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A Quaresma e a Santa Regra A Quaresma, no ano litúrgico da Igreja, é um tempo forte e favorável ao apelo de Cristo à conversão: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,14); tempo privilegiado a soar na vida dos cristãos, uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que “reúne em seu próprio seio os pecadores” e que “é ao mesmo tempo santa e sempre, na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação” (CIC 1428). É a grande preparação para a Páscoa. A Santa Regra organiza a vida do mosteiro em torno da pessoa do Abade. As almas são a sua preocupação maior, estando atento às necessidades dos fracos, daqueles que são tentados ou levados ao desânimo; mas também sabe mostrar-se rigoroso e, por vezes, mais severo. A sábia proporção e a medida na escolha dos meios, bem como a capacidade de adaptação ao tempo e ao lugar, são elementos da Santa Regra. Da observância da Quaresma, no capitulo 49 da Santa Regra, São Bento mostra-se ao mesmo tempo consciente dos limites do homem, da sua fragilidade, ao dizer: “porém, esta força é de poucos”; e, todavia, exorta-os para uma superação de ordem espiritual à qual estabelece uma orientação para que os monges possam viver este tempo: “por isso aconselhamos os monges a guardarem, com toda a pureza, a sua vida nestes dias de Quaresma e também a apagarem, nesses santos dias, todas as negligências dos outros tempos”. A Santa Regra propõe um programa quaresmal, diz São Bento: “E isso será feito dignamente, se nos preservamos de todos os vícios e nos entregamos à oração com lágrimas (contrição do coração), à leitura, à compunção do coração e à abstinência”. Quanto à abstinência, não consiste apenas em diminuir na comida e na bebida, mas abarca também o sono, as conversas e as brincadeiras. Podemos notar neste capitulo 49, da observância da quaresma que, São Bento faz dupla menção da “alegria”. Primeiramente, essas mortificações são oferecidas ao Senhor, “com a alegria do Espirito Santo” e, em seguida, espera-se a Páscoa “na alegria do desejo espiritual”. É notável a insistência de São Bento sobre a alegria: a alegria da esperança de aguardar a promessa de Deus na certeza dada pela fé. Por fim, aquilo que cada monge oferecer de penitência quaresmal, é necessita da permissão do Abade. São Bento não perde de vista sua doutrina da obediência. Mesmo tendo “boa intenção”, a vontade própria deve estar submetida à vontade do abade. A vontade do monge só é agradável a Deus, quando se une á vontade do nosso “pai espiritual”, título dado ao Abade. Todos nós, do lugar onde nos encontramos na Igreja, na alegria do sacrifício e confiando na Onipotência de Deus, podemos também unir nossos propósitos penitenciais de quaresma à espera da Santa Páscoa. Ir. Eduardo


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