Revista Fé e Nexto Janeiro-Fevereiro 2009

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Sumário

Revista da Igreja Metodista no Estado do Rio de Janeiro

CAPA:

Uma análise sobre a prática da educação metodista a partir da experiência com oInstituto Metodista Bennett

Nº 20 – Ano 2 – janeiro-fevereiro/2009

aponta para a necessidade de uma renovação e a

Expediente

importância de se definir a identidade do educador num colégio metodista. São destacadas dificuldades teóricas e práticas, fazendo uma abordagem da missão do professor como colaborador de uma missão apostólica e, mais

Bispo da Primeira Região Eclesiástica Paulo Lockmann Conselho Editorial

particularmente, como educador da fé.

Carta aos leitores

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Quem era João Batista?

5

Estudo e Reflexão

Ronan Boechat de Amorim – coordenador, Paulo Fernando Barros da Silva, Selma Antunes da Costa, Paula Damas Vieira, Luciano Amorim, Deise Luce Marques e Nádia Mello. Editora e jornalista responsável Nádia Mello (MT 19.333) Assistente de redação

A Vida que vence a morte

8

Espaço Aberto

Capa/Editoração Eletrônica Olga Rocha dos Santos

O professor do colégio metodista como educador da fé

Paula Damas

10

Contexto A importância da consolidação

13

Discipulado Martin Luther King: Uma obra inacabada

14

Circulação: 10 mil exemplares Esta publicação circula como suplemento do Jornal Avante, não sendo, portanto, distribuída

História Viva

Calendário Litúrgico Janeiro-Fevereiro Epifania (3ª estação) Período: 6 de janeiro a 29 de fevereiro. Cor litúrgica: branco por oito dias e depois, amarelo-ouro, a cor mais alegre de todas, a cor da realeza.

Temas básicos: manifestação do Cristo ao mundo como salvador de todas as pessoas. Símbolos litúrgicos: estrela e coroa dos magos, mãos, peixes.


C

ARTA AOS LEITORES

De Luther King a Obama Q

uando Barack Obama surgiu no cenário político inter-

Talvez na véspera de sua morte, Luther King pressentis-

nacional, o mundo vislumbrou a possibilidade de um

se o fim de sua carreira, quando proferiu um discurso fazen-

feito histórico: Estados Unidos teria seu primeiro presidente

do menção a Moisés. Assim como o patriarca, ele veria a

negro. E isso aconteceu justamente num país marcado pela

“terra prometida”, mas não entraria nela. De fato, a profecia

lembrança do segregacionismo. Klu Klux Klan, guetos, guer-

se cumpriu. Ele morreu sem ver seu sonho tornar-se realida-

ras entre brancos e negros nas ruas fazem parte da história

de. De King até Obama houve mudanças. No entanto, o ne-

do negro norte-americano. A ascensão de Obama ao cargo

gro continua sua luta, embora num cenário mais favorável.

máximo da maior economia do mundo nos trouxe à memó-

Obama como presidente dos Estados Unidos é um prova in-

ria outro grande nome do cenário afro-americano: Martin

contestável. Mas entre o sonho de Luther King e a realidade

Luther King, assassinado durante sua luta contra a discrimi-

de Obama ainda existem e existirão muitos confrontos dire-

nação nos Estados Unidos. No ano em que completaria 80

tos e indiretos por melhorias que vão além da cor da pele.

anos, sua trajetória é relembrada nesta edição como uma

Isso é bem real.

História Viva.

Por falar em melhorias, lembramos também de uma área

Diferente de Obama, que se converteu ao cristianismo já

que merece cudados especiais: educação. Todo início de ano,

adulto, tornando-se membro da Igreja Batista da Trindade

esse é um tema recorrente. Por se tratar de um setor de suma

Unida em Cristo, em Chicago, Luther King teve seus pri-

importância para o desenvolvimento socioeconômico de uma

meiros ensinamentos religiosos em seu próprio lar. Tanto é

nação, professores e técnicos em educação decidiram anali-

que ele foi ordenado pastor aos 19 anos. No entanto, seus

sar a qualidade do ensino metodista e concluíram que as res-

esforços não se limitaram em buscar apenas o Reino de Deus,

ponsabilidades dos educadores não se limitam aos livros di-

mas também garantir uma vida mais justa aqui na Terra, so-

dáticos. Vale apenas conferir.

bretudo para os negros americanos. Como um bom cristão,

Boa leitura!

nunca olhou para as circunstâncias por mais desfavoráveis

Nádia Mello Editora

que elas aparentavam ser.

B

OA DICA

O prisioneiro do Senhor, de autoria do bispo Paulo Tarso de Oliveira Lockmann, “revela uma posição de fé. Embora numa prisão romana, o apóstolo Paulo não se reconhece prisioneiro de César, mas sim de Cristo (cf. Ef 3.1). Na concepção cosmológica e histórica do apóstolo, quem governa o mundo é o Senhor da História, Deus. Por isso, Deus permitira sua prisão com um propósito, e, se desejasse, o soltaria, como já fizera antes. Sua prisão era, antes, uma oportunidade diferenciada de serviço a Deus, como fora a prisão em Filipos, quando todos foram tocados pelo louvor e testemunho de Paulo e Silas, culminando com a conversão do carcereiro”. Informações e pedidos na Sede Regional pelos telefones: (21) 2557-7999 e 2557-3542

4

Fé&Nexo


E

STUDO E

REFLEXÃO

Quem era João Batista? Bispo Paulo Tarso de Oliveira Lockmann

Nós, que vivemos num país de for-

alimentando-se de mel silvestre, era

No entanto, antes de vermos o seu

te influência católica romana, temos

magro e musculoso devido às longas

testemunho, vejamos o que Jesus disse

João Batista afetado por esta cultura

caminhadas pelo deserto, onde vivera

dele: “Então, em partindo eles, passou

religiosa; muito pouco de quem ele foi

até se manifestar a Israel (Lc 1.80).

Jesus a dizer ao povo a respeito de João:

e de seu testemunho foi ensinado. O que

Com certeza, não era o padrão de pro-

Que saístes a ver no deserto? Um cani-

se vê é o santo mártir sendo adorado

feta e homem de Deus que nós temos.

ço agitado pelo vento? Sim, que saístes

como aquele que por sua fidelidade a

Se entrasse, hoje, em uma de nossas

a ver? Um homem vestido de roupas

Deus foi assassinado, decapitado por

igrejas, certamente, antes que abrisse

ordem de Herodes (Mc 6.16).

a boca, seria posto para fora, como

Mas, na verdade, João Batista era,

mendigo.

sem dúvida, o último dos profetas ao estilo do Antigo Testamento. Suas semelhanças com Elias são notórias e reconhecidas (Lc 1.17), sua história de nascimento tem semelhança com Sansão (Jz 13.2-25), mas também com Samuel, pois tanto um como o outro nasceram de mulheres estéreis, o que aponta o nascimento como um propósito de Deus, um milagre (1 Sm 1.5-28; Lc 1.5-25). João Batista nasceu cheio do Espírito Santo, e, por orientação divina, foi consagrado a Deus. Seu pai, que havia ficado mudo em virtude de sua incredulidade, voltou a falar quando do seu nascimento (Lc 1.62-64). A figura de João Batista, ao iniciar seu ministério, impressionava: barbudo, pois fizera certamente voto de Nazireu, vestido de peles de camelo,

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Fé&Nexo


finas? Ora, os que vestem roupas finas

O TESTEMUNHO DE JOÃO

assistem nos palácios reais. Mas para

“... o que vem depois de mim tem,

que saístes? Para ver um profeta? Sim,

contudo, a primazia, porquanto já exis-

eu vos digo, e muito mais que o profe-

tia antes de mim...” (Jo 1.15).

lugar na Copa do Mundo, é como se tivesse tirado o último. Todos queremos a primazia. Aqui, entra o Evangelho. Nele, nós

ta. Este é de quem está escrito: “Eis aí

Sem dúvida, Jesus é o primogênito

devemos nos colocar no segundo pla-

eu envio diante da tua face o meu men-

de toda a criação, sendo Ele o primei-

no, e Jesus deve ocupar a primazia. Isso

sageiro, o qual preparará o teu cami-

ro, tendo a primazia, pede um reconhe-

pede reorganização dos nossos valores,

nho diante de ti. Em verdade vos digo:

cimento disso por cada um de nós.

pede que contrariemos nossos interes-

entre os nascidos de mulher, ninguém

Vivemos numa sociedade onde to-

ses pessoais e a tendência que nos cer-

apareceu maior do que João Batista;

dos querem ter a primazia, querem ser

ca. Com certeza, não é algo que se faz

mas o menor no reino dos céus é maior

os primeiros, reivindicam tratamento

somente com uma disposição mental ou

do que ele” (Mt 11.7-11). O que João,

diferenciado, em tudo se investe nesta

esforço humano: precisamos ser afeta-

o autor do Evangelho, disse? “Houve

idéia, anúncios de toda ordem querem

dos pelo Espírito, ou seja, nascer da

um homem enviado por Deus cujo

fazer de você alguém especial, mere-

água e do Espírito, conforme ensinou

nome era João. Este veio como teste-

cedor de tratamento diferenciado, en-

Jesus mais tarde ( Jo 3.5).

munha para que testificasse a respeito

fim, todos querem estar no centro. Isso

O anúncio de João Batista, além de

da luz, a fim de que todos virem a crer

no Brasil é tão sério que, quando a se-

colocar Jesus como prioridade, como o

por intermédio dele” (Jo 1.6-7).

leção brasileira de futebol não tira o 1º

primeiro, nos apresenta a graça de

6

Fé&Nexo


Deus: “...temos recebido da sua pleni-

maldição em nosso lugar (porque está

ensinada por Jesus. Uma queria mon-

tude graça sobre graça...” (Jo 1.16).

escrito: Maldito todo aquele que for

tar uma armadilha para Jesus, astúcia,

Isso deve ter soado entre os judeus

pendurado em madeiro), para que a

engano e traição, estratégias malignas.

comuns como verdadeira “boa nova”,

bênção de Abraão chegasse aos genti-

Além disso, alimentava-se do sangue

e, para os religiosos da sinagoga e do

os, em Jesus Cristo, a fim de que rece-

dos pecadores e pecadoras apanhados:

templo, como uma grande heresia. Por

bêssemos, pela fé, o Espírito prometi-

queriam ver um apedrejamento, algo

isso, as embaixadas religiosas que se

do” (Gl 3.13-14).

cruel, e já traziam as pedras. A outra, a

Por tudo isso, é que, quando pelo

de Jesus, era mansa, sem malícia ou

Espírito, João Batista anuncia a vinda

maldade. Ele nos enxerga conforme

O Judaísmo, como religião, era pe-

da graça sobre graça inaugura o Novo

somos: pecadores. Não como gostaría-

sado. Jesus mesmo afirmou isso ao se

Testamento, a nova aliança de Deus com

mos de ser vistos, por nossas belas rou-

referir aos mestres de Israel: “Atam far-

os seres humanos. O sacrifício de Jesus,

pas, títulos, cursos, sim, olha para nós

dos pesados e difíceis de carregar e os

o seu sangue, anula a sentença de morte

e diz: “... quem não tiver pecado atire a

põem sobre os ombros dos homens,

e maldição que estava lançada sobre to-

primeira pedra” (Jo 8.7). Em seguida,

entretanto, eles mesmos, nem com o

dos nós, transgressores da lei de Deus,

rompe com o machismo patriarcal ju-

dedo querem movê-los” (Mt 23.4).

pecadores e destituídos da glória-graça

deu, que dirige a palavra à mulher, coi-

Uma religião sem graça, pura discipli-

de Deus (Rm 3.23; 6.23). Paulo chega a

sa proibida. Um homem adulto não

na religiosa e ritual sem vida.

dizer que, segundo a mente, ele era es-

podia dirigir a palavra a uma mulher

O apóstolo Paulo, grande anun-

cravo da lei; segundo a carne, do peca-

que não fosse sua esposa, ou filha, em

ciador da graça, conseguiu mostrar o

do, e dá um gemido: “... quem me livra-

público. “... Nem eu tampouco te con-

contraste entre a religião judaica e a

rá do corpo desta morte?” (Rm 7.24). A

deno, vai e não peques mais.” (Jo 8.11).

mensagem de Jesus Cristo, já intro-

seguir, ele anuncia a graça do Espírito e

Com essa atitude, Jesus vive a religião

duzida pelo testemunho de João Batis-

da vida em Cristo Jesus: “Agora, pois,

da graça sobre graça, anunciada e tes-

ta. Ele dizia que a lei é como uma dama

já nenhuma condenação há para os que

temunhada por João Batista. Que lição

que acompanha a noiva, ou como se

estão em Cristo Jesus, que não andam

aprendemos: Jesus investiu na miseri-

dizia antigamente: um aio, aquele ou

segundo a carne, mas segundo o Espíri-

córdia, na restauração do pecador.

aquela que conduz a noiva ao noivo,

to”. Porque a lei do Espírito da vida, em

É esta a fé cristã que pregamos e

diante do noivo se encerra a função da

Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado

devemos discipular. Uma mensagem e

dama; neste caso, Cristo é o noivo. A

e da morte” (Rm 8.1-2).

discipulado que não discrimina, que

seguiram incumbidas de confrontar João Batista (Jo 1.19).

lei, do mesmo modo, vem ao nosso

A melhor ilustração da diferença da

ama, perdoa, salva, ensina, treina e en-

encontro e denuncia que somos peca-

religião dos mestres de Israel e a reli-

via os discípulos e discípulas como tes-

dores e que estamos debaixo da maldi-

gião ou fé anunciada por João Batista,

temunhas para contar a outros o que

ção, já que, biblicamente, pecado é

e vivida e ensinada por Jesus, é o epi-

maldição. A desobediência à lei de Deus

sódio narrado no próprio Evangelho de

traz maldição e morte, conforme a lei

João, no capítulo 8, a cena da mulher

revelada na Torah (Dt 27.26). Junto a

apanhada em adultério. Leia com cal-

isso, Paulo ensinando a Igreja na

ma pedindo o discernimento do Espíri-

Galácia, disse: “Cristo nos resgatou da

to Santo. Você fica estarrecido com o

maldição da lei, fazendo-se ele próprio

contraste entre a religião judaica e a fé

7

Fé&Nexo

Cristo fez por elas.

Paulo Tarso de Oliveira Lockmann bispo da Igreja Metodista na Primeira Região Eclesiástica


E

SPAÇO

ABERTO Para determinados ramos do conhecimento, notadamente a Antropologia, Sociologia e a Psicologia, o ser humano tem na agressividade sua força impulsionadora para realizações sublimes e ações dantescas. Essa realidade, entre o ser civilizado e o lobo, determina uma permanente tensão entre os valores da pessoa humana e os valores do contrato social estabelecido no processo civilizatório. Os séculos desse processo demonstram que o sentimento de matilha não respeita as

A Vida que vence a morte João 14.27

razões de quem é colocado, supostamente, como integrante desse rebanho. Por isso, a estupidez de uma guerra, geralmente de natureza econômica, onde vidas inocentes são ceifadas diariamente, não causa indignação e desconforto maior do que a indisposição gerada pelo excesso de comida e bebida; um desconforto superado por uma boa noite de sono. A morte de crianças palestinas são apenas notas jornalísticas que incrementam uma mórbida emoção provocada pelos programas e noticiários das redes de televisão e as multimídias eletrônicas internacionais. O massacre de crianças palestinas – estas têm sido a maioria – é registrado

Luiz Vergílio Batista da Rosa*

como uma lamentável consequência de causas maiores envolvendo árabes e israelenses. Mas por que se preocupar com as crianças que estão longe de nós e são vítimas de um conflito histórico e complexo? Sim, por que se preocupar com aquelas, tão distantes, quando no cotidiano das ruas, vilas, becos e praças de nossas cidades milhares de crianças sucumbem ao

8

Fé&Nexo


tráfico de drogas, à violência e à ex-

nhão perdida pelo pecado humano, pro-

pessoa que confessa que Jesus é Senhor,

ploração do comércio de seus corpos

duzindo reconciliação, nova vida e no-

aumenta a esperança de que mais vidas

prostituídos, da falência da estrutura

vos relacionamentos pautados pela éti-

serão defendidas, preservadas e salvas

familiar numa realidade socioeconômi-

ca do amor e pelo fruto da alegria, jus-

do coração de pedra (de lobo) para um

ca de pobreza que atinge parcelas sig-

tiça e paz. Apesar disso, continuamos

coração solidário, fraterno e consagra-

nificativas da população?

em guerra uns contra os outros. Assim,

do à missão daquele que trouxe vida

Como ter atitude diferente se esta

começamos mais um ano novo onde a

em abundância.

realidade justifica-se pela falta de uma

violência humana, que atenta contra a

Em Cristo reside a nossa esperança

educação universal e qualificada, de

própria vida, criação divina, continua.

de que a paz de Cristo, vivenciada en-

programas de saúde preventiva, de mo-

Guerras, tráfico, exploração, sinais de

tre nós, produza uma onda de entendi-

radia digna e de trabalho que permita o

morte ainda persistem.

mento e reconciliação, que se propaga

sustento necessário aos valores e direi-

Porém, persiste também nosso com-

na família e se estende a toda a socie-

tos da pessoa humana, ainda conside-

promisso profético, nossa ação sacer-

dade humana. Há esperança de que nes-

rados privilégios?

dotal e pastoral, como povo cristão e

te ano a vida também vença a morte!

A mensagem de Cristo anuncia a

metodista, anunciando, denunciando,

paz de Deus, que restabelece a comu-

derribando e edificando. A cada nova

9

Fé&Nexo

* Bispo da 2ª Região Eclesiática das Igrejas Metodistas


C

ONTEXTO

O professor do colégio metodista como educador da fé Ana Lucia Cordeiro Cruz Lago Iniciou-se um tempo de estudo e reflexão com vistas à renovação da prá-

râneo é uma questão moral, de com-

que, num colégio metodista, se consti-

petência e de sobrevivência.

tui ao mesmo tempo meta e desafio. A

tica educativa dos colégios metodistas.

Essa reflexão é dirigida, em primei-

educação enfrenta hoje uma crise mun-

Uma das dificuldades encontradas nes-

ro lugar, aos professores e técnicos em

dial. Generaliza-se uma filosofia de

ses esforços de renovação refere-se à

educação de nossos colégios. Ela apon-

vida voltada para o privatismo, o

identidade do educador num colégio da

ta para um ideal elevado, uma utopia

narcisismo e a satisfação egoísta e ime-

rede metodista.

Reprodução

diata dos sentidos.

Ressaltamos que

Nossos alunos de-

ensinar num colé-

vem aprender a

gio metodista é um

amar a todos como

ministério. Cons-

irmãos e irmãs na

tata-se que as difi-

sociedade humana

culdades são tão te-

e a dar de si para

óricas quanto práti-

construir uma soci-

cas e se referem,

edade mais justa e

sobretudo, à mis-

melhor.

são plena do pro-

A situação edu-

fessor como cola-

cacional na Améri-

borador de uma

ca Latina constitui-

missão apostólica

se um drama e um

e, mais particular-

desafio. Analisan-

mente, como edu-

do as deficiências

cador da fé. Afinal,

quantitativas e qua-

um ensino de qua-

litativas, propomos

lidade afinado com

uma educação liber-

as exigências do

tadora, que corres-

mundo contempo-

ponda às nossas ne-

10

Fé&Nexo


cessidades: uma educação que coloque

mentais como a justiça, a solidarieda-

nia mais justo e solidário, pois a edu-

o educando como sujeito do processo

de, a honestidade, o reconhecimento da

cação é um processo de construção e

educativo e se oriente no sentido de cri-

diversidade e da diferença, e o respeito

reconstrução de valores, procedimen-

ar um novo homem numa nova socie-

à vida e aos direitos humanos básicos

tos e experiências. Assim traçamos o

dade.

como suportes de convicções democrá-

perfil do aluno que queremos formar e

Devemos aprofundar e completar

ticas. A par disso, a escola tem um gran-

da comunidade educativa necessária

essa proposta de educação libertadora

de papel no fortalecimento da socieda-

para essa missão.

com a noção de uma educação evange-

de civil, das entidades, das organiza-

lizadora, pois a educação deve contri-

ções e movimentos sociais.

O ponto de partida para o desenvolvimento desse trabalho é a consciência

buir para a conversão do homem total

A escola tem, pois, o compromisso

de quem somos, da nossa realidade atu-

e para sua abertura a Deus e à comu-

de reduzir a distância entre a ciência

al e de nossas potencialidades, daquilo

nhão fraterna. A educação metodista

cada vez mais complexa e a cultura de

que podemos vir a ser se nos dispuser-

deve preparar agentes de transforma-

base produzida no cotidiano – e a pro-

mos a abraçar juntos esta missão de

ção permanentes, pois é o que a socie-

vida pela escolarização. Junto a isso,

educar na fé. A fé é algo muito existen-

dade da América Latina requer.

tem, também, o compromisso de aju-

cial, mas, ao mesmo tempo, está ligada

O Evangelho testifica que no minis-

dar os alunos a tornarem-se sujeitos

à história e à revelação de Deus por

tério de Jesus o processo educativo foi

pensantes, capazes de construir elemen-

meio de Jesus Cristo. Assim, entende-

priorizado. A educação, no entanto, es-

tos categoriais de compreensão e apro-

mos por fé o seguimento consciente,

teve lado a lado com a proclamação

priação crítica da realidade.

alegre e convicto do caminho de Jesus

histórica e profética e o ministério

Os desafios do século que se inicia

Cristo e a adesão a Ele dentro de uma

terapêutico de libertação e restauração

reafirmam a importância desse campo

comunidade cristã que celebra essa fé

que Ele desenvolveu.

de trabalho e abrem os colégios meto-

e busca crescer junto no compromisso.

Num mundo globalizado, transna-

distas a uma renovação pedagógica e

Qual o perfil do professorado dos

cional, nossos alunos precisam estar

pastoral com uma definição bem clara:

colégios metodistas do Brasil? Em

preparados para uma leitura crítica das

“o serviço da fé e a promoção da justi-

muito aspectos, é semelhante ao perfil

transformações que ocorrem em escala

ça”. A humanidade necessita de uma

do professor das demais escolas, sejam

mundial. Diante das intensas transfor-

restauração de princípios e valores cri-

privadas, sejam estatais. Muitos, inclu-

mações científicas e tecnológicas, pre-

ados segundo a justiça e a graça divi-

sive, fazem parte dos quadros do ma-

cisam de uma formação geral sólida,

nas. Por isso, a proposta pedagógica dos

gistério público, trabalhando numa re-

capaz de ajudá-los na sua capacidade

nossos colégios, além de seguir os

alidade, em geral, completamente di-

de pensar cientificamente e de colocar,

parâmetros da lei de Diretrizes e Bases

ferente das escolas metodistas. Quanto

da mesma forma, os problemas urba-

da Educação Nacional, baseia-se nos

ao aspecto religioso, muitos trazem

nos. Por outro lado, diante da crise de

fundamentos educacionais metodistas

consigo uma formação cristã básica,

princípios e valores, resultante da

conforme expressas nas Diretrizes para

que, na maioria dos casos, ficou numa

deificação do mercado e da tecnologia,

a Educação na Igreja Metodista.

primeira iniciação, sem aprofunda-

do pragmatismo moral ou relativismo

A educação confessional, dentro da

mento. Há os que vivem e expressam

ético, é preciso que a escola contribua

caminhada metodista da fé, traduz no

conscientemente sua adesão à fé e à

para uma nova postura ético-valorativa

despertar dos alunos para uma consci-

Igreja, as quais constituem valores sig-

de recolocar valores humanos funda-

ência crítica e um conceito de cidada-

nificativos em sua vida. Mas até que

11

Fé&Nexo


Reprodução

ponto o caráter con-

aparentemente nada

fessional da escola

têm a ver com reli-

metodista terá exer-

gião. O questiona-

cido alguma influên-

mento de dogmas

cia na decisão do

positivistas no mun-

professor de ingres-

do da ciência, a crí-

sar ou permanecer

tica a um relativismo

num colégio meto-

ético, o significado

dista? Não é fácil

das conquistas técni-

dizê-lo. De qualquer

cas ou o exemplo de

modo, em algum

fé religiosa de cien-

momento, lhe terá

tistas de renome po-

surgido esta pergun-

dem dar ocasião a

ta: qual o meu com-

discussões muito

promisso com a pro-

proveitosas.

posta da escola em

Diante de todas

que trabalha? Ou de

essas exigências, to-

forma mais positiva:

do o currículo da

como posso colabo-

vida da escola deve

rar com os metodis-

ajudar a testemunhar

tas para educar mo-

a fé, uma educação Ao educador, pede-se uma atitude

moral e a construção de uma autono-

pedagógica que parta do respeito pro-

mia moral em nossos alunos, de modo

Que essas perguntas fiquem dentro

fundo a cada pessoa, que use o diálogo

que os que passem por ela ganhem me-

do coração de cada um de nós para que

como método e que procure fazer do

lhores e mais efetivas condições de

assim entendamos pela fé o seguimen-

próprio aluno o sujeito do seu cresci-

exercício da liberdade política e inte-

to consciente, alegre e convicto do ca-

mento pessoal. A missão de educar na

lectual. É esse o desafio que se põe à

minho de Jesus Cristo e a adesão a Ele

fé, ou seja, educar moralmente e cons-

educação escolar neste início de sécu-

dentro de uma comunidade cristã que

truir em nossos alunos uma autonomia

lo. Mesmo assim, o tratamento da ques-

celebra essa fé e busca crescer junto no

moral é responsabilidade de todo o cor-

tão ética na escola ainda depende de in-

compromisso. Ressalto que essa fé não

po docente de um colégio metodista.

vestigações mais consolidadas. No en-

ralmente nossos alunos segundo a proposta filosófica da escola?

apenas leva a uma visão crítica da rea-

O dia-a-dia de uma escola oferece

tanto, constitui-se um desafio aos edu-

lidade e à descoberta progressiva das

oportunidades frequentes para educar-

cadores preparar-se para ajudar os alu-

causas da pobreza e da injustiça, mas

mos moralmente, para que o educador

nos nos problemas morais, tais como a

também busca estabelecer contato real

exerça sua missão de educador da fé

luta pela vida, a solidariedade, a demo-

com o mundo da injustiça e realizar

não só em situações em sala de aula,

cracia, a justiça, a convivência com as

ações que eduquem para a justiça e para

mas também no trato e convívio infor-

diferenças, o direito de todos à felici-

a caridade, olhando o mundo com o

mal. As ocasiões surgem, às vezes, de

dade e auto-realização.

olhar misericordioso de Deus.

forma inesperada e em disciplinas que

* Professora do Colégio Metodista Bennett

12

Fé&Nexo


D A importância da Consolidação ISCIPULADO

Paulo Fernando Barros da Silva* Deus é o Criador de toda humani-

al. “Desejai ardentemente, como crian-

coisas que temos visto e ouvido”

dade e estabeleceu princípios rígidos

ças recém-nascidas, o puro e genuíno

(At 4.20). E fazem como a mulher

que regem o desenvolvimento do ho-

leite espiritual, para que por ele seja

samaritana que “deixou o seu cântaro,

mem e possibilita a perpetuação da sua

dado crescimento para a salvação”

foi à cidade e disse (...) vinde, vede um

espécie. A Bíblia mesmo faz alusões a

(1 Pe 2.2). Devemos estar bem para aju-

homem que me disse tudo quanto te-

essas situações levando-nos a perceber

darmos os bebês que estão chegando,

nho feito” (Jo 4.28-29).

as realidades destes fatos e permitin-

pois a Bíblia diz: “Ora, todo aquele que

do-nos tomar as devidas providências

se alimenta de leite é inexperiente na

IV - SER INCENTIVADO A TER

em todas as fases de desenvolvimento

Palavra da justiça, porque é criança”

COMUNHÃO COM OUTROS CRISTÃOS

do nosso ser.

(Hb 5.13). Um bebê não pode cuidar

A Igreja Primitiva tinha como ca-

de outro bebê. Por isso, devemos ma-

racterística perseverar na comunhão uns

A FASE DO RECÉM-NASCIDO

nejar bem a Palavra de Deus e aplicá-

com os outros (At 2.42). “Conside-

EFÉSIOS 4.13

la especialmente em nossas vidas, ten-

remo-nos uns aos outros, para nos esti-

Para que não sejamos mais meni-

do a vida de Deus e um caráter irre-

mularmos ao amor e às boas obras; não

nos inconstantes, levados em roda por

preensível, qualidades que os adultos

deixando de congregar-nos, como é

todo o vento de doutrina, pelo engano

espirituais certamente possuem.

costume de alguns, antes, façamos ad-

dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Inicia-se no instante do nascimento

moestações, e tanto mais quando vedes II - MANTER UMA VIDA DE ORAÇÃO

que o dia se aproxima” (Hb 10. 24-25).

PERMANENTE

Devemos andar e estar na luz para que

e termina com a queda do coto umbili-

Seja lá o que estejamos fazendo du-

tenhamos comunhão uns com os outros

cal. Tem a duração, em média, de sete

rante o dia, os nossos corações devem

e assim, o sangue de Jesus nos purifi-

dias e vai depender dos cuidados que

pulsar pelo Pai celeste, pois tudo no

cará de todo pecado (1 Jo 1.7).

irá receber para desenvolver-se satisfa-

mundo e em nossas vidas depende da

Finalizando, os bebês espirituais

toriamente. Da mesma maneira acon-

oração. Disse Jesus: “...porque sem mim

também precisam ser avaliados para

tece com o bebê espiritual. E este ne-

nada podeis fazer” (Jo 15.5). A oração é

sabermos se estão desenvolvendo-se

cessitará:

o meio de comunicação estabelecido por

normalmente com meditação na Pala-

Deus; ela é tão imprescindível que Je-

vra de Deus; vida ativa de oração; tes-

I - ALIMENTAR-SE DA PALAVRA DE

sus, que não ensinou os seus discípulos

temunho de sua fé; comunhão com os

DEUS PARA PERMANECER VIVO

a pregar, os ensinou a orar. Nós também

outros cristãos e exercício da fé em to-

vamos ensinar a nossos bebês como de-

das as áreas: espiritual, física, sentimen-

vem se comunicar com o Pai.

tal, etc. E isso se dá através do acom-

“Não só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra de Deus” (Mt 4.4). Assim como um bebê natural necessita do seio de sua mãe, também o bebê es-

panhamento individual (discipulado) III - DAR TESTEMUNHO DA SUA FÉ

piritual precisa nutrir-se da Palavra de

Como um choro que o bebê não

Deus, porque é o único elemento que

pode conter, os novos crentes podem

pode ajudá-lo no crescimento espiritu-

dizer: “não podemos deixar de falar das

13

Fé&Nexo

dos Grupos Pequenos.

* Pastor e coordenador do Ministério Regional de Discipulado


H

ISTÓRIA

VIVA

Martin Luther King: Uma obra inacabada No dia 19 de janeiro, foi feriado nacional nos Estados Unidos, em ho-

o título de doutor em filosofia na área

no coração racista do chamado Deep

de teologia sistemática.

South, a terra da mais abjeta discrimi-

menagem a Martin Luther King Jr.,

Ao longo dos tempos, as igrejas

nação e segregação raciais. Um ano

quando completaria 80 anos. Quere-

negras, principalmente as batistas e

depois de sua chegada a Montgomery,

mos honrar a memória e a luta de um

metodistas, vieram a ser espaços de re-

King não teve como escapar ao desa-

dos maiores seres humanos que o sé-

sistência e luta contra o racismo e a se-

fio colocado pela inusitada e radical

culo XX teve oportunidade de oferecer

gregação racial nos Estados Unidos.

decisão de Rosa Parks, uma mulher ne-

a todas as gerações. Vamos refletir so-

Foram elas nutridas na aplicação do

gra de 42 anos de idade, que se recu-

bre a trajetória desse homem que sem-

ensino bíblico à vida cotidiana sofrida

sou ceder seu lugar a um branco num

pre soube que sua obra não terminaria

da população afro-americana, tanto

dos ônibus da cidade. Rosa, recente-

com a sua morte. Essa convicção fez

antes como depois de sua emancipação,

mente falecida, por causa de seu apa-

de Martin Luther King um símbolo para

tão bem expressa nos cânticos dos Ne-

rente tresloucado gesto no dia 1º de

todas as pessoas que lutam pela supe-

gro Spirituals.

dezembro de 1955, acendeu a chama

ração de todas as formas de exclusão e

Pesquisas mais recentes sobre o

de uma fogueira que logo estaria in-

pensamento de King mostram que sua

cendiando a vida de milhares e milha-

Mas quem foi Martin Luther King?

formação teológica tanto no Crozer

res de mulheres e homens negros em

Ele nasceu em Atlanta, em 15 de janei-

como em Boston o levaram a apro-

todo sul dos Estados Unidos, inclusi-

ro de 1929. Como seu pai, tornou-se

fundar sua resistência e crescentemente

ve de Martin Luther King. Quatro dias

pastor batista, sendo ordenado aos 19

oposição a qualquer forma intimista ou

depois, simultaneamente, ocorreram o

anos de idade, quando também se gra-

individualista da fé religiosa. Neste sen-

boicote contra as companhias de ôni-

duou em Sociologia na conceituada fa-

tido, King assumiu crescentemente a

bus, o julgamento de Rosa Parks, e a

culdade negra Morehouse College. Foi

agenda teológica do liberalismo norte-

eleição de King por unanimidade para

nessa mesma época que King pela pri-

americano, especialmente do Evange-

presidente da Associação para o Pro-

meira vez tomou contato com a vida e

lho Social (Social Gospel). A forte pie-

gresso [de Pessoas de Cor] de

obra de Mahatma Ghandi, passando

dade e espiritualidade místicas de King,

Montgomery.

desde então a estudar com seriedade

insertadas na cultura religiosa afro-

Em 1958, King sofreu um atentado

seus ensinos sobre a não-violência

americana, foram cada vez mais ao lon-

no Harlem, em Nova Iorque. No início

como estratégia para radicais mudan-

go de sua curta existência determina-

de 1960, ele foi transferido para Atlanta

ças sociais.

das por seu crescente e radical compro-

a fim de assumir com seu pai o co-

misso social na luta em favor da justi-

pastorado da histórica Igreja Batista

ça e da paz.

Ebenezer. Os anos seguintes veem King

discriminação.

Sua carreira acadêmica foi desenvolvida primeiro no Seminário Teológico Crozer, na Pennsylvania, onde se

Sua vida vai ter uma mudança ra-

cada vez mais articular politicamente a

bacharelou em Teologia, e posterior-

dical com a sua designação para o

luta contra o racismo, tanto local como

mente na Faculdade de Teologia da

pastorado da Igreja Batista da Aveni-

nacionalmente. Em agosto de 1963, em

Universidade de Boston, onde recebeu

da Dexter em Montgomery, Alabama,

um grande encontro nacional, King pro-

14

Fé&Nexo


feriu seu célebre discurso I have a

gros numa grande metrópole do norte

entra nela. No dia seguinte King é as-

Dream (Eu tenho um sonho). Nessa

do país e de um grande centro do libe-

sassinado.

ocasião King e outros líderes do movi-

ralismo norte-americano. É neste mes-

Nota da Redação. O homem que teve

mento se encontram uma vez mais com

mo ano que King vai começar a se en-

um sonho de viver numa sociedade

o presidente norte-americano John

volver no movimento contra a guerra

mais justa e sem preconceitos morreu.

Kennedy.

no Vietnam. No ano seguinte, em mar-

Mas sua morte não significa o fim des-

Em setembro quatro meninas ne-

ço de 1967, no Coliseu de Chicago,

se sonho. A eleição do primeiro presi-

gras são mortas num atentado à bom-

durante uma grande demonstração

dente negro nos Estados Unidos,

ba a uma igreja negra na cidade de

contra a guerra, King lança um forte

Barack Obama, que, além de afro-ame-

Birmingham, Alabama, e em novem-

ataque à política militarista norte-ame-

ricano, vem de família muçulmana, si-

bro o Presidente Kennedy é assassi-

ricana. No restante do ano, a situação

naliza para um mundo um pouco mais

nado. O ano de 1964 vê King envolvi-

social se agrava e se torna cada vez

próximo daquele sonhado por Martin

do em diversos protestos por todo o

mais tensa e conflituosa, com distúr-

Luther King.

sul dos Estados Unidos. No início de

bios urbanos explodindo em distantes

1965, Malcom X, ex-líder do movi-

partes do norte do país com enorme

mento muçulmano negro, é assassina-

número de feridos e mortos. Diante de

do por antigos companheiros muçul-

tal quadro, King cada vez mais articu-

manos. King, apesar de suas profun-

la sua luta não-violenta contra o ra-

das divergências ideológicas com

cismo com as lutas contra a

Malcolm, devido à questão do uso es-

guerra e a pobreza, explici-

tratégico da não-violência, expressa

tando cada vez mais com

seu profundo pesar pela morte do ou-

maior clareza a natureza

tro líder negro norte-americano mais

estrutural-econômica de

importante naquela década.

suas causas.

Em 1966 King toma a decisão que

Em fevereiro de 1968

vai gerar graves conseqüências para

é deflagrada a greve dos

os três anos finais de sua vida: ele re-

trabalhadores dos serviços

solve deslocar sua ação no movimen-

de água e esgoto de

to dos direitos civis para as cidades

Memphis, no Estado do

do norte dos Estados Unidos. Isto vai

Tennessee. King resolve

lhe custar problemas praticamente in-

apoiar o movimento e duran-

superáveis com os brancos liberais e

te uma marcha de protesto, a

os setores negros do norte. Os distúr-

violência irrompe e deixa o

bios urbanos particularmente no nor-

saldo de um morto e cerca de

te do país exemplificavam em gran-

cinquenta feridos. No dia 3 de

de parte o desencanto com a estraté-

abril, King profere diante da assem-

gia não-violenta ardorosamente de-

bleia dos grevistas o seu discurso: “Eu

fendida por King.

estive no alto da montanha”. Ele fez

Ao alugar um apartamento no

menção à passagem bíblica

gueto negro de Chicago, King passa a

em que Moisés só avista a

viver com o cotidiano da vida dos ne-

terra prometida, mas não

15

Fé&Nexo

Adaptação do artigo de Paulo Ayres Mattos, publicado na íntegra no site www.metodista-rio.gov.br e no metodistavilaisabel.org.br

Re

na

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