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Ano 13 - Nº 109 - Setembro 2014

Entrevista

Tom Zé

Distribuição Gratuita

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a t s i t r a i e “Vir i r b o c s e d o d n a qu a r e e qu o m i s pés ” r o t can Antônio José Santana Martins, conhecido artisticamente como Tom Zé, nasceu em Irará na Bahia. Seu interesse pela música começou ainda adolescente e nunca mais parou. Um dos precursores da Tropicália, ao lado de Caetano e Gil, é um artista polêmico, com opiniões marcadas por frases existenciais. Aos 77 anos, acaba de gravar seu 25º disco “Tropicália Lixo Lógico”, com jovens artistas. “Eu encontrei vazios no meu esôfago, fígado, estômago e botei eles para ajudarem na fabricação dos elementos que vão influenciar meu cérebro”, revela. Sobre o tropicalismo, garante: “Quando houve essa agitação cultural, ela serviu de gatilho e liberou aquela visão de mundo que vem da oralidade, que não obedecia à lógica aristotélica, cartesiana”. O músico faz ainda uma revelação inusitada. “Descobri desde cedo que era um péssimo cantor, um péssimo violonista e um péssimo compositor”.

Nesta : o Ediçã

Leia mais nas páginas 8 e 9

Leonardo Boff José Maria Rabelo

Ricardo Rabelo


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Editorial Um tortuoso caminho As contradições de Marina estão levando-a a uma situação de progressivo descrédito perante a opinião pública. Pregando uma renovação política radical, aliou-se de início a um nome comprometido com as velhas estruturas políticas de Pernambuco. Já como cabeça de chapa, revelaram-se suas espúrias relações com o Banco Itaú, o maior do País, reproduzindo uma das mais antigas e condenáveis práticas eleitorais, que é o conúbio com os donos do poder financeiro. Em seguida, como numa forma de retribuição ao apoio recebido, anunciou sua proposta de autonomia do Banco Central, uma veemente reivindicação do sistema bancário. Em matéria de costumes, manifestou sua identificação com a causa dos movimentos gays, para pouco depois, repreendida pelos pastores de sua igreja, voltar atrás e dizer que fora apenas um equívoco. E, talvez na decisão mais grave de todas, criticar o apoio do governo à exploração do pré-sal, nossa maior riqueza mineral. Ainda em relação ao petróleo, ela se associou aos mais ferozes inimigos da Petrobras, repetindo em suas críticas as opiniões das provectas linhagens do entreguismo nacional. Líder ambientalista e dos trabalhadores rurais, especialmente os seringueiros, tem como companheiro de chapa um dos ativos defensores dos agrotóxicos e do agronegócio. Distanciando-se de seus ex-companheiros que foram vítimas da Ditadura, mostrou-se agora contrária à revisão da Lei de Anistia, única forma de levar à cadeia os torturadores do regime militar. Seu programa de governo, dito moderno e renovador, repete em

diversos pontos o do PSDB, partido do conservadorismo brasileiro. Há algumas partes em que o programa é a simples cópia da proposta tucana. Na parte econômica, em particular, em que é assessorada por um grupo de economistas que pertenceram ao governo FHC, sua plataforma é ainda mais ortodoxa que a do PSDB. As pesquisas eleitorais traduzem de maneira clara essa queda do prestígio da candidata. Sua diferença para Dilma Rousseff, especialmente no segundo turno, era considerável, assegurando-lhe a vitória se a eleição ocorresse algumas semanas atrás. Na consulta do IBOPE, em 25 de agosto, ela teria 45 pontos, contra 36 de Dilma, uma vantagem de 9 pontos. Quinze dias depois, na pesquisa de 8 de setembro, a diferença caiu para um ponto (43 a 42), caracterizando um empate técnico. Outras pesquisas, embora com números diferentes, no geral confirmam o resultado. E não adiantará chorar, passando-se por vítima, pois se o eleitor tem pena de quem chora, tem receio e dúvidas de governantes que não sabem enfrentar com coragem as críticas recebidas. Este era o quadro eleitoral quando redigimos a presente nota, com a necessária antecipação de alguns dias, devido à periodicidade de nosso jornal. Pode ser que a tendência se altere daqui para diante. Mas dificilmente isso acontecerá, se Marina seguir pelo mesmo caminho de sinuosidades e incongruências seguido até agora.

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Departamento de Comunicação da PUC, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Galeria Catete 228, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).

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A velha e implacável campanha José Maria Rabelo*

A campanha contra a Petrobras tem raízes antigas, anteriores mesmo a sua criação. Os eternos inimigos de nossa soberania sustentavam a tese de que o Brasil não dispunha de petróleo, que estaria concentrado no outro lado do Continente, ao longo de todo o Pacífico, perto de nós, mas fora do alcance de nossas mãos. Seria uma espécie de maldição geográfica, determinada pelos criadores do Universo, que teriam nesse terreno uma inexplicável má vontade contra nosso País. Ao contrário do que dizia a lenda, nesse terreno Deus não seria brasileiro... Desde antes da Revolução de 30, o tema do petróleo começou a despertar as atenções de setores importantes da vida nacional. A principal figura daquela época e dos anos seguintes, em torno do assunto, foi o escritor Monteiro Lobato, que chegou a organizar duas ou três empresas para a exploração de nossos eventuais recursos petrolíferos. Na defesa de suas teses, publicou dois livros, de grande importância para o debate do problema, que tiveram enorme repercussão: A Luta pelo Petróleo no Brasil e O Escândalo do Petróleo. Por causa das fortes críticas que fazia ao governo, acabou sendo preso e condenado a seis meses de prisão. No governo do general Eurico Gaspar Dutra, de 1947 a 1950, quando o mundo já entrava na chamada Guerra Fria, tendo de um lado os EUA e seus aliados e de outro a antiga União Soviética, o Brasil viveu um momento de intensa atividade política, aparecendo como um de seus temas centrais

a questão do petróleo. O general Dutra defendia a participação estrangeira em sua exploração, tendo inclusive enviado mensagem ao Congresso naquele sentido. Desenvolveu-se no País um dos mais fortes movimentos populares de sua história, o do chamado “O Petróleo é Nosso”, que forçou a revisão da proposta presidencial. Eu me lembro que, como estudante, participei intensamente do movimento, tendo por isso sido preso duas vezes, uma em Belo Horizonte e outra no Rio.

O governo seguinte, de Getúlio Vargas, estatizou a prospecção, a refinação e a comercialização do petróleo, com a criação da Petrobras, em 1953. Por sua firme posição na defesa de nossos recursos petrolíferos, Vargas enfrentou uma violenta artilharia sustentada pela grande imprensa e outros círculos conservadores, contrários à propriedade

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estatal daquela riqueza fundamental e a favor de sua entrega aos consórcios internacionais. Muitos atribuem seu suicídio, com um tiro no coração, ao cerco feroz que se fez em torno de sua pessoa. Na Ditadura, a ação contra a Petrobras não se interrompeu, mas não atingiu seus fins devido à posição nacionalista de alguns chefes militares. No governo de Fernando Henrique Cardoso, quase chegou lá. Por pouco, a Petrobras não foi privatizada. Já tinham até mudado o nome da companhia para Petrobrax, com o objetivo de desnacionalizá-lo e agradar aos interesses dos grupos estrangeiros interessados no negócio. Nos últimos meses, a campanha retornou com o furor antigo, tendo à frente, como sempre, a Rede Globo, seguida, dentre outros, por esse pitbull senil e decadente, que é a revista Veja. Todo o tão apregoado escândalo da Refinaria de Passadena, exibido como a denúncia da vez, resume-se a isso: a um mau negócio que teria sido a compra da empresa norte-americana, o que aliás até hoje não foi comprovado, havendo muitas e díspares opiniões a respeito. Seria portanto um caso de improbidade administrativa, que deveria ser investigado pelos órgãos internos da empresa e pelas instituições de fiscalização e controle público. Toda a maquinação publicitária que se armou a propósito tem o mesmo sentido das velhas campanhas e do velho ódio à Petrobras. Agora, com um novo ingrediente: o pré-sal e sua importância para o futuro do Brasil. *Jornalista


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Marina Silva: aquela que mudou de lado Leonardo Boff*

alianças se farão, provavelmente, com o PSDB e com o PMDB e terá assim

Já vai acalorada a campanha presidencial com uma disputa aberta entre

que engolir José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor que ela tanto

Dilma Rousseff, atual Presidenta e a pretendente Marina Silva. Trata-se,

abomina. Caso contrário, Marina corre o risco de não ver passar no parla-

na verdade, do confronto de dois projetos: a manutenção por parte do PT

mento, os projetos que propõe, por falta de base de sustentação.

de um projeto progressista, marcado por fortes políticas públicas que per-

mitiram integrar uma Argentina inteira na sociedade organizada. A prática

Jardim do Éden: tudo é harmonioso, todos são cooperativos e não há

política, imposta pelas elites, era de os governos fazerem políticas ricas

conflitos por choques de interesses. Esquece que vivemos num tipo de

para os ricos e pobres para os pobres. Mas aconteceu uma viragem em

sociedade de mercado (e não apenas com mercado) como a nossa que

nossa história. Alguém do povo chegou ao centro do poder e conferiu outra

se caracteriza pela competição feroz e por parca cooperação. Estimo que

direção ao poder político. Não se pode negar que o Brasil numa perspectiva

Marina, religiosa como é, se inspire no sonho do paleo-cristianismo dos

Quem a escuta e lê seu programa parece que fez um passeio pelo

geral, especialmente na ótica dos pobres, melho-

Atos dos Apóstolos onde se diz que “a multidão

rou muito. Negá-lo é mentir à realidade.

era um só coração e uma só alma; ninguém

considerava sua a propriedade que possuía; tudo

A este projeto progressista se opõe o que a

candidata Marina chama de “nova política”. Quan-

entre eles era comum”(At 4,32).

do observada de perto, porém, não passa de um

projeto conservador e velho que beneficia os já

mudou de lado. Antes quando estava no PT do qual

beneficiados e que alinha o país à macroecono-

é uma das fundadoras falava-se na opção pelos

mia voraz que faz com que 1% dos americanos

pobres e por sua libertação. Construía no canteiro

possua o equivalente ao que 99% da população

dos explorados e injustiçados. Agora ela constrói

ganha. Esse projeto visa conter o processo pro-

no canteiro dos seus opressores: os endinheira-

Estas opções mostram claramente que ela

gressista, evidentemente, sem anulá-lo, porque haveria, sem dúvidas,

dos, os bancos, o capital financeiro e especulativo. Leva a eles o tijolo, o

uma rebelião popular.

cimento e a água. Seus assessores na economia são todos neoliberais. Os

As opções do PSB e de Marina Silva representam um retrocesso do que

seringueiros do Acre e a família de Chico Mendes, este colocado entre as

havíamos ganho em 12 anos. A centralidade não será o Estado republicano

elites, numa formulação infeliz e até injuriosa feita por Marina. Eles são

que coloca a “coisa (res) pública” em primeiro plano, o estado dinamizador

conscientes de que foram agentes dessas elites que o assassinaram; por

de mudanças que beneficiam as grandes maiorias a ponto de ter em 12

isso, protestaram veementemente contra sua opção e reafirmaram a

anos diminuído a desigualdade social em 17%. O foco é o Estado menor

tradição do PT apoiando a candidata Dilma.

para conceder maior espaço ao mercado, ao livre fluxo de capitais sem lei,

reafirmando as teses neoliberais: o aumento do superávit primário, que

presidência, por um projeto pessoal, custe o que custar. Diz-se por ai, que

se faz com corte dos gastos públicos, com arrocho salarial e desemprego

uma profetiza de sua igreja evangélica, a Assembleia de Deus, profetizou

para assim controlar a inflação e finalmente impondo a autonomia do Banco

que ela, Marina, seria presidenta. E ela crê cegamente nisso como crê no

Central. Especialmente este último ponto é grave porque um presidente foi

que, diariamente lê na Bíblia, passagens abertas ao acaso, como se aí se

eleito também para gerenciar a economia (que é parte da política e não da

revelasse a vontade de Deus para aquele dia. São as patologias de um

estatística) e não entregá-la às pressões dos capitais, dos bancos e dos

tipo de compreensão fundamentalista da Bíblia que substitui a inteligência

rentistas. Seria um atentado à soberania monetária do país.

humana e a busca coletiva dos melhores caminhos para o país.

Este projeto velho, foi aplicado no Brasil pelo governo do PSDB, não deu

Minha suspeita é de que Marina persegue o poder e visa a alcançar a

Serei duro na crítica? Sou. E o sou para alertar os eleitores/as sobre

certo, quebrou a economia da União Europeia e lançou o mundo numa crise

a responsabilidade de eleger uma presidente com tais ideias. Já erramos

da qual ninguém sabe como sair. O efeito imediato será, como referimos,

duas vezes, com Jânio e com Collor. Não nos é mais permitido errar agora

o arrocho salarial e o desemprego com o repasse de grandes lucros para

que a humanidade passa por uma grave crise global, social e ambiental

os donos do capital financeiro e dos bancos.

e que reverbera em nosso país. Não devemos desistir do que deu certo e

Marina quer governar com os melhores da sociedade e dos partidos, por

avançou e que deve ainda ser mais aprofundado e enriquecido com novas

cima das alianças inevitáveis no nosso presidencialismo de coalizão. As

políticas públicas.

*Teólogo e escritor


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Ricardo Rabelo Pesquisas eleitorais

Chega a ser escandalosa a manipulação das pesquisas eleitorais. Os principais institutos, contratados pelos grandes veículos de comunicação, orquestram os resultados na tentativa de induzir o eleitor. Cientes de que esta fraude não se sustenta, só divulgam os verdadeiros resultados perto da eleição sob a ameaça de cair no descrédito total. Em todos os pleitos, a prática se repete. Nesta eleição, no primeiro turno, chegaram a dar empate técnico entre Dilma e Marina, enquanto os números eram francamente favoráveis à presidente. Como num passe de mágica, Dilma volta a crescer nesta reta final. A verdade é que ela nunca caiu.

Pesquisas eleitorais II

Confira umas situações curiosas: a candidata Marina “disparou” nas pesquisas logo depois do início do horário gratuito, apesar de dispor de apenas dois minutos diários de propaganda. Sua rival, Dilma, estagnou apesar de ter 11 minutos. Nem mesmo o melhor matemático

ou especialista em marketing seria capaz de explicar este fenômeno. Outro fato curioso: antes da propaganda os candidatos nanicos chegavam a ter até 8% dos votos nas pesquisas. Agora, com horário gratuito, não chegam a 2% dos votos. No início da campanha, a tentativa dos institutos era a de “inflar” os nanicos para evitar a vitória de Dilma no primeiro turno.

CPI das pesquisas

Sou favorável que seja criada no Congresso uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a metodologia e as planilhas dos institutos. A sociedade não pode ficar refém desta manipulação vergonhosa. Defendo ainda que as pesquisas só possam ser contratadas pelo Tribunal Superior Eleitoral com verba pública. Só assim será possível impedir que grandes grupos midiáticos usem esta ferramenta para fraudar as eleições. Acho que manipular pesquisa é tão grave quanto comprar voto.

Marina

Nem mesmo com apoio

da grande mídia e dos institutos de pesquisa, Marina Silva consegue sustentar-se. Sua queda se dá muito mais pelas contradições no seu programa de governo. Um dia diz uma coisa e no outro desmente. Nunca vi na minha vida tantos recuos num programa de governo. O fato prova que não existe uma proposta homogênea. Isso é muito grave, pois se vier a ser eleita, tudo pode acontecer. Acho sinceramente que país não pode entrar em aventuras, principalmente depois de conquistar estabilidade econômica, política e social. Acho que até muitos adversários de Dilma já estão enxergando isso.

Aécio

O grande fiasco desta eleição chama-se Aécio Neves. O candidato assumiu uma postura arrogante e calçou o salto alto o tempo todo. Seu desempenho chega a ser ridículo. Em alguns estados, como Pernambuco, virou candidato nanico

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com apenas 2% dos votos. O tiro de misericórdia vai ser em Minas Gerais onde só um milagre tira a vitória do candidato adversário petista Fernando Pimentel. Esta derrota interrompe 16 anos de comando tucano em Minas. E será a primeira vez em 20 anos que o PSDB fica de fora do segundo turno da eleição presidencial. Está claro que o discurso de Aécio não “colou”.

Aécio II Fontes confiáveis me garantem que a maioria dos funcionários do comitê central do Aécio em Belo Horizonte irá votar em Dilma. Quem está esperando que Aécio transfira todos os votos para Marina pode estar dando um “tiro no pé”.

Mídia

É impressionante como o jornal O Globo assumiu uma postura claramente anti-Dilma nesta eleição. Levantamento que fiz nos arquivos da publicação revela que, entre os dias 01 de agosto e 15 de setembro, 34 capas estampavam manchetes depreciativas da presidente, do governo ou do PT. A prática foi diária e sistemática. Em alguns casos, fatos relevantes do país e da cidade foram ignorados em detrimento de notícias desfavoráveis à Dilma. É como se a eleição tivesse mais um candidato de oposição disputando. Isso sem falar na Veja, a revista mais tendenciosa da imprensa brasileira.

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Filhos candidatos

N e s ta eleição está acontecendo um festival de candidaturas de filhos e netos de políticos. Em alguns casos, membros da mesma família disputam a eleição para deputado estadual e federal, senador e até governador. Acho que esta prática deveria ser coibida para impedir a formação de “currais” eleitorais. Em alguns casos, a prática vem sendo usada até por candidatos acusados de corrupção. Neste caso, para despistar, usam o sobrenome da mãe ou do avô. Defendo que seja aprovada uma lei que permita que apenas um integrante da mesma família (de primeiro grau) dispute a eleição

Apelo ao eleitor

Volto a repetir nesta coluna: dedique alguns minutos de seu tempo para encontrar um candidato digno de confiança. Não decida seu voto sem antes checar o passado do postulante. Evite votos por parentesco, em artistas ou jogadores de futebol apenas pela fama de cada um. Confira se eles têm alguma proposta relevante que possa fazer diferença. Valorize seu voto, isso é um ato de cidadania!


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Artistas, intelectuais e cientistas apoiam Dilma

CNPJ Jornal 08376871/0001-16 - CNPJ Candidato 20.578.713/0001-44 - Valor: R$ 600

De forma similar ao ato de 2010, artistas e intelectuais se reuniram com Dilma e Lula no Teatro Casa Grande, no Rio, no dia 15 de setembro. O ato contou com a participação de grande e expressivo numero de artistas, intelectuais e cientistas, além de representantes de movimentos religiosos e sociais. Na ocasião, foi divulgado um abaixo-assinado com o seguinte texto que Bafafá reproduz: A primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes – o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação. Nós consideramos que nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados. Consideramos que é essencial assegurar as transformações que ocorreram e ocorrem no país, e que devem ser consolidadas e aprofundadas. Só assim o Brasil será de verdade um país internacionalmente soberano, menos injusto, menos desigual, mais solidário. Abandonar esse caminho para retomar formulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso. O brasileiro já pagou um preço demasiado para beneficiar os especuladores e os gananciosos. Não se pode admitir voltar atrás e eliminar os programas sociais, tirar do Estado sua responsabilidade básica e fundamental.

É NOSSA

GUERREIRA!

O Brasil precisa, sim, de mudanças, como as próprias manifestações de rua do ano passado revelaram. Precisa, sem dúvida, reformular as suas políticas de segurança publica e de mobilidade urbana. Precisa aprofundar as transformações na educação e na saúde públicas, na agricultura, consolidando com ousadia as políticas de cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia, e combatendo, sem trégua, todas as discriminações. O Brasil precisa urgentemente de uma reforma política. Mas precisa mudar avançando e não recuando. Necessita fortalecer e não enfraquecer o combate às desigualdades. O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros. Por isso apoiamos Dilma Rousseff. O abaixo-assinado tem a adesão das seguintes personalidades: Luis Fernando Veríssimo, Paulo José, Frei Betto, Flavio Aguiar, Leonardo Boff, Marilena Chauí, Maria Conceição Tavares, Beth Carvalho, Fernando Morais, Alcione, Chico César, Teresa Cristina, Wagner Tiso, Silviano Santiago, Luis Pinguelli, João Pedro Stedile, Emir Sader, Ivana Bentes, Hugo Carvana, Juca Ferreira, Eric Nepomuceno, Chico Diaz, Silvia Buarque, Osmar Prado, Vera Niemeyer, Noca da Portela, Monarco, Nelson Sargento, Sergio Ricardo, Cecília Boal, Claude Troigross, Paulo Lins, Oto Ferreira, Dudu Falcao, Samuel Pinheiro Guimarães, Luis Nassif, Benvindo Siqueira, Amir Hadad, Sergio Mamberti, Candido de Oliveira, Beth Mendes, Angela Vieira, Miguel Paiva, Tonico Pereira, Zezé Motta, Rildo Hora, Isabel Lustosa, Julita Lengruber, Caique Botkay, entre tantos outros.


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Petrobrás volta a ser alvo de ataques

Informe Publicitário

Mais de sessenta anos de-

Próximo às eleições presidenciais, o embate entre esses

tecnologia que permitiu a descoberta do pré-sal. O Brasil

pois de criada, a Petrobrás volta

dois campos se acirra. De um lado está o grande capital

está entre as principais empresas de petróleo do mundo,

ser violentamente atacada no de-

e os mesmos interesses que levaram Getúlio à morte; de

tanto em reservas de petróleo como em tecnologia. A

bate eleitoral. Mesmo garantindo

outro os que insistem em defender a soberania nacional.

Petrobrás tem condições de financiar a dívida social que

a produção de petróleo e gás, o

Os entreguistas agora se escondem por trás de uma CPI

temos com nosso povo.

fornecimento de combustíveis, a comercialização, o

eleitoreira que visa tão somente desgastar a empresa,

transporte e a autossuficiência na produção de petróleo.

para privatizá-la. Tentam macular a imagem da Petrobrás,

lisura dos órgãos federais, o ineditismo que representa a

A história da Petrobrás se confunde com a luta do povo

escudados em denúncias de corrupção e de desvio de

prisão do diretor de uma empresa do porte da Petrobrás.

brasileiro. Nas décadas de 1940-50, durante a campa-

conduta de um diretor, Paulo Roberto Costa, além da

Além disso, uma coisa é investigar os atos da presidente

nha “O Petróleo é Nosso!”, o povo nas ruas garantiu a

presidente da companhia, Maria das Graças Foster.

da companhia. Outra é querer destruir a empresa.

sua criação e o monopólio da União sobre o petróleo.

O diretor está preso. Já Foster assumiu o posto, apesar

Aquela mobilização popular foi vitoriosa, mas custou

de uma enxurrada de denúncias envolvendo seu nome.

tização da Petrobrás. Deve estar falando em nome do

prisões, perseguições e a morte de muitos brasileiros,

Muitas delas estão postadas na página do Sindipetro-

deus mercado, que aqui na terra pode tudo. Interessante

inclusive do presidente Getúlio Vargas. Nesse período, o

-RJ há mais de ano. Mas, na época, a imprensa preferiu

é que os presidenciáveis que atacam a companhia nada

petróleo ainda era um sonho. Na década de 1990, para

ignorá-las e erguer a presidente à condição de uma das

falam sobre os bancos e os grandes empresários. Estes

barrar as privatizações, principalmente a da Petrobrás,

dez mulheres mais poderosas do mundo, ao invés de

sim, lideram a lista de sonegação e são os corruptores

os petroleiros fizeram uma greve de 32 dias, com parada

cobrar a apuração dos fatos junto ao Ministério Público

que alimentam escândalos como o mensalão, metrô de

de produção, a maior da sua história.

e à Polícia Federal.

São Paulo, sanguessuga fiscais da prefeitura de São

Paulo, privatizações, etc.

No confronto entre entreguistas e nacionalistas, os

A mesma imprensa que antes enaltecia Graças Foster

Deveria ser motivo de aplauso e de reconhecimento da

Um dos candidatos, pastor Everaldo, prega a priva-

tucanos conseguiram, na prática, acabar com o mono-

se utiliza de factóides numa campanha sórdida contra a

pólio da União sobre o petróleo. Mas não conseguiram

Petrobrás, às vésperas de mais uma eleição presidencial.

cadeia. Mas não podemos permitir, como no caso da

privatizar a Petrobrás, nem mudar o nome da empresa

Além de cumprir a missão constitucional de suprir de pe-

Petrobrás, que tentem jogar o bebê fora, junto com a

para Petrobrax, graças à nossa resistência.

tróleo e seus derivados o país, a Petrobrás desenvolveu

água suja da bacia.

Valor R$ 480,00

deputado estadual CNPJ 20.565.871/0001-60 ANÚNCIO R$ 480,

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Queremos todos os corruptos e corruptores na


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Tom Zé

Entrevista

Por Mariana Desidério, ao Brasil de Fato

“Virei artista quando descobri que era péssimo cantor” Antônio José Santana Martins, conhecido artisticamente como Tom Zé, nasceu em Irará na Bahia. Seu interesse pela música começou ainda adolescente e nunca mais parou. Um dos precursores da Tropicália, ao lado de Caetano e Gil, é um artista polêmico, com opiniões marcadas por frases existenciais. Aos 77 anos, acaba de gravar seu 25º disco “Tropicália Lixo Lógico”, com jovens artistas. “Eu encontrei vazios no meu esôfago, fígado, estômago e botei eles para ajudarem na fabricação dos elementos que vão influenciar meu cérebro”, revela. Sobre o tropicalismo, garante: “Quando houve essa agitação cultural, ela serviu de gatilho e liberou aquela visão de mundo que vem da oralidade, que não obedecia à lógica aristotélica, cartesiana”. O músico faz ainda uma revelação inusitada. “Descobri desde cedo que era um péssimo cantor, um péssimo violonista e um péssimo compositor”. Como você começou a se inte- ção que era uma coisa inacreditável. E, delimitado por um certo procedimento no ressar pela música? naquele tempo, as coisas que chegavam qual eu nunca entrei. Eu sempre fui mais Eu não tinha nada para fazer música, não tinha em casa ninguém que fosse amante disso. Mas tínhamos a banda da cidade em Irará, no interior da Bahia. E eu me lembro que, quando eu estava com sete anos de idade, na festa da padroeira, eles resolveram fazer uma matinata. A banda foi para a rua de manhã só com os instrumentos de canto, sem muita percussão, e tocou uma coisa bem delicada, caminhando pela rua. De forma que eu acordei e parecia que estava num sonho. Aqui em São Paulo ninguém pode imaginar o que seja isso, mas lá em Irará não tem nenhum motor, nem dentro de casa nem fora de casa, então o silêncio é outro. Uma coisa tocada baixinha de manhã é um grande som, entende? No dia que eu acordei com isso fiquei muito impressionado, não com a música propriamente ainda, mas com a possibilidade de ter essa emoção no mundo.

lá do mundo civilizado e que tinham a ver com a gente eram Luiz Gonzaga e Adoniran Barbosa, tocando principalmente “Saudosa Maloca”. Foram as primeiras coisas que eu me lembro de terem me impressionado profundamente.

“‘Saudosa Maloca’ foi uma das primeiras músicas que me impressionou profundamente” Como se tornou músico?

Em 1954, quando eu tinha 17 anos, eu pedi para me comprarem um violão em Feira de Santana. Nessa época, eu tinha uma namorada e ela me chamou para tocar. E aí eu levei o violão, cheguei, e passei a tarde toda sem cantar, não conseguia. Travou. Ela ficou quieta, calada. E eu pensei: “Agora eu não vou mais fazer música. Nunca mais vou fazer música”. E realmente, eu nunca mais fiz música.

De quais músicas você gostava naquela época? Como assim? A Rádio Nacional tinha uma programa-

O universo musical daquela época estava

para o limite entre o ruído e o som do que para a permanência no som. Por curiosidade, interesse, e também por saber que eu era um fracasso com música. Eu só me tornei artista porque descobri logo que eu era um péssimo cantor, um péssimo violonista e um péssimo compositor. Foi isso que me fez virar músico. Se eu não tivesse visto isso, eu nunca me tornaria artista. E aí eu resolvi fazer música sobre o que estava na minha frente. Então, por exemplo, se o prefeito não calçava a rua, eu fazia uma música com queixas ao prefeito, é claro que brincando também, porque em Irará não se pode virar inimigo do prefeito! É claro que de vez em quando alguém me dizia: “Isso não é música!” Porque realmente não era música.

Era o quê?

Era alguma coisa feita com música perto! Mas música, não. Mesmo quando era só voz e violão. Porque música naquele tempo era uma coisa que tratava de coisas distantes, com o verbo no pretérito. E uma música com o verbo no presente era uma coisa absolutamente nova.

Você ficou conhecido na música brasileira por sua participação no movimento tropicalista dos anos 1960 e 1970, com Caetano e Gil. Como define o tropicalismo?

É o resultado de Caetano e Gil, que são dois gênios e que por acaso estavam presentes nos anos de 1960 quando São Paulo queria mudar a fisionomia da arte brasileira. Havia um tipo de música no Brasil, aquilo que eu falei de uma música falando de um pretérito, falando de lugares não conhecidos, de amores super românticos, que era uma coisa que o movimento romântico passou para a melodia. Então, em 1962, quando nós nos conhecemos, o Caetano disse uma coisa assim: “Agora minha música está deixando de ser uma nostalgia de tempos e lugares.” E eu já lhe contei que eu já estava fazendo uma música em que eu não queria isso

Você já estava nessa antes, então?

Sim, nós todos fizemos antes de chegar aqui. Chegou aqui quando Gil e Caetano, em 1964 e 1965, estavam vendo essa agitação cultural e participando


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dela. Minha tese é a seguinte: no cérebro deles estava guardado o lixo lógico do tempo não-aristotélico que educou a nós todos. Quando houve essa agitação cultural, ela serviu de gatilho e liberou aquela visão de mundo que estava guardada com eles, uma visão de mundo que vem da oralidade, que não obedecia à lógica aristotélica, cartesiana. Eles estavam, então, armados com duas visões de mundo, duas concepções de universo. Algo que nenhum dos outros intelectuais, muito melhor formados, tinham. Porque nenhum deles tinha passado por essa experiência do Recôncavo da Bahia.

“O tropicalismo é muito mais marcado pelo que teve contra ele do que pelo que teve a favor” Mas isso não parece acontecer com você.

Eu sempre tive curiosidade. Por exemplo, há um tempo o secretário da Cultura da Paraíba, o Chico Cesar, disse assim: dinheiro público não vai pagar “forró matéria plástica”. Quando eu soube disso

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A música brasileira produzida nos anos 60 e 70 tinha uma ressonância política muito forte. Você vê essa mesma dimensão na música produzida hoje?

Na época, as músicas de vocês foram muito criticadas. De onde perguntei: o que é isso, forró matéria Por que acha que isso acontece você acha que vem essa resistên- plástica? Fui ver e achei coisas que me no Brasil? cia ao que é novo? deram muita inspiração. E aí era o caso Para mim, uma das coisas mais imporÉ importante assustar quem vem atrás. Quem veio até ali precisa tomar um susto para poder não gostar. Isso é uma estratégia que parece ser parte da história. O tropicalismo é muito mais marcado pelo que teve contra ele do que pelo que teve a favor. O que estava contra dá muito mais a ideia da força que ele tinha. Todo mundo esqueceu, mas teve a passeata contra a guitarra, teve abaixo-assinado contra programa tropicalista na TV, teve vaia contra o Caetano. Disseram que aquilo não era brasileiro, não era música, foi uma cisão. As pessoas têm o costume de dizer “até aqui eu vou”. Depois daquele limite, a pessoa não quer mais saber, diz que já virou música ruim.

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de dizer assim: Chico, tudo o que aparece é o povo que faz. A gente tem que ouvir para aprender, senão a gente para no tempo. Esse forró universitário tem coisas que eu admiro profundamente, tenho inveja.

“Tudo o que aparece na música é o povo que faz. A gente tem que ouvir para aprender, senão a gente para no tempo” Isso também acontece muito com o funk hoje. O que acha do funk que surgiu no Rio de Janeiro?

Graças a Deus, o Brasil é o lugar onde fermentam essas coisas. Aqui você descansa e de repente descobre que no Pará tem um tipo de música completamente diferente. Para mim, uma novidade é uma maravilha. Não tenho preconceito. Seja lá onde for, ela nasce porque uma população inteira vai ali colaborar com miligramas de seiva cerebral para a coisa se constituir numa ameba, ameba essa que se desenvolve até se transformar num estilo. O que pode orgulhar mais uma nação do que brotar coisa nova em todo lugar, de todo jeito?

tantes é que esse país que foi fundado com educação não-aristotélica. Porque o mundo todo vive em condição de escravidão a Aristóteles. Eu sei que as índias brasileiras nos ensinaram a ser asseados, a tomar banho. As índias gostavam de se lavar. Eu não sei, talvez a mesma coisa que lavou o corpo da índia seja aquela que toda hora lava a cabeça da gente e faça com que possamos admitir coisa nova. É essa metáfora que eu estou querendo trazer. Eu devia ter sido professor, não devia ter sido músico, para poder falar essas coisas de um jeito que uma ou outra pessoa entendesse, do jeito que eu falo ninguém entende!

Nos seus últimos discos você tem gravado com muitos músicos jovens. O que te atrai nessa nova geração?

Toda geração tem seus representantes no canto, na composição, no teatro, na filosofia. E quando eles aparecem, eu fico interessado em saber quais são as coisas que eles estão escolhendo fazer. E eu passo a ver se posso praticar aquilo também. Eu não posso mais ter 15 anos, mas alguma coisa talvez eu ainda possa lucrar, possa aprender. Como se diz, a aproximação é interesseira!

Tem um livro que diz que cada geração que está no poder vai ficar ali uns 15 anos. Uma hora a prática que essa geração repete vai começar a ficar cancerosa e os novos que estão surgindo por baixo vão chegar com uma modificação, que vai tornar a prática ainda útil para a sociedade. E então os mais velhos cairão. Se a classe que está no poder quer manter esses estudantes no subsolo, ela está matando uma geração. E é claro que a geração nova arranja uma forma de furar essa resistência, e surge como uma fonte d’água que explode pela terra. E o que é isso? Isso é política, inclusive na música.

Quais artistas você destacaria?

Vou começar por artistas que já são sucesso: Emicida, Criolo. E os rapazes que estão trabalhando comigo, que estão mais verdes, O Terno, Trupe Chá de Boldo, a Filarmônica de Passárgada, o Kiko Dinucci, que está inaugurando um tipo de arranjo para o samba. A qualquer momento, a resistência dos que estão por cima vai ser furada e algum desses vai aparecer. O Tim Bernardes, da banda O Terno, é um negócio, você dá uma música para ele cantar e já vem com uma estética, uma política toda, ele tem guela, tem força! A política também vem nisso muitas vezes.

No que está trabalhando agora?

Estou terminando um disco com esses rapazes, que é resultado da presença deles me influenciando, tanto que acabaram mudando letras que eu tinha, entraram dentro de mim e falaram pela minha boca. Eu encontrei vazios no meu esôfago, fígado, estômago e botei eles para ajudarem na fabricação dos elementos que vão influenciar meu cérebro.


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Festival do Rio 2014 Maior festival de cinema da América Latina, o Festival do Rio apresenta anualmente mais de 300 filmes de mais de 60 países, dando destaque para a recente produção brasileira e latino-americana. Entre as mostras, Panorama, Expectativa, Première Brasil, Midnight, Première Latina. O evento acontece entre os dias 24 de setembro e 08 de outubro de 2014. A Première Brasil, uma das mostras mais esperadas e concorridas do Festival, vai exibir 69 produções (41 longas e 28 curtas), de diretores estreantes e veteranos, com filmes dos mais variados temas e de diversos estados do país. Este ano, duas novas categorias concorrem ao troféu Redentor: Prêmio de melhor direção para documentário e Prêmio especial do Júri para Novos Rumos. O público vai escolher o melhor filme nas categorias ficção, documentário e curta, através do voto popular. Mais informações: www.festivaldorio.com.br

Curta Criativo 2014 Estão abertas até 15 de outubro as inscrições para o festival Curta Criativo 2014. O evento tem por finalidade revelar novos talentos. Estão aptos a participar alunos e ex-alunos, com até dois anos de formados, dos cursos de graduação e pós-graduação em cinema, design e comunicação, ou ainda de cursos técnicos e livres em cinema. Para concorrer, os candidatos produzem um curta-metragem, de até 15 minutos. O tema é livre dividido em três categorias: Ficção, Animação e Documentário. A premiação é em dinheiro. Nesta edição, Lucy Barreto, uma das mais importantes produtoras brasileiras, será a presidente do Júri. Veja como concorrer: http://www.curtacriativo. com.br/

Morro do Pinto: um bairro escondido no Rio O Morro do Pinto, na região portuária, é um bairro desconhecido dos cariocas. Ao contrário do que muita gente pensa, não tem comunidade e suas ruas lembram Santa Teresa. E o melhor: a vista do Rio é estonteante, com ângulos incríveis. Para chegar basta acessar a Rua Sara no Santo Cristo e ir subindo. No caminho, tem a antiga fábrica da Bhering que virou um complexo cultural com mais de 50 ateliês, o famoso Bar do Omar com a linda

vista do porto e as ruas com paralelepípedos. Não tem perigo algum. No topo do Morro foi recentemente inaugurado o parque Machado de Assis, um complexo esportivo com quadras de futebol, salão, brinquedos e até área para churrascos. O visual é encantador. Não esqueça a câmera, pois você vai poder clicar visuais encantadores da Cidade Maravilhosa. Morro do Pinto – Santo Cristo – Rio de Janeiro Acesso pela Rua Sara (pertinho da Rodoviária)

Trilha gratuita no Morro da Babilônia O RioSul está realizando passeios guiados gratuitos no Morro da Babilônia localizado no seu entorno. Desconhecido para muitos, o morro tem sido contemplado com projeto de reflorestamento patrocinado pelo shopping. Durante os passeios, é possível conhecer a história do local, casas e fortalezas do tempo do Brasil Colônia. E claro, curtir um visual deslumbrante da Baía da Guanabara. A distância é de 1.200 metros com 40 minutos de subida. Não esquecer a câmera, água e um lanchinho. Confira as datas: 20 de setembro, 04 e 25 de outubro, 08 e 29 de novembro e 13 de dezembro. Para participar basta fazer a inscrição pelo site: http://www. riosul.com.br/trilhababilonia.html (sujeito a lotação e ao tempo).

Morar Mais Por Menos no Joá Ocupando uma mansão no Joá, o Morar Mais, por Menos chega a sua 11ª edição inspirada no estilo de vida carioca à beira-mar. São 89 ambientes espalhados em quatro andares e dois pavimentos. O visitante encontrará o melhor custo x benefício aplicado em móveis, objetos decorativos, pisos, revestimentos. Tudo através de criatividade, planejamento e pesquisa. Morar Mais Por Menos 11 de setembro a 19 de outubro Rua Presciliano da Silva, 188 – (primeira saída à direita depois do túnel do Joá) – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro. Funcionamento: de terça a sábado e feriado, das 12h às 21h. Domingo, das 11h às 20h Ingresso: R$ 30,00 (sábado, domingo e feriado) e R$ 25,00 (de terça a sexta) Informações: (21) 2512-2412 Van gratuita até o local do evento.

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Passeio de jeep pela Floresta da Tijuca A Jeep Tour, responsável por passeios panorâmicos a bordo de jipes por pontos turísticos do Rio, está oferecendo durante o mês de setembro desconto de 50% para os cariocas fazerem um passeio de jeep pela Floresta da Tijuca. Com duração de quatro horas, aproximadamente, o passeio guiado conta com paradas em pontos estratégicos como, por exemplo, a Cascatinha Taunay, maior queda d´agua do Parque, com 35 metros de altura; a Capela Mayrink, que abriga réplicas dos originais de Cândido Portinari; e a Vista Chinesa, famosa por possuir uma das melhores vistas da cidade. Informações: www.jeeptour.com.br

14º Fórum de Marketing da UVA Voltado para alunos em geral, formandos de Graduação Tecnológica de Marketing da Universidade Veiga de Almeida realizam o 14º Fórum de Marketing da UVA reunindo pessoas que fazem a diferença no mercado de trabalho e que empregam conceitos com o objetivo de fomentar o conhecimento, o diálogo e a propagação de ideias. Serão quatro palestrantes por dia com cada um abordando um tema distinto. A palestra será no formato Pecha Kucha com o palestrante exibindo 20 imagens seguido de debate sobre cada uma. 10 e 11 de Novembro/ 2014 Auditório da UVA Campus Tijuca - Rua Ibituruna, 108 – Tijuca – 19h Evento gratuito.

Sanduíche do Léo: marca carioca Introdutor do sanduíche natural nas praias do Rio, Leonardo Cabús, conhecido simplesmente como Léo, é uma marca carioca. Sua saga começou em 79 quando chegou a ter duas barracas junto ao Posto 9. Depois que fraturou a perna teve que parar e passou a trabalhar em frente à Faculdade Hélio Alonso onde está desde 1980. Hoje, além de sanduíches, vende também esfihas do árabe do Largo do Machado, cervejas e refrigerantes. Léo explica sua filosofia de vida e nos negócios. “Antes de tudo tenho uma relação de afeto, carinho e amizade com os clientes. Respeito a todos e todos me respeitam”. Barraca do Léo Rua Muniz Barreto (em frente à Fac. Hélio Alonso) Funcionamento: de segunda à sexta de 19 às 22h


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Beco do Hambúrguer: receita gourmet no Centro Inaugurado em junho de 2014, o Beco do Hambúrguer serve exclusivamente hambúrgueres e cheesebúgueres com fritas. O diferencial é que a carne é processada na própria casa: uma mistura de acém e peito da raça angus, de origem escocesa, grelhada no ponto com pão de batata artesanal. Beco do Hambúrguer sanduíche Como acompanhamentos: alface americana, cebola roxa, tomate, picles, mostarda, ketchup e maionese da casa. Opcional: bacon. As batatas têm tempero especial e são servidas sequinhas e crocantes. A casa tem identidade visual bonita e ambiente caprichado com móveis modernistas. Fica no Beco dos Barbeiros, uma pequena rua pertinho da movimentada Av. Primeiro de Março. Beco do Hambúrguer Beco dos Barbeiros, 6 A Centro (entre a 1º de Março e a Rua do Carmo) – Rio de Janeiro.

Valor R$ 600,00

Informações: 3970-5311 Funcionamento: de segunda a sexta de 11h às 18h

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Bier en Cultuur: cervejas especiais A febre das cervejarias especiais tomou conta do Rio. A mais recente delas é a Bier en Cultuur em Ipanema. A pequena loja é um charme e disponibiliza 200 rótulos de cerveja de 15 países. O interessante é que terças tem dose dupla. A casa serve também três tipos de chope, além de tábua de queijos e sanduíches cujos queijos e frios são escolhidos pelo cliente. O dono do negócio, Conrado Sanches, explica o diferencial da loja. “O clima é intimista, sempre tocando rock ou blues. Poucas casas possuem tão extensa carta de cervejas”. Ele garante que os sanduíches são preparados para terem harmonização com a bebida. A Bier en Cultuur pode ser reservada para festas diversas, entre elas aniversários e também entrega em domicílio sem cobrança de frete (taxa mínima de R$ 50). Bieer en Cultuur logoBier en Cultuur Rua Maria Quitéria, 77 Loja 222 – Ipanema – Rio de Janeiro Funcionamento: de segunda a sexta de 12h às 21h, sábados de 12h às 18h, domingo não abre. Informações: 3553-5716

A Agenda mais democrática do Rio de Janeiro:

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