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A graça de seguir a Cristo

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Igreja Católica

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(S. AGOSTINHO DE HIPONA)

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e sigame”. Parece dura e pesada a palavra do Senhor: se alguém quiser seguilo, renuncie-se a si mesmo. Mas não é dura nem pesada, com a ajuda daquele que deu a ordem. Pois é também verdade o que lhe diz o salmo: “Por causa das palavras de teus lábios, eu não abracei caminhos duros”. Como é ainda verdade aquilo que ele próprio disse: “Meu jugo é suave, e leve, meu peso”. O que há de duro no preceito, a caridade intervém para que se torne suave.

Que significa: “Tome a sua cruz”? Suporte tudo o que maltrata, desta forma seguir-me-á. Ao começar a seguir-me a mim e a meus preceitos, através de seu comportamento, logo encontrará muitos críticos, muitos que proíbem, muitos que tentam dissuadir, e isto até mesmo entre os companheiros de Cristo.

Andavam com Cristo aqueles que proibiam os cegos de gritar. Haja, portanto, ameaças, até afagos, proibições de toda sorte; mas se queres seguir, transforma tudo em cruz: tolera, carrega, não sucumbas. Por conseguinte, neste mundo santo, bom, reconciliado, salvo, ou melhor, em vias de ser salvo, já agora salvo na esperança, “em esperança fomos salvos”; então neste mundo, que é a Igreja, seguidora incondicional de Cristo, disse a todos sem exceção: “Quem me quer seguir, renuncie a si mesmo”.

Será verdade que só a virgens devam ouvi-lo e não as que tem marido; devam as viúvas e não as casadas; devam os monges e não os que vivem em matrimônio; devam os clérigos, e não os leigos? Seguir Cristo é dever universal, de todo o corpo, de todos os membros, diferentes e distribuídos segundo a própria função.

Siga-o ela, toda e única, siga-o a pomba, a esposa, a redimida, a dotada pelo sangue do Esposo. Tem aqui seu lugar a integridade virginal, tem aqui seu lugar a continência da viuvez; encontra aqui seu lugar a castidade conjugal.

Estes membros, que têm aqui seu lugar, em seu gênero, em sua posição, e a seu modo, sigam a Cristo; renunciem a si, isto é, não presumam de si mesmos; tomem sua cruz, quer dizer, por Cristo tolerem no mundo tudo quanto o mundo lhes causa. Amem o único que não falha, o único que não é enganado, o único que não engana; amem-no porque é verdade aquilo que promete. Porque, contudo, não concede tudo logo, vacila a fé... Mantém-te firme, aguenta, tolera, suporta o adiamento, e terás tomado a cruz.

(Sermão 96, 1.4.9 - Santo Agostinho, 354-430. Foi Bispo de Hipona, ao norte da África. Doutor da Igreja).

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