História do Clube Em 1945 já se reuniam em casa dos irmãos Sangareau alguns entusiastas do Jazz, ou da música HOT em contraposição à
música clássica. Luiz Villas-Boas, os irmãos Ivo e Augusto Mayer, Gérard de Castelo Lopes e a própria Helena Villas-Boas
reuniam-se para trocar discos, escutar as novidades e tocar. O
grupo foi-se alargando e organizando, de forma mais ou menos informal, sessões de jazz com músicos portugueses e estrangeiros
que, estando de passagem por Lisboa eram convidados a juntarse.
Com o terreno preparado para fundar um clube de Jazz, (uma vez que através de um programa de rádio reunia desde 1948 potenciais sócios com este propósito), este grupo, liderado por
Luiz Villas-Boas passou ao passo seguinte: a sua formalização. A 16 de Março de 1950 foram aprovados os Estatutos do Hot Clube de Portugal com o slogan "Divulgação da Música de Jazz" . Desta data em diante organizaram-se Festivais de Música
Moderna, concertos com músicos famosos de Sidney Bechet a Count Basie, gravação de discos e muitas Jam Sessions. O Ford Perfect de Luiz Villas-boas, parava nas docas de Lisboa e
enchia-se de músicos dos barcos de cruzeiro que aí estavam
atracados, que iam tocar para o HCP, regressando ao barco já de madrugada.
A instalação definitiva na Praça da Alegria deu-se no princípio dos anos 50. O incêndio de 2009, que destruiu por completo a
cave do nº 39, obrigou à deslocação do Clube para umas portas abaixo.
O Hot Club é um dos mais antigos clubes de jazz da Europa e é concerteza aquele que se mantém a funcionar ininterruptamente há mais anos. A revista DownBeat, conceituada revista
americana de Jazz, considera o HOT CLUB um dos melhores 100 clubes de jazz do mundo.
A sua importância na sociedade portuguesa foi oficialmente
reconhecida, primeiro em 1995 pela concessão da declaração de Instituição de Utilidade Pública e mais recentemente quando
recebeu o Prémio Almada Negreiros em 2001, e a Medalha de Mérito Cultural em 2004, ambos do Ministério da Cultura.
Recebeu também a Medalha de Honra da Cidade, atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa em 2005. Conselho Directivo: Presidente - Inês Cunha
Vice-Presidente - Bruno Santos
Secretário Geral - César Cardoso Tesoureira - Paula Oliveira Vogal - Gonçalo Marques
Suplente - Luís Guilherme Cunha
Núcleo Museológico O acervo do HCP assenta sobretudo nas colecções de Luiz VillasBoas e nos arquivos da própria instituição, arquivos de carácter administrativo, mas também documentos resultantes da
actividade artística do clube. Estas duas vertentes misturam-se, no entanto, pois nos primeiros anos do clube, a inexistência de sede e o facto de Villas-Boas ser o principal sócio fundador, determinaram que todos os registos ficassem ao seu cuidado. Na "Sala Villas-Boas" como é denominado o espaço das
instalações do HCP em Alcântara onde está guardado este acervo, encontram-se também os arquivos da Projazz, empresa
propriedade de Luiz Villas-Boas e Duarte Mendonça, produtora dos primeiros festivais de Jazz de Cascais, e alguma
documentação sobre o Louisiana e a Discostudio, respectivamente um bar e uma loja de discos, que Luiz Villas-Boas abriu em Cascais e em Lisboa.
Se a variedade, salta à vista, a singularidade deste acervo só se
pode perceber analisando um pouco melhor as peças que o
compõem. O núcleo fotográfico, na sua maioria a preto e branco e com alguns problemas de conservação, é único não só pela sua qualidade intrínseca, mas como documento de uma época.
Decorre neste momento um esforço suplementar com alguns sócios mais antigos, no sentido de identificar locais, acontecimentos e intervenientes.
A parte do acervo mais significativa é claramente a dos discos. As várias colecções de discos que Luiz Villas-Boas ia reunindo na sua actividade de radialista e crítico permitiram juntar uma colecção muito coerente e significativa. Há discos de todas as
épocas e de vários tamanhos e materiais. De facto surpreendente é a colecção de V-Discs (Victory Discs), discos especialmente produzidos para os soldados americanos que durante a 2ª Guerra mundial estavam na frente de combate.
Outros elementos interessantes do acervo do HCP são a correspondência pessoal de Villas-Boas e os guiões dos programas de rádio, que frequentemente se referem a acontecimentos e polémicas da época.
O Hot Clube concorreu em 2009 ao Apoio da Fundação Calouste Gulbenkian a Projectos de Recuperação, Tratamento e
Organização de Acervos Documentais do Serviço de Educação e Bolsas, com um projecto denominado "A memória do Jazz em Portugal: tratamento e organização do acervo museológico do Hot Clube de Portugal, com vista à sua futura abertura ao público" Com este projecto pretendeu-se dar início a este processo, através da catalogação, tratamento e acondicionamento da
documentação. Inicialmente estas foram as principais actividades implementadas. A limpeza e o acondicionamento foram passos primordiais para a preservação, no sentido de
disponibilizar a documentação à consulta . O acondicionamento individual dos documentos, a sua colocação em embalagens de conservação e posteriormente em armários adequados, foi
fundamental dada a vulnerabilidade de alguns suportes. Foram também realizadas obras na Sala Luiz Villas Boas com o
objectivo de melhorar as condições em termos de temperatura e humidade relativa na sala.
Este projecto terminou no mês de Outubro de 2010. Em 2011 a Fundação para a Ciência e Tecnologia atribuiu ao Inet (Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova) uma bolsa para estudo e conservação das colecções do Núcleo
Museológico do Hot. Este trabalho vai permitir, mais tarde ou mais cedo, o acesso do público a esta documentação.