Nº 101

Page 1

Ano 13 - Nº 101 - Janeiro 2014

Distribuição Gratuita

a

Entrevist

o h n i Ton s e a r Ge

www.bafafa.com.br

“O melhor mercado para samba é São Paulo”

O cantor, compositor e cavaquinista Toninho Geraes é um dos mais respeitados sambistas do Rio. Natural de Belo Horizonte, está radicado na Cidade Maravilhosa desde 1983 para onde veio tentar a sorte como músico. O início de carreira foi tortuoso. Chegou a morar numa casa abandonada em Ipanema enquanto trabalhava com frete para sobreviver. Nas horas vagas participava de rodas de samba, entre elas do Império Serrano onde foi descoberto por uma gravadora. Ele é autor de centenas de sambas, gravados por renomados artistas como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Agepê. Sobre a fórmula para o sucesso, faz analogia ao garimpo: “Compor é como batear no garimpo. Não pensem que vão tirar a grande gema da noite para o dia. Primeiro tem que trabalhar as pedrinhas pequenas para então conseguir pegar algo maior na bateia”, assegura o artista. Questionado sobre as oportunidades de trabalho, Toninho não titubeia: “O melhor mercado para samba é São Paulo”. pág 9

Nesta : o Ediçã

Emir Sader José Maria Rabelo Leonardo Boff Mauro Santayana Ricardo Rabelo


www.bafafa.com.br

Editorial

Janeiro / 2014

2

O inferno maranhense

O universo de horrores que o Maranhão está exibindo em suas prisões tem uma longa história, de mais de 50 anos. É a mesma história de outras desgraças que infelicitam seu povo e que coincide com a ascensão da família Sarney no Estado. José Sarney, o chefe, o capo, não era rico quando começou sua impressionante saga política, elegendo-se deputado federal em 1954, graças a uma manobra que o guindou de quarto suplente a titular de uma cadeira na Câmara de Deputados. Não era rico, mas era esperto. Conseguiu passar os outros candidatos para trás e tomar-lhes o lugar. Brilhante início, que pressagiava uma vitoriosa carreira de múltiplas trapaças. Assim, de golpe em golpe, de expediente em expediente, foi abrindo seus caminhos: deputado, governador, presidente da República, senador, diversas vezes presidente do Senado, presidente de partido, praticamente tudo o que quis. Essa frenética trajetória pública teve seu correspondente na vida particular da família, dona hoje de uma das maiores fortunas entre os políticos brasileiros. São fazendas, imóveis na capital e em outras cidades, aplicações financeiras aqui e no exterior, jornais, emissoras de rádio e televisão, uma ilha quase inteiramente sua, num paraíso turístico a poucos quilômetros de São Luís, e, negócio dos negócios, a participação em todas as obras federais, estaduais e municipais realizadas no Maranhão, através da sinuosa remuneração das comissões e outras contas fajutas. Todo este dinheiral apropriado pelos Sarneys e seus aliados é desviado dos serviços essenciais à população, como a educação, a saúde, os transportes, a segurança pública, esta última refletindo diretamente na calamitosa situação dos presídios. A governadora Roseana Sarney, a filha querida, declarou à imprensa que o Maranhão é um estado rico, em franco desenvolvimento. Verdade. Só que

sua riqueza favorece apenas os ricos, os cada vez mais ricos, entre eles os membros de sua própria família. A população pobre sofre na carne as A governadora Roseana declarou à imprensa que o Maranhão é um Estado rico. Só que essa riqueza favorece apenas os que já são ricos, à frente deles os membros da própria família Sarney. consequências dessa política de absoluta exclusão social: a escolaridade de seus integrantes é a mais baixa do País; a maioria dos municípios tem a menor renda per capital nacional; a mortalidade infantil bate todos os récordes, perdendo apenas para Alagoas, outra vítima das oligarquias nordestinas; grande parte de suas cidades não tem água encanada nem esgoto. As prisões são apenas um dado dessa imensa tragédia que vive o povo maranhense. Se fosse mostrado, com igual destaque, o estado lamentável de outros serviços, provocaria o mesmo espanto, a mesma revolta. Há vastíssimo material de informação, denunciando as ações antissociais da oligarquia sarneyziana. Mas usando todos os recursos do poder, de que não se afasta há mais de meio século, consegue fugir a um acerto de contas com a Justiça. Exemplo dessa maciça documentação é o livro Honoráveis Bandidos, do jornalista Palmério Dória, nas livrarias, que revela os crimes do clã e suas manobras para manter-se impune. Trata-se de um riquíssimo compêndio de cleptocracia, no qual seus personagens mostram de que são capazes, reduzindo um Estado inteiro à condição de propriedade particular. Dificilmente, em outra parte do mundo, essa gente ainda estaria fora da cadeia.

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Studio RJ, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Galeria Catete 228, Restaurante Fat Choi, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).

Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 (21) 3547-3699 bafafa@bafafa.com.br Diretora de marketing: Rogeria Paiva (21) 3546-3164 mercomidia@gmail.com

Direção de arte: PC Bastos bastos.pc@gmail.com Tiragem: 10.000 exemplares Foto capa: Cris Gomes

Circulação: Distribuição gratuita e direcionada (universidades, bares, centros culturais, cinemas, sindicatos) Praça: Rio de Janeiro São Paulo Belo Horizonte

Publicidade: (21) 3547-3699 | 3546-3164 mercomidia@gmail.com Agradecimentos: Aos colaboradores desta edição. Realização: Mercomidia Comunicação

Bafafá 100% Opinião é uma publicação mensal. Matérias, colunas e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. www.bafafa.com.br


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

3

Complô para matar João Goulart José Maria Rabêlo* O assassinato do então presidente da República João Goulart estava programado para acontecer em Belo Horizonte no dia 21 de abril de 1964, em comício na Praça da Estação. Neste ato, o chefe de Estado anunciaria oficialmente as chamadas “Reformas de Base”, que se destinavam a transformar as estruturas sociais do País e que provocavam por isso a reação exasperada das elites conservadoras. O atentado somente não ocorreu porque houve antes o golpe militar que afastou Goulart do poder. O episódio, que mancharia de sangue aquele momento de nossa história contemporânea, reproduziria aqui a tragédia de Dallas, nos EUA, quando, em novembro de 1963, o presidente norte-americano John Kennedy foi morto por um atirador, durante desfile em carro aberto pelas ruas da cidade. O plano para assassinar Goulart só 14 anos mais tarde seria revelado, mesmo assim com pouquíssima divulgação. Hoje está apenas na memória de um ou outro dos que o idealizaram, pois a maioria já faleceu, ou de uns poucos que dele tiveram conhecimento. Em meu livro Belo Horizonte. Do Arraial à Metrópole, que acaba de ser publicado, eu mostro com detalhes como se daria o ataque ao palanque em que estariam o presidente e sua comitiva. “Três linhas de ação foram adotadas”, revelou o general reformado José Lopes Bragança, conhecido pelo seu histórico e histérico anticomunismo, em entrevista ao jornalista Geraldo Elísio, do jornal Estado de Minas, em janeiro de 1977, que transcre-

vo no livro. “A primeira”, prosseguiu o general: “Um avião teco-teco, com capacidade de voo rasante, despejaria cargas de dinamite sobre o palanque onde estivesse João Goulart. Segunda linha: alguns de nós dispúnhamos de metralhadoras. O plano era soltar bombinhas dessas usadas em festas

juninas para distrair o povo. Nessa hora, um grupo de dois ou três homens armados de metralhadora, contando com a colaboração de outro grupo que abriria um corredor entre o público, se aproximaria correndo do palanque e metralharia seus ocupantes. Como terceira opção, caso falhassem as duas outras opções”, continuava o general, “atiradores de escol, munidos de armas dotadas de lunetas, deitados sobre caminhões ou ônibus próximos dali, alvejariam Jango (Goulart) e os principais líderes esquerdistas”. Ainda conforme o general, o encarregado de comandar o pelotão de atiradores seria o coronel José Oswaldo Campos do Amaral, da Polícia Militar, campeão de tiro, conhecido entre seus colegas pela sugestiva alcunha de Cascavel.

•Padaria •Confeitaria •Lanchonete

PADARIA IPANEMA Rua Visconde de , 325 - Rio

(21) 2522-6900/2522-8397 :2522-7144

Em carta ao Estado de Minas, publicada em 18 de janeiro de 1977, o coronel Campos do Amaral confirmou o plano de eliminação do presidente e das pessoas que o acompanhavam, o que seria feito, conforme suas palavras, “para o bem e a salvação do Brasil”. No relato, o coronel apresentou outros detalhes, assumindo expressamente seu papel como um dos encarregados da operação e afirmando que a forma de executá-la tinha sido estabelecida depois de muitas discussões. “Foi então definitivamente escolhido o ataque frontal ao palanque”, diz em sua carta, “a ser realizado por todos os integrantes do grupo, que correriam então todos os riscos e participariam, em igualdade de condições, das responsabilidades futuras”. E acrescentou, em outro depoimento: “Ninguém escaparia vivo do palanque”. Como se vê, por pouco Belo Horizonte deixou de transformar-se na Dallas brasileira, com violência ainda maior. Entendo que a Comissão Nacional da Verdade tenha interesse em conhecer esse episódio, que apesar de não haver produzido seus objetivos, traduzia o ambiente de ódio que dominava o País naquela época, do qual resultaram tantos atos atentatórios aos Direitos Humanos. P.S. O livro Belo Horizonte. Do Arraial à Metrópole – 300 Anos de História pode ser adquirido nas principais livrarias da capital mineira ou pelo e-mail editorapassadoepresente@gmail.com. *Jornalista


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

4

Uma governança global da pior espécie: dos mercadores Leonardo Boff* Anteriormente abordamos o império das grandes corporações que controlam os fluxos econômicos e através deles as demais instâncias da sociedade mundial. A constituição perversa deste império surgiu por causa da falta de uma governança global que se faz cada dia mais urgente. Há problemas globais como os do paz, da alimentação, da água, das mudanças climáticas, das migrações dos povos e outras que, por serem globais, demandam soluções globais. Esta governança é impedida pelo egoismo e o individualismo das grandes potências. Uma governança global supõe que cada país renuncie um pouco de sua soberania para criar um espaço coletivo e plural onde as soluções para os problemas globais pudessem ser globalmente atendidos. Mas nenhuma potência quer renunciar uma unha sequer de seu poderio, mesmo agravando-se os problemas particularmente aos ligados aos limites físicos da Terra, capaz de atingir negativamente a todos através dos eventos extremos. Constata-se que vigora uma cegueira lamentável na maioria dos economistas. Em seus debates – tomemos como exemplo o conhecido programa semanal da Globonews Painel – onde a economia ocupa um lugar privilegiado. No que pude constatar, ouvi, raríssimos economistas incluir em suas análises os limites de suportabilidade do sistema-vida e do sistema-Terra que põem em cheque a reprodução do capital. Prolongam o enfadonho discurso econômico no velho paradigma como se a Terra fosse um baú de recursos ilimitados e a economia se medisse pelo PIB e fosse um subcapítulo da matemática e da estatística. Falta pensamento. Não pensam o que sabem. Mal se dão conta de que se não abandonarmos a obsessão do crescimento material ilimitado e em seu lugar não buscarmos a equidade-igualdade social, só pioraremos a situação já ruim. Queremos abordar um complemento do império perverso das grandes corporações que se revela ainda mais desavergonhado. Trata-se da

busca de um Acordo Multilateral de Investimentos. Quase tudo é discutido a portas fechadas. Mas na medida em que é detectado, se retrai, para logo em seguida voltar sob outros nomes. A intenção é criar um livre comércio total e institucionalizado entre os Estados e as grandes corporações. Os termos da questão foram amplamente apresentados por Lori Wallach da diretoria do Public Citizen’s Global Trade Watch no Le Monde Diplomatique Brasil de novembro de 2013. Tais corporações visam saciar o seu apetite de acumulação em áreas relativamente pouco

atendidas pelos países pobres: infra-estrutura sanitária, seguro-saúde, escolas profissionais, recursos naturais, equipamentos públicos, cultura, direitos autorais e patentes. Os contratos se prevalecem da fragilidade dos Estados e impõem condições leoninas. As corporações, por serem transnacionais, não se sentem submetidas às normas nacionais com respeito à saúde, à proteção ambiental e à legislação fiscal. Quando estimam que por causa de tais limites o lucro futuro esperado não foi alcançado, podem, por processos judiciais, exigir um ressarcimento do Estado (do povo) que pode chegar a bilhões de dólares ou de euros. Estas corporações consideram a Terra como de ninguém, à semelhança do velho colonialismo. Quem chega primeiro se apropria e extrái o que pode. E conseguem que os tribunais lhes garantam este direito de adquirir terras, mananciais de águas, lagos e outros bens e seviços da natureza. Elas, comenta Wallach, “não têm obrigação nenhuma para com os países e podem disparar pro-

cessos quando e onde lhes convier”(p.5). Exemplo típico e ridículo é o caso do fornecedor sueco de energia Fattenfall que exige bilhões de euros da Alemanha por sua “virada energética”que prometeu abandonar a energia nuclear e enquadrar mais severamente as centrais de carvão. O tema da poluição, da diminuição do aquecimento global e da preservação da biodiversidadae do planeta são letra morta para esses depredadores, em nome do lucro. A sem-vergonhice comercial chega a tais níveis que os países signatários desse tipo de tratado “se veriam obrigados não só a submeter seus serviços públicos à lógica do mercado mas tambem a renunciar a qualquer intervenção sobre os prestadores de serviços estrangeiros que cobiçam seus mercados”(p.6). O Estado teria uma parcela mínima de manobra em questão de energia, saúde, educação, água e transporte, exatamente os temas mais cobrados nos protestos de junho de 2013 por milhares de manifestantes no Brasil. Estes tratados estavam sendo negociados com os USA e o Canadá, com a ALCA na América Latina e especialmente entre a Comunidade Européia e os USA. O que revelam estas estratégias? Uma economia que se autonomizou de tal maneira que somente ela conta, anula a soberania dos países, se apropria da Terra como um todo e a transforma num imenso empório e mesa de negócios. Tudo vira mercadoria: as pessoas, seus órgãos, a natureza, a cultura, o entretenimento e até a religião e o céu. Nunca se toma em conta a possível reação massiva da sociedade civil que pode, enfurecida e com justiça, se rebelar e pôr tudo a perder. Graças a Deus que, envergonhados, mas ainda obstinados, os mercadores com seus projetos estão se escondendo atrás de portas fechadas. Mas não desistem. Em qualquer momento podem ressurgir pois são possuídos pela fúria da acumulação que não aceita limites, nem aqueles impostos pela Mãe Terra, pequena, limitada e agora doente. *Teólogo e escritor, publicado no blog do autor: www.leonardoboff.wordpress.com


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

despencar e não soube estancar essa queda.

Ricardo Rabelo Obras na cidade

ção na cidade? Não adianta querer recolher os carros das ruas por decreto.

Aeroporto do Galeão Nada contra as obras que a Prefeitura está realizando na cidade. Mas, muitas delas literalmente estrangularam o trânsito e tornaram qualquer deslocamento uma saga. Reparem que as retenções acontecem em toda a parte, dificultando a circulação dos carros. No caso da Via Binário, ela só faz sentido se estiver livre de sinais luminosos. No entanto, há pelo menos uns três cruzamentos. Não sou engenheiro, mas está claro que o fluxo não comporta sinais na Binário.

Fechamento Rio Branco

O caos promete ser ainda maior a partir do dia 07 de fevereiro quando a Avenida Rio Branco passará a ser em mão dupla e proibida para carros de passeio. A prefeitura garante que os táxis não poderão recolher passageiros ao longo da avenida. Se assim for, porque liberar a circulação deles? Alguém acredita que os táxis não irão parar? A impressão que dá é que a engenharia de trânsito é feita sem planejamento. Uma pergunta que não quer calar: a intenção das obras é a de melhorar ou piorar a circula-

Caminha para o caos a situação do Aeroporto Galeão/ Antônio Carlos Jobim. Mesmo com vários anos para melhorar a infraestrutura do local, o simples ar condicionado do aeroporto não comporta a demanda. Os balcões de check in são escassos, a praça de alimentação é pequena, as esteiras de bagagens insuficientes. Em termos de transporte, o aeroporto só dispõe de duas linhas de frescão com intervalos absurdos e táxis cooperativados que cobram uma fortuna. Sem falar nos táxis bandalhas que proliferam. A questão do Galeão tem de ser tratada como política de estado, caso contrário vai ser uma vergonha durante a Copa do Mundo.

Aeroporto Santos Dumont

mafuá onde vale tudo. Para começar, é fundamental que seja rigorosamente proibido que táxis parem para apanhar passageiros no terminal de embarque. O que mais vemos atualmente são amarelinhos literalmente estacionados no local. Se os motoristas insistirem, defendo que os carros sejam rebocados e obrigados a pagamento de multas altas.

novos abrigos não é despesa, mas investimento. No tocante a menores de idade acho que o atendimento deveria ser obrigatório. Absurdo é ver meninos e meninas perambulando pelas ruas sem nenhum tipo de assistência.

Sucessão Dilma

Qualquer criança sabe que o trânsito no Largo do

População de rua

Espero que as autoridades tenham determinação de moralizar o serviço de táxi no Aeroporto Santos Dumont. Todo mundo sabe que aquilo é um

Carnaval

Largo do Machado

Machado é caótico em função do ponto final de cinco linhas de ônibus. No entanto, entra governo e sai governo, nada é feito para resolver o problema. O que a Prefeitura espera para remanejar os pontos e assim abrir mais uma faixa no sentido Laranjeiras? O certo é banir estes “terminais” e tornar as linhas sem paradas finais. O pior é que os demais ônibus ocupam uma segunda faixa, deixando apenas uma via para os automóveis. Assim, não tem como não engarrafar. É muita “engenharia” resolver este problema?

É visível o aumento da população de rua na cidade, principalmente de menores. Já disse e repito nesta coluna: a questão da população de rua tem de ser uma política efetiva e não paliativa. Construir

5

A julgar pelas últimas pesquisas, a presidenta Dilma caminha para vencer as eleições no primeiro turno. É cada dia mais nítido a inoperância da direita em “fabricar” uma candidatura competitiva. Acho que Dilma vai vencer por mérito próprio, mas também graças à ineficácia de seus adversários, principalmente da imprensa. Incrível é que quanto mais ela bate na Dilma, mais ela cresce.

Sucessão estadual

No âmbito do estado, a situação do candidato governista Pezão é cada dia mais complicada. Sei que ele deve crescer na campanha, mas vai ter de gastar muita sola de sapato para isso. Acontece que Pezão não tem carisma alguma, nem oratória. Quando os debates começarem é que veremos o que vai dar. O mais incrível é que o governo Cabral viu a sua popularidade

Como presidente da Associação Carioca de Blocos e Bandas – Folia Carioca - tive a oportunidade de participar de uma reunião com representantes do Gabinete Civil do Governo do Estado. Na ocasião, ao lado de outras associações, como a Sebastiana e Liga do Zé Pereira, apresentamos várias propostas para a nova resolução que trata de eventos no estado. Sugerimos que os blocos tenham tratamento diferenciado, sem se submeter a serie de exigências, principalmente do Corpo de Bombeiros. Afinal, é um absurdo exigir dos blocos UTIs, torres de observação, postos médicos e até croquis dos desfiles. É preciso que as autoridades entendam que bloco não pode ser tratado como grandes eventos.

Bloco Bafafá

Não se esqueça: o bloco Bafafá faz seu desfile parado no sábado depois do carnaval (08/03), no Posto 9. Atrações: Cordão da Bola Preta, o padrinho João Roberto Kelly, o sambista Noca da Portela e o DJ Franz. Noca vai cantar pela primeira vez o samba que compôs para o Bafafá, intitulado “Mamãe me Dá a Chupeta”. Até lá!


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

6

Os shopping-centers, utopia neoliberal Emir Sader* Na sua fase neoliberal, o capitalismo implementa, como nunca na sua história, a mercantilização de todos os espaços sociais. Se disseminam os chamados não-lugares – como os aeroportos, os hotéis, os shopping-centers -, homogeneizados pela globalização, sem espaço nem tempo, similares por todo o mundo. Os shopping-centers representam a centralidade da esfera mercantil em detrimento da esfera pública, nos espaços urbanos. Para a esfera mercantil, o fundamental é o consumidor e o mercado. Para a esfera pública, é o cidadão e os direitos. Os shoppings-centers representam a ofensiva avassaladora contra os espaços públicos nas cidades, são o contraponto das praças públicas. São cápsulas espaciais condicionadas pela estética do mercado, segundo a definição de Beatriz Sarlo. Um processo que igualiza a todos os shopping-centers, de São Paulo a Dubai, de Los Angeles a Buenos Aires, da Cidade do México à Cidade do Cabo. A instalação de um shopping redesenha o território urbano, redefinindo, do ponto de vista de classe, as zonas onde se concentra cada classe social. O centro – onde todas as classes circulavam – se deteriora, enquanto cada classe social se atrincheira nos seus bairros, com claras distinções de classe Os shoppings, como exemplos de não-lugares, são espaços que buscam fazer com que desapareçam o tempo e o espaço – sem relógio e sem janelas - , em que desaparecem a cidade em que estão inseridos, o pais, o povo. A conexão é com as marcas globalizadas que povoam os shopping-centers de outros lugares do mundo. Desaparecem os produtos locais – gastronomia, artesanato -, substituídos pelas marcas globais, as mesmas em todos os shoppings, liquidando as diferenças, as particularidades de cada pais e de cada povo, achatando as formas de consumo e de vida. O shopping pretende substituir à própria cidade. Termina levando ao fechamento dos cinemas tradicionais das praças publicas, substituídos pelas dezenas de salas dos shoppings, que promovem a programação homogênea das grandes cadeias de distribuição. O shopping não pode controlar a entrada das

pessoas, mas como que por milagre, só estão aí os que tem poder aquisitivo, os mendigos, os pobres, estão ausentes. Há um filtro, muitas vezes invisível, constrangedor, outras vezes explicito, para que só entrem os consumidores. Nos anos 1980 foi organizado um passeio de moradores de favelas no Rio de Janeiro a um shopping da zona sul da cidade. Saíram vários ônibus, com gente que nunca tinham entrado num shopping.

As senhoras, com seus filhos, sentavam-se nas lojas de sapatos e se punham a experimentar vários modelos, vários tamanhos, para ela e para todos os seus filhos, diante do olhar constrangido dos empregados, que sabiam que eles não comprariam aqueles sapatos, até pelos seus preços. Mas não podiam impedir que eles entrassem e experimentassem as mercadoras oferecidas. Criou-se um pânico no shopping, os gerentes não sabiam o que fazer, não podiam impedir o ingresso daquelas pessoas, porque o shopping teoricamente é um espaço público, aberto, nem podiam botá-los pra fora. Tocava-se ali no nervo central do shopping – espaço público privatizado, porque mercantilizado. O shopping-center é a utopia do neoliberalismo, um espaço em que tudo é mercadoria, tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra. Interessa aos shoppings os consumidores, desaparecem, junto com os espaços púbicos, os cidadãos. Os outros só interessam enquanto produtores de mercadorias. Ao shopping interessam os consumidores. Em um shopping chique da zona sul do Rio, uma vez, uns seguranças viram um menino negro.

Correram abordá-lo, sem dúvida com a disposição de botá-lo pra fora daquele templo do consumo. Quando a babá disse que ela era filho adotivo do Caetano Veloso, diante do constrangimento geral dos seguranças. A insegurança nas cidades, o mau tempo, a contaminação, o trânsito, encontra refúgio nessa cápsula, que nos abriga de todos os riscos. Quase já se pode nascer e morrer num shopping – só faltam a maternidade e o cemitério, porque hotéis já existem. A utopia – sem pobres, sem ruídos, sem calçadas esburacadas, sem meninos pobres vendendo chicletes nas esquinas ou pedindo esmolas, sem trombadinhas, sem flanelinhas. O mundo do consumo, reservado para poucos, é o reino absoluto do mercado, que determina tudo, não apenas quem tem direito de acesso, mas a distribuição das lojas, os espaços obrigatórios para que se possa circular, tudo comandado pelo consumo. Como toda utopia capitalista, reservada para poucos, porque basta o consumo de 20% da população para dar vazão às mercadorias e os serviços disponíveis e alimentar a reprodução do capital. Mas para que essas cápsulas ideais existam, é necessário a super exploração dos trabalhadores – crianças, adultos, idosos – nas oficinas clandestinas com trabalhadores paraguaios e bolivianos em São Paulo e em Buenos Aires, em Bangladesh e na Indonésia, que produzem para que as grandes marcas exibam as roupas e os tênis luxuosos em suas esplendorosas lojas dos shoppings. O choque entre os mundo dos shoppings e o dos espaços públicos remanescentes – praças, espaços culturais, os CEUS de São Paulo, os clubes esportivos públicos – é a luta entre a esfera mercantil e a esfera pública, entre o mundo dos consumidores e o mundo dos cidadãos, entre o reino do mercado e a esfera da cidadania, entre o poder de consumo e o direito de todos. É um enfrentamento que está no centro do enfrentamento entre o neoliberalismo e o posneoliberalismo, entre a forma extrema que assume o capitalismo contemporâneo e a formas de sociabilidade solidaria das sociedades que assumem a responsabilidade de construir um mundo menos desigual, mais humano. *Sociólogo e escritor, publicado no site Carta Maior: www.cartamaior.com.br


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

7

De rolézinhos e rolexzinhos Mauro Santayana* O setor de shoppings centers se encontra acuado, nas grandes cidades brasileiras, pelo fenômeno do “rolézinho”. A situação chegou a tal ponto, que, contrariando o direito de livre expressão, já há centros comerciais pedindo ao Facebook que retire do ar páginas que envolvam esse tipo de encontro, que convoca, pela internet, centenas de jovens a comparecer, em data e horário específicos, a endereços-alvo previamente determinados. A justiça tem concedido liminares que permitem aos shoppings barrar a entrada desses jovens e impedir que os encontros se realizem em suas dependências. Movimentos sociais de diferentes tendências, alguns mais tradicionais, e outros surgidos, como os Black Blocks, nas manifestações de junho, tacham as medidas adotadas pelos shoppings de racismo e exclusão e ameaçam convocar “rolezões sociais”, já neste fim de semana, para reagir às medidas. Em junho de 2013, estabeleceu-se, nas ruas e redes sociais improvável aliança entre “rolexzinhos”, que gravavam suas mensagens contra o governo e a Copa do Mundo usando como cenário a praça de alimentação de shoppings, e futuros “rolezinhos” da “periferia”. A periferia pode frequentar shopping, desde que seja identificada tão logo entre, e fique permanente sob o olhar de vigias, e em conveniente minoria. E continue gastando como tem gasto a classe C nos últimos anos, responsável pela explosão do faturamento do comércio de móveis, informática e eletrônicos, por exemplo. O problema é que os “rolézinhos” não estão satisfeitos com isso. Eles querem “zoar”, termo que antes estava ligado a ridicularizar, brincar com o outro, e que hoje está sendo substituído, cada vez mais, pelo sentido de “incomodar”. Os “rolézinhos” não querem apenas “dar um rolé”, expressão que deu origem ao termo, ou se encontrar, conversar, namorar. Eles querem

assustar, pressionar, chocar, o pacato cidadão que frequenta shopping, em busca de sua quota cotidiana ou semanal de lazer, consumo, praça de alimentação e ar condicionado. Querem querem ocupar física e maciçamente todos os espaços, dizer aos frequentadores comuns, e aos rolexzinhos - “olha, nós somos mais fortes, mais numerosos e queremos ter as mesmas coisas, e fazer as mesmas coisas, que vocês”. Há que se ver como alguns auto-designados representantes da “classe média” - que às vezes nem toma conhecimento de sua existência - irão se manifestar, na internet, com relação ao assunto. A direita terá coragem de defender, abertamente, a invasão dos shoppings centers pela periferia? Ou vai torcer, secretamente, para que esses encontros, e a polêmica em torno deles, dê origem a nova onda de protestos?

Já se identifica, entre os “rolézinhos”, a infiltração de indivíduos cujo interesse vai além da reivindicação social, coisa fácil de ocorrer, nesse tipo de reuniões, maciça e, às vezes, anonimamente convocadas por meio de redes sociais. A ABRASCE, que reúne os shoppings centers, precisa começar a entender os “rolézinhos”, a partir de outra perspectiva, que não seja a mera repressão, o apelo à polícia e ao judiciário. Se cada shopping tratasse todos os frequentadores da mesma forma, independente de sua cor ou vestimenta, e tivesse uma estrutura de lazer ou de cultura na periferia, para sinalizar às comunidades de menor renda que o setor reconhece sua existência e direito à dignidade, em um contexto social tradicionalmente desigual, talvez

se pudesse estabelecer um patamar maior de respeito e de auto-estima para esses cidadãos. É uma pena, no entanto, que o elemento que detonou todo esse processo tenha sido, primeiramente, o consumo. Se extrairmos da multidão um ou outro líder, e os “movimentos” sociais “organizados”, que, muitas vezes, são apenas grupos de ação, momentaneamente reunidos pela internet, veremos que há muito em comum entre os “rolézinhos” e “rolexzinhos”. Não existe diferença entre a conversa estéril e esnobe dos “rolexzinhos”, em volta de seus copos de uísque, na happy hour na Avenida Paulista e as letras de funk ostentação que embalam os “rolézinhos” nos bares e bailes da periferia. São dois lados da mesma moeda, dois extremos de uma sociedade na qual um par de tênis pode custar mais que dez ou quinze livros novos, marcas de carros são cantadas em prosa e verso, e a maior parte das pessoas desperdiça seu tempo correndo atrás do fugaz e do vulgar, sem conseguir deixar sua marca no mundo, ou ter tido, muitas vezes, a menor consciência política ou espiritual do que representa estar aqui. Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto comum de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação. Quem sabe, quando contarmos, no Brasil, com um número equivalente de excelentes universidades e centros de pesquisa, ao que temos, agora, de grandes centros comerciais - cerca de 500 - com o mesmo volume de investimentos e a mesma eficiência e garra, na busca e transmissão do conhecimento, com que hoje se persegue o lucro nesses palácios de aço e cristal. A sociedade brasileira, com seus “rolézinhos” e “rolexzinhos”, precisa entender que o Brasil necessita mais de Sapiens Centers, que de Shopping Centers, para poder avançar. *Jornalista, publicado no site Carta Maior: www.cartamaior.com.br


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

8

Toninho Geraes

Entrevista

Por Ricardo Rabelo

“O melhor mercado para samba é São Paulo” O cantor, compositor e cavaquinista Toninho Geraes é um dos mais respeitados sambistas do Rio. Natural de Belo Horizonte, está radicado na Cidade Maravilhosa desde 1983 para onde veio tentar a sorte como músico. O início de carreira foi tortuoso. Chegou a morar numa casa abandonada em Ipanema enquanto trabalhava com frete para sobreviver. Nas horas vagas participava de rodas de samba, entre elas do Império Serrano onde foi descoberto por uma gravadora. Ele é autor de centenas de sambas, gravados por renomados artistas como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Agepê. Sobre a fórmula para o sucesso, faz analogia ao garimpo: “Compor é como batear no garimpo. Não pensem que vão tirar a grande gema da noite para o dia. Primeiro tem que trabalhar as pedrinhas pequenas para então conseguir pegar algo maior na bateia”, assegura o artista. Questionado sobre as oportunidades de trabalho, Toninho não titubeia: “O melhor mercado para samba é São Paulo”.

Como foram sua infância e Aos 10 anos de idade, em Belo Ipanema. Me instalei numa casa para vir ao Rio tocar cavaquinho juventude? Horizonte. No meu bairro tinha abandonada na antiga Rua Mon- no seu conjunto chamado “InoNão era muito chegado aos estudos e trabalhava para ajudar no sustento da família. Fui “office boy”, vendedor de sapataria e de bilhetes de loteria (riso). Já garoto frequentava a zona boemia de BH e conhecia alguns compositores como Joel, Bolão, Lagoinha, Ataíde Machado.

“Não era muito chegado aos estudos e trabalhava para ajudar no sustento da família” Como começou sua carreira de sambista?

um grupo de samba-choro chamado “Tonico e seu Chiclete”. Tonica era barbeiro e tocava saxofone. Eu era a mascote do grupo e cantava de vez em quando. O Geraldo Orozimbo, sambista que tinha disco gravado, era minha grande referência. Conviver com ele nas rodas era motivo de orgulho.

E a vinda para o Rio de Janeiro? Caí na ilusão de vir para o Rio sem ter nenhum parente aqui. Foi no ano que a Clara Nunes morreu e a data acabou sendo marcante para mim. Já que não tinha lugar para morar, decidi ir para o melhor bairro da cidade,

tenegro (riso). Tinha uma roda samba na Barão da Torre com Maria Quitéria onde conheci o Roque, dono de kombi que fazia fretes na região. Além de trabalhar com ele, passei a tocar nessa roda. Mas, me dei muito mal no Rio e voltei para BH. Em 1983, o Geraldo Orozimbo me levou para disputar o enredo da escola de samba Cidade Jardim. Acabei ganhando a disputa, inclusive do próprio Geraldo (riso). Fiquei mais um tempo em BH tocando num conjunto de samba. Numa festa, contratamos o puxador da Mocidade, Ney Viana, para ser a atração. O irmão do Ney, o Zé Carlos, me viu cantando e acabou me convidando

centes do Samba”. Fui morar num quartinho na casa dele no subúrbio de Cascadura, em frente à quadra da Escola União de Jacarepaguá.

Demorou a despontar? Em 1986, fui dar uma canja na quadra do Império Serrano. O pessoal da gravadora EMI me viu e convidou para ser um dos intérpretes do LP “Na Aba do Pagode” com vários sambistas. Logo depois, a gravadora me contratou para gravar o LP solo chamado “Chances Iguais”, produzido pelo Nivaldo Duarte, mesmo produtor do Rober to Ribeiro.


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

9

Qual é a fórmula para compor? Compor é como batear no garim- Bastante. O roteiro inclui São O samba é eterno? Não tenho fonte de inspiração. O que mais me inspira é estar sozinho, viajando na sonoridade do samba, nas melodias. Já explorei muito o tema amor, hoje meus temas são muito diversificados. Tenho trabalhado temas afros, o sincretismo, a religiosidade.

“Não tenho fonte de inspiração. O que mais me inspira é estar sozinho, viajando na sonoridade do samba, nas melodias”

po. Não pensem que vão tirar a grande gema da noite para o dia. Primeiro tem que trabalhar as pedrinhas pequenas para então conseguir pegar algo maior na bateia. Acho que é preciso praticar bastante, diversificando parcerias. Aprendi muito com os meus parceiros.

Paulo, Rio, Belém, Brasília.

Com certeza. O Nelson Sargento

Como está vendo o estouro certa vez disse “O samba agonido samba na Lapa? za, mas não morre”. Eu acho que

Embora muita gente que nunca foi sambista esteja virando sambista, isso é bom. O samba está na alma do brasileiro. Tem muita gente nova aparecendo devido Qual é o melhor mercado para o a esse momento que eu acho samba, Rio ou São Paulo? que tende a crescer mais ainda. Sejam bem-vindos os novos samO Rio é uma cidade que respira bistas (riso). samba (riso). Aqui vivem os grandes bambas. Mas, o melhor mercado hoje para samba no Brasil é São Paulo (riso). Lá é onde se ganha dinheiro.

ele nem chegou a agonizar.

Tem alguma utopia? Todos nós temos. A grande utopia da minha vida seria ir morar no interior de Minas, num lugar bem quietinho.

“A grande utopia da minha vida seria ir morar no interior de Minas, num lugar bem quietinho”

Qual é sua dica para os jovens Tem feito muitos shows? compositores?

adras piscinas e qu stas, campos, pi s na r o. lo va técnica e apoi ostrando seu a, superação, ileiros vêm m lin ip as sc br di s a, co rr pi lím s coisas: ga Os atletas para DEF parte soma de muita límpica da AN alto nível é a se es E . do a equipe para un ra m pa do do e en il rt as do Br ória, reve l de levar rte dessa hist tem potencia lho de fazer pa , ajudar quem gu RJ or TE m te LO a RJ ra A LOTE téricos. Pa de bilhetes lo gulho mesmo. com a venda o tid ob o cr lu privilégio. É or um só do seu é o nã dio ais alto do pó asil ao lugar m o nome do Br

RIA COM A PARCE DEF, LOTERJ E AN HAM ALGUNS GAN PRÊMIOS.

HAM OUTROS, GAN OURO.


www.bafafa.com.br

Janeiro / 2014

10

Camiseta do Bloco Bafafá na Dimona e na Barraca do Uruguaio A camiseta do Bloco Bafafá de 2014, assinada pelo cartunista Lan, já pode ser encontrada nas quatro lojas da Dimona na Saara e na Barraca do Uruguaio no Posto 9, Ipanema. O artista, tido como o “papa” da caricatura no Brasil, desenhou três belas mulatas sambando, sua marca registrada. Com sinuosas curvas, elas exibem a leveza, a graça e a exuberância das mulheres cariocas, em perfeita harmonia com o carnaval. Agradecemos imensamente a gentileza de Lan, e informamos que disputaremos o bicampeonato de camiseta mais bonita de 2014 (em 2013 fomos vencedores com a camiseta assinada pelo cartunista Miguel Paiva). Ajude o bloco Bafafá adquirindo a camiseta que custa apenas R$ 20. Aceitamos encomendas por telefone: 21 – 3547-3699. Dimona (matriz) Rua Senhor dos Passos, 228 – Centro Barraca do Uruguaio Areia do Posto 9 - Ipanema

Noca assina o samba do Bloco Bafafá O cantor e compositor Noca da Portela assina o samba do Bloco Bafafá. A música será o hino do bloco em todos os carnavais. Agradecemos de coração a gentileza deste baluarte do samba carioca. O artista será também o homenageado pelo Bafafá em 2014 e promete estar entre nós em nosso “desfile parado” no Posto 9, sábado 08 de março. Até lá! Valeu Noca! Ouça o samba na seção carnaval do Portal Bafafá: www.bafafa.com.br

Mamãe me dá a chupeta

(Noca da Portela, Roberto Medronho e Diogão Pereira)

Todo ano o couro come Um sábado depois do carnaval No Bafafá a alegria continua Nosso bloco tá na rua Levantando o seu astral É aí que o bicho pega O Bafafá não nega a sua tradição Ipanema dá um nó na poesia Reina a Folia no calçadão Pega a viola que lá vem o Bola Preta Cai de boca na chupeta... Neném É na marchinha do mestre João Que o povão vai num vai e vem Sambalanço... Tem... Tem Cerveja gelada também O pôr do sol colorindo o mar E mulherada pra paquerar


www.bafafa.com.br

Asilo a Snowden O governo do Brasil deve analisar o pedido de asilo de Edward Snowden no país, declarou a Anistia Internacional depois que Snowden se ofereceu para ajudar em uma investigação brasileira sobre espionagem e solicitou asilo. O ex-contratado da NSA, cujo asilo temporário na Rússia expira em agosto de 2014, acrescentou que não poderia colaborar sem “asilo político permanente”. O pedido de asilo de Snowden no Brasil, realizado em julho, ainda não foi respondido. “Edward Snowden tem todo o direito de solicitar asilo permanente, e as autoridades brasileiras devem responder seriamente ao seu pedido de asilo inicial”, declarou Atila Roque, diretor da Anistia Internacional Brasil. Segundo ele, a solicitação deve ser analisada de maneira justa, imparcial e efetiva. O governo do Brasil declarou que não estudaria seu pedido até que fosse feita uma solicitação formal. Fonte: Anistia Internacional

Anistia Internacional A Anistia Internacional Brasil vê com grande preocupação a escalada da violência e a falta de soluções concretas para os problemas do sistema penitenciário do estado do Maranhão. Desde 2007, mais de 150 pessoas foram mortas, sendo 60 somente no ano passado. Neste período, graves episódios de violações de direitos humanos foram registrados nos presídios do Estado, como rebeliões com mortes, superlotação e condições precárias. É no complexo penitenciário de Pedrinhas que há registro de presos sendo decapitados e denúncias de que mulheres e irmãs dos presidiários estariam sendo estupradas durante as visitas, para manter seus parentes vivos. Para a Anistia Internacional, é inaceitável que uma situação como esta se prolongue por tanto tempo sem nenhuma atitude efetiva das autoridades responsáveis. A medida cautelar decretada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA em 16 de dezembro de 2013 deve ser implementada, assegurando iniciativas urgentes para diminuir a superlotação vigente, garantir a segurança daqueles sob a custódia do Estado e a investigação e responsabilização pelas mortes ocorridas dentro e fora do presídio. Fonte: Anistia Internacional Brasil

Cinema brasileiro cresce A Superintendência de Acompanhamento de Mercado da ANCINE publicou o Informe Preliminar contendo os números

do cinema nacional em 2013. Os dados confirmam o ano passado como um dos melhores para o cinema brasileiro nas duas últimas décadas. Foram 127 longas-metragens nacionais lançados em circuito comercial - recorde histórico para o cinema nacional –, com 27,8 milhões de espectadores, e gerando renda de R$ 296 milhões. A participação de público dos filmes nacionais em 2013 foi de 18,6% - 10 filmes brasileiros ultrapassaram a marca de um milhão de bilhetes vendidos, e 24 tiveram mais de 100 mil espectadores (em 2012, apenas 17 obras ultrapassaram esta marca). Ao todo, o mercado brasileiro de salas de exibição teve, em 2013, 149,5 milhões de ingressos vendidos e renda de mais de R$ 1,7 bilhão, apresentando crescimento contínuo nos últimos cinco anos. O parque exibidor brasileiro encerrou o ano com 2.679 salas - quarto ano consecutivo de crescimento -, com destaque para as regiões Nordeste e Centro-Oeste, com 14,3% e 13,1% de incremento no número de salas. Em cinco anos, entre 2009 e 2013, o índice de habitantes por sala do Brasil saiu de 91,7 mil em 2009 para 75 mil em 2013. Fonte: Ancine

Festa do Bonfim A Festa de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador, na Bahia, recebeu o título de Patrimônio Cultural Brasileiro. Realizada sem interrupção desde o ano de 1745, ela atrai para a capital baiana o maior número de participantes, depois do carnaval e articula duas matrizes religiosas distintas – a católica e a afro-brasileira – assim como envolve diversas expressões da cultura e da vida social soteropolitana. Mais que uma grande manifestação religiosa da Bahia, a celebração é uma referência cultural importante na afirmação da cultura baiana, além de representar um momento significativo de visibilidade para os diversos grupos sociais. Fonte: Iphan

Cordel A Fundação Casa de Rui Barbosa lançou um site dedicado ao cordel. O acervo de literatura de cordel da Biblioteca São Clemente, com mais de 9.000 folhetos, está disponível na base de dados do portal da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) por meio de suas referências catalográficas, que podem ser consultadas por índices, como o de autor, título, assunto, local de publicação, editora/tipografia, data, gênero literatura de cordel.

Janeiro / 2014

11

Deste total, cerca de 2.340 folhetos dos autores relacionados em poetas e cantadores, poderão ser acessados em versão digital, com suas versões originais e variantes. O site está inserido na seção conteúdos digitais deste portal. Poderão ser consultadas também as biografias de poetas e a bibliografia sobre cordel disponível no acervo da Fundação, com 400 referências, dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações. O acesso é gratuito e livre, sem necessidade de inscrição on-line. O projeto tem o patrocínio da Petrobras e o apoio da Faperj: http://www.casaruibarbosa.gov.br/

Negociar Direitos? “Negociar direitos? Legislação trabalhista e reforma neoliberal no governo FHC (1995-2002)”, de Luiz Henrique Vogel, é um registro minucioso de uma fase recente da política econômica do Brasil. Embasado em documentos e em pronunciamentos registrados nos diários do congresso ou publicados nos jornais, o lançamento da Editora da Uerj se propõe a descobrir e interpretar as medidas de cunho pragmático que apostavam em “flexibilizar” as leis trabalhistas como forma de estímulo à geração de capital. Vogel descreve pormenorizadamente a estratégia utilizada como justificativa para a reforma trabalhista proposta pelo Estado, analisando o papel de cada peça no tabuleiro da política. Em destaque, observa a capacidade de atuação do poder executivo, responsável por aprovar matérias no parlamento federal, assim como promulgar medidas provisórias e portarias ministeriais que fragilizavam os direitos trabalhistas, reduzindo encargos sociais. Estas ações que tornavam o salário do trabalhador menos oneroso ao bolso dos contratantes configurariam um mecanismo necessário para garantir a viabilidade do Plano Real. Com um discurso afeito a termos como “convite ao diálogo”, o Estado se beneficiava da imagem de democrático. Por outro lado, construía-se uma ideia de radicalismo atrelada aos que defendiam os direitos garantidos na CLT. Seriam contra o avanços do país. No caso, “contra o Plano Real”. Fonte: www.eduerj.blogspot.com/

Bloco da Esquerda Carnavalista Estreia no carnaval de 2014, o Bloco da Esquerda Carnavalista que conclama a adesão de todo ativista, socialista, comunista, anarquista, sindicalista, ou qualquer pessoa que se considera de esquerda. A ideia é sair uma semana antes do carnaval tendo como lema que “o vermelho também é amor, afeto e alegria”.


www.bafafa.com.br

Bar do Zé: Estilo armazém em pleno Catete

Janeiro / 2014

12

Bar Pavão Azul: O boteco com cara do Rio Se tem algum bar que possa sintetizar o espírito carioca, sem dúvida é o Pavão

Localizado numa rua escondida do bairro Glória, o Britan Bar, mais conhecido como

Azul em Copacabana. O público disputa as poucas mesas do minúsculo bar, fundado

Bar do Zé, é uma pérola carioca. O antigo armazém, com dezenas de garrafas de ca-

em 1957, e não se incomoda de ficar em pé para apreciar chopinho ou cervejas em

chaça nas prateleiras, faz a gente se sentir no interior. Sem requinte ou luxo, o bar é o

garrafa servidas pelos simpáticos e eficientes garçons Miguel e Vaguinho. No local

favorito dos jovens turistas estrangeiros em viagem econômica. Nas poucas mesas - o

é possível pedir uma comanda individual quando está em grupo e pagar apenas a

público prefere ficar de pé do lado de fora – tem gente da Europa, Estados Unidos e

sua parte no final. O segredo de tanto sucesso são os tira-gostos de primeira, entre

da América do Sul, todos em perfeita harmonia e integração. O local é constantemente

eles, os famosos patanisca, escondidinho e pastéis. E claro, cerveja sempre gelada.

usado para gravação de filmes, seriados e novelas. O dono do Bar, o Zé, é um sujeito

O precinho também faz a diferença. Você vai gastar muito menos do que nos bares

bipolar. Ou trata super bem o cliente ou fecha a cara, muitas vezes sem razão alguma.

da moda espalhados pela cidade. O mais interessante é que recentemente o bar

Mas, isso faz parte do folclore da casa que ele comanda há 33 anos ao lado da mulher

ocupou também a outra esquina da rua, com uma réplica da matriz.

Maria Ivonete, mais conhecida como Nete.

Anualmente, o Pavão participa do Comida di Buteco, certame que os escolhe os

Não espere encontrar muitos petiscos para comer. O ideal mesmo é ir com o estô-

melhores bares da cidade em diferentes modalidades. A casa também tem pratos a

mago forrado. Entre as poucas opções estão porções de queijo e salame, sanduíches e

la carte como Risoto de Camarão ou de Polvo, ou ainda diferentes tipos de carnes.

azeitonas. Para compensar, a cerveja costuma estar sempre gelada e o público encontra

Recentemente, o Pavão Azul foi contemplado pela Prefeitura com o título de

variadas marcas de cachaça.

“Patrimônio Cultural Carioca” ao lado de outros 14 bares da cidade.

O Bar do Zé é um botequim à moda antiga, honesto e sem pretensões. É ideal para fugir dos bares arrumadinhos que tomam conta da cidade. Vale a pena conferir levando amigos de fora, do Brasil e do exterior. Palavra do Bafafá!

Pavão Azul

Britan Bar Funcionamento: Segunda a sábado das 10h à meia-noite e dom do meio-dia às 17h. Rua Barão de Guaratiba 49 (rua em frente à delegacia) Não aceita cartões, pagamento só em dinheiro 2558-6583.

Rua Hilário de Gouveia, 71 - Copacabana – Rio de Janeiro Diariamente de 12h às 01h Aceita somente dinheiro e cartões de débito Fone: 21 2236-2381 Facebook: https://www.facebook.com/pavaoazul


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.