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Cal Crutchlow
Adoro o meu trabalho, adoro competir, mas não gosto de motas
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Um dos mais veteranos do pelotão do Mundial de MotoGP é Cal Crutchlow. Embora não esteja no paddock há tanto tempo como vários pilotos – chegou ao mesmo tempo do que Miguel Oliveira aos Mundiais MotoGP – entrou diretamente na classe rainha em 2011 e é bastante experiente no motociclismo.
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Dono de uma trajetória invulgar, Crutchlow começou a despontar no Campeonato Britânico de Supersport, passando depois para o Campeonato Britânico de Superbike antes de se internacionalizar em 2009 no Mundial de Supersport – com o título à primeira tentativa. No ano seguinte disputou o Mundial de Superbike, antes de rumar ao MotoGP em 2011. Nas próximas páginas, pode ler uma entrevista a Crutchlow, cedida ao Motorcycle Sports pela Monster Energy – um dos fiéis patrocinadores do piloto britânico. Pode ficá-lo a conhecer melhor e a algumas curiosidades, como o facto de não gostar de motas apesar de ser piloto de motociclismo.
Tiveste de te habituar à velocidade?
Passas dez meses do ano a competir, a treinar, a qualificar e a testar, e depois tens uma pausa de dois meses em que nem vês uma moto de Grande Prémio. Como são aquelas primeiras voltas a 322km/h? Cal Crutchlow (CC): É estranho o quão rápido volta porque tiveste dois meses sem qualquer velocidade real e depois vamos sempre à Malásia para o primeiro teste. Na primeira volta estamos quase imediatamente a 330km/h.. Parece como estar numa montanha-russa. Mas em três voltas depois não sentes nada. Depois da primeira série do dia podes queixar-te que a moto está um pouco potente demais ou rápida demais e os teus olhos não vão acompanhar a velocidade, mas assim que te habituas
e te concentras, na segunda série a moto já não parece suficientemente rápida! Queremos sempre mais potência.
‘A ACELERAÇÃO ATÉ AOS 200KM/H É QUANDO RECEBES AS FORÇAS G’ De seguida, Crutchlow referiu: ‘Há provavelmente um único local no calendário em que não queres mais velocidade e esse é Mugello porque há um salto no fim da reta! Há um estudo – e penso que é verdade a partir da minha experiência – que há pouca diferença na perceção entre os 200km/h e os 400km/h. Fiz a volta de desfile no TT [Assen] e parece muito pior do que competir lá no MotoGP porque tudo voa tão rápido nessa ‘visão de túnel’, enquanto aqui as
coisas estão mais distantes e não sentes esse efeito: o cérebro não repara de alguma forma. A aceleração até aos 200km/h é quando recebes verdadeiramente as forças G. Não têm assim tanto efeito no teu corpo quando estás encolhido, mas atingem-te a sair da curva e a partir de outros fatores como o vento’.
Há momentos em que ainda te tira o fôlego? CC: ‘Não, nem por isso. É tão normal ir com a velocidade. As pessoas pensam que somos loucos. Elas pensam que é uma velocidade maluca. Se não quiseres ser tão rápido, então os diretores de equipa irão sempre encontrar alguém que queira. Por vezes chegamos a dizer que o MotoGP é um pouco rápido
demais – quando se está com cinco lado a lado numa reta – e agora em muitos sítios vamos a 330 km/h pode parecer demasiado’.
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