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NOVO MUNDO BOLETIM INFORMATIVO PAROQUIAL ANO XIX  EDIÇÃO 210  AGOSTO/2016

MENSAGEM À COMUNIDADE

RELIGIÃO E EVANGELHO

C

ostuma-se dizer (e é verdade) que a religião cristã tem sua origem em Jesus de Nazaré. Como também se costuma dizer (e também é verdade) que a Igreja teve seu início na vida e nos ensinamentos de Jesus. Mas, tão certo como o que acabo de dizer é que Jesus não fundou (ou instituiu) uma religião, nem fundou (ou instituiu) uma Igreja. Como iria fundar uma religião um homem que provocou um conflito mortal com os dirigentes da religião, com o Templo, com os sacerdotes, os rituais e normas que a religião impunha às pessoas, de forma que tudo aquilo terminou na condenação de Jesus como um criminoso subversivo? E, no que se refere à Igreja, nem mesmo o Concílio Vaticano II se atreveu a dizer que Jesus foi seu “fundador”, mas se limitou a indicar que a Igreja teve sua origem na pregação de Jesus sobre o Reino de Deus (LG 5, 1). Evidentemente, São Paulo colocou o nome de “igrejas” às “assembleias” que ele foi organizando em suas viagens apostólicas. Mas sabemos que Paulo foi um judeu de cultura grega, na qual o termo “ekklesía” designava a assembleia dos cidadãos livres, que se reuniam para votar democraticamente as decisões importantes. Então, o que é que Jesus deixou àqueles que creem n’Ele e, portanto, pensam que seu legado é importante, inclusive determinante e até decisivo? Lendo e analisando a fundo os Evangelhos, o que neles fica claro é que Jesus foi um profeta que transmitiu à sua posteridade um projeto de vida, uma forma de estar e de agir neste mundo. Um projeto de vida que se coloca em prática a partir do que foram as três preocupações fundamentais que o próprio Jesus viveu: a saúde (relatos de “curas de enfermos”); a alimentação (relatos de “comensais”, a mesa compartilhada); e as relações humanas (ensinamentos sobre a “felicidade, misericórdia, justiça, perdão,

amor...). Este “projeto de vida”, na linguagem e na teologia do Evangelho, resume-se e condensa-se no “seguimento” de Jesus. De forma que a Cristologia se constitui primordialmente, não a partir de determinados dogmas e saberes, mas a partir do seguimento de Jesus. Pois bem, se o que acabo de dizer foi constitutivo e determinante nas origens do cristianismo, na sequência se compreende – e sem dificuldades – como e porque a Igreja encontrou acolhida na Antiguidade ou, pelo contrário, como e porque a Igreja encontra indiferença e até rejeição na Modernidade. Quero dizer que, nos primeiros séculos da sua história, quando a Igreja foi se organizando e se fez presente na sociedade de forma que o central e determinante da sua vida foi a luta contra o sofrimento e a acolhida de todo tipo de gente marginalizada, excluída e desprezada, foi aí que a Igreja se expandiu por todo o Império, até chegar a ser a instituição central e mais valorizada daquele tempo. Como bem explicou o professor Eric R. Dodds, quando o Império viveu uma autêntica “época de angústia” (desde meados de século II até o século IV), “a Igreja oferecia todo o necessário para constituir uma espécie de segurança social: cuidava dos órfãos e viúvas, atendia os anciãos, os incapacitados e os que careciam de meios de subsistência...”. E o próprio Dodds acrescenta: “Deveriam ser muitos os que se sentiram desamparados: os bárbaros urbanizados, os camponeses chegados às cidades em busca de trabalho, os soldados dispensados, os rentistas arruinados pela inflação e os escravos libertos. Para todo esse pessoal, passar a fazer parte da comunidade cristã devia ser o único meio para conservar o respeito para consigo mesmo e dar à própria vida algum

sentido. Dentro da comunidade se experimentava o calor humano e tinha-se a prova de que alguém se interessa por nós, neste mundo e no outro”. Ao longo do tempo, o centro das preocupações da Igreja foi se deslocando: da luta contra o sofrimento dos pobres e excluídos para o estabelecimento e fortalecimento da própria autoridade. O que desembocou no deslocamento do eixo centrado no Evangelho de Jesus para a religião dos sacerdotes. O “seguimento” evangélico deixou de ser central na Igreja. E passou a ser central, a partir de então, o “poder” eclesiástico, que traz para o primeiro plano – na prática – a submissão dos fiéis, em vez da solidariedade com os pobres, marginalizados e excluídos. Sendo assim, enquanto a religião foi um componente central da cultura e da sociedade, a Igreja se viu a si mesma como fiel à missão que tinha que cumprir neste mundo. Até que, no século XVIII, o Iluminismo escancarou as contradições que a Modernidade encontra no fato religioso. Contradições que, nos séculos XIX e XX, ganharam força e presença na mentalidade dos cidadãos da moderna “cultura secular”. O que nos trouxe à desconcertante situação que estamos vivendo hoje. Se nos empenharmos em continuar tentando harmonizar – e até identificar – “religião” e “Evangelho”, a maioria dos cidadãos não colocará em prática a religião e a gente religiosa não vai entender o Evangelho vivendo o seguimento de Jesus. Como é lógico e inevitável, nestas condições, o presente e o futuro da Igreja torna-se cada vez mais problemático. Continuaremos confinados em nossa tradicional religiosidade ou nos decidiremos pela fidelidade definitiva do seguimento de Jesus? CASTILLO, José María. “A Igreja deslocou o eixo do Evangelho de Jesus para a religião dos sacerdotes”. In: http://goo.gl/5IDqdV


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NOVO MUNDO BOLETIM INFORMATIVO PAROQUIAL

45 ANOS EVANGELIZANDO DE ESPERANÇA EM ESPERANÇA!

MISSA

PASSO A PASSO

A

pós a Oração dos Fiéis tem início a Liturgia Eucarística. A equipe de canto litúrgico entoa o canto das oferendas, enquanto a comunidade oferece o pão e o vinho, com os quais o presidente da celebração prepara o altar para a ceia eucarística, bem como oferece o fruto de seu trabalho como oferta a Deus. A fórmula litúrgica expressa toda a riqueza desta ação sacerdotal: na apresentação do pão o sacerdote diz “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de Vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar o pão da vida”; na apresentação do cálice com o vinho diz “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de Vossa bondade, fruto da videira e do trabalho humano, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação”. Após a apresentação do pão e do vinho, a comunidade se une a este gesto sacerdotal com a aclamação que lhe é própria: “Bendito seja Deus para sempre!”

CAMPANHA DE CONTRIBUIÇÃO Caríssimos paroquianos, conforme comunicado verbalmente nas missas, iniciamos uma 2ª etapa de contribuição para a conclusão das reformas (pintura interna, nova iluminação e instalação do ar condicionado). Durante as missas você pode retirar seu carnê de contribuição e efetuar seu auxílio do modo como achar melhor. Seu auxílio-doação foi e será propício para que esta empreitada ganhe sua forma final dentro em breve. Contrário senso, obra de Igreja termina sim, e a nossa está prestes a ser concluída. Restará a pintura externa da Igreja e do Salão Paroquial, bem como alguns outros empreendimentos menores (reparos no telhado do salão; limpeza do piso da Igreja; arrumação dos bancos da Igreja; entre outros). De antemão agradecemos a confiança e a generosidade de todos vocês! Especialmente no tocante à administração, junto com o Conselho Administrativo Paroquial, dos bens materiais da Paróquia. Deus lhes pague!

CALENDÁRIO PASTORAL DE AGOSTO DE 2016 ATIVIDADE

LOCAL

HORÁRIO

SEGUNDA

SEMANA

DIA 01

Pastoral da 3ª Idade (Reinício)

Salão Paroquial

À tarde

TERÇA

02

Pastoral da Caridade (Reinício)

Salas Inferiores

À tarde

QUARTA

03

Pastoral da Amizade (Reinício)

Salão Paroquial

20h

QUINTA

04

Confraternização Padres Arquidiocese

Região Belém

10h

SÁBADO

06

Missa 19º Aniversário Pastoral da 3ª Idade

Igreja

16h

DOMINGO

07

Missa (19º Domingo TC)

Igreja

8h30 - 11h - 19h

QUARTA

10

Conselho Administrativo Paroquial

Igreja

19h

SÁBADO

13

Missa MISSA DE ENVIO DOS MESC

Igreja Santa Rita

16h 16h

DOMINGO

14

Missa (20º Domingo TC) (Início Semana da Família)

Igreja

8h30 - 11h - 19h

(DIA DOS PAIS)

QUARTA

17

Conselho Pastoral Paroquial

Salão Paroquial

20h

SÁBADO

20

RETIRO DOS MESC

Mariápolis

8h às 17h

DOMINGO

21

Missa (21º Domingo TC) MISSA DA CATEQUESE

Igreja Igreja

8h30 - 11h - 19h 17h

QUINTA

25

Reunião Padres do Setor

S. Francisco Assis

9h

SEXTA

26

Pastoral do Dízimo

SÁBADO

27

Preparação para Batismo Formação Teológica

Igreja e Salão Salão Superior

8h30 às 12h 17h15

DOMINGO

28

Missa (22º Domingo TC) Celebração do Batismo

Igreja Igreja

8h30 - 11h - 19h 9h30

TERÇA

30

Reunião Geral do Clero

Cúria Regional

8h30 às 11h30

ASSUNÇÃO MARIA

20h30

1. Segunda-feira: Grupo Gente Ativa das 13h45 às 17h30 (Salão Paroquial) 2. Terça-feira: Pastoral da Caridade (14h às 16h) e Catequese (18h30 às 19h45) 3. Quarta-feira: Catequese (17h às 18h15 e 18h30 às 19h45) e Pastoral da Amizade (20h - Salão Paroquial) 4. Quinta-feira: Catequese (8h30 às 9h45 e 14h30 às 15h45) 5. NARCÓTICOS ANÔNIMOS: Segunda à Sexta-feira das 20h às 22h 6. MISSA: Terça à Sexta-feira às 18h

LITURGIA DOMINICAL PARA O MÊS DE AGOSTO

7/8/2016  19º DOMINGO DO TEMPO COMUM  DIA DO PADRE 1ª Leitura: Sb 18,6-9 / Salmo: 32 / 2ª Leitura: Hb 11,1-2.8-19 / Evangelho: Lc 12,32-48

14/8/2016  20º DOMINGO DO TEMPO COMUM  DIA DOS PAIS 1ª Leitura: Jr 38,4-6.8-10 / Salmo: 39 / 2ª Leitura: Hb 12,1-4 / Evangelho: Lc 12,49-53

21/8/2016  21º DOMINGO DO TEMPO COMUM  ASSUNÇÃO DE MARIA 1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab / Salmo: 44 / 2ª Leitura: 1Cor 15,20-26 / Evangelho: Lc 1,39-56

28/8/2016  22º DOMINGO DO TEMPO COMUM 1ª Leitura: Eclo 3,19-21.30-31 / Salmo: 67 / 2ª Leitura: Hb 12,18-19.22-24a / Evangelho: Lc 14,1.7-14


NOVO MUNDO BOLETIM INFORMATIVO PAROQUIAL

45 ANOS EVANGELIZANDO DE ESPERANÇA EM ESPERANÇA!

PASTORAL DO BATISMO

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ossa comunidade paroquial teve a alegria de acolher nos meses de Junho e Julho novos(as) discípulos(as) de Cristo, cujos nomes de batismo são: Maria Eduarda Alves Assoni; Murilo Botaro da Silva; Valentina Machado Barbosa; Laís Semedo Kuriki; Bianca Semedo Kuriki; Henrik dos Santos Silva; Alice Aparecida da Silva; Gael de Oliveira Faioli; Caio Bitdinger Branco; Matheus Carrieri Puliti de Camargo; Esther Calciolari Gonzalez Ruiz Martins; Arthur Calciolari Gonzalez Ruiz Martins; Rafael Antonio Pita do Nascimento; Paolla Boute Rizzo; Catarina Dias Elias; Bento Tonarque Cimardi; e Pedro Henrique Martinez Fazenda Freire. Que nosso testemunho de fé e esperança anime na vida cristã todos os que foram batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

GRUPO DE ORAÇÃO

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Grupo de Oração de nossa Paróquia retoma nessa primeira semana de Agosto os seus encontros, que ocorrem toda Terça-feira, às 14h. Em virtude da pintura interna da Igreja, os encontros estão sendo realizados no salão paroquial. Senhor ensina-nos a orar! Rezar é estreitar nossa intimidade com Deus Pai, Filho e Espírito Santo! Participe!

PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO

N

o próximo dia 10 de Setembro, Sábado, no período vespertino – das 13h às 19h, a Paróquia realizará o 3º Encontro de Preparação para o Matrimônio desse ano de 2016. Se você conhece algum casal que se prepara para o casamento, por gentileza comunique a data, também junto à sua família e amigos. A preparação é necessária para realizar o Sacramento do Matrimônio neste ou no próximo ano. Atendimento e Confissões: agendar na Secretaria (5531-9519) Terça-feira

15h às 17h30

Pe. Boim

Quarta-feira

16h30 às 20h

Pe. Ney

Quinta-feira

15h às 20h

Pe. Edson

Sexta-feira

15h às 17h30

Pe. Boim

CRISMA

JUVENIL E ADULTO

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Catequese para o Crisma Juvenil e Adulto tem inscrições PERMANENTEMENTE abertas. A oportunidade faz a ocasião, mas a liberdade de aprofundar a fé que você abraçou no Batismo é só sua. Maiores informações: na Secretaria Paroquial (5531-9519).

CORTE E COSTURA

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curso de corte e costura “Faça sua Roupa” é realizado nas dependências da Paróquia, às tardes de 4ª Feira ou 5ª Feira, das 14h às 16h. Para os interessados, maiores informações podem ser obtidas junto à D. Luiza, que coordena o trabalho, através do telefone: 5012-7992.

COMO O DÍZIMO AJUDA A EVANGELIZAR

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abemos que, na maioria das vezes, a evangelização precede a conversão. Mas, quando se pretende evangelizar e não se colhem bons frutos, a causa provável pode não ser a falta de palavras, mas de atitudes e de testemunho. O Dízimo é a valorosa e indiscutível fonte de recursos para o apostolado. A atitude do Dizimista, quando realizada com fidelidade e fundamentada pelos princípios da fé, por si só, constitui em forte instrumento de evangelização. A constância desse gesto chama a atenção para um comportamento que demonstra o desprendimento, o amparo aos menos favorecidos e a confiança na Igreja de Cristo. Essa postura desperta em muitos, que ainda não experimentaram a prática do Dízimo, o desejo de descobrir se ela, realmente, agrega à nossa vivência cristã. E a resposta se apresenta logo que o Dízimo começa a ser praticado, na gratuidade própria de quem acolheu o anúncio do Evangelho, em lugar do apego excessivo aos bens materiais. Assim sendo, a comunidade agradece e se alegra com as novas Dizimistas: Dirce Merichello Ramos; Mônica Pereira Saito;

Thaís Marella Mônaco; e Zita Val de Castro Roswell. Possa Deus abençoar e Nossa Senhora da Esperança interceder por vocês e suas famílias! FELICIDADES E MUITAS BÊNÇÃOS AOS DIZIMISTAS ANIVERSARIANTES DE AGOSTO: 5 Ismene Troise Pini; 32 Zulina Correa; 43 Veneranda Pereira Avillano; 51 Adauto do Nascimento; 58 Sylvia Abrunhosa Guerra; 91 Antonio Carlos do Rêgo; 97 Valfrido Krieger; 116 Decio Hanagussuko; 141 Flávio Ramires Rosário; 155 Terezinha Guazzelli; 160 Walter Pugliesi; 161 Maria Del Amor F. O. Branco; 164 Valentina Collet Rodrigues; 165 Juliana Lopes B. Albarran; 169 Aldo Bianco; 191 Domingos Gonçalves Soares; 205 Samira Saady Morhy; 208 Jorge Luiz Abibe; 211 Maria Nélida de Mello Souza; 259 Celeste Antonio Agostini; 268 Andréa Maria M. Menezes; 274 Regina Maria Campos; 293 Maria Helena Greco; 303 Regina Pagnillo; 307 Reginaldo Zanella; 308 Maria Alice Alves Gama; 340 Paulo Zirnberger de Castro; 361 João Bosco Paes; 367 Virgínia C. P. Fonseca Majuri; 372 Lilian Pereira de Souza; 373 Rose Mary Hissatugue Mori; 380 Walkiria Pereira de Souza; 382 Silvia de Barros Poyares; 383 Anna Luiza Salgado; 409 Francisco José C. Nunes; 411 Helio Pereira de Queiroz; 416 Deise Gottardo de Oliveira; 418 André Bresciani Júnior.

VISITA PASTORAL DO BISPO REGIONAL: Dom José Roberto Palau

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e 01 a 04 de Setembro o Vigário Episcopal para a Região Ipiranga, Dom José Roberto Fortes Palau, estará em Visita Pastoral à nossa Paróquia. A visita é um momento privilegiado de contato do bispo com o povo e os agentes de pastoral, confiados aos seus cuidados de pastor. É, também, momento forte de evangelização e animação missionária. A Visita Pastoral tem o intuito de reavivar a comunhão eclesial, o compromisso missionário e a corresponsabilidade pastoral em

nossa Igreja particular; avaliar a caminhada à luz das orientações, diretrizes, prioridades e projetos pastorais de nossa Arquidiocese; estimular os presbíteros, bem como os cristãos leigos e leigas a assumir a “pastoral de conjunto”, em clima de verdadeira comunhão e participação; além de fomentar diálogo com as lideranças pastorais, organizações e movimentos da sociedade civil. A programação final da visita está sendo definida pelo Conselho Pastoral Paroquial em comum acordo com Dom José Roberto.

ATENDIMENTO DA SECRETARIA: Segunda, das 13h30 às 17h30. Terça à Sexta, das 8h30 às 12h30 e das 13h30 às 17h30. Sábado, das 13h30 às 17h30. E-mail da Secretaria: pnse.secretaria@uol.com.br • Acesse o site: www.paroquiansesperanca.org.br

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NOVO MUNDO BOLETIM INFORMATIVO PAROQUIAL

PENSANDO NA VIDA DE FÉ

A FIGURA PATERNA NA VIDA DA FAMÍLIA CRISTÃ

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Livro do Gênesis indica o modo como os seres humanos devem constituir suas famílias (cf. Gn 2,24). Nesse plano para a humanidade, Deus estabelece na família a presença de um pai, não como simples procriador, mas como alguém vigilante que, com força, trabalho, presença e amor, participa constante e incansavelmente dos rumos e do crescimento integral da vida de cada membro da sua família, em todos os seus aspectos. A missão do pai neste mundo deve guiar-se não pelas dificuldades e fragilidades humanas, mas pelo dom divino. No Antigo Testamento, Deus é chamado Pai do povo de Israel, ora porque protegeu e deu sua confiança a este povo, ora por ser Criador e Todo-Poderoso. A Bíblia somente passa a referir-se a Deus como pai propriamente dito, após a chegada de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, autenticando a paternidade de Deus, e consagrando-Lhe assim as famílias humanas. Nos nossos dias, o mundo atravessa um vácuo nas relações afetivas – quase sempre fragmentadas. Uma das consequências é a depreciação da figura paterna como modelo de vida e como referência de caráter e respeito. Isso lamentavelmente tem levado com frequência muitos a fugirem da responsabilidade e das implicações que a paternidade lhes impõe como dever. É generalizada e progressiva a tendência moderna de promover a neutralização da importância fundamental dos genitores, em particular do pai, na formação das novas gerações, por exemplo, restringindo-lhes o direito de educar e de criar os filhos segundo suas convicções éticas, morais e espirituais, e estimulando a terceirização dessa tarefa, para escolas ou babás. Numa sociedade plural, convém reconsiderar a figura paterna, seja no zelo pela educação dos filhos, impondo-lhes os necessários limites entre o certo e o errado, corrigindo-os quando necessário, mas sobretudo acompanhando-os, orientando-os em sua formação humana, ética e na fé, fomentando assim, no âmbito familiar, uma forte e sadia intimidade com Deus. Talvez de maneira cômoda, a sociedade atual tem cultivado pais que exageram na tolerância e na cumplicidade com os filhos, colocando-se mais na posição de

simples amigos, em vez de assumirem, na qualidade de pais, o lugar que lhes cabe, de acompanhar a conduta de seus filhos e de determinar limites justos, formando-os para uma autonomia íntegra.

Assim, o Santo Padre coloca sob uma nova ótica as famílias tais como se encontram na sociedade atual. Algumas virtudes importantes que os filhos esperam encontrar em um bom pai podem ser, desse modo, sinalizadas:

Modelo para a paternidade humana, Deus sinaliza os limites através da Sagrada Escritura e aponta-nos direções a seguir no exercício de nossa liberdade. Inspirados na paternidade divina, os pais devem ser presença na vida de seus filhos, referência sólida que lhes serve de apoio nos difíceis momentos das suas mais importantes decisões. Todo jovem vive em alguma época um período em que contesta ordens e regras, quer fazer valer seus desejos e sua maneira de pensar e agir, e quer tomar, enfim, as rédeas de tudo. Relegá-los à própria sorte, pode dar margem à formação de um déspota, que exige que todos o sirvam e obedeçam em tudo. Por outro lado, os limites dados a um filho não devem ser tampouco exagerados, para que ele não se torne um medroso, achando que todos estão voltados contra ele. É responsabilidade dos pais orientar os filhos, dialogar os desvios, pontuar a verdade, e testemunhar para eles que são muito amados por Deus, que em sua misericórdia não quer jamais puni-los, mas convidá-los ao justo exercício da liberdade e da responsabilidade na construção de um mundo mais justo e pacífico.

a) Espera-se do pai um comportamento justo e santo, digno da sua família, amando, respeitando e zelando pela fidelidade (cf. Ef 5,25-33). b) O pai deve reservar para a família um tempo suficiente para que possa ter boas conversas com cada qual, acompanhar a vida familiar em suas necessidades e dificuldades, mas principalmente, testemunhar o amor a Deus e o seguimento da Boa Nova de Jesus Cristo na alegria (cf. Dt 6,5-7). c) Em situações em que é necessário orientar e corrigir, o pai deve agir prontamente, de forma amorosa e suave, mas sempre firme (cf. Cl 3,21; Pr 22,15. 23,13-14). d) Nas conversas com os filhos, o pai não deve pressioná-los em demasia, mas procurar ouvi-los, de modo calmo e solícito (cf. Ef 6,4; Tg 1,19), dando bons exemplos aos filhos de virtude e de caridade, sempre inspirados em Jesus (cf. At 1,1). e) O pai deve estar sempre presente e atento a tudo o que ocorre com os filhos, orientando-os na sua humanidade e na sua divindade (santidade – Pr 1,7).

O papa Francisco, em sua exortação apostólica Amoris Laetitia, reafirma que o matrimônio é a união entre homem e mulher, mas lembra que todos devem ser acolhidos sem preconceito, para que possam sentir-se e atuar como membros que são da Igreja. O documento também menciona a família estendida, englobando não apenas pais e filhos no sentido clássico, mas também enteados, adotados, agregados, parentes, vizinhos, amigos e a comunidade. Pede a todos que, sempre com humildade e busca sincera da vontade de Deus, discirnam cuidadosamente cada particular situação concreta, sem esquecer, desprezar ou ignorar as exigências de verdade e da caridade do Evangelho, nem os ensinamentos e a tradição da Igreja. O cristão não deve julgar ninguém (cf. Jo 8,47), mas usar de misericórdia.

Ao celebrarmos o DIA DOS PAIS, vamos orar por quem nos deu a vida e que, com seu exemplo e dedicação nos tornou o que somos. Peçamos também a Maria, mãe da Esperança, que os abençoe em sua missão, e interceda junto a Jesus por todos os pais, quer estejam eles vivos, quer já tenham partido para a morada do Pai Eterno.

“Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar.” (Pr 22,6) Leitura Complementar: Papa Francisco. Exortação Apostólica Amoris Laetitia (19 de março de 2016).

NOVO MUNDO BOLETIM INFORMATIVO PAROQUIAL

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA

Ano XIX – Edição 210 – Agosto/2016 – Tiragem: 1.000 exemplares • Periodicidade: mensal Distribuição: gratuita • Responsável: Cônego Dagoberto Boim • Projeto gráfico e diagramação: Minha Paróquia (minhaparoquia.com.br) • Impressão: Gráfica Paulo (11) 9 6399-4474

Endereço: Av. dos Eucaliptos, 556 - Moema São Paulo, SP • CEP 04517-050 Tel/Fax.: (11) 5531-9519 • e-mail: pnsesperanca@uol.com.br


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