Edição 189

Page 1

foto: Leandro Moreira

Jornal Hoje Notícias • Edição 189 • Sexta-feira, 04 de abril de 2014

R$ 2,00

» Páginas 02, 03, 04, 05 e 06

A era rubens moreira na selita Em cinco páginas, a eleição e os planos do novo presidente da maior cooperativa de laticínios do Espírito Santo

A decisão do senador Ricardo Ferraço de apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande, contrariando os planos de Paulo Hartung, é mais do que vingança: mostra maturidade contra a divisão política do ESTADO » Páginas 12 e 13

foto: Divulgação PMC

foto: Internet

EM FAVOR DO ESPÍRITO SANTO

Cachoeiro e Castelo já têm médicos cubanos

Vários profissionais estão atuando na região sul através do programa Mais Médicos » Página 07


02 Especial - Economia Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Rubens Moreira assume a Selita Fotos: Leandro Moreira

A posse aconteceu no dia 1º de abril na sede da cooperativa

por Leandro Moreira

O

produtor e cooperado Rubens Moreira venceu a eleição para os novos conselhos fiscal e administrativo da Cooperativa de Laticínios Selita, concorrendo com três chapas. O pleito aconteceu no dia 22 de março,

Eleição disputada Rubens Moreira foi eleito após uma disputa acirrada. Cerca de 1 mil associados o preferiram em detrimento de Herinque Passine, que teve o apoio de integrantes de sindicatos rurais de municípios do sul do estado e da Federação de Agricultura e Pecuária do estado, segundo Rubens. A vitória se deu por uma diferença de 10 votos: 419 votos, contra 409. “A eleição não foi fácil, até porque disputei contra duas chapas da situação. Um deles tinha apoios importantes. Mas, a nossa proposta saiu vencedora”, avalia o novo presidente da

após a prestação de contas do exercício 2013 na Assembleia Geral Ordinária. O mandato de Rubens Moreira e demais integrantes de sua chapa iniciou no dia 1º de abril deste ano e vai até 31 de março de 2018. Conforme o estatuto, 1.723 associados estavam aptos a votar;

a eleição ocorreu no Parque de Exposições Carlos Caiado Barbosa. A posse contou com a presença de produtores associados, autoridades do cooperativismo, autoridades políticas, entre eles o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione.

Selita. Moreira já presidiu a Selita entre os anos de 2004 e 2008, e atuou como vice no mandato que findou em 2004.

À frente de duas cooperativas Desde que tomou posse na Selita, Rubens Moreira está à frente de duas cooperativas;

Confira a composição dos conselhos: EFETIVOS: Rubens Moreira João Marcos Machado Leonardo Cunha Monteiro João Batista de Souza Germano Pianes Scherrer Walber Heckert Valter Calabrez Flávio Cabral Rampe Pa u l o S é r g i o S h e i d e g g e r Brasileiro Eliazer Morgan Celso Almeida Canzian SUPLENTES: Adauto Lopes Corrêa Norival Nunes do Amaral Júnior Leandro dos Santos Neto Alomar Scherrer Renato Vanes Backer Henrique Dezan Guidi Cláudio Mamede de Moraes José Roberto Sobreira Paulo Cesar Macedo Campos Adir Custódio da Cruz José Antonio Alves Victor de Assis Conselho Fiscal EFETIVOS: Luiz Carlos Faria Joelso Moreira José Gilberto Machado SUPLENTES: Teones de Souza Moura Luiz Carlos Costalonga Marcos Pimenta Vereza

a outra é a Sicoob Sul, que opera como uma agência bancária. Ele afirma que não há impedimentos jurídicos nesta dupla jornada. “No Sicoob, existem comitês que fazem a liberação de crédito. No caso da Selita, que é uma cooperativa de grande porte, um possível empréstimo financeiro passa pelo crivo do comitê do Conselho de Administração, ou seja, não depende da decisão do presidente”, explicou.


03 Especial - Economia Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Readequação nas áreas comercial e administrativa

Rubens Moreira delegará funções a cada gestor

A primeira ação de Rubens na presidência da Selita é promover o reenquadramento do sistema de administração da cooperativa. “Cada gestor terá o seu papel, as funções serão delegadas, e eu cobrarei os resultados”, anunciou. Ele afirma que a coope-

rativa ficou longo período sem um executivo na área das finanças. “ Vamos to mar as rédeas da área comercial: vender mais, reorganizar a distribuição d e p r o d u t o s, i n t e n si f i c a r o pós-vendas junto aos comerciantes e grande comércio”.

Pagamento justo ao produtor é prioridade Durante o período de campanha para as eleições da Selita, Rubens ouviu os anseios de inúmeros produtores. Entre as reclamações, estava a avaliação do preço do leite no momento da coleta; muitos estariam se queixando do valor taxado. “Vou mudar o sistema de mostra de coleta que embasa o pagamento. Da forma é feita não expele a realidade. Este processo

é feito por pessoas despreparadas, pelo próprio caminhão”, apontou. De acordo com Rubens Moreira, a avaliação será realizada por um grupo especializado. Ele explica que a coleta deve considerar a qualidade do leite e a gestão deve ser feita pela Selita, em benefício ao produtor. “O objetivo é garantir melhor qualidade e efetuar o pagamento junto ao produtor de leite”.

Diretor Executivo Tiago Turini Editoração Wellington Pintor (28) 9945.7012 Editor Ilauro Oliveira ilauro01@gmail.com Repórter: Jackson Soares Leandro Moreira

Circulação - Região Sul do Espírito Santo CNPJ 18.311.486/0001-44 jornalhojenoticias@gmail.com Redação: Rua Amilcar Figliuzzi, nº 31 – Coronel Borges Cachoeiro de Itapemirim – ES Tel.: (28) 3517-7615

Colaborador Adilson Conti Impressão: Thiago Schwan Gráfica Victor, Amilcar Fliguiuzzi, nº 33, Thalyson Inácio de Araújo Rocha Coronel Borges - (28)3522-9554 Luiz Trevisan Anete Lacerda Tiragem: 3000 exemplares Periodicidade: semanal Sidney Schwan

Projeto ‘120 mais leite’ com diretrizes claras

Rubens Moreira assegura que o projeto ‘120 mais leite’ da Selita terá continuidade. No entanto, ele acrescenta que empregará diretrizes mais claras e que o programa vai ser monitorado, no intuito de medir os resultados. A produção primária de leite terá o seu desenvolvimento perseguido por Rubens Moreira, como ele mesmo diz, beneficiando os pequenos, médios e grandes produtores de leite da região do sul do estado. “O comprometimento é quanto ao manejo e qualidade do leite, sanidade do rebanho e o aproveitamento do solo”.

120 O projeto foi implementado em 2010, disponibilizando um técnico, a cada grupo de 20 cooperados, para identificar as necessidades de cada produtor e implantar mudanças necessárias, como alteração no manejo e divisão de pastagens, por exemplo. O programa conta com o apoio e consultoria de uma equipe da Cooperativa de Trabalho em Tecnologia, Educação e Gestão (Coopetec), composta por mais de 30 profissionais entre engenheiros agrônomos, médicos veterinários e zootecnistas, segundo informações da própria cooperativa.


04 Especial - Economia Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Retomada da política de boa vizinhança Rubens adiantou que vai restabelecer uma relação direta com as comunidades adjacentes e retomar a boa vizinhança entre os moradores e a cooperativa, que passou por momentos turbulentos nos últimos anos. A relação azedou em 2011, quando a avenida Aristides Campos - onde fica a sede da Selita -, foi fechada pelos moradores com pneus. O protesto foi por conta do vazamento do soro do leite pelas ruas, mau cheiro, barulho dos equipamentos e fuligem. A empresa construiu uma nova Estação de Tratamento

de Efluentes (ETE), investindo mais de R$ 7 milhões, a partir de assinatura de Termo de

Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público. “Quero reafirmar o nosso

compromisso com os bairros Alto Eucalipto, Campo Leopoldina e Basiléia”, disse Moreira.

Recuperação do nome Selita

Na avaliação de Rubens, que já presidiu a cooperativa, a Selita está perdendo mercado e força no recall (reconhecimento da marca na memória dos consumidores). Ele pretende reaproximar a Selita do consumidor. “Há anos a Selita não

ganha prêmios de qualidade. Temos que celebrar a parceria que sempre tivemos com os nossos consumidores”. Para isso, ele planeja reativar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e promover a interatividade.

Novo presidente quer retorno de dissidentes

O atual presidente da Selita disse que produtores importantes se desligaram da cooperativa por insatisfação. As razões não foram pontuadas por Rubens

Moreira. “A baixa é considerável, pelo volume de produção que esses ex-associados representam. Foram uns sete de Alegre e três de Presidente Kennedy”.


05 Especial - Economia Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Preço do leite é avaliado como especial Rubens avalia que, em 2013, o preço do leite pago aos associados foi especial. No entanto, o aumento no valor está vinculado à parceria com outras cooperativas do setor, segundo o novo presidente da Selita. “Esta parceria, que daremos continuidade, jogou o preço pra cima. Vamos nos dedicar ao aumento da produção”. A média anual do preço do leite pago aos associados é de R$ 1,069. Conforme dados da cooperativa, houve crescimento de 15,31% em relação a 2012 e repasse de 53% aos cooperados do preço de venda do leite Longa Vida.

Produtores avaliam pontos negativos e positivos da Selita A reportagem conversou com dois produtores para que eles abordassem as vantagens de ser sócio da Selita e também apontarem os pontos em que a cooperativa precisa evoluir. Mário Melo é produtor em Itapemirim. Seu avô Ormindo de Freitas foi um dos fundadores da Selita, já pouco mais de sete décadas. Mário se tornou sócio em 1985 e já participou ativamente da vida administrativa da cooperativa. “Existem inúmeras vantagens em ser associado: recebimento do produto vendido; ter um bom pagador; facilidade nos empréstimos, sem juros, em alguns casos, e assistência técnica”, pontuou. Por outro lado, Mário está certo de que a Selita, que já é de grande porte, necessita de economista e administrador de carreira. Cláudio Manede de Moraes trabalha junto com o pai Ailton Larrieu de Moraes, que está na Selita desde

Mário e Claudio têm raízes como cooperados da Selita 1976. “A divisão de renda acontece na Selita: ela agrega a matéria-prima e,

no conjunto, repassa parte desta renda aos produtores. Vejo que é preciso evoluir no

aumento da comercialização para ter valor agregado a níveis estadual e nacional”.


06 Especial - Economia Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

“Cooperado tem que se sentir dono” O crescimento de uma empresa costuma distanciá -la de seus colaboradores. Essa é uma avaliação do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Esthério Sebastião Colnago. No campo do cooperativismo, ele acredita que o maior desafio da nova gestão da Selita é fazer a reaproximação com o produtor. “Tem que fazer o cooperado

participar mais e se sentir dono da cooperativa. Ir às propriedades rurais, conhecer as necessidades e discutir soluções. E também trazer o produtor até a cooperativa”, acredita. Esthério confia que o novo presidente Rubens Moreira conseguirá executar este papel, com base na experiência adquirida no último mandato e também pelo trabalho que realiza frente à Siccob sul.

“Se a Selita vai bem, o governo vai bem”

O presidente do Incaper, Evair de Melo, representando o governador Renato Casagrande (PSB) no evento de posse de Rubens Moreira, ressaltou o impacto regional da atuação da cooperativa. “A Selita tem um papel social importante na região, já que lida diretamente com

os produtores rurais. Se a Selita vai bem, o governo vai bem, assim como toda a região”, avalia. Evair registrou que o governo do Estado está à disposição para contribuir com a cooperativa, assim como o corpo técnico do Incaper.

Quatrocentos mil litros de leite por dia A Selita conta com mais de dois mil cooperados, cerca de 500 funcionários e beneficia média de 400 mil litros de leite por dia, coletados em 32 municípios capixabas e em cidades fluminenses e mineiras. São mais de 100 produtos à disposição do consumidor. Na usina, que leva o nome de Afonso Costalonga, são fabricados queijos, requeijão, manteiga, doce de leite e iogurte. Neste local, que na verdade é um complexo industrial com maquinários modernos, também são embalados o Leite C.

Anexa à Usina Afonso Costalonga há a fábrica de secagem de soro e leite em pó, com capacidade para beneficiar 200 mil litros por dia, produzindo até 22 toneladas de leite em pó, diariamente. Toda a linha de leite Longa Vida é produzida na indústria Rubens Moreira: Pura Vida e Energia Natural, Selitinho de 200 ml, creme de leite, vitaminas e achocolatados. O espaço é de quatro mil metros quadrados, com equipamentos de última geração, considerada uma das mais modernas do Brasil.


07 Saúde

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Cachoeiro e Castelo já têm quatro médicos cubanos trabalhando Outros 12 devem chegar nas unidades cachoeirenses ainda este mês

por Leandro Moreira

O

programa Mais Médicos do governo federal já contempla Cachoeiro de Itapemirim, que está inscrito desde o início do projeto. De acordo com a prefeitura, dois profissionais cubanos começaram a atuar recentemente em unidades de saúde do município. Os dois médicos desempenham suas funções nos postos dos bairros Otton Marins e Jardim Itapemirim. Ainda conforme a prefeitura, a previsão é de que outros 12 cheguem ao município ainda neste mês. Eles estão participando de formação em Guarapari. Castelo Há duas semanas em Castelo, os médicos estrangeiros cooperados do Programa “Mais Médicos”

do Governo Federal, iniciaram os trabalhos. Também são dois profissionais que chegam para integrar as equipes de Atenção Primária e que representam cerca de 500 consultas por mês a mais para a população. Ambos vieram de Cuba, e já acumulam uma vasta experiência em seus currículos. Ester Keila Garcia Sarmiento, que está trabalhando durante todo o dia no CIAM (Centro Integrado de Atendimento à Mulher), é formada há 25 anos, especialista em Urgência e Emergência e passou por experiências em outros países, como Venezuela. José Miguel Garcia, também especialista em Urgência e Emergência, atua há 20 anos na área, já trabalhou na África e Venezuela, e a prin-

cípio, atenderá em dois horários diferenciados, pela manhã em

Foto: Divulgação PMC

“Clínica Médica” e à tarde no Programa “Saúde da Criança”.


08 Opinião

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

artigo Evandro Coelho de Lima

C

Chegou mulher nua

omo se diz, é plantando que se colhe. Desse modo, posso confessar que a minha fixação pela crônica com certeza não está relacionado ao fato de ter nascido e me criado bem próximo ao “pé de fruta-pão”, junto ao terreiro dos Braga. E isso vem desde a juventude, quando me apaixonei pelas crônicas, e não só as de Rubem Braga. Recordo-me de uma coleção denominada “Para gostar de ler” e de textos também, de Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e de Fernando Sabino, muito embora deste tenha deixado de gostar desde que se meteu a enaltecer antigos poderosos da República. E, quanto mais leio esses textos, mais deles me aproximo. Agora, lendo o livro “1964, o verão do golpe”, do jornalista Roberto Sander, me deparo com a reprodução de uma crônica fantástica, do capixaba José Carlos de Oliveira do qual, confesso, pouco conheço a obra. Na crônica, Carlinhos de Oliveira descrevia a visita de Brigitte Bardot ao Rio de Janeiro. Isto, no auge de seu sucesso, mesmo alguns anos após as filmagens do famoso filme “E Deus Criou a Mulher”. Dizem que o filme causou furor e, com certeza, a beleza da atriz deve ter contribuído para isso. Aliás, no quesito “mulher boa”, o tal de Vadin, diretor do filme, era especialista, tendo em vista as beldades com que foi casado... No texto em questão, Oliveira descreve, de maneira imaginária, é claro, o furor da passagem de Bardot pelo Rio, nas vésperas do golpe militar de 1964. Destaca a presença de um boêmio, personagem que desperta a atenção de todos para a musa gritando “chegou mulher nua”; de um general tricolor e sua bicicleta; de dois negros vascaínos; de ministros do Governo Federal, que se esquecem das chamadas “reformas de base” da época. Enfim, destaca também a participação do lendário Carlos Lacerda em uma espécie de cortejo que persegue a atriz pela Avenida Brasil, naquilo que seria uma “carreata” nos dias de hoje para o gáudio dos políticos. E tudo porque a estrela, apesar da maciça presença de jornalistas a esperando no Aeroporto, ignorou a todos, solenemente. Como todo pop star. A ironia de Carlinhos de Oliveira, a maneira singela como ele brinca com as palavras e os personagens me convencem de que jamais poderei ser chamado de cronista. Não há como esquecer os momentos efervescentes que o país vivia naqueles dias, que antecederam a transferência do poder civil para o militar. Como se sabe, vivia-se a dúvida entre a opção de se escolher os mandatários, ou se permitir a imposição de um governante. Dias depois, se escrever com tal leveza passou a ser quase impossível. Se a Democracia não é perfeita, a ausência dela é bem pior. O autor é Juiz de Direito em Cachoeiro de Itapemirim

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

artigo Thalyson Inácio de Araújo Rocha

ITR e a Reserva Legal: necessidade de averbação e inscrição

À

s áreas de reserva legal e as áreas de preservação permanente constituem importante espaço de proteção ambiental. As áreas de reserva legal são estabelecidas pelo código florestal, e aplicam-se a todas as propriedade rurais, que, em tese, podem ser fixadas em qualquer local do imóvel, desde que respeitem as porcentagens legais. Já as áreas de preservação permanente, podem ocorrer em áreas urbanas ou rurais, visto que podem ser localizadas mediante referências topográficas ou a olho nu, sendo preciso que nestas áreas estejam presentes os requisitos dispostos na lei para que elas possam ser declaradas como de função permanente, ou seja, que realmente cumpram função ambiental. Apesar de serem espaços territoriais especialmente protegidos, podemos destacar que em relação a reserva legal há a isenção tributária do ITR – Imposto Territorial Rural, o que não ocorre em relação a área de preservação permanente. No entanto, para haver a isenção tributária, é necessário que a área de reserva legal esteja averbada junto à matrícula do imóvel. Neste sentido, o STJ entende: “diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, as quais são instituídas por disposição legal, a caracterização da área de reserva legal exige seu prévio registro junto ao Poder Público. Dessa forma, quanto à área de reserva legal, é imprescindível que haja averbação junto à matrícula do imóvel, para haver isenção tributária. Quanto às áreas de preservação permanente, no entanto, como são instituídas por disposição legal, não há nenhum condicionamento para que ocorra a isenção do ITR”. Importante destacar que com a implantação do CAR – Cadastro Ambiental Rural, que desobriga o proprietário ou possuidor rural de realizar a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, é necessário que o imóvel esteja inscrito no cadastro para haver a isenção tributária. No entanto, é preciso verificar se o CAR já foi implantado na região, visto que, se já foi implantado, necessário o cadastro para haver a isenção. Se ainda não foi implantado, necessária a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel. O autor é Advogado no Mansur e Associados – Sociedade de Advogados e Consultor Jurídico Ambiental


09 Opinião

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

artigo

J

Sidney Schwan

Regularização Fundiária – Reflexões sobre o Estudo do MPF RS II

á abordamos o início da cartilha do MPF-RS no outro texto (site para consulta: http://www.mprs.mp.br/areas/ ressanear/arquivos/cartilha_regularizacao_fundiaria.pdf), onde falamos de direitos e obrigações de forma bem superficial, até mesmo pelo espaço disponível.

deslizamentos ou enchentes. Ao simplificarmos o que muitos julgam complexo, resta a questão financeira: onde conseguir recursos para realocar ruas e até bairros inteiros? Há programas do Governo Federal, há fontes de recursos do município que podem ser destinadas ao setor, há desperdícios que podem ser eliminados na administração pública. Passa-se então de uma questão aparentemente financeira para uma situação administrativa. Uma coisa é falar que não há recursos, outra

interromper a obra, vai encontrar algo já pronto? Vamos fazer o teste da calçada e olhar para o alto, contando quantas saídas de água de chuva estão sobre as nossas cabeças. Ou olhando para baixo, procurando as irregularidades nas calçadas, os desníveis e, principalmente, o desrespeito a que tem a mobilidade dificultada, seja por qual motivo for.

O que deve ficar registrado é a importância de não se enxergar o problema como uma coisa do passado, um mal que foi feito Para esse presente, como fazer a uma cidade e que basta uma a burocracia funcionar? Qual o solução, mesmo que cara, para combustível que move o serconsertar tudo. O processo de vidor público que, ao assumir qualquer cidade é dinâmico, a tarefa de fiscal, aceitou uma como se fosse uma entidade “Para esse presente, como nobre tarefa de zelar pelo que com vida própria, o que exige fazer a burocracia funcioé comum sem se manchar a regularização do mal feito, nar? Qual o combustível pelo que é privado? a fiscalização do que é feito e que move o servidor públio planejamento do que será co que, ao assumir a tareA cartilha do endereço realizado. Sem esse olhar fa de fiscal, aceitou uma acima faz abordagens muito acompanhado de um braço nobre tarefa de zelar pelo adequadas, sendo leitura reforte, nada surtirá efeito, comendada aos interessados serão somente discursos, poque é comum sem se manlíticos ou não. no assunto, especialmente char pelo que é privado?” aos interessados por força de A ocupação do solo de Lei. forma racional deve levar em conta o que se quer para a é explicar que algo não será feito Um exemplo? Cita a legiscidade, ao mesmo tempo em que pois outra coisa, nem sempre mais lação que diz: “a definição de oscila entre a remoção de quem importante, precisa ser realizada, área subutilizada, não utilizada vive em área de risco e a agenda e os recursos permitem somente ou não parcelada compete à Lei Municipal”. Por quê? Simples... Habitat, da ONU, assinada pelo uma das duas coisas. todos os parâmetros envolvidos da Brasil, que prevê a segurança Essa visão, dentre várias possí- subutilização e da forma de parda posse presente, ou seja, o direito da permanência das pes- veis, pode dar conta do passado, celamento dependem da realidade soas onde elas vivem de forma do mal feito. E do presente? Qual local, da nossa realidade. Nossos regular. Esse aparente conflito o efetivo poder da fiscalização de parâmetros = nossas Leis. Isso cria pode ser facilmente decidido interromper erros grosseiros na esperanças, não? se olharmos o bem maior como ocupação do solo? Há poder de meta, neste caso, a retirada das polícia, de intervenção imediata Sidney Schwan é bancário pessoas de áreas onde estão sobre a obra em curso ou a bu- (Caixa Econômica Federal de expostas ao risco de morte por rocracia que, quando finalmente Cachoeiro de Itapemirim)


10 Cidades

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Comissão formada por 25 entidades Vai escolher Cachoeirense Ausente por Jakin Soares

A

eleição para Cachoeirense Ausente, este ano, voltará a ser decidida através de voto da Comissão Municipal, formada por 25 entidades. O projeto, vindo do executivo, propunha 21 nomes para constituir tal comissão, porém, os vereadores incluíram quatro novos órgãos à lista, e aprovaram o projeto por unanimidade na sessão ordinária da última terça-feira. Nas últimas edições desta eleição, o Cachoeirense Ausente vinha sendo escolhido através de voto popular, ou seja, qualquer pessoa poderia votar. “Nas últimas eleições, ônibus e mais ônibus carregados de pessoas chegavam até os locais de votação. Muitas das vezes, as pessoas não sa-

biam nem em quem estavam votando, tampouco a representatividade de cada candidato para a cidade. Estamos devolvendo aos órgãos formadores de opinião a responsabilidade deste plebiscito”, disse o vereador David Lóss (PDT). Para Paula Garruth, excoordenadora do processo eleitoral nas últimas eleições para Cachoeirense Ausente, o retorno da metodologia devolve o glamour da festa. “A Comissão formada é de grande representatividade. A eleição será feita sem exposição para os candidatos, da melhor maneira possível, evitando, ainda, o descrédito para o candidato que perde a eleição. São pessoas preparadas, conhecedoras da história de Cachoeiro, que vão ajudar a devolver à festa toda sua grandeza”, explicou.

Foto: Divulgação CMCI

A nova metodologia vai acabar com o desgaste que era a disputa através de eleição direta

“Estamos devolvendo aos órgãos formadores de opinião a responsabilidade deste plebiscito”

Cachoeirense ausente de outrora Aprova a nova metodologia Para o dr. Paulo Medeiros, Cachoeirense ausente eleito em 1995, o novo formato é válido. Ele, que foi eleito em época de voto popular, acredita que o novo método condiz melhor com a intenção de Newton Braga. “O Voto popular, nas últimas eleições, deu ao título de Cachoeirense Ausente um status de corrida eleitoral. Esta nunca foi a intenção desta homenagem. Acredito que o retorno deste formato só vem a abrilhantar ainda mais a concessão do título, afinal, entidades formadoras de opinião estão aptas a tal escolha”, afirmou.

Foto: Arquivo Pessoal / Facebook

Paulo (c), durante a festa da rua Ana Machado, em Cachoeiro

A Comissão Terão direito a voto os seguintes órgãos: Poder Legislativo Municipal; Poder Executivo Municipal; CREA; Lions Clubes sediados em Cachoeiro de Itapemirim; Rotarys Clubes sediados em Cachoeiro de Itapemirim; Lojas Maçônicas sediados em Cachoeiro de Itapemirim; Cine Clube Jece Valadão; ACL – Academia Cachoeirense de Letras; FAMMOPOCI; Imprensa escrita; Emissoras de Rádio; Emissoras de Televisão; Clubes sociais da cidade em atividade; OAB/ES – Ordem dos Advogados Brasileiros (Subseção de Cachoeiro de Itapemirim); com acréscimo de representantes da Igreja Católica, da Igreja Protestante, e da Uninegro.


11 Geral

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Padre José de Anchieta foi canonizado pelo papa Francisco e agora é santo O papa Francisco assinou nesta quinta-feira (3) o decreto de canonização do beato José de Anchieta, um dos jesuítas fundadores da cidade de São Paulo. O “apóstolo do Brasil” é considerado pela Igreja um exemplo de evangelização, foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980 e tornou-se santo mesmo sem ter milagres comprovados. O processo de canonização foi aberto há mais de 400 anos e, segundo o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, sua demora está ligada a uma “campanha de difamação”, feita contra a ordem dos jesuítas. No dia 4 de maio, durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB, será celebrada missa

Foto: Internet

O ato de canonização do religioso que viveu no Espírito Santo foi realizado nesta quinta-feira em Ação de Graças pela canonização do beato no Santuário Nacional de Aparecida, na cidade de Aparecida (SP). José de Anchieta nasceu em 1534, na Espanha. Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou aquela que seria a cidade de São Paulo. No local, foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou. Mas a sua vida religiosa teve grande importância em solo capixaba, cuja cidade onde viveu leva seu nome.

POUPANÇA BANESTES Poupar é o melhor jeito de conquistar. Na poupança Banestes, o seu dinheiro fica protegido e rende todo mês. Economize e realize os seus sonhos e o da sua família. Visite nossas agências e poupe no banco que você confia.

www.banestes.com.br

Ouvidoria Geral 0800 727 0030

@banestes_sa

/banestes


12 Política

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

A DECISÃO DA MATURIDADE POLÍTICA Ricardo Ferraço decide apoiar a reeleição de Renato Casagrande. A opção, mais do que jogar água fria nos planos do ex-governador Paulo Hartung, mostra o amadurecimento político do senador e o fortalecimento do discurso de manutenção da unidade partidária que tem feito bem ao Espírito por Ilauro Oliveira

A

vingança é um prato que se come frio. Mas certamente não foi só este sentimento que pesou nesta semana quando o senador Ricardo Ferraço (PMDB) decidiu-se por apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). Em peso certamente estão circunstâncias maiores que além de direcioná-lo ao rumo tomado, mostram o seu ama-

durecimento político. Ricardo Ferraço não é somente mais o filho do ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim Theodorico Ferraço (DEM), que em 1982, aos 19 anos, ganhou do pai um mandato de vereador. Deputado estadual e federal, secretário estadual duas vezes, vice-governador e agora

senador eleito com mais de 1,5 milhão de votos, a maior votação da história do Espírito Santo, fazem dele um homem público experiente e profundo conhecedor da política

PMDB sem clima de candidatura própria

tica no Espírito Santo. Este cenário pode dificultar governos municipais, que atolados em crise econômica severa, ainda teriam que reservar tempo para brigar por votos em seus redutos; e de maneira mais contundente afetaria as alianças para as coligações partidárias. A preservação de uma unidade em torno do PMDB/

Circulando dentro do ninho peemedebista, Ricardo tem constatado que não há clima para lançar um nome ao Governo do Estado neste momento. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e principalmente seis dos sete deputados estaduais do PMDB temem por um quadro de ruptura polí-

PT/ PSB é garantia de boas chances de manutenção das vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

Desafios do ES em Brasília e unidade política

Os reflexos de uma ruptura política entre PMDB e PSB no Espírito Santo podem causar grandes danos às lutas que os capixabas têm travado em Brasília. O senador sabe disso e por isso trabalha pela unidade partidária que tem feito a diferença. A perda do Fundap foi

capixaba. Erra feio quem acha que apenas sentimentos vingativos pesaram na decisão de apoiar a provável candidatura de reeleição do governador. Ao topar o desafio de tentar barrar uma candidatura própria do PMDB, tendo de confrontar diretamente com o poderoso ex-governador Paulo Hartung, é porque Ricardo sabe bem o tamanho e a importância que tem no cenário local. É uma liderança. E ao reconhecer-se assim transpassa a mesquinhez de simplesmente devolver com a mesma moeda o episódio de traição interna que sofrera em 2010, quando sonhou em disputar o governo.

inevitável, mas a luta pela manutenção dos royalties do petróleo tem posto a bancada federal, partidos e lideranças empresariais e políticas unidas. Dividir todos, e principalmente Casagrande e Hartung em uma disputa eleitoral, é apostar no aprofundamento de uma crise que só prejudica o Estado.

Cidades em reconstrução póschuvas prejudicam campanha Andando pelo estado em eventos promovidos pelo seu mandato, o senador certamente ainda está se deparando com cidades prejudicadas pelas chuvas. A tragédia das águas do ano passado impôs à população capixaba um

cenário de dor e de superação. Naturalmente que em municípios do norte do estado, principalmente, não há clima eleitoral que se sustente diante disso. Seria temeroso bater às casas e pedir votos nesse momento.


13 Política

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

fotos: Internet

Maturidade da decisão favorece cenário para Ricardo em2018 Não há duvida que ao abdicar de apoiar uma candidatura própria do seu partido para alimentar a unidade política, Ricardo dá demonstração clara de maturidade ao Espírito Santo, o que, em tese, o fortalece para a sucessão de 2018. Ainda está longe, mas se sua manifestação de apoio à provável reeleição de

Casagrande tiver o peso decisivo nas urnas, ele se cacifa no cenário estadual, tanto junto aos partidos quanto dentro do próprio governo, para ser o sucessor do governador reeleito. E este quadro o colocaria num reencontro com uma parte interrompida de sua carreira política: a de governar o Espírito Santo.

Palanque ideal e gesto de grandeza Ainda não caiu a ficha junto aos partidos e lideranças políticas do estado diante da decisão do senador. Mas o cenário dos sonhos que certamente todos querem é o apaziguamento político dos interesses de Casagrande e de Hartung. Concretamente

isso se daria da seguinte forma: a manutenção da unidade com uma chapa de reeleição onde o candidato a senador seja o ex-governador. O primeiro gesto de grandeza neste sentido já foi dado por Ricardo, restam agora as outras peças.

Casagrande/Ricardo versus Hartung: uma eleição muito sangrenta

A decisão de Ricardo, apesar de jogar água fria nas pretensões do PMDB e do exgovernador, não é garantia de que não haverá disputa entre Casagrande e Hartung. Mas dá garantia de que, se a eleição que já poderia ser

sangrenta em um cenário inicial, agora pode se tornar muito mais, posto o apoio de alguém que teve mais de 1,5 milhão de votos a um governador que também está muito bem avaliado pela população capixaba.

Decisão enfraquece paulo Hartung

Se a vida do ex-governador para colocar sua pretensa candidatura já não era fácil, agora torna-se mais dificil. Ao colocar-se como protagonista do cenário eleitoral, trazendo para si todos os olhos dos bastidores político, Ricardo enfraquece Hartung, dentro e fora do PMDB, expondo a divisão de interesses e a falta de rumo dos peemdebistas. Um verdadeiro xeque- mate digno de quem parece ter aprendido muito com as fogueiras amigas que tem enfrentado. Discursar contra a unidade é desmentir-se Caso ainda encontre um

cenário interno e externo para se lançar ao Governo do Estado, Hartung terá de desmistificar a tão propagada unidade política que ele mesmo construiu para destruir barreiras oponentes e colocar-se absoluto durante oito anos que governou o estado. Ricardo já disse que apoia a reeleição por achar importante a unidade em torno de um projeto de governo. Porque então o mesmo não valeria para o ex-governador? Ou o discurso só é bom se for para o benefício dele? Pelo sim, ou pelo não, o risco neste momento é um só: o de desmentir-se.


14 Política

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

Foto: Leandro Moreira

www.hojees.com

PMDB relembra o fim da democracia no Brasil Evento contou com a presença de centenas de pessoas na Câmara Municipal por Leandro Moreira

C

om quase 300 pessoas na Câmara Municipal, o PMDB de Cachoeiro de Itapemirim promoveu encontro em alusão ao 50 anos do Golpe Militar. O evento ocorreu no dia 31 de março e contou com a presença de populares e diversas autoridades, entre elas o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), os estaduais Luzia Toleto (PMDB), Paulo Roberto e Rodrigo Coelho - ambos do PT -, e também o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). O ex-prefeito de Cachoeiro, Roberto Valadão, anfitrião do evento junto com a presidente do diretório local Elisete de Paulo Pires, contou

a história de seu irmão Arildo Valadão, assassinado pela ditadura militar. Em 1970, Arildo participava de passeata realizada por estudantes na avenida Rio Branco, na cidade do Rio de Janeiro; a partir dali, ele e sua esposa Áurea Eliza nunca mais foram vistos. Apesar de inúmeras tentativas de desvendar o paradeiro, através dos mandatos de deputado estadual e federal, somente foi obtida uma triste informação. “Soubemos que eles foram assassinados no Vale do Araguaia e que cabeças e mãos foram levadas a Brasília. Minha mãe não suportou e faleceu com a notícia da morte do filho caçula”, contou Valadão. “Com

todo o poder do exército para prender uma pessoa, por que assassinar?”. O deputado federal Lelo Coimbra disse que na época da ditadura exercia a função de médico em São Paulo e ressaltou que a repressão só serviu para fortalecer a resistência. Casteglione reafirmou que a história ensina que o momento é de fortalecer a democracia. Hartung, liderança do movimento estudantil no estado, lembrou de sua prisão em Belo Horizonte (MG), onde participaria de evento contra a ditadura. Por sorte, segundo ele, ele e outros jovens foram soltos no dia seguinte. “Rosalynn Carter, esposa do ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, visi-

tava o Brasil, defendendo a bandeira dos direitos humanos. Daí, os militares se viram obrigados a libertar os estudantes”, contou. Com as manifestações que tomaram as ruas em 2013, Hartung analisou que o recado foi “para Deus e todo o mundo”. Por isso, ele enxerga que o país deve reconstruir e atualizar a democracia. “As pessoas não se sentem representadas pelo modelo político atual. Vota-se no Zé e elege o Pedro, que nada tem a ver com as suas ideias. Temos uma lei eleitoral que não faz sentido. Se os jovens não ingressam na política, devemos ver onde estão os erros dentro das agremiações políticas”.


15 Política

Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Documentos do Arquivo Público trazem a história da ditadura civil-militar no Espírito Santo No Espírito Santo, os arquivosda polícia política mostram as ações recorrentes de vigilância e repressão aos movimentos contráriosà ditadura. Uma parte significativa da história do período encontra-se no acervo do Arquivo Públicodo Estado do Espírito Santo (APEES), no qual constam 80 caixas de documentos da Delegacia deOrdem Política e Social (DOPS/ES) e aproximadamente 20 mil fichas de identificação, cominformações sobre indivíduos e instituições. Desde 2008 – inserido no projeto “MemóriasReveladas”, do Arquivo Nacional – os materiais estão sendo higienizados, organizados esistematizados em base de dados online. A função da Delegacia, criada no Governo de Getúlio Vargas, na década de 1930, era vigiar econter atitudes de contestação ao poder. O conjunto documental da DOPS/ ES é amplo, compostopor atestados de conduta ideológica, inquéritos policiais, dossiês, fotografias, jornais, panfletos ecartazes. Segundo o historiador e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Pedro Ernesto Fagundes, no livro “Memórias Silenciadas: catálogo seletivo dos panfletos, cartazes epublicações confiscadas pela Delegacia de Ordem Política e Social do Estado do Espírito Santo”,realizado em parceria com o APEES, tratam-se de documentos que suscitam uma série de desafios,sobretudo pela origem traumática das fontes. “Tais acervos são formados por séries documentais que possibilitam o contato com

as versões antagônicas da repressão política. Uma é a ação dos agentes do Estado em seus atos de repressão contra os chamados ‘elementos subversivos’. Por outro lado, a documentação confiscada permite conhecer as formas de atuação dos grupos que, das mais variadas maneiras e em determinado contexto, acabaram sendo enquadrados na categoria de suspeitos de crime político”, destaca. A análise dos documentos da DOPS mostra que as apreensões eram estratégias cotidianas de controle social. No acervo são inúmeros os cartazes e panfletos que tinham a função de convocar para reuniões ou passeatas e se tornavam “provas de crimes políticos”. Assim, segundo

Fotos: Divulgação

Fagundes, o primeiro ato era o confisco dos impressos. Entre as etapas posteriores estavam: “solicitação da operação de vigilância, observação do evento, elaboração de relatórios por agentes, abertura de ficha dos suspeitos e envio de todo o material para dossiê específico. O destino dessa ‘linha de produção de informações’ era os arquivos do órgão de segurança” destaca. Com isso, ter impressos apreendidos, principalmente com a presença de carimbos com as palavras “confidencial” ou “reservado”, ou ainda ser

O historiador Pedro Ernesto (E), esteve recentemente em Cachoeiro para uma palestra sobre os arquivos sigilosos da ditadura

citado em relatórios com o timbre das entidades de repressão, significava receber a alcunha de subversivo. A rotulação como “perigoso” passava a justificar atos de censura e violência. Arquivo Público A documentação da ditadura civil-militar no Espírito Santo é de acesso irrestrito e pode ser consultada na sede do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, localizada à Rua Sete de Setembro, Edifício Getúlio Rezende, nº 414, no Centro de Vitória.


16 Arte & Cultura Sexta-Feira 04 de abril de 2014

Hoje • Tá em tudo

www.hojees.com

Aberto Curso Básico de áudio em Cachoeiro Intenção é preparar profissionais para atender a demanda do mercado

por Jakin Soares

P

ra você que está ligado nas novas tendências de mercado e antenado às oportunidades, a Sonora A. S. (Sonora Acoustic Solutions) está oferecendo um curso de áudio aos clientes, na intenção de prestar toda assessoria a projetos e instalação no que se refere à equipamentos de áudio e vídeo. Desde Igrejas, hospitais, comércios, residências (hometheater) até qualquer tipo de sonorização ambiente ou profissional, a Empresa se dispõe a atender priorizando a qualidade nos serviços e nos equipamentos, assim como a satisfação dos clientes. Com o ramo de promoção de eventos em alta, quem concluir o curso poderá estar trabalhando juntamente as bandas, casas de shows, empresas privadas ou instituições. Um mesário de som (para banda), em média no mercado local, pode faturar até R$ 200,00 por dia de trabalho. “As pessoas que mexem no

som apenas pela prática, decoram o que cada botão da mesa faz, de modo muito simplificado. O som é uma das matérias mais difíceis da física, porque num ambiente (paredes, pessoas, outros equipamentos, outros tipos de ondas...) tudo interfere no resultado final. Énecessário um longo estudo. Este curso vem dar aos alunos todo o conhecimento básico que vai desde a concepção de uma onda sonora, passando por todos os caminhos, até chegar aos nossos ouvidos. Além de estar apto a mixar, sonorizar e resolver os principais problemas, o aluno terá, ao final do curso, uma visão geral de como funciona o som, em todos os seus aspectos”, afirma um dos sócios proprietários da empresa, Geovanne Bonato. “A instalação de um bom equipamento de som é apenas uma parte de todo um projeto de áudio. Quem lida com música nas Igrejas, não apenas para mixar ou tocar e cantar, mas para entender como reconhecer os problemas em cada situa-

O curso básico de áudio oferece capacitação nos seguintes quesitos: - O que é o som, seus conceitos e suas medidas; - A interação do som com o ambiente - como ele se propaga; - Microfones: tipos de microfone, resposta de freqüência, sensibilidade, posicionamento, microfonias, etc; - Instrumentos e captadores, pré-amplificadores e ganho necessário para um bom resultado na mixagem; - Mixagem completa - conhecendo todos os parâmetros de um console analógico; - Periféricos: Equalizadores, compressores, gates e outros processadores; - Cabos: importância, tipos de plugs e conexões - como fazer ou reparar; - Amplificadores: potência, impedância, fator de amortecimento, etc; - Caixas acústicas - tipos de caixas, tipos de ligação, posicionamento, sensibilidade, alto-falantes, drivers, etc; - E muitas outras matérias relativas ao som.

Fotos: Divulgação

ção, em cada comunidade, ou mesmo em outros ambientes, é necessário ter esta visão geral e nítida do som. Além disso, para uma comunidade ou um determinado setor contratar um curso deste tipo sairia muito caro; assim, sendo planejamos este curso para que cada Igreja, comunidade ou outro setor possa mandar apenas uma pessoa, ou mais se quiser”, explica Glauco, sócio proprietário da empresa. Tradição Há dois anos a empresa nasceu da união de dois profissionais da área, com grande conhecimento e experiência: Geovanni Donato e Glauco

Preato. E vem se destacando no mercado na prestação de seus serviços. Devido à escasses de profissionais capacitados no mercado, e também devido à procura para capacitação, principalmente por pessoas das Igrejas, a Sonora A. S. resolveu abrir uma escola de áudio, com foco em sonorização, para ambientes fechados ou abertos. Quem quiser mais informações quanto a duração do curso ou valores das mensalidades, pode procurar a empresa através dos contatos: Sonora Acoustic Solutions, fones: 28 9 99850783 / 9 9902-1398, email: contato@sonoraas.com.br


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.