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Ano 13 - Nº 107 - Julho 2014

o v i s u l c Ex , a t s i t p a B o d l a Arn , s e t n a t dos Mu fafá a B o a a l fa

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“Sou um eterno mutante” Arnaldo Baptista foi fundador da banda Os Mutantes, apontada como uma das mais originais do final da década de 60 e início de 70. Ele dividia o palco com a então mulher, a jovem cantora Rita Lee e o irmão Sérgio Dias. Natural de São Paulo, nascido em 1948, o artista é tido como um ícone do rock experimental, que tinha como marca letras e sons originais. Depois de sucesso fulminante, deixa a banda em 1973 por discordâncias internas após a separação com Rita. Já em carreira solo, em 1974, lança Loki?, considerado seu melhor trabalho. Em 1982, em profunda depressão, tenta o suicídio, mas apesar de sofrer traumatismo craniano recupera-se meses depois. Sua história foi revelada no documentário “Loki – Arnaldo Baptista”, de autoria de Henrique Fontenelle. Arnaldo vive há 30 anos com a companheira Lucinha Barbosa, num sítio em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em entrevista ao Bafafá, Arnaldo Baptista fala da carreira, música, vida pessoal e o lançamento dos discos remasterizados. E revela que só não toca no Rio de Janeiro por falta de convites: “Isso é estranho, mas nunca ninguém me procurou para fazer show no Rio de Janeiro”. Questionado se tem alguma utopia, brinca: “Que todos os amplificadores da terra sejam a válvula, não digitais”. Leia mais nas páginas 8 e 9

Nesta : o Ediçã

Eduardo Galeano Wadih damous Emir Sader José Maria Rabelo Mauro Santayana Ricardo Rabelo


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Editorial

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A grande copa que tivemos

Apesar dos péssimos augúrios e da sistemática má vontade da oposição, a Copa foi um sucesso memorável, mundialmente reconhecido. Não há como negar: o Brasil deu uma prova de competência e organização, fazendo um campeonato que ficará na história do futebol mundial. E não foi fácil. Tantos problemas a enfrentar, num país gigantesco, com os jogos se realizando nas mais diversas regiões, uma sede se distanciando de outra, algumas vezes, por milhares de quilômetros. Mas o maior obstáculo estava em nós mesmos. Na atitude derrotista, quase masoquista, de setores da opinião pública, que veem com desprezo tudo o que se refere ao Brasil e à capacidade de sua gente. “Não vai ter Copa”, chegaram a apregoar, na exaltação de seu espírito antinacional. “Se está assim agora, imaginem o que será na Copa”, observavam, com indisfarçável desejo de que tudo desse errado. Os líderes oposicionistas estavam com suas baterias prontas para disparar, na expectativa de que alguma falha grave ocorresse. A imprensa conservadora, à frente essa excrescência que se chama Veja, tinha suas pautas já preparadas, para mais uma vez lançar-se contra o governo responsabilizado pelo fracasso, que não houve, e que tanto queriam. O que aconteceu foi o contrário, com o sucesso alcançado. As manifestações por todo o mundo foram consagradoras. Joseph Blatter, presidente da FIFA, considerou a Copa no Brasil como “a Copa das copas”. Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional

(COI), disse que está “totalmente confiante” no êxito dos Jogos de 2016. Obama, que acompanhou vários jogos pela televisão, não escondeu seu entusiasmo. Até o Papa Francisco externou sua opinião: “Uma grande Copa”. Putin manifestou o desejo de que possamos tirar lições para a Paz, devido ao clima de compreensão em que se realizou. Para Franz Beckenbauer, a grande figura do futebol alemão, a Copa “foi um espetáculo que emocionou o mundo”. O New York Times, The Economist, Le Monde, El País, jornais latino-americanos, orientais, não divergiram em reconhecer a capacidade organizativa demonstrada pelo Brasil. E assim, por todas as vozes de maior expressão, num coro de aplausos que deve nos encher de orgulho e ao mesmo tempo levar ao desespero os crônicos e invencíveis derrotistas. Embora com indisfarçável constrangimento e desconforto, a mídia e outros críticos daqui tiveram de admitir o resultado positivo. É claro que, no campo, o desempenho de nossa seleção foi decepcionante, deixando-nos uma enorme tristeza. Isso, entretanto, não é culpa do governo, que nada poderia fazer quanto à escalação dos jogadores e aos sistemas táticos a serem adotados. Protestar, como simples torcedor, é o máximo que qualquer autoridade pode fazer. Resumindo: o Brasil perdeu em campo, mas obteve uma grande vitória com o êxito da Copa

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Departamento de Comunicação da PUC, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Galeria Catete 228, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).

Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 (21) 3547-3699 bafafa@bafafa.com.br Diretora de marketing: Rogeria Paiva (21) 3546-3164 mercomidia@gmail.com

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De olho no pré-sal José Maria Rabelo*

A história do petróleo é marcada por trágicos acontecimentos, que deixam atrás de si um rastro de destruição e morte. São guerras, insurreições, golpes de estado, invasões de países, articulações secretas, assassinatos de dirigentes políticos, entre outros eventos criminosos, promovidos pelas empresas que controlam majoritariamente o comércio mundial de combustíveis. Todas essas ações contam com o apoio de seus respectivos governos, que procuram assegurar-se, através delas, da influência sobre importantes áreas petrolíferas. O Brasil, que foi sempre visto como um player secundário no negócio do petróleo, prepara-se para assumir uma posição de relevância, graças ao início de exploração das reservas do pré-sal. Segundo previsões, elas nos colocarão no quinto lugar entre as nações produtoras, além de se situarem geograficamente em ponto estratégico para o abastecimento dos EUA e dos países europeus, mesmo em caso de guerra. Natural portanto que se voltem para nós os olhos do mercado. Em sua lógica, é preciso ter aqui um governo amigo, que favoreça as companhias do setor. A agressividade da oposição a Dilma e sua base política lembra o que foi feito em outras regiões para desestabilizar os governos que não se submetiam à imposição das potências internacionais. O exemplo mais recente desse esquema

de dominação é o do Iraque, destruído pelos bombardeios norte-americanos. A conturbação política e militar reinante em quase todo o Oriente Médio acha-se diretamente ligada à disputa pelo petróleo. A guerra do Vietnã teve como um dos seus objetivos preservar os interesses das companhias norte-americanas no Extremo Oriente. Na América Latina, sabemos como agiram as empresas

Os interesses do mundo do petróleo se voltam para o pré-sal e suas imensas reservas. A campanha contra Dilma e a Petrobras faz parte desse contexto. estrangeiras no México, na Bolívia, na Venezuela, que enfrentaram longos e sangrentos conflitos na defesa de seus recursos minerais. Não se pode dissociar a crise que levou ao suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, em 1954, dos interesses

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ligados ao petróleo, contrariados com a orientação nacionalista de seu governo. Recorde-se que um ano antes fora criada a Petrobras, estatizando a exploração e industrialização de nossas jazidas petrolíferas. Na visão daqueles interesses antinacionais, que nunca se desmobilizam, é necessário fragilizar o governo Dilma e tentar impedir de qualquer maneira a reeleição da presidente. A oposição sistemática e truculenta que vemos por aí, a começar pela ação implacável da mídia, possui um caráter golpista mais do que evidente. Eles se retraíram diante do sucesso que foi a realização da Copa, mas já estão de volta com o mesmo propósito desestabilizador, a mesma atitude enfurecida, gêmea do fascismo; o desespero dos que temem a derrota nas próximas eleições. Os insultos grosseiros a Dilma no Itaquerão e no Maracanã são uma pequena mostra do que serão capazes. A plataforma governamental do PSDB e de outros partidos oposicionistas contempla a retomada das políticas econômicas da administração FHC, entre as quais a privatização da Petrobras, que tentaram e não conseguiram. A posição firme em defesa das empresas estatais tornou o governo Dilma alvo dessas forças retrógradas, que querem voltar a dirigir o País e completar sua obra de entrega de nossas riquezas. O pré-sal não pode ser ignorado como um dos personagens, talvez o principal, deste momento histórico que estamos vivendo.


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A carnificina em Gaza Eduardo Galeano* Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica

pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros. Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando

a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki. A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro? Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia. *Escritor

A solidão da Palestina Emir Sader* A nova ofensiva brutal contra Gaza revela, uma vez mais, a solidão dos palestinos. Não podem contar com ninguém que detenha Israel. “O mais difícil é ser a vítima das vítimas”, dizia Edward Said, para expressar uma das dimensões dos obstáculos que encontram os palestinos para lutar contra a ocupação israelense de seus territórios. A solidão atual dos palestinos demonstra como essa era apenas uma das tantas dificuldades que eles têm que enfrentar para sobreviver. O direito elementar, aprovado há décadas pela ONU, de ter um Estado Palestino, da mesma forma que existe o Estado de Israel, é bloqueado pelo voto dos EUA no Conselho de Segurança e a ONU não faz nada para contornar essa atitude norte-americana. A Palestina segue sendo dois territórios descontínuos – Cisjordânia e Gaza -, o primeiro esquartejado pelos muros, violado pelos assentamentos judeus e ocupado militarmente. Gaza, cercada e atacada a cada tanto, impunemente, como de novo agora. Não existe como

Estado e se busca que a Palestina deixe de existir como territórios isolados, ao fazer com que seja economicamente inviável e humanamente insuportável. Todos deveriam ir à Palestina – à Cisjordânia e, se conseguissem, a Gaza – para ter uma ideia do que é viver sob ocupação de um Exército racista. Para ver o que significam cotidianamente os muros, que separam a vizinhos, a parentes, a crianças que antes brincavam juntas na rua. Como as senhoras palestinas tem que andar quilômetros para poder cruzar para o outro lado da sua rua, submetidas ao arbítrio de jovens militares racistas de Israel, que controlam as passagens. Para ver como esse mesmo tipo de jovens saem, de noite, protegidos por forças militares de Israel, para destruir bens dos palestinos, incluindo oliveiras, que tardam um século para crescer. Que jogam lixo nas ruas dos palestino, que tem que colocar redes de proteção para se defender. Para sentir como os palestinos são atacados também no seu orgulho, nos seus espaços mínimos de vida, é preciso ir à Palestina, à Cisjordânia e, se possível, também a Gaza. Nada de todos estes sofrimentos justifica ações

violentas, mesmo se a gente pensa, quando está lá, como fazem os palestinos para não reagir ao terrorismo cotidiano que se exerce contra eles. Inclusive para o primeiro objetivo, que é a unidade nacional da Palestina, porque se trata de uma luta contra o invasor, é preciso unir o país para expulsá-lo. O segundo, dada a correlação de forças internacional, é que é preciso contar com setores em Israel que se convençam de que não vale a pena a ocupação permanente da Palestina, com as incertezas que isso traz para os próprios israelenses. Hoje se pode dizer que a construção de um Estado Palestino está em ponto zero. Há um acordo de reunificação entre Gaza e a Cisjordânia, mas Israel diz que não negocia com um governo nascido desse acordo por que o Hamas não reconhece o Estado de Israel. Mahmoud Abbas já afirmou que o novo governo o reconhecerá, mas Israel usa qualquer pretexto para não avançar nas negociações, que só podem desembocar no reconhecimento do Estado Palestino . A nova ofensiva brutal contra a desprotegida Gaza revela, uma vez mais, a solidão dos palestinos. Não podem contar com ninguém que detenha Israel. Ninguém que se jogue contra os EUA, pela existência do Estado Palestino. *Sociólogo, publicado no site Carta Maior: www.cartamaior.com.br


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Ricardo Rabelo Brasil na Copa

Foi rocambolesco o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo. As duas goleadas que sofreu, nas semifinais e na disputa pelo 3º lugar, ficarão como uma cicatriz na consciência dos brasileiros. O fato evidência que seria hora de uma mudança geral na estrutura de nosso futebol com metas, prioridades e competência técnica. Infelizmente, os cartolas da CBF resolveram aprofundar “a política de avestruz” ao convidar Dunga para suceder Luis Felipe Scolari. Preferiram repetir o decadente o filme ao invés de dar “um sacode geral” em nosso futebol. Com esta política, os cartolas vão enterrar a nossa seleção e permitir um achincalhe ainda maior. Pena.

encantado com o certame que foi um “verdadeiro gol de placa”. Pesquisa feita pelo UOL Esporte com 117 jornalistas estrangeiros revelou que para 38,5% dos entrevistados este foi o melhor mundial da história. Em segundo lugar, quase com a metade dos números, ficou o mundial da Alemanha com 16,2%.

FIFA

As áreas que mais ganharam foram as de construção civil, turismo, artesanato e serviços. Já segundo estimativa do governo federal, a Copa movimentou R$ 30 bilhões. O número de pessoas que circularam pelo País foi superior a 3 milhões. E o melhor: 95% dos turistas declararam intenção de retornar. Outro ponto para o Brasil: o índice médio de atrasos acima de 30 minutos nos voos nacionais foi de 7,03%, metade do máximo tolerável mundialmente.

Dilma Até a sisuda FIFA torceu o braço. Seu presidente, Joseph Blatter, foi só elogio à organização e aos resultados do Mundial. Para ele, a 20ª Copa foi indiscutivelmente um grande sucesso. Segundo o suíço, “os estádios estavam magníficos” e as forças públicas de segurança e de policiamento cumpriram com a sua responsabilidade.

Números

Copa no Brasil

Oportunismo foi culpar a presidenta Dilma pela eliminação do Brasil. Afinal, nos últimos 12 anos, o país tirou 40 milhões da miséria e ainda organizou uma copa exemplar. Isso é que temos que comemorar. A derrota doeu, mas é preciso ir em frente já que estamos muito melhor que nos tempos de FHC!

Mídia conservadora

Enquanto o Brasil foi medíocre em campo, brilhou na organização do mundial. O mundo ficou

Os números falam por si só. Dados revelados pelo Sebrae apontam que as micros e pequenas empresas faturaram R$ 500 milhões durante a Copa do Mundo.

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Já os veículos de imprensa conservadores preferiram tapar o sol com a peneira. Para eles, Dilma não teve participação alguma no sucesso da Copa. O jornal O Globo chegou a estampar na capa uma foto da presidenta e ministros com o seguinte título: “De que riem?”. Dilma tem motivos sim para rir e a imprensa reacionária motivos de sobra para chorar!

Cambistas

É de se tirar o chapéu a investigação da delegacia distrital da Praça da Bandeira por ter desmantelado um complexo esquema de venda ilegal de ingressos durante a Copa do Mundo. O inquérito respingou em gente graúda que circulava livremente nos corredores da FIFA.

Pesquisas

Enquanto as pesquisas indicam a reeleição de Dilma no primeiro turno, a imprensa conservadora insiste em levar a disputa para o segundo turno. A mágica para isso é inflar os números dos candidatos “nanicos”. Alguém realmente acredita que eles têm 9% dos votos? O Brasil está vivendo um “golpe midiático” inaceitável. Uma pergunta que não quer calar: se Dilma está disparada na frente

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das pesquisas, imaginem quando começar a propaganda na TV? A grande resposta será o voto nas urnas.

Estado policialesco

Muito me preocupa o estado policialesco implantado pelas forças de segurança do Estado. Reprimir as manifestações com violência e descontrole é um terrível retrocesso para a nossa democracia. Ninguém está sendo poupado: mulheres, idosos e crianças. Atirar bombas de gás aleatoriamente não pode ser tolerável. Infelizmente, esta prática virou rotina em nossa cidade. Torço para que o próximo governo faça um pacto com a sociedade no sentido de aceitar as manifestações e não partir para a guerra como vem fazendo.

Faixa de Gaza

Longe daqui, mas nem por isso preocupante é a força desproporcional usada pelo exército de Israel contra os palestinos. Os bombardeios “cirúrgicos” já mataram 500 pessoas, a esmagadora maioria inocentes. O mundo precisa dar um basta a tamanha covardia. Até quando iremos assistir a este massacre, ao vivo, em tempo real?


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A hora dos BRICS Mauro Santayana* Irônica às vezes, mas nunca desatenta, a história não desperdiça oportunidades, em sua caminhada pelo tempo, para estabelecer mudanças, que às vezes se tornam prementes, no contexto da disputa dos povos e nações pelo poder. Quando foi criado pelo economista Jim O’ Neill, do Goldman Sachs, o termo BRIC, hoje, BRICS, estava voltado para orientar especuladores e “investidores” para a obtenção de rápidos lucros, investindo em países de grande potencial de crescimento nos primeiros anos do Século XXI. Certamente, ao criar o termo, O’ Neill não percebeu que, ao reunir em uma

mesma sigla, quatro das maiores nações do mundo em território e população, elas poderiam descobrir, entre si, afinidades e pontos de contato mais profundos, que as características marcadamente econômicas que atraíam os clientes de sua empresa de consultoria em 2001. Se tivesse parado para pensar, um pouco mais, na ocasião, em termos geopolíticos, ele poderia ter percebido que esses países não demorariam a se unir sob um ponto comum: o fato de todos terem sido dominados, explorados, e tido seu desenvolvimento tolhido, no passado, pelas alianças estabelecidas pelos países mais ricos, ao longo dos

séculos XIX e XX, para assegurar seu domínio político e econômico sobre o resto da humanidade. Em junho de 2003, por iniciativa brasileira, criou-se, em Brasília, o IBAS, um fórum de

diálogo sul-sul, entre Brasil, Índia, e - premonitoriamente - a África do Sul. Exatamente seis anos depois, em 16 de junho de 2009, o então BRIC, reunindo Brasil, Rússia, Índia e China, faria sua primeira Cúpula Presidencial na cidade russa

de Ekaterinemburg, à qual se seguiriam os encontros de Brasília, em 2010, Sanya, na China, em 2011 - quando incorporou-se a África do Sul - Nova Déli, na Índia, em 2012, Durban, na África do Sul, em 2013, e, agora, Fortaleza, Brasil, em 2014. Reunião na qual, pela primeira vez, o Grupo BRICS estabelece mecanismos comuns de atuação, apresentando-se, sem subterfúgios, não mais como um acrônimo econômico, mas como uma aliança geopolítica de alcance mundial, que pode vir a influenciar, decisivamente, a evolução do mundo, nos próximos anos. A imprensa ocidental sempre se dedicou, nos últimos anos, a desestimu-

lar e desacreditar o BRICS, apresentando-o como um saco de gatos de nações contraditórias e em certos termos concorrentes e como uma marca a mais, em um planeta por si só já pródigo em siglas de todo tipo, a maioria tão decorativas quanto inoperantes. O estreitamento paulatino dos laços diplomáticos, comerciais e de defesa entre os BRICS, e, agora, o lançamento de seu banco, e de um fundo de reservas, com um montante de 150 bilhões de dólares, representa o primeiro desafio concreto à hegemonia ocidental nos últimos 200 anos. Abre caminho para um mundo novo, multipolar, mais justo, mais equilibrado. *Jornalista

Qual o papel do Ministério da Defesa?

Wadih Damous*

O ministro Celso Amorim, da Defesa, é um homem de bem. Merece nosso respeito. No entanto, seu comportamento no episódio em que trouxe à opinião pública a versão dos chefes militares, afirmando que não houve “desvio de finalidades” em sete instalações militares usadas para torturar a assassinar presos políticos na ditadura militar, não pode passar em branco. Depois de levar três meses para responder aos questionamentos da Comissão Nacional da Verdade a esse respeito, Amorim fez a afirmação de que não tinha havido “desvio de finalidades”. Já dissemos em nota da

Comissão da Verdade do Rio, a afirmação é uma afronta à inteligência e à história do país. “Até as pedras sabem que centenas de brasileiros foram barbaramente torturados, assassinados e desaparecidos, dentre os quais, a própria presidente da República. Gostaríamos que o ministro refletisse melhor sobre aquilo que declarou”, afirmamos na nota. Em sua defesa, Amorim disse que apenas repassou à opinião pública o relatório que recebeu dos chefes de Exército, Marinha e Aeronáutica. A justificativa de Amorim, no episódio, deve nos levar a

uma reflexão sobre o papel do Ministério da Defesa em nosso país.

Criado depois da ditadura, já na redemocratização do país, o ministério tinha um simbolismo impor tante. Dirigido por um ministro não militar, deveria demonstrar a subordinação das Forças Armadas a um gover-

no civil, democraticamente eleito, representado por um ministro civil. Na prática, porém, não tem sido assim. Com a exceção do período em que esteve à frente da pasta José Viegas, que se demitiu justamente por não ter obtido apoio para enquadrar os chefes militares que seguiam tecendo loas à ditadura em notas oficiais, a pasta da Defesa e seu titular transformaram-se essencialmente em porta-vozes das Forças Armadas junto ao governo e à sociedade. Não é o que se espera deles.

É isso o que explica o comportamento de Amorim nesse episódio em que se negou que instalações militares tivessem sido usadas para torturar e assassinar presos políticos. Não há dúvida de que o ministro Amorim é um homem de bem, como afirmamos acima. É, também, um democrata - o que pode ser comprovado por sua história e pelas posições mais gerais que tem assumido. Por isso mesmo, em vez de divulgar aquela nota dos chefes das Forças Armadas, deveria rejeitá-la. Sua função não é ser porta-voz dos militares. * *Presidente licenciado da Comissão da Verdade do Rio e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB/RJ.


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Informe Publicitário

Resposta do Sindipetro-RJ à matéria caluniosa “A conexão sindical” do jornal O Globo.

Antes de qualquer coisa, fazemos questão de esclarecer que o Sindipetro-RJ sempre fez parte das principais lutas em defesa da soberania popular e do povo brasileiro. Consideramos fundamental a mobilização cidadã em defesa dos seus direitos e defendemos as manifestações e protestos legítimos do povo por um país mais justo. Repudiamos todo tipo de censura, repressão e criminalização dos movimentos sociais. A história do Sindipetro-RJ é escrita pela participação protagonistas em inúmeras lutas: contra a ditadura militar, pelas Diretas Já, pela ampliação de direitos dos trabalhadores e contra a privatização do petróleo. Esses são motivos de grande orgulho para os petroleiros do Rio de Janeiro. Nesse sentido, repudiamos as distorções trazidas na matéria “A conexão sindical” do Jornal O Globo de terça-feira, 22 de julho, que busca criminalizar movimentos sociais e manchar o nome e a história de luta da nossa entidade. O

Sindipetro-RJ é uma entidade que sempre trabalhou respeitando a constituição e as leis brasileiras. Por isso, fazemos questão de esclarecer que fornecemos, a pedido dos manifestantes, quentinhas, água e também transporte para o protesto contra o leilão de Libra e outras manifestações, como os atos contra a privatização do Maracanã, em defesa da Aldeia Maracanã, contra a demolição da Escola Municipal Friedenreich, do Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare. Consideramos legítimo o apoio a livre expressão dos movimentos sociais na luta por direitos sociais e por uma vida melhor. Nada disso é proibido pelas leis brasileiras. Sempre solidário ao povo excluído, o Sindipetro-RJ forneceu donativos e agasalhos para os flagelados da tragédia do Morro do Bumba, da região serrana e na última enchente. Também doou R$ 5.000,00 ao SEPE para atender às famílias de professores que ficaram sem o salário para seu sustento ao receberem contracheques zerados da Prefeitura do

Valor R$ 480,00

CNPJ 20.565.871/0001-60 ANÚNCIO R$ 480,

deputado estadual

RJ, simplesmente por terem participado de greve justa por melhores condições de trabalho. O Sindipetro-RJ reafirma seu compromisso com a democracia e com a defesa intransigente dos trabalhadores. Vamos continuar na luta pelo fim dos leilões e pela Petrobrás 100% Estatal e Pública. Diferente do que fala a matéria, também vale destacar que a violência no ato contra o leilão de Libra partiu da força policial. Temos toda a manifestação gravada e nos colocamos a disposição para comprovar essa grande inverdade da matéria. O Sindipetro-RJ está estudando, junto ao seu departamento jurídico, uma ação contra O Globo que deu um péssimo exemplo de jornalismo ao publicar matéria baseada em inverdades e sem ouvir a versão dos fatos do alvo de seu ataque, neste caso, nós do Sindipetro-RJ. Emanuel Cancella Secretário Geral do Sindipetro-RJ Federação Nacional dos Petroleiros


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Arnaldo Baptista

Entrevista

Por Ricardo Rabelo

” e t n a t u m m eterno

Arnaldo Baptista foi fundador da banda Os Mutantes, apontada como uma das mais originais do final da década de 60 e início de 70. Ele dividia o palco com a então mulher, a jovem cantora Rita Lee e o irmão Sérgio Dias. Natural de São Paulo, nascido em 1948, o artista é tido como um ícone do rock experimental, que tinha como marca letras e sons originais. Depois de sucesso fulminante, deixa a banda em 1973 por discordâncias internas após a separação com Rita. Já em carreira solo, em 1974, lança Loki?, considerado seu melhor trabalho. Em 1982, em profunda depressão, tenta o suicídio, mas apesar de sofrer traumatismo craniano recuperase meses depois. Sua história foi revelada no documentário “Loki – Arnaldo Baptista”, de autoria de Henrique Fontenelle. Arnaldo vive há 30 anos com a companheira Lucinha Barbosa, num sítio em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Fotos: D

ivulgação

“Sou u

Como está vendo os 40 anos do disco Loki? Naquela época eu estava num clima totalmente diferente de hoje. É incrível que o que eu fiz naquela época ainda se encaixa nos dias atuais. É uma espécie de viagem no tempo (riso). Estou surpreso com a receptividade, pois quando eu gravei esse disco não tinha consciência de que isso fosse acontecer. Vejo que deu certo e estou muito contente por isso.

aos EUA, hoje tem aqui na loja perto de casa.

O que ficou de mais expressivo desse período? Foi o fato de eu estar distante e próximo ao mesmo tempo. Nos shows eu consigo uma comunicação interessante com o público.

Quem foi e quem é Arnaldo Baptista?

Em entrevista ao Bafafá, Arnaldo Baptista fala da carreira, música, vida pessoal e o lançamento dos discos remasterizados. E revela que só não toca no Rio de Janeiro por falta de convites: “Isso é estranho, mas nunca ninguém me procurou para fazer show no Rio de Janeiro”. Questionado se tem alguma utopia, brinca: “Que todos os amplificadores da terra sejam a válvula, não digitais”.

ficador valvulado?

(riso). Já as gravadoras tradicionais Não existe nenhum lugar para alugar têm um enfoque muito diferente da um amplificador PA valvulado. Estou nova realidade. fazendo poucos shows por causa disso. Já que você diz que eu sou E o papel do rádio? cultuado poderia ter uma empresa Ele ainda tem seu lugar. Muitas que me fornecesse esse equipamen- vezes tem mais alcance que a teto (riso). Ele é muito melhor que os levisão e difunde a sua música. Vai atuais digitais. Tem um som com os sobreviver, principalmente com a graves definidos. Para meus shows digitalização. tenho que alugar esse equipamento.

Sou um eterno mutante. A cada dia que passa aprendo uma coisa.

Você acha que as gravadoras estão morrendo?

Eu ainda não tenho consciência disso.

para comprar discos. Acho que elas não estão morrendo, pelo contrário, estão se difundindo que nem igrejas

O mundo mudou muito nestes Hoje está tudo espalhado pela In40 anos? Você imaginava ser cultuado ternet. Eu tenho a impressão que Mudou bastante. Basta ver a Inter- por diferentes gerações? vivemos um novo tipo de realidade net, um fenômeno incrível. Antigamente para comprar um instrumento Fender ou Gibson eu tinha de ir

Confere que só toca com ampli-


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Você gosta da atual produção musical no Brasil?

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Master. Entre elas estão dois álbuns inéditos: o Ao Vivo Shining’ Alone, de 1981 gravado no TUCA-SP e o Elo Mais Que Perdido, canções que não entraram no Elo Perdido. Toda a obra está agora catalogada e organizada.

Não, sinceramente, não. De uma certa forma eu sempre me guiei mais pelo que vem de fora. O Brasil ainda está evoluindo musicalmente, apesar de ter características interessantes como a origem indígena.

Depois de mais de 30 anos fora de catálogo estou relançando meus discos remasterizados

Quais pessoas você mais admira no Brasil e no exterior? Um cara em São Paulo, o Rubens Amorim, um audiófilo que faz constantes adaptações e regulações sonoras. Outra pessoa é a minha esposa Lúcia, uma santa que conseguiu viver comigo. Gosto muito também do Ray Brown (contrabaixista do Oscar Peterson), do Jimmy Page, entre outros.

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Quais são seus projetos?

seus admiradores?

dar mais prioridade à energia solar. Sim: endereçar a nossa mente para O Brasil é um dos países que mais O que acha do Mick Jagger? tem sol no mundo. Ele é uma figura importantíssima a consciência com ciência. Ainda vota? como cantor, mas não o considero um músico muito bom como gui- Você é uma pessoa espirituali- Não voto mais há muitos anos. zada? tarrista. O espírito é uma coisa bem sutil de Como é a sua vida no dia a dia? Tem alguma mensagem para dizer. Eu não creio muito nele, acho Quando estou em casa estudo que nós somos uma espécie de violão, bateria. Pratico exercícios máquina no sentido de comparação diários, sou vegetariano e gosto de biológica com computadores. pintar. Meu hobby é o som, construir equipamentos e melhorar os que Acredita em Deus? eu possuo. Não.

Sua obra foi digitalizada? Como está vendo o desenvolvi- Depois de mais de 30 anos fora de mento do Brasil? catálogo estou relançando meus Tenho a impressão que ele devia discos remasterizados pela Classic

Antes de tudo conseguir um amplificador PA valvulado (riso) e consequentemente fazer shows, inclusive gravando um deles ao vivo para a produção de um CD. Além disso, quero implantar energia solar em minha casa e possuir um carro com a mesma tecnologia.

Quando você volta aos palcos? Vou fazer um show no dia 03 de agosto no Cine Teatro Brasil em Belo Horizonte.

E no Rio de Janeiro? Isso é estranho, mas nunca ninguém me procurou para fazer show no Rio de Janeiro. Gostaria muito de tocar na Cidade Maravilhosa.

Você tem alguma utopia? Tenho. Que todos os amplificadores da terra sejam a válvula, não digitais.


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12º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

A 12ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival deste ano será em dois finais de semana. Nos dias 8, 9, 10 e 15, 16 e 17 de agosto, a cidade litorânea apresentará um importante painel do blues e do jazz no Brasil e no exterior. Serão mais de 60 horas de música em 30 shows gratuitos em quatro palcos: Praça São Pedro, Lagoa de Iriry, Praia da Tartaruga e Costazul. ATRAÇÕES INTERNACIONAIS - As atrações internacionais são o baixista e multi-instrumentista Marcus Miller; o cantor Al Jarreau; o trompetista Randy Brecker – premiado em 2014 com o Grammy de melhor álbum de formação “Jazz Ensemble” com Nigth in Calisia; o HBC Super Trio - com Scott Henderson, guitarra, Jeff Berlin, baixo e Dennis Chambers, bateria; a banda de blues Rick Estrin & The Nightcats; o guitarrista blues-rock

Popa Chubby; o artista de zydeco Rockin’ Dopsie Jr.; o cantor, compositor e guitarrista Raul Midón; o bluesman Larry McCray ; e a banda holandesa de funk e soul, The Jig. ATRAÇÕES NACIONAIS - O Brasil estará (muito) bem representado por Pepeu Gomes; Carlos Malta e Pife Muderno; pelo pianista e cantor de blues Adriano Grineberg, um dos novos nomes de destaque do blues brasileiro contemporâneo; pela banda carioca Afro Jazz; por Badi Assad e Marcos Suzano e pela Rio Jazz Orchestra e Taryn, com Toninho Horta. Mantendo a tradição, a Orquestra Kuarup, regida pelo maestro Nando Carneiro e formada por jovens músicos da região, abre a primeira noite do festival.

Mais informações: riodasostrasjazzeblues.com

Festa do Japão no Parque do Flamengo

VII Arraiá do Bem

A 13ª Festa do Japão terá culinária japonesa, oficinas, danças típicas, tambores japoneses e outras atrações. O evento é concorridíssimo! Serão cinco grandes barracas e 13 menores com um panorama da cultura do país do sol nascente. As oficinas incluem escrita japonesa, Ikebana (arranjos florais), origami, jogos Gó (xadrex japonês). Entre os pratos, yakisoba, karé, temporá, grelhados, banana caramelada. Como dança Odori. Animando a festa, o cantor campeão de karokê, Nobujiri Jirata, promete não deixar ninguém parado. A novidade para este ano são as artes marciais, kendo, aikido e sumo.

A Casa Francisco de Assis realiza o VII Arraiá do Bem, uma animada festa junina com direito a shows diversos, barraquinhas de comidas típicas, quadrilhas, brincadeiras e muito mais. Entre as atrações, Chico Sales, Dorina, a cantora pernambucana Gerlane Lops, Marcelo Mimoso e Salatiel de Camarão tocando temas juninos. Vai ter ainda premiação para o casal mais bem caracterizado.

Sábado 16 e domingo 17 de agosto Parque das Crianças - Parque do Flamengo (na altura da Rua Correa Dutra). Funcionamento: sábado de 18h às 23h e domingo 10h às 18h

A arrecadação do evento será em benefício da Creche Santa Clara, com 72 crianças e das obras sociais da Casa de Francisco de Assis.

VII Arraiá do Bem Sábado, 2 de agosto Rua Ipiranga, 70 Ingressos: R$ 30 na hora ou R$ 15 antecipado pelos tel 2557-0100 e 2 2 6 5 - 9 4 9 9


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Livro conta história da noite carioca O livro Rio Cultura da Noite conta a história da noite carioca e sua importância a partir de clubes, casas de shows, festas e personagens que fizeram a noite do Rio de Janeiro desde a chegada da Família Real à revitalização da Lapa em 2004. De autoria de Leo Feijó e Marcus Wagner, reúne amplo trabalho de pesquisa e depoimentos de artistas, frequentadores, jornalistas e empresários que marcaram este rico cenário. Casa da Palavra Preço: R$ 54,90

Carnavália-Sambacom É uma grande feira de produtos e serviços da indústria do Carnaval afim de criar novas parceiras e estimular novos empreendedores, reafirmando a importância do Carnaval para a economia e o turismo do Brasil. O evento terá estandes com exposição de produtos e serviços, mostras de fantasias, customização de camisetas e rodas de samba. Paralelamente acontece o Sambacon – Encontro Nacional do Samba – que vai debater os grandes temas do Carnaval, com a presença de autoridades, escolas de samba, blocos de rua e estudiosos, numa discussão que visa ao aperfeiçoamento cultural e à promoção da cidadania. A Carnavália estará aberta ao público no dia 31 de julho – de 16h às 21h e nos dias 01 e 02 de agosto no horário de 14h às 21h. Centro de Convenções Sul América Av: Paulo de Frontin, 1 (acesso principal pela Rua Beatriz Larragoiti Lucas) – Cidade Nova – Centro – Rio de Janeiro Tel.: (+ 55 21) 3293-6700 Fax: (+ 55 21) 3292-6721 Ingresso: R$ 20 (válido para os 3 dias do evento). Mais informações: www.carnavalia.net

F eira O M ercado do Fluminense

no

S alão N obre

O Mercado é um evento de moda, arte e design criado e produzido por estilistas. Todas as edições

são temáticas e contam com uma diversidade de marcas e produtos. O objetivo é auxiliar estilistas, designers e artistas independentes a “experimentar” o mercado, apresentar o seu produto e lhes dar assim a oportunidade de crescimento. Ao todo mais de 100 marcas ocuparão o espaço que também contará com uma Exposição de Arte com Xepa Box, Lorem Ipsum, Lena Muniz e Wallderful. Para embalar as compras os Djs Galalau e Guzta farão uma viagem musical pelas trilhas sonoras de filmes que marcaram época. A próxima edição será no sábado 02 e domingo 03 de agosto no belíssimo salão nobre do Clube Fluminense - 14h às 21h Rua Álvaro Chaves, 41 - Laranjeiras Mais informações: www.estilistasindependentes.com

Trilha do Morro Dois Irmãos

Inacessível por muitos anos, a trilha do Morro dois Irmãos é a descoberta de outros ângulos da Cidade Maravilhosa. A caminhada começa pelo alto da pacificada favela do Vidigal numa subida de esforço semipesado, sem muita vegetação. Depois de quase uma hora chega-se a um platô no pico do Morro com um visual estonteante da Zona Sul. É como se fosse o cartão postal às avessas. As praias do Leblon e Ipanema podem ser vistas em toda a sua extensão, assim como parte da praia de Copacabana. No entanto, a joia da coroa, é o visual da Lagoa Rodrigo de Freitas e sua forma de coração. Ao fundo, o Pão de Açúcar, a entrada da Baía da Guanabara e as praias litorâneas de Niterói. Pelo outro lado avistam-se a Praia de São Conrado, a Pedra da Gávea e a favela da Rocinha. Por incrível que pareça, a trilha é mais procurada por jovens turistas estrangeiros do que por brasileiros. Recomenda-se de passar filtro solar, usar boné ou chapéu, levar água e alguma coisa para comer, tipo

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fruta ou biscoito. E obviamente não esqueça a câmera. Recomendadíssimo! Trilha Dois Irmãos Acesso pela Favela do Vidigal, subir de Kombi até a Quadra Olímpica no topo e acessar a trilha através dela. Recomenda-se só percorrê-la a luz do dia. A trilha exige um certo preparo físico

Acarajé da Baiana O legítimo acarajé pode ser degustado aos domingos no Parque do Flamengo na barraca da Noêmia Baiana. Atuando no local desde 1993, sua iguaria é cultuada e admirada por nomes como Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo. Natural da Bahia, radicada no Rio desde 1968, Noêmia conta que o segredo para tanto sucesso é a massa artesanal e o preparo “com amor”. Ela serve os clientes com o marido e as duas filhas. Ela revela que tem um laudo da fiscalização sanitária atestando a higiene e qualidade do produto. “Eles são rigorosos”. Noêmia Baiana atua também em eventos culinários, festas e coquetéis. Entre os pratos que prepara estão vatapá e caruru. Acarajé da Noêmia Baiana Domingos – Parque do Flamengo (na altura da Rua Tucumã) – De 09 às 16h – Em dias de chuva não trabalha. Informações: 3079-4407

Cursos na Estação das Letras A Estação das Letras oferece em julho os seguintes cursos e oficinas que abrangem o universo da escrita e da Literatura: Mergulho na Escrita, Introdução aos Gêneros Literários, O conto: teoria e prática, Escrevendo Biografias, O Escritor e o Mercado Editorial – Caminhos para a Publicação, Marketing para o Mercado Editorial, Oficina da Crônica, Introdução ao Design de Livros. Para quem quer investir em conhecimento, se aprofundar ou começar uma atividade voltada ao mundo literário, essa é uma excelente oportunidade. Mais informações: Telefone: 3237-3947 http://estacaodasletras.com.br Rua Marquês de Abrantes 177, lojas 107/108, Flamengo.


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Caipirinha do Luizinho Luiz Antônio Mandarino, ou simplesmente o Luizinho da Caipirinha, é quase uma instituição no Rio de Janeiro. Sua barraca de caipirinha tem uma clientela fiel e assídua. Ele prepara caipirinhas e caipivodkas com oito tipos de frutas nas feiras da Rua General Glicério e da Praça São Salvador. Carioca da gema, começou a atividade na concentração de alguns blocos na década de 90 e nunca mais parou. Ele conta o segredo para tanto sucesso: “Cachaças mineiras, vodkas nacionais e importadas, frutas sempre frescas, gelo filtrado e copos descartáveis. O Bar é a minha identidade e faço questão de atender bem o público, inclusive de avental”. Entre as caipirinhas mais pedidas estão a de lima pérsia, maracujá, tangerina com gengibre e de frutas vermelhas, estas últimas mais pedidas pelas mulheres.

Caipirinha do Luizinho Aos sábados na Praça da Feira da Rua General Glicério e aos domingos na Feira de Artesanato da Praça São Salvador. Uma vez por mês monta a barraca na Roda do Bloco Escravos da Mauá no Largo São Francisco da Prainha.

Informações: 99805-7525 e 3594-7986 Email: luizinhomusica@gmail.com

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Cosmopolita: onde nasceu o Filé à Oswaldo Aranha Ícone da culinária carioca, o restaurante Cosmopolita foi fundado em 1926 por imigrantes espanhóis. Era frequentado por políticos, diplomatas, jornalistas e empresários. Um dos clientes da casa, o diplomata Oswaldo Aranha, deu o nome ao famoso prato que virou clássico nacional: um filé alto ao alho guarnecido de arroz, farofa e batata portuguesa. O diferencial é que ele é servido numa frigideira de ferro. O cardápio inclui bacalhau, cabrito assado com brócolis ao alho e óleo, filés diversos, tira-gostos e um chope estupidamente gelado. Não é a toa que o restaurante foi agraciado com o título de Patrimônio Cultural Carioca. Restaurante Cosmopolita Travessa do Mosqueira, 4 – Lapa - Rio de Janeiro Funcionamento: Segunda a quinta das 11h30 à meia-noite, sexta e sábado de 11h às 5h Informações: 2224-7820 Foto: Ascom Riotur

A Agenda mais democrática do Rio de Janeiro: www.bafafa.com.br


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