Catálogo Open Source Sucá Puc-Rio

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sucá uma cabana para celebrar o diálogo cristão-judaico na puc-rio

‫סוכה‬

_manual de montagem

ESCRITÓRIO MODELO DE ARQUITETURA E URBANISMO



_memorial _catรกlogo de peรงas _catรกlogo de ferramentas _manual de montagem


SUCÁ. UMA CABANA PARA CELEBRAR O DIÁLOGO CATÓLICO-JUDAICO NA PUC-RIO Há vários anos a Fraternidade Cristã-Judaica e o Diálogo CatólicoJudaico se reúnem na PUC-Rio com o intuito de ampliar o diálogo entre as religiões, povos e etnias, realizando seminários e encontros. No ano de 2000, ao organizar um congresso com o tema “As Festas Judaicas e Cristãs”, verificou-se a coincidência com a festa de Sucot, marcante na tradição judaica. Surgiu daí a sugestão de montar uma sucá no campus. A Associação Religiosa Israelita-ARI, alicerce do diálogo desde sua criação, ofereceu-se para a construção, e a PUC, através do então Reitor Padre Jesus Hortal, garantiu a infraestrutura – luz, som e, o mais importante, a folhagem necessária para a cobertura da cabana. Desde então, a montagem da Sucá se transformou em uma das principais iniciativas do Diálogo, amplamente apoiada pelo atual Reitor da PUC, Pe. Josafá Siqueira. Com duração de sete dias, do 15º ao 21º dia do mês hebraico de Tishrei (geralmente em Outubro), Sucot é celebrado por judeus de todo o mundo, com cabanas montadas em jardins residenciais, espaços comunitários, pátios de sinagogas, universidades e escolas, em obediência ao mandamento de Levítico 23:42-43 “Sete dias habitareis em tendas..... para que saibam as vossas gerações que fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito”. O valor simbólico da celebração de Sucot ultrapassa os limites do Êxodo, e abarca várias novas dimensões: torna-se festival agrícola que celebra a colheita e reza por chuvas para garantir a fertilidade da terra e boas colheitas futuras; festa do Tabernáculo, por ser uma das três grandes peregrinações que todo judeu devia fazer até o Grande Templo, em Jerusalém, levando seus melhores produtos, frutos de plantio e criação de gado. É também a festa da acolhida, pois na inauguração da Sucá deveriam ser convidados representantes das 70 nações existentes à época. É, ainda, a lembrança da fragilidade do ser humano e da precariedade material de suas posses, pois ao habitar em frágeis cabanas, todo judeu deve lembrar que muitas pessoas não possuem a segurança de um teto sobre a cabeça, nem a garantia de uma cama confortável ou de uma refeição satisfatória. A ARI e outros parceiros do Diálogo mantiveram a construção seguindo o padrão da sinagoga, amplas e enfeitadas, até 2011 quando a Bambutec (setor da PUC que pesquisa o uso sustentável do bambu existente em abundância no campus) assumiu sua construção que se tornou um marco


na história do Diálogo. No ano seguinte, por conta do calendário escolar da PUC, com numerosos feriados e realização do vestibular, havia-se decidido interromper a tradição, quando o Rabino Eliahu Haber, do Beit Lubavitch contactou a Professora Diane Kuperman pedindo para manter a construção, comprometendo-se pessoalmente com a construção. Com a anuência do Pe. Hortal e a ajuda inestimável da Prefeitura do Campus e colaboração de alunos, cumpriu-se o compromisso, mantido até 2016, quando o Escritório Modelo do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC resolveu tomar a si o desafio de desenvolver uma Sucá que mantivesse o conceito de fragilidade mas, ao mesmo tempo, atraísse o interesse dos passantes. É preciso reconhecer que a sucá era construída amadoristicamente, sem um projeto definido, com o uso de compensados que depois eram descartados. Em função do improviso, ela tinha uma aparência simples que pouco atraia a comunidade universitária em geral. A beleza da festividade, a importância de celebrar a colheita, e principalmente a vontade de desejar prosperidade a toda a comunidade universitária, e não só aos judeus, fez com que o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo oferecesse o projeto ao rabino Eliahu Haber e à Fraternidade Cristã-Judaica, coordenada pela profª Diane Kuperman, de forma a marcar com maior ênfase a necessidade do diálogo entre povos, principalmente em um momento em que o mundo tem demonstrado o retorno à intolerância étnica e religiosa. OS PRECEITOS DA RELIGIÃO E O PROCESSO CONSTRUTIVO. DAS IDEIAS INICIAIS AO OPEN SOURCE PROJECT Se, a princípio, o projeto de uma cabana pode parecer simples, o desafio de fazer uma Sucá que respeitasse os preceitos religiosos da cashrut em um campus de universidade católica é mais complexo do que se possa parecer. O objetivo desse novo projeto era ser acessível a todos, independente do credo, por mais que os rituais religiosos fossem realizados pelos judeus. Por isso, pensou-se em um projeto que trouxesse alguns símbolos reconhecidos do judaísmo em suas fachadas – a Estrela de David e a Menorah -, que explorasse o contato com a natureza através de materiais naturais como a madeira, o tecido em algodão e a cobertura vegetal, que tivesse um ótimo conforto térmico em seu interior e ampla iluminação natural.


A sucá é uma construção aberta, que deve ter ao menos 3 paredes e uma cobertura vegetal parcial que permita o contato com o céu, a visão das estrelas e mais sombra do que luz do sol. Como desejavase atrair a comunidade universitária como um todo, pensou-se em paredes vazadas pelos símbolos judaicos recortados na router e cortinas brancas internas costuradas em tecido translúcido para permitir a entrada da luz e a visibilidade externa dos encontros. Do corte das madeiras à costura das cortinas, tudo foi realizado por estudantes e professores do Escritório Modelo de Arquitetura, de várias origens e religiões, com a orientação do rabino Eliahu Haber para fazer uma construção casher. Para experimentar um processo construtivo que utilizasse ferramentas digitais e uma router de corte a laser cnc existente no canteiro experimental da PUC-Rio, propôs-se uma sucá modular e flexível, toda em madeira, que permite novas configurações e montagens a cada edição, sem dificuldade. Em função disso, o catálogo do projeto, com todo o processo de fabricação e montagem, pode ser disponibilizado na internet em sistema open source para que outras comunidades possam reproduzi-lo se assim desejarem. Foram alguns meses de projeto e sete dias de produção das peças formadas por estrutura em pergolado em maçaranduba, painéis em compensado naval e cortinas em tecido de algodão. A montagem durou 3 dias, respeitando-se o shabat, e a desmontagem foi feita em poucas horas, mas com todo o cuidado de armazenamento das peças e ferragens para as edições seguintes.



peรงas_

13 caibros de 6x4x250mm

4 vigas chanfradas de 14x6x250mm

12 pilares de 14x6x250mm


ferramentas_

30 cantoneiras

24 barras rosqueadas de 3/8� (10mm) com 15cm + 2 porcas e arruelas/cada

parafusos de 3mm (aprox. 120)

parafusadeira sem fio

furadeira de impacto


montagem_

1_ alinhe os pilares e as vigas

2_ encaixe os parafusos em esquadro


3_ aperte as porcas


4_ organize as peças para preparar para levanta-las


5_ alinhe as duas paredes


6_ prenda com cantoneira um caibro em cada extremidade para travar a estrutura


7_ prenda os pilares nas laterais, tambĂŠm com cantoneiras


8_ coloque os demais caibros na cobertura, sempre a partir do eixo dos pilares


9_ faรงa os furos para prender as placas da fachada


10_ prenda as placas utilizando parafusos



11_ configure da forma que preferir. o sistema modular permite criar diferentes combinaçþes.





AGRADECIMENTOS_ ao Professor Moisés Szwarcman ao Padre Jesus Hortal à Diane Kuperman

EQUIPE_ Vera Hazan Luciano Álvares Arnon Lintz Julia Tabet Michel Zalis Natalie Przechacki Eduardo Romano Rodolpho Guimarães Sofia Olival COLABORADORES_ Bruno Bins Bianca Naylor Flávia Renales Henrique Fialho José Eduardo Teixeira Larissa Mesquita Priscilla Rembischewski Suzane Taublib Tatiana Pines SUPERVISÃO RELIGIOSA_ Rabino Eliahu Haber


INFORMAÇÕES DE CONTATO_ email_ emdaupucrio@gmail.com endereço_ Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Rua Marquês de São Vicente, 225 Ed. Metro/mezanino, Gávea


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