 02. Os clientes eram homens livres que prestavam serviços aos patrícios, em troca de ajuda econômica e amparo militar.
02. (Furg RS) “[Estes] são homens impiedosamente expostos
04. Foi período marcado pelas constantes lutas entre pa-
pelo destino a toda sorte de ultrajes. Mas são, em última
trícios (grandes proprietários de terras) e plebeus (ho-
análise, homens de uma segunda categoria, a quem pode-
mens livres que se dedicavam aos trabalhos agrícolas e
ríamos até conceder as vantagens da nossa liberdade. Mas
comerciais).
que o poderei dar a essa guerra (...) contra nós? Confesso
08. Em decorrência das crises internas, as conquistas terri-
que não sei. Porque [nela] vemos [homens] combatendo e
toriais foram insignificantes e não alteraram as estrutu-
gladiadores comandando. Os primeiros são de origem bem humilde. Os segundos estão condenados à pior de todas as
ras internas da República romana. 16. Assinalou o declínio da escravidão e, em sua substi-
condições sociais”.
tuição, a implementação do trabalho servil nos gran-
O texto acima, do historiador Florus, trata de uma das mais
des latifúndios.
famosas revoltas sociais ocorridas em Roma durante a República. Tal luta estendeu-se entre o período de 73 e 71 a.C. e ficou conhecida como: a) Revolta dos cristãos e ateus, comandada por Aníbal. b) Revolta de escravos, comandada por Espártaco. c) Revolta Judaica ou Revolta Hasmoniana. d) Campanha de massacre aos patrões, dirigida por Catilina. e) Revolta dos plebeus, sob a liderança de Tarquínio. 03. (Enem MEC) Durante a realeza, e nos primeiros anos re-
05. (Unemat MT) Na sociedade romana dos primeiros tempos da República (1889-1897), os cargos políticos eram ocupados pelos patrícios. Os clientes eram protegidos pelos patrícios, em troca de prestação de serviços. Os plebeus eram pequenos camponeses, artesãos e comerciantes, mas não lhes era permitida participação política e nem que se casassem com elementos do patriciado. Abaixo deles, vinham os escravos, que, com a República, foram se tornando mais numerosos, pois a tomada de territórios fazia com que parte
publicanos, as leis eram transmitidas oralmente de uma
da população se somasse aos escravos existentes.
geração para outra. A ausência de uma legislação escrita
As informações trazidas pelo texto acerca da República ro-
permitia aos patrícios manipular a justiça conforme seus in-
mana demonstram que:
teresses. Em 451 a.C., porém, os plebeus conseguiram ele-
a) Os escravos dos territórios invadidos tornavam-se cida-
ger uma comissão de dez pessoas – os decênviros – para escrever as leis. Dois deles viajaram a Atenas, na Grécia, para estudar a legislação de Sólon.
dãos romanos. b) A República foi o regime político que garantiu o domínio c) A estratificação social se dava com base na capacidade
A superação da tradição jurídica oral no mundo antigo, des-
d) Os ricos proprietários e comerciantes eram favoráveis às
crita no texto, esteve relacionada à a) adoção do sufrágio universal masculino. b) extensão da cidadania aos homens livres.
intelectual dos cidadãos romanos. lutas de algumas camadas pobres de Roma. e) Os setores mais ricos da plebe, algumas vezes, dividiam cargos políticos com patrícios e escravos.
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A14 Roma: República
geral dos patrícios sobre toda a sociedade. COULANGES, F. A cidade antiga. São Paulo. Martins Fontes, 2000.
História
Exercícios Complementares 01. (UFG GO) O governo da República romana estava dividido em três corpos tão bem equilibrados em termos de direitos que ninguém, mesmo sendo romano, poderia dizer, com certeza, se o governo era aristocrático, democrático ou monárquico. Com efeito, a quem fixar a atenção no poder dos cônsules a constituição romana parecerá monárquica; a quem fixá-la no Senado ela mais parecerá aristocrática e a quem fixar no poder do povo ela parecerá claramente democrática. POLÍBIOS. História. Brasília: Ed. da UnB, 1985. Livro VI, 11. p. 333. Políbios descreve a estrutura política da República romana (509-27 a. C.), idealizando o equilíbrio entre os poderes.
Não obstante, a prática política republicana caracterizou-se pela: a) organização de uma burocracia nomeada a partir de critérios censitários, isto é, de acordo com os rendimentos. b) manutenção do caráter oligárquico com a ordem equestre dos homens novos assumindo cargos na administração e no exército. c) adoção da medida democrática de concessão da cidadania romana a todos os homens livres das províncias conquistadas. d) administração de caráter monárquico com o poder das assembleias baseado no controle do exército e da plebe. e) preservação do caráter aristocrático dos patrícios que controlaram o Senado, a Assembleia centuriata e as magistraturas.
A14 Roma: República
02. (UEFS BA) A concepção iluminista relativa à universalidade da lei, como indicada no texto, opunha-se à antiga concepção do Direito Romano, segundo a qual a) os direitos individuais eram estabelecidos pela religião oficial. b) os patrícios e os plebeus gozavam dos mesmos direitos perante a lei. c) a garantia dos direitos era fundamentada no poder do pater família. d) a desigualdade social definia a posição desigual do indivíduo perante a lei. e) a Lei das Doze Tábuas garantia iguais direitos a todos que nascessem na cidade de Roma, capital do Império. 03. (FMJ SP) No final do período republicano de Roma, pode-se perceber a transferência de poder para as mãos de um governante que, a partir de 27 d.C., recebe o título de Imperator. Originalmente, durante a República, o poder de decisão na sociedade romana repousava sobre a) os censores. b) o Senado. c) o Tribunato da Plebe. d) a Assembleia Centuriata. e) os questores.
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04. (UEPG PR) A República Romana organizou-se a partir de uma nova concepção de poder surgida no final da Realeza. Era “o poder dos cidadãos”, que favorecia o prestígio do patriciado, fundamentando a ideia de liberdade romana de que o povo só aceitaria um poder (governo) exercido por seu legítimo detentor. Todavia, essa nova forma de governo assentava-se sobre uma estrutura social que dividia o povo romano em diferentes classes, distintas e desiguais. Sobre a organização sociopolítica desta fase, assinale o que for correto. 02-04-08 01. Uma das importantes conquistas dos plebeus foi uma lei agrária que limitava a extensão dos latifúndios da nobreza e autorizava a distribuição de terras públicas à plebe, resolvendo definitivamente a questão agrária em Roma. 02. Além da divisão básica entre patrícios e plebeus, o povo romano repartia-se em diferentes segmentos sociais, tais como clientes e escravos. 04. O casamento entre patrícios e plebeus, permitido pela Lei Canuleia, originou uma nova aristocracia, a nobilitas. 08. Se, por um lado, as Leis das Doze Tábuas significaram uma vitória plebeia porque obrigaram os patrícios a fazerem concessões, por outro, representaram verdadeira manobra do patriciado porque naquele momento os plebeus não tinham condições de avanço em suas reivindicações. 16. O exercício das magistraturas (cônsules, censores, pretores, questores e edis) evoluiu para uma forma mais democrática de gestão, o triunvirato. 05. (UFTM MG) “Mesmo para um cidadão romano, seria impossível dizer, com certeza, se o sistema, em seu conjunto, era aristocrático, democrático ou monárquico. Com efeito, a quem fixar a atenção no poder dos cônsules, a Constituição romana parecerá totalmente monárquica; a quem fixar no Senado, parecerá aristocrática, e a quem se fixar no poder do povo, parecerá, claramente democrática. (...) cada uma das três partes [do Estado] é capaz, se desejar, de criar obstáculos às outras, ou de colaborar com elas. (...) Nenhum dos poderes predomina sobre os outros nem pode desprezá-los.” (Políbio, História, século II a.C.)
De acordo com o historiador grego, Políbio, a Constituição de Roma, que favorecera as conquistas no Mediterrâneo, era a) baseada no predomínio do Senado sobre a autoridade dos cônsules e do povo. b) certamente democrática, por entregar aos plebeus a maior parte dos poderes. c) marcada pelo conflito entre os diferentes poderes que compunham o Estado. d) claramente aristocrática, por concentrar o poder nas mãos dos cônsules. e) caracterizada pelo equilíbrio de poder entre os cônsules, o Senado e o povo.
FRENTE
A
HISTÓRIA
MÓDULO A15
ROMA: EXPANSÃO DA REPÚBLICA Para a sociedade romana, fazer parte do exército era motivo de orgulho e prestígio. Os integrantes da força armada, além de prestar serviço militar gratuitamente, equipavam-se por conta própria. Dessa forma, a cavalaria costumava ser composta por membros das camadas mais ricas, pois somente eles possuíam recursos para possuir cavalos, armaduras de ferro e outros equipamentos de qualidade exigidos para tal posição.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Roma: Expansão da República nn A expansão territorial romana
No entanto, se a atuação de todos os homens livres fortalecia o exército, isso traria muitos problemas para a economia da República, já que esses grupos tinham de abandonar as lavouras e demais atividades para dedicar-se ao serviço militar. Diante desse cenário, ficou estabelecido que o exército teria uma atuação sazonal, de forma que as investidas militares só poderiam ocorrer durante o verão, para não prejudicar as atividades agrícolas. Apesar de tais limitações, devido à falta de profissionalização, o exército romano contava com uma estrutura rígida. Ele era dividido em legiões, as quais eram subdivididas em centúrias de infantaria pesada, infantaria ligeira e grupos de cavalaria.
Figura 01 - Pintura representando legião romana.
Fonte: Wikimedia Commons
O exército romano teve um papel fundamental no processo de expansão de Roma durante a República, possibilitando a formação do que viria a se constituir como Império. As investidas vitoriosas possibilitaram a conquista de novos territórios, de terras cultiváveis e matéria-prima, além do aumento expressivo do número de escravos. Porém, a ampliação dos domínios romanos e seus desdobramentos deixaram uma série de problemas, que, posteriormente, levariam à crise do sistema republicano em Roma.
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História
A expansão territorial romana Com o novo regime político, Roma deu início a um processo gradual de expansão amparado em uma poderosa força militar. No entanto, a República romana não foi imposta apenas pela força das armas, mas também por meio de alianças com povos que aceitavam sua liderança. A expansão na península Itálica foi concluída entre 272 a.C. e 265 a.C., quando o território ocupado pelos etruscos, ao Norte, e a Magna Grécia (região, até então, ocupada por colônias gregas), ao Sul, foram dominados. Diante da conquista da península, Roma deu início, então, ao processo de expansão externa.
que garantissem a defesa de seus interesses. Diante de tais reivindicações, os patrícios concederam na criação do Tribunato da Plebe (493 a.C). Os Tribunos da Plebe, que de dois subiram para dez, eram escolhidos anualmente pelos plebeus. Eles não tinham o direito de criar leis, porém tinham o poder de veto de decisões de senadores e magistrados que contrariassem os interesses da plebe.
Com a expansão territorial, as terras confiscadas pelo Estado Romano nas regiões conquistadas eram transformadas em terras públicas- o ager publicus- que podiam ser arrendadas a cidadãos romanos para exploração da agricultura e do pastoreio. Isso trouxe inúmeros conflitos agrários, os quais giravam em torno do direito de posse sobre o ager publicus, pois, enquanto muitos cidadãos aumentavam suas terras à custa dele, outros se viam limitados a um pequeno lote insuficiente à sobrevivência. As pessoas que não conseguiam terras deixavam o campo e partiam para as cidades para viver como artesãos, pequenos comerciantes ou clientes. Após a conquista da Península Itálica, os romanos empreenderam uma série de campanhas militares que lhes deu a supremacia no mundo mediterrâneo. Essas guerras resultaram numa quantidade enorme de terras e escravos, o que beneficiou principalmente a “nobilitas” romana.
A15 Roma: Expansão da República
As revoltas dos plebeus Para os patrícios, a expansão territorial representou mais riqueza e privilégios, pois concomitantemente a ela houve o aumento do número de escravos que estariam a sua disposição. Porém tal expansão não trouxe vantagens para os menos privilegiados. Pelo contrário, apenas contribuiu para o aumento das desigualdades sociais entre patrícios e plebeus, o que desencadeou diversas revoltas da plebe. Esse cenário provocou a insatisfação dos plebeus que, no começo do século V a.C., se recusaram a participar das campanhas militares, exigindo nas assembleias diversas alterações políticas, como a criação de cargos de magistrados 498
Fonte: Wikimedia Commons
As lutas políticas internas de Roma ocorreram concomitantemente à sua expansão territorial. A partir do século V a.C., Roma consolidou poder sobre o Lácio e iniciou a conquista e dominação das populações estabelecidas na Península Itálica, em guerras que se estenderam de 498 a 275 a.C. A boa organização de seu exército em formações denominadas legiões e os eficientes armamentos, como catapultas, torres móveis e aríetes garantiam a eficiência e a vitória dos soldados romanos.
Figura 02 - Tribuno da Plebe.
Nesse sistema, os plebeus conseguiram aprovar o fim da escravidão por dívidas, o direito ao casamento com patrícios e a elaboração de um código de leis, chamado Lei das Doze Tábuas. No século seguinte, os plebeus tiveram acesso às magistraturas, representatividade no Senado e no sacerdócio, e conseguiram transformar em leis as medidas aprovadas em suas assembleias através dos plebiscitos. As Guerras Púnicas A expansão romana pela península itálica (centro e sul) e a conquista da Magna Grécia ameaçaram os interesses cartaginenses na parte ocidental do Mediterrâneo, o que acabou por desencadear as Guerras Púnicas entre Roma e Cartago (264-246 a.C). Tendo saído vencedora, Roma estendeu seu domínio também sobre o Mediterrâneo ocidental, trilhando para a conquista dos domínios helenísticos (Macedônia, Síria e Egito) e do Mediterrâneo oriental. Ao transformarem o Mar Mediterrâneo no “Mare Nostrum”, com a livre navegação por todas as suas margens, os romanos incorporaram de modo diferente as províncias situadas a Oeste e a Leste de Roma, como a Espanha, a Gália e a Bretanha.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
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753 a. C.
REPÚBLICA
509 a. C.
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EGIPTO IMPÉRIO
27 a. C.
476 d. C.
Expansão durante a Monarquia Expansão durante a República e até à morte de Augusto (14 d.C.) Expansão durante o Império Mapa 01 - Mapa da expansão dos domínios romanos durante a república.
Em seu interior, Roma implantou o latifúndio com produção agrícola em larga escala e baseada no trabalho escravo. O latim, língua dos antigos habitantes do Lácio, acompanhou o curso das conquistas. Sobrepujando os demais dialetos itálicos, difundiu-se por toda a Península Itálica e espalhou-se pela Europa Ocidental e África do Norte. Cidades foram fundadas para administração e comércio, como Córdova, Lyon, Amiens, outras urbanizadas segundo o padrão romano, com largas avenidas, aquedutos, termas e templos. Entretanto, as províncias ocidentais do império sempre permaneceram menos povoadas e menos desenvolvidas que as do Oriente.
A15 Roma: Expansão da República
No Mediterrâneo Oriental, os romanos conquistaram os grandes Estados helenísticos da Macedônia, Grécia, Síria e Egito, onde procuraram manter a organização social e política já existentes, contentando-se em obter altos rendimentos com a cobrança de impostos. Nesses territórios, o trabalho escravo foi menos utilizado e não houve processo de romanização como no Ocidente. Desta vez, é Roma que se deixa influenciar pela riqueza da civilização helenística. As conquistas tornaram Roma fabulosamente rica. Para ela, encaminhavam-se as obras de arte da Grécia, os produtos raros do Oriente, os animais e plantas da África, os cereais de todas as províncias, além de filósofos, cientistas e artistas do mundo helênico. Surgiram os arcos de triunfo, para celebrar vitórias de generais, e as primeiras basílicas destinadas à administração da justiça, à discussão de negócios e de política. Sugeriram também as termas, construções com salas de banho morno e quente, bibliotecas, salas de jogos e palestras. 499
História
Exercícios de Fixação 01. (Fuvest SP) Os impérios do mundo antigo tinham ampla abrangência territorial e estruturas politicamente complexas, o que implicava custos crescentes de administração. No caso do Império Romano da Antiguidade, são exemplos desses custos: a) as expropriações de terras dos patrícios e a geração de empregos para os plebeus. b) os investimentos na melhoria dos serviços de assistência e da previdência social. c) as reduções de impostos, que tinham a finalidade de evitar revoltas provinciais e rebeliões populares. d) os gastos cotidianos das famílias pobres com alimentação, moradia, educação e saúde. e) as despesas militares, a realização de obras públicas e a manutenção de estradas. 02. (Uni Cesumar SP) A prática da escravidão na Roma antiga a) iniciou-se com as Guerras Púnicas e prosseguiu até o avanço do cristianismo nas áreas centrais do Império. b) era contestada pelos patrícios, que a consideravam incompatível com a ordem política democrática. c) ocorreu de forma ocasional e era motivada apenas pelo endividamento de plebeus ou patrícios. d) atingia exclusivamente a plebe, que não tinha direitos à cidadania, nem podia possuir propriedades. e) foi bastante estimulada pela expansão comercial e militar romana na região do Mar Mediterrâneo. 03. (Unievangélica GO) Leia o texto a seguir. A cidade foi arrasada e seu solo salgado [...]. O território tornou-se província da África, com Útica como capital e algumas cidades livres (as que haviam dado boa acolhida aos romanos).
A15 Roma: Expansão da República
PETIT, Paul. História Antiga. 3. ed. São Paulo: Difel,1976. p. 2019
O texto é uma referência às guerras a) civis romanas, com revoltas de escravos em grandes proporções, que tiveram início na cidade de Cápua e que foram lideradas pelo gladiador Espártaco. b) dos plebeus, no período republicano, quando homens livres reivindicaram e conquistaram gradativamente seus direitos políticos. c) púnicas entre romanos e cartagineses, motivadas pela rivalidade no comércio e na navegação no Mediterrâneo. d) contra os etruscos, a partir de meados do século VII a. C., que dominaram Roma fazendo os patrícios se sentirem ameaçados à imposição dos seus reis. 04. (Puc Campinas SP) Tal como o texto indica, os escravos eram considerados essenciais na Roma antiga, principalmente com a expansão de seus domínios territoriais, pois a) a economia passou a depender cada vez mais dessa mão de obra, na medida em que a demanda crescia e os prisioneiros de guerra eram conduzidos a trabalhar em funções antes exercidas por homens livres.
500
b) serviam como gladiadores, combatendo em terras longínquas em nome da república romana, atuação que favoreceu a ocorrência de muitas rebeliões escravas, como a liderada por Espártaco em 73 a.C. c) aqueles escravos que se destacassem como bons trabalhadores eram alçados à condição de cidadãos, passando a gozar de direitos sociais e devendo contribuir com impostos. d) o império romano se estruturou sobre bases agrícolas, sendo a mão de obra escrava fundamental para garantir a produtividade e os lucros com o comércio de seus produtos. e) o luxo e o confortável estilo de vida dos patrícios e plebeus, em Roma, eram mantidos às custas do trabalho escravo, responsável, ainda, pelo entretenimento garantido pela política do “pão e circo”. 05. (Uel PR) Observe os quadrinhos sobre mercado de escravos a seguir:
(UDERZO, A.; GOSCINNY, R. Asterix – Os louros de César. Rio de Janeiro: Companhia Editorial Brasileira, s.d.)
Na imagem, os criadores de Asterix se referem a um aspecto importante da sociedade romana no final do período republicano. Trata-se: a) da utilização em larga escala do trabalho escravo nas províncias romanas, como a Gália, devido à imposição pelos conquistadores aos povos conquistados de seu modo de produção escravista. b) do caráter mercadológico dos escravos no mundo antigo, o que impedia aos ex-escravos alforriados e a seus descendentes a ascensão à cidadania e a sua plena integração à sociedade romana. c) da escravização por dívidas dos plebeus de Roma e de suas províncias, que, tendo sido empobrecidos pelas guerras civis e destituídos de suas terras, tinham se tornado dependentes dos patrícios romanos. d) do desenvolvimento da escravidão mercadoria, em Roma e na Península Itálica, associado ao sucesso das conquistas e ao aumento do número de escravos advindos das capturas de prisioneiros de guerra. e) da escravidão voluntária e temporária de estrangeiros, como os personagens Asterix e Obelix, que buscavam nos mercados de escravos da Roma antiga uma forma de ascender à cidadania romana após sua manumissão.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
02. (UFPB) Considerando o período da República romana (509 a.C. – 27 a.C.), é correto afirmar que: a) As grandes disputas políticas entre patrícios e plebeus provocaram um período de decréscimo territorial em Roma. b) A concentração de terras nas mãos dos patrícios, além das conquistas militares, levou a um aumento exponencial do número de escravos. c) As derrotas romanas nas Guerras Púnicas, contra Cartago, levaram à guerra civil, provocando o fim da República e o início do Império. d) Os dois grupos em disputa na sociedade romana, patrícios e plebeus, aliaram-se para diminuir o poder estrangeiro em Roma. e) Os romanos entraram em contato com várias religiões estrangeiras, como o Cristianismo, resultando disso um período de grande riqueza cultural. 03. (Mackenzie SP)O Mar Mediterrâneo foi a maior de todas as vias de circulação romanas e dele resultou a formação do Império Romano (27 a.C. a 476 d.C.). A respeito dessa importante conquista para a civilização romana, assinale a alternativa correta.
a) A eliminação da hegemonia cartaginesa sobre a região além de permitir que Roma passasse a dominar o comércio mediterrâneo, possibilitou aumentar o dinamismo próprio da estrutura escravista, que necessitava de mão de obra decorrentes das conquistas. b) Após a derrota romana nas Guerras Púnicas, quando fenícios e cartagineses ocuparam o estreito de Gibraltar, a única saída para dar continuidade ao processo de expansão foi a conquista do mar Mediterrâneo. c) A explosão demográfica e os conflitos internos com a plebe urbana exigiram medidas expansionistas por parte do governo, para que se estabelecessem colônias romanas fora da península itálica a fim de minimizar as tensões sociais. d) A necessidade de expansão do cristianismo, que a partir do século IV, tornou-se a religião oficial do império romano, implicou na divulgação dos princípios dessa nova doutrina para os povos bárbaros. e) A crescente produção de cereais, durante o império romano, especialmente, o trigo, levou à expansão de suas fronteiras, uma vez que era necessário ser escoado e vendido para as demais províncias romanas. 04. (Unicesumar SP) “Com a vitória [nas Guerras Púnicas], Roma passou a ser conhecida entre todos os povos que viviam no Mediterrâneo.” Carlos Augusto Ribeiro Machado. Roma e seu império. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 14.
As Guerras Púnicas tiveram tamanha importância, pois a) estabeleceram a hegemonia militar e comercial romana em todo o Mar Mediterrâneo, no Norte da África e no Extremo Oriente. b) representaram a primeira grande ofensiva romana fora da península itálica e eliminaram a influência de Cartago no comércio mediterrânico. c) completaram a expansão comercial de Roma pelo Mar Mediterrâneo e consolidaram seu império como o maior da Antiguidade. d) determinaram a aliança entre Roma e Cartago, maior potência marítima da época, e permitiram a divisão do comércio mediterrânico entre as duas cidades. e) provocaram a derrota da Macedônia, principal ameaça à expansão mediterrânica de Roma, mas fragilizaram o controle militar romano da península itálica. 05. (Unievangélica GO) Leia o texto a seguir: A cidade foi arrasada e seu solo salgado [...]. O território tornou-se província da África, com Útica como capital e algumas cidades livres (as que haviam dado boa acolhida aos romanos). PETIT, Paul. História Antiga. 3. ed. São Paulo: Difel,1976. p. 2019
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A15 Roma: Expansão da República
01. (UEPG PR)Uma das principais características do Império Romano foi a sua expansão contínua pelo território europeu, chegando até a África e a Ásia. Ao longo de cinco séculos, o Império Romano ampliou seus domínios e controlou política, cultural e economicamente um grande número de povos existentes em três continentes. Sobre o tema, assinale o que for correto. 01-02-04-08 01. A vitória sobre os cartaginenses nas Guerras Púnicas representou a soberania romana sobre o Mar Mediterrâneo, o qual passou a ser chamado por estes de Mare Nostrum. 02. A hegemonia romana nas províncias conquistadas foi acompanhada por mecanismos de coerção, recompensa, cooptação e destruição das formas de resistência dos povos subjugados. 04. Os bretões, conhecidos por seu espírito belicoso, se mostraram bastante hostis à presença romana em suas terras, o que dificultou o processo de conquista da Britânia pelo Império Romano. 08. A troca cultural entre os romanos e os povos dominados pode ser compreendida como uma das principais consequências do processo de expansão do Império Romano. 16. A escravidão, adotada por Roma antes do início da expansão do Império, foi integralmente abolida nas regiões conquistadas. O trabalho livre foi uma das formas encontradas pelos romanos para evitar as revoltas em suas colônias.
História
O texto é uma referência às guerras a) civis romanas, com revoltas de escravos em grandes proporções, que tiveram início na cidade de Cápua e que foram lideradas pelo gladiador Espártaco. b) dos plebeus, no período republicano, quando homens livres reivindicaram e conquistaram gradativamente seus direitos políticos. c) púnicas entre romanos e cartagineses, motivadas pela rivalidade no comércio e na navegação no Mediterrâneo. d) contra os etruscos, a partir de meados do século VII a. C., que dominaram Roma fazendo os patrícios se sentirem ameaçados à imposição dos seus reis. 06. (Uniube MG) Leia o que afirma o historiador Perry Anderson: O Mundo Antigo nunca foi contínua ou ubiquamente marcado pela predominância do trabalho escravo. Mas suas grandes épocas clássicas, quando floresceu a civilização da Antiguidade - a Grécia, nos séculos V e IV a.C., e Roma, do século II a.C. -, foram aquelas em que a escravidão era maciça e generalizada, entre outros sistemas de trabalho. (ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao feudalismo. Tradução de Beatriz Sidou. 5. ed. São Paulo: Editora Brasiliense S.A., 2004)
A Civilização Clássica é, comumente, denominada como escravista pelos grandes historiadores. Isso denota a importância do elemento escravo dentro da sociedade romana, por exemplo. Mas o que poderia explicar a importância desse grupo, o escravo, dentro do panorama histórico romano? Assinale a alternativa CORRETA: a) Os escravos romanos eram descendentes das primeiras comunidades “italiótas” que povoaram inicialmente a região e fundaram a cidade. b) Apesar da posição subalterna, os escravos eram vistos com muito apreço pelos patrícios, que os tinham como bons servos domésticos. c) A mão de obra escrava era vital para a grande produção agrícola romana, que deveria alimentar o exército, a plebe e o patriciado.
A15 Roma: Expansão da República
d) Mesmo sem prestígio social, os escravos tinham relevância religiosa por servirem de oferenda aos deuses da mitologia romana. e) Com o Cristianismo, a figura do escravo passou a ser valorizada, carregando o estigma da virtude cristã. 07. (Fatec SP)Durante toda a História, os homens criaram tecnologias, inclusive para proteger o corpo, buscando atingir seus objetivos. Podemos ver um exemplo disso nas formações militares desenvolvidas pelos romanos, chamadas de “tartaruga” ou “testudo”. Nessas formações, a aproximação com o inimigo era facilitada por grandes escudos empunhados à frente e acima do corpo pelos soldados, como podemos ver na imagem apresentada.
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Sobre o período da República Romana, em que foram desenvolvidas as formações militares citadas, é correto afirmar que ele foi caracterizado a) pela expansão territorial, que levou ao domínio de territórios na Europa e no Mediterrâneo. b) pelo governo dos grandes imperadores, que centralizavam o poder em todo o território romano. c) pela predominância de Assembleias populares e democráticas, conduzidas por senadores e magistrados. d) pelos conflitos entre plebeus e patrícios, visando à libertação dos escravos de origem africana. e) pelos tratados de cooperação entre reis e senadores, para evitar guerras contra os bárbaros germânicos. 08. (UERN) “Desde os tempos mais antigos, a humanidade vive experiências de dominação. Embora haja fatores específicos em cada império, alguns elementos parecem comuns. Entre eles o incontido desejo humano de superioridade e a busca deliberada de subjugação social, cultural e econômica.” (Benicá, 2013.)
No caso específico do Império Romano, que floresceu na antiguidade ocidental, é(são) fator(es) decisivo(s) para seu surgimento e expansão: a) A formação, atravésdas guerras, de um grande arsenal de escravos, provenientes dos povos conquistados. b) A organização político-democrática que permitia a manutenção da autonomia e da isonomia cultural dos povos conquistados. c) A redistribuição das riquezas conquistadas à população, principalmente aos guerreiros, e o fim das desavenças entre patrícios e plebeus. d) A unificação religiosa em torno do cristianismo, o que garantiu a obediência dos cidadãos e a ausência de revoltas e convulsões sociais.
FRENTE
A
HISTÓRIA
MÓDULO A16
ROMA: CRISE DA REPÚBLICA No século II a.C., devido às conquistas territoriais, Roma tornou-se uma cidade rica e cosmopolita, onde circulavam produtos vindos de diversas regiões. Esse processo de expansão também contribuiu para modificar intensamente a realidade social e política vigente na República Romana.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Roma: Crise da República nn A luta pela reforma agrária nn Militares no poder
O Senado, a partir de então, administrava um vasto território e a riqueza adquirida convergia para a capital do império. O grande fluxo de entrada de bens provenientes das províncias conquistadas, os quais eram obtidos saque de guerra ou pela cobrança de impostos, produziu um impacto na economia, causando uma queda constante dos preços dos produtos agrícolas. A guerra expansionista tornou-se essencial para a economia romana. Os patrícios, que estavam ligados ao Senado, eram os maiores proprietários de terra. Muitos plebeus, que eram pequenos proprietários na península itálica, devido à concorrência desleal, sem condições de viver no campo, venderam suas terras transformando-se em mão de obra barata na cidade.
Fonte: wikimedia commons
A cidade de Roma, por sua vez, cresceu descontroladamente, aumentando a tensão social. Dos territórios conquistados, chegavam milhares de escravos, consolidando a economia escravista. Com a expansão do comércio, algumas famílias plebeias enriqueceram, formando um novo grupo social. Surgia uma influente classe de comerciantes, chamados homens-novos, que ansiavam por algum tipo de participação política. Eles começaram, então, a ocupar cargos da magistratura antes reservados apenas aos patrícios. Assim, essa ascensão de alguns setores da plebe coincidiu com a perda de poder dos patrícios, enfraquecidos pelo fato de ser um número muito reduzido. Tudo isso configurou o quadro de crise da República Romana, pois o governo oligárquico não conseguia mais conciliar as crescentes pressões sociais e políticas. Figura 01 - Soldados romanos invadem o senado.
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História
A luta pela reforma agrária
Militares no poder
Muitos pequenos proprietários, devido à contração de dívidas, perderam suas terras. Esses antigos lavradores acabavam se juntando a uma massa de trabalhadores urbanos, sem trabalho devido à sua substituição por uma mão de obra mais barata, composta por escravos e estrangeiros livres. Em decorrência do grande fluxo de pobres, escravos e imigrantes, as cidades enfrentavam problemas com a falta de moradia, saneamento básico, alimentação etc. Essa situação de intensa desigualdade social gerou descontentamento entre as camadas populares, provocando conflitos sociais que começaram a abalar a República. Alguns argumentavam que, para sair da crise, seria necessário promover mudanças na sociedade. Dois dos representantes desse pensamento foram os irmãos Tíbério e Caio Graco. Eleito tribuno da plebe em 133 a.C., Tibério Graco lutava por uma reforma agrária que pusesse fim ao êxodo rural e estabelecesse limites à propriedade da terra. Inconformados com a ideia, os senadores, donos da maior parte das terras de Roma, planejaram o assassinato de Tibério e de trezentos de seus seguidores. As propostas de Tibério foram retomadas anos depois por seu irmão Caio Graco, eleito tribuno da plebe em 124 a.C. Embasando-se no modelo da democracia ateniense para reduzir o poder dos ricos, Caio Graco propôs que as principais decisões da República fossem transferidas do Senado para uma assembleia popular. Ele também defendia a divisão das terras públicas e sua distribuição entre os mais pobres.
Procurando desviar da atenção a situação de crise, o senado buscou estimular campanhas militares no exterior, o que fez crescer o prestígio dos militares. Entre 107 a.C. e 100 a.C., por exemplo, o general Caio Mário foi eleito cônsul por seis vezes consecutivas. Posteriormente, Roma foi governada simultaneamente por três militares. Eram os generais Sila, Júlio César e Marco Licínio Crasso, que compunham o Triunvirato (que significava governo de três varões) e tinham um poder autônomo ao Senado. No entanto, o poder concentrou-se nas mãos de Júlio César, a quem os senadores concederam o título de ditador vitalício.
Fonte: wikimedia commons
Júlio César deu início a uma nova fase da política romana, caracterizada pela personificação e centralização do poder. Dessa forma, o general assumia para si vários cargos e funções, como cônsul, sumo sacerdote e supremo comandante militar.
Fonte: wikimedia commons
Figura 03 - Estátua de bronze de Júlio César, localizada em Rimini, na Itália.
A16 Roma: Crise da República
Figura 02 - Estátua representando os irmãos Tibério e Caio Graco.
Novamente sentindo seus interesses ameaçados, a elite senatorial mobilizou-se contra Caio Graco. Em 121 a.C., ele e seus apoiadores foram emboscados fora de Roma. Sem escapatória, o representante do tribuno da plebe ordenou a um escravo que o matasse. Esse evento desencadearia uma matança de 3 mil de seus partidários. O assassinato de Caio Graco agravou as tensões sociais, levando, pouco tempo depois, a uma guerra civil que duraria quase um século. O conflito minaria o sistema republicano. 504
Durante seu governo, distribuiu terras para cerca de 80 mil pessoas, nas colônias; visando a diminuir o desemprego, exigiu que pecuaristas tivessem entre seus empregados pelo menos um terço de homens livres; e estendeu a cidadania romana a praticamente toda a população da península Itálica. Receosos que Júlio César acabasse com a República e restituísse a monarquia, autoproclamando-se rei, em 15 de março de 44 a.C. durante uma sessão do Senado, um grupo de mais ou menos sessenta senadores cercou Júlio César e o assassinou a punhaladas. Após a morte de César, Roma foi governada por um novo Triunvirato. Dessa vez, formado pelo cônsul Marco Antônio, o general Lépido e o sobrinho e filho adotivo de Júlio César, Caio Otávio. Diante dos desacordos entre eles, Roma tornou-se o palco de uma guerra que só terminaria em 27 a.C., quando Caio Otávio se tornou senhor absoluto de Roma, dando início ao Império romano.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação
(Bárbara Pastor. Breve História de Roma: Monarquia e República)
Grande parcela da sociedade romana, durante a República, era constituída pelos plebeus, que viviam marginalizados politicamente. A marginalização e o descontentamento levaram às lutas de classe em Roma. Assim o texto deve ser relacionado com: a) o Corpus Juris Civilis b) a Lei das XII Tábuas c) a Lei Frumentária d) o Edito do Máximo e) o Edito de Tessalônica 02. (Unisa SP) A República conquistara para Roma o seu Império: as suas próprias vitórias a tornaram anacrônica. A oligarquia de uma única cidade não podia segurar todo o Mediterrâneo numa organização unitária – tinha sido ultrapassada pela própria escala dos seus êxitos. (Perry Anderson. Passagens da antiguidade ao feudalismo, 1982.)
No excerto, o historiador Perry Anderson refere-se à a) rápida expansão territorial romana que permitiu o fortalecimento do governo dos patrícios. b) grande expansão territorial romana que extinguiu o comércio lucrativo no interior da cidade. c) consequência da expansão territorial romana que fortaleceu as instituições republicanas. d) expansão territorial romana que provocou mudanças estruturais, levando à crise da República. e) expansão territorial romana que criou condições para a diminuição da desigualdade social. 03. (UEG GO) Ele completou o senado, criou novos patrícios, aumentou o número de pretores [...]. Compartilhou com o povo o poder dos comícios de tal forma que, com exceção dos candidatos ao consulado, metade dos eleitos eram escolhidos da lista proposta pelo povo e a outra metade composta por escolhidos por ele próprio. Suetônio. In: PINSKY, Jaime. 100 textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 2009. p. 84.
O trecho acima foi extraído da biografia de Júlio César, escrita pelo historiador romano Suetônio. Mostra o imenso poder que acumulou após se tornar o último sobrevivente do Primeiro Triunvirato, impondo-se como Ditador de Roma. Em decorrência dessa concentração de poder, Júlio César a) desafiou o Senado, cruzando o rio Rubicão com o objetivo de entrar em Roma com suas legiões, ocasião em que teria dito que “a sorte está lançada”. b) recusou-se a deixar a província da Gália, onde estava enriquecendo, descumprindo uma ordem do Senado, que o declarou “inimigo do povo”. c) entrou em Guerra Civil com o maior general de Roma, Pompeu, forçando-o a fugir para o Egito, onde foi assassinado logo que desembarcou. d) sofreu um atentado fatal movido por membros de uma facção descontente do senado, que temia que César se proclamasse rei de Roma. 04. (Puc RS) Considere o texto abaixo. “Depois de meio século de lutas internas, Caio Júlio César, um general aristocrata que se dizia descendente de Vênus e Enéias, conquistou em poucos anos a Gália, uma enorme área que corresponde, mais ou menos, à atual França, Suíça, Bélgica e parte da Alemanha. Quando o Senado não lhe quis permitir que continuasse a comandar as tropas, César recusou-se a obedecer (...) e tornou-se ditador em seguida”. (FUNARI, Pedro P. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2001, p. 89).
Considerando a história política da Roma Antiga, o contexto refere-se a uma culminância da crise a) da Realeza. b) da República. c) do Principado. d) do Alto Império. e) do Baixo Império. 05. (Ufpel RS) Os irmãos Tibério e Caio Graco, tribunos da Roma Antiga, ficaram conhecidos por a) implementar a democracia durante o período final do Império Romano. b) propor medidas para realizar uma reforma agrária combatendo o latifúndio. c) instituir o cristianismo como religião oficial do Império Romano. d) extinguir a escravidão em todo o território sob domínio de Roma. e) estabelecer o regime de governo dos triunviratos.
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A16 Roma: Crise da República
01. (ESPM SP) Cada vez mais conscientes de seus direitos, os plebeus solicitaram ter por escrito as leis que regulavam os conflitos entre as pessoas. Até então existia o costume como lei, que era conhecida e interpretada somente pelos patrícios. Nas leis escritas viam os plebeus, e com razão, a única garantia para a segurança e a estabilidade. Assim foi elaborado este primeiro código legal escrito.
História
Exercícios Complementares 01. (IF GO) Se se considera o povo romano como um homem e se se percorre toda a sua existência, teremos quatro momentos: seus inícios, sua adolescência, sua maturidade e, por fim, sua velhice. Sua primeira idade passou-se sob os reis e compreende cerca de duzentos e cinquenta anos, durante os quais se lutou, ao redor da cidade, contra seus vizinhos; esta foi sua infância. O segundo período, do consulado de Brutus e de Colatino ao consulado de Apio Cláudio e Quinto Fúlvio, durou duzentos e cinquenta anos, durante os quais se submeteu a Itália. Foi a época mais fértil em heróis e combates, sua adolescência. Depois, até César Augusto, em duzentos anos pacificou-se todo o mundo. Foi a idade adulta, de robusta maturidade. De César Augusto até nosso tempo, em menos de duzentos anos, a inércia dos Césares trouxe a decadência da velhice. FLORO, História Romana, introdução, Século II d. C.
A16 Roma: Crise da República
Acerca da história romana, assinale a alternativa correta. a) A luta “contra seus vizinhos” expõe que o militarismo expansionista foi uma marca presente em todos os períodos do desenvolvimento da civilização romana. b) Durante a chamada “infância” de Roma, correspondente ao período monárquico, podemos assinalar que a distinção social entre patrícios e plebeus era inexistente. c) Ao atingir a sua “robusta maturidade”, Roma se transformou em um império de grandes proporções e todos seus conflitos internos foram resolvidos pela política de “Pão e Circo”. d) Ao nortear a História Romana até a “idade adulta”, por uma noção de progresso, o autor ignora as agitações sociais presentes no período republicano. e) Ao falar da “inércia dos Césares”, o autor menciona o fato de os imperadores não terem tomado medidas enérgicas quando o cristianismo passou a influenciar a sociedade romana. 02. (UCB DF) Entre 264 a.C. e 146 a.C., ocorreram três grandes guerras que culminaram com a destruição de Cartago e o controle romano de vastos territórios espalhados por todo o Mediterrâneo. As conquistas provocaram profundas transformações em Roma. O enorme afluxo de bens das províncias conquistadas produziu um impacto na economia, com a queda acentuada dos preços dos produtos agrícolas. Os pequenos proprietários, vendendo suas terras, transformaram-se em mão de obra barata que, sem emprego no campo, acabaram por se refugiar na cidade, em um verdadeiro processo de proletarização. A guerra civil não tardou. VICENTINO, C.; RODRIGO, G. História para o ensino médio. Ed. Scipione, p. 65 e 66, com adaptações.
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O Movimento Sem Terra (MST) no Brasil está organizado em 24 estados nas cinco regiões do País. No total, são cerca de 350 mil famílias que conquistaram a terra por meio da luta e da organização dos trabalhadores rurais. Mesmo depois de assentadas, essas famílias permanecem organizadas no MST, pois a conquista da terra é apenas o primeiro passo para a realização da reforma agrária. Os latifúndios desapropriados para assentamentos normalmente possuem poucas benfeitorias e infraestrutura, como saneamento, energia elétrica, acesso à cultura e ao lazer. Disponível em: <http://www.mst.org.br/taxonomy/term/330>. Acesso em: 26/9/2014, com adaptações.
Estabelecendo um paralelo entre os textos a respeito de Roma e do Brasil, julgue os itens a seguir: 00-01-03 00. Os patrícios eram os detentores da maioria das terras em Roma. No Brasil, os detentores dos latifúndios são as oligarquias do agronegócio. 01. Em Roma, para evitar a guerra civil, houve uma tentativa de reforma agrária, promovida pelos irmãos Graco, Tibério e Caio. 02. No Brasil, a reforma agrária foi concluída no ano de 2010, quando o MST encerrou suas operações. 03. Em Roma, os trabalhadores e pequenos proprietários locais foram substituídos pelos escravos, consolidando a economia escravista. 04. No Brasil, o MST perdeu gradativamente a força do movimento iniciado em meados da década de 1980. Hoje, a luta pela terra no Brasil é uma questão superada. 03. (Puc RS) As relações sociopolíticas conflitivas entre patrícios e plebeus marcaram o período histórico da República, na Roma Antiga. Nesse contexto, a permissão de casamentos entre membros desses dois grupos sociais, a partir de 445 a.C., produziu a) o enfraquecimento do poder político dos patrícios, que contribuiu para a extinção do Senado. b) o aumento da população na península, que resultou na diminuição das guerras de conquista para recrutamento de escravos. c) o desaparecimento da instituição dos Tribunos da Plebe, em função da progressiva perda da identidade política plebeia. d) o surgimento de uma nova aristocracia, que passou a controlar o acesso aos cargos públicos mais elevados. e) a relativa decadência do latifúndio escravista, devido à ampliação do acesso às terras do ager publicus aos novos grupos familiares.
Ciências Humanas e suas Tecnologias Questão 07. Letra a) Políbio atribui à Religião um importante papel na dominação social. No trecho citado, ele deixa claro que entende a maioria dos membros da sociedade como uma multidão “cheia de inconstância, de paixões desregradas, de cóleras violentas e irrefletidas” — ou seja, uma massa caótica, desordenada e desprovida de “sabedoria”, cujo controle por parte da “elite pensante” de Roma não seria possível sem se lançar mão de temores e crenças de ordem religiosa. Assim, para Políbio, a religião romana tinha um papel fundamental na manutenção da ordem política.
A Reforma Agrária em Roma “O projeto de Tibério Graco propôs a obediência rigorosa à lei do agir publicus, pela qual cada pessoa poderia ocupar no máximo 309 acres do solo público. Como as terras dos latifúndios ultrapassavam em muito esse limite, eles seriam obrigados a entregar partes dela ao Estado, para a distribuição entre os camponeses. A reforma visava multiplicar as pequenas propriedades, reforçando o campesinato, que se conservava fiel à vida austera dos antigos romanos e fornecia os mais devotados soldados às legiões.” (Mota, M. B e Braick, P. R. História das Cavernas ao Terceiro Milênio. 1ª Ed. São Paulo: Moderna, 2005 p.84)
Sobre os conflitos sociais em Roma são feitas as seguintes inferências I. Um dos problemas enfrentados pelos políticos romanos foi a questão da terra associada à grande desigualdade social que afligia a maior parte da população. II. Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente tribunos da plebe, procuraram solucionar a crise por meio da realização de reformas que atendessem às reivindicações populares. III. Apesar de em 133 a.C. Tibério Graco ter conseguido a aprovação de uma lei agrária que limitou a extensão dos latifúndios da nobreza, tal lei em nada desagradou os grandes proprietários. Está(ão)correta(s) a(s) afirmativa(s) a) I, II b) I, II, III c) II, III d) III 05. (Uel PR) Os animais da Itália possuem cada um sua toca, seu abrigo, seu refúgio. No entanto, os homens que combatem e morrem pela Itália estão à mercê do ar e da luz e nada mais: sem lar, sem casa, erram com suas mulheres e crianças. Os generais mentem aos soldados quando, na hora do combate, os exortam a defender contra o inimigo suas tumbas e seus lugares de culto, pois nenhum destes romanos possui nem altar de família, nem sepultura de ancestral. É para o luxo e enriquecimento de outrem que combatem e morrem tais pretensos senhores do mundo, que não possuem sequer um torrão de terra. (Plutarco, Tibério Graco, IX, 4. In: PINSKY, J. 100 Textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 1991. p. 20.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, pode-se afirmar que a Lei da Reforma Agrária na Roma Antiga a) proposta pelos irmãos Graco, Tibério e Caio, era uma tentativa de ganhar apoio popular para uma nova eleição de Tribunos da Plebe, pois pretendiam reeleger-se para aqueles cargos. b) proposta por Tibério Graco, tinha como verdadeiro objetivo beneficiar os patrícios, ocupantes das terras públicas que haviam sido conquistadas com a expansão do Império. c) tinha o objetivo de criar uma guerra civil, visto que seria a única forma de colocar os plebeus numa situação de igualdade com os patrícios, grandes latifundiários.
d) era vista pelos generais do exército romano como uma possibilidade de enriquecer, apropriando-se das terras conquistadas e, por isso, tinham um acordo firmado com Tibério. e) foi proposta pelos irmãos Graco, que viam na distribuição de terras uma forma de superar a crise provocada pelas conquistas do período republicano, satisfazendo as necessidades de uma plebe numerosa e empobrecida.
06. (UEPG PR) “Os animais selvagens da Itália possuem cada um a sua toca, seu abrigo, seu refúgio. Os homens que lutam e morrem pela Itália compartilham o ar e a luz e nada mais. [...] Lutam e perecem para dar suporte à riqueza e à luxúria de outros e, apesar de chamados de senhores do mundo, eles não possuem um único torrão de terra de seu.” (M.L. Corassin. A Reforma Agrária na Roma Antiga)
Sobre a questão da propriedade da terra na República Romana, de que trata esse texto (discurso de Tibério Graco em defesa da lei agrária), assinale o que for correto. 01-02-16 01. O movimento pela reforma agrária liderado pelos irmãos Graco (Tibério e Caio) foi uma tentativa de restaurar o equilíbrio social que tinha sido abalado pelas alterações resultantes da expansão imperialista de Roma no Mediterrâneo. 02. As terras públicas, ampliadas pelas conquistas romanas, foram sendo paulatinamente apropriadas pelas classes privilegiadas. Pequenos proprietários foram expulsos de suas terras, ensejando a formação de latifúndios explorados pela mãodeobra escrava. 04. As reformas relacionadas à propriedade da terra, que foram implementadas em Roma a partir de propostas formuladas por Tibério e Caio Graco, culminaram, a médio prazo, na formação de um grande número de pequenas propriedades e no fortalecimento do trabalho assalariado. 08. A reforma agrária em Roma foi bem-sucedida e consolidou-se dentro dos meios legais, sem grandes comoções populares. 16. Tibério Graco, que era tribuno em 133 a.C., propôs uma lei agrária que implicava retomar as terras públicas ilegalmente apropriadas pelos nobres e distribuí-las entre os cidadãos pobres mediante arrendamento. 07. (Fuvest SP) “Parece-me que… o temor religioso salvaguarda os interesses de Roma. Desenvolvendo este sentimento, pensava-se, sobretudo, no povo. Em uma sociedade composta apenas por sábios, esta precaução talvez não fosse necessária; mas como toda multidão é cheia de inconstância, de paixões desregradas, de cóleras violentas e irrefletidas, não é possível, a quem quer que seja, mantê-la, exceto pelo temor de seres invisíveis e por toda espécie de ficções.” Políbio, autor romano do século II A.C.
Baseando-se no texto, indique: a) A relação estabelecida pelo autor entre religião e política. b) Duas características da religião romana no período em que o texto foi escrito.
Questão 07. Letra b) De caráter cívico e fortemente inspirada nas crenças gregas, a religião romana era politeísta. Os deuses — entidades imortais antropomórficas (com formas humanas) eram dotados, cada um, de poderes e personalidades peculiares, possuindo inclusive virtudes e defeitos humanos (inveja, vingança, etc.).
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A16 Roma: Crise da República
04. (UERN)
FRENTE
A
HISTÓRIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (Uem PR) Sobre a história de Roma, na Antiguidade, assinale a alternativa incorreta. a) De acordo com o poeta Virgílio, em sua obra Eneida, o povo romano descende do herói troiano Enéias, que fugiu da cidade de Tróia após sua destruição pelos gregos. b) A partir do século V a.C., a história romana é caracterizada, entre outras coisas, pela eclosão de vários conflitos políticos entre a classe dos patrícios e a classe dos plebeus. Nessa época, foi instituída a figura do Tribuno da Plebe, uma espécie de defensor dos direitos do povo. c) Com a expansão romana na Antiguidade, ocorreu a romanização das culturas bárbaras existentes em várias regiões da Europa. Derivam daí as línguas faladas e as culturas de países de formação latina como França, Espanha, Portugal, Itália e Romênia. d) O cristianismo surgiu na Palestina, região anexada ao Império Romano, pregando a crença em um Deus único, em oposição às práticas religiosas dos romanos, que cultuavam vários deuses. e) Com a queda do Império Romano, a cultura latina foi totalmente apagada do continente europeu, de maneira que a reorganização política, social e cultural dessa região ocorreu sob a influência exclusiva da cultura dos povos bárbaros que destruíram o poderio romano. 02. (Puc RS) Analise as afirmativas que seguem, sobre a cultura romana. I. A Idade de Ouro da vida intelectual romana ocorreu durante o século I da Era Cristã, que ficou conhecido como o “Século de Augusto”. II. Virgílio escreveu a Eneida, poema épico que narrava as origens de Roma, e Cícero transformou-se no modelo mais famoso da arte da oratória. III. A história, entre os romanos, teve um caráter moral e pedagógico, no sentido de formar o cidadão e legitimar as conquistas romanas. IV. O Direito Romano, sintetizado na Lei das Doze Tábuas, é um dos exemplos da influência da cultura grega sobre o conquistador romano. Pela análise das afirmativas, conclui-se que somente estão corretas: a) I, II e III. b) I e IV. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV. 508
03. (UFPR) Considere as seguintes afirmativas que comparam o sistema republicano da Roma Antiga com o sistema republicano brasileiro atual: 1. Uma das principais diferenças entre o sistema republicano moderno e o sistema republicano romano antigo refere-se à incorporação feita pelo sistema atual da divisão de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), defendida por pensadores iluministas para conter regimes absolutistas. 2. O sistema republicano romano antigo constituiu uma representatividade ampla e igualitária para patrícios e plebeus, cujo modelo foi adotado pelos sistemas republicanos modernos, que inspiraram o modelo brasileiro. 3. O Senado vigente na república romana antiga era composto por membros vitalícios, que exerceram grande poder legislativo e executivo, e representou os interesses de uma parcela da população (os patrícios), enquanto o Senado brasileiro atual pertence ao poder legislativo, sendo eleito por sufrágio universal direto para mandatos de tempo limitado. 4. Em ambos os casos, a república foi instituída para substituir uma monarquia e inicialmente conferiu poder a uma restrita parcela da população, em sua maioria proprietária de terras, deixando boa parte da população sem acesso direto à representatividade no poder. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. e) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. 04. (UERN) Com a decadência do império Etrusco em Roma, os patrícios substituíram o governo monárquico por um governo oligárquico, que atendia aos seus interesses. Organizaram uma república de ricos proprietários, deixando as camadas pobres cada vez mais pobres e aumentando o número de escravos. Sobre a civilização romana clássica, analise. I. A sociedade se baseava na gens, um grupo de pessoas com um antepassado comum. Além de seus membros, a gens abrigava outros membros, que ficaram conhecidos como clientes. II. O senado, composto por trezentos membros, sendo esses os mais velhos das famílias importantes de Roma, era o mais poderoso órgão decisório. III. As magistraturas eram uma instância de poder que exercia as funções dos poderes executivos e judiciários atuais. IV. Os reis eram eleitos pelo consenso dos mais velhos das tribos e acumulavam também a função de sacerdote.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
05. (UFMS) Sobre a história de Roma, é correto afirmar que: 01-02-08 01. Paralelamente à versão lendária da fundação de Roma pelos irmãos gêmeos Rômulo e Remo, descobertas arqueológicas atestam que, antes de 753 a.C, a região do Lácio já era habitada por povos de diferentes etnias, organizados em comunidades agrícolas e pastoris, entre eles os etruscos que, entre os séculos VII e VI a.C, expandiram seu território e controlaram a monarquia em Roma. 02. O período republicano foi marcado por lutas entre patrícios e plebeus, as quais resultaram na criação de magistrados especiais, conhecidos como Tribunos da Plebe, encarregados de defender os interesses jurídicos, políticos e sociais da plebe junto ao Senado. 04. A expansão dos domínios romanos, na Península Itálica e em torno do Mar Mediterrâneo, acarretou uma desaceleração do processo de concentração fundiária nas mãos da aristocracia patrícia, haja vista que o Estado romano estabeleceu uma série de medidas visando distribuir terras aos pequenos e médios proprietários e à plebe urbana empobrecida. 08. Entre as maiores heranças culturais dos romanos, para a civilização ocidental, estão o Direito, bem como a língua latina, que serviu de matriz linguística a inúmeros idiomas modernos. 16. Deterioração do exército, crise de suprimento da mãodeobra escrava, inflação, instabilidade política, instituição do colonato, como novo tipo de relação de trabalho, foram algumas das características que marcaram o período da história romana conhecido como Diarquia, instaurada entre os séculos III e V d.C. 06. (UEPG PR) A sociedade romana levou alguns séculos para se expandir e apresentar contornos mais definidos. A consolidação de seu domínio passava pela construção de um império mundial, num longo processo que se estendeu até o século I a.C. Diversas campanhas foram empreendidas, e os exércitos combateram simultaneamente em várias frentes, como uma eficiente máquina de conquista. Sobre a expansão de Roma, assinale o que for correto. 01-08 01. Alternando confrontos de ataque e defesa, Roma anexou, em 338 a.C., todo o Lácio; etruscos, samnitas, sabélicos, sabinos , volscos, équos, hérnicos, em diferentes momentos, também foram dominados. Em dois séculos, a Península Itálica estava conquistada. 02. A sociedade romana, de forma ampla, manteve-se impermeável à influência cultural grega e helenística. 04. Em relação às províncias conquistadas, Roma adotou uma política magnânima de arrecadação de impostos.
08. Cartago rivalizava com Roma na disputa pela supremacia comercial no Mediterrâneo; após três episódios bélicos, entre 264 e 146 a. C., Cartago foi arrasada, seu solo foi declarado maldito e ela foi reduzida a província romana. 16. Como resultado da expansão territorial romana, o escravismo estendeu-se em larga escala, tendendo a sociedade romana a um equilíbrio nas tensões sociais. 07. (Unioeste PR) A origem de Roma está envolta em lendas. Na sua obra Eneida, o poeta Virgílio afirma que os primeiros romanos descendiam de Enéas, herói de Troia. Segundo Virgílio, quando os gregos destruíram Troia, por volta de 1400 a. C., Enéas conseguiu fugir e, com a proteção da deusa Vênus e o destino traçado por Júpiter, chegou à Itália, onde teria fundado a cidade de Lavínio. Seu filho Ascânio fundou Alba Longa e seus descendentes, Rômulo e Remo, fundaram Roma no ano de 753 a.C. (ARRUDA, 1986, p. 190)
Conforme a narrativa anterior, 00 Nenhuma está correta 01. Virgílio foi um poeta que escreveu sobre o herói chamado Eneida. 02. Eneida é uma obra escrita pelo herói de Tróia. 04. por volta de 1400 a. C., Enéas conseguiu fugir de Roma, depois de ter fundado a cidade de Lavínio. 08. o filho de Ascânio fundou Alba Longa. 16. Rômulo e Remo, os fundadores da Itália, eram filhos de Ascânio. 32. Roma foi fundada em 753 d. C. 64. os descendentes de Ascânio fundaram Alba Longa. 08. (UEA AM) Os plebeus consumiam-se no ódio aos patrícios, sobretudo por causa da escravidão por dívidas. Indignados, diziam que eram aprisionados e oprimidos em sua própria pátria e por seus próprios concidadãos, embora combatessem no exterior pela liberdade da república. A plebe era mais protegida na guerra do que na paz, mais livre entre inimigos do que entre seus próprios concidadãos. (Tito Lívio. História de Roma, 1989.)
Tito Lívio foi um romano que viveu de 59 a.C. a 17 d.C. O historiador alude a uma contradição existente na cidade de Roma, ainda no período republicano, em que a) os plebeus, essenciais para as conquistas romanas, tinham limitados direitos políticos e sociais. b) os patrícios promoviam as guerras exteriores com a finalidade de incorporar as terras dos plebeus. c) as vitórias militares e as conquistas romanas impediam a ascensão social das classes plebeias. d) os generais romanos vitoriosos contavam com a fidelidade de suas tropas e diminuíam os poderes dos senadores. e) as famílias patrícias impunham aos plebeus o culto religioso dos patrícios mortos em combate. 509
FRENTE A Exercícios de Aprofundamento
Pode-se atribuir ao período da republica romana somente as afirmativas a) I, IV b) II, III c) I, II d) III, IV
FRENTE
B
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HISTÓRIA Por falar nisso Na segunda metade do século XII, um poeta anônimo do norte da França escreveu sobre um país magnífico, cujos elementos eram apropriados ora da literatura clássica, ora do folclore, somado a características culturais de sua época. Era a Cocanha, uma terra de abundância e de deleites. Nesse local imaginário, havia harmonia social, liberdade sexual, não existia lugar para o sofrimento, privações, nem mesmo para o trabalho. Essa história circulou oralmente por décadas, no século XIII, e só depois foi registrada por escrito, em francês arcaico e sob forma de versos, reunidos no Fablieu de Cocagne. A utopia de Cocanha projeta uma série de anseios da população medieval, que podem ser resumidos em quatro grandes eixos: a abundância, a ociosidade, a juventude e a liberdade. Esses desejos, por sua vez, tinham raiz em um cenário que, pelo contrário, era marcado pela escassez, pelo trabalho sem descanso, pela supremacia das tradições sobre as inovações, da velhice sobre a juventude, entre ou outras circunstâncias. A existência dessa obra literária nos mostra que, as sociedades feudais, mesmo que tivessem um sistema produtivo fundamentalmente voltado para a autossuficiência, para o consumo, e muito pouco para as relações de troca, não deixaram de sofrer com o problema da fome. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
B13 B14 B15 B16
Crise do sistema feudal: aumento populacional...........................512 Cruzadas.........................................................................................517 Cruzadas: Cavaleiros e Tribunal do Santo ofício............................523 Renascimento comercial e urbano................................................528
FRENTE
B
HISTÓRIA
MÓDULO B13
ASSUNTOS ABORDADOS nn Crise do sistema feudal: aumento
populacional
nn Inovações tecnológicas e excedente agrícola
CRISE DO SISTEMA FEUDAL: AUMENTO POPULACIONAL A crise do feudalismo foi um processo longo, que teve início na Baixa Idade Média e foi provocada devido a uma série de fatores principais. Entre eles, a mudança nas relações econômicas e produtivas foi de grande importância para que o sistema que regia os feudos fosse progressivamente alterado, o que também influenciaria nas relações sociais e ideias que, até então, sustentavam o feudalismo. Gradativamente, o sistema de produção autossustentável dos feudos deu lugar a uma economia interligada com as trocas comerciais. Por sua vez, o aumento do consumo de produtos manufaturados e especiarias, e a crise agrícola dos feudos puseram fim ao harmônico acordo entre servos e senhores. Um dos primeiros processos responsáveis pelo abalo no sistema feudal foi o crescimento demográfico observado na Europa, a partir do século X, o qual contribuiu amplamente para a alteração do modelo de autossuficiência dos feudos. Ao final do século X, foi perceptível a diminuição das invasões por povos como os vikings. Somado a isso, por certo tempo, reduziu-se a mortandade provocada por epidemias, devido à dispersão da população nos feudos, o que dificultou a propagação de doenças infectocontagiosas.
Porém, todos os avanços percebidos não foram suficientes para suprir as necessidades da população da época. A capacidade produtiva não conseguia acompanhar a demanda por alimentos. Em condições precárias, a maioria da população, principalmente camponesa, convivia com a fome e tinha uma dieta alimentar muito pobre. Com o passar do tempo, o risco de epidemias tornou-se iminente. No século XIV, então, um surto de peste negra ceifou praticamente um terço da população europeia. Devido à drástica redução da mão de obra, os senhores aumentaram a cobrança de tributo sobre os camponeses, o que causou insatisfação. Os camponeses responderam ao aumento de suas obrigações com violentos protestos ocorridos durante o século XIV. Figura 01 - Revoltas camponesas na Idade Média.
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Esses fatores contribuíram para gerar estabilidade e crescimento demográfico, de forma que entre os séculos XI e XIII a população europeia mais que dobrou. Ao mesmo tempo, percebeu-se o crescimento das lavouras e do comércio, como veremos mais adiante.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Inovações tecnológicas e excedente agrícola Nesse período, percebeu-se certa melhoria das ferramentas de trabalho no campo. Uma delas foi a charrua, um arado de ferro que, devido ao seu peso, revolvia melhor a terra que o antigo arado de madeira. Para puxar a charrua, os camponeses substituíram a força motriz do boi pela do cavalo, que era mais veloz. Outra inovação significativa ocorreu com o surgimento dos moinhos de água, utilizados para moer cereais. Esse tipo de moinho, que substituía a força de quarenta trabalhadores, espalhou-se rapidamente pela Europa, a partir do século XI.
Entre os séculos XII e XIII, os árabes introduziram na península ibérica os moinhos de vento, aparelho que logo se mostrou indispensável para a manutenção de sistemas de diques e canais. Por meio deles, uma grande quantidade de pântanos pôde ser drenada e convertida em área de plantio. O uso de metais também aumentou, pois havia grande disponibilidade de minas ao norte da Europa, permitindo o aumento do uso de instrumentos de metal, e a melhoria do equipamento de guerra, como as espadas e armaduras. A forma de cultivar a terra também sofreu mudanças. A rotação bienal foi substituída pela rotação trienal de culturas, de forma que o terreno era dividido em três partes e, a cada ano, uma delas era inutilizada, enquanto nas outras era revezado o plantio de legumes e cereais, evitando o empobrecimento do solo.
Fonte: Wikimedia Commons
Figura 02 - Moinho d´água, uma inovação tecnológica introduzida no processo de moagem de cereais, a partir do século XI.
A circulação de moedas fez com que os senhores feudais, progressivamente, passassem a cobrar em dinheiro os tributos devidos pelos camponeses, e não mais em forma de trabalho (corveia) ou em produtos. Esse processo de monetarização contribuiu para o enfraquecimento das relações feudais. As produções artesanais e têxteis também foram impulsionadas devido ao crescimento da zona rural, e seus excedentes foram igualmente destinados ao comércio.
Figura 03 - Gravura demonstrando um moinho de vento, no Egito árabe.
B13 Crise do sistema feudal: aumento populacional
Fonte: Wikimedia Commons
Os avanços tecnológicos elevaram expressivamente a qualidade e a quantidade da produção agrícola. Assim, o excedente dessa produção passou a ser vendido em quantidades cada vez maiores, reativando o comércio, que tivera queda nos séculos anteriores, e fazendo com que o dinheiro voltasse a ser utilizado.
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História
Exercícios de Fixação 01. (Puc Campinas SP) Embora a sociedade feudal costuma ser associada a um período histórico marcado pelo retrocesso tecnológico, inovações técnicas importantes vieram tornar mais rentável e menos penoso o trabalho do campesinato medieval. Entre elas está a invenção da charrua, uma espécie de arado mais eficiente, a reestruturação do moinho hidráulico e o desenvolvimento de novas formas de atrelar os animais, o que aumentou o poder de tração. (Myriam B. Mota e Patrícia R. Braick. História: das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 1997. p. 87)
B13 Crise do sistema feudal: aumento populacional
Com base no texto e no conhecimento histórico é correto afirmar que, no início da Baixa Idade Média, apesar de limitadas, a) as inovações técnicas, acompanhando o crescimento demográfico e gerando excedentes para uma atividade comercial cada vez mais intensa, proporcionaram transformações profundas na vida feudal. b) as novas tecnologias no meio rural, visando reorganizar a produção de forma mais eficiente, trouxeram mudanças profundas na economia ao formar um contingente de mão de obra disponível para as indústrias. c) as descobertas científicas, alavancadas pelo desenvolvimento de técnicas de produção agrícola, provocaram transformações nas relações de trabalho feudal, dissociando o trabalhador dos meios de produção. d) as novas técnicas de produção e instrumentos inovadores na agricultura e o aumento da população, na Europa ocidental, permitiram a integração do trabalho rural ao sistema capitalista em desenvolvimento. e) as inovações tecnológicas, embora encontrasse obstáculos na própria estrutura estamental, provocaram mudanças qualitativas na economia, abrindo espaço para uma nova ordem política e social no mundo feudal. 02. (UFV MG) Dentre os principais elementos que possibilitaram o crescimento e a expansão da produção agrícola durante o período feudal, NÃO encontramos: a) o uso da charrua. b) a invenção e difusão do uso do arado. c) a utilização de moinhos de vento e água. d) a adoção do rodízio de terras. 03. (UnB DF) Julgue os itens seguintes relativos à crise do Feudalismo. C-C-E-C-C 00. Após o ano 1000, a população europeia cresce e, como ela, a marginalidade dos pobres e a belicosidade dos nobres: as Cruzadas e a Reconquista tornam-se possíveis. 01. No século XIII as cidades adquirem o monopólio da cunhagem de moedas e organizam seus sistemas de arrecadação de recursos através da Dívida Pública.
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02. O poder real apoiou o particularismo (feudalismo) e o universalismo (papado), princípios estes necessários para o fortalecimento do rei sobre toda a nação. 03. O desenvolvimento das atividades comerciais e urbanas tornouindispensávela criação de escolas leigas que ensinassem a ler e a contar. 04. A Crise de Retratação – depressão violenta na economia europeia – ocorrida no século XIV acentuou o processo de transformação do sistema feudal. 04. (Unitau SP)
A dança macabra. Xilogravura italiana de 1486.
Até por volta de 1350, raramente a morte era retratada e, quando o era, tratava-se de uma mensageira do mundo divino. A partir daí, a morte tornou-se um tema recorrente na arte e na literatura, representada como uma força impessoal, com iniciativa própria. O significado da morte alterou-se e, com ele, toda uma sensibilidade: perdendo qualquer conotação ética, a morte deixou de ter natureza cristã. FRANCO Jr., Hilário. Idade Média, nascimento do Ocidente. São Paulo: Editora Brasiliense, 2001. Adaptado.
A imagem e o texto se referem, exclusivamente, a qual contexto histórico? a) Ao contexto de crise da Idade Média e dos conflitos sociais, em que aldeias e cidades eram cobertas de cadáveres de clérigos e nobres. b) Ao contexto de doenças generalizadas, que se espalharam por toda a Europa, trazidas do Oriente pelas galeras genovesas. c) Ao contexto da peste negra, que, nesse período, atingia a todos, poderosos e humildes, clérigos e leigos, jovens e velhos, virtuosos e pecadores. d) Ao contexto de mortalidade causada pela peste negra, que se concentrou, exclusivamente, na França e na Itália. e) Ao contexto de peste negra que, dentre os doentes, fazia sucumbir, sobretudo, as crianças, por não contarem com remédio ou alívio algum.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
02. (Udesc SC) Sobre a Europa no período entre o século V e o século XV, analise as proposições. I. Durante os séculos VIII e XIV a Península Ibérica foi habitada por povos que professavam o islamismo, catolicismo e judaísmo. II. A economia era baseada na produção industrial e as pessoas que trabalhavam eram majoritariamente servos, e não tinham a propriedade das terras. III. Este período é marcado pelo grande poder da Igreja Católica. IV. Neste período, ocorreram inovações tecnológicas tais como: o arado de metal, a rotação de culturas e os moinhos movidos pelo vento ou pela água, o que acarretou em aumento da produtividade agrícola. V. Um aspecto marcante deste período foram as guerras religiosas contra os povos que não eram seguidores do catolicismo.
Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 03. (Unisc RS) Observe o gráfico sobre o aumento populacional na Europa.
O gráfico acima demonstra o aumento populacional na Europa medieval feudal. Entre os motivos desse aumento é incorreto afirmar que a) a população na Europa aumentou entre os anos de 800 a 1300 por causa da diminuição das pestes, as quais foram reduzidas em função do relativo isolamento vivido até esse momento. b) durante o período do feudalismo diminuíram as invasões estrangeiras e as guerras tornaram-se menos mortíferas. c) ocorreu por causa da abundância de recursos naturais fortalecida pela baixa densidade demográfica que permitiu que grandes áreas ficassem abandonadas, recuperando sua fertilidade. d) houve uma melhoria na dieta, com maior oferta de alimentos, em função das novas tecnologias criadas nessa época, contribuindo para uma queda na mortalidade. e) o aumento populacional ocorreu exclusivamente por causa do fim das invasões bárbaras, até mesmo porque, a Rotação de Culturas e as inovações tecnológicas só ocorreram depois do século XV. 04. (Uem PR) “O feudalismo foi o sistema econômico, social, político e cultural vigente na Europa durante a Idade Média. Suas características, entretanto, nunca foram as mesmas no tempo ou no espaço: atingiu o apogeu na Alta Idade Média (séculos V-X) e entrou em declínio na Baixa Idade Média (séculos X-XV)”. (MELLO, L. I. e COSTA, L. C. A. História Moderna e Contemporânea. SP: Ed. Scipione, 1993, p. 10).
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B13 Crise do sistema feudal: aumento populacional
01. (UFSM RS) Assinale verdadeira (V) ou falsa (F) nas afirmações a respeito da tecnologia medieval. ( ) O extenso e populoso Império Romano legou para a Idade Média uma engenharia desenvolvida para construir e manter uma complexa rede de estradas e aquedutos, além de uma tecnologia que permita a construção de edifícios e outras obras, utilizando arcos, abóbadas e cúpulas. ( ) Os povos bárbaros desprezaram o legado cultural romano e, como não desenvolveram nenhuma tecnologia expressiva, foram os responsáveis pelo fato de a Europa ter atravessado o longo período de miséria, fome, doença e violência que caracterizou a “idade das trevas”. ( ) A tecnologia da Europa medieval desenvolveu o aproveitamento de fontes de energia, como a eólica, com os moinhos de vento, e a hidráulica, com as rodas d’água, elementos que, somados à rotação de culturas no rodízio trienal dos campos agricultáveis, permitiram o aumento da produção de alimentos. ( ) Os mosteiros medievais, embora preservasse o conhecimento por meiodo trabalho dos monges copistas, não desenvolveram nenhuma inovação tecnológica expressiva, por entender que a natureza era perfeita como a criação de Deus e que só o demônio poderia querer transformá-la para destruí-la. A sequência correta é a) F - V - F - V. b) F - F - V - F. c) V - V - F - V. d) V - F - V - F. e) V - V - V - F.
História
Sobre o período de declínio do feudalismo, é correto afirmar que 02-04-08-16 01. foi o período em que se difundiram as Cruzadas, expedições caracterizadas pela perseguição aos cristãos, em Roma. 02. houve a renovação de práticas agrícolas, seja pela invenção de novos instrumentos de trabalho (arado de ferro, foice, enxada), seja pelo aproveitamento da água e do vento como força motriz que contribuiu para o aumento da produção agrícola. 04. teve início o reaparecimento das moedas cunhadas, a partir da fundição de joias e objetos de metais preciosos pertencentes aos senhores feudais. 08. a partir do século XI, ao iniciar-se a Baixa Idade Média, o comércio e as cidades foram lentamente ressurgindo no interior da sociedade feudal, em consequência do crescimento demográfico acelerado da população europeia, favorecido, entre outras coisas, pela diminuição das invasões bárbaras. 16. surgiu uma nova classe social constituída de comerciantes que, por residir nos burgos, passa a ser denominada de burguesia. 32. burgueses e senhores feudais se aliaram contra o poder dos reis, intensificando ainda mais a crise do sistema feudal e retardando a consolidação das monarquias absolutistas.
Sobre as condições de produção e distribuição de alimentos na Alta Idade Média, é correto afirmar que a) os camponeses europeus tinham pouca disposição para o trabalho braçal, preferindo a coleta de frutos silvestres rasteiros, o que resultava na baixa produtividade agrícola e no consequente medo da fome. b) o medo da fome era constante, porque os solos europeus eram inadequados para o cultivo de produtos agrícolas, o que obrigou o homem medieval a adotar uma dieta baseada no consumo de carne de caça que, por sua vez, era rara. c) a fome, na Alta Idade Média, era provocada pelo fervor religioso dos camponeses, que, incentivados pelas autoridades da Igreja Católica, adotavam o jejum e o autoflagelo como uma forma de sacrifício em troca da salvação de suas almas. d) o desenvolvimento da monocultura extensiva de cana-de-açúcar na Europa medieval ocupou todas as terras produtivas, e os camponeses não dispunham de terrenos onde pudessem trabalhar em culturas de subsistência, o que provocava longos períodos de fome. e) os camponeses medievais estavam sujeitos à fome porque o clima frio e úmido, as inundações e os equipamentos precários dificultavam o cultivo de grãos e, além disso, precisavam entregar parte da produção aos senhores de terras, como pagamento de tributos.
05. (Fatec SP) A partir do ano 1000, a população europeia tem um grande aumento. Esse crescimento demográfico se relaciona com as tecnologias desenvolvidas naquela época, as quais aumentaram a produção agrícola e melhoraram as condições de saúde e alimentação: a charrua, substituindo o arado, a utilização do cavalo nas lavouras, e a rotatividade de plantações, aproveitando melhor os solos. As populações do período agrupavam-se em aldeias em volta da igreja e do castelo.
07. (FGV SP) Caro, o pão faltava nas mesas dos pobres. Na Inglaterra, após mais de cem anos de estabilidade, seu valor quintuplicou em 1315. Na França, aumentou 25 vezes em 1313 e multiplicou-se por 21 em 1316. A carestia disseminou-se por toda a Europa e perdurou por décadas. (...) Faltava comida não por ausência de braços ou de terras. (...) Afinal, se os camponeses – esteio do crescimento demográfico verificado desde o ano 1000 – não conseguiam produzir mais, era porque já haviam cultivado toda a terra a que tinham acesso legal. Já os senhores não faziam pura e simplesmente porque não queriam. Moeda sonante não era exatamente a base de seu poder e glória.
B13 Crise do sistema feudal: aumento populacional
(Le Goff , Jacques. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 24. Adaptado)
A partir das informações do texto, é correto afirmar que o contexto histórico em questão é o a) escravismo antigo. b) capitalismo industrial. c) socialismo soviético. d) feudalismo medieval. e) mercantilismo moderno. 06. (Fatec SP) Leia o trecho de uma das versões da lenda O País da Cocanha, muito difundida entre os camponeses medievais. Bem-vindo à Cocanha, que nenhuma outra terra é capaz de igualar. Aqui abundam as coisas boas, sem que ninguém precise semear para colher. Nunca tem inverno nem geada, nunca tem seca nem fome. E nenhum senhor vem roubar nossos celeiros nem devastar nossas plantações. Venha, você será meu convidado! (MASSARDIER, G. Contos e lendas da Europa medieval. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. pp.27-35.)
Ao sonhar com um lugar em que havia abundância de alimentos, esses trabalhadores expressavam uma preocupação constante em suas vidas: a fome. 516
(Manolo Florentino, Os sem-marmita, Folha de S.Paulo, 07.09.2008)
O texto traz alguns elementos da chamada crise do século XIV, sobre a qual é correto afirmar que a) resultou da discrepância entre o aumento da produtividade nos domínios senhoriais desde o século XI e o recuo da produção urbana de manufaturas. b) foi decorrência direta da peste negra, que assolou o norte da Europa durante todo o século XIV, e fez com que os salários fossem fixados em níveis muito baixos. c) resultou do recrudescimento das obrigações feudais, que gerou a concentração da produção de trigo e cevada nas mãos de poucos senhores feudais da França. d) foi deflagrada, após as inúmeras revoltas operárias, no campo e na cidade, que quebraram com a longa estabilidade do mundo feudal europeu. e) teve ligação com as estruturas feudais que impediam que a produção crescesse no mesmo ritmo do crescimento da população em certas regiões da Europa.
FRENTE
B
HISTÓRIA
MÓDULO B14
CRUZADAS As Cruzadas constituíram um movimento ocorrido durante a Baixa Idade Média, em que várias expedições, principalmente militares, saíram da Europa rumo às terras localizadas no oriente. A existência de tais expedições surpreende se partirmos do pressuposto do isolamento e da insegurança que marcaram o feudalismo europeu. Porém, esse acontecimento pode ser explicado, primordialmente, pela forte influência exercida pela Igreja Católica nesse período.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Cruzadas nn Iniciam-se as cruzadas nn Aumento momentâneo do poder da Igreja
Tais expedições tinham o intuito de reconquistar a região da Palestina, que estava sob o domínio dos muçulmanos desde o século VII. Nessa área estava Jerusalém, a Terra Santa, região em que Jesus viveu e se encontra o Santo Sepulcro, local onde seu corpo foi sepultado. A luta de reconquista já era de interesse dos imperadores bizantinos, porém estes aguardavam o auxílio do Ocidente. No século XI, período em que o movimento cruzadista teve início, Jerusalém era controlada pelos turcos seldjúcidas, povos originários da Ásia Central.
Fonte: Wikimedia Commons
Esse povo, organizado pela dinastia turca seljúcida (do fundador Seldjuk), nos séculos de XI a XIII, tinha no islamismo e na união das tribos sua força expansionista. De Bagdá, conquistada em 1055, dirigia-se para a Ásia Menor, ameaçando o reduto cristão bizantino. No século XIII, ganhou força a nova dinastia turca dos otomanos, que, no século XIV, liderou novo processo expansionista na região. Os turcos, que eram simpatizantes de uma linha mais ortodoxa dos textos islâmicos, não admitiam a entrada, em seu território, dos cristãos que faziam a peregrinação para adorar os locais considerados sagrados. Rapidamente, a alta hierarquia da Igreja reagiu ao bloqueio muçulmano com a organização das cruzadas. Porém, a Igreja também possuía outro interesse nesse processo: o de estender sua influência sobre o território bizantino, dominado pela Igreja ortodoxa, criada com o Cisma do Oriente, em 1054, e independente do papa de Roma. Havia vários interesses em jogo. Um deles era o comércio, atividade secundária até aquele momento, mas crescente devido ao surto demográfico que se dava na Europa. Nesse sentido, negociantes italianos igualmente desejavam conquistar entrepostos e vantagens no comércio de produtos orientais, bem como o acesso às rotas comerciais do mar Mediterrâneo, dominadas pelos muçulmanos, os quais impediam a livre navegação.
Figura 01 - Pintura representando o cerco de Jerusalém, ocorrido em 1099.
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História
Iniciam-se as Cruzadas O movimento das Cruzadas teve início em 1095, quando o papa Urbano II convocou os cristãos a “arrancar a Terra Santa das mãos da raça malvada” e prometeu a salvação da alma a todos que participassem da luta. Entre os séculos XI e XIII, foram organizadas oito dessas expedições militares, algumas sob o comando de reis e da alta nobreza. São as principais delas: nn Primeira
Cruzada (1096-1099): denominada Cruzada dos Nobres, chegou a conquistar Jerusalém e a organizar na região um reino nos moldes feudais.
nn Terceira
Cruzada (1189-1192): também conhecida como Cruzada dos Reis, devido à participação dos monarcas da Inglaterra (Ricardo Coração de Leão), da França (Filipe Augusto) e do Sacro Império Romano-Germânico (Frederico Barba Roxa ou Barba Ruiva). Não tendo atingido seus objetivos militares, resultou no estabelecimento de acordos diplomáticos com os turcos, o que possibilitou as peregrinações. Cruzada (1202-1204): chamada de Cruzada Comercial, por ter sido liderada por comerciantes de Veneza, potência mediterrânea em grande ascensão. Foi desviada de Jerusalém, alvo religioso da investida cruzadista, para Constantinopla, que acabou sendo saqueada.
Para a Primeira Cruzada foi mobilizado um grande contingente de cavaleiros. Porém, antes de sua partida, um grande número de pobres e miseráveis foi enviado para a Terra Santa. O grupo que compunha essa expedição, que ficou conhecida como Cruzada dos Mendigos, foi exterminado antes de chegar a Jerusalém. A primeira Cruzada (1096-1099), também conhecida como Cruzada dos Nobres, foi a única que teve sucesso, tendo conquistado Jerusalém em 1099. No entanto, os muçulmanos a reconquistaram, liderados pelo sultão Saladino, em 1187.
B14 Cruzadas
Fonte: Wikimedia Commons
nn Quarta
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Figura 02 - Gravura representando Saladino (século XV).
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Com exceção da primeira, as Cruzadas não alcançaram o objetivo original, que era recuperar a Terra Santa. No entanto, contribuíram para es#DicaCine #DicaCine timular o comércio entre Oriente e Ocidente, levando riquezas a muitas Veja o filme Cruzada (2005), dirigido por Ridley Scott. cidades da península itálica. Outra consequência foi o fortalecimento da figura dos cavaleiros.
Hisóri
Hisóri
Aumento momentâneo do poder da Igreja As Cruzadas contribuíram para aumentar a autoridade do papa, e, ao mesmo tempo, ampliar as riquezas da Santa Sé. No século XII, durante o pontificado de Inocêncio III (1198-1216), a Igreja atingiu o ápice de sua autoridade política e religiosa, tendo, alguns anos depois, criado um tribunal especialmente destinado a reprimir o que chamava de heresias. Era a origem da Inquisição. Entretanto, esse foi um dos últimos momentos de força do papado, pois, como veremos posteriormente, o renascimento do comércio e das cidades europeias verificado a partir do século XI favoreceria a centralização do poder político nas mãos dos reis, provocando o enfraquecimento da autoridade religiosa e do poder temporal do papa. Para esse declínio contribuiriam também as denúncias cada vez mais frequentes contra o luxo e a corrupção do alto clero. A crise chegaria a tal ponto que, no início do século XV, a Igreja seria comandada por três papas ao mesmo tempo. A reação a tudo isso viria no início do século XVI com a Reforma Protestante.
LONDRES
1ª CRUZADA
PARIS
2ª CRUZADA
3ª CRUZADA
Venecia Genova
Aigues Mortes
Spalato
Marsella
5ª CRUZADA
Lisboa
Brindisi
8ª CRUZADA
7ª CRUZADA
Constan nopla
4ª CRUZADA
An oquía
6ª CRUZADA
Túnez
B14 Cruzadas
Damieta
Figura 03 - Trajetos das expedições das Cruzadas.
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História Questão 04 Letra a) Afirmação: “... a terra que vós habitais (...) é demasiadamente pequena à vossa grande população: sua riqueza não abunda, mal fornece o alimento necessário aos seus cultivadores [...]. • Descompasso entre produção e consumo; precariedade nas formas de produção da mão de obra servil; situação complexa dos nobres que não herdavam a terra.
Exercícios de Fixação 01. (UFRR) As cruzadas, ocorridas durante a Idade Média, são analisadas por muitos historiadores como um evento “pouco glorioso e condenável”, como ilustra a citação abaixo: “O cristianismo, tal como era ensinado por Jesus e o Novo Testamento (o Evangelho), era uma religião pacífica. Entre os primeiros cristãos, muitos foram perseguidos pelos romanos porque não queriam ir à guerra. Mas à medida que se tornavam cristãos, os bárbaros introduziram seus costumes guerreiros no cristianismo”. (LE GOFF, Jacques. A Idade Média explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007).
Com base nessas informações, assinale a alternativa INCORRETA: a) as Cruzadas foram grandes batalhas contra os povos não cristãos que habitavam o norte da Europa, numa tentativa de convertê-los ao cristianismo através da força, contradizendo todo o ensinamento bíblico que se pautava numa religião pacífica. b) o movimento das Cruzadas teve como principal objetivo a conquista de Jerusalém e do Santo Sepulcro, onde Jesus teria sido sepultado. c) as Cruzadas iniciaram-se no Concílio de Clermont, quando o papa Urbano II convocou os cristãos para partirem rumo a Terra Santa, em um período da Idade Média que durou quase dois séculos. d) entre os séculos XI e XIII partiram da Europa oito Cruzadas que envolveram milhares de pessoas, desde a nobreza até os mendigos. e) além do objetivo religioso, de tomar lugares sagrados para os cristãos, as Cruzadas serviram a outros interesses, como a conquista de novas terras pela nobreza feudal e a ampliação das atividades mercantis. 02. (UERN) “A todos que partirem e morrerem no caminho, em terra ou em mar, ou perderem a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão [...] que sejam doravante cavaleiros de Cristo os que eram senão ladrões [...] A terra que habitam é pequena e miserável para tão grande população, mas no território sagrado do Oriente há extensões de onde jorram leite e mel. Tomai o caminho do santo sepulcro, arrebatai aquela terra da raça perversa e submetei-a a vós mesmos.” (Pronunciamento do Papa Urbano II, em 1095. Vicentino, 2010.)
B14 Cruzadas
O discurso proferido pelo Papa Urbano II, no Concílio de Clermont, conclamava a) os crentes a combaterem as heresias e a reativarem os tribunais de inquisição, numa verdadeira caça às bruxas. b) os cristãos a impedir a onda de igrejas protestantes que proliferava na Europa, a partir do advento da reforma Luterana.
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c) os fiéis a expandirem a fé cristã com a abertura de novas ordens religiosas, tais como a Companhia de Jesus e os franciscanos. d) as pessoas de fé a participarem do movimento das Cruzadas – expedições religiosas e militares que alteraram o panorama europeu. 03. (Uem PR) Sobre as cruzadas, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01-04 01. A primeira cruzada tinha como objetivo a conquista da Terra Santa, a ajuda aos bizantinos e a união da cristandade contra os mulçumanos. 02. As cruzadas foram uma demonstração de força e de prestígio da nobreza, em um mundo com forte sentimento religioso, mas já com a perda do poder papal após a Querela das Investiduras. 04. A marginalização dos cavaleiros, com a crise do feudalismo, foi um fator importante para as campanhas militares dos cruzados. 08. Os estados cristãos, que surgiram com as cruzadas na Terra Santa, abandonaram o feudalismo e reproduziram as instituições do Oriente. 16. O fracasso das cruzadas levou à estagnação do comércio entre o Oriente e o Ocidente, atividade reaberta apenas com as grandes navegações dos séculos XV e XVI. 04. (UFBA) Uma vez que a terra que vós habitais, fechada de todos os lados pelo mar e circundada por picos de montanhas, é demasiadamente pequena à vossa grande população: sua riqueza não abunda, mal fornece o alimento necessário aos seus cultivadores [...] tomai o caminho do Santo Sepulcro; arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos. Essa terra em que, como diz a Escritura, “jorra leite e mel” foi dada por Deus aos filhos de Israel. Jerusalém é o umbigo do mundo; a terra é mais que todas frutífera, como um novo paraíso de deleites. (URBANO II. In: VICENTINO, 1997, p. 134).
O texto contém um trecho do discurso do Papa Urbano II, proferido durante o Concílio de Clermont, em 1095, por ocasião da convocação da cristandade à luta nas Cruzadas. Nesse discurso, destaque duas afirmações que comprovem, respectivamente, o caráter socioeconômico e o etnocêntrico, responsáveis pelo fenômeno das Cruzadas, justificandoessas afirmações. a) Socioeconômico: b) Etnocêntrico:
Questão 04 Letra b) Afirmação: “... tomai o caminho do Santo Sepulcro; arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos”. • Quanto ao caráter etnocêntrico: identificação das formas de tratamento desprezíveis dadas aos árabes pelos europeus; sentimento de propriedade cultivado pelos cristãos europeus em relação aos denominados “lugares santos”; sentimento de superioridade dos cristãos europeus face aos povos que cultuavam outras religiões, justificando indevidamente seu extermínio.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
02. (ESPM SP) Assinale a alternativa que apresente uma consequência das Cruzadas: a libertação definitiva de Jerusalém do domínio dos muçulmanos, a) a libertação definitiva de Jerusalém do domínio dos muçulmanos. b) a implantação do sistema feudal na Terra Santa. c) a interrupção das relações comerciais entre o Ocidente e o Oriente. d) a reabertura do Mediterrâneo ao comércio europeu. e) a transformação do Mediterrâneo em um “lago muçulmano”, tendo em vista a vitória dos islamitas. 03. (Puc SP) Alguns historiadores consideram que as Cruzadas medievais tinham finalidade exclusivamente mercantil. A historiografia mais recente reconhece, no entanto, outras motivações das expedições cristãs em direção à Terra Santa, por exemplo, a) a intenção de frear as imigrações judaicas e muçulmanas para a Europa e impedir, assim, o surgimento de novas heresias. b) o esforço de engajar a população pobre dos países islâmicos na luta contra os inimigos europeus para expulsá-los de Meca. c) a busca do controle estratégico do Mar Mediterrâneo, facilitando o acesso ao Oceano Atlântico e a colonização do litoral da África. d) o anseio europeu de aproximação com o mundo árabe, visando à realização de trocas e diálogos culturais. e) a tentativa de unificar a fé cristã, reafirmando a liderança papal e ampliando a difusão da doutrina católica.
04. (UEPG PR) [...] Que os ódios desapareçam entre vós, que terminem vossas brigas, que cessem as guerras e adormeçam as desavenças e controvérsias. Entrai no caminho que leva ao Santo Sepulcro; arrancai aquela terra da raça malvada para que fique em vosso poder. [...] Quando um ataque for lançado sobre o inimigo, que um só grito seja dado pelos soldados de Deus: “Deus o quer, Deus o quer”. Esse apelo veemente do papa Urbano II, no Concílio de Clermont (1095) buscava motivar as populações europeias à libertação dos lugares santos. Adaptado de: LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval, p. 286.
Com relação ao texto, assinale o que for correto, no que se refere às Cruzadas. 01-02 01. São consideradas como uma série de empreendimentos que vão desde o final do século XI até o século XIII nos quais mesclam o impulso religioso, a pressão demográfica e a tentação da pilhagem. 02. Foram bastante influenciadas pelo conceito agostiniano de violência divinamente autorizada e que foram revigoradas pelos reformadores papais durante a Questão das Investiduras. 04. Provocaram o fechamento da rota mediterrânea e o declínio da atividade comercial das cidades italianas. 08. Contribuíram para a reunificação das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa Grega, separadas em 1054 pelo cisma do Oriente. 16. Propiciaram um contato maior entre as sociedades cristãs latinas, muçulmanas e bizantinas, o que diluiu antigas divergências, pois o cristianismo ocidental mostrou-se tolerante com as diferenças religiosas. 05. (Mackenzie SP) (...) Porém, as intenções dessas várias pessoas eram diferentes. Algumas, na realidade, ávidas de novidade, iam para saber coisas sobre novas terras. Outras eram levadas pela pobreza, por estarem em situação difícil na sua casa; esses homens foram para combater não apenas os inimigos da Cruz de Cristo, mas mesmo os amigos do nome cristão, onde quer que vissem a oportunidade de aliviar a sua pobreza. Annales herbipolenses, ano de 1147
A partir do texto acima, assinale a alternativa correta a respeito das Cruzadas: a) Foram expedições originariamente organizadas pelo Papa e senhores feudais, que acabaram por se voltar contra os próprios cristãos e o papado, provocando assim a crise do feudalismo. b) Tiveram como resultado a dominação cristã, ao longo da Baixa Idade Média, de toda a região do Oriente, bem como de todo o seu comércio.
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B14 Cruzadas
01. (Cefet PR) As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter “militar” organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. Sobre esse assunto, assinale a alternativa NCORRETA. a) O termo Cruzadas passou a designar esse movimento em virtude de seus adeptos serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. b) As peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja. c) O movimento cruzadista foi motivado pelo predomínio da Igreja sobre o comportamento do homem medieval. d) Muitos nobres passaram a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais. e) As Cruzadas Medievais foram um conjunto de fatos isolados e em nada influenciaram a superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média.
História
c) Inspiravam-se no propósito religioso-militar de recuperação da Terra Santa do domínio turco; mas, delas, participaram também grupos de indivíduos leigos, geralmente impelidos por situações de miséria urbana e rural. d) Permitiram às cidades europeias, utilizando um pretexto religioso, escoar para o Oriente seus excessos demográficos, e, assim, diminuir os problemas de superpopulação urbana. e) Levaram à decadência os valores religiosos europeus, em razão do contato com a religião islâmica e com a filosofia árabe.
B14 Cruzadas
06. (UEPG PR) Entre 1096 e 1270, a Igreja Católica organizou expedições militares que tinham por objetivo recuperar a cidade de Jerusalém (então sob domínio dos turcos seldjúcidas) e reunificar o mundo cristão que havia se dividido com o “Cisma do Oriente”. A respeito dessas expedições, que ficaram conhecidas como “Cruzadas”, assinale o que for correto. 01-02-04 01. Apesar de não conseguirem seu objetivo inicial, as Cruzadas produziram transformações importantes no mundo medieval ocidental, como o enfraquecimento da aristocracia rural, o fortalecimento do poder real e a expansão mercantil europeia. 02. A “Cruzada dos Mendigos” reuniu milhares de pobres, camponeses desvalidos e pessoas que viviam à margem da sociedade feudal, os quais foram massacrados pelos exércitos turcos. 04. Urbano II foi o Papa que convocou a primeira expedição militar católica com o objetivo de retomar a “Terra Santa”, dominada pelos chamados infiéis. 08. Uma das principais consequências produzidas pelas Cruzadas foi a disseminação de hábitos, crenças e produtos ocidentais pelo Oriente. A pimenta-do-reino, a canela, a noz-moscada e o cravo são algumas das especiarias levadas pelos cristãos até aquela região. 07. (Mackenzie SP) As Cruzadas, durante a Idade Média, representaram uma forma de solução para os problemas decorrentes do início da desestruturação do regime feudal. A expressão “Cruzada” “derivou-se do fato de seus integrantes considerarem-se soldados de Cristo”. Tais expedições constituíram-se em a) empreendimentos de caráter militar, voltadas contra os inimigos da Cristandade, sem o apoio formal da Igreja Católica, mas patrocinadas por nobres feudais, que garantiam privilégios materiais aos participantes. b) oportunidades oferecidas em uma sociedade fortemente religiosa, mais clerical do que civil, em que o pecado e o crime equivaliam a mesma coisa, ou seja, do cruzado obter a indulgência, ou perdão aos seus pecados. c) movimentos nos quais tanto a iniciativa de lutar contra os infiéis quanto a de reconquistar a Terra Santa, partia de muitos indivíduos não combatentes, como mercadores, artesãos, mulheres e crianças, motivados pela fé. d) iniciativas militares, cujos recursos materiais para sustentar os cruzados provinham da Igreja Católica, única interessada na reconquista da região. 522
e) possibilidades para escapar das dívidas e dos pagamentos dos tributos à Igreja e aos senhores feudais, já que o cruzado, ao participar dessas expedições, conseguia uma moratória estendida para toda sua vida. 08. (UFJF MG) Observe as figuras abaixo.
Figura1: Iluminura mostrando Pedro, o eremita, indicando o caminho da Terra Santa aos cruzados (França, cerca de 1270). Fonte: Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/historia/cruza das/ imagens.htm>. Acesso em: , ago. 2014.
Figura 2: Terceira Cruzada, 1189-1192. Fonte: Disponível em: <https:// www.google.com.br/search?q=cruz ada+popular+ou+dos+mendigos&tbm=isch &tbo=u&source=univ&sa=X&ei=ETbiU6GiD 6i_8QGJq4D4BQ&ved=0CEIQsAQ&biw=12 80&bih=685>. Acesso em: 6 ago. 2014.
Dentre os objetivos que impulsionaram os homens medievais a empreender viagens rumo ao Oriente, podemos destacar, EXCETO: a) A libertação da Palestina que estava sob domínio muçulmano desde o século VII, já que todo cristão era um vassalo de Deus e, portanto, deveria jurar fidelidade e lutar contra os “inimigos da fé cristã”. b) Apesar da conquista de riquezas por meio de pilhagens aos muçulmanos, as Cruzadas não obtiveram sucesso no que diz respeito ao domínio de territórios, já que os cruzados nunca conseguiram dominar a Cidade Santa (Jerusalém). c) O interesse em obter mercadorias raras no Ocidente, principalmente os produtos conhecidos como especiarias, através do controle das rotas de comércio no mar Mediterrâneo. d) A necessidade de regular conflitos, desviando o espírito belicoso dos senhores feudais para regiões sob ameaça do Islã, tal como observamos com o Império Bizantino, que recorre à ajuda de cruzados para proteger suas fronteiras. e) Os benefícios espirituais concedidos aos cruzados, tal como a indulgência plenária (perdão dos pecados) dada àqueles que partissem em peregrinação rumo à Terra Santa para combater os infiéis.
FRENTE
B
HISTÓRIA
MÓDULO B15
CRUZADAS: CAVALEIROS E TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO O período que vai do século XI ao XV é chamado de Baixa Idade Média e nele teve início uma série de transformações no feudalismo. O movimento das Cruzadas se insere nesse período histórico.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Cruzadas: Cavaleiros e Tribunal
do Santo Ofício
nn O tribunal do Santo Ofício
Como já vimos anteriormente, a Europa vivenciou um período de expansão demográfica, o que se desdobrou em inúmeros efeitos produtivos e sociais. Isso exigiu o aumento das áreas cultivadas, a fim de ampliar o plantio de alimentos, além do impulso comercial, reativando trocas locais, pondo de lado o imobilismo feudal das relações produtivas autossuficientes. O aumento da circulação de produtos (grãos, ovos, aves, gado, peixes, lã, ferramentas, entre outros) impulsionou, ao mesmo tempo, muitos setores artesanais. Na verdade, muitos deles (armeiros, ourives, pintores, construtores, entre outros) continuavam ativos mesmo durante a Alta Idade Média, para servir à nobreza e ao alto clero: armeiros, ourives, pintores e construtores, entre outros. Também ganharam força as inovações técnicas aplicadas ao plantio, como os arados de ferro e o aperfeiçoamento dos moinhos hidráulicos. As terras cultiváveis, então insuficientes, foram ampliadas por meio do aterramento de pântanos e derrubada de florestas. O aumento populacional afetou a sociedade como um todo. Os nobres, destituídos de terras, vítimas do direito de primogenitura, que permitia apenas ao filho mais velho herdar terras, bens e títulos paternos, vagavam pela Europa como cavaleiros andantes, oferecendo serviços militares a outros senhores em troca de terras ou rendas. Devido ao aumento dos tributos cobrados pelos senhores feudais, muitos servos fugiam para os bosques, reocupando antigos centros urbanos abandonados. Quando encontrados, eram perseguidos e até mortos.
Nesse contexto, a conquista de novas terras e riquezas mostrava-se necessária para enfrentar as dificuldades que assolavam os primeiros séculos da Baixa Idade Média.
Fonte: Wikimedia Commons
Nesse momento, verificava-se na Baixa Idade Média um crescente expansionismo territorial: o chamado Drang nach Osten (“marcha para o Leste”). São parte desse processo os cavaleiros alemães (ou teutônicos) que, sob o pretexto da propagação do cristianismo, dirigiram-se para o Oriente, na atual Rússia, dominando a região báltica; a Reconquista Cristã dos territórios tomados pelos árabes na península Ibérica; o movimento das cruzadas, que contou com a participação de incontáveis cavaleiros em toda a Europa.
Figura 01 - Gravura representando cavaleiros teutônicos.
523
História
SAIBA MAIS QUEM SÃO OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS? Os Cavaleiros Templários foram uma das primeiras e mais conhecidas ordens militares da Europa Cristã - sociedades de cavaleiros cuja missão, pelo menos aparentemente, era defender e propagar a sua fé religiosa. A ordem dos Templários teve origem no ano de 1118, cerca de suas décadas depois de as Cruzadas europeias terem conquistado a cidade e massacrado os seus habitantes muçulmanos. Um cavaleiro francês chamado Hugues de Payens e oito dos seus companheiros ofereceram os seus serviços ao Rei cristão Balduíno II e juraram defender a cidade contra todo e qualquer inimigo. Como quartel-general da ordem, Balduíno ofereceu-lhes a Mesquita Al Aqsa, onde o Rei Salomão tinha construído o original Templo de Jerusalém. Por essa razão, os cavaleiros apelidaram-se como Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici- expressão latina para “os pobres soldados seguidores de Cristo e do Templo de Salomão”- e ao longo do tempo a ordem passou a ser conhecida como Ordem do Templo ou Templários. Nos dois séculos que se seguiram, os Templários tornaram-se numa das organizações mais poderosas do mundo medieval. Os seus guerreiros, que usavam sobre as suas armaduras mantos brancos embelezados com uma cruz vermelha, ganharam reputação pela sua destreza na luta, disciplina e tenacidade. Os cavaleiros da ordem juravam obediência total e inquestionável aos seus líderes. De forma geral, lutavam com afinco, tendo em mente que um soldado que fosse considerado cobarde teria que despir o seu manto e tinha que comer no chão, como os cães, durante um ano (a ordem também tinha a política de não pagar resgate por soldados capturados em batalha). Segundo a edição de 1911 da Enciclopédia Católica, cerca de 20 mil soldados Templários deram a vida em batalhas contra as forças muçulmanas ao longo dos anos em que a ordem existiu. Com o tempo, os Templários também se tornaram numa força política e econômica. Vários Papas recompensaram os Templários ordenando que estes ficariam isentos de quaisquer impostos, incluindo a taxa que fazia com que a própria Igreja funcionasse. A ordem foi admitindo vários elementos não guerreiros por toda a Europa, que iam penhorando os seus tesouros para adquirirem terras e edifícios e para criarem um império financeiro que funcionava como um dos principais sistemas bancários europeus. Chegaram mesmo a controlar o governo de Jerusalém. Depois de os muçulmanos terem recuperado o controlo de Jerusalém em meados do século XIII, o império dos Templários começou a enfraquecer. O fracasso em manter o poder na Terra Santa e os rumores sobre os seus rituais secretos mancharam a reputação da ordem, anteriormente inabalável. No início do século XIV, o rei francês Filipe IV, que tinha feito um grande empréstimo dos Templários, decidiu destruir a ordem para não ter que pagar o que tinha pedido. Filipe conseguiu persuadir o Papa Clemente V, um homem francês que a Enciclopédia Católica descreve como sendo uma pessoa de “personalidade fraca e facilmente influenciável”, a perseguir os templários, acusando-os de heresia e sacrilégio, como por exemplo, dizendo que cuspiam para o crucifixo. Em 1307, o rei francês deu ordens secretas para que todos os elementos da ordem do seu país fossem presos no mesmo dia, e muitos deles foram torturados e mortos. O Papa Clemente dissolveu oficialmente a ordem dos Templários no ano de 1312. No ano seguinte, o grão-mestre dos Templários, James de Molay, renegou as suas convicções quando estava prestes a morrer na forca em frente a Notre Dame, em Paris. O rei Filipe ordenou a sua deportação para a Ilha de la Cite, onde acabou por morrer na fogueira. Alguns elementos dos Templários conseguiram sobreviver e nos séculos que se seguiram, vários países europeus e os Estados Unidos sofreram grandes reformas e a organização passou de uma ordem militar a fraterna e filantrópica. Hoje em dia, os Cavaleiros Templários estão na lista de organizações não governamentais das Nações Unidas. Fonte: Shutterstock.com
Fonte: KIGER, J. Patrick. Disponível em: http://www.natgeotv.com/pt/templarios-batalha-decisiva/quem-sao-cavaleiros-templarios
B15 Cruzadas: cavaleiros e tribunal do Santo Ofício
Figura 02 - Imagem representando um exército de cavaleiros templários.
524
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Fonte: Wikimedia Commons
O tribunal do Santo Ofício A Igreja Católica, após sua formação, levou certo tempo para consolidar sua doutrina religiosa, de modo a torná-la uma crença única e universal. Eventualmente, ideias divergentes sobre questões dogmáticas suscitaram diversas polêmicas entre os fiéis. A partir de certo momento, do século XII mais especificamente, também sob influência das cruzadas, aqueles que divergiam ou levantavam dúvidas sobre os dogmas da Igreja passaram a ser considerados hereges, e começaram a ser perseguidos. Em 1184, uma bula papal determinava que os bispos excomungassem não apenas as pessoas consideradas heréticas, mas também as autoridades que não agissem contra elas. A opressão tornou-se maior a partir de 1233, ano em que o papa Gregório IX criou o Tribunal do Santo Ofício, também conhecido como Inquisição, para perseguir e punir os dissidentes considerados hereges. Durante sua existência, a Inquisição espalhou o terror pela Europa, pois qualquer pessoa podia ser acusada de heresia e condenada à morte na fogueira. Em 1252, o papa Inocêncio IV autorizou o uso da tortura como método para se obter confissões.
Figura 03 - Gravura representando Tribunal do Santo Ofício.
01. (UFG GO) I. Só a Igreja romana foi fundada por Deus. II. Só o pontífice romano, portanto, tem o direito de ser chamado universal. III. Só ele pode nomear e depor bispos. [...] VIII. Só ele pode usar a insígnia imperial. IX. O papa é o único homem a quem todos os príncipes beijam os pés. XII. É-lhe lícito destituir os imperadores. GREGÓRIO VII, Dictatus papae. Apud SOUZA, José Antonio C. R. de; BARBOSA, João Morais. O reino de Deus e o reino dos homens. Porto Alegre: Edipucrs, 1997. p. 47-48.
O documento expressa a concepção do poder papal deGregório VII (1073-1085) que se relaciona com: a) o Cisma do Oriente, que selou a separação entre as duas Igrejas, a católica romana e a ortodoxa grega. b) o Cativeiro de Avinhão, período de 70 anos em que os papas submeteram-se à autoridade do rei da França. c) a Querela das Investiduras, conflito político que demarcou as esferas do poder papal e as do poder imperial. d) a Doação de Constantino, que serviu como justificativa para o estabelecimento do Patrimônio de São Pedro. e) o Cisma do Ocidente, que dividiu a autoridade suprema da Igreja entre dois papas, o de Roma e o de Avinhão.
02. (UECE) No início do século XIV, o fim da ordem templária marca um importante momento da transição entre a primeira fase do feudalismo, caracterizada pela cultura cavalheiresca, e a segunda fase, caracterizada pela formação de uma forte burguesia mercantil. Sobre a ordem templária, é correto afirmar que foi a) uma comunidade monástica que, além de evangelizar, difundiu a cultura antiga por meio do ensino do latim. b) um grupo que manteve as estruturas de clãs familiares típicas das classes aristocráticas romanas. c) uma das quatro ordens religiosas organizadas na época das cruzadas para libertar a Terra Santa. d) um grupo de mercadores que partiu em viagem para o Extremo Oriente através do caminho da seda. 03. (UFCG PB) Leia o fragmento textual a seguir: O soldado de Cristo mata com segurança e morre com mais segurança ainda. Não é sem razão que ele empunha a espada! É um instrumento de Deus para o castigo dos malfeitores. Na verdade, quando mata um malfeitor, isso não é homicídio... e ele é considerado um carrasco legal de Cristo contra os malfeitores. (Adaptado de SILVA, Pedro. História e Mistério dos Templários. São Paulo: Ediouro, 2001).
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B15 Cruzadas: cavaleiros e tribunal do Santo Ofício
Exercícios de Fixação
História
Entre tensão e promessas cristãs, os soldados de Cristo, ou templários, construíram identidades para si e para os outros, espalhando-se por diversas regiões da Europa. Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que os Templários eram a) soldados da Ordem Luterana que prometeram recuperar Jerusalém das mãos dos muçulmanos. b) cavaleiros que travavam batalhas sangrentas durante a Idade Média, com o objetivo de defender os servos das mãos dos senhores feudais. c) soldados da Ordem Militar, fundada no século XII, em Jerusalém, para proteger os peregrinos e os lugares sagrados da Terra Santa. d) monges inquisidores que perseguiam judeus e cristãos novos, particularmente na Península Ibérica e na América Espanhola. e) seguidores de Calvino, ao pregarem a doutrina da predestinação e da justificação pela fé. 04. (UEG GO) Durante a Idade Média, o século XII foi marcado por uma crise ou reforma religiosa que teve como intuito um retorno à vita apostolica, isto é, ao florescimento de um estilo de vida novo, baseado no retorno ao exemplo de Cristo e dos apóstolos. Sobre esse momento, marque a alternativa CORRETA: a) O redespertar espiritual do século XII considerava que o monopólio cultural da Igreja deveria ser destruído em função da distância entre a chamada cultura erudita e a cultura popular. b) A fundação de novas ordens monásticas, como os Templários e a Ordem de Cristo, refletiu a necessidade de renovação dos quadros eclesiásticos da Igreja. c) A nova consciência espiritual do século XII foi marcada pelo desejo dos leigos de participar da vida religiosa, destacando-se os valdenses e os humiliati, acusados, posteriormente, de heresia.
d) Nas artes, o maior reflexo desse redespertar espiritual foi a arquitetura. A verticalidade do estilo gótico foi uma herança da cultura romana, refletindo o domínio do cristianismo desde a fundação de Roma. e) O ambiente intelectual vivenciou o retorno às obras de Santo Agostinho, que propunham o fortalecimento do poder dos leigos na vida religiosa. 05. (Puc SP) “As fugidias confissões que os inquisidores tentavam arrancar dos acusados proporcionam ao pesquisador atual as informações que ele busca — claro que com um objetivo totalmente diferente. Mas, enquanto lia os processos inquisitoriais, muitas vezes tive a impressão de estar postado atrás dos juízes para espiar seus passos, esperando, exatamente como eles, que os supostos culpados se decidissem a falar das suas crenças.” Carlo Ginzburg. O fio e os rastros. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 283-284. Adaptado.
O texto aponta semelhanças entre a expectativa do inquisidor, que colhia os depoimentos daqueles que eram julgados pelo Santo Ofício, e a expectativa do pesquisador, que, séculos depois, analisa os processos inquisitoriais. O “objetivo totalmente diferente” de cada um deles pode ser assim caracterizado: a) enquanto o inquisidor desejava salvar a alma do acusado, por meio da expiação de seus pecados, o pesquisador consegue descobrir, no depoimento, a verdade completa e absoluta sobre o período. b) enquanto o inquisidor ampliava os limites da fé cristã, ao perdoar os erros do acusado, o pesquisador consegue identificar a fé superior do membro da Igreja e os pecados cometidos pelos réus. c) enquanto o inquisidor pretendia obter, do acusado, uma confissão ou o reconhecimento de culpa, o pesquisador deseja encontrar, no processo, indícios que o ajudem a compreender aquela experiência histórica. d) enquanto o inquisidor assumia uma atitude de tolerância e respeito perante o acusado, o pesquisador penetra indevidamente na intimidade dessas duas pessoas.
B15 Cruzadas: cavaleiros e tribunal do Santo Ofício
Exercícios Complementares 01. (Uepa PA) Entre o final do século XIII e o início do século XIV, no sudoeste da França, na região do Rio Ariège, a Igreja Católica investiu fortemente contra a heresia conhecida como albigense ou cátara, por meio do Tribunal do Santo Ofício. Os heréticos baseados, em particular, no povoado de Montaillou, acreditavam que o mundo era uma materialização do mal e um lugar de expiação. Por isso, a salvação seria responsabilidade individual, sem necessidade de intermediários, na forma de prática expiatória marcada pela experiência do êxtase espiritual. Os sacerdotes cátaros, por sua vez, seriam somente os direcionadores desta forma de fé cristã, praticada à revelia da instituição eclesiástica oficial. A forte repressão a heresias como essa, na Baixa Idade Média europeia, por parte da Igreja Católica, se explicavaprincipalmente: 526
a) pela expansão implacável das denominações heréticas que chegavam a abalar o poder da Igreja Católica em seus centros de decisão. b) por conta da divisão do papado entre Roma e Avignon, que levava os Papas da igreja dividida a adotarem uma linha dura contra as heresias. c) pelo interesse na eliminação do protestantismo, que ganhava terreno nos reinos germânicos do Norte da Europa. d) pelo interesse na manutenção do papel central da Igreja como unificadora da cristandade e base de poder da elite eclesiástica sobre os reinos medievais. e) pelo temor da expansão islâmica, em franco desenrolar na forma de guerras santas que já se estendiam à Península Ibérica.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Assinale a alternativa correta. a) Apenas I e III são verdadeiras. b) Apenas III e IV são verdadeiras. c) Apenas I e IV são verdadeiras. d) Apenas II e III são verdadeiras. e) Apenas I, II e IV são verdadeiras. 03. (Unesp SP) Sabei que concedi aos tecelões de Londres para terem a sua guilda em Londres, com todas as liberdades e costumes que tinham no tempo do rei Henrique, meu avô. E assim, que ninguém dentro da cidade se intrometa neste ofício salvo por permissão dos [tecelões], a não ser que pertença à guilda, (...) Por isso ordeno firmemente que possam praticar legalmente o seu ofício em toda a parte e que possam ter todas as coisas acima mencionadas, tão bem, pacífica, livre, honrada e inteiramente como sempre as tiveram no tempo do rei Henrique, meu avô. Assim, paguem-me sempre em cada ano 2 marcos de ouro pela festa de S. Miguel. (Monumenta Gildhallas Londoniensis, Líber Custamarum. Apud Marco Antônio Oliveira Pais, O despertar da Europa.)
O documento, de meados do século XII, faz referência a) às corporações de ofício. b) às relações de vassalagem. c) ao Tribunal da Santa Inquisição. d) ao direito senhorial da mão morta. e) ao dízimo eclesiástico. 04. (Fatec SP) O uso da pólvora teve início na China e chegou à Europa em torno do século XIII. Sua utilização, na forma de canhões e outras armas de fogo, contribuiu para a transformação das táticas de guerra e para a diminuição do poder dos cavaleiros medievais, que dominavam o mundo da guerra, no sistema feudal. A partir do emprego dessa importante tecnologia, as guerras passaram a ser mais rápidas e eficientes, e os valores da cavalaria medieval tornaram-se gradativamente obsoletos.
Considerando as informações apresentadas, podemos afirmar corretamente que, durante a Idade Média, a) a Santa Inquisição, em nome da Igreja, impedia o uso de tecnologias bélicas na Europa. b) a introdução da pólvora nas batalhas contribuiu para o declínio da cavalaria medieval. c) os europeus dispensavam os conhecimentos de outros povos no uso de tecnologias. d) o uso de tecnologias era restrito ao ambiente rural e à produção agrícola nos feudos. e) os conflitos eram raros e tornavam desnecessário o uso da pólvora para fins bélicos. 05. (Unesp SP) (...) o elemento religioso não limitou os seus efeitos ao fortalecimento, no mundo da cavalaria, do espírito de corpo; exerceu também uma ação poderosa sobre a lei moral do grupo. Antes de o futuro cavaleiro receber a sua espada, no altar, era-lhe exigido um juramento, que especificava as suas obrigações. (Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987.)
O texto mostra que os cavaleiros medievais, entre outros aspectos de sua formação e conduta, a) mantinham-se fiéis aos comerciantes das cidades, a quem deviam proteger e defender na vida cotidiana e em caso de guerra. b) privilegiavam, na sua formação, os aspectos religiosos, em detrimento da preparação e dos exercícios militares. c) alorizavam os torneios, pois neles mostravam seus talentos e sua força, ganhando prestígio e poder no mundo medieval. d) agiam apenas de forma individual, realizando constantes disputas e combates entre si. e) definiam-se como uma ordem particular dentro da rígida estrutura feudal, mas mantinham vínculos profundos com a Igreja. 06. (Fuvest SP) “Os próprios céus, os planetas e este centro [a Terra] Respeitam os graus, a precedência e as posições. Como poderiam as sociedades, Os graus nas escolas, as irmandades nas cidades, O comércio pacífico entre praias separadas, A primogenitura e o direito de nascença, Os privilégios da idade, as coroas, cetros, lauréis, Manter-se em seu lugar certo – não fossem os graus?” Estes versos de Shakespeare (da peça Tróilo e Créssida) revelam uma visão de mundo: a) moderna e liberal, ao tratarem das cidades, do comércio e, virtualmente, até do novo continente. b) medieval e aristocracia, ao defenderem privilégios, graus e hierarquias como decorrentes de uma ordem natural. c) universal e democrática, ao se referirem a valores e concepções que ultrapassam seu próprio tempo histórico. d) clássica e monarquista, ao mencionarem instituições, como a Monarquia e o direito de primogenitura, que eram características do mundo greco-romano. e) particularista e elitista, ao expressarem hierarquias, valores e graus exclusivos da Inglaterra do século XVI. 527
B15 Cruzadas: cavaleiros e tribunal do Santo Ofício
02. (FFFCMPA RS) Sobre a Igreja Medieval, considere as seguintes afirmativas: I. Seus membros eram os principais detentores do saber escrito e, por isso, controlavam o ensino formal; II. Com o intuito de manter-se soberana nos assuntos espirituais, a Igreja passou a perseguir os hereges usando de expedientes como a excomunhão e o Tribunal do Santo Ofício ou Inquisição; III. O corpo da Igreja estava dividido em duas partes: o clero secular, que vivia em reclusão e era formado por monges e abades; e o clero regular, composto pelo Papa, arcebispos, abades e sacerdotes, os quais desenvolviam atividades voltadas para o público; IV. Além do poder espiritual, a Igreja detinha grande poder material, acumulado graças às doações feitas pro fervorosos fiéis interessados em escapar da condenação divina.
FRENTE
B
HISTÓRIA
MÓDULO B16
ASSUNTOS ABORDADOS nn Renascimento Comercial Europeu nn Retomada do comércio
RENASCIMENTO COMERCIAL EUROPEU A partir do século X, gradativamente, ocorreram várias mudanças sociais, políticas e econômicas. A evolução técnica, além de melhorar a eficácia da produção agrícola, possibilitou o cultivo de terras até então improdutivas. O cultivo de novas terras aumentou a diversidade de artigos agrícolas, possibilitando o crescimento populacional. Por sua vez, o aumento da produtividade agrícola e o crescimento populacional permitiram o desenvolvimento da vida comercial e urbana. As cidades se expandiram e pouco a pouco se tornaram centros comerciais e de artesanato, abandonando seu aspecto subsistente. Porém, outros acontecimentos também contribuíram para esse novo impulso comercial e sua dinamização. As Cruzadas foram um deles. Entre os séculos XI e XII, começaram a formar-se os chamados burgos, complexos urbanos ao redor dos castelos, que, posteriormente, tornaram-se verdadeiras cidades, independentes das relações servis e do domínio da nobreza (senhores feudais). A atividade comercial encontrava-se em rápida expansão e progressivamente tornou-se uma das atividades econômicas determinantes da sociedade. Surgiria, então, uma nova camada social composta pela burguesia (os habitantes dos burgos), que se dedicavam basicamente ao comércio. Com o restabelecimento do comércio com o Oriente Próximo, possibilitado pelas Cruzadas, começaram a fragilizar-se as bases da sociedade feudal. Ao mesmo tempo em que aumentava a demanda por artigos agrícolas para o abastecimento da população urbana, o preço dessas mercadorias aumentava, permitindo aos camponeses conquistar a liberdade por meio da venda do excedente produzido. A expansão do comércio e a dinamização de outros ofícios suscitou novas oportunidades de trabalho, levando os servos às cidades. Tais acontecimentos, alinhados à profissionalização dos exércitos e à progressiva autonomia camponesa, contribuiriam para o declínio do feudalismo europeu.
Retomada do comércio Um dos fatores que estimularam a circulação de mercadores no mundo medieval foram as Cruzadas. Ao retornarem à Europa muitos cruzados levavam consigo produtos de grande aceitação no mercado europeu provenientes do Oriente, principalmente especiarias e tecidos, como cravo, canela, pimenta, noz-moscada e seda chinesa. O aumento da oferta desses produtos aguçava o desejo das elites europeias de exibi-los como símbolo de poder e riqueza. Atentos a esses novos hábitos de consumo, os mercadores de cidades da península Itálica, e mais tarde de outras regiões do continente intensificaram o comércio com o Oriente para trazer esses artigos até a Europa.
Fonte: Wikimedia Commons
Entrepostos comerciais e feiras
Figura 01 - Pintura retratando comércio em cidade medieval.
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Progressivamente, as cidades medievais assumiram o papel de pontos de acesso às rotas comerciais. A rota do Mediterrâneo, antigo trajeto utilizado durante as cruzadas, rapidamente tornou-se a mais importante e lucrativa. Ela partia das cidades italianas de Gênova e Veneza e atingia entrepostos comerciais do Mediterrâneo oriental.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Essas cidades tornaram-se muito ricas porque seus comerciantes praticamente conquistaram o monopólio sobre os produtos vindos do Oriente. Desde o século XII organizavam-se no norte europeu as hansas, ou associações de mercadores. Na Inglaterra, destacava-se a Merchants of Staple, associação que controlava a venda de lã e a importação de produtos oriundos de Flandres, atual Bélgica. Rapidamente aconteceria a junção de diversas hansas no norte da atual Alemanha, o que deu origem à Liga Hanseática, cujas cidades (Hamburgo, Brêmen, Lübeck, Rostock) passaram a controlar o comércio dos mares do Norte e Báltico. Seus comerciantes traziam trigo e pescado, além de madeiras, essenciais para a construção de navios, e outros produtos. ÁREA COMERCIAL ROTA COMERCIAL
Madera Trigo
Bergen
Rotas de la Hansa
Genovesa Veneciana
Rotas de italianas Rotas de terrestres
Catalana
Feria
Revel Visby
De Champaña
Riga
Lana Estaño Brujas
OCEANO ATLÂNTICO
París Troyes Burdeos
Hierro Medina del Campo Toledo Armas Lisboa Valencia Cádiz
Servilla Cuero
Sal Montpellie
Danzig
Moscú
Polotsk
Smolensko
Ámbar Pieles Cera
Leipzig
Colonia Lagny Provins Frankfurt
Vino Bilbao
Stralsund
Hamburgo Amberes Dortmund
Londres
Novgorod
Kiev
Cracovla Hierro Viena
Peles Miel
Augsburgo Lyon Gênova
Marsella Barcelona
Caffa
Venecia
Trigo Nápoles
Tejidos
Mar
Negro Trebisonda
Ragusa
Especiais
Constannopla Durazzo
Palma
Anoquia
MAR
Especiais Seda
Palermo Tunez
Trigo MEDITERRÂNEO
Candia
Tiro
Figura 02 - Rotas comerciais durante a reativação do comércio, na Idade Média.
Consolidavam-se, então, dois polos comerciais na Europa da Baixa Idade Média: um italiano e outro germânico. A ligação desses dois polos se fazia por rotas terrestres que convergiam para as planícies de Champanhe, região no centro da França, onde se realizavam grandes feiras.
Fonte: Wikimedia Commons
Hanseá ca
Devido à expansão das transações financeiras tornou-se necessária a utilização em larga escala de moedas e o desenvolvimento da atividade bancária em geral.
B16 Renascimento comercial europeu
Figura 03 - Pintura retratando feira medieval.
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História
Exercícios de Fixação 01. (Fatec SP) Nos séculos finais da Baixa Idade Média europeia, a economia de subsistência e de trocas naturais tendia a ser suplantada pela economia monetária, a influência das cidades passou a prevalecer sobre os campos, e a dinâmica de comércio levou à mudança e à ruptura das corporações de ofício medievais. (SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1988, p.5. Adaptado)
Analisando as transformações citadas, conclui-se, corretamente, que elas a) evidenciaram o surgimento da nova classe social burguesa e a crise do sistema feudal. b) ortaleceram a Igreja Católica, que incentivava a prática comercial no período medieval. c) rejudicaram a burguesia comercial e favoreceram os proprietários das terras feudais. d) emonstraram a força do sistema feudal e dos mecanismos de subsistência no campo. e) enfraqueceram os reis absolutistas que dominaram a Europa durante o período medieval. 02. (FGV SP) [A crise] do feudalismo deriva não propriamente do renascimento do comércio em si mesmo, mas da maneira pela qual a estrutura feudal reage ao impacto da economia de mercado. O revivescimento do comércio (isto é, a instauração de um setor mercantil na economia e o desenvolvimento de um setor urbano na sociedade) pode promover, de um lado, a lenta dissolução dos laços servis, e de outro lado, o enrijecimento da servidão. (...) Nos dois setores, abre-se, pois a crise social. (Fernando A. Novais, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. p. 63-4)
B16 Renascimento comercial europeu
Segundo o autor, a) a crise foi provocada pelo impacto do desenvolvimento comercial e urbano na sociedade, pois, na medida em que reforça a servidão, origina as insurreições camponesas e, quando fragiliza os vínculos servis, provoca as insurreições urbanas. b) crise do feudalismo nada mais é do que o marasmo econômico provocado pela queda da produção, uma vez que há um número menor de camponeses livres, o que leva à crise social do campo, prejudicando também a nobreza. c) a crise foi motivada por fatores externos ao feudalismo, isto é, o alargamento do mercado pressiona o aumento da produção no campo e na cidade, o que leva à queda dos preços e às insurreições camponesas e urbanas. d) o desenvolvimento comercial e urbano em si não leva à crise, pois o que deve ser levado em consideração é a crise social provocada pelo enfraquecimento dos laços servis, tanto no campo como na cidade. e) as insurreições camponesas e urbanas são as respostas para a crise feudal, pois a servidão foi reforçada tanto no campo como na cidade, garantindo a sobrevivência da nobreza por meio do pagamento de impostos.
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03. (Uneb BA) As crises de fome, em determinados momentos históricos, provocaram processos sociais que, em alguns casos, trouxeram modificações significativas na organização das sociedades. 03 Entre essas modificações, podem-se apontar as resultantes 01. da escassez de alimentos para dar de comer aos peregrinos à cidade de Meca, em função da vocação comercial da tribo dos coraixitas que controlava a Caaba, o que provocou a revolta liderada por Maomé e a instalação de um império teocrático agrícola e autossuficiente. 02. da revolta dos servos medievais, que, apoiando a Reforma Protestante liderada por Lutero, contribuíram para a unificação política alemã e para o fortalecimento do absolutismo real, fundamental para o processo de colonização além-mar. 03. da crise de fome, ocorrida na Baixa Idade Média, na Europa Ocidental, que, associada às revoltas camponesas, às guerras feudais e à peste negra, contribuiu para a decadência do sistema feudal e a transição para o modo de produção capitalista. 04. do renascimento do comércio e das cidades, a partir do século XI, quando a crise agrícola forçou a organização das Cruzadas, cujo objetivo maior era a importação de alimentos produzidos no Oriente, contribuindo para a alta lucratividade da burguesia, cujo capital passou a ser reinvestido na indústria. 05. da introdução de novos cultivos na América, nas primeiras décadas da colonização, como a cana-de-açúcar e o café, que contribuiu para o crescimento da produtividade agrícola nas sociedades ameríndias e a diminuição das crises de fome crônica nessas sociedades. 04. (ESPM SP) A antiga Flandres situava-se no nordeste da França, ocupando também uma parte da Bélgica e constituía-se num ponto central e de fácil acesso no Ocidente da Europa. (Raymundo Campos. História Geral)
Sobre a importância da Flandres na Baixa Idade Média é correto assinalar que: a) era uma região sob domínio dos muçulmanos, desde quando estes invadiram a Europa no século VIII. b) era uma região banhada pelo Mar Báltico e importante centro de produtos como mel, peixe salgado, cereais, madeiras. c) foi o berço de uma gigantesca associação de comerciantes denominada Liga Hanseática, conhecida ainda como Hansa Teotônica. d) era uma região em que se realizavam feiras, que após o século XIII tornaram-se as mais procuradas do continente, famosas por seus tecidos de lã de carneiro. e) era uma região cortada pelos varegues, comerciantes nórdicos, conhecidos pelo controle sobre o comércio de produtos orientais.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
02. (UFRR) Sobre as feiras na Idade Média é possível afirmar que: a) o crescimento das feiras, apesar de ser um negócio lucrativo, não evoluiu, ficando os mercadores sem oportunidades na nova configuração econômica que estava surgindo. b) essas atividades somente foram possíveis graças à unificação da moeda europeia, que facilitou a atividade dos banqueiros e a compra de mercadorias pelos servos. c) eram consideradas eventos econômicos e culturais. Alguns exemplos de feiras são as de Provins e de Troyes, na região de Champagne e as feiras de Bruges e de Antuérpia, na região de Flandres. d) eram referenciadas como comércio local das cidades para o abastecimento diário dos seus habitantes. e) foram impulsionadas pelo fenômeno de regionalização, que desestabilizou a obtenção de mercadorias vindas de lugares mais distantes. 03. (UEFS BA) A Literatura apresenta, de imediato, uma novidade, que é a utilização das novas línguas nacionais, derivadas do latim: o espanhol, o português, o italiano, o francês. Tendo como tema central o Homem, os escritores, com profundo senso crítico, buscaram elaborar um novo conceito de vida e de homem. A época medieval foi profundamente satirizada em seus valores essenciais: a cavalaria, a Igreja, a nobreza. (FARIA et al, 1993, p. 51). FARIA, R. et al. História. Belo Horizonte: Editora Lê, v.3,1993.
As características da literatura renascentista, descritas no texto, estão associadas a um contexto histórico no qual se destacava a) o poder da nobreza feudal, responsável pelo governo das cidades e pela cobrança dos impostos das terras reais. b) a desagregação da economia da Baixa Idade Média, como resultado da atuação das Cruzadas no contato com o Oriente. c) o permanência do escravismo, paralelamente ao trabalho dos servos, como base da produção da riqueza na economia da Baixa Idade Média. d) o processo de urbanização, de ascensão da burguesia e da revolução comercial, que marcou a Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna.
e) a formação do Sacro Império Romano Germânico e do Império Italiano, forças políticas controladoras da Europa na Idade Moderna. 04. (Fameca SP) No século XI, os tecelões de Flandres começaram a produzir a preço módico panos de lã que eram muito superiores aos tecidos em casa. Eles tiveram um crescente sucesso, primeiro em escala local, depois no exterior. Os tecelões tiveram que buscar em torno de si novas fontes de abastecimento. Acharam-nas na Inglaterra. O comércio de genoveses, pisanos e venezianos no leste transformou as lãs flamengas na mais popular e lucrativa de suas mercadorias, que se tornou um poderoso instrumento da expansão dessas cidades. (Colin McEvedy. Atlas de história medieval, 2007. Adaptado.)
O texto descreve a) os contatos comerciais entre cristãos e muçulmanos, graças às relações de suserania e vassalagem. b) o dinamismo mercantil da Europa Medieval, com destaque para as cidades italianas e flamengas. c) os motivos da decadência das feiras, devido às novas rotas comerciais entre o Norte e o Sul da Europa. d) o processo de formação do feudalismo, devido à ruralização provocada pelas invasões à Europa. e) o papel primordial do movimento cruzadista para o enriquecimento das cidades medievais, como as italianas. 05. (Anhembi Morumbi SP) À medida que o riacho irregular do comércio se transformava em corrente caudalosa, todo pequeno broto da vida comercial, agrícola e industrial recebia sustento e florescia. Um dos efeitos mais importantes do aumento do comércio foi o crescimento das cidades. (Leo Huberman. História da riqueza do homem, 1976.)
O fenômeno descrito no texto refere-se a) ao nascimento das primeiras civilizações na região do Crescente Fértil. b) ao processo de agrarização ocorrido na Inglaterra no período moderno. c) à passagem da sociedade escravista romana para o sistema feudal de produção. d) ao surgimento da civilização islâmica a partir da unificação das tribos árabes. e) ao renascimento comercial e urbano ocorrido no período medieval europeu.
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B16 Renascimento comercial europeu
01. (UEPB) Desde o século XII, as cidades medievais organizaram a sua própria produção artesanal, agrupando os artesãos em associações hierárquicas. Eram elas: a) Ligas b) Guildas c) Corporações de Ofício d) Hansas e) Sindicatos Proletários
FRENTE
B
HISTÓRIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (UEPG PR) “A partir do século XI, a classe artesã e a classe dos mercadores, que se haviam tornado mais numerosos e muito mais indispensáveis à vida de todos, afirmaram-se cada vez mais vigorosamente no contexto urbano, em especial a classe dos mercadores, pois a economia medieval, a partir da grande renovação desses anos decisivos, foi sempre dominada, não pelo produtor, mas pelo comerciante.” (Marc Bloch. A Sociedade Feudal)
Sobre o período histórico a que se refere este texto, assinale o que for correto. 01-02-08 01. Conhecido como Renascimento Comercial, apresentou um revigoramento geral da atividade mercantil, que se alastrou por toda a Europa Ocidental, repercutindo em todos os níveis da sociedade feudal. 02. A relativa estabilidade e segurança interna proporcionada pelo fim das invasões escandinavas, húngaras e eslavas, bem como a retomada dos empreendimentos agrícolas, o crescimento demográfico e a melhoria nas condições climáticas foram elementos integrantes dessa nova conjuntura. 04. O surto de desenvolvimento urbano, comercial e demográfico iniciado no século XI atingiu seu apogeu nos séculos XIV e XV, preparando, assim, o advento dos tempos modernos. 08. A partirdo movimento comunal, processo de resistência que atingiu as cidades europeias, estendendo-se do século XI ao século XIII, as cidades tornaram-se independentes da tutela da aristocracia feudal, e suas conquistas foram garantidas através das cartas de franquia ou forais. 16. Embora as cidades que surgiram a partir do século XI tivessem origens diversas, todas elas cresceram em função do comércio. 02. (UFMS) Leia com atenção os fragmentos de textos I e II, escritos no início do século XI pelo monge beneditino borgonhês Raul Glaber. I. “Durante o reinado do Rei Roberto, apareceu no céu, do lado do ocidente, uma dessas estrelas a que se chamam cometas; o fenômeno começou no mês de Setembro, numa tarde ao cair da noite, e durou cerca de três meses. Brilhando com um muito vivo clarão, encheu com a sua luz uma vasta porção do céu e desapareceu por altura do canto do galo. Quanto a saber se era uma nova estrela que Deus enviava ou uma estrela de que simplesmente multiplicara o brilho como sinal miraculoso, isso só pertence Àquele que na sua sabedoria regula todas as coisas melhor do que poderia dizer. O que contudo é certo, é que, cada vez que os homens veem produzir-se no mundo um prodígio desta espécie, pouco depois abate-se visivelmente sobre eles alguma coisa de espantoso e de terrível.” (Raul Glaber. Histórias, apud DUBY, George – O Ano Mil. Lisboa: Edições 70, 1986, p. 105-106).
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II.
“Próximo ao ano [...] mil após a Paixão do Salvador [...], uma fome universal começou a aumentar e ameaçava fazer morrer o gênero humano quase todo [...] Mesmo no tempo das colheitas, as ervas daninhas tinham coberto as superfícies semeadas [...] A sociedade inteira, enfraquecida por falta de subsistência, apresentava a palidez dos esfomeados; os nobres como a arraia miúda encontravam–se na companhia dos indigentes: na miséria geral, os caprichos dos poderosos tinham cessado [...] Depois de terem comido os animais, incluindo as aves, o aguilhão da fome, mais vivo que nunca, levou as pessoas a transformar em alimentação os cadáveres e coisas de fazer estremecer [...] o despovoamento devido a este flagelo durou o espaço de três anos [...]”. (Raul Glaber. Histórias, In: FREITAS, Gustavo de – 900 Textos
e Documentos de História. Lisboa: Plátano Editora, 1976, p. 147-148) 01-08-16
Com base nos textos e nos seus conhecimentos sobre a cultura e a sociedade medievais, assinale a(s) proposição (ões) correta(s). 01. Representações do mundo, como as descritas acima, eram recorrentes no imaginário do Ocidente medieval da virada do século X para o século XI, tendo como pano de fundo a crença, fundamentada em interpretações literais do Livro do Apocalipse de São João, de que o fim do milênio traria consigo o fim dos tempos. 02. Manifestações, como as apresentadas acima, inserem-se no contexto da constante visão da catástrofe e da morte, resultantes das Cruzadas e da emergência da Peste Negra, que dizimaram uma parcela significativa da população europeia, acelerando a crise do sistema feudal. 04. O pensamento expresso nos textos é um indício do crescente analfabetismo das camadas populares e da diminuição da religiosidade dos clérigos, em especial dos monges beneditinos. 08. O fragmento I revela um traço característico do pensamento religioso europeu, da virada do século X para o século XI, segundo o qual o aparecimento de um prodígio, como a passagem de um cometa, constituía-se num presságio da ocorrência de um acontecimento catastrófico para a humanidade, após o que o Reino de Deus triunfaria com a segunda vinda de Cristo à Terra, inaugurando um novo período de paz e prosperidade. 16. Embora associadas, à época, ao surgimento de prodígios que anunciavam o fim dos tempos, situações de fome, como a descrita no fragmento II, podem ser explicadas como consequências do descompasso entre a expansão demográfica e a baixa capacidade de produção agrícola, haja vista que a cultura da terra ainda era praticada com técnicas primitivas de produção.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
04. (Puc Campinas SP) Durante a Idade Média, havia um imaginário vinculado às cruzadas, pautado pela concepção de que a) os nobres tinham a missão sagrada de proteger a população europeia dos “infiéis” que, após a tomada da Península Ibérica, vinham impondo violentamente sua crença e cobrando altos impostos a toda a cristandade. b) os vassalos deveriam morrer por meio do “bom combate” pois, ainda que não houvesse esperança alguma de reconquistar Jerusalém, o sacrifício humano fortaleceria a fé católica e o poder do Papa. c) a Guerra Santa iniciada pelos muçulmanos era uma provação que os cristãos deveriam enfrentar para que a tragédia da Peste Negra e outros castigos divinos não voltassem a incidir sobre o Ocidente. d) a longa peregrinação e os combates militares movidos pela fé, a fim de recuperar a Terra Santa, assegurariam, a todos os participantes, o perdão de seus pecados e a purificação de suas almas. e) o enriquecimento obtido através de pilhagens deveria ser inteiramente destinado às ordens mendicantes instaladas no Oriente e às famílias pobres muçulmanas como prova do não apego aos bens materiais pela Igreja católica. 05. (Puc GO) Muitos personagens transitaram no cenário do medievo europeu. Desempenhando funções sociais específicas, foram a expressão das sensibilidades de uma época. Sobre este elenco e sua atuação no imaginário medieval do Ocidente, marque V ou F nas afirmações relacionadas abaixo: 01-02-03-05-06
01. Ser guerreiro medieval era assumir uma função predominantemente nobre que exigia coragem. O cavaleiro possuía uma moral valorosa e um senso de fidelidade A toda prova. Em seu código de honra, havia a defesa dos injustiçados e a necessidade de reconhecimento de seus feitos. Suas realizações, reais ou imaginárias, inspiraram as Canções de Gesta, gênero literário popular de base poética. 02. A imagem da mulher transmitida pelo romantismo da cavalaria é a de um ser frágil, indolente, envolvida com bordados e bandolins à espera do cavaleiro andante. Todavia, as mulheres desempenharam papel importante na sociedade medieval. As camponesas trabalhavam nas tarefas agrícolas, enquanto outras se encarregavam da tecelagem e do artesanato. 03. Os religiosos, por sua vez, eram considerados detentores de autoridades sobre as almas dos homens e sobre os seus negócios. Para obter direitos civis e políticos, os homens deveriam ser batizados e seguir as regras e preceitos religiosos. Em suas práticas e representações, a igreja alimentava o medo sobre a vida eterna, explorando os temores deste mundo e do além. 04. Na base social estavam os camponeses. Estimados como os que trabalhavam e mantinham a produção, viviam, entretanto, com status de escravos. Sem direitos civis ou econômicos, o camponês estava totalmente destituído de seus meios de sobrevivência, podendo ser vendido separadamente quando o feudo mudasse de dono. 05. Em novelas de cavalaria, vamos encontrar a afirmação de que o camponês era inapto à corte do amor, pois isso contrariava sua natureza ligada aos trabalhos diários e aos “prazeres ininterruptos do arado e do enxadão”. Segundo estas obras, portanto, as atividades amorosas eram alheias à natureza do camponês, predominantemente voltadas para o trabalho subalterno. 06. Os cruzados eram guerreiros cristãos. Deveriam conquistar a Terra Santa que estava sob o domínio dos muçulmanos, na união da cristandade contra os infiéis. Os Cruzados receberiam da Igreja de Roma uma indulgência especial, ou seja, o perdão dos seus pecados. 06. (UFSC) Face aos ataques do Vaticano ao livro O Código Da Vinci, o jornalista e escritor Sérgio Augusto publicou um artigo no jornal O Estado de São Paulo, em 3 de abril de 2005. Leia alguns trechos: “O Código Da Vinci já vendeu mais de 25 milhões de exemplares, foi traduzido para 44 línguas e ainda não deu mostras de que esteja no fim de carreira. Daqui a um ano chegará aos cinemas a versão dirigida por Ron Howard estrelada por Tom Hanks”. “O livro [...], explora a hipótese de Jesus ter sido um simples mortal, que com Maria Madalena se casou e teve filhos, legando descendentes até para a casta dos merovíngeos, na França [...]”. “A Santa Sé era rápida quando reprimia, mas sempre tartarugou para rever velhos conceitos e fazer mea culpa. Levou mais de 350 anos para absolver Galileu e quatro séculos para desculpar-se pela Inquisição. Só no pontificado de João Paulo II reconheceu os crimes das Cruzadas e arrependeu-se do silêncio dos católicos no Holocausto”. 533
FRENTE B Exercícios de Aprofundamento
03. (UEPB) Sobre as Cruzadas, o mais longo conflito entre católicos e muçulmanos, assinale a única alternativa incorreta: a) As Cruzadas foram antes de qualquer coisa um grande incentivo para o desenvolvimento comercial e científico da Europa, já que muito se investiu na construção naval, na indústria de bens de consumo e no desenvolvimento desde as táticas de combate até a culinária. b) As Cruzadas consistiram em expedições guerreiras, estimuladas pelo papado, para a conquista dos territórios palestinos considerados santificados e que estavam sob domínio muçulmano haviam séculos. c) Para arregimentar seus exércitos para lutarem contra os povos bárbaros do Oriente, o Papa Urbano II prometia aos guerreiros (ou Cruzados) total indulgência de seus pecados, além de pagamentos de vultosas quantias em espécie ou na forma de terras. d) Apesar de terem durado tanto tempo (cerca de 200 anos), todas as Cruzadas foram vitoriosas e conseguiram destruir quase que totalmente a estrutura social, cultural, política e econômica de muitas das sociedades muçulmanas da época. e) Em que pese todo o investimento feito pelos europeus para lançarem as Cruzadas, e mesmo com campanhas bem-sucedidas nas quais a presença muçulmana nos territórios bizantinos foi momentaneamente contida, eles foram derrotados e expulsos de Jerusalém pelas tropas do Sultão Saladino, em 1187.
História
Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S) em relação ao significado das palavras grifadas no texto. 01-02-04-08-16 01. Cruzadas: Movimento ocorrido na Idade Média, organizado e estimulado, inicialmente, pela Igreja. 02. Da Vinci (Leonardo Da Vinci): Pintor, escultor, engenheiro, arquiteto e inventor italiano. Entre as suas obras mais famosas está “A Gioconda”. 04. Galileu: Astrônomo, físico e matemático italiano. Partidário do heliocentrismo, fez diversas descobertas astronômicas. 08. Inquisição: Tribunal criado no período medieval, pela Igreja Católica, destinado a reprimir as heresias. 16. Holocausto: Perseguição de que foram vítimas os judeus, ciganos e outras minorias, durante o regime nazista. Milhares de pessoas foram presas, torturadas e mortas nos “campos de trabalho” (campos de concentração), como os de Sobidor, Treblinka e Auschwitz. 32. Merovíngeos: Ordem religiosa fundada no norte da França pelos Cavaleiros Templários quando da sua volta da Terra Santa. Teve grande influência durante o governo de Carlos Magno. 64.Vaticano: Estado situado no Oriente Médio, encravado no território de Israel. Sede da Igreja Católica. 07. (FGV SP) Analise o mapa.
d) as cidades da Liga Hanseática, entre o mar do Norte e o mar Báltico, aumentam a circulação de mercadorias gerada pela redução tributária, porém trazem o seu isolamento em relação ao restante dos mercados e feiras. e) os três principais focos europeus de comércio na Baixa Idade Média são as cidades italianas no Mediterrâneo, as feiras na região de Champagne e a Liga Hanseática no mar do Norte e no Báltico, que mantêm comunicações entre si. 08. (UFSC) A cidade contemporânea, apesar de grandes transformações, está mais próxima da cidade medieval do que esta última da cidade antiga. A cidade da Idade Média é uma sociedade abundante, concentrada em um pequeno espaço, um lugar de produção e de trocas em que se mesclam o artesanato e o comércio alimentados por uma economia monetária. É também o cadinho de um novo sistema de valores nascido na prática laboriosa e criadora do trabalho, do gosto pelo negócio e pelo dinheiro. É assim que se delineiam, ao mesmo tempo, um ideal de igualdade e uma divisão social da cidade, na qual os judeus são as primeiras vítimas. Mas a cidade concentra também os prazeres, os da festa, os dos diálogos na rua, nas tabernas, nas escolas, nas igrejas e mesmo nos cemitérios. Uma concentração de criatividade de que é testemunha a jovem universidade que adquire rapidamente poder e prestígio, na falta de uma plena autonomia. LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades: conversações com Jean Lebrun. São Paulo: UNESP, 1998. p. 25. Apud: VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 187.2. v. 1.
Sobre o período medieval, é CORRETO afirmar que: 02-04 01. as Cruzadas quase impediram o desenvolvimento das cidades medievais por dois motivos: ocorreram em áreas rurais e tinham como objetivo impor os ideais cristãos que condenavam a cobiça e o desejo por lucro. 02. com a intensificação das atividades comerciais nas cidades, foram organizadas as hansas ou associações de mercado(In: José Jobson de A. Arruda, Atlas histórico básico. 2007)
FRENTE B Exercícios de Aprofundamento
Considerando-se as informações do mapa e o processo histórico europeu do século XIV, é correto afirmar que a) as rotas comerciais terrestres do leste da Europa em direção ao Oriente são mais numerosas e, portanto, tornam essa região a mais rica do continente na Alta Idade Média, pelo aumento demográfico e pela expansão da agricultura. b) as rotas comerciais, no mar Mediterrâneo, só enriquecem as cidades italianas e as cidades do norte da África, já que as transações são dificultadas pelas diferentes moedas e pela ausência de meios de troca, caso das cartas de crédito. c) o comércio se expande com o crescimento da população e da agricultura, o que desenvolve as feiras e as cidades na Idade Moderna, especialmente no norte da África, pela facilidade dos cheques, das letras de câmbio e do crédito. 534
res. A reunião de várias hansas no norte da atual Alemanha deu origem à Liga Hanseática. 04. muitas cidades medievais se originaram dos burgos, aglomerações surgidas a partir da intensificação do comércio. 08. as corporações de ofício surgiram com o desenvolvimento da mão de obra especializada dedicada ao artesanato e foram responsáveis por organizar o aprendizado e o controle destas atividades. 16. as universidades surgiram da iniciativa de um grupo de intelectuais europeus que pretendia tornar o ensino independente da Igreja. 32. a atividade bancária não se consolidou no período, pois havia falta de matéria-prima para a fabricação de moedas. Isso fez com que o comércio se realizasse exclusivamente por meio do escambo.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
16. Além de cavaleiros bem armados, as Cruzadas também tive-
nascentistas, pretendia com seu livro Dom Quixote
ram a participação de pobres, camponeses, mendigos e crian-
a) denunciar o papel submisso da mulher, representado pela
ças. Todos partiram da Europa com a intenção de conquistar
heroína Dulcinéia. b) exaltar os valores da cavalaria, da honra, do herói, imortalizados na figura de Dom Quixote. c) fazer uma crítica aos valores medievais, satirizando-os nas figuras de Dom Quixote e Sancho Pança. d) mostrar a inutilidade da luta contra a igreja, utilizando a imagem de Dom Quixote lutando contra os moinhos de vento. e) satirizar a figura do monarca absoluto, ao entronizar Sancho Pança como rei da imaginária ilha da Cocanha. 10. (Ufal AL) Analise as proposições sobre alguns fatos que podem
Jerusalém, então controlada pelos turcos seldjúcidas. 12. (Puc PR) Nos séculos XI, XII e XIII, a Europa Medieval organizou expedições militares contra o Mundo Islâmico, as Cruzadas. Assinale a alternativa INCORRETA: a) Dentre as causas sociais, destaca-se o direito de primogenitura. Nobres não primogênitos desejavam obter feudos, mesmo que não localizados em terras européias. b) Instigada por Veneza, a Quarta Cruzada atacou, saqueou e apoderou-se de Constantinopla, onde implantou um Reino Latino. c) Ao pregar a Primeira Cruzada, o Papa Urbano II pretendia
identificar o início da Idade Moderna. 00-44
não apenas socorrer o Império Bizantino contra os turcos,
00. A superação da crise geral do feudalismo, a invenção da
mas também reunificar as Igrejas Católica e Grega Ortodoxa,
imprensa e o fortalecimento do poder real. 11. A preponderância econômica das cidades inglesas, a estabilidade das instituições religiosas e a alta dos preços provocada pelo afluxo de metais preciosos no mundo europeu. 22. A invenção do moinho a vento, o emprego da pólvora para fins militares e o fortalecimento da nobreza feudal. 33. A retração dos otomanos no Mediterrâneo Oriental, a contração do capitalismo comercial e o fortalecimento do poder real. 44. A transição do feudalismo para o capitalismo, o renascimento do comércio e das cidades. 11. (UEPG PR) Entre os séculos XI e XIII, o Ocidente cristão e o Oriente muçulmano travaram uma longa batalha. Os cristãos invadiram o território árabe em nome da fé, mas, ao mesmo tempo, preocupavam-se com possíveis conquistas econômicas. A respeito das Cruzadas Medievais, assinale o que for correto. 02-16 01. Ao final de dois séculos de lutas entre cristãos e muçulmanos, a cidade de Jerusalém foi retomada pelos primeiros e, desde então, é um símbolo exclusivo da fé cristã no Oriente. 02. As Cruzadas fortaleceram a autoridade real, o que favoreceu a criação dos Estados Nacionais Modernos. Da mesma forma, as Cruzadas impulsionaram o comércio Ocidente-Oriente e reforçaram a identidade cristã no Ocidente. 04. Saladino (Salah al-Din) foi um líder islâmico que defendeu o diálogo e a não agressão com os cruzados católicos. Para ele, a melhor saída para cristãos e muçulmanos seria a divisão de Jerusalém em áreas controladas distintamente por cada um desses grupos. 08. Pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada e canela foram alguns dos produtos levados do Ocidente para o Oriente a partir do contato estabelecido entre cristãos e muçulmanos durante as Cruzadas.
separadas nesse mesmo século XI pelo Cisma do Oriente. d) Politicamente, as Cruzadas enfraqueceram o Feudalismo, pois os senhores feudais equipavam e mantinham suas tropas. Empobrecendo, sofreram numerosas baixas, ocorrendo aumento do poder real. e) Militarmente, as Cruzadas foram um sucesso. Ocupada em 1099 pelos cristãos, Jerusalém somente seria tomada pelos muçulmanos no século XVII, quando estes chegaram a sitiar Viena. 13. (UEPB) Sobre as Cruzadas, o mais longo conflito entre católicos e muçulmanos, assinale a única alternativa incorreta: a) As Cruzadas foram antes de qualquer coisa um grande incentivo para o desenvolvimento comercial e científico da Europa, já que muito se investiu na construção naval, na indústria de bens de consumo e no desenvolvimento desde as táticas de combate até a culinária. b) As Cruzadas consistiram em expedições guerreiras, estimuladas pelo papado, para a conquista dos territórios palestinos considerados santificados e que estavam sob domínio muçulmano haviam séculos. c) Para arregimentar seus exércitos para lutarem contra os povos bárbaros do Oriente, o Papa Urbano II prometia aos guerreiros (ou Cruzados) total indulgência de seus pecados, além de pagamentos de vultosas quantias em espécie ou na forma de terras. d) Apesar de terem durado tanto tempo (cerca de 200 anos), todas as Cruzadas foram vitoriosas e conseguiram destruir quase que totalmente a estrutura social, cultural, política e econômica de muitas das sociedades muçulmanas da época. e) Em que pese todo o investimento feito pelos europeus para lançarem as Cruzadas, e mesmo com campanhas bem sucedidas nas quais a presença muçulmana nos territórios bizantinos foi momentaneamente contida, eles foram derrotados e expulsos de Jerusalém pelas tropas do Sultão Saladino, em 1187. 535
FRENTE B Exercícios de Aprofundamento
09. (UFMG) Miguel de Cervantes, um dos grandes expoentes re-
FRENTE
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HISTÓRIA Por falar nisso Os altos impostos e o procedimento de sonegação de impostos no Brasil são algo mais antigos do que pensamos. A expressão santo do pau oco, usada para denominar pessoas falsas, surgiu muito provavelmente em Minas Gerais, durante o período aurífero, entre o final do século XVII e início do século XVIII. A fim de conseguir driblar a cobrança do quinto, o imposto que a Coroa Portuguesa cobrava em cima de todos os metais preciosos extraídos no Brasil, escondia-se o ouro no fundo oco de santos de madeira. Assim, era possível passar pelos postos de fiscalização sem prestar contas às casas de fundição, onde o ouro era fundido em barras e cobravam-se os tributos. A criação das casas de fundição gerou protestos em Minas Gerais, custando a vida do tropeiro Felipe dos Santos, que liderou uma rebelião com participação de cerca de dois mil mineradores. Enquanto alguns rebeldes foram presos e enviados para julgamento e prisão em Lisboa, Felipe foi torturado até a morte por meio do garrote, instrumento de tortura inventado na Espanha e usado também em Portugal. Outra possibilidade de origem da expressão santo do pau oco é que as imagens de santos vinham de Portugal recheadas de dinheiro falso. Independente das possíveis origens da expressão, ela percorreu séculos e ainda é muito utilizada nos dias atuais. Nas próximas aulas, estudaremos os seguintes temas
C13 C14 C15 C16
Atividades econômicas secundárias..............................................538 Mineração: corrida do ouro e regulamentação............................543 Mineração: conflitos e descoberta do diamante..........................547 Sociedade e cultura na América Portuguesa................................552
FRENTE
C
HISTÓRIA
MÓDULO C13
ASSUNTOS ABORDADOS nn Atividades econômicas secun-
dárias
nn Outras atividades econômicas do Brasil colônia
ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Durante a colonização do território brasileiro, verificamos que a economia baseava-se no latifúndio, na monocultura, no uso do trabalho escravo. Um exemplo desse modelo foi a economia açucareira desenvolvida a partir do século XVI. Esse modelo impediu a diversificação da economia brasileira, porém, o interesse de exploração da metrópole e a demanda interna dos colonos fizeram com que surgissem outras atividades econômicas. Mesmo com o Pacto Colonial não deixou de haver certa diversidade das relações econômicas e comerciais na América Portuguesa. Havia até mesmo um comércio direto com regiões que não pertenciam ao domínio português, como os territórios banhados pelo rio da Prata, na parte Sul da América, e com regiões africanas, como Angola, Costa da Mina e Moçambique, além de Goa e Macau, ambas na Ásia. Assim como ocorria em relação ao no tráfico negreiro, vários comerciantes de escravos negociavam diretamente com fornecedores locais africanos. Internamente, outras atividades reforçavam essa dinâmica, como o comércio de alimentos e os empréstimos. Havia aqueles que cobravam impostos em nome da Coroa portuguesa, por meio de contratos em leilões oficiais, prática comum na metrópole. Muitos desses mercadores lucraram com isso, adquirindo terras e escravos, e conquistando prestígio na sociedade colonial.
Outras atividades econômicas do Brasil colônia Além do comércio, a colônia também desenvolvia o plantio de alguns produtos agrícolas, como mandioca, arroz, milho, feijão, tabaco e algodão e produzia aguardente e rapadura, tanto para o consumo dos colonos quanto para a exportação. Apesar da primazia da empresa açucareira para a colonização portuguesa, também havia outras atividades econômicas no território brasileiro. A mandioca era a base da alimentação, principalmente dos escravos. O seu plantio chegou a ser imposto pela Coroa portuguesa aos senhores de engenho com o intuito de garantir a alimentação dos trabalhadores, a fim de não comprometer o projeto colonizador. Figura 01 - Gravura retratando agricultura no Brasil colonial.
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Ciências Humanas e suas Tecnologias
O fumo, que era cultivado primordialmente na Bahia, era importante moeda de troca no comércio de escravos, de forma que chegou a representar uma das atividades exportadoras mais recorrentes e lucrativas da colônia. Sua importância econômica junto ao fato de o cultivo exigir menor extensão de terra e menos mão de obra atraíram inúmeros lavradores, especialmente entre o final do século XVII e início do XVIII. A produção de tabaco era controlada, sobretudo, por mulatos e negros livres. Não era uma atividade desempenhada pela elite. O plantio de algodão, mais intenso no Maranhão, estava ligado, a princípio, à confecção das roupas dos escravos, já que a vestimenta dos senhores e de suas famílias vinha da Europa. Porém, ele logo se transformou em produto de exportação.
As atividades de pecuária e coleta das chamadas drogas do sertão, durante as expedições para o interior, que tinham o intuito de combater invasores estrangeiros e procurar metais preciosos e indígenas para servirem como escravos, foram cruciais para a ocupação do sertão (interior) brasileiro e ampliação das fronteiras.
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A produção de aguardente e rapadura, embora reduzida, também era muito importante na troca por escravos africanos, sendo realizada principalmente no litoral da capitania de São Vicente.
Figura 02 - Gravura retratando escravos colhendo algodão.
Eram muitas as dificuldades enfrentadas nesses deslocamentos, mesmo levando indígenas como guias. Para conseguir alimento, saqueavam plantações dos nativos, ou faziam plantações para colher os alimentos no caminho de volta da expedição. Gradativamente, os habitantes dos povoados se fixaram nos arredores desses caminhos, para oferecer hospedagem e alimentação. Os perigos enfrentados nessas viagens eram muitos. Era comum a incidência de animais ferozes ou venenosos, insetos, carrapatos, morcegos e aranhas. Ao mesmo tempo, os grupos indígenas resistiam por meio de ataques e emboscadas. Os Caiapós, por exemplo, chegaram a viver do ataque e saque a expedições comerciais fluviais que adentravam pelo interior. Ocupação do Nordeste e Região Amazônica A criação de gado, que era atividade complementar à empresa açucareira, tornou-se um grande fator de ocupação do Sertão Nordestino. A criação extensiva do gado, que era criado solto, necessitava constantemente de novas pastagens, o que favoreceu a interiorização da região. No século XVII, a atividade dos vaqueiros alcançava as capitanias do Ceará e Maranhão, ao Norte, e s margens do rio São Francisco, ao Sul, regiões onde surgiram importantes fazendas de gado, chamadas currais.
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No início do século XVIII, a necessidade de abastecimento alimentar e de transporte para a empresa mineradora no Centro-Sul impulsionou a pecuária no Nordeste e no Sul da colônia. O combate à presença de estrangeiros, principalmente durante a União Ibérica, também contribuiu para a ocupação do interior nordestino e da região Amazônica.
C13 Atividades econômicas secundárias
O deslocamento do gado pelo interior também tinha a intenção de evitar que os animais destruíssem os canaviais. A pecuária utilizava principalmente trabalhadores livres, geralmente mestiços, descendentes de indígenas e negros. As dificuldades geradas pela crise açucareira atraíram muitos colonos empobrecidos para a pecuária. Portanto, em contraste com a sociedade do açúcar, essa atividade permitia uma maior mobilidade social.
Figura 03 - Criadores de gado no Brasil colônia.
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História
Exercícios de Fixação 01. (Fuvest SP) A economia das possessões coloniais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia: a) tabaco, algodão e derivados da pecuária. b) ferro, sal e tecidos. c) escravos indígenas, arroz e diamantes. d) animais exóticos, cacau e embarcações. e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria. 02. (UFSCAR SP) No vale amazônico, os gêneros de atividade se reduzem praticamente a dois: penetrar a floresta ou os rios para colher os produtos ou capturar o peixe; e conduzir as embarcações que fazem todo o transporte e constituem o único meio de locomoção. Para ambos estava o indígena admiravelmente preparado. (Caio Prado Jr., História econômica do Brasil)
C13 Atividades econômicas secundárias
Nessa região, os indígenas contribuíram para a colonização portuguesa ao a) abrirem campos de pastagem e facilitarem as comunicações. b) coletarem as drogas do sertão e servirem como remadores. c) desenvolverem a caça e impedirem a ação dos jesuítas. d) plantarem o tabaco e dominarem o transporte marítimo. e) extraírem o pau-brasil e construírem caminhos por terra. 03. (UFMG) Leia este trecho, em que o personagem principal “Robinson Crusoé” rememora fatos por ele vividos no século XVII: “Pouco tempo depois do desembarque [na Bahia], fui recomendado pelo Capitão a um homem muito honrado, semelhante ao mesmo capitão, que tinha o que vulgarmente se chama um Engenho, isto é, uma plantação e uma manufatura de açúcar. Vivi alguns tempos em sua casa e por este meio me instrui no modo de plantar e fazer o açúcar. Ora, vendo que comodamente viviam estes cultivadores e com rapidez se enriqueciam, resolvi-me a estabelecer-me e a ser cultivador como os outros, se fosse possível obter licença; bem entendido que procuraria o meio de me fazer vir à mão o dinheiro, que tinha deixado em Londres [...] [Importei da Inglaterra] panos, sedas, meias e outras coisas extraordinariamente estimadas e procuradas neste país [e...] achei o segredo de as vender por alto preço, de sorte que posso dizer que, depois de sua venda, ajuntei mais de quatro vezes o valor da minha carregação [...] o ano seguinte tive toda a sorte de vantagens na minha plantação; colhi na minha própria terra cinqüenta rolos de tabaco [que] estavam bem acondicionados e prontos para quando a frota voltasse para Lisboa.” DEFOE, Daniel. Vida, e aventuras admiráveis de Robinson Crusoé, que contém a sua tornada à sua Ilha, as suas novas viagens, e as suas reflexões. Lisboa: Impressão de Aucobia, 1815. v. 1, p. 68-69 e 74. (Adaptado)
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A partir dessa leitura e considerando outros conhecimentos sobre o assunto, 1. IDENTIFIQUE duas atividades econômicas de caráter distinto desenvolvidas por Robinson Crusoé na Bahia. Atividade econômica 1 Produção de açúcar Atividade econômica 2 Produção de tabaco 2. RELACIONE as atividades indicadas no item 1 desta questão à política colonizadora das potências europeias para a América na Época Moderna.
Trata-se de produtos raros e valorizados no mercado europeu, daí seu cultivo em áreas coloniais em larga escala, com a utilização do trabalho escravo.
04. (UFTM MG) A colonização do Brasil iniciou-se na faixa litorânea, diferentemente da América espanhola. No entanto, a partir do Século XVII, teve início a expansão para o interior, além dos limites definidos pelo Tratado de Tordesilhas, em decorrência a) Da coleta de drogas do sertão, da ação dos donatários e do cultivo de tabaco. b) Do cultivo de café, da criação de gado e da fundação de cidades. c) Da mineração, da produção de açúcar e do surgimento das fazendas de gado. d) Do incentivo real às bandeiras, da lavoura de tabaco e da ação jesuítica. e) Da exploração de ouro, da pecuária e do estabelecimento de missões.
05. (FGV) Caracteriza a agricultura colonial no Brasil do final do século XVIII: a) a importância alcançada pela produção de tabaco em São Paulo e em Minas Gerais, que ocorreu após o Conselho Ultramarino ter permitido esse cultivo, o que favoreceu a sua troca com manufaturas inglesas e francesas. b) um novo produto, o trigo, foi beneficiado pela estrutura originada da Revolução Industrial, que aprofundou a divisão entre os papéis a serem exercidos pelas nações, isto é, as ricas, produtoras de industrializados e, as pobres, de matérias-primas. c) o valor especial adquirido pelo extrativismo no Norte do Brasil, com o guaraná, que concorreu com os produtos agrícolas tradicionais, como o açúcar, permitiu um rápido desenvolvimento dessa região e a sua articulação com o restante da colônia. d) o revigoramento da produção de açúcar e o desenvolvimento do cultivo do algodão decorrentes, principalmente, de alguns fatos internacionais importantes, em especial, a independência das treze colônias inglesas e a Revolução Haitiana. e) o aparecimento do café na pauta de exportações coloniais, o que revolucionou as relações entre o Estado português e a elite escravista, pois a sustentação econômica da metrópole exigiu o abrandamento das restrições mercantilistas.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
Fonte: Heinrich Heine, apud Alfredo Bosi. Dialética da colonização: São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
Assinale a alternativa CORRETA. a) Com o verso “Boa liga do melhor metal” o autor está elogiando a qualidade dos metais preciosos encontrados no Senegal, colônia que Portugal estava explorando. b) Os versos do poeta referem-se a uma atividade do tempo do Brasil colônia relacionada à origem da mão de obra utilizada na produção de açúcar nos engenhos ali instalados. c) Do trecho do poema se conclui que o tráfico negreiro era uma atividade que não recompensava economicamente aos traficantes pois só a metade da carga chegava em condições ao porto de destino. d) O poema não se refere à colonização portuguesa no Brasil porque a mão de obra escravizada foi só do índio, portanto, não havia transporte de longa distância em navios. e) O Estado português e a Igreja católica foram radicalmente contra a escravização dos africanos combatendo o tráfico de pessoas em qualquer parte do mundo. 02. (IFSC) O Brasil colonial não nasceu do açúcar, mas do pau-brasil. Foi a famosa madeira, da qual se extrai um corante, que primeiro deu motivos aos portugueses para se estabelecer e explorar a terra a que tinham chegado em 1500. Porém, foi a introdução da cana de açúcar e a dos engenhos, com sua tecnologia para a produção de açúcar, as verdadeiras responsáveis por transformar a colônia três décadas depois desse primeiro contato. O açúcar foi a madrasta da colonização, que por quase dois séculos regeu a história econômica, social e política do Brasil. E, em algumas regiões, continua a dominar. Fonte: SCHWARTZ, Stuart B. Doce Lucro. Revista de História. n. 94, jul. 2013. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/ doce-lucro. Acesso: 13 ago. 2014.
Durante grande parte do período colonial brasileiro, o açúcar foi o principal produto de exportação da colônia. Sobre a produção de açúcar no Brasil, leia e analise as seguintes afirmações: I. A cana de açúcar era plantada em latifúndios, estrutura fundiária ainda presente no Brasil. II. A principal região produtora de açúcar no Brasil é a Sul.
III.
A produção de açúcar foi uma das responsáveis pela desigualdade social no Brasil colonial, pois utilizava mão de obra escrava. IV. Da cana de açúcar, além do açúcar, pode-se produzir combustível e aguardente. Assinale a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. b) Apenas as afirmações I e IV são verdadeiras. c) Apenas as afirmações II, III e IV são verdadeiras. d) Apenas as afirmações I, III e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmações são verdadeiras. 03. (UEM PR) No início da colonização do Brasil, os portugueses ficaram mais restritos à faixa litorânea do território brasileiro. Contudo, com o passar do tempo, foi ocorrendo uma interiorização da colonização. Assinale a(s) alternativa(s) que se relacionam corretamente à interiorização da colonização do Brasil. 01-02-04 01. Introduzida pelos europeus, a pecuária possibilitou a ocupação do sertão nordestino. A intensificação da pecuária levou, em meados do século XVII, o Rio São Francisco a ser conhecido como Rio dos Currais. 02. Atualmente, a expansão da fronteira agrícola na região amazônica faz com que ativistas de movimentos ecológicos vinculem tal expansão à destruição das florestas. 04. O que motivou os portugueses, no século XVIII, a explorar o interior da floresta amazônica foram a coleta das “drogas do sertão” e a captura de índios. 08. A descoberta de ouro e de diamantes levou à ocupação do nordeste do Paraná e de Santa Catarina, no século XIX. 16. A extração do látex, para a produção de borracha, atraiu, no século XIX, “seringueiros” para a região do Acre, que era, até então, o território brasileiro com a maior área de cobertura florestal preservada. 04. (ESPM) As primeiras atividades econômicas praticadas pela colonização portuguesa no Brasil tiveram por cenário apenas o litoral do Leste-Nordeste brasileiros, sem que de modo sensível penetrassem no vago e misterioso sertão, ainda ocupado por tribos selvagens. Determinava essa situação o desinteresse econômico por qualquer tentativa de fixação de povoadores em regiões mais afastadas do mar. Assim enquanto sob os Reis Filipes penetravam os Vicentinos pelo sul na caça ao índio, ao mesmo tempo em que se sucediam as conquistas litorâneas em todo o nordeste, a solução encontrada para o povoamento do sertão forneceu-a (...), atividade econômica essencialmente fixadora de população, mesmo escassas. (Hélio Viana. História do Brasil)
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C13 Atividades econômicas secundárias
01. (IF SC) Seiscentas peças barganhei - Que pechincha – no Senegal A carne é rija, os músculos de aço, Boa liga do melhor metal. Em troca dei só aguardente, Contas, latão – um peso morto! Eu ganho oitocentos por cento Se a metade chegar ao porto.
História
d) os europeus, naquele ano, já conheciam plenamente o potencial econômico de suas colônias americanas. e) a economia colonial foi marcada pela simultaneidade de produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais. 07. (FGV) Caracteriza a agricultura colonial no Brasil do final do século XVIII:
O texto e o mapa referem-se a: a) criação de gado; b) busca de drogas do sertão; c) produção de algodão; d) extração de borracha; e) cultivo de tabaco.
C13 Atividades econômicas secundárias
05. (UFRGS) Assinale a alternativa correta sobre a história do Império colonial português na América, durante o século XVIII. a) A decadência do comércio de açúcar das Antilhas, desde o século XVII, possibilitou o crescimento extraordinário da produção canavieira no Brasil. b) A Carreira da Índia foi uma rota comercial que permitiu o fluxo de produtos, como tabaco, aguardente, tecidos e especiarias, entre o Oriente e a América. c) A descoberta do ouro na América portuguesa ocorreu somente no século XVIII, na capitania de São Vicente. d) A Conjuração Mineira foi o último episódio de sedição ocorrido no Brasil, no século XVIII. e) As medidas tomadas pela administração portuguesa, durante o Reformismo Pombalino, promoveram ideais iluministas, com o incentivo à educação jesuítica na formação da elite colonial. 06. (Fuvest SP) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários dos príncipes. André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado.
O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, revela que a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era direcionado à metrópole. c) não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior. 542
a) a importância alcançada pela produção de tabaco em São Paulo e em Minas Gerais, que ocorreu após o Conselho Ultramarino ter permitido esse cultivo, o que favoreceu a sua troca com manufaturas inglesas e francesas. b) um novo produto, o trigo, foi beneficiado pela estrutura originada da Revolução Industrial, que aprofundou a divisão entre os papéis a serem exercidos pelas nações, isto é, as ricas, produtoras de industrializados e, as pobres, de matérias-primas. c) o valor especial adquirido pelo extrativismo no Norte do Brasil, com o guaraná, que concorreu com os produtos agrícolas tradicionais, como o açúcar, permitiu um rápido desenvolvimento dessa região e a sua articulação com o restante da colônia. d) o revigoramento da produção de açúcar e o desenvolvimento do cultivo do algodão decorrentes, principalmente, de alguns fatos internacionais importantes, em especial, a independência das treze colônias inglesas e a Revolução Haitiana. e) o aparecimento do café na pauta de exportações coloniais, o que revolucionou as relações entre o Estado português e a elite escravista, pois a sustentação econômica da metrópole exigiu o abrandamento das restrições mercantilistas. 08. (UEM PR) Sobre a América Portuguesa, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 04-08-16 01. No século XVIII, com a crise do açúcar que se seguiu à Invasão Holandesa de Pernambuco, o governo de Mauricio de Nassau introduziu novas atividades econômicas naquela região, transformando-a no principal polo de produção artesanal do Brasil. 02. A criação do Governo Geral, em 1547, pela Coroa de Portugal extinguiu o sistema de capitanias hereditárias e impediu que franceses e holandeses invadissem e fundassem colônias no Brasil. 04. Ao longo da colonização portuguesa no Brasil, a produção de tabaco, utilizado pelos portugueses como moeda de troca na compra de escravos na África, tornou-se uma importante atividade econômica. 08. Embora o trabalho escravo tenha predominado na produção de açúcar, nos engenhos também era utilizada a mão de obra de trabalhadores livres assalariados. 16. Os Bandeirantes, ao ultrapassarem os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas na busca de riquezas e de índios para escravizar, contribuíram para expandir os domínios portugueses na América.
FRENTE
C
HISTÓRIA
MÓDULO C14
MINERAÇÃO: CORRIDA DO OURO E REGULAMENTAÇÃO Com o fim do domínio holandês sobre o Brasil, Portugal enfrentava uma forte crise financeira provocada, sobretudo, pela concorrência do açúcar antilhano. Para agravar esse quadro, pesadas concessões econômicas e políticas eram feitas à Inglaterra, pois Portugal precisava de uma aliança para se proteger de outras potências europeias. . Essa aliança mostrou-se desfavorável à balança comercial lusa, o que comprometia o desenvolvimento econômico do país.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Mineração: corrida do ouro e
regulamentação
nn Método de extração e controle do ouro nn Declínio da mineração
Dessa forma, o governo português procurava exaustivamente novas fontes de riquezas. Foi então que, a partir de 1693, depois de longa busca, bandeirantes paulistas descobriram ouro em diferentes lugares da região que logo passaria a ser chamada de Minas Gerais: Antônio Rodrigues Arzão, em Caeté; Bartolomeu Bueno de Siqueira, em Pitangui; e Borba Gato, em Sabará. Fonte: Wikimedia Commons
A notícia da descoberta do metal precioso se espalhou e teve início uma verdadeira corrida do ouro. As pessoas largavam tudo (ou fugiam, no caso dos escravos) e se dirigiam para as Minas Gerais em busca de enriquecimento rápido. De Portugal, passaram a chegar cerca de 4 mil pessoas por ano com destino às minas. Esse cenário favoreceu a miscigenação entre etnias tão variadas, que resultaria, com o passar do tempo, em uma mestiçagem sem precedentes na história da colônia portuguesa. Nesse contexto, algumas vilas e cidades litorâneas tiveram sua população reduzida quase que exclusivamente a idosos, mulheres e crianças. Engenhos pararam de funcionar devido à fuga dos escravos, enquanto outros eram abandonados pelos próprios senhores, que partiam para a região das minas. A descoberta do ouro provocou a vinda de muitos aventureiros, em sua maioria, estrangeiros.
Método de extração e controle do ouro A exploração do ouro teve início onde era mais fácil encontrá-lo e extraí-lo, ou seja, nos córregos e rios. Era o chamado ouro de aluvião, encontrado na mistura de areia e cascalho depositada no fundo dos cursos de água.
Figura 01 - Aquarela Lavagem do minério de ouro, de Rugendas.
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História
Quando os aluviões se esgotaram, os garimpeiros passaram a explorar o ouro de grupiara, encravando nas pedras das montanhas e cuja retirada era mais trabalhosa. Por fim, os exploradores começaram a perfurar as montanhas para encontrar, na rocha, os filões do chamado ouro de minas. Para garantir a fiscalização da região das minas, o rei de Portugal criou leis e um esquema de administração. Intendência das Minas foi o principal órgão responsável pela distribuição das terras, pela justiça e pela cobrança de impostos. O imposto cobrado na mineração correspondia à quinta parte de todo o ouro extraído, portanto ficou conhecido como o quinto.
A fiscalização e a grande tributação cresciam paralelamente com a produção aurífera. Mas, com o declínio da mineração, o rei de Portugal, acreditando que a razão era o contrabando, decretou, em 1750, que a soma final do quinto deveria atingir 100 arrobas de ouro por ano. Como os mineradores não conseguiam pagar os impostos, as dívidas iam se acumulando e, por isso, em 1765, foi decretada, pelo rei, a derrama, ou seja, uma cobrança forçada de todos os impostos atrasados.
Declínio da mineração A partir da segunda metade do século XVIII, a atividade mineradora começou a declinar, com a interrupção das descobertas e o gradativo esgotamento das minas. O ouro de aluvião não requeria muita técnica, porém, à medida que esses depósitos se esgotavam, era necessário passar para uma exploração que demandasse técnicas mais avançadas. Chegando nesse ponto, a mineração entrou em acentuada decadência. A atividade se manteve porque as áreas de exploração eram extensas, de forma que os minérios só se exauriram nos inícios do século XIX. Como para a Coroa só interessava o quinto, a partir de 1824, ela permitiu o direito de prospecção aos estrangeiros, que começaram a explorar com melhores recursos técnicos e mão de obra barata.
SAIBA MAIS
Figura 02 - Gravura retratando o método de extração do ouro de grupiara.
C14 Mineração: corrida do ouro e regulamentação
De acordo com a lei estipulada, quem encontrasse ouro deveria comunicar imediatamente o fato aos funcionários do governo. Tais funcionários iam até o local e dividiam a área, conhecida como lavra, em lotes de no máximo 66 metros quadrados e chamados de datas. Com a finalidade de evitar contrabandos e sonegação dos impostos do quinto, o rei de Portugal ordenou a criação das Casas de Fundição, local onde todo o ouro em pó garimpado deveria ser transformado em barras. O ouro era, então, devolvido com o selo real. Além daqueles que procuravam o metal em datas concedidas pela Intendência, havia os faiscadores, pessoas que saíam em busca do ouro de maneira independente. Eles trabalhavam em áreas já exploradas e abandonadas pelos grandes mineradores ou em locais que acreditavam ser promissores. Muitos eram escravos que tinham certa cota de ouro a encontrar. Caso ultrapassassem o montante estipulado, poderiam guardar consigo o excedente e utilizar mais tarde o total acumulado para comprar sua alforria. 544
Johann Moritz Rugendas (18021858), [pintor alemão] também conhecido no Brasil como João Maurício Rugendas, integrou a expedição do naturalista e diplomata russo-alemão Georg Heinrich von Langsdorff, que percorreria o interior do Brasil, em 1822. Rugendas estava na região de Minas Gerais quando desentendeu com Langsdorff e abandonou a expedição, prosseguindo viagem sozinho (1824-1825). Ao retornar à Europa publicou sua obra Viagem Pitoresca através do Brasil (1827-1835) reunindo cerca de 100 litografias das imagens produzidas em sua expedição. Apesar de Rugendas, enquanto membro da Expedição Langsdorff, ter podido observar situações próximas às que representou, a aquarela “Lavagem do minério de ouro” é uma composição inventada de uma paisagem geográfica que ele conheceu. A cena representada teve como base inspiradora a narrativa dos austríacos Spix e Martius, que percorreram o interior do Brasil entre 1817 e 1820. Fonte: Wikimedia Commons
Fonte: Wikimedia Commons
RUGENDAS: O PINTOR E SUA OBRA
Fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/mineracao-sob-olhar-de-rugendas/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios de Fixação
02. (Uel PR) Os principais produtos econômicos exportados pelo Brasil colônia do século XVIII foram: a) Ouro, açúcar e madeira. b) Açúcar, diamantes e erva-mate. c) Madeira, ouro e gado. d) Açúcar, madeira e erva-mate. e) Diamantes, ouro e gado. 03. (Puc Campinas SP) A exploração do ouro no Brasil Colônia, no século XVIII, era regulamentada pela Coroa portuguesa a) de forma minuciosa, como se pode verificar no Regimento, que institui a Intendência das Minas, órgão controlador, diretamente subordinado ao Conselho Ultramarino sediado em Portugal. b) sem uma legislação rigorosa, realidade que favorecia a ampla ocorrência do contrabando, a ponto de ter sido necessário determinar um porto único para exportação de minérios, para evitar desvios. c) segundo as regras estabelecidas pela Inglaterra, a maior importadora do ouro proveniente das colônias portuguesas, que estipulava que apenas a quinta parte dos minérios arrecadados seriam de propriedade do rei de Portugal.
d) na medida em que aumentavam as dívidas do Estado português, sendo a extração uma atividade controlada apenas no final do século, com a instituição da Casas de Fundição e com o estabelecimento da Derrama. e) por meio de um rígido sistema de tributação que, entretanto, não contava com uma estrutura governamental capaz de executá-lo, o que permitiu o amplo descaminho do ouro, praticado, sobretudo, pelas ordens religiosas. 04. (ESPCEX) Diferentemente de outras atividades econômicas do Brasil-Colônia, a mineração foi submetida a um rigoroso controle por parte da metrópole. Nesse contexto: a) os Códigos Mineiros de 1603 e 1618 já impediam a livre exploração das minas, impondo uma série de condições e restrições. b) as Intendências das Minas criadas pelo Regimento de 1702 impuseram um controle absoluto sobre toda a produção mineradora, embora ainda estivessem subordinadas a outras autoridades coloniais. c) a cobrança do quinto foi facilitada com a criação das Casas de Fundição, no final do século XVII, onde o ouro era fundido em barras timbradas com o selo real, embora a circulação do ouro em pó ainda fosse permitida. d) foram instalados postos fiscais em pontos estratégicos das estradas, com o objetivo de fiscalizar se o pagamento do quinto havia sido realizado; cobrar impostos sobre a passagem de animais e pessoas e sobre a entrada de todas as mercadorias transportadas para as Minas. e) a capitação foi um imposto que exigia do minerador o pagamento de uma taxa sobre cada um de seus escravos, do qual ficavam isentos os faiscadores que não possuíam escravos. 05. (UEPB) “Uma das patranhas da nossa história, tal como se conta nas escolas, é a da pretendida riqueza e até opulência das minas Gerais na época da abundância do ouro. Em boa e pura verdade nunca houve a tão propalada riqueza a não ser na fantasia amplificadora de escritores inclinados às hipérboles românticas.” (Laura de Melo in Freitas Neto e Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. SP. HARBRA. 2006. p. 318)
Sobre a sociedade mineira do século XVIII é correto afirmar que a) a maioria da população era formada por homens livres pobres que sobreviviam como faiscadores, pequenos roceiros, biscateiros e garimpeiros. b) eram privilegiados os elementos que tivessem o maior número de escravos. c) a concentração fundiária era pequena, apesar da maioria da população ser elite agrária. d) grande era o número de empreendedores com alto poder aquisitivo e forte descentralização de poder; ausência de advogados, artesãos e intelectuais. e) devido ao grande número de alforrias não havia escravos de ganho.
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C14 Mineração: corrida do ouro e regulamentação
01. (Ufu MG) Sobre a economia e a sociedade que se estabeleceu em Minas Gerais, no século XVIII, pode-se afirmar que I. as atividades mineradoras proporcionaram significativas transformações na economia e na sociedade colonial brasileira; estimularam o comércio interno colonial, abastecido por um sistema de transportes terrestres feito com tropas de mulas; desenvolveram a urbanização da região das minas, com a fundação de inúmeras vilas e cidades. II. contrastando com a região açucareira do Nordeste, que utilizava mão de obra escrava, em Minas Gerais o trabalho de exploração de ouro e diamantes era realizado por homens livres e escravos alforriados, o que justifica o caráter democrático e igualitário da sociedade dessa região. III. se a arquitetura e a escultura são as faces mais visíveis da chamada arte barroca mineira, a música sacra também teve grande destaque nesse período. Muitos músicos e compositores, ligados às irmandades e às ordens religiosas, chegaram a alcançar posição social destacada. IV. a descoberta e a exploração do ouro e diamantes não chegou a alterar a situação colonial do Brasil. O centro econômico da colônia continuou sendo as capitanias do Nordeste e a administração metropolitana permaneceu nas mãos do Vice-Rei. Marque a alternativa que apresenta apenas informações corretas. a) III e IV c) I e III b) II e IV d) I e II
História
Exercícios Complementares
C14 Mineração: corrida do ouro e regulamentação
01. (Uem PR) Sobre a política mercantil, administrativa e fiscal da Coroa de Portugal para o Brasil nos séculos XVII e XVIII, assinale a alternativa incorreta. a) Durante a União Ibérica (1580-1640), os reis da Espanha interferiram diretamente na administração do Brasil, nomeando exclusivamente administradores espanhóis para governar a colônia. b) No século XVIII, a Coroa portuguesa tomou várias iniciativas para regulamentar a atividade mineradora no Brasil, criando o Regimento das Minas de Ouro, a Intendência das Minas e as Casas de Fundição. c) Nas regiões de mineração, o principal imposto cobrado pela Coroa era o “Quinto” sobre o ouro extraído. d) Após o fim da União Ibérica, Portugal tomou várias iniciativas para reestruturar seu império e para dinamizar o comércio colonial, como a criação do Conselho Ultramarino e da Companhia Geral do Comércio do Brasil. e) O marquês de Pombal promoveu importantes modificações administrativas na colônia, como a transferência da capital do Estado do Grão Pará e Maranhão de São Luís para Belém (1751) e a do Estado do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro (1763). 02. (UEPB) A exploração dos minérios, a partir do século XVIII, proporcionou à região das Minas Gerais novas condições econômicas, sociais e políticas, cujos desdobramentos marcaram sua história, excetuando-se: a) O aumento populacional na região e desenvolvimento da vida urbana. b) A disputa pela posse das minas entre bandeirantes nascidos na colônia e portugueses apelidados de “emboabas”, que culminou com a criação da Intendência das Minas por parte da coroa portuguesa. c) A revolta liderada por Felipe dos Santos contra as Casas de Fundição que quintavam o ouro, além de fundi-lo em barras, dificultando o seu comércio. d) A criação de uma sociedade agrária, pautada no latifúndio, na monocultura e com pouco desenvolvimento cultural. e) A grande fiscalização por parte da coroa visando, de todas as formas, controlar a saída dos metais preciosos da região. 03. (UFT TO) No início do seu povoamento, no período colonial, o antigo norte de Goiás (atual estado do Tocantins), com o ouro de aluvião aflorando em quase toda a região, o norte goiano logo passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam esse minério na capitania; daí a preocupação do governo central com o contrabando, fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas mineiras.
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Mas, a partir do declínio da mineração, o norte goiano passou a ser visto pela historiografia como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. (Adaptado de PARENTE, Temis Gomes. Fundamentos Históricos do Estado do Tocantins. Goiânia: Editora da UFG, 2007, p. 23-24)
Considerando-se as informações deste texto, é CORRETO afirmar que: a) A região do antigo norte de Goiás, apesar de ter produzido muito ouro, não acumulou capital impossibilitando, portanto o desenvolvimento da mesma. b) A região não sofreu medidas fiscais por parte da metrópole, comparando com outras regiões mineiras. c) A região, após o período do apogeu das minas, foi considerada uma região exportadora de bens de consumo para as outras capitanias. d) A região sofreu um processo de desenvolvimento social, ocasionada pela exportação de produto agrícola. 04. (UFG GO) No final do século XVIII, na região das Minas Gerais havia acabado o ouro de aluvião – aquele que era encontrado à flor da terra. O processo de mineração havia se tornado extremamente caro e difícil e, além disso, todo ouro retirado não conseguia tornar a região rica ou formar um mínimo de capital acumulado que permitisse o desenvolvimento. a) Para onde foi drenado o ouro do Brasil, que não enriquecia brasileiros e nem portugueses, durante todo o século XVIII ? b) Que relação existe entre tal saída de ouro e a revolução industrial inglesa, durante o século XVIII e início do século XIX? 05. (Ufscar SP) A sede insaciável do ouro estimulou tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como são os das minas, que dificilmente se poderá dar conta do número de pessoas que atualmente lá estão. Contudo, os que estão nelas nesses últimos anos dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, umas em catar, e outras em mandar catar nos ribeiros do ouro, e outras em negociar, vendendo e comprando o que é necessário não só para a vida, mas para o prazer, mais que nos portos do mar. (Antonil, Cultura e opulência do Brasil, 1711. In Inês Inácio e Tânia de Luca, Documentos do Brasil Colonial. Adaptado)
O documento identifica uma importante mudança promovida pela mineração, a saber: a) a construção de estradas de ferro. b) o enriquecimento de toda a população. c) o despovoamento do litoral da colônia. d) o desenvolvimento do comércio interno. e) a pequena importância do trabalho escravo.
Gabarito questão 04 a) O ouro do Brasil vai para Portugal e daí vai para a Inglaterra em pagamento de importados manufaturados. b) O ouro do Brasil servia para o enriquecimento e acumulação de capitais na Inglaterra. Esse ouro foi, portanto, drenado através de tratados comerciais (verdadeiros exclusivos) expropriativos, o que permitiu à Inglaterra o acúmulo de capital que propiciou a formação do chamado “capital monopolista” ou financeiro, o qual pode ser aplicado na indústria, no comércio e na formação de bancos.
FRENTE
C
HISTÓRIA
MÓDULO C15
MINERAÇÃO: CONFLITOS E DESCOBERTA DO DIAMANTE A mineração, sem dúvidas, elevou o poder aquisitivo das camadas mais ricas da população e provocou o surgimento de cidades, automaticamente acelerando o desenvolvimento de um mercado interno que, de certa forma, foi o ponto inicial da integração entre as províncias, do aumento do tráfico negreiro para abastecer a região mineradora, e da criação de novas capitanias, novas comarcas e órgãos administrativos.
ASSUNTOS ABORDADOS nn Mineração: conflitos e desco-
berta do diamante
nn Guerra dos emboabas nn Descoberta de jazidas de diamante
Fonte: Wikimedia Commons
O deslocamento do eixo econômico da colônia, do Nordeste para o Sudeste, levou a transferência da sede do governo-geral de Salvador para o Rio de Janeiro. Com esse deslocamento, surgiu um modelo novo de sociedade, mais urbana, mais diversificada e dotada de maior mobilidade social. Entretanto, ainda destacam-se, nesse processo, o aumento dos preços das mercadorias, o crescente contrabando, a ampliação da carga tributária e a violência dos salteadores. Enquanto no Nordeste açucareiro instalou-se uma sociedade ruralizada, na região das minas, a exploração do ouro deu origem a uma sociedade urbana heterogênea, provocada pela necessidade de comércio, da qual faziam parte comerciantes, ferreiros, sapateiros, entre outros trabalhadores livres. A mobilidade social tornou-se, então, uma possibilidade impulsionada pelos repentinos achados de ouro, pelo próprio comércio e artesanato. Contudo, a desigualdade entre ricos e pobres era muito grande , sendo que os privilegiados mineradores colocavam-se no topo da sociedade. A base da sociedade, portanto, continuava composta por escravos, em sua maioria negros, cujas condições brutas de trabalho eram, talvez, piores que as existentes na empresa açucareira. A indústria mineradora no Brasil nunca passou de uma aventura passageira. Apesar da riqueza relativamente avultada que produziu − drenada, aliás, toda para fora do país −, ela deixou poucos vestígios, a não ser a prodigiosa destruição de recursos naturais que semeou pelos distritos mineradores, onde se percebem suas marcas.
Figura 01 - Lavra do ouro em Vila Rica, atual Ouro Preto, Minas Gerais – Rugendas (1820-1825).
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História
Guerra dos emboabas A despeito dos perigos e dificuldades, chegavam à região das minas um número cada vez maior de pessoas. No entanto, os paulistas, que tinham sido os primeiros a explorar as minas, não viam com bons olhos esse crescimento. Os estrangeiros oriundos de Portugal ou de outras regiões da colônia eram chamados pelos bandeirantes de emboabas – palavra derivada de buaba, em tupi, que significa ave de patas emplumadas. Os paulistas associavam a ave aos forasteiros pelo fato de eles usarem botas de canos longos, lembrando uma emboaba. O clima entre paulistas e emboabas era pesado. No ano de 1707, a tensão tornou-se um conflito armado que durou por volta de três anos e ficou conhecido como Guerra dos Emboabas. Os primeiros enfrentamentos ocorreram nas regiões de Sabará, Caeté, Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto) e São João Del Rey, cidades do atual estado de Minas Gerais, , e resultaram em muitas mortes. Em 1708, os emboabas formaram um exército de 3 mil homens sob o comando do português Manuel Nunes Viana, grande proprietário de terras no sertão baiano. Seu objetivo era expulsar da região os paulistas, chefiados por Borba Gato. Em 1709, trezentos paulistas foram assassinados às margens do rio das Mortes, após terem se rendido aos emboabas, sob a promessa de que suas vidas seriam poupadas. O episódio ficou conhecido como Capão da Traição. Inferiorizados numericamente, os paulistas se retiraram da região das minas. Alguns voltaram para São Paulo, outros seguiram em direção ao território dos atuais estados de Mato Grosso e Goiás, onde descobriram novas jazidas de ouro.
SAIBA MAIS Fonte: Wikimedia Commons
C15 Mineração: conflitos e descoberta do diamante
Veja o filme Xica da Silva (1976), de Carlos Diegues.
Figura 02 - Pintura representando a Guerra dos Emboabas– autor desconhecido.
Fonte: Wikimedia Commons
Descoberta de jazidas de diamante
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Em 1679 a extração do ouro ainda continuava no auge, porém chegava à Coroa portuguesa a informação sobre a existência de diamantes na região do Arraial do Tijuco, onde hoje é a cidade de Diamantina. O governo de Portugal criou, então, a Intendência dos Diamantes e decretou que o mineral fosse monopólio da Coroa e só poderia ser explorado pelos contratantes reais. A partir de 1739, no entanto, foi permitida a extração por parte de particulares. Porém, os escolhidos para essa atividade eram, em geral, pessoas riquíssimas, que chegavam a ter mais de seiscentos escravos.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Tanto o ouro quanto o diamante influenciaram de maneira significativa os rumos da colônia portuguesa na América. Essas atividades mineradoras foram, majoritariamente, responsáveis pela colonização de boa parte do interior do território e promoveram um rápido desenvolvimento urbano, com o surgimento de vilas e povoados nas regiões das minas. A criação de vilas e cidades nas regiões de mineração gerou condições para que as atividades profissionais se diversificassem como nunca ocorrera na colônia. Surgiram, assim, trabalhadores dos ofícios mais variados: artesãos, médicos, escultores, pintores, arquitetos, profissionais liberais, músicos, poetas, escritores etc. Essas pessoas, somadas aos pequenos comerciantes, aos funcionários públicos e aos clérigos, formavam as camadas médias urbanas, um dos novos grupos sociais que surgiram com a expansão urbana. No topo da sociedade colonial, outro grupo, menos numeroso, se destacava, era a elite urbana, enriquecida com a exploração das minas de ouro e diamantes, que enviava seus filhos para estudar nas universidades de Portugal. A partir da segunda metade do século XVIII, o ouro começou a ficar escasso, o que ocorreu no momento em que Portugal necessitava de recursos, uma vez que, em 1755, sua capital, Lisboa, tinha sido parcialmente destruída por um terremoto. Na busca de novas jazidas, os mineradores invadiam terras ocupadas por povos indígenas, com os quais, frequentemente, entravam em conflito. Visando a aumentar ainda mais a arrecadação, a Coroa portuguesa criou novos impostos, os quais provocaram grande descontentamento entre a população das Minas Gerais. Tamanha insatisfação contribuiu, então, para estimular o surgimento de ideias emancipacionistas na sociedade mineira.
C15 Mineração: conflitos e descoberta do diamante
Fonte: Wikimedia Commons
Figura 03 - Pintura retratando escravos bateando diamante – artista desconhecido, século XIX.
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História
Exercícios de Fixação 01. (Unifor CE) Sobre a economia e a sociedade no Brasil Colonial, considere as afirmações e assinale a afirmação INCORRETA. a) A economia açucareira na região Nordeste sustentava-se sob três pilares: i) a grande lavoura, ii) na mão de obra escrava, e iii) demanda do mercado externo. b) A aliança com os holandeses foi extremamente importante para viabilizar a implantação da indústria açucareira no Brasil, tanto pela experiência comercial, quanto pelo financiamento. c) As atividades mineradoras proporcionaram significativas transformações na economia e na sociedade colonial brasileira. A organização social, até então fundada na vida rural, adquiriu caráter urbano. O eixo econômico, localizado nos grandes centros produtores de açúcar do Nordeste, passou a ser o Centro-Sul do País. A própria capital – Salvador-, foi transferida para o Rio de Janeiro em 1763. d) Contrastando com a região açucareira do Nordeste, que utilizava mão de obra escrava, em Minas Gerais o trabalho de exploração de ouro e diamantes era realizado por homens livres e escravos alforriados. e) Durante a ocupação de Pernambuco no período 16301640, os holandeses adquiriram o conhecimento de aspectos técnicos e organizacionais da indústria açucareira. Foi esse conhecimento que possibilitou a formação de uma indústria concorrente na região do Caribe e culminou com o fim do monopólio brasileiro no mercado de açúcar.
C15 Mineração: conflitos e descoberta do diamante
02. (UFMG) “Congregando segmentos variados da população pobre ou dirigindo-se às áreas de mineração, onde se concentravam enormes contingentes de escravos, as vendeiras e negras de tabuleiro seriam constantemente acusadas de responsabilidade direta no desvio de jornais, contrabando de ouro e diamantes, prática de prostituição e ligação com os quilombos.” FIGUEIREDO, Luciano. O avesso da memória: cotidiano e trabalho da mulher em Minas Gerais no século XVIII. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.
A partir da leitura e análise desse trecho, é CORRETO afirmar que a escravidão nas Minas Gerais se caracterizava por a) um perfil rural e patriarcal, o que fazia com que as cativas e as forras ficassem reclusas, em casa, sob controle masculino. b) uma comunidade igualitária, o que se expressava na liberdade com que os negros circulavam pelas ruas. c) uma grande diversidade de formas de exploração do trabalho escravo, situação característica de um contexto mais urbano. d) uma relativa flexibilidade, o que se expressava no livre trânsito dos comerciantes entre as cidades e os quilombos.
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03. (Acafe SC) A mineração durante o período colonial brasileiro foi uma das frentes que contribuíram para a interiorização da economia e para o surgimento de vilas e cidades no interior. Acerca desse contexto e sobre o ciclo do ouro é correto afirmar, exceto: a) Intensificação das bandeiras de apresamento e escravização dos indígenas que eram a principal mão de obra na exploração do ouro de aluvião e das lavras. b) A ação dos tropeiros contribuiu para o surgimento de um mercado interno. A região mineradora era abastecida por esta atividade com charque e outros derivados da pecuária. c) A Guerra dos Emboabas foi um conflito que resultou das tentativas de controle das minas de ouro descobertas pelos colonos e bandeirantes que desejavam o monopólio da exploração e eram contrários a presença de portugueses e exploradores de outras regiões. d) As casas de fundição exerciam a função de controlar a cobrança do quinto, um imposto sobre o ouro extraído pelos mineradores. O ouro “quintado” era transformado em barras com o selo real português. 04. (UFSC) A peso de ouro Mais do que um recurso natural. Mais do que um artigo de exportação. O que se descobriu em Minas Gerais depois de dois séculos de colonização foi fortuna em estado puro. CARRARA, Angelo Alves. Revista de História da Biblioteca Nacional, nov. 2008. Dossiê Ouro.
Sobre a mineração na América portuguesa, é CORRETO afirmar que 02-04 01. a grande instabilidade social do início da mineração resultou em diversos conflitos armados, sendo o mais conhecido deles a chamada Guerra dos Emboabas. 02. ao contrário da produção açucareira, a exploração das minas de ouro priorizou o trabalho livre em detrimento do uso de mão de obra escrava em função dos frequentes temores de fugas e roubos por parte dos mineradores. 04. com o objetivo de assegurar o controle sobre a exploração do ouro, Portugal assumiu a posse das áreas mineradoras e passou a concedê-las em forma de lotes (datas). 08. a liberdade religiosa, uma das características das sociedades mineradoras, permitiu, ainda no século XVIII, a instalação de muitas igrejas e templos de diferentes religiões europeias e africanas. 16. o crescimento da produção aurífera nas últimas décadas do século XVIII fez com que o governo português reduzisse o controle sobre a cobrança de tributos, garantindo maior tranquilidade política na colônia do Brasil. 32. os artistas setecentistas da região das minas costumavam ser agrupados como representantes de um estilo denominado cubismo mineiro, típico das Minas Gerais.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares
(Laura de Mello e Souza, Norma e conflito: aspectos da história de Minas no século XVIII)
A morte de Felipe dos Santos esteve vinculada a a) uma sublevação em Vila Rica, que envolveu vários grupos sociais, descontentes com a decisão de levar todo ouro extraído para ser quintado nas Casas de Fundição. b) um movimento popular que exigia a autonomia das Minas Gerais da capitania do Rio de Janeiro e o imediato cancelamento das atividades da Companhia de Comércio do Brasil. c) uma revolta denominada Guerra do Sertão, comandada por potentados locais, que não aceitavam as imposições colonialistas portuguesas, como a proibição do comércio com a Bahia. d) uma insurreição comandada pela elite colonial, inspirada no sebastianismo, que defendia a emancipação da região das Minas do restante da América portuguesa, com a criação de uma nova monarquia. e) uma rebelião, que contrapôs os paulistas – descobridores das minas e primeiros exploradores – e os chamados emboabas ou forasteiros – pessoas de outras regiões do Brasil, que vieram atrás das riquezas de Minas. 02. (UEPB) A história do povoamento do interior brasileiro está vinculada à abertura das rotas terrestres a partir do século XVI, que terminaram por levar os portugueses a ter acesso a todas as riquezas minerais existentes nas Minas Gerais. A partir disso, analise as proposições abaixo: I.
II.
III.
A mineração brasileira só contribuiu para o desenvolvimento econômico da metrópole graças a uma rígida política fiscal por esta estabelecida. Para a colônia ficou apenas o peso da exploração: aos escravos cabia unicamente a retirada do ouro, e aos donos dos veios, pagar altíssimos impostos, ficando com diminuta parte voltada para a subsistência. Estrada Real era a denominação das vias que pertenciam à Coroa Portuguesa e eram as únicas que davam acesso à região das Minas Gerais. A circulação de pessoas, mercadorias, ouro e diamante era feita por meiodela e constituía crime de lesa-majestade a abertura de novas vias. A Intendência de Minas (1702) e as Casas de Fundição (1719) eram ações do Estado português na colônia brasileira e visavam dentre outras coisas ao controle da produção aurífera, à distribuição das datas, ao combate ao tráfico e à marcação das barras de ouro com o selo real.
Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões): a) Apenas I e III d) Apenas II b) I, II e III e) Apenas III c) Apenas II e III 03. (UFPA) Nas Minas Gerais do século XVIII, o ouro era extraído pela Coroa Portuguesa com base no trabalho escravo de: a) negros africanos e crioulos, que passavam o dia garimpando como escravos de ganho, voltando para as vistas de seus senhores e feitores à noite. b) negros de origem africana, que eram vigiados por feitores para que não roubassem ou escondessem diamantes. c) negros e índios, que se uniam para explorar os diamantes, dividindo os lucros com seus senhores ou patrões. d) africanos livres, que trabalhavam em regime de liberdade vigiada, já que podiam roubar a parte de seus patrões. e) homens livres pobres e ex-escravos, que dividiam o lucro dos diamantes com seus patrões e com o Estado português. 04. (UFPE) A exploração de diamantes foi uma atividade importante da economia colonial brasileira, ajudando Portugal a aliviar sua dívida externa. De fato, a exploração de diamantes: E-E-C-E-C 00. gerou uma renda superior à da exportação do açúcar. 01. dispensou o uso da mão de obra escrava. 02. fez do Brasil, no século XVIII, o maior produtor do mundo. 03. na região das Gerais, durou todo o século XVIII. 04. adotava uma rígida fiscalização, embora não tenha conseguido evitar o contrabando. 05. (Fei SP) A única alternativa que aponta corretamente dois conflitos ocorridos na região das Minas Gerais é: a) Inconfidência Mineira e Revolta dos Malês. b) Revolta de Filipe dos Santos e Guerra dos Emboabas. c) Guerra dos Emboabas e Conjuração Baiana. d) Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana. e) Revolta dos Malês e Revolta de Filipe dos Santos. 06. (Unirg TO) Dentre as consequências das descobertas de ouro e diamante no Brasil colônia, é INCORRETO afirmar que: a) Ocorreu o desenvolvimento de um novo eixo econômico na Colônia, deslocando as atividades principais da costa litorânea nordestina para o centro-sul, o que determinou a transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. b) Ocorreu um fortalecimento da ocupação e o povoamento da população na área rural, principalmente nas capitanias de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. c) Ocorreu a abertura de estradas e caminhos ligando a região das minas ao porto do Rio de Janeiro o que propiciou a intensificação do comércio, visando, sobretudo, ao abastecimento da região mineradora. d) O mercado consumidor se ampliou e se aqueceu, em decorrência do crescimento populacional da riqueza obtida com o ouro.
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C15 Mineração: conflitos e descoberta do diamante
01. (FGV SP) Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal - conde de Assumar - se casou em 1715 com D. Maria José de Lencastre. Daí a dois anos partiria para o Brasil como governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais. Nas Minas, não teria sossego, dividido entre o cuidado ante virtuais levantes escravos e efetivos levantes de poderosos; o mais sério destes o celebrizaria como algoz: foi o conde de Assumar que, em 1720, mandou executar Felipe dos Santos sem julgamento, sendo a seguir chamado a Lisboa e amargurado um longo ostracismo.
FRENTE
C
HISTÓRIA
MÓDULO C16
nn Sociedade e cultura na América
Portuguesa
nn A sociedade açucareira nn Sociedade mineradora
Figura 01 - “Jogar Capoeira” ou Danse de la Guerre, de Johann Moritz Rugendas, de 1835.
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SOCIEDADE E CULTURA NA AMÉRICA PORTUGUESA A formação e organização da sociedade colonial brasileira teve forte influência da sua própria estrutura econômica, acompanhando suas diversas mudanças, segundo regiões e períodos históricos específicos. Em virtude do modelo produtivo escolhido para dar início à colonização, como já vimos, a sociedade do Nordeste brasileiro, do século XVI, onde se instalou empresa açucareira, era essencialmente ruralizada, patriarcal, elitista, escravista e marcada pela imobilidade social. Já no século XVIII, a sociedade brasileira percebeu transformações significativas. A mineração proporcionou o crescimento populacional, a intensificação e dinamização da vida urbana e o desenvolvimento de outras atividades econômicas a fim de atender às necessidades surgidas da nova realidade econômica da colônia. Na sociedade mineradora, o folguedo e as festas populares dos grupos sociais menos privilegiados conviviam com os saraus e outros eventos promovidos pelas elites. Ao mesmo tempo, a função dos escravos na sociedade colonial se diversificava, e estes se ocupavam do transporte, pequeno comércio (negros de ganho), entre outras atividades, evidenciando um cenário urbano em crescimento. No que diz respeito à educação, a nova elite urbana, que se formou nesse processo, preocupava-se com a educação de seus filhos. Por ainda não haver universidades na colônia, , os jovens da elite eram mandados para a Europa. Isso possibilitou a importação das ideias que estavam em desenvolvimento na Europa, naquele momento, no século XVIII, o que contribuiu em larga escala para a mudança nos rumos políticos que a colônia trilharia no século seguinte. Por mais que a estrutura econômica tivesse influenciado em muitos aspectos a organização social da colônia, suas características básicas seguiam padrões e valores do colonizador português, fundamentados em uma visão de mundo eurocêntrica, na qual se valorizava o homem europeu e sua cultura. No entanto, independentemente da diminuição imposta pelos portugueses, a cultura indígena e africana também contribuíram amplamente para a formação da cultura brasileira.
Fonte: Wikimedia Commons
ASSUNTOS ABORDADOS
Ciências Humanas e suas Tecnologias
A sociedade açucareira
Sociedade mineradora
A sociedade açucareira possuía uma estrutura rígida, de pouca mobilidade social. No topo da sociedade estavam os senhores de engenho exercendo poder sobre a família e outras pessoas que viviam sob seus domínios – o engenho. Nele estava incluso a família, que era regida por um sistema claramente patriarcal. Os senhores, proprietários de terras e de escravos, exerciam grande poder político e econômico. Abaixo deles estava uma camada intermediária composta de homens livres, como religiosos, feitores, capatazes, militares, comerciantes, artesãos e funcionários públicos.
Em relação ao período açucareiro, a sociedade na região das minas era mais urbana, verificando-se alguma mobilidade social. A estrutura patriarcal, a partir de então, estava cada vez mais sujeita a rompimentos, pois era comum que os homens viajassem à procura de ouro, enquanto ficava a cargo das mulheres o controle dos negócios e da casa.
As mulheres não participavam da vida política e possuíam poucos direitos. Tinham a função de administrar a casa, onde deveriam permanecer recolhidas, e controlavam o trabalho dos escravos domésticos. Contudo, esse sistema de caráter tipicamente patriarcal, predominante entre as elites coloniais, nem sempre vigorou. Algumas mulheres comandaram engenhos e estiveram à frente de atividades comerciais.
Nesse cenário, com a formação de pequenos centros urbanos, percebeu-se uma dinamização das atividades desempenhadas não apenas pelos escravos, como também pelos homens livres. Surgiam novos profissionais como alfaiate, artesão, professor e comerciante, os quais passavam a compor as camadas médias urbanas.
Fonte: Wikimedia Commons
No entanto, a sociedade da América portuguesa não se resumia aos grandes engenhos e seus senhores. O poderio masculino e a sujeição feminina eram menos efetivos em outros grupos sociais e existiam diferentes tipos de família. Havia a família dos africanos escravizados, dos indígenas, das concubinas que precisavam sustentar sozinhas os filhos, dos padres com amasiadas e filhos etc. Existia, portanto, um mosaico de modelos familiares na sociedade colonial, em que as mulheres tinham diferentes papéis.
Figura 03 - Escravos em atividades urbanas, por Jean-Baptiste Debret (1820).
Figura 02 - Mulheres e escravos domésticos, retratados por Jean-Baptiste Debret (1820).
A grande maioria da população era composta por africanos escravizados, que estavam na base da estrutura social. Eram tidos como propriedade dos senhores e realizavam todos os trabalhos manuais e extenuantes da colônia. Já os indígenas quase sempre viviam à margem, apesar das tentativas dos missionários jesuítas de integrá-los à sociedade, por meio da catequese. Muitas vezes, acabavam tornando-se também escravos.
O poder político, antes fragmentado nas mãos dos senhores de engenho, passou a ser diretamente controlado pela Coroa portuguesa. No entanto, começavam a germinar ideias de emancipação política, movidas pela consciência da exploração colonial, e principalmente pelas ideias importadas da Europa por aqueles que iam se formar fora do Brasil.
SAIBA MAIS O sucesso da empresa colonial agrícola implantada no Nordeste no século XVI está relacionado à introdução da cultura da cana-de-açúcar, especiaria cultivada em clima tropical que contava com grande mercado consumidor na Europa. A cultura da cana foi o maior êxito experimentado pela economia colonial agrícola. Ela permitiu associar a experiência portuguesa do cultivo da cana nas ilhas do Atlântico Sul à utilização da mão de obra escrava nas colônias africanas, e ao uso de terras férteis da costa do Nordeste para produção de uma cultura tropical que desfrutava de crescente mercado consumidor na Europa.
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C16 Sociedade e cultura na América Portuguesa
Fonte: Wikimedia Commons
Devido à escassez de metais preciosos, era até mesmo concedida a alforria aos escravos mediante pagamento em quantias de ouro. Esse tipo de alforria era inclusive estimulado por intelectuais imbuídos dos ideais que circulavam pela Europa.
História
Exercícios de Fixação
C16 Sociedade e cultura na América Portuguesa
01. (Unifra RS) Na história da formação da sociedade brasileira, o período colonial (1500 – 1822) foi marcado por uma diversidade de saberes e hábitos cotidianos que variaram conforme a região. São consideradas como características desse período histórico, exceto: a) Várias formas de organização familiar, como família extensa e famílias menores, devido às maneiras diversas de constituição das uniões e casamentos. b) A ausência de políticas públicas educacionais e um alto nível de analfabetismo, o que demonstra o quanto esse setor foi negligenciado. c) A produção de periódicos brasileiros ilustrados dedicados ao sexo feminino, com dados sobre vestuário, costumes e culinária. d) A prática do infanticídio e do aborto por parte das escravas, como forma de resistência ao cativeiro. e) A formação de quilombos em diversas regiões do país, como estratégia para fugir e resistir ao processo de escravização sofrido pelos homens e mulheres trazidos da África. 02. (UPE) As sociedades mudam suas práticas sociais e conservam outras através da sua convivência no decorrer do tempo histórico. Na época da colonização portuguesa, havia, no Brasil, uma sociedade marcada pela escravidão e a injustiça social. Nos engenhos produtores de açúcar, a) predominava o trabalho escravo e o poder dos proprietários, sem a interferência da religião, ausente do núcleo de dominação. b) havia mais liberdade social do que nos centros urbanos, devido à presença de núcleos de trabalho livre em quantidade expressiva. c) permaneciam relações de poder patriarcais na vida social, sendo a riqueza produzida importante para Portugal e sua colonização. d) mantinham-se práticas sociais hierarquizadas para os escravos, havendo liberdade para as mulheres. e) existia uma participação dos valores do catolicismo numa luta cotidiana contra a escravidão dominante nas relações sociais. 03. (Unirg TO) O Padre Antônio Vieira pregou aos escravos na Bahia dizendo: “Em um engenho sois imitadores de Cristo Crucificado: porque padeceis de um modo muito semelhante ao que o mesmo senhor padeceu na sua cruz. (...) Cristo despido, e vós despidos, Cristo sem comer e vósfamintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. (...) Eles mandam e vós servis, eles dormem e vós velais; eles descansam, e vós trabalhais; eles gozam o fruto de vossos trabalhos, e o que vós colhei deles é um trabalho sobre o outro.” (XIV Sermão do Rosário. In: VIEIRA, Pe. Antonio. Clássicos. São Paulo: Companhia das Letras/Peguin, 2012, p.22).
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Em sua visão, os homens e mulheres escravizados sofriam bastante, de maneira semelhante ao próprio Jesus Cristo. Assinale corretamente a alternativa que enquadra tal concepção: a) Viera propõe aos escravos e escravas a estratégia da resistência pacífica diante das violências sofridas, o que depois foi retomado por defensores dos direitos dos negros como Martin Luther King Jr. b) O sacerdote propõe reformar a escravidão, ao criticar as injustiças causadas pelos senhores. Ensina que os escravos fossem tratados de maneira mais humana, amorosa, pois eles também são filhos de Deus e devem ser respeitados. c) Vieira está propondo que o sistema colonial continue explorando a mão de obra africana, pois esta exploração é justa e o grande motor do progresso econômico das terras conquistadas pelos portugueses. d) O sacerdote apresenta em seu sermão a visão paternalista da igreja, consolando os homens e mulheres escravizados ao compará-los com Cristo, sem modificar a estrutura da sociedade colonial. 04. (UFG GO) Leia o texto a seguir. Há alguns vocábulos nela (língua tupi) de que não usam senão as mulheres, e outros que não servem senão para os machos; carece de três letras, convém saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta nem peso, nem medida. GÂNDAVO, Pero Magalhães. Do gentio que há nesta Província, da condição e costumes dele e de como se governam na paz. In: História da província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos de Brasil. 1756. Disponível em: <www.dominiopublilco.gov.br>. p. 25. Acesso em: 24 set. 2013. (Adaptado).
O texto do viajante português Pero Magalhães Gândavo relaciona língua e organização social. O tipo de relato e os aspectos da colonização no Brasil expressam-se, no texto apresentado, a) pelo uso da prosa, permitindo o desenvolvimento de um método argumentativo para a comunicação entre os nativos e os colonizadores. b) pela diferenciação dos gêneros dos falantes, sugerindo a presença de uma sociedade matriarcal entre os nativos. c) pelo caráter descritivo, adequando o considerado exotismo nativo às referências europeias para efetivar a colonização cultural. d) pelo conteúdo empírico, buscando complexificar a economia de troca dos tupi-guaranis por meio do ensino de cálculo e planejamento. e) pela utilização da crônica, buscando elaborar um tipo de relato pedagógico e moralizante usado nas encenações teatrais jesuíticas.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Exercícios Complementares 02. (Uepa PA)
Fonte: Wikimedia Commons
01. (UEMG)
São Paulo: Ática. 2.ed - 2007.176p.
Assinale, a seguir, a alternativa cuja citação faz uma referência CORRETAMENTE relacionada à imagem acima apresentada. a) (...) Eram eles os encarregados de todos os serviços urbanos, sobretudo do transporte de mercadorias e passageiros. Constituíam a categoria especial dos negros de ganho, (...) Passavam o dia na rua alugando seus serviços com a obrigação de entregar ao senhor uma renda diária ou semanal previamente fixada, pertencendo-lhes o excedente. (GORENDER, Jacob. O Escravismo Colonial).
b) (...) impossível estabelecer uma única motivação para as alforrias. (...) o número, as motivações, as formas e as características dos alforriados variavam em função de condições específicas, no tempo e no espaço. Estabelecer um padrão típico para as alforrias, principalmente para o período colonial, é muito difícil. (FARIA, Sheila de C. A Mulher africana – alforria e formas de sobrevivência.)
c) (...) pelas próprias características das tarefas desempenhadas, (...) eram aqueles que maior contato tinham como seus senhores, junto dos quais passavam todo dia e mesmo parte da noite, pois deviam estar atentos a qualquer chamado, independente do horário de trabalho. (ALGRANTI, L. M. O feitor ausente: estudo sobre a escravidão urbana no Rio de Janeiro.)
d) (...) mulatos, cabras e crioulos forneciam o grosso dos homens empregados no controle e repressão aos africanos. Eram eles que faziam o trabalho sujo dos brancos de manter a ordem nas fontes, praças e ruas de Salvador, invadir e destruir terreiros religiosos nos subúrbios, perseguir escravos fugitivos através da província e debelar rebeliões escravas onde quer que aparecessem. (REIS, João José. Rebelião escrava.)
(FIGUEIREDO, Luciano, Mulheres nas Minas Gerais. In Del Priore, Mary e Bassanezi, Carla (coord.) História das Mulheres no Brasil, São Paulo: Contexto, 2007. p. 161.)
No contexto da escravidão nas Minas Gerais, as negras do tabuleiro, representadas na imagem acima, evidenciam: a) a presença feminina no pequeno comércio das vilas ao redor da região das Minas e a distribuição de gêneros e alimentos a varejo, vital para o abastecimento da zona mineradora. Tais mulheres sofriam escárnio e ofensas pelo serviço que prestavam e pela condição social que representavam. b) a exploração de negras forras que trabalhavam para seus antigos senhores na condição de “jornaleiros”, isto é, recebiam pela jornada de trabalho. O que explica o fato de elas se manterem na condição social inferior às mulheres brancas e livres que não sofriam abusos nem circulavam nos espaços públicos das Minas. c) a resistência das negras ao modelo de mulher idealizado pelas autoridades religiosas que prescreviam que a mulher negra ou branca, escrava ou livre, deveria se dedicar ao cuidado dos filhos e ao trabalho doméstico. Tais mulheres, por circularem nos espaços públicos, eram consideradas “prostitutas”. d) a flexibilização das redes sociais no espaço das Minas, onde as mulheres, independente de sua condição socioeconômica e racial, podiam circular nas ruas carregando seus filhos e desenvolvendo atividades produtivas, livres de comentários maledicentes, como é o caso das negras do tabuleiro. e) o estigma da escravidão feminina no Brasil atual, que está relacionado ao serviço de vendas de alimentos nas ruas, ao cuidado dos filhos trazidos nas costas, à liberdade de circulação nos espaços públicos e à vulnerabilidade das mulheres a situações de risco e acidentes de trabalho.
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C16 Sociedade e cultura na América Portuguesa
SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil africano.
História
03. (Puc RJ) “Depois de esfolado, toma-o um homem e corta-lhes as pernas, acima dos joelhos, e os braços, junto ao corpo. Vêm então as quatro mulheres, apanham os quatro pedaços, comem com eles em torno das cabanas, fazendo grande alarido, em sinal de alegria”. Hans Staden, 1557
“E são tão cruéis e bestiais, que assim matam aos que nunca lhes fizeram mal, clérigos, frades, mulheres (...). Sujeitando-se o gentio (...), terão os homens escravos legítimos, tomados em guerras justas”. Padre Manoel da Nóbrega, 1558
“Fui à outra aldeia de 150 casas e fiz ajuntar os moços (...). Achei alguns aqui mui hábeis e de tal capacidade que bem ensinados e doutrinados podiam fazer muito fruto, para o que temos necessidade de um colégio nesta Bahia para ensinar os filhos dos índios”. Padre Azpicuelta Navarro, 1551
Sobre as concepções dos colonizadores europeus acerca das populações indígenas com as quais se depararam na América, examine as afirmativas abaixo: I. A criação de escolas e os aldeamentos missionários preparavam os índios para viver em Portugal. II. O canibalismo, ao lado do incesto e da nudez, demonstrava a sua falta de humanidade. III. Os costumes demoníacos e a irreligiosidade justificavam a sua escravização. IV. A vida desregrada e os costumes exóticos justificavam o extermínio dos nativos em guerras justas.
C16 Sociedade e cultura na América Portuguesa
Assinale a alternativa CORRETA. a) Somente I e II são corretas. b) Somente III e IV são corretas. c) Somente I e IV são corretas. d) Somente II e III são corretas. e) Somente I e III são corretas. 04. (Udesc SC) A ideia de família patriarcal, mormente usada para caracterizar a sociedade da América portuguesa constitui alvo de constante discussão e revisão por diferentes historiadores que põem em xeque a generalização desse modelo para toda a sociedade colonial. Assinale a alternativa incorreta, em relação a esta informação. a) A família patriarcal com núcleo central composto pelo chefe da família – o homem, a mulher, os filhos, os netos, além de um núcleo secundário, formado por parentes, afilhados, agregados, amigos, serviçais, escravos, etc. – foi um modelo quase que exclusivo das elites agrárias do Brasil colonial. b) A família patriarcal existiu e foi importante na sociedade colonial, porém é certo que não existiu sozinha. c) Embora o modelo seja verdadeiro e corresponda ao passado familiar da América portuguesa, os modelos de família variaram segundo as heranças culturais, a região, as condições social e jurídica de seus componentes, entre outros. 556
d) Os historiadores discordam da generalização por um único e importante aspecto: a família patriarcal é um modelo válido apenas para a população branca que vivia na América portuguesa; não é válida para os escravos e índios, pois se sabe que essas populações não tinham família. e) A família nuclear – formada pelo pai, a esposa e os descendentes legítimos, sem núcleo secundário – coexistiu com a família patriarcal na América portuguesa; este modelo ainda existe nos dias atuais, embora também não exista sozinho. 05. (UEPB) “O mulato, em diversas ocasiões, foi no Brasil escravocrata o produto de relações por vezes espontâneas entre o colonizador português e a escrava vinda da África. Às vezes estas relações terminavam por envolver afetividade, companheirismo, privilégios para as negras escravas que fossem mães de mulatos filhos do senhor. Outras vezes despertavam ciúmes doentios e de resultados funestos com vinganças ou hostilidades das esposas brancas.” (José D’Assunção Barros. A construção social da cor. RJ. Vozes. 2009. p. 104)
Assinale a alternativa correta: a) Mulatos e negros sempre e em todas as situações ocupavam o mesmo espaço na hierarquia social da colônia. b) A mulher negra raramente sofria a sujeição amorosa ou sexual do branco colonizador. c) O mulato não podia ser criado na casa do senhor branco nem receber nenhuma instrução. d) Os mulatos não tinham as suas fraternidades próprias, participavam exclusivamente das irmandades dos negros. e) O mulato frequentemente expressava o desejo de se afirmar como diferença nova, em separado da diferença negra, vestiam-se de um outro modo, afastavam-se dos marcadores étnicos que poderiam lembrar etnias e nações africanas. 06. (IF GO) Serão cá muito necessárias pessoas que teçam algodão, que cá há muito e outros oficiais. Trabalhe Vossa Reverendíssima por virem a esta terra pessoas casadas, porque certo é mal empregada esta terra em desagrados, que cá fazem muito mal, e já que cá viessem havia de ser aferrolhados na obra de Sua Alteza. Também peça Vossa Reverendíssima algum petitório de roupa, para, entretanto cobrirmos estes novos convertidos, ao menos uma camisa a cada mulher, pela honestidade da Religião Cristã na igreja, porque todos vêm a essa cidade à missa aos domingos e festas, que faz muita devoção e vem rezando as orações que lhes ensinamos e não parece honesto estarem nuas entre os Cristãos na igreja, e quando as ensinamos. Padre Manoel da Nóbrega, “Ao Padre Mestre Simão”, Cartas do Brasil (1549-1560), p. 85.Disponível em: <http://www.brasiliana.usp.br/bbd/ handle/1918/00381610#page/83/mode/1up>. Acesso em: 30 Dez. 2014. [Adaptado]
A produção de cartas, durante o Período Colonial, tornou-se uma rica fonte para se obter conhecimento sobre as relações políticas, econômicas e culturais desse período. A esse respeito, assinale a alternativa correta. a) Ao perceber a data de produção do documento, podemos afirmar que a ação dos jesuítas só aconteceu muito tempo depois da instalação dos colonizadores portugueses no Brasil.
Ciências Humanas e suas Tecnologias
07. (IF PE) Entre os séculos XVI e XIX, milhares de africanos foram desembarcados no Brasil, para trabalharemcomo escravos em diversas atividades, como o plantio de cana, a produção do açúcar, a pecuária etc. Estes homens, mulheres e crianças eram transportados nos chamados navios negreiros ou tumbeiros, que não possuíam condições favoráveis de viagem, fazendo com que cerca de 20% deles morressem durante o trajeto. Sobre a vinda dos negros e sua vida no Brasil, analise as seguintes proposições. I. Amontoados nos porões dos navios, os africanos, durante o percurso, tinham que permanecer sentados, acorrentados uns aos outros, praticamente sem condições de se moverem. II. A violência contra os escravos era mais comum nas grandes lavouras, na zona rural do país. Já nos núcleos urbanos a relação entre senhores e cativos era pacífica. III. Os quilombos foram uma forma de resistência dos escravos ao cativeiro, que consistiam em comunidades escondidas em locais distantes, como florestas e serras. IV. Os escravos urbanos tinham mais liberdade para se locomover, sem a vigilância do senhor de engenho ou do feitor, pois trabalhavam muitas vezes comércio nas cidades. Estão corretas, apenas: a) I, II e III d) I e IV b) I, III e IV e) II e III c) I, II e IV 08. (Uem PR) No período colonial, predominava no Nordeste brasileiro uma sociedade patriarcal. Sobre essa sociedade é correto afirmar que: 02-04-16 01. Na sociedade patriarcal, prevalecia a democracia familiar, em que os problemas econômico-sociais eram resolvidos pelos pais e pelos filhos com idade acima de 18 anos. 02. Cabiam à mulher os trabalhos domésticos e a educação dos filhos nos preceitos cristãos. 04. A sociedade patriarcal se organizava em torno da figura do Senhor de Engenho e o engenho, ou a grande fazenda, era mais que uma unidade produtiva, polarizando a vida social. 08. Na sociedade patriarcal predominava o trabalho assalariado; contudo, os trabalhos domésticos eram realizados por escravos. 16. Por meio do compadrio se estabelecia uma rede de parentesco que promovia dependências e privilégios entre os grandes proprietários de terras. 09. (FGV RJ) De qualquer modo, o que se sabe ao certo é que estas aldeias não constituíam povoados fixos e permanentes, pois, após
alguns anos, os grupos tendiam a mudar-se para um novo local [...] Diversos motivos podiam contribuir para o deslocamento de uma aldeia: o desgaste do solo, a diminuição das reservas de caça, a atração de um líder carismático, uma disputa interna entre facções ou a morte de um chefe. MONTEIRO, J. Negros da terra - Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 22.
Considerando o texto acima, indique a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre os povos indígenas do Brasil na época colonial. a) Apesar de haver uma maioria de povos nômades ou seminômades, na região de São Paulo de Piratininga, foram encontrados núcleos de agricultores sedentários, o que permitiu o estabelecimento dos jesuítas. b) A questão da utilização da mão de obra indígena foi um dos aspectos de concordância entre as práticas coloniais dos jesuítas e os interesses dos colonos laicos, sobretudo na região Sudeste. c) As unidades independentes indígenas estavam articuladas num complexo sistema de representação de cada aldeia que formava uma confederação de tribos sob o comando de uma elite guerreira. d) Os deslocamentos em busca de novas áreas para o estabelecimento das aldeias eram decididos em assembleias tribais, nas quais as mulheres indígenas tinham direito a expressar suas opiniões. e) Apesar de liderar a formação de novas unidades, os chefes raramente obtinham privilégios ou posição social diferenciada, não raro, trabalhando ao lado de seus seguidores e parentes. 10. (UECE) Leia atentamente os excertos a seguir: “Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”; André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p.89.
“A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas”. Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro. José Olímpio editora, 1984. p. 119.
Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente que os dois trechos acima tratam a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e privilégios das classes dominantes. b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica que tornou iguais todos os brasileiros. c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da população brasileira em razão dos interesses das elites. d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil. 557
C16 Sociedade e cultura na América Portuguesa
b) A convocação de pessoas casadas, exposta no documento, demonstra que a Igreja tinha por objetivo empreender a colonização de povoamento, como já ocorria na América do Norte. c) Conforme o texto, a ausência de conflito entre os europeus e os indígenas invalida a historiografia que assinala o massacre da população indígena a partir da colonização. d) Mesmo interferindo na fé e nos costumes, não podemos afirmar que a catequização empreendida pelos jesuítas anulou a influência indígena na formação do povo brasileiro. e) O pedido de roupas exposto na carta nos permite afirmar que as demandas dos colonizadores oficializaram a criação de manufaturas durante todo o período colonial.
FRENTE
C
HISTÓRIA
Exercícios de Aprofundamento 01. (UFPB) No Brasil colonial, mesmo com a predominância da lavoura açucareira e da mineração, outras atividades econômicas foram desenvolvidas. Sobre essas atividades, consideradas complementares, é correto afirmar que: a) O fumo ganhou destaque e chegou a substituir o açúcar em grandes propriedades do litoral. Era utilizado, principalmente, como elemento de troca por produtos manufaturados na Inglaterra. b) A pecuária desenvolveu-se, desde o seu início, nos grandes criatórios do litoral nordestino e do interior do Sudeste. Foi responsável pela expansão da escravidão para todo o Brasil. c) A aguardente, também conhecida como droga do sertão, era produzida nas capitanias do Norte (hoje Nordeste). Transformou-se no produto de exportação mais importante da região. d) O algodão, no séc. XVI, era plantado, principalmente, na capitania de Itamaracá. A maior parte da produção, nesse período, era utilizada para a confecção de tecidos rústicos destinados aos escravos. e) O cacau, produzido na Amazônia e no Cerrado, ganhou destaque nos séculos XVI e XVII. A sua projeção no mercado decorreu da grande difusão do chocolate no continente asiático. 02. (UFRRJ) “Imediatamente em seguida ao açúcar, quanto à sua importância, a lavoura do fumo ocupa o segundo lugar na economia colonial”.
de mudanças no Brasil Colonial. A esse respeito, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01-02-08 01. Na economia açucareira nordestina dos séculos XVI e XVII, a vida social e política girava em torno dos engenhos, um ambiente caracteristicamente rural, enquanto o ciclo minerador propiciou um rápido desenvolvimento da vida urbana. 02. As regiões auríferas viveram, inicialmente, graves crises provocadas por falta ou por escassez de víveres, pois o deslocamento de grande número de mineradores para a região não foi acompanhado do desenvolvimento simultâneo de um sistema de abastecimento bem articulado. 04. O ouro de aluvião, que pode ser explorado pelo método da faiscação, contribuiu para que ocorresse uma diminuição do número de escravos no Brasil. 08. O ciclo do ouro possibilitou um desenvolvimento das artes, com destaque para a arquitetura barroca e a literatura. 16. Em razão do “pacto colonial” entre colônia e metrópole, todo o ouro produzido pelos brasileiros destinou-se aos cofres da Inglaterra. 04. (Puc Campinas SP) Considere a foto abaixo. Foto do Convento de Mafra, tirada em 1969. A larga escadaria conduz à entrada do Palácio e Mosteiro de Mafra, erguido em 1716 e 1735.
(Alice Canabrava, A Grande Propriedade Rural, em História Geral da Civilização Brasileira, TOMO I, vol. 2, São Paulo: DIFEL, 1968, p. 211).
Esse papel de destaque ocupado pela produção fumageira na América Colonial Portuguesa pode ser explicado, em boa parte, a) pela importância do produto no mercado asiático na troca por especiarias e seda, entre outros. b) pelo seu consumo na própria área colonial, principalmente por escravos que se distraíam mascando e fumando enquanto se dedicavam às suas tarefas. c) pelo interesse despertado por ele nas áreas coloniais espanholas de extração mineral, servindo àquele comércio que ficou conhecido como “peruleiro”. d) pelo comércio com as áreas coloniais inglesas na América do Norte, onde era trocado por alimentos como pescado e arroz. e) pela sua utilização, assim como a aguardente, no escambo de escravos negros na costa africana. 03. (Uem PR) Na última década do século XVII, os portugueses encontraram ouro no centro-oeste do Brasil. Esse fato marcou o início da ocupação daquela região e desencadeou uma série 558
(In: Gislane Azevedo e Reinado Seriacopi. História. São Paulo: Ática, 2005, p. 276 [Serie Brasil])
O conhecimento histórico permite afirmar que a construção do convento, retratado na foto, coincidiu com um período de prosperidade em Portugal, proporcionado principalmente a) pelo maior desenvolvimento da América portuguesa: a exploração do ouro em Minas Gerais dinamizou as atividades econômicas na colônia. b) pela pesada carga tributária imposta sobre a população portuguesa e pela riqueza acumulada pelo Estado com o tráfico de escravos africanos.
Ciências Humanas e suas Tecnologias Gabarito questão 05 a) O motivo para a deflagração do conflito está na disputa entre paulistas e emboabas – forasteiros, provenientes tanto de Portugal quanto de outras Capitanias – pelo controle político e econômico da região das Minas. À reivindicação de direitos e privilégios especiais (os quais seriam oriundos da conquista da região, e incluiriam o monopólio dos mais importantes cargos administrativos) reclamados por paulistas, os emboabas respondiam com sua influência proveniente do domínio das atividades mercantis que, gradativamente, passaram a financiar a exploração do ouro. Esse processo teve como consequência o acirramento das tensões e os conflitos armados entre os dois grupos rivais.
05. (UFG GO) As regiões mineratórias do Brasil colonial se constituíram em espaços marcados pela experiência do conflito e da violência entre os diversos grupos sociais que as habitavam. A Guerra dos Emboabas (1707-1709) é um dos principais exemplos dessa experiência de conflito. Tomando como base esse acontecimento, explique: a) o motivo para a deflagração do conflito. b) a ação da Coroa Portuguesa diante dos conflitos entre emboabas e paulistas. 06. (Uncisal AL) Observe a figura abaixo
Preso ao tronco escravo é impiedosamente chicoteado sob o olhar do fazendeiro. Desenho de Angelo Agostini, publicado na Revista Ilustrado.
Os escravos começaram a chegar à América portuguesa ainda no século XVI, para trabalhar principalmente, nos engenhos de açúcar. A partir do século XVII o tráfico negreiro aumentou de modo considerável nas fazendas. O tratamento dispensado aos escravos era extremamente desumano. O jesuíta André João Antonil, em seu livro Cultura e Opulência do Brasil, publicado em 1711, escreveu que “os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho no Brasil”. Prossegue ele mais adiante: “costumam dizer que para o escravo são necessários três P, a saber: pau, pão e pano”, ou seja, para continuar trabalhando bastariam ao cativo castigos físicos, comida escassa e alguma roupa. Nessas condições, os escravos procuravam, de diversas maneiras, reagir ao cativeiro. Considerando o contexto político-social da época, essa reação ao cativeiro revela: I. alguns escravos quando escapavam da vigilância do feitor, reduziam seu ritmo de trabalho ou paralisavam a produção; II. muitas mulheres grávidas, não querendo que seus filhos vivessem na escravidão, praticavam aborto; III. a destruição das ferramentas, o incêndio das plantações etc.; IV. as tentativas de assassinato dos senhores e feitores;
V.
as fugas se tornaram tão frequentes que fizeram surgir a figura do capitão do mato, profissional treinado para capturar e devolver ao proprietário o escravo fugitivo. Quais itens são verdadeiros? questão 05 a) Apenas I, IV e V. Gabarito b) A violência era uma característica das regiões de exploração aurífera. Nesse sentido, a presença contínua b) Apenas III e IV. da violência fazia com que a Coroa Portuguesa deixasse c) Apenas II, III, IV e V. que os conflitos, tais como o ocorrido entre paulistas e emboabas, fossem resolvidos pelos próprios contend) Apenas I, II e III. dores, desde que isso não implicasse na interrupção da produção aurífera e na queda da arrecadação do quinto. e) I, II, III, IV e V. Na maioria dos casos, a intermediação, nem sempre eficaz, era realizada pelo governador da capitania.
07. (Enem MEC) Próximo da Igreja dedicada a São Gonçalo nos deparamos com uma impressionante multidão que dançava ao som de suas violas. Tão logo viram o Vice-Rei, cercaram-no e o obrigaram a dançar e pular, exercício violento e pouco apropriado tanto para sua idade quanto posição. Tivemos nós mesmos que entrar na dança, por bem ou por mal, e não deixou de ser interessante ver numa igreja padres, mulheres, frades, cavalheiros e escravos a dançar e pular misturados, e a gritar a plenos pulmões “Viva São Gonçalo do Amarante”. (BARBINAIS, Le Gentil. Noveau Voyage autour du monde. Apud: TINHORÃO, J. R. As festas no Brasil Colonial. São Paulo: Ed. 34, 2000 – Adaptado)
O viajante francês, ao descrever suas impressões sobre uma festa ocorrida em Salvador, em 1717, demonstra dificuldade em entendê-la, porque, como outras manifestações religiosas do período colonial, ela a) seguia os preceitos advindos da hierarquia católica romana. b) demarcava a submissão do povo à autoridade constituída. c) definia o pertencimento dos padres às camadas populares. d) afirmava um sentido comunitário de partilha da devoção. e) harmonizava as relações sociais entre escravos e senhores. 08. (Fuvest SP) No século XVIII a produção do ouro provocou muitas transformações na colônia. Entre elas podemos destacar: a) A urbanização da Amazônia, o início da produção do tabaco, a introdução do trabalho livre com os imigrantes. b) A introdução do tráfico africano, a integração do índio, a desarticulação das relações com a Inglaterra. c) A industrialização de São Paulo, a produção de café no Vale do Paraíba, a expansão da criação de ovinos em Minas Gerais. d) preservação da população indígena, a decadência da produção algodoeira, a introdução de operários europeus. e) O aumento da produção de alimentos, a integração de novas áreas por meio da pecuária e do comércio, a mudança do eixo econômico para o Sul. 09. (Unificado RJ) Assinale a opção que caracteriza a economia colonial estruturada como desdobramento da expansão mercantil européia da época moderna. a) A descoberta de ouro no final do século XVII aumentou a renda colonial, favorecendo o rompimento dos monopólios que regulavam a relação com a metrópole. 559
FRENTE C Exercícios de Aprofundamento
c) pela transferência da Corte portuguesa para o Brasil, que contribuiu para que o comércio externo da colônia fosse feito sem intermediação inglesa. d) pelo desenvolvimento da nova agroindústria de exportação na colônia portuguesa na América: cultura cafeeira no Vale do rio Paraíba. e) pela participação da Igreja católica no processo de colonização, que favoreceu a exploração econômica da colônia pelo Estado metropolitano.
História
b) O caráter exportador da economia colonial foi lentamente alterado pelo crescimento dos setores de subsistência, que disputavam as terras e os escravos disponíveis para a produção. c) A lavoura de produtos tropicais e as atividades extrativas foram organizadas para atender aos interesses da política mercantilista européia. d) A implantação da empresa agrícola representou o aproveitamento, na América, da experiência anterior dos portugueses nas suas colônias orientais. e) A produção de abastecimento e o comércio interno foram os principais mecanismos de acumulação da economia colonial. 10. (UFMG) Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre a tributação do ouro nas Minas no período colonial. EXCETO a) A derrama era a cobrança dos impostos atrasados quando não eram preenchidas as cotas anuais. b) A tributação do ouro se verificou inicialmente sob a forma de cobrança por bateias. c) O imposto da Capitação recaía sobre todo escravo empregado nos trabalhos auríferos. d) O ouro passou a ser quintado somente a partir da instalação das Casas de Fundição. e) O quinto correspondia a uma porcentagem sobre a produção paga pelos mineradores. 11. (Gama Filho RJ) As regiões mineradoras apresentaram, no período colonial, características que a diferenciam de outras regiões colônia como:
FRENTE C Exercícios de Aprofundamento
a) Concentração de terras (datas) em mãos de poucos comerciantes portugueses. b) Regime fiscal flexível e pequena intervenção do Estado nas atividades econômicas. c) Intensa vida social e áreas urbanas como centros das atividades econômicas. d) Predominância de trabalhadores livres na exploração do ouro. e) Rígido controle da Coroa sobre os fluxos migratórios e limitação de acesso a essas regiões.
b) O relaxamento na política de distribuição de terra na colônia e a vigência de uma concepção racionalista de planejamento das cidades. c) A diversificação das atividades produtivas na colônia e a construção de um conjunto artístico e arquitetônico que singularizou a principal região de mineração. d) O deslocamento do eixo produtivo do nordeste para as regiões centrais da colônia e o desenvolvimento de uma estética que procurava reproduzir as construções românticas européias. e) A expansão do território colonial brasileiro e a introdução, em Minas, da arte conhecida como gótica, especialmente na decoração dos interiores das igrejas. 13. (UFC CE) Leia o texto abaixo e responda as perguntas a seguir: Destes atritos e malquerenças, a primeira manifestação pública explodiu nas terras do ouro com a chamada guerra dos Emboabas, uma das designações dos reinóis na língua geral. [...] Os paulistas afetavam profundo desprezo pelo emboaba, tratavam-no por vós, como se fora escravo, informa o cronista destes sucessos. ABREU, Capistrano de. Capítulos de História colonial. 6. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976, p. 148-149.
a) Qual a ligação dos paulistas com a descoberta de ouro na colônia? b) Qual a motivação específica dos “atritos”, “malquerenças” e “desprezo” entre paulistas e emboabas? c) Em 1789, ocorreu, também na região de Minas Gerais, a organização de um movimento revoltoso contra a Coroa portuguesa. Sobre este movimento, responda o que se pede. I. Por qual nome ficou conhecido o movimento? II. Qual a motivação imediata do movimento? 14. (Unifor CE) A Economia Mineira no Brasil, no século XVIII, desenvolveu-se a partir da descoberta de ouro e diamantes nas Gerais. Os homens do Piratininga foram essenciais pelo conhecimento do território e Portugal providenciou ajuda técnica. Sobre este período da História do Brasil, podemos afirmar que
12. (Puc SP) “Assim confabulam, os profetas, numa reunião fantástica, batida pelos ares de Minas. Onde mais poderíamos conceber reunião igual, senão em terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor? ”
a) a descoberta de Ouro no Brasil não provocou processo de
Andrade, C.. Drummond de, “Colóquia das Estátuas”. In: Mello, S., Barroco Mineiro, S. Paulo, Brasiliense, 1985.
c) a organização da Economia mineira estava baseada na
A origem desse traço contraditório que o poeta afirma caracterizar a sociedade mineira remete a um contexto no qual houve. a) A reafirmação bilateral do Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha e o crescimento da miscigenação racial no ambiente colonial.
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imigração de Portugal para o Brasil, pois a quantidade de ouro não era significativa. b) o trabalho escravo não foi importante nesta etapa da economia brasileira, pela natureza da mineração. incerteza, mobilidade da empresa, alta lucratividade e especialização. d) o abastecimento de alimentos e outros foi facilitado pelo transporte fluvial e pela geografia da Região das Minas. e) o declínio da produção de ouro e a consequente estagnação da economia se deu na segunda metade do século XIX.
Q. 13 A descoberta de ouro no Brasil está ligada à interiorização da colonização por meio das bandeiras, que eram grupos de exploração organizados pelos colonos da capitania de São Paulo, no século XVII. A descoberta do ouro atraiu para a região do atual estado de Minas Gerais um grande número de mineradores e aventureiros, vindos de outras capitanias e de Portugal. Os paulistas, considerando injusto que os que chegaram depois, especialmente os portugueses, tivessem os mesmos direitos de exploração do ouro que eles, reivindicaram à Coroa portuguesa que a outorga de concessão de exploração do território aurífero fosse exclusivamente feita pelas autoridades da Capitania de São Paulo. A recusa da Coroa em atender a esta reivindicação agravou ainda mais a disputa já existente entre paulistas e “emboabas”, que era como aqueles designavam os forasteiros, terminando por desencadear um violento conflito, conhecido como a Guerra dos Emboabas. Em 1789, nova agitação político-social ocorre na zona de mineração. O declínio da produção aurífera em Minas Gerais fez com que a Coroa portuguesa estabelecesse a derrama, uma taxação compulsória segundo a qual a população deveria completar a cota de 100 arrobas (1 500 quilogramas) de ouro, prevista na lei como arrecadação anual mínima da tributação metropolitana, quando esta não era atingida. Em reação a isso, um grupo de descontentes com o domínio português arquitetou uma conspiração, denominada Inconfidência Mineira, com o objetivo de fazer de Minas Gerais um país independente. Disso podemos concluir que tanto a Guerra dos Emboabas como a Inconfidência Mineira tiveram como motivação as queixas de brasileiros contra a legislação que regia a atividade mineradora na colônia, por eles considerada injusta.