Marca da lua

Page 1


Marca da Lua-prova3.indd 2

22/1/2014 17:17:28


Flรกvia Duduch

Marca da Lua Revelando o Ciclo

TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA

Sรฃo Paulo, 2014

Marca da Lua-prova3.indd 3

22/1/2014 17:17:28


Copyright © 2014 by Flávia Duduch Coordenação Editorial Diagramação Capa Preparação Revisão

Nair Ferraz Edivane Andrade de Matos/Efanet Design Monalisa Morato Paulo Alexandre Rocha Teixeira Equipe Novo Século

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo no 54, de 1995) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Duduch, Flávia Marca da Lua / Flávia Duduch. – Barueri, SP : Novo Século Editora, 2014. – (Talentos da literatura brasileira) 1. Ficção brasileira I. Título. II. Série.

13-13824

cdd-869.93 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura brasileira 869.93

2014 IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À NOVO SÉCULO EDITORA LTDA. CEA – Centro Empresarial Araguaia II Alameda Araguaia, 2190 – 11-o andar Bloco A – Conjunto 1111 CEP 06455-000 – Alphaville Industrial – SP Tel. (11) 3699-7107 – Fax (11) 3699-7323 www.novoseculo.com.br atendimento@novoseculo.com.br

Marca da Lua-prova3.indd 4

22/1/2014 17:17:28


Para J. K Rowling, que, com Harry Potter, fez com que meu gosto por ler e escrever aumentasse. E aos meus amigos e familiares que me ajudaram durante todo o processo de escrita do primeiro livro de Marca da Lua.

Marca da Lua-prova3.indd 5

22/1/2014 17:17:28


Marca da Lua-prova3.indd 6

22/1/2014 17:17:28


Sumario

PARTE I – MARCADA Raio de Sol.................................................................................11 Consequências..........................................................................22 Indiferença................................................................................31 Festa da Valerie........................................................................40 Tabuleiro Ouija.........................................................................50 Jantando com Noah.................................................................58 Desencontros e Encontros.......................................................67 Conversa....................................................................................76 Marcada.....................................................................................84 Dores..........................................................................................92 Duas menos uma......................................................................99 Informações de um médico..................................................105 Festa do pijama.......................................................................112 PARTE II – CAÇADA Belo da meia-noite..................................................................121 Toda flor tem seu espinho....................................................127 Sonhos ajudam pessoas.........................................................138

Marca da Lua-prova3.indd 7

22/1/2014 17:17:29


É Halloween............................................................................148 Convocação.............................................................................161 Floresta de cobras...................................................................169 O Ciclo.....................................................................................175 Nova companhia....................................................................184 Verdade ou desafio................................................................194 Diferentes................................................................................201 Bala de prata...........................................................................212 Subterrâneo.............................................................................225 Amaldiçoados.........................................................................238 Doce crime...............................................................................248 Primeiro a escuridão..............................................................258 Para depois a claridade.........................................................268 PARTE III – DESPEDIDAS Lembranças.............................................................................273 Nova Iorque............................................................................281 História para dormir..............................................................290 Sweet Child O’Mine...............................................................297

Marca da Lua-prova3.indd 8

22/1/2014 17:17:29


I Marcada

Marca da Lua-prova3.indd 9

22/1/2014 17:17:29


“Viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências.” Jean Paul Sartre

Marca da Lua-prova3.indd 10

22/1/2014 17:17:29


Raio de Sol

A MINHA CABEÇA latejava e eu sentia quase todos os ossos do meu corpo doerem de uma forma intensa. De início, não ousei abrir os olhos, mesmo já estando acordada. Eu gostaria de me mexer um pouco primeiro, portanto, tentei esticar o joelho direito e, ao ver que não conseguiria mexê-lo, após um pouco de esforço, acabei me assustando. Consequentemente, mordi os lábios. Era isso que eu fazia quando estava nervosa, e era uma droga. Eu também ficava passando a mão no cabelo, mas morder os lábios naquela hora estava mais fácil e foi quase automático. Simplesmente mordi e, em seguida, comecei a sentir o gosto de sangue. Ignorei o sangue porque não era muito. Eu não podia ter perdido meus movimentos no joelho. Não poderia ter perdido. Tentei me lembrar do que aconteceu antes de eu acabar adormecida, e a única lembrança que me vinha à mente era um barulho ensurdecedor e depois tudo ficando preto dentro de mim. Provavelmente, o sono que havia chegado, e que por pouco, parecia eterno. 11

Marca da Lua-prova3.indd 11

22/1/2014 17:17:29


Novamente, estiquei minha perna direita e, quando consegui movimentá-la, soltei minha respiração que nem eu mesma sabia que estava segurando. Uma onda imensa de alívio passou sobre mim. Eu ainda iria conseguir andar e jogar futebol americano com meu irmão. Aos poucos, fui abrindo os olhos e me acostumando com a luz ambiente que estava falha. Ao abri-los, avistei do lado da cama algumas máquinas e supus que algumas delas estavam me monitorando. Era bem provável. Uma das máquinas eu já conhecia. Derek Collins, meu médico particular, havia levado-a lá em casa no dia em que meu pai esteve doente. Ela tem um arranhão num dos lados que agora era visível para mim. Derek era meu médico desde sempre. Nunca nenhum outro havia encostado em mim. Desde sempre Derek atende minha família, que mora em Havenwood, Canadá. Ele havia acabado de arrumar o emprego no hospital quando meu pai o conheceu e o chamou para trabalhar para nossa família. Infelizmente a primeira consulta que ele prestou a alguém da minha família foi a meu pai, quando ele teve uma um problema com a glicemia. Papai não pode comer açúcar demais, mas ele ainda assim insiste em encher a xícara de café com mais açúcar do que a própria cafeína. Meu pai se chama Richard. Ele é gordo e quando se arruma para o trabalho coloca seu uniforme do hospital e, às vezes, a calça fica apertada demais. Então mamãe é obrigada a ir comprar mais uma calça no centro para que ele tenha com o que ir trabalhar no dia seguinte. Havenwood é uma cidade minúscula, então ir ao centro não dá muito trabalho, precisam-se apenas de alguns minutos dentro de um carro. 12

Marca da Lua-prova3.indd 12

22/1/2014 17:17:29


Papai nunca fez meu tipo favorito de pessoa que gostaria de conversar, quero dizer, na verdade, sempre se preocupava com seu status. Talvez tenha sido apenas por status que Derek havia aceitado trabalhar com ele, afinal, todo médico gostaria de tratar os Lynch, a família mais renomada do estado, da cidade, e isso era um saco! Parecia que meu pai era mais importante que o prefeito da cidade, afinal, era o próprio médico do prefeito. Ao lado do meu pai, tinha o seu melhor amigo, o Dr. Lopez, que era menos conhecido do que o meu pai, o que não era grande coisa, uma vez que os dois tinham boa notoriedade local. De qualquer maneira, eu e Derek nos afeiçoamos com o tempo. Quando era pequena, ele me atendia, e por eu ficar comportada durante o tratamento, ele me dava balas e doces ao monte, eu sempre pensei que isso acontecia porque eu era filha de Richard, mas hoje, vendo o quanto eu e Derek nos damos bem fora do espaço médico-paciente, percebo que eu estava enganada. Meu pai trabalha em um hospital da nossa cidade, porém Richard sempre viajava para as cidades vizinhas a fim de dar palestras, mas no fundo eu sempre soube que os motivos das viagens do meu pai eram outros. Sempre quando ia ao outro hospital na cidade vizinha, Salem, as enfermeiras e médicas me olhavam de um modo estranho, como se soubessem de alguma coisa que certamente era minha obrigação saber. E eu nunca consegui ter a mesma confiança que minha mãe tem em meu pai, o que é estranho, afinal, sou filha dele. Ele quem me criou, não muito bem, mas infelizmente continua sendo meu pai e sou obrigada a respeitá-lo e a abaixar o olhar e obedecê-lo toda vez que impõe alguma regra. 13

Marca da Lua-prova3.indd 13

22/1/2014 17:17:29


No dia em que quebrei o braço após bater no meu irmão porque ele havia roubado de mim em uma partida de futebol, uma das enfermeiras resolveu abrir o jogo comigo e disse que se sentia envergonhada de já ter dado em cima do meu pai, um homem casado e pai de família, apesar de sempre deixar claro que foi ele quem começou tudo. Não a culpei. Há alguns anos, apesar de ser um pouquinho fora do peso, os olhos azuis do meu pai – idênticos aos meus – conquistavam qualquer uma. Era só jogar um charme e pronto, talvez fora apenas com esse pequeno charme e sem esforço nenhum que ele acabara conquistando minha mãe. Houve um dia em que eu o encarei e perguntei o porquê disso tudo. E acabei perguntando se a mamãe não era o suficiente para ele. Como eu previa, Richard não me respondeu, o silêncio era a resposta que eu precisava para confirmar a minha suspeita, mas na vez seguinte que me encontrei com Isabelle ela me contou que ele realmente havia ficado no seu quarto de hotel e não no quarto de outra mulher, quando eles foram para outra conferência, depois que lhe enfrentei. Fiquei um pouco feliz por isso, não completamente, mas foi o suficiente para uma chama de esperança se acender dentro de mim. Antes, essas conferências, na verdade, eram apenas palestras que minha mãe achava inútil, e eu também, mas agora que meu pai vinha prestando mais atenção nelas eu achava que estávamos evoluindo. Porém, o pensamento de que meu pai só estava arrependido porque havia sido pego e não porque realmente havia se arrependido sempre me atingia. Papai nunca foi um homem honesto, eu conhecia suas histórias. Havenwood era uma cidade velha o suficiente para ter sido o cenário da 14

Marca da Lua-prova3.indd 14

22/1/2014 17:17:30


infância do meu pai e, assim, eu já havia escutado histórias sobre ele. Em todo caso, achei que poderia depositar um pouquinho mais de confiança no meu pai, apesar de eu ainda não aprovar o lance de ele estar mais preocupado com seu status na sociedade do que com qualquer outra coisa. Isso era irritante. Mamãe não trabalha porque o emprego do meu pai cobre todas as despesas. Nunca gostei muito disso. Às vezes, eu sentia que ela estava triste, como se não tivesse um objetivo de vida além de cuidar de dois filhos já crescidos, que podiam se virar sozinhos em deveres da escola e em outras responsabilidades. Não que eu queira que aconteça, mas se um dia meus pais resolverem se separar, minha mãe não terá muito dinheiro guardado para sobreviver, por isso, tento fazer o máximo, juntando o meu dinheiro quando trabalho nas férias em uma livraria da cidade, que é a única. Todo o comércio se localiza no centro, exceto pelo clube de esportes e pelo único hotel que, raramente, recebe hóspedes. Às vezes, passo mais tempo lendo do que trabalhando, já que o gerente não se importa. A leitura me mantém viva. Está claro que todos nós precisamos de algo para ter com o que se agarrar. Eu me agarrava nos livros. Em um mês, eu já tinha lido uns cinco, sem contar as duas vezes que reli Moby Dick, em menos de uma semana. Acho que o meu chefe não brigava comigo porque ninguém quer entrar em conflito com o parente de Richard Lynch, ainda mais com a filha mais nova dele. Toda vez que eu me metia em confusão na escola – não que eu fizesse isso sempre – bastava Richard telefonar e dizer que “foi certamente um engano”. A voz dele soava tão firme que bastava apenas isso para o diretor mudar de ideia referente à minha 15

Marca da Lua-prova3.indd 15

22/1/2014 17:17:30


suspensão. Eu odiava todo esse privilégio, mas ninguém escolhe a família que nasce. E ainda tinha meu irmão. Lucca Lynch. Ah, ele não era muito diferente de mim. Seus olhos azuis brilhavam tanto quanto os meus, era alto e, portanto, mais magro do que eu. Os cabelos dele eram um pouco mais escuros do que o meu. Quando estamos em alguma refeição, papai diz a Lucca que ele precisa se alimentar mais, no entanto, mesmo que ele coma vários pratos de comida, ele continua com o mesmo peso. Ah! Como eu gostaria de ser que nem ele, pelo menos nessa situação, afinal, se eu quisesse perder algum peso tinha de fazer uma dieta infernal que quase sempre acabava em... Doce. Era estressante demais uma dieta. E eu não era gorda. Apenas me tornaria se eu não me cuidasse, mas eu me cuido, afinal, meu pai é médico. Tirando-me dos meus devaneios, escuto a porta se abrindo. Derek entra na sala e me lança um sorriso quando repara que estou acordada. Sorrio pra ele de volta. Derek é um homem de estrutura mediana, ele tem entre 25 a 30 anos. A barba por fazer estava lá e os seus olhos escuros pareciam cansados, mas, fora isso, ele parecia bem. – Tudo bem, Julie? – ele me perguntou amigavelmente e agora sei que não está agindo como meu médico e sim como quem se preocupa comigo e isso faz com que eu, levemente, abra um pequeno sorriso. Consigo ler Derek facilmente, ele se tornou um bom amigo para mim, além de mais um doutor. – Tudo, e como você está, Derek? – Devolvi a pergunta, mesmo sabendo que a questão de estarmos aqui era sobre como eu estava, não ele. 16

Marca da Lua-prova3.indd 16

23/1/2014 11:07:06


– Eu estou ótimo... Você nos deu um susto, sabia disso? Sua mãe quase morreu de preocupação, se seu pai não tivesse uma postura firme, de fato, sua mãe teria pirado. – Ele me olhou tranquilamente ao terminar de falar, o que fez com que o meu estômago se embrulhasse. – Como eles estão? – Abaixei o olhar ao fazer essa pergunta de uma forma curiosa e preocupada, afinal, Derek deveria já ter avisado à minha família que eu acordei. – Bom, antes de eu responder suas perguntas, eu gostaria que você respondesse as minhas – disse ao se sentar num banco ao lado da cama onde eu estou deitada. – Certo. – Que dia é hoje? – perguntou calmamente. – Onze de novembro – respondi com a voz firme, afinal, parecia que eu sabia a resposta. – Errado, Julie. – Derek disse e anotou alguma coisa na prancheta. O último dia que me lembro de ter “vivido” era dia onze. Que raio de dia era hoje? – Hoje é dia 21 de novembro. – Dez dias desacordada?! – Entrei em desespero e logo me sinto agoniada. – O que aconteceu?! – Você sofreu um acidente, eu sinto muito. – Derek me explicou com calma e eu já ia me sentando na cama até que senti uma dor aguda nas costas, fazendo com que eu deitasse novamente. – Seu irmão resolveu tirar você do castigo e levou-a pra que você comemorasse seu aniversário e, na volta, ele perdeu o controle do carro... Lucca. Ao lembrar-me do meu irmão, eu estremeci. – Meu Deus! Como Lucca está?! – perguntei exasperada, levando as minhas mãos ao rosto e, por nervosismo e ansiedade pela resposta de Derek, acabei fechando meus olhos com força. 17

Marca da Lua-prova3.indd 17

22/1/2014 17:17:30


– Ele ainda não acordou – Derek disse suavemente –, mas não posso deixar de admitir que fiquei surpreso em vê-la de olhos abertos, Julie. – Apesar da circunstância, sorri para ele por ter me chamado de Julie e não de Srta. Lynch, como os outros médicos me chamavam. – Por quanto tempo mais terei que ficar aqui? – perguntei, mantendo meu olhar sobre o médico à minha frente que eu considerava como um amigo. – Mais uns dias, não passará de quatro, eu prometo – disse com um tom de voz tranquilo. – A equipe médica que está cuidando de você precisa saber se ocorrerá tudo bem antes de você voltar às suas atividades normais. – Tudo bem. – Fecho os olhos e a imagem de Lucca vem à minha cabeça. – Mas, por favor, assim que tiver notícias de Lucca, você pode me dizer? Derek sorri. – É claro que sim. Mas preciso terminar as minhas perguntas antes de qualquer coisa... Qual é o seu nome completo? – Julie Lynch. – Nome da sua mãe e do seu pai? – Richard Lynch e Ester Lynch e caso ainda me pergunte, Lucca Lynch. Derek acenou com a cabeça e disse que estavam precisando dele num outro lugar do hospital. Sussurrei um tchau e deixei que as memórias do dia 11 de setembro viessem à minha mente. Eu estava trancada no meu quarto, de castigo porque eu havia passado a noite anterior na casa da Valerie, com ela e outra conhecida nossa, sem avisar aos meus pais. Sim, achei isso uma grande idiotice... Qual é! Era só a Valerie... Mas meu pai me obrigou a me trancafiar no quarto bem no dia do meu aniversário. 18

Marca da Lua-prova3.indd 18

22/1/2014 17:17:30


Quando eu estava sentada em frente à minha escrivaninha, escrevendo algumas memórias – coisa que eu gosto de fazer porque quando eu quero me lembrar de algum acontecimento é só eu ir checar no meu caderno–, repentinamente ouvi alguém gritar atrás de mim. – Bu! – Lucca! – Levantei-me da cadeira, irritada. Lucca me agarrou por trás, começou a fazer cócegas e eu comecei a rir; ele me jogou na cama e abriu um sorriso. – Como se sente um ano mais velha? – Normal. Dezesseis anos, não é pra tanto. – É sim. – Lucca sorria mais ainda e era esse tipo de sorriso que me fazia arrepiar, pois eu sabia muito bem que coisa boa não poderia ser. – Por isso nós vamos dar o fora daqui, que tal irmos no restaurante de sempre? Ligue para Tyler e Megan. Senti que havia uma dúvida intensa e sincera em meu olhar antes de respondê-lo. Sempre havia sido normal eu quebrar as regras quando Richard as impunha, mas havia uma voz dentro da minha cabeça dizendo que se eu saísse com Lucca naquele dia e naquela hora seria uma grande burrice, mas essa voz era muito baixa, porque, em contrapartida, tinha outra voz gritando que eu deveria me deixar levar para poder ter uma comemoração descente de aniversário de dezesseis anos ao lado do meu irmão. E, então, sem pensar que aquela decisão faria com que minha vida mudasse para sempre e que Richard poderia me deixar de castigo mais uma vez caso descobrisse minha fuga, esbocei um sorriso para o meu irmão, e apenas respondi calmamente: – Em cinco minutos a gente vai. Espere-me na sala. A ida até o restaurante foi tranquila, Megan esperava ao lado de Tyler (meu melhor amigo) no estacionamento do restaurante. Eles também tinham acabado de chegar. 19

Marca da Lua-prova3.indd 19

22/1/2014 17:17:30


– Feliz aniversário! – Meg me abraçou e me entregou um pacote embrulhado. Um presente que eu teria de esconder dos meus pais; no entanto, não dei bola para isso, eu tinha tanta coisa que meus pais não iriam perceber caso eu aparecesse com um presente a mais que provavelmente era um dos musicais que Megan adorava. Tyler me deu um abraço de urso sufocante logo depois de Megan. E eu gostava do abraço dele, sentia-me protegida. Mas era só porque ele era meu melhor amigo, só por isso. Meu irmão diz que nós deveríamos namorar, mas não consigo imaginar Tyler como algo a mais, e eu não estava muito a fim de pensar em namoros no momento. Nós entramos e estava vazio demais para ser uma sexta-feira, um garçom veio até nós e nos levou para a mesa que Lucca havia reservado para agente. Durante o jantar, Tyler me deu um CD com umas músicas que nós dois gostávamos, e a primeira música era “Heroes”, a qual ele sabia que eu adorava. Quando nós nos despedimos, eu estava com uma sensação estranha. – Tudo bem, Sunshine? – Lucca perguntou. Sunshine era o apelido que ele deu. Raios de sol, por conta dos meus fios loiros. Já o cabelo dele era um pouco mais escuro do que o meu. Ele era um ano mais velho do que eu, e papai não gostava da ideia de ele não ter planos de ir para uma faculdade no ano que vem. – Tudo, sim – menti. Ele deu a partida no carro e quando saímos do estacionamento, ele virou o carro para a rua que nos levaria até em casa e, então, ouve um barulho ensurdecedor, fechei os olhos com força, sentindo um baque contra as minhas costas. Quando acordei novamente no hospital, Tyler estava sentado no mesmo banco no qual Derek havia se sentado para fazer, a mim, as perguntas, as quais ele precisava. Ele estava cabisbaixo e podia jurar que vi algumas lágrimas escorrendo em seu rosto. 20

Marca da Lua-prova3.indd 20

22/1/2014 17:17:30


– Tyler... – sussurrei e ele olhou para mim assustado. – Meu Deus! Você acordou, Julie – disse contente, apertando minha mão para verificar se era real; eu apertei a mão dele de volta, vendo meu grandão sorrir e secar suas lágrimas com a outra mão. – Eu já tinha acordado há algumas horas, Tyler. – Sim, já tinha, mas dormiu de novo – sorriu –, mas e aí, você está inteira? – Estou... – Encontrei Derek. – Tyler também o conhecia, ele já tinha sido apresentado a Derek quando estávamos correndo no parque central da cidade. Tyler acabou tropeçando nos próprios pés, caindo de cara no chão e torcendo um tornozelo e, francamente, eu não quis mais saber como ele havia conseguido fazer aquilo. – Perguntei sobre Lucca... Ele ainda não acordou, eu sinto muito, Julie. – Eu só espero que ele acorde logo – eu disse agoniada e Tyler, percebendo, apertou a minha mão com um pouco mais de força. – Estarei do seu lado – disse. Agora o grandão desastrado tem um sorriso no rosto, nós dois temos. Os cabelos dele estavam do mesmo jeito da última vez que eu o vi. O cabelo castanho-escuro um pouco encaracolados. O sorriso deixava-o um pouco mais bonito do que realmente ele era. Apesar da situação, toda vez que estou com Tyler não consigo deixar de sorrir. Ele era o meu melhor amigo e de mim ninguém iria tirá-lo.

21

Marca da Lua-prova3.indd 21

22/1/2014 17:17:30



Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.