SÃO CAMILO PASTORAL DA SAÚDE INFORMATIVO DO INSTITUTO CAMILIANO DE PASTORAL DA SAÚDE ANO XXXII N.349 MARÇO 2016
COMO SABER SE A GRÁVIDA ESTÁ COM ZIKA VÍRUS? O Zika vírus é semelhante à dengue e também é causado pelo mosquito Aedes Aegypt. No entanto, seus sintomas são mais brandos. A única forma de saber se qualquer pessoa está com Zika vírus é através dos sintomas apresentados como, vermelhidão nos olhos (conjuntivite), manchas vermelhas na pele que coçam e febre, entretanto a pessoa pode estar doente e não apresentar nenhum sintoma. Não existem exames que possam identificar o vírus no sangue, porque ele permanece ativo por apenas 1 semana, e a única forma de detectá-lo é através de um exame chamado RTPCR, somente em laboratórios de referência do Ministério da Saúde, quando solicitado em casos muito especiais. Mas não é por isso que todas as grávidas precisam se preocupar porque nem todas as que tiveram Zika durante a gravidez terão bebês com microcefalia, porque esta é uma situação rara. As maiores chances do bebê ter microcefalia ocorrem nas gestantes que já tiveram dengue alguma vez e que tiveram Zika no primeiro ou no último trimestre de gestação. Além disso, se a mulher já teve Zika quando não estava grávida não existe a possibilidade do bebê ter microcefalia se ela engravidar depois dos sintomas estarem controlados. COMO SABER SE O BEBÊ TEM MICROCEFALIA O diagnóstico da microcefalia pode ser feito durante a gestação através do exame de ultrassom morfológico,
mas também pode ser feito depois do nascimento do bebê, através da medição do tamanho da cabeça da criança. Outros exames como ressonância e tomografia podem ser realizados para indicar o grau de comprometimento cerebral e suas possíveis consequências. A microcefalia é uma doença grave, onde há restrição do crescimento do cérebro do bebê e não tem cura, sendo necessário fazer reabilitação através de fisioterapia e fonoaudiologia na infância e adolescência. COMO A GRÁVIDA PODE EVITAR A MICROCEFALIA NO BEBÊ Para evitar a microcefalia no bebê a gestante pode tomar medidas como: • Não tomar bebidas alcoólicas e usar medicamentos durante a gravidez sem indicação do obstetra; • Evitar a toxoplasmose e doenças infecciosas como herpes e rubéola, tomando as vacinas e medidas necessárias; • Evitar a contaminação com mercúrio e outros metais pesados. Além disso, também é recomendado que todas as grávidas usem um repelente com DEET diariamente para não ser picada pelo Aedes Aegypt, causador da dengue, Zika e Chikungunya. O repelente deve ser repassado a cada 6 horas em todo o corpo e na roupa, e não é preciso se preocupar porque ele pode ser usado durante a gravidez, porque é seguro e não prejudica o bebê. Outras medidas que podem evitar a picada dos mosquitos são usar roupas de manga comprida, calça comprida e meias.
VEM AÍ A SEGUNDA EDIÇÃO É com imensa satisfação que comunicamos a todos os leitores, agentes de pastoral da saúde bem como os que prestam assistência espiritual junto aos doentes que acaba de ser impressa a segunda edição do livro: “Assistência Espiritual aos Doentes, O que e como fazer”, de autoria do Pe. Anísio Baldessin. Portanto, se você ainda não adquiriu para você e para seu grupo, não perca tempo entrando em contato, no horário comercial, com nossa secretaria (11) 3862-7286 e faça seu pedido. Você poderá pedir também mandando e-mail para icaps@ camilianos.org.br Adquira já o seu.
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EU SOU DO TEMPO... ANÍSIO BALDESSIN
Quando queremos nos referir ao passado costumamos usar a famosa frase: “eu sou do tempo...”. Essa frase se encaixa perfeitamente na minha vida. Pois durante mais de vinte anos atuei como capelão do Hospital das Clínicas da FMUSP. Tudo começou no final da década de oitenta, quando ainda era estudante de filosofia. Foi aí que tive o primeiro contato com esse trabalho de assistência espiritual, que na época era denominado Pastoral da Saúde. Desde então, muitas coisas, tanto no que diz respeito a estrutura física do hospital quanto no atendimento que são realizados com técnicas terapêuticas por profissionais da saúde, bem como as atividades complementares, dentre elas a assistência pastoral, sofreram mudanças significativas. Senão vejamos. Eu sou do tempo em que as UTIs eram lugares de acesso restrito. Alguns pacientes só podiam ser vistos através de uma vidraça. As enfermarias tinham entre oito e doze leitos e um único conjunto de banheiros. Aliás, muitas vezes a celebração das missas acontecia na própria enfermaria. O tempo de visitas dos familiares nessas unidades era pouco e com horários preestabelecidos. Além disso, nas enfermarias, nem todos os pacientes recebiam visitas dos familiares todos os dias. Se não estiver equivocado, a maioria era às quartas, sábados e domingos. Tudo isso, sem contar que muitos familiares não dispunham de tempo, horário e muito menos de recursos financeiros para visitar seus pacientes nos dias determinados. Eu sou do tempo em que o aparelho de televisão no quarto não existia e mesmo nos andares era raro encontrar. Quando muito existia um para um andar inteiro. Aliás, lembro de uma pequena televisão que emprestei para a clínica de renais crônicos. A briga era se a TV deveria ficar na enfermaria dos pacientes ou na sala de hemodiálise. Apenas alguns pacientes faziam uso do rádio para ouvir música e ficar por dentro das notícias. Tudo isso sem falar nas dificuldades que o hospital tinha para se comunicar com os familiares. Pois ter um aparelho de telefone convencional em casa era para quem tinha um bom estilo de vida. Internet e celular então, nem se imaginava. Naquele tempo, existia o grupo de Voluntárias, que na época era formado apenas por mulheres. Elas visitavam os doentes para proporcionar, entre outras coisas, alguma ajuda material (doação de roupas, sabonete, escova, creme dental e algo para que os pacientes pudessem realizar alguma atividade manual). Além delas, os doentes recebiam a visita dos chamados Agentes de Pastoral da Saúde. Leigos, que além da presença solidária, procuravam ter sempre uma palavra amiga e acompanhá-los até a capela para as celebrações das missas. Eu sou do tempo em que o serviço de fisioterapia respiratória no hospital ainda era algo quase desconhecido. Fisioterapia, no entendimento da maioria das pessoas era apenas para ajudar na recuperação de lesões e fraturas. Foi somente quando conheci o Instituto do Coração que descobri que no pós operatório de pacientes cardíacos este serviço já era muito comum. Todavia, no Instituto Central do Hospital das Clínicas da USP o atendimento de fisioterapia respiratória só foi oficializado, salvo engano, depois de 1994. Eu sou do tempo em que não existiam grupos fazendo trabalhos lúdicos (entretenimentos) pelo hospital. Nem os contadores de história, doutores da alegria, narizes de plantão, bibliotecoterapia, brinquedoteca, musicoterapia e muito menos a dog terapia, (terapia com cachorros). Os serviços mais ou menos estabelecidos eram: Terapia Ocupacional, Assistente Social e Serviço de Psicologia, que alguns pacientes insistiam e acreditavam que era destinado apenas para quem estava com alguns distúrbios mentais e claro, o Serviço de Capelania, coordenado pelos padres e pastores. Eu sou do tempo em que o doente era tratado como paciente e não como cliente. Ou seja, o paciente não era sujeito da situação mas, simplesmente objeto de cuidado. Hoje ele é cliente. Isso signi-
fica que não se deve simplesmente impor normas. Aliás, como se diz no mundo empresarial, “o cliente sempre tem razão”. Eu sou do tempo em que a maioria dos pacientes, não sei se por acreditar ou por falta de opção, professavam e praticavam a fé católica. Quase trinta anos se passaram. Aqueles que como eu nasceram no século passado tiveram que aprender a conviver com as rápidas mudanças provocadas pela ciência e pela tecnologia. Paralelamente às dificuldades enfrentadas, podemos dizer que somos privilegiados. Afinal, imagino que nenhuma geração anterior à nossa presenciou tantas novidades, principalmente quando se trata dos avanços da medicina, que vou elencar neste artigo, que foram capazes de, não somente acrescentar mais anos à vida, mas especialmente, vida aos anos. Mudanças essas que continuam a nos desafiar. Poderia citar vários serviços que sofreram e continuam sofrendo mudanças no mundo hospitalar. Mas, meu objetivo é refletir apenas sobre os desafios da Pastoral da Saúde e/ou da Assistência Espiritual aos doentes, principalmente nos hospitais, a começar pela estrutura física. As enfermarias, com banheiro incluso, diminuíram de tamanho. Um, dois ou no máximo quatro leitos em se tratando de paciente do SUS. Para os pacientes conveniados ou particulares, apenas um paciente com amplo espaço para acompanhante. Os dias e horários de visita, para o bem dos pacientes, sofreram grandes modificações. Para os conveniados e particulares a visita acontece quase durante todo o dia. Também os internados nas alas SUS podem ter visitas diárias com horário mais amplo e flexível. Portanto, os doentes, salvo exceção, não ficam mais sozinhos por tanto tempo. Pois atualmente muitos grupos como os acima citados, em diferentes horários, desenvolvem alguma atividade lúdica para os pacientes e até mesmo para os familiares e profissionais. Além de tudo isso, os pacientes podem estar o tempo inteiro em conexão. Ou seja, quando não estão com a família estão com o rádio ou a televisão ligada, falando ao celular, mensagens, WhatsApp ou conectado na internet. Por isso, antes mesmo de deixar a prestação do serviço de assistência pastoral/espiritual junto aos doentes me perguntava e hoje continuo me perguntando: será que esse modelo pastoral de ir, mesmo quando não é solicitado pelo paciente, de quarto em quarto para visitá-lo, ainda é viável? Por que continuamos fazendo assim? Não seria hora de pensarmos uma nova estratégia? Uma fábula pode nos ajudar a refletir. “O elefante, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo. A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. Porém, é suficiente para mantê-lo preso. Pois desde recém-nascido ele se viu preso. Naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá. Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode”. Moral da fábula: a única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as estacas e correntes que nos prendem. Portanto, ao invés de continuarmos repetindo a frase “eu sou do tempo...”, que tal recriar um novo modelo de assistência (pastoral) que venha ao encontro das necessidades do mundo atual? Anísio Baldessin, padre camiliano, diretor do Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde – ICAPS.
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QUARESMA E MEIO AMBIENTE MARLENE MOTA
A Campanha da Fraternidade deste ano traz para nossa reflexão a preocupante situação do planeta Terra. A campanha não é uma utopia e, sim, um alerta de que atitudes devem ser tomadas, não por uma minoria, mas por um todo; precisamos ser fraternos, gerar ações que nos levem ao bem comum. Não há como simplesmente virar as costas para as catástrofes que vêm acontecendo, sem se importar. O lixo representa, hoje, uma grande ameaça à vida no planeta por duas razões fundamentais: sua quantidade e seus perigos tóxicos. Em toda parte do mundo, a propaganda incentiva as pessoas a adquirir vários produtos e a substituir os mais antigos por outros mais modernos; isso provoca, como consequência, a insensatez do uso indiscriminado dos recursos naturais. Do material descartado no Brasil, segundo pesquisas, 76% é abandonado a céu aberto em locais impróprios, permitindo a proliferação de vetores capazes de transmitir várias doenças. A criação hoje sofre com a deterioração do meio ambiente, consequência de uma exploração descuidada e, muitas vezes, gananciosa dos recursos do planeta. Mas chegou a Quaresma: é tempo de enfrentar com Jesus as grandes tentações que estão na raiz de todos os males nascidos das decisões humanas. O Evangelho exige conversão da consciência individual e coletiva da humanidade, como nos lembra Paulo VI na exortação apostólica Evangelii nuntiandi. Sem uma conversão que
influencie na cultura e se traduza em medidas globais para a organização mais justa da atividade humana em sua relação com a natureza, não será possível reverter o quadro dramático de destruição das condições de vida saudável em nosso planeta. O mundo vive um tempo de insegurança. Um verdadeiro caos se formou; parece que, em questão de segundos, muda-se radicalmente o panorama e a vida daquelas pessoas que são atingidas pelas enchentes; infelizmente foram muitas as pessoas que morreram e tantas outras ficaram desabrigadas. De uma hora para outra, quase tudo deixou de existir para os flagelados. É só abrir os jornais ou ligar a TV e tudo isso se mostra aos nossos olhos. Por outro lado, ao ver a imensa mobilização humanitária por todo o País, com tantos cristãos unidos num esforço comum para salvar vidas, por meio de doações de roupas, remédios, alimentos etc.; não há como não sentir a mão misericordiosa de Deus que se estende sobre os seus filhos e filhas; pois é pelo próprio homem que Ele se manifesta na nossa história. Aproveitemos, pois, essa Quaresma para refletir sobre nossas atitudes, reaquecer nossa fé e melhorar nosso relacionamento com Deus e com os irmãos, praticando a solida fraternidade, chave para a vivência do amor.
6 DICAS IMPORTANTES PARA CUIDAR DA SAÚDE DOS OLHOS 1 – MANTENHA DISTÂNCIA Talvez a dica mais importante seja justamente manter os olhos afastados do que lhes é nocivo – as telas iluminadas de computadores, tablets, smartphones e qualquer outro aparato. Quanto mais perto dessas telas você se mantiver, maiores as chances de que sejam causados danos à sua visão. 2 – PISQUE Um ser humano pisca de 15 a 20 vezes em um minuto. No entanto, quando está olhando para uma tela, esse número diminui pela metade – e isso prejudica bastante a visão. Piscar é o que lubrifica seus olhos e evita que a córnea resseque. Por isso, sempre que estiver usando um computador, notebook, tablet ou smartphone, dê um tempo longe do aparelho para que seus olhos possam ser lubrificados naturalmente. 3 – COMA FRUTOS DO MAR Segundo um estudo publicado no Archives of Ophthalmology em 2011, ingerir peixes como a cavala, o salmão, a sardinha e a anchova pode ajudar a diminuir os riscos de desenvolver uma doença ocular. A explicação estaria nos ácidos graxos ômega-3, que também auxilia na lubrificação dos olhos.
4 – COMA VERDURAS – QUANTO MAIS VERDE, MELHOR Uma pesquisa realizada na University of Georgia in Athens provou que vegetais de folhas verdes são capazes de reduzir os efeitos negativos da exposição excessiva à luminosidade. O motivo para tanto é que – pasme – eles ajudam a absorver parte dessa luz, exatamente como fazem durante o processo de fotossíntese. 5 – DIMINUA A MAQUIAGEM NA ÁREA DOS OLHOS Sombras, lápis, rímels e até o curvex podem prejudicar a saúde dos seus olhos. Se possível, utilize-os apenas de vez em quando mas, se for necessário usá-los todos os dias, procure não aplicar produtos na área interna dos olhos, como na linha d’água. Se notar qualquer incômodo ao utilizar um produto específico, suspenda o uso imediatamente. Caso o incômodo persista ainda assim, procure um oftalmologista. 6 – PROCURE A AJUDA DE UM PROFISSIONAL Assim como qualquer outra função ou sistema do organismo, a visão também precisa ser acompanhada de perto por um profissional. Visitas regulares ao oftalmologista permitem que alterações nos olhos sejam identificadas e tratadas rapidamente, evitando problemas mais graves.
O boletim “São Camilo Pastoral da Saúde” é uma publicação do Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde - Província Camiliana Brasileira. Provincial: Pe. Antonio Mendes Freitas / Conselheiros: Pe. Mário Luís Kozik, Pe. Mateus Locatelli, Pe. Ariseu Ferreira de Medeiros e Pe. João Batista Gomes de Lima/ Diretor Responsável: Anísio Baldessin /Secretária: Fernanda Moro / Diagramação: Fernanda Moro / Revisão: José Lourenço / Redação: Av Pompeia, 888 Cep: 05022000 São Paulo-SP - Tel. (11) 3862-7286 / E-mail: icaps@camilianos.org.br / Site: www.icaps.org.br / Periodicidade: Mensal / Tiragem: 1.000 exemplares / Assinatura: O valor de R$20,00 garante o recebimento, pelo correio, de 11 edições. O pagamento deve ser feito mediante depósito bancário em nome de Província Camiliana Brasileira, no Banco Bradesco, Agencia 0422-7, Conta Corrente: 89407-9.
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UM MUNDO SEM AIDS. É POSSÍVEL? GEORGE GOUVEA
O dia 14 de julho de 2015 foi um marco em relação à luta mundial contra a aids. A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV-aids) anunciou que a meta de tratar 15 milhões de pessoas soropositivas foi alcançada antecipadamente, e que novas infecções foram reduzidas em 35% e as mortes em 41%. Levando-se em consideração o cenário global, com a crise econômica na Europa, nos Estados Unidos da América, e as complicadas questões geopolíticas na África, o anúncio representa um feito impressionante. Atualmente, por conta dessa conquista, é possível crer que a meta de acabar com a epidemia de aids até 2020 seja factível. Conhecida como “meta 90/90/90”, ou seja, 90% das pessoas com HIV sabendo de sua sorologia, 90% dessas recebendo tratamento e 90% delas alcançando a carga viral indectável, ela aponta para a real possibilidade de eliminar o HIV no mundo. Isto ocorre por conta dos estudos que indicam que iniciar logo o tratamento traz benefícios para o paciente, acarretando menos doenças graves e mortes associadas à aids, e que em caso de carga viral indetectável, reduz-se significativamente a possibilidade de transmissão do vírus. Infelizmente, nem todas as notícias são alvissareiras, tendo em vista que o Brasil se encontra na contramão, em alguns aspectos, das boas novas — a despeito de todo o esforço do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Segundo a Unaids, o Brasil está testemunhando um aumento de novas infecções, que cresceram 11% entre 2005 e 2013, indo de encontro à média global, que apresenta queda. Todo o empenho do Programa de Aids, representado hoje pela política de “testar e tratar” e a disponibilização dos comprimidos com duas e três substâncias, conhecidos como “3 em 1” e “2 em 1”, que facilitam a adesão ao tratamento, esbarra na falha crônica das campanhas de prevenção concentradas apenas no 1º de dezembro e no carnaval, e na censura que barra materiais dirigidos aos grupos mais vulneráveis diante da epidemia. Além disso, estamos diante do aumento de casos entre jovens na faixa etária de 15 a 24 anos, dado que por si comprova que as políticas de
combate à aids estão falhando na comunicação com esse segmento. Para completar o quadro de preocupação, assistimos à inexplicável demora na implantação da profilaxia pré-exposição para as populações com maior vulnerabilidade ao HIV, a despeito de vários estudos apontarem para esse importante método de prevenção. Além de todas as dificuldades em nível nacional, encontramos, em nível local, ou seja, nos estados e municípios, enormes dificuldades relacionadas à negligência dos poderes executivos que escolhem, deliberadamente, não considerar o combate à epidemia da aids uma prioridade. Desta forma, milhares de vidas são ceifadas por falta de leitos, de médicos capacitados, emergências que não funcionam e absoluta ausência das campanhas de prevenção em âmbito local. Cerca de 12 mil mortes por ano causadas pela aids parecem não sensibilizar os corações daqueles que deveriam prover os sistemas de assistência a pessoas soropositivas de condições dignas de atendimento. Esperar uma resposta que nos faça concretizar o sonho do fim da epidemia da aids no mundo dependerá basicamente do empenho e comprometimento de todos os países, principalmente os mais ricos. Cabe aos principais líderes do mundo abraçar a meta 90/90/90, para que possamos viver num mundo livre do HIV. Em nosso país, somente um conjunto de ações coordenadas e um pacto entre diversas instâncias poderá provocar uma resposta vitoriosa, com a diminuição das mortes e das novas infecções, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. Essa luta dependerá da conscientização de todos os atores sociais e da defesa intransigente dos direitos humanos, do respeito às diferenças e do incremento das políticas públicas voltadas para a assistência às pessoas vivendo com HIV/aids, além de permanentes campanhas de prevenção. Caso contrário, corremos o risco de testemunharmos um recrudescimento da epidemia. George Gouvea é psicanalista e presidente do Grupo Pela Vida/RJ
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