Nº 110

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Ano 13 - Nº 110 - Outubro 2014

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Chico Buarque de Holanda:

“Voto na Dilma por causa da Dilma” Diversas mensagens falsas foram difundidas na internet logo após a informação de que Chico Buarque se engajaria na reta final da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Uma das mensagens diz que Chico retirou o apoio à Dilma e ao PT em razão de estar convencido do envolvimento da presidenciável e do seu partido em escândalos de corrupção. O cantor e compositor utilizou a sua conta oficial no Facebook, com mais de dois milhões de seguidores, para desmentir as mensagens inverídicas e reiterar a sua declaração de voto.

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e t n e d i s e Pr Dilma Rousseff ginas 8

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Chico gravou também um vídeo para oficializar a sua posição, em que diz: “Eu voto na Dilma porque a respeito, admiro e porque confio nela. Confio, sobretudo pela sua sensibilidade, o seu compromisso com os mais pobres. Eu voto nela, porque com ela tenho a certeza de que os programas de inclusão social serão mantidos, aprimorados e aprofundados. A Dilma a gente sabe o que ela pensa e o que ela defende. Em 2010, eu votei na Dilma muito por causa do Lula. Este ano, voto na Dilma por causa da Dilma”.

Foto: Bel Pedrosa

Saudamos a decisão de Chico Buarque, o maior compositor da Música Popular Brasileira que para Nelson Rodrigues era “a única unanimidade nacional”. Acompanhe aqui um especial sobre as eleições 2014. Nós, do Bafafá, já tomamos a nossa decisão: Dilma 13! Pela continuidade das transformações em nosso país! A redação

Nesta : o Ediçã

Leonardo Boff José Maria Rabelo Ricardo Rabelo Eduardo Fagnani Roberto Amaral


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Editorial

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Por que votar em Dilma

Com o mesmo título de um recente artigo do professor e ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, relacionamos neste editorial uma série de argumentos a favor do voto em Dilma. De partida, há uma nítida divisão entre o Brasil de Dilma e o Brasil de Aécio. Com ela estão os mais pobres, os mais necessitados, que vivem nas áreas menos desenvolvidas, como o Norte e o Nordeste, e as regiões periféricas das grandes e médias cidades. São Paulo, o mais rico dos estados, deu cerca de 60% de seus votos ao candidato do PSDB, demonstrando de que lado estão os donos da riqueza. No campo econômico, o programa de Aécio retoma as principais ideias dos economistas conservadores do PSDB e do governo FHC, que levaram à estagnação, aos mais altos índices de inflação da história dos últimos 20 anos, ao desemprego e à perda do poder aquisitivo dos assalariados, aposentados e pensionistas. O salário mínimo, quando governaram, foi o mais irrisório dos tempos que estamos considerando. Agora, Aécio fala em flexibilização das leis trabalhistas para fazer mais fácil as demissões e contratações, cujo preço nós sabemos quem vai pagar. Tudo isso causou, nas duas administrações tucanas, a pior crise econômica que o Brasil conheceu e da qual foi retirado pelos governos de Lula e Dilma. O PSDB nunca teve sensibilidade para com os problemas sociais. Cerca de 50% de nossa população vivia em condições miseráveis. Nos três mandatos petistas, mais da metade daquele número assustador conseguiu sair da extrema pobreza e integrar-se ao mercado consumidor. Para alcançar esse resultado, influíram os diferentes programas sociais adotados, à frente o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família. Até a jornalista Mirian Leitão, uma crítica contumaz do atual governo, admitiu em sua coluna no jornal O Globo (18/09/2014): “O Bolsa Família foi um sucesso, como provam os números de queda da pobreza. Os ganhos são inegáveis”. A FAO, por outro lado, reconheceu o fim da fome no Brasil. Aécio e seu grupo exploram insistentemente o chamado “escândalo da Petrobras”, como se fosse o único caso de corrupção no Brasil. Tentam esconder, por exemplo, a bandidagem que se formou em torno da compra dos trens metropolitanos de São Paulo, uma maracutaia de milhões de dólares, praticada à vista e sob a responsabilidade dos governos pessedebistas de lá, entre os anos de 1998 e 2008. Procuram esquecer o mensalão mineiro, pai e mãe de todos os mensalões, numa tentativa de orientar a história em seu favor. Procuram esquecer também o aeroporto de Cláudio, construído por Aécio, quando governador, com verbas públicas, em terras de seus parentes. Estes e outros escândalos não contam. O único que deve ser denunciado é o da Petrobras, com intensa cobertura na TV Globo e em outros veículos. Na educação, básica, intermediária e superior, os resultados são consideráveis. As

universidades, com o acesso favorecido às camadas mais modestas, têm hoje uma fisionomia inteiramente diversa. Antes, pobres, negros, indígenas e outros grupos socialmente marginalizados nem passavam perto das escolas superiores. Apesar das limitações ainda existentes, o Brasil assinalou notáveis progressos no campo da educação. Quanto ao desenvolvimento e à inflação, as velhas carpideiras já estão por aí, vaticinando os piores resultados. Esquecem-se de que o Brasil foi das únicas nações a enfrentar a atual crise mundial sem grandes prejuízos para seu povo, principalmente no campo do emprego e do valor do trabalho. A política externa brasileira, procurando seus próprios caminhos, livrou-se da tutela dos EUA e do FMI, através de uma aproximação com outros países com desígnios iguais. Aí surgem o Mercosul, os BRICs, o Banco Internacional, como instrumentos independentes e relevantes para assegurar o desenvolvimento das nações associadas. Aécio, fiel às inspirações de seus patronos, defende um realinhamento aos interesses norte-americanos, que já demonstraram várias vezes o que representam de maligno para o Brasil e para a paz mundial.

Dez razões para não haver dúvidas em quem votar no segundo turno. Aécio não esclarece sua posição a propósito da privatização das principais empresas públicas. Afirma que vai “modernizá-las” e nós sabemos o que esse eufemismo significa. Nos governos FHC, seu grande inspirador, dezenas de companhias estatais foram vendidas, inclusive a Vale, cujo preço foi de R$ 4,5 bilhões, quando valia, no mínimo, cem vezes mais. Talvez esta seja a mais gigantesca negociata da história brasileira. Agora estão na mira o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil, despertando a cobiça da banqueirada daqui e de fora. O governo tucano acabou com o monopólio da Petrobras e só não a privatizou devido à forte oposição que encontrou. Em Minas, a CEMIG, Centrais Energéticas de Minas Gerais, chegou a ter seu controle acionário repassado a um pequeno grupo de empresários nacionais e estrangeiros, por um preço absurdamente baixo. Essa operação, tão lesiva à economia mineira, foi anulada na Justiça pelo governador Itamar Franco, ao assumir o Palácio da Liberdade, na sucessão do governo tucano responsável pela negociata. Os colaboradores de Aécio, quase sem exceção, constituem um pugilo de privatistas de coração e alma. A começar pelo seu já anunciado ministro da Fazenda, o notório neoliberal Armínio Fraga, de tão desastrada passagem pelo governo em Brasília. Muitas outras razões existem, mas estas bastam para justificar o voto em Dilma, pelas suas realizações até aqui e pelo muito que se espera dela nos próximos quatro anos.

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Departamento de Comunicação da PUC, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Faculdade Hélio Alonso, Arquivo Nacional, Galeria Catete 228, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH), Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).

Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 (21) 3547-3699 bafafa@bafafa.com.br Diretora de marketing: Rogeria Paiva (21) 3546-3164 mercomidia@gmail.com

Direção de arte: PC Bastos bastos.pc@gmail.com Foto capa: Bel Pedrosa Circulação: Distribuição gratuita e direcionada (universidades, bares, centros

culturais, cinemas, sindicatos) Praça: Rio de Janeiro São Paulo Belo Horizonte Publicidade: (21) 3547-3699 | 3546-3164 mercomidia@gmail.com

Agradecimentos: Aos colaboradores desta edição. Realização: Mercomidia Comunicação Tiragem: 10.000 exemplares

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A busca da paz José Maria Rabelo*

Durante anos, a política externa brasileira esteve submetida aos interesses imperiais dos EUA. Houve até um embaixador de nosso País em Washington, Juracy Magalhães, durante o governo militar do general Castello Branco, que afirmou solenemente: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. A frase tornou-se um símbolo inspirador para importante parcela da burguesia cabocla, para a qual a capital do Brasil é Miami, onde vive e toca seus negócios. H o j e , o s r e p r e s e n t a n tes dessa burguesia acovardada defendem sem rebuços um realinhamento da política externa às estratégias norte-americanas em detrimento de entidades independentes, como o Mercosul, os BRICs e o banco criado para financiar projetos de desenvolvimento em seus países. Com esse realinhamento, voltaríamos aos tempos do incontrastável domínio do FMI sobre a economia das nações mais pobres, inclusive o Brasil. Todos conhecem, ou deviam conhecer, a história destrutiva desse organismo, cujas políticas foram responsáveis pela quebra de vários países, do Brasil à Indonésia, da Argentina à Libéria, do Paraguai ao Paquistão, numa lista interminável.

Essa linha de submissão incondicional às políticas ianques foi posta em choque pelos governos de Lula e de Dilma. O Brasil era visto, internacionalmente, como um pária no cenário mundial, sem condições de estabelecer seus próprios caminhos. Hoje, basta ler as principais publicações do mundo e os relatórios dos mais importantes institutos internacionais para constatar a mudança desse quadro vergonhoso. Todos eles, inclusive os mais críticos, reconhecem a soberania com que o

Brasil tem agido no plano externo. Essa conduta ficou ainda mais clara quando a presidente Dilma foi à ONU, em setembro, para reafirmar as nossas posições (veja matéria nas páginas 8 e 9). Antes, ela já havia dado um recado categórico de que não admitiria a espionagem americana nos órgãos de nosso governo, deixando de comparecer ao en-

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contro antes agendado com o presidente Barack Obama. Ainda agora, Dilma tem assinalado, em todas as oportunidades, que o Brasil defende uma política de entendimento e de negociação para resolver os conflitos mundiais, condenando as intervenções armadas praticadas pelas potências ocidentais. Esta estratégia equivocada, adotada com relação ao chamado Estado Islâmico, já mostrou seu fracasso. Apesar da destruição física de cidades e regiões da Síria e do Iraque e de quase mil mortes produzidas pelos bombardeios, a situação continua a mesma, sem nenhum avanço para os problemas do Oriente Médio. A paz, como o Brasil tem demonstrado em diversos pronunciamentos, não está na boca dos canhões; está numa política inteligente, coordenada pela ONU e por diversos organismos internacionais, para chegarmos a uma solução de consenso, que é possível quando há a vontade de alcançar esse fim. Sabemos, entretanto, que uma política de paz não conta com a simpatia dos senhores da guerra, instalados em Washington e nas diversas instâncias do complexo industrial-militar. Mas esse é o único caminho, se quisermos construir um mundo que preserve o próprio destino da Humanidade. *Jornalista


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As eleições atuais à luz da história antipovo Leonardo Boff*

Nada melhor do que ler as atuais eleições à luz da história brasileira na tensão

dos proprietários de terra na regulação das relações de trabalho dentro de suas propriedades, o que só vai acontecer depois de 1964.

entre as elites e o povo. Valho-me da uma contribuição de um sério historiador com

formação em Roma, em Lovaina e na USP de São Paulo o Pe. José Oscar Beozzo,

e de “cooperação” entre capital e trabalho, entre operários e os capitães da indústria

uma das inteligências mais brilhantes de nosso clero.

em torno de um projeto de industrialização e defesa dos interesses nacionais. Ele

Diz Beozzo: “A questão de fundo em nossa sociedade é a do direito dos pequenos

criou as bases para o Brasil moderno.

à vida sempre ameaçada pela abissal desigualdade de acesso aos meios de vida e

Nesta campanha eleitoral, certos meios de comunicação criaram o mote: “Fora PT”.

pelas exíguas oportunidades abertas às grandes maiorias do andar debaixo”.

Busca-se acabar com a “ditadura” do PT, para deixar campo livre para instaurar

a “ditadura do mercado financeiro”. O que realmente incomoda? A corrupção e o

Como nos ensina Caio Prado Júnior, nossa sociedade desigual repousa sobre qua-

tro pilares difíceis de serem movidos: a) a grande propriedade da terra concentrada

Getúlio implantou uma política corporativista de apaziguamento entre as classes

mensalão?

nas mãos de poucos de tal modo que não haja terra

“livre” e “disponível” para quem trabalha ou para os

dos seus limites, são as medidas democratizantes

que eram seus donos originários; b) o predomínio da

como o Pro-Uni, as cotas nas universidades para

monocultura; c) a produção voltada para o mercado

os estudantes vindos da escola pública e não dos

externo (açúcar, tabaco, algodão, café e hoje soja; d)

colégios particulares; as cotas para aqueles cujos

o regime de trabalho escravo.

avós vieram dos porões da escravidão; a reforma

A independência de Portugal não alterou nenhum

agrária, ainda que muito aquém de tudo o que seria

destes pilares. Os que naquela época sonharam com

necessário, como sempre nos lembrou Dom Tomás

um Brasil diferente, propunham a troca da grande pela

Balduino; a demarcação e homologação em área

pequena propriedade nas mãos de quem trabalhava;

contínua da terra Yanomami contra a grita de meia

da monocultura para a policultura; da produção para

dúzia de arrozeiros apoiados pelo coro unânime dos

o mercado internacional por outra voltada para o

latifundiários e do agronegócio, assim como todos os

A meu ver, o que incomoda, em que pesem to-

autoconsumo e para o abastecimento do mercado interno; do trabalho escravo pelo

programas sociais do Bolsa Família, ao Luz para Todos, ao Minha Casa, minha Vida,

trabalho familiar livre. Isso pôde acontecer em pequenas regiões da serra gaúcha

o Mais Médicos e daí para frente.

e de Santa Catarina, com colonos alemães, italianos, poloneses, hoje um campo

mais democratizado.

estudantes de famílias ricas que deram a seus filhos boa educação em escolas

Houve geral oposição dos grandes proprietários escravistas a qualquer dessas

particulares, o que lhes franqueou o acesso ao ensino gratuito nas universidades

medidas e foram mortos a ferro e fogo levantes populares que apontavam para

públicas aprofundando e consolidando a desigualdade de oportunidades. Esse

qualquer medida democratizante na economia, na política e sobretudo nas relações

estudo custa mensalmente ao Estado no caso de cursos como o de Medicina de

de trabalho. Basta rememorar algumas dessas revoltas: a insurreição dos escravos

seis a sete mil reais. Nunca protestaram essas famílias contra essa “bolsa-esmola”

Malês na Bahia, a Balaiada no Maranhão, a Cabanagem na Amazônia, a revolução

dada aos ricos, e que é vista como “direito” devido a seus méritos e não como puro e

Praieira em Pernambuco, a Farroupilha no Sul.

escandaloso privilégio. São os mesmos que se recusam a ser médicos nos interiores

e nas periferias que não dispõem de um médico sequer.

A monarquia caiu menos por seus anacronismos do que pela Lei Áurea que lhe

Nunca incomodou a estes críticos que o Estado pagasse o estudo de jovens

retirou o apoio dos barões do café escravocratas e das chamadas classes “produto-

ras”, como se os produtores não fossem os escravos que trabalhavam.

melhoria do salário mínimo, a criação de milhões de empregos, a ampliação das

A revolução de 30, com seu viés nacionalista, mesmo que parcialmente, deslocou

políticas sociais em direção aos mais pobres, a criação do Mais-Médicos, posicionam-

o eixo do país do mercado externo para o interno; do modelo agrário exportador para o

-se contra as políticas do PT que visam a assegurar direitos cidadãos, ampliar a

de substituição de importações; do domínio das elites exportadoras do café do pacto

democratização da sociedade, combater privilégios e sobretudo colocar um pouco

Minas/São Paulo, para novas lideranças das zonas de produção para o mercado

de freio (insuficiente a meu ver) à ganância e à ditadura do capital financeiro e do

interno, como as do arroz e charque do Rio Grande do Sul; do voto censitário, para

“mercado”.

o voto “universal” (menos para os analfabetos, naquela época ainda maioria entre

os adultos), do voto exclusivamente masculino para o voto feminino; das relações de

sempre negadas às grandes maiorias. É por isso, que votei Dilma no primeiro e o

trabalho ditadas apenas pelo poder dos patrões para a sua regulação, pelo menos

farei no segundo turno, respeitando as ponderações e escolhas dos que enxergam

na esfera industrial com a criação do Ministério do Trabalho e das leis trabalhistas

um caminho diferente e viável para o momento atual”.

voltadas para a classe operária. Não se conseguiu tocar o domínio incontornável

Os que sobem o tom dizendo que tudo no país está errado, em que pese a

É esta a razão do meu voto para outro projeto de país, que atende às demandas

*Teólogo e escritor, publicado no site: www.leonardoboff.wordpress.com


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Ricardo Rabelo Telhado de vidro Muitos jovens que hoje estão votando em Aécio Neves eram crianças quando Lula ganhou as eleições em 2002. Na ocasião, sua vitória representou o fim de um ciclo político dominado pelo PSDB. É importante lembrar que o governo tucano (1995/2003) privatizou praticamente todas as estatais brasileiras a preço de banana e o mandato de Fernando Henrique Cardoso ficou manchado pela compra de votos no Congresso a fim de garantir a sua reeleição. A corrupção era marca do PSDB. Segundo outra denúncia, comprovada pelo Ministério Público, a campanha à reeleição do então governador de Minas, o tucano Eduardo Azeredo, em 1998, foi irrigada com verbas desviadas de estatais mineiras, num episódio que ficou conhecido como o “mensalão mineiro”. No início de 2014, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, recomendou a condenação de Azeredo a 22 anos de prisão por peculato e lavagem de dinheiro. Para escapar de processo no Supremo, Azeredo, então deputado federal, renunciou ao cargo. O processo corre agora na Justiça Federal em Minas Gerais.

Mídia golpista O Brasil assiste nesta eleição a um dos mais deplo-

ráveis golpes midiáticos de sua história. Os principais grupos de comunicação do país, dominados por oito famílias, decidiram que é hora de impedir a qualquer preço a reeleição de um candidato do PT. Apesar de Dilma ter governado com competência, honestidade e possuir índice de 40% de aprovação, partiram para uma campanha sistemática contra ela. A grande imprensa vestiu a camisa da oposição e ao longo do ano estampa dezenas de manchetes e reportagens em telejornais desabonadoras. Capitaneada pelas organizações Globo, seu objetivo foi sufocar o governo Dilma. Em parte conseguiu

seu objetivo. Hoje muita gente caiu no discurso anti-PT, muito mais por desinformação e manipulação da mídia do que por opinião com base em resultados. Estes últimos revelam que o Brasil deu um pulo gigantesco nestes últimos anos. A prova mais concreta disso é que conseguiu tirar 40 milhões de pessoas da pobreza extrema, o equivalente à população da Argentina. Se existe corrupção, claro, tem de ser punida. Não é a toa que muitos envolvidos no chamado mensalão estão presos. No entanto, nenhum tucano foi condenado a nada. E querem voltar. Apelo para a consciência do eleitor a avaliar estas

palavras e não correr o risco de legitimar um golpe fabricado pela imprensa.

Regulação da mídia

Caso reeleita, Dilma tem que urgentemente fazer a regulação da mídia. Jornais, revistas e TVs confundem a opinião pública ao associar regulação da imprensa a censura. Regulação, prática quem vem sendo adotada em várias partes do mundo, inclusive na vizinha Argentina, é impedir propriedade cruzada: quem é dono de concessão de TV não pode ser concessionário de rádio nem dono de jornal e revista; é proibir parlamentares e seus parentes de serem concessionários de rádio e TV; é discutir com a sociedade a renovação das concessões de rádio e TV. O governo tem a obrigação de garantir a concorrência neste ramo da economia. Vai ser uma boa briga e um terremoto político no Brasil.

Aécio O candidato Aécio Neves galgou todos os cargos que ocupou graças ao prestígio do avô Tancredo Neves. Enquanto lutava-se pela democratização do Brasil, Aécio surfava na praia de Ipanema. Apesar de

ter nascido em Belo Horizonte, sua juventude foi no Rio onde viveu uma fase “dourada”. Seu vínculo com Minas Gerais aconteceu por puro oportunismo político à sombra do avô, no início dos anos 80. Mesmo tendo sido deputado, senador e governador de Minas, Aécio sempre teve o Rio de Janeiro como base. O político passa mais tempo na capital carioca do que em Minas. Acho isso um tremendo engodo, quase um estelionato político com os mineiros.

Aécio II

O candidato a presidente Aécio Neves ou é desinformado ou age de má fé. Acho que os dois. Em debate com a presidente Dilma, o candidato tucano atacou o investimento que o Brasil está fazendo na construção do porto de Mariel, em Cuba. Segundo Aécio é um “absurdo” o país financiar a obra. Pesquisando sobre o tema, cheguei a uma entrevista com Tomaz Zanoto, diretor de comércio exterior da insuspeita FIESP. Segundo o empresário, o interesse é estratégico já que a inserção do Brasil no Caribe é pequena. O porto é construído por empresas brasileiras e 80%

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dos equipamentos envolvidos são brasileiros. Ele informa que a garantia do empréstimo são as próprias receitas do porto. Para Zanoto, diferentemente do que vem sendo dito por alguns, o investimento é uma ação “interessante” do governo brasileiro.

História política Não podem nem me chamar de petista, pois sequer sou filiado ao PT. Minha trajetória política só tem um partido, o PDT de Brizola, do qual faço parte desde que minha família voltou do exílio em 1979. Nunca troquei de partido, mesmo com o rumo que a legenda tomou depois da morte de nosso líder. No entanto, como militante de esquerda, tenho de admitir que os governos do PT foram bons para o Brasil. Confira nesta edição do Bafafá muitos dados referentes aos resultados alcançados. Não foram poucos. Hoje o Brasil é respeitadíssimo no exterior e uma derrota de Dilma seria um enorme retrocesso.

Diga-me com quem andas?

O candidato tucano conseguiu importantes apoios na última semana: os candidatos derrotados à presidência Levy Fidelix e Pastor Everaldo, além do Pastor Marco Feliciano. Três figuras que entristecem a política brasileira.


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Retrocesso conservador, Estado Mínimo e “desinformados” Eduardo Fagnani* A volta do Estado Mínimo é apenas um dos retrocessos previsíveis no projeto neoliberal e anti-desenvolvimentista de Aécio Neves. Não há nada mais velho e antissocial do que o enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos Política econômica e política social são faces da mesma moeda. Não há como conciliar política econômica que concentre a renda e política social que promova a inclusão social. O projeto de Aécio Neves é neoliberal, anti-desenvolvimentista e antissocial. Armínio Fraga (ministro da Fazenda de um eventual governo do PSDB) partilha da visão de que “a atual meta de inflação é muito alta”. Prega a redução gradativa da meta atual (4,5% ao ano), Banco Central independente, gestão ortodoxa do “tripé macroeconômico”, forte ajuste fiscal, desregulação econômica, abertura comercial e câmbio flutuante. Essa opção aprofundará as desigualdades sociais. A redução da meta de inflação requer juros elevados (no governo FHC, atingiu mais de 40% ao ano). A primeira consequência é a recessão econômica, afetando a geração de emprego e a ampliação da renda do trabalho – a mais efetiva das políticas de inclusão social e redução da desigualdade. O ajuste recessivo implícito ampliará o desemprego e inviabilizará o processo em curso de valorização gradual do salário mínimo, reduzindo a renda dos indivíduos, o que realimentará ciclo perverso da recessão. A segunda consequência da alta dos juros é a explosão da dívida pública (como ocorreu nos anos de 1990, quando passou de 30% para 60% do PIB em apenas oito anos). Os gastos para pagar parte dos juros poderão retornar para patamares obscenos (chegou a 9% do PIB nos anos de 1990), exigindo ampliação do superávit primário, o que restringirá o gasto social, agravando o ajuste recessivo. Essa receita clássica é incompatível com políticas sociais universais que garantam direitos de cidadania, cujo patamar de gastos limita o ajuste fiscal. Promessas de campanha não serão cumpridas e novas rodadas de reformas para suprimir esses direitos voltarão para o centro do debate. A única “política social” possível é a focalização nos “mais pobres”, cerne do Estado Mínimo. Para essa corrente, o “desenvolvimento social” prescinde da geração de emprego, renda do trabalho, valorização do salário mínimo e políticas sociais universais. Sequer o crescimento da economia é necessário. Apenas políticas focalizadas são suficientes para alcançar o “bem-estar” social. Essa suposta opção pelos pobres escamoteia o que, de fato, está por trás de objetivos tão nobres: políticas dessa natureza são funcionais para o ajuste macroeconômico ortodoxo. As almas caridosas do mercado reservam 0,5% do PIB para a promoção do “bem-estar”.

Para os adeptos do Estado Mínimo, ao Estado cabe somente cuidar da educação básica (“igualdade de oportunidades”) da população que se encontra “abaixo da linha de pobreza”, arbitrada pelos donos da riqueza. Os que “saíram da pobreza” devem buscar no mercado privado a provisão de bens e serviços de que necessitam. Essa “estratégia única” abre as portas para a privatização e mercantilização dos serviços sociais. Não causa surpresa que um conhecido economista do PSDB defenda que a universidade pública deve ser paga. A volta do Estado Mínimo é apenas um dos retrocessos facilmente previsíveis. Não há nada mais velho e antissocial do que o enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e que está sendo aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos (na opinião de Paul Krugman, crítico insuspeito). Tem razão o economista Ha-Joon Chang (Cambridge University) quando afirma que a “a crise financeira global de 2008 tem sido um lembrete brutal que não podemos deixar a nossa economia para economistas profissionais e outros tecnocratas.” É bom lembrar aos mais jovens que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, deixou o Brasil (2002) com inflação quase três vezes acima da meta (12,5%), juros Selic superiores a 23% ao ano, dívida líquida quase duas vezes maior que a atual (em proporção do PIB), vulnerabilidade externa preocupante (reservas cambiais equivalentes a cerca de 10% do patamar de 2014) e taxa de desemprego mais que o dobro da vigente. Na primeira década do século 21, o Brasil logrou importantes progressos sociais. Os fatores determinantes para alcançar aqueles progressos foram o crescimento da economia e a melhor conjugação entre objetivos econômicos e sociais. Após mais de duas décadas, o crescimento voltou a ter espaço na agenda macroeconômica, com consequências na impulsão do gasto social e do mercado de trabalho, bem como na potencialização dos efeitos redistributivos da Seguridade Social fruto da Constituição de 1988. Essa melhor articulação de políticas econômicas e sociais contribuiu para a melhora dos indicadores de distribuição da renda do trabalho, mobilidade social, consumo das famílias e redução da miséria extrema. De forma inédita, conciliou-se crescimento do PIB (e da renda per capita) com redução da desigualdade social. O Brasil saiu do Mapa da Fome e mais de 50 milhões de “desinformados” (na visão do ex-presidente FHC) deixaram a pobreza extrema. Em suma, o que está em jogo é uma disputa entre: o retrocesso ou o aprofundamento das conquistas sociais recentes; a concentração da riqueza ou o enfrentamento das múltiplas faces da crônica questão social brasileira; os interesses dos gênios da política ou dos “desinformados”, historicamente deserdados. *Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT) e coordenador da rede Plataforma Política Social.


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Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro Roberto Amaral* A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB - denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder. Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores - entre os quais me incluo - e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática. Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional. Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes. O Senador Capiberibe votou em Dilma Rousseff. Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente. Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico. Ao menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores - entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes -, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos. O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia. Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico. Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global. Denunciámos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSDB, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB. O Brasil não pode retroagir. Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano. Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014. *Vice-presidente do PSB


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Entrevista

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Presidente Dilma Rousseff

“Enquanto o G20 desemprega 100 milhões, nós criamos emprego” A Presidente da República Dilma Rousseff garantiu que o Brasil reduziu a emissão de 650 toneladas de dióxido de carbono desde 2010. Segundo ela, mesmo não tendo havido acordo na Conferência de Copenhague, o Brasil o fez de forma voluntária e conseguiu transformar este objetivo em lei. Ao abrir a conferência da ONU, em setembro último, a mandatária brasileira defendeu que os conflitos internacionais têm de ser resolvidos no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Não é possível achar que cada vez que acontece alguma coisa, a gente vai atacar e isso vai resolver. Se resolvesse não teria Iraque, Líbia, não teria o Sahel, não teria todas as instabilidades que ocorrem no mundo”, garantiu Dilma. Logo após sua intervenção na ONU, Dilma concedeu uma entrevista à imprensa mundial, que o Bafafá publica com exclusividade Questionada, inicialmente, se seu discurso tinha cunho eleitoral, a presidente garantiu que apenas exaltou o fato de o Brasil ter saído do mapa da fome: “Diminuímos a pobreza num mundo que desemprega centenas de milhões de pessoas. Enquanto o G20 desemprega 100 milhões, nós criamos emprego. Este é um valor para ser consagrado internacionalmente”, ressaltou. A seguir, as perguntas dos jornalistas e a resposta de Dilma. Como os BRICs estão se blindando para enfrentar a crise internacional?

Destacamos mais uma vez a necessidade das instituições financeiras internacionais, a saber, Fundo Monetário e Banco Mundial, de representar a real correlação de forças no mundo. Esses dois órgãos não podem continuar deixando que países de grande relevância não tenham a mesma proporção no que se refere às quotas. Isso também é uma pauta sistemática do governo brasileiro. Evidenciamos e relatamos o que houve na Cúpula dos BRICs, basicamente a formação do Banco de Desenvolvimento dos BRICs e do Acordo Contingente de Reservas, cada um com US$ 100 bilhões.

Qual é a posição que o Brasil defende na política internacional?

Agora, os grandes desafios. Primeiro, a paz e a segurança coletiva. É fundamental, primeiro, considerar que o mundo não resolve velhos contenciosos e novos contenciosos são agregados aos velhos, acumulando um quadro de imensa instabilidade com grandes perdas de vidas e com

grande instabilidade política internacional. Constatamos que o uso da força, que vai desde intervenções militares amplas até localizadas, não construiu a paz no mundo. E que o melhor caminho para se construir a paz será sempre o diálogo e a diplomacia. Em que pese todo mundo concordar com isso, isso não tem sido praticado. Nós consideramos que a Palestina, a situação na Palestina, o conflito israelo-palestino, o conflito na Síria, no Iraque, na Líbia, da Líbia se expandindo e contaminando Israel, e na Ucrânia, têm de ser resolvidos dentro dos marcos legais internacionais. Quais são eles? É o direito internacional e o fato de qualquer ação ter de se submeter ao acordo do Conselho de Segurança da ONU. E aí, nós também sempre temos reiterado nos últimos três anos do meu governo, em toda a reunião, que é fundamental a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Por que é importante? Porque é o seguinte: é outra das instituições que emergiram da Segunda Guerra Mundial. De lá para cá, você tem toda uma trajetória internacional, e o mundo merece ter uma representação melhor no Conselho de Segurança da ONU

para evitar que haja essa paralisia dentro do Conselho, essa paralisia, porque é uma verdadeira paralisia. E aí, em vários momentos, o que acontece? Acontece que as ações se dão fora do Conselho, sem esse carimbo de legalidade que o Conselho pode dar a uma ação, e não só de legalidade, mas também dando a ela a chancela de todos os países da ONU.

Enquanto os países do G20 têm 100 milhões de desempregados, o Brasil continua contratando. É uma lição para o mundo. Como que deveria ser composto o Conselho? Nós defendemos a participação do Brasil. Estamos no grupo G4, não é? Defendemos que se mude não só a representação fixa, mas também aqueles representantes que vão se alternando, amplie-se também a representação que substitui que, tradicionalmente, permite que outros países passem - como nós já fizemos - passem um determinado período dentro do Conselho.

É possível negociar com o Estado Islâmico, desafiando o Iraque?

Vocês acreditam que bombardear o ISIS resolve o problema? Porque se resolvesse, eu acho que estaria resolvido no Iraque. E o que se tem visto no Iraque é a paralisia. Isso não sou eu que estou dizendo, é só vocês lerem o New York Times. O que o “New York Times” disse: que houve uma estagnação. Por quê? O ISIS tem apoio de comunidades sunitas. Então, o que se tem de olhar é, de fato, a raiz desse problema. Vocês sabem aquele negócio, quando você destampa a caixa e saem todos os demônios? Os demônios estão soltos, todos. Não vamos esquecer o que ocorreu no Iraque: houve uma dissolução do Estado iraquiano, uma dissolução. Então, hoje, a gente querer simplesmente bombardear o ISIS, dizer que você resolve porque o diálogo não dá. Eu acho que não dá, também, só o bombardeio, porque o bombardeio não leva a consequências de paz. Por que você quer bombardear? Por quê? Por que alguém internamente quer que você bombardeie? Você vai bombardear para quê? Para garantir a paz?


www.bafafa.com.br Na invasão do Iraque, originalmente, o Conselho de Segurança da ONU votou contra e ainda assim os Estados Unidos lideraram esse movimento de invasão do Iraque.

Olha, eu acho que primeiro a gente sempre tem de ter esperança. Eu tenho esperança que mude. E o meu papel, como representante de uma nação do porte do Brasil, que é uma nação reconhecidamente pró-paz, que nunca atacou, nunca teve uma ação ilegal nessa área, é minha obrigação defender que isto não se repita. Que não se faça ações fora do âmbito da legalidade da ONU. Primeiro porque, como você mesmo disse, está claro que a invasão do Iraque não resultou na paz no Iraque. Além de eu achar que o Conselho tem de ser reformulado, acho que o Conselho tem de ter claramente o poder de rejeitar certo tipo de ação unilateral. Eu acho que é o único poder que resta ao Conselho é isso, rejeitar de forma clara o poder de, aliás, rejeitar de forma clara, esse é o poder. Porque o Conselho de Segurança da ONU é um órgão colegiado, é um órgão de, vamos dizer assim, de caráter político. Não é possível achar que cada vez que acontece alguma coisa, a gente vai atacar e isso vai resolver. Se resolvesse não teria Iraque, Líbia, não teria o Sahel, não teria todas as instabilidades que ocorrem no mundo.

Os conflitos mundiais devem ser resolvidos no âmbito das Nações Unidas e não pelas intervenções militares. Se estas últimas fossem a solução, não teríamos as tragédias do Iraque, da Líbia, do Afeganistão e da Palestina. O Brasil conseguiu reduzir a emissão de dióxido de carbono?

Quando era ministra-chefe da Casa Civil do presidente Lula coordenei a nossa delegação na Conferência COP 15, que é a Conferência de Copenhague. Naquele momento, o Brasil definiu uma redução voluntária entre 36 a 39% das emissões de gás de efeito estufa. Isso foi em 2009. Nós temos moral para falar nisso, porque de 2010 até hoje nós reduzimos, ano a ano, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono e de emissão. Mesmo não tendo havido um acordo, o Brasil o fez de forma voluntária e, além disso, legal, porque colocamos isso em lei. Bom, o que eu acho? Eu acho que a discussão não pode repetir Copenhague.

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país, que é a Indonésia, que desmatou mais que o Brasil, desmatou 20.000 km², então eu sugiro que se olhe com mais, vamos dizer assim, mais precisão, antes de falar que nós somos grandes desmatadores. Até porque eu mostrei para vocês a queda. Nós saímos de 27 mil, num determinado momento lá atrás, passamos para 11 mil e chegamos hoje a 5.800, e vamos cair em 2014, eu garanto a vocês.

O que é a repetição de Copenhague? É assim, e foi assim em Copenhague e não pode ser assim em 2015, que era assim: se você reduzir eu reduzo. Agora, se você não reduzir, eu não reduzo. Primeiro, os países desenvolvidos fizeram seu, todo o seu crescimento baseado em fortes emissões de gás de efeito estufa. Ao contrário de nós, um dos motivos mais graves de comprometimento e que permitem essa emissão, são as matrizes energéticas usadas. No caso da elétrica era dominantemente e ainda é, em parte, carvão e diesel ou, pior, óleo combustível pesado, que produz muita emissão.

Acredita numa nova ordem ambiental?

O que vai estar na pauta em 2015 é o seguinte: vai haver ou não vai haver, medidas claras e cada um assumindo sua meta e cumprindo sua meta, através daquilo que era a briga, se é legallybinding ou se não é legallybinding, ou seja, se é legalmente vinculante ou não legalmente vinculante? Eu acho que têm de ser medidas universais para todos, obviamente guardando o princípio da equidade. Quem mais contribuiu para a emissão, tem mais responsabilidade de quem não contribuiu. Então... Porque nesse teve desenvolvimento, então para aqueles países que não têm condições sozinhos de fazer, e que estão em desenvolvimento, tem de ter medidas de financiamento e aporte garantido para adaptações e mitigação. O Brasil fica muito tranquilo de falar, porque não está pedindo apoio para isso. Nós fizemos a nossa parte e fizemos além, porque aplicamos hoje no Brasil, de forma também absolutamente, ou seja, voluntária, da nossa parte, agricultura de baixo carbono, não é? Plantio direto sobre a palha, fixação de nitrogênio no solo, rotação lavoura-pecuária-pastagem, recuperação de

pastagens degradadas, recuperação também de dejetos, nós temos essa política, mas, sobretudo, temos uma matriz que é 79% elétrica, baseada em renováveis, e temos também um plano, uma política nacional. A gente esquece de falar isso mas tem que falar, uma política nacional de prevenção, de monitoramento e prevenção de desastres naturais que, na verdade, é uma variante do plano de adaptação que nós vamos apresentar. O plano de adaptação está integrado, porque eu não vou ficar discutindo: “Ah, aquilo ali veio pela mudança do meio ambiente. Não, aquilo ali não veio, então eu não faço o plano de adaptação”. Não, o plano de adaptação vai valer para desastres naturais causados pelo meio ambiente ou por razões meteorológicas, a gente discute depois como classificar. Agora, antes a medida é para poupar, primeiro, vidas, depois, patrimônio, e garantir, com medidas preventivas, que o meio ambiente não seja afetado. Então, o Brasil pode falar, sim, tranquilamente. Nós temos moral para falar, o que não é viável é que se repitam as razões geopolíticas que levaram à inviabilidade da COP 15, em Copenhague. Então, eu acho que cada país tem de dizer qual é a sua meta de redução. E aí a discussão vai ficar clara, transparente, todo mundo vai saber que cada um se dispõe a fazer. Bom, eu queria ainda mais dizer para vocês uma outra coisa. É bom dar uma olhada que só nós que temos sistema de monitoramento e desmatamento ou Prodes. Eu não tenho conhecimento, posso estar equivocada, eu não tenho conhecimento de outro país que tem sistema de monitoramento que nem o nosso. Então, essa historia de dizer que o Brasil foi o que mais desmatou o ano passado, vamos colocar isso sob interrogação, sabe por quê? Porque a revista Science, em 2011 mostra que entre 2011 e 2012 houve um

Independente de acordo, o Brasil reduziu a emissão de dióxido de carbono em 650 toneladas desde 2010. O Brasil sempre esteve na liderança a favor da preservação ambiental. Presidente, a senhora fez um discurso exaltando as conquistas sociais de seu governo e do ex-presidente Lula nos últimos 12 anos, destacando muito a questão do emprego e da renda. A senhora falou aqui como chefe de Estado, mas também como candidata à reeleição? Foi um discurso político de campanha?

Pois é, os meus quatro discursos são muitos parecidos, no que se refere a eu falar sobre uma questão fundamental. Eu falar que o Brasil, reduziu a desigualdade, diminuiu a desigualdade, aumentou a renda, ampliou o emprego, em todos os discursos, em todos eles. Porque isso é um valor aqui, é um valor que o mundo reconhece que nós fizemos isso. Nós, em 12 anos, tivemos uma redução que poucos países do mundo tiveram. Então, eu digo isso porque como Chefe de Governo eu tenho imenso orgulho disso. E acho que uma parte do respeito que o Brasil tem, no plano internacional, decorre do fato da gente ter feito isso. Nenhum país, como nenhuma família, respeita aqueles que chefiam ou um país ou uma família que não melhoram a vida dos seus. Então, ter melhorado a vida do Brasil, ou seja, ter saído do mapa da fome, ter diminuído a pobreza, num mundo que desemprega centenas de milhões de pessoas, centenas de milhões, porque só o G20 está desempregando 100 milhões, nós criamos emprego. Então, este é um valor, acho que é um valor para o Brasil, e é um valor para ser afirmado internacionalmente, em todas as minhas vindas à ONU.


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Centrais sindicais e entidades da sociedade civil com Dilma

Diferentes centrais sindicais e entidades da sociedade

presidência da República. Portanto, a presença e o empe-

tudantes de apoio à Dilma no Salão Nobre da Faculdade

civil realizaram uma plenária na última quarta-feira 15 de

nho de cada um é fundamental para que tenhamos mais

de Direito da UFRJ

outubro. Em pauta, a manutenção dos projetos sociais e de

quatro anos de avanços sociais no Brasil.

Quarta (22/10)

desenvolvimento em curso no Brasil nos últimos 12 anos.

17h - Comício na Cinelândia - grande mobilização de

O evento teve a presença do ministro licenciado Gilberto

CUT, CSB, CTB, CONAM, UNE, UNMP, MNMP, CMP,

figuras públicas e artistas que apoiam Dilma

Carvalho. O deputado Alessandro Molon mostrou mapas

UBES, MARCHA DAS MULHERES, MST.

Quinta (23/10)

Participaram da plenária as seguintes entidades:

com a distribuição de votos no primeiro turno no estado e

10h - Caminhada contra a violência às mulheres em

na cidade do Rio de Janeiro. Pediu aos apoiadores de Dilma

que a campanha se concentre nas comunidades onde o

de Janeiro. Confira:

Na ocasião, foi divulgada a agenda de Dilma no Rio

Duque de Caxias 12h30 – Visita à Feira de São Cristóvão

eleitor tende a votar na petista. Foi proposta ainda a realização de um grande mutirão para convencer os eleitores

Sábado (18/10)

indecisos e aqueles que votaram em Marina no primeiro

9h30 - Caminhada no calçadão com Crivella

turno. Gilberto Carvalho disse que esta é a eleição mais

11h - Correata com Pezão em Bangu, terminando em

difícil desde 2002, quando Lula foi eleito. “É uma batalha.

Padre Miguel

Nada está decidido, é preciso ganhar as ruas e explicar

12h – Encontro com prefeitos e líderes comunitários com

como o Brasil mudou nos últimos 12 anos”, garantiu.

Pezão e Dilma na Quadra da Portela

Segunda (20/10)

O apoio das organizações populares e o povo na rua

elegeram o primeiro operário e a primeira mulher para a

18h – Ato dos reitores, pesquisadores, intelectuais e es-

Informe Publicitário

Contra o retrocesso, petroleiro vota Dilma Antonio Martins* Neste 2º turno das eleições, a Petrobras tem sido o principal e repetido alvo dos ataques do candidato da direita para atingir a adversária, chefa do governo atual e candidata à reeleição. A despeito desses ataques alinhados com a imprensa conservadora, a Petrobras, locomotiva do desenvolvimento do país, continua crescendo para orgulho do povo brasileiro. Somos muito maiores que Paulo Roberto. Os petroleiros mais antigos sabem que a empresa só está de pé, hoje, graça à eleição de Lula que interrompeu a sua privatização do PSDB e evitou seu retalhamento para venda, em pedaços chamados “Unidades de Negócios”. O candidato da direita pretende retomar a política anterior de FHC da privatização lesa-pátria da Petrobras e de entregar o Pré-sal à cobiça internacional, apesar do discurso falso de que vai preservar a empresa. A posição do candidato do PSDB em relação à economia é a da velha receita neoliberal do aumento dos juros para reduzir a inflação. Com desemprego e arrocho salarial. Um retrocesso em relação à política atual de valorização do salário mínimo e de pleno emprego. Embora diga que vai manter o “bolsa família”, que retirou milhões da miséria e da fome, não dá para confiar em quem só fez criticar o programa e sempre

defendeu políticas autoritárias. Sua receita é a mesma da “austeridade” defendida pelo FMI que levou milhões de trabalhadores ao desemprego na Grécia, Portugal, Espanha, Itália e em todo o mundo capitalista. Sua política econômica é a de alinhamento com os interesses do agronegócio e do capital financeiro. Para ele e seus aliados quem manda é o “Deus” Mercado. As políticas sociais do Estado como as recentes que tiraram milhões de brasileiros da fome e da pobreza, estarão em segundo plano. A nomeação de Armínio Fraga antecipada para ministro da fazenda é a demonstração clara disso! Na questão internacional, a política de Aécio é a de subordinação aos interesses estratégicos dos EUA na América Latina e de afastamento do Brasil de governos progressistas como Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Peru, Venezuela e Uruguai, entre outros. E de omissão em relação ao cruel e opressivo bloqueio econômico sobre Cuba que perdura por 50 anos. E, com certeza, atuará para quebrar a organização do Banco de Desenvolvimento dos“BRICS”, apoiado por Dilma, de alternativa ao sistema financeiro internacional. Em relação às questões dos direitos humanos, direitos coletivos e das minorias a sua pauta conservadora irá acelerar o combate às causas LGBT, redução da maioridade penal, a privatização do sistema carcerário e a criminalização do aborto. O PSDB é uma opção nefasta à classe trabalhadora,

pois aposta no aprofundamento das privatizações, no arrocho salarial, na criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, privilegiando o Estado máximo para o capital e mínimo para os trabalhadores. Sabemos que o governo Dilma teve vários problemas. Manteve o fim do monopólio estatal do petróleo e os leilões dos Campos, inclusive do pré-sal. Manteve o fator previdenciário. Ajudou a repressão nas jornadas de junho de 2013. Não enfrentou a crescente terceirização do trabalho que retira e precariza direitos trabalhistas e confia nos acordos com as grandes empresas que manteriam o emprego em troca dos incentivos fiscais. Ao mesmo tempo, manteve a política de aumentos reais do salário mínimo, a bolsa família e os financiamentos e bolsas estudantis. São ganhos reais para as parcelas mais sofridas do povo brasileiro. Nós, petroleiros, votamos em Dilma porque queremos manter vivo o sonho da transformação social, o sonho de que a vida para melhorar precisa acabar com o modelo de desenvolvimento predatório e excludente. Votamos em Dilma sabendo que é a nossa luta, a luta de toda a classe trabalhadora que vai mudar realmente o mundo! *Antônio Martins é engenheiro e diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RJ)


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Dilma condena Golpe A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) disse que a oposição está tentando dar um golpe ao usar a investigação das denúncias de corrupção na Petrobras contra seu partido. Em discurso na cidade de Canoas (RS), ela afirmou que o combate “a esse crime horrível” começou durante as gestões do PT. “Não concordamos com o uso eleitoreiro de processos de investigação que nós começamos, nós fizemos, nós desenvolvemos. Porque a Polícia Federal passou a ser um órgão de investigação a partir dos nossos governos. Agora, na véspera eleitoral, eles sempre querem dar um golpe. Estão dando um golpe. E esse golpe nós não podemos concordar com ele”, afirmou a mandatária. Um depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, vazado no dia 09 de outubro, acusa os partidos PT, PMDB e PP de receberem parte do dinheiro desviado da estatal. Dilma afirmou que a Polícia Federal foi aparelhada pelo PSDB durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Vamos lembrar como era o Brasil antes de nós, vamos lembrar quem era nos últimos quatro anos do PSDB o diretor geral da Polícia Federal. Era aparelhado, era um militante filiado do PSDB. Eles aparelharam a PF, por isso a PF investigou pouco, descobriu pouco, prendeu pouco e condenou muito pouco no judiciário em relação a corruptos e corruptores”. A redação do Bafafá

Lado do povo É muito difícil se indignar quando meu adversário fala em medidas impopulares. Ora, se são impopulares, são medidas contra o povo. Tem um lado muito claro. O lado do povo. O Brasil não pode voltar a aquele passado em que era governado por uma elite e para uma elite. Dilma Rousseff, Presidente da República

Economista alemão defende Dilma Li nos últimos dias que a presidente do Brasil corre o risco de não ser eleita e fiquei chocado com a notícia. Nos últimos 10 anos o governo atual mudou a maneira como o Brasil é visto na Alemanha. Se antes víamos apenas um país de terceiro mundo, agora nós sabemos que o Brasil é uma potência econômica. Para os brasileiros eu diria sete simples motivos para reeleger o atual governo. 1. Durante a crise mundial (2008-2013) a economia brasileira cresceu quase 5 vezes mais que a alemã. 2. A taxa de desemprego na Alemanha duplicou durante a crise mundial enquanto a brasileira surpreendentemente abaixou. Na Itália, por exemplo, 12.3% das pessoas estão desempregadas e na Espanha 24.5%. O atual governo brasileiro protegeu o emprego das pessoas enquanto as nações europeias protegeram o dinheiro dos bancos. 3. Apesar de a Alemanha ter um bom governo, em 2014 a economia brasileira vai, de novo, crescer mais que a alemã.

4. Durante a crise mundial (2008-2014) o IDH alemão diminuiu de 0.940 para 0.911. EUA diminuiu de 0.950 para 0.914, o espanhol de 0.949 para 0.869. Enquanto as maiores economias do mundo sofreram esses efeitos, Brasil aumentou seu IDH de 0.710 para 0.744. Ainda distante do primeiro mundo? Sim. Mas no caminho certo de ascensão. 5. A desigualdade social cresceu em todos os países europeus enquanto diminuiu no Brasil. Continuando no mesmo caminho, em apenas 10 anos o Brasil alcançará o nível de desigualdade dos EUA. 6. O discurso de Roussef nas Nações Unidas inspirou o mundo inteiro contra a espionagem dos EUA. Depois disso, nossa primeira-ministra Merkel e outros líderes nacionais se pronunciaram contra Obama. Pela primeira vez um país de terceiro mundo teve coragem para enfrentar o governo estadunidense. 7. O atual governo de Lula e Roussef mudou a maneira como o Brasil é administrado. Se antes era um país de terceiro mundo trabalhando para os EUA e o mercado financeiro, hoje trabalha para as pessoas. A Alemanha tem corrupção. Na Europa temos corrupção, assim como nos EUA e no Brasil e, infelizmente, isso nunca vai mudar, não importa quem esteja no governo. Mas se há um país que enfrentou a crise mundial e melhorou a vida das pessoas como nenhum outro no mundo, esse é o Brasil. E isso deve ser levado em conta. Kurt Neuer, economista alemão

Brasil melhorou Se o Brasil melhorou? Dê uma olhada nestes números: hoje o país é a 7ª economia mundial; é o 2º maior exportador de alimentos; é o 1º produtor e exportador de soja; é o 1º produtor e exportador de café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e de frango; é o 3º maior produtor de frutas, o 1º fabricante de jatos regionais, o 3º fabricante de aviões, comerciais, o 4º mercado de veículos, o 7º produtor mundial de veículos, tem a 4ª maior indústria naval, é o 2º maior produtor de minério de ferro, o 9º maior produtor de aço, o 4º maior produtor de cimento, o 4º maior produtor de celulose, o 1º em celulose de eucalipto, é o 9º maior produtor de papel, o 7º maior fabricante de produtos químicos, o 8º maior produtor de alumínio primário, o 4º maior produtor de bauxite, o 3º maior produtor de alumina, o 5º maior produtor de têxteis, o 4º maior produtor de confecções, o 3º maior produtor de calçados, o 2º maior gerador de energia hidrelétrica, o 1º produtor de etanol e o 3º de biodiesel, é o 7º maior gerador e 9º maior consumidor de energia elétrica, o 3º maior mercado de computadores pessoais, o 5º em telefones celulares e o 5º em telefones fixos. É o 4º país em usuários de internet e o 3º em número de servidores. É o 4º país em extensão de rodovias, a 4ª maior força de trabalho (104 milhões), é o 7º maior mercado de consumo do mundo e o 5º em reservas internacionais (US$ 377 bilhões). Entre os países do G20 também não fazemos feio: tivemos o 9º maior crescimento do PIB em 2013 (2,3%), somos o 1º na proporção entre reservas e dívida de curto prazo (10 vezes), o 2º na proporção entre reservas e importações (18 meses). Tivemos o melhor resultado primário médio

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entre 2008 e 2013 (2,54%), temos a 6ª menor dívida pública bruta em relação ao PIB (57,2%), o 4º maior investimento Educação (5,8% do PIB), o 9º maior investimento em Saúde (8,9% do PIB). Isso, claro, para não falar dos 40 milhões de miseráveis que foram incorporados ao mundo dos que fazem três refeições por dia. Esse é o resultado de doze anos do chamado “lulopetismo”. Fernando Morais, jornalista

Danny Glover apoia Dilma Casado com uma brasileira, o ator norte-americano Danny Glover mandou pelo Twitter uma mensagem de incentivo à presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Roussef: O Brasil é o maior país na luta contra a pobreza e nos últimos 12 anos se tornou um exemplo para a humanidade.

Opinião Se alguém condena o “mensalão” do PT, como eu condeno, deveria condenar também o “mensalão” do PSDB em Minas Gerais. Aliás, Minas o condenou derrotando o Aécio e o candidato dele nas urnas. Além disso, a própria reeleição do FHC e o governo do Marcelo Alencar (PSDB) no Rio de Janeiro são outros exemplos de corrupção. O PSDB não pode se colocar como a solução comportamental do enfrentamento à corrupção. Marcelo Freixo, deputado estadual do PSOL, à revista Fórum

Nota do MTR As premissas de um governo tucano são incompatíveis com as conquistas dos últimos 12 anos. O projeto de um estado mínimo e de um ajuste forte nos gastos públicos é absolutamente incompatível com os avanços. Ainda que tentem disfarçar com o marketing eleitoral, não há espaço no orçamento deles para a manutenção de programas sociais, para a política de valorização do salário e para a abertura de vagas em cursos e universidades.Sob o nome genérico de “flexibilização do mercado de trabalho”, o projeto tucano reduzirá de maneira brutal os direitos e a proteção aos trabalhadores. Portanto, não se deixe enganar pela grande imprensa corporativa, da qual a Globo é o maior exemplo, que finge pregar a isenção e defende apenas os interesses das elites, dos grandes empresários, do mercado financeiro e dos ricos e abastados. Vote Dilma 13 Movimento Trabalhista do Rio (MTR)

Sonho Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade. Raul Seixas


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Outubro / 2014

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Silvio Tendler lança filme sobre privatizações Camila Marins

Privatizações - a Distopia do Capital este é o novo filme do cineasta Silvio Tendler. A proposta é promover o debate em todas as regiões do país para avançar na construção da consciência política e denunciar os fatos ocorridos durante o período das grandes privatizações no país. O filme será lançamento na próxima terça-feira, 21 de outubro, às 18:30h no Circo Voador. A pré-estreia do filme foi realizada no dia 9 de outubro no cineclube Silvio Tendler, no Museu da República. Centenas de pessoas, entre sindicalistas, estudantes, formadores de opinião, comunicadores e parlamentares, estiveram presentes e o consenso era de que somente a esperança da utopia é capaz de vencer as perversidades do projeto neoliberal e sua consequente distopia social. De acordo com o diretor do filme, Silvio Tendler o objetivo é contribuir pedagogicamente na construção da consciência política. “Este é um filme que eu devia a mim mesmo e ao país. Cinema é patrimônio público e é para ser visto e multiplicado, e não para ser produto confinado em salas de shoppings, em apenas 7% do território brasileiro”, disse. Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. “Se não conhecermos o nosso passado podemos incorrer no erro de repetir as farsas e tragédias do neoliberalismo no presente e no futuro”, afirmou o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio Alves dos Santos. Um dos principais pontos levantados pelo filme é o papel do Estado, cuja perspectiva neoliberal está rendida às exigências do mercado, do capital internacional e do lucro. “Este filme faz reflexão sobre como o processo de privatização foi um grande engodo.O argumento forte que elegeu os Fernandos (Collor e FHC) é de que esse dinheiro dos ‘paquidermes’ das estatais serviriam para os serviços públicos, e isso não aconteceu. No Brasil, os serviços só pioraram de lá para cá. Por fim, o filme afirma que apenas a mobilização e organização da população podem garantir um país justo, igualitário e soberano”, destacou o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). O final dos anos 80 e a década de 90 são considerados tempos perdidos, devido à ofensiva neoliberal com seu projeto de privatização das principais empresas do Brasil. “Houve asfixia de grandes setores da engenharia nacional, em que investimentos foram negados para que houvesse sucateamento de todas as empresas estatais para justificar o processo de privatização. Esse filme é histórico, pois permite o resgate

da história, para que o povo brasileiro conhecendo sua história possa planejar futuro melhor para cada cidadã e cidadão desse país”, pontuou o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento. Outro destaque do filme é a propaganda feroz em defesa das privatizações, bem como o papel dos meios de comunicação no desmonte do Estado brasileiro. “Eu vivi todo o processo de privatização no Rio de Janeiro. Lembro de cada cartaz que a gente fez, cada momento, cada bomba, cada corrida da polícia. Ou a gente conta essa história ou ela se perde. Perder essa memória é perigoso, porque pode significar a volta de um projeto, que arranca o sangue do povo brasileiro. Esse filme não engana e não disfarça, porque muitas das questões neoliberais se mantiveram”, lembrou a jornalista e coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), Claudia Santiago.

Cinema, a utopia necessária A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirmou Silvio Tendler. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro. Tendler lembrou que nos anos 50 a parceria entre sindicatos para produção de filmes acontecia mundo afora. “Num país de 200 milhões de habitantes não pode se resumir a 15 milhões de espectadores. A parceria com os sindicatos é fundamental. Nos anos 50 houve, na França e na Itália por exemplo, já havia esta parceria com entidades e produziram filmes ótimos. O Senge e a Fisenge ao fazerem isso não inovam, mas renovam”, concluiu Tendler. Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”. O filme será lançado na terça 21 de outubro, às 18:30h, no Circo Voador, com a presença do diretor Silvio Tendler. Entrada Franca!


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