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Alfredo Boulos Júnior

História Sociedade & Cidadania VOLUME 1

PARTE I



Alfredo Boulos Júnior Doutor em Educação (área de concentração: História da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Ciências (área de concentração: História Social) pela Universidade de São Paulo. Lecionou na rede pública e particular e em cursinhos pré-vestibulares. É autor de coleções paradidáticas. Assessorou a Diretoria Técnica da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – São Paulo.

História Sociedade & Cidadania VOLUME 1 – PARTE I

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Copyright © Alfredo Boulos Júnior, 2017 Diretor editorial Gerente editorial Editora Editores assistentes Assistente editorial Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Gerente de arte Coordenadora de arte Projeto gráfico Projeto de capa Supervisor de arte Editores de arte Diagramação Tratamento de imagens Coordenadora de ilustrações e cartografia Ilustrações Cartografia Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Iconografia Licenciamento de textos Supervisora de arquivos de segurança Diretor de operações e produção gráfica

Lauri Cericato Flávia Renata P. A. Fugita Cibeli de Oliveira Chibante Bueno João Carlos Ribeiro Jr., Maiza Garcia Barrientos Agunzi Carolina Bussolaro Marciano Suélen Rocha M. Marques, Leslie Sandes, Juliana Marques Morais Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Ricardo Borges Daniela Maximo Casa Paulistana Bruno Attili, Casa Paulistana Vinícius Fernandes dos Santos Felipe Borba, Lye Nakagawa Anderson Sunakozawa, Carolina Ferreira, Dayane Martins, Débora Jóia, Claritas Comunicação, Helena Mariko, Ponto Inicial Eziquiel Racheti Marcia Berne Alex Argozino, Getulio Delphim, Ilustra Cartoon, Luis Moura, Manzi, Mozart Couto, Rmatias, Roberto Melo Alexandre Bueno, Carlos Vespucio, Renato Bassani Lilian Semenichin Viviam Moreira Aline Araújo, Felipe Bio, Fernando Cardoso, Rita Lopes Elaine Bueno Daniel Cymbalista, Erika Nascimento, Graciela Naliati Andre Luis da Mota, Mayra Ribeiro Silvia Regina E. Almeida Reginaldo Soares Damasceno

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Boulos Júnior, Alfredo 360º história sociedade & cidadania : volume 1 / Alfredo Boulos Júnior. — 1. ed. — São Paulo : FTD, 2017. ISBN 978-85-96-01028-3 (aluno) ISBN 978-85-96-01029-0 (professor) 1. História (Ensino médio) I. Título. 17-03405

CDD-907 Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino médio 907

1 2 3 4 5 6 7 8 9 Envidamos nossos melhores esforços para localizar e indicar adequadamente os créditos dos textos e imagens presentes nesta obra didática. No entanto, colocamo-nos à disposição para avaliação de eventuais irregularidades ou omissões de crédito e consequente correção nas próximas edições. As imagens e os textos constantes nesta obra que, eventualmente, reproduzam algum tipo de material de publicidade ou propaganda, ou a ele façam alusão, são aplicados para fins didáticos e não representam recomendação ou incentivo ao consumo. Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD.

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Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Apresentação Caro(a) aluno(a), Um dia desses coloquei-me no seu lugar e fiquei pensando em como você iria se sentir no primeiro contato com este livro de História. Imaginei, então, algumas perguntas que você faria: “Será que esse livro é chato?”; “Será que é bacana?”; “Será que eu vou começar a gostar de História?”; “Será que vou continuar gostando de História?”; “Será que tem o que eu preciso aprender para passar no Enem e/ou Vestibular?”. Isto sem contar aquelas perguntas de sempre, que alguns certamente farão: “mas para que serve a História?”; “Pra que eu tenho de saber ‘o que já passou’?”. Olha, vamos imaginar que você esteja debatendo com os seus colegas sobre um assunto do seu gosto, seja qual for: amor, saúde, esporte, viagem, festa, um show que vai estrear, ou outro assunto qualquer. Pois bem, se você quiser compreender melhor qualquer um desses assuntos (e argumentar com mais segurança) é só lembrar que todos eles possuem uma história, que faz parte de outras tantas histórias, passadas e presentes. Ou seja, a História lhe dá o privilégio de debater qualquer assunto em uma perspectiva temporal; e isto a distingue das demais disciplinas. Aprender a pensar historicamente vai ajudá-lo(a) a se compreender melhor, a entender o seu meio social e o mundo em que você vive. Vai ajudá-lo(a) também a perceber as mudanças em um mundo em que elas ocorrem numa velocidade jamais imaginada; e, ao mesmo tempo, a captar aquilo que continua parecido ao que era no tempo em que nossos avós eram crianças. Assim, aos poucos, você vai ganhar condições de enfrentar esse mundo ligado em rede, no qual, e por isso mesmo, temos de estar o tempo todo “conectados”. Em resumo: a História vai ajudá-lo(a) a compreender em vez (ou antes) de julgar. Mas, então, eu devo estudar História somente porque ela é útil? Também; mas não só. O estudo da História nos permite ainda conhecer a aventura humana sobre a Terra. E isto é uma fonte de prazer. Bem, já falei demais para uma apresentação (nós, professores, geralmente nos entusiasmamos quando temos a palavra). Agora eu quero convidá-lo(a) a folhear e, depois, a ler o livro que fizemos com carinho e para você! O Autor

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Muito tempo depois... Em meados do século XX os seres humanos descobriram a internet, que, inicialmente, era usada somente para fins militares. No início dos anos de 1970, os seres humanos desenvolveram a tecnologia da telefonia celular, fato que impactou fortemente a vida social. Ariel Skelley/Blend Images/Easypix

San Rostro/age fotostock/Easypix

Robert Harding/Image Forum

UNIDADE

Técnicas, tecnologias e vida social

Abertura de unidade

Acima, imagem de uma teleconferência. Abaixo, jovem acessando a internet pelo celular.

Acima, mulheres colhendo e cortando alimento para animais. Etiópia, 2015. À direita, mulher em plantação de uvas. Champagne, França, 2012.

fonia celular (representadas nesta página) podem ser consideradas mais importantes do que o domínio da agricultura? » Será que as conquistas recentes in-

Ao longo de milênios os seres humanos foram desenvolvendo técnicas e tecnologias com as quais foram vencendo desafios e se multiplicando. Uma de suas primeiras conquistas importantes foi a técnica de fazer o fogo, o que lhes permitiu iluminar cavernas, cozinhar alimentos, proteger-se do frio e manter os animais afastados. Tempos depois, desenvolveram a técnica da agricultura (cultivo intencional de alimentos). O domínio do fogo e o advento da agricultura se deram durante o período conhecido como Pré-História, que vai do aparecimento dos primeiros seres humanos sobre a Terra, por volta de 2 milhões a.C., até a invenção da escrita, em cerca de 3000 a.C.

Tecnologia:

palavra de origem grega com significado abrangente. Dependendo do contexto, a tecnologia pode significar: máquinas e/ ou ferramentas; um método de produção; a aplicação de determinados recursos para se resolver um desafio; o estágio de conhecimento de uma determinada cultura.

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» As conquistas da internet e da tele-

Christin Gilbert/age fotostock/Easypix

Cada unidade é iniciada com uma abertura em página dupla. Nessas aberturas são apresentados, por meio de imagens e textos, os temas que serão trabalhados.

fluenciaram mais a vida social do que as antigas? » Se o domínio do fogo e da agricultura

foram tão importantes para a humanidade, por que então chamar de Pré-História o tempo em que essas conquistas aconteceram? UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

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Abertura de capítulo

História, cultura, patrimônio e tempo

As aberturas dos capítulos propõem a discussão dos temas que serão trabalhados nas páginas seguintes.

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bikeriderlondon/Shutterstock/Glow Images

Thais Falcão/Olho do Falcão

Fernando Favoretto/Criar Imagem

Observe as imagens a seguir. 1

DIALOGANDO a) O que se pode observar quanto ao papel do idoso na família chinesa, com base nesta foto? b) Você considera a família importante para a manutenção do equilíbrio social? c) Qual a importância da família na sua vida?

Desafios propostos ao longo do texto para discutir imagens, gráficos, tabelas e textos.

» Que diferenças você percebe na maneira de se comunicar, de se vestir e de

namorar dos jovens que aparecem nas fotos? UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

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Contrário ao espírito de competição adotado pela nobreza, Confúcio propunha relações baseadas no respeito à tradição, na tolerância e no culto aos antepassados. Para ele, a família constituía a base da sociedade. E a família ideal era aquela em que os jovens respeitam os mais velhos, os filhos obedecem aos pais, a esposa obedece ao marido e aos sogros, e o imperador cultua seus antepassados.

Dialogando

Observando essas quatro imagens, podemos perceber algumas mudanças relacionadas à tecnologia, ao modo de se vestir e de namorar. Segundo historiadores especializados no estudo do presente, algumas dessas mudanças – como as tecnológicas – vêm se processando em alta velocidade e têm causado um grande impacto nas nossas vidas, alterando os modos como a gente se comunica, estuda, trabalha e namora.

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Família chinesa reunida para a refeição em fotografia de 2013. Note a presença de pessoas de três gerações, fato comum nos lares chineses.

Dica! Documentário que aborda os ensinamentos e a filosofia do confucionismo e do taoismo. [Duração: 48 minutos]. Acesse: <http://ftd.li/8cf6vx>.

Glossário

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Tao:

o significado da palavra tao é objeto de debates entre os estudiosos; a versão mais aceita é a de que signifique “caminho”.

Explicação de um termo-chave ou conceito.

DIALOGANDO Por que será que os imperadores Han transformaram o confucionismo em religião oficial do império e perseguiram o taoismo?

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Para refletir

Xixinxing/Getty Images

Capítulo 1

H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Getty Images

Conheça o seu livro

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Ao longo do tempo, observou-se uma seleção e apropriação das ideias de Confúcio por parte do Império Chinês; os Han, por exemplo, diziam que, assim como os filhos devem obedecer aos pais, o povo deve ser obediente ao imperador. No século II a.C., o confucionismo tornou-se a doutrina oficial do Império Chinês e matéria obrigatória dos concursos públicos. Da China, o confucionismo se expandiu para outras áreas do Oriente, especialmente Japão, Coreia e Vietnã.

O taoismo A China antiga viu florescer também o taoismo, filosofia cujas bases estão contidas no Tao te ching, o livro do caminho e da virtude, atribuído ao pensador Lao Tse (século VII a.C.). O taoismo se opõe à ostentação e ao luxo e propõe uma vida simples e em harmonia com a natureza; só aquele que vive com simplicidade é feliz e pode atingir o Tao. Essas ideias, provavelmente, contribuíram para atrair trabalhadores do campo e das cidades para as fileiras do taoismo e para torná-lo popular na China. A valorização de uma vida em permanente contato com a natureza inspirou a pintura de paisagens. O taoismo propõe uma vida que alterne rotinas de trabalho com descanso e lazer. Segundo o taoismo, tudo o que ocorre no Universo resulta de diferentes interações, combinações entre o yin e o yang, duas forças/ energias opostas e complementares. Essa visão se aplica também ao corpo humano, o que ajuda a explicar por que ele serviu de base para a acupuntura, uma técnica da medicina tradicional chinesa.

UNIDADE 2 | CIDADES: PASSADO E PRESENTE

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Mapa do comércio transaariano (século X) Túnis Mar M

Equador

d) A que tempo o mapa se refere? e) Em grupo. Debatam, reflitam e respondam. Sua observação do mapa e seus estudos sobre a África confirmam ou negam a ideia de uma África “sem história”? Postem o resultado da sua reflexão no blog da turma.

OCEANO ATLÂNTICO

Fezzan Ghat

AIR Bilma Takedda Gao Agadés Lago HAUSSÁ

lo

Rio Ni

Tombuctu GANA

o e lh er m rV

c) Como essas informações estão representadas?

Allmaps

Argel

TUAT Taodeni

âncer Idjill Teghazza

Awill Galam Cabo Verde Futa Jalon Serra Leoa

r ge Ní

b) Que outras informações importantes o mapa nos fornece?

Trópico de C

Ma

a) Qual o assunto do mapa?

20º L

EUROPA

Fez KAIRUAN editerr âneo Marrakesh MARROCOS IFRIQIYA Trípoli TAFILELT Cairo Ghadames EGITO

Observe o mapa com atenção:

Chade

Oió AKAM BENIN Ibo Ifé Fernando Pó Golfo da Guiné

Suakin

ÁSIA

Rotas comerciais transaarianas

od Golf

de

n

SIDAMA LAGOS

Lago Vitória

OCEANO ÍNDICO

CONGO LUANDA LUBA Lago Malaui

Limites aproximados do deserto Limites aproximados da floresta

ETIÓPIA

DARFUR

Congo Rio

GRANDE ZIMBÁBUE Trópico de Capricórnio

MONOMOTAPA

MA DA GA SC AR

Para refletir

o Ri

Uma seção que traz textos estimulantes sobre os conteúdos estudados e propõe a discussão sobre esses temas.

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Sahel Maiores fontes de ouro Maiores fontes de sal Maiores fontes de noz-de-cola

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Fonte: MELLO E SOUZA, Marina de. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 13.

Impérios do Sahel

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A partir do século VII, com a expansão dos árabes muçulmanos no norte da África, os berberes do deserto foram islamizados e, enquanto levavam e traziam suas mercadorias, difundiram o islamismo entre os povos negros da África ocidental; em alguns casos, a religião de Maomé se impôs, em outros se mesclou às religiões tradicionais da região, ocorrendo mais uma africanização do islamismo do que propriamente uma islamização dos africanos. Foi justamente na África ocidental marcada pela mescla do islamismo com religiões tradicionais africanas que se formaram dois importantes impérios africanos sudaneses: o de Gana e o do Mali, apresentados a seguir.

Para saber mais No trecho a seguir, o historiador Marcelo Rede, professor de História Antiga da Universidade de São Paulo, fala sobre os poemas épicos atribuídos a Homero.

O Império de Gana

Ilíada e Odisseia

Situado no ocidente africano, ao norte dos rios Senegal e Níger, o Império de Gana era conhecido como “terra do ouro”, tal a quantidade de ouro que circulava por suas terras. Segundo o historiador José Rivair de Macedo, o Reino de Gana foi fundado no século IV pelo povo soninquê mas sua história, até o século VIII, ainda é pouco conhecida. Sabe-se que, no século VIII, o Império de Gana possuía uma grande extensão e dominava política e economicamente uma variedade de povos.

UNIDADE 4 | DIVERSIDADE RELIGIOSA: O RESPEITO À DIFERENÇA

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c. 400 a.C. Vaso. Coleção particular. Foto: Album/Oronoz/Latinstock

Império:

“Unidade política que congrega várias outras unidades, que podem ser compostas por povos diferentes entre si que mantêm suas formas de governar locais, mas prestam obediência ao poder central, controlado pelo chefe de todos os chefes” (MELLO e SOUZA, Marina de. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 16).

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Os gregos antigos, em sua quase totalidade, acreditavam que esses poemas fossem obra de um único e genial poeta, chamado Homero. Hoje, sabemos que isso não é verdade. A Ilíada e a Odisseia são, certaVaso grego com mente, fruto de uma longa tradição oral em que os representação de Ulisses e as poetas (chamados de aedos) declamavam os episódios sereias em técnica de figuras da guerra de Troia e as aventuras de Odisseu. Esses vermelhas, c. 400 a.C. relatos eram cantados, acompanhados por música, e passados de geração em geração, tendo sofrido muitas alterações e adaptações. Só mais tarde, cerca de 550 a.C., os poemas foram escritos pela primeira vez. [...] Ilíada – Ílion é o mesmo que Troia. A Ilíada, poema épico atribuído a Homero, possui mais de 15 mil versos e conta episódios da guerra de Troia. O motivo da guerra foi o rapto de Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta, por Páris, príncipe de Troia. Para vingar o insulto, os gregos cercaram a cidade por dez anos e acabaram por destruí-la. Odisseia – É o segundo livro que os gregos atribuíam ao poeta Homero. Tem cerca de 12 mil versos e seu nome vem de Odisseu, rei de Ítaca, também conhecido por Ulisses. A Odisseia conta as aventuras de Odisseu em seu retorno à terra natal, depois do fim da guerra de Troia. Enquanto Odisseu esteve ausente, por vinte anos, vários pretendentes assediaram sua linda mulher, Penélope, e ambicionaram tomar posse de sua casa e suas riquezas. Ao chegar, Odisseu vingou-se, matando-os. REDE, Marcelo. A Grécia antiga. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 16-17.

Do oikos à cidade-Estado

Para saber mais Um quadro que apresenta informações extras sobre os conteúdos dos capítulos trabalhados.

No Período Homérico, com o fim dos palácios, os reis perderam o poder e a aristocracia se fortaleceu. A base da organização social passou a ser o oikos: uma grande família (pais, primos, avós), seus dependentes e seus bens, como casas, terras e animais. Os membros do oikos acreditavam pertencer a um ancestral comum, fosse ele um ser humano ou um deus. A produção do oikos era voltada para a subsistência, e o que sobrava era acumulado pelo seu chefe. Com o passar do tempo, o chefe do oikos maior e mais rico ganhou poder, tornou-se rei e passou a governar auxiliado por uma assembleia de guerreiros saídos dos outros grupos familiares. Essa assembleia, formada por guerreiros com igual poder de decisão, deu origem à cidade-Estado, uma forma de organização política própria das sociedades mediterrâneas.

palavra que em grego significa “governo dos melhores”. Aristocracia é um grupo formado por pessoas ou famílias que, por herança ou concessão, possuem o poder ou uma série de privilégios sobre as demais pessoas.

Sociedades mediterrâneas:

sociedades que se formaram em torno do mar Mediterrâneo.

CAPÍTULO 7 | O MUNDO GREGO: DEMOCRACIA E CULTURA

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Aristocracia:

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ATIVIDADES

ESCREVA NO CADERNO.

egípcios. Com base na citação, na figura e nos conhecimentos sobre o Antigo Império, explique um elemento que transmita a noção de poder ligada aos Faraós no Egito Antigo.

I. Retomando

2. (UEG-GO – 2015) Leia o texto a seguir.

1. (UEL-PR – 2015) Leia a citação e analise a figura a seguir.

Amanheces formoso no horizonte celeste, Tu, vivente Aton, princípio da vida! Quando surgiste no horizonte do oriente Inundaste toda a terra com tua beleza. [...] Ó Deus único, nenhum outro se te iguala! Tu próprio criaste o mundo de acordo com tua vontade, Enquanto ainda estavas só.

Construir é uma atividade fundamental para o soberano egípcio.

rayints/Shutterstock/Glow Images

DESPLANCQUES, S. Egito Antigo. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 28. Coleção L&PM Pocket. Série Encyclopaedia.

II. Leitura e escrita em História

HINO A ATON. In: PINSKY, Jaime. 100 textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 2009. p. 56-57.

O faraó Amenófis IV (1377-1358 a.C.), como parte de uma estratégia política que visava diminuir o poder da classe sacerdotal egípcia, realizou uma reforma religiosa que teve como principal tópico a a) adoção do Deus dos hebreus, que se encontravam escravizados no Egito, mas tendo José como um importante membro da corte.

c) imposição de deuses estrangeiros trazidos do Oriente, levados para o Egito por meio das rotas comerciais favorecidas pelo faraó. d) imposição do monoteísmo, adotando o culto oficial a um deus único e proibindo adoração às outras deidades do panteão egípcio. 3. (Enem/MEC) O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os quadrantes do planeta, desejosos de ver com os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pedra há milênios: as pirâmides de Gizeh, as tumbas do Vale dos Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo. O que hoje se transformou em atração turística era, no passado, interpretado de forma muito diferente, pois

A citação da historiadora Sophie Desplancques faz alusão ao Egito Antigo, especificamente ao período conhecido como Antigo Império, considerado uma fase de estabilidade política por parte significativa da historiografia, bem como uma “idade de ouro” de sua civilização, por parte dos próprios

CAPÍTULO 4 | ÁFRICA ANTIGA: EGITO E NÚBIA

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As pinturas a seguir foram feitas em rocha e se encontram em sítios arqueológicos do Nordeste. A primeira está em Lajeado de Soledade, no município de Apodi, no estado do Rio Grande do Norte. A segunda está no Parque Nacional Serra da Capivara, no município de São Raimundo Nonato, no estado do Piauí; este parque foi tombado pelo Iphan em 1991. Observe as imagens com atenção. Joao Prudente

Questões variadas sobre os conteúdos dos capítulos para serem realizadas individualmente ou em grupo. Uma forma de rever aquilo que foi estudado.

Ricardo Azoury/Olhar Imagem

b) definição de que o próprio faraó Amenófis IV, que adotou o nome de Akhenaton, seria o deus único dos egípcios.

Disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/thumb/6/6c/Egypt.Giza.Sphinx.02.jpg/800pxEgypt.Giza.Sphinx.02.jpg>. Acesso em: 2 out. 2014.

a. Leitura de imagem

Retomando

a) O que se vê na primeira imagem? b) E na segunda? c) Dê o significado dos termos: pintura rupestre; sítio arqueológico; Iphan. d) O artista que pintou a capivara e seu filhote conseguiu transmitir a ideia de movimento? e) Quando terão vivido os seres humanos que elaboraram essas pinturas?

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UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

II. Leitura e escrita em História Leitura e escrita de textos

Leitura e escrita em História

VOZES DO PRESENTE

Fabio Colombini

O texto a seguir sobre os tupis-guaranis foi escrito pelo arqueólogo Norberto Guarinello. Leia-o com atenção e responda às questões.

Utensílio utilizado em rituais de sepultamento de indígenas tupis-guaranis. Este artefato foi encontrado em 2010, no sítio arqueológico da Tarioba, município de Rio das Ostras (RJ).

Mil anos antes da “descoberta” do Brasil pelos europeus, um grande movimento de migração parece ter se iniciado no sul da floresta amazônica. Os povos que se moviam falavam línguas aparentadas, de uma grande família de línguas a que denominamos tupi-guarani. Plantavam milho e, sobretudo, mandioca, praticando o que se chama de “agricultura de coivara”. Queimavam um trecho da floresta e aí realizavam suas plantações. Quando a terra se esgotava e a produção se tornava mais fraca, mudavam para outro local e repetiam o mesmo processo. Por isso, estavam sempre em movimento. Eram povos guerreiros, habituados às matas, bons caçadores e pescadores. Mas, acima de tudo, eram grandes navegadores. Dominavam os grandes rios com suas canoas, e foi através dos cursos de água que penetraram no planalto brasileiro, expulsando ou dominando os habitantes mais antigos. Com o tempo, os tupis-guaranis chegaram a ocupar um vasto território, avançando para o litoral e subindo, pouco a pouco, pela costa do Brasil em direção ao nordeste. [...] Foi aí que os portugueses os encontraram, em plena expansão, por volta do ano de 1500. GUARINELLO, Norberto Luiz. Os primeiros habitantes do Brasil. 13. ed. São Paulo: Atual, 1994. p. 40.

a) O texto citado é destinado a um público especializado, somente a estudantes ou ao público em geral? b) O autor do texto inseriu aspas na palavra descoberta. O que isto significa? c) Os primeiros habitantes das terras onde hoje é o Brasil são apresentados geralmente como povos sem história (parados no tempo). Como o texto apresenta os tupis-guaranis? d) O milho e a mandioca, citados no texto, fazem parte das centenas de plantas domesticadas na América. Pesquise em que lugar da América essas plantas foram domesticadas e qual a importância delas na alimentação dos brasileiros, elaborando, a seguir, um pequeno texto sobre o assunto.

Luís Vaz de Camões (1524-1580) levou uma vida cheia de aventuras amorosas e militares e destacou-se como um dos maiores poetas da Língua Portuguesa. Leia com atenção um trecho de sua obra Os Lusíadas. 1

3

As armas e os barões assinalados, Que, da ocidental praia lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo reino, que tanto sublimaram;

Cessem do sábio grego e do troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandro e de Trajano A fama das vitórias que tiveram, Que eu canto o peito ilustre lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram. Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta. [...]

E também as memórias gloriosas Daqueles reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando, E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da morte libertando: Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

b. Cruzando fontes A fonte 1 é uma imagem icônica sobre a primeira missa no Brasil. Já a fonte 2 é um texto atual sobre o mesmo tema. Leia as fontes 1 e 2 com atenção.

› Fonte 1

UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

III. Integrando com Língua Portuguesa

2

Leitura de imagem Seção que permite o estudo de imagens relacionadas aos temas dos capítulos.

6 E vós, ó bem-nascida segurança Da lusitana antiga liberdade. E não menos certíssima esperança De aumento da pequena cristandade Vós, ó novo temor da maura lança, Maravilha fatal da nossa idade, (Dada ao mundo por Deus, que todo o [mande Pera do mundo a Deus dar parte grande); [...]

Victor Meirelles. A Primeira Missa no Brasil. 1860. Óleo sobre tela. Museu Nacional de Belas Artes

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Leitura e escrita de textos Interpretação de diferentes gêneros textuais. Para completar o estudo dos temas, são propostas atividades de pesquisa ou escrita de um texto.

Cruzando fontes Uma seção que permitirá a você se aproximar do trabalho de um historiador, por meio da análise e da comparação de diferentes fontes.

› Fonte 2 [...] Se os bonés vermelhos, os chapéus de linho, os guizos, os anéis de metal e os terços de contas brancas que os portugueses distribuíam os deixavam muito felizes, os índios não entendiam por que os visitantes obrigavam alguns dos seus, que aliás tratavam com a maior brutalidade, a passarem a noite em suas aldeias. Os indígenas ignoravam que se tratava de degredados, esses condenados de direito comum que deviam se meter na vida dos indígenas para arrancar deles o máximo de informações. Uma assembleia solene dos portugueses feita numa pequena ilha provocou o interesse de uma multidão de índios do Brasil, que amontoados na praia, assistiram de longe, sem saber, à primeira missa católica. Para marcar sua participação distante numa cerimônia que parecia tão importante para os portugueses, os indígenas começaram a dançar, pular, tocar corneta. GRUZINSKI, Serge. A passagem do século: 1480-1520: as origens da globalização. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 71.

a) O que se vê na obra de Meirelles? b) Pesquise: a que gênero de pintura pertence essa obra e com que intenção teria sido feita? Você pode acessar: <http://ftd.li/oagg72> e <http://ftd.li/qkjqmn>. c) Responda com base na fonte 2: qual foi a tática usada pelos portugueses para melhor conhecer os indígenas? d) O que se pode concluir, e está explícito, comparando a fonte 1 à fonte 2? e) A fonte 1 diverge da fonte 2 no tocante à reação dos indígenas à Primeira Missa; qual dessas versões você considera mais convincente?

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UNIDADE 4 | DIVERSIDADE RELIGIOSA: O RESPEITO À DIFERENÇA

Luís de Camões. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980. p. 75-77 e 79.

a) Uma característica das epopeias greco-romanas é a ação centralizada num herói, como Ulisses, da Odisseia, e Enéas, da Eneida. Nesse aspecto, em que o poema Os Lusíadas é diferente?

III. Você cidadão!

b) Várias estrofes de Os Lusíadas abordam a expansão do reino luso e da fé cristã. Isso pode ser considerado ficção ou tem fundamento histórico? Justifique sua resposta.

O Parque Nacional Serra da Capivara fica no sudeste do Piauí, a 530 km de Teresina, capital do Estado. O Parque possui uma superfície de 129 140 ha e um perímetro de 214 km, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. Em 1991 a Unesco incluiu-o na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. O texto a seguir é uma reportagem sobre esse patrimônio. Leia-o com atenção.

c) Como se pode explicar no poema a presença de divindades do paganismo, como Netuno e Marte, sendo os portugueses um povo cristão? d) Por que Os Lusíadas são classificados como uma obra renascentista? e) Os Lusíadas, do português Luís Vaz de Camões, é um clássico da literatura ocidental. Pesquise e escreva um pequeno texto sobre essa obra e seu autor.

IV. Você cidadão! Em grupo: Vimos que no livro Utopia, Thomas Morus descreve uma sociedade ideal: justa e fraterna. Dialoguem, reflitam e respondam: que sugestões vocês dariam para construirmos uma sociedade mais justa e mais fraterna do que a nossa? Compartilhem postando as sugestões do grupo no blog da turma.

302

UNIDADE 4 | DIVERSIDADE RELIGIOSA: O RESPEITO À DIFERENÇA

Integrando com... Nesta seção, a História e outras áreas do conhecimento se encontram, o que permite ampliar ou complementar o que foi visto no capítulo.

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Você cidadão! Reflexão sobre temas como meio ambiente, ética e solidariedade. As atividades visam estimular o exercício da cidadania. Esta seção encerra o estudo da unidade.

Parque da Serra da Capivara, no Piauí, está ameaçado Até o fim do ano, o Parque Nacional da Serra da Capivara pode sofrer um golpe pesado. A Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), parceira do governo federal na manutenção da unidade, prepara-se para fechar as portas. Em 2014, seus cofres receberam apenas R$ 860 mil, verba insuficiente para zelar pela infraestrutura que sustenta o acesso e a pesquisa em mais de mil grutas rupestres, dispersas por 130 mil hectares no interior do Piauí. Nem o status de Patrimônio Cultural da Humanidade assegurou a entrada de recursos. Se a penúria significar uma ameaça às cavernas pré-históricas, o título atual poderia mudar para “patrimônio em perigo”. Pouco tempo atrás, a equipe de Niède Guidon, de 82 anos, que preside a fundação, contava com 270 funcionários. Hoje, são 50. Segundo a arqueóloga, a demissão dos empregados remanescentes implicaria no pagamento de indenizações. Para isso, seria necessário encerrar as atividades até dezembro. — Eu não sei mais o que fazer — admite a arqueóloga. — A fundação surgiu em 1986 porque, sete anos antes, o parque foi criado e não havia funcionários do governo federal. A área estava tomada por caçadores e extrativistas. As pesquisas científicas trazem resultados fantásticos, mas os trabalhos não podem ser sustentados sem uma estrutura básica. GRANDELLE, Renato. Parque da Serra da Capivara, no Piauí, está ameaçado. O Globo, 17 set. 2015. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/parque-da-serra-dacapivara-no-piaui-esta-ameacado-1-16800318>. Acesso em: 19 abr. 2016.

a) O texto se destina às autoridades, aos arqueólogos, aos estudantes ou ao público em geral? b) Qual o principal problema enfrentado pelo Parque Nacional segundo a reportagem? c) Qual tem sido a consequência do problema apontado no texto? d) Em dupla. Pesquisem para identificar os principais problemas vividos pelo Parque Nacional, além da falta de verbas. Postem o trabalho de vocês no blog da turma. e) Em grupo. Elaborem um texto sobre o Parque Nacional e os problemas que enfrenta na atualidade. Cada grupo pode se dedicar a um tema: A história do Parque; A luta de Niède Guidon para transformá-lo em um polo turístico; A questão do desmatamento; A questão da caça comercial; A questão da preservação do patrimônio.

Sites para pesquisa: 1. <http://ftd.li/hs6014>. 2. <http://ftd.li/y75fg5>. 3. <http://ftd.li/qkho58>. CAPÍTULO 2 | A AVENTURA HUMANA: PRIMEIROS TEMPOS

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Agradecimentos Pelos momentos de reflexão e debates que tivemos sobre historiografia e ensino de História, quero agradecer os seguintes colegas:

PROFESSOR DOUTOR CLÁUDIO HIRO PROFESSOR DOUTOR EDUARDO SILVA ALVES PROFESSOR DOUTOR FÁBIO DUARTE JOLY PROFESSOR DOUTOR MÁRCIO DELGADO PROFESSOR DOUTOR SEBASTIÃO LEAL FERREIRA VARGAS NETO PROFESSOR DOUTOR VANDERLEI MACHADO PROFESSORA DOUTORA IVETE BATISTA DE ALMEIDA PROFESSOR MESTRE ALAN DANTAS PROFESSOR MESTRE AUGUSTO BRAGANÇA S. P. RISCHITELIL PROFESSOR MESTRE CARLOS ROBERTO DIAGO PROFESSOR MESTRE GUSTAVO RICCIARDI FABREGAS DE AGUIAR PROFESSOR MESTRE MARCELO PEREIRA PROFESSOR MESTRE MARIVALDO MACEDO PROFESSOR MESTRE VICTOR MARCELO PIRES GONÇALVES DA SILVA PROFESSORA MESTRA JULIANA MARQUES MORAIS PROFESSOR MESTRE WALDOMIRO LOURENÇO DA SILVA JÚNIOR PROFESSORA MESTRA ANA DE SENA TAVARES BEZERRA PROFESSORA MESTRA GLÁUCIA BORGES NUNES PROFESSORA MESTRA VANDERLICE DE SOUZA MORANGUEIRA PROFESSOR RODRIGO FERNANDES LEITE MOTTA PROFESSOR ALEXANDRE COELHO PINHEIRO PROFESSOR ANDRÉ VINÍCIUS BEZERRA MAGALHÃES PROFESSOR ANTÔNIO CARLOS FELIX PROFESSOR CLODOMIR FREIRE PROFESSOR DANIEL DA SILVA ASSUM PROFESSOR EDUARDO ASSUNÇÃO PROFESSOR ÉRICO CRONEMBERGER PROFESSOR HUDSON DE OLIVEIRA E SILVA PROFESSOR JOSÉ CARVALHO RIOS PROFESSOR MARDONIO SOUZA CUNHA PROFESSOR MURILO MELLO PROFESSOR RAFAEL BORGES PROFESSOR RENATO DIAS PRADO PROFESSOR UBERDAN CARDOSO PROFESSOR UDO INGO KUNERT PROFESSORA ADRIANA SANTOS NASCIMENTO PROFESSORA DÓRIS MARGARETE ASSUNÇÃO PROFESSORA GLÁUCIA LILIAN P. NUNES PROFESSORA MARIA CRISTINA COSTA Agradeço, também, às três mulheres cujo apoio foi decisivo para a realização desta obra:

minha esposa, Suely Regina Boulos; minha mãe, Isaura Feliciano de Paula; minha assistente, Karen Trefs.

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Sumário PARTE I UNIDADE 1

Técnicas, tecnologias e vida social | 12

Capítulo 1 – História, cultura, patrimônio e tempo | 14 O que a História estuda? | 15

Cuidando do nosso patrimônio cultural | 21

As fontes da História | 15 Cultura | 17 Patrimônio cultural | 17 O conceito de patrimônio | 17 A valorização das matrizes africana e indígena | 20

Tempo | 21 O tempo cronológico | 22 Tempo histórico e diferentes tempos | 23 O tempo e suas durações | 24

Atividades | 25

Capítulo 2 – A aventura humana: primeiros tempos | 29 Pré-História: um conceito discutível | 30 Os primeiros habitantes da Terra | 31 O que podemos aprender com os fósseis? | 31 Os hominídeos | 32 Os primeiros povoadores da Terra | 34 Caçadores e coletores | 34 O domínio do fogo | 35 Agricultores e pastores | 35 Agricultura, uma descoberta revolucionária | 36 Da aldeia à cidade | 37 O comércio | 37

Trajetórias do Homo sapiens | 39 Hipóteses sobre o caminho dos seres humanos para a América | 39 Arqueologia brasileira: descobertas recentes | 40 Os estudos de Niède Guidon | 40 O que se sabe sobre os paleoíndios? | 41 Caçadores e coletores | 42 Agricultores e ceramistas | 45

Gamma-Rapho via Getty Images

The Bridgeman Art Library/Keystone

Atividades | 46

Fine Art Images/Heritage Images/Getty Images D2-HIS-EM-3056-AL-V1-P1-INICIAIS-001-011-ML-LA-M17.indd 7

O processo de centralização do poder | 38 Trabalhando os metais | 38

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UNIDADE 2

Cidades: passado e presente | 50

Capítulo 3 – Mesopotâmia | 52 A Mesopotâmia | 53 Os sumérios e os acádios | 53 Os amoritas | 55 Os assírios | 57 Os caldeus | 57

O campo e a cidade na Mesopotâmia | 58 O comércio externo | 59 Sociedade, impostos e oferendas | 60 Religião, mitologia e família | 60

Atividades | 62

Capítulo 4 – África antiga: Egito e Núbia | 64 O Império Egípcio | 66 O Antigo Império | 66 O Médio Império | 67 O Novo Império | 67 A vida social no Antigo Egito | 68 Religião | 70 As artes | 72 As ciências | 72

A civilização núbia | 73 O Reino de Kush | 73 A formação do reino | 73 A escolha do rei | 74 A candace: o papel da rainha-mãe | 74 A vida econômica e social | 75 O declínio de Kush e a ascensão de Axum | 77

Atividades | 79

Capítulo 5 – Hebreus, fenícios e persas | 81 Os hebreus | 82 Fontes para o estudo dos hebreus | 82 A narrativa bíblica | 84 A Palestina | 84 Hebreus no Egito | 85 A disputa pela Palestina | 86 A monarquia hebraica | 86 A divisão dos hebreus | 87

Religião e cultura | 88 Fenícios: um povo de navegadores e comerciantes | 89 As cidades-Estado fenícias | 90 O alfabeto fenício | 91 Os persas | 92 A administração de Dario I | 93

Atividades | 94

Capítulo 6 – Civilização chinesa | 97 História política do Império Qin | 99 O Império Chinês | 99 A dinastia Han | 100 Os avanços técnicos | 101 Os Sui-Tang | 101 A sociedade Tang | 102

Egyptian Museum, Cairo. The Bridgeman Art Library/Keystone

c.2650-2550 a.C. Coleção particular. Foto: Akg-Images/Latinstock

O budismo | 103 O budismo na China | 104

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A dinastia Song | 105 A China no ano 1000 | 105 Papel e impressão de livros na China | 106 Povos nômades conquistam a China | 107 Filosofia, religião e medicina tradicional | 107 O confucionismo | 107 O taoismo | 108 A acupuntura | 109

Atividades | 110 Boaz Rottem/Age Fotostock/Keystone

As culturas yangshao e longshan | 98

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Séc. V a.C. Agora Museum, Atenas. Foto: PhotoScala/Glow Images

De Agostini/Getty Images

PARTE II UNIDADE 3

Democracia: passado e presente | 114

Capítulo 7 – O mundo grego: democracia e cultura | 116 A civilização cretense | 117 A civilização micênica | 118 Do oikos à cidade-Estado | 119 A colonização grega | 120 Atenas, o berço da democracia | 121 A tirania | 122 A democracia | 122 O governo de Péricles | 123 Esparta, um acampamento em armas | 124 Política em Esparta | 124 Uma educação voltada para a guerra | 125 Cultura | 126 Deuses e heróis | 126

Religião e cidadania | 127 Os Jogos Olímpicos | 128 As artes | 128 O teatro | 128 As artes plásticas | 129 A filosofia | 131 História | 133 Medicina | 133 Guerras greco-pérsicas ou médicas | 134 Guerra do Peloponeso | 135 Os macedônios | 135 O império de Alexandre | 135 O helenismo | 137

Atividades | 138

Capítulo 8 – Roma antiga | 143 Localização e povoamento | 144 Roma: lenda e realidade | 144 O tempo dos reis | 145 A presença etrusca em Roma | 145 A vida política e social no tempo da realeza | 146 A República romana | 147 Principais magistrados | 147 Patrícios versus plebeus | 148 Roma, senhora do mundo antigo | 149 A questão agrária | 152 As reformas dos Graco | 152 A ascensão dos militares | 153

O Primeiro Triunvirato | 154 O Segundo Triunvirato | 155 A Pax Romana | 155 Sociedade e moradias no Império | 156 Espaços de diversão e lazer | 157 O legado romano | 159 A engenharia romana | 159 O direito romano | 161 A religião romana | 161 O advento do cristianismo | 161 O Império contra os cristãos | 163

Atividades | 165

Capítulo 9 – A crise de Roma e o Império Bizantino | 169 A crise no mundo romano | 170 Soluções para a crise | 171

O governo de Justiniano | 175 A Revolta de Niké | 175

Os germanos | 172 Migrações e invasões germânicas | 173

A questão iconoclasta | 176

O Império Bizantino | 174 A política no Império Bizantino | 174

A arte bizantina | 178

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Cisma do Oriente | 177

Atividades | 179

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UNIDADE 4

Diversidade religiosa: o respeito à diferença | 184

Capítulo 10 – Os francos e o feudalismo | 186 Idade Média: conceito e periodização | 187 Os francos | 188 O Império Carolíngio | 190 Renascimento carolíngio | 192 O nascimento do Ocidente medieval | 193 O feudalismo | 193 As relações de suserania e vassalagem | 194 A sociedade feudal | 194 A economia feudal | 196 Mudanças no feudalismo | 198 O revigoramento do comércio e das cidades | 199

As feiras medievais | 200 As cidades medievais | 200 As corporações medievais | 201 As cidades ganham autonomia | 202 O poder da Igreja no medievo | 202 Esforços em favor do cristianismo | 203 As Cruzadas | 203 A crise do século XIV | 207 A Guerra dos Cem Anos | 208 Rebeliões camponesas | 209

Atividades | 211

Capítulo 11 – Civilização árabe-muçulmana | 215 A Península Arábica | 216 Maomé e o islamismo | 217 O islã | 218 A sucessão de Maomé: xiitas versus sunitas | 220

Uma expansão fulminante | 221 Economia no Império Islâmico | 222

Atividades | 225

Capítulo 12 – Formações políticas africanas | 229 As fontes da história africana | 230 África: aspectos físicos | 231 O comércio pelo Saara | 231 Impérios do Sahel | 232 O império de Gana | 232 O Império do Mali | 233 O Mali de Sundiata Keita | 235 Economia e política | 236 Os bantos | 237 O Reino do Congo | 238

Os congos e os portugueses | 239 Os bantos no Brasil | 240 Os iorubás | 242 História e mitologia | 243 Ilê-Ifé | 244 A cidade de Oyo | 244 Reino de Benin | 245 Iorubás no Brasil | 246

Atividades | 248

Capítulo 13 – Tempos de reis poderosos e impérios extensos | 252 A formação das monarquias nacionais | 253 A monarquia inglesa | 253 A monarquia francesa | 256 O absolutismo | 258 O mercantilismo | 260 Absolutismo e mercantilismo na França de Luís XIV | 261 O mercantilismo em outros países | 262 As monarquias ibéricas | 264

As Grandes Navegações | 265 O pioneirismo português | 266 As navegações espanholas | 270 Navegações inglesas, francesas e holandesas | 271 Mudanças relacionadas às Grandes Navegações | 271

Atividades | 272

Capítulo 14 – Renascimento e reformas religiosas | 277 O ambiente histórico do Renascimento | 278 O humanismo | 280 Itália, berço do Renascimento | 281 O Trecento, o Quattrocento e o Cinquecento | 281 O Renascimento em outras regiões da Europa | 285 Flandres (Bélgica e parte da atual Holanda) | 285 Inglaterra | 286 Portugal | 286 Espanha | 287 Alemanha e França | 288 Renascimento científico | 288 A Reforma protestante | 289

Motivações da Reforma | 289 A Alemanha de Lutero | 290 A doutrina luterana | 291 As revoltas camponesas | 292 A origem do termo “protestante” | 292 O calvinismo na Suíça | 293 A Reforma na Inglaterra | 294 A Contrarreforma | 295 Os jesuítas | 296 O Concílio de Trento | 296 A Inquisição | 297

Atividades | 298

Referências bibliográficas | 303

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SUMÁRIO DA PARTE I UNIDADE 1

Técnicas, tecnologias e vida social | 12

Capítulo 1 | História, cultura, patrimônio e tempo ...................................................................14 Capítulo 2 | A aventura humana: primeiros tempos .................................................................29

UNIDADE 2

Cidades: passado e presente | 50

Capítulo 3 | Mesopotâmia ...........................................................................................................52 Capítulo 4 | África antiga: Egito e Núbia................................................................................... 64 Capítulo 5 | Hebreus, fenícios e persas ......................................................................................81

Flickr RF/Getty Images

Capítulo 6 | Civilização chinesa ..................................................................................................97

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San Rostro/age fotostock/Easypix

Robert Harding/Image Forum

UNIDADE

1

Técnicas, tecnologias e vida social

Acima, mulheres colhendo e cortando alimento para animais. Etiópia, 2015. À direita, mulher em plantação de uvas. Champagne, França, 2012. Tecnologia:

palavra de origem grega com significado abrangente. Dependendo do contexto, a tecnologia pode significar: máquinas e/ ou ferramentas; um método de produção; a aplicação de determinados recursos para se resolver um desafio; o estágio de conhecimento de uma determinada cultura.

12

Ao longo de milênios os seres humanos foram desenvolvendo técnicas e tecnologias com as quais foram vencendo desafios e se multiplicando. Uma de suas primeiras conquistas importantes foi a técnica de fazer o fogo, o que lhes permitiu iluminar cavernas, cozinhar alimentos, proteger-se do frio e manter os animais afastados. Tempos depois, desenvolveram a técnica da agricultura (cultivo intencional de alimentos). O domínio do fogo e o advento da agricultura se deram durante o período conhecido como Pré-História, que vai do aparecimento dos primeiros seres humanos sobre a Terra, por volta de 2 milhões a.C., até a invenção da escrita, em cerca de 3000 a.C.

UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

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Muito tempo depois...

Ariel Skelley/Blend Images/Easypix

Em meados do século XX os seres humanos descobriram a internet, que, inicialmente, era usada somente para fins militares. No início dos anos de 1970, os seres humanos desenvolveram a tecnologia da telefonia celular, fato que impactou fortemente a vida social.

Christin Gilbert/age fotostock/Easypix

Acima, imagem de uma teleconferência. Abaixo, jovem acessando a internet pelo celular.

» As conquistas da internet e da tele-

fonia celular (representadas nesta página) podem ser consideradas mais importantes do que o domínio da agricultura? » Será que as conquistas recentes in-

fluenciaram mais a vida social do que as antigas? » Se o domínio do fogo e da agricultura

foram tão importantes para a humanidade, por que então chamar de Pré-História o tempo em que essas conquistas aconteceram? UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

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Capítulo 1

História, cultura, patrimônio e tempo 2

4

bikeriderlondon/Shutterstock/Glow Images

3

H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Getty Images

Thais Falcão/Olho do Falcão

1

Fernando Favoretto/Criar Imagem

Observe as imagens a seguir.

Observando essas quatro imagens, podemos perceber algumas mudanças relacionadas à tecnologia, ao modo de se vestir e de namorar. Segundo historiadores especializados no estudo do presente, algumas dessas mudanças – como as tecnológicas – vêm se processando em alta velocidade e têm causado um grande impacto nas nossas vidas, alterando os modos como a gente se comunica, estuda, trabalha e namora.

» Que diferenças você percebe na maneira de se comunicar, de se vestir e de

namorar dos jovens que aparecem nas fotos? 14

UNIDADE 1 | TÉCNICAS, TECNOLOGIAS E VIDA SOCIAL

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Talvez você esteja curioso para saber qual foi a intenção ao apresentarmos as imagens da página anterior. Pois bem, introduzimos o assunto com elas porque as mudanças ocorridas nas sociedades humanas são justamente o objeto de estudo da História. Mas é preciso dizer que a História não se restringe ao estudo das mudanças; investiga também as permanências, as continuidades, ou seja, aquilo que atravessou o tempo sem se modificar substancialmente. Um exemplo de permanência são as manifestações de machismo na sociedade brasileira atual. Diante de uma barbeiragem no trânsito, por exemplo, é comum ouvirmos: “Só podia ser mulher”. O machismo contido nessa fraFac-símile da capa do livro se é um comportamento antigo; está presente nas terras onde História das mulheres no Brasil. hoje é o Brasil há tempos; ou seja, é uma permanência. De modo simplificado, podemos dizer, então, que a História estuda as DIALOGANDO mudanças e as permanências, as experiências coletivas, a longa aventura a) Qual é a sua dos seres humanos sobre a Terra, o passado e o presente, bem como as opinião sobre o relações entre um e outro. Daí adotarmos o conceito formulado pelo histomachismo? b) Por que esse riador Marc Bloch: História é o estudo dos seres humanos no tempo.

As fontes da História O passado está morto e não se pode ressuscitá-lo ou “desenterrá-lo”; então, só se pode conhecer o passado (e o presente) por meio de vestígios (marcas, pistas deixadas pelos seres humanos na sua passagem pela Terra). Para compreender um fato ou episódio, os historiadores se utilizam de todos os vestígios disponíveis: textos gravados em pedra ou papel; imagens dos mais diferentes tipos; relatos orais; objetos da cultura material, entre outros. Esses vestígios são chamados de fontes históricas. Veja os principais tipos dessas fontes: » escritas: um documento oficial (por exemplo, o texto de uma lei), uma carta, um artigo de jornal ou revista, uma letra de música, um poema. Art. 2o Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. BRASIL. Lei no 11.340, de 7 de agosto de 2006. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 7 ago. 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ _ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm>. Acesso em: 21 abr. 2016.

comportamento tem resistido ao tempo?

Cultura material:

tudo o que é feito ou consumido pelo ser humano.

Dica! Vídeo sobre a escrita da História; possibilita também retomar e consolidar o conceito de fontes históricas. [Duração: 15 minutos]. Acesse: <http://ftd.li/4h5hn6>.

Fonte histórica escrita: trecho da Lei Maria da Penha.

CAPÍTULO 1 | HISTÓRIA, CULTURA, PATRIMÔNIO E TEMPO

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Contexto Editora

O que a História estuda?

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fotos antigas ou atuais, caricaturas, desenhos, reproduções de cenas de filmes, de histórias em quadrinhos.

» orais: depoimentos de pes-

Palê Zuppani/Pulsar Imagens

soas sobre os mais diferentes aspectos da vida. Esses depoimentos, colhidos muitas vezes a partir de entrevistas feitas pelo próprio historiador, colaboram para registrar a memória pessoal e coletiva. Observação: a entrevista com um adulto ou um idoso de sua família pode ser uma importante Fonte histórica oral: estudante fonte para o conhecimento gravando uma entrevista. São Caetano da sua própria história. do Sul (SP), 2013. » cultura material: restos de moradias, de sepulturas, de móveis, de artefatos domésticos (panelas, colheres, pratos), de instrumentos de trabalho (enxada, foice, pá), de instrumentos de guerra (lanças, espadas, facas) e de caça (pontas de lanças, flechas etc.).

Fernando Favoretto/Criar imagem

Fonte histórica imagética: fotografia de uma família brasileira reunida para ouvir programação de rádio, 1942.

Jonathan Blair/Corbis/Latinstock

Abaixo, arqueólogos mergulhadores coletam artefatos (objetos da cultura material) encontrados em um navio naufragado no século XI, na Turquia, 1977. Abaixo e à direita, arqueólogos trabalhando para obter objetos da cultura material no sítio arqueológico do Boqueirão da Pedra Furada, São Raimundo Nonato (PI), 2010.

» imagéticas: reproduções de pinturas,

1942. Coleção particular. Foto: Acervo Iconographia

Memória:

segundo o historiador Pedro Paulo Funari: “A memória, por definição, é uma recriação constante no presente, do passado enquanto representação, enquanto imagem impressa na mente”. (FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Antiguidade clássica: a História e a cultura a partir dos documentos. São Paulo: Editora da Unicamp, 2003. p. 16.)

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Cultura

conceitos e as ideias religiosas ou artísticas se realizarem. RIBEIRO, Darcy. Noções de coisas. São Paulo: FTD, 1995. p. 34.

O antropólogo Darcy Ribeiro. Bruno Cecim/Futura Press

Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. [...] Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos homens. A mesma coisa pode-se dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultura material, que se pode ver, medir, pesar. [...] A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens [...] não poderiam se entender uns com os outros, para acumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado. [...] Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através de gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através de criações artísticas, ou de ritos e práticas [...], em que a gente vê os

Acervo Folhapress

Em rodas de bate-papo, a palavra cultura é usada geralmente como sinônimo de grande conhecimento. É comum ouvirmos dizer “fulano de tal tem cultura” para significar que ele possui um grande conhecimento. Mas o sentido da palavra cultura que queremos que você conheça aqui é outro. O texto a seguir foi retirado do livro do antropólogo Darcy Ribeiro, ilustrado por Ziraldo Alves Pinto. Leia-o com atenção.

O chargista e escritor Ziraldo Alves Pinto.

Patrimônio cultural Usamos a palavra patrimônio com frequência para nos referirmos aos bens que temos (um carro, por exemplo) e que devemos declarar no imposto de renda. Mas o sentido da palavra patrimônio sobre o qual queremos que você reflita é outro; queremos que pense em patrimônio como sinônimo daquilo que tem especial valor, embora nem sempre tenha preço.

Dica! Vídeo sobre o conceito de cultura. [Duração: 3 minutos]. Acesse: <http://ftd.li/ s8ivcw>.

O conceito de patrimônio Pois bem, reconhecendo a importância de certos bens para nós, brasileiros, o governo de Getúlio Vargas baixou um decreto, em 30 de novembro de 1937, que definia patrimônio como: [...] o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação é de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico [...], bibliográfico ou artístico. BRASIL, Artigo 1o. In: BRASIL. Decreto–Lei no 25, de 30 de novembro de 1937. DOU, Brasília, DF, 6 dez. 1937. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto_lei/del0025.htm>. Acesso em: 31 maio 2016.

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Cândido Neto

Caetano Barreira/Olhar Imagem

Julio Jacobina/DP/D.A Press

Como se pode ver, essa definição priorizava o patrimônio edificado, como, por exemplo, um museu, e associado a “fatos memoráveis” da história do Brasil, como, por exemplo, a Proclamação da República. Esse conceito de patrimônio orientou a política de preservação da época, que valorizava apenas os bens culturais de “pedra e cal” e ligados à história oficial, como, por exemplo, o Museu Paulista, em São Paulo, o Museu da República, no Rio de Janeiro, e o Museu do Estado de Pernambuco, em Recife. Para essa política de preservação, os outros bens culturais não mereciam ser conservados e, por isso, durante muito Fachada do Museu do Estado de tempo, foram esquecidos, o que levou muitos deles à deterioPernambuco, Recife (PE), 2007. ração ou ao desaparecimento. Nos anos de 1980, durante o processo de redemocratização do Brasil, o conceito de patrimônio foi reformulado e ampliado. Grupos organizados da sociedade civil conseguiram convencer os constituintes a introduzir o tema patrimônio nos debates que resultariam na Constituição brasileira de 1988. Durante esses debates, percebeu-se que era necessário diferenciar os bens de natureza material dos de natureza imaterial; e chegou-se à seguinte definição: bens de natureza material são bens palpáveis, como edificações (casas, sepulturas etc.), instrumentos de trabalho e de guerra, conjuntos urbanos, sítios de valor histórico paisagístico, artístico, arqueológico, entre outros; já os bens de natureza imaterial são bens não palpáveis, como, por exemplo, uma dança, uma festa, o modo de fazer uma comida ou um ritual, as criações científicas, artísticas e tecnológicas, entre outros. A seguir apresentamos um exemplo de bem de natureza material e outro de natureza imaterial.

A cidade de Goiás, conhecida também como Goiás Velho, é um importante bem de natureza material e testemunho da colonização da região nos séculos XVIII e XIX. Fotografia de 2007.

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A cajuína é uma bebida não alcoólica produzida a partir do suco de caju. O modo de fazê-la e as práticas socioculturais associadas a ela constituem um bem cultural imaterial que tem suas raízes nos rituais de hospitalidade dos produtores piauienses. Geralmente, as garrafas de cajuína eram dadas de presente ou servidas às visitas, e também oferecidas em casamentos e aniversários. Os rótulos acima não representam marcas registradas.

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Ao final dos debates da Constituinte foi aprovada, em outubro de 1988, uma nova Constituição para o Brasil, que em seu Artigo 216 afirma: Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial [...], portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira [...]. BRASIL, Artigo 216. In: BRASIL. Constituição Federal de 1988, de 5 de outubro de 1988. DOU, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 31 maio 2016.

Essa nova definição de patrimônio, introduzida pela Constituição, apresentou duas inovações significativas: uma foi contemplar todos os grupos formadores da sociedade brasileira (indígenas, africanos e outros); outra foi incluir bens de natureza imaterial, que dizem respeito a saberes, modos de fazer e ofícios, a exemplo do exercido pelas artesãs de Goiabeiras, no Espírito Santo.

Para refletir O texto a seguir foi escrito por dois historiadores, Sandra C. A. Pelegrini e Pedro Paulo Funari. Leia-o com atenção:

As panelas são tomadas como suportes imprescindíveis ao cozimento da moqueca capixaba, reconhecida como um prato típico ou como sistema culinário característico da população do Espírito Santo. Elas possuem vários tamanhos e formatos: caldeirões, panelas de fundo, de pirão, de moqueca, de caldo e travessa para servir. Nesse contexto, o plano de salvaguarda desse ofício envolve não só ações atinentes à organização e à capacitação das paneleiras, mas, principalmente, medidas que visam à sustentabilidade ambiental desse ofício. Por meio da educação patrimonial e ambiental, as artesãs são conscientizadas de que a continuidade desse ofício depende da preservação dos insumos provenientes do meio ambiente, ou seja, do barro extraído do Vale do Mulembá e do tanino, extraído do manguezal, e empregado na coloração das panelas de barro. [...] Os dados fornecidos pela Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG) revelam que, na atualidade, os artefatos são comercializados no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Rio Grande do Sul, Rondônia, entre outros) e no exterior (Austrália, Estados Unidos e França) e possuem um selo de controle de qualidade.

João Prudente/Pulsar Imagens

Ofício das Paneleiras de Goiabeiras

Produção artesanal de panelas de barro na Associação das Paneleiras de Goiabeiras, Vitória (ES), 2011. Insumo:

material utilizado na feitura ou no desenvolvimento de um produto.

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Como podemos observar, a APG atua como uma espécie de cooperativa e assiste juridicamente às paneleiras de modo a otimizar os negócios e orientar a comercialização dos produtos artesanais. PELEGRINI, Sandra C. A.; FUNARI, Pedro Paulo. O que é patrimônio cultural imaterial. São Paulo: Brasiliense, 2013. p. 76-78. (Coleção Primeiros Passos).

a) O Ofício das Paneleiras de Goiabeiras – patrimônio imaterial – está associado à salvaguarda de um outro bem imaterial (intangível). Qual é? b) O que se pode concluir sobre o plano de salvaguarda do Ofício das Paneleiras e que está explícito no texto? c) Que indícios há no texto de que o trabalho de salvaguarda do ofício teve um efeito positivo para as paneleiras e suas famílias? d) A responsabilidade pela salvaguarda desse patrimônio imaterial é do Iphan, das próprias artesãs ou de todos nós? Justifique.

A valorização das matrizes africana e indígena

Renato Soares / Imagens do Brasil

Abaixo, a Arte Kusiwa, sistema de representação gráfica próprio dos povos indígenas Wajãpi, do Amapá, que sintetiza seu modo particular de conhecer, conceber e agir sobre o Universo. A Arte Kusiwa foi inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, do Iphan, em 2002. No ano seguinte, recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Ao lado, o prédio do Museu do Samba Carioca, em Mangueira (RJ), 2015. O samba de partido alto, o samba de terreiro e o samba-enredo integram as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro, Patrimônio Cultural Imaterial desde 2007. Essas modalidades de samba expressam a riqueza do legado de matriz africana no Brasil.

Adilson B. Liporage/Opção Brasil Imagens

Durante muito tempo, zelou-se apenas pelos bens culturais associados aos descendentes de europeus e à história oficial, como, por exemplo, o prédio do Museu Imperial, localizado na cidade de Petrópolis (RJ), que guarda mobiliário, textos, obras de arte e objetos da família imperial portuguesa. Mas, com a Constituição de 1988, a política de preservação passou a zelar, também, pelos bens culturais associados a outros grupos humanos, como os indígenas e os africanos, igualmente importantes na formação da sociedade brasileira. Entre os exemplos de bem cultural de raiz africana estão as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo; e entre os exemplos de bem cultural de matriz indígena está a Arte Kusiwa praticada pelos indígenas Wajãpi.

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A proteção e valorização das expressões afro-brasileiras e indígenas contribuem para o fortalecimento da autoestima, da identidade e da autoconfiança desses grupos e garantem a eles o direito à memória. 1 e 2

Cuidando do nosso patrimônio cultural

Luca Atalla/Pulsar Imagens

Em 1937, com o objetivo de cuidar, valorizar e divulgar nosso patrimônio cultural, o governo brasileiro fundou o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que hoje é um órgão do Ministério da Cultura. Além de gerir o patrimônio cultural brasileiro, o Iphan também é encarregado de zelar pelos bens nacionais reconhecidos pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônios da Humanidade.

1. Dica! Vídeo com imagens de época abordando o samba carioca, sua história e suas diversas modalidades. [Duração: 56 minutos]. Acesse: <http://ftd.li/nnoxon>. 2. Dica! Documentário sobre o registro do patrimônio imaterial. [Duração: 11 minutos]. Acesse: <http://ftd.li/ tra27s>.

Vista aérea da Igreja São Francisco de Assis, também conhecida como Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). Obra do arquiteto Oscar Niemeyer, foi inaugurada em 1943 e tombada em 1997 pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Fotografia de 2015.

Quando um bem de reconhecido valor cultural se encontra ameaçado, por exemplo, os técnicos do Iphan são chamados para protegê-lo, e o fazem de diversas formas; uma delas é o tombamento. A partir da data do tombamento, o bem estará sob os cuidados do referido órgão, que deve impedir a sua destruição ou descaracterização.

Tempo

Tombamento:

ato realizado pelo Poder Público, nos níveis federal, estadual ou municipal, visando preservar bens de natureza material e imaterial.

Uma das primeiras coisas que fazemos ao levantar da cama é consultar o relógio para sabermos que horas são; isso quando não somos acordados pelo despertador do celular. Mas nem sempre foi assim. Ao longo do tempo, os seres humanos criaram diferentes instrumentos de medição do tempo. Acredita-se que o mais antigo deles tenha sido o relógio de sol, inventado pelos egípcios há mais de 4 mil anos. Mais tarde foram desenvolvidos outros instrumentos, como a clepsidra, a ampulheta, o relógio mecânico e o relógio digital. CAPÍTULO 1 | HISTÓRIA, CULTURA, PATRIMÔNIO E TEMPO

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Rob Wilson/Shutterstock/Glow Images

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

À esquerda, relógio mecânico, na torre da Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro histórico de Tiradentes (MG), 2014. À direita, painel com relógio digital.

O tempo cronológico Tempo cronológico:

medição adotada pelos historiadores; tempo que depende de calendários e é marcado geralmente por relógios.

Cortez Editora

Dica! Uma breve história do tempo, documentário de Errol Morris (Reino Unido, Estados Unidos e Japão, 1991). [Duração: 84 minutos].

Na escrita da História, os seres humanos sempre tiveram de resolver o problema de dispor os acontecimentos no tempo (eras, períodos, anos). Os indígenas Terena, por exemplo, que vivem no Mato Grosso do Sul, dividem sua história em dois períodos: um primeiro período, a que chamam de “tempo da servidão”, que vai da Guerra do Paraguai (1864-1870), quando tiveram suas terras invadidas por fazendeiros, até a década de 1910, quando elas foram demarcadas pelo governo; e um segundo período, que vai da demarcação de suas terras até os dias atuais. Outros povos, cada um com sua cultura, criaram calendários próprios. Para dar início à contagem do tempo, cada povo escolheu uma data importante para ele. Os judeus, por exemplo, começam a contar o tempo a partir da criação do mundo, que para eles se deu no ano 3760 a.C. Já os muçulmanos contam o tempo a partir da ida de Maomé da cidade de Meca para Medina (na atual Arábia Saudita), fato ocorrido em 622 d.C. Os cristãos, por sua vez, escolheram o nascimento de Cristo para dar início à contagem do tempo. Como se pode notar, o tempo cronológico é uma invenção dos seres humanos e resulta de uma combinação entre eles. Mas os historiadores não se interessam apenas pelo tempo cronológico, não se restringem a situar os fatos no tempo; interessam-se também pelas mudanças e permanências que se verificaram nas sociedades humanas ao longo do tempo. A esse tempo das transformações e continuidades damos o nome de tempo histórico. Assim como o tempo, o espaço também é importante em História. Veja o que uma historiadora diz sobre o assunto:

Fac-símile da capa do livro Ensino de História: fundamentos e métodos.

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Os historiadores, além de se preocuparem em situar as ações humanas no tempo, têm a tarefa de situá-las no espaço. Não se pode conceber um “fazer humano” separado do lugar onde esse fazer ocorre. [...] Mudanças do espaço realizadas pelos homens assim como as memórias de “lugares” também integram esse conhecimento. BITTENCOURT, Circe Maria F. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2005. p. 207-208.

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Hulton Archive/Getty Images

Renoit Tessier/Reuters/Latinstock

Desde o momento em que acordamos até a hora em que vamos dormir, consultamos o relógio várias vezes: para saber o horário de ir para o colégio, de almoçar, de estudar, de encontrar um amigo ou uma amiga... Mas nem sempre os seres humanos se guiaram por relógios e horários. Muitos povos (do passado e do presente) organizam o seu dia a dia, isto é, distribuem o tempo baseados nos fenômenos naturais, como o nascer do Sol, as fases da Lua, a época das chuvas, a chegada da primavera etc. Esses povos se guiam, portanto, pela observação da natureza; daí dizermos que eles vivem no tempo da natureza. É o caso, por exemplo, dos Kayabi (indígenas que vivem na região do rio dos Peixes, no norte do estado de Mato Grosso). No século XVIII, surgiram, na Inglaterra, as primeiras fábricas, locais em que homens, mulheres e crianças trabalhavam de 12 a 15 horas por dia e os horários (de Cerâmica do povo Asurini, que entrar, de parar para comer, de ir ao banheiro) eram rihabita próximo a Altamira (PA). gorosamente controlados. Esses operários associavam o Assim como os Kayabi, o povo Asurini é falante de língua do tronco Tupi. tempo à vida deles dentro das fábricas. Por isso, se diz Fotografia de 2009. que eles viviam no tempo da fábrica.

Rogério Reis/Pulsar Imagens

Tempo histórico e diferentes tempos

À esquerda, vemos operários montando automóveis nos Estados Unidos, em 1928. À direita, robôs em linha de montagem em Paris, França, em 2015. As duas imagens representam momentos diferentes da indústria automobilística em países que adotam o capitalismo, fenômeno de longa duração.

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Lincon Zarbietti/O Tempo/Futura Press

Hoje, com os avanços e a popularização da informática, criou-se uma nova maneira de perceber e sentir o tempo. Graças à internet, é possível enviar uma mensagem para a China em alguns segundos, dialogar com pessoas de países distantes vendo seus rostos na tela do computador, realizar uma cirurgia a distância com a ajuda de um robô. Esses “milagres” da informática e da robótica afetam todas as pessoas, mesmo as que não têm computador em casa. Por isso, há quem diga que hoje vivemos um novo tempo: o tempo da informática.

Festival Internacional de Robótica realizado em Belo Horizonte (MG), 2014.

DIALOGANDO Classifique os episódios históricos a seguir conforme sua duração: a) Guerra Fria (1945-1989); b) escravidão moderna; c) conquista pela seleção brasileira de futebol da Copa do Mundo de 1958.

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Assim, ao comparar o modo e os ritmos de vida dos indígenas da nação Kayabi com o nosso modo de viver e estar no mundo, fica evidente que o calendário é uma construção cultural.

O tempo e suas durações Ao se debruçar sobre a História, o historiador francês Fernand Braudel percebeu que os fenômenos históricos possuem durações de ritmos variados e, com base nisso, classificou-os em fenômenos de curta, média e longa duração. » Curta duração: o fato breve, com data e lugar determinados, como a descoberta de uma vacina, a criação da internet, a eleição de um presidente. » Média duração: episódios como a Revolução Francesa (1789-1799), o Regime Militar (1964-1985), entre outros. Tais fenômenos são chamados de conjunturais, pois resultam de flutuações no interior de uma estrutura. » Longa duração: fenômenos como o cristianismo ocidental, o capitalismo, entre outros. Tais fenômenos são chamados de estruturais, e, para compreendê-los, é preciso inseri-los na longa duração.

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ATIVIDADES

ESCREVA NO CADERNO.

I. Retomando 1. (UERN – 2014) A história é doadora de uma memória aos alunos, o que permite, ao mesmo tempo, que eles se apropriem de um patrimônio gerador de identidade [...] A formação de um cidadão esclarecido repousa sobre a apropriação de uma cultura comum e criadora de identidade, concedendo uma melhor compreensão do mundo contemporâneo de que eles são herdeiros. [...] O ensino da história participa também da formação intelectual mais geral, que consiste em formar e exercer o espírito crítico [...] Trata-se de habituar-se a levar em consideração o caráter relativo das sociedades humanas, segundo seu lugar e sua época, assim como apreender a sua diversidade e saber respeitá-la. Audigier, 2001.

Tendo em vista as finalidades do estudo da história, é correto afirmar que a) no setor cultural, o papel da história consiste na hierarquização das sociedades, a partir do arsenal de cultura por elas produzido. b) em termos gerais, a história precisa favorecer à formação do indivíduo como sujeito histórico, com responsabilidades civis e sociais. c) em termos intelectuais, a história contribui para a perpetuação da ordem social, uma vez que agrega valores às sociedades vigentes. d) no aspecto cívico, a história permanece como ciência que colabora com a laicidade do estado e com o papel de obediência do cidadão. 2. (UECE – 2015) Para escrever a História é necessário reunir fontes ou testemunhos, que são objetos e documentos – restos do passado – que

ajudam a compreender um contexto em determinado período. Sobre as fontes documentais, é correto afirmar que a) não variam de modo algum; devem ser documentos escritos e registrados pela autoridade competente da época e do local do qual fazem parte. b) são criadas e elaboradas criteriosamente para fins de escrita por arqueólogos, etnólogos, paleógrafos e paleontólogos. c) são várias, como as escritas, as orais, as narrativas e os mitos populares, e diferentes tipos de imagens. d) são os mapas geográficos e históricos, e as linhas temporais, cronologias específicas dos calendários geomorfológicos. 3. (Enem/MEC – 2014) A Praça da Concórdia, antiga Praça Luís XV, é a maior praça pública de Paris. Inaugurada em 1763, tinha em seu centro uma estátua do rei. Situada ao longo do Sena, ela é a intersecção de dois eixos monumentais. Bem nesse cruzamento está o Obelisco de Luxor, decorado com hieróglifos que contam os reinados dos faraós Ramsés II e Ramsés III. Em 1829, foi oferecido pelo vice-rei do Egito ao povo francês e, em 1836, instalado na praça diante de mais de 200 mil espectadores e da família real. NOBLAT, R. Disponível em: www.oglobo.com. Acesso em: 12 dez. 2012.

A constituição do espaço público da Praça da Concórdia ao longo dos anos manifesta o(a) a) lugar da memória na história nacional. b) caráter espontâneo das festas populares. c) lembrança da antiguidade da cultura local. d) triunfo da nação sobre os países africanos. e) declínio do regime de monarquia absolutista. CAPÍTULO 1 | HISTÓRIA, CULTURA, PATRIMÔNIO E TEMPO

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4. (Enem/MEC) Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial. Internet: <www.unesco.org.br>.

Qual das figuras abaixo retrata patrimônio imaterial da cultura de um povo?

Pelourinho. Bill Ramsden/Shutterstock/Glow Images

d)

Cataratas do Iguaçu.

e)

Bumba meu boi. Pius Lee/Shutterstock/Glow Images

Cristo Redentor.

c)

Carlos Goldgrub/Opção Brasil Imagens

b)

Ivan F. Barreto/Shutterstock/Glow Images

Mark Schwettmann/Shutterstock/Glow Images

a)

Esfinge de Gizé.

5. (Enem/MEC) A Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desenvolveu o projeto Comunidades Negras de Santa Catarina, que tem como objetivo preservar a memória do povo afrodescendente no sul do país. A ancestralidade negra é abordada em suas diversas dimensões: arqueológica, arquitetônica, paisagística e imaterial. Em regiões como a do Sertão de Valongo, na cidade de Porto Belo, a fixação dos primeiros habitantes ocorreu imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil. O Iphan identificou nessa região um total de 19 referências culturais, como os conhecimentos tradicionais de ervas de chá, o plantio agroecológico de bananas e os cultos adventistas de adoração. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo. do?id=14256&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia>. Acesso em: 1 jun. 2009. (com adaptações).

O texto acima permite analisar a relação entre cultura e memória, demonstrando que:

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a) as referências culturais da população afrodescendente estiveram ausentes no sul do país, cuja composição étnica se restringe aos brancos. b) a preservação dos saberes das comunidades afrodescendentes constitui importante elemento na construção da identidade e da diversidade cultural do país. c) a sobrevivência da cultura negra está baseada no isolamento das comunidades tradicionais, com proibição de alterações em seus costumes. d) os contatos com a sociedade nacional têm impedido a conservação da memória e dos costumes dos quilombolas em regiões como a do Sertão de Valongo. e) a permanência de referenciais culturais que expressam a ancestralidade negra compromete o desenvolvimento econômico da região. 6. (Enem/MEC – 2014)

Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado nesta quinta-feira (15) como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do Iphan e do conselho ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está “inserida na cultura do que é ser mineiro”. Folha de S. Paulo, 15 maio 2008.

Entre os bens que compõem o patrimônio nacional, o que pertence à mesma categoria citada no texto está representado em: b)

c)

Mosteiro de São Bento (RJ).

Tales Azzi/Pulsar Imagens

Robert Napiorkowski/ Shutterstock/Glow Images

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

a)

Conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade de Ouro Preto (MG).

e)

Tiradentes esquartejado (1893), de Pedro Américo.

João Prudente/Pulsar Imagens

Pedro Américo. 1893. Óleo sobre tela. Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora

d)

Sítio arqueológico e paisagístico da Ilha do Campeche (SC).

Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES).

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II. Leitura e escrita em História Leitura de imagem

Ricardo Azoury/Olhar Imagem

Joao Prudente

As pinturas a seguir foram feitas em rocha e se encontram em sítios arqueológicos do Nordeste. A primeira está em Lajeado de Soledade, no município de Apodi, no estado do Rio Grande do Norte. A segunda está no Parque Nacional Serra da Capivara, no município de São Raimundo Nonato, no estado do Piauí; este parque foi tombado pelo Iphan em 1991. Observe as imagens com atenção.

a) O que se vê na primeira imagem? b) E na segunda? c) Dê o significado dos termos: pintura rupestre; sítio arqueológico; Iphan. d) O artista que pintou a capivara e seu filhote conseguiu transmitir a ideia de movimento? e) Quando terão vivido os seres humanos que elaboraram essas pinturas?

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