ARQUITETURA COWORKING COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO SOCIOECONOMICO EM ITAQUERA
Escritório coworking Foto: Shannon McGrath
FAU - UMC LETÍCIA NASCIMENTO DO CARMO RGM: 11171502483
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
LETÍCIA NASCIMENTO DO CARMO
LETÍCIA NASCIMENTO DO CARMO
ARQUITETURA COWORKING COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO EM ITAQUERA
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para obtenção de nota para a
ARQUITETURA COWORKING COMO VETOR DE
matéria de Trabalho de Conclusão de Curso I, do 9° período.
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO EM ITAQUERA
Trabalho de conclusão de curso
BANCA EXAMNADORA
apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para obtenção de nota para a matéria de Trabalho de Conclusão de Curso I, do 9° período.
Prof.ª Me. Michele de Sá Vieira Orientadora Universidade de Mogi das Cruzes- UMC
Prof.ª Me. Michele de Sá Vieira
Arquiteto e Urbanista Fernando Claret
MOGI DAS CRUZES, SP 2021
Arquiteto e Urbanista Felipe Yudi Terada dos Santos
ABSTRACT
O presente trabalho assume como objetivo o estudo de edifícios coworking e o bairro
The present work assumes as objective the study of coworking buildings and the
de Itaquera – SP. Aborda a contextualização histórica de ambos, enfatiza a
neighborhood of Itaquera - SP. It addresses the historical context of both,
importância do bairro para a configuração socioespacial da cidade de São Paulo,
emphasizes the importance of the neighborhood for the socio-spatial configuration of
uma urbanização dispersa e fragmentada. A problemática encontrada é a falta de
the city of São Paulo, a dispersed and fragmented urbanization. The problem
serviços da região e o crescimento constante de empreendedores e comerciantes,
encountered is the lack of services in the region and the constant growth of
sem espaço adequado para trabalharem ou atenderem clientes. Outro fator que fez o
entrepreneurs and traders, without adequate space to work or serve customers.
número de empreendedores aumentar foram os decretos de fechamento de serviços
Another factor that caused the number of entrepreneurs to increase was the decrees
e comércios de maneira constante e desordenada durante a pandemia da Covid-19,
for closing services and businesses in a constant and disorderly manner during the
a qual levou empresários a devolverem os imóveis alugados, muitas vezes por não
Covid-19 pandemic, which led entrepreneurs to return rented properties, often
conseguirem arcar com os custos. Tal fato leva ao aumento de trabalhos por home
because they were unable to afford the costs. . This fact leads to an increase in work
office e, como consequência, problemas como falta de salubridade e ergonomia,
per home office and, as a consequence, problems such as lack of healthiness and
uma vez que as residências não foram projetadas para atender à essa necessidade.
ergonomics, since the homes were not designed to meet this need. The research
A metodologia da pesquisa baseia-se em uma coleta de dados em meios eletrônicos,
methodology is based on data collection in electronic media, academic articles and
artigos acadêmicos e dissertações, de suma importância para a fundamentação do
dissertations, which are extremely important for the foundation of the theme and its
tema e o discorrimento deste.
discourse.
PALAVRAS-CHAVE: Coworking. Itaquera. Desenvolvimento. Socioeconômico.
PALAVRAS-CHAVE: Coworking. Itaquera. Development. Socioeconomic .
TCARTSBA E OMUSER
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
RESUMO
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 19
Figura 2 - Crítica à atividade repetitiva em Tempos Modernos
20
Figura 3 - Interior de um escritório projetado no sistema Taylorista 20
20
Figura 4 - Layout Taylorista em destaque em vermelho
21
Figura 5 - Modelo de escritório aberto
23
Figura 6 - Modelo de layout de escritório paisagem
24
Figura 7 - Layout do modelo de escritório estruturalista
26
Figura 8 - Modelo de home office junto à sala de estar
28
Figura 9 - Espaço Hoteling nos Estados Unidos
29
Figura 10 - Espaço interno de gaveteiro em escritório de espaço livre
30
Figura 11 - Gaveteiros volantes em escritório de espaço livre
30
Figura 12 - Principal área de atuação dos coworkers
38
Figura 13 - Média dos espaços construídos
43
Figura 14 - Espaços de uso comum no térreo
46
Figura 15 – Organograma do edifício Trampolim
46
Figura 16 – Área de spots Impact HUB
47
Figura 17 - Organograma do Impact HUB Coworking
48
Figura 18 - Sala de uso comum
48
Figura 19 - Perspectiva do Edifício Corujas
57
Figura 20 – Implantação proposta em laranja
58
Figura 21 - Implantação atual do Edifício
58
Figura 22 - Painéis contornam o perímetro da residência
59
Figura 23 - Rua Natingui em 2010, antes da inserção o edifício
60
Figura 24 - Rua Natingui em 2019, com o edifício à direita
61
Figura 25 - Travessa Tim Maia antes da requalificação
61
Figura 26 - Foto tirada após a intervenção na Travessa Tim Maia
62
Figura 27 - Subsolo do edifício Corujas
63
64
Figura 29 - Sala corporativa do edifício Corujas
64
Figura 30 - Área externa do edifício Corujas
65
Figura 31 - Primeiro pavimento do edifício corujas
66
Figura 32 - Passarelas de conexão entre os dois volumes
66
Figura 33 - Segundo pavimento do edifício Corujas
67
Figura 34 - Cobertura do edifício Corujas
68
Figura 35 - Área de descompressão na cobertura do edifício
69
Figura 36 - Corte longitudinal do edifício Corujas
70
Figura 37 - Materialidade utilizada no edifício Corujas
70
Figura 38 - Transitlager antes da renovação e ampliação do BIG
71
Figura 39 - Diagrama de Dreispitz atualmente
71
Figura 40 – Áreas arborizadas e poças temporárias
72
Figura 41 - Integração da população com a praça
73
Figura 42 - 2º Subsolo do Transitlager
74
Figura 43 - 1º Subsolo do Transitlager
74
Figura 44 - Térreo do Transtilager
75
Figura 45 – Perspectiva frontal do Transtilager
75
Figura 46 - 1º Pavimento do Transitlager
76
Figura 47 - 2º Pavimento do Transtilager
77
Figura 48 - 3º Pavimento do Transitlager
77
Figura 49 - 4º ao 6º Pavimentos do Transitlager
78
Figura 50 - Edifício Transitlager
79
Figura 51 - Áreas verdes para convivência
80
Figura 52 - Iluminação e ventilação naturais no edifício
80
Figura 53 - Planta baixa do coworking WeWork
81
Figura 54 - Área comum do WeWork
82
Figura 55 - Salas de uso comum
82
Figura 56 - Salas de uso privado
83
Figura 57 - Publicação do jornal O Estado de São Paulo de 05/07/1915
87
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
SEÕÇARTSULI ED ATSIL
Figura 1 - Linha de produção aplicando o modelo Taylorista
Figura 28 - Pavimento Térreo do edifício Corujas
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 88
Figura 59 – COHAB Itaquera I, atual região de Artur Alvim, década de 1980
89
Figura 60 - Transformações no bairro com a construção da Jacu-Pêssego
90
Figura 61 - Projeto Polo Institucional Itaquera - Plano Geral
94
Figura 62 - Local antes da implantação da Arena Corinthians
95
Figura 63 - Intervenções propostas em 2008 para o sistema viário da área
96
Figura 64 - Mapa de Hidrografia
101
Figura 65 - Córrego Rio Verde e Comunidade da Paz nas margens
103
Figura 66 - Arborização do Parque do Carmo
104
Figura 67 - Mapa de Vegetação
105
Figura 68 - Parque Linear do rio Verde-Jacu
108
Figura 69 - Perspectiva aérea parque linear Rio Verde-Jacu
108
Figura 70 - Mapa de ocupações irregulares
109
Figura 71 - Comunidade da Paz ao longo do córrego do Rio Verde-Jacu
112
Figura 72 - Comunidade da Paz
112
Figura 73 - Mapa de Uso do Solo
113
Figura 74 - Igreja na Rua Assapaba (via local)
116
Figura 75 - Análise do terreno e entorno
117
Figura 76 - Imagem frontal do terreno
117
Figura 77 - Organograma
121
SEÕÇARTSULI ED ATSIL
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
Figura 58 – Trecho do jornal de 1947
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AIU-PRODEL
Área de Intervenção Urbana - Projeto Estratégico do Programa de Desenvolvimento Econômico Leste
Global Entrepreneurship Monitor
FGV
Fundação Getúlio Vargas
NBR
Norma Brasileira
M.R.
Módulo de Referência
COE
Código de Obras e Edificações
LPUOS
Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo
ZEUP
Zona de Eixo de Estruturação Proposta
PDE
Plano Diretor Estratégico
ZEU T.O.
MEM
Macroárea de Estruturação Metropolitana
IPTU
Imposto Predial e Territorial Urbano
ITBI-IV
Imposto sobre “Inter-Vivos” de Bens Móveis
ISS
Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza
SMDU
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano
SDTE
Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo
PEA
População Economicamente Ativa
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
OMS
Organização Mundial da Saúde
PMAU
Plano Municipal de Arborização Urbana
Zona de Eixo de Estruturação Taxa de Ocupação
SALGIS E SARUTAIVERBA ED ATSIL
C.A.b.
Coeficiente de Aproveitamento Básico
C.A.m.
Coeficiente de Aproveitamento Máximo
T.P.
Taxa de Permeabilidade
BIG
Bjarke Ingels Group
PUB
Plano Urbanístico Básico
PDDI
Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado
SFH
Sistema Financeiro de Habitação
BNH
Banco Nacional de Habitação
COHAB
Companhia de Habitação
SESC
Serviço Social do Comércio
MRRU
Macroárea de Reestruturação e Requalificação Urbana
OUCRVJ
Operação Urbana Consorciada Rio Verde-Jacú
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
GEM
SUMÁRIO
3.3 Código De Obras E Edificações E Lei Sanitária Do Estado De São Paulo
53
3.4 Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo
54
4
4. ESTUDOS DE CASO
55
ABSTRACT
5
4.1 EDIFÍCIO CORUJAS
57
INTRODUÇÃO
13
4.1.1 Transformação Do Bairro Além Da Estética
59
OBJETIVO
15
4.1.2 Análise Projetual
62
JUSTIFICATIVA
16
4.2 TRANSITLAGER
71
1. CONFORMAÇÃO DOS ESPAÇOS CORPORATIVOS
17
4.2.1 Análise Projetual
73
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
19
4.2.2 Materialidade
78
1.1.1 Primeira Geração: Taylorismo
19
4.3 WEWORK STONEWALL STATION
81
1.1.2 Segunda Geração: Escritórios Abertos
22
5. URBANIZAÇÃO DISPERSA E FRAGMENTADA
85
1.1.3 Terceira Geração: Escritório Paisagem
24
5.1. CONFORMAÇÃO SOCIOESPACIAL
87
1.1.4 Quarta Geração: Escritório Estruturalista
25
5.2 IMPLANTAÇÃO E ARTICULAÇÕES DE NOVOS EIXOS VIÁRIOS
92
1.1.5 Quinta Geração: Contemporaneidade nos Espaços Corporativos
26
5.3 MUDANÇAS SOCIO-TERRITORIAIS PROPICIADAS PELA ARENA
95
2. COWORKING: MOVIMENTO CORPORATIVO PERSONALIZADO
31
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO
33
5.4 DESLOCAMENTOS PENDULARES
96
2.2 COWORKING NO BRASIL
35
6. CONDICIONANTES AMBIENTAIS
99
2.3 PERFIL DOS USUÁRIOS
37
6.1 HIDROGRAFIA
103
2.4 INFLUÊNCIA NA VIDA PESSOAL
40
6.2 ARBORIZAÇÃO
104
2.5 CONFIGURAÇÕES ESPACIAIS
43
6.3 MORADIAS IRREGULARES
109
2.6 ORGANIZAÇÃO DE COWORKING EM DIFERENTES ZONAS
45
6.4 USO DO SOLO
113
2.6.1 Zona Residencial
45
6.5 ANÁLISE MICRO AMBIENTAL
117
2.6.2 Zona Mista
47
7. ESQUEMAS ESTRUTURANTES
119
2.6.3 Zona Comercial
48
CONSIDERAÇÕES FINAIS
123
3. LEGISLAÇÃO
49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
127
3.1 NORMA BRASILEIRA 9050 – ACESSIBILIDADE A EDIFICAÇÕES,
51
MOBILIÁRIOS, ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS 3.2 NORMA BRASILEIRA 9077 – SAÍDAS DE EMERGÊNCIA EM OIRÁMUS
EDIFÍCIOS
52
CORINTHIANS
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
RESUMO
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13
INTRODUÇÃO
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14
Ambicionando a compreensão da tipologia, foram analisados os edifícios Corujas, do escritório FGMF, Transitlager, do escritório BIG e o espaço coworking da multinacional WeWork. O edifício Corujas, da incorporadora Idea!Zarvos, fez parte do processo de transformação do bairro da Vila
digital nas últimas décadas, exigem espaços que objetivem a melhoria da
Madalena, com a fomentação da vida diurna causada por esses edifícios,
capacidade cognitiva e a ampliação de atividades interativas. “Devido à
além de ser o conceito dos arquitetos a inclusão social e integração da
redução das responsabilidades tradicionais de supervisão, as organizações
arquitetura com usuário. Transitlager passou por um processo de
tendem a se horizontalizar, assumindo formas mais fluidas e transitórias.”
requalificação e passou a integrar o edifício com o entorno. O espaço da
(SADER, 2007, p. 12) Os espaços coworking passam então a se formular
WeWork foi analisado para compreender a conformação ambiental do
como alternativas aos escritórios tradicionais e home offices, e atendem
programa de necessidades, a flexibilidade desses espaços e o impacto
às demandas criacionistas, exigidas no processo de integração de sistemas
gerado na vida do usuário.
e conexão interpessoal. Os ambientes são projetados de forma necessária à adaptabilidade humana na transformação cotidiana das cidades. Itaquera, em contraponto com o desenvolvimento econômico da capital paulista, foi objeto de segregação espacial em sua formação e sofre as consequências até hoje. Os planos de urbanização transformaram o bairro em “dormitórios” para pessoas que trabalhavam no centro e não possuíam condições econômicas de residirem próximos aos seus locais de trabalho. A instalação de infraestrutura, serviços e comércios adequados para atender à crescente migração para essa zona ajudou a agravar a heterogeneidade socioeconômica da cidade de São Paulo, cuja prefeitura tenta mediar a situação com a criação de planos de incentivos fiscais para atrair empreendedores à região. Tendo em vista o Plano Diretor de São Paulo, que incentiva tipologias de serviço e comércio, além das reduções fiscais para sua implantação, este trabalho desenvolverá um edifício coworking no bairro de Itaquera, que objetiva atender aos moradores do bairro e entorno, como Arthur OÃÇUDORTNI
Alvim, Patriarca, Guaianases, Itaim Paulista e São Miguel Paulista. Serão criados espaços para atender à demanda corporativa, com ênfase na interação social e qualidade de vida.
A metodologia aplicada para fundamentar as diretrizes projetuais foram Normas Técnicas Brasileiras (NBRs 9050 e 9077), Código de Obras e Edificações de São Paulo e a Lei Sanitária 12.342/ 1978. Fez-se uso de imagens de satélite para analisar o entorno do local, compreendendo as características das edificações, necessidades da sociedade e deficiências urbanas, bem como de notícias e pesquisas para verificar a insuficiência de ensino não só da região, mas também de toda a cidade em creches. Para a composição desta monografia e o entendimento do processo evolutivo
dos
padrões
corporativos
frente
as
intervenções
contemporâneas nos modelos organizacionais, Ana Paula Cabral Sader teve fundamental importância; sua dissertação auxiliou na compreensão do desempenho do projeto, análogo às demais intervenções das práticas organizacionais contemporâneas. A compreensão do processo evolutivo de Itaquera e as implicações de sua conformação na atualidade, teve como referência a publicação da Arquiteta e Urbanista Isadora Fernandes Borges de Oliveira.
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
A evolução da produção intelectual junto aos avanços da comunicação
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15
OBJETIVO
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16
JUSTIFICATIVA
O projeto tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de
O convívio e permanência das pessoas está em locais onde há maiores
atividades econômicas e geração de oferta de empregos através da
ofertas de comércio e serviço. Portando, o projeto busca a descentralização da
implantação de um edifício coworking na Avenida Itaquera, no bairro de
cidade de São Paulo e o fortalecimento do bairro, por isso o estímulo ao uso
Itaquera, próximo ao Polo Industrial, contribuindo para a redução das
não residencial dos espaços, mas sim serviço e comércio, induzindo o
desigualdades socio-territoriais do município.
desenvolvimento local a partir do projeto de Coworking.
comércio, fortemente apoiado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo e a Subprefeitura de Itaquera, para que a segregação imposta pelo poder público desde o século XIX seja, de forma gradativa e ordenada, dissipada, para que o próprio bairro tenha qualidade de vida e, evitando assim, deslocamentos pendulares e fadiga, com oportunidades de trabalho próximas às suas residências.
“A partir do conceito de que o espaço urbano é dinâmico e que os elementos que o compõe (ruas, edificações, infraestrutura), mantém entre si e com as outras estruturas sociais, uma relação de interdependência, qualquer alteração na estruturação existente seja de ordem físicoterritorial, ou socioeconômica, desencadeia inevitavelmente, um processo de mudança”
(SCHEVZ, ZMITROWCZ, 2003).
AVITACIFITSUJ E OVITEJBO
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
A infraestrutura gerada pelo edifício disseminará o uso de serviço e
CAPÍTULO
1
CONFORMAÇÃO DOS ESPAÇOS CORPORATIVOS
Da linha de produção Taylorista aos escritórios contemporâneos Charlie Chaplin em sua produção Tempos Modernos Fonte: DM Tem Debate
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19
20
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO Figura 1 - Linha de produção De acordo com Ribeiro (2009, p. 19), com a massificação da revolução
aplicando o modelo Taylorista
industrial no século XIX, a indústria agregava maior valor à máquina em detrimento dos trabalhadores. Não obstante, surgem problemas ligados à qualidade de vida gerada no trabalho. Para tanto, a partir da segunda metade do século XIX são iniciados estudos baseados na área do conhecimento científico, a qual objetiva a criação e fundamentação de normas e funções para organizar e aumentar a produção no
Fonte: https://www.todamateria.com.br/ taylorismo/
engenheiro mecânico Frederick Taylor passa a notar que a padronização operária estava atrelada ao aumento produtivo.
Apesar da crescente produtividade esse sistema é duramente criticado, pois nesse contexto o ser humano é visto como uma engrenagem na produção industrial, sem direitos ou necessidades, similar ao processo dos maquinários. As
1.1.1 Primeira Geração: Taylorismo
críticas à alienação que o trabalhador sofre com o Taylorismo são mostradas em produções cinematográficas, como em “Tempos Modernos”, protagonizado por Charlie Chaplin, mostrada na figura 2.
O método de expansão produtiva dos trabalhadores idealizado por Frederick Winslow Taylor, corrente conhecida como “Taylorismo”, é fruto de uma das SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
maiores polêmicas dessa área, em decorrência de seus pensamentos e teorias
Figura 2 - Crítica à atividade
sobre racionalização e gerenciamento da produtividade de modo a tentar eliminar
repetitiva em Tempos Modernos
tempos “ociosos”, controlar movimentos e especializar os trabalhadores ao máximo. (RIBEIRO 2009, p. 19). Essa corrente passa a ganhar força e ser replicada nos modelos de produção de fábricas na Segunda Revolução Industrial, começo do século XX. Na figura 1 é possível notar a linha de produção idealizada por Taylor, onde os trabalhadores realizam movimentos repetitivos e são limitados a apenas uma área da produção e com posições fixas, ou seja, o produto vai até ao trabalhador, economizando assim
Fonte: https://www.todamateria.com.br/ taylorismo/
tempo em sua confecção. A forma organizacional desse método desenvolvido pelo economista pode ser replicada em diversos setores, desde a construção civil até trabalhos em escritórios, como mostra a figura 3, interior do edifício Larkin, projetado pelo arquiteto Frank Lloyd
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
espaço de trabalho (RIBEIRO 2009, p. 19). Nesse contexto, o economista e
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21
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Wright. Na figura 3 é possível notar também as janelas, que garantem iluminação e
Figura 4 - Layout Taylorista em destaque em azul,
ventilação naturais; contudo, os grandes peitoris privam a visão dos trabalhadores
aplicado ao Larking Building de Frank Lloyd Wright, NY
22
à área externa, objetivando o foco total do trabalhador.
Figura 3 - Interior de um escritório projetado no sistema Taylorista
Modificado pela autora
Fonte: https://pt.wikiarquitectura.com/constru%C3%A7%C3% A3o/edificio-larkin/
“Os armários para arquivos, por exemplo, foram erguidos do piso – para facilitar a limpeza e não interromper a continuidade do espaço – e embutidos nas paredes sob as aberturas voltadas para o átrio e sob as
SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
janelas que davam para o exterior.” (WESTON, 2003, p.26).
O taylorismo norteou a conformação dos espaços corporativos com critérios A figura 4 apresenta a planta layout de um dos pavimentos desse edifício. As
organizacionais rígidos, semelhantes às linhas de montagem supracitadas, como
mesas são dispostas de maneira linear e contínua, de modo a favorecer o fluxo de
segregação espacial – uma forma de hierarquização – e padronização do layout, utilizada
documentos, apontando para a circulação centralizada. Os armários foram
para assegurar disciplina e a linearidade de trabalho. (HORSCHUTZ, 2007, p. 23).
colocados junto às paredes, de forma a não atrapalhar o fluxo. A circulação vertical foi inserida nas extremidades do edifício. Portanto, quando o trabalhador chegasse
1.1.2 Segunda Geração: Escritórios Abertos
ao seu pavimento de trabalho, não chamaria a atenção dos colegas e esses seguiriam com o foco na produção.
O surgimento e aprimoramento de tecnologias – como a difusão do aço – possibilitou a construção de uma nova era de edificações, possibilitando que se tornassem mais altas, com fachadas livres da função estrutural e a ampliação dos vãos
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
Fonte: https://arqteoria.wordpress.com/2013/11/20/aula-2-evolucao-do-desenho-dos-espacos-de-trabalho .
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23
de abertura para maior iluminação e ventilação nos ambientes (HORSCHUTZ,
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24
1.1.3 Terceira Geração: Escritório Paisagem
2007, p. 27). Nos Estados Unidos, essas formações eram também conhecidas como
O modelo de escritório aberto passa a ser difundido na Europa. A partir
escritórios panorâmicos. Os espaços internos desse modelo passaram a considerar
desse, é desenvolvido o denominado “escritório paisagem”, após 1960. O layout
os impactos psicológicos e sociais do ambiente corporativo na vida do trabalhador,
era menos “denso”, buscava sobretudo a versatilidade, que possibilitava a mudança
transformando-os em ambientes mais confortáveis e hierarquizados de forma sutil.
das equipes. As divisórias ainda presentes no modelo anterior são eliminadas nesse
O design busca acompanhar o contexto social e econômico da época (1950 a
sistema, para garantir a mutabilidade das áreas de trabalho. Assim, o layout passa a
1960), agregando melhorias organizacionais no desenho do edifício e, assim,
ser o único responsável pela organização espacial. (HORSCHUTZ, 2007, p. 42).
introduzir ambientes mais confortáveis, integrados e adequados à produção intelectual. (HORSCHUTZ, 2007, p. 39).
Tanto no modelo norte americano quanto no europeu, os layouts são
A figura 5 apresenta a planta do edifício One Chase, de Gordon Bunshaft, um modelo de escritório aberto. O mobiliário, que no modelo taylorista era disposto de
pessoas, não mais a arquitetura do edifício. Permitem também a melhor integração e comunicação entre os setores. (HORSCHUTZ, 2007, p. 42).
forma linear, passa a ser configurado como “grupos”. Estes são segmentados através de vedações e do próprio layout (também denominados “ilhas multifuncionais”), de acordo com a tarefa e necessidades dos trabalhos realizados
“O planejamento cede espaço para a descentralização, enquanto a especialização rígida dos trabalhadores dá lugar à polivalência e à
em equipe. As salas de reuniões e de estar são segregadas nessa configuração e os
distribuição da inteligência. As células não precisam ser permanentes, pois
armários colocados no centro de cada ala. (HORSCHUTZ, 2007, p. 40).
certas tarefas podem ter caráter temporário e é necessário garantir máxima flexibilidade
Figura 5 - Modelo de escritório aberto
possível.
Uma
mesma
pessoa
pode
fazer
parte,
simultaneamente, de diferentes células” (SADER, 2007, p.102).
SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
Na planta baixa apresentada na figura 6, do edifício Osram, em Munique, projetado pelo arquiteto Walter Henn, é notável a aplicação desse tipo de design. A distância entre as mesas e cadeiras são indeterminadas, colocadas de formas despojadas, nas quais gerentes e supervisores dividem espaço com os demais funcionários. Como mencionado anteriormente, vedações verticais são suprimidas nesse sistema, o que permite também aproveitar a profundidade máxima permitida pela estrutura. Os armários e elementos de arquivamento são distribuídos por entre as estações de trabalho. Essa configuração promove a integração horizontal dos setores da empresa, inserindo diferentes funções dentro da mesma unidade. Segundo Sader (2007, p. 102) o modelo adotado geralmente consegue atender com maior rapidez e menor custo os objetivos solicitados. Fonte: https://arqteoria.wordpress.com/2013/11/20/aula-2-evolucao-do-desenho-dos-espacos-de-trabalho. Modificado pela autora
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
ordenados de forma orgânica e seguem o trânsito formado pela circulação de
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26
A figura 7 apresenta o projeto do arquiteto Herman Hertzberger. O edifício corporativo foi projetado para a companhia de seguros Centraal Beheer, nos Países Figura 6 - Modelo de
Baixos. A arquitetura de Herman é um fator determinante para o design, que é
escritório aberto
limitado pelas alvenarias. Nota-se o núcleo de pessoas reunidas como pequenas “comunidades”, interligadas pela circulação horizontal.
A iluminação natural
alcança os escritórios através das janelas localizadas nos cantos dos módulos ou pelo teto das passarelas.
de escritório estruturalista
Fonte: https://arqteoria.wordpress.com/2013/11/20/aula-2-evolucaodo-desenho-dos-espacos-de-trabalho. Modificado pela autora
SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
1.1.4 Quarta Geração: Escritório Estruturalista De forma gradativa o sistema de planta livre se consolidou durante o final do século XX. Em 1970, modelos de mobiliários integrados, como os da empresa Herman Miller, foram desenvolvidos e disseminados. Em 1980 o foco é alterado para a estética e
Fonte: https://arqteoria.wordpress.com/2013/11/20/aula-2-evolucaodo-desenho-dos-espacos-de-trabalho . Modificado pela autora
revisão da hierarquia causada por esses móveis. (HORSCHUTZ, 2007, p. 53). De acordo com Claudia Andrade (2000, p.24), isso ocorre devido à redução do número de funcionários em salas fechadas, elevação dos custos imobiliários e o uso de tecnologia de informação.
1.1.5 Quinta Geração: Contemporaneidade nos Espaços Corporativos Para Sader (2007, p.132 – p.133), a partir de 1990 os espaços de trabalho passam a
Os modelos desse período buscam a minimização das diferenças de tamanho das
ter duas características consideradas essenciais às suas necessidades: a mobilidade
estações de trabalho e os acabamentos entre diferentes peças para diferentes níveis de
interespacial e a incorporação do lazer criativo ao tempo de permanência no local de
hierarquia. (HORSCHUTZ, 2007, p. 54).
trabalho, cujo objetivo era de aumentar a interação entre os trabalhadores.
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
Figura 7 - Layout do modelo
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A organização hierárquica, ainda segundo Sader (2007, p.133), passa de piramidal para estruturas matriciais. A característica desse sistema é a distribuição
Figura 8 - Modelo de home office
e organização do projeto de maneira fluida, a qual apresenta maior flexibilidade do
junto à sala de estar
“poder”. (COALIZE, 2020). Como decurso, a empresa exige mobilidade física das equipes e, por conseguinte, adequação do design para atender à nova modalidade. Dessa maneira a noção de territorialidade é subjetivada. Espaços de trabalho individualizados e personalizados com vasos de plantas e fotos de família são modificados, e os conceitos de escritórios não-territoriais ou de escritórios alternativos surgem. (SADER, 2007, p.133).
“Os escritório não-territoriais caracterizam-se pela inexistência de uma
essenciais-na-hora-de-montar-um-home-office/
estação de trabalho individualizada, com o material de trabalho sendo armazenado em um gaveteiro volante que pode ser deslocado para qualquer lugar da empresa; os telefones deixam de ser fixos passando a ser
Após a pandemia causada pelo coronavírus, em 2019, o modo de trabalho foi
sem-fio e, no lugar dos microcomputadores do tipo PC, os funcionários
alterado em diversos países, passando em muitos casos de presencial para trabalho
utilizam os do tipo portáteis, os notebooks.” (SADER, 2007, p.134).
remoto. À medida da adoção massiva desse estilo de trabalho, empresas passaram a devolver os espaços corporativos antes alugados, gerando um volume de devoluções no
Com o conceito de escritórios alternativos, há uma divisão de quatro grupos: escritório doméstico, hoteling, endereço livre e coworkings. SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
Escritório doméstico, ou home office, é o espaço de trabalho no local de residência do trabalhador; portanto, não há padronização do layout, mesmo que seja fundamental, de acordo com Sader (2007, p.138) para que a separação entre as esferas privada e corporativa sejam bem definidas durante o horário de trabalho.
terceiro trimestre de 2020 de 66,7 mil metros quadrados em São Paulo. (MOUTINHO, 2021). Contudo, o escritório doméstico pode gerar problemas de falta de foco e psicológicos, provenientes da sensação de isolamento e de cunho familiar, além da falta de adaptabilidade da residência, gerando problemas físicos pela falta de ergonomia, conforto e alta na jornada de trabalho. (SADER, 2007, p.138). Estudiosos da área ainda afirmam que
Tratando-se de um modelo lucrativo para as empresas por reduzir os custos em relação ao espaço e funcionários, a indústria moveleira começa a desenvolver
“as pessoas ainda precisam trabalhar juntas. Tanto por razões de negócio
soluções para trabalhadores desse tipo de sistema. A figura 8 apresenta um
quanto por razões pessoais. Para o bem dos negócios, elas precisam trocar
modelo de design home office que leva em consideração aspectos relacionados a conforto, ergonomia e salubridade.
ideias, instruções e informações, e precisam estimular-se para serem criativas e enérgicas. Por elas mesmas, as pessoas precisam ter vínculos com seus colegas e ser valorizadas por eles”. (ANDRADE, 2000, p.49).
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Fonte: https://www.vivadecora.com.br/revista/truques-
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O conceito de hoteling surge na necessidade de escritórios quando o
Os escritórios de endereço livre promovem o espaço individual de cada pessoa,
funcionário realiza uma viajem e se hospeda em algum hotel. O serviço hoteleiro
não baseado na hierarquia, mas na variedade de funções, onde conceitos de
passa a fornecer espaço adequado para reuniões e acesso à comunicação dos
propriedade e territorialidade são abstratos. Esses escritórios foram idealizados
trabalhadores e seus clientes, para que sejam atendidos com o suporte e conforto
para trabalhadores com uma carga horária maior em serviços externos ao espaço
necessários. (SADER, 2007, p. 139). A figura 9 apresenta um hoteling, com salas
empresarial, caracterizado por seu uso eventual. (SADER, 2007, p. 141).
individuais fechadas. Nesse ambiente não há iluminação e ventilação naturais e o design trabalha elementos neutros e essenciais para que haja suporte aos usuários.
“O funcionário é informado, ao chegar no escritório, sobre a localização das estações disponíveis. [...] A partir de então, esse funcionário poderá utilizar o posto de trabalho pelo período que julgar necessário”. (SADER, 2007, p. 141).
Figura 10 - Espaço interno
nos Estados Unidos
de gaveteiro em escritório de espaço livre
SOVITAROPROC SOÇAPSE SOD OÃÇAMROFNOC
Fonte: Werndl Buromobel
Fonte: http://blog.rightsizefacility.com/ hoteling_space
Figura 11 - Gaveteiros volantes em escritório de espaço livre
Fonte: Werndl Buromobel
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
Figura 9 - Espaço Hoteling
CAPÍTULO
2
COWORKING: MOVIMENTO CORPORATIVO PERSONALIZADO Alternativa ao escritório tradicional
Escritório coworking Foto: Shannon McGrath
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34
Os espaços coworking são um vetor contemporâneo que objetivam a melhoria
·trabalhadores começam a demonstrar insatisfação em espaços confinados e
da capacidade cognitiva humana e a ampliação das atividades interativas, produção
solitários. Em 2002, nos Estados Unidos, o termo passou a ser utilizado pelo 9
de renda, conexões interpessoais, convivência e melhora na qualidade de vida.
to 5 group, que adaptou espaços em sua própria residência para dividir com
Esses espaços surgem com os avanços da comunicação digital e home office, junto
amigos, trabalhar e assim, alcançarem melhores resultados em seus respectivos
às demandas criacionistas, exigidas nos processos evolutivos de produção
serviços;
intelectual e diversidade de serviços. (GIANNELLI, 2016, p.11).
2º período: coworking como espaço colaborativo e de convivência (2002-
O ambiente coworking passa a se formular como alternativa ao escritório tradicional, abrigando a demanda profissional e que pode oferecer computadores ou superfícies para demais tipos de equipamentos dos usuários. Além disso, esses espaços agregaram mudanças socioeconômicas e culturais, que permitem a humana na transformação cotidiana nas cidades. (GIANNELLI, 2016, p.18). “Portanto deve-se tratar da existência e surgimento dos Espaços de Coworking
espaços físicos e o nicho começa a expandir. A promoção desses espaços é realizada pela internet, a qual difunde a informação e comunicação de maneira veloz. Conforme a aquisição de computadores se tornou mais acessível, o número de adeptos de empresas e pessoas aumentou. (GIANNELLI, 2016, p.38). Em 2005, na Inglaterra, surge o Impact Hub, com a proposta de criação de espaços atrativos de convivência “com vista à integração e à permanência de pessoas e oferta de serviços para suas atividades profissionais” (GIANNELLI,
como um reflexo das necessidades latentes da sociedade da Era da Informação
2016, p.38). Em 2007 o Impact Hub, primeiro coworking no Brasil, se instala na
que se constrói dentro dos seis conceitos [...] desmassificação, globalização,
cidade de São Paulo, na região central;
centralidades, transdisciplinaridade, ecologia e redes.” (GIANNELLI, 2016, p.54).
3º período: coworking no Brasil e na cidade de São Paulo (2007-2016). O
ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
último período descrito por Giannelli destaca a implantação desses espaços e edifícios na capital paulista, que passa a ter a maior parte da sua zona industrial
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO
movida para a área rural ou outros estados e as áreas urbanas passam a receber e a promover uso de comércios e serviços de variadas áreas do conhecimento.
O arquiteto Márcio Giannelli (2016, p. 37 – p.38) adota uma cronologia que se divide em três períodos:
A economia das sociedades globais deixa de se basear na indústria que tem por objetivo a exploração de matérias primas e bens de produção ou de consumo e
1º período: concepção da internet e a criação do espaço de coworking (1991-
passa para a economia cognitiva, baseada na produção, apropriação, venda e uso
2002). O primeiro período é iniciado com o surgimento da internet e a
de conhecimentos, informações e procedimentos. (ASCHER, 2010, p. 48). Os
evolução da integração de sistemas como Google, Amazon, iTunes. Em 1999 o
novos modelos de trabalho exigem com maior frequência a participação de áreas
termo “coworking” é proposto pelo game designer, teórico e escritor Bernie
distintas e a internet atua como ponto de ruptura do paradigma de uma empresa
De Koven (GIANNELLI, 2016, p.37) quando sentiu a necessidade de criar
ser constituída de um espaço físico, visto que ela possibilita o trabalho remoto.
espaços para que as pessoas pudessem trabalhar juntas e alcançarem melhores resultados. O conceito de escritório tradicional passa a ser repensado à medida que os trabalhadores começam a demonstrar insatisfação em espaços
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interligação entre informação e comunicação, necessárias para a adaptabilidade
2007). Esse período é caracterizado pela materialização do termo; criam-se
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2.2 COWORKING NO BRASIL
36
Gráfico 2 - Evolução do coworking nos estados do Brasil SP RJ
O primeiro espaço coworking no Brasil surge em 2007 e em 2019, segundo dados do Censo 2019 do coworking Brasil, 1.496 novos espaços foram criados, como mostra o gráfico 1. Foram analisados municípios brasileiros acima de 100 mil habitantes. O gráfico destaca o crescimento anual desse sistema de configuração espacial, com um crescimento de 52% entre 2015 e 2016, de 114% entre 2016 e 2017, de 48% entre 2017 e 2018 e 25% entre 2018 e 2019. Desde o início de sua medição, houve um aumento de 650% desses espaços.
MG SC PR RS DF CE BA PE ES MT
Gráfico 1 - Evolução dos espaços coworking entre 2015 e 2019
PB MS
1.497
810
ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
2016
500
750
LEGENDA
2018
2019
Com início da expansão econômica da cidade de São Paulo no seu centro histórico, ela parte para o sul, instalando-se na Consolação, posteriormente ao
378
2015
250
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2019 do coworkingbrasil.org
1.194
278
0
longo da Avenida Brigadeiro Faria Lima e, atualmente, na Avenida Engenheiro Dr. 2017
2018
2019
Carlos Berrini. Por esse motivo, como mostra o gráfico 3, há menor concentração dos espaços de trabalho compartilhado nas regiões norte e leste.
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2019 do coworkingbrasil.org
Gráfico 3 - Unidades coworking por região em SP Norte 3%
Os índices apontam o aumento na procura por esses espaços. São Paulo,
Centro 28%
considerada a maior capital econômica do Brasil e a 21ª do mundo (Seade 2020), é o estado com o maior número de espaços coworkings no Brasil. O gráfico 2 demonstra o crescimento nos estados que mais abrigam essa tipologia entre 2018 e 2019. Para Giannelli (2016, p. 65), esse tipo de crescimento, desde 2015, é
Oeste 41% Leste 4%
reflexo da influência do estado paulista em relação à inovação tecnológica e de outros conhecimentos. Sul 24%
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no modelo desenvolvido por Giannelli (2018, p. 77)
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GO
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2.3 PERFIL DOS USUÁRIOS
38
Figura 12 - Principais áreas de atuação dos coworkers
O coworking Brasil realiza pesquisas anuais com o objetivo de traçar o perfil
65%
dos usuários desses espaços, com direcionamento às principais características do público e como eles utilizam os locais.
45% 24%
Em 2018, a idade média desses usuários era de 33 anos e 51% se identificam com o gênero masculino, 49% feminino e 1% outros gêneros (Coworking Brasil, 2018). De acordo com a pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de empreendedorismo
10%
brasileiro em 2015 foi de 39,5%, conforme observado no gráfico 4, sendo esse o
38%
13%
empreendedores utilizam os espaços compartilhados de trabalho com maior
50%
20%
frequência. LEGENDA
Gráfico 4 - Evolução das taxas em porcentagem de empreendedorismo brasileiro ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
40
Consultoria
Publicidade, Design
Marketing, Internet, Startups
Advocacia
Jornalismo, Educação
Negócios sociais, Vendas, Outros
Jurídico, Artes
Setor terciário, Contabilidade, Moda
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
30 20
De acordo com o site “desk working” (2019), os funcionários que prestam
10
serviços de consultoria e marketing e utilizam coworking na maioria dos casos são
0
graduados em administração de empresas, recursos humanos, contabilidade e 2002
LEGENDA
2003
2004
2005
2006
Empreendedores Iniciais
2007
2008
2009
2010
2011
Empreendedores Estabelecidos
2012
2013
2014
2015
Total de Empreendedores
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado na pesquisa GEM Brasil 2015
finanças, e uma das principais vantagens dessa categoria nesses ambientes é a rede de contatos que será gerada a partir da interação com os demais usuários de outras áreas. As áreas de publicidade e design se enquadram na categoria de criatividade e
A área de atuação dos profissionais é variada; em pesquisa (dados ilustrados na
expansão da rede de contatos, assim como consultoria. As atividades desenvolvidas
figura 12), com a opção de escolher mais de um segmento da empresa onde atua,
estão entre a captação e conversas com clientes, divulgação e planejamento; a
constatou-se que 65% dos usuários trabalham com consultoria, 50% com publicidade
mobilidade que a localização do coworking geralmente oferece são atrativos para
e design, 45% com marketing, internet e startups, tipologias que podem ter seus
essas categorias. Esses profissionais utilizam, em maior parte, softwares em seus
serviços executados unicamente, ou em maior parte, de forma online.
próprios notebooks para desenvolver seus projetos.
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público alvo dos espaços coworkings. Segundo Giannelli (2016, p. 68), esses
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2.4 INFLUÊNCIA NA VIDA PESSOAL
Quanto a parte criativa, esses espaços possibilitam a capacidade de unir tanto o lado lógico quanto o lado criativo para viabilizar soluções.
Os usuários que participaram da pesquisa do Censo 2018 do coworking
Com a participação de 600 coworkers na pesquisa realizada em 2018,
Brasil compartilharam a influência gerada pelos espaços coworking tanto na
constatou-se que 46% dos usuários almoçam no entorno e 31% no próprio
produtividade
coworking, como mostra o gráfico 5 (Coworking Brasil, Censo 2018). A escolha de
quanto
em
aspectos
pessoais
como
autodesenvolvimento,
organização pessoal e qualidade de vida, por exemplo. Dos 600 trabalhadores
refeição fora da residência ajuda a fomentar o fluxo de pessoas em bares
entrevistados, 62% notaram mudanças positivas na saúde e disposição em geral e,
restaurantes principalmente no horário de almoço, além de gerar renda para a rede
quando questionados sobre a vida social, 67% notaram melhoria, como mostram
de comércio do entorno.
os respectivos gráficos 7 e 8. Segundo Sabrina Abrahão (2019, p. 7), esse modelo de trabalho, que possibilita a interação, ajuda a motivação e agilidade dos
46% 0% 0%
31%
EM LOCAL PRÓXIMO
25%
22%
N O C O W O R K I N G 50%
75%
100%
50%
75%
100%
75%
100%
EM CASA 25%
Fonte:0% desenvolvido pela autora.25% Baseado no Censo 2018 do50% coworkingbrasil.org
Gráfico 7 - Saúde e disposição geral 29% 38%
LEGENDA
ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
Melhoraram muito
Os meios de transporte mais utilizados pelos usuários para chegarem aos
Melhoraram
edifícios são carros ou motos (42%), seguidos por transporte público (30%), como
Não mudaram
33%
mostra o gráfico 6. Um dos motivos que leva a preferência por transportes
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
individualizados é a mobilidade que os trabalhadores necessitam para contactar clientes ou fornecedores. (Coworking Brasil, Censo 2018). Gráfico 8 - Melhoria na vida social 2%
Gráfico 6 - Principais métodos de transportes dos usuários de coworkings
42% 0%
31%
31%
31%
VEÍCULOS PRÓPRIOS
25%
T R A N S P O R T E P Ú 50% BLICO
75%
100%
0% 12%
C A M I N H A N25% DO
50%
75%
100%
0% 12%
OUTROS
25%
50%
75%
100%
Fonte: do coworkingbrasil.org75% 0% desenvolvido pela autora. 25%Baseado no Censo 2018 50%
100%
LEGENDA Melhorou muito Melhorou 36%
Não mudou
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
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profissionais, além do ambiente ser surpreendente e inspirador.
Gráfico 5 - Índice dos locais de almoço dos usuários
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Ademais, 77% dos usuários notaram melhoria na produtividade do trabalho
O crescimento da comunicação interpessoal e o aumento da qualidade de vida
utilizando esses ambientes (gráfico 9). A empresa Desk Working (2019) relaciona
dos usuários supracitados são valores imensuráveis, no entanto podem ser
esse dado ao design conceitual dos edifícios, que são ergonômicos, confortáveis,
mantidos a longo prazo. Na mesma pesquisa, os usuários falaram sobre os contatos
aconchegantes, à psicologia das cores e materialidades dos espaços, que
que levaram a um novo projeto e a satisfação agregada por esses espaços, mostrado
contribuem para o aumento da qualidade espacial.
no gráfico 11.
1% Gráfico 9 - Aumento da produtividade em espaços coworkings
Gráfico 11 - Relação de respostas de usuários sobre a melhoria da comunicação e satisfação com espaços coworking
27%
33%
35%
J Á F O R A M C O N T R A T A D O25% S P A R A U M P R O J E T O P O R 50% A L G U É M Q U E C O N H E C E U N75% O ESPAÇO 0%
29%
Melhoraram muito Melhoraram
100%
J Á C O N T R A T A R A M U M C25% O L E G A Q U E C O N H E C E U N O50% E S P A Ç O P A R A E X E C U T A R 75% ALGUM PROJETO 0%
Não mudaram
100%
73%
37%
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
D I Z E M Q U E J Á A P R E N D E25% R A M A L G O N O V O C O M A L G50% U É M Q U E C O N H E C E U N O C75% OWORKING 0%
100%
66% Na infraestrutura compartilhada, um dos pontos intangíveis é a ampliação da ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
rede de contatos profissionais (networking), que podem propiciar troca de
N Ã O T R O C A R I A M O C O W25% O R K I N G P O R U M E S C R I T Ó R50% I O T R A D I C I O N A L M E S M O Q75% U E S E J A P O R U M C U S T O 100% 0% IGUAL
experiencias e informações (HUDSON, 2019) e potencializar futuros projetos, mas
99%
esse número pode variar de acordo com o profissional e a sua área de atuação. 72%
D O S E N T R E V I S T A D O S R 25% E C O M E N D A R I A M P A R A U M 50% A M I G O E X P E R I M E N T A R T R75% A B A L H A R D E U M E S P A Ç O 100% 0%
dos coworkers aumentaram a rede de contatos de diversas áreas (Coworking Brasil,
COWORKING
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
Censo 2018), como mostra o gráfico 10.
3% - Networking em espaços coworking Gráfico 10 20%
projeto por alguém que conheceu no espaço, sendo que 29% já contrataram uma pessoa que conheceu nesses locais para executar algum projeto. 73% dos usuários aprenderam algo novo com colegas nesses ambientes. 66% preferem o coworking
42%
LEGENDA Melhoraram muito Melhoraram 35%
Os gráficos indicam que 33% dos entrevistados já foram contratados para um
Não mudaram
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2018 do coworkingbrasil.org
em detrimento de escritórios tradicionais e não realizariam uma mudança mesmo que o custo seja igual. Dos 600 entrevistados, apenas 4 não recomendariam para um amigo experimentar trabalhar em um espaço coworking. (Coworking Brasil, Censo 2018).
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LEGENDA
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2.5 CONFIGURAÇÕES ESPACIAIS
Gráfico 12 - Distribuição de receita Outros 11%
Eventos 7%
A planta conceitual (figura 13) apresenta a divisão espacial dos espaços
Mesas privadas 15%
ambientes da planta representam a média das respostas, portanto não há certeza que
todos
os
espaços
possuem
os
mesmos
ambientes.
As
Salas especiais 11%
mesas
compartilhadas, que representam 27% dos espaços, são posições flexíveis, alugadas por hora/ turno, e mesas privadas (19%) são posições residentes, alugadas mensalmente. As salas privadas podem ser alugadas a qualquer momento e estão presentes em 24% dos coworkings, enquanto 15% apresentam espaços de variam de acordo com as necessidades dos usuários.
Salas de reunião 11%
Mesas compartilhadas 14%
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2016 do coworkingbrasil.org
O gráfico 13 configura a disposição de ambientes em âmbito mais ampliado com relação a espaços que não são unicamente destinados a trabalho, mas também a sociabilização, lazer e descanso.
“Com o tempo o mercado começa a entender aquilo que traz mais resultados para o negócio. Assim, vemos este ano a consolidação de serviços extras, que
Figura 13 - Média dos espaços construídos
27%
MESAS COMPARTILHADAS
19% MESAS PRIVADAS
podem trazer uma renda indireta ao coworking; 78% oferecem endereço
15%
ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA
fiscal, 45% têm comércio de produtos de alimentação e 26% vendem
12%
inclusive bebidas alcoólicas. Sala de reuniões é a campeã em termos de
SALAS ESPECIAIS
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estrutura obrigatória, estado presente em 98% dos espaços”. (Coworking Brasil, Censo 2019).
24% SALAS PRIVADAS
16% SALAS DE REUNIÃO
Gráfico 13 - Distribuição de ambientes
36%
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado no Censo 2016 do coworkingbrasil.org
53%
87% 95%
A pesquisa também analisou a funcionalidade econômica desses negócios em relação a lucratividade dos ambientes supramencionados. As salas privadas geram maior rentabilidade para esses negócios, totalizando 21% da receita gerada por esses edifícios ou espaço, seguida das mesas privadas (15%), mesas compartilhadas (14%), salas de reuniões (11%), salas especiais (11%), escritórios virtuais (10%), eventos (7%) e demais ambientes (11%), como apontado no gráfico 12, de distribuição de receita (Coworking Brasil, Censo 2016).
ACESSÍVEL PARA CADEIRANTES POSSUI BIBLIOTECAS
76%
ARMÁRIO PRIVADO ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA COZINHA OU COPA
98%
SALAS DE REUNIÕES
SERVIÇO DE SECRETARIADO 61% B I C I C L E T Á R I O 48% ESTACIONAMENTO PRÓPRIO 31% 2 4 H O R A S 20% FAZ EVENTOS PARA MEMBROS 58% E S T R U T U R A P A R A C R I A N Ç A S 3% 36% PERMITE ANIMAIS 25% VENDA DE PRODUTOS DE ALIMENTAÇÃO 45% V E N D E B E B I D A A L C O ÓLICA 26%
0% Fonte:
25% 50%Baseado no Censo 75% desenvolvido pela autora. 2019 do 100% coworkingbrasil.org
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conveniência e 12% salas especiais, como salas de projeção e de eventos, mas
Salas privadas 21%
Escritório virtual 10%
segundo os empresários e fundadores (Coworking Brasil, Censo 2016). Os de
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2.6 ORGANIZAÇÃO DE COWORKING EM DIFERENTES ZONAS Figura 14 - Espaços de uso comum no térreo
Giannelli (2016) dentifica três grupos organizacionais, formados a partir das principais características encontradas nesses espaços. Os critérios analisados foram estrutura, mobilidade, tipos de espaço e serviços, enfatizando os diferenciais (arquitetura
e
equipamentos,
despressurização,
lazer
e
networking)
e
a
interferência que o zoneamento tem em suas conformações, sendo elas as zonas residencial, mista e comercial. (GIANNELLI, 2016, p. 81 – p.82).
Fonte: Marcio Giannelli
Os espaços presentes nessa zona são localizados em terrenos e construções totalmente dedicados ao coworking. Para determinar o programa de necessidades, organograma e funcionamento dessa categoria, foi analisado o edifício da empresa Trampolim, localizada na região de Perdizes.
A figura 15 configura a disposição de ambientes em âmbito mais ampliado com relação a espaços que não são unicamente destinados a trabalho, mas também a sociabilização, lazer e descanso.
Esse edifício acomoda duas modalidades: a primeira direcionada a pessoas ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
autônomas e pequenos negócios (dispostas no pavimento térreo) e a segunda é
Figura 15 - Organograma do edifício Trampolim
dedicada a start-ups ou empresas com necessidades de privacidade (ambientes localizados no primeiro pavimento). A organização do térreo é fluida e aberta, com amplas salas de uso coletivo, utilizadas para a demanda de público que trabalha com projetos, plantas e processos manuais (GIANNELLI, 2016, p. 88), como ilustra a figura 14. Nesse piso também estão localizadas as áreas de convivência e de despressurização, que tem por objetivo promover espaços de descanso aos usuários, além de promover a integração e networking.
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado na planta baixa do edifício
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2.6.1 Zona Residencial
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2.6.2 Zona Mista
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Figura 17 - Organograma do Impact HUB Coworking
Os edifícios enquadrados nessa categoria atendem a públicos como empreendedores, consultores, investidores sociais, freelancers, consultores, estudantes, educadores e organizações com foco em realidade sustentável (COWORKING BRASIL, 2016). Esses espaços geralmente possuem uso misto: comércio no térreo (com ou sem conexão com o coworking) e serviços nos pavimentos superiores. Para tanto, foi analisado o Impact HUB Coworking, na
Fonte: desenvolvido pela autora. Baseado na planta baixa do edifício
região da Consolação. O edifício possui parte da programação diferente do citado na zona
2.6.3 Zona Comercial
espaços específicos para essa modalidade (COWORKING BRASIL, 2016). A planta livre dos ambientes favorece a disposição do layout, com espaços de circulação amplos e ilhas centralizadas, como mostra a figura 16.
Esses espaços são projetados como adaptações em edifícios já construídos, usualmente com menor área e, como consequência, menor programa de necessidades. Essa categoria possui layout parecido com o proposto por Taylor, não para uma linha de produção, mas para garantir o maior número de usuários no
ODAZILANOSREP OVITAROPROC OTNEMIVOM :GNIKROWOC
Figura 16 - Área de
espaço e a boa circulação. Como mostra a figura 18 do espaço Pocket Coworking,
spots Impact HUB
as mesas da sala de uso comum são enfileiradas, o que aumenta a possibilidade de divisão do espaço e interação entre os trabalhadores.
Figura 18 - Sala de uso comum
Fonte: Marcio Giannelli
É característico desses espaços áreas integradas e transitação entre os ambientes simplificada, usualmente realizada por corredores, como mostra o organograma da figura 17.
Fonte: Marcio Giannelli
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
residencial; há a promoção de palestras, cursos e workshops, portanto, conta com
CAPÍTULO
LEGISLAÇÃO
3
Normas e Leis que tratam do projeto de arquitetura corporativa Escritório coworking WeWork Paddington - Londres Foto: Office Snapsh
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3.1 NORMA BRASILEIRA 9050 – ACESSIBILIDADE A EDIFICAÇÕES, MOBILIÁRIOS, ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS
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para corredores até de 0,40m de extensão e 0,90m acima disso. 1,50m para uso público e maior que 1,50m para edificações com grande fluxo de pessoas; Portas: mínimo de 0,80m de largura, medida da largura do M.R.;
A Norma Brasileira 9050 (NBR 9050) dispõe sobre a padronização das medidas
Sanitários, banheiros e vestiários: recomenda-se que a distância máxima
para facilitar acessibilidade e integração dos espaços comuns para todas as
percorrida de qualquer ponto da edificação até o sanitário seja de 50m.
pessoas, independentemente de suas particularidades. A norma apresenta, em seus
Edifícios de uso coletivo e privado com áreas de uso comum devem compor 5%
capítulos principais, as medidas padrões estabelecidas para áreas de circulação,
de sanitários acessíveis do total de cada peça sanitária (com no mínimo um
espaços confinados, área de manobra, sinalização, tamanho do corrimão, entre
sanitário);
outros.
Barras de apoio: obrigatória em sanitários acessíveis, devem ser fixadas a uma
As dimensões mínimas das espacialidades determinadas por essa norma e que
Largura para deslocamento em linha reta: 0,90m para uma pessoa em cadeira
Bacia sanitária: devem ser previstas em espaços com no mínimo um M.R. como área de transferência lateral, perpendicular e diagonal;
de rodas, 1,50m a 1,80m para duas e 1,20m a 1,50m para um pedestre e uma pessoa em cadeira de rodas; Área para manobra de cadeiras de rodas sem deslocamento: para rotação de
3.2 NORMA BRASILEIRA 9077 – SAÍDAS DE EMERGÊNCIA EM EDIFÍCIOS
90º espaço livre de 1,20m x 1,20m, para rotação de 180º, medidas mínimas de 1,50m x 1,20m e para rotação de 360º, círculo com diâmetro de 1,50m;
A Norma Brasileira 9077 (NBR 9077) determina parâmetros para
Posicionamento em espaços confinados: o espaço varia de acordo com a área
dimensionamento de saídas de emergência, assim como as medidas mínimas dos
de deslocamento da cadeira de rodas, mas a norma estabelece um tamanho
elementos que as compõem, como a quantidade, dimensões e tipologias de
mínimo do Módulo de Referência (M.R.), de 0,80m x 1,20m;
escadas, dimensões mínimas de vãos e portas, dentre outras. Essa norma
Rota acessível: acessos vinculados através de rotas acessíveis à circulação e
determina, para a composição dessa tipologia projetual:
livres de obstáculos.
OÃÇALSIGEL
Rotas de fuga: na área de resgate, deverá haver 1 M.R. a cada 500 pessoas na
Largura das saídas: deve ser dimensionada de acordo com o fluxo de pessoas. O
lotação. Essa área deve se localizar fora do fluxo principal de circulação, ser
cálculo é realizado através da seguinte equação: N = P x C. Onde N é o número de
ventilada e garantir uma manobra mínima para rotação de 180º;
unidades de passagem e possui o valor fixo de 0,55m. P é a população (a norma,
Rampas: inclinação entre 6,25m e 8,33%, com patamares para descanso de
aplicada a tipologia projetual, determina 1 pessoa por 7m² de área) e C a
1,20m de comprimento (com inclinação máxima de 2% para internas e 3% para
capacidade da unidade de passagem, ou seja, o número de pessoas que passa por
externas), a cada 50m. A largura mínima é de 1,20m, com 1,50m
essa abertura no intervalo de 1 minuto;
recomendável. Deve possuir corrimão, guarda-corpo e guia de balizamento;
Distância máxima percorrida até a saída de emergência: para a tipologia
Corredores: devem ser dimensionados de acordo com o fluxo de pessoas e
corporativa é obrigatória uma distância máxima percorrida de 40m, no caso de 2
livres de obstáculos ou barreiras. As larguras mínimas exigidas são de 0,80m
saídas de emergência, a medida passa a ser de 50m;
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são aplicáveis ao projeto, são:
distância mínima de 40mm da bacia sanitária;
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Tipologia de escada: segundo os parâmetros da norma, o edifício exige 2
Os compartimentos de um edifício corporativo necessitam, de acordo com o
escadas “não enclausuradas”. Essa tipologia se caracteriza pela conexão direta
COE e a Lei Sanitária, as áreas mínimas presentes na tabela 1. As áreas mínimas
com a área interna do edifício, sem a necessidade de porta corta-fogo.
exigidas são iguais, exceto a medida do pé direito, que deverá executado com a maior dimensão exigida.
3.3 CÓDIGO DE OBRAS E EDIFICAÇÕES E LEI SANITÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
3.4 LEI DE PARCELAMENTO, USO E OCUPAÇÃO DO SOLO A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) do município de São
uma lei de caráter complementar, delimitado pelo Plano Diretor da cidade de São
Paulo, enquadra o terreno escolhido para o desenvolvimento do projeto na Zona
Paulo, incorporada com as leis municipais de Uso e Ocupação do Solo,
de Eixo de Estruturação Urbana Proposta (ZEUP). O Plano Diretor Estratégico
Parcelamento do Solo, e Ordenamento do Solo. Sendo assim fundado o Código de
(PDE) prevê a promoção de adensamento construtivo de atividades econômicas e
Obras do município, em que determina diretrizes específicas para ordenação de
serviços públicos, diversificação de atividades e qualificação paisagística de
projeto, execução, manutenção e utilização de obras sendo elas públicas ou
espaços públicos. A LPUOS propõe também dispositivos como fachada ativa,
privadas para seu licenciamento em território municipal.
fruição pública e incentivo a usos mistos, objetivando a melhoria da relação entre
A Lei Sanitária de São Paulo para Edificações (Decreto nº12.342/1978) estipula as dimensões mínimas para compartimentos das diversas tipologias, como construções unifamiliares, hospitais, edifícios corporativos, prisões, entre outros. Essa lei é utilizada como parâmetro de códigos de obras de diversos municípios.
edifícios e áreas públicas. Quando atendidos os requisitos previstos no artigo 83 da Lei nº 16.050, de 31 de julho de 2014 – PDE (após emissão da Ordem de Serviços das obras de infraestruturas do sistema de transporte), a ZEUP passa a recepcionar automaticamente os parâmetros da Zona de Estruturação Urbana (ZEU). A Lei supracitada determina que o terreno objeto deste trabalho, cuja área é de
Tabela 1 – Medidas necessárias para o edifício de acordo com o COE e Lei Sanitária
2.015,00m2, quando localizado na ZEUP, deve atender a Taxa de Ocupação (T.O.) de até 70% da área do lote. Esse índice, quando aplicado ao terreno, resulta na possibilidade de uma área projetada em seu térreo de até 1.410,50m2. O Coeficiente de Aproveitamento Básico (C.A.b) e Máximo (C.A.m), são de 1,0 e 2,0, resultando em 2.015,00m2 e 4.030,00m2, de área máxima construída, respectivamente. A figura compara as diferentes configurações projetuais que podem ser geradas utilizando o T.O. ou C.A. máximos no terreno; o primeiro possibilita um edifício horizontal, que chega ao limite dos recuos frontal, lateral e posterior, enquanto o segundo apresenta a verticalidade da edificação. A
OÃÇALSIGEL
Taxa de Permeabilidade (T.P.) mínima exigida pela lei é de 20% da área total do terreno, ou seja, 403,00m2. Fonte: desenvolvida pela autora. Baseado no COE e Lei Sanitária do Estado de São Paulo
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O Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo (COE) se trata de
CAPÍTULO
ESTUDOS DE CASO Edifício Corujas _ FGMF Transitlager - BIG Stonewall Station - WeWork Edifício Corujas - Área Comum Foto: Rafaela Netto
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4.1 EDIFÍCIO CORUJAS
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O edifício corporativo localizado na Rua Natingui, nº 442, enfrentou problemas na sua implantação. A figura 20 mostra uma imagem aérea do terreno antes de sua
Em 2008 a incorporadora Idea!Zarvos iniciou projetos de transformação urbana
inserção. Nesta figura, é possível ver que houve compra de diversas residências da
na Vila Madalena, construindo 20 edifícios no bairro desde então, com a premissa
quadra. Contudo, um dos proprietários se recusou a vender seu terreno, obrigando
de ser uma parte da comunidade. (SALAMONDE, 2019).
o escritório a encontrar outro método para remediar a situação.
A incorporadora contratou para a criação do projeto o renomado escritório FGMF Arquitetos na região da Vila Madalena; o edifício Corujas foi entregue em 2014 e possui uma área construída de 6.880m2. O gabarito da área permitia uma Figura 20 - Implantação
elevação de 9 metros, levando o escritório a adotar um edifício horizontal, como
proposta em laranja
mostrado na figura 19, com três pavimentos.
Fonte: archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
Figura 21 - Implantação atual do Edifício
OSAC ED SODUTSE
Fonte: archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
Fonte: Google Earth modificado pela autora
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Figura 19 - Perspectiva do Edifício Corujas
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Como pode ser analisado nas figuras 20 e 21, os arquitetos optaram por
possuíam tanta circulação de pessoas. A chegada do edifício corujas contribuiu para
contornar a edificação e, como mostra a figura 22, utilizaram o design e a
essa mudança ativando a vitalidade urbana através da interação e movimentação
comunicação visual para integrar a residência ao projeto de forma criativa ao invés
humana. Houve valorização e maior diversidade econômica. O fundador da
de tentar ocultar sua presença. Foram colocados painéis para respeitar a privacidade
Idea!Zarvos, Otávio Zarvos (2019), contou em uma entrevista à jornalista Patrícia
do morador e desenhos 2D foram feitos para “pintar” as possíveis formas – de
Salamonde que com um maior número de usuários na região, em especial
pessoas e mobiliários – que podem ser encontradas dentro da residência.
empresários e funcionários, os restaurantes passaram a abrir no horário de almoço, destacando isso como uma das melhorias ao bairro.
Figura 22 - Painéis contornam o perímetro da residência
Outra mudança acarretada pela edificação foi o alargamento das calçadas e a integração do edifício com o usuário por meio da permeabilidade visual, um dos comparativo do antes e depois da via), a calçada passou a ter uma paginação nova e não mais inclinada, além de apresentar uma nova configuração da faixa de serviços e arborização da via urbana, um dos motivos para o alargamento da calçada seja perceptível; logradouro do edifício também recebeu um novo recapeamento das vias.
Figura 23 - Rua Natingui em 2010, antes da inserção o edifício
Fonte: archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
OSAC ED SODUTSE
4.1.1 Transformação Do Bairro Além Da Estética Vila Madalena é um bairro boêmio da cidade de São Paulo, todavia o bairro possuía uma grande “vida noturna” em contraponto com a diurna, ou seja, os bares atraiam uma maior movimentação na parte da noite, enquanto a manhã e tarde não
Fonte: Google Maps . Modificado pela autora
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pontos conceituais do FGMF Arquitetos. Como mostrado nas figuras 23 e 24 (um
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Figura 24 - Rua Natingui em 2019, com o edifício à direita
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O projeto de requalificação foi cedido pelo escritório do arquiteto Isay Weinfeld. A figura 26 mostra os elementos inseridos na área. O asfalto deu lugar a degraus com corrimãos, iluminação que leva em consideração a altura das copas das árvores, uma nova paginação de piso de mosaico português, grafite no muro lateral e a remoção do muro da lateral direita, para integrar a travessa à área arborizada.
Figura 26 - Rua Natingui em 2010, antes da inserção o edifício
A construção do Corujas gerou impacto no trânsito, por isso foi cobrada uma taxa ao empreendimento, paga em forma de requalificação da ladeira Tim Maia, localizada a 400 metros do prédio. Na figura 25 é mostrada a ladeira antes dessa requalificação, dita pelos usuários como um local degradado e sem acessibilidade.
Figura 25 - Rua Natingui em 2019, com o edifício à direita
Fonte: Facebook Idea!Zarvos
4.1.2 Análise Projetual OSAC ED SODUTSE
O edifício Corujas possui um programa de necessidades sucinto, dividido em duas edificações e composto por estacionamento, área técnica, 28 escritórios com áreas de 95m2 a 725m2, copas e sanitários, salas de reuniões externas e paisagismo Fonte: https://vejasp.abril.com.br/cidades/travessa-da-vila-madalena-setransforma-apos-reforma/
integrado, com a integração desses dois blocos pelo térreo e passarelas. O programa é facilmente resolvido com a circulação vertical mantida em um bloco rígido, o qual
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Fonte: Google Maps. Modificado pela autora
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possibilita acesso a todos os pavimentos e o ordenamento das salas, que seguem
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Figura 28 - Pavimento Térreo do edifício Corujas
uma configuração padronizada e funcional. Apesar de incentivar o uso de bicicletas, o escritório FGMF projetou um estacionamento no subsolo, junto a área técnica, ambientes como depósitos e área de serviço, como mostrado na figura 27.
Figura 27 - Subsolo do edifício Corujas
Figura 29 - Sala corporativa do edifício Corujas
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
No térreo, mostrado na figura 28, localiza-se o acesso ao edifício e ao café, pela Rua Natingui. As salas corporativas estão distribuídas nas laterais, enquanto os OSAC ED SODUTSE
espaços para coworking estão dispostos entre as salas privativas. Esses espaços, como mostrado na figura 29, possuem uma configuração e disposição do mobiliário mais fluida, reforçando questões como o convívio e interação humana em primeiro plano; em outras palavras, o design possibilita mais formas de desenvolvimento de trabalho além da convencional, utilizada em prédios corporativos modernos, que tendem a segregar seu programa e os usuários.
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
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Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
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A figura 30 captura um dos conceitos trazidos pelo escritório de inclusão da
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Figura 31 - Primeiro pavimento do edifício Corujas
vegetação. Para isso, fez-se o uso de grandes painéis de vidro e brises, voltados para a parte posterior do térreo, a qual possui uma configuração paisagística que busca o conforto térmico desses espaços e a qualidade de trabalho dos usuários. O mobiliário foi colocado para reuniões ao ar livre, conversas e, ao mesmo tempo, para a promoção de áreas de descanso e descompressão. (LIMA, p.27, 2018).
Figura 30 - Área externa do edifício Corujas
Figura 32 - Passarelas de conexão entre os dois volumes
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
O acesso para o primeiro pavimento pode ser feito tanto pelo eixo central de circulação vertical, quanto pelos escritórios térreos do edifício posterior. Como pode OSAC ED SODUTSE
ser mostrado na figura 31, esse pavimento possui a distribuição das salas comerciais semelhante ao térreo. Os arquitetos projetaram jardins privativos para os escritórios desse pavimento, seguindo o conceito aplicado ao térreo. A circulação horizontal é feita através de passarelas e corredores que interligam as salas e os dois edifícios, mostradas na figura 32.
Fonte: https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/fgmf-arquitetos_/edificio-corujas/147
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Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
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O segundo pavimento, mostrado na figura 33, apresenta uma menor quantidade
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Figura 34 - Cobertura do edifício Corujas
de salas do que os demais pavimentos, por consequência, possuem maiores áreas. Nesse pavimento, escadas em caracol foram colocadas, possibilitando o acesso à cobertura e aos tetos jardins privativos. O eixo de circulação vertical, com acesso desde o subsolo, é interrompido nesse andar, sendo as escadas previamente mencionadas a única forma de acesso à cobertura, mostrada na figura 34, impossibilitando uma acessibilidade global.
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
Mesmo na cobertura, os autores do projeto procuraram manter o senso de “comunidade” empregado em todo o edifício, conforme mostra a figura 35. A cobertura possui um sistema de captação de águas pluviais, reutilizada para a refrigeração dos escritórios, funcionando também como um espelho d’água para contemplação, quando cheio. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
OSAC ED SODUTSE
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Figura 33 - Segundo pavimento do edifício Corujas
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Figura 35 - Área de descompressão na cobertura do edifício
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Figura 36 - Cobertura do edifício Corujas
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
Uma estrutura híbrida foi projetada, com pré-moldados de concreto aparente protendido in loco e o segundo pavimento, escadas e passarelas de estrutura metálica aparente. A madeira é colocada principalmente como elemento estético, como mostra a figura 37. Os painéis de vidro inseridos permitem permeabilidade visual e iluminação natural para todos os escritórios, entretanto, todos os sanitários e copas necessitam de iluminação e ventilação mecânicas. Fonte: https://ideazarvos.com.br/empreendimento/corujas/
Figura 37 - Materialidade utilizada no edifício Corujas O corte longitudinal presente na figura 36, mostra os dois volumes e evidencia a composição paisagística e arquitetônica formadas pelos jardins privativos. Além de agregar valor estético ao projeto, essa integração mostra a preocupação do escritório FGMF em como a arquitetura implica na vida dos trabalhadores do Edifício Corujas. Os arquitetos que trabalharam nesse projeto buscaram uma nova visão de edifício corporativo, que difere dos edifícios encontrados ao longo das OSAC ED SODUTSE
Avenidas Paulista e Berrini, visto que foca no bem-estar do usuário, uma quebra do estresse e monotonia cotidiana.
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/787289/edificio-corujas-fgmf-arquitetos
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A materialidade é um fator destaque em diversas obras do FGMF Arquitetos.
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4.2 TRANSITLAGER
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A requalificação realizada na área foi idealizada pelos escritórios Morger Dettli Architects, Müller Sigrist Architects e o escritório paisagista Westpol Landscape e
O renomado escritório dinamarquês BIG (Bjarke Ingels Group) venceu um
teve como objetivo manter os traços industriais característicos da área. O conceito
concurso para renovação e ampliação de um antigo armazém de concreto, vide
utilizado foi o de espaço livre e flexível ao desenvolvimento local. O projeto
figura 38, em Dreispitz, distrito industrial do sul de Basel, Suíça. (JORDANA, 2011).
paisagístico inseriu espelhos d’águas com formato de poças para dias quentes, praças pontuais, denominadas de “filtros verdes” ou “pocket parks”, mostrados na
Figura 3 8- Transitlager antes da renovação e ampliação do BIG
figura 40, com postes de luz, que se assemelham aos guindastes anteriormente presentes na região, além de bicicletários.
Fonte: https://www.batidoc.ch/projet/transitlager-dreispitz/661038
A área foi fechada nos anos 80, entretanto possuía uma rede de trilhos para o transporte das mercadorias dos armazéns e fábricas localizados na área, o qual explica também a disposição dos edifícios de Dreispitz, mostrados no diagrama da figura 39, em vermelho, destaca-se o Transitlager.
Figura 3 9- Diagrama de Dreispitz atualmente
Fonte: https://www.publicspace.org/documents/220568/1055650/25341k184_panel_1.pdf/
OSAC ED SODUTSE
Ademais, abrigos e mobiliários móveis estão dispostos por uma ampla área livre que compõe a praça. Como mostra a figura 41, esses espaços foram criados para a movimentação e permanência de pessoas; diversos festivais e eventos, como cinema ao ar livre, ocorrem anualmente para a reinserção da população em Fonte: https://www.publicspace.org/documents/220568/1055650/25341k184_panel_1.pdf/ Modificado pela autora
Dreispitz. Em dias de eventos, os espelhos d’água são drenados.
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Figura 40 - Áreas arborizadas e poças temporárias
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Figura 41- Integração da população com a praça
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O 2º subsolo, mostrado na figura 42, é acessado apenas pelas escadas e elevadores centrais e possui uma escada de emergência na lateral direita, presente também nos demais pavimentos. Essa área possui um menor comprimento comparado aos demais pavimentos e é utilizada como galpão e área de armazenamento.
Figura 42 - 2º Subsolo do Transitlager
Fonte: HGK FHNW
para a abertura ao público; uma vez concluída essa abertura, os pedestres puderam se apropriar dessa área.
4.2.1 Análise Projetual O edifício original possuía 18.000m2 e, com a ampliação, passou a ter 21.000m2. Alterações também ocorreram na tipologia do antigo armazém, reprogramado para abrigar multifunções, como arte, comércio, trabalho e moradia, atividades que passaram a condizer com o entorno do local, previamente apresentado.
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
No 1º subsolo, mostrado na figura 43, encontra-se o estacionamento de carros e bicicletas. Nas áreas centrais estão os elevadores e escadas, junto a áreas de armazenamento. Nas extremidades a esquerda e direita, estão as escadas de emergência, e os espaços do bicicletário, cuja atual localização faz com que o ciclista precise utilizar o mesmo espaço que automóveis para transição, podendo ocasionar acidentes.
A estrutura do edifício foi mantida, tanto interna quanto externamente. Foram realizadas modificações de esquadrias e com viés estético na fachada, para manter
Figura 43 - 1º Subsolo do Transitlager
a configuração característica do período industrial que a edificação foi construída e utilizada como armazém. OSAC ED SODUTSE
As amplas dimensões do armazém possibilitaram espaços igualmente amplos. O fluxograma presente na imagem, traz os ambientes ordenados a partir do acesso principal, separados por cores de acordo com os diferentes níveis e setas simbolizando os caminhos percorridos pelos usuários. Os fluxos projetados pelo escritório BIG são simples, porém funcionais. A circulação vertical é o centro do projeto e redireciona o usuário às demais localidades.
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
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As mudanças arquitetônicas e paisagísticas estabeleceram uma estratégia
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Devido ao nível do térreo ser maior do que o da rua, o edifício pode ser acessado pelas escadas e rampas presentes em abundância no projeto, como mostra a figura 44. A integração com o entorno é realizada por meio de amplas portas de vidro, que possibilitam permeabilidade visual para o comércio presente nesse pavimento (figura 45). Da esquerda para a direita, são mostrados na planta o restaurante e café e 7 espaços reservados para comércio, presentes na figura 45.
Figura 44 - Térreo do Transtilager
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No 1º pavimento (figura 46), encontram-se 10 escritórios, todos com iluminação e ventilação naturais, sanitários, copas e depósitos. Foram colocadas divisórias móveis para separação dos ambientes internos, além da padronização das salas e do layout. Essa área de trabalho conta com espaços amplos pela retirada de algumas paredes existentes, apontados pelo escritório BIG como uma medida para um interior esparso e com instalações simples.
Figura 46 - 1º Pavimento do Transitlager
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
Figura 45 - Perspectiva frontal do Transtilager Os ateliês e estúdios ocupam a maior parte do 2º pavimento, como mostrado na figura 47, e mais dois apartamentos residenciais na esquerda e um na direita do pavimento. Esses espaços possuem insolação e ventilação naturais, exceto na copa, sanitário e depósito. Alguns ateliês possuem mezanino e pé direito duplo no espaço que precede esse mezanino, produzindo “vazios” no pavimento superior. A circulação vertical central – elevador e escada – permite acesso a quatro ateliês, a lateral esquerda aos dois apartamentos supracitados e mais quatro ateliês e circulação a direita do dormitório OSAC ED SODUTSE
mencionado e mais 4 ateliês. Foram projetados ateliês com três configurações espaciais para atender a diferentes atividades.
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
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Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
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Figura 47 - 2º Pavimento do Transtilager
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O volume adicional projetado pela equipe arquitetônica se inicia no 4º pavimento e as alvenarias e layout são repetidos até o 6º e último pavimento (figura 49). Esse pavimento tipo apresenta nove distintas configurações de habitações, com o objetivo de atender o máximo de perfis de usuários diferentes e garantem iluminação e ventilação naturais em quase todos os ambientes, excetuando-se todos os sanitários. A laje do 3º pavimento foi utilizada para a criação de jardins comuns para os usuários.
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
Figura 49 - 4º ao 6º Pavimentos do Transitlager
que o 3º pavimento, ilustrado na figura 48. Esse nível é o último com a arquitetura original do projeto e abriga unidades residenciais com ambientes padronizados: salas de jantar e estar, cozinha, banheiro e, no máximo, dois dormitórios.
Figura 48 - 3º Pavimento do Transtilager
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
4.2.2 Materialidade A imagem presente na figura 50, mostra o edifício finalizado. O uso do concreto na fachada do antigo edifício se manteve para permanecer a linguagem industrial, porém novos vãos para janelas foram abertos e as esquadrias trocadas por cortinas de vidro com caixilhos pretos, padronizadas para toda essa parte do edifício. Nota-se o diferente OSAC ED SODUTSE
volume criado na ampliação do armazém não só por sua morfologia, mas também pelo Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
uso de uma paleta de cores mais clara e as varandas criadas ao longo do perímetro de todos os pavimentos adicionados à estrutura.
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Os mezaninos dos ateliês previamente mencionados estão no mesmo nível
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Figura 50 - Edifício Transitlager
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Figura 51 - Áreas verdes para convivência
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/800006/projeto-transitlager-do-big-na-suica-pelas-lentesde-laurian-ghinitoiu
últimos pavimentos e o que isso acarretou para as habitações ali presentes: garantia de iluminação e ventilação naturais, uma preocupação dos arquitetos recorrente também nos demais pavimentos. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/800006/projeto-transitlager-do-big-na-suica-pelas-lentes-de-laurianghinitoiu
Um dos pontos com maior relevância dos projetos apresentados pelo escritório
Figura 52 - Iluminação e ventilação naturais no edifício
liderado pelo arquiteto Bjarke Ingels é a conexão criada com o paisagismo. No transitlager, a vegetação está presente ao longo dos acessos no térreo e, como já mencionado, na parte superior do 3º pavimento, criando assim espaços arborizados para contemplação e convivência dos habitantes, combinando “a tranquilidade e o espaço comum do pátio com a luz do sol e vistas panorâmicas da cobertura. Uma OSAC ED SODUTSE
cobertura para o povo.” (INGELS, 201-), como mostrado na figura 51.
Fonte: https://www.dezeen.com/2011/10/26/transitlager-by-big/
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A sequência de imagens apresentadas na figura 52 expõem a rotação feita nos três
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4.3 WEWORK STONEWALL STATION
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Figura 54 - Área comum do WeWork
A startup imobiliária WeWork e a empresa Industrious abriram um espaço coworking de dois pavimentos na 615 S College St, Charllotte – North Carolina. O objetivo é maximizar o uso do espaço através do fornecimento do amplo espaço comum, salas de reuniões e luz natural. O 8º pavimento do edifício (figura 53) possui hall comum de elevadores com acesso para recepção e lounge, utilizado como espaço de espera e de socialização.
Fonte: https://www.wework.com/pt-BR/buildings/615-s-college-st--charlotte
Os setores demarcados na planta baixa com a tonalidade mais escura de azul são compostos de salas de uso comum. Essas salas, mostradas na figura 55, distinguem-se da simples colocação de divisórias (não há paredes, no sentido convencional do termo), as alvenarias de vedação possuem pontos de permeabilidade visual, através de aberturas ou uso de vidro; as mesas, embora do mesmo padrão, diferem-se na tonalidade, o que evita a padronização plena e a dificuldade na diferenciação dos elementos da estrutura social. Figura 55 - Área comum do WeWork
Fonte: https://www.wework.com/pt-BR/buildings/615-s-college-st--charlotte
OSAC ED SODUTSE
O lounge, mostrado na figura 54, possui bar, e diferentes configurações de layout, alternando entre cadeiras, banquetas e sofás, os quais podem ser utilizados unitária ou coletivamente. O lounge se adequa no conceito de espaço semi-flexível sociopeto no estudo proxêmico, aqueles que incitam conversas e interações. Fonte: https://www.wework.com/pt-BR/buildings/615-s-college-st--charlotte
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Figura 53 - Planta baixa do coworking WeWork
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As salas privadas variam entre salas de conferência/reuniões (figura 56), ou
O amarelo, segundo o site Arquitetude (2018), é utilizada em espaços
individuais, utilizadas para que assuntos que mereçam sigilo possam ser
corporativos em objetos pontuais, nesse caso nas poltronas e mesa de
conduzidos de maneira adequada, ou com profissões que necessitem menor
centro, e pode despertar tanto a expressividade da equipe, como também o
poluição sonora e maior concentração; os limites desse espaço são estabelecidos
surgimento de novas ideias e colaboração.
por alvenaria de vedação. Pela disposição dessas salas no ambiente, não há ventilação ou iluminação naturais.
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O WeWork Stonewall Station possui sala bem-estar, espaço que pode ser utilizado como berçário ou meditação, descrita pela equipe projetual como tranquila e com fechadura. Os saguões podem ser transformados em espaços para eventos, o qual possui sistema de som e controle de luzes.
Figura 56 - Planta baixa do coworking WeWork
OSAC ED SODUTSE
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Fonte: https://www.wework.com/pt-BR/buildings/615-s-college-st--charlotte
CAPÍTULO
5
ITAQUERA: URBANIZAÇÃO DISPERSA E FRAGMENTADA O crescimento habitacional, planos e investimentos em equipamentos Vista aérea de Itaquera Foto: Gustavo Frazão
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5.1. CONFORMAÇÃO SOCIOESPACIAL
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Até a metade do século XX, Itaquera era descrita como um bairro que contava com núcleos de formação mais recente, vazios urbanos
O plano federal de globalização suscitou em expansões ferroviárias; Segundo Giesbrecht (2020), Itaquera recebeu uma estação ferroviária, primeiramente
e áreas rurais remanescentes, resultando em uma distribuição populacional desigual, onde a infraestrutura urbana era deficiente, mesmo nas áreas mais antigas da região. (OLIVEIRA, 2017, p. 6).
denominada “São Miguel”, inaugurada entre 1875 e 1877, com a alteração de seu nome para “Itaquera” em 1894. Por consequência dessa implantação, houve uma rápida e desordenada instalação populacional nas proximidades da estação.
Entre as décadas de 1940 e 1950, a crescente urbanização da capital paulista acelerou também a especulação imobiliária das áreas rurais. Há então a produção de loteamentos periféricos, por vezes clandestinos, e larga escala de construções de
em 1915 (GIESBRECHT, 2020), com a comercialização de lotes que utilizavam a
habitações. Este fator foi impulsionado pela grande presença de áreas vazias e a
proximidade com o meio de transporte como artifício de venda, como mostra a
chegada da energia elétrica ao bairro de Itaquera, como mostrado na figura 58, trecho
figura 57, do jornal O Estado de São Paulo.
coletado do jornal O Estado de São Paulo de 04 de abril de 1947, o qual cita a conceção à empresa Light and Power para construção de linhas de transmissão e energia elétrica em Itaquera.
Figura 5 7- Publicação do jornal O Estado de São Paulo de 05/07/1915 Figura 58 - Trecho do jornal de 1947
ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
Fonte: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19470404-22048-nac-0009999-9-not/busca/produ%C3%A7%C3%A3o
Segundo Oliveira (2017, p. 6), o planejamento urbano para a área no Plano Fonte: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19150705-13343-nac-0008999-8-not/busca/pens%C3%B5es
Urbanístico Básico (PUB) e o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), previa o desenvolvimento industrial no extremo leste para evitar a concentração espacial da produção e fomentar a diversificação de atividades. Contudo, ainda de
O aglomerado populacional se expandiu sem infraestrutura adequada para atender às necessidades da região.
acordo com Oliveira (2017, p. 6), o rápido e desordenado povoamento que acometeu a área, levou a reprodução de tipologias do padrão periférico de urbanização.
AREUQATI ME OCIMONOCEOICOS OTNEMIVLOVNESED ED ROTEV OMOC GNIKROWOC ARUTETIUQRA
O crescimento habitacional foi acentuado pelo aumento de trens da estação
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A partir da Lei 4.380/64, fundaram-se o Sistema Financeiro de Habitação
“uma urbanização extensiva e precária, resultante da conjugação negativa de
(SFH) e o Banco Nacional de Habitação (BNH) como tentativa de sanar a carência
três procedimentos da gestão pública: a conivência com a abertura de
de moradias que assolava o país. Obteve-se então, respaldo jurídico para a criação
loteamentos irregulares, a construção de imensos conjuntos habitacionais desconectados da estrutura urbana e a falta de uma política de desenvolvimento
da Companhia de Habitação (COHAB), em 1965, agilizando os processos para
urbano que estimulasse concomitantemente a instalação de atividades
construções habitacionais populares. Na década de 1970 foram construídas as COHABs I e II em Itaquera, em Artur Alvim (ilustrado na figura 59) e José Bonifácio, nos quais Oliveira (2017, p. 7) afirma que “[...] entregou cerca de 116 mil unidades habitacionais, onde residiam mais de 450 mil habitantes em 1999, totalizando 15km2 de área urbanizada pelo
O plano diretor de 1972 estabeleceu incialmente oito zonas e, posteriormente, dezenove. A subprefeitura de Itaquera, assim como a maioria da área urbana do território
do
município
de
São
Paulo,
foi
categorizada
como
Zona
2,
predominantemente residencial e com baixa densidade demográfica. (GIAQUINTO, 2010, p. 81). Segundo Feldman (1996), o zoneamento generalizou a periferia e não levou em consideração as tendências ali existentes ao englobar toda a região em um só
Figura 59- COHAB Itaquera I, atual região de Artur Alvim, década de 1980
zoneamento, adotando um plano para atividades e padrões ocupacionais que, em seguida se consolidou sob condições precárias, o qual mostra o descaso do estado com as zonas periféricas, que assumiram um papel de ‘bairros dormitórios’. Através do BNH ocorreu uma nova dinamização da estruturação viária na Zona Leste com a construção e prolongamento das Avenidas Aricanduva e Jacu-Pêssego,
ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
sendo esta última como proposta de conexão da área leste da capital com o aeroporto de Guarulhos, ABC e Santos, para fomentar o desenvolvimento da produção econômica das áreas com o aumento de fluxo de mercadorias (OLIVEIRA, 2017, p. 8), como é mostrado na figura 60, retirada de um trecho do jornal O Estado de São Paulo, de 12/09/1993. Figura 60 - Transformações no bairro com a construção da Jacu-Pêssego Fonte: PROGRAMA, (2007, p. 16).
Os apartamentos eram destinados às famílias trabalhadoras com renda de até três salários mínimos (FREITAS, 2020, p. 7). Nota-se pela imagem 59 a homogeneidade morfológica do tecido; a tipologia arquitetônica desenvolvida para essas edificações possibilitou uma larga massa migratória para esses conjuntos, porém sem infraestrutura adequada para atender as necessidades da nova população, era, por fim:
Fonte: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19930912-36488-nac-0053cid-c4-2cl/busca/1
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poder público”.
geradoras de emprego renda.” (MEYER, GROSTEIN E BIDERMAN, 2013).
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São fundados a Universidade Unicastelo, o Complexo Shopping Aricanduva, o
manutenção de empregos locais, para os setores de serviço, imobiliário e hotelaria. O
Serviço Social do Comércio (SESC) e Faculdade Santa Marcelina ao longo da década
programa sofreu alterações e, em 2011, subsidiou a Lei nº15.931/ 11, que concedeu
de 1990. Todavia, as transformações com os investimentos públicos e privados não
incentivos fiscais para a construção do Estádio Itaquera.
conseguiram reverter o quadro de precariedade já instalada no local. Oliveira (2017, p. 8) afirma que “equipamentos para saúde, educação, lazer e cultura não receberam prioridade de implantação neste território, coibindo sua qualificação e reforçando as precariedades existentes.”, um cenário pouco atrativo para investimentos privados na região.
Sob a gestão do então prefeito Fernando Haddad, o Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 é promulgado com estratégias de ordenamento territorial em âmbitos social, ambiental, imobiliário, econômico e cultural. O plano definiu macrozonas e macroáreas e redes de estruturação e transformação urbana, compostas pelos seguintes estruturadores: Macroárea de Estruturação Metropolitana (MEM), rede estrutural de transporte coletivo, rede hídrica e ambiental e rede de estruturação local. As
durante o governo de Marta Suplicy (2001 – 2004), com ênfase à iniciativa privada
transformações socio-territoriais propostas através de incentivos fiscais do PDE de
como “[...] financiador da urbanização e transformações dos espaços públicos, capaz
2002 são mantidas no plano de 2014.
[...] de distribuir de maneira mais equitativa as empresas no território urbano e reduzir as desigualdades territoriais.” (OLIVEIRA, 2017, p. 11). A Macroárea de Reestruturação e Requalificação Urbana (MRRU) recebe destaque na estratégia desenvolvida no período supracitado para a qualificação do espaço urbano de Itaquera; Dentre os instrumentos de intervenção urbana previstos, ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
destacam-se: a Operação Urbana Consorciada Rio Verde-Jacú (OUCRVJ); Criação da Área de Intervenção Urbana - Projeto Estratégico do Programa de Desenvolvimento Econômico Leste (AIU-PRODEL); e o Programa de Incentivos Seletivos para a área leste do Município de São Paulo (Lei nº13.833/2004). A reestruturação pretendida com os planos empregados pelo governo, buscava
Fernando Haddad assinou a Lei nº 15.931/ 2013, a qual criou o “Programa de Incentivos Fiscais para Prestadores de Serviços na região da Zona Leste de São Paulo”. Dentre os benefícios do programa, encontram-se a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), do Imposto sobre “Inter-Vivos” de Bens Móveis (ITBI-IV) e do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS) para empresas de serviços de informática, saúde, educação, ensino e treinamento, hospedagem, call center e telemarketing. (OLIVEIRA, 2017, p. 13-14). Em 2007, o setor privado lança o Shopping Itaquera, integrado ao Poupatempo, e que abriu suas portas com 200 lojas e 8 salas de cinema, passando por reforma em 2017, a qual implementou mais 150 novas lojas.
expandir a infraestrutura para condições tanto de moradia quanto de qualidade territorial para atender as demandas com a implantação de novas empresas, que, por conseguinte, geraria mais empregos. Contudo, esse plano foi adotado em diversas
5.2 IMPLANTAÇÃO E ARTICULAÇÕES DE NOVOS EIXOS VIÁRIOS
localidades do município, fator que mostra a falta de conhecimento não só das características regionais, como também do setor privado, que não demonstrou interesse de investimento com os planos apresentados. Em 2004 o Programa de Incentivos Seletivos foi implementado, com a concessão de incentivos fiscais para investimentos empresariais que envolvessem a geração e
Objetivando uma mudança do eixo viário para a ligação entre zonas centrais e periféricas, foi idealizado o Plano de Avenidas, o qual
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A região passa a receber destaque com os planejamentos municipais apresentados
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“[...] propunha mudar o sistema de circulação da cidade abrindo uma
em 2000. Era previsto também um conjunto de escolas técnicas (FATEC, ETEC e
série de avenidas partindo do centro até os subúrbios. Ele exigiu
SENAI) – com a intenção de incentivar pequenas empresas que queriam se firmar na
uma considerável demolição e remodelação da região central, cuja
região –, um pavilhão de exposições, centro de convenções, hotel, o Parque Linear Rio
zona
comercial
foi
reformulada
e
aumentada,
estimulando
a
especulação imobiliária. [...] O lançamento de um sistema de ônibus
Verde, o Estádio do Corinthians, a obra social Dom Bosco e o Batalhão da Polícia
associado à progressiva abertura das novas avenidas, possibilitou a
Militar. Contudo, a maior parte dos equipamentos só foram viabilizados em 2011, ano
expansão da cidade em direção a periferia.” (CALDEIRA, 2003, p.
em que foi anunciado o Brasil como país sede da Copa do Mundo FIFA de 2014. Os
216-217).
equipamentos citados estão presentes e apontados na figura 61.
Presente na proposta de estruturação viária do PUB de 1967, entretanto, com obras efetivadas apenas em 1990, a Avenida Jacu-Pêssego é parte do projeto de
Figura 59 - Projeto Polo Institucional Itaquera - Plano Geral
embrião para futuros projetos de dinamização das atividades econômicas da zona leste (SCHEVZ e ZMITROWICZ, 2003, p.1), com o prolongamento e alargamento gradativo, chegando ao Rio Alto Tietê em 1996, à Rodovia Airton Senna em 2004 e, por fim, em 2011 alcançou o tramo sul do Rodoanel Mário Covas, com obras entregues em 2015. O prolongamento da Avenida Radial Leste, previsto no PDE de 2002, foi ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
entregue em 2004, instituindo um importante eixo de ligação da circulação lesteoeste da cidade; fato que atribui à avenida “caráter de centralidade linear, reforçado no plano de 2014, [...] que visa o desenvolvimento econômico da região” (OLIVEIRA, 2017, p. 14). Após as obras, Itaquera apresentou uma intensa transformação, induzindo o processo de verticalização e de galpões comerciais (SCHEVZ e ZMITROWICZ, 2003, p.15).
Fonte: https://slideplayer.com.br/amp/3046819/
Em um trabalho conjunto entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e a Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e
Atualmente (2021), os principais deslocamentos são feitos através das avenidas
Empreendedorismo (SDTE), os investimentos no Polo Institucional de Itaquera
Jacu-Pêssego e Radial Leste, tanto por transporte privado quanto coletivo. Itaquera
foram concebidos, transformando o entorno direto do metrô Corinthians-Itaquera
possui também duas linhas férreas para transporte populacional, a Linha 3 Vermelha do
com propostas de dinamização economica e capacitação profissional, tentendo a
Metrô, que possui uma entrada de passageiros em dias úteis por média de 91 mil
gerar novas fontes de emprego, educação e pesquisa. (OLIVEIRA, 2017, p. 15).
pessoas, e a Linha 11 Coral da CPTM, que possui entrada média de passageiros diários
Dentro das propostas estabelecidas no Programa, o Poupatempo foi inaugurado
de 25,5 mil pessoas, segundo os dados disponibilizados pelo Metrô SP e CPTM.
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conexão entre o aeroporto de Cumbica e o porto de Santos, despontando como
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5.3 MUDANÇAS SOCIO-TERRITORIAIS PROPICIADAS PELA ARENA CORINTHIANS
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96
Figura 63 - Intervenções propostas em 2008 para o sistema viário da área
O Brasil como sede da Copa de 2014 propiciou transformações na estrutura urbana de Itaquera, decorrente da construção da Arena Corinthians, um dos estádios que receberam os jogos de futebol das diversas seleções que participaram do evento. Essas transformações estabeleceram um conjunto de iniciativas de reforma urbana, que alteraram em um curto espaço de tempo a malha urbana e a quantidade de serviços oferecidos para atender à demanda, com investimentos público-privado na rede de transportes e hoteleira da região.
desse tipo de deslocamento do público da Copa e, posteriormente, dos moradores e usuários da região. As figuras (62 e 63, respectivamente) mostram um comparativo com a região antes do início das obras de ampliação e construção. Na primeira, localizam-se os equipamentos urbanos anteriormente mencionados e, na
Fonte: https://desenvolveitaquera.com.br/2017/02/05/spobras-desconhece-binario/
segunda, o complexo viário proposto em 2008 para o Polo Itaquera. ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
As obras viárias apontadas na imagem são: nova avenida de ligação entre as Avenidas Norte-Sul (Av. Itaquera) e Miguel Inácio Cury (atualmente denominada Av. Jean Khoury Farah), nova via de conexão entre a previamente mencionada Av. Jean K.
Figura 62 - Local antes da implantação
da
Farah e Avenida Radial Leste, juntamente com o Viaduto Milton Leão para a
Arena
transposição da Radial e subsequente acesso à Avenida Águia de Haia e adequação
Corinthians
viária da Radial Leste nas proximidades da estação Corinthians-Itaquera, com a implantação de uma via expressa em mergulho.
5.4 DESLOCAMENTOS PENDULARES Os deslocamentos pendulares surgem como produto da heterogeneidade espacial e desigualdades sociais nas regiões periféricas. Entende-se como movimentos pendulares os “[...] deslocamentos diários realizados pela população ocupada Fonte: https://www.esportividade.com.br/confira-como-estao-as-obrasno-entorno-da-arena-corinthians/
residente na Região Metropolitana de São Paulo, entre o município da moradia e o de trabalho.” (ANTICO, 2004, p.1). Essa região é marcada pela constituição de espaços
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Obras no sistema viário foram efetuadas com o objetivo de suprir a necessidade
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espaços fragmentados e relacionada a espacialização das atividades econômicas,
PÁGINA
Gráfico 14 - Trabalhadores que gastam mais de 1 hora no deslocamento diário casatrabalho
que refletem na relação habitar-trabalhar da população. O contexto desse deslocamento, segundo Antico (2004, p.4), deve-se a duas questões; a primeira é relativa à mudança das atividades econômicas de industrial para o aumento e diversificação de atividades terciárias. A segunda está
98
36,1%
José Bonifácio Itaquera
27,3%
Parque do Carmo
27,0%
relacionada ao parcelamento e ocupação do solo, especulação imobiliária e políticas públicas, a qual se encontra atrelada à falta de alternativas habitacionais acessíveis para grupos sociais economicamente segregados. A mobilidade pendular, segundo Aranha (2005, p. 96), mensura também as processos de metropolização/ periferização da região metropolitana de SP. Esses
0
10
20
30
40
Fonte: elaborado pela autora com base no Censo 2010 do IBGE
processos são apontados pois nas zonas caracterizadas como “dormitórios”, como é o caso de Itaquera, há uma mobilidade mais intensa da População Economicamente Ativa (PEA), fato atrelado a elevada concentração urbana presente nos bairros da zona leste. Quando aplicado à Itaquera, o conhecimento dos movimentos pendulares ADATNEMGARF E ASREPSID OÃÇAZINABRU :AREUQATI
facilita o entendimento do fluxo diário populacional não só para o trabalho, mas também para equipamentos de serviços públicos, presentes em menor quantidade nas regiões periféricas, quando comparados às centrais. Esses aspectos devem ser considerados na dinâmica urbana metropolitana consolidada. De acordo com Maragno (2019, p. 32), a alocação centralizada dos equipamentos urbanos e dos principais eixos de trabalho e serviço assumem caráter discriminatório e obriga a população aos longos e cansativos deslocamentos diários para esses locais, sobrecarregando os sistemas de transporte público e congestionamento das principais vias estruturais da cidade. O gráfico 14 mostra a relação de trabalhadores que gastam mais de 1 hora no deslocamento residência-trabalho, separados pelo distrito da subprefeitura de Itaquera, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde todos apresentam um percentual maior que 20% do deslocamento dessa população diariamente.
“O deslocar-se cotidianamente para o trabalho, num dado fluxo que leva o percurso periferia-centro é desgastar-se fisicamente e mentalmente, fato que não acontece com quem mora perto do trabalho, o que leva ao cidadão a ganhar tempo e qualidade de vida”. (SANTOS, 2012, p.143).
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oportunidades e/ou obstáculos presentes nas grandes cidades e vincula-os com os
23,5%
Cidade Líder
CAPÍTULO
6
CONDICIONANTES AMBIENTAIS
Estudo do entorno e local de implantação do edifício coworking Escritório coworking WeWork Detroid Foto: Michele e Chris Gerard
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6.1 HIDROGRAFIA
Figura 64 - Mapa de Hidrografia
Elaborado
pela
autora.
Baseado nas imagens de satélite
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
do Google Earth
O córrego do Rio Verde, destacado na figura 64, faz parte da bacia hidrográfica
Parte do córrego se encontra aberto, embora alguns trechos tenham sido
do córrego Jacu, sub-bacia do Rio Verde e possui desde a sua nascente, localizada
canalizados/ retificados e/ ou tamponados, contudo, como pode ser observado na
no Parque do Carmo, com extensão aproximada de 4,5km.
figura 65, a área aberta se encontra poluída, devido à ausência da rede coletora de esgoto em uma área densamente ocupada.
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Fonte:
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Figura 65 - Córrego Rio Verde e Comunidade da Paz nas margens
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6.2 ARBORIZAÇÃO A subprefeitura de Itaquera engloba em sua área o Parque Olavo Egydio Setúbal, comumente conhecido como Parque do Carmo (figura 66), que conta com uma área verde de aproximadamente 1.500.000m2, um dos maiores do estado de São Paulo; outro parque presente na área é o Raul Seixas, com aproximadamente 33.500m2. Esses números contribuem para a taxa de área verde por habitante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o mínimo de 12m2 de área verde por habitante, mas idealiza 36m2; em 2017 Itaquera possuía 12,42m2 por habitante, encontrando-se dentro do mínimo estipulado pela OMS, porém abaixo do que é considerado ideal para
Fonte: https://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/10/25/favela-vizinha-a-estadio-selanome-itaquerao-e-se-ve-incluida-na-copa.htm
Figura 66 - Arborização do Parque do Carmo
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
Fonte: https://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/10/25/favela-vizinha-a-estadio-selanome-itaquerao-e-se-ve-incluida-na-copa.htm
O mapa, ilustrado na figura 65 apresenta a quantidade de vegetação em um raio aproximado de 1,5km do terreno escolhido.
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a melhor qualidade de vida populacional.
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Figura 67 - Mapa de Arborização
Elaborado
pela
autora.
Baseado nas imagens de satélite do Google Earth
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
O mapa, ilustrado na figura 67 apresenta a quantidade de vegetação em um raio aproximado de 1,5km do terreno escolhido.
“As árvores urbanas contribuem para a boa qualidade de vida nas cidades, por meio de inúmeros serviços ou processos ecológicos, destacando-se os seguintes: redução da poluição do ar, interceptação da água de chuva, sombreamento e
A área analisada possui maior arborização junto a hidrografia, a vegetação remanescente (que sofre pressão de ocupações urbanas altamente precárias), com pouca área verde nas vias. A média de arborização viária da cidade de São Paulo em 2017 era de 18.138,50 espécies; Itaquera se manteve acima da média, com 25.527 árvores contabilizadas, em 10º lugar na classificação por subprefeituras.
estabilização da temperatura, redução do ruído e promoção de melhorias no bem-estar psicológico e físico”. (NICODEMO, PRIMAVESI, 2009, p. 9).
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Fonte:
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A fim de melhorar a arborização na cidade de São Paulo, a prefeitura
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Figura 68- Parque Linear do rio Verde-Jacu
desenvolveu o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), estabelecido como ação prioritária no Art. 288 do PDE de 2014. O PMAU é uma ferramenta que define o planejamento e gestão da arborização do município, e tem como objetivo considerar premissas ecológicas e de cidade inteligente para melhorar a resiliência da cidade às mudanças climáticas, qualificar a paisagem e atender às necessidades da população. Baseia-se no planejamento e ações participativas. O plano de gestão urbana da subprefeitura de Itaquera destaca no caderno de propostas dos planos regionais das subprefeituras a importância da Fonte: https://www.encontraitaquera.com.br/sobre/parque-linear-itaquera/
urbano, a recuperação e conservação de nascentes de cursos d’água, de cobertura vegetal bem como aquelas mais específicas voltadas à preservação dos remanescentes de Mata Atlântica do território”. (SUBPREFEITURA ITAQUERA, 2019).
Figura 69- Perspectiva aérea parque linear Rio Verde-Jacu
Como tentativa de recuperação do rio Verde-Jacu e da mata ciliar, foi criada a Operação Urbana Consociada Rio Verde-Jacu, em 2004, cuja finalidade é de promover transformações urbanísticas, sociais e ambientais; a operação é parte integrante do projeto de desenvolvimento da Zona Leste, o qual compõe em suas diretrizes criar condições para atração de investimentos econômicos e incentivar serviços, gerando condições futuras para atrair o interesse do mercado imobiliário.
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Uma das propostas da operação foi a construção do Parque Linear do Córrego do Rio Verde, cuja primeira fase já foi entregue (figuras 68 e 69), com o propósito de recuperar a vegetação ciliar nas margens do rio, contribuindo para a drenagem urbana e a garantia da preservação da área.
Fonte: https://docplayer.com.br/129736963-Marcella-carmona-wahl-rontani-migliacci.html
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“implementação de políticas públicas voltadas para a requalificação do tecido
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6.3 MORADIAS IRREGULARES
Figura
70 - Mapa de Moradias
Irregulares/ Comunidades
Elaborado
pela
autora.
Baseado nas imagens de satélite
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
do Google Earth
A Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis estima que em 2017 Itaquera contava com aproximadamente 155.863 domicílios, sendo que 11.593 eram as residências em favelas, ou seja, 7,44% do total. As comunidades presentes no entorno do terreno estão demarcadas na figura 70 em vermelho sendo a maior delas a Comunidade da Paz.
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Fonte:
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O caderno de propostas da subprefeitura de Itaquera aponta como diretrizes
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Figura 71 - Comunidade da Paz ao longo do córrego do Rio Verde-Jacu
para essas moradias “Compatibilizar o atendimento habitacional para famílias em situações precárias de moradia, de acordo com o Plano Municipal de Habitação; e promover a regularização fundiária e urbanística de usos residenciais e não residenciais, com provisão de infraestrutura adequada.” (SUBPREFEITURA DE ITAQUERA, 2019, p. 14).
Porém, para a implantação da segunda fase do parque linear, é prevista a remoção das famílias residentes desses espaços (figuras 71 e 72), sem garantias
“Os primeiros barracos da Favela da Paz foram construídos em 1991 terreno de propriedade da COHAB-SP, encravado entre o viaduto que liga o pátio de manobras do metrô à estação Corinthians-Itaquera e o Rio Verde.
Fonte: http://www.gazetavirtual.com.br/itaquera-ajuda-a-comunidade-e-incerta/
Atualmente estima-se que 300 famílias vivam no local, em condições gerais de alta precariedade urbana e habitacional: acesso por becos e vielas, abastecimento de água e de energia elétrica improvisados, sem rede de coleta de esgoto. [...] Ao longo desses mais de vinte anos de existência, a
Figura 72 - Comunidade da Paz
comunidade não foi incluída em nenhum processo de urbanização e jamais recebeu qualquer tipo de assistência por parte do poder público. No contexto de intervenção urbana na região, a ameaça mais direta de remoção passa pela implantação do Parque Linear do Rio Verde. As obras do Parque estão praticamente à porta da favela e o projeto apresentado pelos órgãos
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
públicos até aquele momento mostrava que a área seria removida integralmente e incorporada ao parque, que seguiria sobre outras comunidades implantadas nas margens do rio.” (COSTA e SOUZA, 2014)
Fonte: http://www.gazetavirtual.com.br/itaquera-ajuda-a-comunidade-e-incerta/
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expressas de novas oportunidades de moradia.
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6.4 USO DO SOLO
Figura
73 - Mapa de Moradias
Irregulares/ Comunidades
Elaborado
pela
autora.
Baseado nas imagens de satélite
SIATNEIBMA SETNANOICIDNOC
do Google Earth
Itaquera permanece com alto índice de habitações em detrimento a serviço e
As edificações com maiores áreas estão presentes no polo institucional,
comércio. A diferença é visível na figura 73, onde as edificações em azul
contudo, há disposição dessas tipologias por toda a extensão da Avenida Líder e
representam os serviços da região e vermelho o comércio.
Avenida Harry Dannemberg, que geram maior fluxo de veículos.
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Fonte:
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É perceptível a deficiência de serviços e comércios oferecidos na região analisada, compostos em sua maioria por igrejas, serviços automotivos e bares , e dispostos em sua maioria em vias locais, como mostrado na figura 74 A proposta da subprefeitura de Itaquera, baseada no Plano Diretor da cidade de São Paulo é de qualificar e fortalecer as centralidades existentes no território, a fim de estimular e dinamizar os usos não residências, induzindo o desenvolvimento local a partir das vocações regionais, para que assim haja incentivo ao convívio e permanência nos espaços onde há mais oferta de comércio e serviços.
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Fonte: Google Maps
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Figura 74 - Igreja na Rua Assapaba (via local)
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6.5 ANÁLISE MICRO AMBIENTAL
Figura
75 - Análise
do terreno e entorno
O terreno está localizado na Avenida Itaquera, uma das vias de maior concentração de fluxo de automóveis. Atualmente há uma empresa de locação de caçambas (ITA Entulho) conforme mostrado na figura 76, que estrutura efêmera, com tendas de fácil remoção. O terreno possui área livre de 14.152,05m2, porém área vegetativa 4.691,47m2, conforme demarcado e apresentado na figura 75. O córrego do Rio-Verde faz divisa com o terreno, portanto há a necessidade de manter um recuo de 15m a partir de ambas as bordas do rio, que se refere à APP, ou seja, onde a intervenção é restrita. Do lado oposto
Fonte: Elaborado pela autora. Baseado nas imagens de satélite do Google Earth
ao rio se encontra a comunidade da Paz. O bairro de Itaquera, localizado na zona leste de São Paulo, está inserido Figura 76 - Imagem frontal do terreno
na Zona Bioclimática 3, de acordo com o projeto 15220-3/ 2003 de desempenho térmico das edificações, o qual determina o zoneamento bioclimático e diretrizes construtivas das edificações. As diretrizes
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construtivas para essa zona indicam aberturas médias para ventilação, junto ao sombreamento delas, de modo a permitir a entrada do sol durante o inverno e têm como estratégias de condicionamento térmico
passivo
ventilação cruzada para o verão e aquecimento solar da edificação e vedações internas pesadas (inércia térmica) para o inverno. A direção média horária predominante do vento em São Paulo varia durante o ano. Como mostra o gráfico, o vento mais frequente advém do Fonte: Google Maps
leste, durante 10 meses (WEATHER SPARK).
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deverá ser realocada em terrenos livres da região. A empresa possui
CAPÍTULO
7
ESQUEMAS ESTRUTURANTES
Espaços de empreendimento e convivência com variedade e flexibilidade. Escritório coworking WeWork Detroid Foto: Michele e Chris Gerard
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O edifício coworking contará com o programa de necessidades disposto no organograma da figura 77. Os escritórios e espaço coworking serão compartilhados e os escritórios privativos serão salas que poderão ser alugadas
Figura 77 - Organograma Coworking
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SETNARUTURTSE SAMEUQSE
Fonte: Elaborado pela autora.
CAPÍTULO
8
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Escritório coworking WeWork Foto: Divulgação/WeWork
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Conforme a análise apresentada, os edifícios e espaços coworking se
A Prefeitura de São Paulo dispõe do Programa de Incentivos Fiscais para
transformaram, gradativamente, em opções viáveis devido ao seu custo
prestadores de serviços em região da Zona Leste de São Paulo, portanto,
benefício. Os usuários podem utilizar a infraestrutura local, expandir seu
com o intuito de suprir a escassa demanda de espaços de serviços em
networking e trabalhar em ambientes projetados para cada tipo de usuário,
Itaquera e agregar qualidade de vida e interação social, a proposta projetual
tendo em vista que o perfil de trabalho e o objetivo no uso desse espaço é
engloba um edifício com o térreo comercial e parcialmente livre,
variável.
contribuindo para a fruição de quadra e o uso do espaço não só pelos
Devido à pandemia de Covid-19, essa tipologia foi altamente procurada. Funcionários em home office passaram a procurar para gerenciamento de projetos e tempo, manter o foco e a qualidade do trabalho, além da ergonomia propiciada pelos edifícios coworking. A alta taxa de devolução de pelos espaços, devido, principalmente, à facilidade ao não precisar de contrato. O crescimento desordenado de Itaquera ocorre desde a segunda metade do século XIX, junto com a implantação da ferrovia e, ao longo dos anos, houve uma consolidação sob condições precárias de urbanização, com planejamento econômico pensado na escala metropolitana e poucas articulações para o desenvolvimento da subprefeitura. A maioria dos moradores da região se desloca diariamente ao centro para trabalhar. Para 27% dos paulistanos, esse deslocamento diário leva mais de duas horas. A Zona Leste apresenta poucos postos de trabalho e uma elevada população. O terreno de inserção do edifício Coworking é abraçado pela Avenida Itaquera, importante via de conexão das Avenidas Jacu-Pêssego e SIANIF SEÕÇAREDISNOC
Aricanduva. Ademais, há a infraestrutura gerada pelos equipamentos de transporte público: metrô e trêm, além do terminal de ônibus. Os usuários do edifício serão do esntorno e de bairros próximos, além dos estudantes do Polo Institucional: Senai, SENAC, FATEC e ETEC.
usuários do edifício, como também pelos moradores do entorno, como uma forma de promover a dinamização urbana no local e tornar o terreno, dentro de seus limites, um espaço democrático e de apropriação pública. Objetiva-se, com isso a transformação gradativa, do entorno, como ocorreu no estudo de caso do edifício Corujas, na Vila Mariana. A influência gerada pelo edifício procura atuar como vetor de ruptura de um bairro atualmente considerado como "dormitório", para que seja auto suficiente, com a ampliação da oferta de oportunidades de trabalho e a redução do deslocamento entre moradia e trabalho, além de promover a urbanização.
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salas comerciais também foi um fator que auxiliou na demanda de procura
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CAPÍTULO
9
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Escritório coworking Naplab (Bangcoc, Tailândia) Fonte: Beer or Coffee
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