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Uma oração a todos os santos
“Os quatro seres vivos e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Todos tinham harpas e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Apocalipse 5,8).
(Oração composta por Santo Afonso de Ligório)
Grandes príncipes do Céu, santos auxiliadores, que por Deus sacrificastes todas as vossas possessões terrenas, riquezas, preferências e até mesmo a vossa própria vida e que, agora estais coroados no Céu, no prazer seguro da felicidade e da glória eternas; tende compaixão de mim, um pobre pecador neste vale de lágrimas, e obtém para mim, de Deus por quem deixastes tudo e que vos ama como servos fiéis, a força para suportar com coragem e paciência as provações desta vida, vencer as tentações e perseverar no serviço de Deus até o fim, para que um dia eu possa ser recebido em vossa companhia para louvá-lo e glorificá-lo, o supremo Senhor, cuja visão beatífica gozais e a quem louvais e exaltais para sempre! Amém!
Comentário:
Santo Afonso inicia sua oração aos santos chamando-os de “grandes príncipes”, ou seja, como membros da coorte celestial cujo Rei é Jesus. Essa comparação é inteiramente embebida nos Evangelhos, em várias passagens como, por exemplo, Mateus 25, 34.
Os santos, grandes amigos de Deus, sacrificaram tudo por Ele. Essa é uma característica, um sinal distintivo da santidade. É, simplesmente, a vivência do “primeiro e grande mandamento”: amar a Deus com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças. Podemos afirmar sem medo que esse mandamento contém todos os demais, de algum modo. E o amor ao próximo é o seu primeiro efeito (e sinal) imediato. Assim, não é possível um amor a Deus que seja desligado do amor ao próximo, como São João, o Apóstolo, explicou em suas Cartas, especialmente na primeira.
Como viver esse mandamento de amor radical a Deus? Não é tanto questão de sentimentos ou de emoções, mas, sobretudo, de uma “consciência”: um certo conhecimento de quem é, na verdade, Deus (mesmo um conhecimento bem iniciante pode ser já o suficiente...) É evidente que esse conhecimento é, antes de tudo, graça, dom.
Depois, como consequência, como cada um irá vivenciar na prática o amor a Deus é uma outra questão: uns irão fazê-lo de modo bastante discreto na vida cotidiana e comum (como a Virgem Maria e São José que foram as pessoas mais elevadas em graça e santidade). Outros irão realizá-lo de modo mais destacado e, mesmo, heróico.
É o caso de inú-meros santos canonizados. Em qual-quer um dos casos, eles são colo-cados em destaque para que sirvam de ânimo e de modelo para todos os demais fiéis, inspiração para eles e auxílio para compreenderem o poder da graça divina e os seus sinais característicos.
É preciso, no entanto, ter bem claro que, no caminho da santidade, não há receitas prontas. Assim, a maioria dos fiéis não é chamada a “deixar todas as posses”: isso não é possível nem conveniente. Alguns, sim, são chamados a fazer isto “ao pé da letra” para servirem de sinal, como uma espécie de bússola que aponta a todos os outros a direção espiritual adequada: o amor radical devido a Deus, que é, na verdade, o primeiro a nos amar, e com um amor que supera toda a nossa imaginação!