Ano 17 - Nº 140 - 3º Edição/2018
Entrevistalotti
l a G o d r a Edu
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“Samba se aprende em roda de bar” O cavaquinista Eduardo Gallotti é fundador de várias rodas de samba no Rio de Janeiro e também premiado compositor de sambas de blocos de carnaval. Ex-estudante de biologia descobriu aos 20 anos o gosto pelo riscado e nunca mais parou. Entre as rodas que fundou, Candongueiro, Sobrenatural e Mandrake, esta última uma das primeiras na Zona Sul na metade da década de 80. Mais recentemente comandou a roda dos Democráticos e Anjos da Lua. Gallotti ganhou ainda grande destaque compondo sambas premiados de blocos como “Simpatia é quase Amor”, “Suvaco do Cristo”, “Bloco da Segunda” e “Barbas”. Aos 54 anos, em entrevista ao Bafafá, Gallotti conta que aprendeu a tocar cavaquinho sozinho. E revela o segredo para quem está começando: “Samba se aprende em roda de bar, é a melhor escola”. Questionado se o samba é eterno, não titubeia: “Nenhum outro gênero musical tem essa melodia, essa riqueza musical”. Diz ainda não ter maiores ambições. “Não quero ser um artista de palco, quero continuar sobrevivendo da roda de samba”.
NESTA : O EDIÇÃ
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Leonardo Boff Ricardo Rabelo Fábio Cezanne Theófilo Rodrigues Rogeria Paiva Leonardo Sakamoto Antonio Gerson Carvalho
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Editorial Bafafá chega a 80 faculdades e muda perfil editorial Prestes a completar 17 anos, chegamos a 140 edições, com mais de um milhão e meio de exemplares impressos, distribuídos principalmente nas universidades. O jornal Bafafá 100% Opinião orgulha-se de circular nos principais câmpus da UFRJ, nos dois câmpus da UFF, na UERJ e UNIRIO atingindo mais de 80 faculdades. A sinergia com o meio acadêmico nos aproximou da realidade universitária e nossa meta é ampliar ainda mais nossa circulação, incluindo instituições privadas. A partir deste número o leitor já sentirá algumas mudanças. O jornal está mais clean, apresentando artigos e matérias com teor mais sociocultural. Mas, sem perder a essência, continuaremos bastante opinativos. A ideia é abrir mais o leque, dar voz a quem precisa e mesclar mais o jornal com o site. Nesta edição, entrevistamos Eduardo Gallotti, personagem importantíssimo quando se fala de roda de samba, carnaval e Lapa no Rio de Janeiro. Ele nos fala do seu auge e das dificuldades de hoje, mas com muito bom humor. Em ma-
térias e artigos, falamos de educação, meio ambiente, saúde e também sobre a nossa tristeza em ver bares considerados patrimônios cariocas indo à falência. Tem o Festival da Utopia em Maricá, dicas de passeio em Niterói e a rica colaboração de Fabio Cezanne mostrando que na música os brasileiros estão batendo um bolão. A partir de agora contamos com as sugestões de nossos leitores, que poderá ser via e-mail, site ou redes sociais. Queremos fazer um jornal interativo que dialogue com todos. Estamos felizes de proporcionar conteúdo de qualidade e circular gratuitamente em vários espaços culturais do Rio. Esperamos que gostem das mudanças e boa leitura!
Ricardo Rabelo, editor
(E-mail para sugestões de pauta: bafafa@gmail.com)
Expediente Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 bafafa@bafafa.com.br
Direção de arte: PC Bastos bastos.pc@gmail.com
Praça: Rio de Janeiro São Paulo
Diretora de marketing: Rogeria Paiva mercomidia@gmail.com
Circulação: Distribuição gratuita e direcionada (universidades, bares, centros culturais, cinemas, sindicatos)
Publicidade: mercomidia@gmail.com Tiragem: 5.000 exemplares
Agradecimentos: Aos colaboradores desta edição. Realização: Mercomidia Comunicação Bafafá 100% Opinião é uma publicação bimensal. Foto capa: Paulo Bastos
Matérias, colunas e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. www.bafafa.com.br Onde encontrar: www.bafafa. com.br/bafafa/jornal-bafafa
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A crise brasileira à luz da teoria do caos Já há muitos anos, cientistas vindos das ciências da vida e do universo começaram a trabalhar com a categoria do caos. Inicialmente também Einstein participava-se da visão de que o universo era estático e regulado por leis determinísticas. Mas sempre escapavam alguns elementos que não se enquadravam neste esquema. Para harmonizar a teoria, Einstein criou o “princípio cosmológico” do qual mais tarde se arrependeria muito porque não explicava nada, mas mantinha a teoria standard do universo linear inalterada. Com o advento da nova cosmologia mudou completamente de ideia e começou a entender o mundo em processo ininterrupto de mutação e autocriação. Tudo começou com a observação de fenômenos aleatórios como a formação das nuvens e particularmente o que se veio chamar de efeito borboleta (pequenas modificações iniciais, como farfalhar das asas de uma borboleta no Brasil, podem provocar uma tempestade em Nova York) e a constatação da crescente complexidade que está na raiz da emergência de formas de vida cada vez mais altas (cf.J.Gleick Caos: criação de uma nova ciência, 1989). O sentido é este: por detrás do caos presente se
escondem dimensões de ordem. E vice-versa, por detrás da ordem se escondem dimensões de caos. Ilya Progrine (1917-2003), prêmio Nobel de Química em 1977, estudou particularmente as condições que permitem a emergência da vida. Segundo este grande cientista, sempre que existir um sistema aberto, sempre que houver uma situação de caos, (longe do equiíbrio) e vigorar uma não-lineariedade é a conectividade entre as partes que gera uma nova ordem vital (cf. Order out of Chaos,1984). Esse processo conhece bifurcações e flutuações. Por isso a ordem nunca é dada a priori. Ela depende de vários fatores que a levam a uma direção ou à outra. Fizemos toda esta reflexão sumaríssima (exigiria muitas páginas) para nos ajudar a entender melhor a crise brasileira. Inegavelmente vivemos numa situação de completo caos. Ninguém pode dizer para onde vamos. Há várias bifurcações. Caberá aos atores sociais determinar uma bifurcação que não represente a continuidade do passado que criou o caos. Sabemos que há oculto dentro dele uma ordem mais alta e melhor. Quem vai desentranhá-la e fazer superar o caos? Aqui se trata, no meu modo de ler a crise, de liquidar o perverso legado da Casa Grande traduzida pelo ren-
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Por Leonardo Boff
tismo e pelos poucos miliardários que controlam grande parte de nossas finanças. Esses são o maior obstáculo para superação da crise. Antes, eles ganham com ela. Não oferecem nenhum subsídio para superá-la. E possuem aliados fortes a começar pelo atual ocupante da Presidência e parte do Judiciário, pouco sensível à cruel injustiça social e à superação histórica dela. Precisamos constituir uma frente ampla de forças progressistas e inimigas da neocolonização do país para desentranhar a nova ordem, abscôndita no caos atual mas que quer nascer. Temos que fazer esse parto mesmo que doloroso. Caso contrario, continuaremos reféns e vítimas daqueles que sempre pensaram corporativamente só em si, de costas e, como agora, contra o povo. O caos nunca é só caótico. É gerador de nova ordem. O universo se originou de um tremendo caos inicial (big bang). A evolução se fez e se faz para colocar ordem neste caos. Devemos imitar o universo e construir uma nova ordem que seja includente de todos, a partir dos últimos. *Teólogo e escritor, publicado no leonardoboff.wordpress.com
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Vitória na prorrogação Terminada a copa do mundo de futebol para a seleção brasileira, após a derrota precoce nas quartas de final, aos poucos, o clima começa a esquentar para a nova copa que vamos ter de enfrentar em outubro próximo. As eleições para presidente da República, governadores dos Estados, dois terços dos Senadores, deputados Federais e Deputados Estaduais. Indiferentes a alta rejeição pela população em relação aos políticos de modo geral, ao governo Temer e ao Congresso Nacional, aproveitando ainda o momento de alienação da grande maioria e a omissão do judiciário, o governo e sua base parlamentar aceleram o conhecido e corrupto processo do “toma lá dá cá” para continuação da agenda de iniciativas dedicadas exclusivamente a arrecadação, a qualquer custo, do maior volume de recursos possíveis. Oferecem aos interessados concessões e bens do estado, como a Base de Lançamentos de Alcântara, a Eletrobras e suas distribuidoras de energia elétrica, como os ativos da Petrobras, o nosso pré-
-sal, e benesses de todo tipo, mesmo com todas as consequências negativas dos aumentos nas tarifas de energia. No apagar das luzes do governo, apresentam várias medidas simultâneas de desmonte do Estado, de comprometimento da economia, com sérios prejuízos para a perspectiva de um futuro melhor dos brasileiros. Segundo dados recentemente divulgados (Marcio Pochmann- 9/06/2018), a estimativa do montante da arrecadação fiscal sonegada (corrupção privada) chega a superar em 10 vezes a estimativa de desvio do total dos recursos recebidos pelo Estado (corrupção pública). Onde conclui que no Brasil, “a corrupção do privado é bem maior que a do público”. O quadro atual tem também como pano de fundo os resultados da Reforma Trabalhista e da Lei de Terceirizações do governo, mostrando a terrível manutenção do desemprego de mais de 13 milhões de brasileiros e a mais baixa quantidade de empregos formais dos últimos meses. Seguimos na trajetória de
desmonte da nossa soberania e dos direitos sociais. O desaquecimento da atividade econômica no início de 2018 e os impactos da greve dos caminhoneiros provocada pela desastrosa política de desinvestimentos e de preços dos combustíveis do governo na Petrobras, reduziram as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto-PIB (soma de todos os bens e serviços produzidos), empobrecendo o país. Nenhum outro governo fez tanto estrago em tão pouco tempo. “Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultado diferente” (creio que é de Albert Einstein) Acabou mais uma copa, a derrota da seleção nos entristece mas, é hora de retomar a concentração para o jogo diário de superação das dificuldades, mudar o time, e aguardar o momento certo que se aproxima, e que pode ser a oportunidade de retomar o bom caminho para reverter o quadro e chegar à vitória, mesmo que seja na prorrogação.. Por Antonio Gerson Carvalho
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62% dos jovens querem ir embora. Até por que o Brasil deseja matá-los Por Leonardo Sakamoto Quando 62% dos jovens entre 16 e 24 anos de um país desejam mudar-se para outro lugar, pode-se dizer que o futuro desistiu. Mas o futuro não desiste tão facilmente. Ainda mais por que estamos falando de jovens, o grupo social que alimenta a ideia de que o dia seguinte será melhor. Para chegar a essa situação, portanto, houve um esforço amplo e duradouro desse país. O futuro desistiu do Brasil por que o Brasil desistiu do seu futuro muito antes. E não se trata aqui apenas falhar na garantia de emprego decente e educação de qualidade. Mas no respeito à vida e na proteção nos níveis mais básicos da dignidade. Pesquisa Datafolha, da qual esse número foi extraído, aponta também que quanto mais rica e escolarizada, mais a pessoa iria embora se pudesse. Para os jovens, principalmente negros e pobres, migrar para fora do Brasil deveria ser uma garantia humanitária, uma vez que o seu próprio país não apenas deseja matá-lo, como efetivamente mata. De acordo com o Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sobre dados do Ministério da Saúde, de 2006 a 2016, 324.967 jovens entre 15 e 29 anos morreram de forma violenta. A taxa de homicídios nesse grupo (65,5 por 100 mil habitantes) é mais que o dobro da média nacional e seis vezes a média global. Considerando apenas jovens homens, ela sobe para 122,6/100 mil.
Nesse período de tempo, o número de homicídios de negros aumentou 23,1% e, do restante da população, caiu 6,8%. Em 2016, a taxa de homicídios de negros foi de 40,2 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto os demais grupos registraram 16 mortes para cada 100 mil. Muitas dessas mortes ocorrem na forma de pacotes, em chacinas, nas periferias das grandes cidades brasileiras, seja pelas mãos do tráfico, de milícias ou de integrantes da própria polícia. Não raro, elas permanecem sem solução. Não é que a nossa sociedade não consegue apontar e condenar culpados. Ela não faz questão. Pelo contrário, não raro apoia formas de “limpeza social” do que chamam de “pessoal perigoso”, que ameaça os cidadãos de bem pagadores de impostos. Somos um povo que, para construir um futuro melhor, vai matando seu próprio futuro. O mais triste é que, quando percebermos essa contradição, já será tarde demais. Jornalista, publicado no blog do Sakamoto (https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br)
Relatos selvagens e a intolerância política Por Theófilo Rodrigues Quem já teve a oportunidade de assistir Relatos Selvagens sabe do que estou falando. Dirigido por Damián Szifron e estrelado por Ricardo Darín, o filme argentino, que estreou em 2014, traz seis histórias que em tempos normais poderiam parecer surreais ou bizarras. Mas que, infelizmente, traduzem bem o cotidiano da atual vida brasileira. No filme, situações corriqueiras do cotidiano transformam-se rapidamente em bolas de neve onde pessoas comuns tornam-se violentas, corruptas e até mesmo assassinas. Por óbvio, essa onda de ódio à flor da pele não surgiu como um raio em dia de céu azul. Essa intolerância vem sendo alimentada há algum tempo, pelas beiradas, seja por atores políticos ou, até mesmo, por veículos de comunicação. No Leblon, bairro hostil para quem usa roupas vermelhas, uma ativista social teve parte de um dedo cortado por uma mordida raivosa de uma simpatizante de outro partido durante a reeleição de Lula, em 2006. Nas chamadas Jornadas de Junho de 2013, no Centro da cidade, militantes com bandeiras de partidos foram agredidos covardemente: não pela polícia, mas por uma parcela dos próprios manifestantes que não aceitavam a presença de partidos políticos nos protestos. A intolerância não é apenas política, mas também social. Sob a palavra de ordem “bandido bom é bandido morto”, grupos de musculosos frequentadores de academia do bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, passaram a agredir jovens negros suspeitos de assaltos. Os autointitulados “justiceiros” chegaram a acorrentar um menor de idade em um poste, sem roupas. Se o menor era um “bandido”, ninguém sabe. Mas sobre seus agressores não há dúvidas: são bandidos. O desrespeito tem ainda sua face religiosa. Alguns religiosos, que parecem não ter entendido bem os próprios valores de sua crença, passaram a atear fogo em terreiros
de religiões de matriz africana, como o Candomblé. O autoritarismo é evidente: “se não professa a mesma religião que eu, então merece ser exterminado”, pensa esse criminoso que diz agir em nome de Deus. A situação é ainda mais bizarra quando a turba se levanta para linchar um suposto criminoso, mas logo em seguida descobre que acabou matando a pessoa errada, um inocente. Foi o que aconteceu nos últimos anos em Santos, no Guarujá e no Maranhão, entre tantos outros casos. Democracia não é consenso, como preconizam alguns, mas sim o reconhecimento da existência do conflito. Ocorre que esse conflito não pode ser sinônimo de intolerância, não pode significar o extermínio do outro. Faz parte da democracia o reconhecimento do conflito e a consequente organização de regras e procedimentos para o convívio de adversários. Nesse registro, regras e procedimentos são palavras-chave. Quem age em nome de suas convicções, mas sem provas, em busca do extermínio do inimigo, age contra a justiça e a democracia. Esse inimigo pode ser um partido, uma religião, ou um menor de idade pobre e sem direitos. Junto com o seu extermínio, morre a justiça e a democracia. Infelizmente, parece que caminhamos no sentido inverso ao do aprofundamento da democracia quando um candidato que promove a intolerância e o ódio contra minorias aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais para a presidência do país. Mas nem tudo estará perdido enquanto houver quem acredite na tolerância ao diferente e na cidadania. Lula Livre! Marielle Vive! Professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.
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Eduardo Gallotti
Entrevista
Por: Ricardo Rabelo
“Samba se aprende em roda de bar” Fotos: Paulo Bastos
O cavaquinista Eduardo Gallotti é fundador de várias rodas de samba no Rio de Janeiro e também premiado compositor de sambas de blocos de carnaval. Ex-estudante de biologia descobriu aos 20 anos o gosto pelo riscado e nunca mais parou. Entre as rodas que fundou, Candongueiro, Sobrenatural e Mandrake, esta última uma das primeiras na Zona Sul na metade da década de 80. Mais recentemente comandou a roda dos Democráticos e Anjos da Lua. Gallotti ganhou ainda grande destaque compondo sambas premiados de blocos como “Simpatia é quase Amor”, “Suvaco do Cristo”, “Bloco da Segunda” e “Barbas”. Aos 54 anos, em entrevista ao Bafafá, Gallotti conta que aprendeu a tocar cavaquinho sozinho. E revela o segredo para quem está começando: “Samba se aprende em roda de bar, é a melhor escola”. Questionado se o samba é eterno, não titubeia: “Nenhum outro gênero musical tem essa melodia, essa riqueza musical”. Diz ainda não ter maiores ambições. “Não quero ser um artista de palco, quero continuar sobrevivendo da roda de samba”.
Chegou a estudar música?
Sou autodidata, mas estudei cavaquinho dois anos com Henrique Cazes para pegar leitura de cifras e técnicas de acompanhamento. O Cazes tocava numa roda no Instituto dos Arquitetos que passei a frequentar. Conheci o Marcos Suzano, o Paulão 7 Cordas, o Rodrigo Lessa e toda uma geração de músicos que hoje está ai. Em pouco tempo já tocava legal e um camarada que frequentava a roda, o Eduardo Marques, me chamou para tocar em shows. Foi quando, aos 21 anos, que realmente comecei na noite e larguei a faculdade de biologia (riso). Tocava em vários bares, entre eles, o 19/02 em Botafogo e o Arco da Velha na Lapa. Ganhava uma grana legal, a concorrência era pouca e o dinheiro rendia mais (riso). Dava para beber todos os dias, hoje se você fizer isso você quebra.
três pessoas, mas já aconteceu de serem seis.
“Sofri preconceito sim”
Você é um dos primeiros brancos da Zona Sul a tocar samba?
Na Zona Sul os brancos sempre tocaram samba, sempre existiu uma mistura. Botafogo e Catete sempre cultivaram isso. Mas, existe preconceito de várias formas. A cor da pele, por ser da Zona Sul, pelo repertório que você toca. No Candongueiro, uma casa que toquei de graça durante anos, tinha sambista que achava que não era merecedor ter um cartaz com meu rosto ao lado do Zé Ketti e outros bambas. Alguns até tapavam na hora de tocar (riso). O Mauro Diniz, que hoje é evangélico, não pode cantar palavras em iorubá. Quando ele ia cantar no Candongueiro tinham que tirar o meu cartaz da parede. Sofri preconceito sim. Eu usava brinco, tinha cabelo comprido (riso).
Como foi participar da fundação de várias rodas da cidade?
Como é compor para bloco de carnaval?
Eu e o João Pimentel, o Janjão, temos dezenas de sambas ganhadores de blocos. O segredo para compor samba de bloco é você arranjar uma turma boa, sentar em torno de uma mesa e tomar um porre com um cavaquinho na mão escrevendo tudo que é besteira que sai. No dia seguinte pega tudo e começa a dar uma forma (riso). É mais gostoso fazer do que concorrer. A maioria dos sambas que eu fiz tinha mais
Fui nascido e criado em Botafogo e tinha contato com o Walter Alfaiate, Mauro Duarte e outros compositores do bairro. No meio da década de 80 passamos a tocar no bar Mandrake às terças-feiras. Toda uma geração de sambistas frequentava, inclusive Zeca Pagodinho e Beth Carvalho. Depois veio o Candongueiro, o Sobrenatural, o Empório, na Lapa. A roda dos Democráticos foi marcante, pois peitava os empresários da Lapa na questão dos ingressos. Alugávamos o espaço e ficávamos com a bilheteria. Teve ainda o grupo Anjos da Lua, ambos pararam porque a Lapa ficou impraticável nessa época e depois veio a crise.
E como está o mercado?
Hoje eu estou pior do que quando deixei a faculdade. Moro na casa da minha mãe. Durante o governo Lula ganhei muito dinheiro na noite e hoje estou passando a pior época. O dinheiro rendia mais. Acho também que as pessoas perderam o hábito de pagar pela música. Hoje querem botar dois reais no chapéu e pronto (riso). Mas, quando vem alguém conhecido, não deixam de pagar R$ 100 no Circo Voador. Por isso, não vejo muita identidade da nova geração com o samba como havia na geração anterior.
Quais rodas você destacaria?
O Samba do Peixe, que acontece uma vez por mês na Rua do Ouvidor. O Samba da Ouvidor, do Gabriel Cavalcante, o Samba na Fonte no Vaca Atolada e o Bip Bip. Hoje as rodas estão com repertórios parecidos. Na minha época era impossível sair de uma roda sem aprender um samba novo. O grande barato numa roda é misturar os temas, passear por autores, pela cadência. O samba de mesa tem a característica de ser sempre diferente. O samba transforma, já vi muita gente largar tudo por ele.
Rola um certo modismo?
Rola isso, samba de donos. Meses atrás fui numa roda e estava com um adesivo do Lula Livre e o dono da roda foi indelicado comigo. Como você convida alguém para uma roda e a destrata? Isso não rolava no Rio de Janeiro.
“A roda tem de ter seu momento alegre e irreverente”
Qual dica daria para quem está
começando?
Ir para o bar, o botequim (riso). Samba se aprende em roda de bar. É uma grande escola, tocando no acústico mesmo. Noventa por cento do meu repertório aprendi assim, inclusive sambas que nunca foram gravados que irão embora comigo. Outra coisa importante: que nunca falte o elemento humor. A roda tem de ter seu momento alegre e irreverente. Não pode ser só melancólico.
O samba é eterno?
Acho que sim se o Rio e o Brasil resistirem a esse desmonte cultural. O samba vai permanecer na mão dos apaixonados. Nenhum outro gênero musical tem essa melodia, essa riqueza musical.
Como explica a bossa nova ter estagnado?
A bossa nova na verdade não tem diferença com o samba. A bossa nova foi um jeito de tocar. Ganhou projeção nacional em detrimento do samba. Se você olhar bem, as músicas que mais fizeram sucesso na bossa nova são sambas. De Wilson Batista, Geraldo Pereira.
Como foi ter o cavaquinho roubado?
Eu tinha ele há 30 anos. Fui tocar num evento na Praça São Salvador e deixei meu cavaquinho num canto do coreto. Alguém se aproveitou e roubou. Na verdade acabou que o cavaquinho se libertou de mim.
Você tem alguma utopia?
Não quero ser um artista de palco, quero continuar sobrevivendo da roda de samba.
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UFRJ e Fiocruz firmam cooperação técnica inédita A UFRJ e a Fundação Oswaldo Cruz assinaram um acordo de cooperação técnica inédito na história das instituições. A parceria aprimorará as ações já realizadas em conjunto e promoverá novas oportunidades por meio de eixos temáticos que englobam preservação do patrimônio, divulgação científica, inovação e o cenário científico e tecnológico da cidade do Rio de Janeiro, entre outros. Com projetos já consolidados, como a colaboração entre o Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ e a Bio-Manguinhos, as instituições não apenas intensificaram as contribuições na área da saúde, como também geraram uma economia de aproximadamente 180 milhões de dólares para o país entre 2010 e 2016. O Kit NAT, desenvolvido pelas instituições, é o primeiro kit automatizado de biologia molecular para serviços de saúde do país. Empregado hoje em 14 hemocentros brasileiros, a ferramenta promove a testagem de HIV e hepatite A e B e passará a testar dengue, zika e malária. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, garante que, em um momento de dificuldades nas áreas da saúde e tecnologia, é necessário que as instituições se aliem para
cumprir suas funções como patrimônio público. “Não podemos sucumbir. Muito pelo contrário: nosso trabalho tem um impacto direto para a população.”
Dentre os destaques do acordo, está a articulação entre o complexo de nove hospitais da UFRJ e a rede da Fiocruz, a fim de estimular a troca de informações e o desenvolvimento científico. Leher ressaltou a importância da complementaridade na conjunção da pesquisa básica com a clínica. “A articulação desses dois setores
é fundamental para a pesquisa. Na UFRJ temos uma maternidade, um hospital específico para crianças, além das outras unidades, que podem auxiliar, por exemplo, na pesquisa sobre a Zika. A integração entre nosso sistema e a Fiocruz permite mais ações em conjunto.” O plano de cooperação envolverá também todos os níveis de ensino, incluindo graduação, pós-graduação, além de projetos de educação básica ampliados para a região da Maré e Manguinhos. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, enfatizou que é intrínseco às instituições fortalecer esses vínculos e reafirmar as ações de pesquisa. Segundo ela, a instituição encontra-se em dez estados espalhados por todas as regiões do país, o que pode ampliar o alcance das pesquisas. “Nós somos orientados pelo papel da tecnologia, da educação e da saúde, com vistas ao desenvolvimento do país. Compartilhamos princípios particularmente no momento em que seguimos garantindo nossos valores públicos. As políticas públicas que resultam na evolução para a sociedade não podem ser vistas como gastos, mas sim como investimentos”.
Fonte: UFRJ
Lei proíbe sacolas descartáveis em supermercados e outra proíbe venda de orgânicos O governador Pezão sancionou a Lei 8006/18, de autoria do deputado Carlos Minc (PSB), que proíbe que os supermercados e estabelecimentos comerciais distribuam sacolas plásticas descartáveis – e determina que disponibilizem sacolas biodegradáveis e reutilizáveis resistentes que comportem o transporte de 7 a 10 quilos de produtos; e que possam ser usadas até 60 vezes. A sanção foi publicada no Diário Oficial desta terça (26). Com a nova lei, os supermercados ficam proibidos de fo r n e c e r s a c o l a s plásticas descartáveis – devendo substituí-las por sacolas reutilizáveis (cor verde) e biodegradáveis (cor cinza), para os consumidores acondicionarem o lixo orgânico, sem agredir o meio ambiente. “Serão retirados dois bilhões de sacolas plásticas do meio ambiente no primeiro ano de vigência da lei. Atualmente, o Rio de Janeiro distribui 4 bilhões de sacolas plásticas por ano, que não são nem biodegradáveis nem recicláveis. O meio ambiente vira uma lata de lixo, recebendo esse material, que entope rios e canais, provoca inundações e asfixia peixes, tartarugas e aves. A nova lei estabelece o princípio da reciclagem e da reutilização, preservando ambiente, fauna e famílias
vulneráveis a enchentes”, festeja Minc. Na contramão disso, projeto de Lei quer proibir venda de alimentos orgânicos em supermercados. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou no dia 02 de julho projeto de lei que restringe a venda direta de produtos orgânicos para o consumidor. O relator do projeto é o deputado Luiz Nishimori (PR-PR), o mesmo do PL do Veneno (Projeto de Lei nº 6.299/02) que facilita uso de agrotóxicos e que foi aprovado por comissão especial da Câmara. A justificativa do projeto chega a mencionar a importância dos orgânicos e o aumento da demanda por esse tipo de alimento. Mas críticos do PL da Restrição afirmam que as novas regras não beneficiam nem produtores nem consumidores pois podem proibir, na prática, o comércio de alimentos orgânicos em seus principais pontos de venda: supermercados e o varejo convencional. Ou seja, segundo essa interpretação do texto, as grandes redes de supermercados como Pão de Açúcar, Extra, Carrefour, Walmart estariam impedidas de vender produtos orgânicos e teriam de recorrer a alimentos em cuja produção não há o controle do uso de agrotóxicos. O PL da Restrição de Orgânicos ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), antes de seguir para o Plenário da Câmara para votação. O que diz o PL da Restrição de Orgânicos
O texto do PL da Restrição prevê que a venda de produtos orgânicos diretamente ao consumidor seja feita exclusivamente por agricultor familiar cadastrado pelo governo. Pelo projeto, os agricultores familiares poderão comercializar a produção própria, de outros produtores cadastrados ou de produtos que possuam a certificação de procedência prevista na Lei da Agricultura Orgânica. A venda só poderá ser feita sem certificação de procedência “se o consumidor e o órgão fiscalizador puderem rastrear o processo de produção e ter acesso ao local de produção ou processamento”. O PL prevê, ainda, que a venda de produtos orgânicos ficará restrita à feiras livres ou propriedades particulares. A interpretação do que seria abrangido pelo termo “propriedades particulares” nesta lei tem gerado controvérsia. Críticos à medida acreditam que o termo pode ser interpretado restritivamente para abranger apenas propriedades como a própria horta ou casa do agricultor familiar. Atualmente, a venda pode ser feita também em estabelecimentos como supermercados desde que a mercadoria tenha o selo SisOrg. Carta Capital
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O que você vai ser quando crescer? Desde que me entendo por gente ouço sobre a importância de ter um diploma universitário para “ser alguém na vida”. Obviamente que a formação acadêmica é de extrema importância para o desenvolvimento social, científico, artístico, enfim, do próprio ser humano. Mas o fato é que hoje isso não é mais garantia de status ou sucesso profissional como foi em outros tempos. Todos os anos, milhares de jovens apostam na graduação para começar uma carreira. A pressão é tão grande que muitos acabam fazendo qualquer curso só para ter um diploma. Depois, boa parte aposta a vida num concurso público acreditando que a felicidade pode estar num emprego estável, mesmo que este seja banal e engessado. Então eu pergunto, onde ficam os ideais, o talento, a vocação e a criatividade? Acaso o serviço público melhorou por conta dessa seleção insana a que se submetem os cidadãos? Ao contrário, o que vemos hoje é uma classe de servidores públicos que se consideram semideuses pelo fato de conseguir passar num concurso tão difícil. Ao mesmo tempo, pouco ou nada fazem para modernizar e democratizar o sistema. Não é a toa que o mercado de coaching aumenta a cada dia, com essa demanda de pessoas insatisfeitas com suas carreiras e em busca de seus propósitos de
vida. Bom frisar que muitas delas encontraram a sonhada estabilidade, mas ficaram muito longe da felicidade. Precisamos questionar esses paradigmas e acabar com essa perda de tempo.
“Faça Boa Arte” é o discurso que o escritor britânico Neil Gaiman fez para formandos da University of the Arts, Philadelphia, em 2012, que de tão fantástico que virou um livro. De forma inspiradora ele usa sua trajetória de sucesso para mostrar que nem sempre o óbvio é o caminho que devemos seguir em nossas vidas. O vídeo
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Por Rogeria Paiva
legendado de 19 minutos é facilmente encontrado no Youtube e vale muito a pena assistir. Dentro do tema, encontramos a série catalã Merlí, uma das melhores coisas na Netflix. Em cada episódio conhecemos um pensador diferente através das aulas de filosofia do professor Merlí a seus alunos do ensino médio. Impossível não se apaixonar e não se envolver com os dramas e questionamentos que surgem com o desenrolar da história. O seriado mostra de forma bem humorada a importância da Filosofia para a formação do pensamento crítico e seu potencial de transformação. Imperdível! Precisamos defender nossas instituições de ensino público contra o sucateamento a que estão sendo covardemente submetidas. E contestar essa reforma do ensino médio que, ao que tudo indica, irá priorizar a formação técnica profissional e transformará nossos estudantes em meros robôs para mercado de trabalho. Enfim, não é esse o futuro que queremos. Precisamos incentivar o potencial criativo de cada um, mudar a forma de relação com os centros de saber e promover mais inovações. Um bom trabalho é feito principalmente com paixão e não deveria ser um sacrifício. E, como diria Lulu Santos, que isso valha para qualquer pessoa. publicitária, editora do Bafafá
II Festival Internacional da Utopia movimenta Maricá Caravanas de jovens de todo o país participam do II Festival Internacional da Utopia, de 19 a 22 de julho, em Maricá. O evento reúne teatro, música, debate, literatura, acampamento e feira da reforma agrária. Esta edição o tema será “1968, A rebeldia que não terminou”. Na programação, artistas consagrados da MPB. Entre as atrações, nomes como Maria Rita, Martinho da Vila, Emicida, Marcelo Jeneci, Negra Li, Ponto de Equilíbrio, Bicho de Pé e BNegão e debates com intelectuais renomados. A fe i r a d e produtos da Reforma A grária ocupará mil metros quadrados de área coberta com palco para apresentações culturais variadas e comercialização de 100 toneladas de alimentos. “Queremos a construção de propostas apoiadas nos conceitos de ética, justiça e respeito pela diversidade em suas
mais variadas composições diversidade étnica, linguística, cultural, de gênero e sexual, religiosa, entre outras”, explica o secretário de Participação Popular, Direitos humanos e Mulher, João Carlos de Lima, mais conhecido como Birigu. As atividades do Festival da Utopia acontecerão em dois espaços: a tenda Pensador Darcy Ribeiro, no Esporte Clube Maricá, no centro, com o debate de diversos temas, e no acampamento da juventude, em São José do Imbassaí, com a abordagem de temas como manipulação da mídia e a luta das mulheres negras. Na parte da noite, as atrações musicais irão ocupar dois palcos: um na Praça Dr. Orlando de Barros Pimentel, no centro da cidade, a partir das 22h, e outro no acampamento da juventude a partir da meia-noite. Na quinta-feira (19), a festa fica por conta do sambista Martinho da Vila no centro e Ponto de Equilíbrio
no espaço da juventude. Na sexta-feira (20), é a vez da filha da Elis Regina, Maria Rita, apresentar seu repertório. Em Imbassaí, o Bicho de Pé vai animar os jovens com muito forró. No sábado (21), subirão ao palco o cantor e compositor brasileiro Marcelo Jeneci, que em 2014, recebeu uma indicação para o Grammy Latino, e a rapper Negra Li que promete agitar o público. Fechando o festival no domingo (22), o rapper, cantor e compositor Emicida e o cantor de rap e hip hop BNegão no acampamento da juventude. Para mais informações consulte a página no facebook do festival: https://www.facebook.com/festivalinternacionaldautopia/ Inscrições para o Acampamento e Comunicação colaborativa aqui: http://bit.ly/inscrevaseutopia2018
Fonte: Brasil de Fato RJ
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Daniela Spielmann, Andrea Ferrer, Duo Santoro, Max Riccio, Ricardo Tacuchian e Alfredo Dias Gomes: uma seleção brasileira de respeito! Por Fábio Cezanne
Enquanto brasileiros nos fazem passar vergonha na Rússia (e não estou falando dos jogadores!) e por aqui também, especialmente a classe política, a coluna segue cumprindo seu papel de oferecer refrescos sonoros, indispensáveis em tempos insanos. E começamos já com o pé direito, anunciando uma bolachinha e tanto! Depois de dois anos de ensaios, arranjos e gravações, a saxofonista e flautista Daniela Spielmann está lançando o CD “Afinidades”, o seu primeiro disco autoral em 20 anos de carreira. Instrumentista virtuose, reconhecida por seus pares e por onde passa, nesse CD, Dani também se mostra como exímia arranjadora e compositora. Gravado com o seu Quarteto (Xande Figueiredo, bateria / Domingos Teixeira, violão / Rodrigo Villa, contrabaixo), o novo disco ganhou ainda diversas participações especiais: Sheila Zagury (piano), Anat Cohen (clarinete), Silvério Pontes (trompete e flugel), Beto Cazes (percussão), Nando Duarte (violão de 7; Cordas), dentre muitos outros. Anotem na agenda: o show de lançamento será no dia 11 de agosto, sábado, na Sala Baden Powell, em Copacabana. Agora no terreno da canção popular brasileira, a cantora baiana Andrea Ferrer, radicada no Rio, vai levar ao palco do Beco das Garrafas, em Copacabana, seu projeto atual, “Versos e Reversos do Amor”, no próximo dia 20 de julho, sexta-feira. Acompanhada do pianista Misael da Hora, vai apresentar um repertório plural, marcado pela poesia e lirismo, através de próprias composições românticas (“Pertinho”, e inéditas como “Vem pra Mim” e “Te Quero Comigo do Lado de Cá”) e canções de artistas como Caetano Veloso, Tom Jobim e Vinicius, Chico Buarque, Marina Lima, Nando Cordel, Moraes Moreira, dentre outros.
Na seara da música erudita contemporânea, outro lançamento merece destaque. Comprovando a imortalidade da arte, sua transcendência e legado, chega às lojas físicas e virtuais o CD “O piano de Sergio Roberto de Oliveira e Ricardo Tacuchian”, reunindo obras do saudoso músico tijucano, falecido há quase um ano, e do consagrado maestro e compositor, todas interpretadas pelas pianistas Miriam Grosman e Ingrid Barancoski. O disco é um lançamento da gravadora carioca A Casa Discos, que tinha Oliveira como proprietário e gestor, e agora se renova, determinada na manutenção da memória do seu criador e também no desenvolvimento de novos projetos eruditos e instrumentais, tendo à frente seu amigo e renomado clarinetista Cristiano Alves. O violonista e educador Max Riccio está lançando o método “O violão entrou na roda – um guia prático para principiantes” (Editora Irmãos Vitale), no qual criou arranjos coletivos para grupos de violões, baseados no folclore brasileiro e estruturados de forma lúdica, podendo ser usados em aulas individuais ou em grupo, permitindo aos professores a flexibilidade de manusear os conteúdos de acordo com as suas necessidades. Baseado em anos de experiência lecionando gratuitamente no Projeto Social da Associação de Violão do Rio (AVRio) para faixas etárias mais jovens (de 8 a 13 anos), o violonista oferece, através deste guia, uma alternativa à literatura de iniciação ao violão do nosso país, buscando proporcionar um aprendizado seguro para o iniciante e ao mesmo tempo versátil para o professor de ensino coletivo.
Na esteira do elogiado CD JAM, lançado em janeiro deste ano, o baterista Alfredo Dias Gomes resolveu sacodir a poeira de seus antigos arquivos e está disponibilizando nas plataformas digitais (iTunes, Spotify, Napster e CD Baby), seu nono CD solo, ECOS, gravado em 2000, porém nunca lançado. Assim como o CD JAM, o disco traz composições do baterista e foi gravado em trio, com Norman Sharp na guitarra (já tocou com Baby do Brasil, Eduardo Dusek, Léo Gandelman, dentre outros) e Igor Araújo no baixo (integrante do Vitória Régia durante a última turnê do Tim Maia, de 1997 a 1998), porém com profundas diferenças estilísticas e conceituais. Ao contrário da performance mais espontânea e do improviso que nortearam seu último disco, ECOS manteve seu foco nas composições, nas melodias, acentos e grooves mais definidos. No mês de junho teve brasileiros fazendo muito bonito na Argentina (fazendo gol de placa!). Juntos, os irmãos violoncelistas Paulo e Ricardo Santoro (Duo Santoro), o gaitista José Staneck e a percussionista Ana Letícia Barros apresentaram, em Córdoba,
o espetáculo “Do Clássico à Bossa Nova”, e se apresentaram com a Orquestra Sinfônica Acadêmica de Córdoba, gravando o CD “Brasil en Córdoba”, com música de João Guilherme Ripper, Ernani Aguiar, Radamés Gnattali e Edmundo Villani-Côrtes.
*Jornalista e músico - cezannedivulgacao@gmail.com
Bares patrimônios cariocas agonizam e podem fechar A crise econômica ameaça bares e restaurantes tradicionais do Rio, alguns com mais de 100 anos. Verdadeiras relíquias cariocas correm o risco de fechar enterrando histórias e desfalcando a nossa gastronomia. Entre eles, ícones importantes de nossa cidade tombados até pelo Patrimônio Histórico. Fundado em 1887, o Bar Luiz está numa situação tão crítica que falta verba até para pagar o salário dos funcionários. Recentemente, a Agenda Bafafá fez uma campanha pedindo ao público para comparecer e prestigiar o bar. O retorno foi significativo. A casa conseguiu quitar os salários atrasados e ganhar fôlego para novos voos. A mesma sorte não está tendo o Cosmopolita. Fundado em 1926 por imigrantes espanhóis, é tido como o “pai” do filé à Oswaldo Aranha, diplomata e senador que frequentava o local. A situação é ainda pior. Com salários atrasados, seu
cardápio foi reduzido a três pratos e a opções executivas no almoço. Jorge Quirino, sócio do Cosmopolita há 30 anos, explica que a falta de clientes é uma realidade. “Tivemos que cortar o chope, pois o fornecedor só aceita pagamento à vista”. A solução é servir cervejas em garrafa cuja fatura pode ser paga depois. Ele conta que com o fechamento da Asa Branca, o Largo da Lapa ficou deserto. “Estou triste demais, mas não dá. Não queria que acabasse desse jeito, uma casa com toda essa história. Só Deus sabe o que vai acontecer”, antevendo o pior. O Restaurante Nova Capela tenta se manter apesar das dificuldades. Recentemente chegou a fechar no horário da noite, mas voltou atrás. Fundado em 1903, é ponto de encontro de boêmios, artistas, escritores e intelectuais da cidade. A casa serve o cabrito mais famoso do Rio e sua
Da Redação
arquitetura em art decô encanta a todos. No entanto, a crise assola o lugar que está devendo a bancos e pode fechar a qualquer momento. Um dos sócios, seu Chico, há 64 anos no comando, explica que se aparecer um comprador vende o bar. “Está difícil continuar, tivemos que mandar sete funcionários embora”. Para amenizar o problema, reduziu os preços do cardápio em até 30% e passou a servir pratos executivos. Ele se queixa principalmente do abandono da Lapa e da falta de segurança. Podemos até questionar algumas questões referentes a estes bares como preços altos ou atendimento precário. Mas, jamais podemos permitir que fechem as portas. Fica aqui a sugestão do Bafafá: compartilhe a informação e se possível marque a comemoração de seu aniversário num deles. A cidade e gastronomia carioca agradecem!
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Caso Herzog Por unanimidade a Corte Interamericana de Direitos Humanos considerou o Estado brasileiro responsável pela violação do direito de conhecer a verdade da família do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado em 1975 nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), e determinou a reabertura das investigações sobre o caso. A Corte afirmou que os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados como um crime contra a humanidade, como é definido pelo direito internacional. Hezog, que era diretor da TV Cultura, foi morto depois de se apresentar espontaneamente para prestar esclarecimentos sobre uma suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro. A versão divulgada pelo regime militar é que o jornalista teria cometido suicídio ao se enforcar com um cinto, o que seria impossível devido à altura da grade da cela. A Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado deve reiniciar, com a devida diligência, a investigação e o processo penal cabíveis, pelos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975, para identificar, processar e, caso seja pertinente, punir os responsáveis pela tortura e morte de Vladimir Herzog, em atenção ao caráter de crime contra a humanidade desses fatos e às respectivas consequências jurídicas para o Direito Internacional. Além disso, dispõe que o Brasil deve adotar “as medidas mais idôneas, conforme suas instituições, para que se reconheça, sem exceção, a imprescritibilidade das ações emergentes de crimes contra a humanidade e internacionais, em atenção à presente Sentença e às normas internacionais na matéria, em conformidade com o disposto na presente Sentença, nos termos do parágrafo 376”. Fonte: Corte Interamericana de Direitos Humanos
Quatro meses sem Marielle Fez quatro meses que Marielle Franco foi assassinada. Pior do que não terem até agora prendido os criminosos é pessoas acharem que isso não é necessário, que o caso já deu o que tinha que dar. Se fosse alguém da família pensariam assim? O Brasil
está virando a terra do ódio, ao contrário da terra do amor como éramos conhecidos. Muito triste! Ricardo Rabelo, editor do Bafafá
Consultas gratuitas A fim de oferecer tratamentos aos doentes renais crônicos e desenvolver pesquisas sobre o assunto, a UFF possui o Ambulatório de Nutrição Renal, que conta com o envolvimento de professores e estudantes de graduação e pós-graduação da universidade. As consultas no ambulatório consistem na avaliação, prescrição da dieta, monitoramento laboratorial, orientações nutricionais e acompanhamento a longo prazo. O atendimento é gratuito e direcionado para os pacientes que realizam tratamento conservador, ou seja, para aqueles que já estão perdendo parte da função renal. O agendamento de consultas pode ser realizado pelo telefone: 2629-9862. O interessado deve deixar recado na secretária eletrônica informando o nome, o número de telefone (de preferência fixo) e aguardar o retorno. Os horários de atendimentos são nas terças-feiras, das 8h às 12h e das 14h às 17h; nas quintas, das 14h às 17h; e nas sextas, das 8h às 12h. É importante que no primeiro atendimento o paciente leve um exame de sangue com os níveis de creatinina, colesterol e glicose. Fonte: UFF
Prêmios Goya: inscrições abertas A ANCINE recebe inscrições de filmes para o processo de seleção do indicado brasileiro ao Prêmios Goya, outorgado pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha. Até o dia 9 de agosto é possível enviar longas-metragens para que concorram a uma indicação ao prêmio de Melhor Filme Ibero-americano na 33ª edição do evento, que acontecerá em fevereiro de 2019. A avaliação será feita por um júri formado por representantes de seis entidades e instituições do setor audiovisual brasileiro, sendo o resultado anunciado em 13 de setembro. Os filmes inscritos devem ter estreado comercialmente em cinema no Brasil entre os dias 1 de novembro de 2017 e 31 de outubro de 2018, tendo permanecido em cartaz por pelo menos sete dias consecutivos. O regulamento específico do Prêmio Ibero Americano
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pode ser encontrado entre as páginas 24 e 28 do regulamento geral, que pode ser consultado no site oficial do prêmio: https://www.premiosgoya.com/ Produtores de filmes brasileiros que se enquadrem nas regras para postulação devem enviar uma mensagem para premio.goya@ancine.gov.br com a respectiva ficha de inscrição preenchida até o dia 09 de agosto, impreterivelmente.
Pós-graduação em História na UNIRIO O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) lançou editais de seleção para as turmas de 2019 dos cursos de mestrado e doutorado. São oferecidas 30 vagas de mestrado e 20 de doutorado. As inscrições para ambos os processos irão ocorrer de 20 de agosto a 20 de setembro de 2018, no Protocolo do Centro de Ciências Humanas e Sociais, localizado na Av. Pasteur, 458, Urca. Também serão aceitas inscrições por Correios, via Sedex, com envelope contendo a documentação exigida, cuja postagem seja feita até o último do prazo. A lista de documentos solicitados está disponível nos editais. A seleção para o mestrado constará de quatro etapas: análise de documentos e homologação das inscrições; prova escrita; avaliação do pré-projeto e prova oral; e prova de compreensão de texto em língua estrangeira. O resultado final será divulgado no dia 13 de dezembro. Confira o edital: http://www. unirio.br/cch/escoladehistoria/pos-graduacao/edital-mestrado-2019 Já o processo seletivo do doutorado será composto de cinco etapas: análise de documentos e homologação das inscrições; prova escrita; avaliação de projeto; prova oral; e prova de compreensão de texto em línguas estrangeiras. A divulgação do resultado final será feita também no dia 13 de dezembro. Confira o edital: http://www.unirio.br/cch/escoladehistoria/pos-graduacao/ppgh/edital-doutorado-2019
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Uma manhã de puro lazer em Niterói
Por Agenda Bafafá
Foto: Agenda Bafafá
Foto: Paulo Bastos
Niterói é uma cidade encantadora, ideal para quem quer um programa com muita cultura e belas paisagens. Passeamos por lá e fizemos esse roteiro de uma manhã, sendo melhor num sábado ou domingo. Com certeza você vai se apaixonar e voltar outras vezes para explorar novos recantos. Comece sua jornada com um delicioso café da manhã no Bistrô MAC. É um lugar muito agradável, com uma vista linda de suas janelas pequeninas. Se for de carro, pode estacionar numa ruazinha tranquila quase na frente do museu. Aconselhamos a chegar cedo para pegar o melhor do bufê porque costuma ficar cheio. Se possível, faça reserva. Saindo dali, caso não queira visitar o museu, aprecie a vista da belíssima arquitetura de Oscar Niemeyer com a baía de Guanabara ao fundo e caminhe um pouco pela orla. Para quem gosta de fotografar, a vista é incrível. Não muito longe dali, ficam dois centros culturais que enchem de orgulho a cidade, um na frente do outro. O Solar do Jambeiro, do século XIX, é um passeio na história. O belo palacete foi todo restaurado, com jardins arborizados e muito bem cuidados. Ali você encontra uma programação cultural intensa (consulte o site), mas só a visita ao lugar já vale a pena. De graça. Atravessando a rua, encontramos o museu Janete Costa de Arte Popular, uma surpresa incrível! Além da exposição permanente e das atividades culturais, até o dia 2/9 está acontecendo a exposição “Sim, aceito” com obras vindas do Vale do Jequitinhonha, MG, que tem como tema o casamento. É imperdível. De graça. Dependendo do seu fôlego e do seu tempo, dê uma conferida no Campo de São Bento. Tombado desde a década de 90 e com cerca de 36 000 m2, o parque é um dos jardins mais frequentados de Niterói. Aos finais de semana sempre tem feiras e atividades culturais acontecendo por lá. Partiu, Niterói?
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BistroMAC Praça Mirante de Boa Viagem, s/n - Boa Viagem, Niterói (21) 2629-1416 | www.bistromac.com.br
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Solar do Jambeiro Rua Presidente Domiciano, 195 - Ingá, Niterói (21) 2109-2222 | www.facebook.com/pg/solardojambeiro Museu Janete Costa de Arte Popular Rua Presidente Domiciano, 178, Ingá, Niterói (21) 2705-3929 | www.facebook.com/pg/museujanetecosta Campo de São Bento Alameda Edmundo de Macedo Soares e Silva - Icaraí, Niterói - Entre as ruas Lopes de Trovão, Domingues de Sá, Gavião Peixoto e Av. Roberto Silveira (21) 2711-3266
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