Ano 13 - Nº 106 - Junho 2014
Entrevista
Fernando Morais
Distribuição Gratuita
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“A grande imprensa age como partido político” Fernando Morais é um dos jornalistas mais engajados politicamente no Brasil. Nascido em 1948, na cidade mineira de Mariana, fez carreira em São Paulo atuando nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Foi ainda deputado, secretário de Cultura, secretário de Educação e candidato ao governo do estado. Na condição de escritor ficou conhecido nacionalmente ao escrever livros como A Ilha, Olga, Chatô, o rei do Brasil (Premio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa de 1994), Cem quilos de ouro, Corações sujos (Prêmio Jabuti - Livro do Ano de 2001), Toca dos Leões e Montenegro. Seu livro O Mago, biografia do escritor Paulo Coelho, foi traduzido em dezenas de países. Em entrevista ao Bafafá, Fernando Morais confirma que não vai mais escrever biografias. “Dá muito trabalho e pouco dinheiro. Assim que terminar o livro que estou escrevendo sobre o ex-presidente Lula, penduro as chuteiras”, assegura. Fernando fala ainda sobre vários temas: política, governo Dilma, regulação da mídia, marco civil da Internet, espionagem americana e utopias. Filiado ao PMDB, ele garante que a grande imprensa virou um partido político: “Meio envergonhada, porque não tem coragem de assumir isso, mas age como partido político. De direita”, fulmina.
Nesta : o Wadih damous Ediçã
Leia mais nas páginas 8 e 9
Atila Roque José Maria Rabelo Mauro Santayana Emir Sader Ricardo Rabelo
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Editorial
Junho / 2014
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Os xingamentos a Dilma
Inconformados com o sucesso da Copa do Mundo e com a posição de Dilma nas prévias eleitorais, um grupo reduzido de manifestantes vaiou a presidente na solenidade de abertura da competição, no Itaquerão, em São Paulo. O fato revelou a total falta de civilidade e educação de setores privilegiados, insuflados por uma mídia cavernária e elitista. A baixaria partiu da área VIP do estádio, onde só estavam convidados especiais ou quem tinha como pagar R$ 900,00 pelo ingresso mais barato. O fato revela como será a eleição presidencial. Ao invés de defender a dignidade de Dilma como chefe de Estado e partir para o debate das ideias, dois de seus adversários preferiram justificar as ofensas. O candidato tucano disse que Dilma “colheu o que plantou ao longo dos anos”, legitimando assim a agressão. Outro oponente, cuja candidatura mal se mantém de pé, declarou: “Há na sociedade um mau humor, uma insatisfação que se evidencia nesses momentos”. As afirmações provam que a ética não faz parte da inspiração de suas campanhas, pois eles não têm como medir a reação popular, que se põem a julgar. O jornalista Florestan Fernandes Júnior assim definiu o episódio. “Isso partiu de uma elite raivosa que não perde a chance de destilar seu ódio de classe, seus preconceitos e sua falta de educação”. E acrescentou: “Parabéns, presidenta Dilma, você não se escondeu nos palácios da República como fizeram os governadores”. A sociedade em grande parte também condenou a afronta. O empresário Abílio Diniz, que nunca caiu de amores pelo PT, afirmou que
as ofensas à presidente da República são uma vergonha. “Não se trata de gostar ou não da Dilma. Apesar das diferenças não podemos esquecer coisas básicas como a educação. Respeito ao país e suas instituições. Não é assim que se constrói um país melhor”, sentenciou o empresário. O ex-presidente Lula definiu as vaias como uma vergonha para o país. “Não foi uma ofensa à presidente, foi um ato de cretinice. A nossa vitória será a nossa vingança”, declarou Lula, chamando a elite brasileira de “preconceituosa”. A presidente Dilma não deixou por menos: “Na minha vida, enfrentei situações que chegam ao limite físico. Durante a ditadura militar, eu suportei não foram agressões verbais, foram agressões físicas. Suportei agressões físicas quase insuportáveis. E nada me tirou do meu rumo, nada me tirou dos meus compromissos, nem do caminho que tracei para mim mesma. Não serão xingamentos que vão me intimidar e atemorizar. Eu não vou me abater por isso”. A origem dos desaforos está no fato de a Copa do Mundo ser uma realidade. Muitos torceram para que os estádios não estivessem prontos e apostaram no “quanto pior melhor”. Espalharam por todos os cantos o slogan derrotista: “O Brasil não terá Copa”. Quebraram a cara! Aí está o mundial, fazendo a alegria de milhões e provando que, apesar das dificuldades, fomos capazes de nos preparar a contento para receber o maior evento esportivo do mundo. O troco aos xingamentos será dado nas urnas em outubro. Quem viver, verá!
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Vazio e desespero da oposição
José Maria Rabelo*
Externamente, seria o ressurgimento da
cuo político deixado por sua incompetência.
conduta de submissão aos EUA e ao FMI, que
Até hoje, a poucos meses das eleições,
levaram o Brasil ao período de estagnação, de
motivo de agressão a Dilma e a seu governo,
a Oposição não trouxe a mínima contribuição
desemprego, de redução da renda das classes
como vimos nesse ultrajante espetáculo no
ao debate dos problemas nacionais. Suas
menos favorecidas, como ocorreu na adminis-
Itaquerão em São Paulo.
intervenções limitam-se ao xingatório vazio e
tração do PSDB e de seus aliados de hoje.
odiento de quem nada tem de consequente a
Como não podem defender aberta-
o desgaste dos próprios acusadores. É fácil
dizer. Na verdade, o que propõe é a simples
mente uma plataforma dessa natureza, pois
perceber seu ódio e seu desespero.
Até a participação do Brasil na Copa virou
Tal guerrilha verbal nada produzirá, senão
volta aos governos
sua derrota se-
elitistas e antina-
ria ainda maior,
cionais de FHC e
partem para os
companhia.
ataques deses-
E que signifi-
perados aos ad-
estar na prisão, e muitas vezes torturada, não
ca essa herança
versários, sem
deixou de torcer pelo Brasil na Copa de 1970.
tucana, que por
nunca esclare-
Com os que nos encontrávamos exilados no
certo procurarão
cer sua razão de
Chile aconteceu o mesmo: nunca deixamos de
ressuscitar?
ser. É xingar por
apoiar nossa seleção. Na noite da vitória final,
Internamente,
xingar. Conforme
saímos pelas ruas de Santiago dançando e
a perseguição aos
fizeram no longo
cantando até alta madrugada
movimentos so-
espetáculo tele-
COPA DO MUNDO A presidente Dilma afirmou que apesar de
ciais, a adoção de políticas salariais extorsivas
visivo do Mensalão. Ou na campanha contra
LIXO
dos trabalhadores, a desaceleração (ou o fim)
a vinda dos médicos estrangeiros. Ou agora
dos programas como Minha Casa, Minha Vida,
nas denúncias contra a compra de uma re-
querão, eu passei o seguinte e-mail à presi-
Mais Médicos, Bolsa Família, etc.; o desestímu-
finaria nos EUA pela Petrobras. Mas como
dente Dilma: “Vá em frente, companheira. O
lo à exploração e produção petrolíferas, através
este último caso não está apresentando os
lixo ficará pelas margens do caminho. Abraços,
da entrega da Petrobras às multinacionais do
resultados desejados, já devem estar à pro-
José Maria Rabelo”.
petróleo, como, aliás, tentaram fazer.
cura de um novo, que possa preencher o vá-
•Padaria •Confeitaria •Lanchonete
PADARIA IPANEMA Rua Visconde de , 325 - Rio
(21) 2522-6900/2522-8397 :2522-7144
Logo depois da agressão sofrida no Ita-
*Jornalista
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A retirada do Rei Mauro Santayana* A abdicação de Juan Carlos do trono, em favor de Felipe de Astúrias, faz lembrar, de pronto, a tentativa frustrada de golpe de 17 de fevereiro de 1977, pelo coronel Enrique Tejero, da Guarda Civil. Durante muito tempo, pairaram dúvidas sobre o papel do Rei naquela noite, até hoje não de todo esclarecido. O certo é que os golpistas, durante o episódio, falaram como se obedecessem a suas ordens, e que seu nome foi proposto, por eles, para assumir o poder, depois de passar pela eventual aprovação de um plenário cercado por tropas, e sob a mira de um louco, com uma pistola automática na mão. Com o tempo, passando por histórias de amantes e de caçadas de elefantes, Juan Carlos I estabeleceu uma personalidade cheia de contrastes, e de situações nebulosas. Sempre teve estreitas relações com os grandes “magnatas” espanhóis e seus negócios na América Latina, em uma época em que a Espanha achava que podia promover arrogante reconquista de seus antigos territórios, esquecendo-se, os espanhóis e seus oligarcas, de que só estavam em situação aparentemente
positiva graças a bilhões de euros a fundo perdido da União Europeia e a gigantescas dívidas que terão de pagar agora. A intimidade com o mundo dos negócios, e com gente que enriqueceu rapidamente, na esteira da entrada da Espanha no euro, levaria a família real – que já contava com generosa “renda” e todas as despesas pagas pelo erário – a envolver-se em uma série de escândalos e negociatas. O genro do Rei, Iñaki Urdangarin, um ex-jogador de handebol – que ocupava cargos em conselhos de várias empresas espanholas, inclusive a Telefónica América Latina, dona da “Vivo” no Brasil – foi acusado de desvio de dinheiro público, por meio de uma organização fundada por ele, aparentemente “sem fins lucrativos”, o Instituto Noos, que prestava – sem os executar – serviços superfaturados para províncias e municípios espanhóis. Mesmo posando de democrata, em momentos emblemáticos, Juan Carlos não conseguiu esconder
sua verdadeira face, profundamente conservadora e neocolonial, quando disse o que queria – e ouviu o que não queria – ao proferir, em reunião de uma das fracassadas cúpulas “íbero-americanas”, para o Presidente Chavez, “porque no te callas?” Ao abdicar em favor de seu filho, Juan Carlos I abre mão do reinado para salvar uma monarquia contestada. Um sistema que é o retrato mais forte de uma Espanha anacrônica e cada vez mais irrelevante, que se encontra dividida por polêmicas intestinas dentro de suas próprias fronteiras. O seu gesto, interesseiramente apresentado, pela mídia conservadora espanhola, como o da renúncia de um nobre cavalheiro, cansado depois de longa caminhada em defesa de seu povo, pode ter o efeito de um tiro saindo pela culatra, e precipitar, como se viu nas manifestações realizadas em toda a Espanha, o fim da monarquia em seu país. *Jornalista
Direito ao protesto pacífico e democracia Atila Roque * A Anistia Internacional lançou, no início do mês, a campanha Brasil, chega de bola fora, que tem como objetivo prevenir restrições aos direitos de liberdade de expressão e manifestação pacífica, especialmente durante a Copa do Mundo. A mobilização levanta um cartão amarelo ao governo brasileiro, diante de tentativas de aprovação de projetos de leis que visam restringir protestos ou criminalizar manifestantes. A campanha também alerta para abusos cometidos durante o policiamento das manifestações e pede a regulamentação urgente do uso das chamadas armas menos letais. O uso destas armas ainda não foi regulamentado no Brasil e a sua utilização de maneira indiscriminada já provocou ferimentos graves em manifestantes e profissionais da imprensa
presentes nas manifestações ocorridas no país desde junho do ano passado. Em ar tigo no O Globo (20/05), o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, expressou o seu incômodo com a campanha, acusando os dirigentes da organização de serem “partidarizados” ou quererem ser a “ouvidoria da nação”. Como se o papel da Anistia Internacional e outras organizações da sociedade civil fosse formar um coro de aprovação ao Estado e se calar diante dos problemas do país. A independência e o rigor na condução de seu trabalho estão entre as características que colocam a Anistia Internacional entre as mais importantes organizações
de defesa dos direitos humanos no mundo, laureada, inclusive, com o Prêmio Nobel da Paz, em 1977. Em 2013, a população saiu às ruas exigindo, entre outras demandas, maior transparên-
cia em relação aos gastos com os grandes eventos e serviços públicos de melhor qualidade em diversas áreas. Milhares de pessoas se juntaram a protestos predominantemente pacíficos pelo país afora, mas receberam
como resposta, quase sempre, a repressão violenta e desproporcional por parte das polícias dos estados onde as manifestações ocorreram. Ao invés de um controle localizado sobre aqueles que lançaram mão da violência, o que vimos foi a repressão generalizada sobre todos que participavam das manifestações. Como consequência, o medo e a tensão passaram a constranger a vontade legítima de uma parte da população de expressar o dissenso participando de protestos, agravados por atos de violência cometidos por uma minoria de manifestantes. Na Copa do Mundo, é natural que o risco da repressão violenta volte a preocupar a Anistia Internacional e outras
organizações da sociedade civil. Felizmente, apesar das declarações do ministro Rebelo, o Governo Federal já respondeu com sinais positivos que os direitos à liberdade de expressão e manifestação pacífica serão garantidos. Isto é o que queremos e esperamos. Aqueles que porventura usarem de violência nos protestos devem ser responsabilizados, de acordo com a legislação brasileira. Não precisamos de novas leis que acabariam por criminalizar os protestos e restringir a liberdade de expressão. A segurança durante a Copa e outros grandes eventos deve ser feita sem restrições ao protesto pacífico. Esperamos que o Brasil saiba dar o exemplo de jogo limpo, não apenas em campo, mas também nas ruas, demonstrando um respeito inegociável aos direitos humanos. *Diretor executivo da Anistia Internacional Brasil
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Ricardo Rabelo Vexame
A agressão verbal à presidente Dilma, no Itaquerão em São Paulo, foi um vexame. Além do mais, não traduz, absolutamente, o clima de respeito que existe entre as massas populares e a presidenta. Os que vaiaram são uma minoria elitista que nunca votou em Dilma e que não admite sua reeleição.
de Dilma no primeiro turno porque a diferença entre a intenção de voto de Dilma (40%) supera a soma dos demais candidatos (32%) considerando a margem de erro, de 2,1 pontos porcentuais. O instituto entrevistou 2.200 eleitores de 161 cidades entre os dias 31 de maio e 1º de junho. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral com o número BR-00156/2014.
Nanicos
Dilma no primeiro turno
Na véspera da vaia, pesquisa Vox Populi/Carta Capital revelou que a presidente Dilma Rousseff (PT) venceria a eleição no primeiro turno e governaria o Brasil por mais quatro anos se o pleito fosse hoje. Na pesquisa estimulada, com os nomes dos pré-candidatos colocados, Dilma tem 40% das intenções de voto — mesmo patamar de abril de 2014, última pesquisa do Vox Populi. O senador tucano Aécio Neves (MG) subiu de 16% para 21% em junho. Já o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos manteve os 8% registrados em abril. A pesquisa Vox Populi/ Carta Capital indica vitória
É cada vez mais nítido que os institutos de pesquisa querem levar “na marra” a disputa para o segundo turno. Para isso, propagam que os candidatos “nanicos” chegam a 9% da preferência dos eleitores. No entanto, esta última pesquisa do Vox Populi/Carta Capital aponta que eles não têm sequer 3% dos votos. E que a soma de todos os candidatos não supera Dilma!
“Entre 2010 e o início de 2014, o governo federal brasileiro investiu 363 bilhões dólares em saúde e educação. Os estádios representaram apenas cerca de 0,5 % do total investido. A principal razão para os protestos tem mais a ver com o fato de que que a Copa do Mundo é um evento global.”
Barbosa
Mais uma lamentável atitude do Presidente do STF, Joaquim Barbosa, ao expulsar um advogado do tribunal. Defensor do ex-presidente do PT José Genoíno, Luiz Fernando Pacheco tinha solicitado um aparte no início de uma sessão plenária para reclamar que fosse apreciado pela Corte o pedido de prisão domiciliar de seu cliente, condenado no processo do mensalão. O presidente mandou cortar o microfone do advogado e ordenou aos seguranças que o retirassem do prédio. O episódio é inédito e mostra, se ainda fosse necessário, o estilo pitbull do ex-presidente do STF.
Washington Post
Barbosa II
Olha o que o insuspeito Washington Post publicou sobre o Brasil:
O fato indignou os meios jurídicos. A Ordem dos Advogados do Brasil, em nota intitulada “Sequer a ditadura chegou tão longe”, teceu
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duras críticas ao presidente do STF: “A diretoria do Conselho Federal da OAB repudia de forma veemente a atitude do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que expulsou da tribuna da casa e pôs para fora da sessão mediante coação por segurança o advogado Luiz Fernando Pacheco, que apresentava uma questão de ordem, no limite da sua atuação profissional, nos termos da lei 8.906. O advogado é inviolável no exercício da profissão. O presidente do STF, que jurou cumprir a Carta Federal, traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da Suprema Corte. Sequer a ditadura militar chegou tão longe no que se refere ao exercício da advocacia. A OAB Nacional estudará as diversas formas de obter a reparação por essa agressão ao Estado de direito e ao livre exercício profissional. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira”.
Barbosa III
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Transposição
Dias desses uma ferrenha adversária da presidente Dilma me garantiu que as obras de transposição do Rio São Francisco são uma mentira. Procurei pesquisar o andamento do projeto e constatei que as obras estão 56% concluídas e devem ficar prontas em 2015. O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional vai garantir o fornecimento de água para 12 milhões de habitantes dos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Ao todo, moradores de 390 municípios serão beneficiados. Estão em construção, no Eixo Norte com 260 km de extensão, 3 estações de bombeamento, 9 aquedutos, 3 túneis e 15 reservatórios de pequeno porte. Já no Eixo Leste, com 217 km de comprimento, 6 estações de bombeamento, 5 aquedutos, 1 túnel e 12 reservatórios.
Ações de governo
No Jornal Nacional, a TV Globo preferiu desqualificar o advogado afirmando que “segundo seguranças” ele estava “visivelmente” embriagado. Acontece que Luiz Fernando Pacheco não bebe e aceitou fazer teste de alcoolemia. Quero ver a TV Globo desmentir suas afirmações. Isso não é jornalismo, é safadeza pura!
É fundamental que Dilma mostre as realizações de seu governo. Só assim, os eleitores, inclusive os que não gostam dela, poderão avaliar o seu sesempenho. O que não pode é deixar a grande imprensa falar sozinha, traçando um quadro negativo e falso do país. Ainda bem que existe o horário eleitoral e que Dilma terá o maior tempo. Quando começar a falar e mostrar o que faz, os números serão ainda mais favoráveis a ela.
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Quem tem medo da participação popular? Emir Sader* A proposta do governo da formação de Comitês de Participação Popular foi seguida por editoriais furibundos da mídia, como se se estivesse atentando contra os fundamentos essenciais da democracia brasileira. Os mesmos editoriais e colunistas que passam todos os dias desqualificando os políticos e a política, o Congresso e os governos, reagem dessa forma quando se busca novas formas de participação da cidadania. O que está em jogo, para eles, é o formalismo da democracia liberal, aquela que reserva para o povo apenas o direito de escolher, a cada dois ou quatro, quem vai governá-los. É uma forma de representação constituída como cheques em branco pelo voto, sem que os votantes tenham nenhum poder de controle sobre os eleitos, no máximo puni-los nas eleições
seguintes. Um fosso enorme se constitui entre governantes e governados, que desgasta aceleradamente os órgãos de representação política. Cada vez menos a sociedade se vê representada nos parlamentos que ela mesma escolheu, com seu voto. Acontece que as formas atuais de representação política colocam, entre os indivíduos, a sociedade realmente existente, e seus representantes, o poder do dinheiro, mediante os financiamentos privados de campanha. Grande parte dos políticos são eleitos já com a missão de representar os interesses dos que financiaram suas campanhas. Criou-se assim um círculo vicioso: processos viciados de eleição
de políticos já nascem desmoralizados. A direita adora porque é fácil desgastá-los. E política, governos, Estados fracos, significa mercados fortes, onde reina diretamente o poder do dinheiro.
Os Conselhos de Participação Popular são formas de resgatar e fortalecer a democracia e não de enfraquecê-la. Toda forma de consulta popular fortalece a democracia, dá mais consistência às decisões dos governos, permite ao
povo se pronunciar não somente através do processo eleitoral, mas mediante seus pronunciamentos sobre medidas concretas dos governos. Quem tem medo da participação popular é quem consegue neutralizar o poder da democracia mediante sua perversão pelo poder do dinheiro, do monopólio privado e manipulador da mídia. Tem medo os que se apropriam dos partidos como máquinas eleitorais e de chantagem política para obtenção de cargos, de favores e de benefícios. O povo não tem nada a temer. Tem que se preocupar que esses Conselhos sejam eleitos da forma mais democrática e pluralista possível. Que consigam a participação
daqueles que não encontram formas de se pronunciar pelos métodos tradicionais e desgastados da velha política. Especialmente daquela massa emergente, dos milhões beneficiados pelas políticas sociais do governo, mas que não encontram formas de defendê-las, de lutar por seus interesses, de resistir aos que tentam retorno a um passado de miséria e de frustração. Só tem medo da participação popular quem tem medo do povo, da democracia, das transformações econômicas, sociais e políticas que o Brasil iniciou e que requerem grande mobilizacoes organizadas do povo para poder enfrentar os interesses dos que se veem despojados do seu poder de mandar no Brasil e bloquear a construção da democracia política que necessitamos. *Professor e sociólogo, publicado no site Carta Maior: www.cartamaior.com.br
O combate à corrupção Wadih Damous* Os jornais que fazem oposição governo federal têm explorado as denúncias de corrupção na Petrobras - nossa maior empresa estatal e símbolo de uma campanha que se identificava com a afirmação de um Brasil soberano e independente nos anos 50. O fato de estarmos num ano eleitoral estimula o surgimento de denúncias. Não adianta espernear. É preciso investigá-las e, se comprovadas, punir os culpados na forma da lei. Mas a situação nos convida para uma reflexão sobre a corrupção e o uso político de denúncias na vida pública brasileira. Na história recente, dois políticos se elegeram presidente com campanhas baseadas em denúncias de corrupção: Jânio Quadros e Fernando Collor. A história de ambos mostrou que não eram exatamente exemplos de moralidade. No passado, a UDN - partido que trazia em seu seio liberais que confundiam a
defesa da democracia com a defesa do status quo com suas injustiças sociais - também fazia da denúncia da corrupção sua bandeira principal. Mas, como se constatou, apesar do moralismo estava longe de ser imune às tentações de “negócios” com a coisa pública. E o que dizer do caráter democrático de um partido cujo líder, as vésperas da eleição presidencial de 1955 afirmou: “JK não pode ser candidato; se for candidato, não pode ser eleito; se for eleito, não pode tomar posse; se tomar posse não pode governar” (palavras de Carlos Lacerda)? Hoje, PSDB e DEM (e, agora, Eduardo Campos, do PSB) candidatam-se a herdeiros da velha UDN. Mas, tal como sua antecessora, tem na hipocrisia uma forte marca. Agem como se a corrupção no Brasil tivesse começado com os governos do PT e estivesse centrada principalmente nesses - o que seria preciso demonstrar. O afinco com que pedem uma
devassa nos desmandos na Petrobras é equivalente ao esforço que fazem para impedir investigações sobre corrupção no metrô de São Paulo e nas obras do Porto de Suape, em Pernambuco.
E fica-se num jogo de empurra. Quem tem - ou pode ter - telhado de vidro, tenta impedir investigações. Quem quer desgastar o adversário, exige CPIs sob qualquer pretexto. Está na hora de sair desse jogo. Se o que se deseja é mesmo coibir a corrupção, é preciso ir a algumas de suas origens.
É fato que nem todos os políticos desonestos praticam atos de corrupção para financiar suas campanhas. Há os que querem enriquecer mesmo. Estão aí exemplos de gente que não pode sequer deixar o país sob pena de ser presa pela Interpol. Mas, sem dúvida, o custo absurdo das campanhas eleitorais - embora não possa ser usado como justificativa para a corrupção - empurra alguns para atos ilícitos. Não é razoável que uma campanha competitiva para deputado custe milhões de reais. Ou se barateia a disputa, ou ela será sempre maculada pelo poder do dinheiro. E cada vez mais candidatos se renderão aos ditames dos financiadores da campanha. Há uma proposta da OAB em apreciação no Supremo Tribunal Federal para que seja proibida a doação de empresas para candidatos ou partidos. É mais do que justa. Empresa
não é cidadão. Quando contribui, visa a algo em troca. Assim, é razoável que as doações fiquem restritas a pessoas físicas. É lamentável que a proposta tenha sido engavetada pelo ministro Gilmar Mendes e, embora praticamente aprovada, não possa entrar em vigor este ano. Há, ainda, outra providência necessária, também na proposta da OAB: para assegurar um mínimo de equilíbrio nos recursos usados na disputa eleitoral, as doações de pessoas físicas teriam limites relativamente baixos. “Isso não adianta e só levará a mais caixa dois”, afirmam alguns. Ora, se essa alegação for aceita, é melhor acabar logo com qualquer regulamentação do processo eleitoral. “Isso vai impedir as campanhas”, afirmam outros. Ora, vai impedir que as campanhas sejam caras como são hoje. *Wadih Damous é presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio. Artigo publicado no Jornal do Commercio.
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Para mais de 2 milhões de pessoas que usam o Bilhete Único todo dia ficou mais fácil conseguir chegar até o fim do mês. Pegar duas conduções, em 3 horas, e pagar uma passagem só. Você sabe o quanto isso alivia o bolso de quem trabalha na Região Metropolitana do Rio? Dois milhões e meio de pessoas sabem bem o que isso significa. O Governo paga essa diferença porque dessa forma cria mais chances de emprego para aqueles que moram mais longe. Gente como o Ronaldo, que é garçom, trabalha no Centro e mora em Nova Iguaçu. Mas até um tempo atrás histórias como a dele não seriam possíveis. O Governo do Rio tem feito mais por quem sempre teve menos. Esta é a maior mudança de todas.
• 2,5 milhões de pessoas atendidas. • Gerou economia de R$ 1,6 bilhão à população do Grande Rio. • Presente em 20 municípios da Região Metropolitana. • Utilizado em ônibus, barcas, trens, metrô e vans regularizadas.
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Entrevista
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Fernando Morais Por Ricardo Rabelo
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“A grande imprensa age como partido político”
Fernando Morais é um dos jornalistas mais engajados politicamente no Brasil. Nascido em 1948, na cidade mineira de Mariana, fez carreira em São Paulo atuando nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Foi ainda deputado, secretário de Cultura, secretário de Educação e candidato ao governo do estado. Na condição de escritor ficou conhecido nacionalmente ao escrever livros como A Ilha, Olga, Chatô, o rei do Brasil (Premio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa de 1994), Cem quilos de ouro, Corações sujos (Prêmio Jabuti - Livro do Ano de 2001), Toca dos Leões e Montenegro. Seu livro O Mago, biografia do escritor Paulo Coelho, foi traduzido em dezenas de países. Em entrevista ao Bafafá, Fernando Morais confirma que não vai mais escrever biografias. “Dá muito trabalho e pouco dinheiro. Assim que terminar o livro que estou escrevendo sobre o ex-presidente Lula, penduro as chuteiras”, assegura. Fernando fala ainda sobre vários temas: política, governo Dilma, regulação da mídia, marco civil da Internet, espionagem americana e utopias. Filiado ao PMDB, ele garante que a grande imprensa virou um partido político: “Meio envergonhada, porque não tem coragem de assumir isso, mas age como partido político. De direita”, fulmina.
Como você está vendo o início da campanha eleitoral? Pelo andar da carruagem tudo indica que o nível vai baixar de novo, como em 2010. A parcela da população que se opõe ao governo sabe que se a Dilma vencer as eleições de outubro – como afirmam todas as pesquisas – estarão abertas as portas para que Lula volte em 2018, quando ele terá a idade que o Serra tem hoje, e, inschallah!, se reeleja em 2022. Claro, esse é um cenário otimista, mas para essa gente será insuportável ter que conviver durante mais de vinte anos com o que eles chamam de “lulopetismo”.
Você acha que Dilma fez um bom governo? Fez, sim, um ótimo governo. Tenho objeções pontuais com relação à descontinuidade de políticas importantes implantadas por Lula, como a política externa e a democratização da aplicação dos recursos de publicidade das empresas estatais. Não dá para estar junto em tudo. No Rio, por exemplo, o candidato da presidenta é o Pezão, do meu partido, o PMDB. O meu candidato é o Lindbergh, do partido dela, o PT. No mais, foi bem. Por isso vou votar nela de novo.
A mídia conservadora é desonesta? Toda generalização é perigosa. Eu diria que muitos veículos da mídia conservadora se converteram em partidos políticos. Disfarçados, mas partidos políticos. Mas acho que devemos tratar de maneira diferente os veículos de papel, digamos, daqueles que são fruto de concessão pública. Não devemos perder de vista que a imprensa está sempre a serviço dos interesses e da ideologia de quem paga as contas no final do mês. Seja em Washington, em Havana, no Rio ou em Beijing. No caso dos meios eletrônicos de comunicação, como o rádio e a TV, no entanto, é preciso ressaltar que se trata de uma propriedade social,
uma concessão pública que não pode, por exemplo, ser colocada a serviço de interesses antinacionais.
O que pensa sobre a regulação da mídia? Sou e sempre fui a favor. Jornais, revistas e TVs vêm envenenando e confundindo a opinião pública ao associar regulação a censura. Regulação, como existe no mundo civilizado, é impedir propriedade cruzada: quem é dono de concessão de TV não pode ser concessionário de rádio nem dono de jornal e revista; é proibir parlamentares e seus parentes de enésimo grau de serem concessionários de rádio e TV; é discutir com a sociedade a renovação das concessões de rádio e TV. Nada de censura.
As concessões não deveriam ter prazo de validade? As concessões têm prazo de validade. São todas concessões a título precário. O problema é que os governos renovam essas concessões ad nutum – ou seja, com um aceno de cabeça. Esse processo tem que ser público, transparente. Você já ouviu falar da não renovação de alguma concessão importante de rádio o TV no Brasil? Onde? Quando?
Como vê a regulação da mídia na Argentina? O modelo da Argentina foi muito bem sucedido. Lá a Ley de Medios atacou fundo a propriedade cruzada. O império encabeçado pelo jornal Clarín foi obrigado a se desfazer de ativos para continuar sendo concessionário de meios eletrônicos.
A grande imprensa age como quarto poder? Não. Age como partido político. Meio envergonhada, porque não tem coragem de assumir isso, mas age como partido político. De direita.
E o papel da Internet?
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Minha geração acreditava que a democratização dos meios de comunicação – especialmente os eletrônicos – se daria nas tribunas, nas barricadas. A tecnologia, no entanto, andou mais depressa que a ideologia. A internet virou o mundo de pernas para o ar. Hoje você compra um notebook pagando R$ 60 reais por mês, espeta uma linha telefônica nele e pronto. Você é o seu próprio Roberto Marinho. Se tiver o que dizer, vai ter público. Os jornais e revistas, tal como os conhecemos, estão com os dias contados. Isso lembra um verso profético de Gilberto Gil, parte da canção “Domingou”, dos anos 70: “O jornal de manhã chega cedo/Mas não traz o que eu quero saber/As notícias que leio, conheço/Já sabia antes mesmo de ler”.
O Marco Civil da Internet é bom? Não apenas é bom, mas tornou-se um exemplo para o mundo.
O que pode ser feito para incentivar a pequena imprensa? Primeiro que ela seja boa, legível e que traga notícias que são escamoteadas pela grande imprensa. As medidas implantadas pelo ministro Franklin Martins, no governo Lula, pulverizando as verbas de publicidade estatais entre milhares e milhares de veículos – verbas que antes eram destinadas apenas à mídia conservadora, foram uma transformação importante na democratização das comunicações.
Como viu a espionagem americana revelada recentemente? A bisbilhotice planetária por parte dos Estados Unidos é mais velha que a Sé de Braga. No final dos anos 90, quando o FBI prendeu cinco cubanos na Flóri-
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da, condenando-os a penas enormes (um deles pegou duas perpétuas), Fidel Castro reagiu: “É assombroso que os Estados Unidos, o país que mais espiona no mundo, acusem de espionagem justamente a Cuba, o país mais espionado do mundo. Não há chamada telefônica minha para qualquer dirigente político no exterior que não seja captada e gravada por satélites e sistemas de escuta dos Estados Unidos”.
PC do B, no PMDB. Fiz campanha para candidatos do PSB e até para um ilustríssimo tucano, meu amigo Roque Camelo, que anos atrás se elegeu prefeito de Mariana, em Minas Gerais, onde nasci. Se o Requião, que é do PMDB, por exemplo, for candidato no Paraná, faço campanha para ele sem pestanejar. No Rio, como já disse, apoio o Lindbergh Farias.
O Brasil melhorou nos governos do PT?
A presença de Lula na campanha será importante não só porque ele se converteu na mais expressiva liderança popular do Brasil. O governo Dilma é a continuação do seu governo. Tenho acompanhado o ex-presidente em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, como parte do trabalho de campo de um livro que escreverei sobre ele e seu governo. Nas eleições municipais de 2012 a presença dele em palanques regionais arrebatava multidões e alterava as pesquisas de opinião locais. Ter o apoio de Lula é um handicap cobiçado por todo candidato de esquerda.
Se o Brasil melhorou? Dê uma olhada nestes números: hoje o país é a 7ª economia mundial; é o 2º maior exportador de alimentos; é o 1º produtor e exportador de soja; é o 1º produtor e exportador de café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e de frango; é o 3º maior produtor de frutas, o 1º fabricante de jatos regionais, o 3º fabricante de aviões, comerciais, o 4º mercado de veículos, o 7º produtor mundial de veículos, tem a 4ª maior indústria naval, é o 2º maior produtor de minério de ferro, o 9º maior produtor de aço, o 4º maior produtor de cimento, o 4º maior produtor de celulose, o 1º em celulose de eucalipto, é o 9º maior produtor de papel, o 7º maior fabricante de produtos químicos, o 8º maior produtor de alumínio primário, o 4º maior produtor de bauxite, o 3º maior produtor de alumina, o 5º maior produtor de têxteis, o 4º maior produtor de confecções, o 3º maior produtor de calçados, o 2º maior gerador de energia hidrelétrica, o 1º produtor de etanol e o 3º de biodiesel, é o 7º maior gerador e 9º maior consumidor de energia elétrica, o 3º maior mercado de computadores pessoais, o 5º em telefones celulares e o 5º em telefones fixos. É o 4º país em usuários de internet e o 3º em número
Qual será o papel de Lula nestas eleições?
de servidores. É o 4º país em extensão de rodovias, a 4ª maior força de trabalho (104 milhões), é o 7º maior mercado de consumo do mundo e o 5º em reservas internacionais (US$ 377 bilhões). Entre os países do G20 também não fazemos feio: tivemos o 9º maior crescimento do PIB em 2013 (2,3%), somos o 1º na proporção entre reservas e dívida de curto prazo (10 vezes), o 2º na proporção entre reservas e importações (18 meses). Tivemos o melhor resultado primário médio entre 2008 e 2013 (2,54%), temos a 6ª menor dívida pública bruta em relação ao PIB (57,2%), o 4º maior investimento Educação (5,8% do PIB), o 9º maior investimento em Saúde (8,9% do PIB). Isso, claro, para não falar dos 40 milhões de miseráveis que foram incorporados ao mundo dos que fazem três refeições por dia. Esse é o resultado de doze anos do chamado “lulopetismo”.
Confere que não vai mais escrever biografias? Confere. Como dizem os tucanos, cansei. Dá muito trabalho e pouco dinheiro – ao contrário do que imagina o Roberto Carlos. Assim que terminar o livro que estou escrevendo sobre o ex-presidente Lula, penduro as chuteiras.
Quais são seus projetos? Você elogia o PT, mas continua no PMDB? Continuo filiado ao PMDB, mas antes disso sou um brasileiro que quer o melhor para seu país e seu povo. Voto ou peço votos para os candidatos que considero os melhores. Já votei no PSOL, no PT, no
Estou desenvolvendo com o cineasta Claudio Kahns um canal internacional de notícias para a internet. Vamos ver se dá certo
Tem alguma utopia? A de sempre: a construção do socialismo.
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Onde assistir a Copa
Bafafá selecionou diversas opções para assistir a Copa do Mundo. São atrações gratuitas ou pagas em diferentes pontos da cidade. Entre as curiosidades estão as Casas da França, Rússia e da Suiça que prometem movimentar o mundial. Você não vai ter motivo algum para ficar em casa. Confira:
FIFA Fan Fest O evento irá acontecer nos 25 dias de jogos do Mundial, de 11h às 22h, em média. O horário varia de acordo com o jogo. A expectativa é de público de até 20 mil pessoas. Praia de Copacabana (altura da Av. Princesa Isabel) – Copacabana – Entrada Maison Bleue no Jóquei Clube
Orquestra Voadora, e no dia 23 de junho, a Abayomy Afrobeat Orquestra. Nas oitavas e quartas de final também haverá transmissão, mesmo que o Brasil não jogue. Em todos os dias, o DJ Lencinho fica responsável pela animação nos intervalos. Os eventos no Circo Voador, batizados de Golearte serão gratuitos, mas é preciso se cadastrar no site. Golearte Circo Circo Voador Arcos da Lapa, s/n – Lapa – Entrada Franca
Os torcedores franceses e brasileiros poderão assistir as partidas na Casa Bleue, dentro do Jóquei Clube. Serão transmitidos todos os jogos da Copa, diariamente, de 11h à meia noite e até 02h em dias de jogo da França. A entrada é franca e os torcedores só pagam o que consumirem. Maison Bleue Restaurant Emporium Pax do Jóquei Clube Praça Santos Dumont, 31 – Gávea – Entrada Franca
Quadra da Portela
Turma do Alzirão
Parque da Bola
Transmitirá num telão apenas as partidas do Brasil. Os torcedores se espalham pela rua toda decorada com as cores do Brasil. Alzirao Rua Alzira Brandão, 01 – Tijuca – Entrada Franca
O Parque da Bola Rio será realizado de 12 de junho a 13 de julho 2014 no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, com capacidade para até 5.000 pessoas simultaneamente. O Parque abre às 12h30 e oferece as seguintes atividades:
Cobal do Humaitá
- Transmissão ao vivo de de todos os jogos em telões de alta definição - Shows ao vivo (DJs, VJs, bateria de samba, concertos, …) - Praça de alimentação (mais de dez tipos de quiosques) - Rodas de samba - Brincadeiras interativas com bola - Roda gigante - Pavilhões (exposições interativas, palestras, debates).
O Complexo Gastronômico terá um telão de 2 m² formado por várias TVs de Led montado em um dos muros do estacionamento, em frente ao bares Espírito do Chopp e Galeto Mania. Serão transmitidos apenas os jogos do Brasil. Cobal Humaita Rua Voluntários da Pátria, 446 – Humaitá – Entrada Franca Circo Voador Os jogos do Brasil serão transmitidos no Circo Voador e, depois, haverá shows de big bands. No dia 12, Hamilton de Holanda se apresenta no Baile do Almeidinha. No dia 17, é a vez da
A quadra da Portela exibirá as partidas do Brasil gratuitamente num telão com direito a bateria no fim das partidas. Portela na Copa Rua Clara Nunes, 81 – Madureira – Entrada Franca
Parque da Bola Preço: 30 reais / meia 15 reais (no local do evento ou online, sujeito a disponibilidade) Após o fechamento, às 21h30, a área de festas “Village” do Parque continua até 4h para as melhores festas do Rio, com um capacidade para até 3.000 pessoas. O preço varia de acordo com as festas do dia (compra no local ou online). Os ingressos para o Village também incluem pleno acesso ao Parque durante o dia (entre 12h30 e 21h30).
Feira de São Cristóvão A tradicional Feira de São Cristóvão transmitirá as partidas do Brasil num grande telão de LED com direito a apresentação de repentistas e do bloco Gonzagão. Com ingresso baratinho. Feira de São Cristóvão Campo de São Cristóvão - 15h às 22h - Ingresso: R$ 3 Quadra do Cardosão A turma do Bloco Cardosão convida os torcedores para assistir as partidas do Brasil num grande telão com direito a roda de samba, bateria e muita animação. Cardosao Quadra do Cardosão Rua Cardoso Júnior, s/n (duas ruas antes à esquerda da Gal Glicério sentido Cosme Velho) - Laranjeiras - 15h às 22h - Entrada Franca Arena Brahma Lagoa O Clube Monte Líbano recebe o Arena Brahma Lagoa transmitindo as partidas do Brasil. Serão dois painéis de LED de 6X4, 18 TVs de 50 polegadas, DJs e bloco Me Esquece. Arena Brahma Lagoa Clube Monte Líbano Av. Borges de Medeiros, 701 - Lagoa - 15h (1 e 3ª partida), 14h (2ª partida) - Ingressos: R$ 50 (homem) e R$ 30 (mulher). Informações: 2263-5766 Casa da Rússia no MAM Durante a realização da Copa do Mundo 2014, o Rio de Janeiro irá receber no Museu
de Arte Moderna (MAM) a Casa da Rússia. Organizado com o apoio do Ministério dos Esportes da Rússia e da União Russa de Futebol, o centro será um referência de promoção da imagem da Rússia como potência esportiva e local de encontro para russos, brasileiros e outros estrangeiros durante os jogos do Mundial. As partidas serão transmitidas em telão. Para acessar basta cadastrar por email. Casa da Rússia Museu de Arte Moderna De 12/06 a 13/07 - Entrada Franca (mediante cadastro pelo email lista@houseofrussia.org) Casa da Suiça na Lagoa O Baixo Suíça será a Fan Zone Oficial da Seleção da Suíça durante a Copa do Mundo. Localizado no Palaphita Kitch, na Lagoa, transmitirá as partidas num telão. Estará aberto todos os dias entre 11 de junho até o 13 de julho de 15 horas até as 3 horas da madrugada. Casa da Suiça Quiosque Palaphita Kitch - Corte do Cantagalo - 15h às 03h da manhã - Entrada Franca Torça na Boa no Clube Renascença O projeto Torça na Boa, da cervejaria A n t á r t i c a , m ov i menta a quadra do Clube Renascença com roda de samba e transmissão dos jogos do Brasil num telão. Com entrada franca! Torca na Boa Clube Renascença Clube Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí Rio de Janeiro - 14h30 às 21h30 - Entrada Franca Informações: 3253-2322
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Circuito Carioca de Bossa Nova O Circuito Carioca de Bossa Nova, entre os dias 12/06 e 12/07, tem mais de 120 shows espalhados pela cidade, em oito espaços, reunido mais de 100 artistas e 30 grupos. Paralelo aos shows, lançamentos de DVD/CDs, noite de autógrafos, homenagens e outras manifestações culturais em diversos espaços. Mais informações: www.bafafa.com.br
Arraiá do Prata Preta na Praça da Harmonia O Arraiá do Prata Preta promete movimentar a praça da Harmonia nos dias 21 e 28 de junho. No dia 21, acontece a participação do grupo “Os 03 Forrozeiros” e a quadrilha da “Cachaça” e no dia 28 o grupo Forró de Rabeca” com Daniel Souto e a quadrilha “Canta Coruja”, da paróquia Sagrada Família. Comidas típicas no local e muita brincadeira para criançada. Pede-se para o público comparecer a caráter. Praça da Harmonia – Saúde - 18h – Entrada Franca
B andão
da
E scola
Portátil de Música Um programa realmente imperdível. Mais de 100 alunos e professores da Escola Portátil de Música tocam chorinho da melhor qualidade. O ensaio, intitulado Bandão, acontece todo sábado ao ar livre (se não chover) no pátio UNIRIO. Escola Portátil de Música (UNIRIO) Av. Pasteur, 436 (fundos) – 13h – Entrada Franca
Biblioteca do Oi Futuro do Flamengo Uma atração interessantíssima acontece diariamente no Oi Futuro do Flamengo. No salão térreo, o público poder ler gratuitamente jornais, revistas e livros de arte. Basta chegar, solicitar o que deseja ler e se instalar numa grande mesa. Outra opção são os diversos aparelhos de CD com fones para apreciar lançamentos musicais. Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Entrada Franca Funcionamento: terça a domingo das 11h às 20h
Biblioteca Parque: novo xodó carioca A novíssima Biblioteca Parque Estadual é um centro multimídia que nada deixa a desejar aos melhores mundo afora. Seu acervo é de mais de 200 mil livros de ficção e não ficção, livros de arte, quadrinhos, biblioteca infantil, 20 mil filmes, três milhões de músicas digitalizadas. Destaque para as cabines privadas com TV de LCD para assistir filmes. Recomendadíssimo! Biblioteca Parque Estadual Av. Presidente Vargas, 1261 – Centro (Metrô Pres. Vargas) Funcionamento: de terça a domingo de 10h às 20h Informações: 2332-7225
Café da Manhã na Confeitaria Colombo Exclusivamente aos sábados, a Confeitaria Colombo do Centro oferece um Café da Manhã completo em serviço de Buffet. O público encontra uma infinidade de pães, croissants, frios, doces, tortas, sucos. Enquanto aprecia as delicias ainda curte o estonteante visual da confeitaria mais bonita do Brasil, fundada em 1894. Buffet da Café da Manhã da Confeitaria Colombo Rua Gonçalves Dias, 32 – Centro – todos os sábados de 9h às 11h Tarifa: R$37,00 por pessoa
Cinema francês no Cinemaison Toda segunda-feira, o Cinemaison exibe as mais relevantes produções cinematográficas francesas, clássicas e recentes, com debates e convidados especiais. Todos os filmes são legendados em português e todas as sessões são gratuitas! Para todos que querem desfrutar ou descobrir o cinema francês, basta solicitar o seu cartão de sócio através de formulário de cadastro. A inscrição é gratuita! Após o envio, o público receberá por e-mail uma mensagem de confirmação de cadastro, que deve ser levada impressa minutos antes do horário da sessão do Cinemaison, para que a carteirinha seja providenciada. Avenida Presidente Antônio Carlos, 58 – Centro – Rio de Janeiro Todas as segundas-feiras – Sessões às 18h e 20h Tel : (21) 3974 6644 Informações: www.cinefrance.com.br
Feira Hippie de Ipanema A Feira Hippie de Ipanema se intitula a maior galeria de artes e artesanato do mundo, ao ar livre. Atravessa
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já quatro décadas ininterruptamente, sendo mundialmente conhecida e apreciada, tanto por seus trabalhos sempre criativos e inovadores como também por seus clássicos. Impossível não sair com uma lembrança da cidade maravilhosa. Vale a pena pechinchar! Um verdadeiro paraíso para estrangeiros a turismo na cidade. Praça General Osório – Ipanema - Funciona das 7:00 às 19:00 horas todos os domingos, sem exceção desde 1968.
Barraca do Uruguaio em Ipanema O ex-líder sindical uruguaio Milton Gonzalez e sua esposa Glória preparam o melhor sanduíche de linguiça da cidade. Instalado desde o início da década de 80 no Posto 9, na Praia de Ipanema, Milton revela o segredo para tanto sucesso e longevidade. “É nosso molho com ervas e um condimento que vem do Uruguai. Meu sanduíche é feito com pão francês e muita cebola”. O local é ponto de referência em Ipanema, sendo frequentado por artistas, políticos, estudantes e profissionais liberais. Um dos que bate ponto no local, quando está no Rio, é o senador Eduardo Suplicy, que já foi visto até servindo a clientela. Barraca do Uruguaio Praia de Ipanema – Posto 9 – Diariamente no verão e aos fins de semana no inverno (fecha quando não há sol).
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Blues Festival em agosto Em 2014, em função da Copa, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival será realizado em dois finais de semana no mês de agosto: nos dias 8, 9 e 10; e 15, 16 e 17. Os locais de shows continuarão a ser os quatro palcos ao ar livre: Praça São Pedro, Lagoa de Iriry, Praia da Tartaruga e Cidade do Jazz, em Costazul. Uma das novidades ficará por conta da estrutura da Cidade do Jazz. Durante a semana, o espaço também receberá eventos, como shows de música instrumental, festival de música para novos talentos, dança, oficinas técnicas e visitas guiadas voltadas para a população, numa iniciativa de envolver ainda mais o cidadão da cidade. Atrações confirmadas até agora: Al Jarreau, Randy Brecker, Marcus Miller, Pepeu Gomes, Poppa Chubby, entre outras. Mais informações: http://www.riodasostrasjazzeblues.com
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Casa Paladino: sanduíches e omeletes há 100 anos Contemplada recentemente com o título de Patrimônio Cultural Carioca, a Casa Paladino foi fundada em 1906. Adentrar o seu salão é como viajar no tempo. As estantes de madeira, a mobília, o balcão, tudo remete aos tempos de nossos avôs e bisavôs. Especializada em vinhos, whiskys, cachaças, licores, ainda possui um cardápio de dar água na boca onde o forte são os sanduíches e as famosas omeletes. Outra curiosidade é que a casa é também uma mercearia sofisticada que vende artigos como manteiga aviador, bacalhau, sardinhas, vinhos, castanhas, chocolates. Casa Paladino Rua Uruguaiana, 224 / 226 (esquina com Marechal Floriano) – Centro. Informações: 2263-2094 / 2263-1398 Funcionamento: de segunda a sexta de 07h às 20h30
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Braseiro da Gávea: carnes e paquera O Braseiro da Gávea é um dos restaurantes mais disputados do Rio. Localizado no estratégico “Baixo Gávea”, reduto da boêmia carioca, tem um cardápio de frango e carnes grelhados de fazer gosto. Não se assuste, pois sempre tem fila de espera, nada que não possa ser atenuado apreciando um chope, pastel de queijo com cebola ou linguiça cortada. Aos domingos a espera pode chegar a uma hora, mas apesar disso, vale muito a pena. Entre os pratos da casa estão o famoso galeto, a picanha, filés, servidos em porções generosas que podem ser divididas em duas pessoas. Sem falar na farofa com ovos, um manjar dos Deuses! No quesito azaração, a casa é uma tentação. Inúmeros casamentos começaram ali, uma vitrine para ser visto e para ver gente bonita por todos os lados. Recomendadíssimo! Palavra do Bafafá! Braseiro da Gávea Praça Santos Dumont, 116 – Gávea – Rio de Janeiro Funcionamento: segunda a quinta de 12h a 01h, sexta e sábado de 12h às 03h e domingos de 12h a 01h. Informações: 2239-7494 Consulte o cardápio: http://www.braseirodagavea.com.br/cardapio.php
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