Ano 15 - Nº 127 - Julho 2016
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“Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil” O coordenador nacional do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile faz uma consistente análise do quadro político brasileiro. Em palestra no Sindicato dos Engenheiros do Rio e em entrevista ao Bafafá, ela afirma que a conciliação com a burguesia é um casamento desfeito que não adianta insistir. “Nós, como forças progressistas da sociedade, temos que debater e pensar em um novo projeto. O carro de som como forma de mobilização não serve mais”, garante.
Entrevista
e l i d é t S o r d João Pe
Foto: Adriana Medeiros
Recife
Para Stédile, o neodesenvolvimentismo da era Lula e Dilma esgotou. Caso o impeachment seja rejeitado, ele defende que Dilma venha a público com uma carta compromisso com a sociedade. “Não basta ela voltar. Tem de voltar com outro programa, outro ministério e esquecer esses partidos de merda do Congresso”, fuzila. Sobre o papel do parlamento, Stédile vai além: “Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem. Essa história de que todo poder emana do povo é uma falácia”.
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Temer, dois meses: o balanço do descalabro Leia o editorial na pagina 2
NESTA : O EDIÇÃ
Leonardo Boff José Maria Rabelo Ângela Carrato Chico Alencar Marcelo Chalréo Renato Cinco Ricardo Rabelo João Claudio Platenik Pitillo Emanuel Cancella Agamenon Oliveira
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Editorial
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Temer, dois meses: o balanço do descalabro
Não foi preciso esperar muito para ver a cara deste governicho que assaltou o poder com o apoio dos porões da política nacional. O balanço destes pouco mais de dois meses é assustador, prenunciando um futuro de desgraças para o povo brasileiro. Nas linhas seguintes, o leitor encontrará um balanço das medidas tomadas ou anunciadas por Temer e seus asseclas. 1 - Eles vão vender o que puderem do patrimônio público, a começar pelo pré-sal, cuja alienação já foi aprovada no Senado e caminha para ser aprovada também na Câmara. É uma riqueza estratégica que estamos entregando, praticamente por nada, às multinacionais petrolíferas. A própria Petrobras está a caminho de ser esquartejada, pois além da entrega do pré-sal, está a caminho a venda da BR Distribuidora e da Transpetro, enfraquecendo imensamente o poder econômico de nossa maior estatal. 2 - Para atender os grandes interesses que o apoiaram, o governo Temer conseguiu aprovar na Câmara, já em segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que eleva para 30% o percentual da receita de todos os impostos e contribuições sociais federais, que ele poderá usar livremente a partir de agora. Tal alteração retira da Seguridade Social cerca de R$ 120 bilhões anuais, que serão mais de um trilhão até 2023, o limite de duração da PEC. Com este rombo gigantesco, ficará fácil ao governo justificar o aumento do tempo de serviço para a aposentadoria dos trabalhadores. Já está em estudo a proposta de fixar em 70 anos a idade mínima para obter esse benefício. 3 - A política relativa ao salário mínimo será outra medida antissocial do governo Temer. Não será mais reajustado de acordo com
a inflação e o crescimento do PIB, como foi estabelecido nos governos Lula e Dilma. A remuneração que é hoje de R$ 880,00 mensais, não teria passado de R$ 500,00, se este novo critério já estivesse valendo. 4 - O 13º salário poderá ser pago mês a mês, e não em uma ou duas datas como acontece hoje. Essa prática, na realidade, extinguirá o 13º, pois as empresas irão considerá-lo parte integrante do salário normal, tornando-se fácil sonegá-lo ao trabalhador. 5 - Se igualmente depender do desejo do governo, será eliminada a exigência constitucional dos gastos mínimos com Educação e Saúde, como vimos no caso da Seguridade Social. A mudança representará uma perda de bilhões de reais. 6 - No plano da luta contra a corrupção, o quadro é desolador: dois ministros dos mais importantes tiveram de ser afastados por acusação de improbidade administrativa. O próprio Temer está acusado em quase uma dezena de processos. Por isso, as tentativas em curso para embaraçar os trabalhos da operação Lava-Jato e de outras iniciativas judiciais em defesa do dinheiro público. 7 - A repercussão internacional desses atos desmoralizadores atinge diretamente o nome do Brasil, visto como um país tolerante com a corrupção e o mau uso dos recursos públicos. Basta ver os comentários dos principais jornais do mundo, como o New York Times, o Le Monde, o Financial Times, o El País e outros, que têm sido inclementes na crítica aos desvios morais do governo Temer e seus auxiliares. Este é, em poucas palavras, um rápido e incompleto balanço dos dois meses e pouco da ação da camarilha que tenta, em seu benefício, promover o impeachment de Dilma.
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O assalto contra o pré-sal José Maria Rabêlo*
Como havíamos advertido várias vezes, o governo nascido do golpe contra Dilma vai entregar o pré-sal, nossa maior riqueza mineral, às grandes empresas internacionais que controlam o negócio do petróleo. O projeto nesse sentido do senador tucano José Serra, ministro de Relações Exteriores, já foi aprovado no Senado e certamente terá o mesmo destino na Câmara de Deputados. Temer só espera o fim do processo contra Dilma para anunciar as regras entreguistas do pré-sal. Por elas, a Petrobras perde a condição de operadora única de nossas reservas oceânicas, que passarão ao controle das multinacionais, com a Shell à frente, que sempre tentaram e até aqui não haviam conseguido ter uma posição relevante na indústria petrolífera brasileira. Agora, graças a esse governo ilegítimo, sem apoio popular, nascido dos porões da política nacional, aquelas multinacionais vão receber de mão beijada o incalculável patrimônio, que nada fizeram para construir. Ele é fruto exclusivo do trabalho de milhares de
brasileiros, engenheiros, técnicos, operários e empregados, que transformaram a Petrobras numa das maiores empresas produtoras do mundo e a maior na extração em águas profundas. Apesar de todas as campanhas para denegri-la e desmoralizá-la, movida principalmente por uma mídia alugada aos interesses antinacionais, conseguiu manter-se de pé, superando todos os desafios, numa demonstração da capacidade de luta do povo brasileiro. Diante dessa campanha inclemente, é preciso colocar de novo nas ruas o movimento “O Petróleo é Nosso”, que nas décadas de 40 e 50 do século passado reuniu milhões de pessoas mobilizadas na defesa do monopólio estatal, do qual resultaria a Petrobras em 1952. Só o povo mais uma vez poderá impedir esse assalto promovido por Temer e seu bando de entreguistas, contra a independência econômica e o futuro do Brasil, pois um país que doa suas riquezas básicas, como o petróleo, aliena sua própria soberania. As forças progressistas não podem cruzar os braços diante desse crime em anda-
mento. Partidos de esquerda, organizações sindicais e estudantis, entidades políticas, de intelectuais, professores, religiosos, todos os patriotas estão chamados à nova luta na defesa da Petrobras, hoje concentrada na defesa no pré-sal. A entrega do pré-sal, que está sendo promovida pelo governo Temer deve levar os brasileiros às ruas na defesa da Petrobras, na reedição do movimento “O Petróleo é Nosso”, que nas décadas de 40 e 50 levantou o povo brasileiro em todo o País. O processo de impeachment de Dilma, voltamos a dizer, teve e tem como objetivo a alienação do petróleo brasileiro. Nossas reservas, além de sua grandeza, são as únicas fora das áreas conflitivas do planeta. Daí sua importância estratégica que as fazem alvo da cobiça internacional, sobretudo daquelas nações que sempre se consideraram donas do mundo. Este extraordinário acervo que a natureza nos deu e que nós transformamos em refinarias, tubulações, usinas e fábricas, está por ser doado à pirataria internacional por um governo de atravessadores do poder. Não vamos aceitar este crime contra o Brasil. *Jornalista
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Resposta dos petroleiros à entrevista de Pedro Parente Emanuel Cancella* Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo publicada na edição de segunda-feira (18), o presidente Pedro Parente disse: “Sou contra falar em privatização da Petrobrás”. Mas vale dar uma relembrada no passado para entendermos de fato o que o atual chefão da Petrobrás pensa na verdade. Na entrevista concedida, Pedro Parente desfia seu rosário: “O nosso trabalho é deixar absolutamente evidente que fomos vítimas dessa quadrilha” – falou se referindo aos escândalos da Lava Jato. Porém, é preciso que a sociedade saiba de que quadrilha o presidente está falando? Da quadrilha que implantou a “Privataria Tucana”, que tentou privatizar a Petrobrás dando o pré-sal como bônus? Que fizeram da mesma maneira como na Vale do Rio Doce, e que hoje tentam fazer com a Petrobrás, ao desmoralizar a empresa e seus funcionários para depois vendê-la por preço um aviltado. Se dependesse do governo de FHC, que Parente fez parte, a festa do descobrimento do pré-sal seria realizada no Texas ou em algum país Europeu! Não dá para aceitar Senhor Parente, a sua afirmação na entrevista à Folha: “E, em razão dessas metas irrealistas, precisamos construir mais refinarias, fazer mais contratos disso e daquilo... Veja, por exemplo, o Comperj, no qual a empresa investiu US$ 13 bilhões, mas não obteve nenhum retorno”. Ora bolas, o Brasil gastou em seis anos cerca de R$ 80 bi para importar gasolina e diesel para suprir o mercado interno que expandiu. Vendia mais barato no Brasil para não impactar a inflação. Se tivéssemos construído as duas refinarias não seria necessário importar, pelo contrário, poderíamos estar exportando derivados. O Comperj é a retomada do braço petroquímico, a parte mais lucrativa da indústria do petróleo: são mais de 3.000 produtos de derivados que resultam em smartphones, tablets, celulares toda linha de eletros eletrônicos, tênis, etc. Por isso, parar o braço petroquímico do Comperj é crime lesa pátria! As dividas da Petrobrás e o valor da corrupção não chegam a um porcento das reservas de
petróleo da empresa que são de 100 bilhões de barris. Sem contar as 11 refinarias, mais de 100 plataformas marítimas, mais de 8.000 km de dutos, etc. Isso demonstra claramente que a Petrobrás está longe de estar falida. Pedro Parente fala sobre o conteúdo local da Lei de Partilha: “O que não acho aceitável, nem possível, é que seja uma política de reserva de mercado” - criticou. Mas foram com esses argumentos que FHC levou a Indústria Naval para o exterior. Construímos navios, plataformas, sondas no exterior, gerando empregos e renda para os gringos. E continua Parente na entrevista: “Tem projeção recente das perdas com ações nos EUA?” – indaga. Bom, a Operação Lava Jato convocou os procuradores americanos para investigarem a Petrobrás, isso equivale a legitimar a espionagem. Todos os membros da força tarefa da Lava Jato são funcionários públicos que têm como função precípua defender o Patrimônio Público. Mas fica evidente que a Lava Jato quer arrebentar com a Petrobrás. O Interessante que a operação não mandou nossos procuradores investigarem a Chevron, petroleira americana, denunciada pelo Wikileaks em lobby contra a Petrobrás. Parente, na entrevista, fala sobre os petroleiros: “Não é da sua equipe, é de uma minúscula minoria. Em um grupo de 80 mil indivíduos, 20, 30 são desonestos” – diz. O executivo da Petrobrás, Hugo Repsold Júnior, diretor executivo de Recursos Humanos, SMS e Serviços, falou em entrevista que existiriam mais de 1.000 funcionários envolvidos em corrupção na companhia. É bom lembrar que o Sindipetro-RJ entrou com denúncia junto ao Ministério Público, querendo saber o nome desses funcionários. Na verdade, o que se percebe é que no governo de FHC eles tentaram privatizar a Petrobrás chamando os petroleiros de marajás, e agora da mesma forma faz a Globo. Senhor Pedro Parente, a Lava Jato tenta passar para a sociedade que os petroleiros são corruptos para justificar a entrega da Petrobrás aos gringos. Não se esqueça de que quando o petróleo era um sonho os petroleiros foram às ruas no maior movimento cívico, “O Petróleo é Nosso!”, que resultou na criação da Petrobrás em 1953. Era Fernando Henrique: os vendilhões do templo
Na década de 1990, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do qual ficou conhecido como o “ministro do apagão”, com apoio das Organizações Globo, Parente e sua trupe tucana tentou privatizar a Petrobrás. Os petroleiros responderam com uma greve de 32 dias, em 1995, e com apoio da sociedade organizada, conseguiram derrubar a privatização. Mas antes, no mesmo ano, os tucanos já tinham dado um jeito com a quebra do monopólio, com sua aprovação através de uma emenda constitucional. Frustrados na privatização, os tucanos dividiram a Petrobrás em unidades de negócios com o objetivo de vendê-la de forma fatiada. Dado a resistência da categoria, venderam só 30% da Refinaria Alberto Pasqualini -REFAP, refinaria do Sul do Brasil, que depois foi recomprada no governo Lula. E agora de novo, o Sr. Pedro Parente quer retomar o mesmo processo com a venda fatiada da Petrobrás. Não custa lembrar que na década de 1990, o governo tucano, principalmente com ajuda das Organizações Globo, comparava a Petrobrás a um paquiderme, e chamavam o petroleiro de Marajá. Mas a grande resposta dos petroleiros não foi somente a greve de 32 dias, e sim veio, em 2006, com o desenvolvimento da tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal. Mas como recordar é viver, a Globo cuja sua afiliada, a RBS, teve como vice-presidente, Pedro Parente, publicou um editorial em dezembro de 2015, dizendo: “O pré-sal pode se tornar patrimônio inútil”. É sabido que os governos do PT afastaram a ameaça de privatização, aumentaram o efetivo da companhia de 33 mil para 85 mil, retomaram a indústria naval, descobriram o pré-sal, estavam construindo duas refinarias no Nordeste (Ceará e Maranhão) para dar ao país a autossuficiência no refino. E ainda temos o Comperj em construção em Itaboraí-RJ. E agora que o petróleo é uma realidade nos vamos permitir a sua entrega, a preço de banana? *Diretor do Sindipetro-RJ e secretário geral da Federação Nacional do Petroleiros – FNP
O enfrentamento das forças conservadoras Agamenon Oliveira* É notório entre as diversas correntes da esquerda brasileira, que o avanço das forças conservadoras no país, necessita de um urgente enfrentamento em todos os campos: político, econômico e ideológico. O que não é consenso, no entanto é o diagnóstico de como chegamos a esta situação. Em nossa opinião, os chamados governos de coalizão jogaram muita água no moinho da direita sendo uma das causas fundamentais para seu crescimento e rompimento de um pacto que somente se manteve até que essas forças se fortalecessem para tratar de destituir o governo de aliança hegemonizado pelo PT. A ilusão em uma pseudo colaboração de classes
foi o erro crasso cometido pela esquerda. O cenário que vislumbramos é dos mais complexos e cheio de dificuldades e armadilhas. No plano político, devemos aproveitar o período eleitoral que se avizinha para nos aproximarmos dos candidatos de esquerda para influenciarmos seus programas de ação e denunciarmos o caráter ilegítimo do governo Temer e que sua gênese golpista significa também uma quebra do processo democrático e que dai resulta uma fragilidade preocupante das instituições que sustentam o estado de direito no Brasil. No plano econômico as contrarreformas da previdência, das leis trabalhistas e a perspectiva de uma terceirização generalizada levarão a uma quebra da espinha dorsal das organizações dos trabalhadores e consequen-
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temente ao enfraquecimento e disposição de luta contra o estado de coisas que está sendo montado a cada dia do governo Temer. No plano ideológico, uma luta sem quartel tem que ser organizada contra as ideias neoliberais principalmente porque elas além de frágeis em seus fundamentos podem ser contestadas tantos são os exemplos desastrosos de sua aplicação. A Companhia Vale do Rio Doce, empresa entregue de bandeja numa brutal transferência de ativos públicos para o setor privado, hoje está em situação pre falimentar além de ser em grande parte responsável pelo maior desastre ambiental da história do Brasil. Isto sem falar na Oi símbolo da falácia das privatizações da era FHC e da mega corrupção que a caracteriza. Agamenon Oliveira - Diretor do Senge/RJ
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Ricardo Rabelo Pergunta
Uma pergunta que não quer calar: cadê os resultados do governo interino Temer? Cadê a mídia ensandecida que perseguia implacavelmente o governo Dilma? Agora está silenciosa diante do fracasso do governo Temer, como se não soubesse o que está acontecendo, o fracasso completo dos novos governantes. Até quando vamos ser enganados por essa gente que não respeita a si própria?
Nitidez
Está bem nítido que a intenção de tirar Dilma é muito mais jogo de interesse da burguesia do que o combate à corrupção. Para começar, nada, absolutamente nada, respingou contra ela. Não tem transferência ou cheque em conta bancária, depósitos no exterior, gravação de propinas. Por outro lado, o desgoverno Temer já disse ao que veio: suprimir os benefícios e desmantelar os programas sociais, entregar o pré-sal às petro-
líferas estrangeiras e privatizar os Correios, CEF, Banco do Brasil e a Petrobras, a cereja do bolo. Os dois meses de Temer no Planalto têm como carro chefe uma política de terra arrasada. Se esse governo for confirmado, o Brasil regredirá 50 anos no tempo.
Temer: enquanto soma ótimo e bom (13%), não soma o regular (36%) ao péssimo (39%) que daria 75%. Isso que eu chamo de má-fé da informação.
Dilma inocente
O que a direita nunca quis aconteceu: a sangria de Lula não surtiu efeito. A última pesquisa da Datafolha aponta ele na liderança das intenções de votos para presidente em 2018 com 22% das preferências. A segunda colocada é Marina Silva com 17% seguida de Aécio Neves com 14%. Esses números são motivo de comemoração para Lula. Afinal, ele foi massacrado nos últimos meses pela mídia, teve a vida devassada pelo Ministério Público, pelo juiz Sérgio Moro e pela Receita Federal. Nunca vi alguém crescer sob fogo cerrado como Lula. Quem apostou no fim da sua carreira deve estar com os cabelos em pé!
Laudos de técnicos do Senado e de procuradores do Ministério Público apontaram que Dilma não cometeu pedaladas. As operações foram consideradas normais e não constituem irregularidades. No entanto, a mídia omitiu essas informações e insiste em pregar a destituição de nossa mandatária. Será que esse imbróglio ainda vai parar no STF?
Esperteza
Olha a sem-vergonhice da última pesquisa de opinião da CNI/IBOPE sobre a popularidade do governo golpista do
Datafolha
Sucessão
Volto a repetir nesta coluna: as entidades da sociedade civil deveriam
criar um “selo de confiabilidade” para os candidatos em 2016. Para obter o selo, eles teriam que provar ter ficha limpa. Sem selo, sem voto!
Sucessão II
Lamento a esquerda não ter chegado a um consenso para lançar apenas um candidato à sucessão de Eduardo Paes. O que preocupa é que apenas candidatos da direita cheguem ao segundo turno. Da minha parte, já tomei a decisão: ainda no primeiro turno votarei no candidato progressista que mais chance tiver de ir para a segunda rodada.
Traição
sive seu braço direito Pedro Paulo, para votar pelo impeachment de nossa presidente. Sinceramente: alguém assim merece respeito e credibilidade? Como dizia Brizola: “A política ama a traição, mas abomina os traidores”.
Protestos
Os movimentos sociais prometem protestos generalizados durante as olimpíadas. Grandes marchas estão previstas em todas as capitais do país no dia da abertura dos jogos. A ideia é aproveitar a presença de 20 mil jornalistas na cidade para denunciar o golpe.
Bafafá Online De todas as traições que Dilma e Lula sofreram a de Eduardo Paes é a mais despudorada. Isso porque ele foi o principal bajulador de ambos e só conseguiu governar graças às generosas verbas do governo federal. Não tem uma obra no Rio de Janeiro que não tenha verba de Brasília. Além de trair Lula e Dilma, o prefeito ainda liberou auxiliares, inclu-
É com grande satisfação que o Bafafá Online chegou a 25 mil seguidores no Facebook. A nossa página divulga diariamente uma seleta agenda cultural da cidade e arredores. Já foi lá conferir? Se gostar curta e divulgue para os amigos: www.facebook.com/ bafafa.online
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Renato Cinco
Entrevista
por Ricardo Rabelo
“Sou ecossocialista e libertário” Renato Athayde Silva, mais conhecido como Renato Cinco, é um destacado ativista de esquerda. Formado em sociologia, ficou conhecido por ser um dos líderes da Marcha da Maconha em favor da legalização da erva, além de ter atuação em diferentes movimentos sociais. Eleito vereador pelo PSOL em 2012, travou importantes debates na Câmara em defesa dos professores, da saúde e da liberdade de expressão. Atualmente, é presidente da Comissão Especial de Enfrentamento do Colapso Hídrico e vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal. Em entrevista ao Bafafá, Renato Cinco faz uma análise da conjuntura nacional, o processo de impeachment da presidente Dilma, olimpíadas, cultura e utopias. “Sou ecossocialista e libertário e luto cotidianamente pela transformação radical da nossa sociedade”, afirma.
Como está vendo o processo de impeachment da presidente Dilma?
Não há dúvidas de que o processo em curso no país é um golpe. Não nos moldes em que se deu o Golpe Militar em 1964, mas um golpe parlamentar. O impeachment está previsto na Constituição. Mas, para que seja constitucional, precisa seguir as normas e leis. O impeachment da presidente Dilma foi fruto de um acordo entre o PMDB e o PSDB para abafar a Operação Lava Jato, evitando que ela chegue em Renan Calheiros, Eduardo Paes e afins. Michel Temer é um presidente ilegítimo, que está aplicando uma política de privatizações e retirada de direitos dos/as trabalhadores ainda mais radical do que a adotada por Dilma. Mas a população está resistindo. Ocupações, greves e mobilizações têm acontecido em todo o país. A luta pelo “Fora Temer” está crescendo. Sou contra o impeachment e defendo o “Fora Temer”. Isso não quer dizer que alimente nenhuma ilusão com o governo Dilma e nem com o PT.
Ela tem alguma chance de voltar?
Pela correlação de forças, não acho que seja
provável que ela retorne.
E as olimpíadas. Trazem algum legado para a cidade?
Até agora, só trouxeram problemas. Muitas promessas foram feitas, nenhuma cumprida. A Baía de Guanabara não foi despoluída; a melhoria e diversificação do transporte público não aconteceu; equipamentos públicos de esporte foram fechados; e atletas seguem sem espaço de treino e prática esportiva. Esses são apenas alguns exemplos. Um montante absurdo de dinheiro público foi gasto. Muitos benefícios foram dados para empresários e especuladores imobiliários. Para a população restou um rastro de injustiças e violações de direitos.
Como está vendo a falência do Estado do Rio?
A falência do estado é fruto das prioridades adotadas pelas últimas gestões. Um aspecto importante é o avanço crescente da privatização de serviços públicos, como transporte e saúde, que acaba por ser mais oneroso aos cofres públicos. Outro é a quantidade de benefícios e isenções fiscais
concedidas às grandes empresas. Muitas prestam péssimos serviços para a população, como a Supervia. Outras destroem a natureza e prejudicam a saúde do povo, como é o caso da TKCSA, em Santa Cruz.
O que pode ser feito para melhorar a cidade?
A principal melhoria seria organizá-la pensando nas pessoas que vivem nela, especialmente as mais pobres. Hoje, a cidade está sendo construída para garantir o lucro de poucos. É preciso universalizar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O transporte deve ser encarado como um direito fundamental, não como um negócio, com tarifa zero e priorização dos meios de transporte coletivos, particularmente sobre trilhos. O respeito ao meio-ambiente também precisa estar presente em todas ações da prefeitura.
O Rio ainda é a capital cultural do país?
Muito do que acontece no Rio ainda influencia todo o país. Mas isso acontece não só
porque a cidade é um polo de produção cultural, mas também porque a mídia hegemônica valoriza muito mais o que acontece na região sudeste - Rio e São Paulo, principalmente - do que no resto do país. É fundamental que se valorize a diversidade e a riqueza das manifestações culturais brasileiras, sem que se hierarquize de acordo com a região de origem.
Tem alguma utopia?
Sim. Acredito que seja tanto possível quanto necessário construir um mundo livre de todas as formas de opressão, sem desigualdades sociais, em que não mais exista a exploração do homem pelo homem. Um mundo em que a ganância de poucos não esteja acima da vida de milhares de pessoas e em que todos/as sejamos iguais em nossa diversidade. Uma sociedade que esteja assentada numa nova relação com a natureza, que respeite seus ciclos e garanta a sua preservação. Sou ecossocialista e libertário e luto cotidianamente pela transformação radical da nossa sociedade.
Sangue no azul do mar Chico Alencar* Morrer de doença, mesmo súbita, abre chance de algum consolo. Fazer o quê? Mas ter a vida ceifada por um semelhante, que decidiu eliminá-la, é inaceitável, sobretudo quando não há situação de confronto aberto, direto. O chamado “terror” tem essa característica abominável: é covarde, traiçoeiro, perverso. Sempre fico chocado quando imagino pessoas felizes, celebrando a existência, e, de repente, explode sua negação, vem a ruptura brutal da morte. Em casas de festas, em praças públicas, em qualquer lugar de encontro. Não está certo! Quando crianças e jovens são atingidos, então, o brutal torna-se ainda mais bárbaro. Não tem explicação! Taher Harzi, um trabalhador tunisiano aposentado, pai de dois militantes do Estado Islâmico mortos sob ataque aéreo, diz que os assassinatos de Nice são compreensíveis: “Quando eles bombardeiam a Síria e o Iraque, não poupam mulheres nem crianças. Temos o direito de fazer o mesmo. O profeta Maomé diz que se uma terra muçulmana é invadida, é nosso dever lutar. As leis de Alá determinam que não machuquemos quem
não nos machuca. Nunca fizemos nada contra o Brasil, mas a França, os EUA... eles começaram!” (Folha de São Paulo, 17/7/16). Não sei o que Harzi diria sobre mãe e filhinha brasileiras mortas em Nice, ou de outros cidadãos de países que não estão na coalizão contra o EI. A verdade é que o “terror” como método de ação política é covarde, traiçoeiro, perverso e... indiscriminado. Vitima sempre inocentes. Sim, ele recruta muitos inconformados – e é saudável a reação crítica a qualquer (des)ordem excludente. Só que, movidos a ódio, esses “rebeldes” escolhem alvos indefesos para realizar sua “justiça” e impor medo. Qualquer arma vale para matar os inimigos, até caminhão em zigue-zague deixando rastro de destruição. Como admitir um Deus que abençoe tamanha crueldade? A supremacia militar do Ocidente não resolverá os crescentes conflitos de culturas, territórios, valores e modos de vida. Ainda que possa reduzir, como é neces-
sário, essas agressões letais. Por absurdo que pareça a Trumps e Le Pens , talvez a espantosa fala do muçulmano fundamentalista Harzi nos traga um ponto de partida, um tênue traço de união: ele justifica os ataques criminosos como reação, como resposta. “Só machucamos quem nos machuca”. Compreender as razões de quem se sente “machucado” pode abrir algum caminho junto àqueles que, ainda segundo o salafista, “são pessoas que rezam, temem a Deus e são controladas”. Aos nossos olhos estão longe de sê-lo, mas apenas pregar que os que eliminam têm que ser eliminados não nos conduzirá às raízes da insanidade política reinante. Como dizia Gandhi, “na linha do olho por olho, em breve tempo estaremos todos cegos”. Além do mais, há profundas divisões no mundo muçulmano, e seguidores do Islã também são vítimas de atentados covardes – as mais numerosas, por (trágico) sinal. *Professor de História (UFRJ), escritor e deputado federal (PSOL/RJ).
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TRIBUNAL INTERNACIONAL PELA DEMOCRACIA NO BRASIL Os movimentos sociais brasileiros resolveram instituir na cidade do Rio de Janeiro um Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil. Para tanto foram convocados vários intelectuais estrangeiros, da mais alta qualificação, para comporem um Corpo de Jurados, com a atribuição exclusiva de julgarem esse procedimento de ruptura democrática. O julgamento foi desenvolvido em três etapas. Na primeira, foram ouvidas testemunhas e oferecidas as alegações orais pela acusação e defesa. Na segunda, cada jurado dispôs de 30 minutos para proferir seu voto. Na terceira, foi prolatada a sentença final, de conformidade com a decisão tomada pelos jurados. DECISÃO: O Corpo de Jurados, depois de ouvir a acusação e a defesa, bem como de examinar os documentos, pareceres e relatórios constantes dos autos, e ouvidas as testemunhas, por unanimidade, respondeu SIM a todos os quesitos. Dessa forma, decidiu o Corpo de Jurados julgar procedente a pretensão da acusação para declarar que o processo de impedimento da Presidenta da República, nos termos da decisão de sua admissibilidade pela Câmara dos Deputados e do relatório do Senado Federal, viola todos os princípios do processo democrático e da ordem constitucional brasileira. O fundamento comum de todos os pronunciamentos ofertados no Tribunal reside na vacuidade do pedido de impeachment e na inexistência de crime de responsabilidade ou de qualquer conduta dolosa que implique um atentado à Constituição da República e aos fundamentos do Estado brasileiro. Também ficou caracterizada a violação de cláusulas pétreas da Constituição, consagradas nas convenções e pactos internacionais, relativamente ao contraditório, à ampla defesa e à necessidade de fundamentação das decisões. Uma vez não preenchidos os pressupostos constitucionais e legais para o afastamento definitivo da Presidenta da República, o Corpo de Jurados entendeu, conforme sustentou a acusação, que o impeachment, nesse caso, se caracteriza como um verdadeiro golpe ao Estado Democrático de Direito e deve ser declarado nulo de pleno direito e em todos seus efeitos. Fazendo um resumo das alegações, a Presidenta da República é acusada no Senado Federal por dois fatos: a) A edição de seis decretos não-numerados nos meses de julho e agosto, caracterizadores de abertura de créditos não autorizada;
b) O inadimplemento financeiro da União com o Banco do Brasil S/A, em virtude do atraso no pagamento de subvenções econômicas no âmbito do crédito rural. Como se depreende, porém, do art. 85 da Constituição, não há que se confundir entre violação do orçamento e violação das regras que regem sua execução financeira. Essas últimas estão vinculadas às normas de administração financeira e não à lei orçamentária. Uma vez que não são normas orçamentárias, sua violação não pode ser objeto de crime de responsabilidade. Nesse caso, a conduta será, portanto, atípica. Por seu turno, os decretos editados pela Presidenta, e contestados no pedido de impeachment, se destinavam à abertura de créditos suplemen-
tares, necessários à execução orçamentária e estavam todos devidamente autorizados pelo art. 4º da Lei Orçamentária Anual de 2015. Portanto, não se configuram como créditos abertos sem autorização. Deve-se salientar, ademais, que tais aberturas de crédito não aumentaram a despesa da União, uma vez que já elevado, naquela época, seu patamar em mais de oito bilhões de reais, suficientes para cobrir todos esses créditos suplementares. Independentemente da autorização de que gozavam, mais de 70% dos créditos suplementares obedeciam à resolução determinativa do Tribunal de Contas da União. Isso implica que a Presidenta da República, nesse caso, ao editá-los, estava no estrito cumprimento de um dever legal e, portanto, agindo licitamente. No que toca ao suposto inadimplemento da União para com o Banco do Brasil, relativamente à subvenção agrícola, ficou demonstrado não haver prazo para seu pagamento, o que elimina a alegação de atraso, se esse pagamento se der em data posterior ao balanço. Ademais, não se trata de empréstimo, ou
de abertura de crédito, mas, sim, de subvenções para que se efetuassem atos imprescindíveis à consecução da política agrária brasileira, conforme as demandas populares, pelas quais foi eleita, o que corresponde a um dever constitucional e previsto em seu programa de governo. O fato do atraso do reembolso, porém, é irrelevante, porquanto todos os débitos foram devidamente quitados, não havendo inadimplemento por parte da União. Mesmo que o suposto atraso implicasse a exposição de perigo de lesão ao orçamento, o pagamento efetuado pela União impediu completamente o resultado lesivo, o que caracteriza nítida hipótese de interrupção voluntária do iter criminis, a elidir também a tipicidade da conduta. No dizer de Zaffaroni, na “dialética do iter criminis, sempre a etapa posterior cancela a anterior, e quando a posterior seja uma desistência, o cancelamento se traduz em atipicidade da anterior e inexistência da posterior”.1 Uma vez não comprovadas as alegações do pedido de impeachment, pode-se afirmar que as imputações feitas à Presidenta da República, de fato, não constituem crime de responsabilidade. Na verdade, as alegações do pedido de impeachment, por não identificarem nos atos da Presidenta um grave atentado à Constituição e, portanto, um crime de responsabilidade, indicam se tratar de meros expedientes ou pretextos para promover-lhe um processo político e destituí-la do cargo. Inclusive, no caso concreto, três peritos do Senado Federal, designados pela Comissão Especial, concluíram que não se poderia imputar à Presidenta um crime de responsabilidade por conta dessas acusações. Em face do exposto, declaram os Jurados, por unanimidade que o processo de impeachment da Presidenta da República viola a Constituição brasileira, a Convenção Americana dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e constitui verdadeiro golpe de estado. Rio de Janeiro, 20 de julho de 2016 Prof. Dr. Juarez Tavares Presidente do Tribunal ANTILLÓN MONTENEGRO, Walter (Costa Rica), CÁRDENAS GRACIA, Jaime Fernando (México), COHEN, Laurence (França), FARINAS DULCE, Maria José (Espanha), FILIPPI, Alberto (Argentina), GÁLVEZ ARGOTE, Carlos Augusto (Colômbia), SHAHSHAHANI, Azadeh N. (Estados Unidos), TRIBUNAL INTERNACIONAL PELA DEMOCRACIA NO BRASIL 12 TOGNONI, Giani (Itália), VERAS, Raúl (México).
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Voltar ao primeiro artigo da Constituição Leonardo Boff* Quando há uma crise generalizada como esta que estamos vivendo e sofrendo sem perspectiva de uma saída que crie consenso, não temos outra alternativa senão voltar à fonte do poder político, expressão da soberania de um povo. Temos que resgatar todo o valor do primeiro artigo da Constituição, parágrafo único:”Todo poder emana do povo”. O povo é, pois, o sujeito ultimo do poder. Em momentos em que uma nação se encontra num voo cego e perdeu o rumo de seu destino, este povo deve ser convocado para dizer que tipo de país quer e que tipo de democracia deseja: esta com um presidencialismo de coalizão, feito de negócios e negociatas para garantir uma suficiente base parlamentar ou uma democracia de verdade, na qual os representantes eleitos representam efetivamente os eleitores e não os interesses corporativos e empresariais que lhe garantiram a eleição? Urge avançar mais: precisamos dar forma política à vontade de participação por parte do povo organizado nos destinos do país, mostrada nas jornadas de 2013. No fundo volta a questão básica: vamos nos alinhar aos que detém o poder mundial (inclusive de matar todo mundo) ou vamos construir o nosso caminho autônomo, soberano e aberto à nova fase planetizada da humanidade? O primeiro projeto prolonga a história ocorrida até os dias de hoje: desde a Colônia, passando pelo Império e pela República sempre fomos mantidos subalternos. Os ibéricos não vieram para fundar aqui uma sociedade, mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira agroindústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Essa lógica perdura até os dias atuais: tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities sem ou com parca tecnologia e valor agregado, num processo de recolonização. Lamentavelmente este é o intento do atual governo interino, especialmente do PSDB que claramente se alinha a um severo neoliberalismo que implica diminuição do Estado, ataque aos direitos sociais em favor do mercado e uma inescrupulosa privatização de bens públicos como o pré-sal entre outros. O projeto alternativo finca suas raízes na cultura brasileira e no aproveitamento de nossa imensa riqueza que nos pode sustentar como nação independente, soberana e aberta a todas as demais nações. Seríamos uma grande potência, não militarista, nos trópicos, com uma economia, entre as maiores do mundo com um mercado interno vigoroso. Curiosamente, as jornadas de junho de 2013 e posteriormente, mostraram que o povo percebeu os limites da formação social para os negócios. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil. Numa palavra, quer ser uma sociedade de humanos, de cidadãos ativos, coisa diversa da sociedade de negócios. Tal propósito implica refundar o Brasil sobre outras bases.
Mas quem escutou, de verdade, o clamor das ruas, especialmente, dos jovens? Efetivamente ninguém, pois tudo ficou mais ou menos como antes. O que, na verdade, nos faltou em nossa história, foi uma verdadeira revolução como houve na França, na Itália e em outros países que desse um novo rumo ao Brasil com novos sujeitos de poder. Mas o tempo das revoluções passou. Hoje preferimos falar em processos de transformação, como tentei elaborar junto um cosmólogo canadense, Mark Hathaway em nosso livro O Tao da libertação: explorando a ecologia da transformação (Vozes 2012, livro premiado nos USA com a medalha de ouro em ciência e cosmologia). Mas as transformações atingem o coração do sistema e dão origem a um novo paradigma de exercício de poder visando antes de tudo a preservação das bases ecológicas que sustentam nossa vida, a civilização, a natureza e o planeta Terra, tida como um super Ente vivo. Mas este seria outro tema que que nos levaria longe. Importa reconhecer que a história nunca é uma continuidade, algo que cresce organicamente de uma para outra coisa. Ela é feita de descontinuidades e rupturas radicais, transformações que derrubam uma ordem e instauram uma nova. No Brasil, como sempre lamentava Celso Furtado, nunca tivemos essa ruptura. O que predominou em todo o tempo até hoje é a política de conciliação entre os poderosos e as elites que controlam o ter, o saber e o poder. O povo sempre ficou de fora como incômodo aos acertos feitos por cima e contra ele. O que está ocorrendo agora com a tentativa de impeachment da Presidenta Dilma Roussef, legitimamente eleita, é de dar continuidade a esta política de conciliação das elites, do capital rentista e financeiro, daqueles 10%, segundo o IBGE de 2013 que controlam 42% da renda nacional, articulados com o judiciário e com a grande mídia conservadora. Jessé Souza do IPEA os enumera: são 71.440 super ricos que, por trás manejam o Estado e os rumos da economia na perspectiva de seus interesses, absolutamente egoístas, conservadores e antipopulares. Não lhes importa a perversa desigualdade social, uma das maiores do mundo, que se traduz em favelização de nossas cidades, violência incontrolável, geração de humilhação, preconceito e degradação social por falta de infraestrutura, de saúde, de escola e de transporte. Se o Brasil foi fundado como empresa e para continuar como empresa transnacionalizada, é hora de se refundar como sociedade de cidadãos criativos e conscientes de seus valores. O meu sonho é que a atual crise com o sofrimento que encerra, não seja em vão. Que ela crie as bases para o que Paulo Freire chamaria de “o inédito viável”: nunca mais coalização entre os poucos ricos de costas para as grandes maiorias. Que se busque viabilizar o que prescreve a Constituição em seu terceiro artigo (IV): ”promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Leonardo Boff, teólogo e escritor, publicado no Jornal do Brasil online.
Prerrogativas Marcelo Chalréo* Há os que acham que as prerrogativas da advocacia são um privilégio de classe ou corporação. Que a inviolabilidade do local de trabalho do advogado; da sua correspondência e comunicação (seja ela de que natureza for) - quando relativas à atividade que exerce -, da sua ampla possibilidade de comunicação reservada com seu cliente; do seu livre acesso a recintos públicos (no que se incluem os judiciais) para o desempenho profissional; de dirigir-se diretamente e sem intermediários a magistrados e outras autoridades em seus locais de trabalho; do gozo de imunidade por suas manifestações (vedado o excesso) e outras mais são, na verdade, direitos excepcionais e que não se justificam para um determinado segmento profissional. Ou seja, alegam estes que não há motivos para tanto. Há os que não compreendem o sentido de o advogado no seu labor privado prestar um serviço público e exercer função social, o que lhe confere a condição de indispensável à Justiça. Nos tempos que correm, onde os julgamentos – e condenações – midiáticas se antecipam ao processo, meio e caminho para apuração do fatos e da verdade e, se for o caso, punir os responsáveis por atos ilícitos, o advogado chega a ser tratado como um estorvo, uma desnecessidade que só atrapalha os vestais paladinos da “ nova “ (entre aspas pois não é nova) ordem que se quer cada vez mais encarceradora e punitiva. Pouco importa, pois, ante essa onda que graça e transpassa o país de um lado a outro, que existam determinadas condições e possibilidades que dotam certos profissionais de uma especial proteção que, em resumo, são as prerrogativas decorrentes do Estatuto da Advocacia ( lei 8.906/94 ) para o pleno exercício do seu ministério público. Os que assim pensam – e, pior, agem por meio das mais variadas formas de manifestação – se esquecem de um “pequeno” detalhe, fundamental para a existência desse direito à advocacia. O advogado quando trabalha na defesa dos interesses de quem lhe confia o patrocínio de uma ideia ou motivo, o faz frente ao Estado. O Juiz é o Estado, na mais do que conhecida expressão Estado-Juiz. E, como tal, exerce o poder de controle e fiscalização dos abusos desse Estado, dos seus erros, das suas imprecisões e imperícias que se não tiverem
um contraponto podem ocasionar – e a História é prenhe de casos dessa natureza – enormes injustiças e arbitrariedades, muitas vezes na esfera do imponderável e do imaginável para a média do pensamento. O advogado quando, clama, reclama, se posiciona, pede, exige, solicita, reivindica, o faz em nome do cidadão, da cidadania. O advogado é o porta-voz e o meio de acesso conferido pelos Estados modernos a qualquer cidadão ante a ação do próprio Estado, sem ele o exercício desse poder persecutório e punitivo seria simples absolutismo despótico, antidemocrático, por vezes fascista quando se apresenta sem peias e extremadamente. As prerrogativas do advogado são, assim, nas palavras do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cézar Britto, nada mais nada menos do que “um direito dos cidadãos“. Não faz dez anos nos dizia a atualidade de Britto que “garantir as prerrogativas dos advogados significa garantir a igualdade de condições entre o Estado e a população no decorrer de um processo judicial ou de uma investigação .... a prerrogativa é do cidadão de bem se defender “. E prosseguia (e prossegue, pois a exigência mais do que nunca se impõe ): “ Quando se estabelece que um juiz tem obrigação de atender um advogado isso significa que o ‘ juiz-Estado ‘ tem de ouvir o cidadão“. E esse direito, essas prerrogativas são de todos os cidadãos, ricos ou pobres, pretos ou brancos, nos confins do Brasil ou em suas metrópoles, na periferia e nos grandes centros. Por tudo isso, mais do que bem vinda a campanha da OAB do Rio de Janeiro “Prerrogativa do advogado, direito do cidadão“. A associação contida na expressão é não só necessária – uma não se justifica sem a outra – como esclarecedora da razão de ser desse instrumento essencial à defesa da cidadania, simbiose fundamental para a efetivação, o aprimoramento e aprofundamento do Estado de Direito Democrático - expressão que para milhões dos nossos ainda não passa de vaga e mera expressão. Como advogados, devemos perseguir incessantemente em nossa função social, buscando levar, por meio dessa condição ímpar que nos foi outorgada pela própria sociedade, mais e mais direitos aos que nos procuram para a realização de Justiça. MARCELO CHALRÉO, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ
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João Pedro Stédile
Entrevista
por Ricardo Rabelo
“Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil” O coordenador nacional do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile faz uma consistente análise do quadro político brasileiro. Em palestra no Sindicato dos Engenheiros do Rio e em entrevista ao Bafafá, ela afirma que a conciliação com a burguesia é um casamento desfeito que não adianta insistir. “Nós, como forças progressistas da sociedade, temos que debater e pensar em um novo projeto. O carro de som como forma de mobilização não serve mais”, garante. Para Stédile, o neodesenvolvimentismo da era Lula e Dilma esgotou. Caso o impeachment seja rejeitado, ele defende que Dilma venha a público com uma carta compromisso com a sociedade. “Não basta ela voltar. Tem de voltar com outro programa, outro ministério e esquecer esses partidos de merda do Congresso”, fuzila. Sobre o papel do parlamento, Stédile vai além: “Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem. Essa história de que todo poder emana do povo é uma falácia”.
Como está vendo o momento que sete arrolados em processos de corrupção. dos governos Lula e Dilma de fazer aliança com um Tribunal Internacional para julgar os golpisComo disse o Ciro Gomes, o governo Temer é a Globo ao invés de enfrentar o poder econô- tas no Teatro Casagrande. O júri foi formado estamos vivendo? A classe dominante brasileira, ao longo de nossa história, sempre recorre a esses golpes militares ou institucionais para recompor o seu projeto. Nós fazemos uma leitura que a sociedade brasileira está vivendo uma grave crise nesse período de sua história. Uma crise que não é de corrupção, não é apenas uma crise política. Ela eclodiu em meio a uma crise econômica, em meio a uma crise política de gestão do estado e uma crise social com os problemas se agravando. Temos ainda uma crise ambiental fruto da ganância do capital como nunca vimos em outros períodos de nossa história. Isso é decorrência da vários fatores: da crise do capitalismo internacional, da dominação do capital sobre o estado e a produção, da falência da democracia representativa. Os capitalistas sequestraram o sistema eleitoral no Brasil e elegem quem eles querem. Essa história de que todo poder emana do povo é uma falácia! O povo nem sequer lembra em quem votou. Na votação do impeachment da Dilma só 36 deputados tinham votos próprios para se eleger, o resto entrou de carona. A crise é mais ampla do que apenas possíveis erros do governo Dilma.
O MST foi crítico ao governo Dilma?
Nós criticamos e denunciamos o governo Dilma porque ele foi eleito com um programa em 2014 e imediatamente montou uma equipe que nada tinha a ver com este programa, com o Levy à frente. Em 2015, foi um desastre porque ela adotou um programa neoliberal que tirou o apoio popular dela. Nós sempre fomos críticos, sobretudo no segundo mandato. Porém, temos que entender que a causa principal não são os erros do governo. Diante dessa crise histórica, que só aconteceu antes em 1930, 1960, 1964 e 1980. Para sairmos da atual precisamos de um novo projeto com nova hegemonia na sociedade. A burguesia, diante da crise, soltou seus cachorrinhos na rua. Embalados pela Globo com a fantasia que o problema era a corrupção, fizeram todo aquele latido nas ruas. Ai veio o golpe e agora estão envergonhados. Nunca se viu tanta corrupção num só governo como o atual. Três ministros já caíram e tem mais
um sindicato de ladrões.
O impeachment é golpe? A burguesia deu um golpe institucional porque quer aplicar um plano neoliberal que atenda o capital financeiro e as grandes corporações internacionais. Esse governo provisório já prega o realinhamento com os Estados Unidos, a flexibilização da CLT e liberação da terceirização. Vai ser um ataque frontal ao direito dos trabalhadores. O pior vai ser a apropriação de R$ 220 bilhões em recursos que eram destinados às camadas populares, em todas as áreas, saúde, educação, moradia, reforma agrária. Isso para recompor o seu processo de acumulação. Tem ainda a apropriação dos bens da natureza. No Brasil ainda temos em oferta a energia elétrica e o petróleo. O minério de ferro não falo, pois já é deles! Eles precisam se apropriar do Pré Sal, a nossa grande riqueza natural. Eles precisam se apropriar, pois é a maior reserva conhecida do mundo. O Temer, em nome da burguesia, quer fazer esse trabalho. Seu governo golpista tem muitas contradições. O projeto neoliberal dele não é um projeto de nação, ao contrário. É um programa antinacional e antipopular. Os problemas só irão se agravar.
Quem afinal comanda o golpe?
A direita brasileira está desunida, não tem um núcleo. Tem o bloco de interesse do poder econômico representado pelo Meirelles, o bloco dos partidos conservadores como PMDB, PP, PPS, tucanos e o bloco ideológico comandado pela Globo, o Moro e o Ministério Público. Contradições destes três blocos, por falta de unidade política, podem nos ajudar.
mico. Hoje nós temos uma massa amorfa que está em casa vendo televisão. Nós temos que cutucar essa massa. O nosso desafio agora é trabalhar firmemente não só nos sindicatos, mas também nos movimentos populares, no sentido de uma greve geral. Se a classe trabalhadora não parar não terá força para sinalizar para a burguesia que é contra o arrocho. Esse é o desafio: a classe trabalhadora que produz sinalizar para o Temer que ela é um ator importante para o futuro da sociedade. Ai cabe uma autocrítica da esquerda de reconhecer que desaprendeu de fazer trabalho de base e de conscientização.
E os militares, são legalistas ou golpistas? Os militares golpistas estão de pijama
embora circulem nas redes sociais com discursos fascistóides. Os militares da ativa estão atônitos e receosos de ter um protagonismo maior. Cabe nos criarmos pontes com eles na defesa da democracia.
E Dilma nisso tudo? E qual é o desafio para as forças Ela tem de vir a público e divulgar uma carta compromisso com a sociedade. Não basprogressistas?
Temos que pensar num novo projeto para o país. O neodesenvolvimentismo da era Lula e Dilma esgotou. Não adianta achar que Lula 2018 vai resolver o problema apesar dele ainda ser o maior líder popular que nós temos. Se não tivermos um programa por trás não avançaremos. A conciliação com a burguesia é um casamento desfeito, não adianta insistir. Nós, como forças progressistas da sociedade, temos que debater e pensar em um novo projeto. O carro de som como forma de mobilização não serve mais.
E a classe trabalhadora no meio É possível barrar o golpe? disso? Sim, temos chance. Tudo é possível diante
A classe trabalhadora tem enfrentado diversos desafios diante da crise. Apenas os setores organizados estão nas ruas, as manifestações não têm o povão que está atônito diante da luta de classes. Por que isso? Pelo fracasso ideológico dos partidos que pararam de fazer formação política, na incompetência
por sete personalidades do mundo, entre eles Andrés Peres Ezquivel. O veredito será levado ao STF e aos senadores. Queremos ainda organizar uma grande marcha no dia 05 de agosto na abertura das Olimpíadas aproveitando que estarão na cidade mais de 20 mil jornalistas. Vamos ainda imprimir milhões de folhetos didáticos explicando a natureza do golpe. Existe também a possibilidade de entrarmos com um recurso no STF questionando o mérito do impeachment se vier a ser aprovado. Temos que associar o golpe ao STF para mostrar à sociedade que ele é conivente com o golpe.
do caráter golpista e antinacional do governo Temer. É preciso um intenso trabalho de mobilização em diferentes setores da sociedade como da saúde, da educação, da moradia, do campo. Temos ainda a perspectiva de uma greve geral como necessidade de mobilizar as massas. Nos dias 19 e 20 de julho realizamos
ta ela voltar. Tem de voltar com outro programa, outro ministério e esquecer esses partidos de merda do Congresso. Isso é urgente. É besteira ela sinalizar a direita com um plebiscito sobre a continuidade ou não de seu mandato. Até porque juridicamente é inviável.
E se o impeachment for aprovado?
Se for aprovado temos duas alternativas: recorrer ao STF para julgar o mérito da questão e paralelamente a isso lutar por um plebiscito que convoque uma Assembleia Constituinte para fazermos uma reforma política. Sem mudar o sistema eleitoral não teremos democracia representativa no país.
E um eventual governo Temer como será?
Não conseguirá governar uma semana do ponto de vista de ação política porque vai ser contra os trabalhadores. Vai aprofundar a crise e será instável.
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O Herdeiro e a Herança João Claudio Platenik Pitillo* Desde o desaparecimento físico de Brizola em 2004 que a política nacional se tornou monolítica. Popular e de massas, Brizola era a típica liderança que não se acovardava em criticar os mais fortes em defesa dos mais fracos. Coerente com os princípios nacionalistas sabia que o segredo da vitória era o povo. Celebrado pelo poeta chileno Pablo Neruda (Prêmio Nobel de Literatura) em 1959, Brizola surgiu no cenário político encampando duas multinacionais estadunidenses que exploravam o povo gaúcho e por ter construído cerca de 6 mil escolas quando governador do Rio Grande do Sul. Neruda e tantas outras personalidades latino-americanas logo perceberam que Brizola era daqueles latino-americanos que não se vendiam. De armas na mão, Brizola criou a Campanha da Legalidade e conseguiu sustar o golpe de Estado que visava impedir a posse do presidente João Goulart em 1961. A partir dessa data Brizola cela de forma definitiva seu destino ao lado dos mais necessitados e passa ser visto como inimigo dos poderosos. Estigmatizado pelos pelas elites e caluniados pela imprensa marrom, Brizola se consolida como uma liderança continental defensora do nacionalismo revolucionário. Passa a ser um contraponto ao imperialismo, que patrocinava golpes
de Estado em benefício de Washington. Com uma retórica incendiária, sempre discutia os problemas brasileiros a partir de uma perspectiva histórica e libertária, Por ter feito a opção pelos mais pobres pagou um alto preço. Caçado pelo golpe de Estado de 1964, amargou anos de exílio. Humilhado e sabotado pelas forças reacionárias, teve pouco espaço para divulgar as suas ideias em nossa sociedade. Com a redemocratização, Brizola retornou ao Brasil se elegendo por duas vezes governador do Estado do Rio de Janeiro. Seguindo o seu projeto nacionalista, fundou um partido, onde reuniu os maiores pensadores e políticos do Brasil. Negando-se a administrar a crise do capitalismo, investiu em educação, criando os CIEPS ao lado de Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, colocando a educação do Estado do Rio de Janeiro em primeiro lugar no Brasil. De forma coerente e corajosa enfrentou vários revezes eleitorais, mas nunca mudou de posição ou de discurso, continuou de forma intransigente pregando contra as “perdas internacionais” e o conservadorismo da nossa elite reacionária, que tão mal ainda fazem ao nosso povo. Em um ambiente político pasteurizado, onde os parlamen-
tares de hoje, se destacam através de marqueteiros e fazem do aparelhamento do Estado uma maneira de se eternizarem no poder. A descrença, a incredulidade, aliadas a alienação e a indiferença parece marcar o tempo presente. Porém, um catalizador das lutas populares, que tem feito da tribuna carioca uma trincheira pela democracia, parece querer reverter essa realidade. Falo do vereador Leonel Brizola Neto. Pessoa que tem mostrado não só ter herdado o nome e o sangue do velho Brizola, mas também a vontade de retomar o fio da história partido em 1964. O mesmo tem despontando na Câmara de Vereadores, lutando pelos necessitados, apoiando os que lutam por um Brasil mais justo e tem denunciando aqueles que querem fazer do Legislativo e do Executivo da nossa cidade um balcão de negócios. A partir das experiências históricas, vale a pena acompanhar a trajetória desse jovem vereador, para ver se o poema de Pablo Neruda também lhe cabe. “Vamos celebrar a chegada de Leonel Brizola Neto ao cenário carioca”. *Pesquisador do NUCLEAS-UERJ, Doutorando em História Social UNIRIO, Mestre em História Comparada pele UFRJ, Licenciando em História pela UERJ.
O diplomata Florentino e o retorno de Dilma Ângela Carrato* “Se mesmo uma república unida teria dificuldades para enfrentar com sucesso a hostilidade aberta de seus inimigos e de seus aliados, era desastroso pensar numa república dividida, na qual os homens mais influentes tratavam apenas de sua riqueza e prestígio e ansiavam pela queda do governo popular como uma libertação”. A frase, atribuída a Nicolau Maquiavel (1469-1527), o diplomata florentino e um dos fundadores da Ciência Política, refere-se à Itália de seu tempo, mas é de uma atualidade espantosa em se tratando do Brasil. Desde sempre, a elite brasileira pensou apenas em si, na melhor maneira de ganhar dinheiro e viver nababescamente, pouco somando para a maioria da população e o próprio país. De tempos em tempos, no entanto, surgia alguém que pensava diferente e conseguia, a custa de muita luta e sofrimento, alterar um pouco a situação. Foi assim com Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e também com Dilma Rousseff. Não por acaso Getúlio e Lula são odiados pelas elites brasileiras. Getúlio foi levado ao suicídio. Jango foi deposto. Lula enfrenta perseguição permanente por parte da mídia e setores do Judiciário e Dilma, afastada do governo, é alvo de um dos golpes mais sórdidos e silenciosos de que se tem noticia na história mundial. Durante toda a vida, Maquiavel empregou suas energias no
intuito de convencer os poderosos da Itália a libertar o país do domínio dos estrangeiros que mandavam e desmandavam com seus exércitos. Aparentemente, a situação do Brasil é outra. Nenhuma ameaça maior aguarda a população. Certo? Os quase três meses de governo do vice interino Michel Temer (PMDB) indicam o contrário. Além da proposta de privatizar tudo e cortar todos os direitos trabalhistas e sociais adquiridos a duras penas, a população brasileira arrisca assistir aqui à implantação de um dos mais selvagens projetos neoliberais de que se tem notícia. Tão ou mais selvagem do que o implantado no Chile pelos Chicago’s Boys, durante a sangrenta ditadura militar de Pinochet. Basta pensar na proposta formulada pelo dirigente da principal entidade industrial do país, Robson Andrade, da CNI, no sentido de ampliar de 40 para 80 horas a jornada semanal de trabalho. E para aqueles que podem achar que se trata de piada ou brincadeira de mau gosto, é bom lembrar que tal proposta foi antecedida de outras no gênero por parte da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP). Quando Maquiavel escreveu sua obra, da qual “O Príncipe” é a mais célebre e igualmente a menos entendida, como alertou Antônio Gramsci, Florença era ao mesmo tempo magnífica e miserável. A beleza de seus edifícios públicos e privados e a vivacidade de sua vida artística mostrava-se prejudicada pela debilidade das instituições públicas, que deveriam assegura-lhe a paz e garantir justiça e segurança a seus cidadãos.
Sétima economia do mundo, o Brasil também pode ser definido como um país magnífico e ao mesmo tempo miserável. A beleza natural associada à pujança de nossas cidades e de nossos recursos (petróleo, pré-sal, minérios variados, água em abundância) deu origem à cobiça externa. Cobiça que sempre encontrou respaldo na elite entreguista de ontem e de hoje. Que o diga o senador José Serra (PSDB), na atualidade um dos mais nítidos capachos de Washington. Como lembra Maquiavel, enquanto os palácios e as riquezas de Florença nutriam a arrogância das suas grandes famílias, os Medici se tornavam os verdadeiros senhores da cidade, apesar de declararem frequentemente sua condição de cidadãos “como os demais” e de conservarem as aparências de uma república livre. Nada mais parecido com o Brasil dos dias atuais. Eduardo Cunha, há mais de um ano, ri na cara dos brasileiros, enquanto seus pares, com medo dos dossiês que possui, buscam desesperadamente uma saída para que ele não seja cassado. Saída que conta, obviamente, com o apoio velado de Temer. Outra aberração inexplicável é o caso do senador tucano Aécio Neves, que agora se sabe a razão para tanto empenho em tentar alterar, no tapetão, o resultado das eleições presidenciais de 2014: as pencas de delações que coleciona (ele e familiares). Por tudo isso, se Maquiavel pudesse dar um conselho aos brasileiros, dificilmente seria diferente de “coloquem imediatamente um fim a esta farsa”. O único desfecho admissível é o retorno de Dilma com a convocação de eleições gerais e de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva. Fora isso, seria aceitar, ainda em liberdade, a escravidão. *Jornalista e professora da UFMG.
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Senadores franceses contra o Golpe Coletivo de mais de 30 senadores de diversas regiões da França publicou documento no jornal Le Monde condenando o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. O manifesto alerta que a democracia chegou ao fim no Brasil e que o país vive um golpe de Estado institucional para destruir as reformas sociais que tiraram mais de 40 milhões de brasileiros da miséria. Confira o documento: “Nós, senadores franceses eleitos, afirmamos que o processo constitucional do impeachment tem sido explorado por uma maioria parlamentar de circunstância. Este procedimento, que pode ser aplicado apenas para crimes graves ou infrações, foi cometido por decretos simples que alteraram o orçamento de 2015, adotada pelo governo de Dilma Rousseff. Foi inaugurado em meados de Dezembro de 2015, ainda antes do final do exercício orçamentário e antes da revisão e validação do orçamento pelo Tribunal de Contas, a Câmara e o Senado. Ressalta-se que a presidente não está implicada em qualquer um dos inúmeros casos de corrupção que afetam a classe política, incluindo o escândalo da companhia petrolífera Petrobras. Este não é o caso de sete ministros do governo Temer. Um deles, Romero Jucá, o ministro do Planejamento, está enredado no caso de escutas que revelam a realidade do impeachment e já renunciou. Assim como alguns dias depois, Fabiano Silveira, ministro da “transparência”, que também está implicado nestas escutas. O interino presidente Temer foi considerado inelegível pela justiça de São Paulo por fraudes na campanha. Em centenas de milhares, os brasileiros estão se mobilizando em todo o país em defesa da democracia, exigindo a saída deste governo ilegítimo e o retorno da presidente eleita democraticamente. Nós parlamentares franceses esperamos que o Supremo Tribunal Federal, que ainda não se pronunciou sobre o mérito, condene o uso indevido do processo de impeachment e conclamamos o governo de François Hollande de votar e de condenar este golpe contra a democracia. Nós parlamentares afirmamos nosso compromisso de respeitar o voto popular como a única forma de acesso à gestão de um país. Pedimos à comunidade internacional para condenar este golpe. Seria grave para todo o subcontinente, o maior país da América Latina estar afundando em um impasse político, econômico e social”. Patrick Abate, senador de Moselle (CRC), Aline Archimbaud, Seine-Saint-Denis de senador (Os Verdes), Eliane Assassi, Seine-Saint-Denis do senador e presidente CRC, Marie-France Beaufils, o senador de Indre-et -Loire (CRC), Esther Benbassa, senador do Val-de-Marne (EELV), Michel Billout, o senador de Seine-et-Marne (CRC), Marie Blandin, North senador (grupo ambiental), Eric Bocquet, senador Norte (CRC), Jean-Pierre Bosino, o senador Oise (CRC), Corinne Bouchoux, o senador do Maine-et-Loire (grupo ambiental), Laurence Cohen, o senador do Val-de-Marne (CRC), Cécile Cukierman , o senador do Loire (CRC), Ronan Dantec, o senador de Loire-Atlantique (EELV), Annie David, Isère senador (CRC), Karima Delli, MEP (EELV), Michelle Demessine, North Sen. (CRC ), Evelyne Didier, o senador para Meurthe-et-Moselle (CRC), Christian Favier, o senador de Val-de-Marne (CRC), Thierry Foucaud, o senador de Seine-Maritime (CRC), Brigitte Gonthier-Maurin, o senador de Hauts-de-Seine (CRC), Pierre Laurent, secretário nacional do PCF eo senador de Paris (CRC), Michel
Le Scouarnec, o senador de Morbihan (CRC), Noël Mamère, MP do Gironde (grupo ambiental), Christine Prunaud, senador de Côtes d’Armor (CRC), Jean-Louis Roumégas, vice-Herault (grupo ambiental), Bernard Vera, senador de Essonne (CRC), Paul Verges, senador da Reunião (CRC), Dominique Watrin, o senador de Pas-de-Calais (CRC).
Rio 2016: não à violência A Comissão de Segurança para a Rio 2016 será responsável pelas operações de segurança pública nos jogos olímpicos. Há um número considerável de casos documentados de execuções e outros abusos cometidos pela polícia na cidade do Rio de Janeiro. Não queremos que isso se repita a pretexto dos jogos. Entre em ação e diga às autoridades que elas são responsáveis. Responsáveis por prevenir o uso desnecessário e excessivo da força pela polícia e pelas forças armadas; por evitar violações de direitos humanos, especialmente em áreas de favelas e periferias; por estabelecer mecanismos de total responsabilização para eventuais violações dos diretos humanos praticadas por agentes da segurança pública; por investigar e levar à justiça os perpetradores de violações dos direitos humanos e por fornecer total apoio às vítimas e seus familiares. Acesse o site e assine o seguinte documento: Nós reivindicamos que os membros e representantes da Comissão de Segurança para a Rio 2016: Assegurem que as forças de segurança envolvidas nas operações de segurança pública antes e durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 (incluindo as forças armadas) recebam treinamento adequado de acordo com os “Princípios Básicos da ONU sobre o uso de força e armas de fogo pelos agentes encarregados de fazer cumprir a lei” e o “Código de Conduta da ONU para os agentes encarregados de fazer cumprir a lei”; Tomem todas as medidas apropriadas para prevenir o uso desnecessário e excessivo da força pelos agentes encarregados de fazer cumprir a lei, especialmente das armas de fogo e das chamadas armas “menos letais”; Assegurem que não haja restrições indevidas dos direitos à liberdade de expressão e à manifestação pacífica antes e durante as Olimpíadas Rio 2016; Assegurem que os direitos à liberdade de expressão e à manifestação pacífica sejam inteiramente respeitados e protegidos pelos agentes encarregados de fazer cumprir a lei e que as forças de segurança policiando protestos não usem força excessiva ou desnecessária, incluindo as chamadas armas “menos letais”, e que os manifestantes não sejam detidos arbitrariamente; Garantam que as operações de segurança pública nas áreas de favelas e periferias, incluindo o deslocamento temporário das forças armadas, não resultem em nenhum tipo de abuso; Implementem mecanismos específicos de responsabilidade para policiais e militares envolvidos em operações de segurança pública antes e durante os jogos, incluindo mecanismos seguros e específicos para que indivíduos possam denunciar eventuais abusos sem medo de represálias; Garantam investigações completas, imparciais, independentes e em tempo hábil, dos casos de violações de direitos humanos, em especial das mortes causadas por agentes encarregados de fazer cumprir a lei, e que os suspeitos de responsabilidade criminal sejam levados à justiça em tribunais comuns;
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Forneçam assistência psicológica e social para as vítimas e seus familiares, assegurem a adequada reparação, inclusive financeira, e garantam a não repetição de violações de direitos. Fonte: Anistia Internacional. Para assinar o documento acesse https://anistia.org.br/entre-em-acao/peticao/ rio-2016-violencia-nao-faz-parte-desse-jogo/
Cinismo É, no mínimo cínica, a declaração do presidente da Petrobras, Pedro Parente, ao afirmar, em entrevista à imprensa, ser “inteiramente contrário” à privatização da empresa. Mas ele mesmo anuncia, sem nenhum constrangimento, a venda da BR Distribuidora e da Transpetro, com seus valiosíssimos patrimônios. A Petrobras, que vai perder grande parte do pré-sal pelo projeto já aprovado no Senado, perderá agora essas duas subsidiárias, que o senhor Parente está vendendo, cumprindo ordens de Temer e de seu bando de entreguistas. Esquartejada, ela ficará apenas com os ossos, que amanhã também poderão ser vendidos. José Maria Rabelo, jornalista
Ficha imunda O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o mandato de deputado suspenso, responde a 11 processos no Supremo Tribunal Federal e um na Justiça de primeira instância. São duas ações penais, cinco inquéritos, dois pedidos de investigação e dois pedidos de medidas cautelares - inclusive a de prisão do ainda parlamentar. Há ainda uma ação de improbidade administrativa na 6a Vara Federal de Curitiba. Nela, o deputado, a mulher, Cláudia Cordeiro Cruz, e outros acusados estão com os bens bloqueados. O Plenário tem que julgar logo seu pedido de cassação proposto pelo Conselho de Ética. Rodrigo Maia, apesar de ter sido “unha e carne” com Cunha, tem a obrigação de pautar isso na primeira semana de agosto! Chico Alencar, deputado federal PSOL-RJ
Escola sem partido O objetivo da “escola sem partido” é um só: criar gente que não tenha senso crítico para que o status não seja questionado! Para que o indivíduo aceite tudo que for “ensinado” e siga a vida como mão de obra a ser usada sem ter consciência disso! Tico Santa Cruz, cantor
Deportação ilegal O físico argelino Adlène Hicheur, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi deportado do Brasil. A acusação contra ele, que se revelou falsa, foi orquestrada pela revista época. A deportação foi determinada pelo “ministro da justiça” do golpista Michel Temer. Fernando Morais, jornalista
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Casas temáticas movimentam Rio 2016 As casas temáticas são uma tradição dos Jogos Olímpicos. Ajudam a divulgar a cultura dos países, reúnem atletas, fãs e são pontos de encontro para assistir às competições ao vivo em telões. Durante o Rio 2016, elas estarão espalhadas por vários cantos da cidade. A redação do Bafafá preparou uma super lista de casas com histórico, datas e horas. A programação inclui eventos paralelos que orbitam o período olímpico. Confira Casa Catar O país-sede da Copa do Mundo 2022 ocupa a antiga Casa Daros reproduzindo um “souq”, mercado típico do país com gastronomia, música, oficinas, pintura de hena, caligrafia árabe. A entrada custa R$ 20 (e dá direito a dois pratinhos). Toda a verba será destinada a um projeto social. RUA GENERAL SEVERIANO, 159 – BOTAFOGO (ANTIGA CASA DAROS RIO) DATAS E HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO: DE 4 A 21 DE AGOSTO, DE DOMINGO A QUINTA DAS 15H ÀS 22H, SEXTAS E SÁBADOS, DAS 15H ÀS 24H Casa Suíça Já conhecido como Baixo Suíça, o espaço é um dos primeiros a abrir, em 1º de agosto, com fogos de artifício. Além da pista de patinação no gelo, a programação da parte gastronômica é caprichada, com workshop de chocolate suíço, degustação de “raclette” (queijo derretido com batata, cebola e temperos) e “feuerring” (churrasco suíço). Como legado, a Suíça promete reformar o campo da Lagoa de acordo com as normas da Confederação Brasileira de Baseball. PARQUE DO CORTE DO CANTAGALO – LAGOA rODRIGO DE FREITAS Casa da Áustria A Casa da Áustria, na sede do Clube Botafogo, traz a cultura e a hospitalidade austríaca com músicas típicas, especialidades culinárias e muito mais. As casas temáticas do país foram destaque nos Jogos Olímpicos em Londres 2012 e Sochi 2014 e seguem com a proposta de que nada será diferente. Um grande restaurante e uma padaria vão oferecer iguarias como os pães semmeln e o kornspitz. Nos Jogos de Inverno 2014, a Casa da Áustria produziu mais de 70 mil pães e bolos que poderão ser comprados também pelo público que frequentar a versão carioca. Repara só como vai ficar a varanda do Botafogo com um enorme bar
temático que promete movimentar a sede da General Severiano durante a competição. Fonte: Visit Rio DE 04 A 21 DE AGOSTO, DE 10H A 01H DA MANHÃ. PREÇO: NÃO DIVULGADO. AV. VENCESLAU BRÁS, 72 – BOTAFOGO Casa México A Casa México ocupa as instalações do Museu Histórico Nacional levando parte de sua cultura para o local. O público poderá conferir três exposições: uma mostra arqueológica, uma exposição interativa para crianças sobre a pintora Frida Kahlo e uma homenagem à história do desenho gráfico latino-americano dos Jogos Olímpicos. Música, gastronomia e festas movimentam o espaço durantes os jogos. DE 3 DE AGOSTO ATÉ 15 DE SETEMBRO, DAS 10H ÀS 17H30. PREÇO: NÃO DIVULGADO PRAÇA MARECHAL ÂNCORA, CENTRO Casa Portugal Os portugueses escolheram um “barco temático”, o Navio Escola Sagres, construído em 1937 e que irá atravessar o Atlântico para os Jogos, parando em Cabo Verde, Recife e Salvador. No Rio, o navio fica atracado entre 3 e 22 de agosto, aberto das 10h às 23h, no cais da Marinha do Brasil, próximo à Praça Mauá. O local contará um pouco da história do país, que se mistura à história brasileira. NAVIO ESCOLA SAGRES CAIS DA MARINHA DO BRASIL (PRÓXIMO À PRAÇA MAUÁ) DE 03 E 22 DE AGOSTO, ABERTO DAS 10H ÀS 23H Club France No Club France as principais competições serão transmitidas em telões e o local terá uma praça de alimentação com food trucks de culinária francesa. Durante oito noites, a Sociedade Hípica na Lagoa será transformada numa pista de dança para receber 2 mil convidados e um DJ francês. As comemorações das medalhas conquistadas pelas equipes francesas acontecerão no local, onde o público poderá conhecer os atletas. O estande do departamento de turismo da França terá a demonstração de algumas cidades famosas do pais reconhecido pela produção de vinhos e champanhe de alta qualidade. A entrada custa R$ 20. ABERTO AO PÚBLICO DE 12H ÀS 02H, INGRESSO: R$ 20. DE 05 A 21 DE AGOSTO. AV. BORGES DE MEDEIROS, 2448 – ENTRADA PELA
LAGOA RODRIGO DE FREITAS. Holland Heineken House A Holland Heineken House ocupa o Clube Monte Líbano com transmissão dos jogos, esportes, gastronomia, festas. AVENIDA BORGES DE MEDEIROS, 701 – LEBLON INGRESSO: R$ 60 Casa Brasil Turistas estrangeiros têm na Casa Brasil um espaço para entender a cultura local, com oficina de preparação de café e degustação de chocolate, cachaça e vinho. O país tem uma das maiores casas temáticas dos Jogos, em dois armazéns de 1.750 m² e 3.500 m² no Pier Mauá, na renovada Zona Portuária. Parte do espaço é aberto ao público e outra fechada. Organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a Casa Brasil terá também simuladores de realidade virtual e esportes para crianças. DE 4 DE AGOSTO A 18 DE SETEMBRO. AVENIDA RODRIGUES ALVES, 10, ARMAZÉM 2, GAMBOA Japan House A Japan House ira recepcionar os atletas e seus familiares, e todos os visitantes que quiserem ter uma experiência da renomada “Omotenashi Japonesa” – hospitalidade japonesa. A principal exibição promove os Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2020, que será realizado em Tóquio. DE 05 A 21 DE AGOSTO, ENTRADA FRANCA. AV. DAS AMÉRICAS, 5300 - BARRA DA TIJUCA Casa da Finlândia A Casa França-Brasil se transforma na Casa da Finlândia. No local, o público carioca poderá conhecer um pouco do país escandinavo num espaço descolado e mobiliário aconchegante. Música, teatro, cinema e outras atividades prometem movimentar o local durante as olimpíadas. E o melhor: será possível conhecer pessoalmente Papai Noel. 13, 14 E 20 DE AGOSTO, DAS 10H ÀS 18H;
21 DE AGOSTO, DAS 10 ÀS 16H R. VISCONDE DE ITABORAÍ, 78 CENTRO Casa da Colômbia A Casa da Colômbia ocupa as instalações do Centro Cultural do Ministério da Saúde na Praça XV. O país organiza sua primeira casa temática em Jogos Olímpicos, com degustação de café colombiano e frutas exóticas, como lulo, feijoa e borojó. O país deixa como legado reformas no centro cultural, incluindo uma plataforma elevatória para acessibilidade. DE 4 A 21 DE AGOSTO E DE 5 A 18 DE SETEMBRO, DAS 10H ÀS 20H PRAÇA MARECHAL ÂNCORA 95 – PRAÇA XV– CENTRO Casa da Hungria A Casa da Hungria apresenta a arte, arquitetura, tramas e bordados populares reinterpretados em uma decoração sofisticada, gastronomia, exposição das 482 medalhas olímpicas húngaras. Destaque para um enorme cubo mágico no jardim, performance ao vivo do grupo húngaro “Infusion Trio”, comida de rua húngara (sobremesas especiais, salsichas, vinhos e cervejas). Além disso, pode ocupar o lounge externo ou terraço da Tribuna com energia para desfrutar da transmissão ao vivo dos Jogos Rio 2016 e, especialmente, acompanhar o desempenho húngaro, na companhia de amigos e fãs. Entrada franca. DE 5 A 22 AGOSTO, DAS 15H ÀS 17H. ENTRADA FRANCA JOCKEY CLUBE BRASILEIRO, TRIBUNA C PRAÇA SANTOS DUMONT, 31 – GÁVEA British House A British House é a residência britânica oficial nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, um lugar para celebrar as vitórias do Team GB e do ParalympicsGB e apresentar o melhor do Reino Unido. Além de ser uma base para os atletas, a British House oferecerá um programa cultural e de negócios. Para visitar, é necessário registrar interesse no site e receber um convite, já que a entrada será limitada para pessoas registradas. DE 5 A 21 DE AGOSTO E DE 7 A 18 DE SETEMBRO, DAS 9H ÀS 22H. RUA JARDIM BOTÂNICO, 414 - JARDIM BOTÂNICO SITE: https://www.britishhouserio.com/
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Fonte : Visit Rio e Rio 2016