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ANO 07 • NÚMERO 81 • SETEMBRO 2014
SECA
Atual armazenamento de T rês Marias é o mais Três baix o desde o início da operação da usina. O baixo nível atual é de 5,3%
PÁGINA 03
Exclusivo
Jornalista e escritor Pedro Fonseca denuncia PÁGINA 05 descaso com as veredas Semana Cultural em Andrequicé – mais cultura PÁGINA 04 para a região
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DITORIAL
Morte e seca Que ano difícil este de 2014. Tudo bem, o Brasil conseguiu arrumar os estádios ao injetar bilhões de reais, oriundos de dinheiro público, para sediar a Copa do Mundo de Futebol da Fifa. Mas isso não foi suficiente para aquecer a economia e a geração de emprego e renda no país, como disseram os governantes. Fomos enganados mais uma vez, da mesma forma que somos enganados com falsas promessas em épocas de campanha eleitoral como agora. A realidade tem sido bem mais doída do que os 7 x 1 para a Alemanha. Isso é pouco perto dos trabalhadores que morreram na construção dos estádios e quase nada diante da violência desenfreada hoje no país. Jovens armados na disputa pelo tráfico aniquilam vidas sem piedade. Torcedores exaltados e fanáticos se matam sob o pretexto da rivalidade no futebol. Nas estradas, vidas, famílias inteiras e amizades são destruídas pela imprudência e a irresponsabilidade. E olha que os trimarienses já convivem com esta situação, de mortes em rodovia, há pelo menos 50 anos. O último deixou a cidade de luto, mais uma vez. No final de semana dos dias 13 e 14 de setembro, nove pessoas morreram, vítimas de acidentes na região. Sete delas numa batida entre dois veículos na MG220 em Andrequicé. Durante o velório o avô de uma das vítimas não suportou a emoção do momento e também faleceu. A outra pessoa morta foi um médico de Belo Horizonte. A motocicleta em que estava bateu em uma caminhonete. O acidente aconteceu na BR040, próximo ao Beira-rio. E para piorar muito as coisas, atravessamos a pior seca da história de Três Marias. Notícias recentes dão indícios de que a nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra secou. Além de maltratar, desrespeitar e aniquilar seu semelhante o homem, quando destrói a natureza, vai destruindo a si próprio.
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Mais de mil e cem alunos se inscreveram no concurso, atividade integrante do projeto Parceria Votorantim Pela Educação
Dupla de sucesso nos festivais de música: Anderson Torga e Rogério Guedes venceram mais um festival. A bela canção “Cantador” ficou em primeiro lugar no 29º Festur – Festival de música de Turmalina - no Vale do Jequitinhonha. Na foto com Cleilson Cardoso, no centro segurando o troféu, que deu grande apoio à dupla.
IMAGEM
DO MÊS
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Três Marias bate recorde de inscrições no Concurso Tempo de Escola em todo o Brasil
AMIGOS DO
Escolas públicas municipais e estaduais de Três Marias mobilizaram diversos jovens a participarem de mais uma etapa do projeto Parceria Votorantim Pela Educação (PVE). O Concurso Tempos de Escola recebeu 1.135 inscrições, entre março e julho deste ano, coroando Três Marias como a cidade com mais candidatos entre os 14 municípios integrantes do Projeto no Brasil. A competição irá premiar a redação que melhor discorrer sobre o tema “Nossa cidade também ensina. A educação está em todos os lugares” e terá seu resultado divulgado no dia 31 de outubro deste ano, no Blog Educaçãowww.blogeducacao.org.br/premiacoes/ concurso-tempos-de-escola. Realizado pelo Instituto Votorantim e pela Votorantim Metais, em parceria com a Secretaria de Educação de Três Marias, o Concurso sensibiliza professores e alunos dos ensinos fundamental, médio e de Jovens e Adultos (EJA) sobre a importância da leitura e da escrita. Neste ano, o tema do concurso, “Nossa cidade também ensina. A educação está em todos os lugares”, propôs aos participantes uma reflexão sobre a importância de diversos espaços do município se constituírem como ambientes educativos, e envolveu, no mesmo propósito, vários setores da sociedade. Em 2013, o Concurso Tempos de Escola de Três Marias recebeu 423 inscrições, oito vezes a mais que em 2012, e foi destaque nacional na categoria Educação de Jovens e Adultos (EJA), com a redação “O poder da leitura”, escrita por Davi Redaelli. Na cerimônia de fechamento do PVE em 2013, os realizadores e parceiros do projeto se comprometeram a dobrar o número de candidaturas, acordo que foi cumprido em 2014.
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Diretor de Jornalismo: Paulo Emílio Torga Bellardini Jornalista Responsável: Paulo Emílio Torga Bellardini - MG07665JP Proj. Gráfico e Editoração: Izabel Cristina A. Silva Assistente de jornalismo e reportagem: Cleuton Bueno Endereço: Rua Engenheiro Júlio Augusto, 28 - DNER Três Marias/MG CEP: 39205-000 e-mail: jornalburiti@gmail.com www.jornalburiti.com.br Para anunciar ligue: (38) 8815-4536 CNPJ: 05.459.023/0001-82 Impressão: Fumarc ‘‘Uma publicação da Speed Produções & Eventos Ltda’’ ‘‘Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.’’ O JORNAL BURITI autoriza a reprodução das reportagens desde que citada a fonte.
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A foto é da “Pier Náutica” e foi tirada quando o trator da prefeitura preparava o terreno para a descida de barcos durante o 5º Torneio de Pesca em Três Marias. Triste e saber que toda essa área estava submersa pelas águas e hoje não passa de um torrão de terra.
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Seca em Três Marias Quantas vezes ouvimos “Salve o Velho Chico”? E o pior é que poucas pessoas levaram o alerta a sério e hoje a situação do nosso rio São Francisco chegou ao desespero. Deixaram que as grandes empresas e fazendeiros poderosos tomassem conta de suas águas. Atualmente amargamos a pior seca da história. Uma das nascentes do rio secou, a represa de Três Marias registra o pior nível desde sua inauguração em 1963. As audiências públicas tentam encontrar uma solução para amenizar o problema ou seria um ato de desespero já que a única saída depende da natureza? Agora é rezar e esperar pelas chuvas. Diante da situação, a reportagem do JORNAL BURITI entrou em contato com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para saber como está a real situação do reservatório de Três Marias. A superintendência de Comunicação Empresarial da empresa explicou alguns pontos importantes sobre a represa.
Vazão Nos meses secos é comum a vazão liberada ser maior do que a aflui ao reservatório. Eles são concebidos para acumular nas chuvas quando as vazões são altas e usar na seca quando as vazões são baixas. Por exemplo, isto está ocorrendo hoje e ao longo de todo o ano: o que chega ao reservatório está próximo de 30 m3/s e o que está saindo é da ordem de 160m3/s. Para isto serve e se constrói reservatório. Se não fosse ele, hoje vários usos estariam impactados desde o abastecimento de cidades até o grande projeto de irrigação do Jaíba. Não se pode confundir o papel do reservatório de acumulação de Três Marias que foi concebido para isso, para regularizar a vazão e propiciar vários usos.
Geração de energia O reservatório da UHE de Três Marias está entre os poucos reservatórios, com capacidade de gerar energia elétrica, e que foi originalmente concebido para múltiplos usos. Assim o tempo todo a gestão da água é feita em observação a usos tais como abastecimento humano, ecológico, irrigação, navegação, turismo e até controle de cheias. Para se ter ideia ,no ano passado durante todo o ano, a usina gerou apenas metade de sua capacidade máxima. Era um valor mínimo para se evitar qualquer impacto a peixes próximo da barragem. Esse valor foi depois flexibilizado para valores mais baixos já em 2014, porque como não choveu a piracema foi muito fraca. Desde fevereiro a Cemig, ao verificar que a chuva não chegava, acionou a todos os envolvidos com o intuito de reduzir a geração buscando preservar água no reservatório. As vezes isso não foi possível pois era importante garantir o abastecimento de cidades localizadas abaixo do reservatório.
Quanto à produção de energia, esta é intimamente relacionada à disponibilidade hídrica no ano, ou seja, nos anos em que se têm mais água chegando ao reservatório, tem-se maior capacidade de gerar energia e vice-versa. Os últimos anos registraram uma menor geração média anual em função de uma menor disponibilidade de água, como foi 2001, ano do racionamento. Ou seja, em 2012, se gerou mais por que tinha mais água, mas muito abaixo do que gerou em outros anos. E é bom lembrar que gerar é a forma de passar água para propiciar todos os usos à jusante do reservatório.
Quanto de água ainda temos na represa de Três Marias? O atual armazenamento de Três Marias é o mais baixo desde a entrada em operação da usina. O nível atual de 5,66% VU se refere a um volume útil de 864 hm³ de água armazenada (volume útil + volume morto). Outro momento em que ele esteve tão baixo foi no ano de 2001, ano do racionamento de energia. Naquela ocasião o reservatório chegou perto de 8,5% de sua capacidade.
Diferença entre o nível do reservatório e o espelho d’água Quando falamos em percentual de armazenamento do reservatório, estamos nos referindo ao montante de água destinada à geração de energia. Esta porção é denominada volume útil. Abaixo dele, temos o volume morto, ou seja, a porção do reservatório que não pode ser usado para geração. O espelho d’água se refere à área alagada pelo reservatório. Para se ter uma ideia, o espelho d’água atual inunda uma área de 406,44 km². Numa condição de 0% do volume útil, o reservatório inunda uma área de 356 km², ou seja, uma área próxima ao tamanho da baia de Guanabara.
Disponibilidade Hídrica
Cemig afirma que documento não é para venda da usina Na rede social “Facebook” circulou a cópia de um contrato particular de compra e venda entre a Cemig e a Selm Comércio e Serviços Eletromecânicos. Muitos usuários do “Facebook” acharam que o documento se referia à venda da Usina Hidrelétrica de Três Marias para a empresa Selm. Em nota, a Cemig informou que a Usina não pode ser vendida porque é de propriedade do governo federal e será devolvida em 2015. “A Companhia tem a concessão da usina, que vence no próximo ano. Assim, a UHE de Três Marias vai ser devolvida à União. O contrato que foi celebrado com a Selm é outro imóvel no município”, afirmou a empresa. Segundo a Companhia, o documento nº 11.047, refere-se ao imóvel constituído por um terreno de 5.397,90m² e um galpão que foi alienado por meio de licitação, através de Pregão MS/CS500-N03964, realizado em 17/10/2012, para a empresa Selm Comércio e Serviços Eletromecânicos Ltda. “Importante ressaltar que a Cemig apenas coloca à venda imóveis que não são necessários para a execução das atividades da Empresa e a alienação segue estritamente aos dispositivos da Lei nº 8.666/1993, que regulamenta os contratos da Administração Pública”, afirmou em nota.
Contrato que circulou na internet existe e não se trata da venda da Usina de Três Marias
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ANDREQUICÉ MOSTRA SU A VOCAÇÃO CUL TURAL SUA CULTURAL DURANTE A XIII FEST A DE MANUELZÃO FESTA
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om o Tema “Andrequicé é a porteira do ser tão, princípio da boiada de João Rosa”, o Distrito de Andrequicé, em Três Marias recebeu entre os dias 07 a 14 de setembro, a XIII Semana Cultural “Festa de Manuelzão”. Durante os oito dias de festa, o Distrito se transformou num grande celeiro cultural com estórias, contos, poesias, arte, oficinas, danças e shows. Atrações culturais que marcaram a 13a edição da tradicional festividade, considerada a mais importantes do gênero na região. Berço do sertão “Roseano”, Andrequicé contou com visitantes de todo o país, que vieram em busca dos contos e encantos sertanejos. Com mais de 30 atividades e atrações para todos os gostos e públicos, a XIII Semana Cultural, mais uma vez foi considerada um evento de sucesso, mostrando que Três Marias possui grande potencial artístico e cultural. Apresentações impecáveis como a do renomado pianista Arthur Moreira Lima, abrilhantaram a festa. Além do grande show do pianista, o Distrito recebeu atividades marcantes como lançamento de livros, encontro de cavalgadas, foliões e amigos da comunidade. A movimentação nas escolas também foi intensa com oficinas e visitas ao Museu de Manuelzão, residência do vaqueiro-personagem da literatura de João Guimarães Rosa. “A Festa de Manuelzão é tradição, é parte da história de Três Marias e região”, destacou o prefeito Vicente Resende em uma de suas visitas à festa. A Samarra- Sociedade dos Amigos do Memorial Manuelzão e da Revitalização de Andrequicé - agradeceu a participação de todos que estiveram presentes e a todos os patrocinadores, apoiadores e às pessoas envolvidas na produção do evento.
Fotos: Prefeitura de Três Marias/Comunicação Social
José Antônio Vicente de Souza, presidente da Samarra, associação responsável pela realização da Festa Cultural
Danças típicas valorizam a tradição cultural
Apresentações da Comitiva Semeando Rosa
A maioria das atividades culturais aconteceram em frente a Pensão da Dona Olga, uma casa história do Distrito
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Veredas mortas? Assim não tem jeito! Pedro Fonseca - Jornalista e escritor
Na bacia do rio de Janeiro, na região de Andrequicé, existem mais de 600 veredas. É a maior incidência de veredas da região. O rio de Janeiro é um dos maiores contribuintes do rio São Francisco. A maioria delas [as veredas] está minguando, morrendo. As empresas que se dizem reflorestadoras, as sufocam com seus imensos eucaliptais. Elas derrubam o cerrado, plantam eucalipto, mas não cuidam das veredas e dos pequenos córregos que estão secando. Para não serem acusadas de destruição Foto: Pedro Fonseca
Cabeceira do córrego das Pedras com o Buriti ao fundo
do cerrado, agora estão terceirizando a devastação usando os pobres fazendeiros para sofrerem o desgaste pela destruição. Dá para imaginar as conseqüências disso? O eucalipto briga com os pés de buriti, dentro das veredas. E as empresas não fazem nada para evitar. O lógico e racional seria que não deixassem isso acontecer. Se levassem a sério a proteção do meio ambiente, cercariam as veredas, deixando uma área de 120 metros no seu entorno. Quem conhece sabe que, mesmo que estejam degradadas,
as veredas regeneram se forem protegidas, principalmente do pisoteio de animais (gado e cavalo). O pisoteio é um grande mal, porque compacta os olhos d‘água, os minadouros. Quer dizer: ainda é possível salvar o que resta. Aliás, existe uma lei da Prefeitura Municipal de Três Marias, o decreto nº 1.403, de 5 junho de 2006, que determina a proteção das veredas. Ironicamente, assinado no Dia Mundial do Meio Ambiente, pelo então prefeito Adair Divino da Silva, e nunca foi cumprido. Outra ironia: naquele ano de 2006, o buriti foi escolhido como símbolo da cidade. Oito anos se passaram, e nada foi feito.Três Marias parece uma terra sem lei. Por isso, luto pela emancipação de Andrequicé, e criei o MEIA - Movimento de Emancipação e Independência de Andrequicé - que abrange mais 60% da área do município. Depois de mais de 100 mil hectares de eucalipto plantados, na região que mais tinha água [a bacia do rio de Janeiro], já passou da hora de exigir das empresas uma nova postura, pois está virando um deserto verde. Pulverizam veneno com avião e as pragas [gafanhotos gigantes e piolhos] migram para as áreas mais saudáveis, onde não existe a praga maior [o eucalipto]. A flora e a fauna desaparecem. Criam o caos generalizado. É hora de perguntar para estas empresas [Gerdau, Metalsider e tantas outras] o que valem 120 metros cercando cada vereda, diante de 100 mil hectares? Estas empresas têm que pagar pelo mal que fazem para a região. Mas eles não pensam nisso. É o jeito que tratam a questão ambiental. De qualquer jeito. E assim, não tem jeito!
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Com o tema “Superação” Congresso de Estudantes do IEBG se destaca pela organização e talento dos alunos O Instituto Educacional Barreiro Grande – IEBG Pitágoras - realizou mais um Congresso de Estudantes. Com o tema Superação, o evento aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de setembro. Na quartafeira, dia 24, o Promotor de Justiça Dr. José Antônio ministrou a palestra “ Relacionamentos nas redes sociais” para alunos do 6º e 7º anos. A abertura oficial do Congresso aconteceu na noite de quinta-feira, dia 25, a quadra da escola, impecavelmente decorada, ficou repleta de alunos, professores e pais de alunos. O Hino Nacional, primeira apresentação, foi executado pelas alunas Larissa Matoso, Lara Letícia e Gabriela Hadassa e emocionou. A Comitiva Semeando Rosa fez uma bela apresentação cultural, com músicas e contação de estórias, abrindo para as apresentações culturais e artísticas dos alunos do IEBG. Em cada apresentação, os ensinamentos e a superação! Alunos e professores agradecidos, pais e familiares orgulhosos! A família inserida no ambiente escolar é a base de uma formação de qualidade. O último dia do Congresso aconteceu na Igreja Presbiteriana Ebenézer, na manhã do dia 26, com duas palestras. A primeira, com o tema “Superação” foi ministrada pela atleta paraolímpica Letícia Ferreira . “Tecnologia e Mudanças” foi o tema da palestra ministrada por Paulo Rogedo. Mais uma vez o IEBG Pitágoras cumpre seu papel educacional e norteador do futuro dos seus aprendizes.
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EM
SOCIEDADE
Nasce um bebê Por Daniel Becker – Pediatra*
Casamento Angélica e Felipe, 13 de setembro de 2014
Casamento Jéssica e Webert, 20 de setembro 2014
Casamento Eliane e Bruno, 20 de maio de 2014
Ensaio fotografico Waleska (Belo Horizonte)
“Nasce um bebê no Xingu. Todas as mulheres da oca se mobilizam. A mãe está cercada de cuidados e apoio. Nasce um bebê no sertão das Minas Gerais. A avó, a bisavó, as tias, a prima cercam a mãe de cuidados. Nasce um bebê numa aldeia africana. Numa tribo em Maui. Numa cidadezinha no interior da Tailândia ou da Polônia ou da Inglaterra – a cena se repete. Na favela da Zona Norte as vizinhas e a tia que moram na laje de cima se encarregam de ajudar. E nas mansões dos jardins? Não são mais a avó e as vizinhas, mas as duas babás, a enfermeira, a faxineira, o motorista e o segurança. Nasce um bebê em Copacabana, no apartamento 1.104. A avó está trabalhando em tempo integral. O pai só tem cinco dias de licença. A vizinha do 1.103 não só não ajuda, como sequer conhece, e ainda reclama do choro noturno. E a empregada diz que só ganha pra cuidar da casa. Ajudar à noite, nem pensar. E aí temos esse fascinante fenômeno social: a única mulher do planeta que é deixada pra cuidar de um bebê sem nenhuma ajuda é a da classe media, urbana, ocidental. Pior: ela achava que ia conseguir... Mas essa onipotência (culturalmente induzida, claro - e muitas vezes socialmente exigida...) só dura até o 5º dia, quando muito. Na segunda semana a mulher percebe que um bebê demanda demais. Precisa de atenção 24 horas, permanente. Que os intervalos do sono não são suficientes para que ela viva: descanse, almoce, tome um banho, respire, olhe pela janela, durma meia hora, atenda ao telefone, responda um email. E os cuidados muitas vezes exigem duas pessoas. Sem ajuda, é virtualmente impossível. A amamentação facilita e muito o cuidado, já que não é preciso tratar de mamadeiras, latas, esterilizadores e bicos. Mas é preciso tempo e descanso para produzir leite. É o clássico bordão, muitas vezes ignorado: um bebê só ficará bem se sua mãe estiver bem. Em alguns momentos, é crucial que a mãe volte a ser mulher – um indivíduo separado de sua filha, que precisa descansar, se cuidar, relaxar, pensar em outras coisas. Ela precisa desses momentos como o bebê precisa do seu leite. Por isso, é preciso que tenhamos menos onipotência, e que reconheçamos que vamos sim precisar de ajuda. Para isso, é necessário planejamento: quem vai ajudar, como, quando. O pai vai segurar a onda nas noites? Até quando? A avó pode mesmo ajudar? E os conflitos que tantas vezes surgem nesse momento? Uma coisa é apoiar, acolher; outra, se intrometer ou criticar – fronteira sutil e muitas vezes rompida de forma inconsciente e perversa. A empregada vai cuidar de casa? Vai ter comida pronta? O patrão vai respeitar e não ligar para falar de trabalho? Nos dias de hoje, a situação se complica ainda mais. Em nossos tempos hiper-conectados, de distrações múltiplas e permanentes e com enorme apelo, é dificílimo estarmos concentrados em uma tarefa. Muitas vezes a futura mãe se ilude e acha que vai amamentar, trocar fraldas, ver a novela, passar email de trabalho, estudar para o concurso e postar no Facebook, ao mesmo tempo, já nos primeiros dias de vida do recém nascido. E como se a situação em si já não fosse complicada o suficiente, aparecem outros obstáculos: o marido quer ensinar a colocar o bebê no seio (com a melhor das intenções), dizendo que ela está fazendo errado; a mãe (avó do bebê) diz “mas o que custa dar uma mamadeirinha, ela chora tanto”; as amigas dizendo que pra elas foi muito simples, que fizeram assim ou assado e que você está fazendo tudo errado; a prima exibicionista cujo bebê dorme bem, mama bem e “não dá nenhum trabalho”.... e a sociedade toda dizendo que se você não consegue amamentar seu bebê e cuidar dele integralmente, é porque não tem competência.” * Texto extraído da página Pediatria Integral
15 anos Mariá Marcela, filha de Micheline e José Eustáquio (tanquinho)
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