Ano 15 - Nº 129 - Setembro 2016
Entrevista
ld a w n e e r G Glenn
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"É muito triste ver uma presidente ser destituída sem justificativa" O norte-americano Glenn Greenwald é jornalista, escritor e advogado especialista em Direito Constitucional. Residente no Rio de Janeiro há 11 anos, ficou conhecido mundialmente em 2013 quando publicou no jornal britânico The Guardian a existência de programas secretos de vigilância dos Estados Unidos a partir de informações do ex-agente de seu país Edward Snowden, hoje exilado na Rússia. As revelações chocaram o mundo e mostraram que ninguém escapa do monitoramento dos órgãos secretos dos EUA, em especial da NSA (sigla do nome, em inglês, da Agência de Segurança Nacional). Inclusive o governo brasileiro e a então presidente Dilma Rousseff. Sua coragem lhe valeu o Prêmio Pulitzer de jornalismo em 2014 e, no mesmo ano, o Prêmio Esso de Reportagem no Brasil. Glenn Greenwald recentemente deixou o cargo de correspondente do The Guardian para coordenar a versão brasileira do jornal The Intercept - uma plataforma digital com o objetivo de produzir jornalismo destemido e combativo. Em aula magna proferida na Faculdade de Jornalismo Hélio Alonso e em entrevista ao Bafafá, Greenwald critica o impeachment de Dilma Rousseff e a campanha de difamação promovida pela grande imprensa. “É muito triste ver a democracia ser atacada e uma presidente eleita ser destituída sem justificativa”, assinala. Ele faz ainda um resumo das revelações do exespião Edward Snowden. “Ele teve muita coragem ao defender os valores democráticos dos EUA. Ele defendeu a privacidade para todas as pessoas no mundo, não apenas para os americanos”.
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NESTA : O Leonardo Boff José Maria Rabelo Ângela Carrato Fernando Brito André Barros EDIÇÃ Jorge Rubem Folena de Oliveira Emanuel Cancela Mauro Santayana Ricardo Rabelo
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Editorial O processo contra Lula é a segunda fase do golpe Depois da deposição de Dilma, estamos diante da segunda fase do golpe. As forças conservadoras não podem admitir nenhum governo que não esteja a seu serviço. Foi assim com Getúlio Vargas e Jango. Agora querem impedir a candidatura de Lula, para preservar seus interesses Estava escrito não nas estrelas, mas nos mais obscuros porões da política nacional: a direita tudo faria para impedir a candidatura de Lula em 2018. Sem nenhum nome capaz de bater o petista nas urnas, partiu para o jogo bruto da segunda fase do golpe que foi o impeachment de Dilma. Não por uma ação parlamentar, por intermédio de um congresso de negocistas e aventureiros, porém através de uma engenharia mais sutil encoberta pela toga da Justiça. Graças à colaboração prestimosa do juiz Sérgio Moro, que, por mínimo escrúpulo moral e profissional, deveria proclamar seu impedimento para julgar um processo nos quais os principais acusados têm sido alvo várias vezes de sua notória hostilidade, conseguiu a aceitação da denúncia contra Lula pelos crimes não comprovados de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do famoso tríplex de Guarujá, ponto de partida de sua possível inabilitação para disputar as próximas eleições presidenciais. A denúncia, feita por um grupo de promotores mais preocupados em posar para a foto do que com a procedência dos argumentos arguidos, é uma sucessão de inconsistências e contradições, com o único objetivo de tentar afastar uma candidatura temida pela direita. O próprio juiz Moro reconhece em seu despacho que os elementos probatórios da denúncia são “certamente questionáveis”, mas mesmo assim a aceitou para a instauração de procedimento judicial. A repercussão no meio jurídico e político foi imediata e radical. Até um ex-ministro do Supremo Tribunal, Carlos Velloso, insuspeito de qualquer simpatia com o petismo, foi incisivo em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. “É notório que o acusado”, diz o magistrado, “tem residência fixa e não há sequer notícia de que queira fugir”, o que não justificaria a prisão preventiva. Cinquenta e sete procuradores do Ministério Público Federal, do Trabalho e dos ministérios públicos de oito Estados denunciaram “a banalização da prisão preventiva” e “as operações midiáticas e espetaculares”. Diversos outros magistrados e especialistas em Direito criticaram severamente a decisão de Moro, ressaltando
sua suspeição para continuar à frente da ação. Muitos ressaltaram seu parcialismo, a falta de base da acusação, o descompromisso com a verdade dos fatos. Mas a investida não para por aí. Além da ação em Curitiba, há outra em São Paulo, no mesmo sentido. Na realidade, como temos dito tantas vezes, o que está em jogo é muito mais do que uma questão jurídico-constitucional. É uma questão política de magna significação para o futuro do Brasil. As elites, replicando a casa grande, nunca aceitaram a eleição de um operário para a presidência da República e, muito menos, a de uma mulher, socialista e ex-guerrilheira. O Brasil, desde as capitanias, foi um terreno aberto à exploração dos grandes interesses, nacionais e estrangeiros. Ao serem desafiados, partiram sempre para a guerra, oculta ou declarada, conforme a ocasião. Antes, agiram dessa forma, contra os governos nacionalistas e sensíveis às reivindicações populares, de Getúlio Vargas e João Goulart. A história se repetiu ainda recentemente. Por meio de um golpe parlamentar, afastaram Dilma do governo. Agora, com um golpe de natureza forense, pretendem impedir a candidatura de Lula. Por detrás desse processo golpista, estão as mesmas forças que até hoje impediram o Brasil de ser uma grande potência e de estar a serviço de seu povo. As elites são vorazes na defesa de seus interesses, e, se for necessário, irão de volta às cavernas, para preservá-los. Tem sido assim através dos tempos, aqui e em outras partes do mundo. Mas muitas vezes foram derrotadas, como certamente acontecerá entre nós com a imensa mobilização popular que estamos vendo hoje pelas ruas do País. É necessário, entretanto, que estejamos decididos a levar a luta às últimas consequências. É o futuro do Brasil que está ameaçado. A prisão de Guido Mantega, ocorrida quando encerrávamos esta edição, pode ser vista como mais um lance dessa ofensiva contra o PT e as forças populares.
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Um governo de imposturas José Maria Rabêlo*
de outros países, inclusive os mais ricos. No Japão, ela chega a 250% do PIB; nos EUA, a mais de 100%. No Brasil não passa de 70%. A dívida pública bem estruturada pode ser um fator de desenvolvimento. Assim é vista por grande número de economistas. Na verdade, nenhum governo irá pagá-la totalmente, pois mantê-la é de seu interesse e dos próprios credores. De fato, a economia de um país não é a mesma que a de uma família, que deve ter seus compromissos em dia para não perder o crédito. Os países valem pela sua liquidez, mas também pelas suas potencialidades. Essa impostura do equilíbrio financeiro serve para a luta contra os direitos dos trabalhadores e aposentados. É o que está por detrás da campanha oficial, justificativa dos atentados contra os mais pobres. É preciso portanto impedir por todos os meios as reformas, sobretudo a trabalhista e a previdenciária, anunciadas pelo governo Temer. Elas levarão o Brasil a um retrocesso social de muitos anos, difícil de ser superado. *Jornalista
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negócio, prestando um péssimo serviço a seus usu O governo Temer já nasceu de uma grande im- ários. postura: a acusação de crime de responsabilidade pela Outra impostura é a crítica à economia sob presidente Dilma, base do impeachment. Na verdade, o governo Dilma, como se o Brasil fosse o único país era preciso afastá-la em virtude da orientação popular em crise em um mundo à deriva. A prova disso é que de seu governo, comprometido com os interesses da já estão no poder há meses e nada fizeram para obmaioria, e não com os que sempre se consideraram ter melhores resultados. Aliás, com a plataforma neoliberal os donos do Brasil. A outra impostura, a luta contra a corrupção, que anunciam, não chegarão não resiste à mais simples análise dos fatos. Ela de- a lugar algum. Veja-se o que veria compreender, para ser minimamente levada a acontece na Europa e em sério, se incluísse os governos de Sarney e FHC, este outras partes do mundo que último, com o capítulo delituoso das privatizações. O adotaram a mesma receita. prejuízo causado ao Brasil apenas pela venda da Vale, Igualmente, na política de mão beijada como aconteceu, foi muitas vezes externa o que estão fazendo é outra grave impostura. superior ao de todos os últimos escândalos, incluindo Falam em defender os interesses do Brasil, mas toos da Operação Lava-Jato. Entregaram por somente dos os seus passos são no sentido de uma volta aos três bilhões de dólares o que valia mais de 70 bilhões. tempos da submissão à influência das grandes nações Ademais, não pode falar em luta contra a corrupção capitalistas, os EUA à frente. Para isso, é preciso desum governo que tem vários de seus membros, a co- montar os organismos regionais que criamos, como o meçar pelo presidente, acusados de atos lesivos ao Mercosul e os BRIC’s, que constituem instrumentos de autodefesa em favor de nossos países. patrimônio público. Aconteceram as mesmas irregularidades com Ganha destaque nessa plataforma de imposoutras privatizações, como a das comunicações, hoje turas o chamado esforço pelo equilíbrio fiscal. Nossa divididas em quatro ou cinco grupos que controlam o dívida pública, apesar de alta, é muito menor que a
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De volta ao passado, os petroleiros vão fazer greve em defesa do Brasil Emanuel Cancella* Foi assim em 1994, quando fizemos a maior greve de nossa história, de 32 dias. FHC, na época, tinha que derrotar os petroleiros da Petrobrás para mostrar a outras categorias de trabalhadores sua força. Isso para implementar, no Brasil, o programa neoliberal de Margaret Thatcher, primeira ministra da Inglaterra. Se FHC vencesse os petroleiros, que categoria de trabalhadores o enfrentaria? No Reino Unido, Thatcher, a ‘Dama de Ferro’, a greve mais longa do mundo, de mais de um ano, para destruir a categoria mais forte inglesa, os mineiros do carvão. No Brasil, FHC tinha que destruir os petroleiros da Petrobrás para implementar seu plano de venda das estatais e retirada dos direitos dos trabalhadores. Os petroleiros venceram! Mesmo assim FHC conseguiu quebrar o monopólio do petróleo, mas não conseguiu mudar o nome da empresa para Petrobrax. FHC ainda mandava construir navios e plataformas no estrangeiro, gerando emprego e renda para os gringos. Na época, e ainda hoje, a mídia apoia as privatizações e a retirada de direitos dos trabalhadores. Tanto que, no governo de FHC, a Globo comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás, tudo para desmoralizar a empresa. O sucessor de FHC, Lula, afastou o perigo de
privatização da Petrobrás e retomou a indústria naval, destruída por FHC. Lula recompôs o efetivo da empresa, de 33 mil, da era FHC, para 85 mil. Lula fez mais, pois mostrando sua repulsa à política tucana de venda de ativos, recomprou 30% da refinaria do sul (Refap), que FHC havia vendido. Por defender o patrimônio brasileiro e os direitos dos trabalhadores, os golpistas querem barrar a volta de Lula, em 2018, através do voto popular, não permitindo nem que ele concorra às eleições. Como resposta, os petroleiros e a Petrobrás, em 2006, desenvolveram tecnologia inédita no mundo, que permitiu a descoberta do pré-sal, que já produz mais de um milhão de barris por dia. E mais, só no primeiro trimestre de 2016, a Petrobrás disponibilizou R$ 1.9 bilhões de royalties, sendo 75% para educação e 25% para a saúde, obedecendo a Lei de Partilha vigente, de Lula e Dilma! Imagine esses investimentos fortalecendo a educação e saúde dos brasileiros? E mais, com o pré-sal, temos reservas que garantem nosso abastecimento, no mínimo, nos próximos 50 anos. Nenhuma empresa no Brasil oferece isso à nação! Para possibilitar sua entrega (barganha espúria), tentam novamente desmoralizar a Petrobrás, agora usando a campanha contra a corrupção, assim manipulam a sociedade, querendo passar a falsa ideia de que todo petroleiro é corrupto. Os petroleiros querem que todo o corrupto vá para a cadeia, mas que a empresa seja preservada!
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Lamentavelmente, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, quer justamente entregar aos gringos nosso pré-sal, ativos da Petrobrás, como a BR a Transpetro, termoelétricas, fabricas de fertilizantes e dutos, que levam os derivados de petróleo para todo o Brasil. Todos sabemos que esse patrimônio da Petrobrás é estratégico para a soberania brasileira! Enquanto, no mundo, os países defendem seu petróleo através de guerras, Pedro Parente quer fazer na Petrobrás o que fizeram com a Vale do Rio Doce, a maior mineradora de ferro do mundo, vendida a preço de banana. Lembrando que Pedro Parente foi o ministro do apagão de FHC! E quem acabou com o apagão e a possibilidade de novos racionamentos de energia foi a Petrobrás, através das termoelétricas, que, aliás, o Pedro quer vender (entregar). Vamos nos juntar com os metalúrgicos, bancários, eletricitários, etc, numa greve contra o retorno das privatizações, em defesa da soberania nacional e dos direitos de todos os trabalhadores. Vamos nos unir de novo, da mesma forma que tivemos em 1994, com apoio de outras categorias, e dos estudantes e movimentos sociais. Só assim foi possível nossa vitória! Nenhum direito a menos e contra a privatização de nosso petróleo! Emanuel Cancella é coordenador do Sindipetro-RJ e da Frente Naional dos Petroleiros (FNP)
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O poder das guardas municipais Jorge Rubem Folena de Oliveira* O grande feito dos governadores na Constituição Republicana de 1891 foi conquistar a autonomia federativa, que pôs em suas mãos o poder de polícia e assim conseguiram derrubar os militares que pretendiam, nos moldes do Império, implantar uma república unitária. A Constituição da República de 1891 copiou o modelo de federação dos Estados Unidos. Porém, a federação brasileira nunca prosperou, pois os estados-membros sempre foram dependentes dos repasses orçamentários do governo federal. Contudo, os governadores dispunham do poder de polícia, utilizado para reprimir os movimentos de contestação da política local, e os municípios não tinham autonomia federativa, que só foi estabelecida na Constituição de 1988.
A Constituição em vigor estabeleceu entre as forças de segurança as guardas municipais, que são instituições fardadas e armadas sob o controle de prefeitos. Por isso, a eleição municipal de 2016 tem uma importância estratégica maior do que se possa
imaginar, uma vez que a vitória das forças reacionárias nas prefeituras poderá representar o controle de um contingente que, unido às forças policiais dos estados, são superiores às Forças Armadas e constituem uma força de segurança com experiência da vida urbana e dos modos de reprimir a população local. As Forças Armadas são voltadas para a guerra externa e não para a repressão interna nas cidades, onde vivem mais de 80% da população. Assim, eventual vitória dos apoiadores do golpe político institucional nas eleições municipais poderá representar uma derrota para as Forças Armadas, que poderão ser anuladas diante do efetivo de segurança repressiva nas mãos das oligarquias locais * Doutor em ciência política
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leitos nesta eleição: Reimont, Leonel Brizola Neto, Renato Cinco, André Barros, David Miranda. Nomes progressistas que vão honrar o voto dos cariocas!
Ricardo Rabelo Arbítrio
Prender o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no hospital, quando acompanhava a esposa doente, é semelhante à prática das tropas nazistas de Hitler. Onde vai parar isso? Se prenderem o Lula vão incendiar o Brasil.
Fora Moro Já
O juiz Sérgio Moro passou todos os limites aceitáveis para um magistrado. Além de vestir a camisa da direita, age como se fosse um intocável, no estilo Eliot Ness. Uma pergunta que não quer calar? Onde estão as instâncias superiores? É nítido que Moro perdeu qualquer isenção e credibilidade para continuar investigando a Lava-Jato. Se esse senhor permanecer a frente da investigação, suas decisões serão passíveis de questionamentos. Acho que para o bem do judiciário e da democracia ele deveria ser substituído por outro juiz que tenha imparcialidade e respeito com Estado Democrático de Direito.
#StandWithLula A Confederação Sindical
Internacional (ITUC/CSI), que representa 180 milhões de trabalhadores sindicalizados de 162 países, lançou a campanha internacional “Stand with Lula” (“Estamos com Lula”). Segundo a secretária-geral da ITUC/CSI, Sharan Burrow, o objetivo é defender o ex-presidente de abusos judiciais no Brasil e denunciar os “poderosos interesses” que tentam impedir sua livre atuação política.
Fala tudo Cunha!
Depois da cassação avassaladora do Eduardo Cunha o certo seria o STF anular o processo de impeachment de Dilma encaminhado e coordenado por ele na Câmara. Mas, infelizmente, o supremo está envolvido até o pescoço com essa vergonha! Só resta uma opção: Fala tudo Cunha!
Voto útil
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Respeito todas as candidaturas progressistas a prefeito do Rio de Janeiro. Mas, a prioridade é tirar o PMDB do Palácio da Cidade. Defendo o voto útil em quem tiver mais chance de chegar ao segundo turno. Seria muito bom despejar Eduardo Paes e sua corja da Prefeitura, inclusive a TV Globo parceira número 1 de seu governo! Eles estão apavorados de ficar fora do segundo turno!
Convicção Não tenho provas, mas a convicção de que a denúncia contra Lula é para interferir no resultado das eleições municipais (e nacional de 2018)!
Bem-vinda Dilma
Se ficar confirmado que Dilma vai morar no Rio de Janeiro, antes de tudo que seja bem-vinda, e que concorra a governadora em 2018! Dilma tem grande cacife no Rio e pode desequilibrar a disputa.
Alguma dúvida? Alguém tem dúvida que se Dilma não fosse impedida, o Gilmar Mendes, presidente do TSE, não ia cassar a chapa Dilma-Temer?
Indicações Vereadores imprescindíveis de serem eleitos ou ree-
Jornal Bafafá 15 anos
A edição de outubro do Bafafá vai comemorar os 15 anos do Jornal. Vamos publicar uma edição histórica para marcar a data. E aguardem: vai ter festa de arromba!
Nota pública em defesa da ordem constitucional Centenas de intelectuais e professores assinam texto contra a prisão arbitrária de Mantega. Confira o documento: “A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la. O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo à solta. Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior – sem serem intimados pela Justiça. Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas. O caráter republicano e isento da Operação Lava Jato já foi posto à
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prova, e reprovado, inúmeras vezes. Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer fora intimado, parecia marcar o auge da exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver. O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites. A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma. O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano. É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública. O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores. Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto? Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo? Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito às suas garantias constitucionais. O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais”.
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O Brasil e o perigoso jogo da história Mauro Santayana* Embora muita gente não o veja assim, o afastamento definitivo de Dilma Roussef da Presidência da República, em votação do Senado, por 61 a 20 votos, no final de agosto, é apenas mais uma etapa de um processo e de um embate muito mais sofisticado e complexo, em que está em jogo o controle do país nos próximos anos. Desde que chegou ao poder, em 2003, o PT conseguiu a extraordinária proeza de fazer tudo errado, fazendo, ao mesmo tempo, paradoxalmente, quase tudo certo. Livrou o país da dependência externa, pagando a dívida com o FMI, e acumulando 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, que transformaram nosso país, de uma nação que passava o penico quando por aqui chegavam missões do Fundo Monetário Internacional, no que é, hoje - procurem por mayor treasuries holders no Google - o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos. E o fez, ao contrário do que dizem críticos mendazes, sem aumentar a dívida pública. A Bruta, em 2002, era de 80% e hoje não chega a 70%. A Líquida era, em 2002, de aproximadamente 60% e hoje está por volta de 35%. Mas isso não veio ao caso. Ajudou a criar milhões de empregos, fez milhões de casas populares, criou o Pronatec, o Ciências Sem Fronteiras e o FIES, fez dezenas de universidades e escolas técnicas federais e promoveu extraordinários avanços sociais. Mas isso não veio ao caso. Voltou a produzir e a construir, depois de décadas de estagnação e inatividade, navios, ferrovias - vide aí a Norte-Sul, que já chegou a Anápolis - gigantescas usinas hidrelétricas (Belo Monte é a terceira maior do mundo) plataformas e refinarias de petróleo, mísseis ar-ar e de saturação, tanques, belonaves, submarinos, rifles de assalto, multiplicou o valor do salário mínimo e da renda per capita em dólares. Mas isso não veio ao caso. Porque o Partido dos Trabalhadores foi extraordinariamente incompetente em explicar, para a opinião pública, o que fez ou o que estava fazendo. Se tinha um projeto para o país, e que medidas faziam, coordenadamente, na economia, nas relações exteriores, na infraestrutura e na defesa, parte desse projeto. Em vez de “bandeiras” nacionais, como a do fortalecimento do país no embate geopolítico com outras nações, que poderiam ter “amarrado” e explicado a criação do BRICS, os investimentos da Petrobras no pré-sal, a política para a África e a América Latina do BNDES, o rearmamento das Forças Armadas, os investimentos em educação e cultura, em um mesmo discurso, o PT limitou-se a investir em conceitos superficiais e taticamente frágeis, como, indiretamente, o do mero crescimento econômico, fachada para as obras do PAC. Na comunicação, o PT confiou mais na empatia do que na informação. Mais na intuição, do que no planejamento. Chamou, para estabelecer sua linha de comunicação, “marqueteiros” sem nenhuma afinidade com as causas defendidas pelo partido, e sem maior motivação do que a de acumular fortunas, que se dedicaram a produzir mensagens açucaradas, estabelecidas segundo uma estratégia eventual, superficial, voltadas não para um esforço permanente de fortalecimento institucional da legenda e de seu suposto projeto de nação, mas apenas para alcançar resultados eleitorais sazonais. O Partido dos Trabalhadores teve mais de uma década para explicar, didaticamente, à população, as vantagens da Democracia, seus defeitos e qualidades, e sua relação de custo-benefício para os povos e as nações. Não o fez. Teve o mesmo tempo para estabelecer, institucionalmente, uma linha de comunicação, que explicasse, primeiro, a que tinha vindo, e os avanços e conquistas que estava obtendo para o país. Como, por exemplo, a multiplicação do PIB em mais de quatro vezes, em dólar, desde o governo FHC - trágicos oito anos em que, segundo o Banco Mundial, o PIB e a renda per capita em dólares andaram para trás - que foram simplesmente ignorados. Poderia ter divulgado, também, os 79 bilhões de dólares de Investimento Estrangeiro Direto dos últimos 12 meses, ou o aumento do superávit no comércio exterior, ou o fato de o real ter sido a moeda que mais se valorizou este ano no mundo, ou o crescimento da valorização do Bovespa desde o início de 2016, como exemplos de que o diabo não estava tão feio quanto parecia. Mas também não o fez. Sequer em seu discurso de defesa ao Senado - que deveria ter sido usado também para fazer uma análise do legado do PT para o país - Dilma Rousseff tocou nestes números, para negar a situação de descalabro nacional imputada de forma permanente ao Partido dos Trabalhadores pela oposição, os internautas de direita e parte da mídia mais manipuladora e venal. O PT dividiu-se, também, quando não deveria, e não estabeleceu uma estratégia clara, de longo prazo, que pudesse manter em andamento o projeto - de certa forma intuitivo - que pretendia implementar para o país.
O partido e suas lideranças foram reiteradamente advertidos de que ocorreria no Brasil o que aconteceu no Paraguai com Lugo - a presença aqui da mesma embaixadora norte-americana do golpe paraguaio era claramente indicativa disso. De nada adiantou. Não se deu combate às excrescências que sobraram do governo Fernando Henrique, justamente no campo da corrupção, com a investigação de uma infinidade de escândalos anteriores, que poderia ter levado à cadeia bandidos antigos como os envolvidos agora, por indicação também de outros partidos, nos problemas da Petrobras. Sob o mote de um republicanismo “inclusivo”, mas cego, criou-se um vasto ofidário, mostrando, mais uma vez, que o inferno - o próprio, não o dos outros - pode estar cheio de boas intenções. Desse processo, nasceram uma nova classe média e uma plutocracia egoístas, conservadoras e “meritocráticas”, paridas no bojo da expansão econômica e do “aperfeiçoamento” administrativo, rapidamente entregues, devido à incompetência estratégica à qual nos referimos antes, de mão beijada, para adoção institucional pela direita. Ampliaram-se a autonomia, o poder e as contratações do Ministério Público e da Polícia Federal, medidas elogiáveis, que poderiam em princípio funcionar muito bem em um país verdadeiramente democrático, mas que, no Brasil da desigualdade e da manipulação midiática, levaram à criação de uma nova casta - majoritariamente conservadora - de funcionários públicos educados em universidades privadas - também ideologicamente alinhadas com a direita - com financiamento do FIES e em cursinhos para concurseiros, que não tem nenhuma visão real do que é o país, a República ou a História, e acham - ao lado de jovens juízes - que devem mandar na Nação no lugar dos “políticos” e do povo que os elege. Como consequência disso, há, hoje, uma batalha jurídica que está sendo travada, principalmente, no âmbito do Congresso Nacional, voltada para a aprovação de leis fascistas - disfarçadas, como sempre ocorre, historicamente, sob a bandeira da anti-corrupção, que, com a desculpa de combater a impunidade - em um país em que dezenas de milhares de presos, em alguns estados, a maioria deles, se encontra detido em condições animalescas sem julgamento ou acesso a advogado - pretende alterar a legislação e o código penal para restringir o direito à ampla defesa consubstanciado na Constituição, no sentido de se permitir a admissibilidade de provas ilícitas, de se restringir a possibilidade de se recorrer em liberdade, e de conspurcar os sagrados e civilizados princípios de que o ônus da prova cabe a quem está acusando e de que todo ser humano será considerado inocente até que seja efetiva e inequivocamente provada a sua culpa. Batalha voltada, também, para expandir o poder corporativo dessa mesma plutocracia e seus muitos privilégios. Enquanto isso, aguerrida, organizada, fartamente financiada por fontes brasileiras e do exterior, a direita - “apolítica”, “apartidiária”, fascista, violenta, hipócrita - deu, desde o início do processo de derrubada do PT do governo, um “show” de mobilização. Colocou milhões de pessoas nas ruas. E estabeleceu seu domínio sobre os espaços de comentários dos grandes portais e redes sociais - a imensa maioria das notícias já eram, desde 2013 pelo menos, contra o governo do PT, em um verdadeiro massacre midiático promovido pelos grandes órgãos de comunicação privados - estabelecendo uma espécie de discurso único que, embora baseado em premissas e paradigmas absolutamente falsos, se impôs como sagrada verdade para boa parte da população. Entre as principais lições dos últimos anos, vai ficar a de que a História é um perigoso jogo que não permite a presença de amadores. Enganam-se aqueles que acham que o confronto expõe apenas a direita e a esquerda, ou o PT e o PSDB - que agora se assenhoreou do PMDB e dos partidos do baixo clero. Muito mais grave é a guerra que se desenha - e que já começou, não se iludam - entre aqueles que atacam a política, os “políticos”, a democracia e o presidencialismo de coalizão - e aqueles que, por conveniência ou idealismo, serão chamados a mobilizar-se para defendê-los daqui até 2018 e além. O futuro da República e da Nação será definido por esse embate. E é o conjunto de erros e circunstâncias que vivemos até agora, e o que faremos a partir de agora, que poderá levar, ou não, para o Palácio do Planalto e o Parlamento, um governo fascista e autoritário em 2019. É preciso costurar uma ampla aliança nacional, que parta, primeiramente, do centro nacionalista - se não existir, é preciso criar-se um - suprapartidária, politicamente includente, equilibrada e conciliatória, que una militares nacionalistas da reserva, empresários como Armando Monteiro e Kátia Abreu, técnicos e engenheiros desenvolvimentistas, grandes empresas de capital majoritariamente nacional e os trabalhadores, começando pelos de grandes estatais como a Petrobras, em torno de um projeto que possa evitar a descaracterização e a destruição da Democracia, o estupro das liberdades democráticas e dos direitos individuais, o pandemônio político e institucional e a “fascistização” do país, com a entrega de nossas riquezas e de nosso futuro aos ditames internacionais. Vamos fazê-lo? *Jornalista e escritor, publicado no site www.maurosantayana.com
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O persistente bullyng sobre o PT, Lula e Dilma Rousseff Leonardo Boff* É notório o bullyng politico e social (acossamento) sofrido persistentemente pelo PT, pelo Lula e pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Uma coisa é reconhecer que houve corrupção e erros politicos por parte de setores do PT e outra coisa é tributar quase exclusivamente tais fatos e mais a crise atual, ao PT a Lula e à ex-presidenta. Para entender este penoso fenômeno socorre-nos um dos maiores pensadores da atualidade que dedicou grande parte de sua obra a decifrar o que seja a agressividade humana e seus disfarses: René Girard(+2015), francês, professor de Letras e antropólogo, que viveu nos EUA. Seu principal livro se intitula exatamente “O bode expiatório”(Le bouc émisaire, Paris 1982). Constata Girad que todos os grupos e mesmo as sociedades conhecidas vêm atravessadas por tensões e conflitos. O processo civilizatorio, a educação, as leis e as religiões propõem um ponto de equilíbrio que permita a convivência minimamente pacífica ou impedir que os conflitos não sejam destrutivos. Mas pode chegar a um momento em que os conflitos recrudecem e as forças do Negativo vão se acumulando, rompendo o referido equilíbrio. Começam os processos de ruptura nas relações sociais e até nas famílias e entre amigos, rejeições de uns e de outros, distorções na percepção da realidade, difamações, descontrução da imagem do outro, dando lugar até ao ódio aberto. Os instrumentos mais usa-
dos é a mídia, seja pelos jornais, pela televisão e hoje pelas redes sociais da internet. É o bullying em funcionamento. Lentamente emerge o sentimento de que assim como se encontra a sociedade não pode continuar. Ela tem que encontrar um novo equilíbrio. Uma das formas, a mais equivocada e persistente, é a criação de um bode expiatório. Os grupos mais dominantes definem um bode expiatório e praticam terrível bullyng sobre ele, para descarregar todas as forças do Negativo. Esse bode expiatório varia consoante as circunstâncias históricas: podem ser os comunistas, os sem-terra, os pobres que ascenderam socialmente, os terroristas, os muçulmanos, as esquerdas que querem mudanças estruturais e outros. No nosso caso, o bode expiatório escolhido foi e continua sendo, o PT e pessoalmente a ex-presidente Dilma Rousseff, incluindo o ex-presidente Lula. Ele cumpre uma dupla função: uma de aplacar e outra de ocultar. Toda a raiva e o ódio acumulado são lançados sobre o bode expiatório. Ele carrega todas as maldades e é feito responsável por todos os desmandos ocorridos e pela crise econômico-financeira. Esquecidos ficam, consciente ou inconscientemente, todos os acertos, em especial, a maior transformação social pacífica feita em nosso país, que implicou na diminuição de nossa maior vergonha, a desigualdade social e, positivamente, a integração de cerca de 40 milhões, sempre considerados peso morto da história. Para o efeito da construção do bode expiatório tudo isso não conta, caso contrario não se cumpriria a função do bode expiatório de aplacar a fúria coletiva. Desta forma, todos se sentem livres desta praga, se possível, a ser
extermianda. É a função de aplacar a carga negativa jogada sobre a vítima. Mas há uma outra função, de ocultar. Ao colocar toda culpa e todos os males sobre PT, Lula e a ex-presidenta, feitos bodes expiatórios, esses grupos dominantes ocultam sua própria perversidade e sua culpa. Apresentam-se, farisaicamente, como paladinos da moralidade e tomados de indignação contra a corrupção. No entanto, a bem da verdade, exatamente dentre esses grupos dominantes se encontram os maiores corruptos, corruptores e sonegadores de impostos, no estilo da FIESP, esteio do impeachment, aquela que mais sonega impostos, na ordem de bilhões, como o tem denunciado o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, sem ainda referir os cerca de 600 bilhões de reais de brasileiros, mantidos no exterior em paraísos fiscais e em offshores. A Bíblia conhece também as figura do bode expiatório, sobre o qual a comunidade colocava todas as ofensas a Javé e o levava para o deserto para lá morrer. O mesmo faziam os gregos, chamando o bode expiatório, uma pessoa ou animal, de phármacon que como um remédio farmacêutico purificava a sociedade de seus desacertos. O cristianismo ve na figura do cordeiro imolado, aquele que vicariamente tira os pecados do mundo, como se reza por três vezes na missa. O efeito é sempre o mesmo: aplacar a sociedade para que, refeita, possa equilibrar seus conflitos até que estes se agravem novamente e acabem por criar algum outro bode expiatório. Pois assim funciona canhestramente a nossa história sacrificialista. Gerard vê uma saída sensata: na coordenação dos interesses ao redor do bem comum, na total transparência e da inclusão de todos, sem sacrificar ninguém. Mas reconhece que este não é o caminho seguido pela maioria das sociedades conhecidas. O mais fácil é criar bodes expiatórios como se pratica atualmente no Brasil. Para a infelicidade geral. * Leonardo Boff é teólogo e filósofo, articulista do JB on line
Sergio Moro, o acervo de Lula e a revista na bolsa da empregada Fernando Brito* Alguém precisa, com todos os riscos que isso traz na fragilíssima ordem jurídica do Brasil, começar a falar português claro. E se o juiz Sérgio Moro quiser agir como um moleque, merecerá que seja respondido como a um moleque. Que diabos têm a ver com o caso da corrupção na Petrobrás – que é o “pedaço” jurídico de Sua Excelência – com a natureza dos bens que compõem o acervo pessoal de Lula na Presidência com a Petrobras? Qual é a ligação da estatueta dada pelo Sultão do Benin (o Benin tem sultão?) a Lula ou a carta da dona Josefa, de Quixeramobim com o cartel das empreiteiras? Nenhuma, a não ser o desejo mórbido de dizer que “Lula roubou”. Sérgio Moro vai agir como uma “patroa” que manda revistar a bolsa da empregada, achando que esta, uma “pobre”, “ignorante” e sem valores morais deve, claro, ter roubado algum talher da mansão? Vai-se fazer a mesma investigação sobre o acervo de Fernando Henrique, que igualmente inclui – aliás, por definição
de um decreto dele próprio, FHC – objetos presenteados como parte do acervo pessoal de um ex-presidente? As atitudes de Sérgio Moro se tornaram escandalosas. É o “staff” de temer que irá definir o que é ou não parte do acervo, ou será que alguém é tolo o suficiente para achar que foi Lula quem selecionou, pessoalmente, o que ia e o que não ia na mudança? Qual seria a vantagem auferida por Lula, ainda que possa haver discussão sobre se tal ou qual objeto deveria ser acervo presidencial ou patrimônio estatal? Acaso Lula montou uma banquinha em Santo Amaro para vender as quinquilharias? Saiu apregoando; “olha freguesa, veja que maravilha essa adaga do Skeik de Agadir, uma pechincha, toda cravejada de pedras, por apenas 99 reais?” E quando chegava o “rapa”, juntava tudo na lona , guardava numa portinha e ficava assobiando, como se nada tivesse acontecido.
O problema, porém, não é Moro ter perdido a noção do ridículo. É não haver, na elite jurídica e midiática deste país mais nenhuma noção do ridículo. Se o doutor Moro quiser me processar pelo que digo, esteja à vontade. Mas não há nada de tão caro que ele possa me tomar que não valha a pena perder para poder dizer que um juiz tem de se dar ao respeito. *Jornalista, publicado em seu blog Tijolaço
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Glenn Greenwald
Entrevista
por Ricardo Rabelo
“É muito triste ver uma presidente ser destituída sem justificativa” O norte-americano Glenn Greenwald é jornalista, escritor e advogado especialista em Direito Constitucional. Residente no Rio de Janeiro há 11 anos, ficou conhecido mundialmente em 2013 quando publicou no jornal britânico The Guardian a existência de programas secretos de vigilância dos Estados Unidos a partir de informações do ex-agente de seu país Edward Snowden, hoje exilado na Rússia. As revelações chocaram o mundo e mostraram que ninguém escapa do monitoramento dos órgãos secretos dos EUA, em especial da NSA (sigla do nome, em inglês, da Agência de Segurança Nacional). Inclusive o governo brasileiro e a então presidente Dilma Rousseff. Sua coragem lhe valeu o Prêmio Pulitzer de jornalismo em 2014 e, no mesmo ano, o Prêmio Esso de Reportagem no Brasil. Glenn Greenwald recentemente deixou o cargo de correspondente do The Guardian para coordenar a versão brasileira do jornal The Intercept uma plataforma digital com o objetivo de produzir jornalismo destemido e combativo. Em aula magna proferida na Faculdade de Jornalismo Hélio Alonso e em entrevista ao Bafafá, Greenwald critica o impeachment de Dilma Rousseff e a campanha de difamação promovida pela grande imprensa. “É muito triste ver a democracia ser atacada e uma presidente eleita ser destituída sem justificativa”, assinala. Ele faz ainda um resumo das revelações do ex-espião Edward Snowden. “Ele teve muita coragem ao defender os valores democráticos dos EUA. Ele defendeu a privacidade para todas as pessoas no mundo, não apenas para os americanos”.
A imprensa no Brasil é demo- 2016, estas empresas provoca- presidente eleita ser destituída A TV Globo foi o capitão do ram e agitaram manifestações sem justificativa. crática? golpe? Todos dizem que apoiam a liberdade de imprensa. No entanto, o Brasil ocupa a posição 104 de países que menos respeitam a liberdade de imprensa no mundo segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras. Por dois motivos: o primeiro por causa de assassinatos de jornalistas independentes e segundo pelo fato de os grupos de comunicação no país serem dominados por quatro ou cinco famílias. Em
para destruir o governo eleito. Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras isso não foi um comportamento jornalístico, foi um comportamento político. Todas as empresas de mídia dominantes se uniram com esse objetivo. Isso ameaça a liberdade de imprensa e a democracia. Eu nunca vi antes a mídia de um país conspirar abertamente contra um governo eleito. É muito triste ver a democracia ser atacada e uma
Você é criticado por criticar a mídia brasileira?
Quando comecei a questionar esse comportamento passei a ser criticado. Inclusive alguns veículos chegam a defender a minha expulsão alegando que eu sou contra o Estado e o país. A principal fonte do impeachment foi a TV Globo
Ficou muito claro que a TV Globo encorajou os protestos incitando as pessoas irem para as ruas para lutar contra o governo eleito e fingindo que estava apenas reportando os fatos. A principal fonte do impeachment foi a TV Globo.
O golpe do impeachment teve participação dos EUA? Como jornalista eu prezo as evidências. Ainda não tenho provas disso. O que eu posso
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falar é que o governo dos Estados Unidos está muito feliz com o desfecho do impeachment, pois sempre tem preferência por governos de direita aos de esquerda. Todo mundo fala que a democracia é importante e que defende a democracia. Mas, a verdade é que muitos governos não se impor tam com isso. O governo dos Estados Unidos fala que defende a democracia, mas é aliado de países que não são democráticos como Kuwait e Bahrein e durante muito tempo de governos autoritários na América Latina. Eles não vão se importar se o Temer é legítimo ou não. Infelizmente, o povo brasileiro não deve ter esperanças de que opinião internacional salve a sua democracia. Democracia não é uma questão de ideologia
Você é visto como um esquerdista por criticar o golpe?
Existe sempre a tentativa de enquadrar as pessoas. No Brasil, as pessoas querem saber de que lado você está. Para mim o impeachment está acima disso. Eu conheço muitas pessoas que não votaram nem em Lula nem na Dilma, mas que estão contra o impeachment. Acho que esta solução não tem nada a ver do que você pensa do PT. Ou acreditamos na democracia ou não acreditamos. Democracia não é uma questão de ideologia, se você é de esquerda ou de direita.
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A verdade é que os que apoiaram o impeachment perderam quatro eleições consecutivas e decidiram tomar o poder fora do sistema democrático. Eu não denunciei o impeachment porque amo o PT, mas porque estava defendendo a democracia. Se eles queriam o poder que disputassem a eleição.
civis, diplomatas, empresas. O Snowden é uma pessoa que, aos 29 anos, divulgou documentos para defender a democracia de seu país. Ele teve muita coragem ao defender os valores democráticos dos EUA. Ele defendeu a privacidade para todas as pessoas no mundo, não apenas para os americanos. Não existe a menor possibilidade de ele ser O que achou da denúncia do perdoado pelos EUA.
Ministério Público contra o Lula? Acho que os procuradores se precipitaram pois, ao que tudo indica, eles não têm provas das denúncias.
Como você descobriu que os EUA espionavam o governo Dilma?
Os documentos do Snowden a que tive acesso mostraram que os Estados Unidos Como ele fez contato com estavam espionando o governo você? Eu já trabalhava com jorbrasileiro. nalismo investigativo quando ele me procurou. Num primeiro Snowden teve muita momento desconfiei, mas pedi coragem ao defender os valores democráticos dos EUA que ele mostrasse um aperitivo do que possuía. Um dia estava em casa com meus cachorros Snowden é apontado pelos em volta e ele mandou 20 doEUA como um traidor. O que cumentos, um deles revelando como a NSA estava invadindo acha disso? Você não tem obrigação com as comunicações. Eu não conseu governo, tem obrigação seguia respirar (riso). A partir com seu país. Muitas vezes o dali, segui para Nova Iorque inimigo do país é seu próprio para falar com meu editor e em governo. Neste caso, você está seguida para Hong Kong onde defendendo o seu país. Os EUA fui me encontrar com Snowden. criaram um sistema sem limites Parecia um filme, sendo que de espionagem só para ter mais a qualquer minuto podíamos poder. Esta espionagem atinge ser presos. Divulguei parte
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dos documentos o mais rápido possível.
Você tem recebido ataques por suas posições?
Quando fiz as denúncias do Snowden, o governo americano tentou me intimidar a ponto de eu nem visitar minha família nos EUA. No caso do Brasil, não ligo, pois se você é ameaçado pela CIA, não pode temer a mídia brasileira. Claro, que nos protegemos no dia a dia, mudamos a nossa rotina. “A internet está mudando o jornalismo e as oportunidades”
A internet para as mídias faz a diferença?
Sim, a internet é uma tecnologia recente que está fazendo a diferença. Isso está mudando o jornalismo e as oportunidades. Antes, para você ter visibilidade, precisava trabalhar para grandes veículos como o The New York Times, NBC News e Rede Globo. Hoje você pode criar um blog e ter audiência maior que muitos jornais. O fato de termos câmeras em nossos celulares permite gravarmos vídeos a qualquer minuto e obter grande visibilidade com eles. Hoje, todos são jornalistas e não é preciso trabalhar para grandes empresas de mídia e submetido a suas regras. Não temos mais limites e não dependemos mais dessas organizações.
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Entrevista
André Barros
por Ricardo Rabelo
“Sonho com a redução das desigualdades sociais e regionais” Durante a redemocratização, o advogado André Barros participou ativamente do movimento estudantil e foi membro da Executiva Nacional dos Estudantes de Direito. Na Ordem dos Advogados do Brasil, seção RJ, ocupou até junho passado a vicepresidência da Comissão de Direitos Humanos. Ganhou destaque como ativista da luta pela legalização da maconha, tendo sido inclusive um dos advogados que fez a representação ao Supremo
Tribunal Federal que garantiu a realização das Marchas da Maconha em todo Brasil. Em entrevista ao Bafafá, André Barros, candidato a vereador pelo PSOL, fala sobre temas polêmicos, entre eles, a extinção da Polícia Militar, a legalização da maconha e utopias. “Sou a favor do fim da polícia militar e de todo esse sistema penal racista que serve apenas para manter uma sociedade violentíssima”.
O Sr é favorável ao fim da Polícia cidades mais desiguais do planeta e não é a mos reduzir essa brutal desigualdade social vinte seis minutos ao todo no primeiro semestre Militar? polícia que vai nos tirar dessa situação, mas e regional nas cidades, estados e país com deste ano. Em julho fez recesso, em agosto, Sou a favor do fim da polícia militar e de todo esse sistema penal racista que serve apenas para manter uma sociedade violentíssima, onde crianças negras já nascem punidas em locais com esgoto a céu aberto, brincando em valas sujas entre porcos e ratos. O sistema só serve para matar e prender quase que somente jovens, negros e pobres. A perversidade do sistema gira em torno do poder, covardia e um prazer macabro de bater, torturar e matar. O comando da polícia e de todo o sistema penal é formado por brancos, mas os policiais enviados para a linha de frente também são jovens, negros e pobres, dentre os quais muitos morrem. Trata-se de uma grande farsa para ocultar um mercado bilionário de toneladas, em que brancos milionários entregam fuzis e metralhadoras nas mãos da polícia e do tráfico varejista, colocando pobre contra pobre. Essa concepção de militarização da polícia ou de uma polícia militarizada é absurda, pois o militar é treinado para matar na guerra, mas não estamos em guerra. Essa suposta guerra às drogas é uma fachada para esconder um sistema penal racista. Vivemos numa das
sim a redução da terrível desigualdade social. políticas sociais..
Como avalia a atuação desta força A descriminalização da maconha é policial em todo o Brasil? uma questão de saúde pública? O Brasil é o país onde a polícia mais mata no mundo e a polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no Brasil, portanto, a polícia de nossa cidade é a que mais mata no mundo. Sem dúvida, é a que mais mata jovens, negros e pobres.
O que pode ser feito para enfrentar esse drama?
Claro que é uma questão da saúde pública. A maconha é um remédio eficaz para milhares de crianças com epilepsia, tanto que existe um forte movimento de mães e pais brasileiros que lutam pelo uso da maconha medicinal. Para as pessoas da terceira idade, a maconha é um remédio para o glaucoma, Parkinson e Alzheimer. É um eficaz remédio para a AIDS e o câncer, tanto que surgiu nos Estados Unidos o movimento voltado para o tratamento dessas doenças que conseguiu a legalização para uso medicinal em mais de 20 estados. Em vários outros países do mundo, a maconha foi legalizada em razão do seu uso medicinal.
Assistência social, descriminalização da maconha, legalização das bocas de fumo nos morros e escolas mais humanas. A polícia precisa investigar o assalto à merenda escolar e ao material de manutenção dos hospitais públicos, os homicídios, feminicídios, assassinatos homofóbicos, estupros, latrocínios e toda violência por qualquer forma de preconceito e O que pode ser feito para melhorar discriminação. Nossa polícia pouco investiga, a cidade? ela praticamente só lavra flagrantes e muitos Primeiro, tirar o PMDB do comando da por denúncias anônimas do 190. Não teremos nossa cidade. Nossa Câmara dos Vereadores é segurança só com segurança pública. Precisa- uma vergonha, reuniu-se somente 49 horas e
tivemos as olimpíadas, em setembro e outubro estão todos em campanha, e devem voltar a se reunir somente em novembro. É uma das câmaras mais caras do mundo, com um gasto de 11 milhões anual para cada vereador. A bancada do PMDB e seus aliados controlam a câmara e o PSOL tem a maior e melhor bancada de oposição, mas com apenas quatro vereadores não se pode fazer nada sobre a falta de funcionamento da chamada “Gaiola de Ouro”. Precisamos aumentar a bancada do PSOL que tem a melhor nominata de candidatos.
Quais são suas utopias?
Sonho com um mundo com a maconha legalizada, com pessoas mais calmas, menos apressadas, descansando mais, comendo melhor, trabalhando menos e transando muito mais. A subjetividade da maconha não tem qualquer relação com esse capitalismo estressado, sintetizado na máxima “tempo é dinheiro”, de Benjamin Franklin, onde se come muito mal, se trabalha demais, com pouca remuneração e se transa muito pouco. Sonho com a redução das desigualdades sociais e regionais.
Com a Globo, o Brasil nunca será uma efetiva democracia Ângela Carrato* Sob o título “Um mundo e muitas vozes. Comunicação e infNos últimos 13 anos, o Brasil foi o único país democrático que manteve a sua mídia desregulada. Os avanços dos governos Lula e Dilma em termos de programas sociais, distribuição de renda e de política externa não foram acompanhados pelas urgentes mudanças que se faziam necessárias na mídia. Deu no que deu. O golpe consumado em 31 de agosto de 2016 na realidade começou em 2005, quando da denúncia do chamado Mensalão Petista. Em conluio com o então presidente do STF, Joaquim Barbosa, que omitiu a existência de outro mensalão, maior e mais antigo por parte do PSDB, a mídia, tendo à frente as Organizações Globo, passou a criminalizar, 24 horas por dia, em todas as suas emissoras, apenas os petistas e o PT. Criminalização seguida pelas demais emissoras, jornais e maioria das revistas. Paralelamente, esta mesma mídia fez e faz vista grossa a toda corrupção, apesar das fartas provas contra Cunha, Serra, Aécio, Fernando Henrique Cardoso e o próprio Temer. Lula conseguiu se reeleger e criou, apesar de toda a pressão contrária da mídia comercial, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007. A expectativa era que Dilma garantisse musculatura à EBC e que a primeira TV Pública brasileira, a TV Brasil, tivesse programação de primeira linha
e chegasse a todos os rincões. Nada disso aconteceu. O que não impediu que os governos petistas e a própria TV Brasil permanecessem na linha de fogo da mídia comercial, em especial da Globo. Não é por acaso que uma das primeiras medidas do governo golpista Temer foi acabar com a EBC, transformando-a, agora sim, em emissora “chapa branca”, com o conivente silêncio da Globo. Para a família Marinho, impedir a existência de uma radiodifusão pública no Brasil sempre foi questão de honra para garantir seus interesses. Poucos aqui sabem - e a mídia comercial faz questão de esconder - que a radiodifusão no Ocidente nasceu pública e que as principais emissoras de rádio e televisão na Europa são públicas. É o caso da BBC inglesa, da RAI Italiana, da ZDF alemã e da francesa France Télévision. Estados Unidos, Canadá e Austrália também possuem poderosos sistemas públicos de mídia, que garantem a pluralidade das informações e impedem que mentiras repetidas à exaustão se transformem em verdade. Outra informação que a mídia comercial brasileira faz questão de manter escondida do respeitável público é que em todos estes países o Estado repassa, para o seu sistema público de mídia, o orçamento necessário - no todo ou na
maior parte - para que funcione. Mais ainda: o governo não pode interferir na programação e muito menos na administração deste sistema. A todo-poderosa Margareth Thatcher, nos idos de 1980, tentou censurar a BBC e destituir seu presidente, quando da Guerra das Malvinas, e se deu mal. Informação igualmente guardada a sete chaves pela mídia comercial brasileira é que no Japão, o governo além de bancar a mídia pública, NHK, não anuncia e nem repassa um único centavo para as emissoras comerciais. No Brasil de Getúlio Vargas a Dilma, a mídia comercial sempre foi financiada, de forma direta ou indireta, pelos cofres públicos, através de publicidade oficial, isenções, benefícios, empréstimos nunca pagos e de sonegação fiscal. Com Lula talvez a Globo tenha tido a melhor época de sua vida. Como a economia ia muito bem, isso se refletia no volume das verbas federais que recebia e no todo de sua publicidade. Não foi suficiente. Agora a Globo manda diretamente no Brasil. Resta saber até quando os brasileiros e brasileiras, em nome do ódio insuflado pela própria Globo ao PT, aos petistas e à esquerda, aceitarão ser coniventes ou feitos de bobos. *Jornalista e professora da UFMG.
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Ou a gente grita, ou virão nos buscar Eu fico sem saber o que pensar. Olho para tudo que está acontecendo e embora eu não seja adepto da teoria da conspiração, me ocorre que os exageros óbvios, desde a reunião de Curitiba na denúncia contra o Lula, até esse episódio da prisão do Guido, me parece que existe uma grande isenção para haver motivos jurídicos para melar a Lava Jato, em função do fato de o grande serviço já ter sido feito: o impeachment da Dilma Rousseff e o nome do Lula ter sido jogado na lama. Agora querem salvar a cabeça dos de sempre. Não é possível que isso não seja fruto de mentes maquiavélicas, que cometem erros tão crassos, como o de prender, em um hospital, alguém que não coloca a sociedade em risco, no momento em que sua mulher está submetida a uma biopsia, deixando o Eike Bastista, que fez a denúncia, solto, o Eduardo Cunha solto, a alta plumagem do tucanato sem ser ouvida. Não é possível que isso não seja uma coisa deliberada, e quem está te falando isso não é do PT, nunca fui do PT. Sou absolutamente a favor de que todo mundo que cometeu atos ilícitos pague por eles, mas tudo tem um limite, que realmente lembra a frase do Brecht. ‘Ou a gente grita, ou virão nos buscar, porque não há ninguém que grite por nós’. Eu costumo raciocinar, mas agora estou elaborando uma nota cujo tema central é ‘ já não sei o que pensar’. Agora o que faz o Sergio Moro: revoga a prisão. Aparece a face humana do juiz, para que amanhã ele possa fazer mais uma dessas arbitrariedades. Pegue a declaração do procurador do Ministério Público Carlos Fernando dos Santos que falou em ‘triste coincidência’, dizendo que a ordem era anterior e não foi cumprida devido às Olimpíadas. A Olimpíada impede que você vá à casa de alguém para levá-lo coercitivamente para depor? A Olimpíada era no Rio de Janeiro – Guido mora em São Paulo – e acabou faz um mês. As coisas não fazem sentido, não tem nexo. A esquerda estava se reorganizando com manifestações de rua, o Moro divulga o indiciamento do Lula. O ministro do Temer diz que é a favor da anistia do caixa 2, e eles vão prender o Guido! De alguma maneira, eles querem fazer frente à repercussão das coisas que são negativas para o establishment. Eu estou indignado, eu fui colega de escola do Guido, e uma coisa eu garanto para você: ele é incapaz de pegar um tostão para ele, é incapaz de fazer o que agora Eike Batista denuncia. Juca Kfouri, jornalista
Pura má-fé A Lava Jato teve uma atividade intensa até o impeachment de Dilma. Operações semanais. Na prática, seus alvos políticos foram só petistas, apesar de várias citações de políticos de outros partidos em delações. Depois do impeachment, a Lava Jato tirou férias de alguns meses. Parecia ter um certo sentimento de dever cumprido. Neste meio-tempo veio a delação de Sérgio Machado, a implicação de Temer, Jucá, Renan e novas citações a Serra e Aecio. Cunha perdeu o foro privilegiado, podendo agora ser julgado por Moro. Então, a Lava Jato volta à cena: E os procuradores de Curitiba indiciam... Lula! E Moro mandou prender... Guido Mantega! Já foi o tempo em que acreditar na isenção da Lava Jato era caso de ingenuidade. Agora é pura má-fé. Guilherme Boulos, líder do MTST
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Absurdo Enquanto o “presidente” ilegítimo mente descaradamente na assembleia da ONU, ao lado do chanceler acusado de receber 32 milhões, e enquanto ministro Geddel Viera Lima diz publicamente ser a favor do projeto que anistia os deputados corruptos que apoiaram o golpe contra Dilma e que fizeram “caixa 2”, a operação lava jato prendeu o Guido Mantega num hospital sob os holofotes e aplausos da Globo News e seus comentaristas. A prisão de Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos de Lula e Dilma, é reveladora da hipocrisia, do cinismo e da crueldade que tomaram conta da política brasileira — e quando digo “a política”, estou falando não apenas da política feita por políticos, mas também por agentes do Judiciário, do Ministério Público e da imprensa — nos últimos tempos. Não há limites éticos para aqueles que precisam, seja como for, estigmatizar, criminalizar e destruir os adversários políticos dos seus interesses, depois de ter entendido que não poderiam vencê-los no jogo democrático. Aliás, eles conseguem prender o Mantega no hospital enquanto acompanhava a esposa numa cirurgia, mas não conseguem localizar o endereço da Cláudia Cruz, né? Jean Wyllys, deputado federal – PSOL/RJ
Pergunta Depois da humilhante e escandalosa prisão de Guido Mantega no hospital onde sua mulher convalesce de cirurgia contra um câncer, eu me pergunto: não há entre os 11 membros do supremo um ministro, um único, solitário ministro com coragem suficiente para botar um freio no juiz Sérgio Moro? Será que estão todos com o rabo preso? Fernando Morais, jornalista
Pergunta II Quer saber por que o Ministério Público, a mídia, o judiciário e a FIESP querem impedir que Lula seja candidato a presidente em 2018? Pergunta para o povo de Iguatu, no Ceará na foto de Ricardo Stuckert. Fernando Morais
Dilma e Jandira Dilma Rousseff está ao lado de Jandira. Duas mulheres corajosas que simbolizam a Verdade em tempos de mendacidade. Juntas, não aceitarão a redução da “Cidade Maravilhosa” à condição de “Rio Maravilha”, proposto por Eduardo Paes, sob patrocínio da Globo, em favor da especulação imobiliária. O Rio de Janeiro e todo o Brasil precisam da coragem dessas mulheres que vão às ruas, que se expõem à luz do sol, rejeitando o retrocesso do PMDB e PSDB. Maria Fernanda Arruda, jornalista
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Extensão 50 mil estudantes da UFRJ atuando nas redes, coletivos, comunidades, projetos de transformação! Demorou, mas a UFRJ está fazendo um movimento em bloco, amplo e real, político e decisivo para quebrar os muros da universidade e incidir, interagir, se abrir para as ações dos movimentos sociais, culturais, coletivos, redes, grupos, ongs, experiências artísticas, científicas, estéticas, laboratórios, de inovação cidadã. A UFRJ está implementando de forma permanente e contínua uma ação, que já estava prevista na Lei de Diretrizes e Bases, em que 10% dos créditos de todos os seus 50 mil estudantes em todos os campos e cursos serão práticas, ações, projetos, atividades para além do ambiente acadêmico! Já são 200 cursos de extensão, mas serão 300 horas de atuação em extensão para cada estudante da UFRJ ao longo dos seus cursos. Ter cerca de 50 mil estudantes envolvidos, 4 mil professores, técnicos, diretamente em ações externas é algo que mobiliza e entusiasma. Assumi a Direção de Extensão da Escola de Comunicação para elaborarmos juntos com os professores, estudantes técnicos essas ações e estamos fazendo um mapeamento dos projetos, grupos, ações que querem receber os estudantes da ECO em uma rede de colaboração, trocas, formação. A solução vai vir de nós para nós! A extensão é o lugar mais desengessado das universidades, um laboratório de inovações, imaginação social que nesse momento de crise e retrocessos é decisivo. É juntar a fome com a vontade de comer e a potência dos grupos e da comunidade acadêmica para seguirem juntos. Ivana Bentes, professora e pesquisadora na ECO/UFRJ
Não, não, não à privatização! Junto com mais de 15 mil trabalhadores da CEDAE, lutadores que nos anos 90 impediram o desmonte da empresa, participei da manifestação contra a nova ofensiva pela privatização da empresa. Não permitiremos que a água, esse bem público, seja entregue nas mãos da iniciativa privada, prejudicando a população mais pobre, os moradores das comunidades, das cidades do interior do estado, os trabalhadores. A hora é de resistência! Gilberto Palmares, ex-deputado estadual e secretário de administração de Maricá.
Golpe O judiciário, a imprensa e o governo Temer estão juntos para tentar influir nas eleições municipais no próximo domingo. A ideia é tentar destruir a reputação de líderes petistas associando-os ao banditismo. Onde já se viu um ministro da justiça anunciar antecipadamente prisões preventivas? Até o mais ingênuo dos inocentes está percebendo a mutreta da direita. Só que no Rio de Janeiro o tiro pode sair pela culatra. O PMDB está a um passo de ficar fora do segundo turno. Deus é pai! Ricardo Rabelo, Editor do Bafafá
Veiculo: Mercomídia Serviços Editoriais 08.376.871/0001-16 Candidato: 25.283.689/0001-30 Valor do anuncio: R$ 1.000,00
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Coligação Rio em Comum (PCdoB e PT)
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