No dia 19/09/2016, a sede do Sinprocan estarรก fechada. Retornamos as atividades no dia 21/09/16.
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EDITORIAL
quanto vale a informação? Uma das coisas mais importantes na vida de uma pessoa é a informação. Ao profissional em educação é fundamental o papel que a informação exerce. Vivemos um tempo de mudanças rápidas e muitas passam despercebidas e são fundamentais na carreira. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), tramitam pelo Congresso Nacional 922 projetos que envolvem a Educação e que podem alterar significativamente a vida dos profissionais e das escolas. Vamos ver os principais tópicos dos projetos mais importantes, em andamento no Congresso Nacional e Senado: PLP 257 – Aprovada no Congresso Nacional e seguiu para o Senado - a não concessão de aumento de remuneração dos servidores a qualquer título por 24 meses (foi vetado no Congresso) -a suspensão de contratação de pessoal, exceto reposição de pessoal nas áreas de educação, saúde e segurança e reposições de cargos de chefia e direção que não acarretem aumento de despesa. Isso facilita a terceirização de pessoal. -a instituição do regime de previdência complementar, caso ainda não tenha publicado outra lei com o mesmo efeito. -a elevação das contribuições previdenciárias dos servidores e patronal ao regime próprio de previdência social (sendo a elevação para pelo menos 14%, no caso dos servidores) -a reforma do regime jurídico dos servidores ativos, inativos, civis e militares
eNVIE NOTÍCIAS DA SUA ESCOLA
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Envie para o e-mail sinproc@terra. com.br uma foto da atividade realizada em sua escola, que retrate de maneira ampla e fiel o que aconteceu. A foto (apenas uma) deve estar com boa resolução e nitidez. Precisamos, ainda, que você envie um pequeno texto contendo as principais informações, como citamos abaixo:
- O QUÊ? - QUANDO? - COMO? - POR QUÊ? - ONDE?
para limitar os benefícios, progressões e vantagens ao que é estabelecido para os servidores da União. PEC 241/2016 – Em análise no Congresso A PEC 241/2016, proposta pelo presidente interino Michel Temer, está em análise na Câmara dos Deputados e tem por objetivo limitar, por 20 anos, o aumento dos gastos públicos à taxa de inflação do ano anterior. A medida também atinge as áreas de saúde e educação, pois muda os critérios para que os valores mínimos aplicados nas duas áreas sejam corrigidos pela inflação, ou seja, a recomposição orçamentária teria por base apenas a variação inflacionária. Hoje, essas despesas são constitucionalmente atreladas à arrecadação. A Educação e a Saúde serão atingidas diretamente e de forma brutal. Alguns analistas afirmam o fim do SUS. Quanto à Educação será o fim de muitos projetos em andamento já que os cortes são profundos e tiram investimentos importantes na área. Segundo analistas, reduzem em até 45% o investimento do Governo em Educação. LEI 867/2015 – Escola sem Partido (Votada e aprovada em alguns Estados) Consiste na proposta de restrição da discussão política e das reflexões críticas nas escolas que o projeto de lei propõe. A ideia é implementar nas bases e diretrizes da educação a ideia de “Escola sem Partido”, restringindo ideias e debates
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Aqueles que possuem e-mail e desejam receber informações sobre o Sindicato por meio dele, devem fazer seu cadastro através do e-mail sinproc@terra.com.br. Os que já possuem e não estiverem recebendo, entrem em contato por telefone ou e-mail para que seja verificado o motivo do não recebimento. Outras informações e notícias podem ser acessadas no nosso site:
www.sinprocan.org.br.
em salas de aula através de uma “neutralidade” dos professores sobre assuntos políticos, ideológicos, religiosos e de gênero. Defende ainda que os professores não devem usar seu poder como educadores para implantar suas ideias em seus alunos. “Não existe liberdade de expressão no exercício estrito da atividade docente, sob pena de ser anulada a liberdade de consciência e de crença dos estudantes, que formam, em sala de aula, uma audiência cativa”, diz o senador Magno Malta (PR-ES), que defende que o professor não tem liberdade de expressão, mas, sim, de ensino. Não cito aqui as discussões sobre mudança nas aposentadorias, assunto que mexe com a categoria e que vai gerar muita discussão e mobilização, com certeza. No dia 22/08 estivemos reunidos na sede do SINPROCAN, com alguns interessados, para discutirmos estes projetos e outros assuntos importantes. Como a discussão do primeiro tema, o projeto Escola Sem Partido, se prolongou demais, os demais temas ainda serão analisados em evento futuro. Contamos, para os próximos eventos, com todos os interessados em informação e discussão sobre os assuntos que norteiam à carreira. LUIZ FERNANDO GIACOMELLI CONTE
SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÕES DO SINPROCAN
atualização de cadastro
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O Sinprocan solicita que os seus associados atualizem seus cadastros junto ao sindicato para que, quando necessário, este consiga entrar em contato. A atualização pode ser feita pelo e-mail sinproc@terra.com. br, pelo telefone (51) 3476.4033 ou presencialmente.
Avisos sobre ações e discussões sindicais, além de contato do jurídico, dependem de um cadastro atualizado!
3 AGOSTO DE 2016
Oportunidade de ouvir
e questionar o próximo Prefeito Mantendo sua tradição democrática, o Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) abre espaço para que os candidatos a Prefeito de Canoas possam apresentar suas ideias sobre a educação da nossa cidade aos associados. Os encontros com os candidatos acontecerão no Auditório Sinprocan. A ordem de apresentação dos postulantes foi definida através de sorteio.
05/09 18 horas
05/09 19h15min
Candidata Lúcia Elizabeth Colombo (PRB)
Candidato paulo sérgio da silva (PSOL)
CONVERSA
Os quatro candidatos terão uma hora cada para conversar com os associados. Poderão expor suas propostas para a Educação e serão questionados pelos presentes. Além disso, receberão a pauta de reivindicações da categoria. Cada escola terá direito a um representante, cujo nome deverá ser enviado ao Sinprocan até o dia 31/08 para o encontro do dia 05/09 e até dia 06/09 para o encontro do dia 12/09. As inscrições serão limitadas.
12/09 18 horas
12/09 19h15min
Candidato Luiz Carlos Busato (ptb)
Candidato Luís Felipe Martini (psdb)
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Propostas Para quem trabalha em educação, eleições são sinônimos de esperança. O que desejamos são novos caminhos para um sistema que faliu completamente, falando em Canoas exclusivamente, se perdeu em utopias e o que é pior, analfabetizou uma cidade. Não buscamos sonhos inatingíveis, queremos condições de exercer nossa função com dignidade e com a certeza de uma boa escolarização das nossas crianças. A cidade precisa saber as diferenças que há muito incomodam as escolas e que elas mesmas ainda não perceberam que é necessário mudar conceitos a respeito do funcionamento de uma instituição. O termo educação perdeu completamente o sentido. Estamos fazendo tudo que uma família deveria estar fazendo. O que fazer em 4 horas? Ora, a nossa obrigação, escolarizar. Escolas preparam o futuro cidadão com conhecimentos, desenvolvendo o respeito ao próximo, desenvolvendo regras e formando lideranças. Isso é escolarizar. Não nos cabe outro papel.
Precisamos urgentemente de uma equipe de saúde dentro das escolas que prestem apoio às necessidades que fogem da alçada dos docentes. É bom lembrar que somos docentes, não somos médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, apenas docentes que precisam fazer o trabalho que lhes compete. Misturar profissões, sem formação, não dá certo. Escolarizar é fazer aquilo que nos compete como profissionais do ramo. Fora desta área é competência da família. Diferenciar competências é o segredo do sucesso de uma escola. O maior pecado cometido pelas escolas hoje é o “coitadismo” extremamente deturpado. Primeiro que ninguém é digno de pena. Certas situações ocorrem na vida por escolhas, não por destino. Se a escola prosseguir nesse compartilhar de dores, aumenta as consequências futuras dessas crianças. Precisamos de uma escola completa, não pela metade! Pela metade, significa fracionar o professor. Ele também se divide e aí temos várias partes sem um todo que denominaremos de fracasso. Andamos assim a um bom tempo.
Precisamos de propostas concretas que não sejam fruto de passado, fantasiado de presente. Não ouvimos propostas e as que li até o momento, me assustam, pois são vazias de conteúdo, frases soltas e sem sentido algum. Teremos oportunidades de ouro nos dias 05 e 12 de setembro. Na sede do SINPROCAN estarão presentes, assim esperamos, os quatro candidatos a Prefeito nas próximas eleições. Na oportunidade, os candidatos estarão apresentando suas propostas para a educação e o sindicato entregando a eles a pauta de reivindicações da categoria. Eis aí a oportunidade de ouvir propostas e esperamos que elas realmente venham. LUIZ FERNANDO GIACOMELLI CONTE SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÕES DO SINPROCAN
4 agosto de 2016
Compartilhando Amor,
Reciclando Vidas! Vanderlei Dutra Há 12 anos, Francisco Enir Lopes iniciou um projeto que mudaria a sua vida e a de centenas de famílias. No Guajuviras, na cooperativa de resíduos COOARLAS, ele dedicava parte do seu tempo para dar aulas de música às crianças da comunidade. Momentos de estudo, disciplina, atenção e um contato com um mundo que, antes, era visto pela TV por estas crianças: o da arte. De lá para cá, Francisco recebeu reforços importantes e ampliou o trabalho: hoje o Projeto Compartilhar recebe a chancela e o apoio, com seminaristas voluntários, da IELB (Igreja Evangélica Luterana do Brasil), CEL Paz de Canoas, Capelania da ULBRA, colégio Cristo Redentor e Seminário Concórdia, e atende quatro cooperativas de resíduos (COPCAMAT, COPERMAG, COOARLAS e Renascer) e três escolas de Ensino Fundamental municipais (Guajuviras, Paulo Freire e Nancy Pansera). Nossa reportagem acompanhou, junto com a diretora do Sinprocan Cristine Strobelt, as aulas em três destes locais, e conta um pouco, a seguir, do que encontrou e a opinião de participantes.
Escola Guajuviras
Na tarde nublada, duas salas da EMEF Guajuviras estavam agitadas e iluminadas. Cerca de 40 estudantes, pais e professores estavam atentos às flautas e aos violões. Em rodas, os alunos prestavam atenção nos professores de música André Felipe Silva e Cássio Loose e aos sons dos instrumentos e, nem mesmo a presença de pessoas estranhas com máquinas fotográficas, atrapalhou o desenrolar da aula com cara de ensaio.
Escola Guajuviras
Não demorou para que se organizasse uma pequena mostra dos dotes da turma, que com facilidade tocou clássicos da música brasileira. A atenção aos detalhes e a cobrança que cada um se faz é de gente grande, contrastando com a pouca idade dos pequenos artistas. É o terceiro ano do projeto na escola, que conta hoje com a ajuda de alunos do Seminário Concórdia e estagiários do curso de Teologia da Ulbra. Segundo a diretora Inara Maria Soares Raupp, o projeto auxilia principalmente no trabalho com crianças em situações de vulnerabilidade. “Normalmente, os participantes são crianças cujos pais trabalham o dia inteiro. É gritante a modificação no comportamento e na sociabilidade entre os alunos. Esse apoio (do projeto) foi muito importante. Alunos que preocupavam em sala de aula hoje não dão mais problemas. O projeto cresce, sinal que os alunos estão gostando”, disse. “O CPM da escola é parceiro e atuante junto ao projeto. As mães colaboram, cerca de
10 pela manhã e cinco à tarde, além do Grêmio Estudantil e o Conselho Escolar”, relata Inara. Segundo Fabiene Moreira, mãe de Maria (11) e Camiele (7), o projeto é um sucesso. “Estou adorando. Elas mudaram o comportamento. Uma é mais rebelde na escola e está bem melhor. Elas adoram. Por elas, teria todo dia”, diz. Maria, sua filha, conta o que mais gosta: “É legal. Gosto de tocar violão e a música que mais gosto é ‘O Senhor é meu Pastor’”, fala.
Paulo Freire
Uma escola com cerca de um ano e meio de funcionamento, que atende uma comunidade em situação de extrema vulnerabilidade social, com muitos casos de indisciplina. Este foi o quadro que Francisco encontrou quando começou o trabalho na EMEF Paulo Freire. Lembra que, em uma das primeiras vezes que foi com seminaristas ao local, saíram assustados, mas lembraram do objetivo do projeto e de suas vidas. “Falamos entre nós: se é aqui que precisam de nós, é aqui que precisamos
Escola Guajuviras estar”, relembra. E assim foi. Com o início do projeto e a chegada da nova diretora Elizabete Fettuccia, as coisas foram melhorando. “Com esse jeito durão e, ao mesmo tempo, maternal, ela foi colocando ordem na criançada”, conta, entre risos, Francisco. A diretora não esconde este seu jeito durão e interrompe algumas vezes a entrevista com algumas frases mais enérgicas para interromper uma brincadeira mais forte ou até mesmo um princípio de briga. “Já pra sala”, brada ela. Ela também elogia o projeto: “Esse projeto é maravilhoso. A música ajuda muito na alfabetização. Temos muitos casos com desvio de idade-série, evasão e outras coisas, e a música tem ajudado muito
até na postura da turma”, diz. É o que relata também a professora da turma, Fernanda Spindler. “A minha turma não tinha disciplina, tinha dificuldade de aprendizagem, não sabiam ler, sentar, às vezes nem comer com talheres. Hoje, 80% são alfabetizadas”, conta orgulhosa. Ela ressalta ainda a importância dos alunos terem o contato com outras figuras masculinas para que possam ter outras referências a seguir. “É bom que sejam homens os professores, pois têm as mesmas linguagens dos alunos e, muitas vezes, eles os têm como ídolos. Aprendem que não precisam brigar para se destacar ou chamar a atenção”, salienta. O sucesso do projeto na escola se resume na fala final da diretora: “Pena que não podemos ter
5 agosto de 2016
Escola PAULO FREIRE
FRANCISCO
mais turmas com o projeto, pois o nosso espaço não comporta”.
Cooarlas
Saindo da escola Paulo Freire, Francisco nos guia até a Cooperativa de Reciclagem de Lixo Amigas Solidárias (Cooarlas). Ainda do lado de fora, escutamos o som das flautas que colore a tranquilidade daquela zona simples, em uma tarde agradável. Ao entrar no galpão, uma cena impactante e bonita: dois jovens recebem aula de violão sentados junto ao lixo compactado e embalado para seguir o destino do reaproveitamento. Ali, em meio ao lixo que vira sustento para dezenas de famílias, alunos e professor dedicam parte de seu tempo na troca de ensinamentos e experiências a partir da arte. Quem estaria aprendendo mais, os alunos ou o seminarista? Deixamos a aula seguir seu ritmo bonito, caminhamos pelo galpão que tem dezenas de mulheres e apenas um homem trabalhando na triagem dos resíduos que passam em uma grande esteira. Após, entramos em uma casinha, com sala e cozinha conjugadas. O ambiente simples estava repleto de vida. Cerca de 15 crianças com suas flautas em volta de uma mesa estavam atentas ao professor Mateus, que ensinava leitura de partituras. Ponto importante do projeto. Em todas as aulas que acompanhamos, os alunos estavam seguindo partituras, lendo e interpretando as músicas. “Sempre trabalhamos a leitura de partitura, para poderem de-
pois participar de orquestras”, relata o professor, lembrando casos de alunos que seguiram o caminho musical. Francisco chama as crianças pelos nomes, pergunta se suas mães e pais estão bem. Ele nos aponta uma menina e conta que a mãe dela foi sua aluna, lá no início do projeto, ali mesmo naquela cooperativa, no início dos anos 2000. “A mãe dela participou do projeto, agora a filha mais velha que já está trazendo a irmã mais nova”, conta.
COOARLAS
Compartilhando mais que tempo
Segundo o pastor Clécio Schadech, a participação dos alunos em momentos fora da escola também auxiliam para a auto-estima dos participantes, mostrando a eles que são capazes. “Eles participaram na aula inaugural do Serviço Social da Ulbra, quando puderam se apresentar, e foi muito especial”, lembra. “O comprometimento das crianças, essa vontade de
aprender e continuar, é impressionante. Procuramos potencializar o poder que elas têm dentro delas, de dar uma nova direção pras suas vidas. Junto com a música, ensinamos comprometimento e eles podem ver um novo horizonte”, explica Schadech.
Tio Francisco
De gestos mais contidos, quase tímido, Francisco Enir Lopes, responsável pelo projeto, acompanhou as visitas e nunca falou dele, sempre fez
questão de valorizar o trabalho das diretoras, dos professores e dos seminaristas, buscou dar voz aos pais e os alunos. Os adultos o respeitam, os pequenos olham com admiração. Por vezes correm e abraçam suas pernas e deixam escapar um carinhoso “oi, tio!”. Caminha pelas escolas e pelo galpão de reciclagem como se estivesse em casa. Fala com todos, conhece tudo, lembra histórias destes muitos anos de trabalho pelo próximo. Nota-se, nas feições do rosto, a satisfação pessoal de ver mudada para melhor a vida de centenas de crianças. E quando não está nos apresentando alguém, nos ensina também: “Precisamos aprender a caminhar juntos, sem ficar questionando (a vida dos outros). Isto procuro passar para os alunos para que eles passem adiante”. Obrigado, Francisco! Aprendemos muito, também.
6 agosto de 2016
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Opinião
Como educadores, não podemos aceitar a Escola sem Partido Não podemos aceitar um projeto de lei que cerceia a liberdade de pensamento e contribui para criar indivíduos acríticos e alheios ao pensamento Mas o que é Escola sem Partido? Difícil mesmo é definir, por isso acaba transformando o tema em um debate um tanto esdrúxulo, em mais uma disputa polarizada e com espírito futebol escolar. Faço um parêntese aqui para dizer que adoro futebol e tenho partido, mas futebol é futebol, debate de ideias é outra coisa. Ao analisá-lo, temos que agir como educadores e pensar no ensino em todos os níveis. Os apoiadores do projeto dizem que a escola se transformou em um antro ou reduto de esquerdistas, e usam os mais absurdos adjetivos para denominar os que são contra o projeto. Revelam a intolerância e o sentimento de vingança, que tem raízes sociais profundas. Temos que nos perguntar de onde tem vindo tanto ódio. E o ódio, como sabemos, é limitador e retrógrado. Os contrários ao projeto argumentam que será impossível discutir Filosofia, Ciências Sociais, Sociologia, História, sem o debate livre dos pensadores do passado e do presente. A discussão do que é ideologia precisa ocorrer, e é preciso esclarecer que existem ideologias de esquerda e de direita. Porém, é necessário ressaltar, principalmente, que não é possível avançar no conhecimento humano e no desenvolvimento sem que
se conheça o que o mundo produziu de bom ou de ruim. Percebo também que muitos falam sem saber do que se trata. Outros tentam palpitar sobre o que é uma escola e não enxergam que ela é o lugar onde o ensino deve ser desenvolvido, onde nos formamos como pessoas, como profissionais e, sobretudo, como seres críticos e capazes de fazer escolhas. Antes de escolher o que quero para eu, preciso conhecer. Ou será que vamos criar uma sociedade de insípidos, cujas escolhas estarão sempre fora de seu controle? A escola é o lugar dos caminhos, do debate, da livre expressão e formação. Nesse espaço também há o confronto de ideias e o conflito, pois é aí que estão as mais criativas raízes. Aliás, sobre isso, gosto sempre de me referir ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche quando diz que “convém ser rico em oposições, pois só a esse preço se é fecundo”. Me pergunto se alguns dos autores dessa lei e desse pensamento conhecem Nietzsche, ou mesmo qualquer outro filósofo medieval ou contemporâneo, que nos ajuda a pensar sobre o nosso tempo e sobre para onde queremos ir. Será que é isso que querem impedir? Por essas e outras razões, não podemos aceitar um projeto de lei que cerceia a liberdade de pensamento, que tolhe a formação plena, que contribui para tornar a maioria da população em indivíduos acríticos e alheios ao
pensamento. Como educadores, não podemos aceitar; como cientistas, não podemos entender; como pensadores críticos, não poderemos sobreviver. Essa determinação contesta o direito de aprendizagem como resultado de uma política de responsabilidade do Estado e da família, com a colaboração da sociedade e impõe o poder absoluto da família sobre as crianças, adolescentes e jovens, proibindo seu acesso a uma educação democrática, laica, inclusiva e emancipatoria que se constitui em ambientes plurais de convivência educacional de livre debate em torno de ideias e concepções. A ideia de uma “educação moral” dissociada dos demais conteúdos escolares não encontra respaldo legal e representa um risco para os estudantes, que se tornam reféns de único pensamento, o que lhes retira a liberdade de acesso a conhecimentos essenciais para garantia de sua formação integral e para sua elaboração no campo afetivo, emocional, político, cultural e social. Também, o projeto fere liberdade de cátedra e o princípio da gestão democrática da escola, violando a Constituição, e ignorando a LDB, que define a autonomia administrativa e pedagógica dos sistemas de ensino e orienta a elaboração de propostas curriculares com base nas diretrizes curriculares estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. ( CNE ) A institucionali-
Viver em Movimento Perfeito No dia 23 de agosto aconteceu no Auditório Sinprocan a palestra “Viver em Movimento Perfeito”, ministrada pela professora Luciana Rodrigues, que também é instrutora do método que é baseado na neurociência e física quântica. O método do Movimento Perfeito foi idealizado em 2001 pela psicóloga Rosalia Schwark. Ela criou técnicas mentais para ativar regiões cerebrais e potencializar a autoestima, a capacidade de realização e as habilidades de superação, desativando regiões cerebrais que produzem ansiedades, medos e preocupações excessivas, as
quais prejudicam o alcance de seus objetivos e da qualidade de vida. Segundo Luciana, “com um método simples e com técnicas poderosas, a pessoa aprende a lidar melhor com suas finanças, seus relacionamentos e com suas emoções, adaptando sua maneira de pensar para produzir resultados mais satisfatórios na sua vida e criar uma nova perspectiva”. Acompanhem a programação e os próximos eventos curtindo a fanpage no Facebook: https://facebook.com.br/ativamenteassessoria.
zação do “Programa Escola sem Partido”, portanto, representa o desmonte do percurso de construção democrática no campo da educação nacional, após mais de 20 anos de ditadura militar. Trata-se de um projeto que retoma os mecanismos utilizados no período da ditadura, que impôs conteúdos e metodologias de ensino de acordo com a ideologia do golpe de 1964, que estabeleceu a censura a determinados autores alegando doutrinação ideológica e que determinou a perseguição e a repressão contra educadores não coniventes. Esse programa, em 2016, relembra as conspirações usadas nesse período para criar um clima de atentado à moral e aos costumes da família, de violação de consciências por educadores ditos doutrinadores comunistas e de que a sociedade corria riscos, repetindo os ataques aos educadores vistos como ameaça aos interesses dominantes. Paulo Freire, tão criticado pelos defensores do Projeto “Escola Sem Partido”, torna-se ainda mais atual diante de tamanha tentativa de retrocesso que vem sendo imposta à educação, como se observa revendo obras como Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa: Amada da Glória Nery Secretária das Políticas Sociais
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7 agosto de 2016
Sindicato discute o Escola Sem Partido Uma rica troca de ideias, de informações e de opiniões sobre o Projeto Escola Sem Partido (PL 867) aconteceu na noite do dia 22 de agosto, no Auditório do Sinprocan, para uma plateia pequena para um tema de tal importância e polêmica. O presidente em exercício do Sinprocan, Júlio César Rodrigues dos Santos, iniciou apresentando trechos dos projetos Escola Sem Partido e Escola Sem Mordaça, além da posição da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) sobre o tema. Após essa explanação, os participantes falaram, expondo suas ideias sobre o projeto. A professora Nelsi criticou o projeto Escola Sem Mordaça e defendeu o Escola Sem Partido. Ressaltou que em sua vida docente jamais discutiu partidarismo com seus alunos e acredita que há mal entendimento por parte da opinião pública. “A lei está sendo mal interpretada, mal entendida. O Escola Sem Partido não tira a possibilidade do debate. Não tira a possibilidade do professor ensinar. Mas o professor não pode impor seu posicionamento ao aluno. A escola é laica”, defendeu.
Os demais que se manifestaram criticaram o projeto. “Quando nos posicionamos contra o Escola Sem Partido, não estamos a favor de um partido. Se estes assuntos (proibições) já estão na Constituição Federal, não precisa de um projeto. Nós, professores, já estamos enfrentando muitos problemas. Concordando com o projeto, estaremos aceitando mais uma forma de punição à categoria”, enfatizou Cátia Soares Bonneau. Para o professor Cristiano, o projeto tenta tirar o foco dos reais problemas da educação. “Este projeto é fascista, autoritário e inconstitucional. Ele é de 2004, nunca avançou porque nunca teve terreno, o que agora se tornou propício pelo atual momento político. Ele (o projeto) criminaliza o professor e transforma o aluno em dedo-duro”, disse. Nesta mesma linha falou o advogado Antão Farias, assessor jurídico do Sinprocan. “Hoje, não discutimos a formação do estudante, mas em que brete vamos colocar eles. Hoje, temos que defender professores que sofrem processos administrativos por se negarem a fazer coisas que são ilegais”, apontou. Luiz Fernando Conte, secretário de Comunicações do Sindicato, salien-
Presidente em exercício apresentou o projeto e a posição da CNTE e abriu para manifestações
tou a ineficácia da lei. “Nem é o caso de defender ou não. A gente vive hoje uma escola partidária. O PNAC veio de partido. Se existem coisas erradas, não será este projeto que vai mudar. É uma perda de tempo. É uma lei sobre a lei”, sentenciou.
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A atividade previa ainda a discussão sobre a PEC 241 e o PLP 257, que tratam da limitação de gastos com saúde e educação e congelamento de salários, respectivamente, mas não foi possível por falta de tempo. Um novo evento será marcado e avisado aos associados.
Grupo de Aposentados visitará Ferrovia do Vinho
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O Grupo de Aposentados do Sinprocan prepara passeio para a Ferrovia do Vinho Maria Fumaça, no dia 15 de setembro. O programa inclui atividades em três cidades: Carlos Barbosa, Garibaldi e Bento Gonçalves. A ordem e horário de passeios será determinado pelo guia. Durante o passeio na Maria Fumaça terá degustação de vinhos e espumantes e sucos, apresentação de bandinhas e encenações teatrais. Ainda há vagas. Interessados em participar devem entrar em contato até o dia 08/09 pelos telefones 3466.2026 e 3476.4033.
Almoço dos aposentados O SINPROCAN e a ASMC estão promovendo um almoço para homenagear os servi-
dores que se aposentaram entre outubro de 2014 e junho de 2016. O grupo será dividido em três etapas sendo a primeira data dia 31/08/16. As segunda a terceira etapas ainda estão com datas a definir. Já entramos em contato com alguns associados para fazer o convite, mas não conseguimos todos que estão na lista, pois os contato que possuímos estão desatualizados. Se você é associado do Sinprocan e se aposentou no período citado acima, entre em contato conosco. Os associados que são das duas entidades, ASMC e SINPROCAN, devem entrar em contato com a ASMC.
crise econômica que aumentaram preços e reduziram o poder de comp ra dos Profissionais em Educa ção. Resultado de 14 anos sem aumento salarial!
Precisamos de uma Educação que seja mais firme. Precisamos de um amor que seja exigente. (Mário Sérgio Cortella)
Professor, faça do seu voto um grito de indignação! É hora de renovar! Está esperando o quê?
começam as campanhas Eleitorais! momento de exercer o mais importante momento da Democracia: A LIvRE EScOLhA!
nião do Conselho do FUNDEB. reu , era esp de ses me 4 de ois Realizamos, dep uma ors os números são confusos, sem poi is, ma da ain m ara ent aum s, Se tínhamos dúvida reza do que é feito com este fundo. cla a um a mit per que il táb con ganização s o repasse tem diminuído mês poi te, pan ocu pre bem é de lida A rea entando bem além do razoável. aum ar est m ece par tos gas os e s a mê tas pessoais! Todo cuidado é pouco com as con ógnita! Com esse Governo, tudo é uma inc
fILhOS E LImITES Em uma sociedade em que os adultos passaram a se ausentar da convivência com as crianças, seja por conta do excesso de trabalho, da distância nas megalópoles ou da falta de paciência para conviver com aqueles que têm menos idade, a escola ficou soterrada de tarefas. As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família. Nós tivemos um fosso, uma separação muito grande entre as gerações. As crianças ficaram muito soltas e isso gerou uma dificuldade nas relações. Temos que dar limites. Limite não é barreira, é fronteira para podermos saber como nos movimentamos. Isso tem que ser feito, senão é irresponsabilidade. Precisamos de um amor que seja exigente. Não posso dizer para meu filho ou filha “eu te amo e, por isso, faça o que você quiser”. A frase correta é: “porque eu te amo, eu não aceito qualquer coisa”, “porque eu te amo, eu não quero que você faça as coisas deste modo”. A família precisa retomar o seu papel, porque ter filho dá trabalho. Ou será que as pessoas não sabiam? Existe tempo, aplicação, reordenamento, partilha das tarefas. A escola não tem como dar conta de tudo o que dela hoje se requisita. Não há uma estrutura da disciplina. O primeiro adulto que ela encontra no dia é o professor, que pergunta cadê o uniforme, você fez a tarefa, guarde o celular. Claro que nessa hora a criança vem para cima. É uma geração que confunde desejos com
direitos. Precisamos de uma educação que seja mais firme, mas isso exige tempo, e tempo é questão de prioridade. (MÁRIO SÉRGIO CORTELLA) Eis ai um professor que fala a língua que entendemos. Já faz um bom tempo que falo sobre educar e escolarizar, que são coisas completamente diferentes entre si. Essa coisa maluca chamada “coitado” já foi há muito tempo uma forma de empobrecer essa nação carente de conhecimento, que abre caminhos. A escola, em pleno século 21, ainda exercita o ato de justificar indisciplina e dificuldade de aprendizagem, no histórico social das crianças. Quem vence na vida sendo tratada como coitado? Conhecem alguém? Eu, nenhum. Ao contrário deste caminho que a escola leva o aluno, tive o prazer de rever alunos pobres, com dificuldades sociais sérias, que conseguiram, com a boa formação que seus professores deram, têm a própria empresa. Se num tempo em que havia dificuldades para obter uma vaga profissional e as oportunidades que o Governo oferecia para abrir um negócio eram menores que hoje, como venceram? Tenho certeza que não foi levando em conta a sua condição social, foi mostrando que é possível transformar a vida em algo que valha a pena, através de um conhecimento que os leve a encontrar caminhos. Nossos alunos não saem do mesmo porque a preocupação com o conhecimento fi-
cou em terceiro ou quarto plano. A Educação Canoense conseguiu criar uma indústria chamada Plano de Metas, que pouco se conhece a sua real necessidade. Um dos exemplos mais absurdos que vi foi um aluno com epilepsia, cuja avaliação era por Parecer descritivo. Quem disse que o aluno epilético não aprende? Vi uma lista de pessoas conhecidas com epilepsia, pasmem: - Machado de Assis, Van Gogh, Dostoiévski, Danny Glover e por ai vai. Imaginem se fossem tratados como coitados!!! São fatos corriqueiros que ninguém percebe, mas vai minando a escola com estas invenções desnecessárias e sem sentido. Acho que estou errado, vejam outros exemplos que, caso estiverem numa escola hoje, seria Plano de Metas, PIE, seja lá o que for: Dislexia: Albert Einstein, Graham Bell, Agatha Christie, Charles Darwin, Leonardo da Vinci, Walt Disney, Tom Cruise... Bipolares: Ludwig Von Beethoven, Napoleão Bonaparte, Elvis Presley e segue a lista. A questão não é apontar demências ou doenças, é apostar que é possível dar ao nosso aluno a oportunidade de realmente dominar o conhecimento sem a presença do dó ou piedade como forma de aprendizado. É preciso ser firme, sem perder a ternura. Eu sei, dá trabalho, pois é...
OPORTunIDADE únIcA
Nos dias 05 e 12 de setembro, a sede do SINPROCAN será palco da apresentação das propostas dos candidatos a Prefeito de Canoas, nas próximas eleições. O tema será exclusivamente a Educação de Canoas. Os representantes de cada escola tem lugar assegurado, mas deve confirmar a participação até o dia 31/08, para o primeiro encontro, e 06/09 para o segundo encontro. Se a sua escola não tem representante, movimente-se e faça logo a indicação! É NOSSA VEZ! PARTICIPE!
é ImPRESSIOnAnTE O nÍvEL DE DESORGAnIzAçãO ADmInISTRATIvA DAS EScOLAS DE EnSInO InfAnTIL Em cAnOAS! A cADA REunIãO DE REPRESEnTAnTES, REfORçA A IDEIA quE DEvERIAm fEchAR TODAS E cOmEçAR TuDO DE nOvO!