Edição 187

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foto: Jackson Soares

Jornal Hoje Notícias • Edição 187 • Sexta-feira, 21 de março de 2014

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Vargem Alta

26 anos NOS TRILHOS DO DESENVOLVIMENTO Em mais de duas décadas de emancipação, a história do município na visão do seu povo

A CIDADE CONTADA EM artigoS “Um recorte na história antiga do município” Élvio Antônio Sartório Engenheiro Civil Educador no IFES

“Vargem Alta: terceiro melhor clima do mundo” Luiz Trevisan Jornalista

“Em quatro anos, fizemos o maior investimento da história da cidade” Renato Casagrande Governador do ES


02 Opinião

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Rodrigo Enfermeiro vai para a Mesa

Mudança sem mudança: o PV do mesmo tamanho

Ao escolher o vereador Fassarella para assumir a Secretaria de Saúde no lugar do Dr. Abel Santana, o prefeito Carlos Casteglione (PT) cumpre integralmente o compromisso que assumiu com o Partido Verde de Cachoeiro. A afirmação é de uma fonte que se mostrou animada tanto com a manutenção do partido à frente da pasta, quanto com a ampla sustentabilidade que essa mudança dá às pretensões eleitorais do correligionário Dr. Abel Santana. “É uma mudança sem mudança. O PV continua do mesmo tamanho e isso dá tranqüilidade para que possamos buscar uma vaga na Assembleia legislativa”. A mudança sem mudança é o Partido Verde com três secretários municipais (Romário do União, Gustavo

Coelho e agora Fassarella) e com dois vereadores na Câmara Municipal (Júlio Ferrari e Josias do IBC – suplente que assumirá), como antes. Sobre a escolha de Fassarella, de fato houve mudança. Como anunciado com exclusividade pelo colunista Ilauro Oliveira neste jornal, a opção número um do PV era Jonas Nogueira, que acabou não aceitando por conta de projetos pessoais. Assim, o vereador passou a ser a indicação dos verdes. “Mas tanto um quanto o outro têm capacidade para assumir esse desafio. Fassarella já trabalhou quatro anos na Superintendência da Saúde e conhece bem do assunto, e além disso une os critérios técnico e político para esse grande desafio”.

Com a saída de Fabrício do Zumbi – que era primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal – houve nova eleição e o vereador Rodrigo Enfermeiro (PSB) foi eleito por unanimidade para o cargo.“Assumo com tranquilidade. Esta Casa passou por situações muito graves, mas agora estamos vivendo um novo momento”, disse.

Reajuste salarial em tempos de crise

Burarama volta a ter representante Desde Alex Zucolotto (PT do B), Burarama não emplacava um vereador na Câmara Municipal. Mas a história mudou nesta semana. A batalhadora e boa de votos Neusa Sabadine (PSB) tomou posse para alegria dos eleitores e de familiares como o também vereador de Vitória Serjão (PSB), seu primo, que veio prestigiar a cerimônia. Ela entrou na vaga de Fabrício do Zumbi (PROS) que assumiu a Secretaria Municipal de Defesa Social. Sabadine era suplente com 1558 votos.

Os prefeitos de Castelo, Jair Ferraço (PSB), e de Marataizes, Tininho (PT), estão de parabéns. Mesmo em tempos de crise conseguiram driblar as dificuldades e conceder reajustes salariais aos servidores municipais. Os funcionários castelenses terão 5,38% de aumento, enquanto os litorâneos ganharão 12%.


03 Opinião

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Ilauro Oliveira ilauro01@gmail.com

Falta de representatividade que espanta

sonhavam em ser úteis ao povo cachoeirense exercendo algum tipo de mandato público. Pa r e c e m m e m ó r i a s d e u m velho, mas não são. Entrando na faixa dos 41 anos, trago à tona reminiscências de 20 ou 25 anos, nada mais. Pouco tempo, mas suficiente para detectar que perdemos muitos políticos nesse curto espaço por conta de um esvaziamento de projetos e idéias. Não é de se culpar apenas o fator financeiro, já que Cachoeiro vem perdendo essa importância também. Mas a falta de lideranças é algo assustador. Agora o único deputado federal que a região sul tem ameaça não ser candidato devido à idade avançada. Quem poderá substituí-lo à altura se desistir? Quem, sem arroubos aventureiros, mas sim com projetos palpáveis, poderá lançar-se à Câmara Federal competitivamente? As eleições estão cada vez mais caras, e o nosso estoque de políticos está cada vez mais pobre. Cachoeiro e toda a região sul sofrem a ameaça de ficar sem um representante em nível federal Diretor Executivo que seja genuiTiago Turini namente daqui. Editoração Wellington Pintor Estamos no bu(28) 9945.7012 raco quando o Circulação - Região Sul do Espírito Santo Editor CNPJ 18.311.486/0001-44 assunto é reIlauro Oliveira jornalhojenoticias@gmail.com ilauro01@gmail.com presentatividaRedação: Repórter: de política. E o Rua Amilcar Figliuzzi, nº 31 – Jackson Soares Coronel Borges Leandro Moreira pior: com pouca Cachoeiro de Itapemirim – ES Tel.: (28) 3517-7615 luz no fim do Colaborador Adilson Conti Impressão: túnel. É digno Thiago Schwan Gráfica Victor, Amilca Fliguiuzzi, nº 33, Thalyson Inácio de Araújo Rocha de pena e de Coronel Borges - (28)3522-9554 Luiz Trevisan Anete Lacerda estranheza! Tiragem: 3000 exemplares Periodicidade: semanal Sidney Schwan

á nos primeiros passos dentro do Partido Comunista, ainda jovenzinho, me entusiasmava com a fartura de acontecimentos e de lideranças que faziam de Cachoeiro a cidade mais importante do Espírito Santo quando o assunto era política. Todas as grandes lideranças capixabas ou tinham raízes aqui ou beberam nas águas do rio Itapemirim. Sem querer ir longe nisso, basta dizer que de três senadores que temos atualmente, dois começaram a carreira aqui. E o ex-governador e o atual, apesar de não serem daqui, sofreram influência cachoeirense por serem de cidades que compõem a “grande Cachoeiro”. A rivalidade entre os ex-prefeitos Roberto Valadão (PMDB) e Theodorico Ferraço (DEM) dava pitadas generosas de fatos políticos pitorescos. Ícones como o senador Dirceu Cardoso e o grande líder Hélio Carlos Manhães serviam de inspiração para jovens que saídos do Liceu

**************** O PMDB de Cachoeiro prepara para o dia 31 um evento para relembrar o golpe militar que completa 50 anos. Quem está à frente é Roberto Valadão, que teve o seu irmão, Arildo Valadão, assassinado no Araguaia durante a guerrilha. O corpo nunca foi encontrado. **************** Gente do PT de Cachoeiro preocupada para que a crise gerada na Agersa, com o afastamento do diretor Luiz Carlos, fique restrita a isso. Sem avançar para outros setores, tipo Câmara Municipal onde o prefeito nada de braçada. **************** Num domingo pela manhã, enquanto conversava com Wagner Santos (Jornal O fato), quem parou para um rápido cumprimento foi o prefeito Carlos Casteglione (PT). Detalhe: a cabeça está cheia de cabelos brancos. **************** “Mas apesar de tudo desfeito / de tanto sonho morto que num tem mais jeito / tombando a ladeira / já pela descida / na tarde da vida / rompo satisfeito/ Foste na jornada / a jornada perdida / meu amor pretérito mais que perfeito” – Deserança (Elomar Figueira Melo)


04 Opinião

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Sidney Schwan

Normalização – Regularização – o tema continua

MINISTÉRIO PÚBLICO decisões essas adotadas pelos circulatório humano, grandes veias DO RIO GRANDE DO três níveis de poderes. O nível e artérias conduzindo sangue de SUL, através de seu que maior responsabilidade pelas maneira harmônica e sem obstáCentro de Apoio Operacional da decisões carrega é o municipal, culos, redistribuindo-o por artérias Ordem Urbanística e Questões obviamente, mas o governo esta- menores, recolhendo-o de veias Fundiárias, publicou cartilha (site dual e a União têm também suas menores, sempre de forma livre, para consulta: http://www.mprs. parcelas de culpa. O planejamento tranqüila, sem estresse. Podemos mp.br/areas/ressanear/arquivos/ de algumas estradas e de como também pensar no sistema de cocartilha_regularizacao_fundiaria. elas abordam as cidades foi da leta, tratamento e fornecimento de pdf) sobre como implementar a responsabilidade deles, não do água, com a coleta, tratamento e Regularização Fundiária, onde, município, e a decisão sobre as disposição final dos esgotos. Se em em sua apresentação, já resume ferrovias, um desastre nacional, qualquer ponto desses sistemas alguma coisa emperrar, teremos foi da União. de forma objetiva: Essas decisões apresentaram sérios problemas. “O direito à moradia digna foi O que o MPF/RS disse lá em consagrado pela Organização das uma série de motivos também Nações Unidas – ONU e erigido históricos, que respeitavam o cima é que cabe ao município o papel principal nessa história, à categoria de direito social o de zelador do sistema circufundamental na nossa Carta latório, seja sangue ou água, Constitucional pela Emenda “O nível que maior reso de responsável pela sua Constitucional n.º 26, de 14 de ponsabilidade pelas manutenção sempre 100%. fevereiro de 2000. Na esfera infraconstitucional, o Estatuto decisões carrega é o mu- Quando isso não ocorre e é alvo de críticas, estas são da Cidade também estabelece nicipal, obviamente, mas justamente endereçadas, não que a política urbana tem, adianta olhar para os lados entre suas diretrizes bá¬sicas, o governo estadual e a máximo para o espelho, o direito do cidadão à terra União têm também suas (no diretamente). E a resposta urbana e à moradia, para as não aceita menos que uma presentes e futuras gerações, parcelas de culpa.” solução concreta e sustentável no intuito de ordenar o pleno para o problema apresentado, desenvolvimento das funções definitiva, não um conserto, sociais da cidade e da propriedade urbana.” momento em que foram tomadas, um remendo temporário. Cabe a E mais adiante, em sua página resultados de uma história de cada um de nós separarmos o que 11: ocupação do solo que envolvia é problema que pode ter solução “Dito de outra forma, atuar em propriedades, tradições, início da imediata do que vai demorar pela regularização fundiária não é uma exploração econômica moderna, sua natureza, afinal, não se corpossibilidade para os governos e também decisões de bastidores, rigem problemas centenários de municipais, mas uma necessidade, decisões por círculos de amiza- uma hora para outra, nem existe um poder-dever decorrente da des e por aí vai uma longa lista dinheiro suficiente para desaproordem jurídica que coloca este de razões, que também não nos priar e PAGAR toda uma margem tema entre as políticas públicas de interessam agora. A situação está do rio Itapemirim. Esse assunto posta! Começar a apontar o dedo continua, claro... competência municipal.” Ao longo da nossa história local para um ou outro do passado não Sidney Schwan é bancário fomos alvos de decisões de curto resolverá absolutamente nada! Usando de uma metáfora tosca, (Caixa Econômica Federal de prazo com impactos severos na qualidade de vida da população, penso na cidade como um sistema Cachoeiro de Itapemirim)


05 Política

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Indicado por Aécio Neves, o capixaba presidirá o Instituto Teotônio Vilela por Ilauro Oliveira

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ex-prefeito de Vitória e pré-candidato a deputado federal, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), assumiu a presidência do principal órgão de estudo e formação política do PSDB, o Instituto Teotônio Vilela (ITV), que vai comandar as ações nacionais dos tucanos em 2014. Luiz Paulo foi indicado pelo próprio pré-candidato do partido a presidente da República, Senador Aécio Neves, que também é presidente nacional do PSDB. O

capixaba substitui o senador Sérgio Guerra, falecido recentemente. “Estou convicto que o Brasil precisa, mais do que nunca, mostrar a todos e a si próprio que chegou a hora da alternância de poder.”, declara Luiz Paulo. O ITV é o órgão responsável pela formulação do PSDB: atividades de estudos, pesquisa, formação de quadros e produção de conteúdos, e onde se recolhe e compartilha as experiências das administrações tucanas por todo o país, e mostra as divergências com os adversários.

Foto: Divulgação

Luiz Paulo assume principal órgão de política do PSDB


06 Cultura

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Deixa Baixo: Rubão vai gravar cenas de documentário em Cachoeiro por Filipe Rodrigues

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e Cachoeiro de Itapemirim levou título de Atenas Capixaba em algum tempo, muito, quase tudo, se deve aos artistas do passado. Alguns chegaram a patamares inimagináveis, participando de projetos e shows internacionais que até mesmo os cachoeirenses, por vezes, desconhecem. Mas, no que depender de Diego Scarparo, Villinevy Koppi, Lourenço Diniz, Paulo Paraizo e André Rios, a história do contrabaixista Rubão Sabino não vai passar despercebida. Pelo contrário. Será eternizada no documentário “Deixa Baixo”, que já está em gravação. Segundo Diego, diretor do filme de média metragem, Rubão estará na cidade no próximo dia 26, para gravar algumas cenas. “Ele chega no dia 25 à noite e então teremos dois dias de gravação”, resumiu Diego. Rubão, que é cachoeirense, há cerca de 40 anos não visita sua terra natal. O documentário, segundo Diego, é para não só resgatar, mas registrar a história desse músico que já teve participações em shows como do The Wailers, do Bob Marley e Stevie Wonder; entre grandes outros nomes da música popular brasileira, tendo se destacado

quando fazia parte da banda de Gilberto Gil gravando os três emblemáticos discos “Refavela, Refazenda e Realce” também no Grupo Abolição e Banda Black Rio de Dom Salvador. A gravação do filme já está em andamento desde o ano passado. A ideia, entretanto, é mais antiga. “Há cerca de três anos pensava em registrar a trajetória de Rubão. Comecei a escrever o projeto, mas rolaram alguns intervalos para efetivar outros. Agora estamos em fase de finalização e a expectativa é grande, porque conseguimos bons depoimentos, com histórias fantásticas, que renderiam um longa”, acrescentou Diego. O diferencial desse filme é que os depoimentos são colhidos com a presença de Rubão, ganhando mais um tom de bate-papo entre amigos antigos. Diego, Villinevy (produção), Lourenço (produção executiva), Paulo (som) e André (imagem e finalização) já gravaram depoimento de figuras como Jards Macalé, Gerson King Combo, Daniel Rodrigues, Elisa Lucinda, Maria Juçá (diretora do Circo Voador), Zé Carlos (guitarrista de Roberto Carlos), Repolho (que foi percussionista de Gilberto Gil e Moraes Moreira), Léo Gandelman, Serginho Trombone e Tibério Gaspar.

Foto: Divulgação

Músico contrabaixista de renome nacional é tema de documentário. Há 40 anos ele não visita sua terra natal

Primeira entrevista do documentário: o genial Jards Macalé com Rubão e a equipe.

“Estamos tentando falar com Gilberto Gil, porque ele compôs uma música para o pai de Rubão, a João Sabino, então faz todo sentido e fecharia com chave de ouro esse filme”, comentou Diego. A galera de Diego ainda vai tentar uma viagem à Nova Iorque, para entrevistar um dos mentores de Rubão, Dom Salvador. “Já fizemos contato com ele e estamos apenas viabilizando a viagem. Será um momento muito marcante e emocionante, imagino”, disse. O documentário foi selecionado no edital da SECULT-ES de 2013 e foi viabilizado com recurso do Fundo Nacional de CulturaFUNCULTURA.

Rubão Sabino Rubão Sabino é nascido em Cachoeiro de Itapemirim. Foi criado no bairro Vila Rica e aos 13 anos se mudou para o Rio de Janeiro. Seu pai, João Sabino, tema de música de Gilberto Gil, era acordeonista e pedreiro. Começou sua trajetória na música nos bailes de subúrbio, tocando guitarra. Mas logo alguém percebeu e lhe deu o toque que sua aptidão mesmo era para o contrabaixo. Autodidata, foi o primeiro brasileiro a gravar o groove com paleta. Aprendeu a ler partitura aos 40 anos de idade.

Música dedicada ao pai de Rubão João Sabino - Gilberto Gil

Tava comendo banana pro santo Pra quem? Pro santo Pra quem? Pro santo Pra quem? Pro santo espírito senhor Pai do filho do Espírito Santo Senhor pai do filho do Espírito Santo Senhor pai de quem? Pai do filho do Espírito Santo

Senhor pai de quem? Pai do filho do Espírito Santo Filho do Espírito Santo Filho de uma localidade de lá Nessa localidade de lá Uma abertura de si Uma embocadura pra dó Sustenindo uma passagem pra ré Mi bemol Já traz o som, o eco A claridade Ainda um pouco abaixo do hori-

zonte Atrás do monte De mi pra fá Sustenindo, suspendendo Sustentando, ajudando o sol Nascer Aqui na terra Atrás da serra Cachoeiro do Itapemirim O sol nascer João Sabino, eu imagino Quando era menino, via assim


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07 Especial

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Fotos: Jakin Soares

Vargem Alta:

26 anos de Emancipação Política

Malha ferroviária, centro de Vargem Alta

O município comemora seu aniversário desde a última quintafeira, dia 20 de março. O ponto alto é neste domingo com a visita do governador Renato Casagrande a Jaciguá, na sede do Salesiano. Nesta reportagem especial produzida pela nossa equipe, um pouco da sua rica história política e econômica, dos seus personagens e dos desafios a enfrentar.

Rabelo, quando permaneceram no cargo até 2000. De 2001 a 2004, o prefeito foi novamente Adelson Fardim, desta vez, com Ed Moreira como seu vice. De 2005 a 2012, Ellieser Rabelo assumiu a prefeitura, com Almiro Ofranti Filho como seu vice no primeiro mandato, e João Bosco Dias no segundo. Hoje, João Bosco Dias é o atual chefe do Executivo vargem altense.

Malha ferroviária

por Jakin Soares e Leandro Moreira

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oje com 26 anos de emancipada, Vargem Alta tem pouco mais de 20 mil habitantes. A criação do município se deu através da Lei n° 4.063, de 6 de maio de 1988. Na ocasião, o município se desvinculava de Cachoeiro de Itapemirim. Contudo, a emancipação é comemorada no dia 20 de março, data que se realizou o plebiscito. Na primeira legislatura do município, de 1989 a 1992, assumiram João Altoé e Jair Rodrigues de Castro, como prefeito e vice, respectivamente. De 1993 a 1996, assumiram Adelson Fardim como prefeito e Adelson Altoé, seu vice. Em 1997 foram empossados para prefeito e vice, Gilson Tófano e Ellieser

A Estrada de Ferro Leopoldina também cruza o território, e foi a responsável em grande parte da história do município pelo seu desenvolvimento e, também, pela formação dos núcleos populacionais surgidos a partir de sua construção. A estação foi inaugurada em 1910, e ainda hoje funciona como estação da FCA, atual concessionária da linha. As locomotivas começaram a fazer as linhas com seis vagões, e posteriormente, com dez, nos acidentados 25 quilômetros que ligavam Cachoeiro de Itapemirim a Soturno. A ferrovia foi a principal responsável pela chegada dos imigrantes até o Sul do Espírito Santo. Muitos procuravam um novo lar e se estabelecer em terra fértil para o plantio de café. Outros, simplesmente vinham compor mão-de-obra para continuar as construções e instalações das linhas férreas.


08 Especial

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overnar nunca foi tarefa fácil, ainda mais para quem ocupa o cargo Executivo pela primeira vez. Agora, imagina estrear como prefeito e ter que ‘fazer’ um município que acabou de ser criado? Esta é a história de João Altoé, primeiro prefeito de Vargem Alta. Na verdade, ainda durante a campanha eleitoral, João Altoé era vice de Lair Alvarenga, que foi assassinado antes das eleições. A chapa puro-sangue petebista vagou o cargo de prefeito. Foi em uma reunião no Centro Social, em Boa Esperança, que o partido decidiu, com apoio do então deputado Theodorico Ferraço, assumir candidatura: João virou candidato a prefeito, tendo Jair Rodrigues como vice. Vitória nas urnas. “Foi um momento inédito na minha vida. Nunca havia militado em partido e me vi prefeito, com o desafio de estruturar um município e resolver os anseios da população quanto à iluminação, abertura de estradas, construção de

fotos: Arquivo Pessoal

Construção de município na estreia como prefeito

www.hojees.com de linha até o colégio; também foi criado o reforço escolar no contraturno; formação superior do professores e construção de centros de ensino. “Lembro que só tínhamos dois professores com formação superior. Como sou da área da educação, dedicamo-nos muito para o crescimento deste setor”, garante João, que revela ter recebido ajuda de algumas lideranças políticas nesta empreitada. “Lembro que construímos 10 escolas somente com recursos de emendas parlamentares do então senador João Calmon”. Anos depois, João deu continuidade ao trabalho como secretário municipal de Educação, no governo de Adelson Fardim.

João Altoé ao lado do então secretário estadual de Educação, Jose Eugênio

Estradas Meses sem nenhum maquinário, o ensaibramento de estradas era feito com enxada, pá de mão e caçamba. Com a aquisição de pá-mecânica, patrol e caminhão, o trabalho era intenso para abrir caminhos e garantir bons acessos às famílias do interior.

escolas, recolhimento de lixo etc...”, lembra João. Com apoio da Coordenação Estadual do Planejamento (Coplan) e da experiência na área jurídica do então presidente da Câmara Municipal, Assis Calegari, iniciou-se o trabalho da elaboração de leis para erguer o organograma municipal e Lei Orgânica. “O trabalho em conjunto foi fundamental para vencermos esta etapa”.

O prefeito atuando na abertura de estradas

Labutando no ramo de materiais de construção, João Altoé lembra com orgulho o que conquistou para o município. “Fizemos um trabalho forte na Secretaria de Obras, Saúde e, principalmente, na Educação”. Passe livre As ações na educação, naquele início de município, foram de considerável reconhecimento. Como não havia ônibus escolares, os alunos tinham uma identificação (carteirinha) que os permitiam utilizar os carros

Saúde A atuação de maior destaque na área da saúde foi o combate ao surto de hepatite B que percebeu o município. Com o conhecimento do médico Rogério Cabral, a administração promoveu a construção de fossas sépticas junto às residências, após constatar que o problema se originava do esgoto a céu aberto.

Governo teve a educação como uma das prioridades


09 Especial

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ALTOÉ: Sentimento é de que tudo valeu À pena executado. Falando em dificuldade, o município chegou a ficar quatro meses sem receber um centavo do governo do Estado. Altoé diz que a sua condução frente ao governo

Só tenho a parabenizar o município e todos os prefeitos que me sucederam. É inegável o desenvolvimento da cidade”, reconhece João, que alimenta vontade de tentar o retorno à cadeira de chefe de executivo.

“Despesa era maior que a receita gerada” Foto: Leandro Moreira

“Tínhamos um município sem legislação para seguir” O advogado Assis Calegari lembra muito bem das dificuldades enfrentadas quando presidiu a recém criada Câmara Municipal. Segundo ele, praticamente sem ajuda. E os cofres públicos com recursos irrisórios. “Assumimos o mandato em 1989, um após a instituição da Constituição Federal. Nós não tínhamos legislação - Código d e Po s t u r a s , e s t a t u t o s . Apenas depois de elaborar a Lei Orgânica que tivemos parâmetros para atuar e desenvolver”. No que diz respeito às dificuldades financeiras, Assis conta que, mesmo antes da emancipação política, não havia cadastramento das residências na região para a cobrança do IPTU. “Tudo foi feito por nós”. Calegari considera que, de todo o trabalho feito em Vargem Alta, a educação se destaca. “Com efeito para todas as idades. Lembro que tínhamos um ou dois professores com formação s u p e r i o r. H o j e , e x i s t e m diversos profissionais re-

seguiu firme, também, graças à orientação e experiência de seu chefe de gabinete João Pezarollo. “O objetivo sempre foi perseguido, afinal a emancipação era o nosso sonho, realizado.

foto: Divulgação

João Altoé afirma que, em nenhum momento, surgiu vontade de desistir ou arrependimento em se desvincular de Cachoeiro de Itapemirim. Toda dificuldade serviu para dar mais ânimo ao trabalho

Valadão era prefeito no ano da emancipação política Assis Calegari foi o primeiro presidente da Câmara Municipal nomados que tiveram formação educacional aqui”. Nestes 26 anos de emancipação, ele ele diz que a população deve continuar acreditando em melhorias, apesar de quaisquer dificuldades. “O município agradece e está de parabéns pelo o povo que o habita”.

Roberto Valadão (PMDB) era o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim em 1988, quando o movimento que pleiteava a emancipação política de Vargem Alta obteve êxito. Ele segue confiante de que a desvinculação foi positiva para os dois lados. “Por ser região serrana e ter diversas comunidades, Cachoeiro despendia maior despesa do que a receita produzida pela região de Vargem Alta. Com a emancipação, a população cachoeirense não se sentiu prejudicada e Vargem Alta se desenvolveu”, avalia.

Quando da articulação para a emancipação, Valadão revelou que o município não contribuiu com o movimento - por razões políticas -, porém não criou nenhum obstáculo para o andamento da demanda. “A principal liderança deste movimento foi Zezinho Sartório, que chegou a ser vereador. O procedimento da emancipação passou por todos os trâmites legais e estudos de viabilidade, principalmente econômica. Hoje, a região de Vargem Alta tem muito prestígio e segue de vento em popa”, acredita Valadão.


10 Especial

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“Falta mais respeito à nossa história”, diz Cristóvão Agrizzi

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Foto: Leandro Moreira

roprietário de cartório há 16 anos, Cristóvão Agrizzi é também dono de um importante arquivo da história de Vargem Alta, principalmente antes da emancipação política. Nesta transição, ele fez parte da história, trabalhando em uma das seções durante o plebiscito que escolheria o desligamento ou não de Cachoeiro de Itapemirim. “Havia várias seções para a população votar. Em uma delas, fui fiscal”. Ele diz recordar que foi uma votação tranquila, por isso sem ocorrências negativas. A emancipação foi um sonho construído junto às comunidades serranas. Apesar disso, segundo Agrizzi, tinha os contrários à emancipação. “Lembro

que meu pai era contra. Jaciguá sempre foi maior que Vargem Alta, principalmente no comércio, e foi fundada primeiro. Após a emancipação, todas as honras foram para Vargem Alta; e Jaciguá, estagnou”, avalia. Cristóvão Agrizzi conta que falta no município trabalho de resgate da história e cultura locais, evidenciando as figuras que fazem parte da estruturação da cidade. Segundo ele, houve tentativa de criação de museu ferroviário, mas, por falta de apoio, a iniciativa não foi à frente. “Os italianos chegaram por aqui por volta de 1890 e compraram terras dos portugueses, que preferiram se desfazer das áreas por não ter mais a mão de obra escrava”, registra.

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Cristóvão Agrizzi lembra que plebiscito foi tranquilo

Entre os principais nomes da região, Agrizzi destaca João Altoé, primeiro imi-

Livro resgata história do município Glória Altoé já foi vereadora em Vargem Alta (1996/00) e atualmente é diretora da Câmara Municipal. Em 2006, ela publicou o livro ‘Vargem Alta - Nossa História’, relatando fatos da época da colonização e acontecimentos mais recentes. “O desejo do livro também surgiu do desejo de apresentar um recorte de nossa história que sirva para justificar nossas origens e, ao mesmo temo, servir de material de pesquisa para as gerações futuras”, conta. Na ‘Nota do autor’, Glória diz que o livro mostra como foi desbravada pelos imigrantes a região, como foi pensado e elaborado o plebiscito que a emancipação, bem como toda a história política”.

grante italiano. “Ele comprou boa parte da Fazenda Santo Antônio do Rio Novo, que abrange Jaciguá e Boa Esperança. É uma das maiores famílias do município, embora muitos tenham se mudado”. Cristóvão também menciona o dentista Fernando Moscon. “Também era italiano e atuou como tesoureiro na construção da igreja São João Batista. Tudo isso são coisas que merecem ser preservadas; um povo sem passado é um povo sem futuro”. Jongo O historiador recorda, quando criança, de presenciar as danças de Jongo, em volta das fogueiras, promovidas pelos descendentes de escravos; e as festas italianas, aos domingos, sempre após as partidas de bocha. “Nada disso acontece mais”.


11 Especial

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padre Olívio Giordano é, sem dúvida, o maior nome de Vargem Alta, até hoje. Para muitos, ele é para o município o que padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço, é para Juazeiro do Norte, no Ceará. Italiano, o religioso teria chegado na região serrana em 1925; faleceu em 1960. “Ele deu a vida por este povo. Construiu o colégio Salesiano, dava assistência espiritual às pessoas, inclusive nas situações de enfermidades. Ia até as casas, a pé ou a cavalo”, conta Cristóvão Agrizzi. À padre Olívio atribuem centenas de milagres. Curioso: suas bençãos livravam, até

mesmo, as lavouras das pragas. “Havia muito desmatamento, na época, cujo descontrole ocasionava nas pragas. Após a benção de padre Olívio, as lagartas apareciam mortas nos pastos”. Agrizzi revela que, ainda hoje, algumas mães pedem aos filhos para rezarem frente ao túmulo de padre Olívio para solicitar alguma intervenção ‘santa’. “Houve um caso que uma menina estava desempregada. Orientada pela mãe, foi ao túmulo de padre Olívio pedir ajuda. Em poucos dias, a moça recebeu uma proposta de emprego”, lembra Cristóvão, preservando a fonte.

Foto: Leandro Moreira

Oração sobre o túmulo de Padre Olívio

Busto de padre Olívio na praça de Jaciguá

Praça é construída em homenagem ao padre

Fotos: Arquivo Pessoal

Em 1964, foi inaugurada a praça de Jaciguá, com um busto em homenagem a padre Olívio. Na ocasião, estavam presentes o padre José Resende, o deputado estadual Theodorico Ferraço, o prefeito Abel Santana, Dom Luiz Gonzaga Peluzzo, padre Paulo da Silva Maia e o vereador Alberto Ferraço (o outro não foi reconhecido). No destaque, a placa original, já retirada.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), é filho de Jaciguá. E neste aniversário de emancipação política, ele sentiu muito a vontade para falar da região, inclusive da disponibilidade de seu mandato para os anseios da população serrana. “Tenho Vargem Alta como casa. A propriedade do meu pai, repassada para mim e minha irmã, permanece lá - continuo com residência”, conta. Sobre a atuação de seu mandato, Ferraço pontou algumas demandas. “Trabalhamos para o as-

Foto: Divulgação Ales

“Tenho Vargem Alta como casa” faltamento de Prosperidade a São Vicente; de Jaciguá a Virgínia Nova e pela construção do santuário de Padre Olívio, no terreno de nossa residência em Jaciguá. E conto com a contribuição do governador Renato Casagrande (PSB) para o bom funcionamento do Hospital Padre Olívio”. Milagre Ferraço assegura ser uma testemunha de um milagre de padre Olívio, que foi seu professor no colégio Salesiano. “Meu pai tinha cinco lotes, onde havia a criação de bur-

ros. Em determinado momento, o pasto foi dizimado por lagartas. Padre Olívio foi chamado, e, após a sua benção,

as pragas foram mortas. Além disso, existem várias histórias de milagres de padre Olívio testemunhadas”.


12 Especial

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www.hojees.com Élvio Antônio Sartório * Engenheiro Civil, Educador no Ifes * Membro da Academia Maçônica de Letras, Cadeira nº 18, D. Pedro I

Um recorte na história antiga do Município de Vargem Alta

ecortar sucintas partes da história dos primórdios do Município de Vargem Alta é fato relativo. Referirem-se às datas marcos-iniciais é mais prudente visto serem eventos mais relevantes nesse montar em mosaico, aqui e acolá, com eventos que merecem ser lembrados. Dentre os primeiros habitantes da região de Vargem Alta destacam-se incursões intermitentementes de Botocudos que por aqui transitaram. Habitantes mais permanentes foram às hordas bravias dos Tapuias, sobretudo dos Puris, além dos Maracás. Os Puris foram os últimos remanescentes. Permearam ainda os garimpeiros dos tempos dos Jesuítas, cobrindo toda a região serrana, então dita Núcleo Castelo, ora geograficamente denominada de Serra do Castelo. O Resquício do Ciclo de Açúcar e a atração ao néctar das ubérrimas terras para a cultura do Ciclo do Café trariam cristãos novos vindos do Vale do Paraíba (RJ) a se estabeleceram na região a partir da Fazenda Monte Líbano, criando o Ciclo dos Coronéis. Quatro grandes fazendas surgiram e outras: - (i) Fazenda Pedra Branca, 1863, Pedro Francisco Moreira, herdada por sua filha Honorina Francisca Moreira e seu genro coronel Antônio (Totonho) Alves da Cunha; -(ii) Fazenda Santana, Pedro Francisco Moreira, 1863; - (iii) Fazenda São Pedro, Coronel Gomes de Moraes, tendo como filho Alípio Gomes de Moraes; (iv) Fazenda Prosperidade, doutor Antônio Belisário Vieira da Cunha e Dona Nininha; (v) Fazenda São João, também na “Rota do Café”, estaria instalada pelo Coronel Benjamim Salles Pinheiro. Atingindo Cachoeirinha, o transporte se fazia por canoas e, pelo “Canal do Pinto” até o porto de Itapemirim. Nessa trilha do café surgira a Fazenda Bananal na Região de Concórdia/Paraíso-Belém, também na interface com as futuras “Virgínias Velha e Nova” (estas marcantes principalmente a partir de 1875/1876). Antônio Belisário Vieira da Cunha trouxe alguém muito importante para a cultura na região, o professor Francisco de Oliveira. Lançou 1904, o jornal “O Martelo” e a revista “Album”, 1910, com a criação e um Movimento Cultural. Daí dizer-se que “Prosperidade é a Atenas Campestre

Capixaba”. A extensão para Córrego Alto (antigo Córrego da Onça) e São José de Fruteiras (cuja região existiu também minas de ouro desde os tempos dos jesuítas, exploradas depois pelos desbravadores e colonizadores italianos) e outros já estavam ocupados ou desbravados, muito antes, por fazendas e pequenas aglomerações desde os tempos imperiais. Desse final do ciclo da cana e dos coronéis quem não se lembra das famosas cachaças: - Tufão (Santo Antônio); - Critalina (Prosperidade); - Triunfo (São Pedro), dentre outras, que juntamente com cultura tradicional do café e do gado leiteiro mantinha a região. Mas, a grande arrancada de Prosperidade e da região ocorreria pioneiramente no Estado com os empreendedores Ogg Dias de Oliveira, 1957, sobrinho de Horácio Scaramussa, com a firma Ogg& Orlando, depois Bento & José Ferreirinha. A exploração se dera em terras de Luiz Scaramussa (tio), coincidentemente com berço na Atenas Campestre Capixaba. Paralelamente, levado por Pedro Bruno Sartório a Claros Dias, 1958, Dr. Geraldo Pinto Vaz, através de sua empresa Sociedade Anônima de Mármores Brasileiros (SAMBRA) inicia a industrialização efetiva na exploração do mármore no Estado. Desse ciclo surge o progresso atual das pedras ornamentais de mármore e granito e inicia-se o problema nas estradas e rodovias... Mas, essa é outra parte da história! A região do Rio São José, perto de Canudal (onde existiram riquíssimas minas de ouro, 1879) e depois a Estação de Soturno (Rota do Café), receberiam também a partir de 1894 a influência da construção da Ferrovia Sul do Espirito Santo (que passaria em 1907 para a “The Leopoldina Railway Company Limited”) tanto pelo ramal abandonado, como também pelo traçado atual, subindo na direção do córrego da Boa Esperança. Virgínia Velha, que geraria Virgínia Nova, depois impactara o nome do Distrito de Virgínia (Jaciguá) e a Ferrovia atrairiam colonizadores italianos, pois José Altoé vindo de Matilde, 1898, abriu a derrubada e preparou o lugar com implantação de pequeno barraco para moradia da família, dando origem ao desbravamento de Jaciguá. O 5º Distrito de São José dá-se

em 1892. Depois, 1912, passando a denominar-se Distrito da Estação de Virgínia. Novamente, 1915, Distrito de São José. Paradoxalmente, conforme relatamos em nossa obra, a atual denominação de Jaciguá, 1943, foi devida ao grande engenheiro e Diretor de Viação e Obras Públicas do Estado, da Secretaria de Estado de Agricultura, Terras o Obras do Governo do Estado do Espírito Santo, Manoel de Passos Barros (depois Diretor Geral do DER-ES), que veio, posteriormente a ser o principal dos quatro fundadores da Igreja Cristã Maranata. Conforme esclarecemos, ainda, da fonte, e demos novo rumo à denominação correta, o nome de Palmeira do Vale (Jaciguá), que supostamente se entendia até então como a versão primitiva da denominação, não estava correto, pois ao ver o deslumbrante luar de São José ele não resistiu e resolver apor o belíssimo significado do nome de Jaciguá, ou seja, Vale da Lua! Com a instalação do Colégio Salesiano na Fazenda Boa Esperança 1923, onde havia uma capela desde 1903 (primeiro Diretor Padre Antônio Marcigaglia), e o estabelecimento das Obras Sociais Salesianas, a orientação e o estímulo à região de Jaciguá foram muito grandes. Produtores das terras férteis para o café, no seu entorno, eram atraídos para a Cooperativa de Boa Esperança. Instalação de serraria de madeira em Jaciguá e comercio expressivo davam tom ao desenvolvimento. A economia se fortaleceu levando as duas localidades próximas a praticamente se interligarem. Depois, com a erradicação do café na década de 1960 e a imediata mudança do traçado da Rodovia ES-164, que liga Cachoeiro a BR-262 e a quase total desativação, por assim dizer, das atividades da ferrovia, pela opção rodoviária, houve certa estagnação, voltando a readequarem-se com a industrialização do mármore/granito e a cultura de café, eucaliptos, gados dentre outras e o comércio vem se recuperando. Novamente com a Estatização do Colégio Salesiano (23/03/2014) todos os municípios circunvizinhos serão beneficiados e o Distrito de Jaciguá/Boa Esperança tomará novo impulso. Na mesma esteira da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, na região do en-


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tão núcleo “Cinquenta e Nove”, (1899, Estrada de Ferro Leopoldina entre Vitória Sericícula de Vargem Alta (implantada nos fundado pelos italianos), viria o núcleo e Cachoeiro de Itapemirim. governos seguintes), construção da Estação Guiomar, 1895, diante o requerimento Consta que em 1918/1920 sete famílias Ferroviária eliminando a parada em de Legitimação dessas Terras, por Carlos ali estavam estabelecidas. Nestor Gomes, Vargem Grande, construção de um trecho Gentil-Homem, medição feita pelo famoso contador em Castelo torna-se Presidente do de estrada de tropa para Fruteiras (7 km) e engenheiro Ceciliano Abel de Almeida. Estado do Espírito Santo, 1920. O fato de em direção a São Carlos (5 km). Cabe reGetilhomem partindo então de sua “for- seu pai estar entre as 7 famílias instaladas, cordar o que escrevemos em nossa obra; “A taleza”, Guiomar (do germânico, mulher manda abrir as cabalísticas 07 (sete) ruas, construção da localidade de Vargem Alta, notável, ou homem famoso na batalha), dando início a Vila de Vargem Alta. A natu- atual Sede do Município, pelo Presidente iria expandir-se, via Pombal de Baixo, em reza atavia do atual Centro da Cidade, por de Estado, Nestor Gomes decorre da divina direção a Fructeiras, depois denominada entre samambaias, quaresmeiras, braúnas inspiração e de um ato de amor à região por Miguel Calmom, 1907. Essa região e imbaúbas, sob o murmúrio das fontes de que acolhera seus pais. Guardadas as ainda pertencia ao município de Rio Novo águas cantantes, que por aqui circulavam devidas proporções da criação de Vargem do Sul e, não a Cachoeiro de Itapemirim, livremente em seus cursos aformoseava-se Alta por Nestor Gomes, semelhantemente somente passando a partir de 1940 para diante o anfiteatro formado pelas cadeias e de forma grandiosa, fez o Presidente da a Princesa do Sul. A região de Jacutinga já de montanhas, revelando as gregas de República Juscelino Kubitschek com a criaestaria ocupada em 1915, inclusive com um horizonte decotado. Intermitentemente ção de Brasília, Capital Federal, mas quiçá professor nomeado. irrompiam-se os cantos estridentes das em mesma dimensão de amor”. Ocorre que Guiomar fora concebida arapongas, seguido pelo ao ritmado dos A instalação da Estação Sericicula de como entreposto comercial para as rotas inhambus, num dia céu claro de sol, por Vargem Alta com a produção dos fios do dos tropeiros em direção a São bicho da seda, diversas atividades José de Fruteiras, Piemonte, São de exploração de madeira para Joaquim, São João, Rodeio, Duas a ferrovia e para a Industrial de Barras dentre outras regiões de proCachoeiro, produção de flores “Depois, os verdadeiros dução e consumo, como o próprio e frutos, vocação turística com colonizadores do interior fornecimento de madeira para a ferinstalação de hotéis e pensões rovia. Com o crescimento de novas e as Obras Sociais Salesianas do Estado, os imigrantes opções de estradas e o crescimento completavam-se pela influência europeus, especialmente de Vargem Alta, Guiomar regrediu ferroviária a um forte comércio como localidade comercial. que incrementou Vargem Alta até o os italianos que aqui cheSão José de Fruteiras até final da década de 1950/início da garam com nova ordem de Castelinho se fortaleceram inicialdécada 1960, quando a Sericícola mente com o ciclo do ouro, depois paralisou suas atividades, e a padres, especialmente os com o Departamento de Café do crise do café levaram a diáspora IBC, atividades rurais, serrarias de de seus moradores para o Rio de Salesianos, dando origem madeira e como tal com algumas Janeiro. A instalação de Serrarias aos mais belos nomes do alterações sempre se manteve de Madeira, a criação de uma em crescimento até a fase atual, Cooperativa para produção de Estado. Feliz da terra cujos fortalecida pela pavimentação da farinha, cuja Chaminé existe junto rios em vertentes levam ao ES-164 ligando BR-262 a Vargem ao hotel do mesmo nome, a produAlta, 1967 e pela grande vocação ção de calcário moído seguraram caminho do progresso! ” para a cultura do café e nova fase em parte a economia, mas não de industrialização que se inicia. permitiram que estagnasse por uns O circulo ocupacional municipal tempos. Até mesmo a emancipabásico estava fechado ao acaso, mas, à vezes coberto pelos bandos de andorinhas, ção do Município (20/03/1988), levou um natureza guardara sua pérola central. que se instalavam na Pedra do Morro de bom tempo para que a Sede do Município Faltava à ocupação da região da atual São Carlos. Ora, a chuva e a garoa, com de Vargem Alta se desenvolvesse... Mas, sede do Município de Vargem Alta, cujas o cantar mavioso dos sabiás comandando essa é outra parte da história!!! primeiras famílias se instalaram na região a orquestra de pássaros e insistentemente Observamos a primeira fase da região do atual bairro de Vargem Grande, indo se alongava até o final do crepúsculo. A do Município, o desbravamento pelos até Richmond, seja pela conexão com os terra mãe embala o coração de seus filhos, Cristãos Novos, em grande parte maçons traçados ferroviários, o antigo, que passava cativa e encanta os olhos embevecidos dos e positivistas, que legaram nomes de força na região da santinha, no mirante de Nossa que dela se aproximam. e potência as localidades, de religiosos Senhora de Fátima do Alto Rodeio e o atual. A Fundação do Distrito de Vargem Alta católicos e alguns evangélicos, ainda na A Sede do Município, Vargem Alta. Nela (26/12/1922) pelo Presidente do Estado influência dos jesuítas, também esotéricos os irmãos Francisco Moreira, Custódio e Nestor Gomes, com suas 07 (sete) ruas e outras ordens da religião. Depois, os Latino se estabeleceram, onde aproxi- abertas totalmente drenadas por bueiros verdadeiros colonizadores do interior do madamente fica o grupo escolar Euzira de pedra, cemitério, escola católica e Estado, os imigrantes europeus, especialGomes. Fundaram ali uma primitiva evangélica (o presidente era presbiteriano), mente os italianos que aqui chegaram com “Serraria”, que supostamente seria o nome projeto de sanatório (clima salutar dispensa nova ordem de padres, especialmente os do lugar. A Grande Fazenda de Antônio comentários), primeiro rebaixamento da Salesianos, dando origem aos mais belos Francisco Moreira foi-se desvirginando. pedra existente no Rio Novo no extremo sul nomes do Estado. Evidentemente, que tudo aconteceu depois da sede, ponte de madeira, olaria e aquiFeliz da terra cujos rios em vertentes de 1910, com a inauguração do trecho da sição das terras para implantar a Estação levam ao caminho do progresso!


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Salesiano: tradição, religião, turismo e educação a serviço do Sul do Estado Prédio histórico, que foi adquirido pelo Governo do ES, será escola técnica

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– será reaberto como escola técnica. O prédio, localizado em Boa Esperança, em Jaciguá, Foto: Jakin Soares

lém de ter contribuído para a formação de muitos cidadãos de renome por todo o Estado, e de somar para o turismo em Vargem Alta, o colégio Salesiano – após 15 anos de inatividade – agora, também terá outra utilidade para o município. Comprado pelo Governo do Estado por quase R$ 4 milhões, o instituto Salesiano Anchieta – de maior tradição da região

distrito de Vargem Alta, passará por reforma e ampliação, e já deverá estar em funcionamento em 2015. “Há mais de dez anos nós já havíamos começado a discutir sobre isso com Renato, que hoje Governa o ES. Naquela oportunidade, ele ainda era deputado, e nós já tínhamos em mente projetos para o Salesiano. Não deixamos o assunto cair no esquecimento, e nem ele. O momento foi oportuno e nós estamos juntos nesse projeto que tanto vai contribuir para a educação no Sul do Estado”, conta Maninho, secretário de Turismo, Esporte e Cultura de Vargem Alta. O investimento será de aproximadamente R$ 7 milhões,

segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho. Mesmo com a indefinição dos cursos, Maninho já faz sugestões. “Gostaríamos muito que fossem implantados os cursos de gastronomia e hotelaria neste leque. Isso capacitaria pessoas e ajudaria muito o cenário econômico e turístico de toda a nossa região”, afirma o secretário. Estima-se que mais de mil alunos serão atendidos em três turnos distintos, após a reforma do prédio. Neste domingo (23), o governador Renato Casagrande estará em Vargem Alta para a cerimônia oficial de aquisição do prédio.


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Histórico O prédio, que foi erguido em 1923, está próximo de seu centenário. Além de sua importância na história como marco na educação do Espírito Santo, tornou-se um dos cartões postais de Vargem Alta. Ultimamente, a estrutura vinha sendo usada para a realização de cursos e encontros religiosos no município. Tudo começou com a vinda dos padres salesianos Dom Helvécio e Dom Manuel. Eles buscavam um lugar no Espírito Santo para a construção de um seminário. A escolha foi pela Fazenda Boa Esperança, onde a família já

artigo havia construído uma capela em 1903, em Virgínia (hoje Jaciguá), onde já havia movimento, inclusive com pedido através de abaixo-assinado ao bispado para a construção de uma igreja. Como o conjunto é quase centenário, as edificações já sofreram várias reformas internas. Mas, externamente, conservam quase que totalmente o seu desenho original. Segundo relatos, os prédios chegaram a abrigar mais de mil jovens vindos de diversos municípios vizinhos e até de outros Estados, como Minas Gerais.

“Queremos formar ótimos profissionais e inseri-los no mercado de trabalho” foto: Divulgação

“O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho está atuando nas localidades que não possuem educação técnica ou superior. A Escola Técnica Estadual no Município de Vargem Alta irá qualificar a população oferecendo cursos técnicos e profissionalizantes de forma a contribuir com o desenvolvimento da região. O Salesiano, por muito tempo, foi um colégio referência no Espírito Santo, trabalharemos para que a Escola Técnica tam-

bém seja, queremos formar ótimos profissionais e inseri-los no mercado de trabalho. Assim como Vargem Alta, até 2020 outros 19 municípios receberão Escolas Técnicas. O município também foi contemplado com cursos técnicas e com o Eureka Pré-Enem a distância, ambos na modalidade a distância e funcionando no polo UAB do município. “ Jadir Péla – Secretário Estadual da Ciência, Te c n o l o g i a , I n o v a ç ã o , Educação Profissional e Trabalho

Renato Casagrande - Governador do Estado do Espírito Santo

“Em 4 anos, fizemos o maior investimento da história”

O

s moradores de Vargem Alta têm muito a comemorar nestes 26 anos de fundação. O rápido processo de amadurecimento político administrativo local nos dá a tranquilidade necessária para implantar os serviços do Governo do Estado que prepara o crescimento da região. Em apenas quatro anos, fizemos o maior investimento da história de Vargem Alta. Até dezembro deste ano, completamos mais de R$ 64 milhões em recursos aplicados diretamente no município, trabalhando para que nossos filhos encontrem nas cidades onde vivem a chance de crescer, estudar e trabalhar. Neste momento, damos mais um passo nesta direção ao adquirir o Colégio Salesiano e transformá-lo numa escola técnica. Um esforço integrado entre os governos federal, estadual e municipal. O Governo do Estado está investindo mais R$3,5 milhões, para desapropriação do imóvel e depois de um investimento total de R$7,5 milhões para readequação física e compra de novos equipamentos, a cidade de Vargem Alta, entra na rede Estadual de Escolas Técnicas que está sendo instalada em 20 municípios capixabas. Os 1.200 alunos vão contar com outro padrão de ensino. A escola vai dispor de salas de aula, laboratórios, quadra poliesportiva, biblioteca. Os cursos serão escolhidos levando em consideração às demandas da região. O maior benefício é a interiorização do ensino, oferecendo sustentabilidade à população. Todo o esforço tem o objetivo de levar oportunidades aos que escolheram o município para residirem. Com muita responsabilidade administrativa, estou investindo forte para amenizar esse grave passivo social herdado em décadas de descaso e, melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados em todo o Espírito Santo. É o compromisso que assumi com a população capixaba e estou determinado a continuar nesta missão.


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Três gerações dedicadas ao social

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Boa parte das assistências era prestada em sua farmácia, onde havia o chamado ‘quarto dos doentes’. “Na farmácia eram realizados partos, consultas e outros atendimentos; funcionava semelhante a um posto de saúde, de hoje”. E a atuação ‘médica’ não ocorria só ali, Alberto ia até as residências e, quando preciso, levava o enfermo até à farmácia - de maca ou a cavalo. A informação de que alguém

estava doente chegava a bordo do trem. Telefone Um amigo, que morava na região de Rio Novo do Sul, o

Fotos: Reprodução Internet

tacílio do Carmo rememorou alguns episódios que envolveram seu avô Alberto do Carmo, e seu pai Otacílio Geraldo do Carmo. Ambos têm a sua revelância na atividade social eternizada em homenagem em obras públicas da cidade. Sem médico na região, a referência para atendimentos na área da saúde era o farmacêutico Aberto do Carmo.

Otacílio se dedica a trabalhos voluntários

A praça bem no coração de Vargem Alta é uma homenagem da municipalidade à família

Foto: Leandro Moreira

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ajudou a realizar uma proeza: ambos atravessaram fiação entre os locais, pela mata adentro, para tornar possível o contato telefônico entre eles. Um aparelho foi instalado na farmácia; outro, na residência em Rio Novo. Este foi um meio mais eficaz para acionar o ‘Dr’ Alberto. A praça da cidade leva o seu nome. Continuidade Assim que Alberto morreu, seu filho Otacílio Geraldo do Carmo assumiu a farmácia e deu continuidade às ações do pai, entre elas o Natal para as crianças pobres, com a doação de brinquedos e roupas. Na década de 1950, Otacílio adquiriu uma caminhonete e, com ela, transportava os pacientes para Cachoeiro de Itapemirim. Naquela época, essa viagem chegava a durar quatro horas, devido às péssimas condições da estrada. “Da mesma forma como meu avô, meu pai participava ativamente da vida política da região, no intuito de garantir conquistas à população. Lutou muito pela melhoria da estrada para Cachoeiro, já que reduziria a viagem com os pacientes. Quando havia urgências, não era possível esperar pelo trem”. Voluntário Otacílio do Carmo segue a cartilha da família e se dedica a trabalhos voluntários em Vargem Alta, através de instituições. Atualmente, atua na Associação Pestalozzi do município.


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VARGEM ALTA DE HOJE: ECONOMIA QUE SE SUSTENTA

Foto: Jakin Soares

Foto: Divulgação Internet

res de trabalhadores desde a extração ao benefiamento”, conta o David Calvi Neto, profissional do setor. Segundo o diretor da Associação Comercial e Empresarial de Vargem Alta, Ricardo Dalfinhor, a economia vargem altense é diversificada. “Desde o cultivo de hortalícias,

conjunto com o Sebrae para dar suporte ao empreendedor. Até mesmo no acesso às linhas

de crédito nós ajudamos a informar nossos associados”, explica Ricardo.

Foto: Jakin Soares

do café e do leite, do mármore e do granito, do comércio e o turismo, Vargem Alta, exerce seu potencial econômico”, conta. “Nós atendemos principalmente a parte de formação profissional. Trabalhamos em

Foto: Divulgação PMVA

Com sua economia baseada na extração de mármore e granito, na agropecuária, no comércio e no turismo, Vargem Alta se orgulha de – ainda enquanto distrito de Cachoeiro de Itapemirim – ter sido a terra de extração do primeiro bloco de mármore no Estado do Espírito Santo, em 1957, mais precisamente na localidade de Prosperidade. Atualmente com mais de 100 empresas no setor de mármore e granito instaladas na cidade, não surpreende que Vargem Alta tenha no segmento sua principal potência econômica. Depois de Cachoeiro, é o município do Estado com mais empresas no setor. Mas, paralelo a isso, a arrecadação do município também é forte na agricultura, principalmente com o plantio de café, mas também há espaço para a psicultura, a pecuária, o comércio e o turismo. “Na minha visão, o maior beneficio trazido pelas empresas do setor em Vargem Alta e na região, é a geração de emprego e renda. São milha-

ACE: Ricardo (D), juntamente com a diretoria da ACE, tem trabalhado para a formação profissional no município.


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da população de Cachoeiro, não daremos conta de atender tanta gente. Temos ótimos restaurantes, hotéis, muito verde, cachoeiras, cascatas, a rampa do mirante, enfim, temos que investir em nossas potencialidades naturais”, acredita o secretário. Ainda segundo Maninho, somente no carnaval, quando o município recebeu cerca de 5 mil visitanntes por dia,

Foto: Divulgação Internet

Para Maninho, secretário de Turismo, Esporte e Cultura de Vargem Alta, o potencial turístico tem crescido bastannte como potencialidade econômica da cidade, e pode ser uma das principais fontes de renda do muncípio nos próximos anos. “Se trabalharmos so a nossa culinária nos fins de semana e atrairmos para cá 1%

www.hojees.com Foto: Jakin Soares

Turismo

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Maninho: secretário acredita que investimentos no turismo podem alavancar ainda mais potencial econômico no setor.

O parque da cachoeira do caiado é um dos pontos turísticos mais populares de Vargem Alta, e também um dos mais visitados.

artigo

N

os períodos que passei em Vargem Alta, fosse como visitante em seus famosos carnavais, em períodos de férias ou morador provisório – tive ali pequena propriedade entre 1994-2004 -, pude sentir a qualidade do ar daquelas montanhas cortadas por uma centenária linha férrea que agora alguns desorientados querem arrancar. Alex, hoteleiro da região, não se cansava de prodigalizar que ali se respirava o “terceiro melhor clima do mundo”. Eu sempre implicava querendo saber quem tinha feito essa pesquisa e quais lugares haviam ficado em primeiro e segundo. Como não sabia a resposta, dizia que isso pouco importava, o fundamental era encher os pulmões de ar puro. Em determinados períodos, tinha impressão de que Vargem Alta havia parado no tempo, como naquela estação: um rio preguiçoso e claro cortando o vale, muito verde, água brotando das fontes nas en-

a arrecadação foi de cerca de R$ 1 milhão. “Investimos cerca de R$ 250 mil em nossa programação para o carnaval das montanhas, e através do

turismo, da gastronomia e da presença dos turistas arrecadamos 4 vezes esse valor”, contou.

Luiz Trevisan - Jornalista

Terceiro melhor clima costas, casas com janelas abertas ao céu. Aos poucos, porém, começou a prosperar o setor de rochas ornamentais e o clima foi ficando pesado. Sem um zoneamento industrial definido, unidades de exploração de granito se espalharam até em áreas residenciais. Ilustro um pouco essa transformação relatando a experiência de um irmão, que em busca dos famosos ares da região comprou pedaço de terra próximo a Richimond, ali na estrada entre Vargem Alta e Iconha. Apanhou financiamento, construiu uma pequena casa com janela aberta para espesso capão de Mata Atlântica, e passava ali finais de semana respirando, como se diz, o silêncio da montanha. Certa manhã, ouviu barulho de trator invadindo área próxima e trazendo na esteira uma notícia terrível: a área fora adquirida e ali seria instalado galpão para beneficiar... granito. Foi o fim do sossego e do sonho. Na primeira oportunidade, vendeu a casa e se

mandou decepcionado. Sentimento parecido experimentei em relação à propriedade na Vargem Grande, próxima do rio Novo. Em dez anos, o que era um recanto bucólico foi se enchendo de casas, veículos, barulho. E a qualidade do ar... Passei a propriedade adiante. Na última vez que estive em Vargem Alta tomei susto: o pequeno lugarejo cresceu, já tem prédios e o trânsito começa a ficar confuso. Agora, nessas comemorações da emancipação do município, penso que é um bom momento para uma reflexão das autoridades e moradores sobre o lugar que querem deixar para os descendentes. Penso ainda que em vez de trilhar o duro caminho das pedras como fonte de renda absoluta, está em tempo de resgatar o potencial agroturístico local. E impedir que o “terceiro melhor clima do mundo” desapareça desse ranking cobiçado. Água e ar puro são negócios do futuro num mundo cada vê mais escasso de recursos naturais.


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Economia e parceria para seguir

O

atual presidente da Câmara Municipal, Darly Fassarela (PSB), tem na ponta da língua a principal dificuldade do município: arrecadação financeira. Para não impedir o andamento da máquina em prol da população, ele garante que o legislativo atua em parceria com o Executivo, principalmente no cumprimento de suas obrigações. “Economizamos até onde é possível. Fazemos a devolução à prefeitura, em torno de R$ 40 mil; metade vai para o Hospital Padre Olívio”.

Segundo o presidente, em 2013 foram repassados R$ 453 mil à administração municipal, fruto de economia da Casa de Leis. “Até este mês de março, já destinamos R$ 90 mil”, conta. O presidente conta que a Câmara Municipal tem apenas um veículo, para os 11 vereadores; e 14 funcionários, sendo nove efetivos. “Compreendemos a crise financeira do município, por isso trabalhamos em parceria. Fora isso, a Câmara tem o portal da transparência, e todos podem acessar quaisquer informações”.

Foto: Leandro Moreira

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Darly Fassarela fala de gestão frente à Câmara Municipal

Queda na arrecadação é o inimigo a ser batido Mudam os tempos, mudam os problemas. O calcanhar de Aquiles de Vargem Alta, hoje em dia, segundo o prefeito João Bosco Dias (PSB), é a queda na arrecadação do município. Não bastasse a extinnção do Fundap, Vargem Alta também sofre com as baixas de ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. Somente no primeiro trimestre de 2013, o déficit foi de mais de R$ 700 mil, num comparativo com o mesmo período do ano anterior. A maior perda registrada é referente ao Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias – FUNDAP. O prefeito não esconde a preocupação com o impacto financeiro sofrido pelo município e ressalta que os prejuízos afetam diretamente o dia a dia da administração. “A ordem

natural seria que a arrecadação do município crescesse gradativamente todos os anos, entretanto a Prefeitura esta sofrendo, com as perdas do FUNDAP e a diminuição de outras fontes de arrecadação. Isso resulta numa diminuição de capacidade de investimento da Prefeitura”. Bosco afirma que, “desde o inicio de nosso mandato, executamos ações para amenizar o impacto da perda de arrecadação em nosso município. Reduzimos em cerca de 50% a quantidade de cargos comissionados na prefeitura, além de cortes em combustível e shows”. “Temos o que comemorar” Apesar do discurso sobre as adversidades financeiras, o prefeito afirma que há o que

comemorar nesses 26 anos de emancipação política baseado nas conquistas junto aos governos estadual e federal. “Estou muito otimista. Temos uma equipe capacitada e trabalhamos, com cautela, para prestar os serviços que a população merece. E neste 2014 Vargem Alta vai virar um canteiro de obras”, garante. Com os salários e pagamento de fornecedores em dia, Bosquinho anuncia investimentos nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. “Está em fase de conclusão a pavimentação entre a BR 262 ao distrito de Castelinho e, em breve, será iniciada entre Fruteiras e Capivara. Somente essas duas intervenções ultrapassam R$ 100 milhões”. Também está prestes a ocorrer a construção de cinco unidades de saúde, quadra

poliesportiva, reforma de escola, instalação de duas torres para telefonia móvel e a Usina de Suco - a ser gerenciada via cooperativa. Quanto ao transporte escolar, a prefeitura disponibiliza R$ 800 mil, por ano, para levar universitários a Cachoeiro de Itapemirim e Venda Nova do Imigrante.



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