O sonho de voar concretizado O piloto Lincoln Tirello realizou um desejo de infância graças ao Aeroclube de Cachoeiro
Jornal Hoje Notícias • Edição 181 • Sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
jornalhojenoticias@gmail.com • R$ 2,00
fotos: Leandro Moreira
AO POVO O QUE É DO POVO
Comunidade reivindica no Ministério Público terreno utilizado pela construtora Roma. A Associação de Moradores do bairro Santo Antônio usa como prova um documento obtido junto ao cadastro imobiliário da Prefeitura de Cachoeiro que traz a própria municipalidade como proprietária do local
COmerciante do bairro amarelo já fez história como político Entre um caldo de cana e outro, o comerciante Anésio Bresinsk relembra sua rápida - porém honrada - carreira política. Ele teve dois mandatos » Página 13
livro relançado 65 anos depois conta história de calabar Reeditada por Higner Mansur, a obra de um professor cachoeirense relembra tese em defesa de um herói brasileiro injustiçado » Páginas 06 e 07
PREFEitura de cachoeiro garante recursos para obras do OP Apesar da garantia, lideranças reclamam de demora. Mais de 70% das intervenções não foram entregues
02 Cidades
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
OP: secretária diz que recursos estão garantidos para obras Mara Tosato afirma que programa é prioridade do governo, apesar dos números negativos foto: Divulgação PMCI
por Leandro Moreira
A
secretária de Governo, Mara Tosato, responsável pelo Orçamento Participativo (OP), disse que o orçamento está garantido para a realização das obras eleitas. Na última semana, este periódico fez levantamento dos números e identificou que mais de 70% dos serviços escolhidos pelas comunidades, desde 2009, não foram entregues. O atraso na entrega das obras, diante da expectativa gerada junto aos moradores das 12 regiões, arranha a prioridade anunciada pelo governo. Ainda assim, a secretária Mara Tosato diz que existem questões pontuais que sustentam a morosidade. “Há uma complexidade na metodologia do programa, tanto que ela é modificada a cada ciclo, com a introdução de mais critérios”, falou. Segundo ela, sem critérios
Na foto, a primeira-dama Auxiliadora, o prefeito Carlos Casteglione, a secretária de Governo, Mara Tosato, e o deputado Rodrigo Coelho à época do lançamento do Orçamento Participativo
toda comunidade prioriza a construção de posto de saúde e creche, por exemplo, que são imóveis que podem atender de forma microrregional – ou seja, um bairro servir a outros próximos. “Temos contato direto com os delegados do OP, quando repassamos as informações
foto: Arquivo
Casteglione havia anunciado a realização do programa de dois em dois anos
inerentes ao programa, como o status de cada obra escolhida. Existem compromisso e orçamento para fazer, pois o OP é prioridade do governo”. Atualização A partir de segunda (3) a prefeitura iniciará a atualização dos dados do OP
publicados no Portal da Transparência. Mara acredita que poderá haver modificações no número de intervenções entregues e em demais situações. Ela não soube precisar qual foi a última vez que houve atualização, que deixou de ser feita após baixa de funcionário na função.
Periodicidade do OP em confronto Para alteração na metodologia de funcionamento do OP, segundo Mara, é preciso votação do conselho. Este ponto, por exemplo, foi o que dificultou a repactuação de obras escolhidas que não avançam por questões burocráticas. No ano passado, o OP não foi realizado, devido à queda na arrecadação do municí-
pio. Complementando a interrupção, o prefeito Carlos Casteglione (PT) anunciou que o programa será realizado de dois em dois anos. Porém, a secretária desconhecia a nova periodicidade e, antes de ser informada sobre a mudança, disse que seria necessária consulta junto ao conselho do OP.
03 Cidades
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
foto: Leandro Moreira
Lideranças comunitárias aguardam realização de obras nos bairroS
na falta de documentação do terreno. Segundo a presidente da associação do bairro Isabel Cristina, a obra já começou, porém a dúvida é quanto a conclusão. “Disseram que o posto de saúde será entregue em fevereiro, mas não acreditamos, devido à não evolução da obra”, disse. Ela é uma que defende alterações no OP para obter melhorias. “No papel o OP é ótimo, mas daquilo que foi prometido, mais da metade não foi cumprido. Estamos cobrando”. Nos bairros BNH de Cima e de Baixo, ainda em 2009, foi firmado acordo para a construção de um Pronto Atendimento
Diretor Executivo Tiago Turini
(PA); até hoje não teve início. “Houve falhas no início do programa, pois houve a escolha da obra, sem a certeza de ter um terreno. A informação da prefeitura é que o PA será feito no bairro Marbrasa, porém ainda não iniciou”, falou Ilton Constantino, presidente da Associação do BNH de Cima. “É importante dar ouvido à população na escolha das obra, mas acha que o OP pode ser melhor. Vejo que falta a população ser mais informada sobre o status da obra. A ideia
é boa, mas tem que ter funcionalidade”, reforçou Ilton. “Para nós, o OP não funcionou. Não sei se é por falta de verba ou vontade política. Não tenho mais esperança de o PA sair. A conversa agora é que será construída uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). O posto é importante, pois atenderá o BNH e os demais bairros próximos”, afirmou o presidente da Associação de Moradores do Presidente da Fammopoci, BNH de Baixo, Carlos Roberto Ronaldo Xavier, questiona na justiça aumento Oliveira. da tarifa de água e esgoto em Cachoeiro
Jornal Hoje Notícias • Edição 180 • Sexta-feira, 24 de janeirotrouxe de 2014 Capa da edição anterior matéria sobre o atraso nas obras do OP jornalhojenoticias@gmail.com • R$ 2,00
fotomontagem: Wellington Pintor
A reportagem conversou com alguns presidentes de associação de moradores de Cachoeiro de Itapemirim e a maioria reclamou da funcionalidade do Orçamento Participativo (OP). Mais de 70% das obras eleitas, desde 2009, não foram entregues. Apesar deles acharem positiva a proposta do OP, consideram que é preciso haver ajustes e mais comprometimento do poder público, para que as comunidades sejam atendidas diante do compromisso firmado. No bairro Novo Parque, a comunidade aguardava a construção de um posto de saúde, cuja demora debruçava
Editoração Wellington Pintor (28) 9945.7012 Editor Ilauro Oliveira ilauro01@gmail.com Repórter: Jackson Soares Leandro Moreira
Circulação - Região Sul do Espírito Santo CNPJ 18.311.486/0001-44 jornalhojenoticias@gmail.com Redação: Rua Amilcar Figliuzzi, nº 31 – Coronel Borges Cachoeiro de Itapemirim – ES Tel.: (28) 3517-7615
Colaborador Adilson Conti Thiago Shwan Impressão: Thalyson Inácio de Araújo Rocha Gráfica Victor, Amilca Fliguiuzzi, nº 33, Luiz Trevisan Coronel Borges - (28)3522-9554 Rael Sérgio Anete Lacerda Tiragem: 3000 exemplares Periodicidade: semanal Sidney Schwan
Criado com festa em 2009, o Orçamento Participativo de Cachoeiro está se transformando em um verdadeiro elefante branco, graças à demora na execução e conclusão das obras. Números levantados pela reportagem comprovam que se não virar prioridade urgentemente, o OP, maior programa administrativo do prefeito Carlos Casteglione (PT), quebrará o pacto firmado entre governo e população, podendo se transformar em um grande calote político
04 Comunidades Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Moradores reivindicam terreno usado por empresa
Associação de moradores alega, através de documento apresentado ao MP, que área é de propriedade da prefeitura por Leandro Moreira
A área reinvidicada pelos moradores fica na Linha Vermelha
tensão de uma área de lazer, constituída por quadra poliesportiva e playground, ambas em situação precária. A empresa fica na avenida foto: Arquivo Jonal Hoje
Alan Fardim levantou documentos no setor de cadastro imobiliário
foto: Leandro Moreira
C
reche no lugar de empresa. Essa é a pretensão dos moradores do bairro Santo Antônio, em Cachoeiro de Itapemirim. A Associação de Moradores do local já apresentou denúncia ao Ministério Público, alegando que o terreno onde está estabelecida a construtora Roma é público; por isso, pleiteiam a desocupação. Alan Fardim Simonato é o presidente da Associação de Moradores do bairro Santo Antônio. Segundo ele, quando a Linha Vermelha foi construída, a empresa utilizou o local como uma espécie de ‘QG’, para guardar equipamentos e maquinários - só que nunca mais saiu. O terreno ocupado, de 1.214 m², segue como ex-
José Felix Chein, conhecida como Linha Vermelha. Junto à prefeitura, Alan levantou documentos no setor de cadastro imobiliário que comprovariam ser a área da prefeitura e que a construtora está isenta de impostos. Nem mesmo um possível contrato de cessão foi identificado. Além disso, a associação encaminhou ofício ao prefeito Carlos Casteglione (PT),
tornando-o ciente da questão e solicitando a construção de uma creche no local. “O Ministério Público vai apurar a legalidade da ocupação do terreno, nos próximos 30 dias. Constatada uma irregularidade, a área deverá ser devolvida ao poder público. A construção de uma creche vai favorecer famílias não só do Santo Antônio, mas também das adjacências”, afirma Alan.
Empresa não dá retorno A reportagem foi até a sede da Roma, na Linha Vermelha, e foi instruída a fazer contato com um funcionário que teria a competência para tratar do assunto. Inicialmente,
ele disse desconhecer o tema, já que não recebeu nenhuma notificação a respeito. Depois, ficou de retornar, após apuração, mas não fez.
05 Geral
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
GREVE NO hospital padre olívio chega ao fim Funcionários que cruzaram os braços por duas semanas voltam ao trabalho após acordo por Leandro Moreira
foto: Leandro Moreira
O
s trabalhadores do Hospital Padre Olívio (HPO) terminaram a greve na quarta-feira (29) após o interventor da casa de saúde, Elieser Rabello, garantir o pagamento de 13º e FGTS atrasados, que será efetuado pela prefeitura de Vargem Alta. O local conta com cerca de 40 profissionais. A greve durou duas semanas, em meio a uma guerra política entre o prefeito João Bosco Dias (PSB), o Bosquinho, e o vice-prefeito Claudio Pazzeto (PR), que era o presidente do Padre Olívio. Bosquinho decretou a intervenção no hospital, alegando ter feito repasses milionários ao nosocômio, que, ainda assim, não teria quitado as dívidas trabalhistas. Além disso, o Padre Olívio teria funcionado
O local conta com cerca de 40 profissionais aquém de sua estrutura: em 2013, foi realizado somente um parto, e a maioria dos 30 leitos ficaram inutilizados, de acordo com o prefeito. Com o aval do socialista, Elieser, que é ex-prefeito do município, informou aos funcionários do hospital que
parte do 13º de 2012 e todo referente a 2013 serão pagos em duas parcelas, nos meses de fevereiro e março. O FGTS também será parcelado. Plano A cúpula do Hospital Padre Olívio se reúne para discutir
um plano de trabalho. O objetivo é pontuar meios para que o hospital volte a ofertar partos e cirurgias aos pacientes de Vargem Alta e adjacências. O documento será apresentado ao governo do Estado; a previsão é que fique pronto nos próximos 10 dias.
O Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport)assinou, nesta quarta-feira (29), no Palácio Anchieta, a sede do Executivo, convênios com 32prefeituras para construção de 38 praças do projeto Praça Saudável, num investimento de R$ 30milhões. As Praças As Praças Saudáveis vão melhorar a infraestrutura dos municípios capixabas, com os moradoresaproveitando o espaço para a prática de exercícios físicos, lazer e recreação. As unidades poderãoser construídas nos tamanhos de 1.500, 2.000 e 2.500 metros quadrados, com o custo de R$ 755.201,32, R$ 906.028,67 e R$ 959.134,81, respectivamente, de acordo com a área
disponívelem cada município beneficiado. O projeto visa oportunizar, de forma gratuita, a prática de atividade física aos cidadãos em ambientede convivência familiar, disponibilizando-lhes equipamentos modernos, de fácil utilização eadequados a cada faixa etária e pessoas com deficiência física, além de reduzir os custosassistenciais de saúde. Com as assinaturas dos convênios, as praças poderão ser construídas por meio de Registro de Preço. A praça completa tem núcleo de orientação, quiosque, quadra de areia oficial, iluminação,equipamentos para prática de exercícios físicos ao ar livre, paisagismo, calçada com pista paracaminhada, e área de convivência,
foto: Thiago Guimarães / Secom
Governo do ES construirá praças saudáveis em 32 municípios
recreação e lazer. Tem como diferencial a presença constante de profissionais de Educação Física que orientarão osmoradores com fichas padronizadas de avaliação física e prescrição de exercícios. A previsão é que oprojeto chegue, posteriormente, a 45 praças, totalizando R$ 35 milhões em investimentos. municípios: Águia Branca, Água Doce do Norte, Alto Rio Novo, Atílio
Vivácqua, Afonso Cláudio, Alfredo Chaves,Aracruz, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Bom Jesus do Norte, Cariacica, Conceição da Barra(2), Domingos Martins, Ecoporanga, Fundão, Guaçui, Guarapari, Itapemirim, Jaguaré, Laranja daTerra, Marilândia, Mantenópolis, Montanha, Mucurici, Nova Venécia, Pancas, Piuma, São José doCalçado, Serra (4), Venda Nova do Imigrante, Vila Velha (2), Viana (2).
06 Cultura
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
Tese sobre Calabar vira livro e será relançada em Cachoeiro 65 anos depois A obra do professor Wilson Lopes de Resende sobre esse grande brasileiro foi publicada originalmente em 1948 por Ilauro Oliveira
U
m dos mais interessantes personagens da História brasileira, Domingos Fernandes Calabar carregou por séculos a imagem de traidor da pátria por ter lutado ao lado dos holandeses entre 1632 e 1635 contra as tropas portuguesas. A tese, vendida fartamente aos brasileiros pelos conquistadores portugueses, caiu por terra há tempos, mas o interesse por esse mulato, que já deu até nome a espetáculo teatral de Chico Buarque, continua de pé. Tanto é assim que o advogado, historiador e jornalista Higner Mansur, um dos mais atuantes intelectuais de Cachoeiro de Itapemirim, resolveu reeditar uma tese, de 1948, feita pelo professor Wilson Lopes de Resende sobre Calabar. Pronta pelas mãos caprichosas de Bira, empresário, incentivador cul-
tural e proprietário da Gracal (Gráfica Cachoeiro), a obra “Calabar na História” deve ser relançada neste mês: “Já fiz um contato com um professor e amigo do Centro Universitário São Camilo para fazer esse lançamento já em fevereiro, como forma de fazer uma dupla homenagem tanto ao próprio personagem, fartamente injustiçado pela História oficial brasileira, quanto ao professor Wilson, figura das mais raras que Cachoeiro conhece”, disse Higner Mansur. Bem amparado por relatos de historiadores brasileiros, o volume, de 36 páginas, traz a história de bravura e idealismo de um homem que recusou todo o tipo de ofertas financeiras vinda dos portugueses para morrer esquartejado em nome de um novo Brasil. “Esse ideal é que me comove e que me animou a reeditar essa tese. Sobretudo porque ele também pode ser visto nes-
Fã de Calabar e do professor Wilson, Higner Mansur é o pai do projeto
sa grande figura cachoeirense que é o professor Wilson, porque defender uma tese dessas na década de 40, para se fazer justiça a um injustiçado, não deve ter sido fácil. E realmente não foi como eu fiquei sabendo recentemente ao conversar com ele. Na ocasião, certa pessoa da banca – em 1948 -, ao ler a tese, chegou a dizer: “Você está do lado contrário mais uma vez, Wilson?”, conta Mansur.
Enquanto não é relançada publicamente, a tese já pode ser adquirida com o próprio Higner, ou então no Café Mourad´s, no centro de Cachoeiro. O preço é simbólico: R$ 3,00. E para quem não quiser pagar, basta vestir-se com o ímpeto de Calabar e solicitar um exemplar ao generoso Barbosa, no balcão do estabelecimento. Ganhará um livro e um sorriso: oferta imperdível.
Vivia o Brasil sob a opressão do regime ditatorial militar, e era comum o uso das metáforas nas produções artísticas a fim de, por um lado, burlar a censura rigorosa do sistema (sendo popular a figura de Armando Falcão, Ministro da
Justiça, encarregado dessa tarefa canhestra) e, por outro, denunciar a situação atual. A intenção dos autores, porém, não era denunciar um erro histórico, nem tinha a pretensão de promover uma revisão: o alvo era, justamente, o próprio regime militar, sua censura, os veículos de comunicação que, engessados pelas versões dos fatos sempre acordes com o sistema, passavam ao povo imagens que precisavam ser questionadas em sua veracidade.
A peça teatral Calabar: o elogio da traição, foi escrita no final de 1973 por Chico Buarque, em parceria com o cineasta Ruy Guerra e dirigida por Fernando Peixoto. Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de trinta mil dólares e empregava mais de oitenta pessoas. A censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em 20
de outubro de 1974, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e proibiu que a proibição fosse divulgada. O prejuízo para os autores e para o ator Fernando Torres, produtores da montagem, foi enorme.Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela censura. A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa.
fotos: Arquivo Pessoal
www.hojees.com
07 Cultura
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Papo Cultural com Higner Mansur Hoje - Por que você editou a segunda edição da tese do Prof. Wilson Lopes de Resende, “Calabar na História”, publicada inicialmente em 1948, tese que procura demonstrar que Domingos Fernandes Calabar não era traidor da Pátria? Higner – Por razões bem simples. Eu, desde criança, sempre achei que Calabar, ao aderir aos holandeses, em 1632, não era traidor. Décadas depois, ao conversar com Prof. Wilson, ele nem só concordou comigo, como disse que essa era a tese com a qual ele concorrera à cadeira de História do Brasil do Liceu Muniz Freire. O professor me disse que tinha uma cópia da tese e, se achasse, me daria. Esperei um ano. Ele achou e me entregou a tese – era de 1948, o ano em que nasci. Todos temos mania de achar que nossas deduções são coisas novas, e que ninguém raciocinou sobre elas, como nós. Descobri, ali, que aquilo que eu intuíra como se fosse coisa nova, o Prof. Wilson já sabia bem antes de eu nascer. Receber o documento guardado há mais de 60 anos foi um choque para mim. Prometi, naquele dia, que ira publicar a tese do professor, custasse o que custasse. E agora, em fins de janeiro de 2014, depois de redigitar o trabalho e conferi-lo diversas vezes, pude vê-lo publicado, graças ao professor e graças ao Bira
da GRACAL, que sempre me faz um preço camarada nos trabalhos sobre Cachoeiro que publico. Hoje – Quantos trabalhos desse tipo você já publicou? Higner – Publiquei ou ajudei seis trabalhos, cinco voltados para Cachoeiro, sua história e sua gente e um para o MEPES. O primeiro, em junho de 1987, contém o relatório do Prefeito Gil Goulart (então presidente da Câmara Municipal de Cachoeiro) e um artigo de Levy Rocha. Foi edição comemorativa do centenário da Ponte Municipal (hoje é a pista de pedestre próxima à prefeitura e à subida do Fórum). O segundo, junho de 1988, um trabalho do Juiz de Direito Mauro Braga, falando do Rio Itapemirim e sua história. Esses dois trabalhos tiveram colaborações importantes das empresas Eletromax, Mocal, Penacho e Itadil; sem eles, não teria condições de publicar. Aí fui ser vereador e financiei as duas primeiras edições do manual “Pedagogia da Alternância”, do MEPES, a pedido de meu irmão Ronald (Mansur). A primeira edição, custeei-a integralmente e, com o dinheiro que sobrou, pagaram parte da segunda edição. Isso em 1995 e 1996. A partir daí me deu um branco – fiquei com vergonha de pedir a colaboração de outras
pessoas e fiquei meio que sem condições de continuar a publicar. Foi quando me veio a ideia de fazer publicações em papel mais comum; sairia mais barato. Junto com a ideia veio o apoio do Bira, que sempre me dá bons descontos. A partir daí não precisei mais de pedir colaboração, mesmo porque não tenho mais coragem para pedir. Quando arranjo “algum” extra ou quando acontece algo importante, banco e publico. Em fins de 2010 publiquei, em formato de cordel, as trovas de Nelson Sylvan, lançadas nas comemorações do aniversário dos 100 anos dele (que já havia nos deixado). Veio o início de 2012, e publiquei, por ocasião de seus 150 da nascimento, o livrinho sobre Bernardo Horta, o maior homem público de nossa região. Um ano depois, inicio de 2013, publiquei a segunda edição do Bernardo Horta, que completava 100 anos de sua morte. Finalmente – finalmente, até agora claro – início de 2014 publicamos a tese do Prof. Wilson, sobre Calabar. Hoje – Tem mais alguém na fila? Higner – Até que tem, ando pensando em publicar importante discurso do jornalista Athayde Júnior, discurso que ele fez na primeira sessão da Loja Maçônica Theodora, da Barra de Itapemirim – Loja Maçônica de mulheres, que durou pouco tempo. O discur-
so de Athayde Júnior, também maçom, escrito em 1902, foi publicado integralmente no jornal O CABOCLO, lá de Itapemirim, no mesmo 1902. É discurso tão atual e avançado em defesa da igualdade de direito das mulheres, que custa crer que tenha sido pronunciado há 112 anos. Vamos ver se consigo com brevidade. Hoje– E por que você faz essas publicações e as distribui gratuitamente? Higner – Porque gosto, porque tenho prazer em distribuí-las, e porque recupero um pouco da nossa História, que se perderia irremediavelmente, vez que quem deveria fazer, não tem a mínima preocupação em fazê-lo. E dizendo com sinceridade, acho que isso é missão, e missão não é coisa de se evitar. E se fosse resumir bastante, é só isso: missão, pequena, mas missão.
08 Especial
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com foto: Aeroclube
Aeroclube de Cachoeiro mais de 60 anos de história
Instituição já formou mais de 300 pilotos através do curso de pilotagem por Jackson Soares
I
naugurado em 1941, e até hoje em pleno funcionamento, o Aeroclube deCachoeiro de Itapemirim mantém viva a paixão pelo voo em todo o Sul do Espírito Santo. A área está aberta para visitação nos horários comerciais e também aos finais de semana. A pista cachoeirense não é usada para voos comerciais, mas os membros do aeroclube orgulham-se em realizar voos experimentais e até mesmo particulares. “Em alguns dias já chegamos a operar 15 voos aqui nesta pista”, conta orgulhoso o presidente Jonei Santos Petri. São voos realizados com aeronaves monomotores, helicópteros e bimotores de até seis lugares. “O Governo do Estado está terminando um projeto para viabilizar voos comerciais no aeroporto de Cachoeiro. Ainda no primeiro semestre isso já deve ser realidade. Fizemos um estudo com as agencias de turismo no ano passado e constatamos que há demanda para isso no muni-
cípio e região”, explicou o secretário de Desenvolvimento Ricardo Coelho. O Aeroclube de Cachoeiro já formou mais de 300 pilotos em cursos de pilotagem. Para se formar piloto, é preciso cumprir quatro meses de aulas teóricas sobre navegação, tráfego aéreo e meteorologia. Além da exigência teórica do curso, também são necessárias 35 horas de
voo para liberar a licença.O salário de um piloto pode variar de R$ 5.000,00 à R$ 30.000,00 dependendo da aeronave voada. “É importante que as pessoas tenham conhecimento dos benefícios que o transporte particular aéreo pode trazer, principalmente quanto à rapidez. Para muitos dos nossos filiados a aviação é hobby, mas outros também
fazem o curso com a intenção de pilotar profissionalmente”, explica o instrutor de voo, Renato Zanotelli, que já presidiu o Aeroclube. Quem quiser conhecer as instalações, ou atémesmo se filiar ao Aeroclube de Cachoeiro pode procurar a sede, que fica anexa à pista de pouso, no Bairro Aeroporto, em Cachoeiro, e buscar mais informações.
Piloto profissional formado no AeroclubE Lincoln Tirello ingressou no Aeroclube de Cachoeiro de Itapemirim em meados do ano 2000, quando iniciou seu curso de Piloto Privado. “Comecei voando na aeronave da escola, nosso querido PT-IOV, depois, quando já habilitado, fazia voos panorâmicos sobre a cidade e voos de fotografia”, conta Lincoln, que afirma que sua paixão por aviação vem pelo contato que sempre teve com aviões, através de seu tio, também piloto, e de seu pai, amante da aviação. “Em 2004 comecei a tra-
09 Especial
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Contos “Na década de 40, os pilotos que se formavam no
Aeroclube eram reservas militares. Caso houvesse demanda para eles atenderem o exército, eles eram convocados”, conta o instrutor de voo, Renato Zanotelli. Fundação Fu n d a d o e m 1 9 4 1 , o Aeroclube Cachoeiro tinha sede em Marataízes. Só em 1951 ele veiopara Cachoeiro, onde permanece atualmente. A intenção era implantar escolas de pilotagem por todo o país, através da iniciativa de um jornalista chamado Assis Chateaubriand. Ele conseguiu mais 300 aeronaves através de doações da iniciativa privada, e espalhou os aviões por todo o país. Cachoeiro também recebeu uma aeronave nesta ocasião.
foto: Arquivo Pessoal
balhar no escritório de uma empresa de Cachoeiro que possui uma aeronave, e então comecei a fazer alguns voos como copiloto, o que me possibilitou concluir as horas necessárias para alcançar a carteira de Piloto Comercial”, conta Lincoln. A carreira profissional de Lincoln teve início, em definitivo, em 2009. “Exerço esta função até hoje. Atualmente trabalho em uma aeronave Embraer Seneca III, um bimotor de seis lugares pertencente auma empresa do setor de rochas ornamentais. A aviação para mim é mais do que uma profissão, é a realização de um sonho”, concluiu.
A carreira profissional de Lincoln teve início, em definitivo, em 2009
10 Opinião
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
artigo Jackson Soares Jakinibc@hotmail.com
AQUI E ALI
Dilma gasta 26 mil com uma diária em Portugal / A Presidente e sua comitiva de 45 pessoas ocupou os melhores hotéis de Lisboa, antes de seguir para Cuba / Lá, a Presidente participou da inauguração da primeira etapa do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana / Dá-lhe PT ! / Já começa o apronto para ocupar as dez vagas do Espírito Santo na Câmara Federal / PMDB, PSDB e PT, PDT e PSB tem os nomes mais viáveis, mas partidos menores como o Pros, PPS e PP também estão no páreo / O Espírito Santo foi um dos Estados que conseguiu menos recursos do Orçamento da União de 2014 / Quantia gira entorno dos R$ 276 milhões / O ES ficou em 20º lugar, perdendo para estados com menos parlamentares, como Mato Grosso do Sul (R$ 399 milhões), Roraima (R$ 317 milhões) e Tocantins, com R$ 387 milhões / Queda na arrecadação é o adversário a ser batido em 2014 / Por é só, amigos. Até semana que vem!
Leandro Moreira
Ricardo soletra a obviedade
D
esde quando retornou ao PMDB, após deixar o PSB, onde se elegeu governador em 2002, o ex-governador Paulo Hartung dá as coordenadas aos peemedebistas. Os históricos, por vezes contrariados, acabam por seguir a maré, pois quem os tem navegado é o ‘mar’. Na última semana, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) chorou mais cedo o ‘abril sangrento’ –versão 2014 – deixando no ar uma espécie de cobrança de posicionamento por parte de Hartung, diante das eleições majoritárias deste ano, em artigo publicado no Valor Econômico. Assim como em 2010, Ricardo se predispõe a ser o pré-candidato do partido e, mais uma vez, sob a sombra de Paulo Hartung, que pode inviabilizar ou não projeto. A “dissimulação” no trabalho da costura política é a marca do ex-governador, que, provavelmente, pode ter aprendido com o próprio pai do senador, o deputado Theodorico Ferraço (DEM), com quem já trabalhou. Evidenciar o jeito de fazer política de Hartung é o mesmo que ‘chover no molhado’, ele é de se posicionar no último minuto para o registro de candidaturas, fazendo com que outras lideranças fiquem dependentes dele para se coligarem. O que Ricardo deve cobrar é uma posição efetiva do PMDB – ainda o maior partido do país. Levantar a bandeira da antecipação das convenções no estado e definir se a sigla caminhará com o governador Renato Casagrande (PSB) ou em projeto paralelo, já que depende desta certeza (mesmo que embrionária). Quem vê de fora tem a leve impressão que o PMDB preserva a imagem de Hartung ao apresentar outro alvo aos adversários, neste caso uma pré-candidatura de Ricardo. O artigo do senador, de certa forma, serviu somente para reafirmar quem dá as cartas no partido.
artigo Thalyson Inácio de Araújo Rocha
Desastres naturais e cidades resilientes
N
os últimos dias vimos a dificuldade em se lidar com a chuva. Esta não foi a primeira vez – e como sempre, é um grande risco esperar para ver no que vai dar. As mudanças no clima tem sido abruptas e de forma extrema. Tem sido 8 ou 80; ou sem chuva ou com muita chuva; ou muito frio ou muito quente. O que fazer? Importante planejar o desenvolvimento da cidade com foco em necessidades sociais e ambientais. O Espírito Santo, recentemente, foi alvo de grande volume de chuva. Percebeu-se que a maioria das cidades não suportou aquela quantidade de água – ainda mais da forma como foi; de uma vez só e atrelada à necessidade de descarte dos resíduos sólidos (lixo) no lugar correto – algo muito difícil, na maioria das vezes acaba por entupir bueiros, disseminar doenças e por aí vai. O nível dos rios subiu de forma muito rápida, pegando os ribeirinhos de surpresa. “Novas” áreas de risco vão “aparecendo”, consequência de ocupações em áreas de preservação permanente, como topos de morros e outros. Ou seja, de condutas indesejadas, resultados indesejados. Por isso, a criação de cidades resilientes é importante forma de mitigação destes efeitos perversos. É preciso conhecer a cidade, é preciso mapear, fiscalizar, coibir construções irregulares, com objetivo de minimizar efeitos dos fenômenos climáticos extremos. Não adianta botar a culpa na natureza e falar que era imprevisível – não era. A responsabilidade é nossa, cada um deve fazer sua parte. É preciso utilizar as experiências difíceis que vivemos para aprender e aplicar políticas públicas eficientes. Esperar para ver no que vai dar sai caro. Infelizmente, essas questões sociais e ambientais apenas ganham destaque quando as tragédias aparecem no noticiário. Isso precisa mudar. Mais quantas vidas serão necessárias para mudar? Mais quantas casas terão que cair? Mais quantas famílias serão assoladas? O autor é Advogado no Mansur e Associados – Sociedade de Advogados e Consultor Jurídico Ambiental
11 Opinião
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
artigo
P
Sidney Schwan
Finanças do nosso dia a dia - Taxas
or esses dias, conversava com amigos sobre o custo de alguns serviços, como cobrar R$50,00 por cada caixa d’água limpa, R$35,00 para instalação de chuveiro elétrico e coisas e valores assim. Pequenas coisas que fazem parte do dia a dia de muitas pessoas, que na falta de habilidade/disposição preferem pagar pelo serviço. Vamos transportar esses pequenos serviços para a área pública, agora. Iluminação pública com manutenção em todas as ruas, varrição e limpeza mesmo das ruas, com uso de água e algum tipo de detergente (imaginem ruas de feiras ou similares), manutenção e poda de árvores e jardins, manutenção e pintura de pisos, placas e congêneres e mais um sem fim de coisas que somente reparamos quando não é feito (são os trabalhadores “invisíveis”, com exceção do caminhão de lixo e seu barulho nada agradável). Com pouco mais de 70 bairros, creio, com pisos de pelo menos 3 tipos, asfalto, paralelepípedo e terra batida (dizem que tem um quarto tipo – buraco só), é necessário um batalhão de trabalhadores invisíveis para que tudo esteja perfeito, não? Não! É necessário primeiro um povo educado que saiba manter o patrimônio público inteiro, já que muito do que é substituído o é por ter sido destruído por alguém da própria cidade – inacreditável! Outro ponto são os produtos utilizados e equipamentos, que podem ser modernos e economizar tempo e dinheiro, trabalhando em mais ruas por turno. Ou alguém acha que o trabalhador da área da limpeza não precisa de treinamento?
E nem falei do descarte ainda, que também merece um olhar atento. Equipamentos de proteção e horários mais saudáveis para exercerem seu trabalho. Um tipo de logística fundamental para qualquer município, que fuja do amadorismo reinante e do grande cabide de empregos proporcionados por essas áreas da administração pública. Pode ou não ser terceirizado, desde que com indicadores e política de
Um aviso: a regra não é generalizada, não abraça nutrição, saneamento ou setores de natureza muito diferentes, mas pode sim ser aplicada a partes dessas áreas sem prejuízo de suas atividades fim.
tes, mas pode sim ser aplicada a partes dessas áreas sem prejuízo de suas atividades fim. E tudo isso sai de graça, não? Não??? Como assim??? Tem mesmo gente que acredita que é de graça, que nada custa e até ajuda a dar trabalho jogando lixo no chão. A prefeitura arrecada para manter e fornecer serviços necessários ao cidadão, dentre eles, os citados acima. As taxas são uma das formas de se manterem efetivos os serviços, sendo a eles vinculados por força de lei. Temos as taxas para limpeza pública, utilização de cemitérios, coleta de lixo e outras e as taxas pelo exercício do poder de polícia. Esta, quando você fala “e ninguém vê isso?” é com ela que você está falando. Aquele outdoor mal posicionado, atrapalhando o trânsito, aquele kibe que não é kibe na vitrine (conhecem a piada, né?!), alvarás e licenças diversas. São muitas taxas mas, se comparadas com os valores do início do texto, vamos ver que tem alguma coisa errada, não? Quais são os índices aplicáveis de reajuste das taxas, permitindo que acompanhe os custos dos serviços prestados? Cachoeiro tem a 7ª maior arrecadação total, e a 33ª arrecadação per capita, com cada cidadão colaborando com o equivalente a R$15,89 ao ano pelos serviços. Resultado: para fazer os serviços, remaneja-se orçamento de outras áreas ou não se faz o necessário, e as orelhas que ardam...
consequência – se não fez, não recebe. E é interessante observar que todo serviço de massa pode ser assim conduzido, uma vez que suas complexidades estão ao alcance do trabalhador com pelo menos o ensino médio, e a operação de equipamentos, quando existentes, é mais simples que navegar na internet. Um aviso: Sidney Schwan é bancário a regra não é generalizada, não abraça nutrição, saneamento ou (Caixa Econômica Federal de setores de natureza muito diferen- Cachoeiro de Itapemirim)
12 Opinião
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com jornalhojenoticias@gmail.com
Sem dormir no ponto
Assembleia paga aposentadoria a ex-deputados cachoeirenses
A iniciativa de melhorar o ponto de ônibus na praça Jerônimo Monteiro é pra lá de positiva. Espera-se agora que a Prefeitura de Cachoeiro não durma no ponto e ao terminar a obra, entregue-a imediatamente à população, sem aquelas demoras naturais que o poder público sempre faz para ficar valorizando o serviço.
Ano novo, reformas velhas
O Portal da Transparência da Assembleia Legislativa divulgou a lista de ex-deputados estaduais beneficiados com aposentadorias. Ao todo são 94 pessoas: 47 ex- parlamentares aposentados e 47 parentes que têm direito a pensões especiais (pensionistas). O parlamento capixaba gasta cerca de R$ 6 milhões por ano com esses benefícios. Nomes conhecidos aparecem, entre eles quatro cachoeirenses: Roberto Valadão, José Tasso, Juracy Magalhães e Clóvis de Barros. Cabe dizer que todos contribuíram com o Instituto de Previdência dos Deputados Estaduais (IPDE).
Olha o tamanho do meu problema, gente!
O deputado federal Camilo Cola (PMDB) espera que o Congresso Nacional trabalhe duas reformas em 2014: a política e trabalhista. Ele acha que a forma de representação deve ser alterada e mais transparente para o eleitor, se não “assistiremos a verdadeiros descalabros”: E frisa que é preciso rever a legislação trabalhista. Na avaliação do parlamentar, o mundo se modernizou e as comunicações “deram um salto, o homem se comunica em segundos através da rede de internet e nossa legislação ficou caduca. É preciso adaptá-la aos novos tempos. Mas infelizmente em Brasília, as reformas são temas antigos e caminham a passos de tartaruga.
“Finalmente a presidente Dilma inaugurou a primeira grande obra de seu governo....pena que em Cuba”, de Aécio Neves, senador
O PSDB entregou à direção da Rede Globo um levantamento mostrando que a candidata à reeleição, presidente Dilma Rousseff (PT), aparece, por mês, mais de meia hora nos telejornais da emissora. Os tucanos queixam-se que o mesmo tratamento não é dado aos demais postulantes à Presidência da República. No mesmo período, os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB/ PE) aparece 10 minutos e Aécio Neves (PSDB/MG) apenas um minuto.
O apito do saci Do senador Ricardo Ferraço (PMDB), no Jornal Valor, demonstrando insatisfação sobre a indefinição do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) nas eleições desse ano: “O Saci quando apita ele está perto ou está longe? O Paulo Hartung trabalha com dissimulação”.
13 Política
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Da política ao caldo de cana Essa é parte da história de “seu Anésio”, ex vice-prefeito de Rio Novo do Sul, hoje dono de bar em Cachoeiro fotos: Jackson Soares
por Jackson Soares
A
simplicidade de um homem, hoje comerciante, mas que há mais de 40 anos escreveu seu nome na história do município de Rio Novo do Sul, ainda cativa os amigos e frequentadores de um modesto Barzinho, do qual o senhor Anésio Bresinsky tornou-se proprietário em Cachoeiro de Itapemirim. Vereador em 1966 e vice-prefeito em 1973 no município de Rio Novo do Sul, “seu Anésio” – como é conhecido – lembra orgulhoso da forma de se fazer política em sua época, quando, segundo ele, havia amor e boa vontade para se governar. “Fui vice prefeito de Sidnei Costa, de 1973 a 1976. Na nossa época – ainda no regime militar – nós gastávamos o nosso dinheiro na política. Não
Atualmente o comerciante evita falar de política, mas a clientes mais amigos costuma exibir seus diplomas
havia remuneração, era no amor e na vontade de fazer o bem”, lembra orgulhoso, num comparativo onde hoje, segundo seu Anésio, se tenta fazer a política como meio de vida. No modesto barzinho no bairro Amarelo onde ainda na década de 80 seu Anésio começou como comerciante, até hoje os diplomas políticos respectivos aos cargos que exerceu, como vereador e vice-prefeito, são parte da decoração. Quando os mostra, afirma sentir sauda-
de. “Sinto falta da política. Eu gostava da vida pública. Mas precisava educar meus filhos, e prosperar. Foi quando vim para Cachoeiro”, conta. Entre um caldo de cana e outro (a especialidade da casa) enquanto atende no balcão, seu Anésio lembra sorrindo de uma época de sua vida em que a dignidade de ser gestor do poder público, para ele, hoje, é tão valorosa quanto sua conduta em atender bem seus amigos e clientes.
14 Política
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Três podem deixar secretarias em Cachoeiro De olho nas eleições deste ano, políticos com vínculo na prefeitura têm até março para se desincompatibilizar
por Leandro Moreira
P
rofessor Leo (PT), Abel Santana e Braz Barros, ambos do PV, podem se desincompatibilizar da prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim até o mês de março – prazo determinado pela legislação eleitoral - em função das eleições deste ano. Eles ocupam as Secretarias de Desenvolvimento Social (é vereador licenciado); Saúde (além de ser vice-prefeito) e Obras, respectivamente. O vereador petista já traçou como projeto uma candidatura
a deputado federal. Professor Leo foi reeleito em 2012 com 2.173 votos, sendo o mais votado. Este pleito teve um grau maior de dificuldade, devido ao aumento no número de cadeiras na Câmara Municipal – 13 para 19 edis. Leo pretende fazer dobradinha com o deputado estadual Rodrigo Coelho (PT). Atualmente, o Sul do Estado só tem um representante em Brasília, através do mandato do deputado federal Camilo Cola (PMDB). No entanto, ainda não há confirmação sobre sua participação nestas
“No momento, há 90% de chances”
O secretário de Desenvolvimento Social, Professor Leo, informou que a possibilidade é grande dele se desincompatibilizar em função das eleições deste ano. No entanto, ele aguarda sinalização da executiva estadual do PT. “No momento, há 90% de chances de eu disputar as eleições; porém preciso ser referendado pela executiva estadual. Conto com apoio do grupo em Vitória, do Guilherme Lacerda (diretor do BNDES), Perly Cipriano (subsecretário de Direitos Humanos) e da Articulação de Esquerda (AS) de Cachoeiro, na qual fazem parte o prefeito Casteglione e o deputado Rodrigo”. No Estado, também podem disputar vaga em Brasília pelo PT o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Helder Salomão, o vice-governador Givaldo Vieira e Iriny Lopes, que já é deputada. A partir do dia 3 de fevereiro, Leo entra de férias.
eleições. O vice-prefeito Abel Santana está de olho em uma vaga na Assembleia Legislativa e já garantiu sua saída da Secretaria de Saúde a este periódico. Ele aguarda apenas o retorno do prefeito Carlos Casteglione (PT) das férias, e tentaria indicar um nome para dar continuidade aos projetos da pasta. Para Abel, este pleito servirá de termômetro para identificar sua força eleitoral e, com isso, avaliar sua participação no pleito de 2016, quando pretende disputar o cargo de
prefeito do município. Ele é o principal nome do PV em Cachoeiro de Itapemirim. Sua última eleição foi em 2010, quando conquistou 28.858 votos para deputado federal. Braz Barros tem pretensões em representar a região Sul na Câmara dos Deputados. Em 2010, ele participou das eleições para deputado federal, porém obteve somente 7.119 votos, pelo PR. À época, Barros era vice-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Durante toda a semana, a reportagem não conseguiu contato com o secretário.
Saída ocorre após as férias O vice-prefeito Abel Santana já está com a sua desincompatibilização planejada. Nesta semana, ele vai iniciar suas férias e, no retorno, irá se desligar da Secretaria de Saúde. Ele respondeu interinamente como prefeito até o dia 27 de janeiro, quando Casteglione voltou das férias. “Vou tirar férias de 30 dias e, na volta, entregarei o cargo, como exige a legislação eleitoral”, afirmou Abel. A executiva do PV aposta no nome de Santana para conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Filho do ex-prefeito Abel Santana (1963/67), Abel obteve votação expressiva em 2010 para deputado federal, porém não a suficiente para se eleger. Em 2012, articulou, junto com seu partido, para ser candidato a prefeito, mas não conseguiu o apoio necessário para a empreitada e complementou a chapa de Casteglione, que foi reeleito.
15 Política
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
AssemblEia Legislativa capixaba de olho no uso dos carros oficiais Deputados de Cachoeiro aprovam as novas medidas de controle dos veículos e dizem que já cumprem as regras
A
Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Espírito Santo (Ales) publicou na última terça-feira (28), no Diário do Oficial do Poder Legislativo (DPL), o ato administrativo nº 2008, que dispõe sobre a utilização de veículos oficiais pelos deputados estaduais. O ato estabelece que os veículos disponibilizados aos parlamentares são de uso e responsabilidade exclusivos dos deputados. O uso dos automóveis é permitido somente para atividades de interesse público e vinculadas ao exercício do mandato. A frota de veículos oficiais que atende aos deputados utiliza placas na cor preta. Tais placas são vinculadas junto
ao Departamento Estadual de Transito (Detran-ES) às placas originais dos automóveis, mantendo a mesma numeração para permitir a identificação e o registro de eventual descumprimento às normas de trânsito vigentes. O que eles dizem Os Deputados Estaduais Glauber Coelho (PSB), Rodrigo Coelho (PT) e Marcus Mansur (PSDB), representantes de Cachoeiro de Itapemirim na Assembléia Legislativa, se posicionaram quanto à decisão da casa de leis. O deputado Glauber Coelho informou, através de sua assessoria, que a decisão não altera o curso seguido por sua equipe. A metodologia usada por seu gabinete sempre foi esta: somente utilizar os veículos oficiais
para cumprimento de agenda parlamentar ou de governo, na intenção de dar transparência às ações de seu mandato. “Pra mim não altera em nada. Sempre usei os carros oficiais para este fim. Mas acho coerente, pois regulamenta a metodologia de uso para todos os parlamentares”, disse o deputado Marcus Mansur. Já Rodrigo Coelho afirma que “já cumpria com essa exigência antes mesmo da publicação do ato. A medida caracteriza clareza e transparência da Assembléia em se tratando de recursos públicos”.
Ferraço defende ramais ferroviários para Porto Central de Presidente Kennedy BRASÍLIA - AGENCIA CONGRESSO - O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB), apresentou ao Governo Federal, o projeto de dois ramais ferroviários para a consolidação do Porto Central, que está sendo construído em Presidente Kenedy, Sul do Espírito Santo. “A novidade é que nós precisamos criar um ambiente aqui em Brasília desses projetos para sinalizar para o governo federal que essas ferrovias precisam evoluir porque na ponta tem empresários trabalhando para a atividade portuária”, disse Ferraço.
Acompanhado pelo Diretor do Porto de Roterdam, Allard Castelein, o senador capixaba se reuniu com o ministro dos Transportes, César Borges; o ministro da Secretaria de Portos, Antônio Henrique, e o diretor da Empresa de Planejamento e Logística, Paulo Sérgio Oliveira Passos. Os dois ramais ferroviários ligarão a EF-118, Vila Velha ao Rio de Janeiro e a EF-354, que vai ligar o estado de Mato Grosso até Campos (RJ), abrindo também um Ramal até o ES. A construção das ferrovias, segundo Ferraço, abrirá espaço para a exportação de grãos e minérios pelo ES.
“Então, quando você conecta ramais ou modais rodoviários e ferroviários a um porto como esse, isto potencializa ainda mais o crescimento desse porto. Que foi muito importante que nós tivéssemos conseguido trazer o Porto de Roterdam conosco nesse esforço. Poque o porto de Roterdam é um dos portos mais eficientes do mundo. Se o porto de Roterdam se associa nesse esforço é porque acredita evidentemente nesse potencial”, concluiu.
segundo os investidores informaram durante o encontro, o Ibama conceda a licença prévia. O valor inicial previsto O empreendimento é de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 O projeto terá investimen- bilhões, mas a expectativa é tos de um grupo holandês e a de que o empreendimento expectativa é que em março, tenha outras etapas.
foto: Reginaldo Gutter
fotos: Divulgação Ales
por Jackson Soares
16 Lazer
Sexta-Feira 31 de janeiro de 2014
Hoje • Tá em tudo
www.hojees.com
Litoral Sul segue com programação Regional e cultural neste fim de semana por Jackson Soares
N
um fim de semana com atrações culturais e shows regionais, o litoral sul capixaba segue com sua programação de verão. Destaques para Beto Kauê em Anchieta, neste sábado, e para o grupo Dibobeira nesta sexta-feira, em Itapemirim. Em Marataízes, os agitos ficam por conta da dupla sertaneja Léo e Luan. Confira a programação deste fim de semana pelos balneários sulinos.
ANCHIETA PRAIA CENTRAL 31/01 (sexta-feira) 21h – kS10 23h – Agitaê 01/02 (sábado) 21h – Banda Auge 23h – Beto Kauê Praia Costa Azul 31/01 (sexta-feira) 21h – Yuri 23h – Maestro Mauro e Convidados 01/02 (sábado) 21h – Enedino 23h – Trio Pub Praia Areia Preta 01/02 (sábado) 21h – Luau Cultural de Verão Praia Costa Azul 02/02 (domingo) 11h – Atrito Musical Praia da Areia Preta 02/02 (domingo) 11h – Anarquista 14h – Silvio Filho Praia coqueiro 02/02 (domingo) 14h - Crio Samba castelhannos 01/02 (sábado) 16h – Bateria Acadêmicos de Iriri
02/02 (domingo) 11h – Raízes 14h– Papo de Samba ubu 31/01 (sexta-feira) 21h – Luau Cultural de Verão 01/02 (sábado) 21h – Agitaê 02/02 (domingo) 11h – Maestro Mauro 14h – Quintal do Samba ITAPEMIRIM 31/01 (Sexta-Feira) – Secretaria de Turismo 20h - BANDA TROPICAL BRASIL - Área de Eventos de Itaoca 22h – GRUPO DIBOBEIRA - Área de Eventos de Itaoca 24h – BANDA TUDUBLU - Área de Eventos de Itaoca 31/01 (Sexta-Feira) – Secretaria de Esportes 7h30h - LAMBAERÓBICA – Arena Esportiva de Itaoca 18h - TORNEIO ABERTO DE VOLEIBOL - Arena Esportiva de Itaoca 01/02 (Sábado) – Secretaria de Turismo 10h - GRUPO SENSASAMBA - Pagode/ Quiosques - Itaoca 14h - GRUPO DANADOS DO SAMBA Pagode/Quiosques – Gamboa 14h - GRUPO SENSASAMBA - Pagode/ Quiosques – Itaoca 16h – BANDA KS 10 - Área de Eventos de Itaipava 18h – WEMERSON ARAUJO – Área de Eventos de Itaipava 20h - MICHELLE FREIRE - Área de Eventos de
Itaoca 22h – FABRYCIO VENTURINI - Área de Eventos de Itaoca 24h – BANDA MENSURA - Área de Eventos de Itaoca 01/02 (Sábado) – Secretaria de Esportes 7h30h - LAMBAERÓBICA – Arena Esportiva de Itaoca 18h - TORNEIO ABERTO DE FUTEVOLEI Arena Esportiva de Itaoca 02/02 (Domingo) – Secretaria de Turismo 10h - GRUPO DANADOS DO SAMBA Pagode/Quiosques - Itaoca 14h - GRUPO SENSASAMBA - Pagode/ Quiosques – Itaoca 14h - GRUPO DANADOS DO SAMBA Pagode/Quiosques – Gamboa 16h – GAROTA BRONZEADA - Área de Eventos de Itaipava 20h – BANDA CRIA CASO - Área de Eventos de Itaoca 22h – WEMERSON ARAUJO – Área de Eventos de Itaoca 02/02 (Domingo) – Secretaria de Esportes 7h30h - LAMBAERÓBICA – Arena Esp. de Itaoca 18h - TORNEIO ABERTO DE BEACH SOCCER - Arena Esportiva de Itaoca MARATAÍZES Sexta-feira (31) 21h – Tammy 23h – Banda Mary Di Sábado (01) 22h – “Os Pedrero” 00h – Léo e Luan Domingo (02) 15h –Banda Kê Swing Bom, na Lagoa do Siri.