Jornal Municipal, Setúbal, 2011, Julho/Agosto

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SETÚBAL JORNAL MUNICIPAL.julho | agosto 2011.ano 11.n.º 41

Mais escolas a caminho

págs. 12 e 13

Sardinha nas brasas da glória págs. 4 e 5

Bairro Afonso Costa ganha centro escolar para 300 alunos. Quinta da Caiada e Vale de Cerejeiras são áreas em estudo

Obras do Fórum Luísa Todi em setembro Sant’Iago garante carreira de êxito pág. 11

Férias refrescam aprendizagem págs. 16 e 17

Avenida despida de preconceitos

pág. 18

Pentatlo moderno aponta à vitória pág. 19

págs. 6 e 7 a ssad a p a Ultrarreira b mil 0 0 4 s s! do ante t i s i v


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Acordo Ortográfico O “Setúbal – Jornal Municipal” é escrito de acordo com as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa aprovado em 1990, que tem de entrar em vigor no País até ao início de 2014. Pedimos a compreensão por qualquer lapso resultante da adaptação e das dúvidas que ainda subsistem.

págs. 12 e 13

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sumário

4  PRIMEIRO PLANO  Os investimentos no reforço e requalificação do parque escolar foram retomados com benefícios para a população. Nas grandes obras destaque ainda para a remodelação do Fórum Luísa Todi. 8  LOCAL  A renovação das redes de águas prossegue a bom ritmo. Isto num concelho com mais capacidade de resposta a acidentes industriais, com a abertura do Caminho de Fuga da Mitrena. 10  TURISMO  Uma viagem pelo esplendor da cidade, da serra e de Azeitão, com a baía em pano de fundo, é feita em autocarro panorâmico. Outro fator de promoção turística esteve em alta, a Feira de Sant’Iago. 12  PLANO CENTRAL  Sabe bem, faz bem e tem em Setúbal a morada que a torna a melhor entre iguais. A sardinha assada navega no corredor da fama que a pode levar a ser uma das 7 Maravilhas da Gastronomia. 14  FREGUESIA  S. Simão continua a receber novos equipamentos, tendo instalado um campo de basquetebol de rua. As freguesias da Anunciada e do Sado apostam na recuperação de espaços públicos. 15  AMBIENTE  A Autarquia está a abraçar as energias renováveis, com a instalação de soluções alternativas em edifícios municipais. E continua a reassumir as tarefas de higiene e limpeza urbana na cidade. 16  INCLUSÃO  Ateliers para os mais novos e, nalguns casos, igualmente para idosos são uma alternativa para ocupação dos tempos livres. A proteção de crianças e jovens também é uma preocupação constante. 18  CULTURA  O Carnaval de Verão garantiu animação no centro da cidade com um cheirinho a samba. O canto lírico nacional conta com novas vozes graças a um concurso inspirado na diva Luísa Todi. 19  DESPORTO  O Núcleo de Pentatlo Moderno da Escola Municipal de Desporto de Setúbal soma êxitos aquém e além fronteiras. Mas a formação de jovens é o mais importante nesta fábrica de campeões. 20  EDUCAÇÃO  A Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras disponibiliza atividades para os alunos da zona. Nas escolas, os estudantes recebem fruta gratuitamente. 21  ACADEMIA  A otimização da recolha seletiva foi desenvolvida com o apoio de investigadores da Escola Superior de Tecnologia. Alunos da Escola Superior de Saúde adaptam a atividade física à diabetes. 22  RETRATOS  Há mais de meio século que Mário Cruz remenda as redes que a faina esburaca. O fado é a música de fundo que embala o trabalho paciente deste artesão que tem no Vitória a grande paixão. 23  INICIATIVA  O Grupo Desportivo Setubalense “Os 13” marchou para a glória aos 90 anos de uma vida que começou pela mão de um conjunto de rapazes. Pelo caminho, contam-se sucessos em várias modalidades. 24  PLANO SEGUINTE  As Comemorações Bocagianas exaltam o poeta-maior de um município que está em festa. A postos está ainda a campanha “Setúbal Mais Bonita”, que conta com o contributo de todos.

informações úteis Câmara Municipal

Setúbal - Jornal Municipal Propriedade: Câmara Municipal de Setúbal Diretora: Maria das Dores Meira, Presidente da CMS Edição: DICI/Divisão de Comunicação e Imagem Coordenação Geral: Sérgio Mateus Coordenação de Redação: João Monteiro Redação: Hugo Martins, Manuel Cordeiro, Marco Silva, Susana Manteigas Fotografia: Mário Peneque, Rui Minderico Paginação: Humberto F. Impressão: PROS-Promoções e Serviços Publicitários, Lda Redação: DICI - Câmara Municipal de Setúbal, Paços do Concelho, Praça de Bocage, 2901-866 Setúbal Telefone: 265 541 500 E-mail: dici@mun-setubal.pt Tiragem: 60.000 exemplares Distribuição Gratuita Depósito Legal N.º 183262/02 O Jornal Municipal é distribuído domiciliariamente no concelho de Setúbal pelos CTT. Em caso de deteção de alguma anomalia na distribuição, é favor contactar a nossa redação pelo telefone 265 541 500.

Sugestões e informações dirigidas a este jornal podem ser enviadas ao cuidado da redação para o endereço indicado nesta ficha técnica.

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Turismo

Museu do Trabalho Michel Giacometti Utilidade Pública Lg. Defensores da República Casa da Baía de Setúbal 265 537 880 Governo Civil Centro de Promoção Turística Av. Luísa Todi, 336 - 2º Av. Luísa Todi, 468 Casa Bocage 265 546 710 265 545 010 | 915 174 442 Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro Rua Edmond Bartissol, 12 Loja do Cidadão Posto Municipal de Turismo - Azeitão 265 229 255 Av. Bento Gonçalves, 30 – D Rua José Augusto Coelho, 27 265 550 200 212 180 729 Museu Sebastião da Gama Balcão CMS: 265 550 228/29/30 Rua de Lisboa, 11 Loja municipal “Coisas de Setúbal” Vila Nogueira de Azeitão Piquete de água 265 529 800 Praça de Bocage – Paços do Concelho 212 188 399 Piquete de gás 800 273 030 coisasdesetubal@mun-setubal.pt Eletricidade 800 505 505 Casa do Corpo Santo espaços culturais Museu do Barroco Urgências Rua do Corpo Santo, 7 Biblioteca Pública Municipal 265 534 402 SOS 112 Serviços Centrais Intoxicações Av. Luísa Todi, 188 217 950 143 equipamentos 265 537 240 SOS Criança desportivos 808 242 400 Polo da Bela Vista Linha Saúde 24 Complexo Piscinas das Manteigadas Av. da Bela Vista, 10 808 242 424 Via Cabeço da Bolota 265 751 003 Hospital S. Bernardo 265 729 600 265 549 000 Polo Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra Hospital Ortopédico do Outão Estrada Nacional 10, Pontes Piscina Municipal das Palmeiras 265 543 900 265 706 833 Av. Independência das Colónias Companhia Bombeiros Sapadores 265 542 590 Polo de S. Julião 265 522 122 Pct. Ilha da Madeira (à Av. de Angola) Linha Verde CBSS Piscina Municipal de Azeitão 265 552 210 800 212 216 Rua Dr. Agostinho Machado Faria Bombeiros Voluntários de Setúbal 212 199 540 Polo Sebastião da Gama 265 538 090 Rua de Lisboa, 11, V. Nogueira Azeitão Proteção Civil Complexo Municipal 212 188 398 265 739 330 de Atletismo de Setúbal Proteção à Floresta Estrada Vale da Rosa Fórum Municipal Luísa Todi 117 265 793 980 Av. Luísa Todi, 61-67 Capitania do Porto de Setúbal 265 522 127 265 548 270 Pavilhão Municipal das Manteigadas Comissão Proteção Crianças Cinema Charlot – Auditório Municipal Via Cabeço da Bolota e Jovens de Setúbal 265 739 890 Rua Dr. António Manuel Gamito 265 550 600 265 522 446 PSP Pavilhão João dos Santos Museu de Setúbal/Convento de Jesus 265 522 018 Rua Batalha do Viso Galeria de Pintura Quinhentista GNR 265 573 212 Rua do Balneário Dr. Paula Borba 265 522 022 265 537 890


editorial

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Um símbolo cultural As obras do Fórum Municipal Luísa Todi vão recomeçar em setembro e, de acordo com o calendário estabelecido pela empresa vencedora do concurso público para a reabilitação da sala de espetáculos, no primeiro semestre de 2012 Setúbal já pode contar com a sua sala de eleição em pleno funcionamento. Importa, neste momento, assumir que este foi um processo complexo e mais moroso do que a Câmara Municipal alguma vez desejou. Foi também um processo em que quisemos assumir, plenamente, os riscos associados: riscos políticos, técnicos, administrativos, organizacionais e financeiros. O maior risco que assumimos foi, porém, o da forte possibilidade de, na eventualidade de se verificarem atrasos na reabilitação da sala, ganharmos uma forte incompreensão dos setubalenses perante uma obra parada, perante um Fórum Luísa Todi, símbolo cultural do nosso concelho, que parecia abandonado e esquecido. A adjudicação da obra, em julho passado, por 4,279 milhões de euros, comprova que nunca o Fórum Luísa Todi foi esquecido e que esteve sempre no centro das nossas preocupações. A sala, como se pode ler nas páginas 6 e 7 desta edição do Jornal Municipal, ficará dotada das mais modernas condições de conforto para os espetadores e de realização de iniciativas culturais. Setúbal fica, assim, com um espaço cultural capaz de receber o melhor cinema, os melhores espetáculos que percorrem o território nacional e as iniciativas dos nossos artistas e coletividades.

O Fórum Luísa Todi esteve sempre no centro das nossas preocupações

Nesta edição relata-se mais um investimento municipal na área da educação, o Centro Escolar do Bairro Afonso Costa. Como é explicado na página 4, trata-se de uma obra, orçada em 1,332 milhões de euros, que comprova o que escrevi há um ano, neste espaço, a propósito da inauguração de outro equipamento escolar, a Escola da Brejoeira. Assegurei, na altura, que aquela escola seria, “provavelmente, o maior investimento feito na melhoria das condições de educação no nosso concelho nas últimas décadas”. Tal investimento refletia, “com clareza, a opção municipal de priorizar, também, a educação e a preparação das nossas crianças para que sejam capazes de enfrentar com melhores qualificações o futuro”. O Centro Escolar do Bairro Afonso Costa é a continuação desta política municipal de criação de mais e melhores condições para a educação das nossas crianças. Para que o futuro seja melhor. O caráter assistencialista do Plano de Emergência Social recentemente apresentado pelo Governo e a “focalização” nas autarquias da concretização de algumas das medidas nele previstas constituem um motivo de preocupação para todos os autarcas. Perante um quadro de redução dos meios financeiros à disposição das Câmaras Municipais, quer por via legislativa, quer por via do corte de receitas imposto pelo arrefecimento global da economia, não deixa de ser estranho que o Governo se proponha a alijar mais responsabilidades para Câmaras Municipais que já têm dificuldades em assegurar algumas das suas responsabilidades mais imediatas. O Plano de Emergência Social representa, por outro lado, uma visão do mundo que já se julgava extinta no Portugal de Abril. A visão de um mundo de cidadãos de primeira e de cidadãos de segunda, em que o que é necessário é dar uma esmola aos mais pobres, em vez de apostar em políticas sérias e coerentes de combate à exclusão social. As propostas contidas neste plano, entre outras, de oferecer aos idosos os medicamentos em fim de vida, cuja venda é proibida por lei se estiverem a menos de seis meses do fim do prazo de consumo, e a redução da fiscalização económica e alimentar nos refeitórios a que os mais desprotegidos podem recorrer, demonstram uma visão do mundo em que aos pobres apenas estão reservados os restos e a pobreza eterna. Esta não é a nossa visão do mundo.

Presidente da Câmara Municipal de Setúbal


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Novos investimentos no parque escolar A progressiva melhoria das condições de ensino no Concelho e a atenuação das assimetrias socioeconómicas continuam a ser imperativos da Autarquia. Um novo centro escolar vai nascer no município. A construção e a ampliação de outras escolas também estão programadas

primeiro plano

A

recente adjudicação da empreitada que permite criar o Centro Escolar do Bairro Afonso Costa, com capacidade para 300 crianças, marca o regresso dos grandes investimentos da Autarquia no parque escolar. A obra, a iniciar em breve, inclui três novos edifícios com oito salas de aula, um ginásio polidesportivo e a recuperação de um imóvel centenário, aumentando a oferta educativa para as crianças da freguesia de S. Sebastião. As intervenções que permitem criar o futuro Centro Escolar do Bairro Afonso Costa, adju­ dicadas pela Autarquia pelo valor de 1 milhão, 332 mil e 365,96 euros, apresentam um prazo de execução máximo de nove meses. A empreitada, a pagar no período de três anos, é realizada no âmbito do Programa de Alargamento da Rede de Educação Pré-Escolar na Área Metropolitana de Lisboa. Esta intervenção, dividida em duas etapas, encerra o primeiro ciclo de investimentos da Câmara Municipal no parque escolar do ­Concelho (ver peça à parte), cujo objetivo máximo visa a aplicação de escola a tempo inteiro, em regime normal, em todos os estabelecimentos de ensino. As obras na EB1/JI do Bairro Afonso Costa incluem a construção de três novos edifícios, com oito salas de aula, divisões para arrumos e instalações sanitárias, que vão servir os ­alunos do ensino básico. Para a parte exterior do recinto escolar está prevista a remodelação total da área, com a criação de novas áreas de recreio ao ar livre e de um ginásio polidesportivo coberto, que pode ser utilizado pelos alunos do ensino ­básico e pelas crianças em idade pré-escolar. Posteriormente, a Autarquia vai avançar para a recuperação do edifício centenário onde atualmente decorrem aulas do 1.º ciclo do ensino básico. Para a zona térrea está programada a instalação de um centro de recursos educativos e uma biblioteca, enquanto para o piso superior o projeto visa a criação de duas salas de aula, mais amplas, e com novas condições de ensino. Em funcionamento já está o pré-escolar do Bairro Afonso Costa, equipamento construído no mesmo recinto, que custou cerca de um milhão de euros, valor comparticipado em 117 mil e 600 euros pela DRELVT – Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo. As intervenções neste estabelecimento de ensino incluíram a construção de um novo edifício de raiz para o pré-escolar, com duas salas de atividades e uma terceira polivalente, com capacidade para 50 crianças. Espaços de serviços de apoio geral, nomea­ damente um refeitório e uma cozinha, comuns aos alunos da escola do 1.º ciclo situa­ da no mesmo recinto escolar, para mais de 230 crianças, foram igualmente construídos, ­assim como vários anexos e ainda uma área

de arrumos para a Divisão de Educação da Autarquia. O futuro Centro Escolar do Bairro Afonso Costa, com uma tipologia que assenta numa escola básica do 1.º ciclo com jardim de infância, tem capacidade para 12 salas de aula – dez para o primeiro ciclo e duas para o jardim de infância – para um número máximo de 300 alunos, e permite aplicar o conceito de escola a tempo inteiro, com funcionamento em regime normal.

Escola a tempo inteiro O projeto de construção do Centro Escolar do Bairro Afonso Costa é realizado em consonância com a Carta Educativa da Câmara Municipal, tendo o programa e o dimensionamento deste estabelecimento escolar sido definidos de acordo com os critérios de planeamento da rede educativa e com base nos valores da pirâmide etária, visando a satisfação das necessidades futuras, para um funcionamento em regime normal. As intervenções a realizar no estabelecimento de ensino permitem o aumento da oferta naquela área habitacional da freguesia de

S. Sebastião, a mais assimétrica em termos de ensino no Concelho, que conta, ainda, com algumas escolas a funcionar em regime ­duplo, situação que a Autarquia espera vir a resolver brevemente. A concretização desta vontade municipal é materializada, por exemplo, na EB1 n.º 11 do Bairro Humberto Delgado, estabelecimento de ensino que conta, atualmente, com quatro turmas e somente duas salas de aula. A entrada em funcionamento do Centro Escolar do Bairro Afonso Costa vai permitir que aquela escola passe a lecionar em regime normal, com apenas duas turmas.

Fases programadas A aposta na melhoria do parque escolar do Concelho continua a ser um dos eixos orientadores da Câmara Municipal de Setúbal, que tem novas fases de investimento programadas. A segunda fase inclui a edificação da EB1/JI da Quinta da Caiada, equipamento com dez ­salas de aula – sete para o 1.º ciclo e três para o pré­ ‑escolar – cujo investimento deve rondar os quatro milhões de euros.


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Melhoria das condições de ensino Um conjunto de intervenções de remodelação e apetrechamento em vários estabelecimentos de ensino que integram a rede escolar do Concelho está a ser executado pela Câmara Municipal de Setúbal e juntas de freguesia, no âmbito do protocolo de delegação de competências, aumentando as condições de ensino já no início do ano letivo. Na Escola Básica de Vila Nogueira de Azeitão as obras incluem a construção de uma copa e um refeitório e a remodelação total da instalação elétrica. Neste estabelecimento de ensino, além de pequenos trabalhos de pintura, está também a ser instalado um monobloco que vai acolher uma biblioteca e um centro de ­recursos educativos. Já na Escola Básica n.º 1 do Faralhão as intervenções visam a substituição integral da cobertura e, à semelhança daquele estabelecimento de ensino de Azeitão, a construção de uma copa e um refeitório, a remodelação da rede elétrica e trabalhos ao nível de pintura. Na EB1 n.º 4 dos Pinheirinhos e na Escola ­Básica de Casal de Bolinhos, em Azeitão, a Câmara Municipal está a avançar, igualmente, com intervenções de substituição da cobertura dos edifícios. Os trabalhos para instalação de uma unidade de apoio especializado para crianças com multideficiência estão também a decorrer na

EB1 n.º 5 do Peixe Frito. As obras consistem na adaptação e no apetrechamento de uma sala com materiais didáticos e lúdicos necessários para o ensino especial e a criação de instalações sanitárias adaptadas. Um monobloco climatizado para a criação de uma área destinada às atividades de enriquecimento curricular está a ser instalado na EB1 n.º 8 do Bairro da Conceição, enquanto na Escola Básica e Jardim de Infância da Bela Vista decorrem trabalhos de adaptação de

instalações sanitárias para crianças portadoras de deficiência. A melhoria das condições dos estabelecimentos de ensino inclui ainda, além de pequenas reparações pontuais, a remodelação das instalações elétricas nas escolas básicas n.º 1 das Areias, de São Gabriel, n.º 3 do Montalvão, da Azeda, n.º 6 do Monte Belo, n.º 8 do Bairro da Conceição, n.º 1 do Faralhão e n.º 9 do Casal das Figueiras e na Escola Básica e Jardim de Infância do Montalvão.

Equipamentos potenciam educação

Localizada na freguesia de S. Sebastião, a ­escola vai servir as áreas da Azeda e do Monte Belo Norte, além do Alto da Guerra, zonas de potencial crescimento demográfico e com muitas zonas comerciais. Intervenções de ampliação, que permitem colocar as turmas em funcionamento de regime normal, estão também previstas para a EB1/JI do Viso e EB1 n.º 9 do Casal das Figueiras, obras cujo valor global deve rondar os 2,6 milhões de euros. As intervenções na EB1/JI do Viso afiguram­ ‑se mais complexas por exigirem a demolição do edifício onde atualmente funciona a unidade de pré-escolar e a construção, de raiz, de uma copa e um refeitório, além de novas salas de aula. Na EB1 n.º 9 do Casal das Figueiras o projeto incide, essencialmente, na ampliação da escola, com a edificação de quatro novas salas de aula. A melhoria geral do recinto é outro aspeto em consideração. Numa terceira fase de investimentos, a Autarquia tem em estudo a construção da EB1/ JI de Vale de Cerejeiras, que permitirá colocar em regime normal a EB1 dos Pinheirinhos e a EB1/JI das Amoreiras.

Da intenção à realidade, o ano de 2010 ficou marcado pela entrada em funcionamento de novos estabelecimentos de ensino do 1.º ciclo e de pré-escolar, permitindo a integração de mais 825 crianças no sistema escolar do Concelho. Os novos equipamentos, todos já em pleno funcionamento, permitem o aprofundamento do conceito de escola a tempo inteiro e constituem uma aposta ímpar na educação em Setúbal, com obras qualificadoras para tornar a região mais atrativa e com melhores condições de vida. Na cidade, intervenções na antiga EB 2,3 ­Luísa Todi permitiram dotar esta escola com 1.º ciclo e pré-escolar, nascendo a Escola ­Básica Integrada/Jardim de Infância Luísa Todi, a primeira em Setúbal com esta tipologia. Este equipamento, localizado na freguesia de S. Sebastião, constituiu mesmo uma das áreas prioritárias de intervenção do Concelho em termos educacionais, em virtude dos desequilíbrios existentes entre a oferta e a procura educativa. A nova escola, que permitiu a integração de 275 crianças no parque escolar, representou um investimento superior a dois milhões de euros, verba suportada pela Câmara Mu-

nicipal, com um financiamento de 676 mil e 999,58 euros dos fundos comunitários, ao abrigo do Programa de Requalificação da Rede Escolar do 1.º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar, no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional. O novo edifício da atual EBI/JI Luísa Todi conta com 11 salas de aula – três para o pré­ ‑escolar e oito para o ensino básico –, refeitório, cozinha e áreas administrativas. Salas de trabalho para os educadores e polivalente para pequenos grupos, quatro espaços de educação plástica e uma sala de informática integram também este espaço escolar. O apetrechamento da escola estendeu-se ainda ao nível de exteriores, com a instalação de diversos equipamentos lúdicos na zona de recreio, criação de zonas verdes e montagem de mobiliário, como mesas e bancos. Em Azeitão, o Centro Escolar da Brejoeira, erguido de raiz, também recebe alunos em idade de pré-escolar e 1.º ciclo. Instalado numa zona carenciada de um equipamento escolar, serve 375 crianças das duas freguesias de Azeitão – S. Lourenço, onde fica localizada, e S. Simão. Esta escola, num investimento superior a 3,5 milhões de euros, foi igualmente candidatada

pela Câmara Municipal ao programa de Requalificação da Rede Escolar do 1.º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar, no âmbito do QREN, sendo financiada em 800 mil euros. O Centro Escolar da Brejoeira é composto por 12 salas para 1.º ciclo e três para pré-escolar, cozinha e zona de refeitório, um ginásio e um auditório multiusos. Possui ainda um centro de recursos educativos, uma área de expressões plásticas e informática e uma sala polivalente, que, entre outros usos, se destina à componente de apoio à família no pré-escolar. Uma outra sala de aula, que inicialmente não estava incluída no projeto, adaptada para alunos de uma unidade de ensino especial, com multideficiência, também funciona neste estabelecimento de ensino.

Alargamento do pré-escolar Além da construção destas escolas, a Autarquia apostou fortemente na componente do pré-escolar, executando obras de adaptação em três estabelecimentos de ensino básico – Vendas de Azeitão, Bairro Afonso Costa e Gâmbia – que assim ficaram aptos a receber um total de mais 175 crianças. A construção dos pré-escolares constituiu num investimento superior a dois milhões de euros, comparticipados em cerca de 300 mil euros pela DRELVT – Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo. O primeiro ciclo de investimentos da Câmara Municipal de Setúbal no parque escolar do Concelho, que rondou os nove milhões de euros, é agora encerrado com a construção do Centro Escolar do Bairro Afonso Costa. Paralelamente a estas intervenções, pautadas pelo uso constante de critérios de eficiência na gestão do parque escolar, a Câmara Municipal continua a apoiar a dinâmica dos projetos e atividades pedagógicos, com várias ações em diversas vertentes educativas, e a reforçar as parcerias com a comunidade educativa.


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Fase final nas obras do Fórum primeiro plano

A fase derradeira da obra de requalificação do Fórum Municipal Luísa Todi arranca em setembro. As intervenções abrangem a beneficiação total do equipamento, criando um espaço moderno que perpetua a tradição setubalense. A principal sala de espetáculos da cidade abre portas no segundo semestre de 2012

A s

intervenções no Fórum Municipal Luísa Todi, equipamento que constitui uma das grandes memórias coletivas dos setubalenses, estão prestes a entrar na fase final, numa empreitada superior a quatro milhões de euros. As profundas obras de ampliação e modernização, que permitem criar novas dinâmicas culturais, são retomadas já em setembro, com a adjudicação da empreitada “Ampliação e Modernização do Fórum Municipal Luísa Todi”, aprovada em julho pela Autarquia, devendo a principal sala de espetáculos da cidade abrir portas no segundo ­semestre de 2012. As obras de requalificação do imóvel urbano foram atribuí­das à empresa Alexandre Barbosa Borges, S.A., classificada em primeiro lugar no grupo de 16 concorrentes, pelo valor de 4 milhões, 279 mil e 461,71 euros, que dispõe de um prazo máximo de execução de sete meses. A beneficiação geral de todo o edifício contempla a ampliação do palco para 12 metros de profundidade, através da demolição da empena nascente, intervenção que permite a realização de um conjunto mais variado de espetáculos do que anteriormente.

A criação de uma sala polivalente a construir por cima do palco, a edificação de novos camarins e o alargamento da zona técnica da cabina de projeção e da régie são operações também previstas na execução da empreitada. A melhoria das condições do equipamento a nível de conforto, acústica e visionamento é outro dos imperativos deste projeto, que envolve, igualmente, o incremento da segurança dos utilizadores, nomeadamente através da instalação de compartimentação corta-fogo e de portas antipânico. A eliminação de barreiras arquitetónicas, com a construção de uma rampa de acesso ao edifício e à sala de espetáculos, e a criação de instalações sanitárias para cidadãos portadores de deficiência são outras ações programadas. A modernização do Fórum Municipal Luísa Todi é um dos projetos do ReSet – Programa de Regeneração Urbana do Centro Histórico de Setúbal, executado no âmbito de uma candidatura liderada pela Autarquia aprovada pelo ­PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, ao abrigo do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.

Modernidade na tradição O Fórum Municipal Luísa Todi, inaugurado a 24 de julho de 1960 e desde 1990 propriedade da Câmara Municipal, prepara­‑se para viver uma nova vida, depois de um percurso histórico conturbado. O espaço sucedeu ao Cine-Teatro Luísa Todi que, por sua vez, substituiu o Teatro Rainha D. Amélia, edifício do final do século XIX, considerado uma joia da arquitetura de interiores e um marco da história teatral local e nacional. Após a implantação da República, o Teatro D. Amélia, em 1911, passou a designar-se Teatro Avenida. O edifício degradou-se e, em 1915, a Academia Sinfónica de Setúbal, instalada no equipamento, rebatizou-o de “Luísa Todi”. Em maio de 1918, depois de um período de

encerramento, o “Luísa Todi” reabriu modernizado com eletricidade e transformou­ ‑se, desse modo, num equipamento adap-

tado a cinema, um cine-teatro. O espaço entrou em fase de decadência e passou por diferentes proprietários, até que, adquirido

pela Companhia União Fabril, foi demolido para se construir o edifício atual, de traça modernista por oposição à antiga sala, de inspiração italiana. O imóvel, desenhado pelo arquiteto Fernando Silva, começou a ser erguido em 1958. Foi inaugurado dois anos depois numa cerimónia com a presença de duas figuras cimeiras do Estado Novo – Américo Tomás, então chefe de Estado, que presidiu ao ato, e o cardeal Cerejeira. Trinta anos depois, o equipamento cultural foi adquirido pela Câmara Municipal. Desempenhando um papel insubstituível na vida cultural e recreativa da comunidade ­local, ao acolher iniciativas de todo o género, tornou-se um dos espaços de encontro privilegiado dos grandes momentos da vida social e artística da cidade, e uma das grandes memórias coletivas dos setubalenses. A necessidade de travar o processo de degradação do imóvel e de modernizar o edifício, aumentando-lhe as valências e as capacidades de uso, justifica as obras que a Autarquia decidiu lançar.


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Estrutura robusta As obras de remodelação têm decorrido em várias frentes, tendo começado pela remoção das cadeiras da plateia e do balcão, bem como dos adereços e peças de interesse museológico. Posteriormente, foram prefabricadas, em estaleiro, duas estruturas para suportar o edifício durante os trabalhos de demolição e reconstrução, tanto ao nível do apoio das fachadas como do teto. A demolição da fachada nascente viabilizou o prolongamento do edifício e permitiu o arranque das obras do palco, que vai crescer cerca de cinco metros para facilitar a capacidade cénica na realização de espetáculos. O piso da cave aumentou cerca de dez metros para albergar as instalações elétricas, um depósito de água para combate a incêndios e equipamentos de ar condicionado, sendo o novo revestimento das paredes em madeira para melhoria do desempenho acústico da sala. As obras contemplam, igualmente, o reforço da estrutura com a implementação de fundações especiais, que conferem maior capacidade antissísmica ao edifício. O reforço foi feito na cave já existente e na nova, assim como ao nível da cobertura do equipamento. No total, 25 toneladas de perfis metálicos garantem que não haja um colapso do edifício perante um terramoto. O reforço antissísmico também contempla os pilares, envolvidos por uma estrutura metálica em que foi injetada uma resina entre o metal e o betão para uma absoluta consolidação. Uma vez que os terrenos envolventes ao Fórum são constituídos predominantemente por areias e lodo, foi necessário fixar estacas em solo firme, que se encontra a 18 metros de profundidade. O teto do auditório do Fórum Luísa Todi é uma parte que ficará preservada. Para que esta recuperação fosse possível, houve a necessidade de montar um andaime a todo o tamanho da sala. Um trabalho de alguma complexidade, uma vez que tanto o pavimento como o teto são inclinados. E foi preciso ter em conta os vários trabalhos a decorrer em simultâneo. Foram várias as peças retiradas antes do início das obras de remodelação do Fórum, que, pelo seu valor histórico e patrimonial, vão ter um acolhimento museológico, nomea­damente um projetor Philips de 70 mm, que tecnicamente não foi possível recuperar.

Iluminação pública aposta na poupança A Câmara Municipal de Setúbal apresentou uma candidatura a fundos comunitários para a instalação de iluminação de espaços públicos à base de tecnologia LED, uma medida que, caso seja aprovada, representa uma poupança superior a 20 mil euros por ano. O projeto implica a substituição das habituais lâmpadas a vapor de sódio pelas económicas LED nas avenidas 5 de Outubro, Alexandre Herculano, Manuel de Arriaga e Mariano de Carvalho, na Praça do Vitória Futebol Clube e nas ruas Alferes Pinto Vidigal, Baluarte do Socorro e Joaquim Brandão. A candidatura contempla também os jardins de Vanicelos e da Algodeia, neste último espaço verde com vista ao reforço dos postes de iluminação LED, uma vez que o local já se encontra dotado desta tecnologia no âmbito de outra candidatura do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional. Outra zona verde beneficiada pela intervenção é o Jardim do Bonfim, onde, independentemente da apro­ vação do atual processo de candidatura, a Câmara Municipal já instalou esta solução de iluminação pública. Caso seja aprovada, a candidatura que a Autarquia apresentou ao PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, no âmbito do eixo “Sustentabilidade Territorial”, ao abrigo do QREN, conta com financiamento comunitário de 50 por cento do valor considerado elegível, sendo que o total do ­investimento se cifra em 210 mil e 519,96 euros. Existem ainda outras vias contempladas nesta candidatura, nomeadamente as avenidas 22 de Dezembro, Dr. António Rodrigues Manito, Manuel Maria Portela e República da Guiné-Bissau, onde, em vez de lâmpadas LED serão colocados balastros eletrónicos.

Esta opção técnica deve-se ao facto de naquelas vias, com tráfego rodoviário significativo, os postes de iluminação terem oito metros de altura, o que reduz a eficiência das lâmpadas LED, mais eficazes até cerca de cinco metros. Os balastros eletrónicos permitem poupanças da ordem dos 40 por cento durante o arranque das lâmpadas convencionais, período em que o consumo de energia sobe vertiginosamente. Já as lâmpadas de tecnologia LED, sigla inglesa para diodo emissor de luz, reduzem de forma assinalável o consumo de energia, pois, em vez das habituais potências de 100, 125 e 150 watts atualmente utilizadas na cidade, necessitam apenas de 26 watts em média, chegando, pontualmente, aos 60. No total do projeto está prevista a intervenção em 531 candeeiros públicos de Setúbal.

Sinal verde à redução Fora do âmbito dos apoios comunitários, a Câmara Municipal está a estudar a instalação de lâmpadas LED em todos os semáforos da rede viária do Concelho. A finalidade é a troca de todas as lâmpadas convencionais, com 100 watts de potência, por LED de apenas 9 watts. Além de esta medida representar um reforço na segurança rodoviária, pois a tecnologia LED aumenta a visibilidade dos sinais, a Autarquia, num investimento na ordem dos 280 mil euros, conta reduzir a fatura energética em cerca 80 mil euros por ano. Existem atualmente cerca de 1500 lâmpadas de semáforos em todo o concelho de Setúbal.

Programa da Bela Vista avança

A instalação de um equipamento infantil numa área do Bairro das Manteigadas é a principal intervenção de um dos vários projetos que a Câmara Municipal está a fazer avançar no âmbito do RUBE – Programa de Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente. Este programa, catalisador de novas dinâmicas sociais, engloba um total de 18 projetos, financiados por fundos comunitários através do PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, no âmbito do QREN – Quadro de Referência

Estratégico Nacional. A empreitada “Instalação de Equipamento Infantil e Requalificação de Zona Envolvente no Bairro das Manteigadas”, a decorrer desde o final de junho, constitui um investimento global no valor de 95 mil e 229 euros, verba comparticipada em 47 mil e 614,50 euros. A realização de obras necessárias à requalificação e adaptação de um dos espaços públicos do bairro, em concreto nas traseiras da Rua João Augusto Rosa, é um dos objetivos desta ação, que envolve um conjun-

to de intervenções ao nível do mobiliário urbano, com a instalação de um equipamento de lazer infantil e de bancos de jardim. A implementação deste projeto permite também melhorar as condições de atratividade desta área de convívio e lazer, através de intervenções que incluem a substituição de pavimentos, a colocação de nova arborização, o reforço da iluminação pública e a introdução de elementos que impeçam o estacionamento desorganizado. A realização de cinco documentários audiovisuais sobre a Bela ­Vista, com diferentes abordagens da rea­ lidade do bairro, com o intuito de eliminar alguns estereótipos consolidados, é outro dos projetos já iniciados. Os documentários, que pretendem constituir-se como instrumentos de reflexão, em virtude dos vários, e por vezes inesperados, pontos de vista, são realizados por jovens cineastas. O projeto representa um investimento de 100 mil euros, valor comparticipado em 50 por cento por fundos comunitários.


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Exposição mostra obras

Intervenção reforça redes

A atividade do Departamento das Obras Municipais da Câmara Municipal está patente, até ao final de setembro, no Parque Urbano de Albarquel, no Quiosque do Conhecimento. Cinco painéis informativos e um filme divulgam o trabalho feito pelas seis divisões daquela unidade da Autarquia. A mostra disponibiliza dados comparativos desde 2008 em áreas como a frota municipal de veículos, os equipamentos culturais construídos ou remodelados, os estabelecimentos de ensino e trabalhos na rede viária.

Um conjunto de intervenções de melhoria das redes de abastecimento e drenagem de águas está a decorrer no Concelho. As empreitadas em curso, em Setúbal e Azeitão, constituem um investimento global superior a 300 mil euros. As obras incluem a criação e a reabilitação de vários troços deste tipo de infraestruturas urbanas A Câmara Municipal dá continuidade ao trabalho desenvolvido na beneficiação das redes de abastecimento e drenagem de águas, tendo avançado com um conjunto de empreitadas que dão uma resposta direta às necessidades dos munícipes. A execução das infraestruturas necessárias ao abastecimento de água à Gâmbia, a partir do sistema do Faralhão, numa extensão superior a dois quilómetros, é a principal ação de uma das empreitadas que a Autarquia tem em curso. A operação, orçada em cerca de 120 mil euros, com conclusão prevista para o final de agosto, é concretizada pelo prolongamento da rede de distribuição de água no Bairro da Bonita até ao ponto de ligação na Rua da Gâmbia. Dado que as pressões mínimas de

serviço não poderiam ser asseguradas por um sistema gravítico, a Autarquia optou pela instalação de uma central hidropressora, colocada num pequeno edifício prefabricado, em conjunto com tubagem e acessórios complementares e um quadro elétrico. Em execução está ainda, nas ruas da Morgada e Chamburginha, uma empreitada, no valor a rondar os 44 mil euros, de prolongamento da rede de abastecimento de água, enquanto numa área junto do Parque de Vanicelos, uma obra no valor de cerca de 14 mil euros, está a instalar um novo coletor de desvio, corrigindo uma situação verificada na rede daquela área. Em Brejos de Azeitão, na Rua de Lisboa e na Praceta do Impasse, trabalhos inerentes ao prolongamento da

rede de drenagem de águas residuais domésticas, que inclui a colocação de coletores gravíticos numa extensão de cerca de 420 metros, estabelece a ligação à ETAR da Quinta do Conde. Esta empreitada, orçada em cerca de 102 mil euros, com conclusão prevista para setembro, inclui ainda a reabilitação de um troço de conduta da rede de águas e respetivos ramais, numa extensão de 55 metros, e ligação à rede na Rua da Antiga Fábrica do Tomate e Rua de Lisboa. Já na Rua de São Gonçalo, também em Brejos de Azeitão, estão em execução trabalhos de reabilitação da rede de abastecimento de água. A empreitada, no valor de 25 mil euros, é realizada entre as ruas Brejos de Clérigos e Sociedade Musical Brejos de Clérigos, devendo estar concluída também em setembro.

local

Paços do Concelho motivam proteção

O edifício dos Paços do Concelho consta da lista de Imóveis em Vias de Classificação do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico, de acordo com anúncio publicado em julho em Diário da República. Até à divulgação final da classificação, que pode incidir numa das três tipologias de interesse – nacional, público ou municipal –, o imóvel passa a integrar uma zona

geral de proteção com 50 metros, imposição determinada através da Lei de Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Os edifícios localizados na zona geral de proteção, área estabelecida a partir dos limites externos dos Paços do Concelho, ficam ao abrigo das disposições legais em vigor, que determinam, entre outras, o dever de comunicação de situações de perigo

Autarquia adapta edifício

A Câmara Municipal está a preparar um conjunto de obras de adaptação de um espaço nas instalações camarárias na Rua Camilo Castelo Branco, onde funcionam os serviços de Higiene e Limpeza, com o intuito de melhorar as condições de trabalho dos funcionários. As intervenções, com a duração de cerca de dois meses, são realizadas por uma empreitada orçada em perto de 55 mil euros, e incluem a criação de novos balneários e vestiários, melhorias no refeitório e a reabilitação total das redes técnicas.

Novos acessos pedonais

A criação de novos acessos pedonais num troço com cerca de 170 metros na Avenida do Alentejo, na zona do Monte Belo, é o principal objetivo de uma obra realizada por administração direta, ou seja, com recurso a meios próprios da Câmara Municipal. As intervenções, com conclusão prevista para setembro, incluem a criação de passeios, a elevação de lancis e a definição de caldeiras para as árvores existentes. A obra melhora as condições de acessibilidade e garante a segurança pedonal dos transeuntes.

Pavilhão ganha condições

A instalação de paredes no pavilhão utilizado pelo destacamento de Azeitão da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal foi a principal ação de uma empreitada, no valor superior a 15 mil euros. A intervenção, já finalizada, e que permitiu melhorar as condições de trabalho dos bombeiros e o serviço prestado às populações, incluiu ainda a execução de pilares e lintéis de travamento em betão armado, o fornecimento e assentamento de portão de correr e a substituição das chapas da cobertura.

que ameacem ou possam afetar o seu interesse como bem cultural e o pedido de autorização de obras e intervenções nos bens imóveis. A abertura do procedimento administrativo de classificação por parte do IGESPAR resulta de uma proposta apresentada pela Câmara Municipal de Setúbal, que teve em consideração a relevância histórica, arquitetónica e artística deste exemplar de arquitetura pública.

Cemitério mais condigno

O cemitério de Nossa Senhora da Piedade foi alvo de um conjunto de obras de beneficiação, promovidas pela Câmara Municipal. A empreitada, no valor de cerca de 11 mil euros, finalizada no início de julho, consistiu no reforço da iluminação geral do espaço e na construção de muros e de um telheiro na zona de ampliação do cemitério. A implementação de troços de tubagem para reforço da rede de águas foi outra das ações executadas na empreitada, que dá continuidade ao trabalho de beneficiação do cemitério.


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Caminho dá segurança à Mitrena O aumento das condições de segurança e de acesso à península industrial de Setúbal em situações de emergência é consolidado com o Caminho de Fuga da Mitrena. A via é de utilização exclusiva para veículos envolvidos em intervenções de socorro e operações de evacuação A península industrial de Setúbal está mais segura com a ­entrada em funcionamento do Caminho de Fuga da Mitrena, uma via com 4,2 quilómetros, de acesso exclusivo a veículos de proteção e socorro em cenários de emergência e que permite executar operações de evacuação. “Até agora a única via de acesso à Mitrena, a partir do cruzamento das Praias do Sado, junto da central termoelétrica, era a Estrada Nacional 10-4. Em caso de acidente ou bloqueio desta via, a evacuação da zona e a entrada dos meios de socorro seriam seriamente comprometidas”, frisou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal na abertura oficial da estrada, no final de ­julho. Maria das Dores Meira, reforçando que o ­“caminho de fuga é crucial para a segurança de milhares de pessoas que trabalham na zona industrializada e garante a segurança e uma melhor prestação do socorro de toda a zona urbana de Setúbal”, adiantou que o caminho é o “exemplo perfeito do que deve ser a atividade da proteção civil como estrutura de prevenção e planeamento de riscos”. As obras de construção do caminho de fuga, via com um total de 4,2 quilómetros e uma largura mínima de 3,5 metros, constituíram um investimento da Autarquia da ordem dos 60 mil euros. Foram executadas por elementos do Regimento de Engenharia n.º 1 do Exército. “Só este apoio e colaboração possibilitou que ­tenhamos conseguido executar este caminho por um tão baixo preço, assegurado pelo protocolo que assinámos com o Exército Português e que assim quis pôr os seus meios ao serviço da segurança e da prevenção de riscos”, destacou a presidente da Câmara Municipal.

Já o comandante das Forças Terrestres do Exército, o general Amaral Vieira, manifestou o sentimento de dever cumprido. “As intervenções foram um contributo importante para o aumento de segurança em prol da comunidade. Foi uma missão de caráter de interesse público realizada de forma eficiente”, evidenciou o oficial. O Caminho de Fuga da Mitrena, cuja gestão, no futuro, é assegurada pela Proteção Civil Municipal, surgiu de uma sinergia gerada entre Câmara Municipal de Setúbal, CP, Refer, Portucel e Sapec, empresa responsável pela elaboração do projeto da nova via, construída com parecer favorável da Reserva Natural do Estuário do Sado.

Observatório valoriza seniores

Visitas terminam em S. Sebastião O trabalho de terreno do projeto “Ouvir a População, Construir o Futuro”, que leva Executivo e técnicos municipais a percorrer, minuciosamente, as freguesias do Concelho num conjunto de visitas de levantamento de necessidades das populações, é finalizado em setembro. Após a conclusão desta fase do projeto desenvolvido pela Câmara

Municipal de Setúbal, que atualmente decorre em S. Sebastião, uma das freguesias urbanas mais populosas do País, realiza-se uma série de reuniões públicas com os munícipes. Os encontros com a população, já efetuados nas freguesias de S. Simão, de S. Lourenço e de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, permitem mostrar as conclusões do trabalho

de terreno e apresentar possíveis soluções às necessidades identificadas. Esta iniciativa, iniciada em 2010, é realizada no âmbito da sigla “Município Participado” e assenta no envolvimento dos munícipes na tomada de decisão autárquica, com o lema ouvir as populações, partilhar problemas e encontrar soluções.

O contributo para a criação de novas estratégias e políticas que visem a promoção da qualidade de vida e um envelhecimento ativo é a principal meta do Observatório Social de Setúbal (OSS), projeto multidisciplinar apresentado à população em julho. A necessidade de introdução de mudanças tendo em vista o desenvolvimento e a valorização do papel social do idoso é ­outro objetivo desta iniciativa, dinamizada pela Uniseti – Universidade Sénior de Setúbal, em parceria com a Câmara ­Municipal e o Instituto Politécnico de Setúbal. O levantamento e a caracterização da população com mais de 60 anos residente no Concelho são o ponto de partida deste trabalho, iniciado no primeiro trimestre deste ano. Em execução está também a recolha das respostas sociais adequadas à ­população sénior já existentes. A criação de linhas estratégicas e a apresentação de propostas práticas, numa lógica de voluntariado e solidariedade, o acompanhamento periódico e a atualização das medidas de ação identificadas integram também as prioridades de intervenção do Observatório. Uma equipa de intervenção, composta por voluntários das áreas­ de sociologia, psicologia e serviço social, com coordenação a cargo da Uniseti, vai executar os objetivos definidos de acordo com a metodologia estabelecida para as fases distintas.


turismo

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Apetite real em noites seiscentistas

À descoberta dos encantos Momentos únicos de contemplação das maravilhas naturais e do património do Concelho são proporcionados no “Bus Tour Arrábida”. Numa simbiose entre o rural e o urbano, o circuito turístico em autocarro percorre cantos e recantos de Setúbal, Arrábida e Azeitão. As potencialidades da região estão à descoberta todos os sábados até 17 de setembro Das belezas naturais e paisagísticas à atividade vitivinícola e ao fabrico artesanal do azulejo, são vários os pontos de interesse que podem ser observados na terceira edição deste percurso turístico, promovido pela Câmara Municipal de Setúbal em parceria com as empresas “Mil Andanças” e TST. O “Bus Tour”, realizado em autocarro com vista panorâmica, com partida em frente do Esperança Centro Hotel, às 10h00, percorre a zona ribeirinha da cidade rumo a Azeitão, com passagem pela Arrábida, abrangendo as praias, os pinhais, as vinhas e as aldeias históricas. Da observação do Parque Urbano de Albarquel, a partir do sopé da serra, seguem-se

passagens pela Comenda, pelo Vale da Rasca, propício à agricultura e à pastorícia, e pela coudelaria Xavier de Lima, dedicada à criação do cavalo lusitano. À chegada a Azeitão, a São Simão Arte é paragem obrigatória. Na oficina de fabrico artesanal de azulejos, com cerca de 30 anos, são mostradas as várias etapas do fabrico deste artefacto que constitui um património da região. Já no centro de Vila Nogueira de Azeitão, o interesse é focado nas Caves José Maria da Fonseca, fundada em 1835. A visita à sala-museu, que expõe fotografias, documentos e muitas medalhas, como a primeira ganha em 1855, em Paris, com o conhaque moscatel, que permitiu, a partir daí, a exportação, é imperativa.

Concelho vive animação

O regresso a Setúbal é complementado pelo verde da Serra da Arrábida, pelo extenso areal das praias banhado pelo oceano, pela renovada península de Troia e pela deslumbrante baía de Setúbal, considerada uma das mais belas do mundo. As viagens turísticas, com cerca de três horas, em funcionamento todos os sábados até 17 de setembro, têm um custo de dez euros para adultos e de cinco para crianças dos 7 aos 11 anos. As reservas para as viagens em autocarro turístico podem ser feitas através do número telefónico 265 532 979 ou do correio eletrónico geral@mil-andancas.pt, contactos que servem ainda para obter informações sobre este serviço.

Música, gastronomia e artesanato marcam as diversas festas que, no período de verão, promovem o convívio e a interação entre as pessoas. Qualquer que seja o motivo, de cariz meramente popular ou por devoção ao sagrado, o Concelho respira animação. Em Vendas de Azeitão, as Festas de S. Simão assinalaram os 441 anos da freguesia. Tasquinhas, animação musical e feiras do livro e de artesanato estiveram presentes no certame, entre os dias 5 e 7 de agosto. No calendário deste mês consta ainda a Festa de Nossa Senhora da Conceição, de 12 a 15, festejos que

O ambiente da outrora vila de Setúbal no ano de 1641, no reinado de D. João IV, é revivido no Forte de S. Filipe, o cenário escolhido para as “Ceias Seiscentistas”, que junta gastronomia, artes circenses e demonstrações militares. O ciclo de um conjunto de quatro recriações históricas iniciadas em junho, que ocorrem num período após a Restauração da Independência, conta ainda com sessões a 27 de agosto e 24 de setembro. Um piqueiro e um mosqueteiro encaminham os visitantes para o comandante da guarnição, oficializando as boas-vindas, momento em que é feita uma breve contextualização histórica do momento a recriar. Sempre com música seiscentista a acompanhar o serão histórico, um faustoso banquete, em que os utensílios utilizados à refeição são réplicas dos usados na época, é servido. Os sabores do século XVII, experienciados em pratos como codornas com espécies de longe, costados de porco com adoba, laparotos assados e perna de vitela mamona, são acompanhados de momentos de animação, onde um elenco de atores, em interação com o público, recria personagens populares da época. Saciados os caprichos alimentares, as atenções centram-se no terraço do baluarte do Forte de S. Filipe, onde decorrem várias demonstrações militares, que incluem disparos de mosquete e simulações de ataque e defesa com diversas armas do século XVII. Dança e artesanato, com artífices a trabalharem ao vivo prata, azulejos e cerâmica, fazem também parte das “Ceias Seiscentistas”, organizadas pela Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal, em parceria com as Pousadas de Portugal e com apoio da Câmara Municipal. Os bilhetes custam, para os adultos, 45 euros, enquanto a entrada das crianças fica pelos 32. Existem ainda pacotes especiais para casais, a 86 euros, e para famílias, a 146. Mais informações sobre as “Ceias Seiscentistas”, realizadas no âmbito do programa municipal “Noites com... estória”, encontram-se na ­página de internet www.passadovivo.com.

renovam sempre a devoção na Aldeia da Piedade. De Azeitão para Setúbal, a religião é também motivo de celebração na Festa de Nossa Senhora do Rosário de Troia, entre os dias 13 e 15, evento das Festas Populares de S. Sebastião que oferece círios fluviais no Sado com centenas de barcos. Já a Festanima, entre os dias 12 e 21, nas Escarpas de Santos Nicolau, aposta forte na gastronomia e nos sabores locais, à semelhança das Festas do Moinho de Maré da Mourisca, entre 26 e 28, onde a ostra é um dos produtos em destaque. A completar o período festivo, em

Vila Fresca de Azeitão realiza-se, de 9 a 11 de setembro, a Festa de Nossa Senhora da Saúde, que mantém viva a tradição das cavalhadas à antiga portuguesa. Antes, as Festas da Arrábida e Azeitão, de 30 de junho a 3 de julho, animaram a população de Vila Nogueira. Em Setúbal, o Largo José Afonso, entre 1 e 10 de julho, foi palco da SetFesta, certame das freguesias de Santa Maria e da Anunciada. A devoção a Nossa Senhora da Arrábida motivou, com as Festas do Novo Círio, entre 3 e 11, na Anunciada, com diversas atividades de caráter religioso.


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Feira de Sant’Iago bate recordes

Mais de 400 mil pessoas passaram este ano pela Feira de Sant’Iago, afluência recorde de público desde que se realiza nas Manteigadas. O aumento de cerca de 12,5 por cento de visitantes em relação ao ano passado comprova a relevância do certame como polo expressivo de oferta de cultura e lazer Os números confirmam. A mítica marca de mais de 400 mil pessoas presentes na Feira de Sant’Iago foi ultrapassada e a edição ­deste ano registou a maior afluência de sempre desde que o certame se realiza nas Manteigadas. A marca alcançada comprova que o certame é o grande evento de Setúbal e da região e uma das maiores festas populares que têm lugar no País. Em relação ao ano passado, em que foram contabilizadas perto de 360 mil entradas, há um aumento de visitantes na ordem dos 12,5 por cento. A afluência de 405.196 pessoas no total dos 16 dias de certame em 2011 constitui um recorde absoluto desde 2004, altura em que o certame se mudou para o Parque Sant’Iago. A edição deste ano averba, igualmente, a marca diária de maior afluência de público ao recinto nas Manteigadas. Com um total de 47.980 pessoas, o último dia de feira suplantou um recorde que pertencia às edições de 2008 e 2010, com cerca de 44 mil visitantes.

De salientar, ainda, que a edição de 2011, com exceção de um dos 16 dias de certame, em virtude das condições meteorológicas adversas, bateu todos os registos diários de afluência comparativamente a 2010. O primeiro dia, 27 de julho, e os dois últimos, 6 e 7 de agosto, foram aqueles que mais público registaram. “Bombeiros: um passado presente e uma referência de futuro”, numa homenagem aos Sapadores, companhia criada há 225 anos, e aos Voluntários de Setúbal, com 129 anos de história, foi o tema desta edição, que destacou a atividade e a importância destas duas instituições de socorro na comunidade setubalense no pavilhão da Câmara Municipal. A reorganização espacial, com a preocupação de conferir maior visibilidade às atividades, e a abertura de novas áreas para usufruto dos visitantes foram apostas da Feira de Sant’Iago. A criação de uma área institucional, com pavilhões de artesanato, numa das entradas do recinto, foi uma das novidades

deste ano, assim como o projeto Summer Dream Festival. Outras novidades foram a Tenda Eletrónica, espaço vocacionado para o público mais jovem, instalado no miradouro, área privilegiada do Parque Sant’Iago, que acolheu, também, o Espaço Kids, a Feira do Livro, um restaurante lounge com vista para o palco principal e o Pátio Regional, destinado à promoção dos produtos de excelência. A juntar-se à lista de novidades está ainda a criação do hino da Feira de Sant’Iago, cantado pelo coro municipal “Afina Setúbal”. Já o cartaz de espetáculos, que se desenvolveu em dois palcos – Mundo e Setúbal –, este ano afastados consideravelmente, o que permitiu o funcionamento em simultâneo, apostou no conceito de música para todos os gostos. Tony Carreira, Linda Martini, Hands on Approach, Zeca Sempre, Canta Brasil, Mind da Gap, Quim Gouveia, Jorge Nice, Ana Moura, Chave d’Ouro, Clã e Homens da Luta foram nomes que passaram pela Feira de Sant’Iago.


plano central

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Gorda. Nem muito grande, nem muito pequena. E assada no ponto. Esta é a imagem que faz muitos salivar pela sardinha. A qualidade da de Setúbal destaca-se. Parte do segredo está na Arrábida. Outra, na sabedoria popular. A sardinha pertence à cultura portuguesa e também deve fazer parte da saúde humana. Por estes e outros motivos é candidata a maravilha

Maravilha a pingar no pão

C

andidata a maravilha gastronómica, protagonista de recordes mundiais, fonte de riqueza económica e bálsamo para o coração, a sardinha é rainha em Portugal e a sua corte está em Setúbal. Até 10 de setembro a sardinha assada é um dos 21 pratos finalistas do concurso “7 Maravilhas da Gastronomia”, competindo na categoria “Peixe”. Após essa data é bem natural que passe a ser uma das sete maravilhas eleitas, fazendo justiça a um vasto conjunto de méritos que a deliciosa refeição reúne. Em termos económicos, em 2010 foi, de longe, a espécie mais vendida na lota de Setúbal, com quase 1300 toneladas transacionadas. A cavala, a título comparativo, foi a segunda neste pódio, com pouco mais de 620 toneladas comercializadas. Só em junho deste ano, a Docapesca de Setúbal registou a passagem

na lota de cerca de 67 toneladas de sardinha. Rematando o campo das estatísticas, a Sesibal – Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines, com 15 embarcações associadas e cerca de 250 pescadores matriculados no total dos três portos, é responsável pela captura anual de sete mil toneladas. Cada quilo proveniente da costa de Setúbal representa, para muitos, a melhor sardinha do País e até do mundo. Mais do que paixão, os defensores deste “galardão” usam a ciência para justificar a fama. Com a sardinha portuguesa, na generalidade, a marcar padrões de qualidade, a da costa setubalense sobressai pelo que come, pois, alimentando-se de plâncton, encontra-o em abundância nestas águas, em particular devido à Arrábida, rica em biodiversidade. Com o plâncton “gourmet” preparado pela


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Na boca do povo Este é um peixe com lugar cativo não apenas na barriga, mas também na cultura dos portugueses. A presença nos pratos tornou-se de tal forma habitual que, “puxando a brasa à nossa sardinha”, recordamos algumas das expressões populares que fazem do saboroso peixe uma personagem comum nas conversas de rua. Sem querermos apresentar provérbios “como sardinha em lata”, não deixam de ser curiosas algumas comparações com a mulher entre os dizeres do povo. É assim que surgem as expressões “a mulher e a sardinha, quanto maior, mais daninha” ou “a mulher e a sardinha, quer-se pequenina”. Questão de experiências ou de gostos, talvez, mas o que importa lembrar é que “sardinha sem pão é comer de ladrão”. Para não falar que, em época de crise, “a como se vende a sardinha é como se encontra a tolinha”, até porque é preciso ter cuidado com quem “tira a sardinha com a mão do gato”. De norte a sul, do litoral ao interior, as referências são persistentes. O mirandês, por exemplo, costuma dizer “com castanhas assadas e sardinhas salgadas, não há ruim vinho”. Ainda assim, porque tudo o que é de mais também enjoa, tenha em mente que “nem sempre galinha, nem sempre sardinha”.

serra e as águas tipicamente frias, habitualmente a 18 ou 19 graus, é com naturalidade que a Sardina pilchardus (nome científico da espécie) de Setúbal esteja entre os pratos eleitos do concurso “7 Maravilhas da Gastronomia”. Em síntese, é a melhor entre as melhores sardinhas.

Captura e brasas com arte A sardinha só é capturada ao final da tarde, pelo pôr do sol, ou ao romper da manhã, uma vez que os cardumes não dispersam como acontece perante a luz solar. A pesca, sempre por cerco, é seletiva, não predadora, com as malhas a permitir a fuga dos espécimes juvenis. Todos estes fatores contribuíram para que a sardinha nacional fosse certificada, sendo­ a sua pesca considerada ambientalmente­ sustentável a nível mundial pela Marine Steward­ship Council. A qualidade da sardinha setubalense enriquece ainda com o facto de, depois de capturada, ser conservada em caixas isotérmicas, as dornas, logo após o desenvase, ou seja, o desenrolar da rede para bordo da traineira. Os animais morrem por choque térmico, através de água salgada e gelo a zero graus centígrados, enrijecendo-os e, com isso, mantendo-lhes todas as propriedades. A sardinha nunca recebe água doce, precisamente para manter estas características. Já no fogareiro dos restaurantes sadinos, truques não faltam para que seja assada à imagem de Setúbal. A brasa, bem distribuída, nunca pode fazer chama, evitando-se este “desastre” espalhando cinzas ou areia sobre o carvão. Além disso, as sardinhas, salgadas 30 minutos antes de cozinhar, devem estar a cerca de 15 centímetros do lume e não devem ficar mais do que três minutos, de cada lado, em cima das brasas. Mas por mais truques que se aprendam, a

“mão” e o “olho” é que fazem a diferença e estas são virtudes que só se ganham com a experiência. O prémio surge a pingar, com a gordura da sardinha, dourada e de pele estaladiça, a ensopar o pão, frequentemente torrado no fim e a servir como um bónus depois de se ter comido a melhor sardinha do mundo.

Só não faz os olhos bonitos A sardinha assada contém cerca de 12 por cento de lípidos, sendo os mais importantes os ácidos gordos polinsaturados, em especial os da série ómega 3, benéfico para a saúde cardiovascular. Os ácidos gordos polinsaturados ajudam a equilibrar os níveis do colesterol “mau” (LDL), diminuem os triglicéridos e promovem o aumento do colesterol “bom” (HDL). Contribuem igualmente para a regulação da tensão arterial e da coagulação sanguínea, tornando a circulação do sangue mais fluída.

Recorde de fartura A importância da sardinha em Setúbal ficou também patente a 29 de maio de 2010 quando a cidade foi palco do novo recorde mundial de um produto de mar cozinhado ao ar livre. A anterior marca de 5810 quilos, que pertencia à cidade norte-americana de Miami, foi suplantada pelos 6340,72 quilos cozinhados naquela que é a Maior Sardinhada do Mundo. O recorde, homologado pela Guinness World Records, partiu de uma iniciativa da Câmara ­Municipal e da empresa MCG e foi batido entre as 12h30 e as 20h30 no Largo José Afonso. A estrutura preparada para esse dia envolveu a colocação de 2500 lugares e a distribuição de 23 mil pratos de plástico, ficando, mesmo assim, aquém das necessidades das 25 mil pessoas que marcaram presença no evento. Para o recorde contribuíram 40 assadores, que usaram três toneladas de carvão e um ­fogareiro com cem metros de cumprimento.

Estudos apontam efeitos benéficos da Sardina pilchardus em doenças como a psoríase, doença da pele, e a artrite reumatoide, em particular se consumida fresca, ao invés de enlatada. Este é um peixe igualmente rico em proteínas, vitamina B12, ferro e zinco, entre outros nutrientes importantes, mas destaca-se, ainda, pela particularidade de ser uma importante fonte de cálcio. Esse elemento encontra-se na espinha, pelo que o nutricionista Nuno Nunes, do Hospital de S. Bernardo, sublinha que é habitual aconselhar “pessoas com problemas de falta de cálcio e que não podem beber leite, por serem intolerantes à lactose, a comer as sardinhas por inteiro”, ou seja, espinha incluída. O especialista salienta que não existe dose diária recomendada (DDR) para a sardinha, “mas sim para os macro e micronutrientes. Porém, se se consumir 150 gramas de sardinha uma a duas vezes por semana, bem como outros peixes gordos, com toda a certeza que

Finalista a votos A sardinha assada de Setúbal é um dos 21 finalistas do concurso “7 Maravilhas da Gastronomia”, de divulgação e promoção da rica cozinha portuguesa. O prato setubalense concorre na categoria “Peixe”, com o bacalhau à Gomes de Sá, pela região de Entre Douro e Minho, e o polvo assado no forno, dos Açores. A votação decorre até 7 de setembro, podendo ser feita através da internet, na página oficial do concurso, em www.7maravilhas.pt, bastando indicar o nome e o endereço de correio eletrónico, ou pelo

os efeitos benéficos para a saúde se manifestarão”. Nuno Nunes ressalva, todavia, que é desaconselhável o excesso de sal no tempero, assim como comer a pele demasiado queimada. A escolha de uma boa sardinha depende de alguns pormenores, como guelras vermelhas e sem muco, corpo firme, escamas luminosas e em tom uniforme, tal como os olhos, com a córnea transparente e a pupila negra e circular. Independentemente dos valores nutricionais, o peixe, para ser mais saboroso, deve ter um tamanho médio e os lombos volumosos, sinal de boa alimentação. Em caso de uso doméstico, as sardinhas devem ser transportadas num saco térmico, sendo ideal consumi-las no próprio dia. Quando o objetivo é guardá-las para dias mais tarde, devem ser lavadas antes de congelar e acomodadas em sacos indicados para embalar, evitando que estejam em contacto com o ar. É importante acondicionar o peixe lado a lado, para não esmagar, e não é necessário descongelar para ser confecionado. Mas de todas as regras a lembrar, a que deve ficar na memória é que a sardinha atinge o seu período de maturação entre junho e setembro. Esta é a altura ideal para espalhar as brasas, preparar o pão e ver esta maravilha gastronómica a pingar sabor.

Facebook, em www.facebook.com/7MGastronomia. O contributo para eleger a sardinha assada pode também ser dado por telefone, através do número 760 302 712, ou por SMS, para o número 68933, escrevendo no campo de mensagem o código 712. A chamada tem um preço de 60 cêntimos, mais IVA, enquanto o custo do voto por mensagem de texto é de 50 cêntimos. O evento, organizado pela New 7 Wonders Portugal, que começou com um total de 70 candidatos, divide-se ainda nas categorias “Entradas”, “Sopa”, “Marisco”, “Caça”, “Carne” e “Doces”, cada uma com três finalistas a concurso. Os vencedores das “7 Maravilhas da Gastronomia” são conhecidos a 10 de setembro, numa cerimónia a realizar em Santarém.


14SETÚBALjulho|agosto11

Basquetebol de rua em Casas de Azeitão A união fez a força e mais uma obra nasceu em S. Simão. Depois de um campo de voleibol de praia, a urbanização de Casas de Azeitão tem agora uma zona para a prática de basquetebol. A criançada agradece

freguesia

O

Anunciada reforça atratividade Do mato e do barro nasce uma nova zona para usufruto da população. A Junta de Freguesia da Anunciada dá continuidade ao trabalho de melhoramento urbanístico daquele território do Concelho, encontrando-se a executar, numa área junto da Ludoteca “O Moinho”, um conjunto de investimentos de beneficiação do espaço urbano. As intervenções urbanísticas, que devem estar concluídas até ao final de agosto, constituem um investimento da ordem dos 45 mil euros e revestem-se de particular importância quer para os moradores daquela zona, quer para os visitantes que diariamente se deslocam até aquela instituição para crianças. “Esta é uma área que esperava por melhorias há mais de 40 anos. Era um espaço descaracterizado, cheio de mato e entulho, que necessitava de uma intervenção profunda”, assinala o presidente da Junta de Freguesia da Anunciada, José Manuel Silva. “É uma obra que tanto beneficia os moradores como as muitas pessoas que vêm à ludoteca”, reforça. As intervenções incluíram a limpeza total da área e a criação de novos aces-

investimento em equipamentos nas Casas de Azeitão prossegue, tendo, no início de julho, sido inaugurado um campo de street basket que já faz as delícias de crianças e jovens desta urbanização situada entre Vendas e Brejos. A obra é o resultado de mais uma parceria entre a Junta de Freguesia de S. Simão e a Associação de Moradores da Urbanização Casas de Azeitão – Núcleo Poente I, que, a poucas dezenas de metros, levou, há um ano, à instalação de um campo de voleibol de praia. A criação desse equipamento foi divulgada na edição de agosto/setembro do Jornal Municipal, num texto que anunciava a intenção de instalar uma zona para street basket. Com a concretização do investimento anunciado, o basquetebol de rua assume-se agora como a modalidade de eleição de miúdos, principalmente dos 8 aos 10 anos, em animadas jogatanas e em demonstrações de habilidades. “Esta parceria com a associação de moradores está a ser muito boa, com vantagens para todos. É a forma de ter mais espaços melhorados e potenciados”, salienta o presidente da Junta de Freguesia de S. Simão, João Carpelho.

Esforço de todos A obra, com um custo da ordem dos dois mil euros, contou ainda com o envolvimento da Câmara Municipal de Setúbal e de uma empresa local de construção civil, a Joaquim Arquinha. Todos juntos, com materiais e pessoal, foi possível dar um uso útil a mais um espaço público que se encontrava disponível. Em apenas duas semanas foi possível fazer nascer o campo de street basket, procedendo à remoção de terras, abertura de ­caixa e enchimento, aplicação do pavimento, em tout-venant, e construção de fundação e afixação da tabela. O campo está ­ainda dotado de vedação e de um acesso pedonal em calçada com quatro metros de comprimento e dois de largura. Depois foi só inaugurar a obra. A ocasião justificou uma festa para celebrar a criação de mais um equipamento de interesse público, na qual participou a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira. “Esta urbanização, além de um parque infantil e de um campo de volei, tem agora um de street basket, o que vem aumentar a oferta e melhorar as condições na zona”, assinala João Carpelho.

sos rodoviários e pedonais, a instalação de sumidouros para a drenagem de águas pluviais, a beneficiação de passeios e a definição de novos lugares de estacionamento. As beneficiações naquela área da freguesia da Anunciada englobaram ainda a criação de vários espaços verdes, ações que permitem melhorar a atratividade e também aumentar a qualidade de vida da população, à semelhança de outras obras que também se encontram em fase de execução. “Esta é apenas uma de quatro intervenções que espero ver concretizadas até ao final do mandato”, indica José Manuel Silva, destacando a criação de um novo miradouro, com áreas verdes, junto das Torres da Reboreda. Trabalhos de beneficiação numa rotunda no Bairro da Reboreda e a construção de um pequeno jardim junto do infantário “O Comboio”, localizado, igualmente, na mesma área das intervenções mencionadas, fazem parte do referido conjunto de obras, cujo valor de investimento total ultrapassa os 260 mil euros.

Praias do Sado ganham verde O investimento na melhoria dos espaços de recreio e lazer para usufruto das populações é um dos imperativos da Junta de Freguesia do Sado, que, recentemente, executou duas intervenções de requalificação neste tipo de espaços, nas Praias do Sado. No Largo Tomás Ribeiro, as intervenções, concluídas em julho, visaram a recuperação de uma área ajardinada que “se encontrava vandalizada e com poucas condições de utilização”, avança o presidente da Junta de Freguesia do Sado, Manuel Véstias. A criação de novas áreas verdes, com a plantação de herbáceas, e a reparação de mobiliário urbano, em concreto oito bancos, foram algumas das intervenções realizadas naquele espaço, assim como o reforço da iluminação pública, operação a cargo da Câmara

Municipal de Setúbal. Ainda neste âmbito, nas traseiras de uns imóveis próximos deste jardim, a Junta de Freguesia do Sado recuperou uma área que se encontrava abandonada. Aqui, as obras consistiram em trabalhos de pavimentação e criação de lugares de estacionamento. Um outro espaço de recreio, na Quinta do Meio, foi também alvo de ações de beneficiação que incluíram a requalificação de um parque infantil, o melhoramento da área ajardinada e o restauro de 12 bancos. “Do velho fizemos novo”, sublinhou Manuel Véstias, explicando que os trabalhos de recuperação do mobiliário urbano de ambos os espaços intervencionados foram executados “nas oficinas da Junta”, o que permitiu “uma maior rentabilização de recursos”.


15SETÚBALjulho|agosto11

Aposta na energia solar

ambiente

A aposta nas energias renováveis é cada vez mais uma constante. A Autarquia prepara-se para receber de braços abertos os benefícios do Sol. Está a caminho a energia solar nos edifícios camarários. Reduzem­ ‑se custos, aumentam-se receitas e, o melhor de tudo, preserva-se o planeta

A Câmara Municipal de Setúbal pretende abraçar as energias renováveis, com a instalação de soluções de minigeração, microgeração e de painéis solares térmicos nos edifícios da Autarquia. O objetivo do projeto, ainda em fase embrionária, estando todo o trabalho técnico já concluído, passa pela redução significativa dos gastos diretos das faturas associadas ao consumo energético nas instalações camarárias e, em simultâneo, por gerar receitas a partir da venda do excesso de produção de energia à rede pública nacional. Uma das soluções para que a Câmara Municipal torne a energia solar uma realidade nas instalações camarárias é a procura de parcerias com Empresas de Serviços Energéticos, entidades que exercem atividade no ramo das energias renováveis. A finalidade destas parcerias é a celebração de contratos-programa, com duração de cinco a 12 anos, em que o investimento inicial fica a cargo das empresas, sendo que no final do contrato o equipamento entretanto adquirido reverte a favor da Autarquia. Enquanto a solução dos painéis solares térmicos visa apenas o aquecimento de águas sanitárias, a mini e microgeração pressupõe já a

produção de energia, que, em excesso, pode ser vendida à rede elétrica nacional. Os serviços técnicos da Autarquia estimam que estas duas últimas soluções possam gerar receitas na ordem dos 15 mil euros por edifício, por ano. A instalação de qualquer uma das três propostas, que resulta na redução de emissão de gases nocivos para a atmosfera, implica a implementação de várias medidas de adaptação dos edifícios, como a substituição de coberturas ou vãos envidraçados. Estes ajustes irão contribuir consideravelmente para a melhoria do desempenho energético das instalações, reduzindo os gastos de consumo. A Câmara Municipal já tem em funcionamento painéis solares térmicos no Parque Verde da Bela Vista e no Centro Multicultural, este também apetrechado com um sistema de microgeração. O equipamento foi instalado no âmbito do segmento destinado a energias renováveis do RUBE – Programa de Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente, financiado com fundos comunitários através do PORLisboa – Programa Operacional Regional de Lisboa, ao abrigo do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.

Recolha de lixo mais eficiente A recolha de resíduos sólidos urbanos (RSU) na freguesia da Anunciada é feita diretamente pela Câmara Municipal de Setúbal desde 16 de agosto, numa medida que garante mais qualidade de serviço e menos custos ao Município. A solução, anteriormente entregue à empresa EGEO, deve-se à entrada em funcionamento de uma nova viatura municipal de recolha de lixo, de grande capacidade, equipada com um contentor com 20 metros cúbicos de volume. O circuito, após a transição para a Câmara Municipal, mantém a periodicidade diária e em regime noturno, funcionando entre as 22h00 e as 04h00.

Ecologia a banhos Um conjunto de atividades de educação ambiental decorreu entre junho e julho na Praia da Figueirinha, no âmbito do Programa Bandeira Azul 2011, este ano subordinado ao tema “Mar, História e Recursos”. Perto de duas mil crianças participaram nas iniciativas promovidas pela Câmara Municipal, que contaram com o patrocínio do Grupo Accor – Novotel. O projeto teve como principal objetivo promover junto da população o uso sustentável das zonas balneares para recreio e turismo. A campanha teve como eixos quatro critérios-base, focando a sensibilização ambiental, através da distribuição de material informativo, a participação passiva do público, por meio de exposições, a participação ativa, por intermédio de jogos didáticos, e atividades de formação, para a aquisição de conhecimentos. “Estuário do Sado – Cultura e História”, “Mar, Estuário e Golfinhos”, “Estuário e o Mar”, “Reciclar a Praia” e “As mais loucas jangadas de PET” foram as quatro ações desenvolvidas no areal da Figueirinha. Entre as várias iniciativas, realizaram-se diversos jogos didáticos com os mais novos, ateliers sobre golfinhos e pesca à rede, a exposição “Biodiversidade na Serra e no Mar” e jangadas feitas em material reciclado. A distribuição pelos banhistas de folhetos informativos sobre a Bandeira Azul e a reutilização e reciclagem de resíduos sólidos urbanos, a colocação de um painel informativo de uma campanha contra o tabagismo e a distribuição de 500 cinzeiros de praia foram outras das ações desenvolvidas.

O percurso tem uma extensão de 60 quilómetros e serve uma população de cerca de 16 mil habitantes, abrangendo 86 pontos de recolha e 200 contentores, cada um com 800 litros de capacidade. Este serviço é complementado por circuitos de recolha de monos e de lavagem de contentores, sem que nenhuma destas três soluções implique qualquer alteração na rotina diária dos munícipes. Para o conjunto destes circuitos é utilizada uma equipa de nove funcionários da Autarquia. A Câmara Municipal está redimensionar todo o sistema de recolha de RSU, ­introduzindo melhorias de forma progressiva, com o objetivo de implementar medidas que permitam garantir a flexibilidade, o dinamismo e a redução de custos na gestão dos circuitos. Até ao final do ano o Município prevê alargar este tipo de serviço a outras áreas do Concelho, nomeadamente a zonas em que a recolha é assegurada pela empresa EGEO, no âmbito da estratégia de reassumir gradualmente a gestão dos serviços de higiene urbana. Em paralelo, dando continuidade à política de otimização dos recursos, desde 1 de julho que a recolha de RSU nas freguesias do Sado e de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra se realiza no período diurno, à imagem do que se verifica há mais tempo em S. Simão e S. Lourenço, sendo que, nestes casos, os munícipes daquelas áreas do Concelho devem depositar os detritos nos contentores durante a noite. A zona nascente do Concelho, com mais de 9500 habitantes, é servida por três circuitos de recolha de RSU indiferenciados, em regime de administração ­direta, com 479 pontos de recolha e 753 contentores, numa área total superior a 180 quilómetros.


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Ocupar o tempo das férias dos mais novos é, muitas vezes, um problema para os pais. A Câmara Municipal, em parceria com várias entidades do Concelho, proporciona, gratuitamente, um verão diferente, seja a fazer natação, a jogar ténis ou a aprender a tocar um instrumento musical. Ou os três. Difícil é escolher entre os 40 ateliers disponíveis

Verão que é tempo de apr

inclusão

J

esus garante que sabe nadar, mas a estrutura franzina do rapaz de 10 anos aconselha a brincadeira em águas pouco profundas. A tremer de frio e com a pele engelhada, sai da piscina para se aquecer ao sol. A vontade de brincar com os outros, os amigos dos Ateliers de Verão, que continuam a banhos, ajuda a vence os tremores. Num ápice, desaparece e volta a emergir à tona da água. Na extremidade, com pouca profundidade, de um dos tanques das Piscinas Municipais das Manteigadas estão mais cinco crianças, que, ao contrário de Jesus, não sabem nadar. Seguem com toda a atenção as indicações da monitora Arlete Rego, que orienta este atelier de natação, um dos mais concorridos entre as cerca de 40 atividades proporcionadas gratuitamente pela Câmara Municipal de Setúbal em colaboração com duas dezenas de entidades do Concelho. Em altura de férias grandes, mais do que para aprender a nadar, estar dentro de água é pura diversão para a Ana Rita e a Inês, ambas de 9 anos. Ainda não sabem nadar crawl nem mariposa, mas demonstram, com estilos muitos próprios, como nadam o golfinho e o cavalo-marinho, com a ajuda do “chouriço” e sob o olhar atento da monitora. Enquanto as duas crianças aprendem as técnicas de adaptação ao meio aquático, na piscina ao lado outras seis, um pouco mais velhas, todas utentes dos Ateliers de Verão, divertem-se. Neste grupo, o que já sabe nadar, está João Dinis, de 10 anos, que tanto gosta de praia como de piscina. Ele e o irmão inscreveram-se

no atelier de natação, dinamizado pelo Centro de Cidadania Ativa, frequentado por amigos que João conhece da escola. Cada participante, entre os 6 e os 18 anos, pode frequentar, no máximo, até três ateliers. Inês está inscrita também nos de expressão dramática e de informática. Este ano, os Ateliers de Verão, que decorreram entre os dias 29 de junho e 12 de agosto, registaram mais de 600 inscrições, e tal como nas edições anteriores a adesão foi maior nas atividades desportivas, como natação, canoagem, capoeira e ténis.

Desporto favorito Além do complexo municipal das piscinas das Manteigadas, que recebe durante seis semanas este grupo de crianças, entre os 6 e os 12 anos, e outros dois de jovens entre os 12 e os 16, também as Piscinas Municipais de Azeitão acolhem duas turmas dos 6 aos 16 anos. Do desporto à música, das artes plásticas à dança, passando pela costura e pela jardinagem, as oficinas decorrem em vários locais, como a Capricho Setubalense, a­ Artiset e os pavilhões gimnodesportivos do Viso e de Aranguês, além das escolas básicas de 1.º ciclo dos Pinheirinhos e do Monte Belo. O court de ténis do Jardim de Vanicelos recebeu, durante mês e meio, três grupos de crianças e jovens, num atelier da responsabilidade da Associação de Ténis de Setúbal. Um a um, os nove alunos das terças e quintas-feiras, de manhã, batem a bola ao passe do monitor Armando, do Clube Portais da Arrábida, num exercício que treina os movimentos de esquerda e de direita. Esta é a base dos treinos de iniciação, a que acresce a prática do “serviço”. Se para estes jovens passar as férias a praticar desporto é divertido, para os pais esta é a melhor forma de os manter ocupados e gratuitamente. O professor de ténis, que participa há quatro anos nos Ateliers de ­Verão, confessa que trabalhar com os mais novos, entre os 6 e os 12 anos, é “mais complicado”. Mas há dois participantes que se destacam pelo “talento natural”. Jorge, de 10 anos, um dos habilidosos com a raquete, fã do tenista espanhol Rafael Nadal, tem por este desporto especial apreço. “Já me desenrasco”, conta o rapaz, que participa pelo segundo ano nos ateliers, sempre, como primeira opção, na modalidade de ténis. Bateria e gui-

tarra vêm logo a seguir na ordem de preferências.

A duas gerações A particularidade destes Ateliers de Verão é estarem vocacionados

não só para os mais novos como também para a população sénior do Concelho. Neste encontro de gerações tão diferentes, a aproximação faz-se pela partilha dos saberes. Os ateliers de música, seja canto ou instrumento, são exemplo dessa


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prender

convivência. No Arena – Criatividades Musicais, encontrámos duas gerações a trabalhar em conjunto. Os dedos, embora menos ágeis do que outrora foram, do maestro Mário Coelho saltitam pelas teclas do piano sob a atenção do jovem Filipe.

Com a possibilidade de tocar bateria ou guitarra, Filipe optou pelo piano. “É um dos instrumentos que estava curioso em aprender.” A música une qualquer diferença que as muitas décadas possam, à partida, estabelecer. Aos 86 anos, o músico, apesar de reformado, partilha a sua sabedoria através do ensino. “Atendendo à idade, os dedos não giram com facilidade”, lamenta, à medida que vai dedilhando a escala “Têm de aprender primeiro os tempos e as notas”, explica Mário Coelho, homem dos sete instrumentos e mais alguns. Segue-se aprender a tocar com a mão direita e só depois com a esquerda, para mais tarde ajustar as duas ao mesmo tempo. Abel Moinho, de 70 anos, está na primeira aula do atelier de música. O artesão reformado, que ganhava a vida a reparar violas de caixa, optou pelo instrumento de cordas para acabar com o desgosto: “É triste saber reparar e não saber tocar.” Apesar de considerar “um bocadinho” difícil, Abel, que afinal é músico – tocou reque-reque no conjunto Xico da Cana –, vai continuar as aulas, depois de terminado o atelier.

Proteger os mais desprotegidos Os desenhos em exposição, as peças Lego espalhadas sobre a mesa e os livros para colorir denunciam que a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Setúbal é porto de abrigo para os mais novos e respetivas famílias. Mais do que o próprio nome da instituição possa indicar, a Comissão trabalha, a nível concelhio, fundamentalmente na salvaguarda da proteção da criança e do jovem até aos 18 anos, em alguns casos até aos 21, e na promoção dos seus direitos. Direitos que muitas vezes são negligenciados pelos próprios pais ou pelo representante legal pondo em perigo a segurança, a saúde, a formação, a educação ou o desenvolvimento. Coisas tão simples como o cumprimento do plano nacional de vacinação e a aquisição do material escolar. A psicóloga clínica Carla Roberto, representante da Autarquia na CPCJ de Setúbal, aponta o abandono ou o estar entregue a si própria como situações que identificam uma criança em perigo. Cenários que podem corresponder ao abandono efetivo, “quando a criança é deixada nalgum sítio sem que haja algum adulto responsável que assuma o seu cuidado”, ou fica sozinha todo o dia em autogestão. Os maus tratos físicos e psíquicos ou os abusos sexuais, a negligência ao nível da alimentação, da higiene ou dos afetos, e a imposição de atividades ou trabalhos excessivos e inadequados são outras situações que legitimam a intervenção da Comissão, instituição oficial não judiciária. Carla Roberto exemplifica o papel da CPCJ com a participação de crianças em telenovelas: “É solicitada à Comissão autorização para se monitorizar os horários das gravações sem prejudicar o normal desenvolvimento e percurso formativo da criança.” Outra situação que coloca a criança em perigo é a sujeição, direta ou indiretamente, de comportamentos, como a violência doméstica. Se até aqui as situações de perigo foram promovidas por terceiros, também as próprias crianças e os jovens se colocam perante comportamentos desviantes ou se entregam a atividades ou consumos de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas. Preocupante continua a ser a gravidez na adolescência. A Comissão só tem um papel interveniente quando se verifica o insucesso dos pais ou representantes legais em demover o jovem da situação de perigo.

Pirâmide de atuação O sistema de promoção e proteção português é ilustrado por Carla Roberto como uma pirâmide, em que na base está a família. “Se cumprir as suas funções em articulação com as entidades com competência em matéria de infância e juventude, como os infantários, as escolas, os centros de saúde e os hospitais, não há necessidade sequer de chegar à Comissão”, clarifica a técnica. Não havendo o cumprimento das necessidades da criança e estando esgotados os recursos de intervenção destas entidades, sempre com base na lei de pro-

teção de crianças e jovens em perigo, os casos seguem para o patamar seguinte, ou seja, para a Comissão. “A Comissão avalia a situação e solicita o consentimento dos intervenientes e a não oposição do jovem se este já tiver idade igual ou superior a 12 anos”, explica Carla Roberto, mencionando ainda que, sem o consentimento por qualquer um dos intervenientes, como os pais, a CPCJ não tem legitimidade para intervir e o caso transita para o tribunal. Enquanto instituição, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens integra vários elementos da comunidade, como representantes do Município, da Segurança Social e do Ministério da Educação, passando por associações de pais e instituições particulares de solidariedade social. É neste modelo alargado de funcionamento que a CPCJ se afirma como instituição e não como serviço, desenvolvendo ações de promoção dos direitos e de prevenção das situações de perigo para a criança e o jovem. A intervenção multidisciplinar requer a atuação de técnicos nas áreas de psicologia, sociologia, saúde e direito, vocacionados principalmente para os problemas da infância e da juventude.

Dever do cidadão Em 2010, a CPCJ de Setúbal, que funciona na Rua de Damão, n.º 12, trabalhou 1380 processos, tendo arquivado 385. O volume de processos que transita de um ano para o outro é preocupante, uma vez que 995 casos passaram para 2011. Até julho deste ano já deram entrada 190 novos processos. É numa das duas salas que dois técnicos de diferentes áreas do saber fazem o atendimento, de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Fora deste horário, Carla Roberto apela a que o munícipe ou a própria criança ou jovem se dirija junto das autoridades policiais ou à urgência pediátrica do Centro Hospitalar de Setúbal. É com o dever de cidadania que todos, sejam vizinhos, amigos ou familiares, podem ter um papel interventivo na desocultação da violência, na salvaguarda dos direitos das crianças e jovens e na denúncia de situações de perigo.


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Carnaval brinca ao calor A folia carnavalesca voltou em julho para animar a zona da Avenida Luísa Todi, desta feita fora de horas e com espetáculos musicais. O inédito Carnaval de Verão contou com centenas de foliões, carros alegóricos iluminados e dois trios elétricos, um acompanhado de uma escola de samba, que contagiaram as mais de 15 mil pessoas que assistiram aos dois dias de desfiles

O

Carnaval de Verão, realizado pela primeira vez em Setúbal, valeu a pena. A iniciativa, que reuniu centenas de foliões, deu um novo brilho aos desfiles dos carros alegóricos das coletividades, e agora também, dos trios elétricos, que decorreram à noite e ao final de tarde, nos dias 16 e 17 de julho. Um desfile noturno, com a presença de mais de 1500 foliões, entre participantes das coletividades e figurantes da ABAS – Associação Bares Avenida e Similares, e sete carros alegóricos, num percurso entre o Largo José Afonso e a área poente da Avenida Luísa Todi, deu início ao primeiro dia da iniciativa. Seguiu-se um concerto de Jaimão, no Auditório José Afonso.

Festa distingue promessas

Vinte jovens setubalenses que se destacaram no último ano nas áreas de música, teatro, televisão, moda, desporto, associativismo, ciência, tecnologia, arquitetura, artes plásticas, literatura e dança foram homenageados no final de junho, pela Câmara Municipal. A segunda edição da “Festa Jovens Revelação de Setúbal”, realizada no Auditório José Afonso, incluiu ainda o espetáculo de moda “Bordado em Ponto de Rebuçado”, de Filipe Blanquet, um desfile com modelos feitos com apetecíveis peças de pastelaria.

Marchas recebem prémios Os dois trios elétricos, compostos por veículos pesados apetrechados de sistemas de som e luz, com a atua­ção de bandas, foram atrativos dos dois dias de desfiles, com “Tripa” e “Trepa no Coqueiro”, este constituído por uma escola de samba com cerca de cem elementos. No segundo dia, a música voltou a ser um elemento mobilizador, com Jorge Nice, num concerto no Auditório José Afonso, a fazer o aquecimento dos foliões que depois desfilaram na avenida. Participaram nos desfiles a Associação de Moradores do Bairro da Anunciada, com o tema “Os Visigodos”, a ACTAS – Academia Cultural de Teatro e Artes de Setúbal, com “Em tempos de crise ainda há Ga-

linhas dos Ovos de Ouro”, e a União Desportiva e Recreativa das Pontes, que retratou o “Facebook – a Quinta do Farmville”. A Associação de Comerciantes do Mercado do Livramento, com “A Música e os Músicos”, e o Clube Desportivo e Recreativo Águias de S. Gabriel, com o tema “No Reino da Fantasia”, também integraram o evento, assim como cerca de mil figurantes da ABAS. A iniciativa, organizada pela ACOES – Associação do Carnaval e Outros Eventos de Setúbal, composta por coletividades, Câmara Municipal e juntas de freguesia, e com a colaboração especial da ABAS, decorreu no âmbito do programa municipal AJA Eventos.

cultura

Canto lírico revela talentos A soprano Raquel Camarinha e o tenor Carlos Cardoso foram os vencedores do Concurso Nacional de Canto Luísa Todi, prova que, entre os dias 20 e 25 junho, revelou, em Setúbal, alguns dos melhores cantores líricos portugueses da atualidade em início de carreira. Os premiados foram conhecidos no dia 25, no Salão Nobre dos Paços do

Concelho, no concerto de encerramento deste evento bienal organizado pela Câmara Municipal, que já contribuiu para impulsionar as carreiras de vários cantores líricos desde a primeira edição, em 1990. Os principais prémios dividem-se em voz feminina e masculina, recebendo os primeiros classificados cinco mil euros cada, atribuídos

pelo Ministério da Cultura. Já os segundos classificados, a soprano Carla Simões e o barítono Job Tomé, foram distinguidos com quatro mil euros, num apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Os terceiros, a soprano Liliana Sebastião e o barítono Hugo Oliveira, receberam, da Fundação Montepio, três mil euros. Job Tomé foi também premiado com o galardão “Interpretação de Obra Portuguesa”, atribuído pela Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, enquanto o prémio “Bocage”, de estímulo a novas carreiras, apoiado pela Fundação Oriente, foi entregue à soprano Anna Neves. Foram ainda atribuí­ das Menções Honrosas à soprano Cristiana Oliveira e ao baixo Rui Silva. O Concurso Nacional de Canto Luí­ sa Todi contou ainda com mais uma atuação, no dia 28 de junho, no ­Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa.

A Autarquia premiou as coletividades participantes na última edição das Marchas Populares em cerimónia realizada a 9 de julho, na Praça de Touros Carlos Relvas. O grupo “Os 13” foi o grande vencedor do concurso, arrecadando ainda os prémios de melhor cenografia, figurino e apreciação global. A ACTAS ganhou na coreografia, enquanto os galardões nas categorias de letra e de música foram para o Núcleo dos Amigos do Bairro Santos Nicolau. A melhor madrinha foi Sara Margarida, do Independente.

Filarmónicas dão música

O “VII Festival de Bandas Filarmónicas da Cidade de Setúbal”, com concertos no Auditório José Afonso e no Parque do Bonfim, entre 1 e 3 de julho, contou com a participação de 11 grupos de vários pontos do País. A banda de música da Sociedade Musical Capricho Setubalense abriu o evento, onde não faltou o tradicional desfile dos grupos pelas ruas da Baixa da cidade. Ritmos diferentes numa “Noite de Jazz” a cargo dos Zuulnation pautaram também o programa da sétima edição do festival filarmónico.

Festival divulga artes

Concertos e sessões de cinema marcaram o FUMO – Festival de Urbano de Música e Outras Coisas, realizado entre 12 e 26 de junho, em vários espaços de interesse histórico. Dead Combo e a Royal Orquestra das Caveiras, B Fachada e Norberto Lobo foram alguns dos artistas que passaram pelo Forte de S. Filipe e Convento de Jesus. Os documentários as “Cordas de Amália”, “On the Road to Femina” e “Punk is Not Daddy”, comentados pelos realizadores, foram exibidos na Casa Bocage.


Uma mão cheia de atividade

desporto

19SETÚBALjulho|agosto11

A formação de caráter e de atletas é a principal finalidade do Núcleo de Pentatlo Moderno. Mas ganhar nunca fez mal a ninguém e, ali, ganha-se bastante. Ao ponto de se sonhar com as Olimpíadas. Para já, só se sonha. Entretanto, vão-se somando medalhas Desde que foi criado, há oito anos, que o Núcleo de Pentatlo Moderno da Escola Municipal de Desporto de Setúbal tem como principal objetivo a formação de jovens, mas os bons resultados desportivos começam já a aparecer. Ricardo Arrifano, ex-atleta da modalidade e atual treinador dos jovens envolvidos no projeto, sublinha que o que está principalmente em causa não são as medalhas, mas mais propriamente a formação em “termos pedagógicos”. Ganhar traz felicidade, mas não a qualquer preço. A verdade é que o currículo desportivo do Núcleo está cada vez mais recheado de façanhas, entre as quais muitas premiadas com ouro, prata e bronze. Uma das frases recorrentes nos treinos e nos períodos pós-competição é que, “quem arrisca a fazer alguma coisa, habilita-se ao sucesso e insucesso”. É sensatez de treinador para gerir emoções competitivas naturais nos mais novos, mas, coincidência ou não, os sucessos são cada vez mais frequentes. Vasco Coelho, 10 anos, e João Valido, 11, são alguns dos exemplos do Núcleo já familiarizados com os degraus dos pódios. Em 2011, o jovem Vasco, apenas há um ano na escola, ganhou em benjamins o Circuito Superjovem, espécie de campeonato nacional da modalidade. João Valido já conta com várias medalhas no mesmo circuito, embora, entre risos de embaraço, confessa que não se lembra quantas foram. “Já perdi a conta também”, ouve-se ­Ricardo Arrifano ao tentar ajudar nas estatísticas da glória. Vasco Coelho, com não mais do que metro e meio de altura de permanente energia e inquietude, já sabe onde reside o segredo do êxito: “Não é difícil. Desde que haja calma e concentração é tudo mais fácil.” Receita que faltou a ambos em experiências mais exigentes, como o Torneio Internacional Vila de Sant Boi, em Barcelona, onde o nervosismo falou mais alto. “Até de mais”, completa

Vasco, mais para ele mesmo do que para a entrevista, revendo o passado ao baloiçar os pés na cadeira demasiado alta para a sua estatura. Tudo águas passadas transformadas em vivência adquirida. No final, o que conta para ambos é a alegria que o pentatlo e o desporto presenteiam. “Posso estar tranquilo, pois vejo que há companheirismo entre todos. Os pais também ajudam muito. Há competição entre os miúdos, mas é extremamente saudável”, salienta Ricardo ­Arrifano.

Sonho olímpico As coroas de louros do Núcleo de Pentatlo Moderno assentam neste momento nas cabeças de Pedro Valido, irmão de João Valido, e de João Pedro Soares. Pedro, 15 anos, já foi por duas vezes vice­ ‑campeão no torneio catalão e primeiro clas-

sificado numa etapa internacional do circuito espanhol, em Santander. João, 16, saiu vitorioso no Campeonato Nacional de Juvenis e também foi ouro no Challenge Pentajovem. Notável é ainda o bronze no Campeonato Nacional em YA (equivalente aos juniores A), para atletas com 17 e 18 anos. Estas são apenas algumas das medalhas, pois “os armários já estão um bocado cheios com troféus”, diz o João. Ambos conseguiram as marcas necessárias para participar, em meados de julho, na Hungria, no Campeonato da Europa de Juvenis. Os resultados não corresponderam às expectativas, mas a força psíquica dos dois já lhes permitiu superar o percalço. Serenidade é o principal tempero por trás das palavras com que se exprimem. A paixão pelo pentatlo e pelo Núcleo é o termo que usam para o desporto. Os Jogos Olímpicos são o suspiro que soltam, em simultâneo, quando

Porta aberta A época desportiva do Núcleo de Pentatlo Moderno da Escola Municipal de Desporto de Setúbal decorre entre 1 de setembro e 31 de julho, sendo que as inscrições podem ser feitas ao longo de todo o ano, com exceção de agosto, mês de encerramento ao público. A secretaria da Piscina Municipal de Azeitão recebe as candidaturas, bastando entregar, a nível burocrático, uma foto tipo passe e uma cópia do cartão de identificação de cidadania. Os atletas pagam uma taxa de inscrição anual (por época) de 28,85 euros, um seguro no valor de 3,5 euros e uma mensalidade de 35,65 euros. A secretaria está aberta aos utentes das 08h45 às 18h30, sem interrupção, nos dias úteis, e das 09h15 às 12h30 nos dois primeiros fins de semana de cada mês.

olham para o futuro. E medalhas olímpicas? “Isso já é para lá do sonho”, remata Pedro Valido com um sorriso, ainda assim a transbordar de fé. Nessa caminhada, João Soares sublinha que “é difícil conjugar os estudos com o pentatlo”, principalmente ao confessar alguma contrariedade em se agarrar aos manuais, o oposto do amigo Pedro, mais atento às necessidades da escola e a quem já ocorreu vir a ser médico. No núcleo de Setúbal, que funciona na Piscina Municipal de Azeitão, em Vila Nogueira, os atletas treinam aos sábados, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. O treinador Ricardo Arrifano, há 20 anos na Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno e arquiteto de profissão, aposta na corrida, no tiro, na natação e na esgrima. O Núcleo não possui equitação, até porque tal só é pedido a atletas com mais de 17 anos e escola de Setúbal só acompanha os jovens até aos 16.

Mente sã em corpo são Pierre de Coubertain, criador dos Jogos Olímpicos da era moderna, impulsionou o pentatlo moderno há um século, nas Olimpía­das de 1912. A modalidade inspirou-se na lenda de um soldado napoleónico que, encarregado de entregar uma mensagem, atravessou as linhas inimigas a cavalo, em corrida e a nado, usando uma pistola e uma espada pelo caminho. O pentatlo, de resto, tem fortes antepassados militares. A primeira prova, esgrima, o único desporto de contacto, exige tática e flexibilidade, a segunda, natação, técnica e físico e a terceira, hipismo, adaptabilidade e coragem, uma vez que os cavalos são sorteados entre os atletas. A quarta prova, numa variante introduzida recentemente, é um combinado de tiro, que requer concentração, e de corrida, que puxa pela resistência. Todas as disciplinas, nos escalões superiores, são disputadas no mesmo dia.


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Criada para apoiar as crianças da comunidade local, a Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras, passados 25 anos, desdobrou-se em múltiplas valências. Tudo começou com um pioneiro ATL. Hoje, a crise tem gabinete próprio Na sombra refletida pela copa frondosa da árvore, Joana, Iuri e David jogam matraquilhos com outros tantos rapazes e raparigas que, em tempo de férias, se divertem no ATL da Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras. Não se importam que as férias sejam passadas no recinto partilhado com a escola que frequentam, a EB 1 n.º 9 do Casal das Figueiras, na Anunciada. Até porque têm consciência de quando é para estudar e quando é para brincar. “A criança sai da escola e sabe que entrou num mundo diferente, onde o tipo de exigência é outro”, explica o professor Alexandre Diegues, presidente e fundador da Associação, apontando: “Essa é uma das particularidades dos tempos livres.” Embora funcionem no mesmo sítio e em articulação, a APACCF proporciona um contexto bem diferente do escolar. A funcionar todo o ano, o ATL programa atividades bem diferentes, especialmente durante as férias letivas, e do agrado das 150 crianças inscritas, entre os 6 e os 12 anos, residentes noutras áreas do Concelho. Joana, 9 anos, está feliz com as idas à Praia da Figueirinha, ao longo de duas semanas. Mais novo dois anos, Iuri adorou o acampamento no Camping da Galé, durante quatro dias e três noites, com direito a piscina. Já David, 9 anos, gosta mais das Piscinas das Manteigadas. As famílias das crianças é que vão para os seus empregos “completamente descansadas”. Alexandre Diegues garante que as crianças que ali entram ficam em segurança, num ambiente acolhedor. Além de todas as atividades ali desenvolvidas, todas as crianças, provenientes de famílias umas mais carenciadas do que outras, têm direito aos lanches da manhã e da tarde e ao almoço. A funcionar num edifício que beneficiou de obras de renovação e ampliação, no ano pas-

sado, a APACCF já tem duas salas prontas de jardim de infância para receber, em setembro, 50 novos utentes, com idades entre os 3 e os 5 anos.

Solidariedade social Há 25 anos, nasceu na antiga escola primária do Casal das Figueiras uma associação de professores com o intuito de dar respostas na área social às crianças e famílias do bairro. A criação de um ATL, em 1986, foi a pedra de toque para o projeto da Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras, instituição particular de solidariedade social, que pretendia acompanhar as crianças nos tempos fora das aulas de forma a prepará-las para as exigências não só da escola como da vida em sociedade. Ao longo de mais de duas décadas, à medida que as necessidades da população foram sendo identificadas, a própria instituição capacitou-se de novas valências destinadas a crianças dos 3 aos 13 anos. Em breve, está previsto a APACCF receber novos utentes em idade de berçário. Até lá, os pais podem contar com o serviço de amas que a associação oferece.

Aos serviços como o de tratamento e de reinserção social de toxicodependentes, além do apoio social que acompanha as famílias e beneficiários de Rendimento Social de Inserção, juntou-se, recentemente, o Gabinete de Crise, adaptado à realidade de cada vez mais setubalenses. Nesta nova aposta da associação em ajudar as famílias mais carenciadas e que ali pedem ­auxílio é necessário recorrer ao espírito voluntário para que se possa angariar recursos para posterior distribuição. Qualquer um pode ser voluntário sem ter de prescindir do seu tempo. Basta que no local de trabalho ou entre vizinhos e amigos reúna bens alimentares, em fim de validade por exemplo, vestuá­ rio, mobílias ou material ­escolar.

Banana, pera, maçã, clementina, pêssego, cenoura e tomate foram distribuídos, gratuitamente, aos alunos do 1.º ciclo do ensino básico do Concelho, ao longo do passado ano letivo, programa que regressa agora com novos produtos. Dois dias por semana, durante 30 semanas escolares, cada criança recebeu uma peça de fruta ou uma porção, como as cerejas e as uvas, frutos de época. Esta iniciativa da Câmara Municipal, integrada no programa europeu de Fruta Escolar, regressa no próximo ano letivo, mas agora com outros produtos hortofrutícolas. Consumo diversificado, valorização das produções e mercados locais, além da promoção de hábitos alimentares saudáveis, sobretudo com vista à luta contra a obesidade, são os objetivos deste projeto que promove várias atividades pedagógicas. Neste âmbito, outras medidas acompanham a distribuição de fruta na sala de aula ao longo do ano letivo. Alunos e professores desenvolvem ações com os produtos hortofrutícolas, como a confeção de espetadas, saladas e sumos. Visitas a quintas, elaboração de cartazes e plantação de sementeiras e hortas são outras atividades didáticas. A promoção do Programa de Fruta Escolar tem a comparticipação do Instituto Português de Agricultura e Pescas, em cerca de 95 por cento, quer na compra de fruta e hortícolas certificados, quer nas medidas de acompanhamento.

educação

Professores amigos das famílias

Alunos comem fruta sem pagar


Uma tecnologia que otimiza o sistema de gestão integrada da recolha seletiva foi desenvolvida com o apoio de investigadores da Escola Superior de Tecnologia. A investigação já está concluída e o projeto testado nos veículos deste serviço urbano. Alunos da Escola Superior de Saúde mostram como a atividade física pode ser eficaz, lúdica e com custos reduzidos ao serviço do tratamento e da prevenção da diabetes

Técnica otimiza recolha seletiva A melhoria da eficiência do sistema de gestão integrada de recolha seletiva esteve na génese de uma tecnologia inovadora, desenvolvida por uma equipa de investigadores que integra docentes da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal. A otimização deste serviço urbano permite uma gestão mais eficaz na periodicidade e nas rotas de recolha dos ecopontos e minimiza os custos associados. O projeto, promovido pela Amarsul, é desenvolvido no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, programa no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, contando com as parcerias da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal e do IDMEC – Instituto de En-

genharia Mecânica, um polo do Instituto Superior Técnico. “A redução de custos” é apontada por Filipe Didelet, docente na área de Engenharia Mecânica, como uma das principais vantagens da tecnologia, desenvolvida ao longo de 18 meses, que assentou em várias fases de intervenção. A primeira, relacionada com o tratamento e a análise da informação existente, com recurso a dados do histórico fornecido pela Amarsul, permitiu conhecer as rotinas de enchimento dos contentores e criar um dispositivo de automatização da recolha e registo de dados de execução do serviço urbano, que possibilita otimizar as rotas de recolha. “A informação, concentrada numa base de dados, funciona como uma importante ferramenta de apoio à decisão”, salienta Filipe Didelet. Identificados os níveis de enchimento dos contentores e as velocidades a que os recipientes são enchidos, é possível adequar as periodicidades à necessidade de recolha de cada ecoponto, resultante da densidade populacional da zona onde estes estão instalados. Alexandre Magrinho, outro dos docentes envolvidos nesta investigação, também da área da Engenharia Mecânica, revela que o “que se pretende é que a recolha só seja realizada quando os contentores estejam totalmente cheios, evitando gastos desnecessários”, dando como exemplos as despesas relaciona-

das com combustíveis, o desgaste dos equipamentos e a gestão das próprias equipas.

Sistemas automáticos A aplicação da tecnologia que visa a melhoria da eficiência do sistema de gestão integrada de recolha seletiva incluiu a criação de dois softwares, um para identificação de contentores, que assegura, igualmente, a localização georreferenciada dos mesmos, e outro para tratar a informação relativa ao enchimento dos contentores. Ao nível de hardware, o novo sistema envolve a colocação de dispositivos de reconhecimento automático de contentores e também de medição do nível de enchimento dos contentores de

vidro, só possível neste tipo de matéria pois os outros resíduos depositados nos ecopontos – embalagens e papel e cartão – não permitem realizar uma leitura correta em termos de volume. Na grua que acompanha os veículos de recolha é colocada uma antena que vai rececionar os dados e proceder à identificação automática da informação, transmitida, posteriormente, para um dispositivo móvel dentro do camião. O custo total desta tecnologia, excluindo o dispositivo de leitura de dados, ronda os 300 euros. “A retoma do investimento na aplicação deste sistema é de menos de dois anos, ou seja, os custos associados a esta tecnologia, em virtude das vantagens apresentadas, são facilmente recuperados”, reforça Alexandre Magrinho.

Exercício físico trata diabetes A promoção da atividade física como uma forma de tratamento da diabetes, uma doença crónica que já afeta cerca de 12 por cento da população portuguesa, está na base de um projeto pioneiro dinamizado por três jovens estudantes da Escola Superior de Saúde. Num programa-piloto, desenvolvido ao longo de oito semanas com um grupo de 13 diabéticos, os alunos, da licenciatura de Fisioterapia, integraram a prática de exercício físico na rotina diária da população, adaptando atividades desportivas às condições de cada pessoa. “Desenvolvemos um conjunto de atividades em virtude das necessidades da população da península de Setúbal [apuradas num estudo prévio] e de acordo com as diretrizes indicadas no Plano Nacional de Saúde”, refere André Nicha, um dos estudantes envolvidos no projeto. “Não basta prescrever exercício físico. É preciso sensibilizar mentalidades, adaptar o quotidiano das pessoas e fazê-las sentir que o exercício é fundamental na condição de diabético”, sustenta o jovem fisioterapeuta, explicando que a vertente pedagógica, transversal a todo o projeto, é um “elemento caracterizador da profissão”. Uma hora de exercício físico três vezes por semana faz parte do calendário definido pelos jovens fisioterapeutas, onde atividades de fortalecimento muscular e aeróbio marcam o ritmo do programa, através da realização de aulas de hidroginástica, ginásio ao ar livre e caminhadas, tudo antecedido de sessões

academia

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Construído ao longo de vários meses, o projeto apresenta uma base sólida e obteve “resultados extremamente positivos”, refere André Nicha, que acalenta a esperança de continuar a trabalhar neste programa, que pode ser adaptado para o tratamento de outras condições crónicas como a hipertensão, o colesterol e a obesidade. “É uma ambição forte. Neste momento temos tudo para avançar de uma forma sustentável, até porque já começa a haver um despertar de consciências para as populações com estas condições, com a vantagem de os custos de implementação deste projeto serem mínimos”, refere o estudante.

Resultados inesperados

de esclarecimento. “Tentámos dotar as pessoas de conhecimentos que lhes permitissem a realização desta atividade terapêutica de uma forma autónoma e natural. Cada um tem as capacidades e habilidades para contribuir para o próprio tratamento, após acompanhamento profissional”, salienta Ana Rosado.

O projeto, realizado no âmbito de uma unidade curricular do 4.º ano da licenciatura de Fisioterapia na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal, revelou também ­resultados inesperados para o grupo ao nível da área educativa e social. “A reação das pessoas aos planos de treino foi uma total surpresa, até porque não esperávamos que a mudança [introdução de rotinas de exercícios] fosse tão fácil. Sentimo-los sempre motivados”, recorda Ana Rosado. A aceitação e a adoção das metodologias implementadas pelos jovens fisioterapeutas foram de tal forma que, mesmo após a finalização desta fase do projeto, os participantes continuaram com o programa de atividade física. “As pessoas formaram um grupo autónomo e continuam a fazer exercício físico de uma forma regular. É importante sentir que pudemos contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, realça Isa Pinheiro. “É um sentimento de dever cumprido e que a mensagem passou”, conclui.


Ponto atrás de ponto as redes voltam a ganhar poder para regressarem ao fundo do mar. A arte do remendo das redes de pesca já não tem muitos seguidores. Mário Cruz é dos poucos que dão uso à agulha de atar. Como companhia, tem o fado, o peixe e o Vitória

Nas malhas do mar

ontem

ninguém interessado. A malta nova não quer saber disto”, desabafa em tom de compreensão, percebendo que a pesca não promete um futuro risonho. O filho, na casa dos 30 e numa passagem rápida pelo armazém, atesta que chegou a descobrir o ofício com esses homens. “Se fosse hoje já não aprendia nada”, diz, enquanto o pai remata que não é por falta de vontade, mas porque “já ninguém sabe nada disto”. À medida que roda minuciosamente a malha, avaliando o tamanho dos buracos e os cose com uma naturalidade mecânica, Mário Cruz garante que “a rede tem muito saber e os seus porquês”. O principal medo é que se os pontos não forem os acertados, a ratoeira marinha não fica direita quando lançada ao mar. “E depois não pesca nada.” Ao longo dos anos, as redes apanharam não apenas toneladas de peixe, mas, principalmente, o próprio destino de Mário Cruz. “Estou nisto desde os 11 anos e tenho 63. Faça agora as contas ao tempo que ando no mar.” Feita a subtração, os 52 anos, divididos entre a pesca e o remendo de redes, são equivalentes ao cansaço que se nota nas curtas frases de Mário Cruz quando fala do ofício. Já pensou em mudar o rumo profissional, mas a introspeção diz-lhe que não se iria adaptar a

outra vida. “Fui criado no mar e hei-de morrer no mar”, conclui. O rádio liberta agora a voz de Ana Moura e a agulha de atar a rede dá voltas e voltas, selando possíveis fugas da presa através da malha. “O fadinho é a minha companhia”, confessa numa expressão alegre e enrugada. O fado do mar descreve-o um pouco mais taciturno. “Preparar redes não dá trabalho. Dá um trabalhão!”, lembrando-se de que, há anos, chegou a fazer redes inteiras à mão. Hoje, são todas industriais, mas ainda assim perde horas a prepará-las quando ainda estão por estrear, pois é preciso coser-lhes as boias para flutuarem, numa ponta, e o chumbo para afundarem, na outra. Isto sempre com a cumplicidade do amigo fado. Numa tentativa vã de perceber os pontos que Mário Cruz vai dando nas redes, somos desarmados pelo sorriso e a constatação: “Quanto mais olhas, menos vês.” O processo repetiu-se, agora mais devagar, para leigo aprender, e ainda assim a ignorância venceu. Não é acaso que a palavra arte ande tantas vezes de mão dada com este ofício.

Filho de peixe Mário Cruz é “filho e criado em família de pescadores” e as redes que arranja são as suas,

As velas cederam aos motores e a navegação já não é comercial mas sim de recreio. O contraste, com mais de 80 anos de diferença, espelha, em vários planos, a mutação da cidade a partir da Doca do Comércio. Ao fundo, a Igreja de S. Sebastião e a chaminé da antiga fábrica de conservas Perienes, hoje, Museu do Trabalho Michel Giacometti, indicam que as coordenadas estão certas. Sinais dos tempos retratados por Américo Ribeiro, em 1928, antes das obras do porto, e por Mário Peneque, na atualidade.

hoje

Enquanto Camané ecoa do fundo do pequeno armazém pelos altifalantes radiofónicos, Mário Cruz, sentado num banco pigmeu, remenda pacientemente os buracos da rede marcada pela faina da sardinha. Mário Cruz é dos poucos homens que atualmente ainda se dedicam a esta arte do mar. “Nos tempos ‘da outra senhora’ cheguei a ter mais quatro homens a arranjar redes. Hoje, já não há

retratos

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pois também tem um barco, o “Dois Amores”. “Vem da altura da cantiga do Marco Paulo, mas também dos meus dois verdadeiros amores, os ­filhos. Um rapaz e uma rapariga”, diz com a cara como que iluminada. No mar já apanhou “uma boa centena de sustos, nada de sério, mas foram valentes sustos”. Passado tanto tempo a lançar e a colher redes, diz que ainda gosta da profissão, mas di-lo em resignação. “Tenho de gostar. Que hipótese tenho? Sempre fiz isto.” Das redes que decoram as paredes à espera de remendo não faz ideia dos metros que tem pela frente. “Sei lá eu quantos são. Nem ajuda pensar nisso. É preciso arranjar e pronto”, afirma com sorriso determinado. As redes das balizas também o fazem sorrir. Vitoriano, é sócio desde 1963, “porque é a equipa da terra”. O plantel da época de Jordão resiste já pálido num quadro emoldurado e pendurado na parede e, como a esperança é a última a morrer, “parece que este ano até há uma equipa jeitosa”. Mas se o Vitória de Setúbal é paixão, o peixe é quase uma religião. À mesa quase só aceita algo que tenha tido barbatanas e guelras. “Quem me tira o peixe, tira-me tudo”, sublinha, reforçando que “carne, só quando não tiver o que comer”. Bem que Mário Cruz nos tinha dito antes que foi criado no mar.


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Para os mais supersticiosos, esta equipa poderia estar destinada ao fracasso. Para outros, a equipa dos 11 titulares e dos dois suplentes – “Os 13” – trouxe prestígio desportivo que foi além do futebol. Hoje, a sorte bateu à porta das marchas populares

Longe vão os tempos em que o Grupo Desportivo Setubalense “Os 13” registava 700 sócios e atingia uma vitalidade invejável na prática desportiva. Passados quase 90 anos da fundação, “Os 13”, que só encontram fortuna nas marchas populares, contam apenas com 354 sócios. Contagem que não corresponde à realidade, uma vez que a base de dados não está atualizada. Na verdade, o número de sócios deve rondar os 170. É na sala de jogos, que ganhou o nome do sócio-fundador Carlos J. S. Gomes, numa homenagem da direção dos biénios 1984/86 e 1986/88, que os poucos frequentadores do Grupo Desportivo Setubalense “Os 13” se encontram com o passado glorioso da coletividade quase centenária. Taças, troféus e medalhas decoram as paredes daquele espaço de convívio, com serviço de bar, testemunhando a participação em torneios e campeo­ natos, uns ganhos outros perdidos, sobretudo nas modalidades de futebol e atletismo. Agora, o grupo “Os 13”, que começou como equipa de futebol, em 1921, resume-se a jogos de tabuleiro e de mesa permitidos só aos sócios com as quotas “em dia”. Os avisos, espalhados

pela sala, não deixam dúvidas. Mesmo com um valor mensal de, no mínimo, um euro, muito sócios não regularizam o pagamento. Sócio há 24 anos, Carlos Ribeiro, atual vice-presidente da direção e tesoureiro do grupo desportivo, confessa que pouco há a fazer em matéria de quotas. O que fazer aos sócios que ali passam o dia, como o sócio mais antigo, de 82 anos, que não dispensa a leitura diária dos jornais? Fecham-se os olhos. Sócios ou não sócios o certo é que é à noite que “se juntam para jogar às cartas”. As estratégias para gerar receita ficam­‑se pelas ideias, já que as atuais instalações não permitem grandes aventuras. “Temos uma despesa fixa de 1050 euros por mês”, conta, desanimado. Embora a coletividade não tenha gastos com empregados, pois “todos são colaboradores”, o bar não tem fins lucrativos e o aluguer da sala “muito quente” do primeiro piso, destinada aos ensaios das marchas, não compensa. Ciente de que só a boa vontade não chega, a presidente da direção do grupo, Paula Carmelo, que se voluntariou para liderar a coletividade durante uma crise diretiva, há três anos, em comissão de gestão, não tem “a mínima dúvida” de que se o GDS “Os 13” for

entregue a outras pessoas “fica em risco de fechar”. Apesar de os esforços em proporcionar às mais jovens a prática desportiva, os resultados têm sido inglórios pelas dificuldades financeiras e de espaço físico do grupo. “Tem de haver algum incentivo para os miúdos, o que acarreta custos”, lamenta Carlos Ribeiro.

Mudança de rumo Paula Carmelo e Carlos Ribeiro recordam as antigas instalações, ali mesmo ao lado, na Rua General Gomes Freire, na chamada “rua dos 13”, e o campo de jogos nas traseiras. “Chegou-se a treinar salto em altura na sala antiga da coletividade”, lembra o tesoureiro. A mudança da sede para a Rua Camilo Castelo Branco e o encerramento do campo da coletividade ditaram o fim do futebol de “Os 13”. Já lá vão 20 anos. Também a participação do grupo nas marchas populares teve o seu interregno em 1996, uma vez mais pela falta de espaço. “Era impossível estar com os ensaios das marchas e o ténis de mesa”, justifica Paula Carmelo. Se, naquela altura, o ténis de mesa levou a melhor, e com resultados alcançados nos distritais da modalidade, desde 2009 são as marchas que têm estado em maré de sorte. O regresso foi com um tímido terceiro lugar e no ano seguinte o grupo ficou­ ‑se pelo quinto. À terceira foi de vez e, na edição de 2011, “Os 13” arrecadaram o primeiro lugar do pódio. Com o retorno das marchas e uma direção mais jovem, a coletividade renovou­‑se e ganhou novo fôlego, registando a entrada de sócios, o mais novo com 22 anos. O sentimento é de “sangue novo”.

Poucos são aqueles que se lembram ou sabem a razão de a ­coletividade ter no nome o número do azar. José Manuel ­Pires, sócio número 17 e membro do Conselho Fiscal da atual direção, é um desses sortudos que dá voz às palavras escritas e proferidas por um dos fundadores, Carlos José da Silva ­Gomes, no 39.º aniversário da coletividade. Diz o documento: “Foi no dia 1 de dezembro de 1921 que um punhado de rapazes, tendo à frente Francisco Biscaia da Silva, José Augusto Pereira e Silva e Artur Ferreira Leal, se lembrou de fundar um clube de futebol, a que designaram por Grupo Os Treze.” “Os 13” porque eram 13 rapazes, na casa dos 16 anos, “que ­faziam parte do clube e compunham a categoria de futebol, jogavam nos infantis do Vitória”, o número suficiente para formar “uma linha de futebol com 11 elementos efetivos e dois suplentes”. Na época, os jogadores do Vitória, de todas as categorias, treinavam no Campo dos Arcos. A “fome de dar pontapés na bola” não era saciada com apenas um dia de treino, neste caso, ao sábado. Assim nasceu o Grupo “Os Treze” que reunia no café Brasileira, na Praça de Bocage, e treinava no Bonfim, tal como as centenas de outros rapazes de 16 anos. A primeira sede do clube ficava no primeiro andar do número 15 da Rua do Romeu, em frente da famosa Ginginha. A Associação de Futebol de Lisboa, único organismo oficial para a prática do futebol na altura, não consentiu a filiação por causa da denominação Grupo “Os 13”. Na primeira reunião da Assembleia Geral, “Os 13” foi antecedido por Grupo Desportivo Setubalense, tal como o conhecemos hoje. Entre 1922 e 1926, a coletividade viveu grandes momentos no âmbito desportivo, destacando-se atletas em modalidades como atletismo, natação, boxe, luta greco-romana e, claro, futebol.

rosto A força decisiva da nova geração Superstições à parte, um incidente no desfile de 2010 com um marchante de “Os 13” acabou por ditar a sorte este ano. Em “homenagem” ao infeliz episódio do marchante com um “grão na asa”, o ensaiador, Fábio Carmelo, decidiu levar, nesta última edição, o tema “Velhas tabernas, jogos e as suas tradições”. E não é que ganhou? Dividido entre o Bairro Santos Nicolau e “Os 13”, o ensaiador, de 26 anos, diz ter crescido a marchar: “Em pequenino ensaiava com cadeiras partidas a fazerem de arcos.” Ao retomar uma velha tradição, além de levar a vitória para casa, Fábio Carmelo, sócio 324 e secretário da direção, devolveu jovialidade e alento à coletividade. A maior parte dos 52 marchantes é de outros bairros. “Ajudo no que é possível. Hoje em dia não há disponibilidade para vir para aqui”, confessa o jovem, vigilante de profissão, que trabalha por turnos. As diferenças entre a nova e a velha geração de sócios são grandes, mas não amedrontam Fábio: “As pessoas têm de fazer com que isto continue.”

iniciativa

Titulares e suplentes vingam nas marchas

Rapazes do Vitória no pontapé de saída


24SETÚBALjulho|agosto11

A festa da cidade

plano seguinte

As Comemorações Bocagianas são já uma tradição para os setubalenses, com atividades que refletem a temática do poeta sadino. Outras iniciativas acontecem porque se celebra o Dia da Cidade e há que homenagear homens e mulheres que se dedicam a Setúbal

A abertura da exposição que assinala os 50 anos do Museu de Setúbal é um dos pontos altos das Comemorações Bocagianas, que promovem iniciativas musicais, literárias e de homenagem ao poeta e aos setubalenses. O programa abre com uma exposição coletiva dos artistas plásticos da Artiset. Entre 10 e 16 de setembro, obras baseadas no soneto de Bocage “Nascemos para amar” podem ser vistas no Clube Militar de Oficiais de Setúbal. Embora o Dia de Bocage e da Cidade seja assinalado a 15 de setembro, as comemorações acontecem ao longo do mês. A música é outra área abrangida neste programa, com a iniciativa “Há Jazz nos Jardins” a fazer-se ouvir nos dias 11, no Jardim da Algodeia, e 18, no Parque do Bonfim, às 18h00. E porque Setúbal desperta um sentimento de pertença há que assistir ao que oito jovens dizem da cidade, entre os dias 11 e 18. No total, são oito curtas-metragens do “Projeto BI – Sentimento de Pertença”, da produtora Vende-se Filmes, exibidas, uma por dia, às 21h30, antes da sessão cinematográfica em exibição no Cinema Charlot – Auditório Municipal. A tertúlia anual “Eis Bocage... Conversas de Botequim” está marcada para dia 14, às 21h00, na Casa da Baía. Este encontro, que conta já com 12 edições, é uma iniciativa da Câmara Municipal e do jornal digital Setúbal na Rede. E eis que chega o Dia de Bocage e da Cidade, a 15, com a manhã dedicada às homenagens. A primeira é dirigida a Bocage, junto da estátua, às 09h15, seguindo-se a sessão solene evocativa da efeméride, às 09h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Aqui, são também homenageados os funcionários municipais aposentados e condecoradas com a medalha de honra da cidade personalidades e entidades (ver caixa). A cerimónia conta ainda com dois momentos musicais, com a participação dos Tódicos, do Agrupamento Vertical de Escolas Luísa Todi, e do Grupo Coral da Casa dos Professores. Ao longo do dia, entre as 10h00 e as 18h00, a Casa da Baía abre as portas aos artistas que ali queiram manifestar a sua arte, na iniciativa “Na Rota de Bocage... Encontro com talentos”. Depois da inauguração dos arranjos exteriores da Praceta Interior à Avenida Avelar Brotero, às 15h00, e do concerto da Banda da Sociedade Musical Capricho Setubalense, às 16h00, no coreto da Avenida Luísa Todi, outro ponto alto do programa das comemorações do Dia de Bocage e da Cidade realiza-se às 17h00, nas antigas instalações do ­Banco de Portugal. Trata-se da inauguração da exposição que assinala os 50 anos do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, que dá a conhecer as coleções do acervo e o trabalho desenvolvido, como pesquisa, conservação e

restauro, e as atividades dirigidas ao público. No programa do dia 15 consta ainda a cerimónia de entrega de prémios do XIII Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage. Esta iniciativa da LASA – Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, com o apoio da Autarquia, está marcada para as 18h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O Dia de Bocage e da Cidade encerra já à noite, com o espetáculo “... no meio de mil dores...”, pelo Teatro Animação de Setúbal, nos Claustros do Convento de Jesus, que se inicia às 21h30. Na noite seguinte, a 16, à mesma hora, o Coro Feminino TuttienCantus e o Coro Municipal Afina Setúbal atuam no Salão Nobre dos Paços do Concelho. A Praça de Bocage recebe, a 17, também às 21h30, um concerto do projeto “Fado em Setúbal”. Igualmente no dia 17 realiza-se a 19.ª edição do Open Nacional de Damas Clássicas – Cidade de Setúbal, na Sociedade Musical Capricho Setubalense, e é inaugurada a exposição “Os Anti-Monumentos. Prefácio a uma exposição”, de Virgílio Domingues, às 18h00, na Casa da Baía.

Condecorações Helen Hamlyn, Hugo O’Neill, Rui Nabeiro e o Exército Português – Regimento de Engenharia são homenageados com a Medalha de Prata da Cidade, pelo apoio prestado em projetos desenvolvidos em prol do Concelho nas áreas da cultura, turismo e proteção civil. Já a Medalha de Honra da Cidade, na classe Atividades Culturais, é atribuída ao artista dinamarquês Neils Fisher, autor do projeto “Hans Christian Andersen”, e ao músico setubalense Pedro Carneiro, vencedor do Prémio Gulbenkian Arte 2011. Na mesma área, são distinguidos o maestro Rui Serodio, o pintor naïf José Miguel da Fonseca e o poeta popular António Maria Eusébio, o “Calafate”, no ano em que se assinala cem anos da sua morte. Também a título póstumo, o médico Ireneu Cruz é agraciado na classe Ciência e Tecnologia, enquanto a fábrica de pasta de papel Portucel e o empresário e chef de cozinha Mário Brito Pinheiro são reconhecidos pelo mérito na classe Comércio e Indústria. Em Associativismo e Sindicalismo, a Medalha de Honra da Cidade é atribuída à Sociedade Filarmónica Providência, ao Clube Recreativo Palhavã e à SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social. Na classe Paz e Liberdade, o Município presta homenagem póstuma a Carmelindo Vitorino Elias, falecido em 2009, setubalense que se destacou pela intervenção cívica.

Campanha põe Setúbal mais bonita O desafio e o apelo para que todos possam vir colaborar, dentro das suas possibilidades, numa causa que visa aumentar a qualidade de vida no Concelho estão lançados. A pintura de um mural com o logotipo da campanha “Setúbal Mais Bonita”, a realizar entre 23 e 25 de setembro, iniciou esta ação dinamizada pela Câmara Municipal de Setúbal, em parceria com as juntas de freguesia. Limpeza de jardins, plantação de árvores, pintura de bancos e de paredes, recuperação de mobiliário, recolha de lixo, pequenas reparações e outras intervenções sugeridas pelos munícipes são tarefas desta campanha, que apela a uma participação ativa e empenhada dos cidadãos. O primeiro dia, 23 de setembro, é dedicado às escolas que necessitam de pequenas remodelações ou reparações, sendo as ações desenvolvidas, primordialmente, por alunos e professores. Os dias seguintes, 24 e 25, são dedicados a intervenções de caráter geral. Os interessados em participar podem inscrever-se pelo correio eletrónico ­setubalmaisbonita@mun-setubal.pt ou na página da Autarquia no Facebook, em www.facebook.com/municipiodesetubal. Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone 910 008 581.

Graffiti apela à população A pintura de um mural com cerca de cem metros quadrados, em graffiti, na fachada de um prédio localizado na Avenida General Daniel de Sousa, junto de um posto de abastecimento de combustíveis, foi a primeira intervenção da campanha. O trabalho, realizado em julho, durante quatro dias, contou com a participação de três artistas especializados em graffiti. Slap, artista de projeção internacional, Dez e Ioa, ambos de Setúbal, concretizaram a ideia lançada pelo presidente da Academia do Largo – Clube Radical de Setúbal, João Ilhéu. A pintura do logotipo da campanha “Setúbal Mais Bonita”, para a qual foram usadas 88 latas, o correspondente a mais de 35 litros de tinta, pretende divulgar este projeto, mostrando, ao mesmo tempo, que o graffiti, devidamente enquadrado, pode contribuir para a melhoria da imagem urbana da cidade.


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