Edição 191

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Jornal Hoje Notícias • Edição 191 • Sexta-feira, 18 de abril de 2014

R$ 2,00

foto: divulgação PMC

Médicos cubanos já estão entre nós

Atuando em Cachoeiro e Castelo, esses profissionais da saúde mostram-se plenamente adaptados à rotina dos hospitais brasileiros. E o melhor: agradando aos pacientes » Páginas 02, 03, 04 e 05

foto: Divulgação

Projeto de Lei pede que cartórios divulguem seus lucros

A iniciativa é do deputado federal Camilo Cola. A matéria já está em tramitação

EDITORIAL

Após 191 edições, chegamos a um novo momento e que compartilhamos com você, caro leitor: a sua edição, antes semanal, passa a se tornar diária, a partir desta quarta-feira (23). Para nós, compromissados com a boa informação, pouca coisa muda, exceto o aumento na carga de trabalho e conseqüentemente na responsabilidade das matérias veiculadas. Mas para você, essa mudança será significativa. Abre-se, nesse novo momento, um campo maior de informações que certamente fará a diferença no seu dia a dia. É mais notícia, é mais conhecimento, é mais clareza sobre os fatos marcantes da nossa região. Queremos estar mais perto das comunidades, aproximando ainda mais as necessidades da população às instituições responsáveis por solucioná-las.

» Páginas 06 e 07

A decisão de ampliar os horizontes deste jornal surgiu após profundo amadurecimento de toda equipe diante das perspectivas de mercado. Cachoeiro e região têm potencial para abrigar novas fontes diárias de informação. E a solidez da logística somada aos investimentos feitos até aqui exigem a expansão. Que Deus nos abençoe!


02 Especial - Saúde Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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Médicos cubanos com “Moral” em Cachoeiro

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atisfação, trabalho em equipe, e um atendimento diferenciado – sem qualquer complicação por conta do idioma. E Mais: uma atenção especial com os pacientes. É esta a metodologia de trabalho utilizada pela médica cubana, Marileidys Navarro Gil, na unidade de Saúde do Bairro Jardim Itapemirim, em Cachoeiro. Há cerca de dez dias atuando como médica no posto citado, Marileidys afirma que não tem encontrado dificuldades para efetuar seu trabalho. “Tenho o apoio de toda a equipe, e sempre tenho en-

fermeiros atendendo comigo na sala. Isso ajuda em caso de alguma dificuldade de entendimento. Sem contar que usamos a mesma metodologia preventiva que usava em meu país... até então, não tenho encontrado qualquer dificuldade. O povo também é muito receptivo, tantos os pacientes, quanto os colegas de trabalho”, conta sorridente e com sotaque portunhol. Maria de Lourdes, 56 anos, confirma a versão da médica. “Ela está sempre sorrindo, muito simpática a atenciosa. Sem contar que também é uma excelente profissional. Eu estou satisfeita com o atendimento”, contou a dona de casa.

MAIS MÉDICOS

Além do posto no bairro jardim Itapemirim, também há um médico cubano atendendo no posto do bairro Ottom Marins

Cachoeiro recebeu, até o momento, um médico e uma médica do Programa Mais Médicos. Eles começaram a atuar no município no fim de março. Ele, na unidade de saúde do bairro Otton Marins, e ela (Marileidys) na do bairro Jardim

Itapemirim. Todos os profissionais do programa atendem 32 horas por semana e têm 8 horas semanais para estudos. Os de Cachoeiro, participam de especialização ministrada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Divisão dos médicos Aeroporto: 1 Agostinho Simonato: 1 Amaral: 2 BNH de cima: 1 Coutinho: 1 Gilson Carone: 1

Jardim Itapemirim: 1 Nossa Senhora Aparecida: 1 Nossa Senhora da Penha: 1 Novo Parque: 1 Pacotuba: 1 Zumbi: 2

Marileidys (E) encontra no apoio dos enfermeiros a segurança para atender com excelência

Secretaria satisfeita com O trabalho desempenhado Para o Secretário Municipal de Saúde, Fassarella, a atenção é o principal diferencial dos médicos cubanos. “Eles têm uma disponibilidade e uma atenção especial com os pacientes. Mais médicos chegaram ao município nesta quarta-feira e já estamos direcionando eles para as unidades de saúde do município”, contou. No total, além dos dois médicos que já estavam atuando em Cachoeiro, outros 14 médicos cubanos chegaram ao município esta semana. Eles irão atuar na sede e também nos distritos, sendo que, no interior, a localidade de Coutinho é uma das contempladas (veja box ao lado). Na sede, os bairros Amaral e Zumbi também vão receber profissionais através do programa “Mais Médicos”. No total, cada uma destas unidades de saúde vai receber dois médicos.

Foto: Divulgação PMCI

por Jakin Soares

fotos: Jakin Soares

Médica afirma estar satisfeita, e pacientes também mostram satisfação com o atendimento

“Eles têm dado um suporte e um apoio muito importante à população. O idioma não é problema, desde que a disposição deles supera todos os obstáculos. São excelentes profissionais e tem atendido bem a demanda da saúde pública da nossa cidade. Lembrando que os médicos foram distribuídos conforme a necessidade de cada localidade, de cada bairro, equilibrando as demandas de atendimento”, finalizou Fassarella.


03 Especial - Saúde Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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Profissionais do “Mais Médicos” também já atuam em Castelo A médica Ester Keila Garcia Sarmiento em atendimento aos seus primeiros pacientes castelenses

função é prevenir doenças e tratar, melhorando a saúde da população, dando muito amor e o melhor de mim”, disse o Doutor Miguel, ao atender a primeira paciente do Programa “Saúde da Criança”.

Diretor Executivo Tiago Turini Editoração Wellington Pintor (28) 9945.7012 Editor Ilauro Oliveira ilauro01@gmail.com Repórter: Jackson Soares Leandro Moreira

Circulação - Região Sul do Espírito Santo CNPJ 18.311.486/0001-44 jornalhojenoticias@gmail.com Redação: Rua Amilcar Figliuzzi, nº 31 – Coronel Borges Cachoeiro de Itapemirim – ES Tel.: (28) 3517-7615

Colaborador Adilson Conti Impressão: Thiago Schwan Gráfica Victor, Amilcar Fliguiuzzi, nº 33, Thalyson Inácio de Araújo Rocha Coronel Borges - (28)3522-9554 Luiz Trevisan Anete Lacerda Tiragem: 3000 exemplares Periodicidade: semanal Sidney Schwan

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Em Castelo, os médicos estrangeiros cooperados do Programa “Mais Médicos” do Governo Federal já iniciaram os trabalhos no dia 31 de março. São dois médicos que chegam para integrar as equipes de Atenção Primária e que representam cerca de 500 consultas por mês a mais para a população. Ambos vieram de Cuba, e já acumulam uma vasta experiência em seus currículos. Ester Keila Garcia Sarmiento, que está trabalhando durante todo o dia no CIAM (Centro Integrado de Atendimento à Mulher), é formada há 25 anos, especialista em Urgência e Emergência e passou por experiências em outros países, como Venezuela. José Miguel Garcia, também especialista em Urgência e Emergência, atua há 20 anos na área, já trabalhou na África e Venezuela, e a princípio, atenderá em dois horários diferenciados, pela manhã em “Clínica Médica” e à tarde no Programa “Saúde da Criança”. “Castelo é muito quente, mas a recepção está sendo boa e as pessoas são muito amáveis. Vou trabalhar com Atenção Primária. Minha

A médica Keila disse estar encantada com a cidade: “Gosto das pessoas daqui, aqui é tranquilo, achei as pessoas generosas, agradáveis e acolhedoras. Conheci além de Castelo, São Paulo e Guarapari”, disse a simpática Doutora Keila, se referindo que quando chegou ao Brasil, obteve o primeiro contato com a língua portuguesa na capital paulista e, em seguida, ficou na Cidade Saúde, estudando sobre as doenças mais comuns que afetam os moradores do Espírito Santo. Antes de chegar a Castelo, os Médicos participaram, em São Paulo, de um Curso de Acolhimento do Ministério da Saúde, onde puderam conhecer as doenças mais frequentes, como Tuberculose e Hanseníase. Os Médicos trabalham 32 horas semanais,

oito por dia, além de oito horas direcionadas aos estudos para médicos estrangeiros, que acontecem nas sextasfeiras. Eles recebem ainda moradia mobiliada e alimentação, através da Secretaria Municipal de Saúde, e os salários são pagos através de recursos do Governo Federal. Quem teve o primeiro contato com os médicos estrangeiros ficou satisfeito. Foi o caso da cabeleireira e estudante, Alexandra Balbino Soares. “Doutora Keila é muito boa, me atendeu direito, tirou minhas dúvidas, esclareceu o que eu precisava saber. Apesar de ser de outro país, conversando devagar nos entendemos. Achei que ela é muito simpática também”, disse a moradora do Bairro Garage ao fim do atendimento no CIAM.


04 Especial - Saúde Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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“Não estamos aqui para competir com médicos brasileiros” por Ilauro Oliveira

Hoje – José, antes de mais nada, como vocês médicos cubanos, que não chegaram ao Brasil no primeiro ciclo do programa, viram a chegada conturbada dos seus colegas? Lembrando que muitos foram até maltratados e xingados em aeroportos

O médico José Miguel Garcia gentilmente concedeu entrevista para ajudar a desmistificar o conceito inicial dos brasileiros sobre os profissionais cubanos

brasileiros? José Miguel – Como uma falta de ética e respeito profissional. Hoje – Agora vou te falar como nós vimos a chegada de vocês. A gente perguntava assim: como um país pequeno, que enfrenta grandes problemas econômicos, muitos deles oriundos do bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos há 50 anos, consegue ter milhares de médicos a ponto de exportar? Qual o milagre cubano para formar tantos médicos e qual a diferença entre a medicina praticada em Cuba e em outros países, em especial no Brasil? José Miguel – O milagre é que somos formados em valores humanos, como primeira e única opção. Para os cubanos a medicina não tem valor mercantil, e sim valor humano. Hoje - Teve uma polêmica com o Conselho Federal

foto: Divulgação PMC

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uba é um país amado pela esquerda, mas odiado pela direita; capaz de gerar respeito e preconceito. E esses sentimentos puderam ser vistos claramente durante a chegada dos médicos cubanos ao Brasil para o Mais Médicos, programa do Governo Federal que importou esses profissionais para atuar em cidades onde há deficiência no atendimento. O debate sobre a necessidade de trazer profissionais de outros países para o Brasil provavelmente se aprofundou muito mais por se tratar de cubanos, que acabaram tendo sua competência e, absurdamente, até a forma como recebem seus salários, questionados. Mas independente das polêmicas, hoje são 7.500 atuando em território brasileiro, enquanto que apenas 27 abandonaram o programa. Um desses médicos está atuando aqui na região sul, mais precisamente em Castelo, há três semanas. Trata-se de José Miguel Garcia, especialista em Urgência e Emergência, que atua há mais de 20 anos na área, já tendo trabalhado na África e Venezuela. Econômico nas palavras, mas sem deixar de responder nenhuma pergunta, gentilmente ele nos concedeu essa entrevista para ajudar a colocar luz sobre o Programa Mais Médicos e para que a população saiba melhor quem são esses profissionais que estão cuidando das vidas brasileiras. A entrevista segue.

de Medicina que reclamou da validação automática dos diplomas dos médicos cubanos e sugeriu que vocês fizessem o Revalida. Qual a visão de vocês sobre isso? José Miguel - Nós não estamos aqui para competir com os médicos brasileiros, e sim para ajudar a população mais necessitada, que não tem acesso ao atendimento médico. É essa população que vai avaliar e julgar o nosso trabalho. Hoje – Outra questão levantada aqui foi a forma como vocês recebem seus salários. Alguns compararam vocês a escravos de jaleco. Como é essa relação salarial com o governo cubano? Vocês se sentem à vontade com a forma como recebem e com o valor? José Miguel - Quando viemos para cá firmamos um contrato, onde estamos de acordo com a forma de remuneração. Ninguém está aqui obrigado. E nós não nos

sentimos escravos. Hoje – Você está em Castelo há três semanas, mas no Brasil há mais tempo se preparando para esse contato com os pacientes. Como foi esse preparo até aqui e como você avalia esse primeiro contato com os castelenses? José Miguel - Foi boa, os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde nos mostraram todo o funcionamento do trabalho e o sistema de atendimento aos pacientes. Temos sentido muita gentileza dos médicos daqui de Castelo. Hoje – Alguma dificuldade em especial com os pacientes ou no ambiente de trabalho com os seus colegas? José Miguel – Não senti dificuldade. Quando falam devagar, é fácil de entender e ser entendido. Hoje – Qual a avaliação sua sobre a medicina brasileira? Alguns médicos


05 Especial - Saúde Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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www.hojees.com brasileiros, por exemplo, reclamam das condições dos hospitais... José Miguel – Eu não conheço as condições dos hospitais e nem vim aqui para avaliar isso, e sim para atender a população. Hoje – E qual a sua avaliação sobre o programa Mais Médicos? José Miguel – É um Programa muito bom, e foi uma decisão muito sábia da Presidente Dilma para melhorar a saúde da população. Hoje – O Brasil tem grandes avanços na medicina, mas na questão preventiva ainda pecamos. É gente morrendo por doenças absolutamente tratáveis, sobretudo nas regiões mais pobres. Você estão aqui para ajudar a combater isso. Qual o melhor caminho, baseado em experiên-

cia que vocês têm acompanhado mundo afora? José Miguel - A melhor medicina é a que previne, e não a que cura. Hoje – Sobre Cuba....qual a sua relação com o seu país? O Raúl Castro tem, aos poucos, feito uma abertura econômica...você e seus familiares percebem? José Miguel - Percebemos. Hoje há muitas mudanças. As mudanças já vinham antes de Raul, e se aprofundaram com ele, esperamos que sigam melhorando. Hoje – Você viaja o mundo em questões humanitárias. Não tem vontade de trabalhar em Cuba? E se tem por que não atua por lá? José Miguel - Tenho 20 anos de formado. Trabalhei dois anos na África em Botswana, dois na Venezuela e 16 anos

em meu país, ou seja, o maior tempo passei lá em Cuba. Hoje – Aliás, queria uma opinião sua sobre os 27 médicos cubanos que estiveram aqui, mas abandonaram o Mais Médico. Você conversou com algum deles para conhecer os motivos... José Miguel – Não tive contato com nenhum deles, mas posso afirmar que ninguém veio enganado para cá. Todos assinamos um contrato e estávamos de acordo com ele. Não sei o número dos que desistiram, mas mesmo que fosse 27, representaria uma porcentagem muito baixa do total. Hoje – Politicamente falando, na sua visão, qual o caminho do futuro para um país que se orgulha da Revolução de 59, mas tem grandes necessidades de se abrir para a economia

mundial? Jose Miguel – Eu não gosto de política, sou médico. Mas nosso país tem um grande futuro. Hoje – Figura lendária do país, mas que já pendurou as chuteiras da vida pública, Fidel Castro divide opiniões entre os que o amam e os que detestam. Você acha que ele será lembrado no seu país e na própria história da humanidade como um ditador ou um revolucionário? José Miguel – Depende de quem o analisa. Para os cubanos é um revolucionário. Hoje – E você, que sabemos, está aqui apenas de passagem, assim como todos os outros médicos cubanos... como quer ser lembrado daqui a algum tempo pelo povo brasileiro? José Miguel – Com um sorriso.


06 Geral

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Deputado Camilo Cola quer que cartórios divulguem seus lucros Projeto de Lei está em tramitação na Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJC) por Leandro Moreira

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transparência nos cartórios é uma das lutas do deputado federal Camilo Cola (PMDB). O Projeto de Lei de sua autoria está em análise na Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJC) e propõe a divulgação de todos os lucros dos titulares das serventias notariais e de registro. A matéria altera a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Uma vez aprovada, o artigo 30 da referida lei irá vigorar acrescido do seguinte inciso XV: “divulgar mensalmente, em sítio próprio na Internet, os valores percebidos a título de emolumentos pelos atos praticados na serventia.”

De acordo com a justificativa do deputado, os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, como estabelece a Constituição Federal. Dessa forma, os titulares das serventias são remunerados por emolumentos pagos diretamente pelos usuários dos serviços prestados, como remuneração por esses serviços. “Embora não haja vínculo empregatício entre os titulares dos cartórios e o Estado, os notários e registrados prestam serviço público, por delegação do Estado, sendo remunerados por ganho fixado em leis estaduais e do Distrito Federal”, alega o deputado, justificando a necessidade de transparência ao público.

Faturamento mensal de cartórios é de R$ 1 bilhão, segundo CNJ O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou no início deste ano que, em apenas um semestre, o faturamento dos 13.233 cartórios brasileiros foi de R$ 6 bilhões. Dentro do período informado, em média, cada um desses estabelecimentos lucrou R$ 444 mil. O levantamento excluiu 570 cartórios, que nao divulgaram seus números ao CNJ. De acordo com o conselho, o cartório mais rentável do país é o 9º Ofício de Registro de Imóveis do Rio; este teria recebido R$ 48 milhões em seis meses. A projeção dos ganhos dos

cartórios em um ano (R$ 12 bilhões) corresponde à metade do gasto anual com o Bolsa Família. “Entendemos que é necessário que a população conheça tais números, oriundos da prestação de um serviço que é público e remunerado pela própria população, ao obter a realização de atos exigidos por lei, como reconhecimento de firmas, autenticação de documentos, protesto de títulos, lavratura de escrituras e registro de documentos”, diz o deputado Camilo Cola.


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07 Geral

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No mesmo levantamento do Conselho Nacional de Justiça foi revelado que, dos 13.803 cartórios do Brasil, 4.967 estão em situação irregular, uma vez que os seus titulares não foram aprovados por concurso público. O CNJ considera esta situação ilegal. O plenário do conselho determinou, em junho de 2009, por resolução, a obrigatoriedade de titulares de cartórios serem escolhidos por concurso público. No entanto, um dispositivo da Constituição Federal de 1988 encontra resistência para ser cumprido. Antes de 1988, o Poder Executivo era responsável pela escolha e nomeação dos titulares dos cartórios. Ainda segundo os números divulgados pelo CNJ, dos cartórios em situação ilegal, 1.491 tiveram rendimento semestral entre R$ 10 mil e R$ 50 mil; 818 tiveram rendimento entre R$ 100 mil e R$ 500 mil; e 323 receberam mais de R$ 500 mil.

Foto: Ilustração

Cerca de 5 mil cartórios estão em situação irregular

Presidente do Sinoreg defende a preservação de dados privados A reportagem fez contato com o presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg), Fernando Brandão Coelho Vieira. Ele se diz favorável à transparência nos cartórios, mas defende, por motivos de segurança, a preservação dos dados íntimos. “O projeto do deputado Camilo Cola é válido, pois a sociedade tem o direito de saber tudo aquilo que é de interesse público. O que nos preocupa é a divulgação de dados privados, ou seja, da vida pessoal do titular do cartório”, explicou. Fernando analisa que um leigo pode não compreender a exposição dos números, uma vez que nem toda a verba é para o titular do cartório. “Os dados podem ser mal interpretados e pode gerar até um problema de segurança aos titulares (dos cartórios). Afinal, há verbas, arrecadadas nos cartório, que vão para o imposto de renda, Tribunal e outros órgãos”, disse. Ele disse acreditar que os legisladores brasileiros decidirão pautados no que preza a Constituição Federal. “A transparência é importante, já que a população saberá que nos pautamos na idoneidade e que o serviço é prestado de forma moral e ética”.


08 Cidades

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População do litoral ajuda a construir o Orçamento 2014 por Leandro Moreira

foto: Leandro Moreira

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Esporte; Prevenção e Redução da Criminalidade; e Atenção Integral à Saúde. O resultado das audiências públicas servirão como base para a elaboração da Lei

Orçamentária Anual (LOA). O prefeito de Piúma, Samuel Zuqui (PSB), esteve presente e aprovou mais uma edição das audiências. “É um evento democrático. A

população vem até aqui buscar aquilo que é prioridade para ela, porque o governo concede esta oportunidade de todos participarem da construção do orçamento”, disse Zuqui.

Castelo prepara sistema de Georeferenciamento foto: Divulgação

utoridades e populares de oito municípios estiveram presentes nesta terça-feira (15) em Marataízes, onde aconteceu a penúltima audiência pública sobre o Orçamento 2014 do governo do Estado. O objetivo é abrir oportunidade para as pessoas debaterem e decidirem os melhores rumos para a sua região. Os municípios que compõem a região Litoral Sul são Marataízes, Alfredo Chaves, Anchieta, Iconha, Itapemirim, Piúma, Presidente Kennedy e Rio Novo do Sul. As audiências começaram no dia 13 de março e terminam no dia 24 deste mês. Depois da solenidade, foram formados seis grupos para debater os seguintes temas: Gestão Pública e Educação Básica e Profissional; Infraestrutura, Mobilidade Urbana e Integração Logística; Meio Ambiente e Desenvolvimento da Agricultura; Proteção Social, Turismo, Cultura e

As possibilidades, potencialidades e benefícios do “Sistema de Georeferenciamento Municipal” - SISGEM de Castelo, foram apresentadas para o Prefeito Jair Ferraço, e o Vice Eutemar Venturim, nesta semana, em uma reunião na Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O objetivo da implantação do sistema no município é criar através dele um banco digital de dados, onde possam ser inseridas informações de vistorias técnicas, levantamentos de trabalhos e reorganização do Plano Diretor Municipal – PDM. O trabalho de levantamento dos dados está acontecendo desde o mês de fevereiro.


09 Cidades

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Zeca Baleiro e Oswaldo Montenegro na V Bienal Rubem Braga Secretaria de Cultura de Cachoeiro de Itapemirim divulgou nesta terça-feira (15) a programação da V Bienal Rubem Braga. De 13 a 18 de maio, a praça de Fátima, no centro da cidade, vai receber feira e lançamentos de livros, debates sobre literatura com escritores que se destacam no estado e no país, atividades voltadas a estudantes e oficinas. O evento literário ainda terá shows, na praça Jerônimo Monteiro. Entre os convidados para as mesas estão os escritores Ronaldo Bressane, Daniel Pelizzari, Márcia Tiburi, Michel Laub, Reinaldo Moraes e Carolina Munhóz e os cartunistas Allan Sieber e Chiquinha. Os debates serão realizados no auditório principal, que

foi ampliado em relação a 2012 e terá 400 lugares. Como nas duas edições anteriores, os espaços do evento têm nomes de crônicas de Rubem Braga ou alusivos a elas. Na Sala que leva o nome do cronista, vários autores capixabas vão lançar livros e poderão interagir com o público visitante. A Academia Cachoeirense de Letras cuida da organização das atividades no local. O Circo da Cultura, tradicional espaço da praça de Fátima, será transformado na Arena Zig Braga, para que alunos de escolas de educação infantil e ensino fundamental participem de contações de histórias, apresentações teatrais e sejam envolvidas no universo da literatura de forma lúdica.

Nos últimos três dias do evento, serão realizados espetáculos de música na praça Jerônimo Monteiro, em palco ao lado da sede da prefeitura. Se apresentarão no local os cantores e compositores Oswaldo Montenegro e Zeca Baleiro e, com um show voltado ao público infantil, o grupo Barbatuques, de percussão corporal. “Esperamos, mais uma vez, mobilizar toda a cidade com esse grande evento, que é uma eficaz política de incentivo à leitura e formação de leitores, e com o qual celebramos o nosso cronista maior”, disse a secretária municipal de Cultura, Joana D’ Arck Caetano. A V Bienal Rubem Braga é uma realização da prefeitura

Foto: Internet

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A programação divulgada nesta semana era aguardada com ansiedade

de Cachoeiro e tem o apoio do governo estadual, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. As inscrições para as mesas e oficinas serão abertas no próximo dia 5, no site oficial do evento.

TEM INCAPER NO LAZER E NO TRABALHO DO CAPIXABA? TEM SIM.

O Incaper está mais presente no nosso dia a dia do que podemos imaginar. O instituto monitora o clima e faz previsão do tempo com até 5 dias de antecedência. Por isso, se você gosta de praia ou de montanha, pode contar com o Incaper para organizar o seu lazer. O banco de dados geoespaciais é outro serviço fundamental para a realização de obras, melhoria da mobilidade nas cidades, ações de segurança e até em questões como distribuição de água e energia. Por isso, se alguém perguntar se tem Incaper na sua vida, você já sabe a resposta. Visite o site www.incaper.es.gov.br


10 Opinião

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artigo Leandro Moreira

“PMDB declarou guerra”, diz Neucimar

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ara o ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PV), o PSB “não tem que conquistar quem não quer ser amado”. Ele se refere à tentativa dos socialistas de ter o PMDB ao seu lado, evitando um confronto entre o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o atual Renato Casagrande (PSB). Na noite desta terça (15), Neucimar Fraga entregou uma carta a Casagrande colocando sua pretensão de ser o nome para o Senado na chapa a ser formada nas eleições que se aproximam. A antecipação, como disse a este blogueiro, é pelo fato de haver disputa para a vaga do lado de Hartung e não haver ninguém com capital político forte nos quadros de Casagrande. Ele já desconsidera a manutenção da unidade entre as lideranças. “O PMDB declarou guerra”. Caso Hartung seja candidato ao governo do Estado, os nomes para o Senado são os ex-prefeitos de Vitória, Luiz Paulo (PSDB) e João Coser (PT), e a deputada federal Rose de Freitas (PMDB). “Só tem chinês. Enquanto isso, Renato não tem ninguém. Tenho serviço prestado no estado e coloco meu nome para ser avaliado”. Vejo que a movimentação de Neucimar é acertada. Na verdade, o PV o convenceu das possibilidades de se colocar à disposição do governador. O posicionamento é corajoso, ainda mais no momento em que poucos arriscam desacreditar na ‘solidez’ da unidade política; e, ao mesmo tempo, realista, já que o PMDB está a cada dia mais distante do Palácio Anchieta. Assim que o PSB se posicionar e reconhecer Hartung como adversário, sem dúvida o nome de Neucimar terá preferência diante daqueles que surgirem. Em uma eventual parceria entre os socialistas e o senador Magno Malta (PR), a disputa pela vaga se daria entre Neucimar e o delegado Fabiano Contarato, que nunca foi testado nas urnas.

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Evandro Coelho de Lima

Sobre a Criméia

estudo da História nos ensina que no auge do tráfico negreiro, tribos africanas subjugavam outras pela força e, com isso, vendiam seus irmãos de cor para o europeu, que se dizia civilizado. Aliás, a prática de escravização do inimigo vencido em guerra é bem antiga, talvez remonte aos primórdios da chamada sociedade patriarcal, pois há notícias de escravidão de povos cuja civilização se verificou há mais de cinco mil anos. O caso da África é sintomático porque, quando resolveu colonizar o Continente Negro, levando civilização, o europeu optou por dividi-lo na proporção das forças de cada uma de suas nações, sem descurar, é óbvio, de anos de casos onde a ocupação já perdurava por séculos, como a portuguesa, por exemplo, em Angola e Moçambique. Não obstante, essa divisão levada a efeito pelo colonizador deve ter levado muito mais em conta, talvez, um levantamento topográfico, do que as particularidades de cada região. Uma análise do mapa da África, com boa parte de suas fronteiras, delineadas em linha reta, não deixa dúvidas a respeito. E, com isso, o que se vivencia hoje no continente, em pleno século XXI, na era da tecnologia, são massacres de etnias e populações inteiras, verdadeiro genocídio de uma raça, por outra mais forte, com maior poder bélico, o que remonta aos tempos da escravidão, portanto. Os exemplos são encontrados todos os dias na televisão ou outras mídias. E tudo porque, em razão da divisão que o colonizador impôs, convivem em um país, populações que, definitivamente, nada possuem de semelhantes. É por isso que, nos dias de hoje, algumas dessas nações já estão se subdividindo. E a questão não está restrita apenas à África, com todas as suas mazelas de pobreza, doenças disseminadas e tristeza. Na própria Europa que se afirma o berço da civilização, existem regiões que, por conta da força de outras, acabaram sendo subjugadas, perdendo suas identidades. A Criméia, que hoje vem dominando o noticiário é só mais um exemplo. A região, que é estratégica e, ao longo dos séculos foi cobiçada por vários povos, pelo que se sabe, foi anexada à Rússia na época do Império e não da União Soviética. E, com o desmoronamento desta, acabou por se integrar à Ucrânia que, como se sabe, era uma das repúblicas que integravam a referida URSS. Como região autônoma que era, a rigor poderia sim, através da manifestação popular, optar por se desvincular da Ucrânia e se unir à Rússia, até porque historicamente, há dois séculos pelo menos esteve a ela vinculada. E parece que assim o fez, ainda que o fato tenha ocorrido a partir de um momento de ruptura na Ucrânia, à qual estava integrada. A propósito, alguém já ouviu falar da convenção de Yalta, onde Stalin reuniu Roosevelt e Churchil para discutir a divisão da Europa depois da 2a. Guerra? Pois bem, Yalta está situada na Criméria. Registro que faço essas colocações como curioso das coisas da história, sem qualquer pretensão de proceder a uma análise geopolítica do caso. Não defendo a posição do presidente americano Obama ou dos líderes da Europa unificada comercialmente, assim como não tenho procuração para defender o Sr. Putin e nem pretendo fazê-lo. Como a análise se restringe à história, tão somente, confesso desconhecer os outros motivos, além daqueles de evidente estratégia em razão da posição geográfica da Criméia, que têm levado a tanta discussão. O autor é Juiz de Direito em Cachoeiro de Itapemirim


11 Opinião

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ilauro01@gmail.com

Não há reconstrução do ES sem a união de forças

om um discurso dos mais coerentes que se tem visto na recente vida pública capixaba, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) tem defendido com ardor a manutenção da unidade em torno da reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). Tem razão. Afinal, foi essa união de forças quem trouxe o Espírito Santo até aqui. Para a democracia, toda disputa é boa e é saudável que exista. Mas quando acontece entre adversários, que defendem projetos diferentes e que colocam o povo para pensar qual é o melhor caminho. Mas quando aliados, que governam juntos por 12 anos, se separam, precisam explicar bem ao povo porque o fazem para não parecer que mentiram juntos o tempo todo. Os peemedebistas sabem que agir incoerentemente é jogar no lixo a própria história e o próprio discurso com o qual convenceram os partidos aliados a embarcar na unanimidade que tirou o ES do atoleiro. E isso é mais do que perigoso. Significa queimar os navios, como Hernán Cortez, sem possibilidades de volta. O total desprezo às palavras unificadoras de outrora podem mostrar aos demais partidos

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Ilauro Oliveira

que tudo não passou de manipulação. Sem a unidade de todas as siglas estaduais, das instituições e das lideranças políticas, Paulo Hartung (PMDB) não teria conseguido governar bem e intocavelmente esse estado, por melhor homem público que possa ter sido. Foi um trabalho que se, de um lado, precisava de um grande líder, seria impossível ser concluído sem um esforço conjunto. Mudar a regra agora depois de vencer duas partidas (dois mandatos) só porque o jogador é outro, é pedir para esquecer o que disse e fez, como certo ex-presidente da República. Sabe-se que partidos e políticos atuam em causa própria, mas quando os interesses envolvem adversários, não aliados como são os partidos que estão jogando o jogo agora. São os mesmos que jogaram juntos anteriormente. Separá-los sem motivos claros, ou que não possam ser superados através de diálogo, é espalhar braseiro no terreiro, espalhando, para todo lado, a chama da reconstrução que vem aquecendo o peito dos capixabas. Repito o que disse antes: trata-se de um jogo mais do que perigoso. O governo atual pode não ser o go-

verno dos sonhos dos capixabas, mas é a continuidade avançada do que foi construído nos últimos oito anos com o esforço coletivo. Se há tropeços, nada mais sensato que agora as forças que o compõem, e principalmente constroem juntos, retomem um diálogo pautado não apenas nas eleições, mas principalmente nas diretrizes que devem nortear o próximo governo. Deveria ser o caminho mais sensato: ajudar a melhorá-lo, e não sangrá-lo. Até porque, como o PMDB faz parte deste governo e ajudou a construí-lo junto ao povo, abrir seu peito pode significar manchar-se no próprio líquido que sairá pulsátil de suas entranhas. *************************************** “...Coração na boca / Peito aberto / Vou sangrando / São as lutas dessa nossa vida / Que eu estou cantando / Quando eu abrir minha garganta / Essa força tanta / Tudo que você ouvir / Esteja certa / Que estarei vivendo...” – Sangrando (Gonzaguinha)

André Rosa - jornalista e escritor

A Marcha da Família ou: A volta dos que já foram

psicanalista austríaco Dr. Wilhelm Reich, no ano de 1949, escreveu um tratado onde definia o conceito de Zé Ninguém. Fala, em suma, de um reacionário; uma pessoa orgulhosamente submissa às ditaduras. Esse tipo, mais do que nunca, tem se proliferado no Brasil, e traz consigo um revisionismo dos mais sórdidos; uma desprezível tentativa de reescrever o período que se dá entre 1964 e 1985. Com a queda da ditadura civil-militar de 1964, tornou-se antiquado assumir-se de direita. Isso remetia àqueles tempos de horror; tempos de covarde violência e censura. Não pegava bem para a imagem de bom mocismo que os lacaios da ditadura gostavam — e gostam — de passar. Os que ainda guardavam fotos do general Emílio Garrastazu Médici em suas casas, o faziam com muita cautela e às escondidas. Depois, nos anos 90, as ideias economicamente

liberais começaram a chegar ao Brasil. Anunciavam uma nova direita; uma direita democrática e libertária. De carona, veio também a direita conservadora — a mesma que outrora apoiou o golpe militar e a ditadura que se sucedeu a partir dele. Esse discurso transformou-se em uma militância anti-comunista, repetindo toda a mentira sórdida e suja espalhada por uma canalha de Zés Ninguéns. Hoje, em 2014, querem uma nova Marcha da Família com Deus pela Liberdade. É a velha história da rã cozida. Agora veio o revisionismo. Até aqui, nenhuma novidade. Paulo Francis, em seu livro “Trinta anos esta noite” (1994), já dizia que era falsificação histórica afirmar que houve 20 anos de ditadura. Nas discussões de hoje, sobretudo entre as que partem dos liberais e libertários, criam uma nova definição de esquerda e direita. Esquerda, para eles, são os regimes estatistas; direita, porém,

os que não têm grande intervenção estatal na economia. E concluem: a ditadura de 64 foi de esquerda. É a direita se limpando em sua própria sujeira. Amiúde, atribuem a Lenine a frase “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.” Pergunto: quem é que está fazendo isso? Repito: nenhuma novidade. Por fim, cito Marx, mas não o Karl. O Groucho. “Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos?”. A “Marcha da Família”, em sua página de evento no Facebook, hoje conta com menos de 3 mil presenças confirmadas. Com isso, sinto lhes informar, não derrubam nem um vereador de prefeitura de cidade do interior. São uma piada pronta; uma meiuma meia-dúzia de pessoas que, muito embora sejam vítimas do seu próprio escárnio, têm explicitamente a mesma mentalidade vil daqueles que marcharam há 50 anos atrás. Talvez até pior.


12 Política

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Vereador quer mudar nome de bairro que faz homenagem a ditador Professor Leo (PT) quer decidir novo nome junto aos moradores por Leandro Moreira

O

militar Artur da Costa e Silva presidiu o Brasil entre março 1967 e agosto de 1969. Ele foi responsável pela edição do AI-5 (Ato Institucional nº 5), que proporcionou o período mais violento da ditadura militar no país. Por conta disso, uma homenagem ao ex-presidente em Cachoeiro de Itapemirim causa incômodo na Câmara Municipal. O vereador Professor Leo (PSB) apresentou Projeto de Lei propondo a mudança do nome do bairro Costa e Silva, no município. Inicialmente, ele sugere o nome de Pedro Reis, mas pretende conversar com os moradores e ouvir outras colocações.

“Pedro Reis foi um cidadão que militou em favor dos direitos humanos, a fim de promover o amor e a luta democrática em detrimento do ódio e da ditadura”, justificou o projeto o vereador. Neste 2014, fez 50 anos da ocorrência do golpe militar, que resultou no regime que durou 21 anos. O período foi marcado por perseguições, repressão, torturas, violação dos direitos humanos e assassinatos, inclusive com corpos desaparecidos até então. “Cachoeiro de Itapemirim não deve levar para a história o nome de Costa e Silva, perpetuando no tempo a imagem de um brasileiro que ajudou a desconstruir a dignidade do ser humano”, reforçou Leo. No debate com os cidadãos

residentes no bairro Costa e Silva, haverá também a oportunidade de escolha de retornar ao antigo nome: Clube do Bosque. De acordo com a assessoria do parlamentar petista,

será realizada uma busca para identificar outras homenagens a apoiadores da ditadura em nomes de ruas e locais públicos; para logo, ser proposta a alteração.

Ufes retira homenagem ao presidente Castello Branco No dia 17 de novembro de 1964, o marechal Castello Branco, primeiro presidente da ditadura militar, foi contemplado com o título de doutor ‘honoris causa’ concedido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Em maio do ano seguinte, foi enviada uma placa em alusão à homenagem a Castello Branco para a universidade, que a fixou na sala do Conselhos Superiores. Atualmente, a Ufes apura as atrocidades ocorridas na ditadura através de sua Comissão da Verdade. Ironicamente, os integrantes da comissão se reúnem na sala onde havia a reverência ao ditador: a placa foi retirada no dia 31 de março, durante solenidade de descomemoração. Na ocasião, o coordenador da Comissão da Verdade da Ufes, professor Pedro Ernesto

Fagundes, disse que a universidade foi o local de maior resistência à ditadura e, consequentemente, foi o que mais sofreu repressão”. Bahia Na Bahia, também há o movimento para tirar os nomes de personagens que apoiaram e participaram do regime militar de equipamentos e logradouros públicos, como escolas e avenidas. A ideia é da Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa local. Na capital Salvador, o antigo colégio estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici passou a se chamar colégio estadual Carlos Mariguella, em fevereiro deste ano. O guerrilheiro foi assassinado durante o governo de Médici.

O professor Pedro Ernesto é coordenador da Comissão da Verdade da Ufes


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fotos: Arquivo

Ex-prefeitos divergem sobre projeto

A reportagem ouviu dos ex-prefeitos de Cachoeiro de Itapemirim, Zé Tasso (PRP) e Roberto Valadão (PMDB), a opinião a respeito do projeto de lei do vereador Professor Leo (PT) que pretende mudar o nome do bairro Costa e Silva. Os dois se posicionam de forma contrária. “Vejo isto como demagogia e oportunismo. Perdi meu pai neste período e sofri como

estudante no Rio de Janeiro. Esses nomes (apoiadores da ditadura) devem ser conservados, pois queiramos ou não, essas pessoas fazem parte da história do país”, disse Zé Tasso. Para reforçar sua posição, exemplificou que estes tipos de personagens devem ficar na memória das pessoas para estudos e análises. “Felizmente ou infelizmente, eles fazem

parte da memória. Da mesma forma não tem como apagar a figura de Adolf Hitler, responsável pela 2ª Guerra Mundial”. Já Roberto Valadão afirma ser favorável ao projeto. “Temos que homenagear pessoas nossas, brasileiros, e que prestaram serviço à população. Não vejo porquê prestigiar quem contribuiu para a pior época que o Brasil enfrentou.

Sugiro que o bairro leve o nome do ex-prefeito Hélio Carlos Manhães”. Saindo da esfera cachoeirense, Valadão acrescentou que o nome do município de Presidente Kennedy também deveria ser alterado. “Se dependesse do referido ex-presidente americano, o golpe contra a democracia teria ocorrido ainda antes de 1964”.


14 Arte & Cultura Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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As opções para curtir o Feriadão no Sul do Estado Eventos culturais, religiosos, e festas para todos os gostos prometem agitar o feriado

P

or todo o Sul do Estado, principalmente aos arredores de Cachoeiro, muitas são as opções de lazer para o feriado desta se mana santa. São eventos de segmentos variados, para todos os tipos de público, e que prometem agitar o fim de semana que seria de descanso ou, em sua maioria, de reflexão em virtude da quaresma. Vargem Alta Vargem Alta preparou uma programação espe cial, para procura aproveitar cada momento em um clima agradável e familiar. Unindo atividades religiosas, culturais e esportivas, realizadas no m u n i c í p i o , a p r e f e i t u r a p r e p a r o u u m a p r o g r amação especial para quem procura aproveitar cada momento em um clima agradável e familiar. Quatro atividades tradicionais serão realizadas no feriado, entre os dias 18 e 21 de abril. A programação começa na Sexta-feira Santa 18-04, às 19h30, com um dos maiores espetáculos teatrais do estado, encenado ao ar livre. Realizada em São José de Fruteiras, com mais de 40 anos de tradição, a encenação que retrata a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, atrai milhares de espectadores de todas as partes do ES. Este ano, aproximadamente 180 moradores e voluntários estão empenhados na realização do espetáculo. Na rampa do mirante, um dos principais cartões postais do município, será realizado o Mirante Extreme. A competição de voo livre, será realizada

Jakin Soares se apresenta em Vargem Alta neste sábado de Aleluia

Foto: Divulgação

por Ilauro Oliveira

nos dias 19 e 20 a partir das 10 horas da manhã. Além de curtir muita aventura, os espectadores podem contemplar a vista privilegiada do local. Para quem gosta de moda de viola, a opção será o encontro de cavaleiros na pista do Laço na comunidade de São João. A programação também acontece nos dias 19 e 20, a partir do meio dia. Em sua 14º edição, a caminhada do descobrimento é realizada todo dia 21 de abril. Neste ano, a caminhada sairá da comunidade de São José de Fruteiras com destino à comunidade de Jacutinga, passando pela Comunidade de capivara. O percurso será de aproximadamente 10 km. No sábado de aleluia, no ginásio de Pombal, a i n d a e r m Va r g e m A l t a , t a m b é m a c o n t e c e u m baile com as Bandas Gabriel e Edivando, Alex Campanha, Banda KS 10, DJ Planeta e Jakin Soares, a partir das 22h00.


15 Arte & Cultura Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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www.hojees.com Mimoso do Sul Em sua 8ª edição, a tradicional Cavalgada Noturna de Mimoso do Sul também acontece neste sábado de aleluia. O evento acontece no parque de exposições de Mimoso do Sul, onde se apresentam as bandas: Garotos Tradição, Forró Country, Jakin Soares e Alex Campanha. O cavalgada parti as 19h00, ao lado do local do evento.

Cachoeiro Domingo de páscoa, que também é véspera de feriado, o distrito de Soturno será palco de grande festa. Acontece no Coração Sertanejo, a partir das 15h00, um encontro de som automotivo, e apresentação das bandas Jakin Soares e Alex Campanha. O evento é um aque cimento para o show de Fernando e Sorocaba em Cachoeiro, que acontece em 26 de abril. Nesta ocasião, vários ingressos para este show nacional serão sorteados.

Esporte e música em Marataizes

Uma das principais prioridades da atual administração do Município de Marataízes é o incentivo ao turismo. Neste tradicional feriado da Semana Santa, as Secretarias de Turismo e de Esportes uniram-se para preparar uma programação especial. Na manhã de sábado (19), à partir das 8 horas, haverá o

1º Desafio Simultâneo de Beach Tênis, Bodyboard e Vôlei de Praia. A competição será na praia da Cidade Nova. À noite, o grupo de samba rock “Projeto Feijoada”, considerada uma das bandas mais animadas do verão 2014, estará se apresentando às 21 horas, na Praça do Erivelto. O Projeto Feijoada é um grupo que passeia

pelo samba rock, MPB e groove. Com versões e músicas autorais a banda faz um show com balanço e muita energia. Possui dois CD’s gravados “Cardápio” (2009) e “Se Joga Malandro” (2011). Vencedor do Prêmio Omelete Marginal na Categoria “Revelação da Música Capixaba”. No mesmo local, no domingo, às 21 horas, a descontração e as

gargalhadas estarão garantidas no espetáculo de humor com “Tonho dos Couros”. O humorista teve seu talento reconhecido nacionalmente quando, em 2004, venceu o “Primeiro Concurso Nacional de Piadas” do programa Show do Tom. Atualmente Tonho dos Couros mantém programas e esquetes em mais de 60 rádios nacionais.


16 Arte & Cultura Sexta-Feira 18 de abril de 2014

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Músico paraibano realiza turnê no ES em homenagem ao capixaba Sérgio Sampaio Com releituras de sambas escritos por Sampaio, a primeira apresentação acontece no dia 27 no Theatro Carlos Gomes

serviço: Fotos: Divulgação

Show - Chico Salles - Sérgio Samba Sampaio Entrada: gratuita Classificação: livre 27 de abril (domingo) Local: Theatro Carlos Gomes, Vitória Horário: 19h 28 de abril (segunda-feira) Local: Teatro Municipal Rubem Braga, Cachoeiro de Itapemirim Horário: 20h 06 de junho (sexta-feira) Local: Palco Aberto (Festa de Caboclo Bernardo), Linhares Horário: 22h

O compositor capixaba Sérgio Sampaio será homenageado pelo músico paraibano Chico Salles, que realizará uma turnê por cinco municípios do Espírito Santo com o show de lançamento do disco “Sérgio Samba Sampaio”. Com releituras de sambas escritos por Sampaio, a primeira apresentação acontece no dia 27 de abril, domingo, no Theatro Carlos Gomes, em Vitória. O CD “Sérgio Samba Sampaio” revela uma faceta da vasta obra do capixaba, mostrando a paixão dele pelos sambas-canções e suas letras bem humoradas, inteligentes e ainda atuais. O álbum conta com convidados ilustres: Zeca Baleiro, que lançou o projeto “O Balaio de Sampaio”, em 1998, e agora divide os vocais com Chico no samba “História do Boêmio”; Raimundo Fagner (Foto ao lado) em “Cada Lugar na Sua Coisa”; e Zeca Pagodinho em “Polícia, bandido, cachorro, dentista”, todas de autoria de

Sampaio. Em abril e junho, Chico Salles leva o show de lançamento do disco para apresentações gratuitas em cinco cidades capixabas, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Neste mês, Salles se apresenta em Vitória, no dia 27, domingo, no Theatro Carlos Gomes. No dia seguinte, 28, segundafeira, é a vez de Cachoeiro de Itapemirim, cidade natal de Sérgio Sampaio, receber o show no Teatro Municipal Rubem Braga. Em junho, a turnê chega a outras três cidades: dia 06 em Linhares, dia 07 em Montanha e no dia 08 em Afonso Cláudio. O projeto vem contribuir para manter vivo o nome de Sérgio Sampaio, considerado um dos “malditos” da MPB, que tem sido redescoberto pela nova geração. “A ideia deste CD surgiu depois ouvir novamente, tempos depois, os LP’s do Sérgio”, conta Chico Salles. “Reler Sérgio Sampaio

07 de junho (sábado) Local: Teatro Municipal, Montanha Horário: 20h 08 de junho (domingo) Local: Centro Cultural José Ribeiro Tristão, Afonso Cláudio Horário: 20h30

é se atualizar com a picardia e irreverência brasileira. Nada é mais contemporâneo na nossa música popular”. No roteiro, além das músicas do CD, como “Odete”, “Nem assim”, “O que pintar, pintou”, “História do boêmio” e “Cada lugar na sua coisa”, uma

versão instrumental de “Leros, boleros”, também do capixaba, e ainda músicas do repertório forrozeiro de Chico Salles, e um final que junta o grande sucesso “Eu quero é botar meu bloco na rua” com um cordel escrito pelo Chico que resume a trajetória do homenageado.


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