Pocket Parks: Pequenos Espaços para o Verde

Page 1

UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

POCKET PARKS:

PEQUENOS ESPAÇOS PARA O VERDE MATHEUS JORDÃO DAVID SILVA

Santos - SP Dezembro / 2019


UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

BANCA EXAMINADORA __________________________________ Arq. Me. Prof. Pierre França Corrêa ORIENTADOR __________________________________ Arq. Ma. Prof.(a) Marina Ferrari de Barros PROFESSORA CONVIDADA __________________________________ Fernanda Faria Meneghello ARQUITETA CONVIDADA

Data da aprovação: ___/____/____. Nota: _________________

POCKET PARKS PEQUENOS ESPAÇOS PARA O VERDE

MATHEUS JORDÃO DAVID SILVA

Trabalho Final de Graduação apresentado como exigência parcial para a obtenção do Título de Bacharel à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Cecília sob orientação do Arq. Mr. Prof. Pierre França Corrêa.

Santos - SP Dezembro / 2019


AGRADECIMENTOS Agradeço inicialmente a minha família e amigos que me acolheram e me deram forças em momentos difíceis ao decorrer do ano, não deixando que o meu sorriso desaparecesse do rosto. Ao meu professor orientador Arquiteto Mr. Pierre França Corrêa por me proporcionar auxílio e apoio e por suas correções para a realização deste trabalho com o tema que apadrinhou com muito gosto. Agradeço a todos os professores aos quais sem nominar terão meus eternos agradecimentos, pois enriqueceram não apenas o meu conhecimento sobre Arquitetura e Urbanismo, mas que influenciaram minha formação, caráter e honestidade profissional. Estes maravilhosos tutores terão eternamente a minha gratidão e o meu carinho.

DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos que me acompanharam e me apoiaram nestes seis anos de Faculdade, sejam eles família, namorada, amigos e professores, cada qual com sua parcela de incentivo a fim de me verem concluir mais este ciclo que a vida colocou em meu caminho.

À instituição de ensino Universidade Santa Cecília (UNISANTA), seu corpo docente, direção e administração que oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior. Agradeço ao ambiente criativo que me proporcionaram e aos instrumentos para a minha qualificação profissional, incluindo o aproveitamento do Convênio com a Universidade de Coimbra (UC) para o Intercâmbio de Alunos, no qual permaneci e usufrui de instalações acadêmicas diferenciadas no período de um ano. Quero que saibam que todos foram de extrema importância para a conclusão do meu trabalho e minha formação.


RESUMO Os problemas ambientais ocasionados pela urbanização desenfreada e pela carência de espaços públicos vegetados transformaram a qualidade de vida nos núcleos urbanos, sobretudo no século XX. A falta de áreas verdes, como as praças e os parques públicos, em regiões extremamente consolidadas e verticalizadas permitiram o surgimento de problemas ambientais como ilhas de calor. No Brasil, esse cenário não foi diferente. A negligência com o bem estar público nas cidades brasileiras é de fato preocupante. Através de pesquisa bibliográfica, normatizações, estudos de caso e levantamento de informações in loco, o presente trabalho pretende inserir na região do Gonzaga, bairro com alta densidade demográfica do Município de Santos, São Paulo, um Pocket Park, a fim de criar uma área de respiro na adensada centralidade santista. Com o objetivo de aproveitar pequenos vazios urbanos, o Pocket engloba os elementos de um parque convencional em um lote, podendo contar com o capital da iniciativa privada através da realização de uma parceria público privada. Assim, pretende-se demonstrar a possibilidade de melhoria da qualidade de vida dos munícipes, além de apresentar uma “nova tipologia” de parque público como um refúgio verde para regiões adensadas das metrópoles brasileiras.

Palavras-chave: Pocket Park; Problemas Ambientais; Áreas Verdes; Parques Públicos; Região Consolidada.


ABSTRACT The environmental problems caused by rampant urbanization and the lack of vegetated public spaces have transformed quality of life in urban nuclei, especially in the 20th century. The lack of green areas, such as squares and public parks, in extremely consolidated and vertical regions have allowed the emergence of environmental problems such as heat islands. In Brazil, this scenario was no different. Neglect with public well-being in Brazilian cities is indeed worrisome. Through bibliographic research, standardizations, case studies and on-site information gathering, this work intends to insert in the Gonzaga region, a neighborhood with high demographic density in the municipality of Santos, São Paulo, a Pocket Park, in order to create a breathing area in the dense Santos centrality. In order to take advantage of small urban voids, the Pocket encompasses the elements of a conventional park in a lot, with the capital of the private sector through the realization of a private public partnership. Thus, it is intended to demonstrate the possibility of improving the quality of life of citizens, in addition to presenting a “new typology” of Public Park as a green refuge for dense regions of Brazilian metropolises.

Keywords: Pocket Park; Environmental Problems; Green Areas; Public Parks; Consolidated Region.


LISTAS LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 12 Vasos de Flores Dispostos ao Redor das Árvores. (LIANG, Jinjiang)

57

Figura 13 Foto da Queda D’Água. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES)

58

Figura 14 Representação 3d da Cascata. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

58

Figura 1 Cidade de Boston, Massachusetts, EUA (JOHNSON, Roy)

31

Figura 15 Representação 3d da Hera Inglesa. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

58

Figura 2 Representação do Projeto completo de Frederick Olmsted: Emerald Necklace (Emerald Necklace Conservancy e National Park Service)

35

Figura 16 Foto da Integração do Paley com a Avenida. (LIANG, Jinjiang)

59

60

Figura 3 Antes Intervenção Urbana Temporária em Santana, Bairro da Zona Norte de SP. (MORIYAMA, Victor)

39

Figura 17 Cadeiras Bertoia e Mesas Saarinen. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES)

60

Figura 4 Depois Intervenção Urbana Temporária em Santana, Bairro da Zona Norte de SP - As esquinas das ruas Dr. César e Salete, da Voluntários da Pátria e da Leite de Moraes receberam pinturas temporárias. (MORIYAMA, Victor)

39

Figura 18 Representação do Mobiliário. (BLOG ARQUITETURA FALADA) Figura 19 Representação 3d do Piso Granítico Polido. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

60

Figura 5 Vista Frontal da Entrada do Paley Park. (MARB, Dave M.)

50

Figura 20 Representação 3d do Piso Intertravado Granítico. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

60

Figura 6 Parklet em Filadélfia, Pensilvânia - EUA. (ShiftSpace)

51

Figura 21 Representação 3d dos Cafés. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

61

Figura 7 Localização do Terreno do Parque. (TripAdvisor, 2019)

55

Figura 22 Foto com os Cafés ao redor da Entrada. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES)

61

Figura 8 Implantação do Paley e Entorno. (WHYTE, William H., 1980)

56

Figura 23 Imagem do Dia-a-dia dos Usuários no Paley Park. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES)

62

Figura 9 Planta do Paley Park. (REVISTA ONLINE ENGINEER-ARCHITECTS ASSOCIATION)

56

Figura 24 Localização do Terreno da Pracinha. (TripAdvisor, 2019)

62 63

Figura 10 Corte Longitudinal e Transversal do Paley Park. (LARC, Charlton Jenks)

57

Figura 25 Representação 3d da Pracinha Oscar Freire. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design)

63

Figura 11 Representação 3d das Acácias-meleiras. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007)

57

Figura 26 Fotografia da Entrada do Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR) Figura 27 Relação do Pocket Park com o Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR)

64


Figura 44 Integração da Fonte com os Usuários. (KAYDEN, Jerold S. et al., 2000)

74

Figura 45 Representação do Mobiliário Urbano. (NYC: City Planning)

74

Figura 46 Área que permanece aberta durante as 24 horas. (JLL, 1166 Avenue of the Americas)

75

66

Figura 47 Seguranças da Galeria. (KING, Gary, 09 jun. 2016)

75

Figura 32 Vista da Oscar Freire pela Entrada da lanchonete. (ACERVO DO AUTOR)

66

Figura 48 Inserção do município de Santos no Estado de São Paulo e na RMBS com Enfoque no Bairro do Gonzaga. (EDIÇÃO PRÓPRIA)

78

Figura 33 Presença de Food Trucks e Vendedores Ambulantes. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design)

67

Figura 49 Mapa das Macrozonas da Cidade de Santos. Área Insular e Continental. (Anexo III do Plano Diretor)

79

Figura 34 Imagem da Lanchonete Implantada na Pracinha Oscar Freire. (ACERVO DO AUTOR)

67

80

Figura 35 Aviso dos Administradores do Espaço (ACERVO DO AUTOR)

68

Figura 50 Santos, retratado por Benedito Calixto, em 1822. Representação do Valongo e da Foz de São Bento. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 16)

85

Figura 36 Representação do “Zoneamento de Incentivo” oferecido pela POPS. (NYC: City Planning)

68

Figura 51 Representação da Evolução da Mancha Urbana de Santos (Vermelho). Instituto Pólis (2012) Figura 52 Entrada do Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR)

90

Figura 37 POPS 590 da Madison Avenue. (NYC: City Planning)

69

Figura 53 Vista da Entrada do Terreno. (ACERVO DO AUTOR)

90

Figura 38 Localização do POPS. (TripAdvisor, 2019)

70

91

Figura 39 Representação dos diferentes Elementos que compõem o Parque. (NYC: City Planning)

71

Figura 54 Mapa de Praças, Áreas Verdes e Ciclovias Presentes na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

91

Figura 40 Implantação do 1166 Six Avenue. (KAYDEN, Jerold S. et al., 2000)

72

Figura 55 e 56 Praça Fernando Pacheco. (ACERVO DO AUTOR) Figura 57 Praça da Independência. (ACERVO DO AUTOR)

91

Figura 41 Delimitação da Galeria (sob o edifício) com o Parque. (BIRNBAUM, Charles, 2012)

73

Figura 58 Praça das Bandeiras. (ACERVO DO AUTOR)

91

Figura 42 Enfoque na Escultura sobre a Fonte. (1166 TourBook)

73

Figura 59 Praça Rotary. (ACERVO DO AUTOR)

91 91

Figura 43 Resultado dos Canteiros propostos pelos Arquitetos Paisagistas. (BIRNBAUM, Charles, 2012)

73

Figura 60 Praça João Miguel Kodja. (ACERVO DO AUTOR) Figura 61 a 62 Praça Melvin Jones. (ACERVO DO AUTOR)

91

Figura 28 Acesso a Loja pelo Parque. (ACERVO DO AUTOR)

64

Figura 29 Enfoque na Parede Lousa. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design)

65

Figura 30 Foto da Rampa de Acesso ao Estacionamento e a Pracinha. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design)

65

Figura 31 Enfoque na Vegetação Presente. (ACERVO DO AUTOR)


Figura 63 Foto da Anna Costa em 1915. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 169)

92

Figura 64 Foto da Anna Costa em 1940. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 169)

93

Figura 65 Implantação do Paley e Entorno. (WHYTE, William H., 1980)

94

Figura 66 Praça da Independência (s.d.). (Acervo do IHGS)

94

Figura 67 Foto da Praça da Independência no Início de sua Verticalização (s.d.). (Acervo do IHGS)

95

Figura 68 A direita. Foto da Anna Costa em 2013. (CABALEIRO, Marcos)

96

Figura 69 Foto de Dona Áurea no Jornal de 25 de junho de 1966. (ACERVO DO ENTREVISTADO)

97

Figura 70 Palacete da “Rainha da Banana”. (ACERVO DO ENTREVISTADO)

97

Figura 71 Desfile em Comemoração de 7 de setembro. Nota-se o palacete à direita. (ACERVO DO ENTREVISTADO)

98

Figura 72 Casarão de Dona Áurea à Esquerda. (ACERVO DO ENTREISTADO)

98

Figura 73 Demolição do Casarão Barroco. (ACERVO DO ENTREVISTADO)

99

Figura 74 Aposento dos Funcionários e Garagem, hoje totalmente descaracterizado. (ACERVO DO AUTOR)

99

Figura 75 Mapa de Uso do Solo na Área de Influência do Projeto – 500m. Apropriação de dados por Predominância. (EDIÇÃO PRÓPRIA, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

100

Figura 76 Mapa de Zoneamento da Área Insular do Município de Santos. (SANTOS. Lei Complementar n°1006, de 16 de julho de 2018, ANEXO II) (ADAPTADO PELO AUTOR)

101

Figura 77 Mapa de Densidade Habitacional na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

102

Figura 78 Relação entre o Perfil dos Edifícios (Altura) e a Largura da Via. (NASCIMENTO, Ana Paula dos Santos, 2015, p. 55)

103

Figura 79 Mapa da Hierarquização Viária na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

104

Figura 80 Mapa de Vias Especiais na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

105

Figura 81 Esquema explicativo dos Coeficientes de Aproveitamento. (Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

105

Figura 82 Representação do Edifício Comercial com o coeficiente de aproveitamento básico (Azul), o coeficiente de aproveitamento máximo (amarelo) e o coeficiente de aproveitamento ampliado (Vermelho - ALUP). (ESTUDO DO AUTOR)

110

Figura 83 Vista do Espectador da Aplicação da ALUP no Edifício Comercial. (ESTUDO DO AUTOR)

110

Figura 84 Foto do Terreno em Estudo no Período das 09h30. (ACERVO DO AUTOR) Figura 85 Foto do Terreno em Estudo no Período das 12h00. (ACERVO DO AUTOR)

111

111

Figura 86 Foto do Terreno em Estudo no Período das 15h00. (ACERVO DO AUTOR)

112

Figura 87 Foto do Terreno em Estudo no Período das 17h30. (ACERVO DO AUTOR)

112

Figura 88 Entrada pela Avenida Anna Costa com vista para a Cafeteria. (EDIÇÃO DO AUTOR)

113

Figura 89 Vista da Banca de Jornal e do Espaço destinado à Carga e Descarga e Food Trucks. (EDIÇÃO DO AUTOR)

115


Figura 90 Fachada da Cafeteria. (EDIÇÃO DO AUTOR)

115

Figura 91 Área da Cozinha e Balcão de Atendimento. (EDIÇÃO DO AUTOR)

115

Figura 92 Espaço da Praça de Alimentação. Percebe-se os W.C.s com Pergolados como aparato Visual. (EDIÇÃO DO AUTOR)

116

Figura 93 Vista da bancada destinada a Workplace. (EDIÇÃO DO AUTOR)

116

Figura 94 Ambientação criada pelo Café juntamente com Vegetação e Queda D'água. (EDIÇÃO DO AUTOR)

117

Figura 95 Representação dos Mobiliários adotados no Pocket. Ao fundo está o Prédio Comercial. (EDIÇÃO DO AUTOR)

117

Figura 96 Vista Frontal do Edifício. Nota-se a entrada do estacionamento a esquerda, juntamente com o Banco-Bicicletário. (EDIÇÃO DO AUTOR)

118

Figura 97 Detalhe da Área do Pergolado. (EDIÇÃO DO AUTOR)

118

Figura 98 Banca de Jornal e Espaço de Leitura. (EDIÇÃO DO AUTOR)

119

LISTA DE GRÁFICOS e TABELAS Gráfico 1 Comparativo entre as Densidades Demográficas de Santos, RMBS e Estado de São Paulo (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

82

Gráfico 2 Comparativo do IDHM, com São Caetano do Sul em Azul e Melgaço em Vermelho. (ATLASBRASIL)

82

Gráfico 3 Comparação de Pirâmides Etárias entre Santos, São Paulo e Brasil respectivamente. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

82

Gráfico 4 Distribuição de Domicílios, por Moradores. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

84

Gráfico 5 Tipologia de Domicílios a Cidade de Santos. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

84

Gráfico 6 Domicílios com acesso à rede de Abastecimento de Água e Esgoto. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

86

Gráfico 7 Domicílios com acesso à rede de Coleta de Lixo. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

87

Gráfico 8 Domicílios com acesso à rede de Energia Elétrica. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

87

Tabela 1 Média de áreas verdes por habitante dos Bairros da Cidade de Santos. Em destaque está o Bairro a ser Implantada a Proposta do Pocket Park (¹). (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

86

Tabela 2 Evolução da População do Bairro do Gonzaga de 2000 a 2010. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

90


LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ACUP

Áreas Cobertas de Uso Público.

ALUP

Áreas Livres de Uso Público.

APA

Área de Proteção Ambiental.

APASC

Área de Preservação Ambiental Santos – Continente.

CBS

Columbia Broadcast System.

CFC

Clorofluorcarboneto.

CMDU IBGE IDH

Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Índice de Desenvolvimento Humano.

IDHM

Índice de Desenvolvimento Urbano Municipal.

IHGS

Instituto Histórico Geográfico de Santos.

LUOS

Lei de Uso e Ocupação do Solo.

NYC

New York City.

OGM

Organismo Geneticamente Modificado.

ONU

Organização das Nações Unidas.

POPS

Privately Owned Public Spaces.

RMBS

Região Metropolitana da Baixada Santista.

SBAU

Sistema Brasileiro de Arborização Urbana.

SOM ZO

Skidmore Owings & Merrill. Zona da Orla.


SUMÁRIO

1

A RELAÇÃO HOMEM E NATUREZA

1.1 Homem e Natureza: Uma Relação Complexa 1.2 A Qualidade Ambiental das Cidades 1.3 O Homem é um Ser Social: Convívio no Espaço Urbano 1.4 Reaproximação com a Natureza: Uma Nova Abordagem

2

A INSERÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

2.1 Os Parques e as Cidades: Pontos de Respiro Urbano 2.2 Uma Grande Solução em Pequenas Doses 2.3 Pocket Park: Estreitando as Relações

3

29 32 36 38

42 46 50

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

3.1 Paley Park 3.2 Pracinha Oscar Freire 3.3 Conceito de POPS 3.4 1166 Avenue of the Americas

55 62 68 70

4

O MUNICÍPIO DE SANTOS.

4.1 Breve História do Município Santista 4.2 Dados Populacionais 4.3 Dinâmica Domiciliar 4.4 Áreas Verdes no Município

80 81 83 85

4.5 Infraestrutura Urbana

86

5

LEVANTAMENTO DE DADOS E DIRETRIZES URBANAS DA ÁREA DE ESTUDO

5.1 Histórico do Bairro da Intervenção 5.2 O Palacete da “Rainha da Banana” 5.3 Condicionantes do Terreno

6

92 97 100

O PROJETO – PARQUE INDEPENDÊNCIA

6.1 Memorial de Projeto 6.2 Parque Independência CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS

108 112 120 122


INTRODUÇÃO A escassez de áreas ajardinadas nas metrópoles é um quesito de cunho global. A perda da qualidade de vida devido à má ou à não distribuição de espaços livres de uso público com qualidade socioambiental converge para um município com problemas climáticos, ambientais e sociais. O desenfreado crescimento demográfico municipal criou regiões populosas e adensadas que acarretam microclimas e alteram as condições de habitabilidade. “As cidades são locais onde as pessoas se encontram para trocar ideias, comprar e vender, ou simplesmente relaxar e se divertir. O domínio público de uma cidade – suas ruas, praças e parques – é o palco e o catalizador dessas atividades [...]”. (ROGERS apud GEHL, 2006, prefácio)

No Brasil, a negligência perante as áreas verdes trouxe problemas de drenagem urbana e criação de ilhas de calor, além de um caráter social individualista. Sendo assim, a escolha da implantação de um pequeno parque na Região do Gonzaga, bairro com alta densidade demográfica no município de Santos, tornou-se foco deste trabalho. O conceito de Pocket Park, apresentado primeiramente pelos norte-americanos, possibilita criar um espaço de respiro em um ambiente extremamente adensado.

“Sem compreender as necessidades de uma cidade e, principalmente sem compreender as funções das áreas verdes, o paisagista não poderá realizar jardins.” ROBERTO BURLE MARX

Possuidor de elementos da natureza mesclados com o urbano, os Pocket geram um sentimento de pertencimento e apropriação melhores que os grandes parques. Isto devido sua pequena escala, que cria pontos de referência para os usuários, dando um sentimento acolhedor e incentivando a permanência no local. A implantação do Pocket no centro do Bairro do Gonzaga, será em um terreno localizado no entorno da Praça da Independência, ocupado pela rede de estacionamento Patropi. O local foi escolhido devido à consolidação do Bairro e à falta de áreas verdes em seu interior.


Por ter se tornado uma importante centralidade do município de Santos, o fluxo de pessoas e o caráter comercial da Avenida Anna Costa, fornecem o cenário ideal para a implantação de um parque urbano compacto. A alta densidade e os microclimas, gerados pelo intenso tráfego e pelo perfil em “U” da avenida, potencializam a justificativa de sua inserção.

O segundo capítulo, “A Inserção do Meio Ambiente no processo de Urbanização”, analisa como a vegetação está inserida nas áreas livres de uso público e como ela modifica a qualidade dos mesmos. Além disso, será apresentado os conceitos, definições e diretrizes para a implantação dos Pocket Parks, com enfoque no Brasil.

O presente trabalho possui como objeto de estudo a criação de um projeto de um Pocket Park. A partir dos estudos realizados, pode-se entender algumas condicionantes que o definem e seus impactos gerados no ambiente urbano, assim como o seu surgimento e princípios.

O terceiro capítulo, “Referências Projetuais”, explicita quais projetos foram escolhidos para análise. Os elementos existentes em cada um, sejam eles semelhantes ou diferentes, serão comparados, a fim de uma melhor compreensão para a elaboração da proposta do Pocket Park.

Além disso, busca-se levantar a discussão da inserção do meio ambiente nos municípios e como isso ajuda a qualificar e produzir áreas de convívio populacional. Autores como Anne Whiston Spirn, Jane Jacobs, Jan Gehl, Miranda Martinelli Magnoli e Rosa Grena Kliass propuseram um maior entendimento na relação do espaço público urbano e suas qualidades socioambientais, trazendo a escala humana para as cidades.

Já o quarto e quinto capítulos, “O Município de Santos” e “Levantamento de Dados e Diretrizes Urbanas da Área de Estudo” respectivamente, se referem aos diagnósticos gerados a partir das análises urbanas feitas no município santista, no bairro em estudo e em um raio de 500 metros a partir do logradouro do projeto. Estes dados facilitarão a compreensão da escolha da localidade e suas condicionantes para a implantação do Parque Independência.

A metodologia se decorreu através de pesquisas bibliográficas e visitas no local de investigação. Os autores e obras escolhidos se complementam, permitindo a obtenção de pontos de vista semelhantes que convergem a mesma finalidade. As análises urbanas e os mapas gerados, tiveram auxílio da prefeitura municipal da cidade de Santos. Visitas técnicas para o levantamento de dados do terreno e de seu entorno e entrevistas ao gerente do estacionamento e ao dono do terreno, geraram um melhor entendimento da dinâmica do local.

Por fim no último capítulo, “O Projeto – Parque Independência”, serão explicitados, de maneira detalhada, as ferramentas urbanísticas e os ideais utilizados para a concepção do Pocket, além dos princípios e diretrizes estudados durante a discussão do tema.

O trabalho se estrutura da seguinte forma: o primeiro capítulo, “Relação Homem e Natureza”, engloba o tema do relacionamento do ser humano com a natureza e posteriormente com seu semelhante, abordando a maneira de como que esta convivência se projeta no espaço urbano.

O resultado final é a implantação do Pocket Park denominado de Parque Independência, visando atender aos usuários de seu entorno, afim de demonstrar a importância da qualidade socioambiental das cidades. Além de introduzir a tipologia destes pequenos espaços na cultura urbana brasileira.


A RELAÇÃO HOMEM E NATUREZA

1


1

CAPÍTULO 1 - PÁG

A RELAÇÃO HOMEM E NATUREZA

Inicialmente é necessário refletir sobre o processo civilizatório, ao longo do qual o homem se produz enquanto ser social a partir da sua dupla relação com a natureza, ou seja, um complexo processo de naturalização do homem e humanização da natureza. É preciso avaliar a construção das paisagens ao longo da história e como o ambiente natural se adaptou às mudanças impostas pelo crescimento da civilização e do desenvolvimento urbano e de que maneira isso interferiu nas relações sociais. O homem, como ser capaz de transformar e modificar o espaço natural conforme suas necessidades, impôs mudanças importantes que interferem na relação atual entre ambos. Dessa maneira, é preciso relembrar questões históricas que exemplifiquem como o ser humano e o meio ambiente tem se relacionado no decorrer do tempo, uma vez que a natureza é o fundamento inicial a partir do qual a cidade se produz. A importância de analisar a aproximação de ambos é entender que o vínculo com o meio natural permanece apesar do desenvolvimento e evolução. Branco (1997 apud MARIANO et al, 2011, p.159) afirma: O homem quer queira quer não, depende da existência de uma natureza rica, complexa e equilibrada em torno de si. Ainda que ele se mantenha isolado em prédios de apartamentos, os ecossistemas naturais continuam constituindo o seu meio ambiente. A morte desses ecossistemas representará a morte do planeta.

de abertura de áreas de luz e sol, os espaços livres têm significado muito maior: é um bem público onde, além de promover-se o reencontro do homem com a natureza, desenvolvem-se as atividades urbanas, com seus ritmos, em todas as escalas, desde a ida diária ao trabalho, à escola, às compras, o passeio domingueiro até a percepção da mudança das estações do ano.

1.1 Homem e Natureza: Uma Relação Complexa Em sua fase mais primitiva, o homem possuía uma relação de dependência total com o meio ambiente e ficava a mercê de seus processos e ciclos naturais ao longo do ano. Com o passar do tempo, o ser humano passa a exercer hábitos mais sedentários decorrentes da busca de habilidades para o domínio progressivo da natureza, na tentativa de se tornar menos vulnerável a ela. Para Waldman (2006) o ser humano é o animal que mais transforma o meio ambiente. Esta capacidade humana de interferir no ambiente e de alterá-lo é chamada de antropogenia. É através da capacidade do raciocínio humano que provém a reflexão, a tomada de consciência, o reconhecimento do outro, o criar, o aprender, o transmitir hábitos, comportamentos e conhecimentos. À medida que o homem se desenvolve intelectualmente e se reconhece como indivíduo e como integrante de uma sociedade, consegue formular conceitos sobre a natureza e elaborar maneiras de relacionamento entre ambos. Esses conceitos só são possíveis quando o ser humano se diferencia da natureza.

Kliass e Magnoli (1969, p. 247) demonstram que é através da inserção de áreas vegetadas de uso público nos municípios que se obtém um espaço urbano de qualidade socioambiental, seja pelo convívio entre os cidadãos, ou, pela aproximação com o meio ambiente.

O trabalho do homem modificou a natureza em diferentes paisagens no decorrer do tempo por proporcionar ao meio que habita características baseadas na sua percepção de mundo. Isto explica como as diferentes culturas, em diferentes épocas, se relacionaram com o meio natural, criando sua própria forma de lidar com ele.

Além de simples e indispensável elemento de regularização do grau higrométrico da atmosfera, eliminação de toxinas, equilíbrio de camadas de ar poluído,

Segundo Santos (1996 apud MARIANO et al, 2011, p. 159) “a

29


CAPÍTULO 1 - PÁG

31

LEGENDA

natureza vai registrando, incorporando a ação do homem, dele adquirindo diferentes feições do respectivo momento histórico”.

Figura 1

Figura 1: Cidade de Boston, Massachusetts, EUA (JOHNSON, Roy)

Assim como descreve Kliass e Magnoli (1969, p. 247), a população que formou os núcleos urbanos era de essência agrícola e associou uma imagem precária relacionada aos espaços verdes antes vinculados ao trabalho no campo e ao verde. Este passou a ser visto como perda de dinheiro, enquanto a urbanização como dinheiro ganho. Segundo Schramm (1999 apud SOARES, NAVARRO, FERREIRA, 2004, p. 43), o século XX testemunhou o maior e mais rápido avanço tecnológico da história da humanidade. Contudo, vislumbrou as maiores agressões ao meio ambiente, decorrentes de um desenvolvimento que não considerou os importantes impactos da revolução industrial, tornando-se necessário resgatar a ética entre homem e natureza. A urbanização é uma consequência do desenvolvimento, muitas vezes interpretada como artificial, antinatural e responsável por vários tipos de desequilíbrios ecológicos. Spirn (1995) descreve que a cidade é o resultado das alterações moldadas segundo os anseios da sociedade urbana, mas que ainda mantém seus processos naturais. A cidade não é nem totalmente natural nem totalmente artificial. Ela não é “inatural”, mas, antes, uma transformação da natureza “selvagem” pelos seres humanos para servir às suas necessidades, do mesmo modo que as áreas agrícolas são administradas para a produção de alimentos, e as florestas, para a de madeira. (SPIRN, 1995, p. 20)

Anne Spirn (1995) exprime que o meio ambiente e o espaço urbano são um continuum¹ de processos naturais que ocorrem de maneiras distintas, mas com a mesma essência, ou seja, as pedras e rochas afetam o aumento de calor e o escoamento da água nas cidades, assim como no próprio meio ambiente. Para tornar mais clara a ideia, adota-se como exemplo: [...]. O ambiente natural de Boston – sua brisa marítima, suas colinas, afloramentos rochosos, ilhas da baía; seus rios, lagos, brejos, córregos canalizados; seus parques; e mesmo seus terrenos baldios e ruas – não é menos “natural” que a paisagem intensamente cultivada no campo, ou as ruas sombreadas e os jardins cuidados dos subúrbios. Menos bucólicos talvez, mas não menos parte da natureza. Ver a natureza na cidade é apenas uma questão de percepção”. (SPIRN, 1995, p. 45) (Figura 1)

Dessa forma, o discurso progressista e desenvolvimentista que sempre foi apresentado como sinônimo de prosperidade e bem estar passou a ser questionado por uma sociedade mais consciente de sua participação na extinção dos recursos naturais importantes para a sobrevivência da Terra. Parte da sociedade vigente questiona a ação antrópica excessiva sobre a natureza, ao impor um ritmo acelerado em nome do desenvolvimento econômico. Para Doblhoff-Dierand e Collins (2001 apud SOARES, NAVARRO, FERREIRA, 2004, p. 45), a Terra sempre vivenciou várias mudanças hidrográficas, biológicas e climáticas, porém nunca causada anteriormente pela ação do homem. Com a grave situação encontrada, é necessário conciliar o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental, duas questões antes tratadas separadamente e que passam a trabalhar o desenvolvimento sustentável como a única alternativa para o planeta. 1 Conjunto de elementos tais que se possa passar de um para outro de modo contínuo.


CAPÍTULO 1 - PÁG

O que temos hoje, como exemplo, é a destruição da camada de ozônio, atribuída ao acúmulo de clorofluorcarbonetos (CFCs) na estratosfera, originado em nossas atividades industriais poluentes; o aumento das taxas de dióxido de carbono na atmosfera, motivado pelo uso crescente de combustíveis fósseis e pela eliminação da cobertura florestal, [...]. Por outro lado, o crescente aumento das liberações ambientais de organismos geneticamente modificados – OGMs, em diversas regiões do planeta, indica, ainda, a necessidade de mão-de-obra qualificada para atividades de vigilância e avaliação de riscos. (SOARES, NAVARRO, FERREIRA, 2004, p. 45)

A população ao reconhecer a vulnerabilidade do meio ambiente passa a alterar sua percepção e começa a se preocupar com a proteção do meio natural e da fauna e flora que o compõem. No Brasil, as questões ambientais se intensificaram na década de 1970, após uma fase de intenso crescimento urbano. As reflexões relacionadas ao futuro, que se apresenta incerto, começam a ser expostas em várias áreas: política, filosófica e social, e surgem alguns questionamentos relacionados à participação do homem na vida do planeta. Gonçalves (2000 apud MARIANO et al, 2011, p.162) A partir da metade do século XX, a humanidade se depara com uma crise social e ambiental para a qual o mundo ainda não tinha voltado seus olhos. A ONU (Organização das Nações Unidas) começa a estudar questões relacionadas às mudanças climáticas e a desenvolver definições sobre desenvolvimento sustentável, ou seja, satisfazendo as suas demandas atuais, sem comprometer as gerações futuras de suprirem suas necessidades. A Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo de 1972, projetou mundialmente a necessidade de tomadas de posição dos países, em especial os industrializados, frente ao modelo de desenvolvimento vigente, caracterizado pelas ações econômicas que consideravam os recursos naturais como fonte inesgotável de riqueza, levando à degradação ambiental e humana. (SOARES, NAVARRO, FERREIRA, 2004, p. 43)

Ferreira (1998 apud BARBOSA, 2008, p. 4) afirma que é de grande importância a busca de alternativas sustentáveis e que a sociedade se preocupe com a qualidade de vida para a dinâmica urbana.

1.2 A Qualidade Ambiental das Cidades “A cidade é um jardim de granito, composto por muitos jardins menores, disposto num mundo-jardim. Partes do jardim de granito são cultivadas intensivamente, mas a

maior parte não é reconhecida e é negligenciada”. (SPIRN, 1995, p. 20) A competição dos modais urbanos pelo espaço público nas grandes cidades tem, de maneira geral, contribuído para um desenvolvimento urbano precário e não sustentável como coloca Jan Gehl (2010): “Espaço limitado, obstáculos, ruído, poluição, risco de acidentes e condições geralmente vergonhosas são comuns para os habitantes, na maioria das cidades do mundo”. A falta de cuidado com os processos naturais e a excessiva glamourização destes espaços públicos, para Jane Jacobs (1961), faz com que “a natureza, sentimentalizada e considerada antítese das cidades, parece ser vista como constituída de mato, ar fresco e pouca coisa mais, e o descaso absurdo resulta na devastação da natureza mesmo que ela seja formal e publicamente preservada [...]” (JACOBS, 1961, p. 294). Quem os cria, seleciona e organiza os processos naturais preocupados simplesmente com os padrões estéticos, sem respeitar a flora e a fauna regional. [...]. Embora integração da cidade à natureza seja um objetivo freqüentemente citado nas novas cidades e implícitos nos subúrbios, a maioria das novas cidades e subúrbios incorporaram simplesmente os ornamentos da natureza, como as árvores, gramados, jardins e lagos, mas são construídos com tão pouco cuidado na observação dos processos da natureza como foram as velhas cidades [...]. (SPIRN, 1995, p. 51)

Além de todos os problemas ambientais provocados pela urbanização desenfreada, nada estruturada e analisada, verifica-se que o urbano elimina o sentido do habitar, diluindo os contatos e aumentando as distâncias, características herdadas do planejamento urbano modernista². As relações sociais se tornam prejudicadas e transformadas pelas condições urbanas e pelo uso inadequado dos espaços comuns, exacerbando o individualismo. Segundo Jacobs (1961 apud 2 A ideologia do movimento modernista no planejamento urbano visava a separação e setorização dos usos da cidade e a criação de edifícios individuais autônomos.

33


CAPÍTULO 1 - PÁG

35

LEGENDA

GEHL, 2014, p. 3) “[...]. Pela primeira vez na história do homem como colonizador, as cidades não eram mais construídas como conglomerações de espaço público e edifícios, mas como construções individuais [...]”. Por fim, degrada-se não apenas a natureza e as relações do homem com o verde, mas também as relações com seus semelhantes. A incerteza em relação ao futuro, a fragilidade da posição social e a insegurança existencial — ubíquos acessórios da vida na “líquida modernidade” de um mundo notoriamente enraizado em lugares remotos e retirados do controle individual — tendem a se concentrar nos alvos mais próximos e a serem canalizadas para as preocupações com a segurança individual. Os tipos de preocupação que se condensam em impulsos segregacionistas/exclusivistas levam inexoravelmente a guerras pelo espaço urbano. (BAUMAN, 2004, p. 93)

No entanto, criou-se uma necessidade da adoção de uma vida saudável longe da poluição dos grandes centros. É comum encontrar elementos naturais como praças, parques, alamedas e jardins, representados pontualmente através do município como uma tentativa de reaproximação entre a floresta e a cidade, ou seja, uma maneira de abrandar a falta do verde no espaço urbano. Grandes parques públicos foram construídos em cidades através da América do Norte e Europa, planejados como “pulmões da cidade”, parte de um esforço abrangente para a melhoria do bem-estar, segurança e saúde dos residentes das cidades mediante a alteração do ambiente físico. Quando esses empreendimentos utilizaram as forças da natureza, e quando projetos como parques, drenagem das ruas e tratamento dos esgotos foram percebidos e projetados como empreendimento afins, atingiram um sucesso memorável, como o Fens de Boston, de Olmsted. Muito frequentemente, entretanto, focalizavam as agradáveis, mas superficiais manifestações da natureza e ignoravam os processos naturais subjacentes. (SPIRN, 1995, p. 48 e 49) (Figura 2)

Figura 2

Figura 2: Representação do Projeto completo de Frederick Olmsted: Emerald Necklace (Emerald Necklace Conservancy e National Park Service)


CAPÍTULO 1 - PÁG

1.3 O Homem é um Ser Social: Convívio no Espaço Urbano A pressão exercida pelos modais urbanos sobre os espaços públicos, por exemplo o transporte individual motorizado, gerou a perda de sua qualidade socioambiental e até mesmo de sua inexistência. Gehl (2014) explica que as ideologias que dominam o planejamento urbano – entre elas o modernismo – deram baixa prioridade às áreas públicas e consequentemente à escala humana. Desta forma, o papel do espaço urbano como local de encontro dos moradores da cidade se perdeu. O rumo dos acontecimentos não só reduziu as oportunidades para o pedestrianismo como forma de locomoção, mas também deixou sitiadas as funções cultural e social do espaço da cidade. A tradicional função do espaço da cidade como local de encontro e fórum social para os moradores foi reduzida, ameaçada ou progressivamente descartada. (GEHL, 2014, p. 3)

Para Jan Gehl (2014), as cidades proporcionam e estimulam o contato direto entre as pessoas. Quando as condições de circulação a pé são melhoradas, é reforçada a vida no município. O ato de caminhar faz com que o ser humano compartilhe do espaço público e troque experiências e informações com a comunidade presente no entorno. Pode-se entender que: Como conceito, “a vida entre edifícios” inclui as diferentes atividades em que as pessoas se envolvem quando usam o espaço comum da cidade: caminhadas propositais de um lugar a outro; calçadões; paradas curtas; paradas mais longas; ver vitrines; bater papo e encontrar pessoas; fazer exercícios; dançar; divertir-se; comércio de rua; brincadeiras infantis; pedir esmolas; e entretenimento de rua. (GEHL, 1971 apud GEHL, 2014, p. 19)

Esta extensa e diversa gama de atividades sociais engloba todas as formas de intercomunicação e trocas que um meio e sua população podem usufruir. Segundo Gehl (2014, p. 23) “Experienciar a vida na cidade é também um entretenimento estimulante e divertido [...]. E essas experiências estão relacionadas a um dos mais importantes temas da vida humana: as pessoas”. O planejamento urbano moderno busca alcançar, erroneamente e de maneira utópica, a conversão de cidades em obras de arte, entretanto aquela possui significado mais dinâmico e espontâneo. Jacobs (1961) exprime que há uma limitação estética fundamental ao planejar o ambiente urbano. Isso ocorre porque a cidade representa

o aspecto mais complexo da vida, não sendo possível compará-la a uma obra de arte. Encarar a cidade, ou mesmo um bairro, como se fosse um problema arquitetônico mais amplo, passível de adquirir ordem por meio de sua transformação numa obra de arte disciplinada, é cometer o erro de tentar substituir a vida pela arte. (JACOBS, 1961, p. 249)

Jane Jacobs (1961) ainda coloca que a diversidade de uso nos municípios é necessária para que este obtenha uma ordem funcional. Caso ela seja retirada da malha urbana, significará a perda desta organização imprescindível. A autora afirma que a estrutura real das cidades consiste na combinação de usos e nas condições que geram diversidade e que quando há uma tentativa de encontrar, por parte dos urbanistas e planejadores urbanos, um modo claro e fácil de expressar esta estrutura, o princípio está errado. Vida atrai vida. Essas soluções não são apreciadas nos locais em que a separação dos pedestres é feita como um capricho desligado da realidade, e muitas atividades não são atendidas ou são suprimidas para que esse capricho dê certo. (JACOBS, 1961, p. 234)

O comportamento humano é resultado da forma como o espaço urbano e as estruturas urbanas se organizam. Ao analisar as diferentes maneiras de abordagem do espaço público pelos cidadãos, Gehl (2014, p. 22) afirma: As atividades sociais incluem uma extensa gama de atividades diversas. Há muitos contatos passivos de ver e ouvir: observar as pessoas e o que está acontecendo. Esta modesta e despretensiosa forma de contato é a atividade social urbana mais difundida em qualquer lugar.

A busca de informações relacionada à sociedade, seu comportamento e até seu entendimento, permeia o indivíduo como ser humano. A necessidade de se conhecer, ou pelo menos saber dos

37


CAPÍTULO 1 - PÁG

39

LEGENDA

acontecimentos e atividades sociais, são repassadas constantemente por diferentes maneiras. As pessoas tendem a se reunir onde há movimento e de forma espontânea buscam por outras pessoas. William H. Whyte³ demonstra em seu documentário “The Social Life of Small Urban Spaces” (1980) que embora as pessoas digam que querem se afastar da multidão, elas realmente fazem exatamente o oposto, “O que mais as atrai, ao que parece, são outras pessoas”. (WHYTE, The Social Life of Small Urban Spaces, 1980)

1.4 Reaproximação com a Natureza: Uma Nova Abordagem

“[...]. As cidades devem pressionar os urbanistas e os arquitetos a reforçarem as áreas de pedestres como uma política urbana integrada para desenvolver cidades vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis. Igualmente urgente é reforçar a função social do espaço da cidade como local de encontro que contribui para os objetivos da sustentabilidade social e para uma sociedade democrática e aberta”. (GEHL, 2014, p. 6) (Figura 3 e 4) Figura 3

Figura 3: Antes Intervenção Urbana Temporária em Santana, Bairro da Zona Norte de SP. (MORIYAMA, Victor) Figura 4: Depois Intervenção Urbana Temporária em Santana, Bairro da Zona Norte de SP - As esquinas das ruas Dr. César e Salete, da Voluntários da Pátria e da Leite de Moraes receberam pinturas temporárias. (MORIYAMA, Victor)

Apesar dos avanços no desenvolvimento urbano, é inevitável a independência do homem perante os recursos naturais. A busca pela independência provocou impactos no meio ambiente. A desconsideração dos processos naturais na cidade é, sempre foi e sempre será tão custosa quanto perigosa. Muitas cidades sofreram com o erro de não levar em conta a natureza [...]. O custo pela desatenção à natureza se estende também à qualidade de vida. As áreas mais novas das cidades – através de continentes, climas e culturas – estão por toda parte adquirindo a mesma tediosa aparência. A potencialidade que tem um ambiente natural de contribuir para uma forma urbana mais diferenciada, memorável e simbólica é desconsiderada e desperdiçada. (SPIRN, 1995, p. 26)

Com isso, há a necessidade de explorar os recursos naturais de uma maneira a considerar o ecossistema como um todo, permitindo interagir com o mundo natural e respeitar as modificações do meio ambiente através do tempo.

Figura 4

[...]. Mudanças idealizadas através de pequenos projetos são freqüentemente mais viáveis, manejáveis, menos traumatizantes e mais adaptáveis às necessidades e valores locais. Quando coordenadas, mudanças incrementalistas podem ter um efeito de longo alcance. As soluções não precisam ser abrangentes, mas o entendimento do problema sim. (SPIRN, 1995, p. 26 e 27)

Existe uma ligação entre o uso do espaço público, as pessoas e o grau de preocupação com a dimensão humana. O planejamento físico influencia o padrão das áreas urbanas, uma vez que a renovação de um único espaço ou a mudança no mobiliário convida as pessoas a desenvolverem um padrão de uso totalmente único. Um espaço urbano desenvolvido com intuito de reforçar o espaço social, lança um convite tentador.

3 William Hollingsworth. Whyte foi um jornalista e sociólogo que atuou, em 1969, como consultor da Comissão de Planejamento Urbano de Nova Iorque. Seu projeto denominado Street Life Project englobou documentários e livros que analisavam os padrões adotados pelas pessoas ao utilizar as áreas públicas.


A INSERÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

2


2

CAPÍTULO 2 - PÁG

A INSERÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

Segundo Magnoli (2006), os parques públicos foram inicialmente propostos em Munique, no ano de 1789, como espaços para a recreação pública, contudo foi apenas em Nova Iorque, com o Central Park, que foi implantado o critério de que a existência destas áreas ajardinadas eram uma necessidade da população. A qualidade do espaço urbano, um dos fatores da qualidade de vida urbana, é seriamente influenciada pela configuração física do espaço livre [...]. O espaço livre público é o espaço da vida comunitária por excelência [...]. (MAGNOLLI, 2006, p. 182)

Espaços livres de edificações são os mais acessíveis por todos os cidadãos; uma vez que abertos e expostos, possuem um significado intrínseco da expressão espaço urbano com mais chance de controle pela sociedade como um todo. Como Gehl explica (2014), as atividades do espaço urbano devem ser consideradas conforme seu grau de necessidade. De um lado, estão atividades obrigatoriamente necessárias (como ir trabalhar). E por outro lado, estão as atividades opcionais, ou seja, recreativas, como caminhar ou apreciar a vista. “A maior parte das atividades urbanas mais atrativas e populares pertence ao grupo de atividades opcionais e por isso uma boa qualidade urbana é pré-requisito”. (GEHL, 2014, p. 20).

2.1 Os Parques e as Cidades: Pontos de Respiro Urbano Para Spirn (1995) por menos sensíveis que possam parecer os habitantes das cidades, eles demonstram preocupação e cultivam elementos naturais isolados, como jardins, parques, alamedas, subúrbios e propostas de cidade-jardins com o intuito de integrá-los ao ambiente físico.

Segundo Geddes (1915 apud SPIRN, 1995, p. 47) durante o século XIX, calorosas discussões surgiram através dos reformadores cívicos por defenderem a concretização da cidade ideal difundida por Thomas More, ou seja, a introdução da natureza na paisagem cívica onde os seres humanos viviam. Por outro lado, outros pensadores influentes da época, como Ebenezer Howard, rejeitaram o velho centro em favor dos subúrbios ou das novas cidades-jardins. Spirn (1995) afirma que o intenso crescimento das cidades dos Estados Unidos durante o século XIX e seu superpovoamento geraram uma grande poluição das águas, o que precipitou a necessidade de uma reforma sanitarista através de investimentos em paisagismo e infraestruturas físicas. Na maioria desses municípios, abriram-se ruas para a instalação de novas linhas de água e esgoto e grandes parques públicos surgiram tornando-se “pulmões da cidade”. Estes espaços ajardinados serviram de armazenamento e escoamento das águas pluviais, a fim de evitar as recorrentes cheias, e focaram na melhoria do bem estar, da saúde e da segurança da população. Como consequência suas margens passaram a ser utilizadas posteriormente para o desenvolvimento de espaços públicos e de lazer. Muitos destes projetos são hoje valorizados pelo acesso a rios urbanos e lagos, de forma que: Arquitetos paisagistas e historiadores urbanos consideram o sistema de parques de Boston conhecido como Emerald Necklace como um marco no planejamento de parques americanos, mas poucos sabem que um terço do sistema foi projetado para controle das enchentes e melhoria da qualidade das águas e não fundamentalmente para a recreação. O projetista Frederick Law Olmsted criou o Fens e o Riverway para combater os problemas de enchentes e de poluição das várzeas da Back Bay de Boston [...]. (SPIRN, 1995, p. 163) (Figura 2)

43


CAPÍTULO 2 - PÁG

Olmsted (1881 apud SPIRN, 1995, p. 163) explica que: O propósito original do esquema aqui exposto é diminuir os transtornos existentes, evitar perigos ameaçadores e proporcionar um projeto permanente, salutar e gracioso para a drenagem do vale do rio Muddy. Isto deverá ser alcançado principalmente pela terraplanagem, estreitamento e aprofundamento do canal e dos lagos existentes e pela exclusão das marés dos esgotos. O propósito secundário é a utilização dos aterros requeridos pelo desígnio acima para completar o passeio aqui exposto, do qual o Common, o Public Garden e a Commonwealth Avenue formariam cerca de um terço, já concluído em uso, e a Back Bay, agora semiconcluída, e em andamento, outro terço [...].

Segundo a autora, em meados da década de 90, apenas algumas cidades, entre elas, Stuttgart, na Alemanha, e Dayton, em Ohio desenvolveram planos e projetos metropolitanos abrangentes, baseados em informações mais apuradas. Embora as soluções específicas utilizadas não possam simplesmente ser transferidas para as outras regiões, o conceito básico é sempre aplicável: a chave é uma compreensão do processo. Barcellos (2000) pontua que os parques são espaços públicos livres destinados à recreação e lazer, que auxiliam na conservação ambiental. Existem dois aspectos importantes nesse modo de conceituá-los: o primeiro relacionado à imagem do parque como espaço livre que se caracteriza por ser predominantemente ocupado por massas de árvores e outros elementos naturais. O segundo aspecto relacionado ao contraste entre as massas edificadas da cidade e o ambiente natural do parque. Porém desde a sua implantação nos municípios, estes espaços verdes têm passado por grandes transformações, conforme o autor demonstra: Em descompasso com essas novas experiências, muitos profissionais continuam a conceituar o parque público com base no ideal do parque paisagístico, cujo modelo, depois de ter sido desenvolvido na Inglaterra é reelaborado nas cidades europeias e chega ao Brasil. Nessa visão, a paisagem pastoral criada por Frederick Law Olmsted em meados do século XIX, no Central Park de Nova Iorque, hoje cercado de arranha-céus, com suas grandes massas de árvores, extensos gramados e lagos, seria o protótipo do parque. (BARCELLOS, 2000, p. 51)

Os parques até então, foram entendidos exclusivamente como espaços de grandes dimensões em que se predominam os elementos naturais onde as edificações ao seu redor devem se caracterizar como um plano de fundo, sem que haja conexões com o entorno. Barcellos (2000) analisa que na evolução histórica destes espaços

ajardinados têm assumido diferentes configurações e distintos significados sociais. Algumas transformações econômicas e culturais têm produzido alterações no modo de se tratar a questão desses espaços públicos nas cidades brasileiras. Por um lado, mudanças comportamentais têm revigorado o uso dos parques pelas populações urbanas, por outro lado novos papéis têm sido atribuídos aos parques pelos agentes envolvidos nos processos urbanos. Nesse sentido podem ser identificadas duas vertentes de ação influenciando o modo de se tratar a questão. Na primeira tem-se o uso dos parques nas estratégias de conservação ambiental, e na segunda, como elementos de dinamização da economia urbana. (BARCELLOS, 2000, p. 50)

Recentemente deu-se uma profusão de parques urbanos que servem a múltiplos usos como a melhoria da qualidade das águas e recreação. Pode-se afirmar que é uma redescoberta de velhas soluções. O autor afirma que durante o século XX, especialmente a partir das décadas de 60 e 70, as transformações se aceleraram, a exigir uma revisão dos pressupostos usados na definição do conceito de parque público. Assim, o surgimento de um novo conceito de parque público estimulou os seres humanos a se reconectarem com o meio ambiente e/ou com seus semelhantes, tornando-se um atrativo para que buscassem um espaço de lazer cuja possiblidade de contato entre natureza e homem era existente. Mas nas cidades, há muito mais em caminhar do que simplesmente andar! Há contato direto entre as pessoas e a comunidade do entorno, o ar fresco, o estar ao ar livre, os prazeres gratuitos da vida, experiências e informação. Em essência, caminhar é uma forma especial de comunhão entre pessoas que compartilham o espaço público como uma plataforma e estrutura. (GEHL, 2014, p. 19)

Segundo Macedo (1999 apud BARCELLOS, 2000), no Brasil tem surgido uma elevada quantidade de parques devido à crescente preocupação com o usufruto da população e com as questões

45


CAPÍTULO 2 - PÁG

ambientais que, entretanto, não se vinculam às ações de planejamento urbano que articulariam e gerariam novas propostas a fim de suprir as necessidades sociais. Para Barcellos (2000) estas localidades provenientes de preocupações sociais são quase sempre criadas em áreas urbanas mais abastadas e valorizadas, onde já se concentram as opções de recreação e lazer das cidades. No contexto brasileiro, a questão de recreação e lazer, antes não vistas como objeto de políticas públicas, começaram a ganhar espaço após os anos 70. Mas observaram-se iniciativas para atendimento dessas necessidades que eram pontuais uma vez que favoreciam apenas algumas áreas urbanas. A inauguração do Parque do Ibirapuera na cidade de São Paulo, em 1954, e do Parque do Flamengo no Rio de Janeiro, no início dos anos 60, são exemplos de iniciativas de grande significado e apelo popular que, entretanto, não tiveram desdobramentos nas cidades em que foram executadas nem foram repetidas em outras cidades. (BARCELLOS, 2000, p. 54 e 55)

O surgimento de novos parques nas cidades brasileiras, muitas vezes, ao invés de representar uma maior democratização das oportunidades de lazer e recreação, tem contribuído para agravar as desigualdades que marcam as cidades do país. As desigualdades sociais, sendo resultantes da produção dessa forma econômica, e por vezes sendo inclusive um elemento necessário a ela, têm um rebatimento espacial na cidade baseada diretamente sobre o estabelecimento de padrões de segregação e impactos socioambientais, questão que fomenta importantes discussões sobre o “direito à cidade” e, mais especificamente, sobre o “direito à paisagem”. (QUEIROGA, 2017, p. 3)

2.2 Uma Grande Solução em Pequenas Doses Uma grande transformação que pode ser evidenciada na evolução dos parques está relacionada às dimensões físicas, que têm assumido espaços reduzidos que contrariam inclusive as concepções anteriores associadas aos grandes espaços livres. De acordo com Cranz (1991 apud BARCELOS, 2000), o surgimento de parques de pequenas dimensões se intensifica nas primeiras décadas do século XX, isso ocorre principalmente nas tumultuadas cidades americanas que sofrem com fluxos migratórios intensos e com uma industrialização acelerada. Nos anos 50, surgem os minúsculos play-lots⁴, solução encontrada pelos norte-americanos para resolver

os problemas da oferta de parques em áreas urbanas densamente edificadas, experiência de sucesso que foi repetida em outros países. Com a influência de vários movimentos sociais em que a recreação ao ar livre é considerada como instrumento de socialização e convivência comunitária, passa a ser colocado na pauta das reivindicações políticas a criação de áreas ajardinadas nas cidades. Desta forma, o tamanho dos parques é reduzido para que possam ser disseminados próximos aos locais de moradia e trabalho. A inserção de pequenos parques nas áreas centrais das cidades ou em bairros populares ocasiona uma melhoria imediata da região, sendo capaz de atrair a população ao proporcionar uma ampliação de equipamentos e espaços de uso público. (MALUF e GONÇALVES, 2015, p. 2)

Os Pocket Parks ou Pocket Gardens (Parque de Bolso ou Jardim de Bolso) são pequenos jardins ou praças, margeados por edifícios, com o propósito de se comportar como uma sala de estar pública ao ar livre. Estes podem inclusive adquirir diversas funções, como um jardim de plantas aromáticas, um espaço terapêutico ou até mesmo uma pequena horta comunitária. Os Pocket possibilitam a sua implantação em espaços livres devido a demolições, em terrenos irregulares e também em locais sem área suficiente para um espaço livre de uso coletivo de maiores dimensões. Por serem pequenos não demandam grandes manutenções e melhoram a qualidade de vida das pessoas e a estética das cidades, além de provocarem um efeito surpresa em quem os encontra. A disponibilidade de pequenos espaços livres na malha urbana, central ou periférica, aliada à facilidade de manutenção em função das dimensões reduzidas, apontam para a vantagem da utilização do pocket park como tipologia de espaços de convivência a serem implantados no Sistema de Espaços Livres de uma cidade. (MALUF e GONÇALVES, 2015, p. 3)

William H. Whyte em seu documentário The Social Life of Small Urban Spaces (1980) faz um comparativo entre o número de 4 Maneira alternativa de denominar Pocket Parks (BARCELLOS, 2000, p. 54)

47


CAPÍTULO 2 - PÁG

pessoas e seu período de estada nos parques. O resultado indica que nos espaços públicos comuns, a média é de 11 pessoas por 304,8m². Já os Pocket atingem mais que o dobro. Maluf (2008 apud MALUF e GONÇALVES, 2015, p. 3) aponta que para um local ser devidamente utilizado, deve-se proporcionar atividades que permitam o usuário passar períodos de tempo: A qualidade ou atributos do espaço é conferida/percebida pelas diferentes possibilidades de fruição que ele proporciona aos seus usuários. Seja para o ócio ou para o trabalho, a fruição depende do “tempo” que o usuário dispõe ou dedica para usufruir as qualidades ou atributos do espaço. Sem o tempo para se “relacionar” com o espaço, não ocorre o uso.

Maluf e Gonçalves (2015) analisaram princípios para a implantação destes pequenos parques, a partir da análise de três pocket parks. Foram estudados o Greenacre Park e o Paley Park (ambos em Nova Iorque) e a Praça Amauri (em São Paulo). Através dessa análise, percebe-se como cada um dos elementos se relaciona com o usuário. Dessa maneira, ficaram definidos os seguintes princípios: Acolhimento: ele é a proteção do usuário dentro do espaço, é formado pelos muros de divisa do terreno em que será instalado o pocket park. Além disso, ele também pode ser considerado como o “convite para que o transeunte adentre esse espaço. Isso se deve a extensão da pavimentação da calçada ao parque. Área Sombreada: as áreas sombreadas podem ser resolvidas com elementos naturais, as arbóreas, por exemplo, ou com elementos arquitetônicos. Ela é importantíssima, pois além de proporcionar um conforto térmico ambiental, ela forma o teto desse espaço livre, possibilitando os usuários um ângulo visual mais agradável, principalmente quando inserido entre grandes empenas. Subsistência: é o apoio a esse espaço, seu uso deve sempre respeita as necessidades do entorno e que está inserido o terreno que será implantado o pocket park. Pode ser um pequeno café, uma livraria, um ponto digital, etc. Área de Permanência: acontece em quase todo o terreno, pois, como os pocket parks são inseridos em lotes convencionais e normalmente possuem uma área reduzida, o solo deve ser liberado para a permanência dos seus usuários. Essa área deve ser bastante confortável e agradável, atraindo o usuário e garantido a permanência desse espaço público Microclima: foi chamado de microclima a implantação do elemento água nesses espaços. Pode ser resolvido com quedas e espelhos

d’água. Ele contribuiu com o conforto térmico e ambiental do pocket park, e disfarça os ruídos externos das ruas. (MALUF e GONÇALVES, 2015, p. 5 e 6)

Spirn (1995) exemplifica o primeiro projeto a surgir com o conceito de Pocket Park: o Paley Park (Figura 5). Inserido na cidade de Nova Iorque, o Paley é considerado, por muitas pessoas, como um refúgio na barulhenta e movimentada East 53rd Street. Este pequeno parque, do tamanho da área de um lote, fica completamente lotado com compradores e funcionários dos escritórios próximos. A autora consegue com uma descrição minuciosa fazer uma viagem imaginária pelo parque citado: [...]. O Paley Park, na cidade de Nova Iorque, é um refúgio na barulhenta e movimentada East 53rd Street. Num dia abafado, úmido e quente de verão, este pequeno parque é surpreendentemente fresco. Na hora do almoço, é tomado por compradores e funcionários dos escritórios próximos. O Paley Park é bastante pequeno e íntimo – do tamanho da área de um edifício. Os edifícios adjacentes dominam o parque, mas ele não transmite a sensação de opressão. Uma dúzia de acácias-meleiras, com seus finos troncos colunares, formam um teto em rendilhado sobre o parque. As folhas dão passagem a uma luz solar filtrada e variegada. Árvores de copa mais fechada, como o bordo norueguês, dariam uma sombra escura e fariam do parque um lugar opressivo. Uma cascata forma a parede de fundo do parque. O som calmamente e torrencial mascara o ruído da rua. A água espirra no calçamento e resfria o ar quando se evapora. Num dia quente, as cadeiras mais próximas da água são as preferidas. As paredes laterais são cobertos de hera, que bloqueia tanto a luz do meio-dia refletida das paredes quanto o calor radiante que elas, de outra forma, poderiam emitir. Cadeiras e mesas são removíveis, recolhidas à noite por segurança. A distância entre as cadeiras pode ser justa para acomodar grupos, casais ou visitantes solitários. As cadeiras podem ser mudadas para perto ou para longe da cascata, e para sombra ou para o sol, dependendo de ser um dia quente ou frio [...]. (SPIRN, 1995, p. 90)

49


CAPÍTULO 2 - PÁG

51

LEGENDA

que contribuirão para a sustentabilidade social. Isso potencializa a vivacidade do meio urbano, uma vez que as pessoas se sentem convidadas a permanecer nele devido às suas oportunidades sociais. (GEHL, 2014, p. 6) (Figura 6)

Figura 5

Agora, no início do século XXI, podemos perceber os contornos dos vários e novos desafios globais que salientam a importância de uma preocupação muito mais focalizada na dimensão humana. A visão de cidades vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis tornou-se um desejo universal e urgente. Os quatro objetivos-chave – cidades com vitalidade, segurança, sustentabilidade e saúde – podem ser imensamente reforçados pelo aumento da preocupação com pedestres, ciclistas e com a vida na cidade em geral. Um grande reforço desses objetivos é uma intervenção política unificada por toda a cidade para garantir que os moradores sintam-se convidados a caminhar e pedalar, tanto quanto possível, em conexão com suas atividades cotidianas. (GEHL, 2014, p. 6)

2.3 Pocket Park: Estreitando as Relações Dessa maneira, os Pocket Parks funcionam como estratégia para aumento do número de espaços abertos no espaço urbano, como maneira de aproveitar locais subutilizados e minimizar a ociosidade dos terrenos baldios. Os pocket parks são uma opção de preencher a lacuna do não cumprimento da função social dos terrenos vagos existentes no bairro em estudo, que por suas características de infraestrutura e pela permissão legislativa, torna tais propriedades privadas não cumpridoras da sua função socioambiental. (MUSSI, LIMA, BIESSEK, 2016, p. 1)

Além disso, segundo Gehl (2014) através do espaço público da cidade, o homem se reaproxima com o meio ambiente em que se insere, permitindo contato com novas informações sobre pessoas e sobre a sociedade em que vive. “Estudos de cidades do mundo todo elucidam a importância da vida e da atividade como uma atração urbana. As pessoas reúnem-se onde as coisas acontecem e espontaneamente buscam outras pessoas”. (GEHL, 2014, p. 25) Em suma, é necessária a preocupação com o resgate da qualidade dos espaços livres de uso público integrada ao meio ambiente para criação de espaços de encontro

Figura 6

Figura 5: Vista Frontal da Entrada do Paley Park. (MARB, Dave M.) Figura 6: Parklet em Filadélfia, Pensilvânia - EUA. (ShiftSpace)


REFERÊNCIAS PROJETUAIS

3


3

CAPÍTULO 3 - PÁG

55

LEGENDA

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Os projetos escolhidos a serem analisados nesta etapa do Trabalho de Graduação consistem em 2 exemplares de Pocket Parks, sendo 1 internacional (Paley Park em Nova Iorque – Estados Unidos da América) e outro nacional (Pracinha Oscar Freire em São Paulo - Brasil) e 1 POPS (Privately Owned Public Spaces ⁵), 1166 Avenue of the Americas, desenvolvida em Nova Iorque – Estados Unidos da América. Foram consideradas as relações dos projetos com os entornos em seus locais de implantação, sua influência perante o cotidiano populacional local e a qualificação de suas áreas, assim como de seus mobiliários e áreas ajardinadas e afins. A metodologia utilizada consiste em pesquisas em livros, documentários, artigos e fotografias. Além de levantamentos e análises in loco nos espaços referentes ao município de São Paulo. O Paley Park foi o primeiro Pocket Park a ser implantado no mundo, mais precisamente no ano de 1967. Derivado da idealização de um monumento ao pai de William S. Paley⁶, o espaço deveria ser de propriedade privada, mas que a população pudesse usufruir de forma livre. O parque foi concebido como um protótipo de uma nova tipologia de espaços públicos que possibilitava a manipulação do mobiliário pelo usuário, além de abrigar quiosques com a venda de lanches e uma parede d’água de seis metros de altura. O Paley acima de tudo oferece uma relação intimista e aconchegante a seus visitantes, seja pela barreira sonora criada pela queda d’água, seja pela delicada vegetação existente. O próximo projeto se localiza na cidade de São Paulo e recebe o nome da rua em que se insere. A Pracinha Oscar Freire, projetada através de uma parceria entre o escritório Zoom Urbanismo Arquitetura e Design, o Instituto Mobilidade Verde e a empresa Reud, foi concebida como um projeto temporário que transformou um antigo estacionamento em um Pocket Park. O espaço possuiu períodos distintos e sofreu pe-

quenas modificações como a substituição da parede lousa por uma camada de vegetação.

Figura 7: Localização do Terreno do Parque. (TripAdvisor, 2019)

Os POPS são parte de um programa proveniente da Resolução de Zoneamento de 1961, iniciado em Nova Iorque, como uma maneira de incentivar o mercado imobiliário a criar espaços públicos em seus empreendimentos em troca de potencial construtivo. O 1166 Avenue of the Americas, é um ótimo exemplo. Suas diferentes formas de tratar o espaço coletivo e a possibilidade de interação com os elementos aquáticos o dinamizam e o tornam popular. Apesar de ser de propriedade privada, sua área externa permanece aberta 24 horas.

3.1 Paley Park Projetado pelo escritório de Arquitetura e Urbanismo Zion & Breen Associates e introduzido como “a solução para o uso de terrenos baldios” por Thomas P. F. Hoving⁷, o Paley Park se localiza entre a 5th Avenue⁸ e a Madison, mais precisamente na movimentada East 53rd Street em Nova Iorque (Figura 7). Figura 7

5 Sigla em inglês que significa Espaços Públicos de Propriedade Privada. 6 O Norte Americano William Samuel Paley foi o executivo chefe e idealizador do Columbia Broadcasting System (CBS), uma emissora estadunidense. 7 Thomas Pearsall Field Hoving foi diretor do Metropolitan Museum of Art (“The Met”) e Comissário de Parques da cidade de Nova Iorque entre 1966 e 1967. 8 Com cerca de 1,5 quilômetro de extensão a Quinta Avenida é considerada uma das mais importantes Avenidas de Nova Iorque, por ser um grande eixo comercial.


CAPÍTULO 3 - PÁG

57

LEGENDA Figura 8

Figura 8: Implantação do Paley e Entorno. (WHYTE, William H., 1980)

Figura 10

Figura 9: Planta do Paley Park. (REVISTA ONLINE ENGINEER-ARCHITECTS ASSOCIATION) Figura 10: Corte Longitudinal e Transversal do Paley Park. (LARC, Charlton Jenks)

Edificado no ano de 1967, o Pocket Park foi idealizado a fim de que se tornasse um memorial em homenagem ao falecido pai de William S. Paley, então presidente da emissora de televisão CBS e financiador do projeto. William propunha um espaço em que fosse possível a integração da população com o meio, ao invés deste ser meramente contemplativo (Figura 8). Figura 9

Inserido em um terreno de apenas 13m x 30m – local de uma antiga casa noturna, o parque é delimitado por três grandes edifícios (Figuras 9 e 10). Apesar de possuir um entorno opressor, o Paley não transmite essa sensação, mas sim um sentimento intimista e acolhedor. Isto ocorre devido à delicada escolha da vegetação que forma uma cobertura vegetal sobre o parque (Figura 11). As acácias-meleiras (árvores esbeltas) permitem que a luz irradiada pelo sol permeie por suas copas devido sua tenuidade. Seus finos troncos possibilitaram a colocação de pequenos vasos de flores ao seu redor sem interromperem a circulação do projeto (Figura 12).

Figura 11

Figura 11: Representação 3d das Acácias-meleiras. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 12: Vasos de Flores Dispostos ao Redor das Árvores. (LIANG, Jinjiang)

Figura 12


CAPÍTULO 3 - PÁG

59

LEGENDA

Como forma de amenizar a absorção do calor, resultante da irradiação solar, pelas paredes laterais, optou-se por cobri-las com heras inglesas que também serviram de adorno ao suavizar a intercessão das paredes com o piso (Figura 15). Já o fundo do Pocket Park, é dominado por uma parede d’água de 6 metros de altura que torna possível o abafamento do excessivo ruído da rua e a transformação do local em um ambiente com temperaturas amenas e agradáveis (Figuras 13 e 14). Figura 13

A correlação existente entre o Paley Park e a rua é extremamente bem aproveitada. Os arquitetos Robert Zion e Harold Breen mesclaram o ambiente externo com o interno, o que torna o espaço mais convidativo e acolhedor, de maneira a induzir, mesmo que subconscientemente, o público a adentrá-lo. A implantação de cinco acácias-meleiras na calçada já indica um “adentrar” no espaço referente ao parque. Sua leve elevação em relação à calçada é vencida por uma escada composta por quatro degraus suaves – com pisada larga e espelho pequeno, e duas pequenas rampas nas laterais. Este contexto permite que o pedestre observe o interior do parque e seu fluxo de pessoas e o transforma em uma experiência contemplativa que criará um estímulo a entrar na área (Figura 16).

Figura 13: Foto da Queda D’Água. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES) Figura 14: Representação 3d da Cascata. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 15: Representação 3d da Hera Inglesa. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 16: Foto da Integração do Paley com a Avenida. (LIANG, Jinjiang)

Figura 16

Figura 14

Figura 15

Nas palavras de William H. Whyte: Quando as pessoas explicam por que elas acham o Paley Park de Nova Iorque tão calmo e tranquilo, o que sempre mencionam é a parede de água. Na verdade, a parede de água é bem alta: o nível de ruído é de cerca de 75 decibéis quando perto, mensuravelmente maior do que o nível na rua. Além disso, o som - tomado por si só - não é especialmente agradável. Já reproduziram o som para as pessoas e perguntaram-lhes o que elas achavam que era. Normalmente elas faziam careta e diziam um trem do metrô, caminhões em uma rodovia, ou algo tão ruim quanto. No parque, no entanto, o som é percebido como muito agradável. É um som branco e disfarça as buzinadas intermitentes e estrondos que são os aspectos mais irritantes do barulho da rua. (WHYTE, The Social Life of Small Urban Spaces, 1980)

O mobiliário urbano é outro fator contribuinte para o sucesso do Pocket Park. Pensado para dispensar o excesso de manutenção, foram dispostas brancas cadeiras Bertoia⁹ em aço moldado que possibilitaram a praticidade e mobilidade das peças. Para correlacionar com as cadeiras, mesas Saarinen¹⁰ revestidas de mármore branco (Figuras 17 e 18) finalizam o conjunto que se destaca sobre o escuro piso intertravado granítico (Figuras 19 e 20). 9 As cadeiras Bertoias formaram a linha mais famosa de mobiliários do Design Harry Bertóia. Nascido em 1915 Harry ficou conhecido por estudar profundamente a maleabilidade do metal ao trabalhá-lo como telas e tramas ergonomicamente. 10 Eero Saarinen foi o Arquiteto responsável por criar um mobiliário com o design de tulipa. Advindos a partir de um desafio feito ao arquiteto, a tipologia Saarinen é amplamente conhecida.


CAPÍTULO 3 - PÁG

61

LEGENDA Figura 17

Figura 21

Logo após passar a entrada, há dois espaços, inseridos nas laterais, destinados a venda de produtos alimentícios, como os famosos lanches e cafés. Além de oferecer preços menores para a população que usufrui do parque, a localidade destes pequenos quiosques cria um ponto focal para o interior do Paley (Figuras 21 e 22).

Figura 22

Figura 18

Figura 17: Cadeiras Bertoia e Mesas Saarinen. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES) Figura 18: Representação do Mobiliário. (BLOG ARQUITETURA FALADA) Figura 19: Representação 3d do Piso Granítico Polido. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 20: Representação 3d do Piso Intertravado Granítico. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 21: Representação 3d dos Cafés. (SUPINSKY, D. LU, K, 2007) Figura 22: Foto com os Cafés ao redor da Entrada. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES)

Figura 19

Figura 20

Por ser de origem privada, o Paley Park possui um grande portão de ferro ornamentado que fecha em determinados períodos durante o ano. Em sua entrada é possível encontrar os horários de funcionamento: das 8:00 às 22:00 dos dias 1/05 a 1/11 e das 8:00 às 20:00 dos dias 2/11 a 30/04 (Figura 23). Em suma, o Paley introduziu uma nova forma de pensar os espaços urbanos. Sua iniciativa público-privada acarretou novas possibilidades de uso dos terrenos ociosos e permitiu ao usuário interagir com o meio inserido através da mobilidade do layout. Sua vegetação leve acrescida da parede d’água são seus principais atrativos, além da possibilidade de usufruir dos serviços de alimentação oferecidos pelos quiosques laterais.


CAPÍTULO 3 - PÁG

63

LEGENDA Figura 23

Figura 25

Figura 23: Imagem do Dia-a-dia dos Usuários no Paley Park. (BLOG ÁREAS VERDES DAS CIDADES) Figura 24: Localização do Terreno da Pracinha. (TripAdvisor, 2019) Figura 25: Representação 3d da Pracinha Oscar Freire. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design) Figura 26: Fotografia da Entrada do Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR)

3.2 Pracinha Oscar Freire Idealizado como um projeto temporário pelo escritório Zoom Urbanismo Arquitetura e Design, a Pracinha Oscar Freire nasceu através da iniciativa da empresa de desenvolvimento imobiliário Reud juntamente com o Instituto Mobilidade Verde. Localizado na movimentada Rua Oscar Freire – 974, o Pocket paulista foi considerado por muitos como o “primeiro Pocket Park de São Paulo” (Figuras 24 e 25).

Com o objetivo de fornecer melhor uso ao então subutilizado estacionamento, o projeto da Pracinha, implantado em 21 de maio de 2014, inseriu-se no local até que este recebesse um novo empreendimento. A Reud, dona do terreno, pretendia gerar uma apropriação pública do Pocket para que com a implantação do novo projeto, este com o térreo livre, mantivesse o mesmo uso (Figuras 26 e 27). Figura 26

Figura 24


CAPÍTULO 3 - PÁG

65

LEGENDA Figura 27

Figura 29

Figura 27: Relação do Pocket Park com o Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR) Figura 28: Acesso a Loja pelo Parque. (ACERVO DO AUTOR) Figura 29: Enfoque na Parede Lousa. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design) Figura 30: Foto da Rampa de Acesso ao Estacionamento e a Pracinha. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design)

O Pocket Park possuiu períodos distintos e sofreu pequenas modificações com o passar do tempo. A primeira intervenção ocorreu na parede lousa, criada pela artista Candy Chang e entitulada de “Before I Die”, a qual foi substituída por uma camada de vegetação (Figura 29). Já a segunda e mais recente engloba a abertura da parede lateral para dar acesso a loja (Figura 28). Figura 28

Com uma área de 300m², o pequeno parque ocupa a rampa do então estacionamento. Faixas de pedestres foram pintadas por toda área referente a entrada de veículos de forma a alertar o condutor sobre a intensa circulação de pedestres no espaço compartilhado. Esta ainda é utilizada como acesso de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida (Figura 30). Figura 30


CAPÍTULO 3 - PÁG

67

LEGENDA

As pequenas jabuticabeiras – plantadas em vasos de concreto, dialogam com as instalações metálicas distribuídas pela parede lateral, que servem de suporte para as floreiras feitas de pallet. Exemplares de costela de adão, samambaia, renda portuguesa, espada de são jorge, entre outros arbustos ornamentais, abundam por toda extensão da Pracinha (Figuras 31 e 32). Figura 31

Um espaço destinado para venda de produtos alimentícios naturais se localiza no fundo do parque (Figura 34). Considerado como um dos fatores atrativos, a lanchonete se agrega com a disponibilidade de Wi-Fi gratuito, segundo Amorim (Revista aU, Portal PINIweb, 2014) o Pocket paulista possibilita a advinda de food trucks¹¹ e eventos como workshops. Além dos bancos, as escadarias de acesso ao deck de madeira possibilitam o repouso do usuário (Figura 33). Figura 33

Figura 31: Enfoque na Vegetação Presente. (ACERVO DO AUTOR) Figura 32: Vista da Oscar Freire pela Entrada da lanchonete. (ACERVO DO AUTOR) Figura 33: Presença de Food Trucks e Vendedores Ambulantes. (ZOOM, Urbanismo Arquitetura e Design) Figura 34: Imagem da Lanchonete Implantada na Pracinha Oscar Freire. (ACERVO DO AUTOR)

Figura 34 Figura 32

11 Traduzido do inglês, “caminhão de comida” é um espaço móvel que transporta e vende comida. Alguns, como caminhões de sorvete, vendem congelados, outros se assemelham a restaurantes sobre rodas.


CAPÍTULO 3 - PÁG

69

LEGENDA

Após um levantamento de campo, decorrido no sábado dia 13 de maio de 2019, pode-se obter informações referentes ao perfil do usuário e suas principais atividades no local¹². A faixa etária com maior incidência está no intervalo de 25 a 40 anos no período da tarde, principalmente na hora do almoço. Apesar do intenso uso durante a semana, é no final de semana que se intensificam as atividades no parque. Figura 35

Segundo uma das lojistas entrevistadas, a Pracinha Oscar Freire se transformou em um agradável local turístico. Além das reuniões dos trabalhadores das redondezas, há um grande número de turistas que adentram o pequeno local, a contar com estrangeiros que se surpreendem ao “descobrir” o Pocket. Nas palavras da entrevistada “isto aqui virou um palco de fotografias”.

Ao se falar sobre parcerias público-privadas, a cidade de Nova Iorque se destaca com os POPS (Privately Owned Public Spaces)¹³. Estes são espaços criados como uma das primeiras formas de “zoneamento de incentivo”, inaugurados através da Resolução de Zoneamento de 1961 em Nova Iorque, para incentivar o fornecimento de espaços acessíveis ao público em propriedades privadas, em troca de um aumento do potencial construtivo em regiões de alta densidade (Figura 36). Os POPS inicialmente objetivavam maior quantidade de luz solar natural e ventilação nos distritos comerciais e residenciais de alta densidade, a fim de amenizar a rigidez e verticalidade das áreas mais consolidadas. Estes espaços de convivência englobam o interior ou exterior das edificações, como praças, galerias e átrios, desde que estejam disponíveis para uso público (Figura 37).

Figura 35: Aviso dos Administradores do Espaço (ACERVO DO AUTOR) Figura 36: Representação do “Zoneamento de Incentivo” oferecido pela POPS. (NYC: City Planning) Figura 37: POPS 590 da Madison Avenue. (NYC: City Planning)

Figura 37

De maneira geral, a Pracinha serviu de modelo para a sociedade paulistana reivindicar os espaços públicos da cidade. Os serviços oferecidos e sua pequena dimensão são seus principais chamarizes para sua grande apropriação (Figura 35).

3.3 Conceito de POPS Figura 36

A partir dos estudos liderados por William H. Whyte, feitos em 1970, pode-se entender os elementos básicos ou características de design que encorajavam ou inibiam a advinda do público. Com isto, definiram-se os equipamentos mínimos e obrigatórios a serem instalados em novos POPS, como assentos, espaços verdes, bicicletários, fontes de água e placas de identificação. 12 Entrevista realizada pelo autor. 13 Os Espaços Públicos de Propriedade Privada (POPS) tiveram início na cidade de Nova Iorque e se espalharam por todo território Estadunidense. Os principais municípios americanos com a presença destas áreas são: Nova Iorque, Boston e São Francisco. Só Nova Iorque conta com mais de 550 exemplares.


CAPÍTULO 3 - PÁG

71

LEGENDA

Foram revisados os padrões de design de espaços públicos na Resolução de Zoneamento nos anos de 2007 e 2009, facilitando a construção de edifícios públicos de alta qualidade. Assim, os princípios de design para o surgimento de novos Espaços Públicos de Propriedade Privada são: Aberto e convidativo. A praça deve ser visualmente interessante e facilmente vista da rua, deixando claro que é um espaço público aberto. O assento deve ser facilmente localizado ao longo de passarelas generosas. Acessível. O espaço de convivência deve preferencialmente estar localizado no mesmo nível da calçada para facilitar o acesso de todos os transeuntes. A circulação de pedestres deve ser incentivada por passarelas agradáveis e racionais. Sentimento de proteção e segurança. A praça deve ser orientada e visualmente conectada à rua, para evitar qualquer sensação de isolamento. Deve ser bem iluminado e conter caminhos prontamente acessíveis.

Localizado na Sexta Avenida, o edifício comercial projetado pelo escritório SOM (Skidmore Owings & Merrill) para a International Paper Company propicia uma conexão das Ruas West 45th e 46th através de sua praça e galeria abertas ao público (Figura 38). Construído entre os anos de 1972 a 1974, a torre de 44 andares englobou em 1983 uma das mais bem-sucedidas POPS de Nova Iorque. Kayden (2000) descreve que sua popularidade se deve à grande oferta de assentos, recursos hídricos acessíveis e um paisagismo de qualidade. A facilidade de acesso e as convidativas árvores dispostas na calçada atraem o pedestre para o interior do pequeno parque (Figura 39). Figura 39

Qualidade de assentos. Os POPS devem acomodar uma variedade de assentos bem projetados e confortáveis para pequenos grupos e indivíduos, que podem incluir cadeiras ou bancos fixos e móveis, degraus de assentos e paredes largas e baixas. Além de equilibrar as áreas abertas com vegetação e árvores.

3.4 1166 Avenue of the Americas Figura 38

Com uma metragem de 1950,56 m², o espaço fornece dois ambientes para o convívio dos usuários, sendo uma galeria com acesso ao parque e a própria área ajardinada que contém o jardim central e uma passarela periférica. Através de sua extensão estão distribuídos comércios e serviços como floristas, cafés e pizzarias (Figuras 40 e 41). No centro do POPS, a escultura abstrata de alumínio preto de Tony Smith, que remete um esqueleto de peixe e se denomina “Throwback”, repousa em uma fonte de formato quadrangular e possibilita que seus usuários sentem em bancos dispostos em

Figura 38: Localização do POPS. (TripAdvisor, 2019) Figura 39: Representação dos diferentes Elementos que compõem o Parque. (NYC: City Planning)


CAPÍTULO 3 - PÁG

73

LEGENDA

suas margens (Figuras 42 e 44). Ao seu redor, pequenos jardins floridos e canteiros retangulares, projetados pelos arquitetos paisagistas Hideo Sasaki¹⁴ e Masao Kinoshita, se interligam, cada qual com seu tema floral contendo azaleias, rododendros e magnólias (Figura 43).

Figura 41

Figura 40: Implantação do 1166 Six Avenue. (KAYDEN, Jerold S. et al., 2000) Figura 41: Delimitação da Galeria (sob o edifício) com o Parque. (BIRNBAUM, Charles, 2012)

Figura 40

Figura 42: Enfoque na Escultura sobre a Fonte. (1166 TourBook) Figura 43: Resultado dos Canteiros propostos pelos Arquitetos Paisagistas. (BIRNBAUM, Charles, 2012) Figura 42

Figura 43

14 Hideo Sasaki foi um arquiteto paisagista, norte americano, responsável pelo projeto do Pocket Park Greenacre, localizado em Nova Iorque na East 51st Street.


CAPÍTULO 3 - PÁG

75

LEGENDA Figura 44

quitetos da Hoffman Architects. Durante a última reforma, os então proprietários do edifício (Marsh & McLennan Companies) pediram que fosse inserido uma parede de vidro com os nomes dos funcionários da Marsh & McLennan mortos em 11 de setembro de 2001. Apesar de conjuntos, os espaços do POPS funcionam em períodos distintos. A galeria fica aberta ao público no horário comercial das 7 horas da manhã às 19 horas da tarde. Já a área aberta do parque, é acessível durante 24 horas (Figuras 46 e 47). Figura 46

Em ambas as entradas do parque (seja pela Rua 45th, ou pela Rua 46th) fileiras de árvores com folhagem espaçada permitem que o visitante mantenha contato visual com seu entorno filtrando simultaneamente os excessivos raios solares incidentes. Entre elas, os carvalhos escarlates e as cerejeiras ganham destaque. Conforme se adentra no interior da área de convívio, cadeiras com tipologia Bertoia na cor verde-escuro complementam o conjunto de mesas do tipo Saarinen Tulip com pés pretos e tampo de mármore branco (Figura 45). Figura 45

Após sua inauguração, o pequeno parque passou por mais duas alterações e melhorias. A primeira em 1989 pela Kliment Halsband Architects, que consistiu em um replanejamento paisagístico e a última ocorreu no período de 2000 a 2003 pelos ar-

Figura 47

No geral, o projeto do 1166 Avenue of the Americas, forneceu à população uma generosa área de convívio ajardinada. Mantido pelos donos do terreno, o espaço público dispõe de diferentes ambientes criando uma dinâmica de usos. A política urbana da POPS trouxe a regiões consolidadas melhores qualidades socioambientais.

Figura 44: Integração da Fonte com os Usuários. (KAYDEN, Jerold S. et al., 2000) Figura 45: Representação do Mobiliário Urbano. (NYC: City Planning) Figura 46: Área que permanece aberta durante as 24 horas. (JLL, 1166 Avenue of the Americas) Figura 47: Seguranças da Galeria. (KING, Gary, 09 jun. 2016)


O MUNICÍPIO DE SANTOS

4


4

CAPÍTULO 4 - PÁG

79

LEGENDA

O MUNICÍPIO DE SANTOS

Localizada na planície litorânea a 72km da capital paulista, a cidade de Santos transborda vida. Inserida na Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS), da qual é sede, o município abrange 281,033km² de área (39,4km² insular e 231,6km² continental) (Figura 48).

Histórico e os sete quilômetros de praia – este acompanhado pelo maior jardim de orla do mundo¹⁵. Além de contar com o maior mercado imobiliário do litoral e sediar a principal unidade regional do pré-sal da Petrobrás.

Figura 48: Inserção do município de Santos no Estado de São Paulo e na RMBS com Enfoque no Bairro do Gonzaga. (EDIÇÃO PRÓPRIA)

Devido sua configuração Insular e Continental, a cidade de Santos possui uma vasta área de manguezais e restingas. De acordo com o Instituto Pólis (2012), o município dispõe de quatro unidades de conservação: o Parque Estadual da Serra do Mar, a Área de Preservação Ambiental Santos–Continente (APASC), o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a APA Marinha Litoral Centro (Figura 49).

Figura 49: Mapa das Macrozonas da Cidade de Santos. Área Insular e Continental. (Anexo III do Plano Diretor)

Figura 49

BRASIL

SÃO PAULO

Figura 48

RMBS

Como base econômica do município estão as atividades ligadas ao Porto somadas com os setores de Turismo, Serviços e Pesca. Segundo o Instituto Pólis (2012), Santos abriga o maior complexo portuário da América Latina e é centro regional de serviços, como saúde e educação. Sua forte atividade turística tem como principais atrativos o Centro

15 Título concedido pelo Guinness Book, o livro dos recordes.


CAPÍTULO 4 - PÁG

81

LEGENDA

4.1 Breve História do Município Santista De acordo com MELLO (2008), Santos foi decretada Vila em 1546¹⁶ e através de sua intensa relação comercial com o município de São Paulo, foi elevada às condições de Cidade em 1839, tendo o Bairro do Valongo como seu centro comercial (Figura 50). A partir desse período, o Valongo se tornou núcleo de notável progresso comercial, provavelmente pelo fato de se localizar junta à saída do caminho para São Paulo, facilitando as intermediações com o planalto paulista; aí ocorria o maior movimento comercial da cidade, se localizavam os melhores hotéis e armazéns e residiam as pessoas mais proeminentes de Santos. (MELLO, 2008, p. 18) Figura 50

Devido às epidemias consequentes do aumento populacional, medidas de modernização do porto e das ruas foram implementadas para melhorar as condições insalubres e evitar doenças como: a varíola, a tuberculose e a peste bubônica, que acoitavam a cidade. Dentre as medidas, estava a criação de diversos canais de drenagem e captação de águas pluviais, sob a coordenação do engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito.

Figura 50: Santos, retratado por Benedito Calixto, em 1822. Representação do Valongo e da Foz de São Bento. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 16)

Sem dúvida, com o plano de saneamento, melhoramentos e extensão que Saturnino de Brito elabora e implanta em Santos, mesmo não tendo sido realizado em todos os seus aspectos, não apenas temos a construção de uma cidade moderna, mas também a aplicação de princípios urbanísticos revolucionários para a época, onde o passado colonial da cidade desaparece em nome de um futuro marcado pela higiene e progresso, que influenciará decisivamente o desenvolvimento do planejamento urbano no Brasil. (ANDRADE, 1991 apud MELLO, 2008, p. 115)

A presença de grande capital nacional e estrangeiro em larga escala foi, então, consequência dos melhoramentos urbanos e obras que dinamizaram a comercialização do café, as políticas sanitaristas urbanas, incrementando as relações com o planalto e instaurando uma rede de serviços públicos, Mello (2008).

4.2 Dados Populacionais Segundo Milliet (1941 apud MELLO, 2008, p. 21), devido ao ciclo econômico do café, em 1854, o município santista entra em um período de prosperidade e crescimento populacional. Nessa época, criou-se o vínculo entre a ampliação do porto, o desenvolvimento da produção do café e a expansão populacional (apesar das ondas sucessivas de epidemias), dando início aos primeiros estudos para a ligação ferroviária de Santos com o Planalto entre os anos de 1856 e 1859. Em 1859, um grupo inglês [...] iniciou a construção da São Paulo Railway, com adoção do sistema funicular no trecho da Serra. Terminada oito anos depois, a ferrovia que ligou Santos a Jundiaí passando por São Paulo, foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1867. (MELLO, 2008, p. 21)

Segundo os dados do SEADE (2018), estima-se que, em 2018, a cidade de Santos abrigava um total de 432.957 pessoas, cerca de 1.518,15 hab/km² como densidade absoluta. Na última estimativa do IBGE de 01 de julho de 2019 houve um crescimento populacional, com um total de 433.311 habitantes. Do total populacional, 99,00% (428.984 habitantes) se encontram na Região Insular do município, esta com área de 39,4 km², ou seja, uma densidade demográfica de 10.572,26 hab/km². O outro 1,00% (4.327 habitantes) reside na Área Continental, que conta com 241,633 km² 16 Não é certo a data em que Brás Cubas deu o foro de Vila ao povoado, mas presume-se através de documentos da época que pode ter sido no final de 1546, provavelmente em 1° de novembro, dia de Todos os Santos.


CAPÍTULO 4 - PÁG

83

LEGENDA

e apresenta 11,83 hab/km² de densidade demográfica¹⁷ (Gráfico 1). Gráfico 1

Com base no Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), os indicadores socioeconômicos do município superam tanto a média do País, como a do Estado de São Paulo. Desta forma, a cidade se coloca como uma das primeiras em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), contando com um valor de 0,840 em uma escala de 0 a 1. Dentre os 5.565 municípios brasileiros, Santos ocupa a 6ª posição segundo o IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal). Nesse ranking, o maior IDHM é 0,862 (São Caetano do Sul) e o menor é 0,418 (Melgaço)¹⁸ (Gráfico 2).

Gráfico 2

De acordo com o Censo de 2010, a Razão de Dependência¹⁹ no município, no período entre 2000 e 2010, passou de 44,60% para 44,50% e a Taxa de Envelhecimento²⁰, de 11,23% para 14,05%.

Gráfico 1: Comparativo entre as Densidades Demográficas de Santos, RMBS e Estado de São Paulo (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013) Gráfico 2: Comparativo do IDHM, com São Caetano do Sul em Azul e Melgaço em Vermelho. (ATLASBRASIL) Gráfico 3: Comparação de Pirâmides Etárias entre Santos, São Paulo e Brasil respectivamente. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

Ao distribuir a população por faixas etárias, se destaca a porcentagem de idosos em sua composição. Segundo o Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013) em Santos, 19,2% de sua população têm mais de 60 anos, o que representa 80.349 pessoas. Ao se comparar o maior contingente populacional do Estado de São Paulo, pessoas que estão entre 15 e 29 anos, com Santos (total de 21,8%) é percebido que sua porcentagem é equivalente ao grupo etário acima de 60 anos (Gráfico 3).

4.3 Dinâmica Domiciliar Gráfico 3

Embasado no Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), a cidade de Santos possui uma alta taxa de urbanização, sendo 99% do território consolidado e com densidade populacional de até 20.000 hab./km². As áreas que apresentam maior densidade se encontram na porção insular, em especial nas Zonas da Orla, Intermediária e Noroeste. Do total dos 56 bairros, apenas 9²¹ pos17 Segundo a última estimativa de 01 de julho de 2019 pelo IBGE. 18 ATLASBRASIL: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. 19 Percentual da população dependente (menores de 15 anos e maiores de 65) em relação à população economicamente ativa (entre 15 a 64 anos). 20 Razão entre a população de 65 anos ou mais de idade em relação à população total. 21 Estão englobados o Boqueirão, Marapé, Pompéia, Rádio Clube, Vila Progresso, Aparecida, Castelo, Embaré e Campo Grande.


CAPÍTULO 4 - PÁG

85

LEGENDA

suem densidade entre 20.000 e 27.500 hab./km². Isto corresponde a 47,53% da população total – 205.953 habitantes. A densidade média do município é de 2,90 habitantes por domicílio, enquanto no total do Estado é de 3,22 hab./dom. A participação de domicílios com até três moradores foi de 69,9%, enquanto a daqueles com mais de cinco moradores foi de 12,0%. A proporção de domicílios com apenas um morador foi de 17,4%, em comparação com os 12,3% observados no Estado. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013, p. 15) (Gráfico 4) Gráfico 4

4.4 Áreas Verdes no Município Em relação com o IBGE (2010), Santos possui 87.3% de domicílios urbanos inseridos em vias públicas com arborização. Se comparada ao Estado de São Paulo, a cidade se destaca na 428° posição e no país na 1.760°. Segundo o Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), por mais que o município santista possuía uma boa média de áreas verdes por habitante – cerca de 16,01m²/hab²², ao se analisar os bairros de maneira independente os indicadores caem efetivamente (Tabela 1).

Gráfico 4: Distribuição de Domicílios, por Moradores. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013) Gráfico 5: Tipologia de Domicílios a Cidade de Santos. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013) Figura 51: Representação da Evolução da Mancha Urbana de Santos (Vermelho). Instituto Pólis (2012)

[...]. Bairros como o Saboó apresentam irrisórios 0,81 metros quadrados por habitante, tendo coberta apenas 2,27% de seu território. Dos 60 bairros, apenas 7 tem média superior aos 15 m²/ hab., que demonstram a desproporção de áreas verdes pelas regiões de Santos. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013, p. 65)

De acordo com Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), Santos é possuidor do maior índice de verticalização brasileiro, tendo um índice de 63% dos domicílios encontrados em apartamentos e 37% para as demais tipologias como casas unifamiliares, vilas ou condomínio horizontal (Gráfico 5).

As localidades onde o índice se demonstra maior se inserem nas zonas dos morros. Isto ocorre devido a políticas ambientais de preservação do restante de Mata Atlântica na cidade. Já no restante dos bairros, já consolidados, a média diminuiu drasticamente (Figura 51). Figura 51

Gráfico 5

22 De acordo com o SBAU (Sistema Brasileiro de Arborização Urbana), para se obter uma média qualificada de áreas verdes por habitante a cidade deve estar acima de 15m²/hab.


CAPÍTULO 4 - PÁG

87

LEGENDA Tabela 1

Quanto ao volume de resíduos gerados na cidade os índices são altos, mas em tendência de queda. De acordo com os dados do IBGE (2010), o território é quase totalmente atendido pela coleta domiciliar, sendo oferecido a 85% das residências o programa de Coleta Seletiva²⁴ (Gráfico 7). Gráfico 7

Tabela 1: Média de áreas verdes por habitante dos Bairros da Cidade de Santos. Em destaque está o Bairro a ser Implantada a Proposta do Pocket Park (¹). (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013) Gráfico 6:Domicílios com acesso à rede de Abastecimento de Água e Esgoto. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013) Gráfico 7:Domicílios com acesso à rede de Coleta de Lixo. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

4.5 Infraestrutura Urbana No quesito infraestrutura urbana, Santos apresenta, em média, elevados índices. Segundo as concessionárias responsáveis pelo abastecimento, o município possui uma cobertura classificada como “universal”²³ quando englobado os tópicos de abastecimento de água, esgotamento sanitário, fornecimento de luz e energia e coleta de lixo.

O acesso à rede de energia elétrica é praticamente universal em Santos, englobando 99,9% dos domicílios legalmente registrados (Gráfico 8).

Gráfico 8:Domicílios com acesso à rede de Energia Elétrica. (Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

Gráfico 8

Segundo o Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), o sistema de abastecimento de água e esgoto atende 96,15% dos domicílios com exceção dos assentamentos precários (em morros, palafitas e favelas), onde a Sabesp se declara impedida de prover o serviço por falta de pressão em períodos de pico (Gráfico 6). Gráfico 6

23 Segundo censo de 2010 do IBGE. 24 Programa realizado a mais de 20 que destina materiais que são possíveis de serem reciclados. (1) As áreas cobertas indicam o percentual de Cobertura Geográfica do Bairro.


LEVANTAMENTO DE DADOS E DIRETRIZES URBANAS DA ÁREA DE ESTUDO

5


Figura 52

Figura 53

Tabela 2

91

LEGENDA

LEVANTAMENTO DE DADOS E DIRETRIZES URBANAS DA ÁREA DE ESTUDO O terreno adotado para a implantação da proposta do Parque Independência se insere no Bairro do Gonzaga, número 21, Praça da Independência, onde atualmente funciona um estacionamento da rede paulistana Patropi²⁵ (Figuras 52 e 53). A área designada para o projeto foi escolhida por se situar em um dos locais mais adensados da Região Insular do município, além de possuir um grande potencial turístico e econômico (Tabela 2). Desta forma, o Pocket possibilitará a melhoria da qualidade socioambiental do entorno de sua inserção e atenderá a demanda para opções de lazer nos espaços livres de uso público visto que o bairro oferece poucas (Figuras 54 a 62).

Figura 55

Figura 56

Figura 62

Figura 52: Entrada do Estacionamento. (ACERVO DO AUTOR) Figura 53: Vista da Entrada do Terreno. (ACERVO DO AUTOR)

Praça Fernando Pacheco

Tabela 2: Evolução da População do Bairro do Gonzaga de 2000 a 2010. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor, de 11 de julho de 2013)

Figura 54

Figura 57

Figura 61

Praça da Independência

Praça Melvin Jones

Praça das Bandeiras

Praça João Miguel Kodja Figura 59

Figura 58

Praça Rotary

5

CAPÍTULO 5 - PÁG

25 O Sistema Patropi de Estacionamentos e Garagens foi fundado em janeiro de 1971.

Figura 60

Figura 54: Mapa de Praças, Áreas Verdes e Ciclovias Presentes na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos) Figura 55 a 62: Praça Fernando Pacheco; Praça da Independência; Praça das Bandeiras; Praça Rotary; Praça João Miguel Kodja; Praça Melvin Jones (ACERVO DO AUTOR)


CAPÍTULO 5 - PÁG

93

LEGENDA

5.1 Histórico do Bairro da Intervenção Devido ao grande movimento gerado pelo porto e a falta de saneamento existente na cidade de Santos, a população santista mais abastada se desloca para a orla da praia a fim de obter condições mais salubres de qualidade de vida. O traçado originado a partir do Centro da cidade em direção a orla marítima, constituído pela mudança da elite residencial da área central para a região das praias, ainda no final do século XIX, constituiu o primeiro vetor de crescimento da cidade para além dos limites do Centro Velho e dos bairros contíguos a ele [...]. A abertura das avenidas Anna Costa e Conselheiro Nébias foi essencial para que a cidade alcançasse a região das praias [...]. (MELLO, 2008, p. 137)

Segundo Araújo Filho (1965 apud MELLO, 2008, p. 138) a expansão em direção às praias originou áreas vazias no entremeio do centro e da orla por não ter ocorrido de forma contínua. Neste período, a burguesia de Santos disputava de forma exagerada por suas propriedades. Andrade (1989 apud MELLO, 2008, p.138) evidencia que “[...] havia um enorme vazio entre a cidade e a Barra, que foi sendo preenchido aos poucos. Enquanto isso, a Barra ia sendo ocupada espaçosamente, por casas e chácaras, numa expansão nada tímida [...]” (Figura 63).

Os primeiros bondes elétricos surgiram em 1909 e rapidamente em 1910 as chácaras de veraneio passaram a ser substituídas por grandes palacetes, nomeados de “mansões de praia” baseados nos já existentes em São Paulo. Estes serviam como representação dos valores e luxos da classe cafeeira de Santos. (MELLO, 2008, p. 142) Em 1922 ocorreu a construção da Praça da Independência a fim de demonstrar o poderio e riqueza dos barões do café (Figura 65). Que juntamente serviu para o advento de grandes hotéis e inúmeros estabelecimentos de lazer e comércio. No ano de 1930 a Avenida Anna Costa se tornava o principal ponto do turismo e da vida balneária (Figura 64). [...] esse fenômeno foi tão marcante que a alta renda construiu, ao longo do século XX, em um bairro da orla – o Gonzaga – um novo centro comercial e de prestação de serviços que atraiu para si muitas das empresas antes instaladas no centro da cidade, de maneira que grande parte da classe média rompeu quase que inteiramente seus vínculos de consumo com esta área. (CARRIÇO, 2002 apud MELLO, 2008, p. 144)

Figura 63

Figura 64

Figura 63: Foto da Anna Costa em 1915. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 169) Figura 64: Foto da Anna Costa em 1940. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 169)


CAPÍTULO 5 - PÁG

95

LEGENDA Figura 65

Com o exponencial aumento populacional decorrido da abertura da Via Anchieta em 1950, a verticalização da orla pela proeminente falta de espaço acarretou uma pressão, imposta pelo mercado imobiliário, nos antigos casarões para a sua substituição pelos edifícios de apartamentos (Figura 66). [...] segmentos da alta e média renda, provenientes da capital e do interior, passaram a adquirir apartamentos de temporada na faixa litorânea de Santos e demais cidades da Baixada, impulsionando o ramo da construção civil; houve então uma substituição dos antigos palacetes pelos edifícios de apartamentos, transformando a paisagem praiana, destacando-se a rápida implantação desse tipo de edificação, dado o esgotamento do espaço disponível para moradia nessa área [...]. (MELLO, 2008, p. 147) Figura 67

Figura 66

Figura 65: Praça da Independência (s.d.). (Acervo do IHGS) Figura 66: Foto da Praça da Independência no Início de sua Verticalização (s.d.). (Acervo do IHGS) Figura 67: Foto da Anna Costa em 2007. (Mello, Gisele Homem, 2008, p. 169)


CAPÍTULO 5 - PÁG

97

LEGENDA

Já no ano de 1960, a Praça da Independência se tornou o núcleo do Gonzaga, devido ao grande fluxo de população flutuante²⁶ e a crescente demanda de comércio e serviços. Segundo Seabra (1979 apud MELLO, 2008, p. 153) entre os anos de 1955 e 1973 o número de edifícios, grandes, médios e pequenos, aumentou 74% (Figuras 67 e 68). Para a consolidação desse padrão de ocupação espacial concorreu à lógica da incorporação imobiliária, que atuou no sentido de construir uma regulação urbanística voltada a seus interesses, a mesma que concorreu para a valorização dos terrenos da orla. (MELLO, 2008, p. 168) Figura 68

5.2 O Palacete da “Rainha da Banana” Um dos donos da antiga propriedade, em entrevista dada ao Autor²⁷, esclareceu quem foi o último proprietário do Casarão, visto que este não possui documentação, ou, registro de sua data de constru-

Figura 69

Figura 68: Foto da Anna Costa em 2013. (CABALEIRO, Marcos) Figura 69: Foto de Dona Áurea no Jornal de 25 de junho de 1966. (ACERVO DO ENTREVISTADO) Figura 70: Palacete da “Rainha da Banana”. (ACERVO DO ENTREVISTADO)

ção e nem de seu mandante. Dona Áurea Gonzalez Conde, também conhecida como “A Rainha da Banana”²⁸ adquiriu a propriedade após seu segundo casamento (Figuras 69 e 70). Figura 70

26 É o conjunto de indivíduos presentes no Território na data de referência, por um período de curta duração, por motivos recreativos, de turismo, visita a familiares ou de negócios. 27 Entrevista realizada pelo autor a um dos netos de Dona Áurea. 28 Título concebido devido pioneirismo e destaque em relação à exportação da fruta no Brasil, chegando a manter em seu patrimônio dois navios (Luciano Castro e Áurea Conde) para o transporte exclusivo da sua produção ao mercado Sul-Americano.


CAPÍTULO 5 - PÁG

99

LEGENDA

De origem espanhola, Áurea Gonzalez Conde nasceu em 1889 na cidade de Carvalleda de Valdeorras, na província de Orense, Galícia. Aportando no Brasil em 1906, fugida de um casamento arranjado aos 14 anos, residiu em Vargem Grande no Guarujá juntamente com seu primeiro marido Luciano Castro²⁹. Durante seu primeiro casamento, Dona Áurea adquiriu grande fortuna através da produção e exportação de banana, chegando a adquirir propriedades rurais nas proximidades do Rio Branco em Itanhaém no ano de 1939³⁰. Na década de 1940, a “Rainha das Bananas” já era considerada a maior exportadora da fruta no país. Neste mesmo período, Áurea Conde liderou a criação da Cooperativa Central dos Bananicultores do Estado de São Paulo, que se tornou a mais alta expressão do gênero, respondendo por 60% da exportação brasileira de banana. Após o falecimento de seu primeiro marido, Dona Áurea contraiu segundas núpcias com Severo Conde Y Conde que lhe ofereceu o casarão da Praça da Independência como presente de casamento (Figuras 71 e 72).

Posteriormente a seu falecimento em 1966, a família alugou o casarão para dois bancos³¹ antes de ser desapropriada e permanecer fechada por 6 meses. Durante o período de ociosidade, entre 1998 e 1999, o palacete Barroco foi demolido restando apenas os antigos aposentos dos funcionários e a garagem (Figuras 73 e 74). Figura 73

Figura 71: Desfile em Comemoração de 7 de setembro. Nota-se o palacete à direita. (ACERVO DO ENTREVISTADO) Figura 72: Casarão de Dona Áurea à Esquerda. (ACERVO DO ENTREISTADO) Figura 73: Demolição do Casarão Barroco. (ACERVO DO ENTREVISTADO) Figura 74: Aposento dos Funcionários e Garagem, hoje totalmente descaracterizado. (ACERVO DO AUTOR)

Figura 71

Figura 74

Figura 72

29 Não se sabe a época de seu Falecimento. 30 Data de Estopim da Segunda Grande Guerra Mundial, 1939 a 1945. 31 Citibank e Manhattan Bank respectivamente.


CAPÍTULO 5 - PÁG

101

LEGENDA

5.3 Condicionantes do Terreno Inserido na Zona da Orla (ZO) segundo o Anexo II da LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo 1006/2018), o local onde se implantará o projeto do Pocket Park está localizado estrategicamente em um ponto de grande visibilidade no Gonzaga (Figura 75).

Área caracterizada pela predominância de empreendimentos residenciais verticais de uso fixo e de temporada, permeada pela instalação de atividades, comerciais, recreativas e turísticas, onde se pretende a diversificação do uso residencial e a qualificação e integração dos espaços públicos e privados. (LUOS, Lei Complementar n° 1006, 2018, p. 9)

Ao se tornar uma importante centralidade do município de Santos, o bairro caracterizou-se pela grande incidência do Setor Terciário, gerando um uso do solo bem diversificado entre comercio, serviços e habitação. Segundo o Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013) o Gonzaga faz parte de um longo eixo de distribuição de comércios e serviços denominado de eixo norte-sul, que engloba sua região e a do Centro (Figura 76). Figura 75

Figura 76

Figura 75: Mapa de Uso do Solo na Área de Influência do Projeto – 500m. Apropriação de dados por Predominância. (EDIÇÃO PRÓPRIA, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos) Figura 76: Mapa de Zoneamento da Área Insular do Município de Santos. (SANTOS. Lei Complementar n°1006, de 16 de julho de 2018, ANEXO II) (ADAPTADO PELO AUTOR)


CAPÍTULO 5 - PÁG

103

LEGENDA

Por englobar um grande número de edificações de uso misto e fazer parte do polo comercial e turístico da cidade de Santos, a região do Gonzaga possui um grande fluxo de pessoas acarretando o fenômeno chamado de movimento pendular, ou seja, o movimento caracterizado entre casa-trabalho e trabalho-casa³².Esta multiplicidade de usos possibilitou a presença de diferentes atores sociais como usuários e prestadores de serviços, habitantes e turistas. Dentro de uma subdivisão destes, os atores que predominam são: população economicamente ativa como estudantes e trabalhadores (principalmente entre 20 a 40 anos) e idosos (a partir de 60 anos) atraídos belo turismo balneário³³.Quanto à dinâmica da densidade domiciliar, a ocupação vertical tende a ser predominante no bairro. De acordo com o Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor (2013), é nítida a alta densidade domiciliar na faixa de quadras que acompanham a praia³⁴ (Figura 77).

Segundo Souza (2004 apud NASCIMENTO, 2015, p. 53), a geometria urbana é um dos principais fatores causadores das ilhas de calor. Esta é determinada pela relação da altura do gabarito na via em estudo e sua largura. No caso da Avenida Anna Costa os edifícios possuem uma média de 15 pavimentos, ou, 45m de altura se for considerado o pé esquerdo³⁶ padrão de 3 metros (Figura 78). Figura 78

Figura 77: Mapa de Densidade Habitacional na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos) Figura 78: Relação entre o Perfil dos Edifícios (Altura) e a Largura da Via. (NASCIMENTO, Ana Paula dos Santos, 2015, p. 55)

Figura 77

A ocorrência de inversões térmicas causa a estagnação do ar frio próximo ao solo e impossibilita a dispersão de poluentes. A geometria urbana é o fator principal para impedir a vazão dos gases nocivos.

[...]. Normalmente, os poluentes atmosféricos são levados da cidade por correntes de ar quente, que se eleva para o ar frio acima [...]. O ar mais frio, incapaz de se elevar para o ar mais quente acima, é retido próximo ao chão durante horas ou mesmo dias, carregando todas as emissões venenosas. Quanto maior a persistência da inversão, maiores as concentrações de poluição do ar na cidade. (SPIRN, 1995, p. 61)

Por possuir um coeficiente de aproveitamento alto³⁵, o potencial construtivo do Gonzaga permite um maior uso do lote como área construída. Isso causou extrema verticalização, criando uma problemática referente à qualidade ambiental do bairro. A forma geral da cidade, quando é planejada sem observar os padrões dos ventos, aumentam não apenas as possibilidades de concentração de poluentes, mas também intensifica o desconforto dos moradores ao permitir a formação do fenômeno conhecido como ilha de calor urbano. (SPIRN, 1995, p. 67)

O fato da inserção do terreno em estudo, se localizar no entorno da Praça da Independência, faz com que este esteja em uma 32 Dados retirados do Diagnóstico Consolidado do Plano Diretor de 2013. 33 Entrevista realizada pelo autor a trabalhadores de diversos ramos. 34 Algumas quadras chegam a ultrapassar os 500 domicílios por hectare. 35 Segundo a LUOS (Lei Complementar 1006/2018 de Uso e Ocupação do Solo), a Legislação pertinente que engloba a ZO determina que haja um coeficiente obrigatório mínimo e máximo de aproveitamento do terreno de 0,5 e 5 respectivamente. 36 Somatória da altura do pé direito (piso ao teto) com a espessura da laje, ou seja, distância do piso inferior ao piso superior.


CAPÍTULO 5 - PÁG

105

LEGENDA

área de fácil acesso. O fornecimento de variados modais de transporte coletivo, como: ônibus e trólebus e a existência de ciclovias, dinamizam a região (Figura 79). A Avenida Anna Costa é considerada uma Via Arterial, enquadrando-se na tipologia de Corredor de Desenvolvimento Urbano³⁷, pela LUOS (Lei Complementar n° 1006, 2018). Esta é um importante eixo comercial para o município, englobando: shopping centers, hipermercado, hospital, hotéis, instituições públicas e grandes e pequenos comércios e serviços (Figura 80).

II - à Outorga Onerosa do Direito de Construir - OODC, conforme a fórmula definida no artigo 154 desta lei complementar, com fator de planejamento - Fp de 0,2 (dois décimos) para utilização do coeficiente ampliado. (LUOS, Lei Complementar N° 1.006, 2018, p. 32) Figura 80

Figura 79: Mapa da Hierarquização Viária na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos) Figura 80: Mapa de Vias Especiais na Área de Influência do Projeto – 500m. (EDIÇÃO PRÓPRIA, SANTOS, Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

Figura 79

Figura 81: Esquema explicativo dos Coeficientes de Aproveitamento. (Cartilha Síntese da Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santos)

Figura 81

Devido a sua configuração de Via Especial, a Avenida Dona Anna Costa possui diferentes formas de utilizar os coeficientes de aproveitamento quando comparado com a Zona da Orla. Segundo a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Lei Complementar n° 1006, 2018), a região municipal considerada como Zona da Orla possui um coeficiente básico de 4 vezes a área do lote, o que na via em questão pode-se chegar de 5 a 6 vezes a área do lote (coeficiente máximo e ampliado respectivamente) quando for apresentada uma contrapartida (Figura 81). Art. 59 Nos Corredores de Desenvolvimento Urbano - CDU localizados na Zona da Orla - ZO será admitida a utilização de coeficiente de aproveitamento acima do coeficiente básico, condicionada: I - à implantação de Área de Integração³⁸ de no mínimo de 40% (quarenta por cento) da área do recuo frontal;

37 Segundo a LUOS (Lei Complementar 1006/2018 de Uso e Ocupação do Solo), os Corredores de Desenvolvimento Urbano são Vias Especiais que compreendem vias que possuem grande capacidade de circulação, onde se pretenda estimular o adensamento sustentável. 38 Área de integração é porção do lote lindeira à via pública, que não possua fechamentos, ou, com elementos construídos com altura máxima de 1,40m, de modo a propiciar melhor interação entre o público e o privado. (Lei Complementar 1006/2018 de Uso e Ocupação do Solo)


O PROJETO – PARQUE INDEPENDÊNCIA

6


6

CAPÍTULO 6 - PÁG

O PROJETO – PARQUE INDEPENDÊNCIA

A partir da reflexão feita no decorrer do trabalho, é demonstrado como a qualidade socioambiental dos espaços livres de uso público são de extrema importância para um bem estar populacional no ambiente urbano. A escolha do Bairro do Gonzaga para a implantação de um Pocket Park, foi devido a consolidação de seu território e alta densidade populacional, além de ser uma região de grande potencial econômico e turístico. A proposta do projeto tem como objetivo atender aos usuários que moram ou trabalham no entorno, de forma a melhorar a qualidade ambiental e proporcional um local de lazer. Com relação as análises e estudos de caso apresentados, chegou-se ao conceito do Parque Independência. Ao se definir uma área de influência direta de 500 metros a partir do Pocket, entendeu-se que os usuários deverão acessar este espaço a pé, ou, através do transporte público e que o tempo de deslocamento e permanência no local será compatível com os intervalos da jornada de trabalho e pequenos horários de ócio na vida cotidiana.

6.1 Memorial Justificativo do Projeto Por ser o único terreno de grande porte (1.865m²) no entorno da Praça da Independência, houve uma grande valorização em sua metragem quadrada³⁹. Segundo os donos do lote, já foram oferecidas propostas que variavam de 18 a 22 milhões, além de projetos de estabelecimentos comerciais como a Hamburgueria Madero e a loja Tok&Stok de Decoração⁴⁰. Devido ao alto valor do terreno, será proposto a criação de uma ALUP (prevista na Lei Complementar N° 1.006/2018 – Santos, São Paulo) com o intuito de suprir os valores impostos pelo mercado imobiliário,

visto que o instrumento urbanístico permite a ampliação do coeficiente de aproveitamento através da doação do pavimento Térreo para o município. O princípio das Áreas Livres de Uso Público é oferecer um empreendimento que provenha um espaço público de qualidade, já que este ficaria sobre a responsabilidade dos proprietários do logradouro. Art. 151 As Áreas Livres de Uso Público - ALUP, assim como as Áreas Cobertas de Uso Público - ACUP, correspondem às áreas livres, externas ou internas às edificações, niveladas com o passeio público, sem fechamentos, que visem melhorar a oferta de espaços qualificados para o uso público, com oferta de mobiliário urbano, destinados à circulação de pedestres, sendo proibida a oferta de vagas de veículos nesta área. § 1º A implantação de Áreas Livres de Uso Público - ALUP, assim como de Áreas Cobertas de Uso Público ACUP, será incentivada mediante concessão não onerosa de adicional de coeficiente de aproveitamento, limitados ao coeficiente máximo ou ampliado permitido para a localidade, em área equivalente a 02 (duas) vezes à área da própria ALUP ou ACUP. § 2º A aprovação de Área Livre de Uso Público - ALUP, ou de Área Coberta de Uso Público - ACUP, implantada em empreendimento que receba o incentivo da concessão não onerosa de adicional de coeficiente de aproveitamento, ficará condicionada à manifestação favorável da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e à aprovação no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano - CMDU, que considerará o potencial de fruição e de conexão da área analisada, bem como a qualidade do espaço e da paisagem urbana. (LUOS, Lei Complementar N° 1.006, 2018, p. 53)

39 Em entrevista realizada em 3 imobiliárias, pelo autor, no Gonzaga os valores referentes a compra de imóveis variam de 6 mil a 7 mil o m², já no “coração do Gonzaga” – Praça da Independência, os preços sobem para 10 mil o m². 40 Entrevista realizada, pelo autor, com um dos membros da Família Conde possuidor do terreno.

109


CAPÍTULO 6 - PÁG

111

LEGENDA

Desta forma, foi proposta a criação de um prédio comercial que oferecerá renda para a manutenção do pequeno parque (Figuras 83 e 84). Uma vez que este edifício não é o foco da discussão da presente monografia, não será apresentado o seu projeto arquitetônico, apenas a sua volumetria segundo o coeficiente máximo permitido. Figura 82

O lote em forma de “L” é delimitado por três edifícios de grande porte (dois no eixo Norte e um no eixo Leste) e uma drogaria (no eixo Sul). Desta forma, apesar do gabarito do futuro empreendimento ultrapassar o do seu entorno, o espaço não sofrerá maior opressão, visto que o pavimento térreo permanecerá livre para o uso público (Figuras 85 a 88). Figura 84

Figura 82: Representação do Edifício Comercial com o coeficiente de aproveitamento básico (Azul), o coeficiente de aproveitamento máximo (amarelo) e o coeficiente de aproveitamento ampliado (Vermelho - ALUP). (ESTUDO DO AUTOR) Figura 83: Vista do Espectador da Aplicação da ALUP no Edifício Comercial. (ESTUDO DO AUTOR) Figura 84: Foto do Terreno em Estudo no Período das 09h30. (ACERVO DO AUTOR) Figura 85: Foto do Terreno em Estudo no Período das 12h00. (ACERVO DO AUTOR)

Figura 85 Figura 83


CAPÍTULO 6 - PÁG

113

LEGENDA Figura 86

Os principais desafios encontrados para a elaboração do programa de necessidades do Pocket, foram a sua unicidade com o espaço urbano do entorno e a conciliação entre o uso privado e o público. Sendo assim, com base nos estudos e análises feitos, deu-se início a setorização do projeto, localizando da melhor forma as áreas, os acessos e os mobiliários urbanos que otimizarão o fluxo e o funcionamento do parque. As quatro subdivisões previstas no projeto (Acolhimento, Área de Permanência, Área Comercial e Espaço Cultural) se comportam de maneira uníssona entre si e o entorno através da paginação de piso. ACOLHIMENTO

Figura 87

O espaço referente ao Acolhimento é destinado a atrair a população para o interior do parque. É através dele que o usuário terá o seu primeiro contato com esta área pública por meio de vegetação, mobiliário urbano e paginação de piso. Para que se ocorra uma melhor interação do público com a região do Pocket foi optado por realocar a calçada, que conecta a Avenida Anna Costa com a Rua Galeão Carvalhal, para o interior do terreno, obrigando a pessoa a adentrar no lote. Figura 88

6.2 Parque Independência O Pocket Park denominado de Parque Independência, devido sua localização, foi concebido com o intuito de proporcionar para a população um espaço de convivência onde elas possam passar um período de tempo e se reaproximar da natureza. Para tanto, o usuário será convidado a adentrar no parque através de uma paginação de piso que promove uma sutil insinuação de sua localização.

Figura 86: Foto do Terreno em Estudo no Período das 15h00. (ACERVO DO AUTOR) Figura 87: Foto do Terreno em Estudo no Período das 17h30. (ACERVO DO AUTOR) Figura 88: Entrada pela Avenida Anna Costa com vista para a Cafeteria. (EDIÇÃO DO AUTOR)


CAPÍTULO 6 - PÁG

115

LEGENDA

Pela extensão da área de Acolhimento, foram distribuídos bancos e canteiros com o intuito de criar uma alameda sombreada para os cidadãos que passarem ou permanecerem pelo local.

Figura 90

Figura 89

Figura 89: Vista da Banca de Jornal e do Espaço destinado à Carga e Descarga e Food Trucks. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 90: Fachada da Cafeteria. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 91: Área da Cozinha e Balcão de Atendimento. (EDIÇÃO DO AUTOR)

Juntamente ao café, foram inseridas outras áreas de apoio para o parque. Nelas estão dispostos quatro banheiros que atenderão todo o Parque Independência, sendo dois deles para portadores de necessidades especiais, além de englobar uma despensa e a reserva para a reciclagem do lixo gerado no local. Um espaço destinado para carga e descarga foi criado para suprir as necessidades da cafeteria e da farmácia já existente, visto que esta teve parte de seu estacionamento desapropriado para que o fluxo de pedestres referente à área pública não fosse comprometido pela passagem veículos. Como forma de obter um segundo uso para a área de carga e descarga, foram distribuídos bancos modulares de concreto, possibilitando futuras modificações de layout, ao seu redor para a eventual locação de Food Trucks.

Figura 91

ÁREA DE PERMANÊNCIA A Área de Permanência é um polo atrativo de lazer e convívio para o usuário. Desta forma, a locação de uma cafeteria justifica-se como um complemento ao parque oferecendo mais uma opção de espaço de alimentação e convívio. O bloco da cafeteria foi disposto no terreno de forma que ele ficasse "escondido" entre o edifício comercial e a farmácia, oferecendo uma sensação mais intimista e acolhedora. Além disto, o espaço da edificação se torna o fator surpresa do Pocket Park, visto que ele surge conforme o pedestre se aproxima de sua localização.

Juntamente ao balcão, na lateral da cafeteria, foi proposto um Workplace, que permite com que a pessoa use o local para trabalho ao mesmo tempo que desfruta do espaço público. A fim de proporcionar um microclima na Área de Permanência, foram dispostas vegetações que oferecessem sombreamento


CAPÍTULO 6 - PÁG

117

LEGENDA

e filtrassem os raios solares incidentes ao redor da cafeteria. Uma pequena queda d'água de 2,50m de altura foi projetada do lado oposto ao café proporcionando conforto térmico e ambiental ao usuário. A água é derramada sobre blocos de concreto em diferentes níveis até chegar ao espelho d'água criando uma ambientação sonora tranquilizante e amenizadora dos ruídos externos da cidade.

Alguns blocos mais baixos foram dispostos para a interação da população com os elementos aquáticos, onde são permitidos o toque e o deleite da água, juntamente da contemplação de espécimes de peixes como carpas coloridas. Figura 94

Figura 92

Figura 92: Espaço da Praça de Alimentação. Percebe-se os W.C.s com Pergolados como aparato Visual. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 93: Vista da bancada destinada a Workplace. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 94: Ambientação criada pelo Café juntamente com Vegetação e Queda D'água. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 95: Representação dos Mobiliários adotados no Pocket. Ao fundo está o Prédio Comercial. (EDIÇÃO DO AUTOR)

ÁREA COMERCIAL

Figura 93

A Área Comercial abrange o edifício proposto pela ALUP, a entrada do seu estacionamento no subsolo (ambos representados de maneira hipotética) e um espaço destinado para o lazer ao redor do bloco comercial. Figura 95


CAPÍTULO 6 - PÁG

119

LEGENDA

Na projeção do prédio comercial, foi proposto uma área para o uso com feiras, sejam elas artesanais, de arte, ou, de produtos alimentícios. Figura 96

ESPAÇO CULTURAL Em frente a farmácia, no local do estacionamento desapropriado, foi realocada a banca de jornal que se encontrava no entorno da Praça Independência. Figura 98

Figura 96: Vista Frontal do Edifício. Nota-se a entrada do estacionamento a esquerda, juntamente com o Banco-Bicicletário. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 97: Detalhe da Área do Pergolado. (EDIÇÃO DO AUTOR) Figura 98: Banca de Jornal e Espaço de Leitura. (EDIÇÃO DO AUTOR)

A região de repouso ao redor da edificação, foi projetada com a intensão de criar pequenas salas de estar, separadas pelo paisagismo existente. No decorrer de sua extensão foram dispostas árvores e arbustos a fim de "abraçar" a população que ali se encontrar, diminuindo as interferências visuais externas. Ao fundo foi inserido um pergolado para uma experiência mais intimista, já que o espaço é cercado por três edificações altas. Figura 97

A banca recebeu um novo projeto, aumentando sua área interna para que possa englobar uma maior variedade de produtos e atrair um maior número de pessoas. Em sua lateral foram dispostos bancos e banquetas com a finalidade de criar um espaço de leitura.


CONSIDERAÇÕES FINAIS Em suma o trabalho, levanta a questão da qualidade de vida no ambiente urbano sob a ótica da carência de áreas ajardinadas nas cidades. A má distribuição de espaços livres de uso público de qualidade converge para um município com problemas climáticos, ambientais e sociais, uma vez que as problemáticas geradas por regiões extremamente adensadas poderão ser nocivas ao bem estar do cidadão. A localização escolhida para a implantação do Pocket Park, na Cidade de Santos, São Paulo, ajudará a expandir os ideais difundidos por esta tipologia de Parque Urbano, em especial a criação de espaços de lazer públicos, a melhoria dos microclimas na região de implantação do parque e diminuição dos espaços públicos ociosos. Com a conclusão do projeto e explicitação do tema, a população interessada entenderá a importância de uma área ajardinada em relação ao entorno edificado e como o Pocket Park poderá ser inserido neste contexto, sendo ele uma tipologia alternativa de promover novos espaços públicos às áreas adensadas dos municípios.


REFERÊNCIAS

EMPLASA: Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A. RMBS: Região Metropolitana da Baixada Santista. Disponível em: <https:// www.emplasa.sp.gov.br/RMBS>. Acesso em: 22 maio 2019. GEHL, Jan. Cidades para Pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2014. 262 páginas.

AGEM: Agencia Metropolitana da Baixada Santista. Plano Metropolitano de Desenvolvimento Estratégico da Baixada Santista. Disponível em: <http://www.agem.sp.gov.br/pmdebs/>. Acesso em: 25 maio 2019.

GRUSON, Lindsey. After a Decade, a People Plaza. The New York Times, Nova York, 29 mai. 1983. $2 Million Project has Floral Themes and Spaces to Sit. Disponível em: <https://www.nytimes.com/1983/05/29/realestate/ after-a-decade-a-people-plaza.html>. Acesso em: 15 jul. 2019.

AMORIM, Kelly. Zoom Arquitetura Assina Projeto da Pracinha Oscar Freire, Primeiro Pocket Park do País. Revista aU, São Paulo, maio de 2014. Disponível em: <http://au17.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/urbanismo/zoom-arquitetura-assina-projeto-da-pracinha-oscar-freire-primeiro-pocket-312861-1.aspx>. Acesso em: 14 maio 2019.

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brasil em Síntese: Panorama de Santos. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/ santos/panorama>. Acesso em: 18 maio 2019.

APOPS Advocates for Privately Owned Public Spaces. Privately Owned Public Spaces in New York City. Disponível em: <https://apops. mas.org/pops/m050052/>. Acesso em: 15 jul. 2019.

IBEG: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010. Disponível em: <https://censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 18 maio 2019. INSTITUTO PÓLIS. Boletim Diagnóstico de Santos. Autor: Equipe do Projeto Litoral Sustentável – Desenvolvimento com Inclusão Social. São Paulo: Instituto Pólis, 2012. 12 páginas.

ATLASBRASIL: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Santos: Caracterização do Território. Disponível em: <http://www.atlasbrasil. org.br/2013/pt/perfil_m/santos_sp>. Acesso em: 18 maio 2019.

JACOBS, Jane. Morte e Vida das Grandes Cidades. São Paulo: MartinsFontes, 1961. 296 páginas.

BARBOSA, Gisele Silva. O Desafio do Desenvolvimento Sustentável. Revista Visões - UFRJ, Rio de Janeiro, v. 1, n. 4, p. 1 - 11, jan/ jun 2008.

KAYDEN, J. S.; THE NEW YORK CITY DEPARTMENT OF CITY PLANNING; THE MUNICIPAL ART SOCIETY OF NEW YORK. Privately Owned Public Space: The New York City Experience. New York: Wiley, 2000. 360 páginas.

BARCELLOS, Vicente Quintella. Os Parques: Velhas Idéias e Novas Experiências, Revista Paisagem e Ambiente, São Paulo, v. 13, p. 49 – 71, dez 2000. BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. 133 páginas. BAUMAN, Zygmunt. Sobre Educação e Juventude: Conversas com Riccardo Mazzeo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013. 131 páginas. CAMARASANTOS: Câmara Municipal de Santos. Disponível em: <https://www.camarasantos.sp.gov.br/home>. Acesso em: 25 maio 2019.

KLIASS, Rosa Grena; MAGNOLI, Miranda Martinelli. Áreas Verdes de Recreação. Revista Paisagem e Ambiente: ensaios - USP, São Paulo, v. 21, p. 245 – 256, 2006. MAGNOLI, Miranda Martinelli. Espaço Livre – Objeto de Trabalho. Revista Paisagem e Ambiente: ensaios - USP, São Paulo, v. 21, p. 175 – 195, 2006. MALUF, C. S.; GONÇALVES, T. É. C. Pocket Park: Matriz de Critérios para Implantação. In: SEMINÁRIO PROJETAR 7. Ponta Negra, Natal. 2015. Natal: PPGAL/UFRN, 2015, 15 páginas.


MARIANO, Zilda Fátima et al. A Relação Homem-Natureza e os Discursos Ambientais. Revista do Departamento de Geografia – USP, São Paulo, v. 22, p. 158-170, 2011. MELLO, Gisele Homem de. Expansão e Estrutura Urbana de Santos (SP): Aspectos da Periferização, da Deterioração, da Intervenção Urbana, da Verticalização e da Sociabilidade. 2008. 201 páginas. Programa de Pós-Graduação em Sociologia – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. MUSSI, A. Q; LIMA, G. F; BIESSEK, D. Pocket Parks e Animação Urbana: Uma Alternativa para Conferir Função a Terrenos Subutilizados e Urbanidade Sustentável aos Bairros. In: Seminário Internacional de Construções Sustentáveis, 5º, 2016, Passo Fundo, RS. SICS. Rio Grande do Sul: IMED, 2016, 6 páginas. NASCIMENTO, Ana Paula dos Santos. Estudo Comparativo do Conforto Térmico em três Realidades Urbanas da Cidade de Santos, SP. 2015. 107 páginas. Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Ecossistemas Costeiros e Marinhos – Universidade Santa Cecília, Santos, 2015. NOVOMILÊNIO: Jornal Eletrônico. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br/santos/santos.htm>. Acesso em: 25 maio 2019. NYC City Planning. New York City’s Privately Owned Public Spaces – Visão Global. Disponível em: <https://www1.nyc.gov/site/planning/ plans/pops/pops.page>. Acesso em: 15 jul. 2019. NYC City Planning. New York City’s Privately Owned Public Spaces – Padrões Atuais. Disponível em: <https://www1.nyc.gov/site/planning/plans/pops/pops-plaza-standards.page>. Acesso em: 15 jul. 2019. OLIVEIRA, Luciana; PISANI, M. A. J. Privately Owned Public Spaces: POPS in New York City. Revista Paisagem e Ambiente: ensaios - USP, São Paulo, v. 39, p. 113 – 132, 2017. PEREIRA, Matheus. Pocket Parks: Novo e Compacto Modelo aos Espaços Públicos. Archdaily, ago. 2017. Disponível em: <https://www. archdaily.com.br/br/877993/pocket-parks-novo-e-compacto-modelo-aos-espacos-publicos>. Acesso em: 13 abr. 2019.

PREFEITURA de Santos. Disponível em: <http://www.santos.sp.gov. br/>. Acesso em: 22 maio 2019. SANTOS. Lei Complementar n°731, de 11 de junho de 2011. Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento e Expansão Urbana do Município de Santos, Diagnóstico Consolidado, out. 2013. SANTOS. Lei Complementar n°1006, de 16 de julho de 2018. Disciplina o Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo na Área Insular do Município de Santos, e dá outras Providências. SEADE: Portal de Estatísticas do Estado de São Paulo. SIC.SP, Serviço de Informação ao Cidadão. Disponível em: <http://www.perfil.seade.gov.br/>. Acesso em: 05 de jun. 2019. SIGSANTOS: Santos Mapeada. Prefeitura de Santos. Disponível em: <https://egov.santos.sp.gov.br/santosmapeada/>. Acesso em: 25 maio 2019. SOARES, B. E. C; NAVARRO, M. A; FERREIRA, A. P. Desenvolvimento Sustentado e Consciência Ambiental: natureza, sociedade e racionalidade. Ciências e Cognição – Fundação Osvaldo Cruz. Rio de Janeiro, v. 2, p. 42 - 49, jul. 2004. SPIRN, Anne Whiston. O Jardim de Granito. São Paulo: EDUSP, 1995. 345 páginas. WALDMAN, Mauricio. Ambiente & Antropologia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006. 226 páginas. WHYTE, William H. The Social Life of Small Urban Spaces. Washington, D.C: The Conservation Foundation. [1980]. Documentário (ca. 58 min). Ledor: William H. Whyte. ZOOM Urbanismo Arquitetura e Design. Pracinha Oscar Freire. Disponível em: <https://www.zoom.arq.br/pracinha-oscar>. Acesso em: 13 abr. 2019.



Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.