“A existência é antes de tudo gostar das pessoas e ser alegre”
ENTREVISTAMOS
Antônio Pedro Ator, diretor, produtor e roteirista
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Ano 18 - 5a Edição 2018 Distribuição Gratuita Rio de Janeiro/ RJ bafafa.com.br
Enfim, férias!
Mapeamos as melhores praias cariocas E visitamos a Ilha da Gigóia 12
11 Cursos:
Dicas de cursos livres para as férias
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Mario Chagas
E MAIS: Fábio Cezanne, Marcelo Chalréo, Miguel Sampaio e Raquel Reis.
Um poeta na direção do Museu da República
MENSAGENS
AO LEITOR
Em Frente Em outubro o Jornal Bafafá completou 17 anos com muito a comemorar. Apesar das turbulências políticas, crise econômica e dos acontecimentos “difíceis de engolir” dos últimos tempos, estamos firmes. Buscamos uma sociedade mais justa, mais ética, livre e democrática. Nós e um bocado de gente bacana por aí, que nos inspira a continuar essa jornada por mais dezenas de anos. Ninguém solta a mão de ninguém!* Nessa edição, entrevistamos o divertidíssimo ator, diretor, roteirista e produtor Antônio Pedro, uma pessoa rara, com muitas histórias para contar. Conversamos também com o museólogo, professor e poeta Mário de Souza Chagas, que assumiu a direção do Museu da República neste ano e nos fala da importância, das dificuldades e dos planos para o museu. Além dos artigos e colunas de nossos colaboradores, temos sugestões para as férias como praias, cursos, museus, jogos, passeios e um roteiro pela Ilha da Gigóia. Nossa próxima edição será em final de fevereiro, na volta às aulas, mas estaremos ativos nas redes sociais. Desejamos aos nossos leitores que 2019 seja de muitas alegrias. “Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse viver para sempre”. Mahatma Gandhi * Dando o crédito para a artista: A arte que viralizou na web é da tatuadora mineira Thereza Nardelli. Para saber mais sobre seu trabalho: www.instagram.com/zangadas_tatu
Envie suas perguntas, críticas e sugestões para leitorbafafajornal@gmail.com com nome, cidade e profissão. “Conheço Bafafá desde que ele nasceu em plena democracia. E compartilho com seu caráter de trincheira e barricada da liberdade.” Fernando Morais, jornalista
“Saudações artísticas ao Bafafá, nossa pequena ilha de resistência pela liberdade de expressão. Coração transparente de nossas poéticas, diferenças e utopias.” Xico Chaves, artista plástico
Custódio Coimbra, fotógrafo
“O Bafafá é uma delícia e ao longo de seus 17 anos vem sempre apimentando o cardápio de ideias vanguardistas.”
“Desejo sucesso e vida longa ao Jornal Bafafá. Mais do que nunca precisamos de mídias sérias e independentes.”
“Parabéns ao Bafafá, que venham muitos anos de luta em defesa da liberdade e da democracia.”
Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho
Luis Otávio Almeida, Cordão do Boi Tolo
Ruy Paiva Jr, procurador da Fazenda Nacional
EXPEDIENTE
Ano 18 – Nº 142 – dez/18 Jornal Bafafá 100% Opinião é uma publicação da Mercomidia Serv. Editoriais Ltda mercomidia@gmail.com | (21) 3547-3699 Projeto Gráfico: Mônada Soluções Criativas – @monadasolucoescriativas Editores responsáveis: Ricardo Rabelo (Mtb21.204) e Rogeria Paiva Arte: Paulo Bastos - @pcbastos Distribuição gratuita Tiragem: 5 mil exemplares Periodicidade: bimensal Circulação: universidades, bares, centros culturais, etc. Veja a lista dos locais no site: www.bafafa.com.br/bafafa/jornal-bafafa Edição digital: www.issuu.com/jornalbafafa Praça: Rio de Janeiro e Niterói Colaboradores dessa edição: Fábio Cezzane, Marcelo Chalréo, Miguel Sampaio, Raquel Reis Jornal Bafafá 100% Opinião não se responsabiliza pelo conteúdo autoral dos colaboradores, bem como serviços de anunciantes. Anuncie: bafafajornal@gmail.com | (21) 3547-3699
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“Cultura, lazer, conteúdo, resistência. Esse é o nosso Bafafá. Entrevistas com intelectuais que escrevem a nossa história e oposição à banalidade do cotidiano.“
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OPINIÃO
PLC 79/2016: Um presente de 100 bilhões para as operadoras de telefonia Por Miguel Sampaio O Instituto Telecom e o Clube de Engenharia encaminharam carta aos senadores, manifestando-se contra o PLC 79, que pode ser votado no Senado a qualquer instante. O projeto de lei muda o marco legal das telecomunicações e permite que os serviços - atualmente sob concessão pública - passem a ser explorados em regime privado. As dez razões para que os senadores votem contra o projeto estão publicadas na rede (ver em: http://portalclubedeengenharia.org. br/2018/11/13/carta-aos-senadores-votem-nao-ao-plc-79/). Todas são importantes, mas destaco algumas. Em primeiro lugar está a questão controversa da entrega de bens reversíveis pertencentes à União. São prédios, redes de infraestrutura, equipamentos, entre outros ativos utilizados pelas concessionárias para prestar os serviços. O que está em jogo, portanto, é uma disputa entre os interesses da sociedade e o das operadoras de telecomunicações no sentido de capturar esse patrimônio. O TCU estima o valor desses bens em mais de R$ 100 bilhões. Neste caso, a sociedade corre o risco de levar a pior, porque alguns de seus representantes atuam a favor das operadoras. O segundo ponto é o fato indiscutível de que telecomunicação - telefonia fixa, móvel, banda larga, etc – é uma área de política pública indispensável ao desenvolvimento do país. E o papel do Estado deve ser o de estimular o setor, tanto para melhorar a qualidade dos serviços quanto para levá-los a todo o território nacional, independentemente de classe
social. Isso significa UNIVERSALIZAR o serviço! A concentração de 60% dos acessos em banda larga fixa na região Sudeste, que possui menos da metade – 42% – da população, é um exemplo das atuais assimetrias a serem enfrentadas. A desigualdade no acesso ocorre também dentro de um mesmo município, entre os bairros de classe média e os da periferia. O terceiro ponto crítico do PL envolve a oferta de acesso à internet nas escolas. Hoje, os contratos de concessão obrigam as operadoras a levarem os serviços às escolas públicas até 2025. No regime de autorização, devido ao caráter privado da exploração do serviço, não sabemos o que vai acontecer. Existem outras questões importantes enumeradas na carta das entidades aos senadores, que, por brevidade, não será possível citar. Mas é importante entender que a alteração de concessão para autorização torna a legislação extremamente “solta”, favorecendo as empresas de telecomunicações e enfraquecendo os serviços para a população, especialmente a de baixa renda. Com a vantagem de entregar às operadoras, de “brinde”, o patrimônio dos “bens reversíveis”.
Diretor de Comunicação do SENGE (Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro)
Eleições de 2018, instituições, movimento popular e luta Marcelo Chalréo Li em algum lugar que o grande Mário Lago acompanhava a apuração das eleições do segundo turno para a presidência da República em 1989, no qual se embatiam Lula e Collor, quando, lançado o resultado, várias e vários cabisbaixos na sala, um jovem lança uma pergunta: o que faremos agora? O velho comunista levanta-se da sua cadeira e altaneiro responde: Vamos fazer o que sempre fizemos. Começar tudo de novo! Gostemos ou não gostemos do resultado eleitoral presidencial deste ano, é fundamental apostarmos (e pressionarmos) para que as instituições do estado burguês cumpram à risca seu compromisso com a democracia, com o respeito às minorias, com os princípios cardeais e supralegais dos direitos humanos, com o direito de manifestação e expressão, com o direito de reunião e com os valores civilizatórios que embasam a sociedade brasileira. Esses cânones devem ser observados por quem se elegeu e por quem se pôs e se põe na oposição. Nessa linha, é este também o papel das organizações da chamada sociedade civil, que não devem descurar do seu poder vigilante e de incidência todas às vezes em que houver risco de serem triscados esses valores por qualquer um dos futuros mandatários (governadores e presidente). Ao movimento popular, aos setores que se sentiram e foram derrotados com a vitória de uma proposta assaz conservadora, tenham votado ou
não nas eleições passadas, resta – mas que não é resto! – a máxima verberada pelo autor de “Atire a primeira pedra“. Tomemos essa consigna como a necessidade de mais e mais estudarmos, lermos os clássicos, nos reunirmos e conversarmos sobre história, política, economia, nos organizarmos e contribuir para a organização, sobretudo das camadas populares e obreiras. Afastemo-nos um pouco das redes sociais – o que não significa abandoná-las – mas compreendendo que política e incidência política efetiva e consistente se fazem presencialmente, olho no olho, nas escolas, nos sindicatos, nos coletivos sociopopulares, não perdendo a mirada que a luta de classes é motor cêntrico da história. Termino com uma de um velho cabra, algo mais ou menos assim: para quem já enfrentou a ditadura do Getúlio, o reacionarismo do governo Dutra, o golpe militar de 64, o AI 5, o que hoje se apresenta é apenas uma pedra no caminho, como no poema de Drumond. Assim o disse o cascudo lutador, portanto, “vamos começar tudo de novo“. Venceremos!
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB RJ
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EDUCAÇÃO
Coisas de Madeira: escola e oficina de marcenaria Localizada numa vila no bairro de Santo Domingos em Niterói, a oficina Coisas de Madeira tem como base o princípio “faça você mesmo” em que o próprio aluno produz a peça que deseja. Sob a coordenação do designer e professor Diego de Assis, as aulas acontecem uma vez por semana com duas horas e meia de duração e, no máximo, três alunos por turma. Não é preciso ter experiência prévia, apenas vontade de aprender. Durante o curso, os alunos aprendem a manusear diversas ferramentas como serrote, plaina, serra de corte e grampos. Diego garante que em seis meses o aluno atinge o nível básico e em dois anos está apto a montar a sua própria oficina. “É um curso de capacitação, não um workshop”, salienta. A oficina é dotada de uma das maiores coleções de livros de marcenaria do Brasil, com cerca de dois mil volumes. “Muitas inspirações vêm deste acervo”, conta Diego. Não é qualquer um que tem uma biblioteca especializada desse porte.
Aproveite as férias para reciclar ou diversificar o conhecimento Férias é também um bom período para por em prática alguns projetos que estão guardados na gaveta por falta de tempo. Aproveite para se reciclar ou para fazer um curso livre e aprimorar alguma aptidão. Algumas sugestões: Oficina de Literatura Cairo Trindade A ideia é incentivar a criação de textos e estimular a leitura de autores modernos e contemporâneos. A oficina trabalha para extrair histórias e poesia de dentro de cada um, dando instrumentos necessários para o processo de desenvolvimento da escrita. Utiliza o conhecimento das técnicas para construção e o aperfeiçoamento da escrita, buscando e desenvolvendo o estilo de cada um. As aulas podem ser presenciais ou por Skype e em qualquer época. INFORMAÇÕES: 21 2256-5121 Casa do Saber A Casa do Saber é um espaço top que reúne renomados professores e conferencistas. Ali você encontra cursos livres, palestras e oficinas de estudo nas áreas de artes plásticas, ciências, cinema, filosofia, literatura, teatro, história, música, pensamento contemporâneo e psicanálise. As palestras e os cursos são ministrados em pequenos grupos para promover a troca de ideias e uma maior interação entre os participantes e os mestres. Não é um investimento barato, mas vale super a pena. INFORMAÇÕES: 21 2227-2237 | inforio@casadosaber. com.br
Entre os alunos, estão médicos, engenheiros, arquitetos e estudantes de arquitetura. De lá também saíram muitos dos novos empreendedores desse mercado no Rio. Muitos fazem por terapia, outros para aperfeiçoamento profissional, já que Diego é um verdadeiro expert do ofício. O mais bacana é que os trabalhos produzidos não são padronizados. Cada aluno faz sua peça exclusiva e sem tempo pré-determinado para terminar. O valor é inestimável!
Horários: de segunda a sexta, das 14h às 16h30 ou das 18h às 20h30 Contatos: (21) 999475493 | 971767364 | 3604 1742 | diegodeassis@yahoo.com.br
The Bife O mestre churrasqueiro Rossano Mendonça, da boutique de carnes The Bife, na Barra da Tijuca, comanda workshops para quem quer aprender todos os segredos da carne e do churrasco. Ao final, os alunos fazem degustação das carnes preparadas no curso com harmonização de cerveja especiais e ainda levam um kit de churrasco. INFORMAÇÕES: 21 3648-1006 | contato@thebife.com.br
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Games of Boards: Sobre Seu Propósito & O Ano Novo Jogos de tabuleiro no Rio CRIATIVIDADE
Por Raquel Reis
Propósito significa aquilo a que alguém se propôs ou se decidiu a realizar, e determina-se a fazê-lo com vontade. Hoje, isso se torna algo mais profundo quando falamos do conceito de uma vida com propósito, que nos inspira a revermos as decisões que tomamos e os reflexos das mesmas em nossas vidas. Apesar da busca pelo propósito pessoal ser um lema nos dias de hoje, essa angústia do indivíduo em buscar uma razão para sua existência vem desde o início da humanidade, em que perguntas como “Quem sou? De onde vim? Pra onde vou?” inspiraram várias teorias, experimentos e movimentos em todas as áreas de conhecimento. Descobrir nossos talentos e encontrar onde podemos aplicá-los, é encontrar um fio condutor para nossos esforços e motivações. Muitas pessoas têm abandonado cargos que não dizem respeito aos seus princípios ou crenças e passam a fazer o que realmente gostam, porque entenderam que seus trabalhos precisam fazer algum sentido maior, além de receberem uma remuneração. E, como escolher uma atividade que seja motivadora e inspiradora? Acreditarmos no que fazemos é fundamental, é preciso fazer sentido para nós quando executamos uma atividade ou criamos um negócio. Dedicarmo-nos a praticar a excelência, se algo tem que ser feito, que seja bem feito. Fazer o que se gosta não significa que faremos sempre tudo o que desejamos então, é importante gostar do que se faz e não necessariamente fazer o que se gosta. É um bom período para pensar sobre esse assunto, já que o novo ano está aí e essa época sempre nos inspira uma autoanálise! Que tal começar o novo ano com essas reflexões? “A única coisa que importa é colocar em prática, com sinceridade e seriedade, aquilo em que se acredita.” (Dalai Lama)
Raquel Reis é CEO Mônada Soluções Criativas. Apaixonada por design e todos os seus processos
ANUNCIO 4 X 25,5 cm (4 colunas)
O Games of Boards é o paraíso dos jogos de tabuleiro no Rio de Janeiro. O local, voltado para o público Nerd, tem nada menos do que 300 jogos dos mais variados estilos e propostas onde o que vale é a diversão e o passa tempo. O irado é que mesmo quem não sabe jogar pode aproveitar já que existem monitores que ensinam as regras de cada um. O espaço tem três salões com 240 m2 e capacidade para até 110 pessoas sentadas, inclusive um café bar com salgados, sanduíches (por enquanto só no fim de semana), café, chocolate, refrigerantes e cervejas long necks. O Game of Boards é um espaço cultural geek dotado de uma ludoteca (biblioteca de jogos) onde é possível adquirir jogos novos e usados do Brasil e do exterior. A lojinha possui ainda acessórios e utensílios, inclusive mesas próprias para jogos. Acontecem ainda no local palestras e eventos ligados a jogos. O espaço pode ainda ser alugado para festas, eventos comemorativos e até casamentos. O bacana é que os interessados não precisam ir acompanhados. “Pode vir sozinho, pois sempre vai encontrar alguém para jogar”, assegura Daniel Oliveira. Vale demais conferir. Palavra do Bafafá! Games of Boards – GOB Rua Benjamim Constant, 48 - Glória - Rio de Janeiro Fones: 2557-7277 e 99019-3663 Funcionamento: terças a quintas de meio dia às 22h, sextas, sábados e domingos de meio dia à meia noite.
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Livros
SAÚDE
71 Leões: Uma história real, emocionante e inspiradora 71 Leões é mais que um livro. É um relato emocionante dos 71 dias (50 deles na UTI) em que a autora Lau Patrón viveu no hospital ao lado do filho João Vicente lutando por sua vida e tentando entender o que aconteceria em sua vida a partir de então. Leãozinho, como a jovem mãe o chama desde a gestação, tinha apenas um ano e oito meses de idade quando foi internado subitamente por conta de uma síndrome raríssima e autoimune diagnosticada bem depois. Em formato de diário, o livro intercala cartas da mãe para o filho, relatos autobiográficos da vida da autora, como suas dores, seus medos e sua força. Para além de uma história de superação, termo que a autora rechaça, o livro também pretende desromantizar a mãe que sofre. “Uma mãe nunca é só uma mãe. Uma mãe é uma mulher. É uma filha. Uma namorada, uma profissional. Tem muitas partes, e todas elas têm vontades e medo. Todas têm voz. Eu quero que seja uma história real. E que as pessoas se identifiquem justamente pela proximidade com ela. Eu sofri pra caramba. Mas não quero transformar isso em uma luta ou em algo bonito. Me orgulho da nossa felicidade, daquilo que fizemos a partir da dor, não daquilo que doeu”, relata Lau. Hel Mother, a youtuber Helen Ramos, assina a orelha do livro e Petra Costa, atriz e cineasta, faz a apresentação. Gaúcha, 30 anos Lau Patrón criou a página Avante Leãozinho com mais de 20 mil seguidores, onde divide suas reflexões sobre inclusão, além de acolher outras famílias. É uma palestrante TEDx, odeia a palavra “superação”, e acredita apenas na mudança que passa pelo afeto. www.facebook.com/avanteleaozinho Número de páginas: 192 Formato: 15x21cm Editora: Belas Letras Preço de capa: 39,90 PARA COMPRAR: Em diversas livrarias e no site da editora www.belasletras.com.br/produto/71-leoes - Promoção temporária com o cupom: FRETEGRATIS Se alguém tiver dificuldades para encontrar o livro, mande um email para batutajornal@ gmail.com que nós encaminharemos para os editores. No Rio tem venda direta com a autora e entrega grátis em alguns bairros.
UFRJ testa biofármaco para lesões na medula O Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ está captando pacientes para um estudo clínico cujo objetivo é testar uma nova droga que pode evitar que uma pessoa que sofreu uma lesão na medula espinhal fique paralítica. A dificuldade é que o tratamento tem que ser feito no máximo três dias após o trauma e o laboratório não está conseguindo captar pacientes a tempo. Quem puder repassar essa informação, ajuda muito. O telefone de contato é 21-3938-6488. Por favor, não entrar em contato se a lesão tiver ocorrido há mais de três dias. O recrutamento é apenas para casos muito recentes para poder validar o tratamento. Quanto mais rápido puderem se confirmar os resultados positivos, mais rápido o tratamento poderá se estender para outros casos. A polilaminina é um biofármaco elaborado a partir de um produto natural presente em animais e em seres humanos. A polilaminina é produzida por um processo de polimerização desenvolvido no laboratório LBMEC da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse processo dá origem a um polímero sintético semelhante ao polímero natural produzido pelas células vivas. A injeção de polilaminina em ratos de laboratório previamente submetidos a uma lesão na medula espinhal foi capaz de devolver aos animais a capacidade de locomoção. Além disso, foi observada uma recomposição da estrutura da medula espinhal e uma recuperação mais rápida no estado geral dos animais. Mais informações no site www.polilaminina.com.br
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ENTREVISTA
“A existência é antes de tudo gostar das pessoas e ser alegre” Carioca de Ipanema, o ator Antônio Pedro Borges de Oliveira, ou simplesmente Antônio Pedro, descobriu a vocação pelo teatro ainda na adolescência e nunca mais parou. Atuou em dezenas de peças, filmes e novelas e foi secretário municipal de cultura do Rio de Janeiro e de Volta Redonda nos anos 80. Além de ator é também diretor, roteirista, produtor e humorista. Aos 78 anos, morando na Ilha de Gigóia desde 2016, Antônio Pedro recebeu o Bafafá e falou sobre vários temas: juventude, início de carreira, censura e utopias. “Acho que a existência é antes de tudo gostar das pessoas, ser alegre”. Como foram a sua infância e juventude?
de Montparnasse e depois numa chambre de bonne (antigos quartos de empregada) num prédio em Port Royal, perto de Saint Michel. Acabou que no total fiquei cinco anos na França sem sequer vir ao Brasil. Saí com Juscelino e voltei com Castelo Branco (riso).
Eu nasci em 1940 em Ipanema que até então era um subúrbio carioca da Zona Sul. Morava na descida da Rua Saint Roman onde tudo em volta era mato. Jogávamos futebol na rua, andávamos de carrinho de rolimã e fazíamos fogueiras de São João. Como Ipanema não tinha muitos atrativos além de cinemas, a minha adolescência foi em Copacabana, na Rua Constante Ramos, onde tínhamos uma turma que brigava com as outras (riso). Aprendi boxe na rua. As turmas bravas eram a do Lido e da Miguel Lemos (riso). Era testosterona pura, falta do que fazer. Em pleno verão vestíamos casaco de couro e imitávamos o Marlon Brando (riso). Tinha festas todos os sábados e junto com elas, sempre porrada. Nos bailes de formatura também. Na escola naval, os alunos iam fardados e a gente provocava eles (riso).
e dava palpites (riso). O João Bethencourt, que era diretor, me convidou para fazer figuração. Eu interpretava um PM sem fala. Acabou que fiz de tudo um pouco: contrarregra, sonoplastia e iluminação. Antes mesmo de a peça estrear, o Fábio Sabag, que dirigia o programa da TV Tupi chamado “Teatrinho Trol”, voltado para o público infantil, me chamou para interpretar o Pedrinho. Aí vi que tinha o dom da coisa, era fácil para mim (riso). O programa acabou virando peça também e como o Sabag tinha outras coisas na TV Tupi me convidou para vários programas.
Como foi o começo de carreira?
E você acabou indo morar em Paris?
Desde criança eu desenhava. Quando adolescente passei a frequentar o Instituto Municipal de Belas Artes. Fiz também vestibular para filosofia, mas só fiquei um ano. Em 1960, uma amiga, a atriz Camila Amado, me levou aos ensaios da peça, “Um Elefante no Caos”, com o Millôr Fernandes. Assistia os ensaios
Sim, no final de 1961 fui morar na França. Mamãe achou que eu estava desregrado e bebendo demais e me mandou logo para Paris! (riso). Fiz contato com o produtor de teatro Léo Lapara que dirigia uma grande companhia. Fiquei dois anos trabalhando no teatro fazendo de tudo. Morei atrás da gare
Foi uma boa escola para você?
Claro, saí completo. Parei de beber e a minha primeira maconha foi lá (riso). Voltei pro Brasil em maio de 65. Percebi que se não voltasse não retornaria mais (riso). Peguei carona num cargueiro do Loyd Brasileiro.
E como foi a readaptação?
Tinha um apartamentinho na Rua Bulhões de Carvalho e fui trabalhar com teatro fazendo um pouco de tudo: sonoplastia, iluminação e TV com o Sabag. Nunca estudei teatro, fui autodidata. Arte não se estuda, se faz. Em 1967 fui ser assistente de direção da peça “Onde canta o sabiá”, de Paulo Afonso Grisolli com a Marília Pêra e o Gracindo Junior. Depois me juntei ao Cláudio Marzo e a Beth Farias e fundamos a Cia Teatro Carioca de Arte. Alugávamos o teatro e bancávamos toda a produção pagando os custos (quando dava) com a bilheteria. Acabou que em 1968 fui para São Paulo en-
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cenar a peça “Roda Viva” e acabei ficando cinco anos por lá. Ganhei muito dinheiro e bebia champagne todos os dias (riso). Sempre fui perdulário (riso).
exige uma atuação atlética. Quando o sujeito vai ficando velho, começa a enferrujar. Como eu não quero fazer muito esforço, prefiro ficar aqui na minha ilha (riso).
E como foi encarar a censura?
E o programa Saideira, está gostando de fazer?
Era um inferno. Deixavam você ensaiar e tinha que fazer uma apresentação só para ela autorizar ou não o espetáculo. Cortavam tudo, tinha que negociar um “puta que pariu” por um “merda” (riso). Os caras não entendiam nada de teatro.
Continua fazendo TV?
Sou contratado pela TV Globo. Faço especiais e séries, entre elas, os “Detetives do Prédio Azul”, que também tem uma versão em filme. Fiz também o filme “Quase Memória”, do Ruy Guerra. Confesso que eu gosto mesmo é de ficar aqui na Ilha da Gigóia (riso).
Você atuou em todos os filmes do Hugo Carvana?
Sim, praticamente todos. Só não fiz o “Vai Trabalhar Vagabundo 1” em 1972 porque estava em São Paulo, mas fiz parte de todos a partir do “Vai Trabalhar Vagabundo 2”. Os personagens, os textos e a direção eram ótimos.
Como faz para decorar os textos?
Ainda decoro! (riso) mas, quando dá, improviso. Cada um tem um macete, eu escrevo a minha parte num caderno que fica no bolso.
Está fazendo teatro ainda?
O teatro querendo ou não
Fizemos a segunda temporada. Esse programa é ótimo!
Como é morar na Ilha da Gigóia?
Minha mulher queria morar numa casa. Estou aqui há um ano e meio. É quase uma aldeia, você anda a pé, mas estou a 10 minutos do Leblon.
Como está vendo a prisão do Lula?
Escroto, um golpe combinado. É uma jogada imperial para entregar a Petrobras, o Banco do Brasil. Me aflige ver ele preso condenado por corrupção e lavagem de dinheiro de um apartamento que não é dele. Somos um país colonial com uma elite que está pouco se ligando com o país.
Tem alguma utopia?
A utopia do comuna é pouco utópica, pois sabemos que as contradições existem. Teve uma época que eu acreditei que podíamos mudar tudo. O processo histórico e a luta de classe continuam. O padrão ocidental, considerado o mais avançado, o da democracia burguesa, determina o que é justo ou não. Pergunta isso para o Yanomami. Acho que a existência antes de tudo é gostar das pessoas, ser alegre. Não tem nada mais alegre do que uma roda de samba (riso).
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CULTURA
Mário Chagas, um poeta na direção do Museu da República O museólogo, professor e poeta Mário de Souza Chagas assumiu em abril desse ano um dos museus mais importantes do Brasil, o Museu da República. Desde então, seus frequentadores já puderam perceber uma mudança no uso do espaço que está mais movimentado e democrático. Tem diversos eventos culturais na agenda e ocupar o gramado não é mais proibido. A diferença está no carinho e no olhar poético dessa nova direção. Mário tem grande experiência em museus comunitários e é um ativista cultural. Além do mais, ele não foi uma indicação política. Seu projeto de trabalho para o Museu é o que lhe colocou na função e pelo qual será cobrado. Os quatro anos de sua gestão terá como foco a valorização do Palácio do Catete e do Palácio Rio Negro, localizado em Petrópolis e vinculado à instituição.
O potencial turístico tanto de um quanto o outro é muito grande e devem ser mais bem explorados. A ideia é aumentar as visitações além de aproximar mais as comunidades locais. Entre suas prioridades estão a aproximação com as comunidades populares, outros museus e estabelecer parcerias com universidades, instituições culturais e de pesquisa. Entre outras coisas, uma atenção especial já está sendo dada às serestas que ocorrem diariamente há décadas nos jardins do palácio. Pela primeira vez estão sendo colhidas informações e o projeto é virar uma exposição e livro. Seu maior desafio, entretanto, será garantir a manutenção, conservação e restauração arquitetônica dos dois prédios históricos.
Dias de Museus gratuitos no Rio Que a grana tá curta todo mundo sabe. O que poucos têm conhecimento é que a maioria dos museus da cidade tem dias gratuitos para visita. É uma excelente oportunidade de conhecer seus acervos e instalações sem gastar nada com isso. Bafafá selecionou opções imperdíveis de museus representativos de nossa cidade. Confira: Museu da República Sede do Poder Republicano por quase de 64 anos, 18 presidentes utilizaram suas instalações. Coube a Juscelino Kubitschek encerrar a era presidencial do edifício, com a transferência da Capital Federal para Brasília em 21 de abril de 1960. O Palácio tem salões suntuosos e jardins impecáveis com lago, chafariz, coreto e muitos banquinhos para fazer a hora passar. E o melhor: com muita segurança. Grátis quartas e domingos Rua do Catete, 153 - Catete
Museu Histórico Nacional O Museu Histórico Nacional é o mais importante museu de história do país, reunindo um acervo com cerca de 258 mil itens, entre objetos, documentos e livros, e sendo uma instituição de produção e difusão de conhecimento. Pitorescos pátios internos e uma simpática cafeteria encantam o público. Grátis domingos. Praça Marechal Âncora, s/n Centro Museu do Amanhã
Projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava na região portuária do Rio, o
Museu é hoje um dos museus mais importantes do Brasil. Em um ano de existência já foi visitado por mais de 1,3 milhão de pessoas. Com o conceito inédito de colecionar ideias ao invés de objetos, o Museu é um espaço para reflexão, diversão e conhecimento para todas as idades e culturas. Grátis às terças. Praça Mauá - Centro Museu de Arte do Rio - MAR O Museu de Arte do Rio conta com diversas exposições simultâneas, em um complexo de 15 mil m², em plena Praça Mauá, reunindo um acervo que vai desde Aleijadinho a Tarsila do Amaral. O complexo inclui oito salas de exposições e ocupa também a área do antigo Terminal Rodoviário da Praça Mauá. Grátis às terças. Praça Mauá - Centro Museu Nacional de Belas Artes O Museu Nacional de Belas Artes possui a maior e mais
importante coleção de arte brasileira do século XIX, concentrando um acervo de 70 mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros. Grátis aos domingos Av. Rio Branco, 199 - Centro Museu Chácara do Céu O Museu da Chácara do Céu fica no alto de Santa Teresa e exibe coleções de arte de diversos períodos e origens, livros raros, mobiliário e artes decorativas, distribuídas em três pavimentos. Em seu acervo, obras de Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Debret, Djanira, Visconti e Chagal, além das exposições temporárias. Grátis quartas. Rua Murtinho Nobre, 93, Santa Teresa (ao lado do Parque das Ruínas). Museu do Negro Em pleno Centro do Rio funciona há 80 anos o Museu do Negro, um espaço com mais de 1.000 peças que contam
um pouco da história afrobrasileira. Localizado no segundo andar da igreja Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, em plena rua Uruguaiana, o museu expõe imagens sacras, quadros, peças de tortura, fotos, artesanato e até a imagem da escrava Anastácia, além de jornais da época da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O curioso é que o museu abriga o molde em madeira do mausoléu da princesa e de seu esposo Conde D´Eu. Gratuito todos os dias. Rua Uruguaiana, 77 – Centro (pertinho do metrô Uruguaiana)
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MÚSICA
Cultura da Resistência e a insistência em resistir Por Fábio Cezanne O “legado” que estas eleições deixaram não poderiam cunhar outro título para esta coluna. Na coluna deste mês, as iniciativas culturais bravíssimas que encerram o ano de 2018. Que 2019 nos traga mais arte e menos fakenews! O Projeto Candelária promove, no próximo dia 12 de dezembro, quarta-feira, às 18:30h, uma apresentação especial de Natal, reunindo a Orquestra Sinfônica da UFRJ, o Coro Brasil Ensemble UFRJ e o Coro Infantil UFRJ. Com regência de André Cardoso e entrada gratuita, o 543º concerto da série na Igreja da Candelária terá a participação especial de Danilo Caymmi e apresentará um programa com obras de Gusttav Holst, Leroy Anderson, canções tradicionais natalinas e grandes clássicos da música popular brasileira, como “Andança”, do próprio Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós; “Alguém no Céu” de Danilo Caymmi e Dudu Falcão, e “Acalanto”, de Dorival Caymmi. Sabe qual o melhor? De Graça! O grupo Prelúdio 21 fará seu concerto de encerramento da temporada 2018 no próximo dia 15 de dezembro, sábado, às 15h, no Centro Cultural da Justiça Federal. Com entrada gratuita, os compositores vão convidar o Quarteto Atlântico para interpretar suas peças. A temporada 2019 retorna ao CCJF em março. Do dia 20 a 23 de dezembro (quinta a domingo), a Companhia de Dança Dinamosfera fará uma breve temporada no Teatro Cacilda Becker (R. do Catete, 33) do seu novo espetáculo “Aponte”. Caminhando pelas novas linguagens e pesquisas em movimento, danças populares, danças a dois entre outras referências afim de construir uma nova expressividade, o espetáculo se inspira na obra musical de Maria Bethânia e seus coreógrafos buscam caminhar por nuances individuais e coletivas, pelas diversas possibilidades de corpos distintos e também harmonizados.
Jornalista e músico - cezannedivulgacao@gmail.com
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Nas lojas o DVD “Amy Winehouse back to Black Documentary” A Universal Music lançou em DVD e no formato digital, o novo documentário produzido durante as gravações do icônico álbum de Amy Winehouse, “Back To Black”. Todos os formatos incluem um bônus exclusivo com uma recém descoberta performance privada da cantora, realizada em fevereiro de 2008, na qual Amy apresenta alguns pontos altos do disco “Back To Black” e alguns covers selecionados, material que nunca foi visto antes. “Amy Winehouse – Back to Black” conta a história de como o álbum mais conhecido e aclamado da carreira de Amy tomou forma. Focando no processo criativo do disco, o documentário inclui cenas nunca vistas de Amy, novas entrevistas com os produtores Mark Ronson e Salaam Remi, com os músicos e outras pessoas que trabalharam na criação do álbum. O projeto mostra o talento inigualável de Amy como cantora, compositora, musicista e performer.
10 CULTURA
Feira de Ipanema faz 50 anos e pede passagem Surgida em 1968, a Feira Hippie de Ipanema completa 50 anos. A iniciativa partiu de artistas plásticos que frequentavam o antigo bar Jangadeiros na Praça General Osório. No primeiro domingo eram cinco pessoas, no segundo mais de 20 e nunca mais parou de crescer. Hoje são mais de 500 expositores que vendem quadros, artesanato, bijuterias, roupas, esculturas, artigos em couro e madeira, tapetes, bolsas e muito mais. O nome é decorrente da grande quantidade de hippies que passaram a expor seus produtos no auge dos anos 70. A feira virou marca registrada da cidade e point obrigatório do roteiro turístico. O interessante é que o foco da maioria dos produtos tem como referência a brasilidade e a “marca” Rio de Janeiro. Impossível sair de lá sem uma lembrança da Cidade Maravilhosa. Não é a toa que foi tombada como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Rio de Janeiro e já foi visitada por nomes como o 007 Pierce Brosnan, a roqueira Janis Joplin e os estilistas Calvin Klein e Valentino, que lançaram coleções inspiradas em peças adquiridas na Feira. Inicialmente a feira era só do lado da Rua Visconde de Pirajá e os produtos eram expostos no chão. Com o crescimento, acabou ocupando todo o entorno da praça e ganhou barracas padronizadas. Os artistas plásticos são os únicos que expõe seus trabalhos dentro da praça. Visitar o Rio de Janeiro e não conferir a Feira de Ipanema é como ir a Roma e não ver o Papa. Feira Hippie de Ipanema Praça General Osório – Ipanema Todos os domingos de 08h às 18h
História Geral de Minas, novo livro de José Maria Rabêlo
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Crise pode fechar as portas das maiores livrarias do país Sobrevida depende da boa vontade das editoras Por Ricardo Rabelo Outrora poderosas e inabaláveis, as maiores livrarias do país estão à beira da falência. A crise financeira atingiu em cheio as livrarias Cultura e Saraiva que tiveram que pedir recuperação judicial. A primeira amarga um prejuízo de R$ 285 milhões enquanto a segunda a situação é ainda pior com prejuízo da ordem de R$ 675 milhões. As duas respondem por 35% das vendas do setor. Resultado: funcionários foram demitidos, lojas fecharam e centenas de pequenas editoras ficaram sem receber. O derradeiro recurso de recuperação judicial é um prenúncio de que a situação é desesperadora. Atribuir o problema apenas à crise econômica não resolve. As duas livrarias terão que passar por uma minuciosa auditoria com interventores nomeados pelo poder judiciário. Se ficar caracterizado que a situação foi decorrente de má gestão dificilmente terão sinal verde para prosseguir com os negócios. Especialistas apontam que o problema começou com a aposta errada de expansão e pela expectativa de crescimento, ao invés do aumento da demanda. A crise no setor começou lá atrás, em 2013, com a rede La Selva, então com 80 lojas espalhadas pelo país, principalmente em aeroportos. Afundada em dívidas da ordem de R$ 120 milhões, este ano teve que fechar as portas por decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo. O sinal de que algo estava errado prosseguiu com o fechamento das 12 unidades da francesa FNAC em 2017. As lojas acabaram vendidas para a Cultura que não conseguiu reverter o prejuízo, pelo contrário, arrastou a rede para o abismo. O temporal acabou atingindo em cheio as pequenas editoras que abasteciam as grandes redes. A produção diminuiu drasticamente e sem capital de giro também estão ameaçadas. A reação em cadeia ameaça centenas delas como num castelo de cartas. O futuro das livrarias Cultura e Saraiva está na mão das editoras. Se elas aceitarem negociar o parcelamento das dívidas, podem ter sobrevida. Caso contrário, será inevitável o fechamento das redes. Na contramão da crise com as livrarias, o consumo de livros no país cresceu em 2018, registrando um aumento de 3,65%. Ainda assim, segundo as editoras, a alta não compensa anos de queda. O mais provável é que sobrevivam apenas pequenas redes com custos operacionais enxutos, pontos comerciais mais econômicos e gestão menos expansionistas. Jornalista e Editor do Bafafá
O jornalista José Maria Rabêlo, está lançando o livro História Geral de Minas. Sob sua organização e com a participação de outros autores, a publicação relata a formação de Minas desde os tempos pré-históricos, 12 a 13 mil anos atrás, quando viveu no território mineiro o povo de Luzia, cujo fóssil foi salvo do incêndio que atingiu recentemente o Museu Histórico Nacional. José Maria é responsável justamente pelo capítulo destinado aos primórdios da formação mineira até o início da exploração do ouro e dos diamantes, em fins do século 17. O livro adquirido mediante reserva pelo telefone: 31 – 3586-6781
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LAZER
Férias + Verão + Rio = Praia É praticamente impossível passar as férias no Rio sem ir a uma de suas praias. Tem para todos os gostos, lindas e democráticas. Um privilégio que ainda resiste para os cariocas. Listamos algumas praias da capital, mas as oceânicas de Niterói, a Costa Azul e a Região dos Lagos são imperdíveis também. Uma dica é aproveitar as praias durante a semana que são mais vazias. Fora da hora do rush o transporte é bem mais tranquilo. Para saber se a praia está própria, consulte o INEA (www.inea.rj.gov.br), isso muda com frequência.
Praia de São Conrado e Pepino: Apesar de estar num bairro nobre e ter uma vista linda, essas praias há tempos sofrem com a poluição. A dica é aproveitar para fazer uma caminhada e curtir o visual com as Pedras da Gávea e Bonita. O Pepino fica no finalzinho de São Conrado e é um conhecido lugar de pouso de asas-deltas e parapentes. Praia do Joá ou Joatinga: Seu acesso não é tão simples. A descida é feita por pedras a partir de um condomínio na estrada do Joá, por isso não é uma praia muito conhecida. Mas como é bem pequena e tem um belo visual, não é difícil encontrá-la cheia. ZONA OESTE Praia da Barra e Reserva: É a maior do Rio com quase 18 km de extensão. Tem trechos mais conhecidos como a Praia do Pepê no início e a Praia da Reserva, uma área de preservação ambiental. Suas águas são limpas com areias brancas, um paraíso. Possui vários quiosques e restaurantes ao longo da orla. Praias do Recreio e Macumba: É a continuação da orla da Barra, sendo muito frequentadas por surfistas. Muitos torneios internacionais de surf e bodyboard acontecem nessa região. Pra quem quer praias tranquilas e limpas, essas são perfeitas.
ZONA SUL Praia Vermelha: Uma praia pequena, tranquila e com uma paisagem deslumbrante, aos pés do Pão de Açúcar. O mar é calmo, mas bancos de areia e correntezas podem ser perigosos, cuidado. Aproveite para fazer uma caminhada na pista Cláudio Coutinho que fica bem ao lado e é lindíssima. Praia do Leme: Fica no cantinho da orla e bem mais tranquila que a vizinha Copacabana. Uma praia frequentada por famílias, esportistas e moradores da região. Vale conferir a Pedra dos Pescadores no costão rochoso e o Forte do Leme. Praia de Copacabana: A Princesinha do Mar continua linda e dispensa apresentação. A praia mais famosa do Rio e do mundo é também uma das mais cheias, como todo lugar turístico. Os trechos mais cheios costumam ser próximos às estações do metrô. É uma praia extensa, boa para fazer uma caminhada na beira da água. Praia do Diabo e Arpoador: Separadas pela Pedra do Arpoador, ambas são redutos de surfistas e têm vistas estonteantes. A Praia do Diabo é bem pequena e tem esse nome provavelmente por conta das ondas fortes em certas épocas do ano. Mais conhecida, a Praia do Arpoador é um dos maiores ícones da história do surf carioca. Já recebeu importantes campeonatos e costuma ficar bem cheia. Dizem que hoje tem regras próprias para o surf, mas não conferimos a informação. É imperdível assistir o por do sol no alto da pedra do Arpoador, um dos mais lindos do Rio. Praia de Ipanema: Palco de modismos e musas de verão, Ipanema é uma das praias mais charmosas do Rio. Frequentada por cariocas e muitos turistas é a escolhida para quem quer ver e ser visto. As ruas e os postos de salvamento demarcam as áreas das diferentes tribos, uma das peculiaridades praianas do carioca. O pôr do sol aqui é tão lindo que se criou a tradição de aplaudi-lo como num espetáculo, uma experiência emocionante. Praia do Leblon: A praia é uma continuação da praia de Ipanema, com o mesmo visual lindo só que bem mais tranquila. Bairro de gente chique, o Leblon é um dos metros quadrados mais caros do Rio. O mar nem sempre está próprio para o banho, mas é frequentada por moradores, famílias, gente bonita e muitos artistas globais em busca de privacidade.
Prainha: Como o próprio nome diz é uma praia bem pequena, de mar forte e água cristalina é uma das preferidas dos surfistas. A praia tem quiosques, banheiros com vestiários, chuveiro, guarda-vidas e um parque municipal. É recomendável chegar bem cedo pois o estacionamento é limitado. Acesso somente de carro. Abricó: É a única praia destinada ao naturismo no Rio. Fica após a Prainha e junto a Grumari. Na entrada tem um restaurante e um trecho de praia onde as pessoas ainda estão vestidas. Depois de umas pedras começa a parte da praia de nudismo. Grumari: Praia maravilhosa, distante das áreas urbanas e dentro da reserva ambiental. Tem sombra das casuarinas para se refrescar, restaurante, quiosques e estacionamento. Nos finais de semana tem que chegar cedo porque o acesso fecha depois que a lotação esgota. Acesso somente de carro. Guaratiba: Além da Barra de Guaratiba e da Restinga de Marambaia, essa região é conhecida pelas famosas “praias selvagens” que são Búzios, Perigoso, Meio, Funda e Inferno. O acesso é por trilhas, mas não saõ difíceis. Um dos acessos fica na Praia do Canto em Barra de Guaratiba. Leve sua água e lanche, não tem nada por lá. A Restinga é uma área de preservação administrada pela Marinha do Brasil e o acesso depende de autorização.
REGRAS DE BOA CONVIVÊNCIA NAS PRAIAS Embora tudo seja lei, ninguém respeita. Então vamos colaborar para a boa convivência nas praias? - Não o deixe o seu cãozinho solto. Ele joga areia e assusta as pessoas. Lembrando que é proibido levar animais à praia. - Altinha, futevôlei, frescobol e similares são proibidos entre 8h e 17h na beira da água. Só pode na parte da areia próxima ao calçadão. Mas, se você quer jogar no fresquinho, tenha educação e não ocupe a faixa toda, deixe as pessoas circularem. - Som alto é muito chato, incomoda as pessoas e destoa na praia. Use fones de ouvido, por favor! - Por último e o mais importante: Recolha o lixo que produzir e, se possível, do seu vizinho mal educado também! O mundo agradece!
12 Descubra a Essência do Rio! | bafafa.com.br
Um passeio pelas ilhas da Barra da Tijuca, o “Pantanal Carioca” As ilhas da Barra da Tijuca formam um complexo gastronômico e cultural que muitos cariocas ainda não conhecem. Pertinho da estação do metrô e do BRT Jardim Oceânico, se esconde esse paraíso onde a natureza resiste à poluição, a vida boêmia não viola a tranquilidade local e as pessoas vivem sem estresse. Conhecido também por “Veneza Carioca”, o lugar é formado por nove ilhas: Ilha da Gigóia (a maior e mais conhecida), Ilha do Ipê, Ilha Primeira, Ilha das Garças, Ilha da Fantasia, São Jorge, Ilha da Coroa, Ilha da Pesquisa, Pescadores, sendo duas ocupadas pela Marina Barra Clube. O transporte náutico funciona 24h. O principal acesso fica num píer atrás da Unimed e do Shopping Barra Point. A travessia é feita por chalanas e pequenas lanchas. Os valores das passagens variam de acordo com o local que você vai desembarcar. Em outubro/18 pagamos R$ 1 a travessia de chalana até a outra margem e R$ 5 de lancha para outro ponto da ilha. Navegando em seus canais encontramos jacarés, capivaras e uma grande diversidade de pássaros, vegetação e animais típicos de mangues. Um passeio imperdível, indicado para todas as idades. Algumas dicas do que fazer: - Passeio de barco pela manhã com a família e almoço num dos restaurantes das ilhas. - Assistir o por do sol com os amigos no deck do Poderoso Buteco. - Curtir um jantar romântico e ficar uma noite na pousada Barra Eco Boutique, um luxo de hospedagem! - Tomar um café da manhã na ilha e curtir um dia esportivo no Jet Barra que tem diversas opções como SUP, passeio de jet ski, aulas de Wakeboard e muito mais. Monte o seu roteiro, mas é bom lembrar que ali moram pessoas interessadas na recuperação e preservação do meio ambiente. Precisamos “turistar” com respeito e educação.
O roteiro completo você encontra na Agenda Bafafá:
www.bafafa.com.br/ turismo/passeios/o-que-fazer-na-ilha-da-gigoia-e-arredores