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V DOMINGO DA QUARESMA ANO C. “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Com estas palavras Jesus desarma aqueles homens que condenavam uma mulher surpreendida em adultério. Jesus desarma aqueles homens; Ele tirou deles totalmente a autoridade, porque a verdadeira autoridade não está no julgamento, mas exerce autoridade aquele que coloca seus conhecimentos para proteger e salvar a vida. Jesus está seguindo o seu caminho para Jerusalém, onde será entregue e morto na Cruz para redimir toda a humanidade. Ele fala com autoridade, ele ensina o amor e a compaixão. Ele é o rosto misericordioso do Pai. É bem interessante quando estudamos atentamente esta passagem do Evangelho. O casal surpreendido em adultério deveria ser apedrejado. Essa era a Lei. Onde estaria o companheiro desta mulher? Aqui, aparentemente o texto nos mostra um problema causado por uma mulher, mas na verdade ela é somente uma “isca” para atingir e acusar Jesus no ato de descumprir a Lei corrente do seu tempo. Existem muitos comentários sobre a atitude de Jesus. Ele escrevia no chão. O que estaria Ele escrevendo? Palavras sobre a misericórdia de Deus? Alguma resposta ao coração aflito daquela mulher que estava para ser apedrejada? Estaria escrevendo no chão os pecados dos acusadores? São muitas perguntas e nenhuma resposta definitiva. O que podemos compreender disso tudo é que Jesus não se deixa enganar, mas a sua sabedoria confunde aqueles que se julgam sábios e detentores da Lei e do poder deste mundo. O pedido de Jesus não é somente o de não atirarem as pedras ou de manter viva aquela mulher. Ele não veio para mudar a Lei, mas torná-la plena no seu legítimo cumprimento. Ele chama a atenção daqueles que, por direito, deveriam ser os primeiros a atirar as pedras e, desta forma Ele chama a atenção daqueles homens à própria realidade e condição de pecadores: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. Que julguem primeiro a si mesmos antes de emitir os seus julgamentos. Os primeiros a abandonar esta empresa contra a mulher são os anciãos. Homens distintos entre o povo e que estavam sempre à frente para exercer um papel de responsabilidade perante toda a comunidade. Diante da atitude dos anciãos que foram saindo desconcertados pelas palavras de Jesus, Ele continua seu diálogo de amor e de misericórdia com a mulher: “Mulher, ninguém te condenou?” Aqui o julgamento cede espaço para o início de um verdadeiro diálogo de salvação. Jesus age como aquele que veio a este mundo, não para condenar, mas para salvar a humanidade. Em lugar de usar o rigor da Lei, Jesus age com toda a sua liberdade e exerce plenamente a misericórdia. Se a Lei (aqui se trata dos anciãos) não condenou aquela mulher, muito menos Jesus vai condená-la. Ele veio para salvar e não para condenar.


“Não pequeis mais!” Jesus é muito claro naquilo que faz e diante daqueles que se confiam a Ele. Jesus não condena a mulher e também não aprova o seu pecado. Não exige dela as insuportáveis penitências nem os grandes sacrifícios, mas age com mansidão e exerce o seu amor-compaixão com verdadeira misericórdia. Jesus deu à mulher pecadora a possibilidade de recomeçar sua vida. Uma vida nova a partir da sua própria vida. Jesus mostra claramente para esta mulher que Ele é a medida e a novidade para aqueles que caem pelo caminho e estão mergulhados no pecado. Jesus acolhe o pecador e não o seu pecado e, concede vida nova àqueles que se arrependem e se convertem. Pela “Lei das Pedras”, o Evangelho nos teria feito conhecer a história de mais uma mulher morta por ter sido surpreendida em adultério. Pela nova Lei apresentada por Jesus, temos este belíssimo relato de uma mulher que foi resgatada de si mesma e do seu pecado, pelo amor e pelo perdão, para continuar vivendo na alegria de um encontro de misericórdia, que transformou a sua vida e mudou o rumo da sua historia. O Evangelho de hoje nos apresenta este encontro amoroso e pleno de graça de Jesus com tantos outros homens e mulheres na Sagrada Escritura. É o encontro da misericórdia com a miséria. É o encontro de um coração divino que se move em direção ao coração de todos os homens de todos os tempos para oferecer-lhes a salvação e a vida. Reconhecemos esses encontros de misericórdia não somente no Evangelho de hoje, mas também naquele do Filho Pródigo; no encontro com Zaqueu; no diálogo com a mulher samaritana; naqueles últimos momentos do Ladrão que morre ao seu lado na Cruz. Tudo o que a Liturgia nos propõe para hoje, deve servir para que olhemos dentro de nós mesmos, que nos coloquemos não na condição de juízes que determinam as sentenças, mas exatamente no lugar do cristão que procura viver autenticamente o seguimento de Jesus Cristo. Antes de emitir nossos juízos, que nos julguemos a nós mesmos e procuremos acolher aqueles que estão em pecado e precisam da nossa misericórdia. Como é bom quando precisamos de perdão e recebemos a graça de sermos perdoados! Como é bom ser acolhido e amado, mesmo quando não nos sentimos merecedores, porque como rezamos em cada Eucaristia: “Eu não sou digno de que entreis em minha morada...” Nós não somos dignos, mas precisamos de Jesus Cristo em nossa vida. Somos necessitados do seu amor e da sua misericórdia, para que possamos também exercer verdadeiramente esse amor e essa misericórdia na mesma medida que o Senhor oferece para cada um de nós que O invocamos com confiança e com amor. Que a Santa Mãe de Deus nos ajude a compreender o amor e a misericórdia de Jesus Cristo e que Ele seja a nossa medida para resgatar nossos irmãos. Que sejamos merecedores de um dia ouvirmos as palavras de acolhida no Reino Celeste como: “Vinde benditos do meu Pai”, como Jesus nos prometeu.


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