Dança das flores 1 edição

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Dança das Flores - A Bailarina que Perdeu o Equilíbrio -


Dedicatória: À serenidade, ao amor e à paz de todos aqueles que souberam me dedicar. E que eles eternamente saibam disso!

SINCEROS AGRADECIMENTOS: Deus em primeiro lugar, nosso CRIADOR. meus pais, Pedro Paulo Flôres e Bernadete de Carvalho Flôres pela sempre presente FORÇA E AMOR INCONDICIONAL – MINHAS FORTALEZAS! Meus irmãos Silvia Cristina (minha linda e forte), Ana Eloise (minha amada socorrista quando precisei manter minha escola de pé e me manter viva), Paulo André (mestre cuca de plantão e PHD em Biologia) e Fábio Henrique (MEU Bego, paizão de Mimi e Bê).


meus sobrinhos amados André (Paulo André), Gisele, Henrique (meu afilhado), Lucas, Yasmin, Bernardo, Samantha, Roberto Luiz, Tiago, Davi... TODA MINHA FAMÍLIA! Agradeço também a todas minhas amigas. E a esta minha amiga, desde muito cedo em minha vida e a SEMPRE presente amiga: Tatiana Bonin ( Tatiana de Oliveira Carlos). Jornalista e Ser Humano sem igual. Por seu profissionalismo e amor dedicado a tudo que faz.

À Giovanna Artigiani, pela calma, paciência, capacidade de organização, tranquilidade que me auxiliou a buscar e encontrar. Dentro de mim. Pois somente assim, conreguimos o que almejamos. Obrigada de coração, Gio!


TODA família de Giovani do Espírito Santo, que sempre me acolheu com muito amor!


MINHA EQUIPE NA ÉPOCA EM QUE COMECEI A CARREIRA SOLO. Eles foram as minhas pernas. Deramme a mão, o braço e o coração... COM TODA CERTEZA, AMO VOCÊS! Douglas Ferreira pelo apoio e pelas palavras. Edu Sobrosa (Kailash Escola de Yoga), com sua força de vida. Seu Mauro e Dona Jurema, colegas da caminhada. Tone Alcântara, meu grande amigo de gostosas risadas e programas divertidíssimos, o mais novo amigo para sempre. À Diego, o meu B.l.z. do Sarah; à toda a equipe médica, copeiras, cozinheiras, equipe de limpeza, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, às fofas enfermeiras, psicólogas, pedagogas, artistas dessa instituição EXEMPLAR.


TODOS OS MEUS FAMILIARES QUE ME APOIARAM COM TANTO AMOR E SOUBERAM DIZER A PALAVRA CERTA NA HORA CERTA! memória de meu Avô Bernardo Carvalho (fonte de inspiração e serenidade), de meu avô João Flôres (responsável, minucioso,...), à minha avó Iracema (lembrança de calma, bondade e harmonia) e minha avó Bráulia (lembra determinação). A Elisete da Top-in, que sempre me dá dicas divinas e de paciência e compreensão! A nosso querido Marcelo Poletto (o meu control L) Agradeço a todos os alunos do C.D.L.F. que tão carinhosamente me tratam! A Douglas Faraco, que me acompanha desde antes de minha carreira solo, até agora no CDLF e que na crise do Susac me acompanhou no Hospital Sírio Libanês-RJ; Obrigada por tudo, amigo!


À Tirzhá Lins Porto Dantas (eta nome chique), minha grande amiga de colégio, a mais nova prof. da Federal do Paraná, que não anda mais de” ôns”. À Clarisse Pereira Nunes do blog “Dança Catarina”, pelo apoio e pelas ideias em prol da dança de Santa Catarina. Aos(às) meus(inhas) amigas(os) de infância e adolescência. que sempre que possível, dentro de suas vidas corridas, alegram-me pelos e-mails, redes-sociais e até pessoalmente. Lílian, mãe da Paula... minha amiga, minha incentivadora. Sempre presente! Uajara Cabral de Almeida, meu amigo, que me chama de “Granbell” e majestosa. Se eu tivesse um décimo da finesse deste grande homem da voz grave, eu já ficaria feliz. À toda minha equipe (Centro de Dança Laura Flores) que me dá muita força e alegria e a meus ex-alunos do CDEN, que sempre que me encontram ou me ‘acham’ na internet, me dizem lindas palavras de força e amor! Meu muito obrigada à vocês.


Alexandra Klen e Edmilson Ramparazzo, que juntamente com seus filhos Tomas e Tobias, tiveram grande participação em minha vida! meus novos amigos. OBRIGADA POR EXISTIREM! E não poderia deixar de agradecer a muitos motoristas de ônibus da Empresa que faz a linha da Trindade e região, que são tão prestativos e atenciosos com a minha pessoa. Eles e alguns motoristas de táxi com os quais dou ótimas risadas e tenho excelentes conversas. Faltam páginas para agradecer a todos os irmãos que colaboraram nesta empreitada e que auxiliaram em minha recuperação, mas acredito que esteja de bom tamanho. Fica aqui meu perdão aos que não foram citados.


Laura Flores, Camilla Savi e os queridos alunos, Seu Valnei,

Edmundo, Regina e Artur... Em Buenos Aires no “Senhor Tango� (1999)



“Inválidos são aqueles que em plena posse de seus movimentos mantém a vida paralítica dentro deles, e só fazem paralisar os demais.” Vinícius de Moraes


Abstract:

"Dance of the Flowers - the dancer that lose the balance" is a lovely book! The unusual history of Laura Flores comes packed with many reports along with large and diverse professionals who came to complete further the plot. It tells about dealing with 'Susac Syndrome' , with finesse and professionalism, and various other matters with great sense of humor. Will be a book that surely will help a lot of people and will go down in history.�

About LAURA FLORES: Laura Flores was born on December 5, 1977, in FlorianĂłpolis, SC, Brazil.She had her second birth in 2005 when he survived the "Susac Syndrome", a rare cerebral vasculitis.


In academic terms, Laura graduated in Physical Education and Sport degree at UDESC. Early, she became a Professor at UNISUL, Palhoรงa and Tubarรฃo/SC. Began dancing as a child Ballet and Jazz for Children, always showing great aptitude for art of dancing. She also practiced Hip-Hop, Afro-Dance, JazzDance Advanced, Dance Contemporary, DanceTherapy, DanceAdility, Swimming, Synchronized-swimming, Taekwondo, and a lot of corporal experiences. She has participated for many years to an artistic choir, always with great emphasis and touring throughout Brazil. Ballroom Dancing began, in Florianรณpolis, SC.


Later on, her career got perfected and stuffed with various professionals from Brazil and the world. She perfected herself with people like Jaime Arôxa, Jomar Mesquita, among other great professionals, including participating in the "First International Meeting of Dance Hall". She has received numerous awards as a dancer and teacher participating in many events such as the "Festival de Dança de Joinville", the A Lot of Dance Shows' in Florianopolis and Brazil, 'World Salsa Congress" among many other greats in Brazil. Have art in her body and see how it's always a great possibility. Now runs his school and also provides consultancy in the field of dance. Keeps the active site of his school and his www.lauraflores.com.br' BLOG, which is accessed through a web-site of your school.


Uses Social Networking as a business tool and contact information. Today the fight for the launch of his biography, "DANCE OF FLOWERS - the dancer who lost his balance" and claims that its launch will help the general public. Is always open to new projects and keep constantly connected to ART"


Sumรกrio :


Minhas memórias, minha biografia, meu diário comentado, minhas reflexões, enfim meu tão sonhado livro! DANÇA DAS FLORES A Bailarina que perdeu o equilíbrio Por Laura Flores


Foto utilizada para divulgação do “Espetáculo 2003 – Casa da Dança Luiz e Laura”.


Vorwort/Prefáciè ... From the Friend of My Heart

Há alguns anos a minha grande amiga veio até a casa da minha mãe me visitar. Em esta vinda ao Brasil tive a tristeza de encontrá-la sem esperanças. Não havia muito tempo que havia tido a doença e por mais que tentássemos sugerir atividades para ela fazer, sem pestanejar ela negava cronicamente nossas propostas. Foi então que minha mãe comentou sobre a possibilidade de escrever um livro. A Lauren Hill (é assim como eu a chamo) enfim desfez aquele dar de ombros cansativo. Nascia aí a bailarina que perdeu o equilíbrio: um livro de memórias, do antes, durante e depois. O livro de uma mulher de coragem. Nos conhecemos no primeiro dia de aula na universidade de Educação Física e nunca mais nos largamos. Os professores confundiam nossos nomes, aprontávamos poucas e boas, mas sobretudo nos


completávamos intelectualmente. Éramos unha e sujeira... Hoje unha e esmalte.

A Lauren Hill é um baú de memórias. Lembra-se de nomes completos, de episódios hilários e eu não duvido que ela saiba o horário e o dia em que tivemos certa disciplina. Antes do Susac ela vivia na velocidade da luz; Tinha mil projetos em andamento, a dança, a academia, o casamento, a aula na universidade. Hoje ela é luz. Antes, para ir à padaria, ela pegava o carro. Aliás, só andava pra lá e pra cá acelerando. O Susac a freiou mas ela já puxou o freio de mão e passou a primeira. Com a Laura, ninguém pode! Ela é uma mulher apaixonante. A acompanhei com seus diversos companheiros, Gugu, Giovani... Seu coração está sempre pronto para uma paixão e ai daquele que não souber amá-la.


Isso o Susac não conseguiu mudar. E também não conseguiu mudar essa pessoa brilhante, encantadora, divertida, sensual e maravilhosa que é a minha amiga, Maria Laura. É um enorme prazer poder participar desse livro, da história de uma dançarina que rodopiou, caiu e se levantou ainda mais bela, mais poderosa e mais fantástica do que alguém um dia poderia imaginar. Essas linhas que vocês lerão são a prova disto. Aproveitem, deliciem-se e sigam o exemplo de vida dessa mulher sem freios, sem preconceitos e repleta de vida. "Quando eu não puder entrar mais na avenida, quando as minhas pernas não puderem aguentar..."

Paula De Avila Widauer 5 8005 Züirch 041 78 882 62 24 paulawidauer@gmail.com


Para o palco da VIDA, apresento, Maria Laura Flores: “A Roupa Vazia” Maria Laura é uma pessoa bastante singular, mas para início de conversa é bom que se diga que ela é uma pessoa cujas idéias não cabem na cabeça, dizem que sempre foi assim e dou meu testemunho que continua sendo. Sou terapeuta ocupacional e quando recebo um novo caso sempre tenho a sensação que entrei no cinema com o filme já começado, onde muitos fatos importantes já aconteceram e alguns podem pensar que o enredo se encaminha para um triste final. Tenho que me esforçar para entender fatos que modificaram em suma uma pessoa que não conheci antes, ajudá-la a se reorganizar e assumir o papel de agente de mudança do curso da própria história, ajudando a pessoa a entender qual é o seu novo papel na vida, o que ela poderá fazer com os recursos que tem, quais são os contornos dos seus novos limites.


Maria Laura é, entre outras coisas, bailarina, filha, empresária, amiga, amante da tecnologia, bonita, inteligente, irmã. Dona de uma personalidade forte e marcante, ela tem uma trajetória de vida marcada por desafios e conquistas. Ela trás dentro de si, entre outras coisas, a Síndrome de Susac, a doença bipolar, um coração sensível e uma teimosia enorme. Muitas palavras já me foram ditas sobre ela, que é “intempestiva”, “indomável”, “forte”... Ela olha para si mesma ontem e hoje e compara, mas nunca usa pontos finais. Outro dia mesmo ela me saiu com uma novidade: fazer um bazar para vender as roupas que usou dançando. Não esperava, confesso que senti um pesar, sabia que aquelas roupas cheias de história, estavam também cheias de lembranças e esperanças. Mas ela justificava toda cheia de si, dizendo: “É preciso que as roupas continuem dançando em outras pessoas, continuem vivas. Minhas lembranças continuam nas fotos, nos vídeos”. Ela não me disse “não gosto mais dessas roupas” “não agüento vê-las e não poder usá-las”; estava me dizendo claramente que


houve uma mudança interna que sinaliza que há uma nova percepção que quem ela é. É preciso saber virar as páginas da vida para que a história possa continuar. O cenário mudou? É preciso enquadrar-se, mudar o figurinho, usar novas roupas que dizem que Maria Laura é agora alguém diferente, nem melhor nem pior, mas diferente. Ela segue valorizando o que passou quando me diz “Por esse vestido vou pedir duzentos reais. Pague quem quiser.” O passado tem valor, pois construiu o alicerce do que ela é, pilares fortes onde pode se apoiar e seguir em frente. Aquelas roupas estão vazias, precisam seguir adiante, precisam abrir espaço para novas possibilidades. Eu entendi e concordei, é isso aí Maria Laura, aplausos para você! Trabalhar com ela é assumir que os desafios são grandes, patologias que são gigantes que dormem e acordam, mas que ocupam um grande espaço. Por outro lado o tempo que passou coloca que há um maior conhecimento por parte dela dos limites e das estratégias que ajudam a conviver com elas. Há também mais conforto e confiança no uso de seus recursos que eu não canso de


dizer que são muitos. Maria Laura segue aprendendo novas coisas sem parar, segue interessada nas pessoas e na ampliação que os recursos artísticos podem fazer na sua vida. O pensamento acelera e desacelera, porém suas idéias são mesmo grandes e dinâmicas, isso é seu, e por isso digo que elas não cabem na cabeça embora hoje em dia nem sempre “há pernas para correr atrás das idéias”. Gosto de dizer para Maria Laura que só o que lhe foi tirado na vida foi a velocidade. Uso uma comparação da qual sempre rimos muito, digo que antes ela era uma Ferrari e agora é um fusquinha. Maria Laura se acostumou à velocidade da vida, às emoções das curvas que mudavam os caminhos. Hoje ela tem tudo, anda, fala, enxerga, escuta, pensa, tudo em menor velocidade, é um fusca, um carro valente, carismático mas sem glamour. Mas ela segue em frente assim, abrindo caminhos e agora bem mais atenta à paisagem e as pessoas à sua volta. A vida pode ter tirado coisas mas lhe deu tempo para saborear mais, perceber mais.


Não posso deixar de falar da família da qual Maria Laura é membro. Os Carvalho-Flôres são fortes, numerosos, modernos e unidos. Sempre envolvidos uns nas vidas dos outros, formam uma corrente da qual reconhecem a importância de cada elo. A fruta não podia cair longe da árvore, os tropeços, minha gente, vem do fato de que há muitas raízes e todos são muito ativos em volta do tronco. Maria Laura é uma bailarina que perdeu seu equilíbrio corporal sim, mas segue muito ativa na dança da vida, onde é preciso seguir em frente, é preciso não desistir, é preciso vender as roupas vazias de significado e garantir que haverá espaço no armário para novos sonhos. Eu aprendo todo dia com sua vida. Laura, é um grande prazer te conhecer, aplausos de novo pra você!

Giovanna Artigiani



Laura Flores (Ribeirรฃo da Ilha, Florianรณpolis/SC, 2010)


PARTE I CONHECENDO AS MANHAS E AS MANHÃS A letra de uma linda canção de Almir Sater diz muito sobre mim. Por isso, eu a elegi para iniciar este livro: “Ando devagar porque já tive pressa e trago esse sorriso, porque já chorei demais... Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe Só levo a certeza que muito pouco sou... e nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs O sabor das massas e das maçãs. preciso amor para poder pulsar, é preciso paz poder sorrir preciso a chuva para florir simplesmente

Penso que cumprir a vida seja


Compreender a marcha e ir tocando em frente Como o velho boiadeiro levando a boiada

Vou tocando em os dias pela longa estrada eu vou Estrada eu sou! Todo mundo ama um dia Todo mundo chora Um dia gente chega e junto vai embora Cada um de nós compõe a sua história

E cada ser em si carrega o dom de ser capaz... e ser feliz”

Laura Flores (Ribeirão da Ilha, Florianópolis/SC, 2010)


SEM LUTA, SEM VITÓRIA “Ficar fora do meu caminho implicava, em parte, que eu precisava aceitar ajuda externa. A recuperação é um processo longo e anos seriam necessários, até que tivéssemos idéia sobre o quanto poderíamos recuperar”. (Retirado de “A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro”, de Jill Taylor) O bairro da Trindade (Fpolis – SC) é realmente um bairro iluminado. As pessoas são solícitas, humanas e atenciosas, com suas exceções, é claro. Estou no início da adaptação ao andador e estou sendo muito bem recebida pela população do meu bairro. Meu andador é azul; azul da cor do oceano, da cor da turquesa, do sangue da nobreza, do céu, do paletó de Roberto Carlos... Lindo como todos eles! Outro bom uso do andador: já que não consigo mais bater os pés no chão, o andador serve pra enxotar vira-latas


da minha proximidade (se não os quero perto de mim, é claro – quando não são fofinhos!). Hoje, no ponto de ônibus, ao conversar com uma senhora de nome “Maiá”, e ela, como tantas outras pessoas amáveis com as quais converso pelo bairro, me disse uma frase que para sempre me lembrarei: “Sem luta, não há vitória”. Segundo ela, essa frase já é antiga e conhecida, porém, prá mim, caiu como uma luva. Outra senhora me encontrou na rua e me disse que quem inventou esse andador, merece muitas orações... coisa mais amada essas senhora e os idosos de uma forma geral que me encontram com um olhar tão carinhoso. São tantos fulanos e cicranos que cruzo pelo meu caminho; é tão gostoso este processo! Hoje, sinto-me serena com minha limitação: não tenho mais pressa, não tenho mais aquela ansiedade de ir a todos os lugares e a todo o tempo.


Ainda ontem fui ao Teatro (Sozinha!!!!! Só eu e o andador ) e encontrei “João e Maria”. Mais um casal especial na caminhada! Disseram-me ou diziam um ao outro: como ela é animada, né João, como ela vê as coisas numa boa? E agradeço ao universo por esta benção que hoje vivo. “Quirida, isso mesmo. Segue a tua luta, tanta gente por aí com tudo e reclamando. És um exemplo!” Quando eu iria imaginar, um dia passar por isso em minha vida? Sou tão bem acolhida pelos irmãos que, às vezes, chego a me surpreender. Só falta me pegarem no colo; só não o fazem porque certamente eu não pemitiria (espiritualmente penso que seja isso que fazem!). Minha forma de lidar com mundo hoje é outra... Obrigada Maiá; obrigada a todos os irmãos que cruzo pelo caminho e tão amorosamente me tratam. De coração!


NOS PRIMÓRDIOS DA MINHA DANÇA Escrevi um livro, quando ainda era “normal”, ou seja, pulava, saltitava, corria, dançava como o de praxe e muito bem, por sinal. O livro intitulava-se “Manual de Dança de Salão”. Nele, eu escrevia várias coisas e sobre quase tudo na dança de salão, como eu sempre procurei ser: um pouco de tudo; tudo ao mesmo tempo, agora. Hoje vejo que aquele livro não teria nem metade do conteúdo deste. Mas eu nunca imaginei, na época, que eu teria uma doença neurológica raríssima (Síndrome de Susac) e, em seguida, uma crise maníaca (Doença Bipolar). Isso mesmo: sou Susac e Bipolar. Digo isso sem medo e sem vergonha alguma. Minha vida é um livro aberto! Digo mais: agora que começou a minha verdadeira história.



Laura Flores e partner Dançando a coreografia “Pour Elise” (Porto Alegre/RS)


EXPLICO-ME UM POUCO... Estamos em 2009. Fazem quase 7 anos que descobri minha “Síndrome de Susac”. Uma patologia rara, que é uma vasculite cerebral, uma doença auto-imune; o corpo contra o próprio corpo. Demorei até entender isso. Não é vírus, não é

bactéria, não é infecção, não é de origem genética. No meu caso, deixou sequelas na parte visual (retina – a membrana que envolve o olho), auditiva (cóclea – parte interna do ouvido direito, principalmente) e motora (essencialmente equilíbrio - cerebelo). Quando adoeci eram apenas 38 casos no mundo registrados. Eu achava que ainda iria caminhar, dirigir e dançar normalmente ou que minha recuperação seria quase que como um passe de mágica; um estalar de dedos. Mas não foi bem assim. Hoje vejo que minha recuperação será no dia-a-dia, na concentração, nas atividades diárias, nas tarefas de casa, no estender roupas, nas mínimas atividades como pintar desenhos, na leitura, no


escrever, no amarrar cadarços, NO CAMINHAR, CAMINHAR E CAMINHAR CORRETAMENTE. Nestes dias difíceis do princípio, meu médico, então, foi Dr. Fernando Cini Freitas. Percebia, apesar de meu estado de letargia e nervosismo, sua ansiedade com meu caso. Os exames não fechavam com o quadro clínico e a punção lombar, que foi enviada para a Espanha (um dos poucos países que faziam o exame para confirmação do diagnóstico) demorava a chegar (este exame iria confirmar a hipótese). Fui, com certeza, a primeira paciente com tal Síndrome do doutor. Muitas mudanças ocorreram em minha vida, como deve ocorrer na de todos os lesados cerebrais, medulares e com patologias raras. Vestir as meias e roupas íntimas, vestir uma camiseta de pé, uma calça, se banhar, pôr jóias e se maquiar, fazer amor.


Carregar um copo d´água tão cedo não mais será a mesma coisa. Caminhar no escuro, idem. Para andar com objetos, necessito carregá-los com uma das mãos e a outra serve para qualquer necessidade eventual de queda; escovar os dentes em função de minha incoordenação ficou bastante prejudicado, portanto: PRECISO CUIDAR UM POUCO MAIS E ME ADAPTAR! Tudo mudou e só aceito isso quase 5 anos depois da crise do Susac. Falar é fácil, fazer é MUITO mais difícil, porém não impossível. Constatei também que AMIGOS SÃO AS MAIORES JÓIAS QUE POSSUÍMOS e que devemos guardá-las num cofre a sete chaves. Em nosso coração com todo cuidado e amor! Auxiliam-me muito e fazem quase o impossível

para

me

ajudar.


A FISIOTERAPIA NÃO É A CURA, NÃO!

Acredite, a fisioterapia não é a cura para a minha patologia. É, sim, um exercício monitorado por um profissional que escolho a dedo, que conversa comigo, que me auxilia MUITO nas minhas dúvidas motoras e até neurológicas/psicológicas para manutenção e melhora das sequelas. A fisioterapeuta me auxilia em minha recuperação. Comecei a perceber que o andador significa independência e liberdade; Temporário e não permanente, como já mostrou a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Ele reeduca meu cérebro a caminhar novamente! Sem o andador me viro, é claro, me apoiando nas paredes, andando com as pernas bem afastadas, me segurando em muros, pedindo ajuda, pegando táxis e caronas de braço. MAS COM ELE TUDO MUDOU! Não sei até quando vou precisar utilizá-lo...


Nomeei este meu novo amigo de independência, ou liberdade, como queiram. Aceitei seu uso, finalmente, após duas quedas extremamente tristes: em plena Avenida Madre Benvenuta (muito movimentada em Florianópolis). Caí e não tinha força nas pernas para levantar (estava em depressão na época e por isso também fraquinha). Fingi que estava meditando... oomm! Pedi ajuda à umas crianças da Escola da PM que passavam (ah, eu dava muita risada: nisso eu não mudei). Reergui-me e logo a frente, de fronte a uma grutinha, o segundo tombo. Mas ali havia um senhor muito prestativo, que prontamente me levou até minha escola de dança. Ufa! Neste dia percebi mesmo, que as pessoas prosseguem suas vidas APESAR DAS MINHAS DIFICULDADES.


Passei por várias fases no pós Susac, é verdade... E hoje digo que estou na melhor de todas elas. A vergonha de todos; a vergonha de mim mesma PASSOU... SINTO QUE BRILHO AO UTILIZAR O ANDADOR! Vejo que as palavras pra mim são e serão ADAPTAÇÃO E INCLUSÃO.

PALAVRAS DE ORDEM: ADAPTAÇÃO E INCLUSÃO Como estava dizendo, adaptação e inclusão serão as palavras de ordem a partir do atual momento.Por exemplo, adaptar-me às atividades, às minhas possibilidades reais. Darei alguns exemplos... Como não manuseio perfeitamente os alimentos, preciso exercitar para minha capacidade de manuseio e visão. Para fazer feijão: lavo o feijão, coloco-o para cozinhar, após isto feito ponho a lingüiça e depois o louro e


as verduras... assim preparo os alimentos: passo a passo e com amor, como minha mãe me ensina! E assim faço com diversas coisas da culinária. Mesmo que duvidem... faço sim! Inclusive já aprendi a fazer a TAINHA COM OVA, ISTEPÔ! Receita da minha mãezinha... Vou fazer e acredito que várias pessoas vão adorar! E FAÇO SEM PRESSA, por incrível que pareça! Parece que estou ensinando a oitava maravilha do mundo, mas é que foi muito difícil eu conseguir atingir este patamar. TUDO, TUDO, TUDO tenho que adaptar em minha vida e precisei (E PRECISO) lutar bastante para conquistar: colocar as meias, colocar as roupas íntimas, banhar-me, arrumar minha cama, ficar de pé sozinha. Nossa! Tudo mudou. Como tenho a certeza de que mudou para meus colegas com necessidades especiais, que vão ler este livro e espero que tenham nele UMA FONTE


DE INSPIRAÇÃO PARA PROSSEGUIR SUA LUTA DIÁRIA PELA VIDA! Imaginem alguma tarefa do dia a dia: vestir uma camiseta olhando a televisão por exemplo. Isto requer muito equilíbrio, logo, muito difícil. Para escovar os dentes, se não me cuido, flexiono os joelhos... Não, não solto foguetes de alegria ao ver as pessoas entrando no banco normalmente, correndo, deslocando-se de forma normal...não é nada fácil para mim! Mas estou aceitando minha nova vida. Com resiliência. . . Cada atividade tenho que me adaptar! E dou graças a Deus que não fiquei numa cadeira de rodas ou vegetando em uma cama (*palavras do Neurologista, Dr. Fernando Cini Freitas). Segundo o próprio Doutor, minha atual sobrevivência, é uma verdadeira superação e vitória! Isso muito me orgulha e deixa feliz.


A inclusão, seria tentar e tentarem me incluir em todas, ou quase todas as atividades que forem executadas. Para não deixar que eu me sinta mal, excluída. Para auxiliar na minha constante recuperação. TUDO é bom que eu faça. E tudo eu posso fazer! A qualquer um que me AME e entenda minha situação, sempre pedirei que, MESMO QUE NÃO TÃO CORRETAMENTE, DEIXEM-ME FAZER AS ATIVIDADES. Isso me auxilia muito. Tenham certeza!


“DIZIA ELE ESTOU INDO PRA BRASILIA, NESTE PAÍS LUGAR MELHOR NÃO EXISTE...” Voei ao DF (junho 2009) num céu de brigadeiro... e azul anil. O pouso foi perfeito. Na viagem conheci Dona Isaura e seu filho, que também iam ao Sarah Kubitscheck, hospital referência como o melhor Centro de Reabilitação da América Latina, e é um hospital público. Conversamos, rimos muito, nos divertimos enfim. Ele sofreu um acidente de carro e iam Sarah Centro para ele se reabilitar. Viajei com meu ex-marido e para sempre amigo Giovani, que me auxiliou no que necessitei. Ao chegar na unidade Sarah Lago Norte (à beira do Lago Paranoá) já começou a festa.


Em primeiro lugar porque TODA a equipe é maravilhosa! Desde copeiras até o neurologista do Sarah. Depois porque conheci grandes guerreiros... Desde a minha primeira internação no Sarah Centro onde conheci Regina, Fátima, Lucimar (éramos a turminha do barulho na época) [‘deixa que eu chuto’, ‘aqui tá raso aqui tá fundo’, ‘treme-treme’], Rogério Forcelli, Daniel Boese, Edilene (minha pequena – nós duas fervemos naquele Sarah) e Dona Vilma (in memorian), sua filha Lídia e sua prima Taíssa...foi assim. Fátima vivia brincando: Ah JC! (JC significava JESUS CRISTO!) Na última internação conheci outros novos, verdadeiros e grandes amigos. Reencontrei Breno Nogueira, que retornou à faculdade de medicina, hoje dirige e joga hóquei voltou à faculdade de medicina.


E conheci novos vencedores também, não somente pelo fato de estarem vivos! Pedro Zanardi, hoje é vice-campeão das paraolimpíadas e um moço feliz! Joel Pereira Rodrigues, atualmente é da seleção brasileira paraolímpica de handebol. Conheci na minha última internação também Marcelo Sardinha (nosso Hebert) e Maitê Marcião, duas pessoinhas especiais demais. E serão ainda tantos outros que virão, certamente. Quando digo que são amigos vencedores digo a verdade! Cadeirantes e lesados neurológicos felizes. CADA UM COM SUA HISTÓRIA; NEM MELHOR NEM PIOR QUE A MINHA, APENAS DIFERENTE!


Fiz uma pesquisa de campo entre os pacientes e perguntei: em uma palavra o que significa ‘O Sarah’ para você? As respostas foram lindas. Eis algumas: Para Vani Rocha, significa TUDO Para Joel P. Rodrigues O MELHOR Para Cleide Oliveira da Silva ESPERANÇA Para Letícia Oliveira AMIZADE Para Lucimara Braga SUPERAÇÃO Para Diego de Brito Peres ESPECIAL E PARA MIM... SEM PALAVRAS! Esta internação por enquanto foi uma das mais especiais e sempre que vou ao Sarah lembro como nosso Brasilzão é enorme e variado, de sabores, cores e sotaques. Não é a toa que o Sarah é considerado o melhor Centro de Reabilitação da América Latina.


SER MARIA ... SEM PALAVRAS Para uns sou a Dona Laura para outros a Laurinha... Realmente sou duas Maria Lauras. Uma executiva, diretora da escola, que coordena uma equipe profissional, faz a relações públicas. E o faço com muito amor. Outra, brincalhona, que adora dar muitas risadas, dançar, ouvir piadas, escutar música, tomar chimarrão, sorvete, fazer programas com os amigos e família. Ah, e ainda existem os que me chama de Maria, o que me deixa muito feliz, pois pelos relatos bíblicos, Maria era mãe de Cristo. Sou colérica e sanguínea. Personalidade forte, determinada e persistente. Como diz meu amigo Uajara, sou majestosa. Sempre fui vencedora, modéstia à parte. E não posso me esquecer de dizer que sou SAGITARIANA (pedra sodalita – quem me disse foi minha amada sobrinha Gisele) e como eficaz que sou, já me


coloquei a encontrar os incensos (que adoro) ideais para meu signo, à saber: alfazema e alecrim! Realmente, os signos tem a ver...hoje eu vejo o porquê! A mãe de minha amiga Mariana, Stella Carioni, diz que tenho o bum-bum virado pra lua. Sempre dizem essas coisas sobre mim. Uma amiga, Sibele Magna Bosco, me disse certa vez, numa dessas manhãs... “tu tens luz, Laurinha...”.

Dona Arlita, vivia dizendo e ainda me diz quando me encontra, que sou a menina que nasceu pra ser artista! Não foi a toa que fui premiada com a raridade de uma patologia desta, não é verdade?


AH, OS OLHARES! Tive um momento em minha recuperação que foi muito difícil, digo, quase impossível de suportar. Eu sentia como se todos na rua me olhassem com desdém e desprezo em função de minha dificuldade física. Após muita terapia, muita oração e quase cinco anos depois da patologia consigo rebater aos olhares dos curiosos (sim, porque agora vejo que é somente isso que eles são e não críticos). As pessoas me olham de cara “feia” e eu dou de volta um olhar curioso. Sim, curioso e atencioso, de compaixão. E assim os dias se passam, e assim durmo e acordo dias e noites felizes ou tristes dependendo do meu estado de humor, como qualquer pessoa!


SUPERAÇÃO “Não vou mais sentir aquele medo de errar A cada passo dado algo me fazia voltar Tenha esperança de um dia chegar lá.” (Superação – Douglas Ramos)

Superação! Esta é a palavra de hoje, amanhã e para sempre! Superar os olhares (contra os quais lanço um olhar de FORÇA e de VITÓRIA). É bem isso que mostro com meu olhar, que sempre ouvi dizer (desde a época dos palcos) que era um olhar forte, envolvente. Florianópolis/SC é uma das cidades mais abençoadas, de pessoas mais educadas que deve existir! Este é meu pensamento.


Ontem fui ao Shopping Iguatemi de andador. As vendedoras se encantam comigo. Não sei se é pela minha simpatia, ou pela forma tão natural de lidar com o andador. Como disse certo psicólogo, “o andador terá a importância ou o desdém que você der a ele”. E é isto que está acontecendo... Parece que eu brilho ao utilizar o andador. É lindo! Mas sinto-me tão bem, tão segura, tão feliz. No ano que adoeci eu fazia 1001 coisas, como a maioria das pessoas deste doido século XXI. Tinha escola de dança (Casa da Dança Luiz e Laura), dava aulas na UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina) Tubarão e Palhoça, fazia diversos shows de dança por todo o Estado de Santa Catarina, vivia na TV dando entrevistas, dava aulas de dança de salão em muitos clubes, associações e escolas: essa ERA EU. Trabalhava na Associação Catarinense de Dança de Salão¹ (vice-presidente), era membro da ACIF Associação Comercial e Industrial de


Fpolis (Trindade). Eu não parava nem para comer. A vida louca resultou em stress profundo... Fazer parte de uma associação realmente é algo valoroso e muito envolvente. Pelo crescimento que isto nos traz, pelo convívio que permite com diferentes pessoas de variadas ideias e também, neste caso, por fomentar a classe artística. Alexandre (president) e eu éramos uma dupla dinâmica. Tivemos feitos grandiosos e construímos, passo a passo, degrau a degrau, hoje, um dos maiores eventos de dança do Brasil, o “Baila Floripa”. E, citando do Livro Dele, direto para o Meu Livro... "... A associação deve, inegavelmente, tudo que possui ao Baila Floripa e este só existe por que a diretoria da ACADS trabalhou muito para que se tornasse referência nacional. O evento gerou muito trabalho dentro da entidade, mas os resultados foram tão compensadores, que já é possível perceber o efeito positivo, que produziu na dança de salão


catarinense."


Do Livro "Baila Floripa - no cenário da dança de salão brasileira” - de Alexandre Melo Sempre nos acompanhou, na ACADS, uma equipe muito forte e dedicada: Alexandre Melo, Laura Flores, Graciele Belolli, Clarisse Pereira Nunes, Renata Verani Behr, Luiz Kirinus, Ricardo Vasques, Alexandra Kirinus, Edson Nunes, Daniel Pozzobon, Pricila Delonê, Micheli Silva, Marissandro Goulart, Cláudio Sanches, Sheila Ludwig, Rosita Gevaerd, Marcelo Leal, Fabiano Narciso. Mas na cabeça, estávamos nós. A acelerada e o pacificador, Laura e Alexandre.

Considerando tudo isso, nem todas as pessoas estressadas, como eu era, desenvolvem a SÍNDROME DE SUSAC. Todavia, o corpo percebe, sente, adoece: que fique para pensar...


Laura Flores, Luiz Kirinus, Marco AntĂ´nio Perna, Alexandre Melo, Rosita Gevaerd, Clarisse Nunes e Renata Verani Behr. Evento da Acads em 2002.


Laura Flores e partner Danรงando uma valsa.


IMBATÍVEIS E INCOMPARÁVEIS! Luiz Augusto Kirinus, meu parceiro quando adoeci (durante 8 anos fomos namorados, noivos, parceiros de dança e sócios); ele me acompanhou durante grande parte da minha caminhada. Muito me lançou ao ar e ao chão para as acrobacias da dança, com certeza com muito carinho. Dançávamos muito, é verdade. Muitos foram os shows, apresentações, festivais... Quem viu não esquecerá jamais. As imagens gravadas não me deixam mentir. Mas o que é uma imagem para a memória? Um nada... Eventos pelo Brasil, pessoas por todo o canto lembram-se de nós, de mim. ‘Ah, a Laura que dançava...’. E tenho orgulho disto. Não tem como eu explicar isso para vocês. Sempre agradecerei a Luiz pelos momentos que vivemos e dançamos juntos. OBRIGADA!


“LUIZ e LAURA” ficarão para SEMPRE NA MINHA MEMÓRIA e na memória de Florianópolis - Santa Catarina - Brasil.


Laura Flores e Luiz Kirinus Laura Flores e Luiz Kirinus

Dançando a coreografia Dançando a coreografia “Serrado”

“Footlose”

(Samba de Gafieira).


SALTO ALTO “Então, abra teus braços e me aceite Desfruta no meu corpo o teu conforto E eu te ofereço e me desfaço Do meu colar, meu salto alto e daquela dor Por vezes somos tão felizes.” (Renato Monha) Eu vivia mais ou menos 15 horas por dia de salto alto. De verdade... Acordava, escovava meus dentes, tomava um Nescau e já punha os saltos altos. Em função da minha altura; em função do charme a mais que traz a mulher utilizá-lo... não sei. Mas eu AMAVA USAR SALTO ALTO! Até minha melissinha era de salto alto ou plataformas. Foi surreal o dia em que separei todos meus sapatos e sandálias de salto-alto, para vender ou dar. Parecia que


estava indo embora parte de mim. Mas se eu me prendesse a isto, o sofrimento seria muito grande, portanto resolvi, para meu próprio bem, abstrair. E na dança, nem se fala. Meu parceiro tinha 1,80 e eu para ficar mais alta e mais elegante, abusava deste artifício, saltos 10 e até 15... Essa mudança foi MUITO GRANDE, realmente! Dentro de mim e dentro da mulher Laura: vaidosa, elegante, charmosa! Hoje graças a Deus estou bem adaptada e feliz (amo as rasteirinhas)! Lido bem com essa realidade e com alegria. Afinal de contas, descobri que existem muitas formas de ser charmosa e interessante!

Laura Flores e Luiz Kirinus



Danรงando um de seus tangos.


ESTAMOS ARMADAS, PRONTAS PARA A GUERRA! Minha patologia (a segunda) foi descoberta aos poucos, como se as fichas fossem caindo lentamente. Entrei em crise maníaca – entrei e nem sabia o que era isso – não consigo saber exatamente quando (nem queria ir ao psiquiatra, dizia que era médico de doido...). Mas o processo foi muito doloroso. Uma das primeiras medicações que tomei, me deixou quase careca e me dava muita fome e muito sono. O segundo fármaco que tomei me reequilibrou e emagreceu, não é fórmula mágica... Mas foi algo que deu certo comigo. A busca da medicação foi um processo sofrido e longo. Quem me acompanhou foi minha MÃE e na retaguarda sempre meu PAI. Com muita perseverança, passei por este processo. E também com muita dor! Meus pais ficaram muito assustados com minha crise maníaca. Meu pai diz:


“Quem foi mordido pela cobra, tem medo da segunda picada” e minha mãe diz “Gato escaldado, tem medo de água fria”. Compreendo-os, com certeza! E neste processo todo, engordei 10kg, fiquei quase careca. Enfim, passei por maus bocados, mas continuo lutando! O Transtorno Bipolar do Humor, antigamente denominado de psicose maníaco-depressiva, é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas e diferentes do normal, como episódios de MANIA, HIPOMANIA, DEPRESSÃO e MISTOS. É uma doença de grande impacto na vida do paciente, de sua família e sociedade, causando prejuízos freqüentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico. É relativamente comum, acometendo aproximadamente oito a


cada cem indivíduos, manifestando-se igualmente em mulheres e homens. A base da causa para a doença bipolar do humor não é inteiramente conhecida, assim como não o é para os demais distúrbios do humor. Sabe-se que os fatores biológicos (relativos a neurotransmissores cerebrais), genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos estressores psicológicos e sociais, mantendo a normalidade ou desencadeando doença. O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética, de modo que a tendência familiar à doença pode ser observada.(disponível em http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?419, acesso em 17.11.2010).


HÁ UM LONGO CAMINHO À PERCORRER

Uma patologia difícil (a Bipolaridade), que exige cuidado e monitoramento constantes. Tratei-me com alguns psiquiatras, até que se encontrasse a medicação ideal. Houveram efeitos colaterais diversos até conseguirem descobrir o fármaco certo. Para variar, meu porto seguro nessas horas foi sempre minha IRMÃ, SILVIA CRISTINA, médica infectologista, que me deu a mão e me auxiliou como sempre fez, desde o princípio da doença...desde o primeiro sinal da patologia.... desde o princípio da vida ... desde quando EU NEM ME LEMBRO! Eis uma mensagem que ela me passou ao celular: “Às 11h do dia 06 de dez de 1977 eu te conheci! Você usava uma camisinha branca e uma fraldinha de bichinho... você nunca vai lembrar disso. E eu nunca vou esquecer...”


ME FEZ CAIR MUITAS LÁGRIMAS, como sempre! ... E, ELA me disse uma frase... na verdade foram muitas as frases vindas de Bibia, e naquele momento ela era a Dra Silvia. Lá no hospital... Nunca vou me esquecer: “Deus não dá a cruz maior do que a gente pode carregar.” “O que não tem remédio, remediado está.” De uma força estas frases para mim, e ainda vinda em um momento único, de uma pessoa tão especial. E foram muitas as frases que ela me falou e caíram como uma luva.


AH! NOSSO LAR E C.A.P.C.

O tratamento espiritual que fiz está me auxiliando muito. Encontro comigo e com Deus. Com o universo! Paz e amor é o que encontro no Núcleo Espírita Nosso Lar (Grande Florianópolis - Forquilhinha). Nada melhor que olhar para lindo dia de sol, que reina nesta ilha maravilhosa e achá-lo excepcional. Algo que não acontecia faz tempo. DEUS É MARAVILHOSO, DIVINO! Lá faço parte do grupo Paciência, coordenado por uma psicóloga. Nele voltei a aprender, PERDOAR MEU INIMIGO E AMAR NOSSO CRIADOR E AO PRÓXIMO SOBRE TODAS AS COISAS. Isso é tão profundo e tão sublime que quase me faz cair lágrimas. Mas são de realização, de uma vida de vitória e lutas!


“Não há dificuldade que o amor não vença, Doença que o amor não cure, Porta que o amor não abra, Obstáculo que o amor não transponha, Muralha que o amor derrube, Pecado que o amor não redima.” Emment Fox


MINHA CURA E A NOVA LAURA Tem momentos que imagino qual é a perspectiva de meus familiares, amigos e colegas com relação a essa nova Laura. Talvez a mesma moça empreendedora, agitada, estressadinha? A mesma que quer se envolver na área cultural, educacional e artística? Aquela que queria ser mil e uma utilidades e esquecia-se de si mesma? Realmente não sei. Quando me encontram e dizem: “Laura, como estás bem, logo estarás normal”. Será que o normal que almejam em seus corações é o mesmo que eu desejo? Sinto-me um elo entre os amigos e colegas! Parece que atraio as pessoas. É enigmático isto! É mágico! É coisa de Deus!


A NOVA LAURA que sonho é a mulher alegre, em paz e harmonia com seus familiares, amigos e colegas, convivendo com a natureza e com o mundo de uma forma feliz. Desejo, de verdade, que eu consiga alcançar este patamar de vida. Nossos dias são contados e cada segundo é uma benção que devemos abraçar com todo o amor! Tenho tanta certeza disso...


Laura Flores (Ribeirรฃo da Ilha, Florianรณpolis/SC, 2010)


“Medo de arriscar, é perder uma chance de acertar!” AUTOR DESCONHECIDO Sei que hoje tenho outros objetivos de vida: valorizo mais o amor, os sentimentos, o ser humano. Aprendi a dizer: obrigada, por favor, com licença; a oferecer as coisas para comer quando as possuo, essas coisas que minha mãe me ensinou quando pequena, mas a “Sra. temperamento forte S.A,” teimou em não aprender. Esta sou eu hoje. Por incrível que pareça, hoje sou assim. Quem me conhecia não imagina que eu possa ter me tornado assim, mas me tornei! Perco tempo ouvindo o barulhinho do mar, o canto dos pássaros no quintal de minha mãe ou observando-os na casinha para passarinhos azul que fica sob a jabuticabeira, ouvindo um CD de relaxamento (que no hospital, na época do pós coma eu não queria ouvir de jeito nenhum, lembram manas e pais?).


Isso eu só conquistei com o amadurecimento, a beleza do passar dos anos. A vida não tem tecla “ff”e nem “rew” como os DVDs, e dou graças a Deus por isso. Não queria voltar a ser aquela Laura de forma alguma! Dei uma virada grande na vida. Com a ajuda de DEUS. Eu precisava parar aquele ritmo frenético que eu vivia minha vida. Precisava viver com calma, viver a família. Sentir o sabor dos alimentos. Apreciar as cores, aromas e as belezas da natureza com o coração aberto. Hoje sei que SOU UMA VENCEDORA. E digo isso com alegria. MESMO COM TANTAS DIFICULDADES QUE PASSO TODOS OS DIAS e enfrento, ainda digo bem alto, SOU MAIS FELIZ QUE ANTES. Sim, sem hipocrisia nem receio nenhum. Agora, cabe a mim encontrar um novo caminho, uma nova paixão em minha vida... Sem isso a vida não é


mais a mesma. Tarefa árdua, porém não inatingível. Vou encontrar meu caminho. Já estou o encontrando.

Pôr-do-sol e Maria Laura (Ribeirão da Ilha, Florianópolis/SC, 2010)


A Raposa e os Fuscas Foi naquele lindo dia que eu vi, descobri e constatei os encantos de um fusquinha. Um dia de passeio, uma tarde de abril, em Santo Amaro da Imperatriz. As tantas e tantas utilidades deste carro valente foram por mim exploradas. E mais. Inúmeras Funcionalidades. Sim, porque foi com um Fusca que 'A Raposa do Deserto' escapou de uma mina de guerra. E todos o admiraram por este feito. O Fusca, tem uma estrutura forte, quase inatingível. É o carro que desde muitos anos atrás fazia mergulhos, e saia-se intacto. O Fusca tem seu motor refrigerado à ar e não à água, portanto, não congela no frio, nem hiper aquece em temperaturas desérticas. Ou seja, um carro realmente admirável! Fusca. Fuca. Fusquinha. Fuque.


“Devagar se vai ao longe” com ou sem glamour, mas com força!

Dia 22 de junho é comemorado o Dia Mundial do Fusca. Foi nesta data, em 1934, que o engenheiro Ferdinand Porsche e a Associação Nacional da Indústria Automobilística Alemã assinaram o contrato para o desenvolvimento do projeto de fabricação do "Volkswagen" (carro do povo, em alemão), apelidado no Brasil de Fusca, que viria a ser o carro mais vendido da história.

O modelo teve como "incentivador" o ditador nazista Adolf Hitler, que havia solicitado a Porsche um carro prático, de fácil manutenção e longa duração. Na época da 2ª Guerra, com toda a produção alemã voltada para o esforço de batalha, a carroceria chegou a ser alterada para se transformar em jipes militares. A história do Fusca é uma das mais complexas e longas da história do automóvel. Diferente da maioria dos outros carros, o projeto do Fusca envolveu várias empresas e até mesmo o governo de seu país, e levaria à fundação de uma fábrica inteira de automóveis no processo. Alguns pontos


sรฃo obscuros ou mal documentados, jรก que o projeto


inicialmente não teria tal importância histórica, e certos detalhes perderam-se com a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. No início da década de 1930 a Alemanha era assolada por uma dura recessão, e tinha um dos piores índices de motorização da Europa.Por isso, e mais uma série de fatores, a ideia de um carro pequeno, econômico e fácil de produzir começou a ganhar popularidade. Era o conceito do “Volks Auto” – ou “Volks Wagen”, expressões alemãs que traduzem a ideia do “carro popular”. À partir de uma lista de exigências a serem cumpridas por Porsche, caso o contrato fosse efetivamente firmado: O carro deveria carregar dois adultos e três crianças Deveria alcançar e manter a velocidade média de 100 km/h. O consumo de combustível, mesmo com a exigência acima, não deveria passar de 13 km/litro (devido à pouca disponibilidade de combustível). O motor que executasse essas tarefas deveria ser refrigerado a ar, pois muitos alemães não possuíam


garagens com aquecimento, e se possível a diesel e na dianteira. O carro deveria ser capaz de carregar três soldados e uma metralhadora. O preço deveria ser menor do que mil marcos imperiais (o preço de uma boa motocicleta na época). As dificuldades técnicas envolvidas no projeto não eram menores. Fabricar um carro pequeno que tivesse o desempenho e confiabilidade das especificações era um desafio bem maior que o projeto de outros carros da época, e exigia o desenvolvimento de novas tecnologias e de soluções inteligentes. O motor foi uma dificuldade à parte. Primeiro, foram tentados motores de dois e três cilindros, para reduzir os custos, mas eles não eram confiáveis e não produziam a potência necessária para o carro. (Capítulo em sua maioria inspirado no conteúdo da Wikipedia)



O fusca em duas de suas variadas formas e funções (Fusca de guerra e fusca mergulhador).



AS REDES SOCIAIS No primeiro momento que caí em mim, fiquei aficionada por descobrir pessoas que tivessem a mesma patologia que eu. Pensei , tentei, pesquisei, perguntei, observei, enfim, mas como a patologia é muito rara não havia muito a fazer. O que me ocorreu foi montar uma COMUNIDADE no ORKUT... Sim ORKUT, o site de relacionamento (rede social da internet). Criei uma comunidade intitulada “I had the Susac Disease”. Passaram 2 semanas, 3 semanas e eu monitorando a tal comunidade na esperança de encontrar colegas na mesma situação que eu. Então, passado aproximadamente 1 mês da criação da comunidade apareceram NELSON SANT’ANNA & EMERSON AVANCINI, hoje meus grandes amigos. Nelson era músico, ficou SURDO. Isso mesmo. Adoeceu 3 anos após minha crise e seu quadro foi muito mais leve que


o meu. Emerson era professor e ficou com problema sério de visão, com sequelas bem leves no equilíbrio e audição. Na mesma época conheci MÁRCIO NOVAES de São Paulo. Um colega que conheci também pelo Orkut, que tinha uma doença igualmente auto-imune : Guellain-Barret (medular). Esse colega era, como nós três “susaquianos”, estressado... Seu Nick no Orkut era, no início, “Márcio já saí do coma”, e isto me chamou atenção. Interessei-me pelo seu caso, pois sua doença também é rara e ele é novo e fisioterapeuta. Ele, por sua vez, também se interessou pela minha, por já ter atendido uma pessoa com a mesma doença. Comecei as conversas pelo MSN com Márcio e nos tornamos grandes colegas, de verdade. Márcio, em função de sua patologia ficou tetraplégico. Hoje é um extetraplégico atuante na vida! O interessante é que nós todos (auto-imunes citados) somos da Região Centro-Sul e estávamos vivendo grande


período de STRESS quando adoecemos. Fico pensando que ou toda doença séria é PSICOSSOMÁTICA ou é A LEI DA SINCRONICINIDADE realmente está REGENDO O UNIVERSO (pois pela bibliografia médica não é por estresse a Síndrome de Susac pelo menos)!

Foto inserida no Blog Laura Flores (Ribeirão da Ilha, Florianópolis/SC, 2010)


“Se eu não dançasse, minha alma jamais saberia que poderia voar, e meu corpo jamais saberia que pode vencer limites.”

(Márcio Júnior)


FAMÍLIA

VALORIZAR A FAMÍLIA! Isso eu digo que aprendi com todas as letras. Irmãos, sobrinhos, pai & mãe e parentes em geral nunca mais serão os mesmos! As conversas, os almoços de domingo, os cafés... nada disso eu conseguia curtir. Vivia correndo atrás não sei do quê... Sem sombra de dúvida, este aprendizado ficou muito claro em minha mente. Olhar fotos, rever lembranças... isto é tão gostoso! Seria melhor se fosse infinita a vida terrena, mas o AMOR é infinito, com certeza; o amor que sinto por todos eles em meu coração!


MINHA BÃBI... amor eterno “A você querida mãezinha, minha eterna gratidão, você cabe inteirinha, dentro do meu coração, no seu dia mamãezinha, vou pedir ao meu bom anjinho, prá você muito amor e alegria, e PRÁ MIM SEU ETERNO CARINHO.” (letra e melodia ensinadas a mim na Escola de Aplicação do IEE, na minha doce infância, canção que lembro com lágrimas nos olhos – lá minha Prof. de 1ª série, Dona Márcia, me disse, ao ler uma de minhas “ Composições”: Escreves muito bem, Maria Laura, podes até te tornar uma escritora). Esta abençoada guerreira, minha mamãe! Ela tem por mim AMOR INCONDICIONAL, que é o amor mais sublime e puro que pode existir. Ela é tão maravilhosa que seria capaz de alguém dar-lhe um tapa no rosto e ela dar-lhe a outra face para bater. Exemplo de suavidade, de paz, de tranquilidade, de força, de PACIÊNCIA.


FAMÍLIA ela preza demais e valoriza acima de tudo! MINHA MÃE É TUDO ISTO E MUITO MAIS! Berna é força. Berninha é pureza, ternura, carinho, amor, dedicação, respeito! Ela pariu CINCO FILHOS. Os nascimentos mais perfeitos que podem existir, sem muita dor, sem muito repouso. Todos de parto normal, eu fui o último deles. “A maternidade te engrandece, pois é obra de DEUS”. Obras de Deus. Dela e de meu pai, Pedro Paulo Flôres. Lutaram muito para criar e sustentar seus filhos (hoje somos uma Médica, dois Bacharéis em Direito trabalham em órgãos públicos), um PHD em Biologia/ IBAMA e uma Formada em Educação Física e Empresária da Dança). Acredito que eles se ORGULHEM DISSO!


Hoje tem dez, aos quais dedicam sublime amor. “A casa do vovô e da vovó nunca é longe”. Essa bela placa de madeira azul está na porta da sala da casa de Seu Pedro Paulo e Dona Berna. E eles ficam felizes como ninguém ao receber os netos em casa para almoços, jantares, cafés ou uma simples visita! André, Gisele, Samantha, Lucas, Henrique, Bernardo, Yasmin, Roberto Luiz, Tiago, Davi. Estes são os felicitados da família! MEU AMOR POR TI NÃO CABERIA EM PALAVRAS, MINHA MÃE!


MEU PAPAI TAMBÉM SE CHAMA VÔ AMIGO E SEU PEPÊ Lutador e vencedor! Começou a trabalhar muito cedo. Na Escola Básica José Boiteux como professor substituto de 4ª série (de setembro a dezembro de 1955). No ano seguinte começou sua saga como professor de Educação Física em diversas escolas públicas da Grande Florianópolis. Foi por anos Presidente da Federação Catarinense de Handebol (SC). Lá foi admirado e fonte de inspiração por anos a muitos verdadeiros amigos. Deu seu sangue por essa instituição sem fins lucrativos e correu o Estado em campeonatos e seminários, assembléias, reciclagens, etc.


Formado na UDESC (2ª turma da instituição), foi professor efetivo na UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, e lá se aposentou muito realizado. Ele me inspirou a fazer Educação Física e Esporte. Ele é amado por seus tantos e tantos ex-alunos, mesmo sendo o professor que pagava no pé (inclusive batia com a cordinha do apito nas pernas dos alunos com muito carinho, é claro)! Caiu no CDLF de pára-quedas (quando adoeci do Susac) e se virou muito bem! Hoje me dá lições de administração e nas questões financeiras, as quais ele domina como ‘tira de letra’. SEU PEDRO, Se Pépe, Pepê, Vô PP, VÔ AMIGO, AMIGO, Paitrocínio, PAIAÇO, PAIHERÓI, PAIAMADO... são tantos apelidos carinhosos de seus amigos, filhos, netos e genros que nem daria conta de escrevê-los.


Segundo, minha amiga Paula Widauer, ele é um dinossaro da Educação Física. PARA MIM, ELE É O MELHOR PAI DO MUNDO!


CENTELHA FAMILIAR... EXPLOSÃO DE AMOR Minha grande fonte de inspiração hoje, é meu sobrinho, ROBERTO LUIZ DE CARVALHO FLORES. Uma criança especial em todos os sentidos, que minha irmã Silvia Cristina (a mãe Xílvia) escolheu no Hospital Infantil. Este anjo me dá boas lições de vida e me abençoa cada dia que o vejo. Certo dia, ele engatinhava muito rápido ao redor da casa da Vó Berna. Eu comecei uma conversa com ele assim: Ele: - Você quer brincar de engatinhar Tia Láua, xim o não? Eu: - Claro, amadinho! Rapidamente perguntei: - Roberto Luiz, quem ensinou você a engatinhar assim tão rápido, lindo? E ele, muito ágil:


- Foram as minhaix mamãex,, quando eu era bem pequenininho e bem carequinha. E eu (boquiaberta) novamente: - E agora, quem vai me ensinar a engatinhar assim meu amor? Ele (feliz demais): - EU! Esta é apenas das histórias que este anjo me premia semanalmente. Uma jóia viva! Conversa e destrincha os assuntos quase como gente grande. Impressionante! TE AMO QUERIDO! A TI E A TODOS OS MEUS LINDOS SOBRINHOS. Cada sobrinho tem um quê de especial. André, foi o primeiro, inteligentíssimo; Gisele, minha filha dançarina; Yasmin, vaidosa, talentosa e conversadeira; Lucas, esperto e rápido demais; Henrique, meu gostoso afilhado e família; Bernardo, esperto e sorrateiro; Tiago, veloz e saudoso (...),


Davi, lindo da Tia... Cada um com sua particularidade, cada qual com sua partícula de amor que me faz amá-los mais a cada dia!

Gisele, Yasmin e Laura no espetáculo “LA VIE EM ROSE”


ESPÍRITO SANTO, AMÉM Giovani do Espírito Santo, este meu amigo será inesquecível para sempre. Nossa lua-de-mel em Gramado (RS – BRASIL), as degustações de vinhos e queijos, os diversos passeios, as “casas de caras”. Tantas lembranças... Sua quase constante força para meu crescimento e superação, me auxiliou e auxilia muito! Sempre pronto para me dar dicas de “como me vestir” ou “como me portar à mesa”. E isso ele faz como quase ninguém... Ninguém o ensinou. Ele aprende observando e imitando “gentlemans”. No hospital, ele próprio, trocava com tanto amor minhas fraldas. Sim, porque eu perdi as funções vitais. Ele não tinha nojo nenhum. Tinha é uma explosão de amor! Toda sua família sempre me recebeu com tanto amor. Não importava o que acontecesse...


No pós-crise (do Susac), me receberam com uma salva de palmas e cheios de sorrisos! Sabem o que isso significa para uma bailarina? A GLÓRIA! E, isso não tem preço! Giovani, vai ser difícil esquecer nossos dias no apartamento do pólo-sul, querido. Nossos passeios, nossas idas à praia, ao Gravatá. Te prometo que cada lágrima derramada simbolizará uma gota de amor. E isso é muito gostoso! Te amo, querido.

PARA REFLEXÃO (...) Acredito que minha cura será algo que ninguém espera. Algo além da visão. Cura MORAL e cura ESPIRITUAL. Sem sombra de dúvida algo maior que as pessoas possam imaginar ou ver.


O “Olhinho de jabuticaba” rodando com bambolê no quintal da casa de seus pais.


(1980) ”É... não leve a vida tão à sério! Simplesmente VIVA intensamente.” Laura Flores


MINHA VERDADEIRA ARTE Meus espetáculos fui sempre eu, Laura, que os nomeei! Tudo começou com “Luiz e Laura” onde tivemos diversos. Entre eles “QUERO TE DANÇAR FLORIANÓPOLIS”, a meu ver um dos mais lindos, no qual fiz uma de minhas mais belas apresentações! “Laura Flores” iniciou sua trajetória com “Danças e Mudanças” em 2004. Vieram em seguida “Recomeçar”, 2005; “Vida”, 2006; “Tudo Dança”, 2007; “No Palco”, 2008; “SONHOS”, 2009;

“Somos todos Artistas”, 2010 e o de 2011, se intitulou “La Vie en Rose” e foi realmente marcante. “Caleidoscópio” é o novo batizado para 2012. Os próximos capítulos ainda serão escritos ... e a vida é tão cheia de possibilidades.


COLCHA DE RETALHOS

Foi mais uma noite de retalhos... A serem colados na minha obra. Eu, Alexandra e Paulo. E foi pra lá de produtiva! Nas conversas coletei várias informações. Eles fazem parte do iniciozinho da história da Dança de Salão de Florianópolis. Que gostoso relembrar tudo isto e mais, reviver estas histórias. Me contaram que, iniciaram juntos na dança. O nome dele? Paulo Augusto Silveira Pereira e o nome dela? Alexandra Augusta Pereira Klen.

Com o professor Fumio. Um carioca que também veio para Florianópolis trazer a alegria da dança de salão.


E iniciaram na 'Academia Cida', no bairro Trindade-


Fpolis aonde este professor ministrava cursos. Também me contaram, de 'Alex Risadinha'. Outro dançarino que veio para o Sul naquela época. Cida Estética (Academia Cida) e DCE-UFSC eram seus palcos e de lá, tem-se muitas, mas muitas histórias.

E foi depois que veio Silvio Luna. Mas misturado a Nunes, temos estes dois ingredientes: Fumio e Alex Risadinha. E não é que a receita deu certo? Fez-se uma deliciosa refeição! Saborosa e artística. E com nuances, curvas e surpresas. Amizades marcantes... lembranças inusitadas... histórias lindas.Vida, enfim! E foi bem neste momento, que posso dizer que temos um dos embriões da dança de salão na Florianópolis, na década de 80. Se embalada por Valsas, Tangos ou Lambadas... Isto não importa.


Importante ĂŠ sabermos seu princĂ­pio e acima de tudo, valorizar cada detalhe desta histĂłria.


O BLOG: INÍCIO DA NOVA HISTÓRIA Eu poderia dizer que meu blog foi uma nova fase em minha vida. O vejo como um novo momento. Um momento de equilíbrio. De auxiliar pessoas. Ele está me preparando sim, para o meu livro. Ele é também um ‘diário’. Nele eu desabafo. Não é fácil esta nova situação em que me encontro. Acredito que eu possa colaborar com muitas pessoas, uma vez que não me ponho na situação de coitadinha, mas na de uma pessoa que está superando suas dificuldades e que vai além, dia após dia. O blog é sim, um meio de comunicação com meu público. Daqui, dali e de lá.


O público não tem um lugar físico, mas energético. Superior a isso tudo. Minha história está sendo escrita. Os próximos capítulos, sei que serão felizes.


POESIAS DANÇANTES

Nesse capítulo, trago alguns poemas que escrevi em pleno vigor de minha dança: PREFÁCIO DE UMA DANÇA 1 Maria Laura Flores Mas afinal por que dançamos? Por que tantos dançaram, dançam e certamente dançarão? Independente da linguagem que se dança É curioso imaginar o porquê! É,.não deve haver um porque não! Dançamos por instinto. Dançamos também pela intenção de expressão e prazer! Nos salões de dança do mundo, corpos se unem com um único fim: a aproximação para a dança; a oportunidade para


criação, liberdade e cumplicidade, ao som de acordes que levam a outra sintonia. Acordes que embalam corpos... Que possuem mentes... E são cheios de sentimentos. A Dança de Salão é isso tudo, e mais um pouco. Mas agora, resumo todo este universo em três palavras:

Cavalheiro, dama e música!


NOSSA DANÇA Maria Laura Flores Meu corpo E teu corpo Se unem para a dança.

Nossos egos Nossos eus Se chocam Quase sempre

Ao final Exaustão


Prazer Satisfação

Quero dançar para sempre Quero me unir para sempre Quero choques para sempre A dois tudo fica mais azul

PREFÁCIO PARA UMA DANÇA 2 - O PROTESTO

Maria Laura Flores L-I-X-O O lixo nosso de cada dia O lixo do hospital, do restaurante O lixo que o lixeiro carrega todo dia


O lixo que enche os caminhões, que enche os lixões, que enche o mundo O lixo que você produz Pode ter um fim não tão inútil O lixo pode ser útil O lixo hoje é vendido É indústria

Dá emprego. Reutilize seus papéis Reduza os copos plásticos Recicle os vidros e metais Você estará assim fazendo a sua parte. Nos acordes da música que toca Em cada giro


Em cada passo Em cada gesto Um protesto E uma forma de lembrar: simplesmente reciclar!


DANÇAR UM BOLERO Maria Laura Flores

Não quero Ver o mundo Desse jeito. Não quero pensar Que tudo é mesmo como vejo Quero esquecer toda essa realidade Deixe-me pensar Que estou simplesmente Dançando

Um bolero!


UNIÃO Maria Laura Flores

Nosso corpos se uniram Como unha e carne Nossos atos se assemelham Como o andar e o caminhar Nosso jeito se parece Como gêmeos que são idênticos Nossa dança se completa Como o côncavo e o convexo Será para sempre? Existe o "para sempre"? Seremos sempre assim?


Existência

Mas afinal o que é a Dança de Salão? muito além de dois corpos e um abraço, mais que dois seres num palco, O brilho, os aplausos, as sensações, a pele. Dança de Salão é teoria, é educação, é reeducação, é o reinventar, Dança de salão é tudo isso e muito mais, Talvez sim, Talvez não. O é...


As Três Flôres

Sem sombra de dúvida, foi minha participação mais especial num espetáculo, no Palco. Com o coração em paz, em sintonia com todos e desejando infinitamente fazer um lindo número de dança ao lado de Gisele Flôres da Silva e Yasmin Bregeron Flôres... Assim eu bailei naquele de dezembro inesquecível! O público me passou as melhores energias e vibrações. Minha família, que se fez presente, muito carinhosamente e deu aquele apoio muito especial.

O nosso coreógrafo, chamado Alexsandro Flores, com toda sua calma e


talento, teve uma importância ímpar em todo o processo.


E tudo foi como eu imaginava… tudo se tornou Real.

“LA VIE EN ROSE” encerrou minha carreira com chave de ouro. Mas oq é "encerrar"? Dar uma pausa? Mudar de rumos eu diria. Porque serei para sempre uma artista. Mudo apenas o estilo de arte que executo e os rumos de minha vida.

Estava recordando, neste carnaval de 2012, eu fui a primeira bailarina a sair dançando em um carro alegórico, em salto alto em Florianópolis. Eu e Luiz Augusto Kirinus. Isto foi nos idos do ano de ----. Dancei, coreografei a Comissão de Frente da Unidos da Coloninha, fiz a aconteci. finalizando meu relato de vida E hoje, estou aqui. Feliz e


como bailarina... minha histรณria de Vida. Para contar minha histรณria.


VENCENDO LIMITES "Se eu não dançasse, minha alma jamais saberia que poderia voar, e meu corpo jamais saberia que pode vencer limites" (Márcio Júnior)

Eu danço, dancei e fiz história. Para minha cidade, meu Estado e meu País. Fui uma bailarina de grande destaque e realização em minha carreira. Fui a primeira bailarina de salão a sair dançando, junto com Luiz Kirinus, em um carro alegórico, em um ponto bem alto do mesmo, na S.R.C. Unidos da Coloninha em 2001 em Florianópolis.


Um ano em seguida, fui coreógrafa da comissão de frente da mesma escola de samba, e obtivemos grande destaque e reconhecimento. A saber Enredo de 2001: “COLON a Barca dos sonhos nos 150 anos de JOINVILLE.”

Comissão de Frente : Casamento da Princesa com o PRINCIPE PHILIPHE *colaboração Jadir Luiz

Uma carreira realmente brilhante, meteórica e que me traz muita alegria e orgulho. Tivemos sim, grande bailarinos em nosso grupo/cia e sempre uma equipe dedicada que nos acompanhou. Uma carreira sempre limpa, livre de drogas ou afins que pudessem alterar nosso desempenho e consciência.


Nossa droga sempre foi a dança. Esta sim. Nos alimentava a alma e o corpo físico. Vinte e cinco horas por dia! Como uma bala eu desenhei minha carreira artística e acadêmica. Como um rojão minha patologia veio ao meu encontro. O porquê disto tudo? Eu não me pergunto mais. Hoje eu só desejo encontrar estratégias para melhor viver e prosseguir amando.


SER OU NÃO SER SELF... EIS A QUESTÃO O Ego. Ah, o Ego. Tão falado, comentado, discutido, adorado, presente, talvez odiado, louvado e bajulado... EGO. Palavra difícil de ser trabalhada. Qualidade igualmente complexa de ser domesticada. É o que costumeiramente se diz -'ele/a se acha'... No mundo da dança, tem que se comprar guarda-chuvas, com a chuva de egos que existe quase sempre.

Inerente a todos os bailarinos, verdade, dependendo do seu grau e da 'cabeça' de cada um.


E se faz presente em todos quando começam a expressar exímia qualidade artística. Mas tudo isto passa muito rápido. Tudo é muito efêmero. Mas o chamado 'ego' erroneamente, se mantém, e traz os devidos prejuízos. “Isso também passa...” (Chico Xavier) "Pois simplesmente, sou o que sou. Não preciso provar nada a ninguém. Não preciso, mais me vender socialmente (se é que alguma vez equivocadamente fiz isso). Sou tudo e somente o que sou!" Autor Desconhecido

“Humildade não te faz melhor do que ninguém. Mas te faz diferente de muita gente.” Autor Desconhecido


PARTE II - DEPOIMENTOS, POESIAS, RELATOS, ETC. CONFISSÕES DE UMA REVISORA QUE ATRASOU A OBRA Eu não pedi à Laura, mas quero – preciso – deixar aqui uma confissão: tive muita dificuldade (muita mesmo!) de fazer a revisão deste livro. Foi uma das tarefas mais difíceis da minha vida! E não foi pela ortografia, pela pontuação, pela concordância, etc. Foi pela profusão de lembranças e de sentimentos que cada página, cada frase, cada palavra trouxe para mim. Eu enrolei muito a Laura (que estava super-ansiosa, mas não me cobrava tanto assim, por várias razões que eu e ela sabemos). O problema é que eu não conseguia ler mais de uma página e tinha que parar, geralmente por não conseguir mais enxergar as letras, pois as lágrimas vertiam de meus olhos sem que eu pudesse ter qualquer controle sobre elas. Em outros momentos, peguei-me rindo sozinha lembrandome dos seus “aprontos” pós-doença: coisa de criança, que bom!


Quando ela adoeceu, foram dias difíceis, principalmente os do início, para todos nós. Muito medo e incerteza rondavam a meus pais e meus irmãos: o que estava havendo afinal? Como podia estar acontecendo isso: nossa irmãzinha mais nova, perfeita, linda, maravilhosa, inteligente, bailarina, saudável, nosso bebê, enfim, estar em coma em uma cama de hospital, de repente, sem diagnóstico, e nós sem podermos fazer nada (a não ser amá-la muito, é claro)? Depois da descoberta da doença, o medo continuou, mas surgiu a esperança, pelos relatos médicos e pelas pesquisas na internet. No início, achávamos (assim como ela) que tudo voltaria ao normal, mas aos poucos, tivemos que “cair na real” e aprender a viver com essa nova existência. Estou certa: nada é por acaso. Cada um de nós precisava viver o que viveu e extrair dessa experiência a lição que nos foi proporcionada pela vida: coube-nos,


individualmente, apreender, compreender, ver o mundo com outros olhos. Todos esses anos trouxeram muito aprendizado para mim, mas, com certeza, muito mais para a Laura! Muito do que li no projeto de livro, sequer imaginava que tinha acontecido com ela. Não tinha ideia que ela sentia, percebia, pois as pessoas “normais” têm a péssima tendência de crer que aquelas que têm dificuldades não compreendem o mundo que está à sua volta e que são submissas: ledo engano! De outras situações eu sabia, mas havia arquivado em algum lugar de meu cérebro, e afloraram. Li, chorei, ri e foi como se eu estivesse abrindo a cortina de um novo palco – o palco da vida –, no qual surge uma nova estrela, que merece todo o nosso aplauso: BRAVO LAURA!! *Por Ana Eloise de Carvalho Flores


O SOM DO SILÊNCIO É com muita honra que aceito o convite feito por minha amiga Laura, para contribuir com meus “dois centavos” nesta participação especial que faço em sua obra. Centavos sim, pois, perto da trajetória, luta e sucesso dessa mulher guerreira, me resumo a contribuir com estes “trocados”. Primeiramente, faço aqui uma breve introdução, já que também sou um -– utilizando o termo criado pela própria autora – “Susaquiano”¹. Em novembro de 2007, fui acometido por essa rara e desconhecida doença. É o tipo da coisa que nenhum de nós, reles mortais, é sequer capaz de imaginar que possa, um dia, vir a acontecer conosco. Mas me pegou de surpresa, dandome uma rasteira e me jogando direto para o chão. Tive vários sintomas na visão, sistema nervoso central e, principalmente, audição (aos quais não vem ao caso me ater). Na época, escrevia um blog, no qual me descrevia como “pensador, escritor e músico”. Pois bem, como pensador, perdi a habilidade de raciocinar propriamente. Minha condição me impossibilitava de sequer realizar


operações aritméticas insignificantes, ou exercícios básicos de linguagem, como soletrar palavras comuns. Como escritor, mal conseguia ler coerentemente um texto, quanto mais desenvolver e escrever ideias. E finalmente, como músico, não conseguia ouvir sequer minha própria voz, barulhos do ambiente, sons da natureza, quanto mais as notas musicais, timbres, acordes e melodias que tanto me deram prazer no passado. Adentrei um mundo assustadoramente silencioso, introspectivo e incerto. Depois de quase um ano do ocorrido, já razoavelmente recuperado da maior parte das sequelas, fiquei sabendo da existência de outra pessoa que tivera o mesmo destino que eu. E que, para meu espanto, morava em minha própria cidade! Era lógico que iria procurá-la. Um pouco de pesquisa me levou a um nome: Laura Flores. Confesso: não o associei a nada (hoje damos boas risadas sobre isso). Pois bem, apesar de meu lapso de memória, a Laura fora minha professora de dança de salão vários anos antes, e com a qual eu já havia, há muito, perdido contato.


Encontramo-nos e trocamos experiências acerca da doença que nos afligira. Mas depois disso, a amizade foi crescendo e fomos, pouco a pouco, nos conhecendo melhor. Quando nos encontrávamos, conversávamos não mais apenas sobre doenças e sintomas, mas amenidades, curiosidades, amores, trabalho, sonhos e risadas. Muitas delas, pois a Laura é um saquinho de risadas. E, durante um tempo, acompanhamos o lento progresso, um do outro, as experiências, quedas, sucessos, frustrações, desânimos e esperanças. Nem tudo foram risadas, é claro. Apesar de eu ter, progressivamente, me recuperado de quase todas as sequelas (e as poucas que mantive serem perceptíveis apenas a mim mesmo), infelizmente, a morte das células receptoras no interior das minhas cócleas não é reversível. De forma que permaneci no introspectivo mundo do silêncio. Para um músico de coração, essa foi a principal dor. A única, talvez, que realmente importasse para mim. E a Laura... Bem, agora todos já conhecem sua história.


Lembro-me de rememorar alguns de seus vídeos de dança – escutando, é verdade, apenas o som do silêncio –, mas deliciando-me na graciosidade de tão habilidosa bailarina. E lembro-me bem de não conseguir deixar de fazer a incontestável observação: um músico que perdeu a audição; uma bailarina que perdeu o equilíbrio. E o tempo, assim como o mar, foi nos levando, cada um para seu lado, ao sabor das ondas da vida. Passamos um tempo afastados, nos comunicando esporadicamente por um ou outro e-mail. Mas sem nunca perder, de fato, a afinidade. Foi numa dessas ressacas do oceano da vida, que há pouco voltamos a nos encontrar. Dois estudantes de jornalismo decidiram fazer um documentário sobre a Síndrome de Susac, e o evento fez com que nossos caminhos se cruzassem novamente. Trocamos as devidas informações sobre o assunto, mas, mais importante, combinamos de nos encontrar para uma boa atualizada na conversa. E acompanhados de um bom vinho e, é claro, de boas risadas, retomamos nossa prosa leve, recapitulamos os


acontecimentos dos últimos tempos e compartilhamos nossas metas e anseios. Hoje, usuário de implante coclear no ouvido direito, me comunico com mais facilidade (nem tanta, no bar barulhento em que estávamos), e me sinto um pouco mais imerso no mundo sonoro. Aqui, faço questão de contar um motivo de boas gargalhadas, nessa noite. A Laura, até então, achava que eu tinha uma perda auditiva moderada. Mal sabia ela que, todas as vezes que conversamos naquela época, eu estava meramente lendo seus lábios. Pronto: cinco minutos de risadas ininterruptas, para descontrair a noite. Minhas conversas com a Laura são sempre muito interessantes, pois ambos desfrutamos de uma característica comum muito marcante: a arte. Somos ambos artistas, limitados naquilo que mais amamos². Ela sabe exatamente como me senti quando, de uma hora para outra, levaram minha maior paixão embora, sem deixar sequer um ruído para trás. Assim como também entendo perfeitamente (ou pelo menos tento imaginar, pois, perfeitamente, só ela saberá), a dor que ela passa, tendo sido afastada do seu


habitat natural artístico, dos palcos sujos de breu, iluminados pelos holofotes brilhantes, enquanto os aplausos de uma plateia empolgada ecoavam pelas paredes de um teatro. Mas ambos, guerreiros e artistas, temos que nos lembrar de que a arte reside na alma, e não em nossas conchas corpóreas que, tão frágeis, às vezes limitam a si próprias. Que as limitações não impõe grilhões à alma, e que a liberdade que buscamos está em nossos corações, em nossos sonhos, lembranças e na certeza de que o que carregamos dentro de nós é bem mais forte e real do que qualquer obstáculo que a vida possa, por ventura, nos infligir. E tenho certeza de que a Laura sabe muito bem disso, pois segue de cabeça erguida, vivendo, sorrindo e sonhando. E também tenho a certeza de que ainda daremos muitas boas risadas juntos. Não é à toa que dizem que os artistas são imortais.

Por: Nelson Azambuja Jr.


SINCRONICIDADE Quem pode não atender ao pedido de alguém que lhe é importante? É isso que faço neste momento, enquanto escrevo estas palavras e me pergunto se as próximas serão capazes de expor claramente ao leitor o real conteúdo de meus pensamentos. A pessoa que me pediu para escrever este texto foi Laura Flores, que a esta altura deve ser bastante conhecida do leitor, suas alegrias e infortúnios, conquistas e mudanças já devem ter sido ao menos em parte aqui expostos. Ainda não conheço o conteúdo que antecede a esta homenagem, mas tenho a certeza de que é capaz de emocionar. Conheci Laura justamente porque somos portadores da mesma síndrome, Susac, no meu caso em especifico os efeitos foram bem menos severos, nem por isso fiquei isento de quaisquer seqüelas, como grave comprometimento da visão direita, mas de resto foi possível contornar sem maiores transtornos.


Foi numa tarde daquelas em que me encontrava meio desiludido, sentindo-me derrotado que resolvi entrar em minha pagina do Orkut e neste momento pensei comigo mesmo: “Será que eu encontro alguma comunidade com alguém que possua o mesmo problema que eu!”, afinal de contas pesquisando sobre Susac, descobri que era muito rara. Para minha grata surpresa quando digitei o nome logo de cara apareceu a comunidade “I had the susac Disease”, a inclui em minha lista, sai de minha pagina do site e fui embora. No outro dia novamente abri minha pagina e fiquei até perplexo, haviam pelo menos 5 mensagens de Laura perguntando se era verdade mesmo, onde eu morava como era o meu caso, como descobri, e por ai vai... Sinceramente fiquei atordoado com o dilema: “Ficar contente por não ser o único ou triste por saber de mais alguém!”, resumindo foi dessa forma que descobri Laura, mas conhecê-la de verdade, conviver com ela, mesmo que seja apenas através de conversas pelo MSN, isso ocorreu apenas à partir de agosto do corrente ano.


No início conversávamos mais sobre a doença, pura curiosidade mútua para tentar entender como ela atingia a cada um, mas aos poucos fomos deixando para traz esse assunto e passamos a debater sobre muitas outras coisas, comportamento, experiências, aventuras e desventuras, enfim, fatos do cotidiano. Já é quase uma obrigação conversar com ela de segunda a sexta – feira, toda tarde, quando isso não é possível devido algum motivo qualquer que venha a impedir um ou outro de estar conectado, parece que falta algo, a tarde emperra, no relógio o tempo corre lentamente, a tarde fica vazia e perde muito de seu sentido. Em compensação quando podemos teclar à vontade, se não tem assunto a gente inventa, se um tá triste o outro consola, fazemos revelações ou comentários que dificilmente faríamos olho no olho, esse é o grande trunfo da net podemos nos abrir com pessoas a centenas ou milhares de quilômetros sem medo, receio ou vergonha, simplesmente podemos desabafar. E é justamente por isso que me arrisco a escrever sobre Laura que é de longe uma das mais interessantes pessoas que já


tive o prazer de conhecer. Meu temperamento é quase sempre calmo tranqüilo e muito bem humorado, na verdade quase cômico, o que vai muito bem pra conversar com Laura, já que uma de suas características é o bom humor; ainda outro dia ela me relatou que seu secretário devia pensar que ela estava ficando louca, pois, ficava dando risadas na frente do computador. Mas não foi apenas por isso que atendi ao pedido de minha amiga para escrever uma passagem em seu livro, todos os fatos que relatei até agora só servem para mostrar como conheci e passei a conviver com Laura e é dessa convivência que vou falar agora. Nunca me ocorreu a idéia de conhecer alguém e passar a conviver com esta pessoa apenas pela internet, acreditava que isso era muito frívolo, impessoal e vazio. Ledo e saboroso engano o meu, pois ao conhecer Laura deparei-me com alguém que se em alguns aspectos de nossas personalidades possuímos semelhanças, em outros


porém somos a antítese encarnada, e curiosamente é essa diferença marcante que mais me atrai. Conversar com Laura para mim muitas vezes é como me ver diante do espelho, onde posso me perceber como num reflexo que apesar de ser parecido comigo é meu oposto. Não cabe aqui descrever estas diferenças, mas ressaltar que no caso de Laura ao invés de repeli-las simplesmente, aguçam a curiosidade de conhecer cada vez mais esta que é sem sombra de duvidas uma das mais fascinantes pessoas com a qual tenho o prazer de conviver. É engraçado, analisando nossos padrões de comportamentos seria quase impossível que um dia viéssemos a nos conhecer, mas com Laura aprendi também o significado de um termo novo chamado Sincronicidade, conceito este desenvolvido por Carl Gustav Jung e que de maneira simplificada serve para definir acontecimentos que se relacionam por significado, onde dois ou mais eventos coincidem no significado para uma ou mais pessoas que vivenciaram estes eventos, não são coincidências mas uma


série de fatos que revelam um padrão que os precede. E acreditem, sou cético o bastante para em um primeiro momento duvidar desta teoria, mas devido a todas as circunstâncias sou obrigado a crer piamente na teoria de Jung. Afinal de contas só mesmo uma seqüência de acontecimentos e pensamentos sincrônicos fora capaz de nos unir. Agradeço a todos os que prestigiam, minha amiga com a leitura de seu livro e principalmente a Laura por ter me honrado com esta chance, afinal encontrar alguém que realmente signifique algo em nossas vidas já é difícil mas encontrar uma pessoa como Laura realmente é uma oportunidade única. * Por: Emerson L. C. Avancini


PRA QUEM CARREGA A DANÇA NOS SEUS CALOS estrada com as tuas pernas

Quero que as minhas palavras digam dos teus passos que as minhas lágrimas

que o meu amor

seja do teu coração também e o meu digam do teu rosto que a minha boca diga da tua sonho, alma quero contar a minha história pelo teu corpo

e que a minha dor seja a dos teus músculos o meu sangue seja o dos teus calos e fazer uma

Andréa Kowalski

a tua cena e te ter dançando vida afora (e a dentro) no palco eterno


Bailado Universal

Maria Laura Em tua verdade... Um infinito ser... Provindo de DEUS, Sendo parte Dele, Por tua manifestação de sabedoria...

Onde refletindo a luz, Que já te conduz... Tomas posse Da PAZ Que te é tão lactente... Tua Dança continua Danças ainda... Danças como ninguém...


Danรงas igual ao TODO... Num espaรงo sem fim... ร s tu presente... a presenรงa... O SER

O ser QUE EM TI HABITA!


A presença que reaje E ao único... Que criou todas as coisas... Tu danças em um Universo inteiro. Vestido de estrelas... Tecido pelo teu coração... Tu danças pelo som de um canto infinito Numa ciranda de alegria, Aplaudida pelo Reino Divino... Que te escuta... Envolvendo-te num doce aroma... Num perfume de FLORES ETERNAS!

Sônia Helena


DOIS CORPOS E UM ABRAÇO são, inevitável

Em tiradas de pernas sucessivas, Em facões e dobradiças A magia inapelável voadoras Entre dos teus passos Que leques e tesouras desnuda corações explosivas Voam enegrecidos Que almas e cabeças ordena e desordena sonhadoras... mãos e braços Aflorando sentimentos escondidos

O simplório gesto de um abraço fazse eterno,no início Na cadência das canções E dois improvável em minhja vida Acolheu- corpos, duas almas, me um prazer um só laço irrevogável Catalogam Recobrou-me a incontáveis ilusão tão esquecida emoções E tornou-se um vício,

Vendaval de sensações que nos consome


No bailado incontrolável da paixão Aliás, essa paixão já tem seu nome

E O NOME DELA É DANÇA DE SALÃO! Kadu Vieira


UN TANGO DE MI FLOR (ASÍ SE BAILA EL TANGO, E. Marvil y E. Randal 1942)

“Al evocarte, Tango querido... Siento que tiemblan las baldosas de un bailongo y oigo el rezongo de mi pasado.” (EL CHOCLO, E. S. Discepolo y A. Villoldo - 1947)

No final da década de 1980, querendo satisfazer uma paixão inata, procurei o primeiro professor de dança de salão de Florianopolis, Silvio Luna, para que me ensinasse a dançar Tango, ritmo nascido na região do Rio da Plata há exatos 100 anos antes. O esforço, de professor e aluna, não foi pouco, mas nenhum dos dois tinha idéia do que estava fazendo. Naquela época, sem internet, DVDs ou TV a cabo, o acesso à musica e a


imagens era extremamente escasso, o que tornava muito dificil o aprendizado dessa danรงa.


Silvio Luna convidou outro dançarino para trabalhar com ele e assim recebemos em nossa cidade o carioca Edson França Nunes da Rocha, ou Edson Nunes, com quem segui buscando meu tango. Silvio Luna voltou ao Rio de Janeiro e Edson perseverou na idéia de implantar a dança de salão em Florianópolis. Dava aulas na Asufsc, Associaçao dos Servidores da Universidade Federal de Santa Catarina, e no Clube Paula Ramos, e eu o auxiliava como monitora quando meu tempo assim o permitia entre as aulas, provas e plantões do meu curso de Medicina. Muitos que frequentavam as aulas naquela época continuaram amigos e incorporaram a dança às suas vidas. Lembro com carinho da Norma, do Léo, da Lourdes, do Nazareno, da Emma e do Kirinus com seus filhos Alexandra e Gugu, do Edelaido, do Fumio, da Carolzinha, da Aline, do Daniel., do Paulo Augusto. Mas nosso tango continuava sendo algo estilizado, como um bolero enfeitado, mas que, em terra de cego... era a atração principal nos bailes de Dia dos Namorados organizados pelo Sr Alonso anualmente no Clube Lira Tennis Clube, na Capital. Até que um colega de faculdade me apresentou sua prima argentina, Patricia Segovia, bailarina de Tango! Finalmente acesso a Tango de verdade! Durante todo o verão tive aulas


diárias mas o Edson não teve a mesma disponibilidade por ter que se envolver com os outros ritmos com que trabalhava... Então iniciei parceria com Ivânio Alessandro Colin, hoje Alex Colin, com quem viajei várias vezes a Buenos Aires para reforçar o aprendizado. Passamos a dar aulas na nova escola de dança do Edson Nunes, agora parceiro de Alexandra Kirinus, no centro da cidade de Fpolis, onde tivemos como alunos, entre outros, dois meninos de 10 anos, muito interessados e já mostrando grande aptidão para a dança: Leo (Leonardo Móska) e Gugu (Luiz Augusto Kirinus). Considerando os grandes dançarinos que são hoje, me sinto orgulhosa por ter-lhes ensinado os primeiros passos de tango. Da mesma maneira, na garagem da casa da Norma, no bairro Carianos, ensaiavamos os primeiros “molinetes” e “ochos” de Fabiano Silveira, hoje destaque no tango Florianopolitano e grande divulgador do tango no Brasil com os maravilhosos congressos que organiza. No ano 2000 comecei a organizar noites de tango no restaurante João de Barro, muitas vezes premiado como melhor da cidade. Meu amigo Gustavo Lorenzo e sua esposa Diana me cederam seu lindo espaço por 10 invernos para noitadas tangueiras onde além de alguns argentinos, tivemos a participação dos melhores dançarinos da cidade e, entre todos, dançando com Luiz Kirinus, se destacava Laura


Flores. Com a suavidade e a leveza de uma fada, entre “ganchos”, “ochos” e piruetas, encantava o público e exaltava o ritmo portenho, hoje Patrimônio Imaterial da Humanidade. Me senti lisonjeada e muito feliz por poder lembrar do início do Tango em Florianópolis e principalmente por poder relacioná-lo com a trajetória de dança de Laura Flores. Esse capítulo histórico é composto em grande parte pela própria história de Laura, que tem grande participação na estruturação da dança de salão em nossa cidade. Com a criação de sua academia de dança, inicialmente em parceria com Luiz Kirinus e, posteriormente de forma independente, investiu no sonho trazido há anos para esta ilha pelo professor Silvio Luna e ajudou a torná-lo uma realidade. Mesmo depois das tempestades e reveses trazidos pelo Destino, ela segue acertando o passo no ritmo descompassado da vida, com sua leveza de espírito e suas asas de fada... “La tarde está muriendo detrás de la vidriera y pienso mientras tomo mi taza de café. Desfilan los recuerdos, los triunfos y las penas,


las luces y las sombras del tiempo que se fue...�

(MI TAZA DE CAFE-Homero Manzi y Alfredo Malerba 1943) Por LĂ­dia Ferreira de Macedo


Uma pose de perna, por um click de Marco AntĂ´nio Perna.


Quien Eres Tu? "Gracias a la vida que me ha dado tanto Me ha dado la risa y me ha dado el llanto Así yo distingo dicha de quebranto Los dos materiales que forman mi canto Y el canto de ustedes que es el mismo canto Y el canto de todos que es mi proprio canto"

Mercedes Sosa Gracias a La Vida ¡Qué saben los pitucos, lamidos y shushetas! ¡Qué saben lo que es tango, qué saben de compás! Aquí está la elegancia. ¡Qué pinta! ¡Qué silueta!

¡Qué porte! ¡Qué arrogancia! ¡Qué clase pa'bailar! Así se corta el césped mientras dibujo el ocho, para estas filigranas yo soy como un pintor. Ahora una corrida, una vuelta, una sentada... ¡Así se baila el tango, un tango de mi flor! Así se baila el tango, sintiendo en la cara, la sangre que sube a cada compás, mientras el brazo, como una serpiente, se enrosca en el talle que se va a quebrar. Así se baila el tango, mezclando el aliento, cerrando los ojos pa' escuchar mejor, cómo los violines le cuentan al fueye


por qué desde esa noche Malena no cantó.

¿Será mujer o junco, cuando hace una quebrada? ¿Tendrá resorte o cuerda para mover los pies? Lo cierto es que mi prenda, que mi "peor es nada", bailando es una fiera que me hace enloquecer...

A veces me pregunto si no será mi sombra que siempre me persigue, o un ser sin voluntad. ¡Pero es que ya ha nacido así, pa' la milonga y, como yo, se muere, se muere por bailar!


REFLEXÕES SOBRE A VIDA DE UMA BAILARINA Norma Suely dos Santos sem pestanejar, é uma das maiores bailarinas que eu já conheci. No que trata de experiência de vida, de conteúdo, de didática, de saber 'tocar' a alma do aluno. E ela tem muito a nos contar. ..."Minha mãe estudou ballet clássico desde pequena, com uma professora russa do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, há mais ou menos sessenta e cinco anos atrás. Uma Companhia de Ballet Russo veio ao Brasil se apresentar, e os diretores desta Companhia foram assistir a uma aula desta professora. Após a aula, a professora de minha mãe conversou com meu avô sobre a pretensão dos diretores de a levarem com eles para a Rússia, pois acharam que ela tinha futuro.


Diante disso, meu avô conversou com a filha sobre como a vida de bailarina é curta e sacrificada (naquela época, tudo era ainda muito mais difícil do que hoje), e que quando o corpo dela não respondesse mais, ela estaria longe de tudo e de todos, e depois aconselhou a ela que refletisse bastante e pesasse tudo muito bem, porque uma vez lá, não seria fácil desistir e voltar. Ela refletiu e acabou convencida que não seria fácil assumir uma mudança tão grande e incerta e resolveu não aceitar a proposta. Quando chegou minha vez, mais ou menos com 15 anos de idade e 6 anos de estudo de Ballet, manifestei a vontade de seguir a carreira como bailarina profissional, e então, minha mãe veio


conversar comigo da mesma forma que meu avĂ´ conversou com ela, sobre a dificuldade e o pouco tempo que dura uma carreira como esta... E no fim, acabei optando por uma carreira diferente, mantendo o ballet como um Hobby e segui outra profissĂŁo". Por Norma Suely Santos


Bailarina russa que teve paralisia infantil com sequelas na perna, sendo orientada pelo mĂŠdico a fazer balĂŠ para fortalecimento.


Norma Sueli e Ruslan Gavrilujk em um padedê – Rio de Janeiro ( janeiro de 1970). "Humildade: Não te faz melhor que ninguém, mas te faz diferente de muitos."


“PÉS NO CHÃO E DANÇA NO CORAÇÃO”

Edelaido Farias foi mais uma pessoa em minha vida. Destas que passam e deixam sua marca. Ele ainda traz a lembrança, pelos corredores do CDEN de eu dando a ele força para retomar a dança, na época que ele estava em depressão. Palavras dele: “Lembro-me bem de ti, Laura, me dizendo: É assim mesmo, Edelaido. Um dia a gente está bem, no outro está mal. Tu irás conseguir retornar a Dança de Salão e voltar a dançar”.

Isto foi pelos idos do ano de 1996.

E assim foi. Hoje ele vem nos relatar do Grande Silvio Luna. Parcela importante da história da dança de salão de Florianópolis/SC.


“Em meados dos anos 80, Silvio Luna (Sebastião João da Silva) veio do Rio de Janeiro e fixou raízes em Florianópolis, trazendo consigo a Dança de Salão. Silvio era discípulo de Jaime Arôxa e montou um grupo chamado [ Grupo Existe por Acaso], grupo este que percorria o Estado de Santa Catarina inteiro com seu Shows de Lambada. Era a época da febre da lambada. A minha história na Dança de Salão, começou em 1990, quando participei do ‘Grupo do Silvio Luna’, com os Shows de Lambada. Quando a febre da Lambada começou a passar, Silvio começou a trabalhar com todos os ritmos da Dança de Salão. Ele dava aulas, no SESC- Florianópolis, Centro Integrado de Cultura, Portal Turístico, AABB e no Clube 15 de Outubro . Silvio Luna foi o nosso Grande Mestre foi nosso 1° Passo na Dança de Salão em Floripa.


Logo após a chegada de Silvio Luna a Florianópolis, veio o nosso Grande Mestre, Edson Nunes, que montou uma Escola de Dança de Salão no Centro de Florianópolis.

Ele começou uma parceria com Alexandra Kirinus e mantém a parceria até os dias de hoje. Em 1993, comecei a Dançar no Grupo do Edson Nunes. Fiz parte do Grupo por vários anos e muitos profissionais da dança se formaram no Grupo de Edson, e todos tem uma parte importante na história da Dança na Cidade.” Não posso deixar de citar amigos verdadeiros e sinceros, como Miriam e Afonso Alles, que reencontrei pelas estradas da vida. Um casal finíssimo, que eu tive a grande alegria de conhecer nos meus áureos tempos de bailarina. Este casal, viveu e vivenciou comigo momentos marcantes da minha história dançante, como o "Encontro Internacional de Dança de Salão" e os tantos e tantos encontros nas salas da Academia da Rua Hoepeck.


Pessoas realmente especiais que trouxeram à memória, registros históricos de suma importância.

Obrigada Casal Alles. Casal Pé de Valsa!

Silvio Luna em momento dançante.


Edelaido dançando no grupo “Existe por acaso”, de Silvio Luna.


AO MESTRE COM CARINHO A primeira vez que vi Edson Nunes, foi nas alturas! Sim, porque eu precisei ter coragem para subir aqueles degraus da “Academia Edson Nunes”, Centro de Florianópolis. E que bom que segui o ritmo do meu coração. Ainda me recordo das batidas de salsa, samba, merengue... as curvas da lambada. Dos acordes de tango aos sonhos de um bolero, ou à tradição da valsa. De dentro daquelas três salas, surgiram também várias novas histórias de vida e na minha cabeça!

Desde as primeiras aulas, ao destaque entre todos, à parceria com Gugu, às grandes amizades que ali fiz. Ali que aprendi a ministrar aulas realmente. E Edson é um livro de histórias por si só.


Edson Nunes ensinou-me o que é internalizar! Edson França Nunes da Rocha chegou em Florianópolis na década de 80 precedido por Silvio Luna, seu professor. Foi precursor da dança de salão em Santa Catarina. Veio na febre da Lambada e realmente fez muito sucesso na época. Silvio Luna foi seu antecessor e o discípulo superou o mestre. Kaoma, Beto Barbosa... Emocionada eu fico ao lembrar, dos tantos 'passadões da emoção', de Edson. Mais um termo único criado por ele e usado apenas pelo Mestre. Foram muitos os ensaios, tardes, manhãs, noites, madrugadas árduas incansáveis, de um aprendizado único. Um 'em grupo', guiado por termos extremamente divertidos e 'pra frente'... expressos com o coração!


E ... Hoje, 2012, começo aqui novas linhas: ...Uma dança especial. Que abraço gostoso! Seu sorriso verdadeiro. Palavras expressas para o grande público, que senti, vieram do coração. Este foi meu verdadeiro reencontro com meu primeiro e grande mestre, após o 'Susac'... Edson Nunes. Em sua festa de 50 anos. Uma festa realmente linda. Que me encheu de coragem para prosseguir minha caminhada. Recheada de encontros emocionantes e ‘revivals’. Edson Nunes.


Quanta maturidade naqueles olhos. Quanta sabedoria em cada passo de bolero, cada giro. Quanta (?) perspicácia a cada volteio de tango, a cada improviso que ele faz com muita maestria... ou a cada pose.

Hoje Bacharel em Direito, impõe mais respeito ainda. Atualmente, vejo com clareza tudo que ele ensinou a mim e com serenidade me lembro de nossa história com um sorriso e a mente leve. Muitas coisas . Tantas viagens! A cada curva uma risada... Em cada cidade uma lembrança. A ida ao SATED/RJ quando eu nem entendia o que era isso.



E ficam aqui registrados os nomes do Grupo/Cia EDSON Luiz Simas ( Negão)

NUNES: Edson Nunes Alexandra Kirinus ( Xanda) Daniel Pozzobon ( Dani) Lenise Gonzaga ( Lê)

Décio Ribeiro André Simas ( Dé) Ana Carolina Lange Edelaido Farias

Luiz Augusto Kirinus ( Gugu)

Guilherme Abilhôa ( Gui)

Maria Laura Flores ( Laura Flores)

Arthur Fernandes

Leonardo Santos Móska ( Leo) Juliana Berca ( Juju) Luana Dentice Claudia Margarida (Claudinha) Carolina Botelho Ricardo Aquino ( Ricardinho) Priscila Mol João Biasotto, Vanessa Lyra


Arthur Bellaguada Isabel Rocha Alexsandro Colim Julia Batista Fernando Campos Giselle Medeiros Carlos Peruzzo Thais Cardoso Carlos Eduardo Andrade Aline Tombini Camila Tombini

E na pochete de Edson, o que ele trazia? Quando ele chegou do RJ-RJ, apenas com uma pochete? Sua alegria! Seu bom humor! Sua histรณria de vida e seu jeito carioca de ser. O aluno de Silvio Luna, da lambada, aprendeu direitinho.


E fez histรณria! Uma linda histรณria.


“A vida tem sua própria sabedoria. Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar o broto a sair da semente o destrói. Há certas coisas que têm que acontecer de dentro para fora”. Rubem Alves


O CORPO SE MOVE, A ALMA SE ENCANTA, O SONHO RENASCE NA ARTE DA DANÇA.

Os dias correm ensolarados, abafados, modorrentos, relanceio a vista pela minha janela no vigésimo andar e o horizonte estende-se num sem fim, perde-se em nuvens de fuligens, sinal da seca que novamente volta a castigar o coração do cerrado brasileiro. Fecho os olhos e deixo que meus pensamentos vaguem, como que embalados docemente pelo ir e vir das ondas do mar. Sinto novamente o vento sul arrepiando a pele, balançando os galhos das árvores e denunciando a chegada do outono na minha querida Ilha de Santa Catarina, estou mais uma vez em casa. Revolvo memórias tatuadas pelos anos, conversas partilhadas com velhos amigos, um tempo em que a magia da dança começava aos poucos a descortinar-se diante de meus olhos, uma época em que tudo eram descobertas, encantos e fascinação. Esta deambulada memorialista me fez lembrar uma frase do genial Millôr Fernandes (falecido meses atrás): “O tempo não existe. Só existe o passar do


tempo.” No passar do tempo fui acumulando estórias e mais estórias agora puxadas para o presente como um balaio de siri, puxa um e os outros vêm agarrados atrás. Foi nesta época em que num final de tarde, passando pelo supermercado “Angeloni Beiramar” deparei com um aglomerado de pessoas, e atraída pelo som de um samba atrevido e alegre, curiosa, aproximei-me; a dançarina, em seu lindo vestido de franjas brilhosas, numa caracterização típica de sambista, girava nos braços de seu cavalheiro. Ela executava seus movimentos com tamanha graça e leveza que magnetizava todos os olhares a sua volta, seu sorriso iluminava e encantava, parecendo ao mesmo tempo dizer de sua paixão pelo que estava fazendo e do quanto aquelas sequências de passos, que a mim pareciam quase impossíveis de serem executados, lhe eram prazerosas a naturais. Aguardei o final das apresentações e aplaudi entusiasmada junto com a multidão. As lembranças desta bailarina e de seu lindo sorriso ficaram para sempre em minha memória, passei a acreditar e,


secretamente, desejar, um dia, quiçá, dançar desta forma. Assim, inspirada, resolvi alçar vôos mais altos para as minhas limitações e integrei às aulas de dança de salão com as aulas de forró que já fazia a cerca de dois meses sob a batuta do professor Daniel Pozzobon no Espaço Vida Saudável, dos amigos Alexandre e Rosita. Pois foi justamente a convite de Alexandre, que passei a fazer parte das reuniões da recém-criada Associação Catarinense de Dança de Salão (ACADS), caneta e caderno na mão, fazia anotações para a elaboração de um novo estatuto, que passaria a reger a associação, absorta, não percebi a menina que entrou, mas sua voz firme e decidida cumprimentando a todos me fez tirar os olhos do papel. E qual não foi a minha surpresa ao ver, ao meu lado, a bailarina que tanto me havia impressionado. Maria Laura Flores era o seu nome, ela me disse e pensei cá comigo, “tão pequena, tão delicada... ela parecia bem mais alta dançando, como é que pode?” Ao longo das reuniões que foram sucedendo, fui


percebendo que aquela menina era muito mais que uma excelente bailarina, era também uma mulher forte, decidida, dona de um raciocínio veloz e perspicaz, ficamos amigas e ela contou-me sua história; havia decidido investir o dinheiro que seria gasto em seu casamento numa academia de dança. Admirei lhe ainda mais a coragem, Laurinha, como os amigos carinhosamente a chamam, apesar da aparência delicada de menina, era uma mulher que tinha as rédeas de sua vida nas mãos e sabia exatamente para onde as queria guiar. Há onze anos a dança-de-salão em Santa Catarina ainda engatinhava. A ACADS, movida pela fé e coragem de seus diretores mergulhava de cabeça em um projeto ambicioso, realizar o primeiro Baila Floripa – Mostra de Dança de Salão de Florianópolis, tive o prazer de fazer parte deste grupo idealistas-sonhadores e pude testemunhar o empenho e a garra de nossa Vice-Presidente, Maria Laura, para quem a dança era, e ainda é a sua razão de viver. Tive ainda a


satisfação de ter sido uma de suas alunas e de tê-la visto brilhar inúmeras vezes pelos palcos da cidade. Recordo com um carinho especial uma coreografia em que Laurinha e seu parceiro na época, Luiz Kirinus, interpretaram com maestria a Opereta do Mané, do saudoso Grupo Engenho. A combinação de aromas e cores da nossa terra, da nossa musicalidade, do jeito de ser do nosso manezinho da ilha entrelaçados pela arte da dança a dois, de forma tão primorosa, ficou para sempre gravada em minha memória. Os anos foram passando, deslizando apressadamente como os fios por entre os dedos ágeis das rendeiras da Lagoa da Conceição, num compassar pretíssimo quando meu coração, hoje, preferiria muito mais um andamento adagio, o corpo se move, a alma se encanta e o sonho renasce na arte da dança; a mesma dança que aos poucos tomou conta de minh’alma e mudou completamente a minha vida, me trouxe dezenas de amigos, centenas de colegas e conhecidos, levou-me para bem longe da ilha onde nasci e


que guardo enraizada nas entranhas do meu ser. Mas a dança também me trouxe algo muito precioso, um amor

único e especial, a minha “alma gêmea”, Neville, meu marido com quem hoje divido todos os meus passos e algumas pessoas que formam aquele restrito grupo de amigos inestimáveis, os quais a distância e o tempo jamais terão o condão de apagar de meu coração e de minhas memórias. E neste compassar acelerado de volteios da vida, a figura de Maria Laura, a Laurinha, estará sempre presente como uma daquelas amigas especiais, mas principalmente, como um grande exemplo de força, de determinação, de conquistas... de vida. Abro os olhos e o coração imediatamente se encolhe, fica apertado, chega mesmo a doer, reclama a falta daquele pôr do sol em tons rosados, quase púrpura, tocando o mar na linha do horizonte na Florianópolis dos meus sonhos; reclama o carinho e a presença da família e de amigos tão queridos, meu coração sente-se quase desnudo, a pulsar de saudade no mar de tantas lembranças. Clarisse Pereira da Silva Nunes


A MENINA SUPER PODEROSA Por Gisele Flôres da Silva em 13/08/2010 "Não é qualquer pessoa que pode ser chamada 'herói', mas eu conheço duas mulheres (em especial) que podem, sim, receber este título. Simplesmente por, apesar dos pesares, continuarem sendo quem elas são. A primeira delas é minha avó Dilma, que para mim é uma heroína por sua história de vida: ela vem de uma família pobre, simples, sendo a mais velha entre os 8 irmãos tendo por isso, ajudado sua mãe a criá-los. Estudou apenas até a 4° série primária, logo sabe ler e escrever, somente o básico. Coisas estas que não a impediram de casar, ter seus três filhos e ainda ter energia para tomar conta por 38 anos de meu avô doente. Minha avó foi muito guerreira, tendo dormido cerca de 5 meses nas cadeiras de acompanhante dos quartos de hospitais e, acima de tudo, após todo este esforço, saía do hospital feliz por meu avô ter passado por mais um obstáculo que a vida os impôs. Hoje em dia minha avó está sem a presença física de meu avô Aleto e continua sendo a mesma pessoa de antes e de bem com a vida... o que eu admiro muito!


Outra pessoa, ĂŠ uma tia minha, chamada Laura, que apesar


dos seus 32 anos, já enfrentou uma situação que muitos sequer conhecem: ela era bailarina e professora de dança de salão. Um dia, ela foi para um curso no Rio de Janeiro, e do nada, começou a passar mal. Dias depois descobriu-se que ela tem a Doença de Susac. Uma doença raríssima no mundo. Ela adoeceu aos 27 anos. Ficou por 15 dias em coma e, posteriormente os efeitos da doença foram: número 1 perda do equilíbrio... ( para uma bailarina!?!), de 30% da audição e 90% de um olho - visão periférica. O equilíbrio que ela tem hoje supre suas necessidades de se locomover e viver, pois ela precisa pensar para fazer corretamente. Laura segue a vida feliz e sorridente e isto que eu admiro em minha tia."


Caleidoscópio

Tirem-me o alimento, a água, os amores. Tudo isto eu suportaria. Mas, sem a magia, sem essa, aqui da minha ilha, eu nao viveria. Esta completa o enredo. Da arte, do bailado, da poesia, enfim... Tão subimes que posso voar E tão alto que alcanço o céu. No céu, eu atinjo sonhos. Os tão almejado sonhos. Os que vou alcançar... um a um. Pois tenho todo tempo do mundo. Me doados carinhosamente pelo universo Em um chão de estrelas.


LauraFlores


ARCO-IRIS

Ano SETE, é o ano de mudanças. De fechamento de ciclos. De começar novos capítulos. O ano de 2012 para mim significa tudo isso. Sete anos de Síndrome de Susac e 'O' ano que preparo meu livro para seu lançamento. E o deixo lindo e pronto para o público!


Laura Flores (Ribeirรฃo da Ilha, Florianรณpolis/SC, 2010)



Laura Flores e Luiz Kirinus Dançando a coreografia “Bem-te-vi atrevido” (Teatro do CIC – Florianópolis/SC, 1999)


Minha vida ... um beijo de saudade

Acredito que este meu livro, poderá auxiliar à muitas pessoas. Escreveria por anos a fio para ser sincera. Penso que este será apenas o primeiro de uma série. Minha missão nesse mundo talvez, seja ajudar aos irmãos. Espero que ele te auxilie, leitor, na tua busca e te ajude no que procuras. E que eu possa de alguma forma colaborar com isto. Sinceramente, é minha intenção! Sei que a vida é feita de fases. Vejo isto como uma grande possibilidade de crescimento.


E, a minha vida é cheia de novidades que estão por vir ainda e sempre. Deus está comigo!

"... pois se uma estrela há de brilhar, outra então tem que se apagar, Quero estar vivo para ver, o sol nascer... Vou subir... Pelo elevador dos fundos que carregam mundos sem sequer sentir Vou sentir, Que a minha dor no peito que eu escondi direito agora vai surgir. Vou surgir.... Numa tempestade doida pra varrer as ruas em que eu vou seguir, Em que eu vou seguir , em que eu vou seguir... "


Raul Seixas - Colaboração de Rúbia Frutuoso de Souza


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