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Ateliê do Sabor - Vanessa Fonini
ATELIÊ DO SABOR
Vanessa Fonini 20
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Você já parou para pensar o que te leva a escolher um alimento? A resposta é bastante complexa. O comportamento alimentar de cada pessoa é in uenciado basicamente por suas referências culturais e sociais, associadas a experiências pessoais e à sua genética. Na infância são formados hábitos que podemos carregar a vida toda, sendo a família a principal responsável por essas escolhas e a escola em segundo lugar. Na verdade, podemos até mudar quando crescemos, mas a memória e o peso do primeiro aprendizado alimentar e algumas formas sociais aprendidas através dele permanecem, talvez para sempre, em nossa consciência. E quem nunca falou que come motivado por suas emoções? É comum a busca por determinados alimentos quando queremos comemorar, quando estamos tristes, quando estamos ansiosos, quando precisamos de conforto, etc. É unânime que a comida é uma grande fonte de prazer, um mundo complexo de satisfação siológica e emocional. Existe até um termo para de nir isso: “comfort food“. Ele designa toda comida escolhida e consumida com o intuito de proporcionar alívio emocional ou sensação de prazer, sendo associada muitas vezes a períodos signi cativos da vida do indivíduo (como a infância) e/ou à convivência em grupos considerados signi cativos por ele
(como a família). Dessa forma busca-se nos alimentos conforto e bem estar por causarem efeitos físicos, psicológicos e emocionais naqueles que os consomem.
E qual nossa primeira experiência com a nutrição? Para muitos o seio materno. E existe exemplo melhor de comida que conforta? Na ausência desse, mamadeira, colo e muito amor podem ser ótimos substitutos. Ligar emoções aos alimentos é inato ao ser humano, e quando vivemos experiências positivas relacionadas aos alimentos, criamos memórias positivas em nossas lembranças.
A partir dessas premissas temos o compromisso de estabelecer um vínculo positivo com o alimento, despertando o prazer no consumo de uma refeição saudável dentro da Escola. Para isso o Ateliê do Sabor (como identi camos nossa cozinha e refeitório) foi pensado e estruturado no coração da Despertar.
É um local visível, transparente, aberto e diretamente conectado a toda a Escola. Logo na entrada somos convidados a sentir os diferentes aromas -
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da carne assada ao pão recém-saído do forno da Tia Vânia. Sensações que extrapolam os sentidos e tocam a alma.
O local serve de ponto de encontro e, algumas vezes, de desencontros, mas, de qualquer modo, um lugar de convívio. É onde adultos e crianças se encontram para partilhar experiências. Há integração entre diversos setores como equipe diretiva, equipe de psicologia, recepção, secretaria, equipe de nutrição e equipe de apoio. Crianças chegam e são acolhidas muitas vezes ali, à mesa. Para os maiores é o momento de conversar sobre qualquer tipo de assunto, para os menores é também palco de aprendizado e socialização. Nessa perspectiva, possibilitar interações é tão importante quanto o ato de comer.
Sabemos que não existe experiência prazerosa sem qualidade, e nela se incluem, entre outros elementos, espaços e materiais adequados. Desta forma o refeitório foi planejado para atender a demanda dos alunos. A bancada na altura das crianças possibilita que elas mesmas possam organizar a sua mesa. Os utensílios utilizados foram pensados na necessidade e segurança de
cada faixa etária. Por exemplo, as crianças de nível/bilíngue 1 utilizam copos com tampa, pratos de inox e colher. Mas com o desenvolvimento das habilidades motoras vamos retirando a tampa do copo e no nível/bilíngue 4 já estão usando pratos e copos de vidro. Esse processo respeita o tempo de cada um e demonstra a importância de se alimentar porque o espaço e cada detalhe estão preparados com muito cuidado.
O cardápio é elaborado levando em conta saúde, bem-estar e satisfação das crianças, com base nas principais diretrizes de alimentação do Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria. Priorizamos alimentos simples, naturais, integrais, frutas e hortaliças da estação, leguminosas, peixes, buscando adaptar preparações saudáveis ao gosto das crianças e, sempre que possível, acolhendo suas sugestões e de suas famílias.
A refeição é preparada com rigoroso padrão técnico de controle higiênico-sanitário. Entretanto a estética é algo igualmente importante, por isso a preocupação com a apresentação das preparações, que devem ser agradáveis a todos os sentidos.
A loso a da escola transcende as salas de aula e se aplica também no refeitório. Nesse local a criança é acolhida, observada, ouvida, respeitada e tratada como indivíduo único, que possui suas próprias vontades, que poderão ser atendidas, até certos limites. Tarefas que estimulam a autonomia comoarrumar a mesa, servir o próprio alimento, retirar a louça fortalecem a autoestima e criam oportunidades importantes de aprender a controlar fome e saciedade, a espera, a colaboração com os colegas, entre outras. Está nas orientações do Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria: “a criança deve ser encorajada a comer sozinha, mas sempre com supervisão, para evitar engasgos. É importante deixá-la comer com as mãos e não cobrar limpeza no momento da refeição”.
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Tratamos com muito respeito a alimentação na educação infantil. Consideramos que o ato de comer não é apenas nutrir o corpo com comida, mas nutrir o ser humano com afeto e carinho. Como cita Sérgio Spaggiari em As Linguagens da Comida: “...é justo permitir às crianças que descubram a riqueza incomensurável que um bom prato consumido em boa companhia pode dar porque, também na escola, a mesa quer dizer saúde, prazer e convivência.”
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