Colocar comida na mesa: a subalternidade material do homem/pai negro Tamis Porfírio Quando nos referimos ao papel social da paternidade, dentre muitas atribuições, o provimento material é socialmente considerado como uma das mais importantes. Quando é o homem a exercer esse papel, muitos aspectos relacionados à masculinidade hegemônica são agregados a ser um “pai de verdade” e ter um trabalho que gere a renda necessária para manter materialmente os(as) filhos(as) é um importante aspecto de valorização e reconhecimento. Mas ao nos voltarmos para os homens negros, essa situação se complexifica e passa a ser cortada pelas imensas desigualdades raciais e de classe que esses têm de enfrentar no mercado de trabalho. “Ser negro é ser o corpo negro, que emergiu simbolicamente na história como o corpo para o outro, o branco dominante” (PINHO, 2004, p.67). Segundo Pinho (2004), o homem negro é acima de tudo um corpo. Um corpo que serve fundamentalmente ao trabalho e ao sexo. O corpo do homem negro está decomposto e fragmentado em partes, de acordo com suas marcas racializadas: a pele, as marcas corporais da raça, tal como o cabelo, o nariz, os lábios grossos, os músculos ou a força física, o sexo representado pelo pênis exotizado que exprime a sensualidade exagerada, tornando-se um fetiche para o olhar da branquitude.
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