Meu Itinerário Espiritual, vol 2 - Plinio Corrêa de Oliveira

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é “engraxar” em italiano, mas tenho ideia de que ele dizia: “Lustrascarpe”, não sei o quê com “vernice”. E era toda uma ária que cantava o engraxate. Nós achávamos graça quando entrava o engraxate, e então palmas e palmas. E eu era, naturalmente, um dos puxadores das palmas. E depois, em casa, cantava o “engraxate”. E todo mundo tolerava isto de modo surpreendente. Isto revelava uma tendência para súbitos cansaços da clave superior, meio subconscientes. E súbitas angústias de não levar uma vida desengajada, não responsável, e feita para meu próprio lazer. Não percebia isso no começo, mas não era uma incompatibilidade absoluta. Percebia que uma coisa não era a outra, mas achava que podiam coexistir bem. Com o tempo fui percebendo que não, e nesse período os meus olhos foram se abrindo mais para isto. E quando me engajei inteiramente no Movimento Mariano, cortei com essa tendência completamente6.

* Nas fotografias que tirei na Linha de Tiro7 e em outras ocasiões antes de me formar em Direito, esse lado brincalhão havia desaparecido e o outro lado preponderou, graças a Nossa Senhora, com exclusão completa do primeiro lado8. A terrível cruz da incompreensão e do isolamento total São Paulo naquele tempo, era uma cidade de uns 500 mil habitantes e, sobretudo nas famílias mais ricas, todo mundo conhecia todo mundo, todo mundo era meio primo de todo mundo, era colega de infância de todo mundo. De maneira que a vida de cada rapaz, de uma família com mais posses, era conhecida por todos os rapazes daquele ambiente social. E o resultado é que, se o rapaz violasse o princípio de que, para o homem, era tão feio ser puro quanto era feio para a mulher ser impura, ele ficava um verdadeiro pária, um verdadeiro leproso, caçoado, sem prestígio, abandonado, era um homem liquidado. 6 MNF 12/12/85 7 “Linha de Tiro” era o antigo nome dos atuais Tiros de Guerra, instituição do Exército brasileiro que dá formação militar básica para aqueles dentre os convocados que necessitam conciliar a instrução militar com o trabalho ou estudo, ou vivem em cidades do interior onde não haja quartéis do Exército. 8 MNF 12/12/85 1ª PARTE – A TRAVESSIA DO DESERTO 19


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“As vozes não mentiram”

12min
pages 238-254

A graça de Genazzano

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pages 234-237

O temor martirizante de não estar correspondendo ao chamado de Nossa Senhora

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pages 228-230

A paternidade espiritual do fundador

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pages 222-227

O receio de ter seguido uma via não desejada por Nossa Senhora

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Consagração a Nossa Senhora nas mãos do fundador Adendo do compilador

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pages 220-221

Os discípulos devem discernir o “unum” do espírito do fundador

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pages 215-219

O fundador deve ser um símbolo vivo de sua obra

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pages 213-214

Pela originalidade de seu carisma, o fundador tem que ser seu próprio formador

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pages 210-212

O modo de fazer a ação de graças após a recepção da Sagrada Comunhão

6min
pages 206-209

A desconfiança e a severidade em relação a si mesmo

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pages 186-188

O espírito de sacrifício até o holocausto e o desejo de reparação

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pages 189-192

a combatividade contra-revolucionárias

16min
pages 177-185

O modo de rezar e pedir

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page 201

A atitude diante de Deus e de Nossa Senhora

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pages 202-205

O amigo da Cruz que se prepara para carregá-la prevendo a dor

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pages 193-197

O senso da honra católica

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pages 174-176

A reversibilidade do “tal enquanto tal”

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pages 171-173

A procura do sublime e do sacral

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pages 164-170

O espírito aristocrático

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pages 147-148

A “luz primordial” resumitiva

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A combatividade cavalheiresca

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Os componentes essenciais desse “unum”

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A castidade

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A robustez da Fé

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A pedra angular do amor à grandeza

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A identificação com a Contra-Revolução

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O “unum” da alma de quem foi chamado a simbolizar a Contra-Revolução

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Papel do filão “eliático” na história

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O reconhecimento do caráter profético dessa missão

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“Pater et dux” dos contra-revolucionários

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Entusiasmo pelo Profeta Elias e o zelo pela causa de Deus

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Devoção a Nossa Senhora do Carmo

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O receio de ter que assumir a liderança da Contra-Revolução

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Uma vocação contra-revolucionária

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O lírio nascido do lodo, durante a noite e sob a tempestade

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O anseio por um líder contra-revolucionário

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Novamente escrúpulos e a provação axiológica

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pages 101-103

A pior provação: ser perseguido por aqueles mesmos que se quis servir

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O “grupinho do Plinio”: Jó em cima do monturo

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A degringolada como vingança pelo livro “Em Defesa da Ação Católica”

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da Ação Católica de São Paulo

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O encontro do equilíbrio

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page 89

Um lenitivo: a leitura do “Livro da Confiança”

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pages 84-88

Um novo e elevado patamar após a leitura do “Tratado da Verdadeira Devoção” e a consagração a Nossa Senhora como escravo de amor

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pages 69-73

Firma-se o ideal de dedicação integral pela opção do celibato – Choque com um veio de mediocridade no seio das Congregações Marianas

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pages 74-77

O combate ao orgulho

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pages 66-68

Os frutos da leitura do livro “A alma de todo apostolado”

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pages 63-65

Um quiproquó a partir da leitura da “História de uma alma”

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page 83

A leitura da “História de uma alma” e a aspiração à santidade

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pages 61-62

A provação de crer-se obrigado a abandonar, por obediência ao Papa, as convicções monárquicas e ter que aliar-se à República

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pages 55-58

Algumas consolações que sustentaram Dr. Plinio nesta travessia

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page 28

com a superficialidade e a brincadeira

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pages 17-19

A ruptura definitiva com o mundo revolucionário

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pages 38-42

Algumas renúncias fundamentais

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page 46

A terrível cruz da incompreensão e do isolamento total

12min
pages 20-26

A ascese para afirmar sua varonilidade sem transformar-se num “Esaú”

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page 27

Desenvolvimento da vida de piedade

4min
pages 44-45
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