Ano 13 - Nº 100 - Dezembro 2013
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EDIÇÃO
Os cem números do Bafafá Em 2001, quando anunciamos o propósito de lançar um jornal alternativo, independente e crítico, muitas pessoas amigas tentaram dissuadir-nos da ideia. Alegaram que o momento não era propício, não só pela crise financeira que afetava a imprensa em geral, mas, principalmente, pela avassaladora concorrência da mídia eletrônica. “Vocês deveriam ficar apenas na internet”, observaram, “como vêm fazendo importantes publicações”. Apesar daqueles prognósticos negativos, mantivemos a ideia, “teimosamente”, como disseram. Hoje, 12 anos depois, vemos que estávamos certos, apesar dos bem intencionados conselhos que recebemos: o Bafafá está publicando seu centésimo número............................................................................................................................................. Continua na página 2
Bafafá entrevista Affonso Romano de Sant´Anna...págs 8 e 9
Nesta : o Ediçã
As utopias dos entrevistados do Bafafá .... página 10
Emir Sader José Maria Rabelo Ruy Castro Leonardo Boff Ricardo Rabelo
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Editorial
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Os cem números do Bafafá Ricardo Rabelo
Não foi fácil chegar até aqui. Muitas das dificuldades iniciais
Nesses doze anos, nossas páginas estiveram abertas para a divul-
permanecem e outras surgem a cada dia, pois a tendência dos
gação da música e de outras manifestações culturais, especialmente
anunciantes, inclusive do próprio governo, é favorecer os grandes
daquelas que não têm voz em outros veículos. Publicamos mais de
órgãos de comunicação. No caso do governo, sobretudo o federal,
100 entrevistas e 350 artigos de importantes cabeças pensantes do
numa política autofágica, que privilegia os que mais o hostilizam e
país e do mundo que podem ser conferidas em nosso site. Este último
denigrem. Não estamos em busca de aplausos ou contrapartidas,
é apontado como referência, com uma agenda cultural seletíssima e
mas entendemos que somos merecedores de reconhecimento por
democrática. Cabe ainda destaque para os cinco concursos de poesia
sermos comprometidos com o governo progressista, a cultura e os
e dois de fotografia que realizamos.
interesses populares do Brasil. A edição de número cem do Bafafá enche-nos de orgulho, por termos feito um jornalismo honesto e independente, à altura da confiança dos leitores. No âmbito da cidade, incentivamos a criação da associação de blocos Folia Carioca para contribuir com a organização do emergente carnaval de rua e da qual sou presidente. Realizamos ainda campanhas pela instalação de sanitários químicos nos blocos, contra a famigerada espuma e incentivamos a criação de uma legislação específica para o carnaval de rua. Da mesma forma, patrocinamos anualmente a apresentação do bloco carnavalesco Bafafá, cada vez com maior participação dos foliões e que já faz parte do calendário momesco. Várias campanhas marcaram a trajetória do Bafafá, entre elas, a
Por tudo isso, ao chegarmos à maioridade, com as cem edições
S.O.S Sri Lanka que conseguiu medicamentos junto a laboratórios
publicadas, estamos em festa. Acreditamos que não decepcionamos
farmacêuticos e seu transporte para aquele país; contra o apedreja-
nossos milhares de leitores e amigos, que nos honram com seu apoio,
mento da nigeriana Amina; contra a guerra do Iraque e do Afeganistão;
suas sugestões e até mesmo com suas críticas. Esse é o caminho a
contra o aumento dos deputados federais; contra o bombardeio do
continuar seguindo, para que outras marcas, tão significativas como
Líbano por Israel, entre tantas outras.
esta, sejam alcançadas.
Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Studio RJ, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Galeria Catete 228, Restaurante Fat Choi, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).
Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 (21) 3547-3699 bafafa@bafafa.com.br Diretora de marketing: Rogeria Paiva (21) 3546-3164 mercomidia@gmail.com
Direção de arte: PC Bastos bastos.pc@gmail.com Tiragem: 10.000 exemplares
Circulação: Distribuição gratuita e direcionada (universidades, bares, centros culturais, cinemas, sindicatos) Praça: Rio de Janeiro São Paulo Belo Horizonte
Publicidade: (21) 3547-3699 | 3546-3164 mercomidia@gmail.com Agradecimentos: Aos colaboradores desta edição. Realização: Mercomidia Comunicação
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A recuperação de Dilma José Maria Rabêlo*
Nós fomos dos poucos (pouquíssimos) comentaristas brasileiros e estrangeiros que previram a recuperação de Dilma, quando seus índices de aprovação caíram para 30%, em junho deste ano. Para as oposições, com a grande imprensa à frente, era o começo do fim do governo petista. Mesmo com os protestos de rua terem se voltado indistintamente contra todas as administrações, inclusive a dos estados governados pelos partidos de oposição, celebraram como se tivessem obtido uma grande vitória. Até pessoas simpatizantes do governo ou neutras politicamente deixaram-se impressionar pela cantilena oposicionista. Nós lembramos que os índices de aprovação de Lula caíram a níveis mais baixos durante a crise do Mensalão e ele se recuperou pouco depois. Mas nenhum argumento prevalecia diante da avassaladora campanha dos meios de comunicação, empenhados em favorecer sua versão dos fatos. Bem, e agora? Como previmos, Dilma está em plena recuperação. Não voltou ainda aos níveis de antes, porém as últimas pesquisas, tanto da Datafolha quanto do Ibope, revelam que ela caminha seguramente para isso. Na primeira, alcança 41% de aprovação dos eleitores, que consideram a administração federal boa ou ótima. No Ibope, esse número é ainda maior:
43% apoiam a presidente. Em ambas, ela vencerá possivelmente já no primeiro turno, e, no pior dos casos, no segundo. Em todos os cenários pesquisados, enfrentando as outras candidaturas já postas, ela surge como vitoriosa.
Daí, o desespero da oposição, que, à falta de argumentos para convencer os eleitores, recorre às mais histéricas diatribes contra Dilma e seu governo, como se esse xingatório vazio fosse capaz de mudar a situação. Seus líderes têm consciência que só mesmo um milagre, desses bem grandes, poderia salvá-los. E milagres desse porte, a gente sabe, não acontecem todos os dias. CHILE Como se esperava, Michelle Bachelet venceu com folga no segundo turno da eleição presidencial do Chile. A outra candidata
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Evelyn Matthei, autêntica representante do pinochetismo, pois seu pai fora membro da junta militar, mal chegou a um terço do eleitorado. Esperemos que essa derrota fragorosa sepulte para sempre o que ainda resta, como lembrança sinistra, de um dos regimes mais repressivos e sanguinários da história latino-americana. É preciso registrar, pelo seu ineditismo, o que está acontecendo em nosso continente, como prova de inequívoca evolução política. Neste momento, cinco mulheres encontram-se à frente de seus países: a própria Michelle, no Chile; Dilma, no Brasil; Cristina Kirchner, na Argentina; Laura Chinchilla, na Costa Rica e Portia Simpson-Miller, primeira ministra da Jamaica. TORTURA “A resposta da repressão precisava ser rápida, por isso a tortura era necessária (...) Eu tinha fama de pegar e matar”. Ex-policial federal João Lucena Leal, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade em maio deste ano. Pois é. E existe ainda gente que não acredita, ou não quer acreditar, que tenha havido tortura durante os governos militares. *Jornalista
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Uma justiça sem venda, sem balança e só com a espada? Leonardo Boff* Tradicionalmente a Justiça é representada por uma estátua que tem os olhos vendados para simbolizar a imparcialidade e a objetividade; a balança, a ponderação e a equidade; e a espada, a força e a coerção para impor o veredito. Ao analisarmos o longo processo da Ação Penal 470 que julgou os envolvidos na dita compra de votos para os projetos do governo do PT, dentro de uma montada espetacularização mediática, notáveis juristas, de várias tendências, criticaram a falta de isenção e o caráter político do julgamento. Não vamos entrar no mérito da Ação Penal 470 que acusou 40 pessoas. Admitamos que houve crimes, sujeitos às penas da lei. Mas todo processo judicial deve respeitar as duas regras básicas do direito: a presunção da inocência e, em caso de dúvida, esta deve favorecer o réu. Em outras palavras, ninguém pode ser condenado senão mediante provas materiais consistentes; não pode ser por indícios e ilações. Se persistir a dúvida, o réu é beneficiado para evitar condenações injustas. A Justiça como instituição, desde tempos imemoriais, foi estatuída exatamente para evitar que o justiciamento fosse feito pelas próprias mãos e inocentes fossem injustamente condenados mas sempre no respeito a estes dois princípios fundantes. Parece não ter prevalecido, em alguns Ministros de nossa Corte Suprema esta norma básica do Direito Universal. Não sou eu quem o diz, mas notáveis juristas de várias procedências. Valho-me de dois de notório saber e pela alta respeitabilidade que granjearam entre seus pares. Deixo de citar as críticas do notável jurista Tarso Genro por ser do PT e Governador do Rio Grande do Sul. O primeiro é Ives Gandra Martins, 88 anos, jurista, autor de dezenas de livros, Professor da Mackenzie, do Estado Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra. Politicamente se situa no polo oposto ao PT sem sacrificar em nada seu espírito de isenção. No dia 22 de setembro de 2012, na FSP, numa entrevista à Mônica Bérgamo disse claramente
com referência à condenação de José Dirceu por formação de quadrilha: todo o processo lido por mim não contem nenhuma prova. A condenação se fez por indícios e deduções com a utilização de uma categoria jurídica questionável, utilizada no tempo do nazismo, a “teoria do domínio do fato.” José Dirceu, pela função que exercia “deveria saber”. Dispensando as provas materiais e negando o princípio da presunção de inocência e do “in dúbio pro reo”, foi enqua-
drado na tal teoria. Claus Roxin, jurista alemão que se aprofundou nesta teoria, em entrevista à FSP de 11/11/2012 alertou para o erro de o STF tê-la aplicado sem amparo em provas. De forma displicente, a Ministra Rosa Weber disse em seu voto: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Qual literatura jurídica? A dos nazistas ou do notável jurista do nazismo Carl Schmitt? Pode uma juíza do Supremo Tribunal Federal se permitir tal leviandade ético-jurídica? Gandra é contundente: “Se eu tiver a prova material do crime, não preciso da teoria do domínio do fato para condenar”. Essa prova foi desprezada. Os juízes ficaram nos indícios e nas deduções. Adverte para a “monumental insegurança jurídica” que pode a partir de agora vigorar. Se algum subalterno de um diretor cometer um crime qualquer e acusar o diretor, a este se aplica a “teoria do domínio do fato” porque “deveria saber”. Basta esta acusação para condená-lo.
Outro notável é o jurista Antônio Bandeira de Mello, 77, professor da PUC-SP na mesma FSP do dia 22/11/2013. Assevera: “Esse julgamento foi viciado do começo ao fim. As condenações foram políticas. Foram feitas porque a mídia determinou. Na verdade, o Supremo funcionou como a longa manus da mídia. Foi um ponto fora da curva”. Escandalosa e autocrática, sem consultar seus pares, foi a determinação do Ministro Joaquim Barbosa. Em princípio, os condenados deveriam cumprir a pena o mais próximo possível das residências deles. “Se eu fosse do PT” – diz Bandeira de Mello – “ou da família pediria que o presidente do Supremo fosse processado. Ele parece mais partidário do que um homem isento”. Escolheu o dia 15 de novembro, feriado nacional, para transportar para Brasília, de forma aparatosa num avião militar, os presos, acorrentados e proibidos de se comunicar. José Genuíno, doente e desaconselhado de voar, podia correr risco de vida. Colocou a todos em prisão fechada mesmo aqueles que estariam em prisão semiaberta. Ilegalmente prendeu-os antes de concluir o processo com a análise dos “embargos infringentes”. O animus condemnandi (a vontade de condenar) e de atingir letalmente o PT é inegável nas atitudes açodadas e irritadiças do Ministro Barbosa. E nós tivemos ainda que defendê-lo contra tantos preconceitos que de muitas partes ouvimos pelo fato de sua ascendência afro-brasileira. Contra isso afirmo sempre: “somos todos africanos”, porque foi lá que irrompemos como espécie humana. Mas não endossamos as arbitrariedades deste Ministro culto, mas raivoso. Com o Ministro Barbosa a Justiça ficou sem as vendas porque não foi imparcial, aboliu a balança porque ele não foi equilibrado. Só usou a espada para punir mesmo contra os princípios do direito. Não honra seu cargo e apequena a mais alta instância jurídica da Nação. Ele, como diz São Paulo aos Romanos: ”aprisionou a verdade na injustiça”(1,18). A frase completa do Apóstolo, considero-a dura demais para ser aplicada ao Ministro. *Teólogo e escritor, publicado no site http://leonardoboff.wordpress.com
Não ao leilão de Xisto!
Petroleiros, ambientalistas e representantes de movimentos sociais realizaram ato de protesto, no dia 28 de novembro contra a 12ª rodada de licitações de petróleo e gás e alertaram para os graves impactos socioambientais decorrentes da exploração do gás de xisto. Durante o primeiro dia da 12ª Rodada de Licitações de petróleo e gás da Agência Nacional de Petróleo, petroleiros, ambientalistas e representantes de movimentos sociais protestaram, na manhã desta quinta (28), em frente ao Hotel Windsor, Barra da Tijuca, local onde acontecia o leilão exclusivo em
terra de gás não convencional. A iniciativa, do Sindipetro-RJ, teve como principal objetivo denunciar os graves impactos socioambientais causados pelo método utilizado para extrair o gás de xisto. A extração do gás de xisto é questionada pelos petroleiros por conta dos riscos e danos que pode gerar ao meio ambiente, principalmente a poluição da água, usada em quantidades colossais na técnica de exploração chamada de fraturamento hidráulico ou simplesmente “fracking”. O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, alertou o quanto essa técnica é agressiva do ponto de vista ambiental já que, para extrair o recurso, é preciso explodir as rochas injetando no subsolo grande quantidade de água, areia e produtos químicos. “Ao realizar este leilão, o Brasil
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está dando um passo no escuro. Boa parte dos poços de gás e óleo de xisto estão logo abaixo do aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo. Temos que preservar essa riqueza a todo custo, não podemos colocá-la em risco”, declarou Cancella. Emanuel Cancella revelou ainda que, por este aquífero também fazer parte do território argentino, paraguaio e uruguaio, vai enviar um documento preparado pelos movimentos sociais às embaixadas desses países alertando sobre os riscos dessa exploração. Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)
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Ricardo Rabelo JK assassinado
O que era suspeita para alguns agora é realidade. A Comissão da Verdade da Cidade de São Paulo conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar. O relatório reúne 90 “indícios, evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos” que comprovam que JK foi alvo de um complô em 22 de agosto de 1976 e que sua morte, após um acidente de carro na Via Dutra, foi provocada. Há indícios incontestáveis de que o motorista do carro do ex-presidente foi atingido por um projétil antes do carro colidir contra um caminhão. A comissão ouviu o depoimento do motorista Josias Nunes de Oliveira, apontado durante a Ditadura como responsável pelo acidente matou ex-presidente. Oliveira disse que, após o acidente dois homens ofereceram dinheiro para que assumisse a culpa pelo ocorrido.
A comissão descobriu laudos falsos, erros processuais e de perícia que comprovam que o ex-presidente foi vítima de uma conspiração. A intenção da Comissão Municipal é encaminhar a documentação para Brasília, auxiliando a CNV (Comissão Nacional da Verdade) no esclarecimento do caso e também reconheça e declare o assassinato de JK.
Exumação Jango
As atenções agora estão voltadas para a divulgação do laudo da exumação do também ex-presidente João Goulart. Suspeita-se que Jango foi envenenado quando exilado no Uruguai. Os restos mortais do ex-presidente foram enterrados com honras militares no último dia 06 de dezembro.
Lacerda A suspeita de assassinato de Carlos Lacerda ainda não é investigada. Oficialmente, o ex-governador da Guanabara morreu em 1977, aos 63
anos, de infecção no coração (endocardite bacteriana) um dia depois de se internar na Clínica São Vicente, no Rio, com desidratação causada por uma gripe. No entanto, a família do político descarta que ele estava com a saúde debilitada. A história ainda dirá se ele foi também assassinado. Para começar é preciso exumar o corpo a procura de vestígios de envenenamento.
Arapongas
É notório que a Ditadura brasileira comandou um amplo aparato de repressão, conhecido como “Operação Condor”. Era uma espécie do multinacional do crime que ultrapassava fronteiras. Além de sequestrar e matar opositores aos regimes tirânicos da região, a Operação Condor monito-
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rava os exilados brasileiros no exterior.
Exemplo
Nem tudo está perdido. A escola estadual Presidente Costa e Silva vai mudar de nome e passará a se chamar Abdias Nascimento. A mudança foi feita pelas secretarias estaduais de Educação e de Assistência Social e Direitos Humanos, atendendo a um pedido da Comissão da Verdade do Rio. O mais interessante é que a escolha do novo nome da escola foi feita após votação entre alunos e professores Nascido no interior de São Paulo, Abdias Nascimento foi deputado federal e senador, se dedicando à luta contra o racismo. No governo de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, ele ocupou a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-brasileiras. Abdias foi também fundador do Teatro Experimental do Negro. O ativista morreu em 2011, aos 97 anos. Exemplo II Volto a repetir nesta coluna. É premente que a Câmara dos Deputados proíba que agentes da ditadura emprestem seus
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nomes a escolas, ruas, avenidas, rodovias, viadutos e prédios públicos em todo o país. Isto sim seria corrigir uma distorção histórica que assombra o Brasil. Lan assina camiseta do Bloco Bafafá 2014 É com grande satisfação que informo que o cartunista Lan é o autor da camiseta do Bloco Bafafá 2014. O artista, tido como o “papa” da carica-
tura no Brasil, desenhou três belas mulatas sambando, sua marca registrada. Brevemente, a camiseta estará disponível para venda. Agradecemos imensamente a gentileza e disputaremos o bi-campeonato em 2014 (em 2013 fomos vencedores com a camiseta assinada pelo cartunista Miguel Paiva). Saudações Desejamos aos leitores excelentes festividades de fim de ano e que 2014 seja marcado por realizações em todos os sentidos.
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Mandela contra a escravidão Emir Sader* A escravidão foi o maior crime de lesa humanidade cometido ao longo de toda a história humana. Tirar milhões de africanos dos seus países, do seu mundo, da sua família, para trazê-los para a América, para trabalhar como escravos, como “raça inferior”, produzindo riquezas para os brancos europeus foi um crime incomensurável, do qual nunca se compensou, sequer minimamente, a África. O “apartheid” foi uma sobrevivência da escravidão na África do Sul. Como relata o Museu do Apartheid, em Johanesburgo, impressionante testemunho do mundo do racismo, os brancos consideravam essa política uma “genial arquitetura” para conseguir a convivência entre brancos e negros. Nas mais escandalosas condições de discriminação, de racismo, de opressão. Por detrás estava a super exploração da mão de obra negra nas minas sul-africanas, fornecedor essencial para os países europeus, sob comando da Holanda. As pessoas eram legalmente declaradas brancas ou negras, com todas as consequências de direitos para uns e exclusão de direitos para os outros. Uma declaração da qual se poderia apelar todos os anos, mas que, ao mesmo tempo, se corria o risco de alguém questionar a condição de branco de qualquer outra pessoa, que poderia recair na condição de negro. O cinismo das potências coloniais e dos próprios EUA estava na postura de não aderir ao boicote à África do Sul, alegando que isso isolaria ainda mais esse país e dificultaria negociações políticas. Na verdade, a África do Sul do apartheid era um grande aliado
dos EUA – junto com Israel – em todos os conflitos internacionais, alem de fornecedor de matérias primas estratégicas. Não foi essa via de negociações que o apartheid terminou, mas pela luta, conduzida por Nelson Mandela, mesmo de dentro da cárcere, por 27 anos. Como reconheceu o próprio Mandela, o país que desde o começo apoiou ativamente, sem hesitação, a luta dos sul-africanos foi a Cuba de Fidel, o que forjou entre os dois líderes uma relação de amizade e companheirismo permanente.
A libertação de Mandela, o fim do apartheid e sua eleição como o primeiro presidente negro da África do Sul, foram a conclusão de décadas de lutas, de massacres, de prisões, de sacrifícios. Mandela aceitou ser eleito presidente, para concluir esse longo caminho, com a consciência de que estava longa de ser conseguida a emancipação dos sul-africanos. O país manteve a mesma inserção no sistema econômico mundial, as estruturas capitalistas de dominação não foram atingidas. A desigualdade racial foi profunda-
mente afetada, mas não as desigualdades sociais. Por esta via, os negros sul-africanos continuaram a ser vítimas, agora da pobreza, que os segue afetando de maneira concentrada. Os governos posteriores foram impotentes para mudar o modelo econômico e promover os direitos sociais da massa da população. Os ideias de Mandela se realizaram, com o fim do apartheid, da discriminação racial legalmente explicitada, mas não permitiu aos negros saírem da sua condição de massa super explorada, discriminada, agora socialmente. Mas a figura de Mandela permanece como a do maior líder popular africano, porque tocou no tema essencial de todo o período histórico da colonização – a escravidão. Ele soube combinar a resistência pacifica e violenta, para canalizar a força acumulada dentro e fora do país, para negociações que terminaram com o apartheid. O historiador marxista britânico Perry Anderson considera Nelson Mandela e Lula como os maiores líderes populares do mundo contemporâneo, não apenas pelo sucesso das lutas a que eles se dedicaram – contra a discriminação racial e contra a fome -, mas também porque tocam em temas fundamentais das formas de exploração e de opressão do capitalismo. O apartheid terminou, fazendo com que Mandela ficasse como um dos maiores lideres do século XX. Lula projeta sua figura no novo século, na medida em que a sobrevivência do capitalismo e do neocolonialismo reproduzem a fome e a miséria no mundo. * Sociólogo e escritor publicado no Carta Maior - www.cartamaior.com.br
A implosão da Perimetral Ruy Castro* A implosão que derrubou a primeira parte do elevado da Perimetral no Rio, não interessa só aos cariocas. Refere-se a um conceito de urbanismo e transporte que, tido como ideal nos anos 50, estabeleceu-se como inevitável e é aplicado até hoje no Brasil. Consiste em asfixiar as cidades com viadutos para que os carros rodem por cima. Quem paga por esse modelo? A memória e o cidadão. Ao sair do papel, em 1958, a Perimetral passou o rodo em quase 200 anos de história do Rio. Derrubou o hotel Pharoux (mostrado na primeira foto tirada no Brasil, em 1849). Pôs no chão prédios coloniais. Arrasou o Mercado Municipal --poupou apenas o pavilhão do restaurante Albamar e gerou um terreno baldio que se tornou estacionamento. Isolou a Zona Portuária do centro da cidade, provo-
cando seu despovoamento e degradação. E, afinal, não resolveu o problema da ligação entre as Zonas Norte e Sul.
À Perimetral deve-se creditar o abandono, por décadas, da praça XV e arredores. Até hoje muitos não se dão conta de que aquelas “casinhas brancas”
pelas quais passam a 10 metros de altura e a 120 por hora são o Paço Imperial, o Museu Histórico, a Casa França-Brasil, igrejas, mosteiros, arsenais, velhos hotéis e o que sobrou da Avenida Central. Em breve, tudo isso se levantará dos escombros da Perimetral, guarnecido por um longo passeio público, como nas zonas portuárias de Nova York, Lisboa, Buenos Aires. E o trânsito, como fica? - dirá você. Os carros terão vias expressas, túneis e mergulhões, mas haverá também trens, VLTs e BRTs. Seria bom que as pessoas se habituassem a partilhar caronas, e espera-se que os futuros moradores da região adiram à bicicleta ou ao pisante. Há 30 anos que sonho com o fim da Perimetral. Esse sonho se transfere agora para outra excrescência - o elevado Paulo de Frontin. *Jornalista, publicado no jornal Folha de São Paulo
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RIA COM A PARCE DEF, LOTERJ E AN HAM ALGUNS GAN PRÊMIOS. HAM OUTROS, GAN OURO.
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Entrevista
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Affonso Romano de Sant’Anna Por Ricardo Rabelo
“Tenho desconfiança das utopias”
foto: Cláudia Carneiro
“Tenho desconfiança das utopias”
O escritor Affonso Romano de Sant’Anna nasceu em Belo Horizonte em 1937, mas ainda bebê foi morar em Juiz de Fora. Quando adolescente voltou para a capital mineira até finalmente se instalar no Rio de Janeiro em 1970, onde mora até hoje. Como jornalista trabalhou nos principais jornais e revistas do país: Jornal do Brasil, Senhor, Veja, Isto É, O Estado de São Paulo, O Globo e Jornal do Brasil, onde lhe coube substituir como cronista Carlos Drummond de Andrade. Foi ainda professor da Universidade Federal de Minas Gerais, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Como foram sua infância e juventude? Minha mãe, em Belo Horizonte, onde nasci, convenceu meu pai a ir para Juiz de Fora com os seis filhos, para que se formassem no Instituto Granbery. Aos dois anos, fui pra “Manchester Mineira” e lá foi minha formação: marchei diante do Getulio Vargas, vi o Brigadeiro fazendo comício, escrevi para os jornais aos 16 anos, fundei cineclube, e como minha família queria que eu fosse pastor, até os 17 anos converti muita gente na Zona da Mata. Servi ao Exercito durante aquelas crises que o Lacerda criava e fui sentinela na Estação.
Quando descobriu a vocação pelas letras?
Antes de ir para ao Rio voltei para Belo Horizonte em 1957 para trabalhar e fazer faculdade. Fui e quebrei a cara, pois achava que a carta de recomendação do diretor dos Diários Associados de Juiz de Fora (onde eu trabalhava), me abriria caminho. Equívoco. O Osvaldo Chateaubriand, irmão do outro Chateaubriand, odiava o diretor dos Associados de Juiz de Fora. Resultado: acabei trabalhando em banco e mesmo assim fiz Faculdade de Filosofia. Escrevi para todos jornais de BH, cantei no Madrigal Renascentista do Isaac Karabichevsky e lá conheci aquela geração de comunistas, socialistas e guerrilheiros na Faculdade de Ciências Econômicas (Betinho, Juarez Brito - lugar tenente de Lamarca - Maria do Carmo, Teotônio Junior e Vânia, Bolívar Lamounier, Simon Schwartman, Ivan
Janeiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde orientou cerca de 80 teses de doutorado e mestrado. Como escritor tem mais de 30 livros publicados. Foi também presidente da Biblioteca Nacional durante seis anos. Em entrevista ao Bafafá, Affonso Romano de Sant´Anna fala do início de sua trajetória jornalística e acadêmica, os anos de chumbo, literatura e utopias. “Tenho desconfiança das utopias, como disse num poema: as utopias num dia nos dão flores, noutro estrume”, assinala. Otero e muita gente que desapareceu na guerrilha). Era também o tempo em que o Gabeira estava lá. Dirigi o DM2Segundo Caderno do Diário de Minas, de onde saiu toda a redação que foi fazer a Veja e o Jornal da Tarde. Eu preferi ir para os EUA lecionar na Califórnia, viver com os hippies e assistir a concertos dos Beatles. Em BH dirigi o setor cultural do DCE, fundei o Centro Popular de Cultura - ligado à UNE, escrevi para o Binômio (do Jose Maria Rabelo) e me surpreendi quando o Zé Maria deu um soco na cara de um general que foi ao jornal reclamar de uma reportagem sobre ele. O general voltou com sua tropa, quebrou o jornal e o Zé Maria se exilou. Se eu contar minha vida debaixo de um pé de amora, enquanto eu conto você
chora. Por exemplo: dei aula no Colégio Estadual e por pouco, a Dilma que era mais jovem, não foi minha aluna.
Durante a ditadura você trabalhou no JB. Você poderia contar algum caso ou casos de matérias censuradas? Antes de estar no JB, em 1967, trabalhando sob a chefia do Gabeira no Departamento de Pesquisa, passei dois anos na UCLA. Ali era o avesso: surgia o incrível movimento de liberdade, os hippies, black power, liberação sexual. Participei de marchas contra a guerra no Vietnã em São Francisco e evitei que alguns alunos fossem à guerra. Voltando ao Brasil em 1968, o JB foi uma trincheira. De sua sacada víamos
www.bafafa.com.br as batalhas na Rio Branco, a cavalaria, os tiroteios, as bombas de gás, as passeatas dos 80 mil, dos 100 mil, Vladimir Palmeira discursando, etc. No Brasil, a coisa pegou feio a partir de 1968 com o ato institucional. Quando voltei do International Writing Program (1969), já haviam começado os sequestros de embaixadores e aviões. Juarez Brito, que foi meu colega em BH, seria o lugar tenente de Lamarca. Registrei a vivencia do medo nos poemas de Que País é Este? e A Grande Fala do Índio Guarani. O primeiro retrata esse medo e faz uma autocrítica do conceito de história, revolução e povo. Tinha-se uma visão muito primária de tudo: do poder, da história, de povo. Como eu disse, fazendo um trocadilho no poema: Minha geração se fez de lições mal aprendidas e classes despreparadas Minha geração se fez de terços e rosários: - um terço se exilou - um terço se fuzilou - um terço desesperou
Afinal, que pais é este? “Que pais é este?” é um poema escrito durante os árduos tempos da ditadura e publicado somente em 1980. A internet conta a história desse texto que teve influência na vida política da época. Foi publicado primeiro pelos exilados políticos na Suécia. Aqui teve repercussão junto aos que estavam na sociedade civil e nos aparelhos revolucionários ocultos. Depois virou música popular, pôster, peça de teatro, etc. Há um blog na internet (www.quepaisesteolivro. com.br) que conta certas coisas. O prefácio do historiador Jose Murilo de Carvalho, comemorativo de 30 anos do poema, tem uns dados interessantes. Há inúmeras histórias de censura. Uma formatura interrompida numa “cidade de segurança nacional” na Amazônia quando um formando começou a ler o poema, é exemplo. Mas, não se pense que foi somente a direita que censurou,
a esquerda tinha seus censores mais velados. Sempre fui independente. Em Cuba em 1987, num encontro de intelectuais do terceiro mundo, eu dizia o que pensava. Eu vi o comunismo acabar na minha frente em 1991 na Rússia, eu estava ali na Praça Vermelha e vi a história acontecer, botei isto num livro, que escrevi com Marina Colasanti e, claro, desagradei alguns.
Como foi a experiência de trabalhar como presidente da Fundação Biblioteca Nacional? Sim, passei por seis ministros da cultura e três presidentes. Estive nos ministérios, e no palácio, fui sondado para ser Ministro da Cultura. O poder é afrodisíaco, vi muita gente sucumbir diante de seu fascínio. É fácil falar mal do governo, mas quando você põe a mão na massa e vê o material com que conta, é diferente. O corporativismo, a burocracia, a intocabilidade dos funcionários, as verbas contingenciadas, etc. Apesar de todas as dificuldades, de termos encontrado uma biblioteca quase em ruínas, posso lhe dizer que a imprensa indicou a Biblioteca Nacional, naquela época, como uma das instituições federais que melhor funcionavam no Rio. Contei isto no livro “Ler o Mundo” (Global).
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momento de metamorfose, espaço para muitos arrivistas e confusão genérica e de gêneros...
Você foi contratado pelo Jornal do Brasil, nos anos 80, para substituir Carlos Drummond de Andrade, num tempo em que pontificavam grandes cronistas nas páginas de jornais. Como foi substituir uma das maiores referências na literatura brasileira? Foi um susto agradável. Segui meu rumo. Tive a preocupação de dar uma contribuição ao gênero crônica. Ao invés de um estilo monocórdico e alienado trouxe para a crônica a temática da violência (“Nós os que matamos Tim Lopes”); em “Perdidos na Toscana” (crônicas sobre viagens) em “A sedução da Palavra” e “A cegueira e o Saber” (crônicas sobre o fazer artístico). Procuro diversificar. Ao contrário do que disseram alguns cronistas, a crônica não é mero “divertimento”.
Como você vê o espaço para a crônica hoje, na mídia impressa Na sua crônica sobre Foucault, do Brasil? você lembra que a PUC te convidou para a abertura e faz um Virou uma geleia geral: uma confusão parênteses: “perigosamente”. entre cronista, colunista, comentarista, Ser provocador é ser perigoso? colunista social. Faz parte do pandemônio do que se chama academicamente Por que e para quem? “pós modernidade”. Sim, corri vários riscos. Tanto trazendo Foucault quando realizando a ExPoesia. Até a ultima hora não se sabia se tais eventos se realizariam, Também tive que enfrentar, como diretor do Departamento de Letras, pedidos de autoridades que queriam a demissão de alguns professores tidos como subversivos.
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E as novas ferramentas (blogues, sites e redes sociais) suprem a carência de leitura de boas crônicas? Informo que também tenho facebook, que substituiu o blog. Estamos num
Você andou enfrentando o pessoal agrupado em torno dessa coisa estranha chamada “arte contemporânea”. E havia escrito um livro sobre o Barroco (Barroco, do quadrado à elipse). Volta e meia diz que as pessoas leram Marcel Duchamp equivocadamente. Exatamente. Você bateu numa das teclas principais deste meu estudo. Mais do que um fato/personagem histórico, Duchamp é um sintoma do cinismo e do relativismo que a pós-modernidade levou ao extremo. Não estranha tanta coincidência entre ele e certos autores/ pensadores que surgiram depois dos anos 60. Juntou-se a fome e a vontade de comer. Por isto, é que Duchamp é importante para se entender as aporias atuais. Por isto, o reestudei. Li tudo o que podia sobre ele e apliquei métodos novos de análise de seus textos e obras. Por outro lado, não há como inocentar Duchamp. Ele era um “estrategista”essa é a palavra que usam seus três principais biógrafos (Tomkins, Hussez, Clair). Era também um “sedutor implacável”. E quando alguém me diz, você também ficou fascinado por Duchamp, eu respondo: claro, mas fiquei muito mais fascinado pelo fascínio que ele exerceu sobre os demais, e é isto que analiso.
Tem alguma utopia? Todos vivemos ancorados em duas utopias em nosso ocidente: o cristianismo e o marxismo. Mas, tenho desconfiança das utopias, como disse num poema: “as utopias num dia nos dão flores, noutro estrume”. E concluo: sendo impossível viver sem utopia, é bom saber que “utopias são facas de três gumes”.
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Utopias
Ao longo de seus 12 anos de existência, o Bafafá sempre quis saber as utopias de seus entrevistados. Confira uma coletânea imperdível sobre o desejo de artistas, escritores, intelectuais, esportistas, arquitetos, cineastas. São muitos sonhos e ideais que valem ser reproduzidos.
A minha utopia é uma sociedade autogerida onde as pessoas se reúnem e resolvem, sem aquela organização pesada, burocrática que é o Estado.
, deixo o utopias vivo h n te o ã N teçam, isas acon ó que as co ra, o amanhã s ago o o it u m ue sabe. Deus é q
Minha utopia é não trabalhar. Jaguar,
res, Elza Soa
Leandro Konder,
professor e escritor
esmo nça que m ma a fi n o c r Te há u es piores õ ç a u it s nas elhor. ra algo m saída pa lho, de Carva Apolônio
Nelson Sargento,
sforço mos um e Que faça os filhos para ar noss para educ bisnetos vivam sos que nos melhor. num país ã amanh
Temos que deixar de ser dominados pelos chamados povos de primeiro mundo, nós já pagamos a dívida externa milhões de vezes, não temos que pagar mais coisa nenhuma.
aiate, Walter Alf
compositor
Beth Carvalho,
r composito
l do inte e o pape Penso u q o h c s. Eu a ir utopia é que persegu lectual é ação e a cultura dos uc rtir que a ed am, pois a pa inha n io .M c ia lu c o n rev sciê cultura. m a con dois ve sa: educação e s e utopia é
Brasil, ção ao Em rela quer o nte, eu e m a t s mode tudo. essa, Carlos L
Carlinhos de Jesus,
Emir Sader,
ssoa de uma pe Eu sou ça. speran fé, de e lbin, Cravo A Ricardo MPB ador da pesquis
professor e escri tor
Tatuí na Praia de Copacabana, ver o Flame ngo ganhar com jogadores que corram atrás da bola, assistir músic a brasileira nos especiais de TV, ter um fígado qu e me deixe beber até morrer.
Moacyr Luz,
dançarino
arquiteto
Eu queria um mu ndo de paz, onde problemas gro tescos, ridículos não tenham vez. A minha utopia é podermos dividir as benesses que a terra pode oferec er a todos nós de uma forma meno s primitiva.
João Ubaldo Ribe iro,
A minha utopia é de construir as coisas. Qu ero seguir para frente e olhar para trás sem arrependimen to.
Noca da Portela,
Yamandu Costa,
compositor
Não dese jo mais nada , tenho tudo que eu quero. Espero continuar com essa disposição, saúde e nunca me aposentar. Isso eu tenho pavor, de ficar em casa vendo televisão.
A m in ha ut op ia já fo i realizada. O que mais poderia ter? Sou co nsagrado mundialmente. Jairzinho,
Roberto Menescal,
ex-jogador
cantor e compositor
compositor
Quer o ver o Brasil ser um de gran país, de primeiro mundo. Estamos chegando lá. Temos o direito de sonhar e ver o Brasil no lugar que merece.
diretor da Anistia Internacional no Brasil
Oscar Niemeyer,
eixei idade d s. a h in pia Na m r por uto teressa in e m e d ar vana, Hugo C a cineast
escritor
Que os homens respeitem suas diferenças raciais, religiosas, políticas e seja qual for. Gos taria de viver numa sociedade sem violência.
Atila Roque,
Sou realista demais. O ser humano continuará a viver, insignificante e indefeso, os momentos de euforia e desesper o que o destino lhes oferece.
ista econom
escritor
A minha utopia é que o Brasil se realize como projeto democrático. Igualdade na diversidade, onde todos possam buscar a felicidade.
jornalista
cantora
A minha utopia é a igualdade social, a so lidariedade.
Araújo, Alcione
Juca Kfouri,
político. dirigente
cartunista
cantora
Quero pintar quadros e fazer sambas.
Ver um Brasil justo.
A minha utopia é minha própria vida Sérgio Ricardo, compositor
Te nh o o so nh o de um Brasil mais justo, mais igual, onde seja eliminada a palavra miséria. Essa é a no ssa grande chaga.
s, Nei Lope
or composit
Que as gerações novas possam desfrutar de momentos melhores no Brasil. Essa é a minha utopia.
Francis Hime,
violonista
e lonizado il desco do a ç Um Bras n e s re eap mo; ond te seja sem racis scenden e d o fr a to n e ua real s m seg ceita em a te n e naturalm cia. importân
Uma é ver o futebol brasileiro jogando no estilo eficiente e bonito, como o do Barcelona. Outra é ver o Brasil em condições muito melhores em relação à violência, à saúde pública, ao saneamento básico, aos transportes, etc. Tostão, ex-jogador
cantor e composito r
Não sei se é utopia, mas eu gostaria de ver o fim da guerra, da bomba atômica e de tudo aquilo que produz morte e tristeza pela violência, pela luta de poder.
Hamilton de Holanda, bandolinista
se utopia é A minha . Portela peão pela
r cam-
rocópio, Sergio P a Portela te d presiden
Quem é que não tem? Eu queria muito que a saúde fosse levada a sério no País. Eu não aguento mais ver gente morrendo na fila de espera dos hospitais
Alcione, cantora
Marcos Valle, cantor e compositor
Isso é mais contunde nte quando temos 20, 30 anos Wanderley Monteiro,
cantor e compositor
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JB: indenizações na berlinda E a briga na Justiça dos ex-funcionários do Jornal do Brasil para receberem suas indenizações trabalhistas continua. O imbróglio agora é o julgamento de R$ 100 milhões bloqueados que a Petrobras deve ao grupo de empresas de que o JB faz parte. A decisão está para sair em breve. Só que de um lado se encontram jornalistas que trabalharam, trabalharam e não foram indenizados após a dispensa. Do outro, está o Citibank, que cobra R$ 90 milhões de uma dívida. E aí quem tem prioridade nesta história senhores juízes? Um banco bilionário ou ex-funcionários que dedicaram anos de sua vida profissional à empresa e saíram com uma mão na frente e outra atrás, literalmente? Fonte: ex-funcionários do JB
Acervo Milton Nascimento O acervo do cantor e compositor Milton Nascimento está disponível para visualização e pesquisa. São cerca de 45 mil itens, entre fotos, d o c u m e n to s , á u d i o s , vídeos e álbuns para apreciar. É um espaço onde pode-se navegar pela obra e intimidade de Milton Nascimento. Confira: http://bit.ly/191OMMw
Noca compõe samba do Bafafá Noca da Por tela vai compor o samba do bloco Bafafá de 2014. O artista promete apresenta-lo pela primeira vez no desfile parado do bloco no Posto 9, no sábado depois do carnaval. O Bafafá é animado pela Orquestra do Cordão da Bola Preta e o DJ Franz.
Bafafá 100 edições
Viva o Bafafá, ícone da divulgação da genuína cultura carioca e que para a alegria de todos nós chega a edição 100. Os parabéns do Cordão da Bola Preta!!!
Pedro Ernesto Marinho, Presidente do Cordão da Bola Preta Bafafá conquista a etapa dos 100. Sinal que não brinca em serviço. Tem mais é que dar força pra que chegue aos 1.000 com o mesmo entusiasmo para que possamos contar com a liberdade de imprensa longe das maracutaias. Sucesso! Sérgio Ricardo, cantor e compositor Fazer cultura no Brasil é sacrifício, ler no Brasil é raro, fazer jornal impresso é quase uma loucura. Agora, fazer um jornal impresso, independente, positivo, com as palavras viradas pro bem e conseguir chegar ao número 100, é um marco! Moacyr Luz, compositor Parabéns Bafafá pelas 100 edições e pelos 12 anos de informação que incentivaram a cultura, a liberdade e a democracia. Noca da Portela, cantor e compositor Quando planejou o nº 1 do “Bafafá”, a dúvida de Ricardo Rabelo era se conseguiria soltar o nº 2. Cem números depois, e ao olhar para trás, Ricardo pode se orgulhar das dezenas de grandes entrevistas publicadas, muitas denúncias sérias feitas pelo jornal e tantas boas causas esposadas e vencidas.
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Ah, sim, o nº 2. Ele nem se lembra mais. Ruy Castro, jornalista e escritor O Bafafá já é marca de comunicação de qualidade na Zona Sul carioca. Com o privilégio de ser o único jornal em que ainda se pode ler os sempre lúcidos textos do José Maria Rabelo, que se notabilizou no Binômio, uma das primeiras publicações silenciadas no país pela ditadura de 1964. Arthur Poerner, escritor e jornalista 100 edições não é pouco, sobretudo para u m j o r n a l a l te r n a t i vo. Ele é mais que um jornal, é um fomentador de eventos. Faz e acontece. Aliás, seu nome diz tudo, gosta do agito sociocultural. Affonso Romano de Sant´Anna, escritor Está de parabéns o Bafafá por sua centésima edição! Somos todos leitores desse querido jornal alternativo e temos muito a comemorar. Quanto mais se observa o jornalismo asfixiado pela mídia hegemônica, um jornal como o Bafafá se torna necessário e se constitui como espaço no qual é possível respirar jornalismo independente e, acima de tudo, a serviço dos interesses da população. Paula Máiran, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro O Bafafá é um jornal que vingou e se firmou nas adversidades. Tenho orgulho de ter sido um dos entrevistados e de ser seu leitor assíduo. Parabéns pela 100ª edição! Adonis Karan, produtor musical
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New York Times: Café Lamas: cápsula do tempo Bracarense melhor bar do Brasil Fundado em 1874, a história do Café Lamas se confunde com a cidade.
Apontado pelo jornal The New York Times como o melhor bar do Brasil e eleito pela
A arrumação das mesas é idêntica há décadas e frequentar seu salão é como entrar
Prefeitura quatro vezes como o melhor bar da cidade, o Bracarense é quase uma
numa cápsula do tempo. O local é admirado por artistas, intelectuais, políticos, jor-
instituição no Rio de Janeiro. Fundado em 1948, o Braca, como é conhecido pelos
nalistas que traçam seus destinos em suas mesas. Consta até que o Filé à Oswaldo
íntimos, garante tradição e qualidade. O quitute mais famoso e antigo da casa é o
Aranha nasceu no local em homenagem ao cliente homônimo. O restaurante viveu
bolinho de aipim com camarão e catupiry, sem menosprezar as empadas de siri ou
vários ciclos e testemunhou importantes momentos da história brasileira. Na década
camarão. São várias também as opções para o almoço: pernil ou carne assada com
de 80 era chamado de “Brizolamas” em função da grande quantidade de brizolistas
batatas coradas, bobó e risoto de camarão, filé mignon, contrafilé, filé de frango.
que frequentavam o local. Na década de 90, o então presidente Itamar Franco tomou
Outro segredo para tanto sucesso do Braca são os chopeiros mais antigos do
cafezinho no lugar com dirigentes da UNE. Até hoje, diretores de teatro, atores e
Brasil que tiram o chope com três dedos de colarinho. Mas, vale também conferir
notívagos de todas as áreas e gerações encerram a noitada no Lamas apreciando
as caipirinhas e a caipirosca de maracujá com lima-da-pérsia.
a comida e os deliciosos sanduíches de pernil ou carne assada. Movidos também
Interessante é que antigamente o Bracarense não disponibilizava mesas e os clien-
pelo atendimento profissional, marca registrada da casa. Chame o garçom pelo
tes se instalavam em cadeiras de praia na calçada do minúsculo bar. Hoje estão a
nome e terá garantia de satisfação. Fique atento também para as promoções de
disposição mesas e cadeiras disputadíssimas a qualquer hora. Palavra do Bafafá: o
chope mais barato no início da semana. A casa acaba de inaugurar a nova exaustão
bracarense é um boteco honesto que é a cara do espírito carioca de ser e de beber!
que promete eliminar qualquer odor no salão. O restaurante funciona na Marquês de Abrantes desde 1974, quando a antiga loja,
Bracarense
no Largo do Machado, foi desapropriada devido às obras do metrô. Tamanho su-
Rua José Linhares, 85 – Leblon – Rio
cesso ao longo de sua existência o fez receber recentemente o título de “Patrimônio
de Janeiro
Cultural Carioca” ao lado de outros 13 bares. Merecido!
Fone: 21 – 2294-3549 Funcionamento: segunda à sábado
Restaurante Café Lamas
Aceita todos os cartões
de 08h à meia noite e
Rua Marquês de Abrantes, 18 loja A
Atende em domícilio
domingo de 09h às 22h.
Rio de janeiro/RJ
www.cafelamas.com.br
Só aceita cartões de débito
Fone: (21) 2556-0799
ENTREGAS EM DOMICÍLIO