Ano 13 - Nº 108 - Agosto 2014
Guto Goffi,
arão baterista do B Vermelho, fala ao Bafafá
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“Vamos voltar brevemente aos palcos” Flávio Augusto Goffi Marquesini, mais conhecido como Guto Goffi, começou ainda adolescente na música. Só não sabia que seu futuro estava destinado a ser o baterista da maior banda de rock do Brasil, o Barão Vermelho. Ele confirma que sugeriu o nome do grupo, em referência ao aviador alemão Manfred Von Richthofen, que lutou contra os aliados na Segunda Guerra. “Sabia da existência do piloto que tinha esse apelido. Gostava do nome, achava que tinha um impacto sonoro legal”, confessa. O que poucos sabem é que Guto é um dos principais compositores do Barão, ao lado de Cazuza e Frejat. Entre suas músicas, “Puro Êxtase” e “Tão longe de tudo”, sucesso nas paradas em todo o Brasil. Em entrevista ao Bafafá, Guto conta fatos de sua infância e juventude, os primórdios da carreira, a fundação da banda e detalhes sobre a respeitada escola de percussão Maracatu Brasil que criou em 2000. Ele garante que, apesar de uma pausa nos shows, o Barão Vermelho vai voltar. “Não posso anunciar quando ainda, mas vamos voltar brevemente aos palcos”. Leia mais nas páginas 8 e 9
Nesta : o Ediçã
Sidney Rezende Wadih damous José Maria Rabelo Mauro Santayana Ricardo Rabelo
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Editorial
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Em torno da eleição presidencial
A morte de Eduardo Campos produziu uma forte consternação, que vai durar por algum tempo. O evento, trágico e inesperado, já está repercutindo intensamente no quadro sucessório. Afinal, ele era candidato por uma coligação partidária que aspirava a ter papel importante nas próximas eleições e no futuro político do País. Várias questões se colocam a partir de agora, quando se tornou certa a indicação da vice Marina Silva para disputar a Presidência. A primeira é a de que as pesquisas nesta altura têm pouco valor, em virtude do clima emocional criado com a morte do líder pernambucano. Outra questão é referente à transferência de voto que ocorrerá, favorecendo mais a Dilma ou a Aécio, e até que ponto Marina herdará os votos de seu ex-companheiro de chapa. A questão seguinte relaciona-se à atitude dos setores conservadores em face das posições de Marina, principalmente quanto à reforma agrária e aos direitos dos trabalhadores do campo. Esses setores nunca esconderam suas reservas quanto à presença dela ao lado de Eduardo Campos. De qualquer maneira, parece que vamos caminhar para um segundo turno, embora essa alternativa não esteja inteiramente assegurada. Em tal hipótese, é preciso de início saber se Marina repetirá sua votação da eleição passada, ao assumir a condição de oposição a Dilma e a José Serra. As circunstâncias hoje são muito diversas, nada garantindo que reproduzirá o resultado surpreendente que teve então. Ademais, nesse cenário pantanoso, dominado por dúvidas
e interrogações, a pergunta que não quer calar: quem será o mais prejudicado pelo novo quadro eleitoral? Dilma, se mantiver sua base popular, como a pesquisa da Datafolha acaba de comprovar, terá certamente a vitória assegurada no segundo turno, se não vencer ainda no primeiro. Aécio aparece assim como o mais afetado, tornando-se um out sider nas eleições para presidente. Por outro lado, Marina deve enfrentar maiores dificuldades que na eleição passada. Começa por dispor de apenas dois minutos e três segundos nos programas diários de rádio e televisão, contra quatro minutos e trinta e cinco segundos de Aécio e onze minutos e vinte e quatro segundos de Dilma. Essa diferença pode ser-lhe fatal. Uma objeção logo surgirá, complicando ainda mais seu desempenho. Ela nunca exerceu qualquer cargo executivo importante, na área pública ou privada, faltando-lhe a experiência necessária para o cumprimento das altas funções da presidência. Será lembrado que não foi capaz de organizar seu próprio partido, a Rede Solidariedade, tendo de asilar-se em outro partido, o PSB, para participar da eleição. Acresce-se a isso a inexistência de uma forte base política para sustentá-la, como têm o PT, de Dilma e, em muito menor escala, o PSDB de Aécio Neves. Este, de principal candidato da oposição, aparece como opção secundária, melancolicamente atrás da atual presidente e de Marina Silva. Se acontecer tudo isso e não der Dilma no primeiro turno, ela será certamente a vitoriosa no segundo. Não somos profetas, mas os fatos estão se encaminhando de forma clara nesse sentido.
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General francês reconhece os que os nossos negam José Maria Rabelo* Enquanto os militares daqui se recusam a falar perante o Congresso e a Comissão Nacional da Verdade sobre as torturas durante a Ditadura, o oficial francês apontado como o criador dos métodos violentos de extrair confissões de seus prisioneiros abre seus arquivos, revelando os detalhes mais aterradores de sua atuação como torturador assumido. O general Paul Aussaresses – este é seu nome – relembra sua presença na guerra da Argélia; nos EUA, ajudando a preparar os militares norte-americanos para a chamada guerra contrarrevolucionária; no Brasil, operando como instrutor dos oficiais do Exército e agentes da polícia. Em livro anterior, em entrevistas de imprensa e mais recentemente em outro livro com o título de “Eu não Disse Tudo” (“Je n’ai pas Tout Dit”), descreve como eram os subterrâneos da ação militar-policial contra os movimentos populares, inclusive no Brasil. Aussaresses, falecido em 2013, foi instrutor de vários oficiais brasileiros, entre eles o general João Baptista Figueiredo, ex-comandante do SNI e ex-presidente da República. O livro, ainda não traduzido ao português, é altamente elucidativo sobre os métodos de repressão adotados pelos regimes ditatoriais. Transcreverei a seguir alguns trechos da obra, mostrando a estreita relação do general Aussaresses com a ditadura brasileira através de seus mais destacados nomes, como o já citado Figueiredo e o torturador-mor delegado Sérgio Fleury. – O senhor chegou ao Brasil pouco depois do golpe de Estado no Chile. Verdade? – perguntou o jornalista Jean-Charles Deniau, responsável pela entrevista que é a base do livro. – Sim, três semanas depois. – O senhor reencontrou alguns de seus antigos alunos de Fort Bragg, nos EUA?
– Sim, eu reencontrei alguns deles. Eles eram governadores de províncias, comandantes de grandes unidades militares, chefes de estado- maior em certos regimentos brasileiros. Eu reestabeleci os contatos com eles, mas sem grande sucesso no início. Foi após a chegada a Brasília do novo adido militar chileno Umberto Gordon que eu reuni minhas informações.
General Paul Aussaresses
– É este Gordon que será o chefe da DINA, a polícia secreta de Pinochet nos anos 80? – Sim. – Que foi que Gordon lhe esclareceu? – Notadamente que a ajuda do Brasil a Pinochet tinha sido importante na preparação no golpe de Estado, essencial mesmo. – Isso quer dizer o quê? – Que o general Emílio Garrastazu Médici, presidente da República, tinha colocado à disposição dos golpistas chilenos aviões para transportar participantes do 11 de setembro. Foi uma verdadeira ponte-aérea. – Isso quer dizer que os militares brasileiros estavam a par do golpe de Pinochet antes que ele se desse? – É certo que estavam. O Ministro da Defesa do Brasil enviou um avião repleto de oficiais dos serviços de informação no dia do golpe. Eles ajudaram na preparação dos policiais para as prisões e o recolhimento de opositores nos estádios. (Meu filho Pedro Rabêlo, que foi preso e torturado no Estádio Nacional, foi
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interrogado por oficiais brasileiros. Nota do autor deste artigo). – Quer dizer que foram enviadas armas? – Certo. A ajuda brasileira em armamento de toda sorte foi substancial. Mais adiante o general Aussaresses informa que suas relações eram de um modo geral muito boas com a cúpula das Forças Armadas em Brasília e no resto do País. – Diz-se que era Figueiredo que dirigia os esquadrões da morte... É verdade? – Sim, mas é uma maneira de falar. Aquilo não se chamava verdadeiramente de esquadrão da morte, mas foi apresentado como tal. O general francês revela mais tarde todos os detalhes da prisão e assassinato de Carlos Marighella, exibindo mais uma vez seus íntimos contatos com os serviços de inteligência e repressão no Brasil. – O que o senhor fazia nas suas horas vagas como adido militar? – Eu dava sobretudo cursos na Escola de Informação de Brasília. – Cursos de que? – De minha especialidade: a luta contra a guerrilha, mas também no Centro de Treinamento de Manaus. – O senhor ia frequentemente a Manaus? – Pelo menos uma vez por mês. – Nos treinamentos de Manaus havia procedimentos de tortura? – Sim – Estas torturas eram feitas verdadeiramente? – Muitas vezes eram feitas verdadeiramente. E agora? Com esse depoimento arrasador e vários outros recém divulgados, nossos militares vão continuar negando a prática da tortura e dos assassinatos nos quarteis e dependências policiais? *Jornalista
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Aécio, o público e o privado Wadih Damous*
Diante de uma denúncia incômoda, um comportamento muito comum de políticos é, no primeiro momento, ignorá-la. Isso tem a sua lógica. Quem entra no debate se explicando fica em situação de inferioridade – salvo se a resposta for de tal maneira fulminante que deixe o denunciante nocauteado. Além disso, há sempre a possibilidade da denúncia acabar caindo no esquecimento. Pois se fazer de morto, foi a primeira reação do candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, diante da história mal explicada da construção de um aeroporto com dinheiro público numa fazenda de sua família em Cláudio – município com 26 mil habitantes, a 140km de Belo Horizonte. Diante da denúncia publicada na “Folha de S.Paulo”, o comportamento de Aécio no primeiro momento foi não lhe dar importância. Sua assessoria, e apenas ela, afirmava que a área tinha sido desapropriada e que o tucano não falaria sobre o tema. Mas se esse comportamento às vezes funciona, em certos casos não dá certo. E o denunciado é forçado, então, a adotar um plano B, pois o assunto permanece
em pauta. Foi o que aconteceu com Aécio. As parcas explicações fornecidas por sua assessoria não sepultaram a questão. Para piorar, surgiu outro aeroporto também construído com dinheiro público em terras da família. Dessa vez, no município de Montezuma, no Norte do estado, já na divisa com a Bahia, com apenas sete mil habitantes. Começaram a surgir brincadeiras nas redes sociais a respeito dessa multiplicação de aeroportos em terras de gente próxima a Aécio, sempre construídos com recursos públicos. Houve quem sugerisse que, diante da clara vocação para construção de aeroportos, o tucano deveria candidatar-se não à Presidência da República, mas à direção da Infraero, onde poderia estar mais afeito ao cargo. Aécio foi obrigado, então, a abandonar a postura olímpica em relação ao assunto. Passou a responder aos questionamentos da mídia e, inclusive, escreveu um artigo para a Folha de S.Paulo, dando a sua versão dos fatos. A respeito de Montezuma, silenciou sobre o tal aeroporto, limitando-se a dizer que deixou de asfaltar uma estrada que passava perto das terras da família. Bom, não
era isso o que estava em pauta. O tema era aeroporto, e não estrada. Sobre Cláudio, não apresentou qualquer nova explicação. Reafirmou que a obra era de interesse público e que o governo estadual agiu com correção. Tanto assim que há divergências com seu tio-avô, Múcio Tolentino, quanto ao valor da desapropriação da área. Pode ser, mas três perguntas permanecem sem resposta. Primeiro: como afirmar que a obra – que custou R$ 14 milhões, fora o valor da desapropriação da área – seria de interesse público, se apenas aviões particulares se beneficiariam dela? Registre-se que o aeroporto de Divinópolis está a apenas 50 km do local. Segundo: se o aeródromo ainda não foi liberado pela Anac, por que é usado pela família de Aécio e pelo próprio candidato tucano? Isso configura uma ilegalidade. Terceiro: por que razão a chave do aeroporto está com seu tio-avô, a quem os interessados em usá-lo têm que pedir autorização para tal? Não haverá, nessa história toda, clara confusão entre o público e o privado? * Wadih Damous é presidente licenciado da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. Artigo publicado no Diário do Poder
Dilma e o Santander Mauro Santayana* Diz a sabedoria popular que frango que acompanha pato acaba morrendo afogado. Sempre estranhamos, ao longo dos últimos governos, a excessiva atenção reservada, pela classe política brasileira, para o que existe de pior no empresariado ibérico, em especial o oriundo da Espanha a partir dos anos 90. Criou-se em nosso país, com a entrada de Madrid no Euro, a ilusão de que a Espanha, que passou a maior parte do século XX mergulhada em uma ditadura medieval e agrária, tivesse sido – pela simples troca da peseta por uma moeda mais valorizada - subitamente alçada ao desenvolvimento. Nos séculos XIX e XX, em processo que vinha se consolidando desde a derrocada de sua Invencível Armada, Madrid viveu à sombra da Inglaterra e dos EUA, que se apossaram do que restou de seu império, na Guerra Hispano-Americana de 1898. De Cervantes a Picasso, a Espanha deu grande contribuição ao mundo. Mas nunca foi o paradigma de empreendedorismo e de pujança com que aportou por aqui à época do PROER e das grandes privatizações. Desde 2008, pelo menos, sabe-se que a “fortaleza”
ibérica estava baseada em bilhões de euros em ajuda dos fundos da Comunidade Europeia e em centenas de bilhões de euros em dívidas, que deixaram em seu rastro um desemprego de quase 30%, e milhares de famílias despejadas e de aposentados prejudicados pelos bancos. Quando se fala no IDH espanhol, é preciso lembrar que, por trás dele, está uma das maiores dívidas per capita do mundo. E que, se não fosse o hábito de exportar seus problemas e seus desempregados para países como o nosso, a cada duas gerações, os espanhóis não teriam o padrão de vida que tiveram até alguns anos atrás. Na época em que, na América Latina, havia maioria de governos neoliberais, os “empresários” espanhóis eram recebidos, por aqui, como nababos. E, o que é pior, continuaram a ter direito aos mesmos rapapés, depois da crise, quando suas ”grandes” empresas, altamente endividadas, começaram a depender, como de água para um peixe no deserto, dos
altíssimos lucros auferidos em território brasileiro. Sempre nos surpreendeu – e sobre isso escrevemos antes – o número de vezes em que o Senhor Emilio Botín - investigado, no passado, em seu país e execrado por boa parte da população espanhola foi recebido em Palácio pela Presidente Dilma. Nunca é conveniente que um presidente da República receba pessoalmente homens de negócio, e muito menos se forem estrangeiros. Para isso existem os ministros, como o da Indústria e Comércio ou o da Fazenda, por exemplo. Se tivesse evitado os sorrisos e as fotografias que propiciou ao dono do Santander, por tantas vezes, com certeza a Presidente Dilma estaria se sentindo, agora, menos constrangida – depois da carta desse banco a “investidores”, desancando a orientação e as expectativas econômicas de seu governo. *Jornalista, publicado no Hoje em Dia
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Ricardo Rabelo Dados
Dados do IBGE apontam que a economia brasileira cresceu 0,2% no 1º trimestre de 2014. O Produto Interno Bruto da zona do euro, formada por 18 países dos mais ricos do mundo, teve uma variação trimestral nula (0%), abaixo da estimativa do mercado, que acreditava em um crescimento de 0,2%. A estagnação da Eurozona foi reflexo em grande medida dos resultados ruins da Alemanha, que registrou queda de 0,2% do PIB, e da França, paralisada em 0%. Vejam: os números do Brasil podem não ser ideais, mas comparados com várias nações do velho continente, não estão tão mal assim.
Reflexão
Se quem é oposição a Dilma não aceita dados econômicos oficiais, não
tem como conversar. Se fossem manipulados, a mídia já teria desmascarado. Que dados então eu teria para argumentar? Admito que muitos empresários estão abusando na remarcação dos preços nos supermercados. Basta ver que os eles variam até 50% de uma rede para outra. Isso precisa de algum tipo de controle. Para mim não passa de um puro boicote à política econômica do governo. Os donos de supermercados estão especulando. Não pode ser outra coisa..
Eduardo Campos A morte de Eduardo
Antes de votar faça uma pesquisa para saber o passado dos candidatos. Não acredite apenas na propaganda eleitoral. Você vai perder somente alguns minutos e isso será decisivo para termos deputados decentes e honrados.
Sindicato Campos foi um duro golpe, que só o tempo absorverá. A princípio, a indicação de sua vice Marina Silva deve melhorar a performance do PSB. Só a campanha dirá. Marina terá pouquíssimo tempo de TV.
Tiro no pé
Fato
Nestes 12 anos - e olha que nunca fui do PT - o Brasil tirou uma Argentina da extrema miséria (40 milhões de pessoas). Economia estável rima com bem estar social! Podem chamar de assistencialismo. E o melhor: 70% dos chefes de família beneficiados pela Bolsa Família estão trabalhando. E as crianças matriculadas na escola e com as vacinas em dia! Isso é fato!
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O candidato tucano deve estar de cabelo em pé. Pesquisa Datafolha realizada já com a inclusão de Marina aponta a candidata do PSB à frente de Aécio. Para ele, que achava que iria capitalizar os votos de Eduardo Campos, foi um tiro no pé. É bom que o tucano acorde, pois cresce a possibilidade dele sequer disputar o segundo turno.
Foi um fracasso a tentativa de alguns jornalistas de pedir a renúncia da direção do Sindicato dos Jornalistas do Rio. A alegação era de que a categoria tinha sido desrespeitada, quando o sindicato cedeu seu auditório aos ativistas presos acusados de liderar as manifestações de rua. O sindicato não tem culpa pela falta de educação desses jovens. E mais: o auditório só foi cedido a pedido do Grupo Tortura Nunca Mais. O mais lamentável é que a tentativa de derrubar a direção sindical foi liderada por um profissional de imprensa pelo qual eu tinha o maior respeito. O mesmo demonstrou falta de espírito democrático. Seus argumentos foram pífios e sequer convenceram quem o apoiava.
Sindicato II
Voto O que incomoda é que a atual direção do sindicato não é composta por profissionais oriundos das grandes redações cariocas.
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A maioria nunca trabalhou em grupos midiáticos. A atual direção está enfrentando com coragem os donos de jornais e TVs que têm mostrado serem péssimos patrões. Basta ver a sequência de demissões na imprensa. Agora, mais do nunca, eles estão sendo questionados e até acionados na Justiça.
Seminário
No próximo dia 04 de setembro, na condição de presidente da Associação Carioca de Blocos e Bandas, estarei representando a entidade na segunda edição do Seminário de Carnaval de Rua de São Paulo. Vou abordar questões de infraestrutura e logística apresentando um panorama da realidade carioca. Darei várias sugestões que podem incrementar a folia paulista. A previsão é que em 2015 sejam autorizados cerca de 200 blocos em São Paulo.
Aplicativo blocos do Bafafá Já estamos trabalhando para viabilizar o aplicativo de blocos do site Bafafá Online de 2015. A novidade é que ele será bilíngue e terá versão iOS (para IPhones). Em 2014, o nosso aplicativo foi instalado por 22 mil pessoas no Rio de Janeiro. A nossa meta é dobrar os downloads em 2015.
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Os jornalistas precisam aprender a ouvir Sidney Rezende* A gigantesca massa humana que foi às ruas reivindicar mais qualidade de vida no ano passado obrigou-nos a refletir sobre o melhor modelo de como levar informação da luta social ao cidadão brasileiro. É como se nosso ofício diante daquela fratura exposta tomasse de 7 X 1. O impacto dos protestos repercutiu nas mídias local e global. Na ocasião, a imprensa foi duramente criticada. Talvez um pouco menos que governantes que não conseguiram melhorar os serviços de transporte, saúde, educação e segurança do país. O movimento popular entrou para a história e provavelmente demorará muito tempo a se repetir. O reflexo é sentido até hoje. Foi um bom momento para transformações. Mas ele foi desperdiçado. Esperava-se inovações nas práticas democráticas na nossa relação com a sociedade. É frustrante constatar que elas não vieram. Nem por parte da estrutura política e nem pelo modelo de gestão da Comunicação. Paralelamente, a “Mídia Ninja” e as ações dos black blocs partiram para o confronto e suas ações desencadearam mudanças na forma de cobertura de manifestações públicas. Principalmente da maneira como os repórteres sempre cobriram estes eventos. Ficou perigoso identificar o profissional com o veículo de comunicação a que ele pertence. Os repórteres foram descobrindo aos poucos, e de repente, que ocupar as ruas era muito perigoso. Alguns se intimidaram. Nosso dever é o oposto. Jornalistas têm a obrigação de estar justamente onde não se quer que eles estejam. Levar a notícia é parte inerente da vida de quem jurou se dedicar a este ofício. Neste momento, estamos mal parados. Nos últimos 15 meses, assistimos impassíveis a multiplicação do “Jornalismo Biquíni”, aquele que “mostra coisas interessantes, mas esconde-se o essencial”. O jornalismo tornou-se partido político e o jornalista torna-se notícia. E ainda pensa que isso é o certo. Não é. Antes de tudo isso, já se reclamava que a imprensa publicava a acusação sem devida apuração. Quantas vezes ouvimos que a denúncia ganha destaque na capa e o desmentido é publicado no rodapé da página interna. Não é de hoje que nos acusam de destruir reputações. Tom Wolfe, colega ilustre, já disse isso certa vez: “Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma”. Um dia um empresário me disse com toda a educação: “Por que quando realizo um evento importante no meu hotel vocês não citam o nome do estabelecimento? Mas se tiver um incêndio num quarto o nome do hotel é estampado na capa em letras garrafais?”. Precisamos parar de apontar o dedo em riste para quem julgamos ser os culpados. Jornalista não prende, não realiza inquérito, não julga. Jornalista deve informar tudo o que é pertinente ao fato. Não existe neutralidade,e
sim, isenção. Notícia não tem somente dois lados, e sim vários. Em alguns casos, incontáveis. Jornalista está se achando mais importante do que ele é. E com esta falsa convicção estamos sendo conduzidos para o cadafalso. Esta longa introdução é para chegarmos até uma conclusão simples: nós, jornalistas, não gostamos de ouvir. Não sabemos ouvir. Não aceitamos críticas. Somos arrogantes mesmo que não pensemos isso de nós. Talvez porque sejamos tão ludibriados, enganados por fontes maldosas e presos a horários perversos, que já partamos do princípio que estamos certos. Por não termos paciência com o outro, mesmo que este “outro” seja a fonte que alimenta nosso “produto”, estamos multiplicando este “ebola da arrogância” para as novas gerações de profissionais. E o grave é que os meninos que estão chegando são filhos de uma escola deficiente, com má formação cultural, educacional e intelectual. E o mais grave, essa turma diz detestar política. Arrisco dizer que a maioria sequer sabe a diferença do que faz um deputado para um senador. Nas redações, nossos templos de trabalho, os jornais de papel e as revistas raramente são abertos. Nada é lido. Os garotos dizem que esse hábito é para idoso. O aparelho de TV fica ligado num só canal. Por isso se tem uma visão única. Neymar disse que jogadores brasileiros têm preguiça de treinar. Jornalistas têm preguiça de ler. O rádio, veículo sempre atual, é algo alheio à “cultura” da nova geração. Mas será que os focas não se informam pela internet? Falso. A esmagadora maioria prefere trabalhar no ar condicionado, não circular onde está a notícia, não andar pelas ruas, não conversar pessoalmente com o povo. Se pudessem escolher a opção, seria navegar nas redes sociais. Os jovens curtem basicamente o que circula no Facebook. O compromisso primário da profissão: “Para quem trabalho? Para que serve meu ofício? Dedicação máxima para levar informação para quem não tem, ser útil aos pobres” são utopias. Na verdade, estamos caminhando para algo parecido com o que fez o mocinho de o “Planeta dos Macacos”. Seu laboratório gerou uma nova espécie de símio. O problema de não sabermos ouvir as ruas está nos empurrando para o descrédito. A imprensa surtou. Ao mesmo tempo que se chama ativistas sociais de vândalos, também é permitido chamá-los de jovens. Depende da ocasião. O pêndulo vai para um lado ou para outro conforme interesse específico. As redações que outrora abrigavam o pluralismo da sociedade hoje são redutos da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu. Vamos ouvir mais a opinião pública e menos a publicada, antes que seja tarde *Jornalista
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Pela Intransigente Defesa dos Direitos Humanos O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ vem a público expressar sua preocupação, indignação e repúdio em face da naturalização de formas de intimidação e de cerceamento da livre manifestação e organização que ferem o ordenamento jurídico do país e a existência de uma sociedade plural e garantidora dos direitos fundamentais. Isto tem se manifestado por meio de uma relação espúria entre o aparato policial, o judiciário e os grandes meios de comunicação, um dos fundamentos do terrorismo de Estado instalado no Brasil em 1964. De forma alarmante, a violência cotidiana praticada e institucionalizada pela polícia é legalizada por parcela do Ministério Público e do Judiciário e legitimada pela grande mídia. O “devido processo legal”, o “amplo direito de defesa”, a “presunção da inocência”, figuras jurídicas decisivas para um Estado Democrático de Direito, são transformadas em figuras retóricas. A grande mídia apresenta uma surpreendente e nada casual coordenação com a ação policial. Um jornalismo incriminatório que busca
criar o ambiente necessário para a ampliação das ações repressivas da polícia. O que começou com repressão ostensiva ao direito de manifestação pública, se desenvolveu em prisões intimidatórias e em violações de liberdades constitucionais, ganhando uma nova dimensão quando instituições de defesa de direitos humanos, sindicatos e outras instituições da sociedade civil se tornam o foco da ação policial. Destacamos o Instituto de Defensores de Direitos Humanos − que presta assessoria jurídica gratuita em violações de direitos fundamentais − que teve seus telefones grampeados, contas de emails invadidas e os contatos entre advogados e seus clientes monitorados. Da mesma forma, quando o Sindicato dos Jornalistas do município do Rio de Janeiro cede seu espaço para entidades de direitos humanos e familiares de ativistas que tiveram seus direitos violados, a grande mídia aproveita para um
Valor R$ 480,00
CNPJ 20.565.871/0001-60 ANÚNCIO R$ 480,
deputado estadual
combate de outro tipo: a fragilização de uma diretoria que se tornou um incômodo para os empresários das comunicações por suas posições firmes em disputas salariais e em relação às condições de segurança dos profissionais de imprensa, em especial, em um momento em que eles são seguidamente agredidos pela polícia em manifestações de rua. Consideramos que todas estas são ações nitidamente intimidatórias e que têm como fundamento a suspensão das garantias constitucionais para o exercício da liberdade civil. Consideramos que este é um momento muito delicado e preocupante, onde progressivamente se naturaliza a lógica de que a política pode voltar a ser tratada como caso de polícia, e de uma polícia cada vez mais política. Pela liberdade de manifestação. Rio de Janeiro, 30 de julho de 2014 Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
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Guto Goffi
Entrevista
Por Ricardo Rabelo
“Vamos voltar brevemente aos palcos” Flávio Augusto Goffi Marquesini, mais conhecido como Guto Goffi, começou ainda adolescente na música. Só não sabia que seu futuro estava destinado a ser o baterista da maior banda de rock do Brasil, o Barão Vermelho. Ele confirma que sugeriu o nome do grupo, em referência ao aviador alemão Manfred Von Richthofen, que lutou contra os aliados na Segunda Guerra. “Sabia da existência do piloto que tinha esse apelido. Gostava do nome, achava que tinha um impacto sonoro legal”, confessa. O que poucos sabem é que Guto é um dos principais compositores do Barão, ao lado de Cazuza e Frejat. Entre suas músicas, “Puro Êxtase” e “Tão longe de tudo”, sucesso nas paradas em todo o Brasil. Em entrevista ao Bafafá, Guto conta fatos de sua infância e juventude, os primórdios da carreira, a fundação da banda e detalhes sobre a respeitada escola de percussão Maracatu Brasil que criou em 2000. Ele garante que, apesar de uma pausa nos shows, o Barão Vermelho vai voltar. “Não posso anunciar quando ainda, mas vamos voltar brevemente aos palcos”.
Como foram a sua infância e Sempre acreditei muito no sucesso juventude? do que eu faço. Sonho muito, meu Morei até os seis anos em Botafogo, depois no Andaraí numa casa de vila. No meio disso, passei dois anos na Califórnia, nos Estados Unidos, onde minha mãe foi fazer mestrado. Morei lá de nove aos 11 anos. Tive uma infância normal, estudava em colégio público onde cantava o hino nacional hasteando a bandeira (riso). Morava na Rua Silva Teles, antes de instalarem a quadra do Salgueiro. Nesta região, o samba sempre foi muito forte e acabou me influenciando (riso). O primeiro disco que comprei foi do Martinho da Vila. Embora gostasse, fui parar no rock (riso). Quando adolescente comecei a ouvir bandas de rock e nunca mais saí disso (riso). Quando completei 14 anos voltamos a morar em Botafogo.
sonho é imensurável (riso). E olha que o João Araújo, pai do Cazuza, que era diretor da gravadora Som Livre, não apostou na gente. Quando soube que o filho cantava e fazia música ficou apavorado, pois tinha receio de que achassem que só gravaria o disco pelo fato da banda ser do filho dele (riso). Mas os cinco integrantes, que não se conheciam, acreditaram no projeto. E olha que o primeiro disco só vendeu sete mil cópias. O segundo também estava indo para a morte quando o Ney Matogrosso gravou “Pro Dia Nascer Feliz” chamando a atenção para a banda. A partir daí a nossa versão estourou e tocou seis meses no rádio (riso). Foi um sucesso absurdo e abriu as portas para nós.
Comecei em bandas no colégio mesmo sem saber tocar direito. Mas, já tinha vontade de aprender. Exercitava só a parte criativa. Em 1978 me inscrevi na Pro-Arte onde fui aluno do professor Joca Moraes até 1982 quando surgiu o Barão Vermelho. Com isso caímos na estrada e o resto aprendi com a vida mesmo (riso). Com isso sequer conclui o segundo grau, coisa que só fui fazer depois dos 40 ao cursar um supletivo (riso).
cesso com o disco Maior Abandonado e prestes a fazer uma turnê com jatinho particular e tudo. De repente o cantor sai... Ficamos uns seis meses sem falar com ele (riso). Mas, logo depois ele ficou doente e a gente relevou.
A saída de Cazuza abalou a Como foi a introdução à bate- banda? ria? Abalou total. Estávamos fazendo su-
Qual é a razão de ter sugerido o nome Barão Vermelho à banda?
Sabia da existência do piloto que tinha esse apelido. Gostava do nome, achava que tinha um impacto sonoro legal. Acabou pegando (riso).
Foi natural o Frejat assumir o vocal?
O Frejat compunha as melodias das músicas e acreditava que tinha voz para cantar. Chegamos a testar alguns cantores e acabamos escolhendo o Frejat (riso). E olha que é difícil cantar numa banda de rock! Sua voz hoje tem grave, médio e agudo. Isso ele aprimorou com exercícios e na prática.
Você esperava que o sucesso Quando revelou seu lado compoviesse a galope? sitor?
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Quando o Barão Vermelho começou, eu e o Maurício Barros, tínhamos três músicas. Com a chegada do Cazuza surgiram letras novas e nem me animava a escrever e compor já que gostava do que ele fazia. Quando saiu não podíamos ficar sem letrista, aí comecei a compor com o Frejat. As primeiras músicas foram “Torre de Babel”, “Declare Guerra”. Acho que devo ter umas 40 músicas em parceria com o Frejat na banda, entre elas, “Puro Êxtase”, “Meus As gravadoras caducaram? bons amigos”, “Tão longe de tudo”, As gravadoras não sabem ser vanesta última só minha. guarda, são as últimas a descobrir os novos talentos.
Qual é a sua fonte de inspiração ao compor? A Internet está sendo uma revoEu deixo vir naturalmente. Em 2001, lução na música? lancei o disco “Alimentar” com 20 músicas que tinha composto ao longo dos anos. Depois que me livrei delas, fiz mais 10 na sequência (riso). Minhas letras têm amor, sofrimento, solidão.
Para o artista que não tinha acesso a estúdios foi ótimo. A obra dos artistas pode e poderá ser vista sempre, mesmo daqui a 100 anos (riso).
E o papel das rádios?
Importantíssimo. As músicas do
Como é o relacionamento entre Barão Vermelho são cantadas de os músicos da banda? norte a sul do Brasil. O pipoqueiro Tivemos uma fase que entramos em choque por causa do desgaste dos anos. Fizemos uma primeira parada em 2001. Isso ajudou a refletir um monte de coisas. Quando voltamos em 2004 e fizemos uma turnê até 2007, foi excelente. Depois paramos novamente e voltamos em 2012. Acho que tem mais a ver a gente só tocar se for a formação original. Não tenho mais a mesma disposição e saúde de antes e, além disso, toco minha escola de percussão e um hostel. Não posso anunciar ainda, mas vamos voltar brevemente aos palcos.
conhece, o índio conhece (riso). Só o rádio tem esse poder!
E a volta do vinil?
Acho bárbaro, tem um som ótimo. O som de MP3 é 10 vezes pior. Mesmo assim, a indústria não deve voltar com força, pois com as impressoras 3D qualquer um vai poder gravar um LP em casa. Olha que merda...
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da bateria como maestro. É uma das coisas mais maravilhosas que eu já fiz. Estou amando. Acho que é por aí que o Brasil pode virar o jogo no futuro.
O projeto DiscoZeca está fazendo um ano. O que tem a dizer desta experiência?
e mestres que tocavam tambor de criola e outros ritmos. Adorei e corri atrás desses caras comprando instrumentos diferentes, alguns feitos com sementes. Com isso acabei montando uma coleção de tambores exóticos, diferentes. Aí pensei: preciso fazer algo novo. Em agosto de 2000, resolvi abrir um local com loja de instrumentos, salas para aula de bateria, estúdios para alugar e ainda um bar com música ao vivo. Um dia, passando na Rua Ipiranga me deparei com uma casa para alugar. Aluguei a parte da frente e depois a casa toda (riso). Com isso, organizei workshops com artesãos de instrumentos, de batucada. Fiz ainda oficinas de ritmos brasileiros. Hoje a escola dá aula de vários instrumentos. Com isso contribuímos para a retomada do carnaval de rua carioca já que vários blocos nasceram em nossas oficinas.
Ainda dá aula de bateria na O que o levou a abrir uma escola comunidade da Maré? Sim. Participo de um projeto sode percussão? Antes da parada do Barão, eu comecei a ter contato com artesãos de instrumentos da cultura popular
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cial na Maré onde dou aula para jovens uma vez por semana. Toco repinique, fico também na frente
Acontece toda sexta-feira. Tínhamos a coleção de vinil do jornalista Ezequiel Neves sem uso. Resolvi fazer o projeto DiscoZeca para tocar esses discos e pockets shows com instrumentistas. Está sendo um sucesso e acaba de fazer um ano. O público encontra ainda um bar com cervejas importadas e artesanais. Por enquanto estamos pagando os custos, mas estamos procurando empresas interessadas em patrocinar.
Vai votar em quem para presidente?
Honestamente eu vou de Dilma. Se formos comparar o que o PT fez nos últimos 12 anos chega a ser humilhante com outros governos. Conseguiu tirar 40 milhões de pessoas da miséria absoluta. Isso não tem preço. Embora ache que corrupção é problema de polícia e do Ministério Público.
Ninguém elogia as coisas boas, só critica. Boto fé que o Brasil vai atropelar e arrebentar no futuro. Tem alguma utopia?
Que as pessoas não falem mal do Brasil. Tem gente que só sabe fazer isso. Para mim vivemos no melhor país do mundo, acredito demais nele. Ninguém elogia as coisas boas, só critica. Boto fé que o Brasil vai atropelar e arrebentar no futuro.
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Selo Para marcar o Dia Mundial da Ação Humanitária – celebrado em todo o mundo no dia 19 de agosto – a Organização das Nações Unidas no Brasil, a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e o Ministério das Relações Exteriores lançaram um selo postal em homenagem ao brasileiro Sergio Vieira de Mello. O Dia Mundial da Ação Humanitária coincide com o atentado terrorista de 2003 no Hotel Canal em Bagdá (Iraque), que tirou a vida de Vieira de Mello e de outros 21 funcionários das Nações Unidas. Então com 55 anos, Vieira de Mello era o representante especial do secretário-geral para o Iraque, e o atentado levou a Assembleia Geral da ONU a proclamar, em 2008, o 19 de agosto como o Dia Mundial da Ação Humanitária. Fonte: ONU
Mostra Ocupação Zuzu Angel Até 02 de novembro estará aberta a mostra Ocupação Zuzu, no Centro Cultural Paço Imperial, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN. A exposição, que recebeu 45 mil visitantes em São Paulo, reúne um acervo com mais de 400 itens entre trajes, vídeos, fotografias, documentos e outras criações de Zuzu. A curadoria é de Hildegard Angel (filha da homenageada) e Valdy Lopes Jn. Além de remontar um momento importante da moda brasileira, o público terá acesso a documentos que mostram o lado militante da estilista, alguns desses nunca expostos anteriormente. Sua militância iniciou, após o desaparecimento de seu filho, Stuart Angel, militante do grupo MR8, morto por agentes do Regime Militar. Durante todo o período da exposição, em dias alternados, atrizes, dirigidas pela estilista e consultora Karlla Girotto, farão performances-surpresa entre o público. Vestidas com réplicas de roupas desenhadas por Zuzu, elas lerão trechos de suas cartas. A estilista morreu no dia 14 de abril de 1976, aos 54 anos de idade, em um acidente de carro forjado pelos militares. A discussão sobre a morte de Zuzu e Stuart Angel foi reacendida, recentemente, pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) que reabriu os casos, levantando o debate sobre o tema. Ocupação Zuzu De 14 de agosto a 2 de novembro de 2014 Coquetel de abertura: 14 de agosto ás 18h30 Local: Paço Imperial – Praça Quinze de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro - RJ
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Entrada franca Horário de funcionamento: Ter-Dom, 12h -18h Fonte: Iphan
12º F estcineamazônia :
inscrições
abertas Estão abertas as inscrições para as mostras competitivas do 12º Festcineamazônia – Festival Latino Americano de Cinema e Vídeo Ambiental, com prazo até o dia 30 de agosto. O festival, que se propõe a criar um espaço de discussão sobre as causas ambientais, acontece entre os dias 4 e 8 de novembro na cidade de Porto Velho (RO). Curtas e médias-metragens de ficção, documentário, animação e experimental poderão ser inscritos nas categorias competitivas do evento, tendo os longas-metragens a possibilidade de exibição em mostras itinerantes, fora de competição. Na competição, serão aceitos filmes com até 26 minutos de duração, produzidos em qualquer formato, realizados a partir de 2012 e inéditos no festival. Para se inscrever, o interessado deverá preencher um formulário de inscrição online, onde deverá incluir uma imagem de divulgação do filme. O arquivo da obra audiovisual deverá ser enviado por via postal (em DVD ou pen drive) para o endereço indicado no regulamento. A inscrição é gratuita e cada realizador poderá enviar até três obras para seleção. Mais informações: http://www.cineamazonia.com Fonte: Ancine
Morro da Conceição: pérola do Rio Em pleno Centro do Rio, junto à Região Portuária, se esconde uma pérola da arquitetura carioca. É o Morro da Conceição com seus casarões bem conservados, semelhante aos dos tradicionais bairros portugueses. Com acesso de carro pela Rua do Acre e por diversas escadarias junto à Gamboa, entre elas a famosa Pedra do Sal, o Morro da Conceição abriga prédios de valor histórico: o Palácio Episcopal, atualmente ocupado pelo Serviço Geográfico do Exército, a Fortaleza da Conceição (de 1718), a Igreja de São Francisco da Prainha (1696) e o Observatório do Valongo. Quem circula pelas ruelas, becos e ladeiras do local parece estar numa cidade do interior, em pleno Centro. O ambiente bucólico e a segurança do local
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atrairam dezenas de ateliês de artistas plásticos, na Ladeira João Homem e Rua do Jogo da Bola. Os turistas podem ainda apreciar a bela vista do Porto em diversos mirantes ao longo do morro. O lugar vai passar por uma ampla reformulação com a recuperação da área portuária que vai abrigar um grande complexo turístico-gastronômico. Este passeio é imperdível para cariocas e turistas. A melhor dica: vá de táxi e não tenha hora para ir embora. Palavra do Bafafá!
Pista Cláudio Coutinho Encravada no pé do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, em área de preservação ambiental, a Pista Cláudio Coutinho brinda os presentes com um lindo visual do mar, da floresta e da montanha. Os 1.250 metros de extensão podem ser percorridos com total segurança por ser tratar de área militar. Conhecido também como Caminho do Bem-te-vi, apresenta uma diversidade variada de plantas, animais, além de paredões rochosos, ideais para a prática de alpinismo. No local podem ser encontrados (e até alimentados) micos e pássaros variados. Um requisito obrigatório é levar máquina fotográfica. É um passeio que faz bem à alma, à saúde, num lugar privilegiado pela natureza. E o melhor: com entrada franca. Pista Cláudio Coutinho Praia Vermelha (à esquerda) – Urca Ônibus circular 511 e 512 (descer no final da Av. Pasteur) Estacionamento no local. Diariamente de 06h às 18h Entrada Franca
Festival do Rio 2014 Maior festival de cinema da América Latina, o Festival do Rio acontece entre os dias 24 de setembro e 08 de outubro de 2014. Ele apresenta anualmente mais de 300 filmes de mais de 60 países, dando destaque para a recente produção brasileira e latino-americana. Entre as mostras, Panorama, Expectativa, Première Brasil, Midnight, Première Latina. Mais informações: www.festivaldorio.com.br
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Sublime: 130 marcas de cervejas do mundo
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Bartman: o bar temático do Catete
Não é preciso percorrer os quatro cantos do mundo para experimentar as melhores cervejas. Desde fevereiro de 2014, a loja Sublime no Flamengo disponibiliza 130 marcas para o público carioca. Localizada na galeria junto ao antigo Cine Paissandu, é possível encontrar as “loiras” de países como EUA, Alemanha, Inglaterra, Escócia, Holanda e República Checa, entre outras. Uma verdadeira tentação. As cervejas podem também ser consumidas no local, mas a casa só dispõe de 10 lugares. O dono da Sublime, Rodrigo Bortolon, explica que a ideia da loja nasceu depois de concluir que o Rio de Janeiro tem cada vez mais mercado para cervejas especiais. “Nossos clientes vão desde cervejeiros experientes a pessoas ávidas por conhecer outras marcas e sabores”. Ele garante que a preferência pela marca varia. “O segredo para uma boa cerveja depende de quem está provando. É preciso ousar para descobrir entre os diversos rótulos”, assinala. A Sublime não tem outro cardápio além de cervejas. Para beliscar apenas biscoitinhos salgados, mas nada impede do cliente levar seus acompanhamentos, como queijos, por exemplo. A casa promove eventualmente encontros de degustação e palestras de como harmonizar a cerveja com diferentes comidas. No local é possível ainda encontrar acessórios como taças especiais e kits de presentes.
O Bartman é um bar temático, localizado no Catete, em homenagem ao super herói Batman. A decoração é voltada para o personagem que encanta gerações e a casa tem trilha sonora dos anos 70 e 80. Destaque para bonecos da família de heróis, luminárias psicodélicas e cartazes na parede de clássicos de ficção científica. O local funciona como bar, mas serve deliciosos pratos no almoço, preparados pelo cozinheiro de um renomado restaurante carioca. No cardápio, salmão com molho de maracujá, filé mignon ao molho de gorgonzola, feijoada, entre outros. Outro forte da casa são os petiscos: carne seca desfiada com aipim frito, batata frita com bacon e provolone, gurjão de frango e pastéis diversos. Boa pedida são as diferentes cervejas: Serramalte, Boêmia, Original, Heineken e Teresópolis. Inaugurado em 2010, o Bartman realiza eventualmente jam sessions de jazz e de blues. O dono do lugar, Rogério de Souza, explica que está refazendo a programação. “Vamos fazer pocket shows tocando a trilha sonora de filmes que serão exibidos simultaneamente”. O bar é uma graça de lugar! Palavra do Bafafá!
Sublime Rua Senador Vergueiro, 45 Loja 1 – Flamengo – Rio de Janeiro (aceitas cartões de débito e crédito). Informações: 3738-0466
Bartman Rua Buarque de Macedo, 83 A – Catete – Rio de Janeiro Fone: Funcionamento: Segunda a quinta de 11h às 01h, sexta e sábado de 10 às 02h - Aceita cartões de débito e crédito
A Agenda mais democrática do Rio de Janeiro: www.bafafa.com.br